laranja vermelha com calda morna de mel & alecrim

laranja-mel_2S.jpg

No final do ano em Londres, aproveitei bastante os dias de convivência com minha família, mas não consegui passear muito. Até fiz planos de visitar a Petersham Nurseries e almoçar no café ou mesmo tomar um chá, mas não consegui. Quando voltei da viagem, coloquei livros de alguns chefs ingleses na minha wish list da Amazon, entre eles os da Skye Gyngell, a simpática chef do café da Nursery. O primeiro que comprei foi My Favorite Ingredients, onde ele dá receitas feitas com 16 de seus ingredientes favoritos. Marquei muitas para fazer, é claro. Mas a primeira que coloquei em prática foi essa sobremesa incrivelmente delicada, feita com as laranjas vermelhas [blood oranges] que ainda estão na estação por aqui, mas logo desaparecerão.

Acho as laranjas vermelhas lindíssimas. Não tem páreo para elas nessa disputa de beleza. Elas são docinhas, mas podem ter um leve toque amargo, o que as deixa ainda mais charmosas. Essa receita serve 4 pessoas.

6 laranjas vermelhas
1/2 xícara de um mel leve e aromatico [*usei de flor de laranjeira]
3 colheres de sopa de água
3 ou 4 raminhos de alecrim fresco, mais para decorar
1 pequena pimenta vermelha seca bem picadinha
[*opcional, não usei]

Descasque as laranjas com uma faquinha bem afiada, removendo também toda a parte branca. Corte em fatias. Passe o rolo de macarrão pelos raminhos de alegrim, para machucá-los um pouco e liberar os aromas. Numa panela coloque o mel, a água e os raminhos de alecrim. Deixe aquecer no fogo baixo, mas não deixe ferver. Arrume a fatias numa travessa ou em pratos individuais. Remova os raminhos de alecrim e regue as fatias de laranja com o mel aquecido. Se for usar a pimenta seca picadinha, salpique por cima das fatias de laranja. Decore com raminhos frescos de alecrim se quiser e sirva.

sorvete de leite queimado

geladoleitequeimado_1S.jpg

Vou inaugurar a estação dos sorvetes mais cedo este ano, tudo por causa do Alex Atala. Pra dizer a verdade eu nunca paro de fazer sorvetes. Mesmo no inverno, eu faço uma receita aqui e outra ali, quase sempre repeteco. Mas desta vez é uma receita especial. Tudo começou quando li este texto do Luiz Américo comentando o restaurante D.O.M. do Alex Atala. Elogios pra cá, elogios pra lá, chego no final do quarto parágrafo e leio as palavras mágicas—sorvete de leite queimado.

Nunca comi nos restaurantes do Atala, não tenho o livro dele, nem sei muito sobre ele, tirando o fato de que ele é considerado um dos chefs mais inovadores da gastronomia brasileira, usando ingredientes nativos de maneira criativa e inusitada. Imagino que tudo o que ele inventa e prepara deve ser superbacana, porque alguém que faz um sorvete de leite queimado só pode ser um gênio.

Pra mim, leite queimado é uma viagem de memória de volta à minha infância. Bebi tanto desse nectar tão simples de preparar, que funcionava até como um placebo para aplacar todos os achaques de criança super ativa e endiabrada. Remédio pra que, se podíamos beber um xicrão de leite queimado fumegante?

Pois com esse gosto de infância feliz reavivando meu paladar, me meti a preparar um sorvete de leite queimado. Não deve ser complicado, pensei. E não foi. E ainda por cima, esse gelado fenomenal saiu da sorveteira denso e cremoso, prontinho para ser atacado por colheradas ansiosas.

1 xícara de leite integral
5 colheres de sopa de açúcar mascavo escuro
[se preferir mais doce, use 6 colheres]
1 xícara de creme de leite fresco
1 colher de chá de alguma bebida alcoolica, licor de café, vodka, eu usei pinga de banana [opcional]

Numa panela, coloque o açúcar e leve ao fogo médio. Sempre vigiando deixe o açúcar derreter até fazer um caramelo. Use uma colher de pau e vá mexendo a panela com cuidado pro caramelo não queimar. Quando o açúcar estiver todo derretido, jogue o leite. O caramelo vai empedrar. Vá mexendo com uma colher de pau ou batedor de arame até ocaramelo derreter totalmente e o leite ficar cremoso. Desligue o fogo, coloque o leite queimado numa vasilha, junte o creme de leite, mexa bem e leve à geladeira. Quando o liquido estiver bem gelado, junte o alcool e coloque tudo na sorveteira. Vinte minutos depois, remova o sorvete da sorveteira, coloque num recipiente de vidro com tampa e guarde no congelador até a hora de servir.

um tipo de pissaladière

falsapissaladere_1S.jpg
falsapissaladere_3S.jpg

Na última segunda-feira, assustadas e abobalhadas com a quantidade de verduras entuchadas na cesta orgânica, eu e a Marianne tivemos a pachorra de contar: DEZ tipos diferentes de folhas verdes. Dez, mes amis, DEZ. Eu sugeri que ela adquirisse um bom livro de receitas vegetarianas, porque não tem criatividade culinária que se sustente sozinha nesse monocromático panorama.

Persisto nos repetecos das folhinhas picadas e refogadas com alho ou cebola e respingadas com limão, que tanto eu como o Uriel gostamos. Mas com tanta variedade, HAJA verdurinha refogada, hein? A morte pelo tédio certamente e felizmente nunca será uma ameaça concreta se depender da minha capacidade de correr atrás de idéias. Até que tenho feito bastante coisas diferentes com as verduras. Como aquela torta com massa de azeite, que foi um achado. E agora encontrei outra forma de consumir as verduras, de maneira criativa e deliciosa.

Voltei a fazer a massa da pizza de sábado em casa. Eu tenho fases intercaladas de ânimo e preguiça. Ando numa fase animada. Só que a receita perfeita, que uso já faz uns anos, faz duas pizzas grandes com massa bem fininha, o que não é muito prático numa casa com duas pessoas. A solução que eu encontrei foi fazer duas massas, deixar uma guardada na geladeira, já pre-assada, esperando para virar pizza no outro sábado. Mas essa idéia não vingou como eu queria, pois na segunda-feira eu já arrumei outro uso para a segunda massa.

Lembrei da deliciosa pissaladière, uma espécie de pizza provençal feita no sul da França, coberta de cebolas caramelizadas e azeitonas pretas. Imaginei um tipo de pissaladière com ou sem as cebolas, mas com muita verdura e um outro legume ou cogumelos, um queijinho e voilá!

Usei a segunda massa de pizza, que ganhou uma cobertura com folhas e caules de mostarda, fatias de cebola e cogumelos chanterelle refogados no azeite e temperados com sal marinho e pimenta do reino moída, um punhado de azeitonas pretas espalhadas e raspinhas de queijo parmesão por cima. Daí é só terminar de assar no forno em 365ºF/ 185ºC.

Refiz a mesma pissaladière numa outra segunda-feira, usando uma mistura de folhas verdes refogadas no azeite, alcachofras grelhadas e conservadas no azeite que comprei prontas, azeitonas pretas e pedacinhos de queijo de cabra.

Já pensei em mil e uma variações diferentes, sempre usando verduras, até quando essa invasão verde-clorofila durar.

a primavera chegou
[nos pomares de amêndoas]

flores-amendoal_3S.jpg
flores-amendoal_4S.jpg
flores-amendoal_5S.jpg
flores-amendoal_6S.jpg
flores-amendoal_7S.jpg

Uma semana depois da nossa primeira tentativa de ver as árvores floridas, dirigimos um pouco mais pro norte e encontramos muitos pomares assim, empipocados de flores. Ficamos meio na dúvida se essas eram amendoeiras, mas tivemos a confirmação achando muitas cascas ressecadas e apodrecidas das frutas espalhadas ao redor. Logo elas ficarão cheias de folhas verdes e depois de frutinhos. A colheita é no final do verão. Ainda temos uma longa espera pela frente.

gelatina de limão & iogurte

agarlimaoiogurte.jpg

Ainda em busca de variações para uma gelatina cremosa, fiz a mais gostosa até hoje na minha opinião. Usando agar-agar, troquei o leite pelo iogurte e adicionei limão. Já repeti a receita, de tanto que nós gostamos. Usei um limão meyer, que é bem forte e aromático. O iogurte natural orgânico e integral é do tipo europeu, bem cremoso. E o adoçante escolhido foi o nectar de agave. Como a agar-agar solidifica rapidíssimo, preparei a gelatina às 5:30 e comemos ela perfeita, como sobremesa do jantar às 7pm. Também gosto da gelatina de agar-agar pra levar de snack no trabalho, já que ela se mantém muito bem fora da geladeira.

1 limão meyer, casca ralada e sumo espremido
1 xícara de iogurte natural e integral
1 envelope de 4 gr de agar agar
Adoçante a gosto - usei o nectar de agave

Coloque o suco que conseguir do limão numa xícara [medida padrão de 250 ml] e complete com água até encher a xícara. Nessa receita foi mais ou menos 2/3 de suco e 1/3 de água.

Numa panela, coloque a xícara de suco do limão completado com água, as raspas da casca de limão e salpique o envelope de agar-agar. Leve ao fogo, misture bem e deixe ferver.

Remova do fogo, junte a xícara de iogurte, bata bem com um batedor de arame. Junte o adoçante de sua preferência e misture até dissolver bem. Se for usar açúcar, é melhor ferver junto com a xícara de limão e agar-agar, para dissolver mais fácil.

Coloque o liquido numa vasilha ou molde molhado com água. Leve à geladeira. Quando solidificar, desenforme e sirva,

chocolate quente parisiense

chocolatequente1S.jpg

Este chocolate quente é para ser bebido com alegria e prazer e sem nenhuma crise de consciência. David Lebovitz conta no seu livro The Sweet Life in Paris, que essa é a bebida que os turistas buscam quando visitam a cidade e nem sempre encontram a autêntica. Segundo ele, muitos lugares apenas misturam um pozinho no leite quente. Mas ele recomenda um bom lugar para se beber o melhor chocolate quente parisiense, denso e aromático—La Pâtisserie Viennoise. Ou então fazer em casa, usando essa receita super fácil.

faz duas porções americanas ou quatro parisienses
2 xícaras - 500 ml de leite integral
140 gr de chocolate meio amargo da melhor qualidade que puder encontrar e comprar—eu usei o semi-sweet da Scharffen Berger.
1 pitada de sal

Coloque o leite, o chocolate em pedaços e a pitada de sal numa panela e leve ao fogo, mexendo com um batedor de arame, até o leite ferver. Nisso, abaixe o fogo no mínimo e cozinhe, mexendo sempre, por três minutos. Sirva imediatamente. Pode decorar com chantily ou colocar açúcar, mas eu achei desnecessário. Esse chocolate pode ser preparado com até cinco dias de antecedência, guardado na geladeira e reaquecido na hora de servir.

torta de castanhas

bolocastanhas_1S.jpg

No final do ano me entusiasmei comprando ingredientes para a ceia do dia primeiro, sem poder imaginar que ficaria doente e não tivesse a mesma disposição que tenho sempre para enfrentar a cozinha. Muita coisa sobrou e encalhou. E uma delas foram dois pacotes de castanhas portuguesas já descascadas e cozidas no vapor. Estava um pouco ansiosa para usar logo as castanhas, que aqui são um produto sazonal e portanto não disponível o tempo todo nas prateleiras e bancas dos mercados. Escolhi esta receita de torta de castanhas publicada pelo Chef Janvier para usar meu estoque desse ingrediente precioso. Fiz exatamente, usando as medidas em gramas com a juda da minha balança eletrônica, não adaptei nadinha, também não inventei um pingo. Tal como está lá, está cá. A minha torta ficou com uma textura mais para o lado de um suflê bem pesado. E vou dizer com toda a sinceridade—ficou uma delícia simplesmente absurda! Até o crítico, que já tinha confessado não gostar de castanhas portuguesas, devorou a torta com entusiasmo. Portanto, se um bocadito dessas deliciosas castanhas cruzarem o seu caminho, não deixe passar a oportunidade, faça correndo esta receita!

400 g de castanhas portuguesas já cozidas, sem casca e sem pele
100 g de de amêndoas
200 g de açúcar
100 g de manteiga sem sal
4 ovos inteiros
Raspa da casca de 1 limão
Açúcar de confeiteiro para decorar

Cozinhe as castanhas em água com uma pitada de sal e um pouquinho de sementes de erva doce. Reduza a um purê, usando um garfo, amassador de batatas ou a batedeira. Triture as amêndoa no processador para obter uma farinha grossa. Separe as claras das gemas. Bata as gemas com o açúcar, e adicione a manteiga derretida e a raspa do limão. De seguida junte as amêndoas e as castanhas em purê e envolva tudo nas claras, já batidas em neve.

Unte uma forma de torta ou bolo funda com manteiga e farinha, e leve para assar em forno pré-aquecido em a 355ºF/ 180 ºC por uma meia hora [*o meu levou mais tempo, vá testando]. Deixe esfriar, desenforme e decore generosamente com açúcar de confeiteiro.

ainda era inverno
[nos pomares de amêndoas]
pomar de amendoas
pomar de amendoaspomar de amendoas
pomar de amendoas
pomar de amendoaspomar de amendoas

Saímos para dar um rolê pelas fazendas de amêndoas da minha região, porque eu achava que à esta altura as árvores já estariam floridas. Durante o inverno todos os pomares de amêndoas, nozes, castanhas e pistachos ficam com essa cara de desolação acinzentada. Mas quando as árvores começam a florir, é um espetáculo. Infelizmente fizemos esse passeio com uma semana de antecedência e foi só isso que encontramos—corredores e mais corredores quase infinitos de galhos cinzas. Bem diferente dos mesmos pomares no final do verão, próximo da colheita, quando as árvores ficam abarrotadas de frutos.

Levei minha câmera, mas quando vi que não havia nenhuma florzinha no horizonte, desanimei e fiz esses cliques com o celular mesmo. Tenho que admitir que ando usando pouquissimo a câmera, encantada que estou com as inúmeras possibilidades de interatividade que o celular me proporciona. Virei uma iPhone Photo Junkie e nem vou mentir.

the [real] meaning of life
Roux-numa preguiça danadaRoux-numa preguiça danada
Roux-numa preguiça danadaRoux-numa preguiça danada
Roux-numa preguiça danadaRoux-numa preguiça danada
Roux-numa preguiça danadaRoux-numa preguiça danada
Roux-numa preguiça danadaRoux-numa preguiça danada
bolinho de limão & tomilho

bolinholimaotomilho_3S.jpg

Estes deliciosos bolinhos foi a primeira receita da Pioneer Woman que eu coloquei em prática, apesar de ter várias dela enfileiradas naquela lista infinita de receitas por fazer. Gosto das receitas da Ree Drummond, porque ela explica tudo nos micro-detalhes com fotografias. Muito difícil errar, a não ser que você desvie muito e não siga o passo-a-passo. Adorei a idéia de misturar limão com uma erva tão simpática como o tomilho e ainda a adição do azeite. Neste caso eu recomendo fortemente que se faça o glacê. Eu dei uma desequilibrada na receita, usando mais suco de limão do que açúcar. O glacê faz a diferença, acrescentando um toque citrico muito delicioso aos bolinhos. E ainda tem o plus que tudo é feito no liquidificador, hooray! Levei alguns para meus colegas no trabalho e eles desapareceram da bancada rapidamente. Ganhei de presente um elogio do meu chefe, que disse enquanto dava uma mordida animada num dos bolinhos—eu aprovei!

olive oil cakes with lemon and thyme
1 colher de sopa de manteiga derretida
1 1/3 xícara de açúcar
2 colheres de sopa de raspinhas da casca de um limão
2 ovos
1/4 xícara de azeite
2/3 xícara de leite
1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal
1 colher de sopa de tomilho fresco picadinho

para o glacê
1 xícara de açúcar de confeiteiro
2 colheres de sopa de manteiga derretida
4 ou mais colheres de sopa de suco de limão

Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC. Unte formas para muffin com a manteiga derretida e polvilhe com um pouco de farinha de trigo. Coloque o açúcar e as raspas da casca do limão no copo do liquidificador e pulse até misturar. Adicione os ovos, um de cada vez, continue pulsando e adicione o azeite e o leite. Pulse por apenas uns 30 segundos.

Numa outra vasilha coloque a farinha, o fermento, o sal e o tomilho e misture bem com um batedor de arame. Adicione essa mistura e farinha no copo do liquidificador em duas porções, vá pulsando até a mistura ficar bem misturada na massa. Coloque a mistura nas forminhas untadas e enfarinhadas e leve ao forno por uns 25 minutos.

Faça o glacê, misturando os três ingredientes com um batedor de arame. Remova os bolinhos da forma, espere esfriar uns minutos e mergulhe a parte superior de cada um no glacê, depois decore com folhinhas de tomilho.

gelatina cremosa de cereja

gelatina-cerejacreme_1S.jpg

A cremosidade dessa gelatina era o objetivo final para essa receita, mas vacilei um pouco na adição do leite e ela ficou menos cremosa do que eu gostaria. Vou refazer usando outra fruta e vou ousar mais no creme, aumentando um pouco a quantidade de leite. Essa delicia refrescante foi feita com o agar-agar, a gelatina japonesa de algas marinhas. Usei uma forma bundt pequena para moldar. O legal do agar-agar, além de ser uma opção vegana, é que ela solidifica muito rápido e tem uma textura muito mais compacta do que a gelatina comum. Para fazer essa receita, usei um suco purissimo de cerejas negras. Eu leio sempre os rótulos dos produtos que compro e deixo de comprar se tiver muita coisarada na lista de ingredientes. Esse suco era apenas suco de cereja, sem preservante, conservante, corante e todos aqueles eteceterás ininteligíveis. Use o suco do sabor que você quiser.

Numa panela ferva 2 xícaras do suco de fruta com dois envelopinhos de 4gr cada de agar-agar. Quando ferver, remova a panela do fogo e adicione mais 2 xícaras de suco. Como eu queria uma gelatina cremosa, usei na segunda fase 1 2/3 xícara de suco e 1/3 de xícara de leite integral. Mas da próxima vez vou aumentar a quantidade do leite pra 1/2 xícara e diminuir o suco para 1 1/2 xícara. Adoce a gosto. Eu usei o nectar do agave. Coloque numa forma molhada e leve à geladeira. Quando solidificar desenforme e sirva.

torta de verdura

swisschardpie_1S.jpg
swisschardpie_2S.jpg

Fiquei sem geladeira por três dias. A dita cuja parou de funcionar provavelmente na quinta à noite, mas eu só fui perceber que algo estava errado na sexta pela manhã, quando vi o chão da cozinha todo alagado. Mas como só pude pensar no assunto quando cheguei do trabalho no final do dia, perdi algumas coisas que estavam no freezer. O que salvou a patria foi a geladeira velhusca e feia que tenho dentro da garagem. Ela alojou a maioria das comidas, até a visita do técnico, que só aconteceu na segunda-feira. Com esse bafafá todo, tive que usar algumas coisas na correria. As frutas descongeladas que não foram pro lixo, viraram geléia. E as folhas verdes, que eu não quis passar pra geladeira da garagem, acabaram virando uma torta deliciosa. A receita original, publicada na edição de fevereiro de 2009 da revista Everyday Food pedia swiss chard, mas eu usei três tipos diferentes de folhas e metade de um repolho, fatiado fininho. Essa torta me lembrou uma torta de escarola que minha mãe costumava fazer. Com certeza dá pra fazer usando qualquer outra verdura, como escarola, chicória, mostarda ou acelga. A massa é simplesmente o fino da bossa—fácil de fazer e de abrir. Já refiz essa mesma massa, para uma torta de frango. E vou fazer ainda mais uma vez, usando um recheio de palmito. Uma receita & mil e uma variações.

recheio de verdura
2 colheres de sopa de azeite
1 cebola media picada
4 dentes de alho picados
1 quilo de folhas verdes [*swiss chard na receita original, mas eu usei uma mistura de três tipos diferentes de folhas verdes, mais metade de um repolho pequeno]
3/4 colher de chá de flocos de pimenta vermelha
Sal a gosto
1/2 xícara de queijo parmesão ralado
3 colheres de sopa de farinha de trigo
raspas da casca de 1 limão grande
1 colher de sopa de suco de limão

Numa panela, adicione o azeite e refogue ali a cebola e o alho ate ficarem macios. Adicione as folhas verdes picadas, caules também e a pimenta vermelha e o sal. Refogue por uns 4 minutos, com o fogo baixo e a panela tampada. Desytampe e cozinhe por mais uns minutos, mexendo de vez em qdo. Se formar água, escorra. Adicione o queijo, a farinha, as raspas e suco de limão. Acerte o sal e coloque o recheio na forma forrada com a massa.

massa de azeite
Numa vasilha coloque 2 1/2 xícaras de farinha de trigo, 1/3 xícara de azeite extra virgem, 1/2 xícara de água gelada, 3/4 colher de chá de sal marinho grosso. Misture bem com um garfo, depois amasse com as mãos e sove por um minuto. Faça uma bola, cubra com plástico ou pano de prato e deixe descansar por meia hora em temperatura ambiente.

Para abrir, divida a massa em 2/3 e 1/3. Abra a parte maior e forre uma forma de fundo removível de 20 cm. Coloque o recheio, cubra com a outra parte menor da massa, pincele com uma mistura de ovo e água, faça quatro cortes na massa para sair o vapor e leve ao forno pré-aquecido em 400ºF/ 205ºC por 1 1/2 hora.

A torta já montada pode ser congelada crua, dentro da forma e embrulhada em plástico e papel alumínio. Coloque ela desembrulhada no freezer por 30 minutos. Embrulhe e guarde por até 2 meses. Quando for assar, pode fazer com ela ainda congelada.

365

Só porque eu quase não tenho o que fazer, né? Três blogs, uma casa, um marido, dois gatos, um emprego período integral. Mas eu já tava de olho em algumas pessoas que praticavam o projeto chamado 365—isto é, publicar uma foto por dia, nos 365 dias do ano. Estava praticamente fazendo isso diáriamente no meu Twitter, usando o Twitpic, um dos inúmeros álbuns disponíveis por lá. Mas o problema desse espaço é que fica tudo engolido na falação e se você não acessa o Twitter, não acompanha nada e fica meio sem um caminho de acesso.

Daí que então, inspirada e incentivada pela Mariana Newlands, que é uma das pessoas mais criativas e talentosas que eu conheço e que tem um 365 dias lindo, resolvi fazer o meu. E combinei de iniciar os meus dias em fotos, junto com outra talentosa querida que também decidiu fazer o dela—a Dadivosa e os seus (quase) 365 dias.

Estou adorando esse meu novo projeto, publicando uma foto de celular por dia, nos meus 365.

as flores, as cores

floresco-op1S.jpg
floresco-op2S.jpg

Apesar de ainda estarmos no inverno, a floração de muitas árvores já começou por aqui. É um espetáculo de cair o queixo, um deleite para os olhos. Eu não consigo passar batido sem fazer alguns cliques, mesmo sabendo que eles ficam basicamente iguais. Entrando no Co-op para fazer minhas comprinhas semanais, vi esse arbusto todo enfeitado com essas flores de cor tão impressionante. Com o celular mesmo, fiz uns cliques.