
Está confirmado o fenômeno: chega uma certa altura do inverno, me dá uma vontade intensa de comer gelatina. Exatamente como aconteceu naquela outra vez, precisei matar as lombrigas com uma gelatina refrescante de fruta. Desta vez escolhi a pera. Comprei um suco integral de peras orgânicas, daqueles sem nada além da fruta. Só que quis misturar a pera com algo cremoso, então fiz a gelatina de creme de baunilha.
Faça uma gelatina de cada vez, usando para cada sabor 2 xícaras de liquido, 2 envelopes de 7 gramas cada um de gelatina em pó sem sabor e o adoçante da sua preferência—eu escolhi o mel.
Para a gelatina de pera, coloque 1/2 xícara do suco num refratário retangular. Salpique os dois pacotes [14 gr] de gelatina sobre o liquido. Enquanto isso, coloque os outros 1 1/2 xícara de suco numa panela e leve ao fogo até quase ferver. Despeje o suco quente sobre a mistura de gelatina, misture bem com um batedor de arame até ficar tudo bem dissolvido. Adoce a gosto. Eu usei o mel. Deixe esfriar, cubra e leve à geladeira até firmar.
Para a gelatina de creme, coloque 2 xícaras de leite integral [use o melhor leite que puder achar e comprar] numa panela, abra meia fava de baunilha ao meio e raspe as sementes com uma faquinha. Coloque a fava e sementinhas no leite e leve ao fogo até ferver. Deixe esfriar completamente e descansar. Pode fazer com muitas horas de antecedência ou de um dia pro outro. Quando o leite estiver completamente frio, coe a fava [e deixe secar para reusar aromatizando açúcar] e coloque 1/2 xícara do liquido num refratário retangular, salpique os dois envelopes [14 gr] de gelatina sobre o leite. Enquanto isso leve o 1 1/2 xícara restante de leite ao fogo, desligue quando estiver quase fervendo. Jogue o liquido quente sobre a mistura de gelatina, mexa bem com um batedor de arame até ficar completamente dissolvido. Adoce a gosto. Eu usei mel. Deixe esfriar, cubra e leve à geladeira para firmar.
Na hora de servir corte as duas gelatinas em cubinhos e coloque em cumbuquinhas ou copinhos, os dois sabores misturados.
Há mais ou menos três anos resolvi centralizar a maioria das minhas compras num só lugar. Costumava ficar pulando de galho em galho, até que percebi que o melhor estava bem ali na minha frente, ou melhor, à poucos blocos da minha casa. Escolhi fazer a maioria das minhas compras
no Co-op de Davis por inúmeras outras razões, além da proximidade. Primeiro, porque este supermercado é uma coperativa. Isto é, posso pagar uma anuidade e ter algum poder de decisão no que acontece por lá. Eu posso votar para eleger a administração, tenho uma pequena parte nas ações e recebo um desconto de 5% em todas as compras. Mas ainda não é só por isso, mas sim porque também no Co-op eu encontro tudo o que quero e preciso. Por exemplo, o leite orgânico de uma fazenda local, a Straus Family, que vem em vidros retornáveis e não em plástico ou caixa de papel. E os pães da melhor padaria de Davis, ou do Napa ou as delicias da Acme Bread de Berkeley. O Co-op se esmera para oferecer produtos locais e orgânicos, sustentáveis, fair trade e únicos. O seu açougue é o único em que eu confio para adquirir carnes de animais criados num sistema humanitário. E só lá posso comprar banana fair trade, sem falar que eles têm a melhor e mais variada seção de produltos a granel [bulk] e uma imensa oferta de produtos de banheiro e beleza alternativos. Alías, prefiro o Co-op porque muitos produtos eu só consigo achar por lá.

Faço uma visita ao Co-op uma vez por semana. Costumava ir mais vezes, mas felizmente consegui me organizar. Combino minhas compras no Farmers Market e Co-op, com pulinhos aqui em outros poucos lugares. Estou contente com a minha decisão de centralizar minhas compras num supermercado onde me sinto completamente satisfeita e confortável.
O Co-op é pequeno e passou por umas reformas sem fechar, quando tivemos que ter muita paciência com a confusão. O chão continua desfeito, mas ninguém parece se importar muito com esse detalhe. O ambiente lá é tão acolhedor, que quando entro em outros supermercados maiores, me sinto perdida e intimidada. Se bem que qualquer supermercado aqui vai te proporcionar uma experiência magnifica de compras, com prateleiras cheias de produtos variados e maravilhosos, ambiente super lindo e muito bem iluminado, funcionários bem humorados e gentis, eteceteráeteceterá. Mas pra mim, lugar nenhum tem a atmosfera do Co-op. Somente talvez, outro Co-op.

Vou chover no molhado escrevendo novamente tudo o que já escrevi anos atrás sobre o tal supermercado do tomatão. Mas é sempre assim, se você parar qualquer funcionário pra fazer qualquer pergunta, vai receber uma atenção tripla, talvez até uma aula ou com certeza uma tour. Na hora de pagar, os caixas sempre conversam com você [e entre eles] e, no meu caso fazem comentários elogiosos sobre a minha roupa e sobre a minha cesta e sacolas ecológicas, além de sempre comentarem ou fazerem perguntas sobre as suas compras. Nem sempre tem alguém para colocar os produtos nas suas sacolas, mas tem sempre gente interessante te dando dicas, puxando papo e comentando que aquele pão de canela que você comprou deve ser absolutamente delicioso, mas também super saudável, pois você sabia que a canela está sendo considerada o novo tempero super-poderoso do momento?
[com cenoura e coentro]

Cozinhei os rice beans na minha panela de terracotta com um dentão de alho. Deixei os grãos al dente, pois pretendia fazer uma salada. E fiz essa bem simples, com os feijões cozidos, cenoura ralada e folhinhas frescas de coentro. O tempero foi uma vinagrete feita com limão cravo, azeite aromatizado com tangerina, um pouquinho de pimenta do reino branca moída e sal maldon.
Como cozinhei bastante feijão, no dia seguinte fiz esta versão muito bacana da tortilla catalã que brilhou no palco deste mesmo blog anos atrás. Desta vez não usei o alho verde, mas abusei da cebolinha [usei a parte branca e a verde] e salsinha. Também adicionei um punhado de queijo manchego ralado e tcharãn—tivemos um jantar delicioso pronto em poucos minutos. Como fiz uma tortilla grande, comi as sobras no meu almoço do dia seguinte. Coloquei bastante feijão e como ele estava bem firme, a tortilla ficou realmente bonita e substanciosa.


Estou lendo The Sweet Life in Paris do David Lebovitz à passos largos, meu segundo livro no Kindle. Sempre achei o Lebovitz um cara muito engraçado e consigo rir com ele em muitas das coisas que ele relata, pois de uma certa maneira, uma maneira meio que invertida, consigo me colocar no lugar dele. Ele é um americano vivendo na França e já registrou neste livro pra quem quiser ler, que vai ficar por lá, se sujeitando à humilhação de renovar o visto todo ano, pelo período mais longo que puder. E como todo estrangeiro, ele tem seus momentos de surpresa, encantamento, revolta, crítica e reflexão. Me identifico à beça porque já tive meus momentos de choque, como aquele clássico—onde está o maldito ralo para eu poder esguichar água neste banheiro imundo? Hoje já me ajustei tão absurdamente bem à tudo, que até consigo entender como esse norte americano vê o estrangeiro.
Mas o livro não é só textos pitorescos e engraçados com dicas bacanas de lugares de comer e visitar em Paris. Sendo o autor um pastry chef, cada curto capítulo é interrompido por uma receita maravilhosa. Receitas com todos os ingredientes que ele tem em abundância em Paris e pelos quais nós, reles mortais espalhados pelo resto do mundo, o invejamos tanto. Já marquei várias delas, mas a primeira que eu tinha que fazer era a desse bolo de absinto, a delicada fada verde de quem já sou fanzoca. Adoro todas essas bebidas feitas com base de anis, como o absinto, o pastis ou o arak. Sei que o absinto que usei não deve ser o melhor, como o recomendado pelo dono da lojinha parisiense especializada na bebida, que aconselhou Lebovitz. Mas mesmo assim o bolo ficou incrivelmente bom! Ele recomenda usar a farinha de pistachos, que dá um tom verde à massa, mas não achei pra comprar em lugar nenhum. Até pensei em moer os próprios e fazer a farinha eu mesma, mas na hora esqueci e usei a farinha de amêndoas que eu já tinha. E dá pra usar o cornmeal também e outra bebida de anis. A única coisa que não aprovamos foi o glacê. Achamos muito doce e muito alcoolico, acabamos raspando antes de comer. Mas faça se quiser ou como quiser.
3/4 colher de chá de sementes de anis [erva-doce]
1 1/4 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de farinha de pistachos ou de amêndoas ou cornmeal
2 colheres de chá de fermento em pó [de preferência o sem alumínio]
1/4 de colher de chá de sal
8 colheres de sopa de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 xícara de açúcar
2 ovos grandes em temperatura ambiente
1/4 xícara de leite integral
1/4 de absinto
Raspas da casca de 1 laranja [de preferência orgânica]
para o glacê
3 colheres de sopa de açúcar
1/4 de xícara de absinto
Raspas de casca de laranja, se quiser
Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC e unte uma forma de pão de 9"/23cm com manteiga e forre o fundo com papel vegetal.
Moa as sementes de anis usando um pilão. Numa vasilha misture com o batedor de arame a farinha de trigo, a farinha de pistachos [ou amêndoas ou cornmeal], o fermento, o sal e as sementes moídas. Reserve.
Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar até ficar uma mistura bem leve e fofa. Adicione os ovos, um de cada vez até eles ficarem completamente incorporados ao creme. Numa vasilha pequena junte o leite e o absinto e as raspas de laranja. Misture metade dos ingredientes secos ao creme de manteiga e ovos. Junte a mistura de leite e absinto. Com uma espátula misture o resto dos ingredientes secos e incorpore delicadamente até fica ficar uma mistura lisa, mas não misture demais. Coloque a massa na forma untade e leve o forno por 50 minutos. Remova do forno de deixe esfriar por 30 minutos. Remova da forma, retire o papel e coloque o bolo numa travessa.
Para fazer o glacê apenas misture o açúcar com o absinto, somente para misturar, não deixe o açúcar se dissolver. Pode adicionar mais raspas de laranja se quiser. Faça furos na superfície do bolo e pincele o bolo com a mistura de açúcar e absinto.

Peguei essa receitinha de salada de laranja marroquina no jornal SFGate. Este é o momento para abusar dos citros, que estão no seu pico de fartura e doçura. As laranjas cara-cara têm sido as minhas favoritas nesta temporada. Elas tem a polpa avermelhada, como as blood oranges, mas são dulcíssimas, realmente deliciosas. Foi com elas que coloquei essa salada em prática.
4 laranjas descascadas e cortadas em fatias finas
[remova o máximo da parte branca]
1/4 de xícara de azeitonas pretas secas, ou das verdes, ou uma mistura das duas [*usei somente as secas]
4 colheres de sopa de azeite extra-virgem
1 pouquinho de harissa para dar gosto
Arrange as fatias de laranja numa travessa, espalhe as azeitonas por cima. Separadamente misture o azeite e a harissa com um batedor de arame. Coloque o molho sobre as laranjas, cubra e leve à geladeira por algumas horas. Antes de servir, deixe a salada chegar à temperatura ambiente. A receita não pede sal, mas eu polvilhei um pouquinho de flocos de sal maldon por cima.

Tenho um caso de amor e ódio com massas. Eu amo as massas, mas elas me odeiam. E eu odeio de volta quando elas teimam em implicar comigo e não fazer o que supostamente deveriam fazer—esticar, ficar bonita, saborosa, crocante. Eu fazendo massa é como eu desativando uma bomba. Eu esticando massa é como eu tentando amansar cachorro louco. O estresse é sempre inevitável. Eu engano vez e outra, usando massa pronta em algumas receitas, porque sempre tremo quando preciso botar as mãos numa. Já fiz massas deliciosas e que deram certo sem muito suor e lágrimas, mas as pedras no caminho são muito mais frequentes.
Mesmo assim eu insisto, sou uma turrona e sempre que estou com a disposição, peito fazer a massa de frente. Sem falar que não dava pra substituir a massa dessas empanadas por nada pronto, porque na foto da revista Everyday Food, ela se mostrava toda garbosa salpicada de ervinhas.
Estou tentando fazer uma reflexão aqui, sobre o motivo de eu ter sido atraída por essa receita, já que não sou fã de carne de porco, muito menos moída, sem falar das minhas notórias batalhas com as massas. Deve ter sido a presença do tomilho e dos pinoles, sabe-se lá, mas resolvi fazer as empanadas. O recheio foi tranquilo. Troquei a carne de porco moída por duas linguiças frescas. Mas a massa—ah, a massa! Primeiro achei que era muita farinha, mas não era não. A receita é pra fazer oito empanadonas, então tem que seguir com fé. Mas mesmo eu tendo tido o maior cuidado com as medidas dos ingredientes, a massa não me deu mole e na segunda metade acabei tendo que fazer remendos, que deixaram as empanadas com cara de foragidas da lei se arrastando pelo deserto.
Claro que fiquei toda nervosinha, claro que reclamei que elas tinham ficado feias, claro que quase chorei quando vi as fotos mostrando os remendos, mas relevei tudo isso porque ao menos elas ficaram gostosas. Como a receita dizia que elas duram um mês no congelador, guardei metade e então vou ter empanadas pra mais uma refeição num futuro bem próximo, sem precisar mais estressar com a bendita massa!
faz 8 empanadas
para o recheio:
1/2 batata média cortada em cubinhos pequenos
1 colher de sopa de azeite extra-virgem
1/2 cebola pequena picadinha
1 dente de alho picado
250 gr de carne de porco moída
[*usei duas liguiças frescas, que abri e usei o recheio]
2 colheres de chá de folhas de tomilho fresco, extra para decorar
1 1/2 colher de chá de folhas de sálvia fresca picadas [*omiti]
2 colheres de chá de farinha de trigo
2 colheres de sopa de uvas passas
2 colheres de sopa de pinoles tostados
1 colher de sopa de vinagre sherry [jerez]
Sal marinho grosso e pimenta do reino moída na hora
1 receita da massa para empanadas
1ovo
Numa panela robusta, aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho, adicione a carne moída e refogue bem até a carne estar totalmente cozida, junte a batata picadinha e continue refogando até os cubinhos ficarem cozidos. Junte o tomilho e a sálvia. Adicione a farinha de trigo e misture bem. Adicione as passas e 2 colheres de sopa de água. Cozinhe até dar uma engrossada. Desligue o fogo, junte os pinoles e o vinagre. Salgue e adicione pimenta moída a gosto. Reserve.
para a massa:
4 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de sopa de sal
2 colheres de sopa de folhas de tomilho fesco
3/4 cups [1 1/2 tabletes ou 170gr] de manteiga gelada cortada em cubinhos
1 1/4 xícaras de água bem gelada
No processador pulse a farinha, fermento, tomilho e sal. Adicione a manteiga e pulse até adquirir uma farofa. Vá juntando a água gelada aos poucos [de 1 colher de sopa por vez] até a massa desprender e ficar no ponto de amassar. Vire a massa numa superficie enfarinhada e sove até ela ficar lisa e macia. Divida a massa em dois. Abra cada parte e corte com a ajuda de um pratinho roldelas de 15 cm cada.
Pré-aqueça o forno em 400ºF/ 205ºC. Recheie cada rodela de massa na parte de baixo e feche, formando uma meia lua. Passe água na beirada, junte as duas partes e amasse com um garfo para fechar bem. Pincele com uma mistura de 1 ovo batido e uma colher de sopa de água. Decore com folhinhas de tomilho fresco. Distribua as empanadas em duas assadeiras forradas com papel alumínio e asse por uns 30 minutos, até elas ficarem douradas.

Apesar do aspecto deveras estranho, essas flores de hibiscus são bem gostosas—um pouquinho doce, outro pouquinho azeda. E são molinhas, como as frutas secas.


Na semana passada eu tive uma folga extensa patrocinada pelo furlough imposto pela universidade à todos os funcionários e professores. Isso quer dizer que tivemos que tirar um certo número de dias sem trabalhar, nem ganhar para a UC economizar umas pratas. Eu resolvi tirar meus dias no final do ano, quando viajei e recebi visitas. Mas ainda sobraram alguns e eu decidi que iria usá-los para fazer uma limpeza monstro nos armários da minha casa. Foi uma semana trancada em casa, com a vantagem de que chovia cântaros lá fora, selecionando e jogando fora papelada acumulada em caixas e pastas desde o século passado, limpando armários de sapatos, bolsas e roupas que abarrotavam tudo de uma tal maneira que eu já não conseguia mais achar minhas coisas e lembrar do que eu tinha. Finalizei a semana dirigindo até a thrift store com o bagageiro do carro lotado de coisas que foram doadas. Foi uma limpeza bem grande, que me fez sentir até mais leve.
Mas infelizmente uma semana não foi tempo suficiente para atacar todas as áreas críticas da casa. Ainda restou a parte de baixo, onde estão a cozinha, sala de jantar e estar, lavanderia e garagem. Essas áreas também estão abarrotadas de coisas e vou precisar de mais tempo para reorganizar tudo. Mas pelo menos dei uma geral nas pilhas de revistas, que estavam ficando ridiculamente altas e numerosas. Levei todas elas para um canto e pretendo organizá-las num futuro próximo, junto com as outras 876454 que estão numa estante. Durante esse pequeno ziriguidum doméstico pude dar umas folheadas em algumas das revistas espalhadas pela casa e abrindo uma Gourmet de novembro de 2006, caí exatamente na página com a foto desse bolinho. Não sou chocólatra, mas pisquei com a presença das cranberries e do bourbon na lista de ingredientes. Fruta e booze é uma mistura que só pode resultar em algo interessante.
Vou dizer que esses bolinhos vão agradar imensamente aquelas pessoas que curtem um chocolatão. Não é uma receita light. Eu e o Uriel achamos gostosos, mas imensamente substanciosos. A mais apropriada descrição para eles em inglês é—very rich. Fiz em formas de muffins gigantes, ao invés da forminha de torta ou ramequins que a receita recomendava. Mas acho que dá pra fazer usando formas regulares de muffins, só que a quantidade vai aumentar.
chocolate cranberry cakes with bourbon whipped cream
serve 4 porções
1 tablete [113 gr ou 8 colheres de sopa] de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 xícara de cranberries secas [ou outra fruta seca, se não tiver]
1/4 de xícara, mais 2 colheres de sopas de bourbon [ou whisky]
200 gr de chocolate meio-amargo de excelente qualidade
[não mais que 60% de cacau, se isso estiver especificado na embalagem]
1/4 xícara de pecãs tostadas
3 ovos grandes, gemas e claras separadas
1/2 xícara de açúcar mascavo
1/2 xícar de creme de leite fresco gelado
1 colher de sopa de açúcar de confeiteiro
Coloque a grade do forno no meio e pré-aqueça em 350ºF/ 176ºC. Unte as formas com manteiga e polvilhe com farinha de trigo. Se usar as forminhas de torta com fundo removível, cubra o fundo com papel vegetal antes de untar com manteiga.
Numa panela, coloque as cranberries e o burbon e cozinhe em fogo baixo por 5 minutos, até as frutas absorverem o liquido. Remova do fogo e reserve.
Numa outra panela derreta o chocolate com a manteiga em fogo baixo, mexendo constantemente até ficar um creme bem liso. Remova o fogo e reserve.
Na mini processador pulse as pecãs com as 2 colheres de sopa de farinha de trigo. Não deixe virar uma pasta. Reserve.
Bata as claras com uma pitada de sal, até ficar bem firme. Reserve.
Bata as gemas e o açúcar até ficar um creme. Adicione a mistura de chocolate e bata só até ficar bem misturado. Junte então as pecãs moídas e as cranberries cozidas. Coloque 1/3 das claras em neve, delicadamente, até a massa ficar com uma cor mais clara, depois junte o resto, misturando com cuidado.
Divida a massa nas formas e leve ao formo por 25 minutos. Depois de assado, remova do forno, deixe esfriar uns minutos e vire os bolinhos numa grade. Deixe esfriar completamente. Polvilhe com açúcar de confeiteiro [*eu não fiz] e sirva acompanhado do creme de bourbon, feito com o creme de leite batido com 2 colheres de sopa de bourbon e 1 colher de chá de açúcar de confeiteiro.
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Passamos pela Portobello Road numa manhã gelada de sábado, que coincidiu ser também o muvucabólico boxing day. O mercado não estava muito cheio, deu pra perceber que faltavam alguns vendedores. Eu já saí de casa num mau humor miseráver, como às vezes me acontece, mesmo depois de sorver a bendita e enorme xícara de café com leite. O frio e o mau humor estavam de amargar, até que avistei uma barraquinha com uma mocinha fazendo crepes recheados com Nutella. Parei na hora. Não sou uma pessoa louca por Nutella, como parece ser dois terços da humanidade. Mas a perspectiva de comer aquele crepe fumegante com um recheio cremoso, me deu esperança de matar o mau humor ali mesmo e poder aproveitar o resto do dia. E assim foi. Dividi parte do crepe com a minha mãe e fui me sentindo mais animada a cada mordida. Continuamos nosso passeio sem mais tantos grunidos reclamões da minha parte.
Pensei que deve ser barbada fazer esses crepes em casa, na frigideira ou no griddle. Basta uma receita básica de massa de panqueca e um vidro de Nutella. Mas comer esses crepes em casa com certeza não vai ter a mesma graça que comê-los numa manhã fria de dezembro, matando o mau humor em plena Portobello Road.
[com molho cremoso de limão]

Certas receitas parecem ter um carisma especial, um certo poder de atração que te pega pelo colarinho logo na primeira batida de olhos. Basta ver a foto e a lista dos ingredientes e em breves segundos você já decidiu que ela será o seu jantar, caso encerrado. Gostei muito da mistura desses dois legumes verdes e, especialmente, do cremezinho de limão que acompanha a sopa. Rápida de fazer e substanciosa, esta receita de edamame and pea soup with herbed lemon cream foi aprovada e ovacionada. O único porém deve ser creditado à essa minha lamentável preguiça, que me fez bater a sopa com o mixer de mão ao invés de usar o liquidificador, o que resultou numa sopa muito mais espessa e pedaçuda. Para obter um creme mais sedoso, não faça como eu, use o liquidificador.
serve 6 porções
1 cebola picadinha
1 talo de salsão picadinho
2 colheres de sopa de azeite
3 xícaras de edamames—soja verde sem casca [*usei a congelada]
1 xícara de ervilhas verdes [*use a congelada, não a de lata]
4 xícaras de caldo de legumes
Sal a gosto
Aqueça o azeite numa panela em fogo médio. Adicione a cebola e o salsão e cozinhe por 10 minutos. Junte as edamames e as ervilhas [que podem estar ainda congeladas], o caldo de legumes. Aumente o fogo e deixe ferver. Abaixe o fogo e cozinhe por 20 minutos. Remova a sopa do fogo e deixe esfriar uns minutos. Bata tudo no liquidificador [COM CUIDADO!] ou use o mixer de mão como eu fiz—fazendo assim a sopa vai ficar mais pedaçuda e menos cremosa. Coloque a sopa novamente na panela e reaqueça, se necessário. Sirva com colheradas do creme de limão.
creme de limão e ervas
1/2 xícara de sour cream ou creme fraiche [*usei creme fraiche]
1 colher de sopa de folhas de dill/endro fresco picadas
1 colher de sopa de hortelá fresco picado [*omiti]
Raspinhas da casca e suco de 1/2 limão
Misture todos os ingredientes, bata bem e refrigere por 30 minutos antes de servir.
O filme é adorável o suficiente apenas pela história verídica da correspondência de vinte anos entre uma divertida escritora norte-americana e um recatado livreiro inglês. Além dos zilhões de referências aos livros e escritores, 84 Charing Cross Road tem inúmeras referências à comida. No livro, que virou peça, que virou filme, a escritora Helene Hanff narra a sua amizade de duas décadas com Frank Doel, sua família e os funcionários da livraria Marks & Co, especializada em livros clássicos, raros ou obscuros da literatura inglesa.
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Quando Helene inicia sua correspondência e encomendas de livros para Frank em 1949, a Inglaterra estava sob um racionamento severo de alimentos. O filme mostra a situação em Londres, com filas na porta do açougue para cada família comprar, com cupom, sua ínfima porção semanal de 60 gr de carne e um ovo por mês por família.
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Enquanto isso, no outro lado do oceano, o panorama não era tão penoso e Helene faz compras na mercearia, escolhe legumes e frutas, pede porções de queijo e salame, percorre o pequeno corredor bem fornecido de mantimentos. Com a chegada da época das festas de final de ano e sabendo da situação dos amigos ingleses, Helene envia uma caixa com gostosuras compradas através de um catálago dinamarquês. Ela envia presunto em lata, salsichas, ovos frescos, frutas e legumes em conserva, uvas passas. A caixa é repartida entre os funcionários da livraria. Durante vários anos de racionamento, Helene continua enviando a caixa com alimentos. A alegria que uma lata de presunto ou uma caixa de passas traz para cada um deles, é comovente.
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A correspondência entre Helene, Frank e esposa e todos os funcionários da livraria atravessa décadas, mas ela nunca consegue visitá-los em Londres e só vai finalmente cruzar o oceano depois da morte súbita de Frank. Esse filme é um bálsamo para quem curte ler—literatura de qualquer época ou país. É claro que quem saca de literatura inglesa vai aproveitar muito mais. Assista, nem que seja só para pescar as muitas menções gastronômicas ou ouvir o que Helene diz sobre os livros usados. It’s quite lovely.
São muitas referências à comida, além das caixas com alimentos enviadas aos amigos numa Londres desprovida. No Natal de 49, enquanto monta e decora a árvore, Frank pergunta à esposa Nora o que ela estava fazendo, a resposta é mince pies—um doce clássico nas festividades de final de ano. Helene também prepara, no jantar de aniversário do amigo inglês Brian, uma receita do famoso yorkshire pudding. E uma das suas encomendas à Frank é o livro de memórias do oficial inglês Samuel Pepys que é cheio de detalhes da sua rotina culinária e aventuras gastronômicas da Inglaterra do século 17. No filme, Helene fica furiosa ao receber o volume com excertos do livro e não o original completo, redigindo logo em seguida, com batidas vigorosas na sua máquina de escrever, uma carta muito divertida para Frank.

Mas a cena com referência culinária mais delicada é quando a funcionária Cecily desce até a cozinha da livraria, lendo uma das cartas de Helene, para preparar o chá. Um dos seus colegas vem dar uma olhada e saber se o chá já estava pronto. Uma tradição e talvez uma necessidade, para aquecer e enganar o estômago. Enquanto ela prepara o chá, ele comenta: “What would we do without our cups of tea? Life would be insupportable, how would it not?”

Este ano estou dando uma chance pra maçã, uma fruta que nunca me despertou grande interesse. Estou provando variedades diferentes e essa, chamada pinova ganhou a minha simpatia.

Essa sopa tem uma história. Meses atrás eu comprei um queijo francês chamado mimolette. Comemos uma parte em pedaços. O sabor é bem parecido com um cheddar envelhecido. Dai eu resolvi que iria preparar uma receita com ele. Encontrei essa de sopa de brócolis com mimolette da Clotilde e fiz imediatamente. Achei muito legal que ela usa o brócolis inteiro, mais os cabinhos da salsinha e a casca do queijo. A sopa ficou muito gostosa, mas as fotos ficaram um horror—já repararam como foto de certas comidas, especialmente as sopas, são uma faca de dois legumes, podem sair bonitas ou com cara de hugo. Bom, com as fotos perdidas, perdido também ficou o post com a receita.
Logo depois do ano novo o Uriel comentou comigo num tom quase repreensivo que precisavamos usar aqueles queijos que sobraram das comemorações e que já estavam com uma cara esquisita. Eu não vi nada de esquisito nos queijos. Talvez ele tivesse avistado um outro muito mais ancestral, que realmente estava incomível e acabou [triste] indo pro lixo. Mesmo assim coloquei usar os queijos nos meus planos culinários imediatos. Quando me vi com uma boa quantidade de brócolis chegando na cesta orgânica, não deu outra, pumba—vamos ter sopa de brócolis com queijo novamente!
Sopa de brócolis com queijo cheddar é um clássico. Eu não inventei nada, só improvisei na maneira de fazer. Usei um cheddar irlandês envelhecido [o revestido com uma casca de cêra verde] que comprei para agradar a minha nova nora, que é filha de irlandeses. Para fazer a sopa refoguei metade de uma cebola picadinha em um pouco de azeite, juntei um maço grande de brócolis picadinho, caule e tudo, refoguei por mais uns minutos, juntei um litro de caldo de legumes, uma xícara de queijo cheddar picado e deixei cozinhar até o brócoli ficar molinho. Dai bati a sopa com o mixer de mão. Nem acrescentei sal, pois o queijo fez o trabalho. Ficou uma sopa pedaçuda e muito saborosa.

No inverno fico sempre soterrada nas folhas verdes. Estou bastante feliz que agora divido minha cesta com a Marianne, então posso tentar empurrar mais verduras pra ela quando fico meio saturada delas. Mas geralmente eu enfrento as folhas verdes com prazer. A mostarda é uma verdura que eu gosto muitíssimo e, ao contrario do onipresente chard, fico contente e animada quando chega mais um maço.
Com essa mostarda eu fiz uma salada morna. Refoguei as folhas lavadas e picadas em azeite. Quando elas ficaram murchas e com uma cor mais escura, desliguei o fogo. Numa saladeira coloquei uma lata de feijão branco gigante espanhol [butter beans] e temperei com uma vinagrete feita com suco de laranja, raspinhas da casca de laranja, azeite extra-virgem, pimenta branca moída na hora e sal maldon. Juntei a mostarda cozida, deixei marinar uns minutos e servi. Não sobrou nem um fiapo.






























