» para o ano novo, que tal um brinde com a receita de daiquiri do Bob? ãhn, quem é o Bob? não tenho a mínima idéia...
Acabei de fechar o browser saindo da amazon.com. Fiz uma comprinha de livros de culinária. Ontem já tinha feito outra no cookbookclub.com. Êêta!
Mas estava irresistível, no club pelos preços e na amazon pelos títulos. Na próxima semana chegam pelo correio:
Feast - Nigella Lawson
French Women Don't Get Fat - Mireille Guiliano
Elizabeth David Classics: Mediterranean Food, French Country Cooking, Summer Cooking
An Omelette and a Glass of Wine - Elizabeth David
What Einstein Told His Cook: Kitchen Science Explained - Robert L. Wolke
Between Meals : An Appetite for Paris - A. J. Liebling
Moosewood Restaurant Celebrates
The Food of Spain & Portugal
The Best of Gourmet -2005 - 20th Anniversary edition
Vamos ver se vou ter tempo de ler e comentar todos estes livros aqui!
[e acho que logo vou precisar de uma estante extra.... ;-) ]
Desde que eu era uma pré-escolar que eu não tenho uma lancheira. Aqui as lancheiras não são somente para crianças, pois muita gente leva a sua com o almoço para o trabalho. Quando eu trabalhava período integral, morava tão perto do meu emprego que ía almoçar sempre em casa - e aproveitava pra fazer um monte de coisas, até escrever! Voltando para uma labuta full-time no início do ano, ainda não decidi se vou querer ir almoçar em casa - contínuo tendo a sorte de morar perto de onde trabalho, desta vez dez minutos a pé ou cinco de bicicleta, mas pelo sim, pelo não, comprei uma lancheirinha térmica.
Ela não lembra nem um pouco as lancheiras que eu tinha quando era criança e onde levava café com leite, bolo, maçã, banana, pão com manteiga e suco de fruta. Essa é mais high tech, com material levinho, isolamento térmico. Já tenho uma idéia do que vou levar nela - barras de granola, frutas, sanduiches de pão integral com queijo e tapenade, garrafinhas de água, salada. Certo é que não vou comprar porcarias ou fast food pronta. Vou querer comer em casa ou contínuar mordiscando meu almocinho de pão com queijo saído da minha lancheira!
» a querida Mina deu a dica e eu fui atrás. ganhei de Natal o livro Não é Sopa da Nina Horta. lembro da coluna dela na Folha de São Paulo nos anos 80, que eu lia regularmente. estou devorando e me identificando muito com o estilo dela. a Mina tinha razão temos muita coisa em comum...pisc!
esse parágrafo é a minha cara! também acredito que cozinhar é um exercício democrático e todos têm o direito de exercer. até os que não o fazem muito bem, como eu!
» eu não gosto de usar toalha de mesa. no máximo uso jogo americano, mas quando são muitos sentantes, acho que o jogo americano entulha. gosto da mesa rústica, sempre sem toalha. alías, adoro a minha mesa, que tem mais de oitenta anos. foi feita em Berkeley, Califórnia, na década de 20.
Dois dias preparando a ceia de Natal, resultou em muitos elogios dos meus convidados. Que cozinheira que não fica feliz com isso? Recebi elogios da minha nora, que é a responsável pelo magnífico peru de Thanksgiving todo ano. Ela disse que o meu peru estava maravilhoso!
Mas o Natal aqui não é só a ceia. Tem o brunch do dia 25, onde o peru volta à mesa. Meus convidados têm o hábito de comer ovos no breakfast, então eu faço omelete ou ovos mexidos, que assim posso comer - eu não gosto de ovo. Fiz ovos mexidos com salsinha italiana, queijo port salut e um pouquinho de sobra de champagne. Comemos muito pão integral, fatias de tomate com mostarda, porque quero agradar os meus convivas, que comem coisas bem diferentes que nós brasileiros no café da manhã.
Como sou um tanto abilolada, entendi que os convidados iriam embora no domingo à noite, mas eu estava enganada. Ainda chegou mais gente e eu tive que improvisar um jantar para dez pessoas. Foi uma sorte eu ter espaguete suficiente na despensa, além do alho e super azeite, que sempre tenho. Fiz um macarrão ao alho & óleo que foi um sucesso absoluto. E com dois sacos de baby arugula [mini rúcula] e um saco de nozes pecans confeitadas, fiz uma salada pra acompanhar. Mais o já conhecido peru, que comemos frio, pra não ressecar com o requenta-requenta.
Na segunda ainda preparei outro breakfast, desta vez mais abrasileirado, com frutas na mesa, além dos pães, manteiga, geléia, tortas, panettone e do peru.........!!! Acho que comprar dois peitos de peru foi realmente um exagero.
O jantar improvisado:
Macarrão ao alho & óleo
Espaguete cozido em bastante água e sal, ao dente.
bastante alho triturado
azeite extra virgem
sal/pimenta do reino
salsinha italiana picadinha
cogumelos criminis em fatias grossas
Numa panela colocar bastante azeite [eu ponho BASTANTE mesmo!]
Fritar o alho no azeite, acrescentar o sal e a pimenta. Quando o alho estiver dourado, juntar o macarrão. Mexer bem, desligar o fogo. Acrescentar a salsinha e os cogumelos. Servir com bastante queijo ralado, de preferência ralado fresco, cada um ralo o seu no seu próprio prato.
Servi o macarrão com a salada de rúcula temperada com vinagrete de laranja com champagne [não tem receita, pois esse eu compro pronto, num vidro], bastante azeite e sal grosso. Salpiquei com bastante nozes pecan confeitadas. Foi um sucesso absoluto!
» lavar as cranberries. colocar numa panela com suco de tangerina [ou laranja] , açúcar e raspas de laranja. Cozinhar por uns minutos até engrossar. Servir frio acompanhando o peru.
Porque eu sou uma desorganizada, tenho que me organizar o triplo. Mas não é só por isso, é também porque vou receber onze convivas e tenho que fazer tudo sozinha, das compras, às arrumações e preparaçãoes. Só depois da festa é que eu tenho ajuda na limpeza do meu super ocupado marido, que hoje está trabalhando e com certeza vai trabalhar amanhã até quando puder. Então estou me preparando para essa véspera de Natal há uma semana. Hoje estou fazendo algumas coisas que posso adiantar, como pastinhas e coisinhas para se comer enquanto se espera a ceia. Vou ter convidados brasileiros, americanos e noruegueses. Como no menu não vai ter batata - base de tudo para os noruegueses - desencalhei um arenque e uma truta defumada da despensa, que vou servir com pão de centeio alemão. Fiz a pastinha de aliche com salsinha que é um must nos meus natais italianos. Também temperei azeitonas e vou fazer uma invencionice com queijo cremoso mascarpone e nozes pecan. Cozinhei e descasquei as castanhas portuguesas, lavei tomilho que vai no recheio do peru [decidi pôr tomilho que ainda tenho fresco na minha horta]. Fiz também o cranberry sauce, que é um ítem do menu americano que eu adoro. Vou passar a tarde na cozinha, ouvindo jazz, dando risada com os gatos. Curto tanto os preparativos quanto a festa em si.
Quero escrever sobre esse livro há tempos, mas fico naquela enrolação de quem não sabe como começar ou como abordar. É um livrinho pequeníssimo, um pocketbook, sem ilustrações, sem fotos, impresso em papel áspero e publicado em 1960, seis anos depois da edição original. Eu comprei o meu numa loja de antiguidades uns meses antes de viajar para a França. Nem abri, não li nada, como eu às vezes faço, enrolando meses ou anos pra ler um certo livro. Fui pra França, fiz a Happy Road e voltei. Daí abri o livro da companheira da escritora Gertrude Stein, Alice B.Toklas. Fiquei uns dois meses andando com o livro pra cima e pra baixo. Acho que esse foi o melhor livro de receitas que li nos últimos anos.
Quando estava lendo o meu livrinho amarelo com ilustração do Picasso na capa, uma americana me falou que tinha lido o dela nos anos sessenta e que nunca mais esqueceu da receita de brownie com maconha. O livro da Toklas ficou famosérrimo na década de sessenta e até virou título de um filme, com o Peter Sellers [I Love You, Alice B. Toklas], onde alguém faz o brownie emaconhado - assistam! Eu fui procurar saber como esse brownie acabou no livro de Toklas e li que foi uma piada, feita pelo amigo de Alice e Gertrudes, Brion Gysin, que enviou a receita para ser publicada na seção "Receitas dos Amigos" do livro.
Mas o livro de Toklas não é só sobre o brownie de maconha. É um relato da vida de Alice e Gerdrude na França, antes, durante e depois da Segunda Guerra. Eu refiz a Happy Road através dos relatos de Toklas, aprendi um monte de coisas sobre a cultura e a cozinha francesa e li salivando receitas simplesmente maravilhosas. Toklas não dá receitas como se dá hoje, cheia de medidas e detalhes. Tudo é descrito mais ou menos como ela fazia ou via outros fazerem. E de uma maneira de cozinhar que não se faz mais em cozinhas comuns. Hoje tenho certeza que muita coisa mudou, mas em The Alice B. Toklas Cook Book se pode quase sentir os cheiros e sabores da culinária francesa de outros tempos.
Gertrude Stein e Alice B. Toklas eram americanas.
Vou publicar algumas receitas do livro. A primeira, do brownie:
Haschich Fudge
1 colher de sopa de pimenta preta em grão
1 noz moscada inteira
4 pauzinhos de canela
1 colher de sopa de semente de coentro
1 punhado de tâmaras secas
1 ounhado de figos secos
1 punhado de amêndoas
1 punhado de amendoim
1 ramo de cannabis sativa ("colhida e seca logo que a planta mostrar sementes, mas ainda estar verde")
1 xícara de açúcar
1 tablete de manteiga
Moa a pimenta, a noz moscada, a canela e o coentro num pilão. Pique as tâmaras, figos, amêndoas e amendoim. Moa a cannabis e misture com as especiarias. Salpique essa mistura sobre as frutas e nozes picadas. Misture o açücar e a manteiga e misture, amassando bem. Coma com cuidado. Dois pedaços são suficientes.
Neste ano me revoltei contra o peru de Natal tradicional. Chega! Não quis fazer a mesma receita que faço há anos. Decidi que queria fazer algo diferente. Vendo um especial de Natal Italiano com o chef Mario Batali e a personalidade culinária Giada De Laurentiis no Food Network, achei a solução para os meus anos de peru comum. O chef Batali fez um peito de peru enrolado, como se fosse um lombo. Eureka!
Vou ficar feliz de não ter que lidar com a carcaça do bicho, ossos, asas, miúdos. O problema era ONDE achar o peito de peru desossado. Fui ao Nugget, um supermercado metido a gourmet que temos aqui em Davis. Vi que o cara estava querendo me empurrar um peito único, sem pele. Não era isso que eu queria. Achei a solução no Corti Brothers, em Sacramento. O açouqueiro pegou um peru inteiro, desossou e abriu o peito em forma de borboleta pra mim. Perfecto! Comprei dois, porque teremos onze començais para o Natal. Cada peito pesou cinco pounds [dois quilos e meio] e o açougueiro me avisou que eu preciso de meio pound por pessoa.
Peguei várias receitas de peito de peru desossado na net, três do próprio Batali, mas vou fazer a minha própria. Para o recheio vou usar: bacon, castanha portuguesa, pera, ameixa seca e salsinha. Desejem-me sorte! Eu sei que a Nigella aconselhou a não inventar nada novo nas festas, mas eu não pude resistir....
» não consigo entender essa conversão de números. minha chaleira Le Creuset [acima] custou US$30. a mesmíssima chaleira numa loja brasileira custa R$210. de TRINTA dólares pra DUZENTOS E DEZ reais é uma diferença absurda. tem algo errado aí ou a minha matemática é que é muito ruim???
Mais uma bebidinha para o meu bar, que está sempre empilhado de garrafas coloridas. Desta vez é um Calvados, um brandy de maçã original da região da Normandia, na França. É uma bebida bem forte e por isso acho que vou usá-la bastante nos chocolates quentes do inverno e até em pratos salgados, como strogonoff. Mas para beber, tenho a receita de dois cocktails:
. 1 dose de Calvados
3 doses de ginger ale
servir on the rocks
. 1 colher sopa de suco de limão
2 colheres sopa de creme de cassis
1 dose de Calvados
3 doses de suco de laranja
colocar um ingrediente de cada vez num copo alto. misturar e servir.
Cheers!
Encontrei a caixona do correio no tapete da porta da frente. Abri e contentona fui tirando de lá de dentro pacotes e pacotes de maria-mole, queijadinha, quindim, beijinhos, casadinhos..... Remetente: minha mãe, a autora da receita do chucrute, é claro!
Ainda adolescente, visitando os meus tios na Querência Echaporã, perguntei ao meu tio, jornalista e gourmet, qual era a melhor e a pior comida do mundo. Ele respondeu - melhor, chinesa, pior, inglesa.
Eu comi muito bem em Londres, quando visitei o meu irmão. Comi comida francesa, italiana, japonesa e o trivial brasileiro feito pela minha cunhada. Num sábado fomos à um pub de trezentos anos - o Lamb & Flag, o mais antigo de Covent Garden. Realmente, se aquele menu ficar de amostra única da comida deles, os ingleses ganharam mesmo a medalha dos piores. Eu comi com curiosidade, não reclamei, até achei legal. O pub tinha uma atmosfera muito charmosa e os donos foram bem simpáticos nos atendendo meio fora de hora. Mas o Uriel não parou de reclamar um segundo e abominou a tal comida no pub. Até hoje ele fala que a pior comida que ele comeu na vida - blearg - foi aquela no pub inglês. No menu bem restrito, sausages, lamb ou roastbeef acompanhados de batata, cenoura e ervilha, gravy e yorkshire pudding, que foi o ítem que eu mais gostei.
A receita do melhor do pior:
Yorkshire Pudding
This dish was originally cooked in a tin under the rotating spit on which roast beef was cooking - the juices from the meat dripped on to it, giving a delicious flavour. In Yorkshire, it is still cooked around the meat tin and is served as a first course before the meat and vegetables. Serves 4-6.
Ingredients: Lard - a little, melted, Plain flour - 110 g (4 oz), Egg - 1, Milk - 300 ml.
1. Pre-heat oven to 220C / 425F / Gas 7.
2. Put a little lard in 12 individual Yorkshire pudding tins (or deep bun tins) or a single large tin and leave in the oven until the fat is very hot.
3. Place the flour in a bowl, then make a well in the centre and break in the egg. Add half the milk and, using a wooden spoon, gradually work in the flour. Beat the mixture until it is smooth then add the remaining milk. Beat until well mixed and the surface is covered with tiny bubbles.
4. Pour the batter into the tins and bake for 10 to 15 minutes for individual puddings; 30 to 40 minutes, if using a large tin, until risen and golden brown.
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Torradas com queijo, pudim de manga, brownie fat-free, pizza de alcachofra, salada de rúcula, italian soda de melão, french soda de boysberry, sushi, peito de peru com bacon, risoto com ervilhas e queijo gárlico, pudim de pão, torta de blueberry, bolinhas de carne com hortelã, peixe-espada no limão e vinho, apricots frescos, suco de cranberries com água tônica, bagel de frutas com mel, café-com-leite desnatado, tomates com mussarela, água mineral.......
Revista Elle, MTV, Dirty Harry, Fargo, Jerry Lewis e Dean Martin na cadeira de barbeiro, Gary Grant e Audrey Hepburn na Europa, Rising Arizona (Coen's bro again!), Donna Summer, terremoto em Nevada, Richard Gere em 88, Martha Stewart X Sandra Bernard, mulheres no Rock'n'Roll, efeitos especiais no Star Wars, Ben Stiller patético, mais uma história de Vietnã, the weather in northern california, crimes da máfia, a polemica dos quadrinhos 'racistas' do Aaron McGruder, Pernalonga detonando o Patolino, entrevistas em 'Time Line' com Nicole Kidman, Larry King com John Kennedy Jr, O Exorcista, Olivia Newton-John em Reno, colar de brilhantes por $19,99, Fried Green Tomatoes, teenagers põem fogo em casas em Stockton, karaokê nas Bahamas........
Talvez eu faça esse bolo pro Natal, junto com a Torta Brownie de Avelã, receita da Gisa. Essa receitinha já foi testada e aprovada. Fez o maior sucesso no jantar na casa de uma amiga. A receita eu peguei na internet, mas depois achei uma bem semelhante num número da Everyday Food da Marthinha Malandra Stewart, então fiquei mais tranquila com a certeza que daria certo. É um bolo sem farinha e tem as amêndoas, que são ótimas pro coração. Mas o molhinho que vai em cima é uma perfeita bomba de colesterol. Então é bom fazer este bolo apenas em ocasiões especiais.
A receita:
Para a massa:
6 claras de ovos
1 xícara de amêndoas moídas
1 xícara de açucar de confeiteiro
1 colher de chá de fermento em pó
Para a cobertura cremosa:
1/2 xícara de creme de leite [creme para chantily - whipping cream]
5 gemas de ovos
1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de manteiga
Bata as claras até elas ficarem bem firmes. Acrescente as amêndoas às claras em neve. Adicione o açúcar e o fermento. Ponha numa forma redonda untada e asse por 30 min em forno pre-aquecido no médio [350F]. Deixe esfriar e desenforme.
Numa panela, coloque o creme, as gemas e o açucar e vai batendo com um batedor de claras em fogo baixo até engrossar. Tire do fogo e acrescente a manteiga, batendo até que o creme fique liso. Deixe esfriar e derrame sobre o bolo.
Eu adoro comprar em dois mercadinhos internacionais aqui em Davis. Um deles é o Kim's Market e o outro é o International Food Market.
No Kim's você encontra todo tipo de ingrediente e produtos asiáticos - do japão, coréia, china, tailândia.... Lá eu compro arroz e alga para sushi, todo tipo de soba japonês pra fazer frio, salgadinhos de arroz, banchá, tofu frito, missô. Eu adoro uns cubinhos feitos de pipoca de arroz e snacks de algas. Eles também têm os maravilhosos pickles de gengibre, raiz de bardana e os lactobacilos vivos do yakult! É um lugar pequeno, com três corredores, uns cinco freezers e uma senhora atendendo no balcão, rodeada de tranqueiras e muitos doces interessantes, que eu sempre fico na tentação de comprar.
O International Food Market consegue ser mais caótico e mais diversificado. Ele é um mercadinho indiano, mas vende de tudo, em dois corredores compridos incrívelmente bagunçados! Lá eu compro azeite espanhol, bolachas holandesas, belgas, francesas e turcas, temperos indianos, chás ingleses, pita bread fresquinho, quentinho e cheiroso, trigo de quibe, pistachio, feta cheese, iogurt grego, halaw, ervilhas de todas as cores e tamanhos. E me divirto olhando produtos que nem sei como usar. Eles têm até uma parte de produtos mexicanos, onde eu achei farinha Láctea Nestlê! O dono indiano ou as filhas dele, atendem no balcão também bagunçado, perto da porta, rodeados de revistas, cds e outros badulaques escritos numa língua indecifrável.
Uma visita a esses mercados é sempre uma aventura de descobertas. Eu gosto de olhar tudo, ler os pacotes, sentir os cheiros e comprar coisas diferentes. Me dá uma sensação boa de que o mundo é uma aldeia, onde podemos pelo menos comer igual e assim diminuir nossas diferenças de língua e cultura.
Peguei na Wikipedia uma explicação para um termo muito usado em inglês: comfort food.
“The term comfort food refers to any food or drink to which one habitually turns for temporary respite, security, or special reward. The reasons that something becomes a comfort food are diverse but include the food's familiarity, simplicity, and/or pleasant associations. Small children often seem to latch on to a specific food or drink (in a way similar to a security blanket) and will repeatedly request it in high stress situations. But adults are certainly not exempt. A substantial majority of comfort foods are composed largely of simple or complex carbohydrate, such as sugar, rice, refined wheat, and so on. It has been postulated that such foods induce an opiate-like effect in the brain, which may account for their soothing nature”.
Pra mim, comfort food é uma comida que me faz lembrar da minha infância, de bons momentos, que tem um cheiro aconchegante, que faz você se sentir em casa, como o cheiro das roupas de cama e banho ou do cobertor. Fazendo uma pequena lista, essas são as minhas comfort foods:
Mingau de aveia
Feijão com arroz
Sopa de feijão com macarrãozinho
Canjica
Arroz doce
Pudim de pão
Bala de mel
Café com leite
Pão com manteiga
Pão francês com queijo e presunto
Leite com açúcar queimado
Vaca Preta [sorvete com Coca-Cola]
Meu arroz favorito: Basmati indiano. Fica sempre soltinho e tem um aroma muito especial. Minha receita é de arroz de preguiçoso: colocar na panela 1 xícara de arroz lavado e escorrido, 1 1/2 xícara de água, sal à gosto, alho em pó à gosto e uma colher de sobremesa de óleo de canola. Pôr no fogo alto, quando ferver abaixar o fogo e cozinhar até a água secar. Desligar o fogo, tampar a panela e deixar o arroz descansar por uns minutos antes de servir. Essa é uma das comfort foods do meu filho, que adora o meu arroz!
"Não tem mistério o feitio
dessa iguaria bagual:
É xarque - arroz - graxa - sal
É água pura em quantidade
Na panela cascorenta
Alho - cebola ou pimenta,
Isso é conforme a vontade."
"Hoje te matam à míngua
Em palácio e restaurante,
Mas não há quem te suplante,
Nem que o mundo se derreta,
Se és feito em panela preta,
Servido em prato de lata
Bombeando a lua de prata
Sob a quincha da carreta!"
[* cantiga popular gaúcha, que ensina a receita do prato tradicional dos pampas - in Cozinha Brazileira (com recheio de história) - Ivan Alves Filho & Roberto Di Giovanni]
Eu gosto dessa palavra - potluck - cada um leva um prato e todos dividem. Ás vezes a divisão não traz muita sorte pra uns ou outros, pois nunca se sabe que tipo de comida vai aparecer na mesa. Ainda mais quando o potluck envolve uma turma internacional. Eu já fui num potluck onde não consegui comer quase nada, pois tudo era estranho demais pra mim. Era uma confraternização entre os estudantes chineses do meu professor de inglês canadense. Eu sempre metida em tudo, me danei. Não lembro o que levei, mas tenho certeza que não fez o menor sucesso. Nosso gosto ocidental nem sempre agrada aos orientais. Mas eu lembro vivamente de um peixe com molho de feijão preto que me assustou pacas. E os ovos de pato esverdeados. Eu não como ovo nem normal, quem dera um que ficou 'estragando' envolto em ervas e folhas. Bom, eu também já tive minha comida rejeitada em potlucks, como nos banquetes internacionais da U of S, no Canadá, quando eu preparava a minha maravilhosa feijoada brasileira e muita gente torcia o nariz e dizia 'no thanks!' enquanto eu oferecia sorridente os 'brazilian black beans'. Uma vez eu levei refresco de guaraná num potluck, desses de pacotinho da TANG, que misturei com água gasosa e acrescentei gelo e rodelas de limão. Quando eu falei que era guaraná, alguém me perguntou se a bebida era apropriada pra crianças. Nem todo mundo tem a obrigação de saber desses detalhes culturais, né? Mas essas situações são ótimas pra gente contar no blog e dar bastante risada. Pode ser que a minha cara de nojo e susto olhando pro peixe no molho de feijão tenha virado uma história divertidíssima, contada em cantonês, entre gargalhadas de desprezo pelas babaconas ocidentais.
Para a Fê, que me pediu receitas de cookies. Eu não sou exatamente uma “cookie person” e posso passar meses sem colocar um na boca. Para um cookie me fazer esticar a mão e apanhá-lo , ele precisa ser muito especial e eu não me impressiono fácil.
E o que mais se vê pelo hemisfério norte nessa época do ano são cookies. Eu vou à uma reunião de trabalho e tem uma bandeja de cookies em cima da mesa. Eu nem olho, mas sinto o cheiro. Recuso comê-los, pois não quero ficar com os dentes cheios de farofa enquanto falo de coisas importantes. No Canadá eu conheci uma suiça que tinha como tradição todo Natal fazer uns cookies realmente deliciosos – esses eu comia – colocar em caixinhas enfeitadas e dar de presente para os amigos. Todo ano eu recebia a minha com um sorrisão na cara. Mas nunca pedi as receitas. Cookie não é a minha praia – ou melhor, it's not my cup of tea!
Mas fui olhar umas receitas de cookies da Martha Stewart, pois tudo que ela ensina é exaustivamente testado e quando a receita é publicada nas revistas dela, é certeza que vai dar certo. Na Everyday Food de dezembro tem uma receita de massa básica para cookies, que depois você pode cortar com moldes, enrolar e cortar, decorar e até congelar. Boa para fazer enfeites comestíveis para a árvore – isto é, se você faz árvore e gosta de assar cookies.
A receita:
Massa básica para biscoitos amanteigados
* Faz 30 cookies
3 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1 xícara [ou 2 tabletes] de manteiga sem sal e gelada cortada em pedacinhos pequenos
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de extrato de baunilha
4 gemas grandes
mistura de ovo para pincelar – opcional – 1 clara de um ovo grande batida com 2 colheres de chá de água
Coloque a farinha, o açúcar, a manteiga e o sal no food processor e misture até ficar com uma textura grossa. Numa vasilha separada misture as gemas levemente batidas com a baunilha. Com o motor do food processor ligado, adicione essa mistura de gema à massa. Misture bem até formar uma massa uniforme. Prepare os cookies com a massa, que é melhor trabalhada se descansar enrolada em filme plástico na geladeira por pelo menos uma hora.
Nigella Lawson na capa do suplemento Life desta semana, onde ela dá uma receita facílima de costelas assadas e algumas dicas para receber em casa, começando por - NUNCA tente uma receita nova para uma festa grande, fique sempre com o que você já sabe fazer e que tem certeza que dá certo. Ela também afirma que acredita em trabalho infantil e sempre coloca as crianças para arrumar as mesas. E os amigos são sempre convocados para ajudar, misturando os cocktails ou abrindo os vinhos. Nigella também adverte: a anfitriã nunca deve usar sapatos novos no dia da festa - uma metáfora para o fato de que a anfitriã não deve exagerar na roupa, nem fazer seus convidados se sentirem mal vestidos perto dela. Ela conta que nas festividades do ano passado, recebeu amigos e família com os pés descalços. "Vista-se e aja da maneira mais confortável e seus convidados vão seguir o seu exemplo e se sentirão confortáveis também."
A receita das costelas assadas:
4 ou 5 quilos de costela
1 colher de sopa de azeite
2 colheres de sopa de sal
1 colher de sopa de pimenta do reino moída na hora
Aqueça o forno em 450ºF [220ºC]. Passe o azeite nas costelas, salpique com sal e pimenta, ponha numa forma larga e coloque no forno. São quinze minutos de forno para cada meio quilo de carne. Deixe assando por uma hora e 45 minutos. Retire a costela do forno e deixe descansar por uns minutos. Transfira para uma travessa e cubra com papel alumínio. Deixe descansar por no mínimo 15 minutos. 35 minutos é o tempo ideal de descanso. Retire o papel alumínio, corte e sirva.
Todo ano, nessa época, eu tenho a minha 'safra' de limões verdes no limoeiro do meu quintal. É quando eu começo a fazer jarras e jarras de limonada suiça. É uma bebida refrescante, cremosa, deliciosa e nostalgica da minha infância.
Descasque os limões com uma faca afiada. Tire tudo, a casca verde e pele branca. Deixe só a polpa. Bata no liquidificador com água gelada. Passe por uma peneira. Acrescente açúcar e gelo à gosto. Sirva em copos altos!
* o que nós chamamos de limão no Brasil, não é o mesmo limão dos americanos. o limão deles é o amarelo. o verde eles chamam de lime. portanto essa bebida pra eles é uma limeade e não lemonade.
Todos os chefs celebridades do Food Network não economizam humns e ohs enquanto preparam suas gororobas - simples ou sofisticadas - em seus shows diários. São auto-elogios incessantes, tudo é lindo, maravilhoso, uma delícia, fantástico, saborosissimo, incrível, sensacional, espetacular, yummy!!!
Como na minha cozinha de dona de casa comum, muita coisa queima, fica salgada, incomível, muito apimentada, com um gosto estranho, engororobada, insípido, amargo, aguado, duro demais, mole demais, encaroçado, azedo, torrado, começo a pensar se a propaganda não é mesmo a alma do negócio.
Resolvi mudar a minha estratégia derrotista, que está sempre pedindo desculpa pelos meus erros culinários. Sentamos para jantar e na primeira garfada fiz uma cara de prazer intenso e comecei a murmurar - hmmmm, hmmmmmmm, que delícia de comida, nossa, muito bom, muito bom mesmo!
Não mudou o sabor da gororoba, mas certamente impressionou o Ursão, que comeu com muito mais entusiasmo.
De vez em quando - ou melhor, deixa eu ser honesta, quase sempre - eu vicio em algum canal ou programa de televisão. Nos últimos meses minha atenção anda colada nos Iron Chefs do programa japonês retransmitido pelo Food Network. The Iron Chef começa às onze da noite e eu nem sempre vejo até o final, pois às vezes acabo dormindo antes. Mas nem por isso a experiência de assistir à batalha dos chefs japoneses deixa de ser interessante. No kitchen stadium, dois chefs se confrontam todas as noites. Um dos quatro Iron Chefs - Iron Chef Japonese, Chinese, Italian e French - e um desafiante. Há um moderador, um comentarista e dois convidados, entre eles sempre uma atriz ou um cantor famosos no Japão. A competição é acirrada, com um ingrediente secreto que vai ter que ser utilizado em todos os pratos. Os chefs têm uma hora para preparar no mínimo três pratos, que serão analisados, provados e julgados. O chef que vencer ganha todas as honras. O mais legal desse programa, além das comidas estranhíssimas, é o estilo desportivo que eles dão à competição, que parece uma mistura de luta de boxe com jogo de baseball. O comentarista analisa os movimentos dos chefs e câmeras espalhadas pela kitchen stadium filmam todos os detalhes. Ontem, por exemplo, se via pingos de suor cair da testa do desafiante [eca!]. Os ingredientes, animais ou vegetais, são sempre da melhor qualidade. Quando eles são peixes ou frutos do mar, geralmente ainda estão vivos - e eu fico em total horror vendo os chefs decepando-os ou cozinhando-os vivos! O resultado final é sempre pratos que agradam mais ao gosto oriental, nem sempre muito atraentes para a minha maneira ocidental de me alimentar. Muitas vezes eu fico enojada por pratos com melecas cruas tiradas da barriga de um peixe raro ou com a textura ou cor das comidas. Mas nessa batalha de chefs o que interessa mesmo é ver como eles trabalham na cozinha. E para mim é interessantíssimo observar a seriedade e o respeito, tão comuns na cultura japonesa e que ficam bem expostos durante a batalha dos chefs.
Browseando na Borders anos atrás, vi por acaso num cantinho da prateleira de baixo da banca de ofertas um livrão vermelho. Bastou dar uma folheada para decidir comprá-lo. Simplesmente maravilhoso! Southeast Asian Specialties - A Culinary Journey Through Singapore, Malaysia and Indonesia [editora Könemann]. Fotos lindas, receitas incríveis, um livro pra inspirar. Muita coisa exótica. Algumas coisas assustadoras, como um stir-fry de sago worms... argh!! Gostei de encontrar tradução para algumas frutas e legumes comuns no Brasil. Fiz uma pequena listinha, porque nunca se sabe quando se vai precisar comprar uma jaca ou uma mandioca aqui pelo hemisfério norte, né? Algumas traduções são conhecidas, mas eu coloquei na lista, just in case!
» Fruta do conde - Scaly Annona
» Cajú - Cashew Tree
» Jaca - Jack Fruit
» Goiaba - Guava
» Romã - Pomegranate
» Mandioca - Cassava, Manioc
» Inhame - Yam, Yuka
» Quiabo - Okra
» Nabo - Daikon
» Acelga - Chinese Cabbage
» Castanha Portuguesa - Water Chestnut
» Pitanga- Surinam Cheery [comes from Brazil, reaching Indonesia via India]
Quem já não sofreu de bloqueio de cozinheiro, debatendo-se sem idéias do que fazer para o jantar? Comigo isso acontece bem frequentemente e nem sempre eu apelo para o macarrão, que é o melhor quebra galho nessas horas agonizantes. Ontem foi um desses dias. Voltando para casa às cinco da tarde [que já era noite] me deu um desespero total, pois eu não tinha a mínima idéia do que iria cozinhar. Pensei em passar num dos três supermercados que eu gosto e comprar algo, mas nem imaginação para ingredientes eu estava tendo. Fui pra casa quase decidida à preparar um macarrão alho e óleo - que eu adoro, mas convenhamos, não é a comida mais saudável e nutritiva que existe.
Em casa comecei a abrir e fechar portas de armários e geladeira. O que tenho aqui? Hmmm. Lentilhas pretas Beluga. Sopa! Lata de cogumelos, rolinho de massa de biscuit da Pillsbury. Cheiro verde, azeitonas pretas. Cerveja. Voilá!
O menu sem inspiração de ontem:
- sopa de lentilhas pretas beluga com cerveja. refogar três dentes de alho no azeite, acrescentar a lentilha lavada e escorrida, fritar por uns minutos, juntar água, cozinhar até as lentilhas ficarem bem macias. Salgar à gosto. Acrescentar cerveja, cozinhar por mais uns minutos. Servir super quente.
- pasteis de forno recheados de cogumelos. para o recheio colocar no food processor uma lata de cogumelos, salsinha à gosto, meia cebola picada e azeitonas pretas [das gregas, please!] picadas. não pôr sal, pois o cogumelo já vem na salmora. abrir as massinhas pra biscuit com o rolo e rechear. apertar as bordas com o garfo, pincelar com um ovo batido com um pingo de leite [ou heavy cream]. assar em forno médio até ficarem dourados. servir acompanhado de uma bela salada de alface.
Eu geralmente cozinho ouvindo música. Ontem era Dylan, que eu sempre acompanho cantando e até dançando - imaginem se alguém resolve parar na rua pra olhar através da janela essa cena contrangedora? Quando resolvo usar cerveja numa receita, sempre bebo um pouco e cozinho muito mais animada. Prefiro beber enquanto cozinho do que acompanhando a refeição.
Fiz essa receita indiana para um jantar de despedida dos meus amigos no ano passado. Ficou ótimo e é muito fácil de preparar. Serve com arroz basmati [indiano] branco.
A receita:
2 cebolas médias
30ml/2 colheres de sopa de tomate em purê [não é o concentrado]
50g ou 1/2 xícara de castanha de caju
1 colher de sobremesa de alho em massa [eu usei em dentes]
1 colher de sobremesa de garam masala
1 colher de sobremesa de pimenta vermelha em pó
1/4 colher de sobremesa de açafrão da terra — turmeric moído
1 colher de sopa de suco de limão
1 colher de sobremesa de sal
1 colher de sopa de iogurte natural
2 colheres de sopa de óleo
2 colheres de sopa de coentro fresco picadinho
1 colher de sopa de uvas passas tipo sultanas [as bem pequenas]
450g de peito de frango cortado em cubos
2 1/2 xícaras de cogumelos frescos
1 1/4 xícaras de água
Num food processor coloque a cebola cortada em pedaços e moa por um minuto. Acrescente o tomate em purê, as castanhas, o garam masala, o alho, a pimenta, o limão, o açafrão da terra [turmeric], o sal e o iogurte junto com a cebola moída. Misture bem por um minuto e meio.
Numa panela aqueça o óleo, coloque o fogo em médio e coloque a mistura dos temperos. Frite por dois minutos. Quando a misturar estiver mais ou menos cozida, acrescente metade do coentro, as passas, o frango* em cubos e frite por um minuto. Adicione os cogumelos, coloque a água e deixe ferver. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por dez minutos. Quando o frango estiver bem cozido e o molho grosso, retire da panela, salpique com o restante do coentro e sirva com arroz basmati branco.
*eu frito o frango antes de colocar no molho, porque acho um horrorre colocar frango cru em molhos. é só uma neuras minha, ninguém precisa fazer igual.
Foi numa viagem que fiz anos atrás, durante a minha adolescência, ao Rio de Janeiro. Eu estava num daqueles Cometões noturnos saindo de Campinas às onze horas e levava comigo o livro Walden de Henry Thoreau . Dentro do ônibus, enquanto todo mundo dormia, eu lia. Nunca consegui dormir em viagens. Sempre sofri de enjôos, ansiedade, tédio. E durante essa viagem eu li uma passagem no livro do Thoreau que me proporcionou uma pequena epifânia. Era uma cena onde ele fazia pão. Nunca me esqueci daquilo e até hoje visualizo o homem numa pequena cabana na clareira, durante o inverno, assando pães. O livro que eu carreguei comigo naquela viagem já não sei onde está. Mas eu tenho uma coleção de três volumes do Thoreau em inglês, que incluí Walden e apesar de não ter mais disposição para reler o livro, procurei frenéticamente por essa passagem, usando minha técnica pessoal de leitura ultra-rápida, scaneando as páginas com os olhos e olhando as palavras como se pulasse de quatro em quatro degraus de uma longa escada. O texto, onde Thoreau escreve sobre comida e como fazer pão está AQUI e é simplesmente magnífico!
Eu sempre fui encanada com comer direito e natural. Passei uns quinze anos da minha vida, entre a infância e a adolescência, lutando contra um nojo que tomava conta de mim e que não me deixava comer carne, frango, peixe, ovos ou leite..... Do jeito que eu comia, praticamente obrigada pela minha desesperada mãe, nem sei como cresci e fiquei alta. E de repente, durante os últimos anos da minha adolescência, me deu o cinco minutos e eu virei natureba. Era uma saída para a minha repugnância com relação à toda comida derivada de animais. Virei uma comedora de pão, cenoura, sopa de missô e macarrão alho e óleo. Só depois de muitos anos, já mãe do Gabriel, é que fui devagarzinho voltando a comer os bifes da vida. Hoje eu como de tudo, menos coisas muito exdrúxulas é claro, mas não perdi a mania de comer natural, orgânico, evitar óleos, açúcares, ler maníacamente rótulos de qualquer produto para ver o conteúdo.
Por causa disso, toda segunda-feira eu encosto a barriga na beira da pia e fico com dor nas costas lavando verduras e legumes. Isso é coisa que só os naturebas freaks fazem aqui neste país, onde tudo é industrializado e muito mais fácil e prático, pois ninguém tem tempo de nada, muito menos de ficar lavando folhas de salada. Mas eu arranjo um tempo e faço questão de comer o máximo que puder sem aditivos químicos.
Hoje tive que fazer um sopão e vou congelar brócolis e couve-flor cozidos, porque tava acumulando tanto desses legumes dentro da geladeira que já estava dando dó. E toda semana eu jogo fora umas verduras que nem tenho mais idéias de como cozinhá-las. Esse desperdício involuntário e cheio de sentimento de culpa é a consequência de querer ter uma vida além da minha capacidade. Sem falar que além da lavação ainda tem os sustos de achar bichos estranhissímos residindo nas alfaces e repolhos. Um dia eu desisto dessa história, mas até esse dia chegar, vamos comendo nossas saladinhas, refogados e sopas com verduras e legumes fresquinhos.
O duro é meus amigos me aturarem, pois toda vez que eu sirvo alguma coisa, lá vem a frasezinha - "é orgânico!" - como se alguém desse a mínima!
hoje usei meu último tomate da horta orgânica. agora serão meses de tomates de supermercado, até o próximo verão, quando os tomates saborosos e fresquinhos voltarão para a nossa mesa!
Foi um achado: The Africa Cookbook - Tastes of a Continent - Jessica B. Harris. Eu estava querendo um livro de receitas africanas há tempos e esse cruzou o meu caminho noutro dia. Comprei! O mais fantástico desse livro é que a autora [uma african-american] conta muitas histórias gastronômicas dos países africanos, enquanto enlista centenas de receitas maravilhosas. Alguns ingredientes não vão ser facilmente encontrados por aqui, como a farinha de folhas de Baobá, mas outros devem ser perfeitamente adaptáveis. Estou no capítulo dos appetizers, que já vi que vai me dar muita água na boca!
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From the Cape to Cairo, Mombasa to Monrovia, people walk through the streets of the African continent with their hands full and their mouths moving. The may be nibbling on a simple ear of grilled corn or working their way through a paper roll filled with almonds or melon seeds, but nibblers they are. Appetizers, in the European context, are virtualy unknown in the traditional diet, but many of the street nibbles and the savory vegetable dishes can serve as appetizers in a European-style menu.
Fried Cheese [Egipt], Okra and Bean Fritters [Nigeria], Plantain Crisps [Ghana], Sardine Fritters [Algeria], Roasted Pumpkin Seeds [South Africa], Mushroom Brik [Algeria], Crabmeat Appetizer [Côte d'Ivoire], Fried Plantain [Nigeria], Coconut Crisps [all Africa]
No verão eu vou muito ao Farmers Market da minha cidade. Adoro andar pela feirinha e comprar coisas fresquinhas e diferentes. Neste último verão eu bati ponto lá duas quartas-feiras por mês, quando junto com o mercado acontece um picnic público, sempre com uma banda tocando. Como eu moro próximo do parque onde o mercado é montado, caminhava três quarteirões carregando a minha cesta com uma garrafa de vinho, salada e pão, e fazia um picinic com um grupo de amigos. E aos sábados ia comprar cogumelos, pães, tomates secos, frutas e alguma outra coisa que me chamasse a atenção, como os milhos amarelos. O Farmers Market de Davis só vende produtos orgâncos e locais, como quase todos os Farmer Markets da Califórnia. O mercado funciona o ano todo, primavera, verão, outono e inverno, mas é no verão que ele fica mais animado.
* post reciclado daqui.
April 15, 2005 - The Meaning of Food
Estou encantada com a maravilhosa série The Meaning of Food, transmitida pela rede de televisão pública PBS. Os frequentadores assíduos deste blog devem saber que eu adoro ler, ouvir e falar sobre comida. Meus dotes culinários deixam muito à desejar, pois sou desorganizada, desajeitada e aflita demais para seguir receitas e passo-a-passos. Mas adoro as histórias que envolvem comida, das suas origens, desenvolvimento, aspectos culturais dos hábitos alimentares, da preparação e preservação, aos segredos e causos de família. E essa série é um apanhado de tudo que eu gosto. Nos dois primeiros capítulos que assisti ontem - Food and Life e Food and Culture, chorei com o relato de uma judia que recorda as trocas de receitas que as mulheres faziam durante o período em que definhavam a pão e água num campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Me emocionei com a história do imigrante grego em Seattle, sua ligação de amor e dedicação com o fillho de cinco anos e como a comida representa um grande papel nesse relacionamento. Aprendi que os negros que vieram da África para plantar arroz na Carolina do Sul têm uma cultura peculiar chamada Geechee. E fiquei interessada na receita de arroz vermelho, que é passada de pai e mãe pra filhos. Viajei pro Havaí e descobri a importância da raiz de tarô para os havaianos. E conheci a Makah Nation, uma tribo de índios pescadores do estado de Washington, que não podem mais praticar o ritual mais importante pra cultura deles - a caça da baleia. O host da série é um chef de New York, nascido na Etiópia e criado por país adotivos na Suíça. O terceiro episódio, Food and Family, também deve ser fascinante e eu não vou perder. A série The Meaning of Food é como um daqueles nossos pratos favoritos de infância, que esperamos com grande antecipação e saboreamos com alegria e gosto.
Fico imaginando um programa de culinária onde eu seria a apresentadora. Primeiro que eu não ficaria falando, falando, como na maioria dos shows culinários. Eu ficaria ouvindo música, como realmente faço na minha cozinha, às vezes cantando, outras vezes falando com os gatos, rindo sozinha e praguejando quando as coisas dessem errado. E tudo iria dar errado, como é normal acontecer. Eu iria cortar o dedo, esquecer o prato no forno, queimar o molho de tomate, não iria conseguir achar a tal forma ou um utensílio qualquer. Iria perder a paciência, cortar tudo grossão, acrescentar ingredientes à olho, inventar receitas, espirrar, derrubar, contornar. Assim seria o meu show e tenho certeza que seria um sucesso!
O fried chicken é uma das comidas típicas dos EUA. É consumido muito nos picnics, especialmente no 4 de Julho. É um prato originário do sul e faz parte do cardápio da Soul Food afro-americana. Eu já vi inúmeras receitas de fried chicken. No Food Network assisti à um episódio de um dos shows [o The Secret Life of...] totalmente dedicado à essa receita . Mas a única receita de fried chicken que eu fiz até hoje foi esta:
Fried Chicken
Misture os pedaços de frango com 1 copo de leite, dois dentes de alho moídos e três colheres de sopa de gin. Misturar tudo e colocar num saco plastico. Deixar marinando na geladeira durante a noite ou pelo menos por uma hora. Pode colocar um pouquinho de sal também.
Misture um copo de farinha de pão com 1/2 copo de queijo parmesão ralado, sal, raspas de limão e tomillho seco. Passe os pedaços de frango nessa mistura e frite [se for ousado] ou asse [se for clean kitchen freak como eu!] em forno pré-aquecido.
Servir acompanhado de salada de batata e/ou cole slaw [salada de repolho].
Thai Milk Tea
Uma bebida muito na moda aqui é o Thai Tea. Pode-se até comprar pronto, em caixinha ou pozinho. Eu percebi o sabor especial dessa bebida logo no primeira gole - é a base de Chá Mate. Pois então, o fabuloso chá de erva mate não é nossa exclusividade. Como eu tenho uma caixa de Mate Leão, que trouxe do Brasil séculos atrás, resolvi fazer a bebidinha famosa em casa.
A receita:
3/4 de chá mate gelado [de preferência feito com a erva queimada e não com o pozinho artificial]
1/4 de leite integral [não usar leite desnatado que não fica tão bom]
açúcar
Bater no liquidificador até ficar cremoso, Servir num copão com gelo e canudinho.
Aqui eles colocam nesse drink uma porção de tapioca. É uma tapioca grande e de cor escura. Não sei se colocar tapioca normal dá no mesmo, mas essa tapioca dá um charme extra ao drink , que a gente bebe com um canudão largo.
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Ginger Ale
Eu adoro ginger ale. Essa bebida se tornou a substituta do Guaraná para mim. Outro dia eu tomei um ginger ale feito em casa, numa garrafinha tão charmosa, comprado numa lojinha natureba em Mendocino, que me lembrei que eu tinha uma receita que saiu numa revista Real Simple. Comprei gengibre e fiz.
A receita:
1 1/2 xícara de gengibre fresco em fatias [não precisa descascar]
1 1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de suco de limão fresco
1 1/2 garrafa [1 litro] de club soda ou seltzer gelada
Misture o gengibre, o açúcar e 1 1/2 xícaras de água numa panela de tamanho médio e leve ao fogo para ferver, mexendo para dissolver o açúcar. Abaixe o fogo e cozinha por uns 15 minutos ou até que ela fique com a consistencia de um xarope para panquecas [syrup]. Coe esse liquido e deixe esfriar em temperatura ambiente. Misture o suco de limão. Coloque duas colheres de sopa desse xarope num copo grande e encha com club soda. Misture gentilmente. Adicione gelo, mais club soda ou xarope, se necessário. Cheers!

