folga na cozinha e outros papos
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Todo final de agosto, início de setembro, meu marido some na fazenda de pistacho ou em congressos pelo mundo afora. Então eu fico meio desorganizada na cozinha, porque não tenho muito ânimo de cozinhar só pra mim. Improviso muito, também porque não gosto de comer em restaurantes sozinha. Faço coisas simples e práticas. Sandubas e saladas são a base do menu. Ontem fiz uma coisa horrêver... Jantei uma salada Caprese - tomate, mussarella fresca e basilicão - com uma fatia de pão preto, em pé na cozinha, enquanto telefonava para as minhas amigas e combinava um cinema.

Fomos ao Varsity Theater, o cinema independente da minha cidade, ver o documentário Who Killed the Electric Car. Logo na entrada, notei uma janelinha que eu não tinha visto antes, no lado esquerdo do hall principal e fui lá xeretar. O teatro tem o seu balcãozinho estilo anos 50 vendendo pipoca, refrigerante, mas aquela janelinha vendia café e sorvete - gelatto e regular. Me encantei por um sabor de berries com cabernet. Achei uma ótima idéia, só que senti um pouco de dificuldade para terminar o sorvete quando a sala ficou escura.

a trilha sonora do capítulo de hoje é Dylan

Ele está na fazenda de pistacho no sul da Califórnia. Não fui nadar, porque estava ansiosa para ir até a Borders com um cupom comprar o novo cd do Bob Dylan. Comprei também mais um livro de culinária francesa, desses com fotos bonitas, e postais pro meu amigo Guto. Na volta passei ao lado da inquilina da minha guest house e seu cachorro de três pernas conversando com o meu vizinho cinqüentão tri-atleta na calçada. Essa foi uma história traumatizante que felizmente acaba depois de amanhã.

Comida, comida! Nao quis comer no restaurante italiano, nem no bistrô das saladas. Peguei o carro e fui até o Co-op, nosso supermercado cooperativa. Enchi o carrinho de coisas tolas - sorvete de frutas, wrappings com hummus e falafel, marmelada, pão preto, duas bananas, polenta corn chips, hamburguer vegetal. Ouvi pela terceira vez neste dia um elogio à minha roupa - your top is awesome! Sim, é mesmo!

Uma taça de vinho branco de Cadiz na Andalucia, salsa de vidro com coentro e azeitonas, figos verdes e roxos, iogurte grego com mel. Bob Dylan tocando no cd player me leva quase às lágrimas. Meu vizinho recebe uma visita, um cabeludo hipongo. Será o George da esquina? Eu achava que o George era desempregado e até sentia pena da mulher sorridente dele, quando fiquei sabendo que ele é um professor do departamento de Artes. Quanta diferença do departamento de Engenharia agrícola, onde ninguém tem tempo pra nada e ainda viaja. Todos os meus vizinhos são acadêmicos.

Vou ler A Little Taste of France, vou escrever postais, de óculos que eu odeio, vou terminar de mastigar os figos, que eu adoro, e sentir as sementes estourando entre os meus dentes, vou terminar de ouvir Dylan e seu Modern Times, tentando não sair dançando pela cozinha, evitando que o meu vizinho me veja pelas janelas e me pegue no flagra comendo, bebendo, cantando.

pança cheia

* post reciclado de agosto de 2005, do The Chatterbox.

Uma amiga mencionou um prato típico do norte ou nordeste chamado baião de dois e eu fiquei com as bichas. Então hoje resolvi fazer o tal prato, mas num esquema muito do improvisado. Procurei a receita no cybercook e ia tanto ingrediente regional - manteiga de garrafa, feijão não sei das quantas, farinha de não sei o que. Pensei, vixe maria, acho que vou ficar só na vontade. Mas a capacidade de improvisação do ser humano é uma coisa impressionante. Fiz o tal baião com um bacon americano que eu descongelei no microondas, um feijão italiano e um arroz basmati indiano que eram sobras de outro dia, adicionei pimentão e tomate, salpiquei com queijo ralado e servi acompanhado de um refogado de quiabo. Nem sei se combina, nem se esse baião fajuto pode ser chamado de baião. Mas que ficou muito bom e eu enchi a pança é a mais pura verdade!

arroz amarillo

Uma receita de arroz doce mexicano na minha coluna desta semana na Revista Paradoxo.

outras flores do mercado
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toda quarta e sábado

Eu sou bem puxa-saco da minha cidade, porque adoro morar aqui, acho Davis um lugar especial. Uma das coisas que gosto muito aqui é o nosso Farmers Market. Toda quarta e sábado, faça chuva ou faça sol, o mercado está lá no parque central da cidade, vendendo as coisas mais gostosas e fresquinhas possíveis, tudo orgânico e de produtores locais. Durante o verão o mercado fica pululando de coisas deliciosas e sempre lotado de gente comprando. Eu procuro ir todos os sábados. Vou à pé, pois moro bem perto. Nas quartas, durante o verão, eles promovem um picnic ao lado do mercado, com música ao vivo. Nós também aproveitamos esses dias. Ontem fui ao mercado com a minha sacolona de pano, e fiquei até emocionada com a quantidade e variedade de tomates que eu vi nas banquinhas. Lá tem de tudo, e os produtos vão variando conforme a estação e a produção. No mês retrasado os damascos abundavam, agora são os pêssegos e ameixas. O mercado é comprido e eu caminho por ele duas vezes, ida e volta. Vou comprando o que me interessa. Adoro os cogumelos que são vendidos lá, e as frutas. Além das frutas, verduras, legumes e ervas, tem também pão, azeite, azeitonas, batatas, pistachos, amendoas - essas, peloamordedeus, são maravilhosas, tostadas com uma cobertura de caramelo, ou laranja. Tem comidas étnicas, pretzels alemães, tortillas e salsas mexicanas, pães do oriente médio, doces europeus, queijos, peixes, carnes, linguiças, ovos, suco de maçã ou de limão, as flores maravilhosas e as pipocas! No meio do caminho da volta eu sempre paro num carrinho de sorvete, onde duas meninas vendem os melhores picolés que eu já provei, os Aisu Pops feitos à mão, com os ingredientes mais frescos e as misturas mais interessantes. O de limão kaffir com abacate foi o melhor que já comi, com um sabor que me lembrou os cremes de abacate que eu comia na minha infância. Ontem peguei um de baunilha, berries e iogurte. Volto do mercado sempre carregada de coisas, e devorando as delícias pelo caminho. Uma das melhores coisas da vida!

a pêra crocante
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O produtor de quem eu compro pêras no Farmers Market me disse que ele cultiva dez tipos diferentes dessa fruta. Eu gosto dessa variedade asiática, por causa da textura. Acho também que elas são menos doces que as outras mais moles. Sempre que compro essas pêras lembro da minha querida amiga Alessandra. Eu comprava a pêra asiática no mercadão de Piracicaba, quando morei lá nos no final dos anos oitenta, e quando eu falava pra Alessandra que essas frutas eram crocantes, ela se acabava de rir e dizia - só na casa da Fer que se come pêras crocantes!!!

uma boa e honesta salada

Eu gosto de ir à um restaurante grego aqui em Davis, o Symposium quase que somente por causa das saladas que eles servem. Não é nada especial, não tem ingredientes sofisticados, são saladas super simples, mas com um tempero honesto, que eu valorizo muito.

Pra mim o que estraga as saladas servidas na maioria dos restaurantes aqui nos EUA é o molho. Eu DETESTO molho pronto, molho de vidro, desses cheios de coisas dentro e preservativos. Sou adepta da simples e eficiente mistura de azeite, vinagre e sal. Gosto de usar vinagres diferentes, ervas, detalhes interessantes para deixar o molho mais caprichado. Uso muito mostarda em pó ou preparada nos meus molhos. Ou iogurte. Ou sour cream. Mas eu gosto de misturar, não gosto de usar molhos preparados.

Então você vai a um restaurante mediano e pede uma salada. Ela vem encharcada, inundada, afogada num molho pronto. Eles listam pra você - italian, ranch, balsamic, honey mustard, thousand island, vinagrette... Muito raro um desses molhos enriquecerem a salada. Normalmente eles destroem tudo... Eu aprendi a pedir sem molho ou com o molho separado, assim uso só um pouquinho.

Mas no Symposium, não tenho problemas com salada. Geralmente peço uma com alface picadinha, batata cozinda, ovos cozidos, tomates, azeitonas kalamata, alcaparras, cebolinha verde. E o molho - só pode ser vinagre de vinho, azeite, sal e pimenta. Tudo na medida certa - 1/3 de vinagre ou suco de limão, ou os dois misturados e 2/3 de azeite.

Meus molhos são os mais variados. Mas aprendi a fazer um molho coringa com uma amiga suiça - uma perfeccionista, que também me ensinou um truque que eu uso até hoje para levar saladas em potluck parties: colocar os ingredientes para o molho no fundo de uma saladeira. Bater bem com o batedor manual. Colocar os ingredientes da salada por cima do molho. Não misturar. Cobrir com filme plástico e guardar. Na hora de servir, misturar bem o molho com a salada. É uma técnica perfeita, especialmente se você quiser levar uma salada de folhas, que certamente vai murchar se for misturada com o molho com antecedência. Isso evita que você tenha que levar o molho numa vasilha separada e que faça sujeirada na hora de misturar.

Este é o molho clássico para saladas da Annemarie:

Misture bem:
Vinagre de maçã
Azeite de oliva extra-virgem
sal/pimenta moída na hora
mostarda preparada
ervas frescas ou desidratadas [* eu uso muito o dill e as chives]
Esse molho dura muitos dias guardado na geladeira.

salada de tomatillos
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Toda semana eu tenho recebido um saco de tomatillos na cesta orgânica. Esses tomates estranhos não são exatamente tomates, mas parentes próximos. São muito comuns no México e usados para salsa e outras receitas típicas. Eu não sou muito de fazer salsa, então estou num horrível dilema, pois não sei o que fazer com esses tomatillos. Muitos já foram para o lixo, pois se eles amarelam [amadurecem], não prestam mais para serem usados. Tem que retirar a casquinha, lavar bem, pois eles são meio oleosos por fora. Um dia eu resolvi fazer uma salada com eles e não ficou mal. O negócio é que os tomatillos são bem ácidos e precisam de um molhinho suave para contrabalançar. Qualquer vinagre com fruta -laranja, o mais comum, dá conta do recado. O azeite também ajuda a suavizar. Adicionei coentro fresco, que é uma erva bastante usada na cozinha mexicana e que combina muito bem com os tomatillos.

o primeiro encontro com a sopa em lata

Na introdução de The Art of Eating, Anna Parrish, a filha mais velha da autora M. F. K. Fisher, escreve um pequeno parágrafo sobre a sua mão. Ela conta que seus amigos ficavam embasbacados quando jantavam com ela, pois a mãe servia coisas simples e boas, como uma prato de salame, prosciutto e melão, uma salada de alface, pão e vinho. De sobremesa uvas ou sorvete.

Lendo isso me lembrei de muitas histórias da minha inocência culinária, fazendo coisas simples e boas - como sempre fiz, mas pra audiêcia errada. Nos nossos primeiros meses no Canadá, a filha de um casal de amigos se encantou com o meu filho. Ela devia ter uns sete anos e o Gabriel tinha dez. Um dia ela se convidou para dormir em casa e passar o sábado lá. Nem lembro se o Gabriel curtiu aquilo, mas ele sempre foi extremamente gentil.

Fui logo perguntar o que a menina gostava de comer e quando ela disse que a comida preferida dela - ever - era sopa de cogumelos, fui correndo ao supermercado, comprei os cogumelos mais frescos que encontrei e fiz aquela sopa simples, saborosa e linda. Na hora no almoço a menina veio toda pirilampa, sentou-se para comer e quando olhou para o prato fez uma careta de nojo e desapontamento, enquanto mexia a sopa com a colher como se estivesse revirando uma lavagem de porco. Saiu da mesa abruptamente dizendo que tinha mudado de idéia, não estava com fome. Eu depois fui perguntar, mas como, você não quer comer nada, não esta com fome, como pode, brincou a manhã toda, e a educadinha canadense disse sem papas na língua - eu não gostei dessa sopa que você fez, eu gosto da sopa de cogumelos DE LATA!

Bom, a partir daí vi que não podia mesmo fazer nada. Eu não podia ousar competir com uma lata de sopa Campbell.

tomatillos
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spicy green salsa

A receita desse molhinho veio numa Everyday Food especial sobre carnes grelhadas. Ele é um excelente acompanhamento para qualquer carne feita na churrasqueira ou no forno. Quando eu faço churrasco de tri-tip, que eu chamo de picanha, preparo esse molho pra acompanhar. Meu filho adora!

1/2 xícara de coentro fresco
1 colher de sopa de pickles de jalapeños [encontra na seção de comida mexicana dos supermercados - inteiro ou em fatias, em lata ou em vidro]
3 colheres de sopa de azeite de oliva
1 colher de sopa de água
1 colher de chá de vinagre de vinho tinto
1/4 colher de chá de sal grosso [coarse]

Bata tudo no food processor ou liquidificador. Guarde na geladeira. Dura três ou quatro dias refrigerado.

tortilla com frango e alcachofra
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Todo santo-dia-de-semana é a mesma história. Eu chego do trabalho e fico zanzando pela cozinha uma meia hora, sem saber o que fazer para o jantar. Poucas vezes eu me preparo antecipadamente. Poucas vezes eu já sei o que vou fazer - e tenho todos os ingredientes. Hoje foi um dia normal. Cheguei em casa e fiquei perambulando pela cozinha, abre a geladeira, olha, pensa, abre os armários, olha, pensa. Uma sobra de peito de frango já me acenava há dias lá do fundo da geladeira - olha eu aqui! Sim, eu vi, mas estava tentando fingir que não, afinal sobras são importantes, e eu não gosto de desperdiçar comida, mas não é sempre fácil usá-las criativamente.

Depois de uns vinte minutos de lero-lero, olhando e pensando, coçando a cabeça e falando sozinha, já tinha desanimado e decidido fazer um macarrão. Foi quando vi um saco de tortillas integrais, que estava esquecido num cantinho, e daí foi só começar a misturar os ingredientes.

Piquei o peito de frango já cozido bem fininho, acrescentei uma lata de coracão de alcachofras picadinhas, umas folhas de basilicão picadinhas - recebo um maço enorme quase toda semana, tenho que gastar - um quarto de cebola roxa ralada em fatias bem finas, uma pitada de sal, um fio de azeite.

Para montar, coloque um tanto da mistura de frango na metade da tortilla, polvilhe com um queijo bom para derreter - eu usei o manchego. Ponha no microondas por uns trinta segundos. Pode servir com uma salsa verde.

a melhor pipoca do planeta
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Essa pipoca é a melhor que eu já comi. Compro sempre que vou ao Farmers Market, na barraquinha do Gold Rush Kettle Korn. Eles fazem a pipoca num caldeirão imenso de metal, e ficam mexendo com uma colherzona de pau enquanto a pipoca estoura. Adicionam uma mistura de açúcar com sal que é simplesmente perfeita. A pipoca é crocante, nem doce nem salgada, se conserva fresquinha por vários dias. Eu compro um pacote que eles chamam de "pleaser", que custa $5 e dura três ou quatro dias. Sou viciada nessa pipoca... Adoro!

salada de berinjela assada

Mais uma receita com tomate. Essa época do ano é assim mesmo... Estou tendo que me virar pra gastar a tomatada e agora a colheita dos cerejas está a todo vapor. Entao vi essa receitinha numa Everyday Food do ano passado e mandei bala.

Corte uma berinjela grade em cubos. Coloque de molho na água salgada ou avinagrada por uns minutos. Coe, seque, coloque os cubos espalhados numa forma, regue com azeite, coloque em forno médio até elas assarem. Pode fazer na churrasqueira também. Eu fiz um dia antes e guardei na geladeira.

Na hora de montar salada, coloque os cubos de berinjela numa vasilha, acrescente tomates cereja cortados ao meio e folhas de basilicão cortadas em tiras finas. Numa vasilha separada faça o molho com vinagre de vinho tinto, azeite, sal, pimenta do reino. Bata bem e jogue na berinjela. Misture e sirva.

Pode jogar pedaços de feta cheese também. Mas isso é idéia da minha cabeça, não estava na receita.

invasão vermelha
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Direto da fonte, na tomatolândia - Sacramento Bee, o jornal da capital da Califórnia.

The Art of Eating
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by M.F.K. Fisher

Uma compilação de cinco livros de uma americana muito porreta, que além de linda, chiquérrima e inteligente, tinha um grande senso de humor e escrevia bem pra burro! Essa edição comemorativa traz Serve it Forth, Consider the Oyster, How do Cook a Wolf - que ela escreveu durante a recessão da Segunda Grande Guerra com dicas frugais e que poderá nos ser útil na atual perspectiva negra de futuro - The Gastronomical Me e An Alphabet for Gourmets.

a cozinha também está dominada

Vocês já sabem que a cozinha sempre foi um lugar perigoso pra mim. Foi em cozinhas que ganhei minhas maiores cicatrizes, em terríveis cortes e queimaduras. Tenho sempre uma atitude prevenida quando estou fazendo comida ou qualquer outra coisa numa cozinha. Eu me vejo em situações gravíssimas, sangue jorrando, morte eminente. Vou tentar traçar o mapa do local minado: um tapete entre a cozinha e a sala de jantar, outro tapete largo em frente da pia e máquina de lavar louças, um forno e um fogão sempre ativos, uma geladeira com duas portas que se abrem opostas uma a outra, muitos armários com portas pontudas na altura da minha cabeça, e dois gatos. Se todo o resto não bastasse para provocar situações de acidentes mortais, ainda temos os gatos na cena. Eles são a cereja no topo do bolo do meu infortúnio destino.

E eles são onipresentes no local. Estão sempre deitados nas cadeiras onde você vai sentar, correndo pra lá e pra cá ou ou escarrapichados nos tapetes. Quando eu estou fazendo o rango e andando de um lado para o outro na cozinha, nada mais apropriado do que ter um gato gordão, sentado, deitado ou em pé feito uma estátua, bem no meio do seu caminho. Ou ter um gatinho maluco dando pinotes e corridas alucinadas pelo meio da cozinha, chispando como um furacão pelo meio das minhas pernas ou passando frenéticamente aos pulos enquanto joga um ratinho de pano pra lá e prá cá pelos ares e ocasionalmente dando botes nas minhas pernas e pés.

Este é o cenário realista e perturbador. Por isso não se assustem se eu contar histórias de como tropecei num gato com um facão numa das mãos e só deus sabe como consegui recuperar o equilibrio sem me auto-degolar ou me auto-estripar. Ou de como tropecei no outro gato [ou seria o mesmo?] e quase caí de cara na sopa borbulhante na panela e periguei virar coadjuvante de um réplica caseira de uma cena de Angel Heart. Eu piso em ovos para não pisar em gatos e se for vitima de mais um freak acidente na cozinha, vocês já estão avisados, para não haver nenhuma sombra de dúvida sobre a identidade dos futuros supostos culpados!

um toque de classe

Era uma segunda-feira, quando eu vou buscar minha cesta orgânica, lavo, guardo e tento usar os legumes e verduras que encalharam ou sobraram da outra semana. Geralmente é um dia bom para deixar um caldo preparando na panela elétrica, e para fazer pratos simples, nada que necessite mais que três etapas - lavar, picar, cozinhar rapidamente ou temperar em salada.

Pra acompanhar a refeição simples que eu fiz naquele dia, eu resolvi usar um pacote de noodles cozido que eu tinha na geladeira. Esses pacotes são muito práticos, pois o macarrão feito com ovos vem prontinho, você só precisa despejar no stir fry ou sopa. Pois nesse dia fritei na wok umas fatias finas de alho no azeite, joguei os noodles, sal, pimenta, cobri com muita salsinha fresca picada e servi com bastante queijo pecorino ralado. Um alho & óleo oriental.

Pois o que foi que ouvi quando servi o jantar?

- Ah, você fez miojo hoje?

Á? Á? Á?
MIOJOOOOO???!!!
Nem preciso dizer que fiquei chocadíssima e ofendidíssima...

plantinhas - até quando?
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Como eu tenho um gato comedor de plantas - o doidão Roux - tenho o maior cuidado com as plantas que coloco dentro de casa. Morro de medo que o tontão coma algo não comível e fique doente. Eu tinha uma plantinha na janela da cozinha, que foi presente da minha nora. Até que a planta durou, quando comecei a notar as folhas desaparecendo gradualmente. Foi então que peguei o gatonildo no flagra! Essas plantinhas aí, a de cor verde-cinzentado já está com um aspecto estranho. Será? Será?

A saga das panquecas
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Acontece também com você? E você não odeia quando acontece? Você decide fazer uma receita, pensa em todos os ingredientes, menos nos óbvios - farinha, leite, ovos, fermento, pois esses você tem certeza que sempre tem! Mas o quê? Basta você começar a se preparar, pôr os utensílios alinhados, abrir o caderno de receitas, separar os ingredientes para constatar que NÃO TEM FARINHA DE TRIGO!!

Foi isso que me aconteceu quando resolvi que iria fazer panquecas recheadas com ricota para o almoço de sábado. Fiquei muito irritada, pois tive que mudar as direções da barca culinária, o que não foi uma situação feliz.

Resolvemos a questão no sábado à noite, quando o Uriel foi comprar umas coisas no Co-op e trouxe um saco de farinha. Pro almoço de domingo fiz as panquecas, recheadas com ricota e onde usei o molho de tomate que preparei para uma eventual macarronada.

A receita da massa das panquecas é da minha mãe. O recheio não tem segredo, é ricota amassada com cebolinha e salsinha picadinha e temperada com sal e pimenta do reino.

Para a massa, bata no liquidificador 2 xícaras de farinha de trigo, 2 xícaras de leite, duas colheres de sopa de manteiga, 1 colher de chá de fermento em pó, 2 ovos, uma pitada de sal. Bata bem e deixe descansar por 5 minutos. Frite as panquecas o mais fininho possível na frigideira untada com manteiga. Enrole cada uma com o recheio de ricota. Ponha num refratário, cubra com molho de tomate e salpique com queijo parmesão. Leve ao forno médio por uns 15 minutos e sirva.

salada de feijão branco com tomate cereja
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Eu adoro as receitas da Elise, assim, como as suas dicas de compras, das quais já segui algumas. Ela bloga de Sacramento e tem sempre receitas facílimas. Quando eu vi essa salada de feijão branco com tomate cereja, não fiquei muito entusiasmada, pois não vi ali nada de especial. Mas quando li a maneira de preparar o molho, fui fisgada. Fiz tudo "from scratch", cozinhando os feijões secos especialmente para a receita.

Eu não usei o aliche, e fiz sem medida. Ficou simplesmente uma delícia. O azeite infuso com alho frito o e alecrim deu um troque especialíssimo, e a mistura do feijão com o tomate foi bem surpreendente.

Para a salada:
1 xícara de feijão branco de grão pequeno, canelli ou similar, já cozidos
1 xícara de tomates cerejas cortados ao meio
Bastante salsinha picada

Para o molho:
Azeite extra-virgem
1 dente de alho descascado e amassado com a lâmina da faca
1 galhinho de alecrim fresco
3 filés de aliche [eu não usei]
1/4 xícara de queijo parmesão ralado na hora
Sal kosher
Pimenta do reino moída na hora
Raspas de 1 limão amarelo
Suco de 1 limão amarelo

Coloque o alho e o alecrim numa panelinha com o azeite e leve ao fogo até começar a fritar. Tire a panela do fogo e deixe esfriar e pegar gosto por 20 minutos.

Remova o alho e o alecrim do azeite. Jogue fora o alecrim. Coloque o alho num processador ou pilão, adicione o aliche, o queijo, sal, pimenta, raspas e suco de limão e misture bem.

Numa saladeira coloque os feijões cozidos e tempere com o molho. Deixe absorver por alguns minutos, então acrescente os tomates, a salsinha e o azeite.

a looooooooot of tomatoes
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Essa pequena refeição está bem redundante, eu sei. Mas tenho que usar a tomatada que abunda, vermelhinha, nos meus tomateiros.

Então vamos lá, uma salada básica com tomates, folhas de basilicão e mussarela fresca, temperada com um vinagre balsâmico branco, pelo qual estou apaixonada!

Uma fatia de pão tostado na frigideira de ferro, regado com um fio de azeite. Eu comeria isso todo santo dia!

Gaspacho. Nunca tinha feito essa sopa. E fiz às cegas, sem receita. Fiz assim: joguei no liquidificador um monte de tomate, um pepino branco pequeno descascado [coloquei com as sementes mesmo, pois essa variedade de pepino quase não tem semente], uma fatia de pão tostado cortado em cubos, um cubinho de gengibre fresco - para substituir o alho, já que todos sabem que eu não suporto comer nada com alho cru - água o quanto baste, sal, pimenta do reino, um fio de azeite. Bati tudo, gelei, comi às colheradas.

nunca mais irei com ele naquele café

Aconteceu comigo, não com ele. Mas ele não quer saber nem de passar em frente do Café Bernardo. Eu gosto do lugar, que pratica a California cuisine, com pratos leves, bastante legumes, tudo fresco. Mas por causa dessa história, ele não quer mais ir lá. Notem bem, ele nem estava lá, nem viu nada, mas porque eu contei pra ele, agora acabou-se o que era doce. Eu sempre argumento que o cara nem deve mais trabalhar lá, mas ele contra-argumenta dizendo - naquele lugar eu não como, nem morto! Então nunca mais irei com ele naquele café...

mais flores do mercado
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a cena do crime

Em algum dia no verão do ano dois mil eu escrevi:

Tô cansada de lavar e cozinhar tomates. Tinha uns 30 quilos do "fruto vermelho" na minha pia. Em etapas, espaçadas num período de 24 horas, eu lavei, cozinhei, penerei, engrossei e congelei tanto tomate que minha cozinha ficou com cara de cena de assassinato e esquartejamento. O purê escorrendo na beira da panela de pressão Panex de 4,5 litros secou e ficou com cara de sangue coagulado. Quando eu pensei que estava acabada com a função, hoje vejo mais dois sacões de tomates vermelhos, brilhantes, com cheiro de plasma, no chão da minha cozinha.

Isso aconteceu por três anos, enquanto meu marido trabalhou num projecto de tomates, que não sei, nem lembro com detalhes o que era, mas com certeza era uma máquina. Durante esse período ele fazia testes nos campos do maior produtor de tomates da Califórnia. E o pessoal empurrava os tomates pra ele. Acho que todo mundo que trabalhava nesses campos levava pra casa os tomates que não tinham passado na peneira da perfeição. Era um mundaréu de tomate, uma coisa impressionante. Hoje ele tem outros projectos, que vez ou outra me rendem outros frutos - mas eu não gosto mais dessas histórias, porque não tenho mais tempo para transformar a minha cozinha numa processadora de alimentos. E me contento enormemente com a modesta produção de tomates da minha pequena horta, que só hoje me deu frutos suficientes para fazer um grosso molho de macarronada.

Polpettes with mozzarella and tomato
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Eles são uma coleção de livros bem interessantes e bonitos, que vendem por $5,99 em qualquer Borders. Eles são irresistíveis e inspiradores. Eu tenho vários, mas o que eu mais uso é o de receitas mediterrâneas. O livro tem tantas páginas marcadas, que até já dobrou de volume. Já fiz umas receitas de tapas de azeitonas e amêndoas e uma sobremesa, que deu errado. Mas outro dia, abri o livro por acaso justo na página desta receita. Não deu outra, no outro dia já resolvi fazê-la.

Eu mudei um pouco a receita dos bolos de carne, porque nessa vai um ovo e eu não suporto a idéia de um ovo cru misturado com a carne crua, que me dá uma impressão de um acasalamento da salmonela com o e-coli, apesar de eu saber que tudo vai ser cozido. Então substituí o ovo por uma colher de mostarda, e acrescentei cheiro verde picadinho.

1/2 fatia de miolo de pão branco
45ml/3 colheres de sopa de leite
500 g de carne moída
1 ovo batido [* substitui por 1 colher sopa de mostarda]
2 tomates largos e maduros [variedade beefsteak]
1 colher de sopa de orégano fresco
1 pedaço de qeijo mussarela fresco cortado em fatias
Fatias de aliche [* achei que pode muito bem ficar sem]
Sal e pimenta do reino a gosto

Coloque o miolo de pão e o leite numa panelinha e aqueça até o pão absorver todo o leite. Amasse bem com o garfo e deixe esfriar.

Coloque a carne numa vasilha com a mistura de pão e leite, o *ovo, sal e pimenta a gosto. Amasse bem com as mãos e faça bolos achatados, como hamburgueres.

Frite numa frigideira larga até os bolinhos ficarem dourados, virando dos dois lados. Coloque-os numa forma refratária, cubra cada um com uma fatia de tomate, salpique com orégano picado, sal e pimenta. Coloque uma fatia de mussarela em cima de cada tomate e duas fatias de aliche cruzadas no topo da mussarela. Asse em forno alto [400ºF/200ºC] por 15 ou 20 minutos, até a mussarela derreter.

Minhas madeleines

Porque minha mãe tinha uma carreira e trabalhava fora oito horas por dia, na casa dos meus pais sempre teve duas empregadas—uma pra cozinhar e outra pra fazer todo o resto, inclusive cuidar das quatro crianças endiabradas. Agora eu entendo por que minha mãe tinha uma pessoa só para cozinhar. Pra ela, a alimentação era uma coisa importantíssima e nós sempre tivemos quatro refeições por dia, todas preparadas do zero, sem congelar, descongelar, requentar, pois naquele tempo nem era comum as famílias terem freezer, muito menos microondas.

Então a cozinheira cozinhava o dia inteiro. Tomávamos o café da manhã a família toda junta, com a mesa arrumada, xícara com pires, colherzinha, guardanapo. Meu pai e minha mãe iam almoçar em casa e então sentávamos todos juntos à mesa de novo. À tarde tinha o café da tarde, que ora era café com leite, ora chocolate, ora mingau, sempre uma fruta, bolacha salgada ou doce. Meu pai às vezes aparecia para tomar o café da tarde em casa—e muitas vezes nos pegou no flagra fazendo arte durante as férias. No jantar a coisa incrementava, pois minha mãe fazia questão de servir sempre uma sopa antes do prato principal, mais salada e sobremesa. Durante a semana as sobremesas eram simples, frutas, ou salada de frutas, gelatina, sorvete. Para o sábado e domigo tinha sempre algo mais sofisticado, um pavê, uma torta. Todo sábado à noite tinha pizza, todo domingo macarronada com frango—se não houvesse um churrasco muito raro. Todas as refeições tinham horário fixo. Meu pai às vezes ganhava dos fazendeiros da região um porco vivo, ou galinhas, ou um sacão de batatas, ou outro artigo comestível. A empregada que cozinhava era incumbida de matar a galinha—tarefa repugnante que eu testemunhei uma vez e que marcou a minha memória para sempre. E minha mãe sempre inventando receitas novas, pegando idéias nos livros, que a cozinheira concretizava. Uma vez por mês ela encomendava peixes, que chegavam num caminhão refrigerado. E o leite vinha todo dia numa carroça puxada por um cavalo.

Minha casa tinha dois andares, em cima tinha uma cozinha que nunca foi usada, com um fogão, pia comprida, armários e um aparelho americano de assar frango. Ao lado tinha uma sala de jantar. Mas o buxixo ficava no andar de baixo da casa, onde tinha a cozinha pequena toda branca, onde a cozinheira com quem eu passei mais tempo—a Cida—ficava. Ao lado tinha uma copa grande, onde fazíamos praticamente todas as refeicões. Eu estava sempre pela cozinha, atrás das empregadas, xeretando a geladeira, abrindo armários, lendo os livros de receita. Essa Cida era uma mulata alta, gorda e muito mal humorada, que ficava muito irritada comigo sempre atrapalhando o serviço dela. Mas eu nunca me intimidei e um dia comecei a mexer nas panelas. Eu devia ter uns oito ou nove anos, não lembro exatamente qual foi a minha primeira invenção na cozinha, mas me lembro de uma idéia de girico que fracassou, fez uma sujeirada e me deu uma dor de barriga danada - eu misturei manteiga com ovos e açúcar e fritei à colheiradas no óleo quente. A Cida só revirava os olhos, grunia—devia estar me rogando pragas de caganeiras—e ia de cara fechada limpar a minha arte antes que meus pais chegassem, minha mãe tivesse um xilique e me desse uma surra.

Mais tarde lembro de ficar bem arrojada e abrir o livro de receitas A Alegria de Cozinhar da Helena Sangirardi e fazer uns sanduichinhos com pão pullman, maionese e pepino. Ninguém quis comer aquilo. Hoje entendo o que aquele sanduíchinho tão nada a ver com a nossa cultura culinária estava fazendo naquele livro. Dona Helena Sangirardi traduziu o The Joy of Cooking, então a herança inglesa da cozinha dos americanos foi parar nas nossas cozinhas brasileiras. Usei muito aquele livro nas minhas investidas na cozinha da Cida. Fui melhorando aos pouquinhos, claro, até chegar num ponto, durante a minha pré-adolescência, em que consegui fazer coisas completamente comíveis.

pronto? vamos?
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Levei para o show no Quad uma garrafa térmica com sangria e um pratinho com brownies. Até esqueci de dançar...

uma simples omelete
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Como não sou uma cozinheira muito elaborada - todos já sabem disso - me inclino sempre em direção da simplicidade, onde corro menos riscos de enfrentar fracassos. Tudo simples, esse é o meu lema, o meu motto.

Finalmente estou lendo bem devagar um livro que tenho, escrito pela mulher que revolucionou a cozinha inglesa no século vinte, e descubro que ela é um pouquinho como eu em alguns aspectos. Ela tem um certo cinismo com relação à comida industrializada, e no artigo que dá nome ao livro - An Omelette and A Glass of Wine, publicado em 1959, ela conta a história da famosa omelete da Madame Poulard que gerenciava um hotel na costa da Normandia. Quando Madame aposentou-se, foi um forfé delirante entre os gourmets, todos tentando descobrir ou afirmando ter descoberto o "segredo" de tal sofisticado prato. Uns diziam que ia leite na mistura, outros que eram trufas. Até que num belo dia, alguém cansado de ler e ouvir conjecturas resolveu perguntar diretamente para Madame Poulard - como ela fazia a tal omelete. A resposta foi bem simples e direta:

"Monsieur,

Aqui está a receita da omelete. Eu quebro uns bons ovos numa vasilha. Eu bato esses ovos bem batido. Eu coloco um bom pedaço de manteiga numa frigideira. Eu jogo os ovos nela e chacoalho constantemente. Eu fico feliz, mounsieur, se essa receita lhe agradar.

Annette Poulard."

Ler isso me redimiu de todas as minhas frustrações!

cestinhas para arroz
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Parecem bolsinhas - e acho que até daria para usá-las como bolsinhas [idéia!!], mas são na verdade cestinhas para cozinhar arroz no vapor, que eu usei para fazer a receita de quinoa com milho, cebolinha e hortelã da Valentina. São feitas de palha de bambu e como vêm em três tamanhos diferentes, se adaptam à qualquer receita. O trio custou oito patacas na lojinha chinesa de downtown.

faça o seu forno solar

Eu estava pensando em comprar um, pois sou bem ineficiente com essas coisas de do-it-yourself. Mas quem quiser tentar fazer o seu próprio forno solar, pode seguir essas instruções, do Wiki How. Boa sorte!

Misty na janela
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Essa foto foi feita durante os nossos primeiros dias morando nesta casa. Quando mudamos pra cá, nós só tinhamos o Misty. A vida ainda era pacata para esse pobre gato, que hoje vive sendo perseguido pelo enlouquecido Roux. Bom, não tínhamos cortinas na cozinha, e as roseiras que hoje cobrem praticamente toda a parte de baixo das janelas - nos dando um bocado de privacidade, tinham sido podadas pelos jardineiros que cuidam da vila. Então essa bay window foi a televisão do Misty por alguns meses. Eu sempre enroladora, não sabia como iria cobrir essas janelas. Quando compramos a casa ficamos extremamente durangos por um bom tempo. Um dia, quando minha mãe estava aqui me visitando, ela me disse que uma amiga dela foi lhe contar - ah, passei pelo Aggie Village ontem à noitezinha e vi você, sua filha e seu genro jantando! Quando eu ouvi isso, falei - agora chega, vou pôr qualquer cortina nessas janelas. E assim fiz! Comprei três cortinas azuis, que estão até hoje penduradas ali. Agora chegou a hora de trocá-las. Muita coisa mudou, as roseiras cresceram, as cortinas desbotaram de sol, e o Misty perdeu o seu sossego e a sua televisão.

amorous duo

Dando uma geral na minha cozinha outro dia, achei umas revistas Cooking Light, que eu não folheava há anos. Numa delas, de novembro de 1999, achei uma receitinha para uma sobemesa refrescante que fez a minha cabeça. É um sorvete, mas a receita é light. Pode ser adaptada para não ser, se esse for o gosto do freguês. É só trocar o low-fat frozen yogurt por um regular, ou um simples sorvete de baunilha.

3 colheres de sopa de xarope de romã
2 colheres de sopa de amaretto
1 xícara de low-fat frozen yogurt sabor baunilha
1/2 xícara de gelo picado - eu achei que isso deixou o sorvete muito líquido. fiz sem o gelo e achei que ficou melhor, mais consistente

Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata até ficar bem misturado. Serve duas porções. Também achei que bater no liquidificador foi uma tarefa árdua. Na segunda tentativa eliminei o gelo e somente misturei bem os ingredientes com um batedor, e ficou perfeito.

tictictic
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Found Julia
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Quando o livro póstumo da Julia Child sobre os anos em que ela e o marido Paul Child viveram na França, escrito pelo seu sobrinho-neto, foi lançado em abril, todo mundo - eu inclusive - correu pra comprar o seu exemplar. Uma pena que a minha falta de tempo, adicionada à lista infindável e sempre crescente de livros que eu pretendo ler, me faz acabar não lendo nada. Mas outro dia puxei um livro de uma pilha sobre uma mesinha e achei My Life in France, que estava esquecido e soterrado por outros volumes. Vamos ver se agora eu tomo vergonha e me organizo pra começar a pôr as leituras em dia. Esse livro da Julia vem cheio de fotos em P&B da americana desengonçada fazendo aulas no Le Cordon Blue na década de 50. Como eu pude soterrá-lo por tantos meses!

Festa!

E olha só, a Revista Paradoxo faz três anos, com edição comemorativa e tudo. Eu estou lá, com minha coluna semanal sobre culinária. Tudo super chique, super cool, um arraso!

leftovers
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um nabo para todos

De um blog que eu adoro, o Monólogo da Isabel:

a necessidade, o hábito e a falta de planeamento, fazem de mim uma frequentadora diária de mercados, supermercados, mercearias, talhos. hoje, descurei e já falta água, uvas e café. criados em tempos de abundância dificilmente as crianças da casa concebem não ter à disposição milhentos produtos e variedades de alimentos.eu lembro-me de iogurtes, bolos, compotas e marmelada feitos em casa, e dos supermercados serem dois corredores pequeninos onde se ia comprar leite do dia que tinha que se ferver (e tinha nata, esse pesadelo da infância).

curioso, em tempos de abundância, é ouvir os filhos cantar a aterradora história de Pollicino, história de fome que mete pais lenhadores que abandonam os filhos na floresta, lobos e ogres.

-o que há para jantar?
-há um nabo. às fatias
-só um nabo?
-um para todos

imaginas o que é não ter nada para comer? perguntei-lhes. não imaginam, nem eu... (porque a dieta a que me obrigo - é fome, mas não é essa fome).
sopa cremosa de cogumelos
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Fazia tempo que eu queria tentar fazer em casa a sopa de cogumelos que comemos num restaurante no Napa Valley. Comecei a buscar por uma receita que tivesse o profile que eu precisava. Procurei, procurei e tudo que eu achava ia creme de leite, sherry. No final achei uma receita no French Country Cooking da Elizabeth David, que eu usei como base. Ela pedia bacon, que eu eliminei. E não pedia cebola, que eu adicionei, pois precisava gastar uma metade que estava na geladeira.

300 gr. de cogumelos crimini
2 xícaras de água
2 1/2 xícara de leite
3 colheres de sopa de farinha de trigo
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
sal e pimenta do reino a gosto
1/4 de uma cebola branca.

Coloque os cogumelos limpos numa panela com a água e deixe ferver. Enquanto isso refogue a cebola bem picadinha [pode moer, se quiser, pra não ficar pedaços na sopa] na manteiga. Dissolva a farinha no leite e acrescente à cebola refogada. Vai mexendo com o batedor até engrossar ligeiramente. Bata os cogumelos cozidos no liquidificador até eles virarem uma pasta bem leve. Acrescente a pasta de cogumelo e a água do cogumelo ao molho branco. Mexa bem para incorporar e cozinhe por um minuto. Adicione sal e pimenta do reino a gosto. Desligue o fogo, acrescente chives picadas e um fio de azeite de trufas brancas. Sirva quente ou morno.

Mas posso acreditar que essa sopa ficou parecidíssima com a do restaurante, muito deliciosa, com um sabor bem pungente dos cogumelos crimini. Missão cumprida!

Scones de damasco seco com sálvia

Essa receita veio numa edição da revista Martha Stewart Living. Quando eu vi, achei super interessante a mistura da fruta com a erva. Sálvia, para mim, é uma erva bem difícil de usar por ela ter um cheiro e sabor muito forte e enjoativo. Eu costumo colocar no frango de vez em quando, mas não ouso inovar muito com ela. Essa receita me deu a chance de usar essa erva, que misturada com o ácido/doce do damasco ficou perfeita.

Sage & Dried Apricot Scones

2 xícaras de farinha de trigo
1/4 xícara de açúcar
1 colher de sopa de fermento em pó
3/4 colher de chá de sal
5 colheres de sopa de manteiga sem sal gelada cortada em pedacinhos
1 xícara de damascos secos picados
2 colheres de sopa, mais 1 colher de chá de folhas de sálvia fresca picadinhas
1 xícara de creme de leite fresco [heavy cream], mais um pouco para pincelar
Açúcar demerara - opcional

Pré-aqueça o forno em 375ºF [190ºC].
Numa vasilha grande, misture a farinha, o açúcar, o fermento e o sal. Vá colocando a manteiga aos poucos e amassando com os dedos ou faça no food processor, com a lâmina para massas. Misture bem até a massa ficar com uma consistência grossamente granulada. Misture os damascos e a sálvia. Adicione o creme de leite e amasse com as mãos até a massa ficar compacta. Coloque a massa numa superficie enfarinhada e molde num círculo de uns 20 cm e não muito grossa [3 cm]. Corte o círculo em triangulos sem destacá-los. Coloque o círculo cortado em triângulos numa assadeira forrada com papel manteiga. Pincele toda a massa com o creme de leite e salpique com o açúcar demerara. Asse por 30 minutos, até a massa começar a ficar dourada. Deixe esfriar numa grade por 10 minutos.

flores do mercado
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couscous com canela
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Achei essa receita quando procurava saber mais sobre o vinho Gewurztraminer muito gostosinho no qual ando viciada, no site da Fetzer. Fiz então, mas vou falar sinceramente, fica bem 'rich", com um sabor bem acentuado, por causa de todas as especiarias. Não é um couscous pra se comer regularmente, mas fica bem interessante. Servi acompanhando umas pernocas de frango grelhadas na churrasqueira. Meu marido não gostou muito, então tenho muitas sobras. Oh, well...

Couscous com Canela

I xícara de um bom e grosso caldo de galinha ou legumes
1/4 colher de chá de açafrão
2 colheres de sopa de azeite de oliva
2 colheres de chá de alho assado [roasted garlic]*
1/4 colher de chá de cominho em pó
1/4 colher de chá de coentro em pó
1/2 colher de chá de canela em pó
1/4 colher de chá de nos moscada ralada na hora
1 xícara de couscous [semolina]
Sal e pimenta moída na hora a gosto
1/4 xícara de cebolinha picadinha
1/4 xícara de pine nuts [pinoles] tostadas

Numa panela pequena misture o caldo de galinha/legumes com o açafrão e ponha no fogo até ferver. Desligue o fogo e deixe o líquido descansar por 15 minutos. Acrescente o alho assado e as especiarias e ferva novamente. Coloque o couscous numa vasilha com tampa. Jogue o líquido fervendo sobre o couscous, mexa com uma colher rapidamente, tampe e deixe descansar por 5 minutos. Acresnente a cebolinha e as pine nuts e mexa bem com um garfo. Sirva quente ou morno.

Eu usei amendoas torradas no lugar dos pinoles.

*para assar o alho: corte a parte superior de uma cabeça de alho, coloque no centro de um quadrado de papel alumínio, tempere com sal, pimenta do reino moída e azeite. Feche num pacorinho e asse num forno médio por 30 minutos. Eu faço os meus na churrasqueira e guardo na geladeira, num container com tampa.

café com biscoito
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as ervilhas
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Por três anos eu plantei ervilhas na minha horta. Tem que se plantá-las bem cedo, pra poder consumí-las na Páscoa. Marinheira de primeira viagem, fiz uma confusão danada na minha primeira plantada, pois ervilha é trepadeira e precisa de apoio. Fiz uma grade nos dois próximos anos, mas a colheita foi tão mixa que não valeu à pena. Eu não posso plantar coisas que requeiram muito trabalho. Minha horta tem que ser um pouco independente, pois eu sou bem ocupada e desorganizada. Mas as ervilhas eram deliciosas....

um papo muito odara

Eu encho as paçocas dos meus amigos, pois tudo o que preparo e sirvo tenho que frisar antes: é orgânico! Como se alguém se importasse. Mas eu me importo. E compro cada vez mais produtos orgânicos, já que agora até o Safeway tem a sua linha certificada pelo USDA.

Ontem e hoje a minha cidade está sendo pulverizada com um produto químico para matar os mosquitos infectados com o vírus West Nilo. Os verdes da cidade protestaram, mas o protesto foi em vão, pois a decisão foi feita pelo distrito e não pela cidade. Anunciou-se que os produtos usados na pulverização têm efeito zero nos humanos e animais. Seria o mesmo que pulverizar a cidade com um repelente. Vai matar os insetos e evitar que muita gente morra ou fique incapacitada. Esse virús, segundo o que eu li, atinge o sistema neurológico e os menos resistentes morrem, outros mais fortes podem ficar paralisados. Bom, a horta orgânica da fazenda da universidade, por ser certificada, não vai ser pulverizada. Perguntei pro administrador como que funcionava isso, ele me disse - será tudo feito por gps.

A minha amiga que fez a sopa de pepino fria também cozinha num forno solar. É a tendência! Realmente, com os verões que temos aqui, mais essa perspectiva de acabarmos torrando no aquecimento global, um forno solar é a pedida. Preciso pensar nisso e começar a olhar um pra comprar.

Meu papo natureba é velho. Quando eu conto pras pessoas como eu alimentei meu filho, todo mundo faz cara de pena - dele, é claro. Mas chega uma hora que eles fogem do nosso controle e das dietas déspotas. Então num belo dia, quando ele tinha dez anos nós fomos morar no Canadá e o guri arrumou um desses empreguinhos de entregar jornal. Trabalhava somente nos finais de semana e fazia uma boa graninha. Por um ano ele despirocou e bateu ponto numa lojinha de conveniência que tinha perto de casa, onde gastou todo o seu salarinho experimentando absolutamente TUUUUUUUUU-DOOOOOOOO que ele nunca havia comido. Balas, doces, chicletes, refrigerante, porcaria de saquinho, com corante, com sabor artificial, you name it! Hoje, aos 24 anos acho que ele tem uma dieta saudável - eu imagino, pois ele tenta cozinhar em casa.

Nos anos 80, quando os microondas viraram moda, eu me dobrei à praticidade do uso do trambolhão. Mas fui logo arranjanto uma maneira de usar o meu naturebamente, adaptando o esquemão para cozinhar comidas mais saudaveis, seu usar óleo, por exemplo. Dai eu fazia ovo frito no microondas, que era um verdadeiro horror, mas meu marido comia, assim como comia as carnes de soja, tofu, agrião cozido, cevada e tais. Um amigo dele ficou sabendo desse tal ovo frito e declarou:

- precisa MUITO AMOR pra fazer alguém comer um ovo frito que não é frito!

Hoje só usamos o microondas pra esquentar água e comida. Mas eu e o meu marido pegamos uma mania irritante de ficar lendo rótulo de todos os produtos. Checamos a porcentagem de açúcar, de gordura, de trans-fat, de carboidratos, de sódio, e deixamos de comprar coisas dependendo do que lemos. Tem vezes que até eu me irrito, pois deveríamos simplesmente comprar por gosto, e pronto! Bom, ás vezes fazemos...

Não bastando isso, ainda reciclamos neuroticamente todas as embalagens da cozinha - caixas de leite, jarras de suco, caixas de waffles, invólucros de iogurte, etiquetas, latas, tudo, tudo.

Então todos já devem imaginar que sou meio chata na cozinha. Eu sou super exigente com a qualidade dos ingredientes. Bato o pé no orgânico, mesmo ninguém dando bola. E quero saber o que eu estou comprando. Uso muito azeite, alguma lataria, mas sou bem escassa nos congelados e uma coisa que eu nunca consegui usar na minha cozinha são aqueles cubos ou pó de caldo de carne/galinha/legumes. Tudo tem um limite!

quanta abobrinha!
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Eu estou me surpreendendo este ano. Estou usando todas as variedades de abobrinhas que estão vindo aos montes na cesta orgânica. Essa amarela eu coloquei num stir fry.

tomates secos
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Eu tenho um método lento de fazer tomates secos no forno. Não combina muito com a época dos tomates, pois quando eles estão madurinhos e abundantes, o clima está esturricante e nenhuma pessoa sensata quer ligar o forno. Mas o processo é assim:

Corte os tomates no meio, retire as sementes, ponha todos de cabeça para baixo para escorrer qualquer líquido, salpique com sal grosso, ponha os tomates numa forma e deixe no forno mínimo por pelo menos três horas - vai olhando pra ver se não está torrando. Pode virá-los no meio tempo. Fazendo tomate seco assim, eles ficam bem carnudos e macios. Mas tem que esperar aquela brecha no bafão....

However.... Vi em algum lugar na internet uma idéia de fazer os tomates secos no microondas. Sim, microondas, já pensaram? Fiquei abestalhada, pois desde a década de 80 que uso o meu minimamente e quase nunca cozinho nada nele.

Resolvi então arriscar e investir uma penca dos meus tomates vermelhinhos, fresquinhos e orgânicos da minha horta nessa empreitada experimental. Cortei os tomates, drenei, salguei e coloquei-os na forma de vidro.

20 minutos na potência alta. Descansa uns minutos, vira os tomates. Mais 10 minutos na mesma potência alta. Descansa. Retira da forma. Guarda na geladeira.

Sinceramente, os tomates não ficaram exatamente carnudos, como os feitos no forno ficam. Mas também não ficaram ruins. Quando você está com um super excesso de tomates na cozinha, mais do que pode consumir, e ainda está quente para deixar o forno ligado por mais de três horas, essa soluçào é excelente! Em quarenta minutos os tomates estão prontos, a cozinha não fica quente, e você usa os tomates - nada de desperdício, pois esses frutos são preciosos. Fica a dica para quem quiser testar.

Sopa fria de pepino
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Fizemos uma reuniãozinha na casa de uma das minhas amigas, a Scarlet, para definir os últimos detalhes das doações que vamos fazer à duas entidades assistenciais no Brasil, através da nossa associação Brazil in Davis. A Scarlet tinha preparado uma sopa fria de pepino e nos serviu. Eu achei uma delicia e facílima de fazer. Quando eu for fazer aqui em casa, vou omitir o alho, que acho que não fará falta. A sopa é refrescante e saborosa!

Sopa fria de pepino

* a quantidade de ingredientes é para um baldão. dá pra diminuir em um terço.

3 Pepinos bem grandes
3 xícaras de iogurte natural
1/4 de cebola
2 colheres de chá de cominho seco moído
1 dente de alho [* na minha sopa esse alho não entra...]
1 to 2 colheres de cha de sal
pimenta do reino fresca moída na hora
1 colher de sopa de azeite de oliva

Descascar e tirar as sementes dos pepinos. Colocar todos os ingredientes, menos o iogurte no food processor e moer bem. Acrescentar o iogurte. Servir gelado com um raminho de hortela.

chávena
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