obladi oblada

Porque o dia vai ser cheio, o post vai ser Seinfeld style, sobre nada. Porque não pára de chover e o dia está escuro. Porque estou trabalhando em vários projetos e um deles - segredo - é muito especial. Porque fico triste que meus gatos não são amigos. Porque decidi comer uma maçã por dia, mesmo não curtindo muito essa fruta. Porque não mexi a bunda ainda para nada relativo ao Natal. Porque estou animada para ver o mar no inverno. Porque estou aceitando mais desafios. Porque admiro pessoas que tem classe. Porque desprezo gente babaca. Porque meu travesseiro cheira a sachê de açaí. Porque eu simplesmente amo filmes antigos. Porque tento cozinhar peixe uma vez por semana. Porque me falaram mais uma vez que eu pareço com a Nigella Lawson. Porque vou precisar pegar na vassoura em breve. Porque estou sempre ouvindo Blues tradicional. Porque eu não ligo pra modismos. Porque estamos sempre rindo. Porque eu sou desorganizada pacas. Porque ele também é. Porque a água me anima e me conforta. Porque quero assar um bolo. Porque os legumes e verduras deixam a geladeira colorida. Porque tudo aqui cheira a lavanda. Porque tenho muitas pilhas de revista. Porque estou sempre click-click-click. Porque gosto de inovar. Porque também gosto de tradição. Porque nunca vamos ser iguais. Porque eu não consigo parar de tricotar. Porque eu não gosto de falar com qualquer um no telefone. Porque eu gosto de papear com a minha irmã no telefone. Porque eu sou Esther Williams. Porque eu sonho muito, demais. Porque eu tenho amigos que eu adoro. Porque bebemos muita limonada. Porque não consigo parar de escrever, mesmo que eu só escreva sobre o nada.

*post reciclado do The Chatterbox, de 8 de dezembro de 2004.

mais
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A Raposa Vermelha

Minha melhor amiga no colegial, a Teresa, era neta e sobrinha das proprietárias da Raposa Vermelha. Por anos, a Raposa foi uma loja de discos e livros, novos e usados, instalada na garagem/basement da casa da Dona Olga e da Ieda na rua Padre Vieira, em Campinas. Era uma casa antiga, de dois andares, mais o porão, toda pintada de um roxo cor de berinjela. Era um dos lugares mais cool da cidade para se ouvir a melhor música, achar raridades. As paredes da loja eram cobertas de posters de bandas e músicos. Aquilo era um paraíso. Sempre inovadoras, Dona Olga e sua filha Ieda praticavam a macrobiótica e resolveram abrir um entreposto. A Teresa trabalhou lá por um tempo e me chamou para substituí-la quando precisou parar. Era 1980. Foi meu primeiro emprego! Eu ganhava uma miserinha, mas adorava trabalhar lá. A loja de macrobiótica foi instalada no porão da casa, entre a loja de discos e livros e uns cômodos ultra maravilhosos, decorados com móveis antigos, onde a Ieda lia tarôt e vendia umas roupas super transadas. Pra chegar na loja macrô tinha que atravessar a loja de música, entrar num corredorzinho e voalá, atrás de um balcãozinho de madeira crua ficava eu, toda odara, extremamente tímida e reservada, lendo livros e vendendo os produtos. Às vezes eu tinha que ensacar arroz integral, que a Ieda comprava no atacado. Outras vezes eu reorganizava as prateleiras. Quando chegava cliente, eu orientava, cobrava a mercadoria, empacotava muito simplesmente em sacos de papel e dava troco, essas coisas. Mas na maioria do tempo a loja ficava vazia e eu ficava ouvindo as músicas maravilhosas que o Fer, que trabalhava na parte de discos, tocava o tempo todo, e lendo os livros macrôs e naturebas da pequena livraria, que oferecia literatura básica e avançada sobre o assunto. Eu li muito nessa época - li e me surpreendi com o fato de que eu era NORMAL na minha repugnância por carnes. Naquela época eu encontrei a minha turma, mesmo sendo eu uma natural born e sem nenhuma idéia filosofica sobre alimentação natural, carnes, açúcar, eteceterá.

A Raposa Vermelha mudou a minha vida. Eu passava as minhas tardes lá, se não lendo, ouvindo os papos mais variados do pessoal que frequentava a loja, entre eles muitos malhadores da Coca-cola e demonizadores do açúcar branco. Um deles batia ponto no local diáriamente e contou uma vez como ficou envenenado depois que comeu uma lasca de frango e do barato que ele sentiu respirando oxigênio puro nos tubos quando ele mergulhava. Era cada história... Pra mim era tudo o máximo! Um dia um casal muito estranho entrou na loja e ficou numa atitude suspeitíssima num cantinho da loja [e ela era minúscula!] onde ficavam uns produtos bem caros. Eu fiquei com a pulga atrás da orelha, mas a loja estava cheia e não pude prestar muita atenção as manobras do casal. Quando o movimento acalmou, fui lá no cantinho ver o que o casal olhava tanto e vi que uma das caixinhas daqueles suplementos importados estava aberta e vazia. Eles tinham roubado o negócio. Contei pra Ieda e ficamos confabulando sobre essa história. Um dia a Ieda veio me contar que estava iniciando um papo com aquele fulano assíduo da loja, o do barato do oxigênio, contando as preliminares do roubo, falando algo do tipo, nossa, a gente confia nas pessoas e vê só no que dá, elas nos roubam, quando o cara começou a chorar e a pedir perdão! Sem querer ela provocou a revelação de outro meliante, que confessou aos prantos que toda vez que ia ao banheiro da loja - onde ficavam estocados alguns produtos, ele embolsava algo. Ficamos pasmas e rimos muito! O cara voltou a frequentar a loja, mas nunca mais pediu para usar o banheiro.

* Por que o nome da loja era A Raposa Vermelha? Por causa da raposa vestida de vermelho da capa do álbum Foxtrot do Genesis ainda com o Peter Gabriel, de quem o marido da Ieda era fã.

FYI

Na lancheira de hoje: uma banana, uma barra de chewy trail mix bar de limão com cranberry, um mini-saquinho de flat pretzels, dois quadradinhos de dark chocolate, 60%, da Ghirardelli.

sete

O convite foi feito pela Tatu. Sete coisas sobre mim:

—Na adolescência trabalhei numa loja de macrobiótica.

—Choro vendo comercial na tv, olhando foto de cachorro e de gente comendo.

—Nunca fiz um regime, nem pra emagrecer, nem pra engordar.

—Tenho nojo de ovo, carnes e leite.

—Meu café com leite matinal tem que ser morno.

—Chupo gelo. Como casca de fruta. Adoro morder o macarrão semi-cru.

—Deixo sempre pra comer a melhor parte ou que que mais gosto por último.

jujube - the chinese date
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De vez em quando elas vem como treat na cesta orgânica. Sinceramente, não sei o que fazer com elas. Li que elas podem ser cozidas no açúcar, fazer uma espécie de doce em calda. Ou virar xarope. Ou até vinho. Mas eu acabo comendo elas assim mesmo ao natural ou secas. Essas jujubes têm propriedades medicinais e o gosto se assemelha um pouco ao da maçã. Uma maçã bem chumbreguinha e quase sem gosto.

nada a declarar

Minha cunhada pediu um vidro de peanut butter e uma caixa de taco shells. No inicio eu achei esse pedido meio bizarro, mas depois repensei e percebi que essas coisas são muito mais naturais quando estamos do lado requisitor do pedido. Quem não rola os olhos e faz aquela cara de deboche quando me ouve pedir um naco de goiabada cascão, um pacote de carne seca, envelopinhos de guaraná em pó, ou mesmo - o recorde da indignação e dos risinhos - uma lata de azeite Maria, que nem é azeite puro, mas misturado com óleo de soja. Ninguém explica essas bichas alimentares. Então quando alguém me pede algo, eu nunca questiono, vou comprar resignadamente.

Histórias de carregamentos estranhos de um país para o outro são super comuns. Minha mãe é expert nesses contrabandos gastronômicos. Uma vez indo me visitar no Canadá ela enfureceu o meu irmão, quando enfiou DEZ sacos de farinha de mandioca na mala, para satisfazer o meu pedido de UM saco. Meu irmão ficou louco - mas que farofice, que coisa brega, que baixaria! Ela trouxe assim mesmo, junto com tuperwares cheios de maria-moles feitas em casa, pela empregada. Eu acabei virando a pessoa mais popular do pedaço, quando presenteei um monte de brasileiro com sacos fresquinhos de farinha. Nem se eu comesse farofa todo santo dia, iria dar conta dos dez sacos. Mas as maria-moles nós devoramos em minutos.

Numa outra vez, quando eu já estava nos EUA, ela parou primeiro em Los Angeles, pra ficar umas semanas na casa do meu irmão. Na mala, seis ovos de Páscoa para as minhas duas sobrinhas. Também trouxe a máquina de fazer macarrão e preparou uma bela macarronada lá, e outra aqui, quando o Gabriel girou a manivela mais uma vez e nós devoramos aquela delicia feita com apenas farinha e ovos, temperada com um molho de tomates grosso que só ela sabe fazer e ninguém consegue imitar.

Nos aniversários do Gabriel e natais, chegam sempre umas caixonas vindas do Brasil. Elas vem carregadas com bandejinhas de quindim, queijadinha, pé de moleque, cocada, maria-mole, olho de sogra, cajuzinho, brigadeiro. Remetente: Dona Odette Guimarães.

Quando minha mãe vai a Portugal, volta parecendo uma quitanda, carregando vidros de pimenta em conserva e garrafas de vinho na mala de mão. Uma vez ela ganhou um bacalhau enorme da sogra portuguesa da minha irmã. Levou o bacalhau pro Brasil bem embrulhado e tal. Daí veio me visitar e sugeriu trazer o bacalhau com ela. Por mais que eu adore essa iguaria e sinta falta de uma bela bacalhoada, eu a proíbi categoricamente - NADA de trazer bacalhau nenhum! Imagina, passar com um bacalhau na alfândega americana? Onde já se viu, mamãe, tá louca? Mas ela ouviu? Obedeceu? Concordou? Claro que não! Quando ela chegou, abriu a mala e me mostrou morrendo de rir um pacotão comprido: era o bacalhau! Resignada, aceitei o fato de que teríamos bacalhoada no final de semana. E assim minha mãe preparou para o nosso deleite, a receita de bacalhoada da portuguesa Dona Rosa, mãe do Luís, marido da minha irmã.

limões do limoeiro
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Meu limoeiro está carregadíssimo de limões enormes, verdinhos. Estou começando a colher. Pego quando preciso de um. Eles estão bem suculentos, tenho usado para temperar salada, colocar na água e fazer limonada suiça. Esse limão verde é chamado de lime aqui. Os amarelos é que tem o nome de lemon. Mas pra mim esses são os verdadeiros limões, pois foi dos verdes que eu cresci bebendo limonada.

alguns dias são segundas-feiras

Fiquei tentando arranjar uma desculpa para todo o desastre do jantar - é que segunda-feira é um dia atrapalhado, viu, chego em casa e ainda tenho que pegar o carro e ir até a fazenda buscar a cesta orgânica, e depois tenho que separar tudo, lavar, guardar. já chego em casa super cansada, você sabe, não me sobra muito ânimo depois de um dia cheio. quando o Gabe morava aqui ele colocava as louças na máquina, deixava a pia limpa, tudo prontinho. e tirava o lixo. mas eu não entendo por que eu sou assim tão atrapalhada. Você quer que eu cozinhe? Foi a resposta em forma de pergunta que ele deu à minha lenga-lenga explicatória. Todos os meus desastres ainda são melhores do que ele tentando fritar um ovo. Ficamos do jeito que estamos, combinados então, e ele até tomou a sopa arriscando me dar um conselho - só não bebe o caldo, que o resto está comível.

pra fazer pipoca
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Os treats que vem na minha cesta orgânica, ora são vários tipos de feijões, tomates secos, ramalhetes de flores e às vezes chegam as pipocas de milho amarelo ou roxo. Normalmente o milho já vem debulhado, outras vezes vem assim, na espiga. Dói o dedo para debulhar - não tenho a técnica - mas dá uma sensação boa, por poder participar de uma das etapas. E a pipoca, sem brincadeira, é uma das melhores, crocante e saborosa, feita em qualquer panela, com um pouquinho de óleo de canola ou manteiga. Eu devoro um tantão sozinha, sem culpa!

the scrapbook
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O scrapbook de fotos de M.F.K. Fisher me deu uma idéia geral da vida dessa mulher, por quem eu ando totalmente fascinada. Por isso é capaz de eu ficar um pouco monónota, batendo na mesma tecla e voltando toda hora no mesmo assunto. Mas pra mim isso é necessário, pois preciso escrever sobre as coisas que me interessam, mesmo que eu corra o risco de virar uma chatonilda repetitiva.

Fisher foi uma mulher inteligente, linda, elegante e engraçada. Escrevia muito bem e por isso traduziu suas experiências e descobertas culinárias em histórias interessantes. Ainda nem arranhei a superfície da quantidade de material bacana que ela produziu. Na introdução de The Art of Eating, uma de suas filhas conta que a ouvia teclar de madrugada na máquina de escrever e diz que o barulhinho da mãe escrevendo lhe proporcionava um conforto acolhedor. Eu me identifico com a maneira de Fisher encarar a culinária e a gastronomia sem arrogância e sem firulas. Como aqueles famosos gomos de tangerina que ela secava no calor do aquecedor do hotel, e que transformaram-se numa iguaria inigualável. Ou os pequenos quadradinhos de chocolate, que ela conta ter comido acompanhados de uma fatia de pão num dia frio e tedioso num bosque na Bavária, e que ficou na memória como um dos melhores momentos gastronômicos de sua vida.

* as fotos são clicáveis e ampliáveis.

sopas de fevereiro - pro frio que vai chegar

O livro foi publicado em 1931 na Inglaterra e chama-se The Gourmets Almanac. O autor, Allan Ross Macdougall, deu uma de modernex e escreveu um livro pretendendo ser divertido, com histórinhas, curiosidades, poesias e até cifras e letras de músicas. Dividiu o livro em meses do ano e para cada um colocou uma ilustração chamativa. Fui fisgada pelo capítulo das sopas, estratégicamente colocadas no mês de fevereiro. Ele vai escrevendo sobre isso e aquilo e vai dando as receitas, daquele jeito beeeeeem pré-Martha Stewart, quando não tinha medida de nada, exatidão nenhuma e salvasse-se quem pudesse. Tudo era sugerido no olhomêtro. O almanaque era para gourmets, bem lembrado. Então nenhuma mocréia ou estrupício sem talento [cof cof] ousaria abrir, ler ou muito menos tentar trêmulamente fazer uma dessas receitas. Esclarecido esse detalhe vamos às sopas, que hoje, excuse moi, até eu que não sou gourmet nem nada me atrevo a fazer. Desejem-me sorte!

Chana Orloff's Vegetable Soup

[O autor primeiro explica quem é Chana Orloff, mas sinceramente, não interessa... cut!] Ela tem uma sopa de legumes que eu adoro, por sua suculência e simplicidade. Ela cozinha todos os legumes cortados em pedacinhos da maneira usual e quando estiver quase pronto, ela corta uma cebola grande e frita numa manteiga até ficar marrom. Daí ela adiciona a cebola à sopa, que deve cozinhar um pouco mais. A sopa é servida assim como está, com uma colherada de creme de leite espesso em cada prato.

Rameno À L'Oignon

Essa sopa é uma variação desenvolvida pelo escultor Despiau à meira como o povo de Les Landes fazem. Você corta as suas cebolas e frita numa frigideira até ficarem marrons numa bolota de gordura de ganso [substituir esse item vai ser lasquera!]. Quando a cebola estiver boa e escura, cubra até a beira da frogideira com água fervendo e deixe ferver devagar. Adicione temperos a gosto [deve ser sal e pimenta do reino]. Torre algumas fatias de pão, uma para cada prato, e cubra cada uma com queijo ralado, colocando elas numa sopeira. Quebre um ovo e separe a gema da clara. Coloque a clara na sopa, e quando tiver coagulado tire a frigideira do fogo e só então adicione a gema. Despeje a sopa na sopeira e sirva imediatamente.

Snert or Dutch Pea-Soup

Essa excelente e inesquecível sopa de ervilhas é uma receita que vem do famoso restaurante Port Van Clef de Amsterdã. Pegue um pound de ervilhas e deixe de molho por vinte e quatro horas. Faça um caldo com um osso de rabo e adicione as ervilhas. Adicione também dois talos de salsão, três alho proós e alguma salsinha picadinha. Adicione temperos a gosto e deixe a sopa ferver ao lado do fogo por cinco horas, mexendo frequentemente. Mais ou menos duas horas antes de servir coloque na sopa várias fatias de linguiça defumada. A substanciosa mistura deve então ser servida.

Cherbah

Todos os visitantes que chegam até as não-turisticas regiões do Norte da Africa, se eles são aventureiros gastronômicos devem conhecer essa sopa. Corte um número igual de tomates e cebolas em pedaços. Frite em manteiga com um maço grande de hortelã selvagem picado grosseiramente e três pimentões vermelhos pequeno. Adicione sal e pimenta a gosto. Quando estiver escurecendo adicione 2 pints de água, um pedaço de carneiro e 4 ounces de damasco seco. Cozinhe bem devagar. Antes de servir, retire a carne e corte em pedaços pequenos, adicione vermicelli e sirva.

Mint Soup

Esta sopa é comum na Tunísia. Frite um dente de alho e algumas folhas de hortelã no azeite. Adicione água suficiente e um pouco de semolina. Vá mexendo enquanto cozinha. Bata dois ovos e coloque numa sopeira. Coloque a sopa na sopeira e sirva.

candy store
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Candy Store em Sausalito - essas lojas de doces são bem comuns por aqui. As balas nos barris são as salt water taffy, bem macias, elásticas e não muito doces, o que me agrada bastante.

sambando com o crioulo doido

Cozinhar? Como? Quando? Não consegui nem fazer umas comprinhas de supermercado ainda. Não fui ao Farmers Market. Não tenho a menor idéia de menu ou planos para assuntos culinários. É que às vezes o bicho pega.

Sexta-feira abriu a temporada de outono do Mondavi Center e eu trabalhei no show do fantástico Bo Diddley. Reencontrei muita gente conhecida, foi bem legal. O show foi excente, Diddley fez a platéia levantar e dançar. Até o chancellor da UC Davis, que assistia ao show do seu camarote, deu umas reboladas, batendo palmas e tal. Quando eu tenho show no Mondavi, não dá tempo de cozinhar. Tenho que comer algo improvisado e sair, pois tenho que estar no saguão do teatro, de uniforme, às seis e meia.

Sábado tivemos uma garage sale da Brazil in Davis na minha casa de hóspedes, para arrecadar uma graninha para mandarmos para uma entidade assistencial no Brasil. Eu passei a semana em função dessa garage sale. No sábado acordei às seis e meia da manhã e fiquei no meu estado clássico de estressadinha, até que tudo ficou em ordem e a coisa engrenou. Fazer a garage dentro da casa foi legal, pois não ficamos expostas na rua, tínhamos banheiro e cozinha, onde deixei um pote de café para os visitantes se servirem. Fizemos uma graninha boa e no final do dia aconteceu o inesperado - aluguei a minha casa de hóspedes!! Minha nova inquilina é uma pessoa que eu já conheço há uns dois anos, uma menina muito meiga, estudante da UC Davis, que aprende português com a Brazil in Davis e ama o Brasil. Eu a conheci quando alguém me indicou para ajudá-la a fazer uns telefonemas para uma comunidade no Rio Grande do Norte, onde ela tinha passado uns meses e estava doando uma grana do bolso dela pro pessoal lá comprar sementes e alugar um trator para arar a terra e fazer uma roça de feijão e milho comunitária. O curriculo dela é dez, vamos ver como ela vai se sair como minha inquilina!

Depois da garage eu e minhas amigas fomos almoçar num restaurante gostosinho aqui em downtown. Bebemos vinho e relaxamos! Eu comi um prato bem interessante chamado Fazzoletti: uma massa fininha como de lasanha recheada com milho, cogumelos e queijo de cabra, dobrada como um pacotinho e temperada com molho de tomate e tomates cerejas frescos. Estava muitíssimo bom. Além da companhia, da conversa e do vinho!

na Paradoxo

Todo sábado, sem falta, tem minha coluna na Paradoxo. Às vezes faço um repeteco daqui, outras vezes desenvolvo e incremento um velho texto. Quem não leu, vai ler. Quem já leu, lê de novo!

chestnut
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Nunca tinha visto uma árvore de chestnut, a deliciosa castanha portuguesa. A primeira coisa que fiz foi tocar a fruta com o dedo e, ouchh, levei uma espetada doída, os espinhos são duros!

a melhor refeição das nossas vidas

Minha amiga Alison escreveu sobre comida e eu estou de olho! Ela descreveu o menu da festa de casamento da qual ela e o Allan participaram, na Espanha.

The wedding menu featured meats, salad, seafood in novel and interesting combinations (smoked duck and asparagus in an intriguing-looking sauce, for instance). But we were offered, and accepted, a “real” vegetarian menu. Watermelon gazpacho; saffron-flavored tagliatelle. Shaved cepes with an exquisite sauce. A chocolate-hazelnut mousse drizzled with tiramisu “soup.”
looking for M.F.K. Fisher
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Estou completamente apaixonada pelo texto da Mary Frances! Ainda estou lendo Serve it Forth, mas estou buscando informações sobre ela, porque quando eu leio um livro de alguém fico curiosa para saber mais sobre a pessoa. Vi no catálogo online da UC Davis que tinha lá um scrapbook, um livro publicado em 1997 com fotos da Fisher desde a sua infância até a velhice. Saí do trabalho e estacionei minha bike na biblioteca. Agora não tem mais jeito, estou numa confa literária!

Dentro daquela biblioteca, que coisa, às vezes me esqueço do cheiro dos livros e das sensações que eles me provocam. Camelei muito dentro daquela biblioteca para achar a prateleira dos livros da M.F.K. Fisher. São quatro andares, um verdadeiro labirinto. Finalmente achei e não consegui levar apenas um. Peguei o scrapbook, mais um livro de memória, outro de cartas.... aimeudeuso!

Como já estava ali, resolvi dar uma passadinha pelas prateleiras de culinária. Meusantantónio, tô ferrada! Dei uma olhada numa prateleira e já queria levar tudo! Peguei dois livrinhos de gastronomia publicado nos anos 30. A primeira e única vez que alguém retirou esses livros foi em 1980! Acho que não vou ter problema requisitando essas reliquias.

Agora preciso traçar um plano. Preciso de umas duas horas por dia pra comer - e preparar a comida, oito horas de sono, oito horas no trabalho, então preciso me organizar muito bem nas horas restantes, porque pra conseguir ler todos esses livros eu vou ter que me retirar da vida social, parar de ver filmes na tv, ir ao cinema, escrever nos blogs, eteceterá.....

salada de tomate com limão em conserva

Ainda estou colhendo muitos tomates, então resolvi fazer uma receita que vi num livro bonito que eu tenho de culinária do Marrocos. Gostei da idéia de misturar o tomate com o limão em conserva. É uma salada simples e fácil de fazer, mas tem um sabor bem especial. Foi aprovada!

Tire as sementes e corte uns quatro tomates grandes em fatias finas. Corte um limão em conserva no meio, tire a polpa e jogue fora, corte a casca em fatias finas. Misture com os tomates e acrescente um punhado de salsinha e outro de coentro picadinhos. Prepare o molho com o suco de meio limão, uma pitada de sal, uma colherzinha de chá de páprica doce e azeite. Misture bem e tempere a salada.

O limão em conserva é um ingrediente típico da cozinha marroquina e pode ser encontrado pronto em vidros. Mas pra quem não conseguir achar, há a opção de fazer em casa numa receita facílima que me foi passada pela Gisa:

confit de citron - preserved lemon - limão em conserva - Coloque o limão lavado e cortado em quatro no sentido longitudinal sem separar (fica como uma flor de 4 pétalas). Coloque num pote de conserva com tampa hermética e coloque um colher de chá de sal pra cada limão que couber no pote. Preencha com água fervente e feche. Leve o pote para uma panela grande cheia de água e deixe ferver 5 minutos. Depois de frio guarde o pote em local fresco e escuro. Depois de aberto deve ser conservado em geladeira.

começou a minha estação favorita
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Outono é a minha estação favorita do ano, por ser a mais agradável, a mais colorida, a mais bonita. Adoro as folhas mudando de cores, o clima de preparação pro inverno. Aqui na Califórnia o outono é bem longo então podemos apreciá-lo como se degustasse um bom vinho.

Essas fotos foram feitas em 2004 quando minhas sobrinhas estavam aqui me visitando. Elas vieram da Inglaterra com uma lista de coisas para fazer, uma delas ir à um pumpkin patch, pois segundo elas - em Londres não tem pumpkin patch! What a pity... Então fomos e elas se divertiram. Pegamos muitas abóboras e a Paula queria levar a dela no avião de volta para casa. Foi um sacrificio convencê-la a deixar a abóbora aqui. A Paula é essa da foto, às vezes coelhinha, às vezes sereia.

pun intended
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Eu conheci uma pessoa que toda vez que via alguém choramingando e reclamando dizia - would you like some cheese to go with your whine? Ha Ha Ha!

e num é que virou um banquete?

Chega aquele dia em que você não pode mais fingir que não está vendo aquele pacote de quiabo lá no fundo da gaveta, ou aquele milho cozido sobra de sábado enrolado no papel alúminio e empilhado na prateleira. É dia de limpeza da geladeira, pois o que não usar vai acabar indo pro lixo.

O quiabo que não iria demorar pra ir pras cucuías foi refogado no azeite com limão e sal. A espiga de milho foi ralada e virou um creme docinho, engrossado no leite e temperado com sal e chives. Uma batata doce que já estava cozida esperando uma receita foi regada com azeite e assada. A sobra de arroz basmati de domingo foi misturada com ervilhas frescas e muito queijo manchego ralado, que antes teve que se despir de uma tenra casquinha verde, e esquentado rapidamente. A última tortilla bread no saco foi cortada em quatro com a tesoura e torrada na frigideira de ferro. Pra beber, água gelada. Ops, acabei esquecendo de fazer uma salada, mas realmente nem fez falta.

esse é o nome da flor
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a boa massa

Quando uma receita é testada e dá certo, vai pro patamar das receitas boas. Ontem uma conseguiu esse mérito. Eu precisava de uma receita de massa de torta para fazer uma torta de frango com uma sobra de um frango assado que comprei no Farmers Market. O recheio é fácil, os pedacinhos de frango picados e refogados com o que quiser. Eu usei salsão, pimentão vermelho, tomate, azeitona verde, salsinha. A massa é onde a porca torce o rabo - pra mim, eu sei!

Então peguei essa receita em um dos livros do Moosewood Restaurant. Fiz na batedeira elétrica, mas dá pra fazer no food processor ou mesmo na mão.

6 colheres de sopa de manteiga geladíssima
1 xícara e meia de farinha de trigo
4 colheres de sopa de água ou leite gelado [usei leite]

Coloque a farinha na batedeira. Bata com a pá achatada em velocidade de misturar por 10 segundos. Acrescente a manteiga cortada em cubinhos e misture por um minuto até os pedacinhos de manteiga ficarem do tamanho de uma ervilha. Vai acrescentando o leite e batendo, ate a massa ficar consistente. Embrulhar numa folha de plástico e deixar na geladeira por 15 minutos. Esticar com o rolo e usar. Forra uma forma de 20 cm.

manja, xuxu?

Estou escrevendo para encher linguiça, pois tenho uma batata quente nas mãos. Mas que belo abacaxi esse aparelho, hein? Não tem jeito, vou ter que descascar esse pepino...Mas é porque aquele fulano só fala abobrinha, embora seja um doce de coco. Mas tudo bem, isso vai ser sopa no mel, pois o Zé Mané é político café pequeno, o que já virou carne de vaca, não é mesmo? O cara se vende a a preço de banana. E o pior é que isso dá como xuxu em cerca. E ele se acha o rei da cocada preta, enquanto que ela pensa que é a rainha da carne seca. Mas é tudo farinha do mesmo saco e um osso duro de roer. Me deram um bolo, por isso ando pisando em ovos. Sei que nesse angú tem caroço... Eu estava com a faca e o queijo na mão, mas pisaram no tomate comigo! Não tem problema, sou café com leite e estou ralando o coco pelo pão de cada dia. Falei isso e ele ficou vermelho como um pimentão. Só não quero ficar enrugada como um maracujá de gaveta ou uva passa. Por isso que eu digo que enquanto você vem com o fubá, eu já estou voltando com o bolo. Embora eu seja sempre a primeira a chegar, o arroz de festa!

hula honey
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o caso do espinafre

Vou responder a pergunta da Dani em público, pois a questão do espinafre infectado pela bactéria E.coli já virou notícia mundial, né? Sabe-se que o espinafre infectado veio do Salinas Valley, no sul da Califórnia, que é a região responsável por setenta por cento da produção das folhas verdes do país. Mais de cem pessoas ficaram doentes, uma idosa morreu. O E.coli não é brincadeira. Mas ainda não se descobriu todas as marcas de espinafre contaminadas, nem como essa verdura foi contaminada. Por precaução houve um recall de todos os pacotes fechados da verdura e o aviso para não se consumir espinafre cru, nem do embalado, nem do solto. Pode ser que a contaminação tenha acontecido na irrigação, mas ninguém ainda sabe certamente o que ocorreu. E com E.coli não adianta lavar, tem que cozinhar. Parece que o Salinas Valley já teve outros casos de contaminação de verduras, devido às suas técnicas de produção em massa. Por isso eu advogo em favor dos pequenos produtores orgânicos locais, que com certeza tomam mais cuidado. Mas como não sou fanzoca de espinafre não estou sofrendo com a sua ausência nos mercados.

mais comprinhas?
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Dois convites

Fui convidada pelo Garret do Vanilla Garlic para participar do primeiro encontro de food bloggers da área de Sacramento. Já respondi que vou, mas fico naquele dilema, pois sou extremamente tímida e não conheço ninguém. Além disso tem o difícil quesito do que levar. Queria que fosse um prato brasileiro. Ajudem essa libriana indecisa com idéias, por favoire!

O encontro dos blogueiros californianos será no início de novembro. Daí me veio a idéia de um encontro brasileiro, pois vou estar em Campinas entre 1 e 15 de dezembro, e no interim dos meus compromissos famíliares, poderíamos tentar fazer um encontro blogueiro. Não garanto minha ida à São Paulo, já que não me arrisco mais dirigir no Brasil e vou estar monopolizada pela família. Mas um encontro gastronômico em Campinas eu topo. Que tal?

não deu pra resistir
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Tive que comprar essas duas galinhetes, que são na verdade porta-ovos, pra quem gosta de comer aqueles de gema mole pela manhã - não sou uma dessas. Mas adorei elas enfeitando a minha janela!

tudo de bom
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A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte
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Fui ao banheiro com uma banana na mão. Fiz xixi, voltei comendo e pensando como a nossa vida gira e acontece em volta da comida. Não tem muita coisa que a gente faça que não esteja relacionada à comida. Encontros, passeios, o dia-a-dia de trabalho e compromissos. Apesar de eu ir almoçar em casa, eu trago uma lancheira para o trabalho. Nela sempre tem uma fruta, uma barra de cereal, bolachas salgadas.

Meu final de semana foi super corrido e cansativo, mas todo permeado - se não baseado, em comida. O avião trazendo o meu irmão aterrisou às oito da noite em San Francisco. Ainda pegamos muito tráfego na I80, que é a interstate que liga San Francisco à Sacramento e continua até Reno, em Nevada. Aquilo está sempre abarrotado de carros. Chegamos em casa às dez e meia e fomos dormir? Claro que não, fomos jantar e conversar. Eu tinha deixado uma sopa preparada, pãezinhos e salada engatilhados. Jantamos às onze da noite, sopa, salada, pão, vinho. E conversamos até não sei que horas. Eu estava tão cansada - pois acordo às seis da manhã - que num certo ponto fiz uma coisa que normalmente nunca faria: apressei meus convidados e praticamente sugeri ao meu filho e minha nora que já era hora de ir embora.

O final de semana foi uma maratona de conversas, passeios e comida! Almoçamos em casa, um churrasco que é sempre a coisa mais prática, o Gabriel cuidou e deixou a carne bem saborosa. Fiz uma salada e batatas fritas no azeite. Ficamos papeando à mesa, bebendo vinho e depois devorando blueberries com chantily [que eu adoço com mel] e figos rami, que meu irmão trouxe na mala. À noite fomos comer mais, num restaurante italiano em Sacramento.

No domingo já foi hora de partir, rumamos novamente para San Francisco e como chegamos cedo matamos tempo conversando num café, bebendo mocha, suco de laranja, iogurte, mordiscando scones de framboesa. Nem preciso dizer o quanto fico feliz quando recebo minha família aqui, e de como me entristeço com as despedidas. Foi uma visita muito rápida, mas já deixamos planos estipulados para outra, em feverereiro, quando ele vier novamente à trabalho para Las Vegas.

Como já estávamos em San Francisco, eu quis passar no Ferry Plaza Market, que é um mercado de produtos orgânicos que foi construído no antigo porto da cidade. É um predio lindo, na beira do oceano com vista para a Bay Bridge, cheio de lugares deliciosos para comprar e comer. Almoçamos num japonês muito bom e depois pegamos uma barca até Sausalito. Essa é uma cidadezinha do outro lado da baia, com muitas galerias de arte e lojinhas variadas. Voltamos para San Francisco e eu fiz comprinhas na Sur La Table - pra espantar o banzo de dizer tchau pro irmão! Ainda compramos pães, gelatto e voltamos para Davis. Quando chegamos em casa fizemos um lanchinho. Me digam se a vida da gente não é só comida? E um pouco de diversão e arte...

vamos fazer comprinhas?
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as panelas da Julia
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Um pedacinho da cozinha de Julia Child está na exposição permanente do Copia. É um painel, onde ela pendurava algumas de suas panelas e formas. Seu marido, Paul, projetou a cozinha na casa de Cambridge, Massachusetts em 1961. Ele teve que adaptar a pia e bancada à altura de Julia, que tinha meros 6'2" - 1,89m. Nesse painel que está hoje no Copia, Paul delineou o formato de cada panela com caneta, assim Julia poderia achar mais fácil o lugar de cada uma.

A cozinha de Julia Child foi doada para o Smithsonian National Museum of American History em Washington, D.C., e pode ser explorada online no website do Julia Child's Kitchen at the Smithsonian. Vejam nas fotos da cozinha completa, tirada ainda na casa de Julia e Paul, o painel com as panelas que hoje pode ser visto no Copia.

antes nunca do que tarde

A falta de pontualidade dominante na convivência entre as pessoas virou praticamente um pet peeve pra mim. Minha sina de ser deixada esperando é inexorável. Tenho muitos episódios nos arquivos da minha vida social. Mas o pior foi sem dúvida um que aconteceu quando eu habitava as planícies canadenses. Minha sogra estava nos visitando e para entreter a donzela eu organizei mil cházinhos, jantares, encontros, pequenos regabofes. Foi quando eu convidei esse casal mezzo brasileiro/mezzo canadense para jantar. Preparei o rango, a mesa, e sentamos na sala, eu e a minha sogreta, esperando pelos convivas. Meu marido não participou dessa, olha a sorte do gajo, porque naqueles anos ele era um enlouquecido estudante de PhD. Meu filho também cascou fora, foi fazer algo com os amigos. Ficamos lá, nora e sogra, esperando a tal família. Meia hora, uma hora, uma hora e meia, começei a pensar que o carro da turminha deveria ter rodopiado no gelo e caído no rio, matando a família inteira. Só uma coisa dessas pra desculpar um atraso de uma hora e meia. Liguei pra casa deles tremendo, pensando que também podiam estar todos mortos devido à um vazamento de gás na casa. Outra boa desculpa para o atraso de uma hora e meia. O marido canadense atende o telefone todo esbaforido. O que vocês estão fazendo, não vem jantar com a gente, a comida já está fria e seca? Ah, respondeu o husband, decidimos mudar uns móveis de lugar e fazer uma arrumação geral na casa, esquecemos do jantar! Bom, depois disso tudo perdeu a graça, Eles não estavam mortos, mas morreram pra mim. Vieram jantar a comida fria e ressecada, chegaram tão tarde que tiveram que ir embora rápido. Não deu nem pra falar o jargão, é cedo ainda, porque não era. Minha sogra ficou bravíssima. Eu fiquei putíssima. Nunca mais convidei essa gente pra nada. Se tivesse, mereceria receber um espancamento de chicote em praça pública, por ostentar tanta falta de noção e vergonha na cara.

seis

Outro convite, feito desta vez pela Elvira, que quer saber seis regras de etiqueta que eu sigo. Estou bem combinada com a lista dela:

1. comer em família ou com amigos sempre à mesa, sem televisão ligada por perto, no máximo uma música ao fundo, nada muito alto, para não interferir na conversa.

2. as panelas ficam no fogão. à mesa vão somente as travessas.

3. fico bem irritada quando marco um jantar e as pessoas chegam atrasadas. pontualidade pra mim é sinônimo de boa educação.

4. quando num jantar ou festa alguém traz um vinho ou outra bebida, eu abro e sirvo. acho deselegante guardar o regalo e servir outra coisa, especialmente se esta for de qualidade inferior. a não ser que o presente seja um vinho Sanguê De Bóa comprado por $1,99 na mercearia, caso que já aconteceu comigo. daí eu guardo pra temperar carne no dia-a-dia.

5. sou uma libriana com vênus em virgem, então sou bem exigente com a arrumação da mesa, que deve estar sempre harmoniosa. cores harmoniosas, formas harmoniosas, equilibrio.

6. detesto ver garrafa de refrigerante, caixa ou galão de suco em cima da mesa. refrigerante tem que ficar na geladeira, e o suco, assim como a água, vai na jarra. só garrafas de vinho têm permissão para ficarem na mesa.

uma tradição italiana
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Lívia ajudando o pai na fazeção da macarronada

Sexta-feira vou buscar meu irmão no aeroporto de San Francisco. Ele está no Texas à trabalho e vai dar um "pulinho" até a Califórnia só pra ver a irmã dele! Eu tenho dois irmãos—os dois cozinham. Este que está chegando é o responsável pela sobrevivência da grande arte de fazer macarrão em casa, que é a tradição que vem passando de geração em geracão no lado materno da minha família.

Minha mãe aprendeu a fazer a massa de macarrão com a minha bisavó, uma imigrante italiana aportada em São Paulo no começo do século vinte. Por muitos anos fui eu a menina girando a manivela da máquina, ajudando a fazer a massa amarela ficar fininha, fininha. Depois foi a vez do meu filho Gabriel que girava a manivela enquanto a avó pegava a massa do outro lado. Muitas crianças da família giraram a manivelinha. Hoje quem gira é a Lívia, enquanto o pai dela prepara a massa. Por mais incrível que pareça, não sou eu que estou carregando a tradição pra frente. Meu irmão é hoje o dono da máquina, que ele usa todo final de semana para preparar a massa, que depois será temperada por um fabuloso molho de tomates feito em casa e devorada por toda a família—ou la famiglia, como diz meu pai, que descende de portugueses, mas já foi totalmente seduzido e dominado pela italianada. Quando eu ligo lá nos domingos logo depois do almoço, ele diz —só faltou vocês aqui e um cantor de operetas para animar mais o nosso almoço, pois o resto estava completo: macarronada, frango assado, muito vinho, adultos conversando aos berros, crianças correndo pela casa e a cachorrada latindo!

cinco

Fui convocada pelo João Pedro Diniz do Ardeu a Padaria para citar cinco coisas que eu gostaria de provar pela primeira vez ou voltar a comer antes de morrer.

Pois eu quero:

Comer e beber em Portugal - porque sou uma Guimarães
Comer e beber na Espanha - porque sou uma Rosa
Comer doces na Turquia - porque meu irmão me disse que lá comeu os melhores
Comer pizza na Itália - porque eu preciso saber
Comer pitanga, jaboticaba e fruta do conde no Brasil - porque só assim posso voltar à infância

guardanapos

Respondendo a pergunta da Lys: SIM, eu uso guardanapo de pano todos os dias em todas as refeições. Aboli o guardanapo de papel já faz alguns anos. Fiz isso naturalmente, porque acho os de pano mais bonitos, mais confortáveis e mais ecológicos. Uso no dia-a-dia, mesmo se estou sozinha. Tenho uma coleção enorme deles e dos aros - os napkin rings, que eu também adoro. Um porta-guardanapo de papel que eu tinha, tranformei em porta cartas, que fica na bancada da cozinha. Guardanapos de papel agora só para picnics no parque!

esse rango sai ou não sai?
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Eu amo os animais. Passei isso pro meu filho, que tem uma compaixão incrível e um jeito com os bichos que é de cair o queixo. Ele e a Marianne também têm dois gatos, o Tim e o Sequel. Aqui em casa eu dou risada da hora em que acordo até a hora em que vou dormir por causa dos meus gatos, Misty e Roux. Bicho é o melhor desestressante que existe. Se você está de mau humor, preocupada, chateada, com aquela cara de bunda, eles te desarmam com um pulinho, uma cara engraçada, uma estrepolia qualquer. Aqui o gato que me tranforma numa perfeita boba é o Roux, que é super carinhoso e anda atrás de mim o tempo todo. Se eu estou por perto ele nem dorme, pois precisa estar presente e atento à todos os meus passos, embora ele finja muito bem que não está nem aí. Meus gatos não gostam de colo, nem de ser agarrados, mas têm cada qual as suas particularidades simpáticas de personalidade. Hoje o Roux sentou-se à mesa, como que esperando o rango, e ficou lá com essa cara caruda e me fez rir por mais de meia hora. Eu nunca vou precisar tomar Prozac na vida!

a mesa nua
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Eu adoro a minha mesa da sala de jantar, porque ela tem história. Ou histórias, porque conta também a de como ela chegou à mim. Eu estava procurando uma mesa há meses e só via coisas cafonas e caras. Um dia resolvi olhar uma loja de móveis usados que tem aqui em Davis. O dono compra containers em leilões, então nunca se sabe as tralhas que vão aparecer por lá. A loja é imensa e atolada de coisarada. Dá a impressão de um junkyard. É difícil até de achar e olhar o que interessa. Fui lá sozinha um dia. Vi uma mesa interessante. Voltei lá num outro dia com a sogra do meu filho, que é uma antique dealer, pra ela avaliar a mesa pra mim. Chegamos lá e a tal mesa tinha desaparecido. Olha daqui, olha de lá, vi essa linda mesa rústica, linhas simples, pés simples, nada de rebuscagem. A Reidun olhou os micros-detalhes, até se enfiou embaixo dela pra investigar os insides. Deu cartão verde, a mesa estava em excelentes condições. Não só isso, o preço estava uma barganha e ela até me deu uma estimativa da idade da peça - feita entre os anos 20 e 40. Comprei!

Quando o dono foi entregar a mesa, confirmou a estimativa da Reidun. A mesa foi feita em Berkeley, Califórnia, nos anos 20. Portanto, tem mais de 80 anos. Ela é linda, robusta, charmosa e acomoda até 12 pessoas. Sou hoje a feliz proprietária dessa peça cheia de marcas e ranhuras, feitas por outras famílias no decorrer desses oitenta anos.

Por causa da beleza rústica dessa mesa, as toalhas de pano cairam em desgraça aqui em casa. Uso as minhas somente na mesa que tenho no quintal e que é feia pra burro. Na mesa da cozinha uso placemats porque é mais prático para o dia-a-dia e na mesa da sala de jantar muitas vezes já ousei não usar nada, apenas colocar os pratos sobre a madeira escura. Pra mim aquela madeira tem que ser mostrada e exibida. Pois não tem toalha de linho mais bonita que os nuances e ranhuras daquela esplêndida peça de carvalho.

welcome!
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Recepção simpática - um casal de fazendeiros indicando o caminho, uma taça de um italiano pinot grigio & verduzzo acompanhado de queijo asiago, queijo cremoso também italiano com pasta de tomate seco no pãozinho - não se pode beber de estômago vazio - mais vinho, desta vez californiano, zinfandel e barbera do Sonoma county.

* como sempre, todas as fotos são clicáveis e ampliáveis.

uvalândia
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Na região do Napa tudo gira em torno dessa fruta. Uvas e videiras são praticamente onipresentes na paisagem. Essas videiras carregadas de uvas madurinhas e docinhas - eu comi uma - eram cerquinhas dividingo os lotes no estacionamento do Copia. Fica lindo, uma coisa realmente diferente. Depois as uvas secam, viram passas ali no pé, como já vi em algumas vinícolas, porque acho que ninguém colhe.

cenas de cinema

Uma parte que eu realmente gostei no Copia foi na exposição permanente, uma salinha que passava clips de filmes com cenas de comida, jantares com amigos, famílias, o clássico Thanksgiving. Charles Chaplin tem várias cenas com comida nos seus filmes - a da sola de sapato e dos pãezinhos dançantes em The Gold Rush por exemplo, são simplesmente memoráveis. As solas de sapato devoradas no filme por Chaplin e Mack Swain, eram feitas de licorice, um doce borrachudo de cor arroxeada que era muito popular - talvez ainda seja. A cena dos pãezinhos espetados nos garfos imitando pés dançando foi repetida por Johnny Depp no singelinho Benny & Joon.

American Market Café
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Outro dia voltaremos para almoçar ou jantar no Julia's Kitchen, pois essa será a visita principal. Mas ontem comemos no American Market Café ao lado do restaurante, onde se pode pedir pratos mais simples preparados no Julia's Kitchen, sanduiches, sopas ou fazer uma comprinha básica de queijos, pães, quitutes e preparar um picnic para se devorar sentado na grama dos jardins do Copia. Nós escolhemos pratos do restaurante e sentamos nas mesinhas do jardim. Eu quis tentar o mini hamburguer, que era mini mesmo! Três mordidas - gone! Veio num mini pãozinho de batata, acompanhado por fritas com limão e tomilho e um molho chipotle. A salada era de espinafre, três tipos de vagens e amêndoas. Eu gostei, apesar de não ser super fã das vagens. O Uriel sempre prevenildo pediu um fettucini com legumes. Tudo vem da horta e pomar orgânicos mantido lá mesmo no Copia - o edible gardens.

* clique nas fotos para ampliá-las e ver como o mini hamburguer era mesmo mini!

The Edible Gardens
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Todo mundo anda pelo Copia carregando um copo de vinho. Eu caminhei pelo edible gardens sorvendo um Francis Coppola 2005 Pinot Noir Rose Carneros Sofia. Esse não foi tasting e o copo custou o preço da garrafa inteira. But who cares! Beber esse vinho caminhando por esse jardim que rescendia a lavanda já vale o preço.

* clique na foto para ampliar e ver melhor o jardim e essa figura simpatica!

Copia
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Não cozinhei nem sexta nem sábado. No domingo, já tinha até pensado no menu do almoço quando ele sugeriu às dez da manhã - vamos lá no Copia?

Não precisou nem ouvir a resposta. Já fui tomar banho, me vestir e me aboletei sorridente no carro. Copia não é só a deusa romana da abundância, mas tambem um lugar muito bacana instalado na cidade de Napa. The American Certer for Wine, Food & The Arts é uma mistura de museu, galeria de arte, restaurante fino, cafeteria, espaço para eventos, wine tasting, cinema, jardim, horta, pomar. Passamos a tarde lá, comendo, bebendo, vendo, ouvindo, cheirando, tocando comida e vinho. Primeiro fizemos uma tour do local, depois almoçamos no café, que é ligado ao restaurante Julia's Kitchen [um dos 100 melhores da Bay Area, batizado em homenagem à Julia Child]. Depois vimos três exposições - a permanente, sobre comida, e outra sobre American Diners e garçonetes profissionais. Passeamos pelo maravilhoso jardim, que produz frutas, legumes e verduras orgânicos que provém o restaurante e o café. Não fizemos mais coisas por falta de organização e tempo. Já tínhamos vistado o Copia em 2002, mas estamos precisando ficar mais assíduos.

* seguirão fotos galore!

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Escavocando no fundo do baú - os limões meyer e um móvel que nem tenho mais.

menus antigos

Eu não me lembro exatamente onde eu achei isso - se foi na versão online da biblioteca pública de Los Angeles ou se foi na da UC LA. Achei e guardei. Esqueci. Hoje achei. Sou fascinada por essas coisas. Esses são menus da década de 30 de restaurantes californianos. A primeira coisa notável são os preços - infinitamente inferiores aos praticados hoje. Depois o menum que consistia de alguns itens diferentes como - fígado, miúdos e cérebro frito com ovos. Eca!

Alguns dos menus - Hotel Barbara Worth - King's Tropical Inn - Glenn In Cafe.

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Fiz essa receita no outono de 2003, quando me meti a assar bolos. Tirei da revista Every Day Food da MS. Como agora não é época de cranberry, mas é de blueberry, acho que essa substituição ficaria bem adequada. Mas também acho que dá para fazer com qualquer tipo de fruta, que tenha uma consistência mais firme.

8 colheres de sopa de manteiga sem sal na temperatura ambiente
1 xícara de açúcar
1/2 colher de chá de canela em pó
1/4 colher de chá de allspice
1 3/4 xícara de cranberries
1 ovo grande
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 1/4 xícara de farinha de trigo
1 1/2 colheres de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal
1/2 xícara de leite

Pré-aqueca o forno em 350°F/ 180ºC com a grade no centro. Unte uma forma redonda de bolo de 8-inch/20 cm. Numa vasilha pequena misture 1/2 xícara de açúcar com a canela e o allspice. Espalhe essa mistura no fundo da forma untada, jogue as cranberries por cima.

Numa batedeira bata a manteiga com 1/2 xícara de açúcar até ficar bem cremoso. Adocione o ovo e a baunilha. Bata bem. Numa vasilha separada misture a farinha, o fermento e o sal. Adicione essa mistura de farinha ao creme de açúcar com a batedeira em velocidade baixa. Alterne farinha e leite, em três vezes e continue batendo até formar uma massa bem uniforme. Coloque a massa na forma, sobre as cranberries. Coloque a forma sobre uma assadeira lisa de assar biscoitos. Asse por 30 ou 35 minutos. Deixe esfriar numa grade por 20 minutos. Inverta a forma sobre um prato, assim a parte do bolo com caramelo e cranberries ficara por cima.

em volta da mesa
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Lendo um capítudo de Serve it Forth da maravilhosa M. F. K. Fisher, onde ela descreve refeições feitas com amigos, pequenos grupos de seis no máximo, me lembrei com tristeza de alguns desfortunados jantares sociais que fiz na minha casa. Tirando a comida, preparada com carinho e esmero, todo o resto estava errado e o gosto que ficou foi amargo. Aprendi a lição e concluí com quase certeza que de todas as as refeições que fiz em família foram as melhores, sem comparação. Fisher diz que bons començais devem ter o desejo de permanecer sentados à mesa por muitas horas, mesmo no caso da refeição servida ter sido a mais simples - salada, pão, queijo, vinho. Essa façanha eu sempre consegui em almoços e jantares de família. Agora também com a nossa família agregada - americana e norueguesa. Esse é um conforto que substitui a lembrança daquelas migalhas na toalha branca de linho, o copo e a garrafa de vinho na mesa de madeira escura e riscada, a pilha de pratos que foram presente de casamento no buffet da sala.

livros, livros, livros!

Eu fico super inspirada quando leio os textos de história da culinária escritos pela Gorete. Outro dia deixei um comentário pra ela, dizendo que qualquer hora iria até a Biblioteca Pública de San Francisco pra ver o que eu poderia achar sobre história e comida. Cacilda, eu sou uma pessoa bem cabeça de ventoinha mesmo.... Dirigir até San Francisco ou pegar o trem, para ir à biblioteca? For Pete's sake, se liga Fezoca!

Eu trabalho ao lado de uma super duper biblioteca acadêmica. Moro perto também. Passo em frente da Biblioteca da UC Davis quatro vezes por dia. Já frequentei muito essa parada, quando fiz classes na universidade. E como staff, posso retirar livros a la vontê. O que eu estava pensando? E o que eu estou esperando!!

Já fiz um search no website por "culinary", "cookery" e "gastronomy" e fiquei até com lágrimas nos olhos com os resultados. Toneladas de livros, coisas novas, antigas, reliquias, em diversas línguas, sobre todos os assuntos possíveis relacionados à comida. O problema agora é onde vou arrumar tempo pra fazer uma visita à biblioteca. E onde vou arrumar tempo para ler todos os livros que vou achar por lá. Estou numa confa. Não que eu esteja reclamando. Nada disso!

pasta de verão
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Saí do trabalho me sentindo tão cansada. Pedalei minha bicicleta com um baita esforço. Achei que tinha pegado um "bug" de gripe. Me senti tão pesada e desanimada que sinceramente não sei como consegui fazer um jantar decente.

Quando estou assim no limite, minha opção é sempre um macarrão. Usei a última abobrinha na geladeira. E alguns dos zils tomates. Um pouco do mação de basilicão. Juntei tudo e improvisei uma receita inspirada numa que li em algum lugar - não lembro onde.

Cozinhe o macarrão em bastante água fervendo temperada com sal e uma folha de louro. Enquanto o macarrão cozinha, corte a abobrinha em fatias finas, corte os tomates ao meio, pique folhas de basilicão, esmague uns quatro dentes de alho assado, tempere tudo com sal e pimenta do reino. Escorra o macarrão e misture com a aobrinha, tomate e ervas. Esquente um tanto de azeite numa panelinha - não esquente muito - e jogue sobre o macarrão. Misture bem, cubra com queijo ralado. Sirva-se a vontade!

* vejo esse macarrão feito em muitas versões, pode substituir a abobrinha por outro legume, o basilicão por outra erva, acrescentar azeitonas pretas, e o alho assado por alho cru - pra quem tiver coragem!

os verdinhos vão secar
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Eu uso as ervas frescas o quanto posso. Mas não é possível consumir tanto, então todo final de verão começo a secá-las. Seco o basilicão, o orégano, o tomilho, o hortelã, o alecrim, a sálvia e o que mais aparecer. O bom é que, vivendo num clima seco, eu não preciso fazer nada para secar as verdinhas. É só abandoná-las por uns dias em cima de um prato, num canto qualquer. Depois moer as folhas com as mãos mesmo e ensacar ou envidrar o produto que será usado nos meses de inverno.

com o limão, faça uma limonada
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um verdadeiro milagre

Nos meus primeiros meses como staff do programa de controle integrado de pestes [IPM], levei muitos sustos. Vejam só, eu sou uma web developer e fui contratada para me dedicar full-time à este web site gigantesco, que é mantido pelo Departamento de Agricultura dos EUA, UC Davis, UC Berkeley, UC Riverside, o condado de Yolo e outras entidades. É um programa importantíssimo e útilissimo, tanto para os fazendeiros do estado, quanto para as pessoas comuns que mantém uma horta ou um jardim. O IPM divulga informação científica para ajudar no controle das pragas, dando prioridade para gerenciamentos biológicos, culturais e orgânicos, aconselhando o uso de químicos somente em último caso, observando e cuidando também para não poluir o meio-ambiente e as redes de água.

Bom, quando coloquei as mãos pela primeira vez nas páginas que monto e mantenho, já tive um chocante encontro inicial de primeiro grau com as pestes da cultura do milho. Passei muito tempo levando sustos horríveis, fazendo caretas, pondo a língua pra fora e me contorcendo toda de arrepio e nojo na frente do meu monitor. Eu não imaginava - realmente, que inocência - que existissem tantas pragas atacando a nossa comida! Achava que o pior que poderia acontecer era uma geada ou uma seca. E eu só conheci até agora as pestes que atacam a produção agrícola da Califórnia. Um IPM do país ou do mundo seria um completo circo de horrores!

A primeira coisa que me passou pela cabeça quando fui apresentada aos horroríveis insetos, ácaros, doenças, ervas daninhas, coisas vertebradas e invertebradas foi - putsz, ter uma salada ou um cozido na nossa mesa é um verdadeiro milagre, pois temos que primeiro lutar bravamente contra todas essas pragas! Meu marido rolou de rir quando me ouviu falar isso, porque ele está cansado de saber quem são os purulentos e cascorentos que infestam os nossos campos e pomares. Eu precisei de um bocado de tempo para digerir essa informação, abismada com o quanto nós humanos temos também que rebolar para poder nos alimentar. Felizmente somos mais fortes e mais inteligentes, senão com certeza nosso menu teria apenas dois itens: sopa de pedra e pão de areia.

o figo é fresco
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Ganhei um monte de figos mission colhidos no quintal da minha amiga Jean. Pensei em fazer uma receita com eles. Fiquei animada. Depois pensei melhor e NHAC... Resolvi comer todos eles assim frescos. E comi! Eu adoro figo. Se tiver que escolher entre morango, pêssego, manga, cereja ou figo, eu fico com o figo.

Aqui a receita que eu não fiz:

Figo Fresco com Queijo de Cabra e Lavanda

8 figos mission frescos - eles são os pequenos, mais escuros
2 colheres de sopa de queijo mascarpone
1/4 xícara de queijo de cabra amolecido
1/4 colher de chá de flores de lavanda secas
1/2 colher de sopa da mel

Coloque os figos cortados ao meio numa travessa. Misture os queijos, as flores e o mel. Coloque uma colher dessa mistura em cima de cada metade de figo.

o dedo caolho

Queridos amigos e amigas que me lêem. Se vocês têm um olho bom para os detalhes, com certeza já perceberam a minha tendência para fazer typos e erros banais em frases. Não quero dar uma de sonsa e deixar todo mundo pensando que fugi da escola. A verdade é... bem, a verdade é... cof cof... a verdade é que eu NÃO SEI DATILOGRAFAR! Cato milho com um dedo só e olho para o teclado enquanto escrevo. É um péssimo hábito enraizado, coisa de gente turrona que sempre se recusou a aprender o bê-á-bá do teclado. E não insistam em dicas, não sugiram cursos online, porque eu não vou fazer, não vou fazer, não vou e pronto! Só queria explicar por que eu faço tantos errinhos.

Mas não bastasse ser dedológrafa, ainda ando meio cegueta. Preciso de óculos para ler e não uso, porque não gosto, me irrita, me dá tontura. Isso tudo somado ao fato de que escrevo a maioria - não todos - os meus textos num pequeno laptop, onde eu perco muito em visualização. Isso tudo tem me deixado imensamente preocupada. Será que vou virar um velhinha [velhona] cheia das teimosias, ameaçando os incautos com um guarda-chuva pontudo quando confrontada, com o batom borrado, uma meia de cada cor em cada pé, achando sempre que tem razão e escrevendo receitinhas de canja de galinha e bolo de cenoura cheias de teupos... tiupos... tiupos... TYPOS?

Bolo rápido de polenta com limão e tomilho

Estava com essa receita engatilhada desde que recebi a edição de setembro da revista Martha Stewart Living. De hoje não podia passar, então me meti a assar um bolo, mesmo estando meio cansada e pensando em ir logo pra cama ver filmes e [tentar] ler um pouquinho da minha pilha de livros. O título da receita em inglês diz pão, mas o resultado é um bolo bem compacto com uma textura bem leve e úmida. O sabor dominante é de limão e o cornmeal contribui com a crocância. Está difícil parar de comer!

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Polenta quick bread with lemon and thyme

3/4 xícara [1 1/2 tabletes] de manteiga sem sal amolecida
1/3 xícara de farinha de trigo
3/4 xícara de açúcar
1 colher de sopa de raspas de limão [amarelo]
2 colheres de sopa do suco de um limão [amarelo]
3 ovos grandes
1 colher de sopa da tomilho fresco
1 xícara de cornmeal [um fubá um pouco mais grosso - mas acho que fubá funciona bem]
1 colher de chá de fermento em pó
3/4 colher de chá de sal grosso
1/4 xícara de pine nuts [pinoles] tostados

Pré-aqueça o forno em 325ºF/165ºC. Unte buma forma de pão com manteiga e polvilhe com farinha de trigo. Na batedeira coloque a manteiga e o açücar e bata em velocidade média por 3 minutos, até formar um creme bem claro. Acrescente as raspas do limão e misture por mais um minuto. Vá adicionando os ovos um a um e batendo. Adicione o suco de limão e o tomilho. Adicione a farinha, o cornmeal, o fermento e o sal e misture bem. Coloque 2/3 das pine nuts. Coloque a massa na forma untada, salpique com o resto das pine nuts e asse por 50 minutos. Deixe esfriar numa grade.

norwegian toast
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Inspirada na Reidun, a sogra do meu filho, que é uma norueguesa do balacobaco, fiz um toast para meu snack de domingo à noite. Uma fatia de pão preto tostado, uma camada finíssima de mostarda, fatias grossas de queijo Jarlsberg, fatias grossas de tomate temperado com sal, pimenta do reino e um fio de azeite. Pra comer com garfo e faca, acompanhado de uma cerveja encorpada.

The Mondavi
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Nesses dias quentes eu ando bebendo muitos vinhos brancos. Vou testando as variedades. Neste final de semana estou me deliciando com esse Fumé Blank prodizido pela vinícola Mondavi do Napa Valley. Esse vinho é feito com as uvas do Savignon Blank, com toques de citrus e melão. Os Mondavi produzem vinhos muito bons e têm uma vinícola muito charmosa logo na entrada do Napa Valley, tudo muito bem cuidadinho, num estilo missão espanhola. Eu tenho uma simpatia imensa pelos Mondavi, que não tem nada a ver com vinho.

No ano 2000, o casal Robert e Margrit Mondavi fez uma doação de 35 milhões de dólares para Universidade da Califórnia em Davis. Eles queriam que se construísse um teatro. Em 2003 o Mondavi Center ficou pronto e abriu para o público. Fica no campus da universidade e é majestoso. Um dos teatros com a melhor acústica do mundo, todo forrado com uma madeira especial resgatada do fundo do oceano na costa do Pacífico perto de Vancouver. O teatro é espetacular e traz artistas fabulosos para a nossa cidadezinha. Eu nunca comprei um ingresso para o Mondavi Center, mas conheço o teatro de cabo a rabo, por dentro e por fora, o palco, o backstage, porque sou voluntária lá desde 2003. Ajudo a levar as pessoas até as suas cadeiras azuis numeradas, faço os salamaleques e depois me sento e vejo o show. Já vi muita coisa legal, e o que eu mais gosto é que sempre vejo os ensaios, os artistas de roupas comuns, testando o som, etc. Quem lê o meu blog pessoal há tempos, com certeza já topou com muitos comentários que eu fiz sobre shows em que trabalhei e assisti. Tenho muitas histórias com aquele teatro. Os voluntários são pessoas cultas, amantes das artes e da música, que trablham lá porque gostam. Muitos vem de outras cidades, enfrentam trânsito na estrada durante a semanas, para fazer os shows. Eu adoro ser voluntária lá, onde conheci muita gente legal e vi shows espetaculares. Tudo isso graças aos Mondavi, que nos proporcionaram um teatro dessa magnitude, numa cidade universitária de 60 mil habitantes. E é claro que nos elegantes bares dentro do Mondavi Center só é servido os vinhos da vinícola. Uma excelente troca, não?

Torta rústica de maçã com Calvados

Fizemos um almoço em família, porque o Uriel voltou da fazenda ontem à noite e já vai viajar de novo hoje à tarde. Tracei meu plano e defini meu menu - postas de salmão e espigas de milho assados na churrasqueira, salada de batata com molho de sour cream e chives [não tinha iogurte], a salada siria de trigo e nozes da Valentina e uma torta de maçãs que vi na edição de setembro da revista Gourmet. Eu tinha umas macãs gala que comprei no Farmers Market, colhidas no dia. E na receita ia Calvados, um destilado de maçãs, que ainda não tinha tido a chance de usar numa receita. Tudo pronto, vamos lá!

Não foi tarefa fácil pra mim preparar um menu com tantos pratos. Não é novidade eu fazer isso, mas é sempre uma jornada que me exaure... Me atrapalhei imensamente, fiquei toda esbaforida e estressada, mas pelo menos não quebrei nada, nem me machuquei. Apenas derrubei açúcar por cima do fogão, deixei o salmão passar um pouco do ponto e quase quemei o milho. Quando o Gabriel e a Marianne chegaram estava tudo quase que controlado, só faltava arrumar a mesa. O Uriel sempre me dá uma mãozinha com as coisas de churrasqueira e com a arrumação de mesa e lavação das louças. Mas hoje ele se enfiou numa empreitada de eliminar o matagal do jardim da guest house, que estava realmente descontrolado. Então fiquei sola nos preparativos do almoço.

Ninguém reclamou de nada, todo mundo comeu e até elogiou. Então está bom! Como faço sobremesas muito de vez em quando, preciso reportar. Foi uma simples torta de maçãs, mas ficou bem especial. A receita é para pequenas tortinhas, mas eu fiz uma torta inteira, que era mais prático.

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Rustic Apple Tart with Calvados Whipped Cream

Para a torta:
1/3 xícara mais 1/2 colher de sopa de açúcar
1/2 xícara de cidra ou suco de maçã
1 colher de sopa de vinagre de maçã
500 gr de pequenas maçàs gala, raladas em fatisd, com a casca
1 pacote de massa prota para torta [a receita pede massa folhada, mas eu usei uma massa comum mesmo, porque esqueci de comprar a outra..]
3 colheres de sopa de manteiga sem sal
1 colher de sopa de Calvados

Para o creme:
1/2 xícara de creme de leite fresco gelado [heavy cream]
1 colher de chá de açúcar
1 colher de chá de Calvados

Aqueça o forno em 425ºF/220ºC.
Coloque 1/3 de açúcar numa panela e faça um caramelo claro. Jogue a cidra e o vinagre e faça um molho. Desligue o fogo. Jogue as maçãs em fatias finas nesse molho e deixe macerar por uns 10 minutos. Coe as maçãs, separe o molho. Coloque as maçãs sobre a massa pronta numa forma - se for fazer tortinhas individuais, corte quadrados da massa e ponha separados na forma. Salpique a torta com pedacinhos de 1 colher de sopa de manteiga e o restante do açúcar. Leve para assar por uns 20 ou 30 minutos. Enquanto isso coloque o molho de volta na panela, acrescente as 2 colheres de manteiga e o Calvados. Deixe ferver, mexendo de vez em quando, até o molho engrossar e reduzir pra 1/3. Quando a torta estiver assada, jogue esse molho por cima. Sirva com o creme de leite com Calvados - bater os três ingredientes na batedeira até a consistência ficar firme.

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salmão deve rimar com precaução
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O salmão é para esta primeira década do século vinte um, o que o melão com presunto foi para a década de oitenta do século passado. Todo mundo acha que é chique! Então é um tal de fiz um salmãozinho pra cá, servi um salmãozinho pra lá, eteceterá, eteceterá. Mas duas coisas muito importantes que ninguém sabe, não quer saber ou finge que não sabe, é que esse salmãozinho que abunda nos supermercados é salmão criado, que vem com dois ingredientes invasores: cor artificial e polychlorinated biphenyls (PCBs). Isso quer dizer que esse salmãozinho comprado em oferta no super não nasceu cor-de-rosa e é contaminado por uma combinação de quimicos que podem causar câncer. Eu li sobre essa contaminação do salmão, descoberta por cientistas canadenses, anos atrás. Desde então só compro o meu salmãozinho selvagem - o wild salmon - que não está disponível no supermercado durante o ano todo, pois só é pescado durante uma certa temporada. Custa um pouco mais caro, mas nasceu assim vermelho e vai ficar mais vermelho ainda depois que você cozinhá-lo. Esse salmão selvagem tem um nível muito mais baixo de contaminação de PCBs e muito menos gordura que o salmão criado. Minha receita para o verão é tri-simples. Tempera as postas com sal grosso e pimenta do reino moída na hora. Embrulha num papel alumínio grosso e põe na churrasqueira em fogo médio por uns 20 minutos. Não tem coisa melhor, mas coma com moderação.

uma pizza improvisada
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Sábado é dia de pizza pra mim. Sempre foi, sempre será. Essa é uma tradição da minha família da qual não consigo escapar. Todo santo sábado estou eu às voltas com o dilema da pizza. Já fiz muita massa, na mão ou na máquina de fazer pão. Mas hoje ando terrívelmente preguiçosa, então improviso. Compro uma massa pronta, que não é a melhor mas quebra um galho, ou improviso - uso flat bread, pitta bread, o que tiver cara de que vai se transformar numa massa de pizza razoável. Procurando uma massa de pizza feita em casa, que às vezes tem pra vender no Co-op, me deparei com esse saquinho de tortilla bread. São tortillas gorduchas, macias, numa consistência muito mais adequada ao feitio de pizza do que as tortillas regulares - que não servem e pronto. Comprei e usei! Fiz as pizzas de ontem com as tortillas bread e ficaram bem gostosinhas!

A razão que me faz odiar as pizza daqui da North America é o molho. Pra mim eles não sabem fazer molho e ponto final. Tenho asco de certos molhos que são apresentados como molho de pizza. Por isso gosto de fazer o meu em casa. Pra mim o segredo da boa pizza está no molho. O meu é a coisa mais simples - tomate, alho, orégano, azeite, sal, pimenta do reino. Na safra dos tomates uso os próprios frescos. No resto do ano uso tomates em lata - prefiro os inteiros, que bato no liquidificador. Frito bastante alho em fatias em bastante azeite. Jogo o tomate, o orégano - fresco ou seco, tempero e deixo engrossar. Ontem fiz um montão, com uma bacia de tomates frescos, que cozinhei na água, bati no liquidificador, passei pela peneira e usei.

E minha pizza é sempre de queijo - mussarella, rodelas de tomate, azeitonas pretas, folhas de basilicão, raramente fatias de aliche, quando é tempo de rúcula, faço a pizza salada, com a verdura e tomates secos, que eu adoro, apesar de considerar isso uma aberração!

êta vida boa!
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Roux só no ronco..
um tradicional picnic

Só porque todo feriado do Labor Day eu desejo ser Kim Novak dançando com William Holden, escrevi sobre uma tradição norte-americana e dou duas receitas que não podem faltar no seu picnic do 4 de setembro. Onde? Ah, na Sal a Gosto, a minha coluna semanal na Revista Paradoxo!

ice cream dream
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Confesso que comprei esses sorvetes no Co-op puramente baseada no rótulo de nutrição. Quando li 10% total fat, zero de trans fat e 5g de açúcar, coloquei os potinhos imediatamente no carrinho. Comparado com os 50% total fat de um Haagen Dazs da vida, peloamordedeus, é uma diferença brutal! Só depois que vi que o sorvete, fabricado pela Celestial Seasonings, tinha os mesmos sabores de alguns dos seus chás e era feito com leite de arroz. Como eu adoro leite de arroz, fiquei toda sorridente. E o sorvete é simplesmente uma delícia - leve e delicado, e vem sem motivos para culpa.

quem não arrisca não petisca

Cansada e esgotada, fui à Sacramento depois do trabalho para uma shopping therapy. Nada exagerado, mas eu queria ir à uma loja especifica comprar umas roupitchas. Eu vou rarissimamente à malls, porque não temos nenhum aqui em Davis. Tenho que ir até Sacramento e não gosto muito do ambiente dos malls. Faço minhas compras em outlets, lojas de fábrica, pontas de estoque e lojinhas da cidade. Sou super thrifty com roupas, porque enjôo delas facinho, além de ser uma desastrada e manchar tudo, rasgar tudo. E gosto de ter MUITA roupa, então não pago preço regular. Mas ontem fui no de downtown Sacramento, que é o mais próximo pra mim. Ele é um típico mall californiano, todo aberto, até que bonito. Mas por que, perguntam-se vocês, eu estaria escrevendo sobre isso? Outra vez um post off topic? Nãnanina! É que eu preciso dizer o quanto eu ABOMINO comida de shopping. Eu tenho nojo, asco, revolta. Não consigo comer aquelas porcarias fast-food, simplesmente. Então camelei onde queria, comprei o que queria e dirigi correndo, faminta, de volta para Davis.

Atrás da minha casa tem uma pequena área de comércio, com algumas lojas, alguns restaurantes com mesinhas na área externa, um imenso gramado onde as crianças correm, os adultos se esparramam deitados, e um jardim de plantas típicas da região, que faz parte do Arboretum da UC Davis, com mesinhas, cadeiras e bancos para o pessoal se aconchegar. Nem preciso fazer a comparação desse shoppingzinho vizinho com um mall qualquer em outro lugar... Mil vezes aqui! Então voltei decidida que iria jantar - sozinha mesmo - num dos restaurantes dali. É só atravessar a rua, super tranquilo.

Fui ao Fuzio um franchise que abunda aqui na Califórnia. Uma mistura de cozinha italiana com oriental. É esquisito mesmo... O ambiente é modernex, o serviço é simpático e atencioso, mas a comida deixa um tanto a desejar. Sentei no bar, porque assim não me sinto tão deslocada por estar sozinha. Pedi um ravioli recheado com tomate seco e queijo, com molho de cogumelos grelhados, que não estava totalmente ruim, só a massa que estava um pouquinho dura. E bebi uma taça de Chardonnay [sempre californianos] que supostamente teria um leve sabor de melão. Não estava mau, mas também não impressionou. Se o Fuzio fosse um bom restaurante, com um menu mais variado, eu seria uma frequentadora mais assídua nos meus dias solitários de final de verão. Mas nem tudo pode ser perfeito....

uma história que não tem nada a ver com comida

Cheguei do trabalho ontem com uma lista de intenções para o meu final de tarde e início de noite - ia tirar umas fotos, escrever uns textos, tentar fazer algo na cozinha e, principalmente, sair do quarto de hóspedes e me mudar de volta para o meu querido quarto. É uma longa história, que se arrastou por cinco meses e que finalmente vai ter um fim. Mas porque o fim não aconteceu quando deveria acontecer fui engolfada por um ziriguidum total e não fiz nada do que planejava fazer.

Minha casa tem uma guest house no fundo. Meu filho e a namorada moraram lá, até comprarem a casinha deles. Depois disso nós só tivemos problemas. Primeiro alugamos o lugar para o casal geek orgânico, que fez da casa um cortiço, nunca limparam nada, deixaram tudo um lixo e ainda não pagaram o último aluguel. Daí contratamos o serviço de uma imobiliária, pois não temos tempo, nem saco pra lidar com essas chatices. A casa foi alugada para a mulher mais rude e sem consideração que eu já tive o desprazer de lidar. Ela ligou o ar condicionado da casinha - que dá para o meu quintal e fica diretamente em frente às janelas do meu quarto - em março e não desligou mais - dia e noite, dia e noite, dia e noite. O aparelho é enorme e faz um barulho dos diabos. Pedir por favor para ela desligar o treco pelo menos à noite não adiantou, então tivemos que esperar o contrato vencer pra ela se mudar. E o dia dela se mudar era ontem. Cheguei em casa depois das cinco e o a/c estava ligado, as janelas abertas - como ela andava fazendo ultimamente - o cachorro dela correndo pela calçada, ela visitando a vizinha, tudo no seu devido lugar, como se nada fosse acontecer! A casa deveria estar vazia. Tive um treco! Meu marido ficou ligando pra imobiliária lá da fazenda, avisando que eu iria desligar a eletricidade e o gás da casa. A figura da imobiliária - cujo serviço vai ser dispensado - barganhando mais dois dias pra fulana grossa e sem consideração se mudar, porque é lógico que ela quer mudar sossegada no final de semana. No way, José! Meu filho e minha nora ficaram comigo, conversando até as dez da noite, porque eu estava muito louca da vida. A incompetente da funcionária da imobiliária foi ajudar a lacraia a empacotar as tralhas e ficou pelo telefone pedindo por favor pra gente não desligar a eletricidade à noite porque a geladeira da figura estava cheia de comida. Hoje de manhã já desliguei o gás - ninguém vai tomar banho quente às nossas custas. E hoje na hora do almoço eu e o meu filho vamos desligar a eletricidade. Tão gostando da novelona mexicana??

Ao menos a lambisgóia finalmente desligou o a/c e eu pude dormir na minha cama, em silêncio, pela primeira vez em cinco meses! Agora vou pensar o que fazer com a minha guest house. Durante o mês de setembro ela vai ficar vazia, preciso me recuperar dessa experiência traumática. Talvez eu mobilie e alugue para estudantes ou pesquisadores estrangeiros que vem pra ficar apenas alguns meses. Minha casa fica a dois blocos da universidade, e o mercado imobiliário aqui em Davis está super aquecido, é muito difícil arrumar lugar pra morar - e nós com essa total falta de sorte com a nossa casinha!


* adendo explicativo - como não tem como medir os gastos de água, gás e eletricidade da casinha, e separar dos gastos da nossa casa, quem aluga não paga por essas utilidades. então além de aturar a barulheira, nós que pagamos a conta do arzinho night and day da inquilina dos infernios...