O Chucrute com Salsicha vai mudar de hemisfério por duas semanas. Vou deixar o vento gelado que assola o norte deste estado para trás, e enfrentar um calorzinho bem tropical. Bye bye cranberries, Hello mangas e abacaxis! Com certeza não vou postar receitas testadas por mim, mas haverão receitas. E fotos. E histórias. Estou indo equipada. E animada com a perspectiva de provar muita comida boa! Aceito sugestões de livros de culinária em português para comprar, de autores brasileiros ou portugueses.
Refaço o convite à TODOS que quiserem e puderem ir a Campinas para um pequeno encontro comilançal - estarei no restaurante Terraço Rosário, no shopping Galleria de Campinas* - que fica na Rodovia Dom Pedro I, para um almoço informal no dia 07 de dezembro, quinta-feira. Vamos? Vou adorar encontrar todos vocês!
Até breve! See you all soon!
*Direções para chegar ao Shopping Galleria pra quem vem de São Paulo:
Se vier pela Bandeirantes, em Jundiaí pegue a Rodovia Anhanguera - do pedágio de Valinhos você anda mais uns 5 km para entrar no anel viário (Rodovia José Roberto Magalhães Teixeira - SP 083); o anel tem 10 km até chegar à rodovia D. Pedro I; depois são poucos kms, mas aí é fácil de ver o shopping Galleria à esquerda no km 131.5.
Visualização da localização no Google Maps.
O restaurante italiano fez uma reserva para mais de vinte pessoas para um dia em que eles estavam fechados. Chegamos lá e batemos com a cara na porta, até que alguém com uma capacidade acentuada para achar soluções rápidas e eficientes para pequenos problemas como esse, sugeriu que atravesassemos a rua e fossemos a um restaurante chamado Cantina del Cabo. Não sei definir o tipo de comida que eles servem lá: hamburguers, carne, peixe, frango, macarrão, sopa, saladas, batata frita. Nada realmente especial. Era um almoço de despedida do nosso diretor, que vai ser Dean do Colégio de Agricultura da University of Melbourne, na Austrália. Achei tudo muito pobre, mas acho que a maioria não se importou. Eu e meu colega ficamos criticando tudo. Eu expliquei que posso criticar porque eu cozinho. Bem argumentado! Discutimos a pobreza da maioria dos restaurantes de uma cidade universitária, que prioriza servir bastante comida barata para uma população de estudantes. Não é fácil! Eu pedi a Pasta of the Day, que consistia de um fettucine com molho de cogumelos, peito de frango grelhado e queijo parmesão. Acompanhava uma salada mista de saco - que eu identifico na hora, com aqueles molhos horrorríveis, que eu pedi pra vir separado. Também vinha pão de alho, que eu pedi pra trocar por corn bread, e no final não usei o molho honey mustard que pedi e temperei minha salada com sal, azeite, vinagre. A assessora de imprensa do programa, que sentou ao meu lado, exclamou - uau, você realmente costumizou o seu prato! Comemos, teve discurso com olhos cheios de lágrima, presentes, papo furado. Ninguém bebeu álcool. Cada um pagou a sua parte.
Far Breton - Brittany "Pudding" Cake with Prunes, também conhecido por Farz Breton e Far aux Pruneaux, é um doce típico da Bretanha, na França. Eu achei muito parecido com um pudim de padaria que temos no Brasil. Eu vi a foto desse doce na Carmen Mariani, que tem o àlbum mais lindo do Flickr. Ela me passou a receita. Não tive tempo de deixar as ameixas de molho no Rum a noite toda, então aqueci a mistura por dois minutos no microondas, a as ameixas pegaram um pouco do sabor do destilado. Usei Brandy invés de Rum. Também exagerei na quantidade de ameixas. Usei muito mais do que 12 e o resultado é que elas ficaram parecendo um recheio. Siga a receita à risca, não invente moda como eu faço e tudo dará certo!
12 ameixas secas
1/4 xícara de Rum [eu usei Brandy]
1 xEicara de farinha de trigo
1/2 xícara + 2 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal
3 ovos na temperatura ambiente
2 xícaras de leite integral na temperatura ambiente
1/3 xícara de manteiga sem sal derretida e na temperatura ambiente
Deixe as ameixas secas de molho no Rum [Brandy] durante a noite
Unte uma forma grande - o doce cresce um pouco.
Aqueça o forno em 350ºF/176ºC.
Peneire a farinha, o açúcar e o sal numa vasilha grande. Faça um buraco no centro. Coloque os ovos no centro. Adicione um pouquinho do leite. Vai batendo com o batedor de arame e acrescentando o restante do leite e a manteiga derretida. Bata bem, até a massa ficar bem liquida e uniforme. Coloque a massa na forma untada. Coloque as ameixas bem distribuidas pela massa. Asse por 40 minutos. Sirva morno ou a temperatura ambiente.
Estou monitorando neuróticamente a viagem do meu filho a Campinas. Liguei lá inúmeras vezes, mas só fiquei sabendo dos buxixos quando falei com a minha irmã no domingo à noite. O Gabriel parece que está tirando a barriga da miséria, comendo tudo o que vê pela frente. No sábado foi comer pizza portuguesa e no domingo se empanturrou num rodízio. Liguei no celular do meu irmão e eles estavam saindo da churrascaria e morrendo de rir - pois o meu filho quase fez um repeteco da história da marmitex. Meu irmão disse - Fer, esse guri tem passado fome aí na Califórnia, pois ele comeu feito um condenado, um retirante, um esfomeado! Não bastando a quantidade imensa de comida que ele devorou, quando todos já tinham terminado de comer a sobremesa passou lá o garçon com um espeto de picanha e o Gabriel pediu mais umas fatias de carne, depois de já ter comido o doce. O fardo de mãe relapsa que eu carregava até arrefeceu-se...
Em camadas: cebolas, pimentão verde, batatas cozidas, bacalhau cozido no leite, mais cebolas, mais batatas, azeitonas pretas, bastante azeite. Forno por uma hora. Servir com arroz branco e salada verde.
É craro, Creuza, que eu tinha que inventar alguma receita neste Thanksgiving! Vocês devem estar pensando: duas receitas, de sobremesa, seguidas quase à risca, que deram certo? Não devo estar lendo o Chucrute com Salsicha! But worry no more, pois aqui está uma autêntica invencionice que passou raspando de ficar uma droga!
The Funky Pie
Cozinhei meia abóbora e duas batatas-doces vermelhas, os yams. Quando estavam bem molinhas, escorri e coloquei na batedeira com duas colheres de sopa de açúcar mascavo [pode colocar 1 xícara de açúcar, na boa!], 1 xícara de creme de leite fresco [heavy cream], a polpa de dois caquis bem maduros e todas as spices que você conseguir combinar - eu usei canela, cravo, noz moscada e cardamomo. Bata bem e coloque numa forma forrada com uma receita do pâte sucrée - eu inventei uma versão com avelãs, que deu um sabor extra e uma certa crocância à massa. Asse em 385ºF/196ºC por mais ou menos 1 hora, ou até a massa ficar dourada e o recheio bem firme.
Pâte sucrée - versão avelãs
1 1/4 xícara de farinha de trigo
4 1/2 colheres de chá de açúcar
1/2 colher de chá de sal
1/2 xícara de avelãs moídas
1/2 xícara [1 tablete] de manteiga sem sal gelada e cortada em pedacinhos<
1 ovo grande batido
2 colheres de sopa de água gelada, mais se precisar
No processador pulse a farinha, sal, a avelã moída e açúcar até misturar. Adicione a manteiga e processe até ficar com uma aparência engrossada, uns 10 segundos. Adicione o ovo e pulse. Com a máquina em velocidade normal adicione a água até a massa ficar consistente. Retire do processador, forme um cilindro, embrulhe em plástico e ponha na geladeira por pelo menos 1 hora.
Essa foi a sobremesa que levei pro jantar na casa da minha amiga. Um pudim de pão de New Orleans. Ele não só fez sucesso porque ficou delicioso e se destacou das outras tortas compradas prontas, como todos adoraram falar o seu longo nome - creole bread pudding with whiskey sauce, pondo ênfase, claro, no whiskey sauce! Esqueci de tirar uma foto. Mas garanto que o pudim ficou bonito e com um sabor incrível. Tirei essa receita da edição de novembro de 2006 da revista Cottage Living.
Creole Bread Pudding with Whiskey Sauce
Manteiga derretida para untar a forma
4 xícaras de pão francês amanhecido [usei o puglisese] cortado em cubinhos bem pequenos
4 xícaras de leite integral - usei somente 3 e achei que 4 seria muito.
4 ovos grandes levemente batidos
2 xícaras de açúcar
2 colheres de sopa de extrato de baunilha
1/2 xícara de passas ou damascos secos cortados em cubos [usei cranberry seca, afinal era Thanksgiving!]
1 maçã pequena, cortada m cubinhos
Pré-aqueça o forno em 350ºF/176ºC. Unte uma forma funda com a manteiga. Eu usei uma retangular. Coloque os cubinhos de pão numa vasilha grande e cubra com o leite. Numa outra vasilha bata o açúcar, ovos e baunilha. Jogue na mistura de pão e leite. Acrescente as passas/damasco/cranberry seca a maçã em cubinhos. Misture bem e coloque na forma untada. Asse por 1 hora e meia.
Prepare o whiskey sauce:
Numa panela coloque:
1 ovo grande
1/2 xícara de açúcar
1 colher de chá de maizena
1 xícara de half-and-half [que eu acredito ser um creme de leite fresco diluído no leite] ou de leite evaporado
Leve ao fogo médio, batendo sem parar com o batedor de arame até o molho engrossar. Tire do fogo e adicione:
1 colher de sopa de whiskey
1 colher de chá de extrato de baunilha
Misture bem e sirva com o pudim de pão. O molho e o pudim devem ser servidos morninhos.
Como decidi sabiamente não fazer o peru com all the trimmings, pude me dedicar às sobremesas. Fiz três—duas para o nosso almoço e uma para o jantar que fomos na casa de uma amiga. Essa de potinhos com creme de limão Meyer ficou incrívelmente deliciosa - very lemony, como eu imaginava que ficaria. Não sei de onde peguei essa receita, provávelmente de algum website, pois ela estava no meu mailbox. Simples e deliciosa!
Meyer Lemon Pots de Crème
2/3 xícara de açúcar
1 ovo inteiro
4 gemas
1 1/4 xícara de creme de leite fresco [heavy cream]
1 colher de chá de raspas da casca do limão Meyer
1/2 xícara de suco do limão Meyer
Pre-aqueça o forno à 325ºF/162ºC
Bata bem o suco do limão, o açucar, o ovo e gemas. Adicione o creme e bata bem. Passe a mistura por uma peneira [esqueci de fazer esse passo...]. Acrescente as raspas de limão.
Coloque o creme em seis* potinhos para sufflé ou custard numa forma larga e funda. Divida a mistura uniformemente entre os potinhos. Coloque água fervendo na forma até a metade dos potinhos. Cubra com papel alumínio e leve ao forno por 35 minutos. Deixe esfriar e coloque na geladeira por algumas horas antes de servir.
*deu para encher cinco potinhos. mas uns ficaram mais cheios que outros, então calculo que se caprichar pra encher igualmente dá pra seis.
| de onde eu chucruto... |
Hoje que eu poderia dormir muito, o quanto quisesse, sem horários, estou acordada e alerta desde às 7am. Levantei, fazer o quê? É o hábito. Estou pensando no ranguinho de Thanksgiving, na viagem do meu filho, na minha viagem. Eu não gosto de viajar e não viajo bem, então tudo relativo ao trajeto vira um estresse. Mas hoje é dia de agradecer, e eu certamente tenho MUITO pra dizer obrigada! Estou com uma leve dor de cabeça causada pelos inúmeros copos de vinho - delicioso Zinfandel, que bebi na festa da minha amiga. O Roux corre atrás do Misty, depois chora quando é enjeitado, o Uriel ainda dorme, o céu está azulzinho, está 6ºC lá fora, estou de roupão de fleece quentinho, pantufas, descabelada, chucrutando da mesa da cozinha, de onde eu sempre chucruto, e vocês podem ver nas fotos.
—o que você vê: comprei o novo Joy of Cooking depois de ler a review da Elise. eu tenho a edição de 1975, que é bem mais magrinha que essa. o californiano Ghirardelli faz um excelente chocolate, da mesma qualidade dos suiços e franceses. minha bolacha favorita que eu como pela manhã, toasts de anisete. mais uma geléia, essa austríaca de wild lingonberry achei no World Market. revistas com as receitas que vou tentar fazer hoje. os limões meyer, meus favoritos. o meu gato Misty. o iBook de onde eu olho para o mundo.
A rainha Faby me conta que um dos melhores amigos do marido dela - um amigo de adolescência, ligou para parabenizá-la pela reportagem no Estadão. Na onda, ele revela uma informação extra: a prima dele também estava na reportagem. Quem é o amigo do marido da Faby? Meu primo Paulo, filho da tia Maria José, que deu a receita do Chucrute com Salsicha para a minha mãe.
A querida Cris está me ajudando a encontrar um lugar legal em Campinas para fazermos um encontrinho dos blogs de culinária quando eu estiver por lá. Ela me escreve pra sugerir um restaurante bem bacana - o Terraço Rosário no shopping Galleria, bem localizado e de fácil acesso para todos. Trocamos algumas informações particulares e rapidamente desdobram-se revelações incríveis: a Cris trabalha na IBM com o meu cunhado Beto, irmão do Uriel.
Estamos todos de uma maneira ou de outra interligados - não tenham e menor dúvida disso!!
| Thanksgiving 2004 em destaque no buffet, a minha famosa torta de tomate | |
Nós costumamos passar o Thanksgiving com a Reidun, a sogra do meu filho. Ela nos convida todo ano, e faz o almoço/jantar com todos os elementos da clássica comemoração americana. Eu curto muito essa celebração, porque é uma festa de família e comida, sem aquela neuras de presentes que é o Natal. Dizem que o Thanksgiving é o feriado mais importante para o americano, deixando até o Natal para trás. Eu entendo o por que disso, e acho fabuloso uma festa para agradecer! Então todo ano vamos para o Marin county no final de novembro e comemos o peru assado - sempre preparado pela minha nora, que passa o dia em função do bicho, temperando e untando de hora em hora com manteiga. Para acompanhar sempre tem batatas em forma de purê ou apenas cozidas - item que não pode faltar na casa de uma norueguesa - além de gravy, cranberry sauce, batata-doce, vagens, ervilhas, cenouras, brussels sprouts, stuffing que recheia o peru e é geralmente servido separado, saladas e pães. Sobremesas de torta de maçãs e de abóbora. Tem sempre um toque diferente aqui ou ali, como a adição de uma salada de palmito ou uma torta de tomate trazidas por mim. Mas no geral o cardápio básico é sempre o mesmo.
Neste ano vamos ter um Thanksgiving diferente aqui em casa. Uma grande amiga da Reidun ficou viúva e ela decidiu passar esse dia na companhia dela. E também o Gabriel e a Marianne embarcam para o Brasil no dia seguinte, então ninguém vai estar com cabeça para assar peru. Eu também não estou, por isso resolvi que vou fazer uma bacalhoada, tudo simples e rápido, pois estou um pouco apavorada com a falta de tempo que vou enfrentar nessas festas de final de ano. Vou chegar do Brasil no dia 16 e vou ter exatamente seis dias para preparar o Natal que vai ser outra vez aqui em casa, com o meu irmão, cunhada e sobrinhas, mais a família da Marianne. Acho que vai ser um potluck Christmas, tudo diferente, como esse Thanksgiving com bacalhau!
Howdy everyone, your baskets are ready to be picked up here at the farm.
Happy Thanksgiving! We hope the veggies in your baskets today will add beauty and farm-fresh flavor to your tables this Thursday. Today’s bounty consists of garlic, “scunions,” broccoli, cabbage, cauliflower, Red Russian kale, arugula, beets, Acorn squash, sweet potatoes, eggplant, tomatoes, parsley, mixed herbs, and escarole. Escarole is a type of chicory, usually eaten raw as a salad green. Its roots are also dried and ground up into a powder, which is used for flavoring various dishes. Some people add a pinch of chicory to their morning coffee… in fact, back when coffee was still a luxury product, chicory was often used as a substitute! You may notice that the escarole leaves have a slightly bitter flavor, but they’re quite tasty in salad with a good dressing, and in soups. We hope you’ll enjoy this new addition to your baskets! Today’s veggies were picked and packed with love by Tracy, Jo, Catherine, Coby, Sophia, Erica, Rachel, Raoul, Su Lan and Dori.
Apesar de eu ser descendente de italianos, na minha casa nunca se fez muita polenta. O macarrão sempre foi o elemento forte e dominante da nossa cultura carcamana. Li ou ouvi que a polenta é mais comum no norte da Itália e minha família veio do sul - Potenza. Além da falta de familiaridade com esse prato, eu ainda tinha um certo preconceito com relação à sua preparação, pois eu sempre achei que dava uma trabalheira sem fim. Imaginava o feitio da polenta envolvendo horas de trabalho intenso, mexendo o fubá sem parar num tacho de ferro com uma colherona de pau. Aquela coisa de criar músculo e suar bicas. Lembro de ter ido uma vez à uma festa típica de uma comunidade tirolesa perto de Piracicaba e como chegamos tarde, ficamos a ver navios, sem comer, pois a venda da polenta tinha se esgotado. Ficamos parados lá no meio da muvuca sentindo o cheirinho e vendo bandejas cheias de pratos com o creme amarelo acompanhadas de frango passarem pra lá e pra cá, sobre as nossas cabeça. Prometemos voltar no próximo ano e comprar os ingressos para a comida antecipadamente, mas nunca fizemos. Embora eu adorasse comer os quadradinhos fritos nas churrascarias, a polenta pra mim sempre foi um prato meio desconhecido, que nunca tive a chance de realmente apreciar.
De vez em quando eu comprava no supermercado uns rolos de polenta pronta, que eu tentava fritar e matar um pouco da vontade de comer aquelas deliciazinhas fritas dos restaurantes brasileiros. Mas nunca consegui replicar a guloseima. Outro dia, olhando a seção das farinhas no Co-op, vi a farinha própria para polenta e decidi que deveria largar mão de ser frescona e arriscar um pouquinho mais nas minhas receitas. Pelas instruções da embalagem, aquilo não parecia ser um bicho-de-sete-cabeças. Comprei um pacote, apertei a ponta do nariz prendendo a respiração e tchiiguuun, mergulhei nas águas desconhecidas da preparação desse tradicional prato italiano.
Nas fotos a polenta já é quase finita! Quando o Uriel falou brincando - essa é a piada da hora aqui em casa agora - você não vai tirar uma foto, já estávamos quase acabando de almoçar. Mas resolvi registrar o evento mesmo assim!
Polenta da Italiana do Sul
Ponha 3 xícaras de água com sal para ferver numa panela de ferro. Quando ferver, adicione 1 xícara da polenta e vai mexendo até engrossar com um batedor de arame - uns 5 minutos, nem chega a cansar! Quando já estava bem grossinha, juntei umas mini-linguiças cortadinhas em rodelas e uma colher de sopa de cebolinha picada, que era o que eu tinha na geladeira. Eu fiz tudo numa panela só, pois sou assim, sempre me arranjo pra ter menos coisas pra lavar. Usei uma panela que vai ao forno. Então por cima da polenta coloquei uma camada de molho de tomate bem grosso - usei um que fiz dos meus tomates da horta e congelei. Penerei o molho pra não ficar nenhum pedacinho de tempero. Por cima do molho coloquei fatias de dois tipos de queijo - Panela e Provolone, que era o que eu tinha na geladeira. Coloquei no forno por uns 30 minutos. Ah, ficou tão boa que nem acreditei! Eu fiz polenta! Eu fiz polenta!
Na barraquinha do Farmers Market essas frutinhas estavam sendo vendidas como um tipo de goiaba mexicana, cultivadas na Califórnia. Experimentei uma e achei o gosto bem parecido com a goiaba mesmo, só que com bem menos sementes e uma polpa incrívelmente perfumada. A casca é amarga e é mais comum se comer só a polpa, com uma colher. Foi o que fizemos hoje no almoço. Depois fui dar uma pesquisada na frutinha e descobri que ela é original do extremo Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Quem diria, hein? Tantos anos no Brasil e nunca tinha visto uma dessas...
| the making of the meat loaf |
Outro dia eu encasquetei que tinha que fazer um meat loaf, um bolo de carne. Acho que já dei bandeira suficiente de que a carne não é o prato principal e o foco das minhas cozinhações. Mas eu faço e como carne. Nesse dia quis usar uma boa carne moída que tinha comprado. Notem, carne móida é uma das coisas que mais me enojam e que tenho dificuldade para comer, se a qualidade não for excelente e se o prato não for super bem preparado. Lembro no final da década de 80 quando teve uma crise da carne, não lembro por que. Fomos jantar na casa de uns chilenos em Piracicaba e a anfitriã preparou uma lasanha cheia de carne moída no molho. Era um 'treat", pois a carne estava caríssima, mas eu catei toda a carne moída e arrastei pra um canto do prato - picky! A anfitriã mostrou uma visível irritação e me perguntou se eu não comia carne. Eu respondi que tinha nojo de carne moída. É vero, mas não é uma coisa que domina o meu cotidiano. Então nesse belo dia de novembro em Davis, eu resolvi fazer um prato com carne moída.
Primeiro devo dizer que essas fotos não me agradam. Gosto da pornografia das frutas, verduras, pães, massas, doces. Já a carne crua é hard core, é muito explícita. Mas superei minha ojeriza e repulsa pra poder mostrar o making of desse bolo.
Eu não compro farinha de pão. Sempre que uma receita pede farinha de pão, eu uso o mini-food processor e preparo um tantinho, com qualquer tipo de pão seco ou bolacha salgada que esteja dando sopa. Sempre tenho essas bolachas suecas ou norueguesas, que usamos pra comer com queijo. Elas dão uma farinha bem nutritriva. É com ela que faço o bolo dar liga. O tempero pra carne móida varia. Desta vez foi: cebola, sal, pimenta do reino, cebolinha picada e mostarda preparada - que sempre substituí o ovo - eu não suporto a idéia de ovo misturado com carne, acho que já disse isso antes. Entao, mistura tudo com as mãos e prepara o bolo.
Desta vez decidi fazer recheado. Uma camada de carne moída temperada, outra de milho fresco ralado e temperado com um pouco de sal e um fio de azeite, outra de bacon frito, outra de carne moída temperada. Forno médio por 30/40 miinutos. Pode servir com arroz branco e salada verde, que foi o que eu fiz.
Essa história já foi contada e recontada na minha família zilhões de vezes. Virou uma fábula.
Quando eu ia ao Rio, ou ela ia a Campinas era comum passarmos as noites em claro conversando. Como a gente conversava, e como curtíamos a companhia uma da outra. Na última vez que fui ao Rio visitar a minha prima Helô, os nossos convercês atravessaram as madrugadas, o que era um tantinho sacrificante para os nossos filhos - o meu Gabriel com uns seis anos, e o Pedro dela, com uns quatro. Acordávamos tarde, tomavamos aquele café da manhá longo e ficávamos na mesa conversando, conversando... Íamos jantar super tarde, era uma bagunça geral. Pobres crianças, filhos inocentes de duas malucas.
Num belo domingo, levantamos super tarde, tomamos café e ficamos na mesa até tardão, nem pensamos em almoço nem nada, até que alguém sugeriu irmos comer numa churrascaria rodízio. O marido da minha prima era amigo do dono do lugar, então o cara ofereceu um desconto para a nossa mesa. Beleza pura! Sentamos para comer e o Gabriel simplesmente desembestou. Encheu o prato com tudo que era possível e toda carne que era oferecida ele aceitava. Ficamos de olhos esbugalhados olhando o guri comer. E como ele comeu! Na hora de pagar, o dono da churrascaria falou - olha, vou dar o desconto como prometi, mas vou ter que cobrar aquele menino como adulto, pelo tanto que ele comeu.
O marido da minha prima pagou a conta e voltou rindo, inconformado, nos contando o ocorrido. Começamos a rir também, quando vimos um garçon se aproximar do Gabriel e ouvimos ele pedir - dá pra você pôr os restos num MARMITEX que eu vou levar pra casa?
Pobre guri, filho de uma mãe desnaturada, estava tentando se prevenir. Vai que não tivesse almoço no dia seguinte! Até hoje não me conformo - que dóóóó!!!!
Eu me considero uma excelente anfitriã. Recebo meus hóspedes muito bem, com corforto e salamaleques. Preparo o quarto, a cama fofinha, ponho um vaso de flores na mesa de cabeceira, barrinhas de chocolate, toalhas macias no banheiro, carafe com água fresquinha, roupão e pantufas felpudas. Faço café da manhã caprichado, sempre procurando agradar - ovos mexidos e café para uns, chá e presunto com tomate e mostarda para outros. Mas todo mundo está sujeito a cometer aquela gafe histórica. A minha aconteceu na primeira vez que eu hospedei a sogra do meu filho. Ela não podia ficar com o Gabriel e a Marianne porque eles ainda moravam na minha guest house - que embora seja uma guest house, naquele momento não servia para acomodar nenhum guest.
Tudo bonitinho, arrumado, a sogreta instalada e confortável, fomos dormir. No dia seguinte acordei com o som da voz da minha hóspede - ela fala alto e acorda cedíssimo. Pensei, vou levantar e descer pra fazer o café. Mas juro - J-U-R-O - que ouvi a voz do Uriel no meio do blábláblá. Fechei os olhos e resolvi dormir por mais alguns minutos, reconfortada pela idéia de que ele estava na cozinha e iria pelo menos fazer o café, colocar as xícaras na mesa, me daria um tempo extra curtindo a cama. Quando finalmente levantei e desci, crente que a minha hóspede já estava bebendo o seu sagrado café preto, encontrei as duas - mãe e filha, conversando na cozinha e combinando um lugar para sair e tomar o café da manhã. Não era o Uriel dialogando com ela, pois ele tinha acordado mais cedo que todo mundo e já tinha saído. Quase enfartei de vergonha!! Preparei um super café e aprendi a minha lição - anfitriões TÊM que levantar ANTES dos hóspedes.
Mas a história não acabou aí. A gafe teve repercussão, pois da próxima vez que a sogra do meu filho veio passar a noite na minha casa, ela trouxe uma GARRAFA TÉRMICA CHEIA DE CAFÉ na mala. Pra se garantir na manhã seguinte.
» abri um livro de receitas que eu não abria há anos e encontrei esta foto marcando uma página. que fofurice! sou eu, com uns cinco anos, já banguela e rindo sem mostrar os dentes [que acabou virando uma caracteristica minha] e meus irmãos, Paulo Eduardo [com a cabeça deitada na mesa] e Carlos Augusto. a Leandra, minha irmã, devia ser um bebê, nem apareceu na foto. eu me lembro dessa mesinha, pintada de azul clarinho, que usávamos pra tudo. neste dia estávamos fazendo algum artesanato. talvez não dê pra ver muito bem, mas eu tenho um curativo, com esparadrapo e gase, num dos pés. eu era a rainha dos acidentes e machucados. ainda sou, né?
* post reciclado do The Chatterbox.
A receita é sempre a mesma. Não tem segredo algum e fica delicioso. Bom pra acompanhar qualquer carne, pra rechear sanduiches, pra comer com bolo, com iogurte, seja criativo!
Cranberries lavadas, açúcar mascavo, raspas e suco de uma laranja, cozinha, cozinha cozinha, até engrossar. Mexe de vez em quando. É só isso!
Li que a França vai proibir que se fume em lugares públicos a partir de 2007. Estou muito mal acostumada com as leis anti-fumo super restritas da Califórnia, onde não se pode fumar quase que em lugar nenhum. No campus da universidade, por exemplo, só se pode fumar pra fora e afastado vinte yards [18 metros] de qualquer prédio, porta ou janela. Os fumantes são realmente marginalizados. Isso pra mim é o paraíso, já que cresci e vivi uma parte da minha vida adulta dividindo carros, ônibus, elevadores, salas, restaurantes com seres baforantes - e que baforavam na sua cara sem o menor constrangimento. Pra mim, ver essas medidas serem adotadas mundialmente é como se eu estivesse me vingando pessoalmente de cada fumante sem educação que nunca pensou que eu não tinha escolhido - como ele - fumar. No ano passado em Montpellier, na França, fomos à uma pizzaria e sentamos isolados na nossa mesinha rodeados por mesas ocupadas por pessoas fumando. E elas fumavam ANTES, DURANTE e DEPOIS da refeição. Me senti viajando no tempo, direto pros meus anos de criança e adolescente no Brasil e realmente me deu raiva. Meu pai - um ser fumante - uma vez elogiou os CINZEIROS que ele viu nos ELEVADORES em Portugal. Eu me imaginei num pesadelo presa num deles, com alguém fumegando, fumegando... Felizmente aqui nem se acha mais cinzeiros pra comprar!
O último final de semana foi prolongado, com o feriado do dia dos veteranos - aqui só tem feriado cívico, com exceção do Natal. Então tive tempo para ir às compras. Precisava ir ao Trader Joe's e terminar minhas compras da viagem. Fiz todas as coisas de loja que tinha que fazer - incruzive consegui catucar e sangrar o zóio enquanto experimentava casualmente uns óculos escuros numa loja. Por causa desse trancetê todo, não exercitei minhas fascinantes e refinadas técnicas culinárias. Mas inventei bastante moda.
Na sexta-feira, um Farfalle com molho de Roquefort.
Cozinhei os farfalles na água e sal. Fiz um molho branco, receita de um livrinho antigo de comida italiana. Numa panela derreta uma colher de sopa de manteiga. Acrescente uma colher de sopa de farinha de trigo e mexa bem com o batedor de arame. Junte 1 xícara de leite, vai batendo bem rápido para não encaroçar. Pode colocar uma colher de chá de noz moscada ralada. Cozinhe mexendo sempre até engrossar. Desligue o fogo e acrescente um triangulo grande de queijo roquefort picadinho, mexa bem até o queijo derreter completamente e o molho ficar bem grosso. Misture ao Farfalle cozido e sirva com uma salada verde, que foi o que eu fiz.
No domingo um Purê de Abóbora e Batata Doce, que acompanhou um lombinho assado.
Cozinhe a abóbora e batata num pouquinho de água. Quando elas estiverem bem molinhas, escorra a água, amasse bem com um amassador perfurado. Acrescente meia xícara de creme de leite fresco, uma colher de sopa de queijo parmesão ralado, sal e pimenta do reino a gosto e ciboulette picadinha. Misture meia xícara de queijo Gouda - ou qualquer queijo de consistência firme e sabor forte. Misture bem até o queijo derreter e sirva.
Muita gente diz brincando que Davis tem duas estações - verão e inverno. A primavera até que é longuinha, mas o outono, não sei, passa voando. Um dia estamos com uma jaqueta leve, um xale ou uma echarpe esvoaçante e de repente - pumba - já estamos embrulhados em mil camadas, casacos, luvas, cachecol, touca. Hoje vesti uma touca de lã voltando do almoço, pois estava duro de bicicletar no chuvisco gelado. O cara que cantou que iria pra Califórnia viver a vida sobre as ondas certamente rumou para o sul e não aqui para o norte, onde não dá pra pegar praia nem no verão e o inverno é chuvoso e cheio de nevoeiros. Mas temos San Francisco, Napa Valley e Lake Tahoe pra compensar!
Todo ano eu demoro mesmo é pra acostumar com a noite chegando às 4:30 da tarde, como hoje. Vou buscar a minha cesta orgânica à noite! É demais. Parece que já é muito tarde e dá um desânimo ter que lavar aquele monte de verduras - porque com o frio chegam as folhas verdes - swiss chard, espinafre, alface lisa e crespa, rúcula, red russian kale, bok choy, acelga, repolhos, collards, chicória. E aí é um tal de lava, lava, lava, lava, lava, lava....
A técnica precisava fazer alguma coisa no meu computador e me mandou passear por quinze minutos. Eu corri pra biblioteca da universidade, pra aquelas prateleiras da seção TX, no terceiro andar. Fui olhar os livros de culinária. Parei numas encadernações cor de laranja e ali fiquei - exemplares da revista Gourmet da década de 40 até hoje. Peguei o volume de 1941, que fui ler em casa, à noite. Comparada com a revista de hoje, aquelas eram realmente simples, pra não dizer simplérrimas. Pouquíssimas fotos, muitas ilustrações e as receitas inseridas no meio dos textos, o que dificulta muito a seleção e mesmo a execução. Uma revista bem textual, o que hoje seria completamente irreal, já que as revistas de gastronomia pecam pelo exagero visual. Mas pra compensar, a Gourmet de 1941 tinha textos da M.F.K. Fisher - e seu livro anunciado por $2! Manual para domésticas, presentes para gourmets, muita propaganda de bebida e muitas páginas com texto, texto, texto. Interessante comparar como muita coisa mudou - melhorou ou piorou. Agora quero pegar os volumes de 1943, 44 e 45, quando os EUA já estavam na guerra, pra ver como as restrições impostas pelo conflito refletiu nas páginas da revista.
*Clique nas fotos para vê-las em tamanho maior.
Pelo menos agora as pessoas já sabem o que é um blog. Ou pelo menos têm uma idéia. Blogs de culinária formam um segmento muito especial, e são realmente uma delícia. Já estava mais que na hora de começarmos a aparecer. Então a Renata teve a idéia e a colocou em prática, escrevendo uma super simpática reportagem sobre os food blogs para o jornal O Estado de São Paulo. Estão lá as Rainhas do Lar, a Tatu do Mixirica, a Dadivosa e esta persona Chucrute com Salsicha, of course!
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A maior fruta cítrica do mundo, natural da Malásia e cultivada na Califórnia. O gosto é bem similar ao da grapefruit, mas quando se abre o pommelo, sente-se um perfume intenso. Muita casca pra acomodar a polpa suculenta e doce—nós comemos a fruta fresca com a colher serrada.
| 2005 Chardonnay |
Parece uma brincadeira, mas não é! Esse é mesmo o rótulo do vinho, um Central Coast Chardonnay produzido em San Miguel, Califórnia. Falando em rótulos inovadores... Hello!!
Berinjelas cortadas em cubinhos e assadas + tomates secos picados + salsinha + azeite + sal + pimenta do reino moída + vinagre de vinho tinto = h_mmm_hmmm_mmmmm!!
Eu adoro essa salada de atum que faço há anos. Acho que inventei a mistura, nem me lembro, mas só faço essa receita, nunca canso. E poderia comê-la todo santo dia. Assim, com umas folhas de alface e um pão integral torrado com um fio de azeite - um almocinho perfeito! A receita da salada de atum já foi publicada AQUI.
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| Vanilla Garlic — Chucrute com Salsicha — Simply Recipes |
Umas das receitas que me fisgaram no livro da Helen Brown foi esse pão de cranberries, que na verdade é um bolo. Bandon é o nome da cidade no Oregon considerada a Capital nacional do cranberry. A receita é facílima e o pão/bolo fica macio e picante, com as ácidas cranberries escondidas na massa.
1 xícara de cranberries frescas
1/2 xícara - 8 colheres de sopa de açúcar
1 ovo
2 colheres de sopa de manteiga derretida
2 colheres de chá de raspas de laranja
1 1/2 xícara de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal
1/2 xícara de leite
1/2 xícara de nozes picadas
Pique as cranberries e salpique com 3 colheres de sopa do açúcar. Bata o ovo, a manteiga, as 5 colheres restantes de açúcar e a casca de laranja. Acrescente as cranberries picadas. Junte a farinha que foi misturada com o fermento e o sal. Misture, acrescente o leite e misture bem, vigorosamente. Adicione as nozes picadas e coloque a massa numa forma de pão untada com manteiga. Asse um forno pré-aquecido em 350ºF/176ºF pou uma hora. Deixe esfriar e desenforme.
* pro meu gosto as nozes são perfeitamente dispensáveis.
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Esse foi o último livro que eu abri, depois de ter escrutinizado todos os outros. Abri já sabendo que a Helen Brown era amicíssima do James Beard e que ela é considerada a mulher que colocou a culinária do oeste americano no mapa mundial. Pois então abri finalmente o livro e não consegui mais fechar. Marquei tantas páginas com post it coloridos que perdi a conta. Quero fazer mil receitas! O que me encantou nesse livro foi ver todos os produtos dos estados da Califórnia, Oregon e Washington protagonizando e estrelando nas maravilhosas receitas - amêndoas, azeitonas, laranjas, queijos, salmão, frutos do mar, cranberries, abacates, pistachio, morangos, pêssegos - uma lista interminável.
O bacana do livro da Helen Brown é que também ela dá receitas do tempo dos pioneiros, do oeste, da corrida do ouro, dos indígenas e conta um pouco a história gastrônomica desse lado do país, que foi desbravado na metade do século 19.
Ela dá a receita do pão feito na frigideira sobre um fogo aberto nos acampamentos dos pioneiros - o flapjack, e conta das frutas secas e mel que os indios usavam para adoçar o paladar, já que açúcar só apareceu mais tarde trazido pelos mexicanos - o mascavo em forma de cone. Ela também conta da catinga de salmão que os indios emanavam, pois defumavam o peixe constantemente, fazendo provisão para a baixa temporada.
Ainda estou degustando Helen Brown's West Coast Cook Book, e como já renovei o livro três vezes na biblioteca, decidi comprar o meu próprio - for keeps! Comprei a mesma edição da biblioteca, de 1952, usado, pois não encontrei uma edição atual e nova.
Comprei diferentes variedades de abobrinhas no Farmers Market. O primeiro sinal de que a temporada de algum produto está no final, é quando ele some da cesta orgânica semanal. Já aconteceu com as abobrinhas, então resolvi comprar no mercado para um farewell. Para fazer essa salada me baseei numa receita de courgettes à francesa do livro Is There a Nutmeg in the House? da Elizabeth David.
Corte as abobrinhas e cozinhe no vapor.
Não cozinhe muito, pois elas precisam ficar crocantes e não molengas.
Coloque num prato, deixe esfriar.
Prepare o molho com:
1/2 xícara de iogurte grego
Suco de 1 limão verde
Sal e pimenta do reino a gosto
Ciboulettes [Chives] picadinha
Azeite extra-virgem a gosto - usei um orgânico produzido aqui na Califórnia e vendido pelo Trader Joe's que é uma coisa impressionante, cheiroso e com uma cor esverdeada que eu nunca vi num azeite antes.
Misture bem com o batedor de arame e sirva sobre as abobrinhas.
Usei esse molho com pepinos e também ficou ótimo.
Eu tenho uma obsessão por geléias. Não tenho uma explicação lógica, mas acredito que deve ser pelo fato delas serem feitas com frutas, e de terem infinitas possibilidades de variações e misturas. Eu compro vidros compulsivamente! Minha despensa e geladeira abrigam inúmeros vidros de geléias inglesas, francesas, dinamarquesas, turcas, suecas, havaianas, além das feitas localmente, por algum amigo ou comprada no Farmers Market. Algumas encalham, pois são muito doces, ou não fazem a minha cabeça - ou seria estômago? Gosto particularmente das marmelades inglesas feitas de diferente tipos de laranja, quase sempre com casca. Gosto do amarguinho. Também gosto de um bom lemon curd, que não é bem uma geléia, mas eu uso como se fosse. Mas tem que ter mais limão do que açúcar e tem que ter uma cor bem cremosa, e não ser transparente. Vou testando e acumulando - todos os tipos de berries, figo, goiaba, laranja, limão, maçã, ameixa, pêssego....
Uma das melhores que já comprei e provei é essa de figo, que uma moça de Winters faz e vende no Farmers Market. Essa geléia é perfeita: feita de uma fruta que eu adoro, sem preservantes e com pouco açúcar - realçando o sabor da fruta. Ela ainda dá um toque especial, usando açafrão na receita. Gostei tanto que comprei um estoque, pois não sei por quanto tempo ainda esse produto estará disponível no mercado. Gosto de misturar a geléia com iogurte comum ou grego. Fica delicioso!
Uma curiosidade:
Jam - é a geléia feita com a fruta, polpa e casca.
Jelly - é a geléia feita somente com o suco da fruta.
6:30pm: trimtrim, alô, e aí vem jantar, só estou terminando um negócio, ihh, não, é sério, em meia hora eu te ligo e vamos comer em algum lugar, tá, tchau, um beijo, outro.
7pm: resolve fazer uma sopa de milho, vê que tem pão fresquinho e queijo suiço pra acompanhar, refoga cebola, milho, caldo de galinha, salsinha picada, vrumvrumvrum tritura a mistura, creme de leite, desliga o fogo.
7:30pm: cd da Motown, dança, dança, assusta o gato, lê um caderno do jornal, outro caderno, senta, levanta.
7:45pm: música, música, pega uma revista, senta, lê, morre de rir, levanta, dança, assusta o gato de novo, termina de ler a revista.
8:15pm: trimtrim, alô, assim não tem condições, o que foi, você sabe que horas são, ew, não.., vou jantar sozinha mesmo, mas não íamos sair pra comer fora juntos, ah, deu até tempo de fazer uma sopa, mas que horas são, você não disse que iria ligar em meia hora, é.., já se passaram quase duas, oh..., eu li o jornal, a revista, agora chega, então quando eu chegar, cheguei, é, quando você chegar, chegou, tchau, um beijo, tchau, outro.
* post reciclado do The Chatterbox de novembro de 2004 - certas rotinas não mudam nunca!
The adorable cakegrrl published the pictures of all the food we had at our Sacramento area food bloggers potluck yesterday!
Nem preciso dizer que fiquei desde ontem em função do potluck dos food bloggers de Sacramento organizado pelo Garrett. Corri para o supermercado atrás do bacalhau. Só achei uma caixinha de meio quilo, o que agora eu acho que até teria dado para todo mundo ter um taste da receita de Bacalhoada a Gomes de Sá. Mas a exagerilda não ficou convencida que daria e comprou então uma tonelada de salmão selvagem, e decidiu preparar a tal Moqueca da Paula que sempre agrada gringos e troianos. Comprado o salmão, nem preciso dizer que sonhei com panelas e que acordei cedo e passei a manhã voando com a capa da wonder woman, fazendo mil coisas como uma enlouquecida. Fui até ao Farmers Market no último minuto, porque na minha opinião de excessivilda acho que nunca tenho ingredientes suficientes, fico sempre encucada que não vai dar para todos, essas coisas de gente obcecada. Fiz um panelão de moqueca e outro de arroz, ainda levei limões, vinho e um liquidificador pro Garrett, pois ele disse que não tinha um. Uns minutos antes de sair de casa me deu um pequeno pânico, pois na verdade eu não conhecia ninguém, só o Garrett e o Brendon, mas também só conhecia de ler os blogs. Daí fico com aquela paura nerviosa de não conseguir me enturmar, de só falar besteira, de ficar purfa dos assuntos, das pessoas não irem com a minha cara, de me sentir um peixão fora d'água, de tropeçar bem na entrada e derrubar o panelão de moqueca no carpete, ou de salgar muito, ou de esquecer de por sal, ou de ninguém comer minha comida, ou de alguém achar um cabelão boiando no molho, ou da moqueca dar caganeira nos convivas, tudo isso, ou nada, deu pra dar uma abalada geral e até passar pela cabeça - por um segundo - de me fingir de morta e não ir. Mas fui, porque disse que iria e porque queria muito conhecer o Garrett, que eu acho um cara super legal e divertido.
Cheguei lá carregando os panelões, tentando não suar, nem descabelar, e fui tão bem recebida, conversei com quase todo mundo, falei pelos cotovelos, fiz mil perguntas, falei altão na frente de todo mundo - coisa raríssima de alguém me ver fazer calmamente, sem quase desmaiar de nervoso - falei do Chucrute com Salsicha, dei os ingredientes da moqueca, que todo mundo comeu e gostou. Eu também comi muito, e bebi um tantinho além do que devia, fui fotografada rindo com todos os meus dentões à mostra - forçada pela Elise, que é uma simpatia, muito diferente da figura séria que eu achava que ela era. Mike Dunne, o crítico de vinhos do jornal de Sacramento também estava no nosso potluck, e eu adorei a esposa dele com quem conversei muito, e a salada de agrião com pêra que eles levaram, que apesar deles avisarem que tinha alho, eu comi. Ouvi algumas histórias legais, como a da Madeline que escreve sobre a Rachel Ray, da Jennifer e seu Sacotomato e da fethiye e seu Yogurt Land. Acho que eu não peguei o nome de todo mundo, minhas fotos ficaram uma droga porque eu bebi e a bateria acabou antes da comilança começar - isso sempre acontece comigo! Acho que vamos ter um encontro desses duas vezes por ano, no outono e na primavera. Eu adorei participar desse, mesmo sendo o único blog numa lingua estrangeira, que quase ninguém lê, embora alguns desejem ler. Eu me desculpei e expliquei que sou lazy, sou teimosa, e só consigo chucrutar em português, I just can't help it!
Muita gente deve achar um tédio comer apenas os produtos de temporada. Eu não acho. Muito pelo contrário, pois descobri que comendo verduras, legumes e frutas da temporada você ganha em sabor. Não tem como comparar uma fruta ou um legume colhido naquela manhã, ou naquela semana, ali numa fazenda na sua região, trazida madurinha e fresquinha pra feira, sem precisar percorrer zilhometros de trem, avião, caminhão, tudo sob refrigeração. Um tomate de época - delicioso! Um tomate fora de época, colhido verde num outro lugar do mundo e refrigerado para aguentar o longo caminho até as gôndolas do supermercado - gosto de nada!
Sabemos que as fruitas frescas são uma tradição do nosso Natal brasileiro e que nessa época sempre achamos cerejas vindas do Chile para completar o nosso lindo arranjo natalino. Eu demorei pra me acostumar a um Natal sem pêssegos, abacaxis, nectarinas, cerejas, mangas - o que mais? Meu primeiro Natal no Canadá foi traumatico. Mas acostuma-se, adapta-se, tudo tem seu lado bom. No primeiro Natal do meu irmão aqui nos EUA, fomos a Los Angeles para festejar com ele e sua família. No arranjo da mesa da ceia havia uma linda bandeja com frutas - uma delas, cerejas. Estamos na Califórnia, alright, mas isso ñao quer dizer que vamos encontrar cerejas fresquinhas year-round. No verão as cerejas são abundantes, carnudas, suculentas, dulcíssimas! No inverno, elas vêem também lá do Chile, como as das mesas brasileiras, só que aqui elas chegam com gosto de NADA, além de custarem uma fortuna. As cerejas do Natal na casa do meu irmão foram uma decepção....
Fiz a mesma burrice quando uma vez fui atacada por um sentimento de nostalgia e comprei damascos, vindos de sei lá onde, em pleno inverno. Nossa senhora, não tinha nem comparação com o sabor dos nossos damascos californianos, as frutinhas douradas que iluminam o nosso verão!
Então hoje me abstenho de consumir produtos fora de estação - fico com o que vem na minha cesta orgânica - que é totalmente sazonal, e o que vejo pelo Farmers Market. Eu aproveito a frescura e o sabor dos alimentos e ainda contribuo para uma agricultura local sustentável, apoiando e consumindo dos produtores da minha região. Portanto, se quer meu conselho, não invente moda e não insista em querer fazer aquela receita de torta de tomate nesta época do ano, pois agora a Inês já é morta!. Tomates bons, só no próximo verão!
Aproveitando dois produtos de outono - butternut squash e sweet potato [abóbora e batata-doce], fiz uma sopa improvisada que ficou surpreendentemente deliciosa.
Sopa cremosa de abóbora e batata-doce
Cortei meia abóbora em cubinhos. Usei três batatas-doces pequenas, que já estava cozidas, mas podem ser usadas cruas também, cortadas em cubinhos. Refoguei no azeite meia cebola picadinha e um dente de alho. Acrescentei a abóbora e a batata. Refoguei mais uns minutos. Joguei um litro de caldo de galinha e uma xícara de vinho branco. Sal e pimenta moída a gosto. Deixei cozinhar por uma meia hora. Triturei tudo com o processador manual - pode ser no liquidificador também. Acrescentei meia xícara de crème fraîche - pode substituir por creme de leite - bati bem com o batedor manual. Desliguei o fogo e antes de servir acrescentei bastante salsinha fresca picada e láminas de amêndoas torradas.
Isabella Beeton é um ícone inglês. A Martha Stewart da era vitoriana. Uma moça fina, que casou e morreu cedo, e na sua breve carreira como a mistress de uma grande casa na Inglaterra do século 19, ela foi a dona de casa perfeita, ou quase perfeita. Não só fez tudo que era exigido de uma senhora de classe, como escrerveu um dos livros mais completos de economia doméstica. Mrs Beeton's Book of Household Management é considerado a biblia das donas de casa inglesas do seu tempo. O que essa mulher fez em tão pouco tempo foi incrível. Casou-se aos 20 anos, teve vários filhos, escreveu o calhamaço de mais de mil páginas e morreu de infeçcão pós-parto aos 29 anos. No livro de Mrs Beeton você pode encontrar informação para tudo - receitas de comida, de produtos de limpeza, descrição minuciosa de todos os itens necessários para se gerenciar uma casa - funções individuais, tanto da mistress quando dos empregados, custos, despesas, como montar uma cozinha eficiente, descrição detalhada dos alimentos, como receber, como visitar, trabalhos manuais, cuidados com a higiene, cuidados na gravidez, com os bebês e crianças, descrição de doenças e tratamentos, e o que mais você conseguir imaginar. As receitas de Isabella são um caso à parte. Ela não só listava os ingredientes em quantidades exatas - a precursora das receitas com medidas - como explicava tudo muitro bem explicadinho, para senhoras jovens recém-casadas, ainda na fase de aprendizado, poder entender. E ainda dava o tempo que levava para preparar o prato, mais a disponibilidade dos ingredientes nas diferentes épocas do ano, a quantidade de pessoas que o prato poderia servir e, pasme, o custo do preparo da receita! Martha Stewart não nasceu ontem! Um pequeno detalhe, que só foi descoberto anos mais tarde, é que a rainha do lar vitoriano era na realidade uma plagiadora. Ela simplesmente copiava informações de outras fontes e compilava como se fosse de sua autoria no seu livro. Apesar dela merecer o mérito pela reorganização e esmiuçamento da informação, ficou explicado como ela pôde fazer tanto com tão pouco tempo e experiência. Não disse? Martha Stewart não nasceu mesmo ontem!
* O livro de Isabella Beeton está hoje no domínio público e pode ser lido na integra AQUI e AQUI. As fotos, tiradas da Wikipedia , são também do domínio público.
Recebi um e-mail do meu host pela manhã, avisando da renovação do domínio chucrutecomsalsicha.com. Como eu escolhi não colocar datas nos meus posts neste blog, não estava nem lembrando que há exatamente um ano me deu um faniquito, comprei o dominio e passei o dia montando o meu mais novo blog - finalmente, um espaço para eu escrever só sobre culinária. Os primeiros textos no Chucrute com Salsicha foram publicados no dia primeiro de novembro e até hoje eu não entendo como demorei tanto para abrir essa cozinha ao público.
Escrevi muito sobre todos os assuntos no blog mãe, até que em 2002 eu passei os assuntos de cinema e tevê para o Cinefilia, o blog que eu divido com o meu querido amigo Moa. Mas continuei escrevendo sobre comida e publicando minhas fotos food porn no The Chatterbox. Foi somente em novembro de 2005 que finalmente vi a luz, e separei os assuntos culinários definitivamente. Foi a melhor coisa que eu fiz! Adoro esse espaço e as novas possibilidades, assuntos e relacionamentos que ele me proporcionou. Viva!
Esse bolo eu fiz pro aniversário do Gabriel em 2005. Ele pode exemplificar perfeitamente o meu estilo Chucrute com Salsicha, que se empenha com determinação, mas nem sempre alcança os melhores resultados e o visual mais charmoso. Um bolo tortinho, uma torrada queimada, os legumes cortados desiguais, uma salada sem azeite, uma sopa muito salgada, um tropeço aqui, outro lá, mas eu nunca desisto. E vamos sempre em frente!
