Uma das coisas boas de viajar é poder provar comidas diferentes. Eu não sou fã de viagens, especialmente do trajeto ida-volta e dos confinantes avião, carro, trem, navio. Mas curto ficar uns dias fora, deixo bem claro: UNS DIAS! Quando viajo - e até que tenho viajado, pois apesar de cabrita empacada quero conhecer o mundo, me divirto com a parte de alimentação. No Brasil é sempre uma farra gastronômica, um empanturramento pantagruélico. Em outros países é aquele excitante e zeloso pisar em ovos, um cuidado com o que pedir, decifrar os hieróglifos da escrita e fala desconhecida, morder com curiosidade e temor, se surpreender e se deleitar com novos sabores. Sempre que viajo faço uma visita ao supermercado local. Pra mim é uma diversão, tanto quanto bater ponto nos cartões postais turísticos, ou pensando bem, melhor! Fico horas vagando pelos corredores, olhando ou lendo embalagens, descobrindo coisas novas, ou até mesmo a grande surpresa: isso tem lá em Davis!
Mas minha visita mais longa e inesquecível à um supermercado, foi a segunda que fiz ao Real Canadian Superstore. Na primeira, fui acompanhada pela pentelhuda da prima do meu marido, que deu palpite em tudo e me guiou pelo supermercado conforme o esquema dela, jogando coisas que ela comprava mas que eu nunca compraria no meu carrinho, falando pelos cotovelos e não me deixando ver, nem decidir nada. Fomos pra casa, eu guardei as trancas que ela me fez comprar e no dia seguinte voltei lá de bicicleta. Passei quase três horas dentro do lugar, que era enorme, olhando corredor por corredor, prateleira por prateleira, produto por produto, tentando me familiarizar com as diferenças, me inteirar das novidades, decifrar ingredientes e planejar os novos rumos da minha maneira de cozinhar dali pra frente.
Eu vou pulando de livro em livro. Não tenho vergonha de confessar a minha volubilidade. Pulei desta vez para Serve it Forth da M.F.K.Fisher, e li um capítulo muito apropriado entitulado On Dining Alone, onde a autora primeiro conta a divertida aventura gastronômica de Biddy, uma garota de dezesseis anos que descobre os prazeres da mesa soziinha num restaurante kosher em Los Angeles.
Logo a seguir, Fisher descreve o homem que sempre jantava sozinho num restaurante que ela frequentava. Ele sentava-se num mesa de canto, vestido de maneira formal e antiquada. O homem comia frugalmente e bebia meia garrafa de vinho acompanhando a comida. E para sobremesa ele sempre pedia a mesma coisa: um abacate, que era trazido até ele envolto num guardanapo. O homem apalpava a fruta delicadamente e a cheirava, então fazia um sim com a cabeça, aprovando. O abacate era então cortado ao meio com uma faca de prata e o homem retirava a casca e a semente de um lado, colocava a fruta delicadamente no prato e enviava a outra metade de volta para a cozinha. Açúcar de confeiteiro era então trazido e colocado na cavidade da fruta. Finalmente o Sommelier aparecia com uma garrafa de kümmel russo em formato de urso e colocava um copo cheio da bebida sobre açúcar, esperava o homem aprovar e se retirava. O kümmel desaparecia na montanha de açúcar colocada no centro do abacate, enquanto o homem mexia e amassava a fruta com delicadeza. Finalmente ele comia, colherada após colherada...
Adorei essa história, e fiquei incrivelmente inspirada par testar novas maneiras de comer o abacate!
Passei por ela na lojinha de antiguidades e ganhei uma piscadela - hey, you're a swell gal! No mesmo minuto decidi que ela seria minha. Impossível resistir à uma jarra com essa cor e esse design moderno - tão típico da década mais bacana do século vinte - os anos trinta.
Li em algum lugar uma receita assim, de couve-flor com gorgonzola e fiquei bem animada, pois ainda tinha um buquê da couve que comprei para o risotto. Também tinha um tantinho de gorgonzola, que queria gastar, depois do trauma da abóbora! Não achei a receita, então foi sem mesmo.
Assei os floretes de uma couve-flor pequena regados com azeite em forno alto. Numa panela fritei um dente de alho num pouquinho de azeite. Juntei os floretes assados e 1 litro de caldo de legumes. Deixei ferver por uns minutos e então triturei a couve-flor dentro da panela mesmo, com o mini-mixer de mão. Voltei a panela para o fogo e acrescentei meia xícara de half-half [pode ser creme de leite fresco], o gorgonzola [que deu mais ou menos uma colher de sopa] e um cubinho de queijo brie que eu queria terminar. Deixei o queijo derreter, desliguei o fogo, coloquei sal e pimenta do reino moída na hora a gosto. Voalá! A sopa ficou cremosa com pedacinhos molinhos da couve-flor e como o gorgonzola desta vez foi discreto, o sabor predominante foi mesmo o do legume.
Na minha chumbada panelinha de cast iron. Comprada baratotalzinha na thrift store, mas que é simplesmente perfeita para cozinhar ovos!
Faz tempo que estou pensando numa coisa e hoje fui checar alguns websites listando cafés em Saskatoon, Saskatchewan. Num deles, cliquei num mapa e quando vi os nomes das ruas e dos parques da cidade onde morei por tantos anos, senti meu coração doer daquele jeito estranho que só as memórias do passado conseguem fazer doer. Isso aconteceu porque lembrei de uma coisa boa dos meus invernos em Saskatchewan. E era obviamente uma bebida: um leite fervendo aromatizado com um xarope de fruta e servido em tigelas brancas de cerâmica. Não me lembro como era chamado, só lembro que entrávamos num café de esquina no final da Broadway Ave e pedíamos o leite com sabor de morango ou framboesa, que vinha fumegando dentro da tigela e bebíamos segurando com as duas mãos. Era para aqueles dias frios, pra descongelar os ossos. Minha lembrança mais querida é do dia que fui lá com a minha irmã. Deusdocéu, ela sofreu naquelas cinco semanas de invernão que passou lá com a gente! Quando eu contava do frio de Saskatchewan, parecia tudo uma piada. Mas minha irmã sentiu na pele que nada daquilo era brincadeira. Um dia fomos fazer não-sei-o-que na Broadway e estacionamos o carro na rua. Era o tempo de atravessar a rua ou andar um mísero quarteirão e já estávamos com as pestanas cheias de gelo. Os olhos eram a única parte do corpo que ficava descoberta. Tínhamos que enxergar e iria ser o cúmulo da ridiculice, além de toda a fantasia de esquimó, ainda ter que usar goggles. Nesse dia entramos no tal café - que não lembro o nome e pelo jeito não existe mais - completamente transtornadas, com as pestanas cheias de gelo, e pedimos duas tigelas de leite com sabor de framboesa. Bebemos sentadas ainda de casacos, cachecol, touca, com as bochechas vermelhas, as pestanas molhadas. O leite fervendo foi esquentando o nosso corpo e a nossa alma. Fomos ficando mais relaxadas, menos transtornadas, fomos tirando os mil traquelaques invernais, tiramos o casaco e ficamos conversando por um tempao lá dentro do café aconchegante e cheio de gente tomando leite, chá, café, lendo livros ou jornais ou conversando, como nós.
Acordei no domingo de manhã para a matéria da Claire no jornal Davis Enterprise, que já estava enroladinho no tapete da porta de entrada. Eu estava um pouco preocupada com relação ao texto e fotos, afinal falei até não poder mais, nem lembrava mais se tinha falado alguma abobreta comprometedora. Mas foi uma surpresa ler a excelente matéria da promissora jornalista. O fotógrafo também fez um trabalho caprichado e a edição foi bem criativa, ilustrando a história com a foto do Brendon cozinhando meticulosamente, eu comprando produtos orgânicos no Farmers Market e o Garrett sendo a criatura charmosa que ele naturalmente já é, sentado no café mais gostoso da cidade, o Ciocolat. Estava esperando os meus companheiros blogueiros escreverem sobre o evento, mas pelo jeito vou ser a primeirona!
Essa foi uma das poucas vezes que gostei ter sido colocada no spotlight. Meu vizinho veio me dizer - hei, te vi no jornal! É a primeira vez que saio numa matéria na cidade onde eu vivo, onde as pessoas podem me reconhecer. Thrilling!
* ainda não há versão online, mas tirei fotos da primeira e segunda páginas da matéria.
Que atire a primeira pedra aquele que nunca deixou uma fruta estragar na cesta. Infelizmente eu faço muito disso, porque não guardo nenhuma fruta na geladeira, nem mesmo durante o verão. Então vira e mexe tenho que acionar a Operação Resgate para bananas, maças, morangos. Ontem foi a vez das pêras. As pobres coitadas estavam quase se desmilinguindo e achei que precisavam urgentemente virar uma torta.
Assim então, sem paciência de procurar receita de torta de pêra, resolvi fazer a minha própria, de cabeça - oh, não, DANGER WILL ROBINSON, DANGER!!
Peguei uma caixa de massa para torta pronta [usei Pillsbury, mas qualquer uma serve]. Forrei uma forma funda com uma das rodelas da massa. Descasquei e cortei todas as pêras quase desfalecidas em fatias. Preparei um molhinho com os seguintes ingredientes:
1 xícara de leite integral
1 ovo
1 colher de sopa de maizena
1/4 xícara de açúcar
1/4 xícara de vinho marsala seco
Engrosse num creme em fogo médio. Misture as pêras ao creme e coloque tudo na forma forrada com a massa. Cubra com outra rodela de massa, faça cortes com a faca e decore com açúcar demerara. Asse em forno pré-aquecido em 365ºF/180ºC por 45 minutos. Retire do forno e deixe esfriar. Essa torta fica melhor servida fria, de preferência no dia seguinte.
Lave as amoras. Deixe escorrer. Bata bem batido com um batedor de arame, uma porção de um bom iogurte natural e integral com mel a gosto. Jogue as amoras no iogurte. Coma sentado ou em pé.
Fomos jantar no grego que faz a salada mais honesta da cidade. Chegamos cedo e enquanto caminhávamos no estacionamento vimos duas senhoras entrando no restaurante. Uma delas era bem velhinha, ou a menos parecia, toda curvadinha. Meu marido brincou dizendo, olha a velhinha já passou na nossa frente, vamos correr! Nesse restaurante a gente sempre espera um pouquinho pra sentar, especialmente nos finais de semana. Até que não esperamos nada para sentar, mas esperamos muito para alguém finalmente pegar nosso pedido e a comida chegar. Com a volta das aulas, os restaurantes voltam a encher e ontem o grego estava particularmente lotado! Ao nosso lado uma mesa com um pessoal falando extremamente alto, tão alto que estava nos incomodando. E discutiam política. Troço mais chato, discutir num tom tão elevado um assunto que gera tanta controvérsia. Do outro lado uma família enorme com vários adolescentes comendo muito. Virava e mexia ouvíamos uma comoçao, um woooowww geral, viámos um clarão de chamas e sentíamos um cheiro bom de queijo derretido - era um prato de queijo flambado com uma bebida álcoolica que da próxima vez que formos lá eu vou pedir. O restaurante estava aconchegante, pedi um vinho super gostoso, a salada que eu adoro, a comida estava muito boa. Quando as mesas que nos rodeavam finalmente se esvaziaram, eu pude ver as duas senhoras que chegaram na nossa frente. Fiquei observando as duas quietinhas comendo, a mais velhinha ainda vestindo seu casaco de capuz, toda curvadinha e mirradinha pediu pra garçonete colocar o resto do seu prato numa caixinha, a mais nova depois olhava a conta, examinava tirando e colocando os óculos bem séria, enquanto a outra falava umas coisinhas. Fiquei hipnotizada pela visão das duas e de repente meus olhos começaram a encher de lágrimas, e tive que pegar o guardanapo para secá-las, disfaçadamente para ninguém perceber que eu estava chorando - e chorando sei lá por que. Estou sempre pagando esses micos em público e por motivos geralmente inexplicáveis.
Não sei por que nunca coloquei essa histórinha no Chucrute. É uma prática muito comum por aqui, a desova dos legumes, verduras e frutas. Acontece muito mais frequentemente no verão, mas por incrível que pareça, a turma do dedo verde é tão prolifica que temos a desova de inverno também. Hoje tivemos uma de limões - o meyer de casca amarela, uma preciosidade! Quem trouxe foi um dos programadores com quem eu trabalho, e uma das escritoras do programa já passou por e-mail uma receita da tia dela, que vou tentar fazer amanhã e pedir permissão pra colocar aqui, caso dê certo. Mas hoje, já tinha engatilhada uma receita pra fazer com limão. Então fiz.
Lemon Sole
da revista Real Simple de maio/2006
1/4 xícara de farinha de trigo [usei integral]
4 filés de peixe - Sole
1/2 colher de chá de sal kosher
4 1/2 colheres de sopa de manteiga sem sal
2 limões amarelos
2 colheres de sopa de alcaparras
Tempere os filés de peixe com o sal. Num prato coloque a farinha e passe os filés por el,a cobrindo os dois lados. Reserve. Numa frigideira grande derreta 1 colher da manteiga e frite o limão cortado em rodelas. Separe. Frite o peixe, vá acrescentando mais manteiga. Retire. No final coloque o que sobrou de manteiga na frigideira, mais os limões e a alcaparra. Retorne os peixes e sirva quente.
Finalmente fiz uma coisa que este blog realmente necessitava. Arrumei os links em ordem alfabética, porque estava tudo ridiculamente desorganizado, parecia a casa da sogra, dava até vergonha. Então resolvi também explicar algumas coisinhas aqui.
Sobre links: Eu linko quem eu gosto, quem comenta e quem me linka. Por isso nem todos os blogs são culinários. Agora que está tudo mais organizado, se notarem algo faltando ou sobrando, por favor me avisem!
Sobre comentários: Desde os primórdios, aqui e nos meus outros blogs, que eu sempre respondi comentários que precisavam ser respondidos ou agradecidos em particular. Eu tentei inúmeras vezes responder no próprio blog, pra fazer aquele chitchat, mas nunca foi pra frente. Isso não dá certo comigo, por vários motivos e tenho que aceitar o fato que sou assim, diferente. Respondo em particular, às vezes mais rápido, noutras mais devagar, mas procuro não falhar. Só quando acho que todos devem ler, respondo no blog.
Sobre os arquivos: Desde que este blog completou um ano, que tem um link na coluna da direita mostrando um post arquivado: menu de outros anos. É um script chamado "same day", que linka o post escrito no mesmo dia, em diferentes anos. No The Chatterbox o script linka posts de seis anos. Aqui só um ano, pois este blog é criança. É divertido de ler, e até eu me surpreendo com as coisas que já escrevi.
Quando eu vi esta receita de cauliflower risotto with spicy pangrattato no blog da Melissa e Manuel, pirei na little potato. Tudo nessa receita me fascinou: a farofa de aliche, o uso da couve flor, a história, as cores, a mistura de texturas. Comprei duas pequenas couve-flores no Farmers Market no sábado e hoje got my mojo working!
A receita completa pode e deve ser lida no original, mas vou colocar aqui a minha versão ligeiramente adaptada.
Para o pangrattato:
Ponha no food processor 2 fatias de pão amanhecido, uma lata de aliche com o óleo e uma pitada de pimenta - usei a chipotle em pó. Moa tudo numa farofa. Numa frigideira coloque um fio de azeite e toste essa farofa em fogo médio até ela ficar bem seca e crocante.
Para o risotto:
Coloque um litro de caldo de legumes numa panela e deixe ferver, acrescente os floretes de uma couve-flor picadinhos, abaixe o fogo. Numa outra panela robusta refogue meia cebola e dois dentes de alho numa mistura de 1 colher de manteiga e uma de azeite. Acrescente 1 xícara de arroz carnoli [or arborio] e refogue até ele ficar translúcido. Acrescente 1/2 xícara de dry vermouth e refogue até a bebida secar. Daí vá acrecentando o caldo de legumes com a couve-flor, até o arroz cozinhar e o caldo acabar. Vá amassando a couve-flor durante o processo, mexendo sempre com uma colher de pau. Retire o arroz do fogo, acrescente 1/2 xícara de queijo parmesão ralado, sal e pimenta do reino a gosto e sirva quentíssimo com a farofinha de aliche por cima.
Fogem agora me os adjetivos apropriados e necessários para descrever o quanto esse risotto ficou delicioso!
Comprei uma abóbora rústica linda no Co-op outro dia. Marquei touca de não tê-la fotografado. Cortei ao meio e coloquei no forno. A polpa super laranja, cremosa e doce me impressionou. Quando isso acontece, fico sem saber o que fazer. Deveria ter simplesmente comido com a colher. Mas resolvi inventar e temperei a polpa com sal, pimenta e um micro tantinho de cebolinha verde super picadinha. Coloquei metade da polpa no refratário, cobri com gorgonzola, coloquei a outra metade e coloquei no forno por uns minutos. Ficou bom, mas o queijo dominou tudo e escondeu o sabor magnífico da abóbora. Fiquei um pouco frustrada e cada vez mais convencida de que less is more.
Eu não conheço muitos países e os que eu conheço só fui visitar, então não posso afirmar nada com relação aos outros, mas aqui no norte da América - EUA e Canadá, essa visão dos pratos ambulantes é muito comum. Digo pratos ambulantes para o pessoal que caminha em público carregando um prato e comendo com um garfo, como se estivesse numa festa, mas em movimento. Todo santo dia eu vejo muitos pratos ambulantes caminhando pelo campus da Universidade da Califórnia, onde eu trabalho. Vou ao banheiro, lá vem um prato. Vou ao correio, lá vejo outro prato. Vou esticar as pernas, mais outro prato no horizonte. Claro que esse fenômeno acontece mais próximo da hora do almoço, quando os enlouquecidos estudantes e professores mal têm tempo para bater um rango decente. Muitas vezes se alimentam andando e discutindo assuntos acadêmicos, ou sentados em qualquer cantinho ou janela, outras vezes comem na sala de aula. Pratos ambulantes competem com os estudantes munidos de laptops, livros e cadernos que infestam os cafés das cidades universitárias. Bom, pelo menos nos cafés eles sentam.
Eu tenho um problema com sobremesas, mas tenho como objetivo melhorar nesse quesito, então eu insisto. Vi essa receita na mesma revista MSL da massa de pizza, que achei no meio de uma das pilhas que ficam nos banheiros e achei interessante. Gosto de tudo que leva álcool e eu tenho um frasco cheio de avelãs que não consigo gastar - então essa receita veio a calhar. Fiz, com apenas um errinho - esqueci de adicionar um ingrediente, que inicialmente achei que não iria fazer falta, mas talvez fizesse. Não sei. Achamos o pudim um pouco pesado e muito chocolatudo pro nosso gosto. Não conseguimos comer um potinho inteiro. Bom, servi a sobremesa depois da pizza, talvez tenha sido isso o problema. Achei que a textura fosse ficar mais cremosa. Portanto façam com todos os ingredientes e me digam o que acharam. Eu esqueci de misturar o iogurte. Essa receita é para ser light.
Chocolate-Hazelnut Rice Pudding
serve 6
2 colheres de sopa de cacau em pó sem açúcar
1/2 xícara, mais 2 colheres de sopa de açúcar
Uma pitada de sal
5 xícaras de leite desnatado [eu não tinha, useo o integral - bye-bye lightness!]
1 colher de sopa de manteiga sem sal
1 xícara de arroz Arborio ou outro tipo de arroz de grão curto
1/4 xícara de licor Frangelico
2 oz/ 60 gr de chocolate meio amargo cortado em pedaços
1/4 xícara, mais 2 colheres de sopa de iogurte natural desnatado, de preferência o grego
Avelãs torradas e moídas para decorar
Misture o leite, cacau, açúcar e sal numa panela e leve ao fogo médio, mexendo com o batedor de arame até levantar fervura. Numa outra panela derreta a manteiga em fogo médio, adicione o arroz mexendo constantemente até ele ficar translucido. Junte a mistura de leite e chocolate e deixe cozinhar, mexendo de vez em quando, por uns 30 minutos ou até o arroz absorver todo o liquido. Retire do fogo, adicione o licor Frangelico e os pedaços de chocolate, mexendo sempre até o chocolate derreter completamente. Deixe esfriar e refrigere. Na hora de servir misture 1/4 xícara de iogurte, coloque o pudim nas cumbucas pequenas, decore com o restante do iogurte e as avelãs torradas.
Não iria ser uma simples massinha de pizza a me passar a perna, não senhoures! Sábado passado deu tudo errado, mas neste sábado eu retomei a receita e jurei pra mim mesma—desta vez VAI dar certo. E deu!
A receita deu para duas pizzas, a massa bem fininha e crocante. Fiz na batedeira elétrica, que é como a receita ensina. Mas pra quem não tem uma batedeira robusta com acessório para sovar massa, a única solução é arregaçar as mangas e botar as mãos na massa pra sovar—e muito!
Receita tirada da edição de Junho de 2006, da revista Martha Stewart Living
Massa para Pizza
1 xícara de água morna
1/2 colher de chá de açúcar
1 envelope de fermento biológico seco - 2 1/2 colheres de chá]
1 colher de sopa de azeite
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1 xícara de semolina
2 colheres de chá de sal grosso
Coloque a água na vasilha da batedeira. Adicione o açúcar e o fermento, mexa bem com uma espátula até o fermento e o açúcar dissolverem. Deixe descansar por 5 minutos, até formar uma espuminha. Adicione então o azeite, o sal e as farinhas. Coloque a pá na batedeira e misture bem os ingredientes. Troque a pá pelo acessório de bater massa e deixe a massa batendo por 5 minutos. A receita pede que se sove na mão depois disso, então eu deixei sovando na batedeira por mais tempo, só pra não precisar suar a camisa. Quando a massa estiver bem elástica e e macia, coloque numa vasilha untada com azeite, cubra com filme plástico e deixe crescer num lugar quentinho por 3 horas. A minha massa não precisou de três horas pra crescer, em 1 e meia ela já estava o dobro. Fico macia, bem fácil de abrir com o rolo. Deu duas pizzas.
Eu estava um pouco nervosa. Por duas razões: primeiro por não entender por que o meu - um blog escrito em outra língua, indecifrável para a maioria da população de Davis, foi convidado para ser objeto de uma reportagem; segundo porque tenho esse constrangimento que toma conta de mim, quando viro o centro das atenções, por qualquer motivo que seja. Quando Claire, a reporter do jornal local, The Davis Enterprise, me contactou para uma entrevista, eu disse sim, claro. Mas quando ela marcou o nosso encontro e disse que o fotógrafo iria também, eu desmontei. Tudo bem, catei os pedaços com o orgulho que me mantém em pé e disse - vamos lá! Que mal pode haver em ser fotografada para uma matéria sobre food blogs para o único jornal da sua cidade. Nenhum..... ahn.
Marcamos de nos encontrar no Farmers Market às onze da manhã. Logo na entrada do mercado encontrei o Brendon, que me contou do encontro com a repórter e de como ele cozinhou simples e falou pelos cotovelos. Nossa, me senti aliviada, pois li toda aquela descrição da comida do jantar que ele fez e fiquei nervosa pensando o que eu iria cozinhar. Também tem o problema de eu ser uma matraca incorrigível e falar mais que a boca mesmo e apesar do meu maravilhoso sotaque. Eu e Brendon encontramos o fotógrafo, um cara muito simpático e depois chegou a Claire, super charmosa, também extremamente simpática e fui ficando mais à vontade.
Já comecei a falação - com a repórter e com o coitado do fotógrafo, que foi me seguindo pelo mercado, tirando fotos enquanto eu comprava verduras, legumes e frutas. Tentei muito ficar o mais natural possível, mas o contrangimento de saber que tinha um fotógrafo tirando fotos minhas enquanto eu pagava pela rúcula foi um estresse terrível.
Depois da sessão pública de fotos - vergonha, vergonha - seguimos eu e a Claire para a minha casa, onde conversaríamos e eu faria a minha comfort food predileta para ela provar - macarrão alho & óleo! Falei o tempo todo, enquanto cozinhei o macarrão e descasquei os alhos. Ela anotava tudo num caderninho. Confio que ela faça bom uso de toda essa informação top secret.
O macarrão ficou pronto, um pouco oleoso demais pro meu gosto - foi a distração do convercê. E eu não tinha queijo parmesão pra ralar fresquinho, então usei uma mistura de parmesão, pecorino pré-ralado, que eu tinha na geladeira. Mas o vinho estava simplesmente delicioso - um vinho verde português que estava guardado desde o final do ano, esperando uma ocasião especial pra ser aberto.
A conversa rolou fácil. Eu só preciso de um ouvinte dedicado para falar até a língua secar e a Claire estava ali pra isso. Gostei muito dela, do nosso papo, encontro, entrevista, e agora vou esperar na maior ansiedade pela matéria, que vai sair na próxima edição de domingo do jornal sobre os Food Bloggers da Davis - Brendon, Garrett e Sher e eu, a gringa entrona.
Simples, bom e saudável: queijo cremoso e cracker integral com semente de girassol [marca Doctor Kracker]. Pra quem toma um café da manhã fraco, como eu, e precisa de um reforcinho umas horas depois.
Quando vi a receita dos pãezinhos assados da Cris, fiquei animadíssima, pois ela especificava um importante detalhe: a massa não precisava ser sovada, nem esperar crescer. Ah, tava pra mim! Cheguei em casa e fiquei uma meia hora zanzando pra lá e pra cá na cozinha - como eu SEMPRE faço - abrindo e fechando a geladeira, os armários e murmurando palavras sem nexo como, e agora, o que vou fazer, será o benedito? Felizmente me lembrei a tempo da receita da Cris e resolvi mandar bala. Parecia facílima, sem erro.
Separei os ingredientes e estava misturando tudo com cuidado para não esquecer nada quando ouvi um toctoctoc na porta de vidro do quintal. Era a minha inqulina, que às vezes aparece pra dizer oi. Abri a porta correndo e ela foi entrando, já tirando o casaco e ficando à vontade - percebi que iria ter uma auto-convidada para o jantar. Consegui ainda misturar outros ingredientes quando o telefone tocou - era o Uriel avisando que não viria jantar. Tive então certeza que teria uma convidada pro jantar...
Resolvi que os pãezinhos iriam ser recheados com salame e queijo. Pensei que a massa seria de enrolar, mas acho que fiz alguma coisa errada pois a massa ficou mole e acabei colocando na forma de muffins com uma colher. Apesar de feinhos, eles assaram bem e cresceram. Minha inquilina já estava quase roubando um, quando eu sugeri que comessemos decentemente na mesa.
Arrumei a mesa e sentamos para comer os pãezinhos recheados, que não rechearam muito bem, acho que seria melhor misturar o recheio na massa. Mas eles ficaram com uma textura de bolinho bem fofinhos. Comemos acompanhados de uma salada simples, temperada com a maravilhosa Flor de Sal. Como acho que não acertei fazer esses pãezinhos desta vez, decidi que vou tentar de novo!
Minha inquilina adorou tudo, disse que estava delicioso, maravilhoso, fora do comum - ela é assim exagerada! Comeu um pãozinho de queijo com marmelade e outro de salame, mesmo não gostando de salame. Outstanding.
Li tanto sobre a Flor de Sal, que minhas lombrigas consumistas não aguentaram e tiveram que comprar dois pacotinhos da comentada especiaria. As lombrigas adquiriram na amazon.com a Flor de Sal portuguesa vinda do Algarve, que disseram elas depois de pesquisarem exaustivamente no google.com, ser a melhor. Como adoro os portugueses e as coisas portuguesas, aprovei e forneci o apoio financeiro. Hoje chegaram as caixinhas da preciosidade branca, que já foi usada para temperar uma simples salada de folhas verdes com tomates. A salada ganhou um upgrade de sabor fantástico - a flor de sal realmente realça o sabor dos alimentos. Fiquei satisfeita e as lombrigas ficaram felizes e sossegaram.
Vi no The Amateur Gourmet um link para uma compilação de frases da Julia Child, feita pela revista Esquire em 2000. Adorei as tiradas da espirituosa cozinheira. Vou listar aqui as que fizeram a minha cabeça e com as quais concordei.
| Julia Child aos 88 anos Foto do NY Times |
- Being tall is an advantage, especially in business. People will always remember you. And if you're in a crowd, you'll always have some clean air to breathe. [*Julia tinha quase 1,90m!]
- I'm awfully sorry for people who are taken in by all of today's dietary mumbo jumbo. They are not getting any enjoyment out of their food.
- Moderation. Small helpings. Sample a little bit of everything. These are the secrets of happiness and good health.
- Drama is very important in life: You have to come on with a bang. You never want to go out with a whimper. Everything can have drama if it's done right. Even a pancake.
- I don't think about whether people will remember me or not. I've been an okay person. I've learned a lot. I've taught people a thing or two. That's what's important. Sooner or later the public will forget you, the memory of you will fade. What's important are the individuals you've influenced along the way.
- Always remember: If you're alone in the kitchen and you drop the lamb, you can always just pick it up. Who's going to know?
Comigo acontece assim: eu leio uma receita, muitas vezes sem ilustração e fico encantada! Pode ser pela maneira de preparar ou pelos ingredientes, ou até talvez pela inovação ou pela simplicidade. E foi isso que aconteceu com essa receita de feijões toscanos, quando eu lia distraidamente o Is There A Nutmeg In The House?, da Elizabeth David. Fui fisgada e já marquei a receita com um post-it roxo, trouxe o livro para a cozinha e me preparei para fazê-la.
A receita chama-se Fagioli alla fagiolara toscana porque é feito numa jarra especial, onde se cozinha os feijões. Procurei imagens dessa jarra, mas não achei. Fiquei extremamente curiosa. Os feijões indicados pela David são os brancos - haricots, cannellini ou pink borlotti. Mas eu queria usar um feijãoo norueguês que comprei no final do ano passado, bem interessante de uma cor marrom completamente incomum. Mandei bala com o feijão escuro mesmo. E na falta da jarra toscana, fiz na panela de ferro.
Deixei uma xícara dos feijões de molho durante a noite. No dia seguinte, coloquei na panela os feijões com mais água, um ramo de sálvia, um talo de salsão, meia cebola e dois dentes de alho. Cozinhei em fogo baixo até os feijões ficarem bem molinhos. Salguei e deixei descansar. Na hora de servir fervi mais um pouco, tirei o salsão, sálvia e cebola [o alho derreteu] e escorri o feijão com uma escumadeira. Coloquei numa vasilha funda, temperei com bastante pimenta do reino moída na hora, com bastante azeite, umas gotas de vinagre de vinho e salpiquei com cebola em fatias fininhas - usei a roxa, mas a David recomenda qualquer cebola suave. Esse prato pode ser comido quente ou frio, com a colher e fatias de pão frito no azeite e alho [eu omiti o alho, vocês sabem..].
Eu devorei um potão, sozinha, com uma taça de vinho tinto. Ninguëm viu, tá limpo!
Minha amiga Eli e eu temos muitas coisas em comum, começando pelo dia do nosso aniversário. Duas librianas porretas, estamos sempre encontrando mais coisas em comum entre nós. A primeira delas, que descobrimos logo no início da nossa amizade e da qual nunca me esqueço, é a nossa paura por estar/ficar cheirando a comida - roupa, pele, cabelo. Eu e a Eli temos uns rituais, umas maneiras de fazer as coisas na cozinha, de modo a estarmos sempre cheirosas. Acho que a maioria é como nós - uns mais obcecados, outros mais relax.
Com o meu olfato super apurado, eu sinto e cheiro de tudo e fico incrivelmente preocupada em não ser eu a figura com o cabelo fedendo a bife com cebola. Como a Eli, eu primeiro faço o rango e por último tomo um banho e lavo o cabelo. Faço verdadeiros contorcionismos e desenvolvo complicadas estratégias, pra não receber convivas cheirando a alho, ir a uma festa rescendendo a fritura, voltar pro trabalho denunciando que comi um misto quente, ou mesmo ir dormir com o cabelo cheirando a qualquer coisa que não seja shampoo e sabonete.
Já repararam que tem uns restaurantes de onde você sai fedendo? No inverno é pior, pois o casaco impregna, sem falar que nessa época os ambientes fechados abundam. Eu odeio sair de um lugar cheirando a comida. Quando faço o meu voluntariado no Mondavi Center - o teatro da Universidade - percebo quem chega vindo de um restaurante fumacê. Quando as pessoas entram no teatro e passam por você para serem levadas até as suas cadeiras numeradas, alguns cheiram a perfume, tem gente que capricha, uns cheiram muito bem, mas tem sempre aqueles que chegam parecendo que estão vindo do chinês da esquina, com um cheiro de fritura e molho de carne.
Hoje fiz um tofu frito pro jantar, dai pensei em dar uma passadinha no Co-op para pegar um pão. Cheirei e recheirei meu sueter de lã e decidi - no way, josé que eu vou dar esse bafão, aparecer em público cheirando a tofu frito. Fiquei em casa e fui tomar um banho - lavar bem o cabelo, que é como deve ser depois de lidar com uma frigideira!
Quando vi essa receita de cupcake no blog winosandfoodies.com resolvi guardá-la, pois gostei da misturinha de cornmeal, sour cream e Grand Marnier. Também me animei, porque iria poder gastar meu licor. Tonha da Lua que sou, comprei uma garrafa de Grand Marnier e uma semana depois esqueci que tinha comprado e comprei de novo. Então tenho duas garrafas e preciso usar - que venham receitas assim!
Como eu tinha um chá de bebê para ir e precisava levar um quitute, achei que esses cupcakes seriam perfeitos para a ocasião. Enrolei até quando pude, porque vocês sabem, não sou uma baker - asso pouquissimo e não sou muito boa com bolos, cookies. Mas respirei fundo, tomei coragem e mandei bala.
Primeiro problema logo no início: as medidas em gramas. Eu não tenho uma balança. Worry no more - não tenho balança, mas tenho um marido engenheiro, que foi calculando mais ou menos a densidade dos ingredientes e a sua respectiva medida em ounces. Esse processo dele medindo densidade me irritou profundamente e fez com que eu me atrapalhasse toda, errando na medida de sal e jogando os ingredientes na batedeira sem perceber que tinha que separar os secos dos molhados e depois juntar. Aaaaah, foi tudo numa gororoba só, misturei e coloquei nas forminhas. Assou e - MILAGREEEEE - ficaram bons! Tão bons que o "you-know-who" elogiou, os cupcakes sumiram na festa e a amiga grávida pediu pra ficar com os últimos. Iaruuuu, vitória, eu fiz cupcakes e eles ficaram gostosos!!
Sour Cream Cornmeal Mini Cakes
150 g [10 oz] de farinha de trigo
150 g [10 oz] de cornmeal
200g [ 8 oz] de açúcar
2 colheres de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal
3 ovos
360 g de sour cream
170 g [um tablete e meio] de manteiga sem sal derretida
1 colher de chá de vanilla paste * não tinha, não usei
1 colher de sopa de Grand Marnier
Aqueça o forno a 350ºF/180ºC.
Unte duas formas de 12 muffins [eu usei as forminhas de papel dentro das formas de muffin]
Misture a farinha, cornmeal, açúcar, fermento e sal. Bata os ovos. Junte o sour cream. Misture bem, Adicione os ovos batidos. Adicione a baunilha e o Grand Marnier. Bata bem. Jogue essa mistura na mistura de ingredientes secos. Misture bem e coloque colheradas da massa nas forminhas. Asse por 20 minutos, ou até os bolinhos ficarem dourados. Deixe esfriar numa grade e salpique com açúcar de confeiteiro.
Vamos chamar o dia de desastre. Absolutamente tudo o que eu fiz ficou ruim. Maldita mania de querer inventar. Pago o pato quando acho que posso. Gastei uma caixa de morango e outra caixa de amoras, gastei creme de leite, fermento, farinha, tempo, expectativa.
A sobremesa de morango fez o meu marido "passar mal", dá pra imaginar. Eu não vi nada de errado com ela, mas ele ficou se sentindo esquisito, até deitou no sofá, mise en scène total. Fiquei preocupada e me sentindo culpada.
A sobremesa de amoras ficou com gosto de nada, e pra completar o cenário tétrico, ainda ficou feia. Tentei consertar, adicionando uma mistura de creme de leite - bleargh! Me irritei com a falação de "you-know-who", que ficava sugerindo para quem eu poderia servir a gororoba roxa.
Ainda fui fazer uma massa de pizza que começou a dar errado quando eu vi que o fermento não espumou, mas eu decidi ir em frente assim mesmo. Uma massa com farinha de trigo e semolina, ficou cheirosa, mas não cresceu. Quer dizer, na receita dizia - deixar crescendo por três horas num local arejado ou durante a noite na geladeira. Eram sete da noite quando li o detalhe das três horas, então optei pela noite na geladeira. Hoje pela manhã a massa estava um tijolo. Ainda tentei abrir, mas qual o quê?
O que mais? Não quero nem saber. Hoje pedimos comida num restaurante. Vou ficar aqui bem quietinha. Shiu....
Minha inquilina passou o final de ano no Caribe e me trouxe de presente uma garrafa de rum e uma caixa de charutos feitos a mão na República Dominicana. Eu agradeci e pensei —o que vou fazer com isso? Os charutos eu ainda não sei, mas com o rum eu decidi fazer algumas comidinhas. A primeira delas veio rapidinho enquanto eu pesquisava receitas com a bebida.
Bananas Flambadas ao rum
4 bananas maduras e firmes cortadas ao meio no sentido do comprimento
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
1/4 xícara de açúcar mascavo
1/2 xícara de rum escuro
Crème fraîche ou sour cream para acompanhar
Numa frigideira larga derreta a manteiga e o açúcar, mexendo bem. Adicione as bananas e frite dos dois lados. Vire com cuidado para elas não quebrarem.
Adicione a xícara de rum e flambe - muito cuidado nessa hora - até todo o álcool evaporar. Sirva imediatamente com uma colher de creme no topo.
A primeira vez que li sobre a alcachofra de jerusalem foi no livro da Isabella Beeton. Achei que era uma variedade da alcachofra normal, mas depois que a vi que saquei que ela é uma raiz, também chamada de sunroot ou sunchoke. Tem uma explicação muito boa sobre essa raiz na wikipedia. Ela lembra muito a textura do gengibre, mas o sabor se assemelha muitíssima ao coração da alcachofra. Eu fiz uma sopa bem simples com elas e um alho poró. Mas deixo aqui a receita da Isabella Beeton para uma sopa mais incrementada, usando essa raiz interessante.
Jerusalem Artichoke Soup
(A White Soup)
3 fatias de bacon ou presunto
Talos de salsão
1 nabo
1 cebola
100 gr de manteiga
2 quilos of jerusalem artichokes
1/2 litro de leite fervendo ou 1/4 de litro de creme de leite
Sal e pimenta cayenne a gosto
2 1/2 litros de caldo de legumes
Coloque o bacon/presunto e os legumes, tudo cortado em fatias numa panela com a manteiga. Refogue tudo por uns 15 minutos, mexendo sempre. Lave e descasque as alcafrofras, corte em fatias, adicione na panela e junte o caldo de legumes. Deixe ferver até tudo virar uma polpa cremosa, adicione os temperos - sal, pimenta - deixe ferver por mais 5 minutos e passe a sopa por uma peneira [liquidificador hoje, né genteee!], Retorne a sopa para a panela e deixe ferver de novo por mais 5 minutos. Adicione o leite ou creme de leite fervendo. Sirva com pequenos pedaços de pão frito na manteiga.
Há dias de inverno em que até os ossos tremem. Sei lá por que, dá aquela friaca, um telecoteco físico, que só esquenta se você mergulhar o corpão num banho fevendo, ficar com os pés em cima do aquecedor ou tomar alguma coisa quente bem substanciosa. Meu reino por um sopão! Mas na hora do almoço não tinha sopão. Beber o que, então? Chá? Nãã... Chocolate? Nããã...
Lembrei do leite que minha mãe costumava fazer e que bebíamos nas noites geladas de inverno, quando anunciavam que ia ter geada e éramos obrigados a vestir o joguinho de camisola e calça de flanela, que minha mãe mandava fazer especialmente para essas noites - caso nos descobríssemos dos acolchoados de lã de carneiro ou de penas de ganso. Com a calça por baixo da camisola não corríamos o risco de pegar friagem nas pernas. Com as crianças, o seguro morria de velho!
Então nessas noites frias, minha mãe preparava o Leite Queimado, que nós bebíamos como se fosse um néctar. Ele servia também para abaixar febre, acalmar dores de garganta, tratava do frio e de qualquer eventual achaque piriritico de criança inventadora de moda. E como aquilo esquentava, mãe do céu! Eu, que sempre fui uma pessoa avessa aos apertamentos e confinamentos de qualquer espécie, já ficava toda incomodada com tanta roupa, puxava a calça de flanela com os pés e a deslizava para fora do acolchoado. Minha mãe enlouquecia com isso!
Hoje, me esquentei na hora do almoço com uma xícarazona do Leite Queimado, que sempre que acho que preciso, faço. E é a coisa mais simples e fácil.
Derreta duas [ou três, ou quatro - dependendo do tamanho da sua gana pelas cousas dolces] colheres de açúcar numa panela em fogo médio. Eu usei açúcar demerara, mas pode usar qualquer outro, branco, mascavo. Quando o açúcar estiver derretido, jogue uma xícara de leite e mexa bem, até todo o caramelo derreter novamente e se misturar no leite. Apague o fogo, transfira o Leite Queimado para uma xícara e beba imediatamente, sentindo o vapor do leite no rosto e queimando um pouco os beiços [faz parte!]. Depois me diga se não esquentou...
Esses pincéis que não tem muita cara de pincel, eu comprei na IKEA há uns 3 ou 4 anos. Quando vi, achei que nem iriam pincelar direito, mas como adorei o design comprei sem nem piscar. Quando chegou a hora de usá-los, me surpreendi com a qualidade das pinceladas. Eles pincelam eficientemente como qualquer pincel, sem falar que têm um visual funky e são fáceis de lavar.
Eu confesso que ainda olho com muita cautela e desconfiança para certos utensílios de cozinha feitos de silicone. Adoro minhas espátulas, meus pincéis sem cara de pincéis, e o meu mais novo Caco pega-panelas. Comprei outro dia um forro de silicone para assadeiras. Ainda não usei. Já vi muitas formas para bolo ou muffins, até da Le Creuset, mas sinceramente elas ainda não me seduziram. Olho, olho, coço o queixo, penso, penso, mas continuo silicon-ess em termos de formas. E não é nem questão de preço, pois aqui essas formas não custam tão super mais caro que as de metal, e algumas ainda veem acompanhadas de um suporte—uma pequena ajuda para a moleza do produto.
Hoje saiu um artigo no NY Times comentando e avaliando os utilitários de silicone. A jornalista fez até uma lista dos itens que ela recomenda e não recomenda. Acho que a minha intuição estava certa quanto às formas de bolo. Parece que na prática nem tudo funciona tão bem quanto se imagina. Vou continuar olhando, coçando o queixo e pensando...
Uma coisinha boa é um chazinho de gengibre: põe água numa panela, joga muitos pedacinhos de gengibre ralado bem fininho, uns cravos da índia e o suco de um limão. Ferve por uns minutos, coa na xícara, adoça com mel e glup, glup, glup, hmmmmmm....
Outra coisinha boa é o sal de limão, feito com a casca do limão que foi usado no chá. Raspa ele todinho com o raspador/ralador, mistura as raspas no pilão [óia tô usando!] com sal marinho e põe numa vasilha pra secar. Secando, coloque num container com tampa e use como quiser.
A última coisinha boa é essa pimentinha perdida, que eu achei no fundo da minha cesta orgânica. Tirei foto dela, porque agora só vou ver outra assim no meio do verão.
Estava lendo o delicioso post da Valentina, sobre o seu linguine com butternut squash e parmesão, e não pude deixar de pensar que simplicidade é TUDO! Tenho refletido muito sobre isso nesses dias, porque tenho cozinhado pouquíssimo, tenho tentado gastar os ingredientes que estão na geladeira e me preparar para a volta da minha cesta orgânica, que esteve de férias por três semanas. Na hora do almoço recebi o e-mail da fazenda, listando os produtos que vão chegar e fiquei felicíssima com o conteúdo da cesta que ainda não peguei. Vai ser uma alegria lavar e guardar todas esses legumes e verduras saudáveis e frescos e depois planejar o que fazer com eles. Pensando nisso, e olhando a foto do linguine da Valentina tão lindo, majestoso e apetitoso em toda a sua simplicidade, cheguei a conclusão que gosto muito dessa maneira de cozinhar, que não envolve grandes peripécias, nem ingredientes carésimos e raros, mas que é a melhor comida do mundo, porque é fresca, foi feita e vai ser degustada num breve período de tempo, não causou alvoroço, mas deu muito prazer e ainda contribuiu para a nutrição caprichada do nosso corpão! Hoje vai ser uma noite especial, com um jantar especial, feito com amor - como foram colhidos e empacotados os produtos pelo Raoul, Rachel, Dori, Catherine e o Scott - e com simplicidade. Batatas, cenouras, limões, alho, cebola, brócolis, repolho, couve, beterrabas, rabanetes negros, nabos e abóboras - olá! iuuuurúú!!
Ainda estou muito desanimada, com sintomas dessa gripe que não se manca e não se pirulita. Passei o final de semana quietinha, enfurnada. Hoje resolvi dar uma organizada nas minhas revistas, especialmente as MSL, que são as que eu mais uso pra receitas. Fui marcando com post-its cor de abóbora as páginas com idéias interessantes. Numa delas a receita não só era interessante, como deliciosa, rápida e FÄCIL, e eu tinha todos os ingredientes. U-la-la! Saí do meu retiro de pessoa adoentada e fui pra cozinha fazer o clafouti com pêras e cerejas secas.
Pear and dried cherry clafouti
da edição de outubro de 2005 da revista Martha Stewart Living
Clafouti é uma clássica sobremesa francesa com uma textura semelhante a uma mistura de pudim assado com panqueca. Pode ser servida no dia seguinte, quente ou fria.
Pré-aqueca o forno em 400ºF/205ºC. Unte uma forma redonda de cerâmica com manteiga e depois com farinha de trigo. Coloque 1/2 xícara de cerejas secas de molho num dedo de água fervendo e deixe por uns 10 minutos. Enquanto isso corte 1 pêra grande Anjou {eu usei duas Bartlett médias] em fatias e ajeite na forma. Eu deixei a casca. No liquidificador bata:
2 ovos
1/4 xícara de açúcar
1 colher de chá de extrato de baunilha
3/4 xícaras de creme de leite fresco [heavy cream]
3/4 xícaras de leite integral
1/4 xícara de farinha de trigo.
Derrame essa massa sobre as pêras já arrumadas na forma, escorra as cerejas da água e salpique por cima da massa. Asse por 25 minutos. Retire do forno quando a massa estiver dourada e deixe repousar por 15 minutos antes de servir. O clafouti pode ser refrigerado em container bem fechado por no máximo 1 dia.
Gadgets adoráveis, embora nem sempre completamente úteis: separador de gema/clara; fatiador de ovos; bico dosador; raladores de tudo em diferentes tamanhos; coador de azeitona; mini-fouet, perfeito para molhos de salada; espremedor de limão; pegador de panela de silicone; micro-fouet, para bater o chocolate no leite na xícara; colheres para grapefruit. * clique nas imagens se quiser ampliá-las.
Acho que tenho uma mentalidade infantil para algumas coisas, pois achei super engraçado e tive que comprar essa almofada de rato morto para o Roux. Fiquei rindo que nem boba na loja. Trouxe pra casa toda entusiasmada com o feito, pensando que iria ser hilário ver o Roux aconchegado nela. Mas quem disse que o gato tem a mesma opinião que a minha? Ele simplesmente se recusou a sentar-se na almofada e tem ignorado completamente a presença do rato morto numa de suas cadeiras prediletas. Joguei até um pouco de catnip em cima do rato, que é o que eu faço quando compro um scratching post novo pra ele, mas mesmo assim nada! Estou desapontada, esse gatonildinho não tem senso de humor!
Quando há uma festa ou eu tenho visitas, sempre fico animada para experimentar receitas novas e fazer coisas que normalmente não faço, como sobremesas. Para o Ano Novo decidi fazer uma pumpkin pie, porque o meu irmão e minha cunhada adoram essa torta. E quis experimentar uma torta de chocolate e pêra.
Pumpkin Pie
da edição de novembro da revista Martha Stewart Liviing
Prepare a massa - graham crust
2/3 xícara de farinha de trigo
1/3 xícara de farinha de trigo integral
3 colheres de sopa de germe de trigo ou pepitas [sementes verdes de abóbora] tostadas
1/2 colher de chá de sal
1/4 colher de chá de canela em pó
1 tablete de manteiga sem sal, amolecida
1/3 xícara de açúcar mascavo
No food processor misture as farinhas, o germe ou pepitas, sal e canela. Adicione a manteiga e o açúcar, misturando até a massa ficar bem consstente. Forre a forma redonda, leve ao freezer por 15 minutos e então asse em forno pré-aquecido em 350ºF/176ºC até ela ficar dourada.
Prepare o recheio:
1 abóbora pequena assada - remover casca e sementes, usar só a polpa
3 ovos ligeiramente batidos
3/4 xícara de açúcar mascavo
1 colher de sopa de maizena [eu omiti]
1/2 colher de chá de sal
1/4 colher chá de allspice
1 pitada de pimenta cayenne em pó
1 pitada de cravo em pó
1 1/2 xícaras de leite evaporado [evaporated milk]
Bata todos os ingredientes no food processor. Deixe descansar por 20 minutos. Coloque essa mistura na massa já assada e coloque novamente no forno em 325ºF/162ºC por 40 minutos. Sirva em temperatura ambiente ou gelada. Eu servi com chantily feito com creme de leite fresco.
Chocolate Pear Tart
da edição de dezembro da revista Everyday Food
1 tablete de manteiga sem sal na temperatura ambiente
1 xícara de amendoas sem pele
3/4 xícara de açúcar
3 ovos
1/3 xícara de cacau
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
1/2 colher chá de sal
3 pêras [Bartlett] bem firmes
Pré-aqueça o forno em 350ºF/176ºC. Unte uma forma redonda com o fundo removível com manteiga. No food processor misture as amêndoas e o açúcar. Moa bem fininho. Adicione a manteiga, cacau, baunilha, sal, e misture bem. Coloque a massa na forma untada. Descasque as pêras e corte em fatias. Vá arranjando as fatias sobre a massa de maneira decorativa. Coloque a forma numa assadeira plana e asse por 40 minutos. Desenforme depois de fria e sirva. Parece um brownie bem fino, com as fatias da fruta - perfeito!!
É a tal gripe e final/inicio de ano. Estou chumbada.
Tenho essa mania ridícula de achar que sou a wonder woman, fingir que nada está acontecendo. A gripona ali, se manifestando, e eu tentando ignorá-la. Vou trabalhar normalmente, bicicletando de manhã com o ventão gelado na cara, toda me achando invencível. Meus colegas de trabalho ficam me olhando com aquela cara de vai pra casa fezoca! E eu insistindo, até que, até que... não dá mais!
E ainda fico toda chateada por liguei dizendo que não iria de novo e tinha reunião marcada. Ontem dormi o dia inteirinho. Hoje vou tentar fazer o mesmo. Cházinho, sopinha, e muito descanso. Porque ficar doente é muuuitoooooo chatoooooo.......
A Osteria Fasulo é um mimo aqui em Davis. Um pequeno restaurante italiano escondido no meio da Village Homes, com poucos lugares, um menu restrito, uma horta de onde saem alguns dos produtos servidos, uma atmosfera aconhegante, uma comida saborosa e preços mais salgadinhos. Foi lá que escolhemos ir para a nossa rápida comemoração de Bodas de Prata. Tivemos um bom jantar, com o course quase completo. Gli antipasti - tomates assados com mozzarella fresca, pesto e vinagre balsâmico reduzido, e radicchio trevigiano com pancetta. I Primi - gnocchi com pesto. I Secondi - salmão com funcho e batata doce. Dolci - panna cotta de açafrão com laranja vermelha, e chocolate creme brulee com bananas caramelizadas. Bebemos Prosecco, água mineral e Pinot Grigio.
Tudo estava delicioso, o garçon que nos atendeu super solicito e gentil, até que o proprietário, um italiano exageradamente sociável, veio pela segunda vez na nossa mesa - "Mr. Rosa! Você é italiano?" Respondemos que descendíamos de italianos, mas que éramos brasileiros. "BRASIL!!! Ah, nunca estive lá, mas sei que que lá tem muita mulher bonita!" Ficamos olhando pra ele com com uma cara de ué por uns segundos, e eu já fui falando " Isso você vai ter que ir lá e checar você mesmo..." Ele deu uma risadona e berrou, " Eu gosto de você!! Você é bem politica!! - não entendi muito bem o que ele quis dizer exatamente por eu ser "politica", mas confabulamos sobre a falta de noção do comentário do cara. Continuamos nosso jantar e na saída tivemos mais uma dose da inconveniência carcamana. O italiano veio se despedir de nós, abraçou o Uriel como se fosse um amigo intimo e disse - "Voltem sempre! E da próxima vez que vierem me tragam uma MULHER BRASILEIRA SOLTEIRA!"
WHaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaatt???!!!!!
Respondi depois de uns segundos me recuperando do choque - "Vou te trazer uma caipirinha, a bebida brasileira!" E ele - "Eu gostei de você! Eu gostei de você!" Saímos correndo dali, rindo de indignação e surpresa. Não sei se um dia voltaremos a Osteria Fasulo!!
Vamos tentar ir a um restaurante legal hoje à noite, mas já voltamos à labuta, eu estou doente, ainda estamos com visitas e esse dia, realmente, não foi a melhor escolha. Mas casamos num dois de janeiro - o dia mundial da ressaca - há vinte e cinco anos. Temos que comemorar de algum jeito, pois não é todo dia que se faz Bodas de Prata, né?