Nem sempre as receitas que eu vejo e gosto em outros food blogs e que tento replicar na minha cozinha, dão certo. Às vezes nem é realmente uma questão de dar certo, mas de não agradar muito ao meu paladar, ou o do meu mariido. Eu sou incrivelmente "picky" e ele é incrivelmente 'weirdo". São tantas as coisas que ele nem experimenta. E eu, quando me dá aquele bleargh, não tem jeito.
Então, gostei muito dessa receita de frango assado com páprica da Elise e resolvi que precisava fazê-la. Olha só que coisa perfeita, crocante, sequinha—com certeza vai agradar a uma chatonilda como eu, que vira o nariz pra frutos do mar, porco, frango, ovo, leite, eteceterá_eteceterá.
Mãos a obra, descongelei um frango caipira que tinha comprado no mês passado, desencalhei aquela páprica defumada espanhola do fundo da gaveta de temperos e fiz EXATAMENTE como a receita manda fazer—só acrescentei um limão de recheio. Até lavei o frango e causei um pandemônio na pia, que depois desinfetei frenéticamente com toalhinhas anti-bactericidas. Temperei o franguete com as mãos, como se estivesse passando protetor solar no dito cujo. Outra coisa é que tenho um pouco de horror de manusear os defuntinhos, virá-los, remexer muito aqui e ali, especialmente o frango inteiro, que ainda tenho que tirar os miúdos da cavidade interna, tudo isso é deveras nojento na minha opinião. Mas fiz tudo direitinho e coloquei o bicho pra assar. No interim, resolvi sair pra comprar um negocinho pro meu gato e era pra ser um pulinho, uma trajeto de cinco minutos pela estrada, mas de repente me vi num congestionamento MONSTRO na I80, fazendo o trajeto de cinco minutos em quarenta, enquanto o franguinho assava lentamente na casa vazia - eu sei, não devo fazer isso nunca, só que às vezes piso no tomate e faço. Felizmente o frangolino assou em forno baixo, e apesar de ficar com umas pontinhas tostadas, não virou carvão!
Mas o resultado simplesmente não agradou. Nós comemos, não estava ruim nem nada, mas não foi aquele tchans. O sabor do defumado é um pouco dominante e impregnou demasiadamente. Acho que vai demorar um tempinho até eu resolver me aventurar a fazer outro frango assado ou usar essa páprica novamente.
Que além de ser uma flor tem sabor...ôô
O inverno voltou, com ventania. Choveu florzinhas, que caiam de todas as árvores, espalhando uma densa camada de pétalas delicadas pelas ruas. Choveu granizo que, como toda chuva de granizo, atraiu as pessoas às portas e derreteu em minutos. Ventou muito, fez frio e fez sol, confundindo os passantes, que nunca sabem como se vestir apropriadamente nesses dias de transição.
O jantar foi uma fatia de pizza e um kiwi. Corri. Banho. Maquiagem. Brincos que só saem da caixinha em raras ocasiões.
Foi meu único show da temporada de inverno. Digam que foi sorte, ou pauzinhos sutilmente mexidos a meu favor. Eu não ando trabalhando muito no Mondavi Center, porque à noite estou sempre cansada, e quero tentar caminhar e tentar cozinhar, ler, ver um pedaço de filme. Mas me enlistei para trabalhar na apresentação do Gilberto Gil.
Tudo me parecia uma miragem— numa noite fria de primavera em Davis, o ícone da Música Popular Brasileira que embalou nossos anos de adolescência e inicio de vida adulta, bem ali no palco, cabelos grisalhos longos em tranças, túnica e calça branca, cantando Maracatú Atômico. Foi um show longo, delicado e bonito. Fui dormir tarde e estraguei o meu dia seguinte. Mas quem disse que não valeu a pena?
Para quem ainda lembra da história das azeitonas que vieram da fazenda no final do verão e que eu até pensei em processar eu mesma— pois elas chegaram ontem. Eram verdinhas, ficaram pretas. Nunca, nem em mil anos, eu iria imaginar que isso fosse possível. Mas é resultado do processo de salmora. Temperei as lindocas com pimenta vermelha em flocos, tomilho e alecrim secos, sal, azeite e vinagre de vinho. Em alguns dias vamos prová-las.
» invencionice - tostei os aspargos na frigideira de ferro, sem óleo, sem nada. eles exalam um cheirinho amanteigado. depois misturei esses aspargos tostados na etapa final da cozedura de um risotto.
Na maioria dos supermercados você ouve essa pergunta na hora de empacotar as compras - plastic or paper? Menos no Co-op e no Trader Joe's, onde só tem sacola de papel. Detesto o Safeway, onde os empacotadores só faltam bufar quando você responde papel, e que ainda não tem alça, talvez para desestimular a escolha. Eu normalmente peço papel, porque é mais fácil de reciclar e uso as eventuais sacolas de plástico, que nos são empurradas goela abaixo em outros locais, pra colocar os cocozitos e mijitos empedrados dos gatos. Mas se eu morasse em San Francisco, estaria prestes a ficar livre das sacolas de plástico para sempre—vejam só: San Francisco to ban plastic grocery bags. Iurru!
Quando eu vou ao Farmers Market, levo sempre uma sacola de pano ou uma cesta. Estou querendo expandir essa técnica para os supermercados e adquirir umas quatro ou cinco sacolas de brim, que se acha pra vender nos bons locais naturebas ou se pode improvisar usando aquelas tote bags que se ganha quando renova revista, e abolir também a sacola de papel. Mamã natureza agradece!
Comprei filés fresquinhos de halibut no Farmers Market e fui atrás de uma boa receita para fazê-los. Não precisei pesquisar muito, a primeira receita que vi aqui foi a escolhida! Fácil de fazer e muito boa! Esse peixe é bem carnudo, com um teor de gordura baixíssimo e muito saboroso.
Baked Halibut Supreme
1 quilo de Halibut
Manteiga
Sal
Pimenta do reino moída na hora
1/2 xícara de queijo parmesão ralado na hora - ralei no grosso
4 fatias de Bacon
1 colher de chá de sumo de limão
1 xícara de sour cream
1/3 xícara de farelo de pão moído grosseiramente
Bastante salsinha picada
Mais queijo parmesão ralado na hora para decorar - ralei no fino
Pré-aqueça o forno em 350ºF/180ºC. Coloque as 4 fatias de bacon numa forma refratária. Tempere o peixe com sal e pimenta. Coloque sobre o bacon, salpique com bolitinhas de manteiga. Numa vasilha misture o queijo ralado, o sour cream, as migalhas de pão e o suco de limão até formar uma pasta. Coloque essa pasta sobre os filés de peixe. Asse por 30 minutos. Na hora de servir salpique com uma mistura de salsinha e queijo parmesão ralado.
Uma maneira muito simpática de preparar a erva doce [fennel]. Essa receita estava originalmente num cardápio com carne, mas ficou ótima também acompanhando um peixe. Faz uma salada bem crocante, apesar de ser cozida.
4 bulbos pequenos de erva doce cortados em fatias
Azeite extra virgem
Sal kosher
1 limão
1/2 xícara de azeitonas verdes picadas
1/4 ramo de basilicão fresco - eu usei orégano e salsinha misturados
1 pitada de pimenta vermelha em flocos
Coloque a erva doce num refratário e tempere com azeite e limão. Coloque no forno ou grill - usei o broiler do meu forno - e asse por 5 minutos, retire, vire as fatias e recoloque no forno por mais 5 minutos. Retire, tempere com sal, pimenta, ervas, azeitonas, mais azeite e mais suco de limão. Sirva ainda morna.
Denny's, Applebee's, IHOP, Lyon's, HomeTown Buffet, Red Lobster, Carrows, Chevy's, Chili's, Chipotle, Sizzler, Outback, Fresh Choice, Marie Callender's, The Old Spaghetti Factory, Olive Garden, Bakers Square... Uma pequena lista de rede de restaurantes que têm algumas coisas em comum: bom preço, pratos fartos e comida massificada. Uma fonte fidedigna [um insider] me contou que nessas redes tudo é congelado e preparado industrialmente, nada, absolutamente nada é feito na hora, from scratch. Tudo vai do freezer para o forno, de pacotes, caixas e esquemas de preparo antecipado pra agilizar e baratear o processo. Quando você vê do balcão o cozinheiro preparando o seu prato ali na hora, e come tudo fresquinho, orgânico, local, preparado com os melhores ingredientes, não dá mais pra enfrentar essa massificação, que infelizmente já virou modelo de comida americana para exportação.
Mas numa bela tarde de domingo o inusitado acontece. Eu queria beber um chocolate e comer umas torradas francesas. Era o nosso café de fechamento do finde, que sempre fazemos em casa, mas o Uriel quis inovar e fazer na rua. Pensamos em ir no Ciocolat, que é uma casa de chá muito boa a três quarteiros de casa. Mas no meio do caminho fica uma Bakers Square, e então eu tive a idéia de girico de tomar nosso café lá. O Uriel foi contra, mas eu teimei!
Pedimos o cardápio de café da manhã às cinco da tarde. O restaurante estava cheio de velhinhos já jantando. Nesses lugares quem manda é o cliente. Se você quer tomar café da manhã na hora do jantar, será feita a sua vontade. Pedi um prato com as french toasts, que era o que eu queria, mas que de quebra trouxe ovos mexidos e bacon. Uma xícara de chocolate quente, que veio num copão de papel de um litro. O chocolate, um pozinho misturado no leite. Os ovos, saidos de uma caixa de omelete pré-misturada. As french toasts, congeladas. O bacon, pré-frito e requentado no microondas. Pra acompanhar maple "fake" syrup. TUDO, TUDO era industrializado. NADA, NADA tinha gosto de comida caseira, feita na hora. O Uriel com aquela cara de "tá feliz agora??" e eu simplesmente chocada por estar ali, comendo aquela comida plastificada.
Na hora de pagar a conta, fiquei olhando a vitrine das famosas tortas da Bakers Square: açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, toneladas de açúcar, e chantily falso cheio de conservantes, massa das tortas cheia de gordura vegetal, ou margarina. E por falar em margarina, veio uma bolotona de algo amarelado no meio das minhas french toasts e eu perguntei pro garçon, o que é isso? E ele, é manteiga! MANTEIGA??? Tá boa, hein santa?!
Para a Maria Célia, que pediu a receita das nozes caramelizadas. Na verdade elas são "glazed" [vitrificadas] e não tem caramelo, mas uma camada de qualquer coisa doce. Eu compro as minhas nozes prontas no supermercado, mas elas podem ser feitas em casa de inúmeras maneiras, usando mel, açúcar, maple syrup e até bebida alcóolica. Pode-se acrescentar vários tipos de especiarias. Escolhi essa receita, que tirei do site do California Walnuts e que é a mais parecida com as nozes que usei na Waldorf Salad.
Spiced Walnuts - Nozes Caramelizadas
1 clara de ovo
1 colher de sopa de água
2 xícaras de nozes descascadas
1/2 xícara de açúcar
1 colher de sopa de canela ou outra especiaria - mude ou misture a gosto, pode usar até pimenta em pó, se quiser fazer nozes mais audaciosas para enfeitarem uma salada.
Pré-aqueça o forno em 225°F/110ºC e forre uma assadeira larga com papel alumínio. Misture a clara de ovo com a água e bata até ficar espumante. Adicione as nozes e misture bem para que todos os pedacinhos fiquem cobertos com o liquido. Coe as nozes e deixe escorrer por uns minutos. Num saco de papel ou plástico, misture o açúcar e a canela. Adicione as nozes e sacuda bem, para que todos os pedaços de nozes fiquem cobertos pela mistura de açúcar. Espalhe as nozes na assadeira e asse por 1 hora, mexendo a cada 15 minutos. Deixe esfriar e guarde em latas ou vidros bem tampados.
Tá certo que o pão é um pumpernickel feito a mão por uma alemã que vende pães deliciosos no Farmers Market. E a manteiga é francesa, feita da maneira tradicional na batedeira e salgada com flor de sal. Mas não deixa de ser pão, nem de ser manteiga, que são duas coisas que eu adoro e que acho que fazem uma combinação perfeita—pão com manteiga!
Quando a Elise me ligou dizendo que ela e o pai estavam fazendo a minha receita de salmão, vulgo Moqueca da Paula, me acomodei num lugar estratégico para observar como uma blogueira profissional bloga. Foi fascinante e aprendi algumas coisas. Primeiro com uma conversa sobre generalidades blogais, depois sobre fotografia, e finalmente com o desenvolvimento em tempo real de um post culinário. Foi muito proveitoso pra mim, que me considero uma eterna aprendiz, poder compartilhar da maneira de blogar de uma pro, que bloga o que come, sem exatamente ser o jantar de ontem.
Gosto de blogar, por isso faço isso há tantos anos. E adoro conversar sobre blogs, blogagens, observar e analisar o comportamento da blogosfera. É interessante e muitas vezes surpreendente. Considero os meus blogs extensões virtuais da minha casa. Aqui é a aconchegante cozinha, ali é a sala de visitas, e lá é a sala de estar. Recebo diariamente muitos visitantes, que vêem de lugares diferentes e gozam de uma certa familiaridade com várias línguas e culturas. A maioria faz uma pequena visita de minutos e se entretem com o que encontra, senta, toma um chá, olha um livro, vê um filme, ouve uma música. Pode conversar comigo ou só entrar e sair calado - mas quase sempre com um sorriso nos lábios, pois pra isso eu dou garantia!
A famosa salada criada em 1896 por Oscar Tschirky, maître do hotel Waldorf-Astoria em New York, não tem segredo. Corte quatro talos de salsão [aipo/celery] em cubinhos. Descasque e pique em pedacinhos duas maçãs pequenas. Eu usei a gala e reguei com suco de limão. Misture tudo numa saladeira, crescente um punhdo de nozes torradas ou cruas. Eu usei as caramelizadas. Envolva tudo numa excelente maionese. Eu fiz a minha com duas gemas de ovo COZIDAS [vá de retro, salmonela!!], que bati no mini-processador com 1 colher de chá de mostarda dijon, 1/2 colher de chá de suco de limão, uma pitada de sal, uma pitada de pimenta do reino moída e azeite o quanto baste. Se não tiver um processador ou mini-processador, pode usar liquidificador, batedor de arame, o importante é misturar bem, emulsificar. A minha maionese ficou com uma cor bem amarela, porque eu uso ovo caipira.
Inspirada pelas sopas da Elvira, me entusiasmei pra usar as mandioquinhas [parsnips] que vieram esta semana na cesta orgânica. Não queria fazer nada que pudesse esconder o sabor adocicado dessa raiz que me faz lembrar da minha infância. Decidi fazer uma sopa simples, com as mandioquinhas e mais um talo de alho-poró. Refoguei tudo cortado em cubinhos no azeite, joguei um litro de caldo orgânico de galinha caipira [fancy that!], e deixei cozinhar bem. Bati com o mixer da mão, para moer tudo, mas quem quiser usar liquidificador, ou um amassador manual, tudo bem. Enquanto isso refoguei um punhado de verdura - usei os raminhos de dino raab que também recebi na cesta. Tudo pronto, temperei com sal e pimenta do reino e servi a sopa com um pouquinho da verdura refogada.
Vi essa receita na Márcia e achei tudo tão simpático, na maneira como ela diz pra misturar os ingredientes delicadamente e o detalhe da salsinha na massa. Adorei e copiei para fazer numa boa oportunidade. Ela chegou ontem, que foi um dia atrapalhado com meus dois gatos vomitando muito, o Roux completamente desmilinguido - o que é sinal de que algo está muito errado, pois ele é sempre alegre e brincalhão. Fiquei tão estressada com essa história toda, que precisei de uma idéia de algo para se preparar rapidamente, sem muitos salamaleques. Decidi fazer a torta napolitana! Fiz algumas modificações e o resultado foi uma massa ultra cheirosa e extremamente saborosa. Vou publicar copiado como está lá na Má.
Torta Napolitana
Bata no liquidificador até que fique homogênea a mistura: 1 tablete de caldo de galinha, 1 xícara (chá) de leite, 3 ovos inteiros, 1/2 xícara (chá) de óleo e 3 colheres (sopa) de queijo ralado. Em uma tigela, misture 2 xícaras (chá) de farinha de trigo, 1 colher (sopa) de fermento em pó, 1 colher (sopa) de salsinha e incorpore delicadamente a mistura do liquidificador.
Despeje metade da massa em um refratário untado com óleo, espalhe 2 tomates maduros e 200 g de mussarela picados e 1 colher (chá) de orégano. Despeje a massa restante e leve para assar no forno alto (220°C), pré-aquecido, por cerca de 35 minutos.
*minhas adaptações: como não uso tablete de nada aqui, substituí o caldo de galinha por dois dentes de alho assado e uma pitadinha de sal. No lugar do óleo eu usei azeite. Ralei o parmesão na hora e salpiquei um pouco por cima da massa. Para o recheio usei tomates secos, azeitonas pretas e aspargos. Assei em dois mini-refratários.
É sabido que eu não vivo sem eles. Fui correndinho até a bookstore da UC Davis, onde os azeites produzidos pela universidade estavam à venda. E não fui a única. Tinha muita gente comprando. Eles estão vendendo como "hot cakes" e deve ser por uma boa razão. Ainda não provei, mas tá engatilhado! O outro azeite, o Bariani também é produzido aqui no norte da Califórnia por uma família de italianos. É um azeite grosso e saboroso, percebe-se que é feito de maneira quase artesanal.
Os azeitinhos franceses da A L’Olivier são simplesmente o fino da bossa! Gosto desses que são aromatizados, especialmente o de limão com gengibre. Trouxe uns da França comigo, mas como sempre posso comprar por aqui mesmo. Esse azeite é um daqueles produtos mágicos, que transforma qualquer alfacezinha num manjar dos deuses.
Nossa intenção original era passar o dia em Calistoga, fazendo banhos e massagens nos inúmeros spas da cidade. Idéia do meu marido, não muito festejada por mim. Eu não estava no humor de imergir numa banheira cheia de lama terapêutica, ou numa jacuzzi de água sulfurosa, suar em sauna baforenta, colocar máscara de ervas no rosto, massagem com óleo e sais... Sei lá. Pra minha sorte, os spas estava todos com as agendas lotadas e não conseguimos vagas para a tortura de ficarmos relaxados e purificados.
Meu marido sugeriu que voltássemos para o Napa Valley, e almoçássemos no restaurante do The Culinary Institute of America, em St. Helena. Poxa, agora sim uma boa idéia! Fomos então para o Wine Spectator Greystone Restaurant, a antiga vinícola, ainda produtiva, que hoje abriga o campus da CIA na Califórnia. O restaurante fica no prédio da escola, com uma vista maravilhosa para o vale e um serviço primoroso. Ouvimos do rapazinho sul-africano que nos serviu e cuidou de nós durante toda a refeição, que o restaurante é mantido por um full-time staff e não por estudantes. Respiramos aliviados, pois não iríamos comer nada feito por mãos tremulas de aprendizes.
O menu muda diáriamente. Nós pedimos o Today's Temptations, que é uma série de samples de aperitivos diferentes. Não vou lembrar os micro-detalhes de cada pratinho, mas um era paté, outro camarão, outro sopa de couve-flor, outro - meu favorito - bolinhos de batata, e um queijo branco. O Uriel foi de Pomegranate Glazed Chicken com risotto de butternut squash, swiss chard, pinenuts e currants. Eu pedi um Grilled Angus Hanger Steak, que veio acompanhado de batata, ferns, garlic coulis, cogumelos e blue cheese. Eu bebi um Zinfandel produzido lá mesmo na Greystone. Muito bom. De sobremesa, o Uriel foi de creme bruleé e eu de pineaple tart tartin com coconut ice cream e meyer rum syrup. Tudo divino! Saímos de lá com a barriga estufada. Sentamos no páteo apreciando o sol quentinho e a paisagem linda. Muito melhor que qualquer massagem!
O nosso simpático atendente nos avisou que poderíamos fotografar, fazer perguntas para os diversos chefs, observar o preparo da comida pelos balcões das cozinhas, que eram todas abertas. Eu então larguei um pouco a timidez de lado e tirei algumas fotos. Muito legal, né Vitor?
*mais clicks AQUI.
Por causa do meu mau humor e falta de apetite matinal, levo uma lancheira pro trabalho com snacks nutritivos para me sustentarem pela manhã. Não consigo comer em casa às 6:30 am, então faço quando chego no trabalho. Começo às 8 am com um chá e alguma coisa mastigável. Levo sempre coisas saudáveis, iogurte, frutas, purê de maçã, boachinhas integrais, barras de granolas. Outro dia olhei pra minha lunch box térmica, daquelas de plástico e pensei - CHEGA! Putsz, me deu um enjôo, achei ela tão feia, tão propensa a ficar suja, difícil de limpar. Decidi que precisava de lancheiras de metal, mas não queria aquelas estilo malinha - tenho algumas que uso para guardar fotografias. Queria algo diferente. E achei! Comprei essas duas na lunchbox.com. Vou usar a menor por enquanto. O Uriel adorou a redonda, que segundo ele é a lancheira do Fred Flintstone!
Fez um dia tão agradável, que retomamos o nosso ritual de almoçar no quintal. Fiz um ranguinho super simples - quibe assado e salada de alface com tomate, cenoura e azeitona preta temperada. Comer fora é muito bom!
Minhas incursões pelas terras das sobremesas nem sempre são bem sucedidas. Eu persisto, mas há muito o que aprender ainda. Sem falar que não somos muito chegados em coisas açúcaradas. Quando encontro uma receita que por um motivo ou outro me interesse, fico sempre animada para experimentar, especialmente se ela for fácil!
Essa é do site da Betty Crocker que por acaso eu tenho na minha personal page do Google. Eu não tenho muita afinidade com a BC, mas gostei dessa receita das barrinhas com o Irish cream. Fiz e vou ser sincera, ficam bem gostosas, mas um pouco doces demais pro meu gosto. E ficam com um sabor bem acentuado do licor, então meu maridô não vai gostar. Mais um doce encalhado, êta lasca, a não ser que eu conte com a ajuda do Super Gabe!
Irish Cream Bars
3/4 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara, 1 barra de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1/4 xícara de açúcar de confeiteiro
2 colheres de sopa de cacau em pó, sem açúcar
3/4 xícara de sour cream
1/2 xícara de açúcar
1/3 xícara de licor Irish cream - Bailey's ou similar
1 colher de sopa de farinha de trigo
1 colher de chá de baunilha
1 ovo
1/2 xícara de chantily
Chocolate granulado, se quiser - eu não usei
Pré-aqueça o forno em 350ºF/180ºC.
Numa vasilha misture os 2/3 xícara de farinha, a manteiga, o açúcar de confeiteiro e o cacau. Amasse bem com os dedos até formar uma massa meio grudenta. Forre uma forma quadrada ou retangular com papel alumínio, coloque a massa espalhada e asse por 10 minutos.
Numa outra vasilha prepare o creme, misturando com um batedor de arame o restante dos ingredientes - sour cream, Irish cream, ovo, farinha, açúcar, baunilha. Coloque sobre a massa assada e asse por mais 20 minutos, até o creme assentar. Deixe esfriar, cubra com plástico e leve à geladeira. Deixe gelar por pelo menos 2 horas antes de cortar. Decore com chantily e chocolate granulado, se quiser e sirva.
Onde quer que se vá, aqui em Davis, vai com certeza encontrar fileiras de oliveiras, a maioria delas árvores bem antigas, que devem ter providenciado sombra para as carroças quando a cidade ainda era uma fazenda pertencente ao campus da UC Berkeley. Eu adoro as oliveiras, mesmo sabendo que elas fazem uma sujeira danada. Aqui ao lado da minha vila, na First Street, tem uma fileira delas, que fazem o chão ficar seboso e enegrecido durante certa época do ano.
Sempre tive um sentimento de pena vendo todas aquelas azeitonas sendo desperdiçadas. Nos dez anos que vivo aqui em Davis, vi uma única vez uma família com escadas e latas pegando algumas das azeitonas. Talvez não valha a pena, não sei. Eu mesma nunca tentei, porque não vou dar micão, sozinha, com uma escada e balde no meio da avenida, e minha família iria me internar se eu sugerisse que eles me ajudassem numa empreitada dessas. Mas felizmente os cabeças da UC Davis refleriram sobre o desperdício e decidiram aproveitar, ao menos as azeitonas que pululam pelo campus. Nesta semana foi lançada uma linha de azeite & vinagre. Perdi o evento inaugural, mas vou ver onde estão vendendo esse azeite, pois ele já está na minha lista de "must have". Meus amigos Allan e Alison não dormiram de touca, foram e compraram o azeite!
Vou ter outro daqueles dias, com uma história chata, chata, chata. Já estava ficando borocoxô quando percebi que precisava só de um pingo de doçura. O morango, os lady fingers molinhos e o creme com um pouquinho de mel foram muito bem-vindos! Pronta pra mais uma então, se bem que agora eu sempre solicito cadeira na primeira classe.
Vi essas latinhas no Co-op, enquanto fazia meu grocery shopping e não pude resistir. Eram latinhas para colocar os saquinhos de chá, redondinhas como os saquinhos do chá branco que consumo abundantemente e trago para o trabalho em pequenos sacos plásticos. Agora meu cházinho está super bem acomodado. Cute!
Eu adoro contar histórias e essa merece ser contada. Qual a probabilidade de dois pacotes, viajando com velocidades diferentes, chegarem ao seu local de destino exatamente no mesmo dia? Em outubro, eu e a Valentina combinamos um escambo. Passei novembro pensando e escolhendo [a dedo!] o que mandar, mas só fui enviar a caixinha recheada em dezembro. Espera, espera, espera. Janeiro a Valentina me avisa que provavelmente a caixa tinha chegado lá e teria sido reenviada pra mim, pois ela não estava em casa. Espera, espera, espera. Eu sou uma pessoa toda certinha, não suporto quando as coisas não funcionam como deveriam - deve ser a combinação da minha Vênus em Virgem com o meu Saturnão pesadão no ascendente Capricórnio - então eu estresso fácil. Fui ao correio, reclamei, bufei, chutei lata, ouvi de um funcionário gentil que eles nada podiam fazer pra me ajudar, não havia como fazer um tracking da caixa. Fiquei desolada, tudo perdido. Enquanto isso, no outro continente, a Valentina enviava a caixa dela. Eu já tinha dado a minha como perdida. Quando cheguei em casa e vi os pacotes na porta de casa, rejubilei, pois é sempre bom receber presentes, mas ao mesmo tempo entristeci, pois ela nao tinha recebido o meu presente. Li horas depois. surpresa, uma mensagem da Valentina descrevendo o conteúdo da minha caixa! As caixas chegaram JUNTAS, no MESMO DIA!! Onde esteve a minha caixa todo esse tempo? Na casa da vizinha da Valentina, que viajara pra França e sofrera um acidente por lá, retornando somente um mês depois. Isso é roteiro de filme e nem estou em Hollywood. Espero que a Valentina tenha gostado da pequena amostra da Califórnia que mandei pra ela, pois eu adorei experienciar mais uma vez a multiculturalidade da terra inglesa.
Vi uma fulana fazendo essa receita num programa de tevê. Adorei a idéia de colocar maçã na tradicional sopa de cebola. A receita é a basicona:
2 cebolas brancas descascadas e cortadas em fatias
1 maçã verde [Granny Smith] descascada e cortada em fatias
5 colheres de manteiga
1 litro de caldo de legumes [usei orgânico]
1 copo de vinho branco
Um raminho de tomilho
Sal marinho e pimenta do reino moída a gosto
Fatias de pão francês
Queijo Gruyère ralado
Derreta a manteiga numa panela funda. Jogue a cebola e a maçã e refogue, mexendo de vez em quando, longamente, até começarem a caramelizar. Jogue o vinho, o tomilho, depois o caldo de legumes. Tampe e deixe cozinhar no fogo baixo até reduzir. Salgue a gosto. Moa pimenta a gosto. Coloque a sopa em cumbucas, ponha uma fatia de pão francês no meio da cumbuca e cubra com bastante Gruyère ralado. Ponha no forno pra gratinar. Se você tiver um broiler, é questão de uns minutos.
* no programa de tevê, a fulana cobria a sopa com uma mistura de queijo Cheddar e bacon frito moído. eu achei meio over the top, não fez a minha cabeça. Preferi usar o tradicional Gruyère, mas fica a dica, se alguém quiser tentar.
O restaurante Poulet em Berkeley, onde tivemos nossa aula de clara de ovo com a pastry chef Shuna Lydon é todo decorado com galinhas por razões óbvias. Achei tudo encantador, porque vocês sabem, eu adoro as galinhetes e coleciono algumas. Antes da aula começar fiquei fotografando, mas elas eram muitas! Pra minha surpresa, estavam à venda as d' angolas brasileiras, aquelas com a ninhada penduradinha. Fui olhar o preço: 15 patacas americanas. Pois minha mãe comprou a mesmíssima galinha no Mercadão de Campinas, pra eu trazer pra sogra do Gabriel, e pagou meras 5 patacas brasileiras. A inflação deve ter ficado por conta do charme do restaurante, numa cidade também super charmosa, no norte da Califórnia. Só pode ser né? Pisc!
Fui caminhar no Arboretum quando cheguei em casa do trabalho e como a temperatura hoje chegou na máxima de 26ºC, as duas milhas e meia de camelagem me fizeram até suar. Fui avisada que jantaria sozinha - ele até dá um suspiro quando diz que tem muita coisa pra fazer. Já estou acostumada, nossa rotina incluí dias assim. Zanzei um pouco pela cozinha, olhando o que tinha na geladeira, o que tinha na despensa. Outra rotina. Tinham em mente fazer uns aspargos lindos que vieram na cesta orgânica, mas vai ficar pra amanhã, ou depois. Resolvi fazer polenta, pois ainda estou nessa fase, que está demorando pra passar.
Desta vez a combinação de ingredientes na geladeira rumou para um refogado de carne para acompanhar a polenta e foi feito do modo mais simples. A receita vai ser à moda antiga: refoga-se lá meia cebola num azeite, acrescenta-se os pedaços de carne, que no meu caso já estavam cozidos, mas podem ser crus, depois joga-se umas cenouras cortadas na diagonal. Quando estiver tudo refogadinho, joga-se um bom copo de vinho tinto e depois outro bom copo de molho de tomate. Pode usar molho em lata ou vidro, mas eu recomendo um desses deliciosos feito em casa, sobra de outro dia guardada no tupperware, ou apenas uma lata de tomates em conserva, desses sem sal, sem tempero, batido num liquidificador. Jogua-se um raminho de orégano fresco, sal e pimenta do reino a gosto. Deixa reduzir.
Enquanto a carne refogava no molho que engrossava, eu escrevi um texto para o meu blog de cinema sobre Jean Arthur, uma das minhas atrizes favoritas - lovely, lovely!
Quando a carne ficou pronta, com um molho bem denso, preparei a polenta do modo mais simples, com sal e um fio de azeite na água fervendo - 3 xícaras de água, 1 xícara de polenta. Quando ela encorpou, acrescentei um queijo cremoso, mas sinceramente nem precisava. Comi um pratão sentada no escuro, usando uma colher e acompanhando tudo com um copo enorme de vinho branco.
Mais um cornbread. Sim, mais um cornbread. Eles não são deliciosos? Vale a pena fazer de novo, de novo, de novo! Esse saiu da edição de março de 2007 da revista Everyday Food. Era pra ser do tamanho de mini-muffins, mas eu fiz em tamanho regular, pois não tenho forma para mini-muffins. E usei blue cornmeal, que é realmente azul [um indigo bem desbotado] e é um pouco mais pesada e tem mais proteína. Os pãezinhos ficaram bem macios, com uma textura incrivelmente cremosa. Segundo a receita, isso é devido ao sour cream.
Se fizer na forma de mini-muffins, rende 24 bolinhos, na forma normal rende 12.
1/2 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de cornmeal
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de sal
1/4 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 ovo grande
1 1/2 xícara de sour cream
1 lata [400g] de milho
Unte a forma de muffins com manteiga.
Pré-aqueça o forno em 425ºF/220ºC.
Numa vasilha média misture a farinha, o cornmeal, o açúcar, o fermento em pó, o bicarbonato de sódio e o sal. Faça um buraco no centro e acrescente o ovo, o sour cream e o milho. Misture tudo junto até ficar incorporado, mas não exagere. Coloque a massa na forma e asse por 15 minutos. Deixe esfrirar. Pode guardar fora da geladeira num tupperware bem fechado por até 2 dias.
Foi tudo ótimo! Dirigir até Berkeley papeando com Elise e Garrett, conhecer a Shuna, e aprender coisas incríveis sobre ovos, que vou com certeza aplicar no meu dia-a-dia. Passamos uma tarde agradável no restaurante Poulet, ouvindo a pastry chef falar com tanto conhecimento, e fazendo na nossa frente algumas sobremesas simplesmente dos céus. Shuna Lydon é uma mulher pequena e magrinha, mas cheia de firmeza e personalidade. Perto dela me senti uma ervilha, tal a grandeza do seu talento e sabedoria. Eu absorvia tudo o que ela falava como se fosse uma esponja. Rimos e conversamos muito, no final quando saímos da cozinha e sentamos nas mesinhas do restaurante para saborear as delícias inenarráveis feitas pela chef durante a aula, conversamos muito sobre comida e principalmente sobre blogs.
Tem um aspecto muito interessante na a minha participação no grupo de food bloggers americano. Eu não escrevo em inglês por razões que desfio sempre que encontro com alguém pela primeira vez: eu não tenho tempo pra escrever uma versão do blog em inglês; e acho que escrever em inglês vai me transformar em simplesmente mais um blog, pois acho muito difícil traduzir com exatidão a minha personalidade na escrita do português, vou perder um pouco do meu estilo, vou ficar pasteurizada, porque definitivamente meu chucrute não é sauerkraut! Mas o mais incrível disso tudo é que quando eu digo isso, os food bloggers que escrevem em inglês concordam comigo e apoiam essa minha decisão, o que não os impede de me considerar parte do grupo e de me incluir nos encontros e eventos. Me sinto super a vontade com eles, mesmo sabendo que a maioria nem consegue me ler. Pra mim isso é no mínimo, o máximo!
* menu da aula: floating islands e pavlovas leves como plumas servidas com um bolo finíssimo de baunilha, chantily sem açúcar e molho de framboesas orgânicas. a chef também fez um marshmallow maravilhoso, que derretia na boca e tinha o perfume e o sabor adocicado do néctar de agave, que ela usou no lugar do corn syrup. divino! fiquei sem palavras...
** mais fotos AQUI.
Tirei a receita dessa salada da revista Organic Life de setembro de 2005. Omiti o alho, por razões ululantes. Mas se eu tivesse alho assado, teria usado. O molho dessa salada vai chocar os que acham inconcebível o abacate em receitas salgadas. Oh well, depois de provar essa delícia o choque irá passar...
Um cebola de sabor suave cortada em fatias finas- eu usei a roxa
Deixe de molho na água por uns minutos
Folhas de alface - eu usei uma mistura de vários tipos de alface
Um pepino cortado em fatias finas
Misture os ingredientes da salada numa vasilha. Prepare o molho:
1 abacate pequeno
Um punhado de folhas frescas de manjericão - eu usei salsinha
Um dente de alho picadnho - eu omiti
1/4 xícara de iogurte natural ou buttermilk - eu usei iogurte grago
1 colher de sopa de suco de limão
1 colher de sopa de vinagre de vinho branco
Azeite o quanto baste
Sal kosher [grosso] e pimenta do reino a gosto
Bata os ingredientes no processador, até ficar um creme. Sirva sobre a salada ou num potinho separado para cada um se servir. Esse molho deve ficar excelente para acompanhar um crudité de legumes.
Eu não sou muito fanzoca dessa verdura, mas meu marido adora e então eu faço assada, depois deixo esfriar e tempero com vinagre balsâmico, azeite e sal grosso ou flor de sal. Fica tão bom que até eu como!
Normalmente nos jantamos fora nas sextas-feiras. Mas nessa última além de eu estar cansadérrima, me deu um siricotico de fazer essa receita de pesto de alcachofra, que eu vi não sei onde. Como não tinha a receita, somente a idéia, fiz da minha cachola mesmo. O resultado foi excepcional!
Cozinhe o fuzilli em bastante água e sal. Enquanto isso coloque no processador uma lata de coração de alcachofra, um punhado de coentro fresco, um outro punhado de pinoles tostados no forno ou na frigideira, pimenta do reino moída, sal marinho, azeite o quanto baste. Bata tudo até formar uma pasta. Misture ao fuzilli cozido e sirva.
* invés de coentro, pode-se usar manjericão, salsinha, cebolinha.
** invés dos pinoles, as amêndoas ou as nozes devem fazer bonito.
* é que hoje eu quebrei o jejum de cinco meses fora da água e fui nadar! iurru!
Eu vivo dizendo e repetindo brazilian vezes que amo, adoro, venero usar bebida alcoolica em receitas, sejam doces ou salgadas. Acho que o álcool confere um sabor especial à comida, ajuda a ressaltar os sabores. Sempre guardo sobras de vinho para esse uso. E apesar de quase não beber, tenho um bar invejável. Já tive meus momentos criativos, adicionando cerveja à tradicional sopa de carne e cevada.
Também ousei numa receita de ovos mexidos que fiz, lá pro final dos anos 80. Eu não suporto ovo, o cheiro, a textura, o sabor. Como as claras, mas as gemas só se for numa omelete ou mexidos muito bem temperados, pra esconder o sabor da eca amarela. Pois então num belo dia, estava eu na minha cozinha piracicabana preparando uns ovos mexidos pra matar a fome da família, porque provávelmente tinha sido um dia corrido e não tinha dado tempo de de pensar ou preparar nada mais complicado. A receita é simples: numa frigideira derrete-se manteiga, refoga um pouquinho de cebola picadinha, jogua uma lata de ervilhas [pode usar a congelada, mas ferva e escorra primeiro], jogue então os ovos e vá mexendo, como se faz ovos mexidos. Salgue. Um minuto antes de desligar o fogo, acrescente uma dose de pinga. Refogue rapidinho pra pinga evaporar, tempere com pimenta do reino moída e sirva com torradas e salada. Olha, parece brincadeira, mas pra mim a pinga tira o cheiro de ovo e ainda acrescenta um sabor especial ao mexido. Já fiz essa receita experimentando com outros destilados, mas a versão com a pinga continua sendo a melhor.
Também tenho o costume afogar penosas em álcool, seja o tipo que for. Outro dia li a receita do Frango na Cerveja Preta no Ratatouille da Lara e fiquei inspirada. O Gabriel me deu no ano passado uma caixa de cervejas de verão, que está lá no cantinho da cozinha desde então. Elas são cervejas leves e resolvi usar uma delas pra afogar o frango. E afoguei - literalmente. Usei uma garrafinha para três pedaços de penosa. Temperei com tomilho, sal, pimenta e a cerveja. Deixei vários dias marinando na geladeira. O frango ficou imerso. Retirei os pedaços da marinada, coloquei numa forma com tampa e assei por mais ou menos uma hora e meia. A carne desprendeu dos ossos, ficou macia e o sabor bem interessante.
Comprei esse livro há muitos anos, numa book sale em Sacramento. Uma pequena pérola da culinária natureba, publicado em 1972 por uma editora que não existe mais, a Nitty Gritty de Concord, em papel rústico, com receitas simples. Foi amor a primeira vista! O que mais gosto nos livros usados é tentar recriar a sua história. Esse particularmente me fascina, por causa da dedicatória.
“Happy ‘16th’, Susan! From Mom, 1975”
Fico então viajando: a Susan teria hoje 48 anos, será que ela não gostou do livro, por isso ele acabou na booksale? Será que contrária à mãe, que devia ser uma natureba pra dar um livro desses no aniversário de 16 anos da filha - uma data memorável por aqui, a Susan gostava de comida congelada e nunca nem abriu o livro? Será que a Susan fez alguma receita? O que será que ela sentiu quando abriu o presente e viu o livro de receitas naturais? Será que a Susan deu o livro pra amiga hiponga? Ou deixou na casa da mãe quando foi pra universidade e nunca mais se lembrou dele? Tenho certeza absoluta que a mãe da Susan era natureba, mas ela não era! Quantas pessoas tiveram esse livro antes de mim? Quantas receitas foram feitas? Por onde andará Susan e sua adorável mãe?
Um macarrãozinho rápido para uma terça-feira corrida e cansativa. Tirada da edição de julho de 2005 da revista Real Simple. Faz quatro porções.
450 gr de macarrão penne
2 colheres de sopa da manteiga sem sal em cubinhos
1 xícara de ricota fresca
1/2 xícara de ervas frescas - eu usei salsinha, cebolinha francesa, manjericão e tomilho
Raspas da casca de um limão
Sal kosher
Pimenta do reino moída na hora
Cozinhe o macarrão na água e sal. Escorra. Reserve 1/3 xícara da água do cozimento. Numa panela misture a água, a ricota e a manteiga e mexa bem com um batedor de arame, em fogo baixo, até formar um creme. Salgue a gosto, acrescente as ervas picadinhas e as raspas do limão, misture o macarrão cozido, tempere com a pimenta fresca e sirva.
Eu adoro essa tirinha, que me faz dar gargalhadas estrondosas. Adoro a tontice do porco e a calhordice do rato. O desenhista da tira, Stephan Pastis, antes de virar cartunista era advogado. Está explicado!
Desde que comi as ameixas no Zuni Cafe que encasquetei que iria tentar fazê-las em casa. Elas ficam ótimas acompanhando presunto ou outro tipo de carne de porco. Inventei bem inventado. Misturei as especiarias: cardamomo, aniz estrelado, sementes de erva-doce, cravo da india, gengibre em pó, coloquei até uma pitadinha de lavanda. Misturei numa boa dose de brandy e mergulhei as ameixas nesse liquido. Coloquei num vidro, fechei e deixei macerar por dois dias. O brandy absorve o aroma das especiarias e as ameixas absorvem o brandy. Eu errei um pouco na mão e pus muito brandy, mas as ameixas estão bem saborosas, macias e impregnadas - hic! Coma com moderação.
Eu costumo fazer esse tofu com verdura, quando preciso gastar as verdinhas acumuladas. Mas nem é só por isso, mas sim porque é bom! Hmm! Normalmente eu frito o tofu dos dois lados e cubro com um molho teryaki, desses prontos. Eu comprava um picante feito por um restaurante japonês daqui de Davis, que infelizmente fechou. Mas qualquer outro serve. Depois eu refogo a verdura no azeite e alho, temperando com sal a gosto no final.
Hoje eu fiz diferente, pois cozinhei o tofu no broiler - que é aquela parte do fogão que cozinha com um foguinho por cima da comida, excelente para gratinar, e também ótimo para assar. Para fazer o tofu no broiler, aqueça o forno bem quente - 500ºF/260ºC e coloque uma frigideira de ferro no centro. Quando o forno atingir a temperatura desejada, coloque o tofu cortado ao meio na frigideira, desligue o forno e ligue o broiler. Coloque a frigideira na grade de cima do forno, mais próximo da chama. Asse por uns quinze minutos. Retire a frigideira do forno com cuidado, coloque o tofu num prato e cubra com o molho teryaki. Sirva com a verdura cozida, eu fiz um maço de bok choy.
Também acrescentei um macarrão soba de chá verde, que eu precisava experimentar. Cozinhei normalmente e fiz um molhinho com shoyo, suco de um limão, raspas desse mesmo limão, sake, um raminho de cebolinha picada bem fininha e um punhadinho de gergelim branco torrado.
Elas estão por todos os cantos, nas portas das lojas, nas feiras ou batendo de casa em casa, sempre acompanhadas dos pais. São as escoteiras, que nessa época do ano têm que cumprir uma meta de vendas dos famosos cookies. Então aguentemos as investidas - e elas são tão lindocas e fofas que fica difícil dizer não. Meu marido já comprou seis caixas de filhas de colegas e da nossa pequena vizinha da frente. Eu compro os cookies da escoteira filha do meu colega programador. Os cookies de chocolate e menta são bem populares. Eu já comprei os samoas e os lemonades. Não sou chegada em cookies, então fico naquela situação, só comprando mesmo porque é cookie time!
Foi há tantos anos, eu nem era casada, tinha acabado de entrar na faculdade de psicologia, conhecera um grupinho odara e tinha iniciado uma daquelas terapias inovadoras e alternativas que abundavam na época. Essa era importada da Califórnia e chamava-se Fisher-Hoffman. No primeiro dia me senti incrivelmente perdida e no intervalo para o almoço - que nesse dia teve - fui levada por uma garota para uma república de estudantes hiponguissimos, daquelas onde não tinha geladeira, o sofá era um colchão forrado de panos indianos e os armários eram caixotes de maçã empilhados. A menina ferveu uma água e abriu um envelope de sopa Knorr ou Maggi, daquelas bem ruizinhas sabor canja de galinha. Preparou e serviu em dois pratos, um pra mim, outro pra ela, acompanhados por uma bisnaga de pão francês da fornada de ontem da padoca da esquina. Estávamos sorvendo a sopa e conversando quando chegou um outro habitante da república, um indivíduo realmente espaçado, que na boa, enquanto conversava comigo e com a menina, partia pequenos pedaços do pão que estava na mesa com as mãos, molhava NA MINHA SOPA e comia. Se eu tinha qualquer ilusão ou sonho hiponguitico naquela época, ele deve ter morrido ali mesmo, com aquela magnífica demonstração de displicência. Tive outras experiências absurdetes com comida no grupo do processo Fisher-Hoffman, mas essa foi a mais memorável.
Foi um final de semana ocupado, mas sem muitas invenções de moda na cozinha. Jantamos fora na sexta à noite e sábado no almoço. Fiz pizza no sábado à noite e carne assada com saladinhas variadas no domingo. Não fiz sobremesa, não assei torta, não experimentei, não inovei. Estive ocupada fazendo tanta coisa. Mudança de estação parece que pede reorganizações e arrumações. E minha casa precisa de muita reorganização e arrumação, a começar pelos armários e gavetas da cozinha. Mas um passinho de cada vez. Começei pelo armário do hall de entrada e vou fazer tudo aos poucos. Plantei mais ervinhas e lavandas, pendurei lanterninhas de madeira na porta, e olha só, com empurrãozinho da Elise, decidi, me registrei e no domingo eu vou lá!
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Enquanto passava a minha pilha de livros pela registradora, a dona da livraria apontou esse - The Cookware Cookbook - e disse que quando fez a encomenda do lote desse livro logo pensou quem seria a audiiência para ele. Eu! Of course! Disse pra ela que eu precisava de umas aulinhas de panela, pois sinto que estou sempre usando a panela errada para preparar as receitas. Muito funda, muito rasa, muito grossa, muito fina, muito larga, muito pequena - muitas vezes decido trocar de panela no meio de um preparo, pois estou vendo que a coisa não está funcionando. Com algumas coisas não dá pra improvisar. Ou você usa o utensílio correto, ou.....