domingo no Napa
napacomle1.JPGnapacomle2.JPG
napacomle3.JPGnapacomle4.JPG
napacomle5.JPGnapacomle6.JPG
clique & amplie

Passamos o domingo no Napa Valley, onde fizemos um picnic na vinícola Sattui, que tem um espaço enorme e muito agradável próprio para as picnicagens. As crianças adoraram. Depois passeamos pela vinícola Beringer e fomos tomar café em Calistoga. Milagrosamente meus sobrinhos concordaram em tirar uma foto comigo! Hooray!! Memórias para a posteridade.

o salmão que virou salada
salmaovirousalada.jpg

Uma das minhas maiores felicidades culinárias é conseguir reaproveitar sobras. Fico num pesar profundo quando jogo comida fora. Como sobrou muito salmão do almoço de sábado, já fiquei naquela angustia de—será que vou conseguir reaproveitar esse peixe?

Chegamos cansados do Napa Valley, eu sem ânimo pra inventar nada e todos sem apetite pra comer coisas pesadas. Lembrei de um tantão de alface que tinha na geladeira. Estão vindo alfaces gigantes na cesta orgânica e não estamos dando conta de tanta folha verde. Também tinha um bulbo de erva-doce. E azeitonas. E o salmão, salmão!

O molho pra temperar essa saladinha foi feito com mostarda amarela preparada, suco de limão, vinagre de maçã, azeite, sal, pimenta do reino, maionese e dill fresco e seco.

um delicioso bolo [comprado]
nivergabe07_1.JPG
nivergabe07_2.JPG
nivergabe07_3.JPG
nivergabe07_4.JPG

Comprei o bolo mousse de manga no Ciocolat, porque não está dando tempo de cozinhar nada especial—só estou fazendo o trivial. E também por causa do tombaço, não estou conseguindo fazer algumas coisas normais com o braço esquerdo. Mas o niver do Gabe foi muito bem comemorado, com salmão, batatas, cogumelos, favas verdes, salada de rúcula, tudo orgâââânico—minha irmã não deve estar aguentando ouvir tanto isso é orgânico, aquilo é orgânico, orgânico, orgânico, orgânico...

fazendo pequenas viagens
cacafaustopuppy.JPG
picnicimprovisadoSF1.JPGpicnicimprovisadoSF2.JPG
picnicimprovisadoSF3.JPG

Tirei uns dias de férias para passear com minha irmã, cunhado e sobrinhos que estão aqui em Davis me visitando. Estou numa rotina um pouco diferente, por um ótimo motivo! Fomos à San Francisco de trem e mesmo com um desagradável incidente tivemos um ótimo passeio, com muita camelagem. O mais divertido para a Catarina e o Fausto foi o picnic que fizemos no banco do Ferry Building Marketplace. Em plena hora do almoço, o local estava horrívelmente muvucado e resolvemos improvisar um ranguinho com pão, tapenade, frutas e suquinhos. Foi uma sensação! Mas a Cacá ainda não sabe o que a espera: muitos e muitos picnics pela frente.

vinte e cinco puxões de orelha!
mamigabe.jpg
Gabe com nove meses e sua mami descabelada

Já escrevi tanta coisa sobre os aniversários do meu filho.

Cada ano era uma coisa diferente: festa toda encomendada, bolo de chocolate despencado e derretido feito por mim, bolo em forma de cometa, churrasco no clube, pizza com os amigos, velinhas em cima do muffin, muitos aniversários sem bolo, muitas comemorações em restaurantes, bolo de chocolate de caixinha feito pela Marianne, muitos aniversários me esqueci o que fizemos, como comemoramos, afinal são vinte e cinco anos.

Lembro do ano 17, quando pela manhã eu tive essa idéia que achei sensacional. Saí do trabalho na hora do almoço e invés de ir almoçar, fui até o supermercado e comprei mil coisinhas, bolinho, vela em formato de Um e Sete, bexigas, serpentinas de papel crepe, confetes pra espalhar na mesa—fui pra casa e preparei uma festa surpresa diferente. Quando ele chegasse da escola, iria encontrar a mesa posta como se fosse uma festa, instruções escritas para fazer coisas, tudo paramentado. Passei a tarde rindo sozinha, pensando na cara de bocó dele, quando chegasse e visse a minha surpresa. Às seis da tarde corri embora, entrei em casa e ele estava vendo tevê. Abraços, beijos, feliz aniversário, tárará e a pergunta ansiosa de mãe, então, gostou da surpresa que eu fiz pra você? E ele com aquela cara blasé de dezessete anos:

—aanh, achei meio jeca tatu, mas gostei...

but the world goes 'round

Histórias do cotidiano de uma pessoa comum têm que ser repetitivas. Não tem como escapar do ciclo - como as estações, os aniversários, as comemorações oficiais, os xis marcados nos calendários, as festas, as marés ou as fases da lua. Tudo vem e vai, vem e vai, vem e vai. É uma boa explicação e até uma reflexão para entender porque estou sempre escrevendo sobre os mesmos assuntos ou mostrando fotos tão parecidas.

Todo ano eu faço aniversário e publico os números dramáticos em letras garrafais, depois esfria, as folhas das árvores ficam amarelas, vermelhas, douradas e caem, acendemos a lareira, o gato quase queima os bigodes, assamos um peru que dividimos com a família no dia de agradecer, fazemos compras, ficamos com dor no lombo varrendo folhas, começa a chover, eu me acovardo da piscina, tiro fotos dos enfeites de Natal, publico um cartão e desejo tudo de bom para todos, fico aliviada quando o ano se inicia, como nove sementes de romã, reclamo que não pára de chover, reciclo, recrio, me animo com a chegada da primavera, encho o saco da humanidade com as minhas fotos de flores e, principalmente, rosas. O jasmim abre, capino a horta, planto tomates, as pestes chegam devagarzinho. O Gabe faz anos, faço o meu próprio breakfast no dia das mães, reclamo que esta ficando muito quente, nado diáriamente, não tiro as havaianas legítimas dos pés, arranco mais mato, detono as pestes e colho tomates, o Ursão viaja, viaja, viaja e eu reclamo mais um pouco, as aulas e o ano recomeçam na UC Davis, eu aguardo ansiosamente uma brisa de outono, faço compras, combino uma social com os amigos, asso um bolo, vou dançar o Blues, penso no meu aniversário que já está chegando, jesus como este ano voou!

Por isso, estou parando um pouco de me incomodar com a repetição dos meus assuntos, pois a vida é terrivelmente repetitiva e não é assim que é bom?

somos todos Bridget Jones?

A reportagem da Fadua Matuck para o O Globo não tem nada a ver com culinária, mas dei os meus palpitinhos lá. Quem quiser ler, a matéria começa aqui e segue por aqui, com um extra aqui. Adorei participar porque um dos meus assuntos favoritos, além de comida, é blog!

Birchermüesli
birchermuesli.JPG

Essa é uma receita de café da manhã suiço-alemão que eu tenho há anos e que fazia diáriamente nos meus auros tempos de super-natureba. Fica uma delicia, é refrescante, nutritivo e super saudável. Eu agora achei o müesli semi-pronto de caixinha no Co-op, que facilita encurtando o período de deixar a aveia de molho. Mas fazer "from scratch" também não é nada difícil.

1 colher de sopa de aveia
3 colheres sopa de água
1 colher de sopa de suco de limão
1 colher de sopa de leite condensado
3 colheres de sopa de iogurte natural
200 gr de maçã ralada
1 colher de sopa de avelã ou amêndoa ralada

Deixar a aveia de molho na água durante a noite.
De manhã cedo, acrescentar os outros ingredientes e servir imediatamente.
Pode variar a fruta, colocar leite ou creme de leite no lugar do condensado, adoçar com mel. Mas a base do müesli é essa.

bom dia!
bomdia.JPG
My Many Colored Days

Verde. Plantei mais salsinha e tomilho. Vermelho. São tantas rosas que desisti de colocá-las em vasos, vou deixá-las enfeitando os meus jardins. Azul. Olha o céu! Finalmente abriu o sol. A previsão da meteorologia estava certa. Agora a prima é vera! Branco. Esperei ansiosamente pelo carro do Fedex. Preto. Não consigo mais ler o jornal. Todos os dias é um susto e uma tristeza na primeira página. Amarelo. Logo vão recomeçar as viagens do Ursão. Rosa. E eu que pensava que essa cor não me vestia bem. Hoje sou Mrs. Rosa. Cinza. Uma mala grande nunca é suficiente. Violeta. Uma pastilha de menta com gosto e cheiro de flor. Laranja. Tenho pilhas de coisas para ler e não suporto vestir os óculos. Degradê. Os números têm cores, os dias da semana e meses têm cores, as letras do alfabeto têm cores, você nunca reparou nisso?

japanese tea garden
teagarden1.jpgteagarden3.jpg
teagarden2.jpg

Um passeio singelo que fizemos uns anos atrás, no Japanese Tea Garden no Golden Gate Park em San Francisco. O lugar não é apenas lindo, mas tem uma casinha de chá que é uma fofura total. Bom pra esquentar os ossos, já que The City é sempre fria, mesmo no verão.

Fresh Ginger Cake
bolodegengibre.JPG

Mais uma receita que vi no Chow e marquei pra fazer. Não é uma receita inédita pra mim, mas essa tinha uma mistura diferente de ingredientes, que me deixou curiosa. Os bolos de gengibre são muito comuns aqui na América do Norte e eu já fiz e refiz uma receita excelente que peguei na Everyday Food anos atrás e recomendo fortemente! Mas essa prendeu totalmente a minha atenção quando eu li "pimenta do reino" na lista de ingredientes. Tive que testar. Fiz meia receita, porque aqui em casa tudo sobra. Ficou um bolo pequeno, mas bem macio e picante, como eu esperava que ficasse. Gostei bastante, sem falar que sou muito fanzoca do gengibre.

Fresh Ginger Cake
2 xícaras de farinha de trigo
3/4 colher de chá de canela em pó
1/2 colher de chá de cravo em pó
1/2 colher de chá de pimenta do reino moída
3/4 xícara de melado
3/4 xícara de açúcar
3/4 xícara de óleo
3/4 xícara de água
1 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
3 ounces /100 gr/ 3 colheres de sopa de gengibre descascado e moído
2 ovos grandes em temperatura ambiente

Pré-aqueça o forno em 350°F/180ºC. Unte uma forma redonda para bolo e reserve. Numa vasilha misture a farinha, canela, cravo e pimenta e bata com o batedor de arame para arejar e deixar a mistura bem incorporada. Na batedeira, misture o melado, o açúcar e o óleo. Ferva a àgua e misture o bicarbonato de sódio nela. Adicione essa àgua na mistura de melado. Adicione o gengibre e continue batendo. Vá incorporando a mistura de farinha à mistura de melado aos poucos, batendo sempre. Adicione os ovos e bata até a massa ficar lisa. Coloque na forma untada e asse por 50 minutos. Deixe esfriar bem antes de desenformar. Eu polvilhei com açúcar de confeiteiro, porque achei que o bolinho ficou meio feinho—pra variar. Mas essa decoração não faz parte da receita.

Dia de preguiça e papo-furado

Fez um tempo horrível na semana passada e final de semana. Chuvarada incessante e frio, parece brincadeira, quase no final de abril. Desencavei umas blusas de lã, que já tinha sido guardadas pro próximo inverno. O aquecedor da casa ligou numa dessas manhãs frias. Deu até um desânimo. Mas hoje olhando a previsão do tempo, constatei que essa deve ter sido a última bufada que o inverno deu na nossa cara. Hoje máxima de 23ºC, quinta 26ºC e no final de semana 29ºC! Minha irmã chega aqui em Davis na quarta-feira e já tenho um barbecue meio planejado para o sábado, pois sexta é aniversário do Gabe.

Já começo a pensar na comida. Vou ter duas crianças aqui por duas semanas. Do que eles gostam? O que eles comem? Pra mim, ter crianças em casa envolve algumas mudanças na lista de compras, porque eles comem coisas que nós normalmente não comemos. Mas pelo que a minha irmã me disse, o Fausto e a Catarina comem de tudo.

Sábado no Farmers Market, um friooo, um tempo ruim, fui às compras empunhando a minha sacolinha e cestinha. O negócio de cidade pequena é que você não consegue ir à lugar nenhum sem cruzar com algum amigo ou conhecido—e eu tenho muitos amigos e conheço muita gente! No Market não tem jeito, eu levo o dobro do tempo fazendo compras, pois sempre encontro alguém. No sábado encontrei minha ex-chefe com o marido e um casal de professores que conheci outro dia. Minha ex-chefe estava prestes a ter um colapso físico causado pela obesidade, quando teve uma crise da meia-idade e mudou absolutamente tudo na vida dela: emprego, rotina, relacionamentos e alimentação. Ficou natureba, frequentadora de academia e perdeu sei lá—muitos, muitos quilos. Ficou magérima e agora, invés de se lambuzar de junk food como fazia antes, come produtos fresquinhos e orgânicos! Um exemplo a ser seguido por muitos. Na saída do mercado, quando compro o peixe, reencontrei o casal de professores e ela disse—você sabe o que é comida boa! Estávamos comprando as mesmas coisas nos mesmos lugares, então respondi com uma piscadela—você também sabe, hein!

Fui comprar uma garrafa de Brandy pra fazer o pudim de croissant no sábado à noite, quando o pessoal despenca nos supermercados da cidade pra comprar snacks e booze para o final de semana. Quando passei minhas comprinhas pelo caixa, incluindo a garrafa de mé, o rapazinho que me atendeu perguntou com uma cara folgazona— o Brandy é pra hoje ou pra amanhã? Mas tem cabimento uma pergunta dessas? Olha bem pra minha cara rapaissszzzzzz! O Brandy é para uma receita—respondi.

uma mistura perfeita
oreganotomate1.JPG
oreganotomate2.JPG
orégano & tomate
Croissant and Prune Bread Pudding
pudimcroissant.JPG
brunchdomingoscarlet.JPG
brunchdomingoscarlet.2.JPG

Para um brunch de domingo na casa de uma amiga, resolvi fazer uma receita que vi no Chow e que tinha imprimido e reservado. Mais uma das que eu gosto: fácil, diferente e saborosa. É um simples pudim de pão, só que feito com croissants, o que faz uma diferença e tanto. Fica um pudim de pão delicado, mas com sabor intenso.

Croissant and Prune Bread Pudding

1 xícara de ameixas secas de ótima qualidade
1/3 xícara de Armagnac ou Brandy
2 xícaras de half-and-half — um creme de leite diluído
1 xícara de leite integral
4 ovos grandes
2 gemas
3/4 xícara de açucar
1 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 colher de chá de extrato de amêndoa
5 ou 6 croissants picados em pedacinhos

Corte as ameixas em pedacinhos e ponha de molho no Brandy por uns 10 minutos. Pré-aqueça o forno em 325°F/165ºC. Coe as ameixas e reserve o Brandy. Numa vasilha grande bata bem o Brandy, o half-and-half, o leite, os ovos, as gemas, o açúcar, os extratos de baunilha e amêndoa. Num refratário retangular grande, coloque os croissants picados, salpique com as ameixas amolecidas no Brandy, jogue a mistura de leite e ovos por cima e deixe absorver por uns 15 minutos. Salpique o pudim com açúcar demerara e leve ao forno sobre uma forma com dois centimetros de água fervendo. Asse nesse banho-maria por 1 hora. Retire do forno e sirva morno, em temperatura ambiente ou gelado, acompanhado de sorvete de baunilha ou de molho de caramelo. Eu servi o pudim puro e não sobrou nem uma lasca.

salada de pepino com gengibre
pepinocomgengibre.jpg

Repliquei a receita da Verena, pela qual eu tinha me encantado. Ficou saborosa e uuuuuuuwwwwuuuu refrescante! O gengibre acrescenta um picante vaporoso ao já levíssimo pepino. Usei pepinos pequenos, japoneses, que cortei em cubos. Ralei gengibre por cima - talvez um pouquinho demais, mas não importa! Temperei com shoyo, mesmo não curtindo muito o sabor desse molho. Deixei marinar e crockcracknhack, comi o prato inteiro!

[mais um] picnic no parque

Já escrevi aqui muitas outras vezes sobre o picnic das quartas-feiras no Farmers Market de Davis. Eles começam junto com o horário de verão, que aqui se chama Daylight Saving Time. Fui tantas vezes à esse picnic com minha família—mãe, sobrinhas; com amigos e com a associação brasileira da qual eu faço parte. Esse é o picnic mais eclético e divertido, pois mistura um monte de gente, não só brasileiros. E quando isso acontece ficamos até o anoitecer na grama, muitas vezes somos os últimos a sair do parque, reciclando antes nossas garrafas de vinho e água, jogando o lixo fora, deixando tudo impecável.

Quando chegamos ainda está sol e a banda está tocando, famílias e grupos se reunem sentados em panos espalhados pela grama. Para o nosso picnic BID, eu levo um pano verde-amarelo para marcar território, tudo muito discreto. Cada um leva uma comidinha ou compra no mercado, e dividimos sempre o vinho. Ontem a tarde estava fria e as nuvens se aglomeravam em chumaços cinzentos ameaçadores. Mesmo assim decidi enfrentar o parque, porque já havíamos marcado e divulgado o tal picnic. Preparei uma pastinha de abóbora na correria e me empinotei na bicicleta, com a minha infalível cesta enfiada nos guidões, e corri pro parque.

Não apareceu muita gente, mas alguns corajosos enfrentaram bravamente o frio, tentando se esquentar com vinho e risadas. Eu me empolguei na conversa e perdi a conta de quantos copos de vinho bebi. Na hora de ir embora, no escuro e com a bateria do farol da bicicleta arriada, fiquei um pouco preocupada. Mas como naquele momento eu estava vendo o mundo com muito mais alegria e positivismo, pedalei animada e com total confiança, embora a bambalêancia estivesse realmente evidente.

*assista à um pequeno filme de um dos picnics que fizemos no parque, em 2005. fiz uma geral logo que cheguei. depois encheu muito, muito de gente. a banda de blues que tocou estava ótima, assim como a comida e a companhia no nosso pano verde-amarelo, que foi ganhando muitas extensões e muitas outras bundas sentadas!

caldo de legumes
caldodelegumes.JPG
você trocaria isso por um CUBO?
rechear & assar
a_recheada1.JPG
a_recheada2.JPG
a_recheada4.JPG
» queijo de cabra, creme fraiche
ou iogurte, ervas frescas, sal, pimenta
Crispy Chickpea Pita
crispychickpeas.JPG

Mais grão-de-bico! Não resisti à essa receita que vi no website da Real Simple e resolvi gastar um estoque de latas do grão orgânico que comprei outro dia no Co-op. Faz um tipo de salada, mas o interessante dela é que o grão-de-bico é tostado antes no azeite.

Aqueça 2 colheres de sopa de azeite numa panela ou frigideira e adicione o grão-de-bico - usei duas latas. Vá mexendo sempre, até os grãos ficarem bem tostados. Retire do fogo. Coloque numa tigela, acrescente suco de limão, sal, pimenta e misture bem.

Numa outra tigela misture uns 2 tomates cortados em cubinhos, tempere com sal, pimenta e bastante salsinha picada. Eu misturei o grão-de-bico nessa salada de tomate. Sirva em cima do pão árabe - pita bread - levemente tostado na frigideira de ferro, ou no forno, com hummus e iogurte grego. Pode adicionar umas gotas de Tabasco na salada, mas eu infelizmente esqueci de fazer isso.

Hummus. Como eu não tinha pronto, fiz rapidinho no liquidificador: grão-de-bico, suco de limão, sal, flocos de pimenta vermelha, uns dentes de alho assado e bastante azeite, até dar ponto. Normalmente eu coloco um pouquinho de Tahini no meu hummus, mas nesse dia também esqueci de adicionar esse ingrediente.

A eterna dúvida que me consome intensamente

Hora do almoço: o que vou comer? o que vou comer? Serão sempre restos requentados do jantar, ou um misto quente com salada de folhas, tomates, algo fácil. Eu tento comer bem no almoço, porque sinto que preciso—além de forrar o bucho pra não ficar esfomeada durante a tarde e acabar comendo porcarias—também ter uma refeição nutritiva. Pra mim o almoço ainda é, mesmo realmente não sendo mais, a refeição mais importante do dia.

Hora do jantar: o que vou fazer? o que vou fazer? Todo dia, sem exceção, eu fico muito tempo vagando pela cozinha com a cabeça vazia de idéias, olhando repetidamente dentro da geladeira e nos armários de despensa, pois não consigo planejar menu e nunca sei o que fazer. Todo dia eu tenho um momento de absoluta certeza de que não vou conseguir cozinhar nada. É um começar do zero diário. Quando eu tenho a sorte de dar de frente com uma receita legal e ainda ter todos os ingredientes, fica muito mais fácil. Mas o normal é sempre faltar um ou dois ingredientes e eu ter que improvisar, substituir, ou se acho que não vai rolar, desistir. O jantar é sempre um esforço, também porque no final do dia eu já estou bem cansada, e sonho—ou melhor, deliro—com a idéia de chegar em casa e encontrar a mesa posta com um ranguinho brejeiro—caseiro não feito por mim, já servido, fumegante, saboroso e prontinho para ser devorado.

o pão de tapioca
paotapioca.JPG

Tudo o que eu vejo de diferente, eu TENHO que experimentar. Muitas vezes dou com os burros n' água, como foi o caso desse tapioca bread. O negócio é wheat free, gluten free, dairy free, casein free, no saturated fat, zero trans-fat, no cholesterol, no sugar, no preservatives, embalado a vácuo com garantia de que pode ficar UM ANO na prateleira sem refrigeração, se estiver fechado. Resumindo: o pão tem gosto de NADA. Mas eu até que fiz um sanduba de queijo, presunto e tomate com ele, e ficou bem comível, por causa do recheio. O pão puro não tem a menor condição, além do que ele tem um cheiro meio ácido e enjoativo. Está na geladeira desde então. Será que vai durar um ano ou um século assim refrigerado? Pode até ser útll para excursões na selva ou no deserto, ou para estocagens preventivas no caso de uma hecatombe nuclear.

Dear Pavlova
pavlova1.JPGpavlova2.JPG
pavlova3.JPGpavlova4.JPG
pavlova5.JPG

Finalmente tomei a coragem necessária para ousar fazer a sobremesa que aprendi na classe de clara de ovos que fiz com a pastry chef Shuna Lydon. Comprei uma caixa de ovos caipiras e deixei fora da geladeira durante a noite, para eles ficarem em temperatura ambiente. Esse é um detalhe muito importante para o sucesso de qualquer sobremesa feita com ovos. Na manhã do dia seguinte mandei bala com determinação, afinal de contas não vai ser qualquer clara de ovo que vai me botar pra correr. Embora eu tenha sempre aquele grilo falante pessimista, que matraca sem parar negatividades na minha orelha, consegui dar um chega prá lá no fulano inoportuno, superei os obstáculos e assei umas Pavlovas deliciosas, iguaizinhas as da Shuna, com o mesmo cheiro inebriante e sabor perfeito—não muito doce, levemente crocante por fora, textura de marshmallow por dentro— que servi com um molho de framboesa, morango e blueberry, e um chantily feito com creme de leite fresco, sem açúcar, só com um pinguinho de extrato de baunilha. Comi uma querida Pavlova às onze da manhã e depois ainda tive a coragem de ir à uma festa e comer feijoada! Eu vou muito mal, vou muito, muito mal.....

Pavlova —— como foi ensinada por Shuna Lydon

1 1/2 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 colher de chá de cream of tartar ou 2 colheres de chá de vinagre de vinho branco [*usei o vinagre]
1 1/2 colheres de sopa de amido de milho - maizena
1 1/2 xícaras de açúcar
3/4 xícara - 6 ounces - 180gr - umas 5 ou 6 claras de ovo

Coloque a grade no meio do forno e aqueça em 275ºF/175ºC. Forre uma forma grande com parchment paper - ou qualquer outro material que não grude e não pegue fogo.

Misture a baunilha com o vinagre - se for usar vinagre. Se usar o cream of tartar, não misture o vinagre na baunilha.

Misture bem a maizena com o açúcar numa vasilha.

Numa batedeira, coloque as claras de ovo, o cream of tartar - se não for usar o vinagre, e uma pitada de sal. Bata em velocidade média por 2 ou 3 minutos, até as claras ficarem com uma consistência de espuma firme. Aumente a velocidade da batedeira e vá acrescentando a mistura de maizena com açúcar bem devagar, batendo por uns 5 minutos, até a consistência ficar bem firme e lustrosa. Adicione a baunilha com o vinagre—se tiver usado o cream of tartar, acrescente só a baunilha e bata até ficar bem incorporado. Faça barquinhos de merengue, todos mais ou menos do mesmo tamanho. Dá oito de tamanho médio - uns 15 cm. Asse por uns 50 minutos até os merengues ficarem secos e meio crocantes por fora, e com uma consistência mais cremosa, como marshmallow, por dentro. Não deixe dourar, os merengues devem ficar esbranquiçados.

Retire do forno, deixe esfrirar numa grade, sirva com um molho de frutas—pode ser berries congeladas—e creme de leite batido em ponto de chantily, sem açúcar, somente com uma gota de baunilha.

Os merengues duram até uma semana, se guardados em vasilha bem fechada ou embrulhados individualmente, em temperatura ambiente, em lugar não úmido.

Dicionário & Dicas

Como fazer sour cream em casa? Qual o substituto para o cranberry? O que é cornmeal? Qual é a tradução de radish?

Tantas dúvidas, sempre pipocando aqui e ali. Fazia tempo que eu estava pensando em fazer um FAQ com essas questões, então finalmente coloquei a mão na massa e criei uma página para ir adicionando traduções e dicas de substituições. Aceitarei alegremente correções e adições. Com o tempo farei a página mais caprichada, com links para fotos e as idéias que forem aparecendo. Espero que o Dicionário & Dicas torne-se um link útil para todos! Ele vai ficar permanentemente ali no topo da página, no menu da direita, sob o título ingredientes.

update: já coloquei algumas contribuições. obrigada à todos!! e super obrigada à querida Brisa Carter, que enviou um glossário completíssimo, que já transformei em documento PDF para ser baixado e já está linkado lá na página.

from the market
cestacomprasfm.JPG

As compras de sábado—erva-doce, pepino, cebola, coentro, tangerina, geléia de limão com baunilha, pão preto com nozes, filés de bacalhau fresco. Tudo usado durante a semana!

California Poppies
californiapoppies1.JPG
californiapoppies2.JPGcaliforniapoppies3.JPG

As California poppies crescem como mato por todo canto por aqui—estão pelos canteiros, estradas, parques, jardins. Elas sao lindinhas e delicadas, abrem-se ao sol, e têm essa cor que as fazem facilmente reconhecíveis. Nunca colhi essas poppies, nem coloquei em vasos, porque elas não tem jeito que duram muito tempo depois de colhidas. E para fazer volume, tem que colher muitas. Não vale a pena. Mas porque estou falando dessa florzinha? Hm? É porque essa poppy, na sua simplicidade e delicadeza, foi a escolhida em 1903, para ser a flor simbolo da Califórnia. Sabe ser chique e importante, essa queridinha. Move over, orquideas!

*as poppies dessas fotos ficam ao lado da minha casa, num canteiro público bem comprido e renascem todo ano, com a chegada da primavera.

duas saladinhas faceiras

Durante a semana eu fico deveras cansada à noite, então os rangos precisam ser fáceis, rápidos, saborosos e nutritivos. Como já não está aquele frio de tiritar ossos, as saladas entram em cena, substituindo as sopas.

Salada de grão de bico com feta cheese e coentro

Essa salada linda e deliciosa, tirei do livro Falling Cloudberries da Tessa Kiros, presente da Valentina, e que já estava esperando um dia especial pra acontecer. Não tem como ser mais simples, e apesar de ser bem leve, é um prato substancioso por causa do grão de bico. Eu simplesmente adoro esse ingrediente, que comeria todos os dias, em pratos quentes ou frios.

Fiz uma quantidade para duas pessoas. Cozinhe o grão de bico em bastante água, ou use um de lata de boa qualidade. Numa panelinha refogue meia cebola roxa numa colher de sopa de azeite. Quando a cebola estiver bem macia, acrescente um dente de alho picado e pimenta verde picada [eu usei pimenta vermelha em flocos]. Refogue mais um pouquinho, desligue o fogo e deixe esfriar. Separadamente tempere o grão-de-bico com bastante coentro picado, salsinha, ceboulette, raspinhas e suco de meio limão. Acrescente o molhinho de azeite, cebola e alho. Misture bem. Acrescente mais azeite a gosto e misture bastante feta cheese picadinho. Eu coloquei um pouquinho de sal, porque gosto de tudo mais salgado, mas não é realmente necessário, pois o sal do queijo se incumbe do serviço. Sirva com pita bread ou com fatias de pão italiano tostadas na frigideira de ferro, como eu fiz.

graobicofetacoentro.JPG

Salada Niçoise - uma variação

A famosa salada de Nice, numa variação bem interessante, que eu vi na revista Everyday Food. Fica uma refeição completa, pois tem um pouquinho de tudo. Nessa receita não ia ovo cozido, mas eu acrescentei, porque o Uriel adora.

Pique umas batatas em cubinhos, ponha numa forma coberta com papel alumínio, regue com azeite e ponha no forno alto por uns 15 minutos, até elas ficarem crocantes por fora, macias por dentro. No meio tempo das batatas acrescente tomates cerejas na forma, regue com azeite e deixe assar, ate eles ficarem molinhos - eu não tinha tomates frescos, usei uns secos bem macios que tinha, comprados no Farmers Market. Cozinhe os ovos, descasque e corte. Monte a salada com: atum de boa qualidade escorrido - eu temperei o atum com suco de limão e azeite aromatizado, folhas de rúcula, azeitonas pretas, os ovos cozidos, as batatas assadas e os tomates. Regue tudo com um molho vinagrete de limão e sirva.

nicoisemodificada.JPG

*vinagrete de limão: suco de um limão amarelo, raspas do mesmo limão, vinagre de vinho branco, azeite, sal marinho, pimenta do reino e uma ervinha fresca - usei orégano. Misture bem com um batedor de arame e use. Guarde as sobras, se houver, na geladeira.

tempo de jasmim
jasmim2.JPG
jasmim4.JPG

Agora é a vez do jasmim. Meu quintal e meu jardim rescendem a flores! Não só pelo jasmim, mas pelas centenas de rosas, e pelas flores do limoeiro, que têm atraido um bocado de abelhas. Fica tudo lindo, se você olhar do lado de dentro da casa, através do vidro da porta. Além do incômodo das abelhas, o jasmim exala um cheiro que vai enjoando—eu pelo menos fico nauseada, e as rosas ficam cheias de pulgões, que eu combato com jatos de água quando tenho tempo. O jasmim tem vida curta, logo vai secar, cair, fazer aquela sujeirada ecológica e bye bye. As roseiras vão continuar produzindo rosas por muitos meses, com menos intensidade e menos pulgões, mas elas duram até novembro. Eu vou tirando proveito dessa beleza, fotografando e enchendo os vasinhos.

*as fotos são da porta dos fundos da minha casa de hóspedes, emoldurada pelo pé de jasmim mais bonito.

Olive Oil Cake

Outra receitinha que garimpei no Chow quando procurava por uma sobremesa pra Páscoa. Vi esse bolo no menu de sobremesas do Restaurante Greystone, em St. Helena e achei interessantíssimo. O bolo fica macio e fofo, por causa do azeite, mas não fica oleoso, nem com um gosto forte. É um acompanhamento perfeito para qualquer geléia, especialmente para essa super duper marmalade de limão Meyer com favas de baunilha, que comprei no Farmers Market e ainda não tinha experimentado. Duas palavras: Hmummm Hmummm!!!

oliveoilcake.JPG

Olive Oil Cake

3 ovos
1 xícara de açúcar
1 1/4 xícaras de azeite extra-virgem
1 1/2 xícaras de leite integral
1/4 xícara de licor Amaretto
Raspas de uma laranja média
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de cornmeal [um fubá mais grossinho]
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal Kosher [um sal mais grosso]
Açúcar de confeiteiro pra enfeitar - eu não usei

Pré-aqueça o forno em 350°F/180ºC. Unte uma forma com manteiga e farinha.
Numa vasilha grande misture bem os ovos com o açúcar, usando um batedor de arame. Adicione o azeite, o leite, o Amaretto e as raspas de laranja. Misture bem. Numa outra vasilha, misture a farinha, o cornmeal, fermento, bicarbonato e sal. Misture e jogue a mistura de ingredientes secos na mistura liquida. Bata com o batedor até incorporar. Não bata muito. Coloque a massa na forma e asse por uns 40 minutos. Deixe esfriar antes de remover da forma.

receitas de família
receitasfamiliaWaage1.JPG
receitasfamiliaWaage2.JPG
receitasfamiliaWaage.JPG

As conversas sempre giraram em torno do assunto comida, mas agora com o blog elas se intensificaram. E nem sou eu quem puxa o papo. As pessoas ficam entusiasmadas com o fato de eu ter esse espaço, então os convercês culinários acabam tomando uma dimensão mais ampla. Além do prazer de ver as pessoas falando mais sobre um assunto que eu adoro, ainda tenho a liberdade e o privilégio de poder fotografar mais, sob o pretexto de ter um blog. Às vezes as pessoas me olham fotografando algo inusitado e eu vou logo dizendo—I have a food blog! É uma excelente desculpa.

Então foi super natural nosso bate-papo ter estacionado na cozinha e permanecido nos assuntos culinários. Não lembro sobre o que estávamos falando, quando a sogra do Gabe sacou esse pequeno arquivo de receitas de família de dentro de um dos armários. Eu despiroco total quando vejo uma coisa dessas. Esse tesouro, minuciosamente organizado por categorias, contém receitas do lado americano e do lado norueguês da família. Receitas da avó, da tia, da madrinha. Fiquei tão entusiasmada com aquilo tudo—ou teria sido também o efeito do vinho—que me excedi. Sugeri que a Marianne escaneasse as receitas e que iniciasse um blog. Ela foi bem direta, dizendo na lata—eu não quero ter um food blog! Mas bem que essas receitas de família mereciam a luz do spotlight e serem divulgadas pelo mundo.

flores para E.
florespraeli1.JPG
floresdaeli1.JPGfloresdaeli2.JPG
Pecan and Salt Caramel Cheesecake

Eu ainda tenho muito feijão pra comer no quesito sobremesas, mas tenho tentado receitas novas e até ousado um pouco nas minhas tentativas de reproduzir doces mais sofisticados. Geralmente eu sou atraida por receitas que incluem frutas. Só que desta vez, para a Páscoa, eu quis fazer algo totalmente diferente e acabei gamando nessa receita de Pecan and Salt Caramel Cheesecake que vi no Chow.

Como não tenho prática com sobremesas, nem sou muito organizada, tenho que me concentrar num esforço maior para não me atrapalhar no percurso de preparar uma receita com muitos passos. Fui às compras e acabei esquecendo de comprar as graham cracker, e tive que improvisar com uns biscoitos champagne que tinha na despensa. Esses eram meio chocolate, meio branco e por incrivel que pareça, acabaram fazendo uma massinha super leve e delicada, muito mais discreta que as feitas com os tradicionais crackers.

Fiz uma receita e meia, que rendeu um cheesecake grande e um pequeno. O menor eu levei para um jantar no sábado à noite, quando pudemos testar a gostosura dessa sobremesa. O maior levei para o almoço de Páscoa na casa da sogra do Gabe e até eu me impressionei com o tanto que esse cheesecake ficou saboroso. Quando a sobremesa foi servida, uma onda de murmuros e exclamações de elogios rasgados invadiu a sala de jantar. Até a minha nora elogiou repetidamente e se serviu de duas belas fatias - ela é extremamente sincera, sem hipocrisias ou salamaleques pra agradar, falando sempre gostei/não gostei na buxa, sem medo de ofender ou magoar. Então receber um elogio dela vale muito, pois eu sei que é realmente verdadeiro.

pecansaltcaramelcheesecake1.JPG
pecansaltcaramelcheesecake2.JPG

Pecan and Salt Caramel Cheesecake

* comece com todos os ingredientes em temperatura ambiente - menos o creme de leite.

Ingredientes:
Para a massa:
1 1/4 xícaras de graham cracker [biscoito maizena/maria/ eu usei o champagne]
4 colheres de sopa (1/2 tablete) de manteiga sem sal derretida
3 colheres de sopa de açúcar

Para o cheesecake:
1 quilo (4 pacotes de 250 gr) de cream cheese
1 xícara de açúcar
1 gema grande
3 ovos grandes inteiros
1 colher de chá de extrato de baunilha

Para o caramelo:
1 xícara de açúcar
4 colheres de sopa (1/2 tablete) de manteiga sem sal
1/2 xícara de creme de leite fresco - heavy cream
1 xícara de pecans em pedaços - eu tostei levemente
1 pitada generosa de sal marinho - eu usei a Flor de Sal

Modo de Fazer:
Para a massa:
Pré-aqueça o forno em 350°F/180ºC. Numa vasilha de tamanho médio misture os biscoitos moídos com a manteiga derretida e o açúcar. Misture bem, até ficar uma farofa bem úmida. Pressione essa farofa no fundo de uma forma grande de torta - as de fundo removível.

Para o cheesecake:
Na batedeira, bata o cream cheese com o açúcar até ficar bem leve e cremoso. Bata por bastante tempo. Vá adicionando os ovos um a um, sem parar de bater. Adicione a baunilha e bata mais um pouco. Quanto mais tempo bater, mais leve vai ficar o creme. Coloque essa mistura sobre a massa na forma e asse por uns 40 minutos, até a massa ficar bem fiirme - teste com um garfo, como se fosse um bolo. O garfo tem que sair limpo. Deixe esfriar completamente dentro da forma.

Para o caramelo:
Numa panela misture o açúcar com 1 colher de sopa de água, mexa bem e leve ao fogo médio. Deixe o açúcar derreter e ferva até o liquido ficar com uma cor de ambar. Adicione a manteiga rapidamente, retire do fogo, mexa bem para incorporar e adicione o creme de leite. Mexa vigorosamente até formar um creme bem liso. Deixe esfriar em temperatura ambiente.

Monte o cheesecake:
Retire o cheesecake da forma, coloque numa travessa, jogue o caramelo por cima e salpique com as pecans picadas e espalhe a pitada de sal sobre as pecans. Pode gelar e servir.

os espaçosos
pascoa07_9.JPG
pascoa07_11.JPG

Finlandeses Arabia vintage—nunca vi pratos tão pesados e tão grandes. Muito espaço para a comida. Nada de pratinho todo abarrotado, aquele amontoado de rango se misturando. Mara-valhosos!

No menu super simples—perna de carneiro cozida, purê de batata com alho, brócolis no vapor, salada de tomate e um cozido de legumes com uma farofinha de pão.

Julia comprando verduras

O nome dela é Joanne e ela é amiga antiquíssima da sogra do meu filho. Ela nos recebeu para um thanksgiving na casa dela já faz alguns anos. Naquela ocasião Joanne cozinhou um menu vintage dos anos 50, usando livros da época, que eu folheei numa linda biblioteca que ela tem na cozinha. No papo de hoje, também na cozinha, bebendo champagne e falando de comida, ela começou a contar que o marido tinha sido AMIGO da Julia Child e que tinha TODOS os livros dela. Como ele cozinhava muito e usava os livros o tempo todo, eles estavam todos manchados de vinho, molhos, e começaram a despencar. Ela então descobriu uma pessoa que fazia encadernação e mandou reformar os livros todos. Como surpresa para o marido, ela procurou a Julia Child e pediu que ela autografasse os livros com a dedicatória — "com carinho, para fulano de tal, o melhor cozinheiro do mundo!" e Julia replicou que nem pensar que ela iria escrever "o melhor cozinheiro do mundo", e escreveu somente "com carinho, para o fulano", afinal de contas não é qualquer um que pode ter esse título de melhor do mundo, além DELA e mais alguns privilegiados! Joanne também contou que apesar de viver no sul da Califórnia, Julia tinha uma irmã, que ainda está viva, morando em Sausalito e estava sempre aqui pelo norte, onde podia ser vista às vezes comprando legumes e verduras no supermercado local. Joanne também fofocou que Julia bebia, também em cena no seu programa de tevê, por isso ela fazia tanta trapalhice, como derrubar coisas no chão. Eu queria saber mais sobre a Julia Child, mas a conversa rumou pra outras direções, e não consegui mais retornar. Mas depois do almoço eu e a Joanne fomos xeretar a biblioteca da sogra do meu filho, e encontramos muitos exemplares dos livros da Julia, vários deles repetidos, em edições vintage e originais, publicadas nos anos 60, quando ela fazia o seu inovador programa culinário na televisão, The French Chef.

um ovo, dois ovos, três ovos assim
pascoa07_3.JPG
pascoa07_5.JPG
pascoa07_7.JPG
pascoa07_10.JPG
não vai passar em branco
chocolatespascoaA.JPG
pros adultos..
chocolatespascoaK.JPG
pras crianças..

Quando o Gabriel era pequeno, fazíamos alguns rituais de Páscoa, com as pegadas das patinhas do coelhinho feitas de giz, ovinhos e ovões escondidos. Hoje não vejo mais propósito, mas o consumismo me faz comprar algumas coisas nessa época. E como resistir à tanto apelo? Tento escolher o que acho comestível—ou seja, o que eu comeria. Isso incluí basicamente chocolate amargo, que é o que eu gosto. Pra alegria das minhas lombrigas consumistas, meus sobrinhos Fausto e Catarina estão chegando no final do mês, então aproveitei a oportunidade para afogar as saudades de comprar coisinhas pra crianças - coelhinhos, ovinhos e toda a parafernália acompanhante!

Amar é...

esperar pacientemente na frente da porta ou já dentro do carro, enquanto ele resolve no último minuto antes de sair dar snack pro gato, pôr as latas de lixo na calçada ou dar uma meditadinha no banheiro.

suportar com firmeza, sem engasgos de vômito, a visão dele passando maionese numa fatia de panetone, devorando um romeu e julieta de goiabada com polenguinho sabor alho, misturando gelatina com sour cream ou sorvete de baunilha com abacate e aveia.

não se irritar quando ele estiver dirigindo e um velhinho passar vocês na freeway, pela direita.

responder novecentas e quarenta e sete vezes a mesma pergunta.

resistir à tentação de atear fogo naquela jaqueta de nylon que ele ganhou quando fez estágio numa empresa em 1983 e que ainda usa.

escrever sobre os defeitos dele, fazendo tudo parecer singelo e simpático.

pudim salgado de aspargos
asparagusbreadpudding1.JPG

Como estou recebendo muitos aspargos na cesta orgânica, preciso arrumar maneiras criativas de usá-los. Vi essa receita no 101 Cookbooks da Heidi, que sempre publica coisas legais e simples, que eu adoro. Esse pudim salgado não decepcionou. Reduzi as quantidades para um terço da receita original , pois achei que um prato que serve oito pessoas era muito para o nosso jantar.

Savory Asparagus Bread Pudding

150gr de pão sourdough ou qualquer outro do estilo pesado
1 xícara de leite
1/3 xícara de caldo de legumes [usei de cogumelos]
1 ovo
Sal, pimenta do reino e dried dill a gosto
Um maço de aspargos
1/4 xícara de azeitonas pretas picadas
1 xícara de queijo Gruyere ou suiço ralado [usei provolone defumado]

Pré-aqueça o forno em 400ºF/205ºC. Unte uma forma ou refratário com manteiga. Corte o pão em cubinhos. Numa vasilha misture o leite, caldo, ovo, sal, pimenta e dill e bata com o batedor de arame até ficar bem misturado. Jogue sobre o pão em cubinhos. Adicione os aspargos cortados em em pedaços e as azeitonas. Misture bem para ficar bem incorporado, pão, liquido e legumes. Coloque na forma ou refratário, cubra com o queijo e asse por mais ou menos 40 minutos, até ficar totalmente seco.

asparagusbreadpudding.JPG
salada de erva-doce e salsão
saladadeerva-doce.jpg

Uma saladinha bem refrescante que eu tirei do Chow e adaptei um pouquinho.

Rale um bulbo de erva-doce e dois talos de salsão em fatias bem finas. Pique bastante salsinha e misture. Corte um limão em conserva, polpa e casca, em pedacinhos. Misture. Tempere com sementes de salsão - eu usei caraway seeds, pimenta do reino e sal. Finalize com um fio de vinagre de laranja ou de maçã e bastante azeite. Na receita original vai azeitona preta, que eu recomendo, mas omiti da minha desta vez. Por causa do limão em conserva, a salada fica meio amarguinha, bem refrescante para acompanhar qualquer prato.

* se não encontrar o limão pronto, dá uma olhada na receita do limão em conserva que me foi dada pela querida Gisa.

é de comer? é pra mim?
ehpramim.JPG

Este é o meu gato Misty Gray—o que só pensa em comida, comida, comer, comer.

fritas de forno
fritasnoforno.jpg

Não tem segredo, não é difícil, e praticamente todo mundo já fez - fritas de forno. Só que eu usei batata-doce, mandioquinha e cenoura. Salpiquei com tomilho e basilicão secos, pimenta do reino moída na hora e reguei com azeite. Forno médio, revira, mais forno médio, até ficar molinho por dentro, crocante por fora, retira, salpica com sal - a flor se tiver. Pra mim isso é simplesmente uma delicia! hmm_hmm_hmm!

chocolate, chocolate, chocolate
petitdesserts.jpg

Com tanto chocolate se exibindo e me acenando das prateleiras das vendinhas da cidade, finalmente caiu a ficha: a Páscoa está chegando! E eu que nem sou chocólatra, não consigo resistir a essas coisinhas—petit desserts, por exemplo... quer um?