déjà vu

Um post játevi, requentando textos e fotos do passado chucrutal. Mas são textos e fotos tão fino da bossa que merecem uma reprise!

»De perto ninguém é normal—leia e tire a sua própria conclusão.

»Mesa de café da manhã—uma das fotos mais requisitadas através dos search engines, o que as pessoas fazem com ela eu já não sei.

»Toda segunda é dia das verduras—cestinha + melões + os gatos.

»Esse rango saí ou não saí?—um dos shots favoritos do Roux, porque foi tudo tão natural...

»quando nós fomos lá longe... —um autêntico passeio de índio!

»chá da tarde—a lovely afternoon, com minha cunhada Iri em Windsor.

»Flores do mercado—adorei a idéia dessa foto.

Orzo com alcachofra
orzocomalcachofra.jpg

Tão simples que nem parece que estamos preparando uma receita. Frite um alho picadinho numa boa quantidade de azeite. Não deixe o alho ficar muito dourado. É coisa rápida. Retire do fogo e deixe o azeite com o alho esfriando. Enquanto isso ponha uma panela com bastante água e sal no fogo e cozinhe o orzo—macarrãozinho em formato de arroz. Escorra quando estiver ao dente. Pique uma boa quantidade de coração de alcachofra [usei em lata] e reserve. Numa vasilha coloque o orzo cozido, jogue as alcachofras picadinhas, jogue a infusão de azeite e alho, misture bem e sirva!

dias assim são assim mesmo

Não é que a comida ficou ruim ou incomível. Ela só não ficou maravilhosa, e nem deve ter sido erro de receita ou má escolha dos ingredientes, mas sim efeito moral de final de segunda-feira agitada e cansativa, regada com um pinguinho de mau humor. Fui fazer o jantar usando uma estratégia impraticável para uma pessoa sozinha—usar o forno na cozinha e a churrasqueira lá no fundo do quintal ao mesmo tempo. E fui falar ao telefone, fui lavar os legumes e verduras da cesta orgânica, além de organizar os ingredientes pras receitas. Assim é querer demais, não? No interim o garbage disposer entupiu com alguma coisa e uma das bacias da pia ficou inusável, com aquela água suja boiando. Mesmo assim consegui terminar tudo, sem queimar nada e servi o jantar na mesa do quintal, como sempre—com tudo arrumado, pratos, copos bonitinhos, guarnanapos de pano. Mas não rolou aquele excitamento de receita nova feita com ingredientes frescos. O clima do jantar foi de vamos apenas forrar o bucho. Nem as fotos que tirei prestaram. Dias assim acontecem e são assim mesmo, fazer o quê?

Salada de abobrinha grelhada
Cortei duas abobrinhas amarelas grandes em fatias grossas e temperei com sal marinho grosso, pimenta do reino, sálvia seca e azeite. Coloquei na churrasqueira em fogo baixo—pode ser feita na grelha. Grelhei dos dois lados, coloquei numa vasilha, deixei esfriar e salpiquei com cebouletes picadinha e cubinhos de queijo feta. Servi com um molhinho feito com duas partes de iogurte natural, uma parte de maionese, azeite, suco de limão e sal, tudo muito bem emulsificado pelo batedor de arame.

Tabuli de tomate assado
Ponha o trigo de quibe de molho na água—uma xícara de trigo, uma xícara de água. Deixe absorver toda a água. Mexa com um garfo. Acrescente bastante hortelã, manjericão e salsinha picados. Asse uns tomates no forno, temperados com sal, pimenta, azeite. Deixe esfriar e misture no trigo com as ervas. Tempere com sal, pimenta, azeite e suco de limão a gosto. Sirva.

medindo com eficiência
copos_colheres_medidas.jpg

Resolvi aposentar meus medidores de copo e colher, pois eles já estavam meio chumbados, esfolados, cansados de guerra. Estava pensando se comprava de metal ou o que, quando vi esses na Sur la Table. Os copos são de silicone e retrácteis, se fecham pra guardar, ficando completamente planos. Isso é ótimo, pois eles não ocupam espaço nenhum na gaveta, como os velhos ocupavam. Super duper! E as colheres, além de terem medidores nas duas pontas, ainda têm um imã que as mantém juntas na hora de guardá-las. Muitíssimo práticos, tanto os copos, como as colheres, além de terem esse visual alegre e pop.

fechando o expediente
fechandoexpediente1.jpg
fechandoexpediente2.jpg
good nite!
Daqui se vê a África

Minha última lembrança de praia no Brasil foi em mil novecentos e noventa e um, quando passamos férias em Ubatuba. Sentada sozinha na cadeirinha posicionada de frente para o mar, lendo e tentando não ficar muito tostada, levantei a cabeça, olhei pro horizonte e pensei—no final desse marzão está a África...

Meu marido recebeu um professor da Universidade de Córdoba, que vai trabalhar com ele por cinco meses no projeto das azeitonas. Recebemos ele para um jantar no sábado à noite e eu fiquei um pouco surpresa, pois esperava encontrar uma pessoa um pouco mais velha, de uns trinta e poucos anos. Mas o professor é um guri de vinte e nove anos, com um inglês razoável, pontuado com o sotaque forte da Andalucia. Ele falou bastante sobre a cidade onde mora com a esposa e o gato cor de laranja, Sevilla. Ele contou que tem uma oliveira no quintal e que compra vinho e azeite de pequenos produtores. Contou de como todo mundo diz que o clima de Davis é muito paracido com o do sul da Espanha, com a diferença que aqui sempre esfria a noite.

E ficou provado, pois sentamos para jantar no quintal sob as luzes das lanterninhas coloridas e esfriou mesmo. Depois da sobremesa entramos para tomar café. No menu da noite, pizza mussarela e portuguesa, azeite português na mesa, vinho português nos copos. Estava eu tentando provar alguma coisa pra ele? Não sei, foi tudo sem querer ou inconsciente. Mas ele elogiou tudo e contou que Sevilla fica muito próxima do Marrocos. Eu então perguntei se dava pra ver a África de lá e ele respondeu que sim, num dia bem claro sem névoa, dá pra ver a África...

ice cream social
icecreamsocial_elise.jpg
icecreamsocial_elise2.jpgicecreamsocial_elise3.jpg
icecreamsocial_elise4.jpgicecreamsocial_elise1.jpg
icecreamsocial_elise5.jpgicecreamsocial_elise6.jpg

Passamos a tarde do Memorial Day na casa da Elise, em Sacramento. Ela ganhou um batch de sorvetes da Mashti Malone's de Los Angeles, todos com sabores incomuns e exóticos. Fizemos uma degustação regada a home made lemoncello e super deliciosos cupcakes. Foi muito legal reencontrar os queridos blogueiros e conhecer os simpaticissimos pais da Elise, além de conversar sobre o óbvio—COMIDA! Também comentamos exaustivamente a reportagem sobre food blogs que saiu no jornal Sacramento Bee e combinamos uma degustação de vinhos para breve.

* na foto, o sorvete de lavanda, um dos meus favoritos depois do incrível sorbert de ervas.

italian panzanella
italianpanzanella.jpg

Fiz essa salada robusta e refrescante para levar a um churrasco na casa da minha amiga Leila. Outra receita tirada da edição de junho da revista Everyday Food. Essa panzanella tem o plus do queijo provolone e do feijão cannellini. Ficou ótima!

Numa saladeira misture com o batedor de arame:
1/4 xícara de vinagre de vinho tinto
1/4 xícara de azeite
Sal marinho e pimenta do reino moída

Acrescente:
2 latas [30 ounces/800 gr] de feijão branco cannellini
3 xícaras de pão rústico, tipo italiano ou sourdough cortado em cubos
400 gr de tomates cortados em cubos
1 pepino grande cortado em cubos
1/4 de cebola roxa fatiada bem fina
4 ounces/ 150 gr de queijo provolone cortado em cubos

Misture bem para incorporar o tempero nos ingredientes, cubra e leve à geladeira por no mínimo 2 horas, máximo de 8 horas. Na hora de servir acrescente 1/4 xícara de folhas frescas de manjericão. * É muito importante fazer essa salada com bastante antecedência e deixar ns geladeira, pois o pão precisa ficar mole, absorver bem os temperos.

cold southwestern corn and shrimp soup
sopafriamilho.jpg

Estou animadérrima com essa idéia de sopas frias! Essa veio na edição de junho da revista Everyday Food e me fisgou de imediato. E tão fácil de preparar que chega a ser quase ridículo. Vai certamente figurar muito no meu menu de verão—para aqueles dias tórridos, que logo logo estarão chegando.

Fiz metade da receita e alimentou muito bem duas pessoas. Vou colocar a receita inteira, que serve quatro pessoas. Tempo de preparo: vinte minutos!

1 quilo/40 ounces de milho cozido, fresco, congelado ou em lata
1 xícara de iogurte natural desnatado
1 xícara de leite
1/3 xícara de suco de limão verde
1 colher de chá de ground coriander
1 pitada* de pimenta cayenne
*pode pôr duas ou três, vai por mim!
1/2 quilo de camarão* cozido picado, reserve uns inteiros para decorar
*invenção minha: eu temperei os camarões com um fio de azeite
Sal marinho grosso e pimenta do reino moída a gosto
1 xícara de tomatinhos cortados em quatro
1 abacate picadinho

Bata no liquidificador o milho com o iogurte, leite, suco de limão, coriander, cayenne até virar um purê. Passe para uma sopeira através de um coador bem fino, para retirar todo o resíduo do milho. Misture o camarão, adicione sal e pimenta a gosto, misture os tomates e o abacate e sirva. Eu servi com torradas feitas na frigideira de ferro com um fio de azeite.

pudim de caranguejo
pudimcarangueijo.jpg

A receita original que peguei no Marcelo Katsuki é de pudim de siri. Mas como eu só tinha uma lata de crab, foi com crab mesmo. Sinceramente não sei muito bem a diferença entre siri e caranguejo, mas imagino que siri seja um bicho brazuca. Fiz só metade da receita e usei ramequins comuns, então rendeu seis pudinzões. Fiz o molho de melado com balsâmico reduzido que ele sugere, mas achamos que não tinha nada a ver e que é totalmente dispensável. A receita como está no Kats:

Ingredientes:
- 1 kg de siri limpo e desfiado
- 200g de tomate picadinho
- 200g de cebola picadinha
- 50g de coentro bem picadinho
- 45g de cebolinha bem picadinha
- 250g de parmesão
- 150ml de leite
- 100ml de leite de coco
- 100ml de azeite de oliva
- 4 ovos
- 1 unid de alho socado
- 2 limões (suco)
- QB de sal e pimenta do reino

Modo de preparo:
Lave o siri com limão, desfie e reserve. Refogue os temperos e o siri até ficar bem seco e reserve para esfriar. Misture o leite, o leite de coco e os ovos, com um fouet. Com o siri frio adicione o molho e o queijo. Coloque em forminhas untadas com azeite e leve ao forno em banho-maria por 30 a 35 minutos em 200°C. Desenforme e sirva com redução de melaço e balsâmico.
[50 porções por receita]

as mais lindas
asmaislindas.jpg

pasta com cenoura, pinoles e tomilho
pastacomcenourapinolestomilho.jpg

Dica maravilhosa da Sally, que viu e testou a receita deste blog lindo. Uma simplicidade incrível e uma mistura de ingredientes muito interessante. Não tem como errar.

Cozinhe a pasta da sua preferência em bastante água e sal. Enquanto isso descasque as cenouras e corte em fatias finíssimas - use o peeler e vá fatiando até a cenoura quase desaparecer. Eu faço tudo em uma panela só. Quando a pasta estiver cozida al dente, escorra e reserve. Coloque a panela de volta ao fogo, ponha azeite, jogue a cenoura ralada, um punhado de pinoles e outro punhado de tomilho fresco. Refogue rapidamente, acrescente sal a gosto, jogue a pasta cozida, desligue o fogo, mexa bem para os ingredientes se incorporarem bem e sirva. Fiquei tentada a polvilhar com queijo ralado, mas me forcei a seguir a receita e realmente o queijo não fez a manor falta. Na receita original vai cebola, mas como a Sally, eu também decidi não usar.

salada de pepino com molho de sour cream e dill
saladapepinosourcream.jpg

Essa salada refrescante e delicada saiu da edição de junho da revista Everyday Food. Fiz com pepino japonês, mas pode ser feita com qualquer variedade.

Corte os pepinos em fatias bem finas e tempere com um molho feito com: suco de um limão, 1/2 xícara de sour cream, dill fresco [eu usei o seco], sal marinho e pimenta do reino moída na hora. Eu adicionei um fio de azeite, porque sou uma metida que precisa sempre mudar alguma coisa. Não me arrependi.

muffins de pistacho com mel
pistachomuffin.jpg

Receita irresistível que vi na Ana e precisei fazer. Dei uma adaptada, porque não tinha todos os ingredientes. Os muffins ficaram densos, porém bem saborosos. A medida do sucesso de uma receita aqui é sempre o número de unidades que o meu marido consome. Desses muffins, sobraram apenas quatro de uma fornada de doze!

1 xícara de farinha de trigo comum
1 xícara de farinha de trigo integral
1/4 xícara de flaxseed meal - não usei
1 1/4 colher de chá de fermento em pó
1/8 colher chá de sal
1 xícara de buttermilk - não tinha, usei half-and-half, um creme de leite diluído
1/2 xícara de açúcar mascavo
2 colheres de sopa de óleo
2 ovos, levemente batidos
1/4 xícara de uvas passas brancas - não usei
3 colheres de sopa de pistachos picados
Mel a gosto

Pré-aqueça o forno em 350°F/180ºC. Misture os ingredientes secos numa vasilha. Em outra vasilha misture bem os outros ingredientes. Faça um buraco no meio da mistura seca e jogue lá a mistura liquida. Mexa bem, jogue os pistachos na massa e coloque em colheradas nas forminhas de muffins, untadas ou forradas com formas de papel. Asse por 15 minutos. Deixe esfriar numa grade. Na hora de servir derrame mel a gosto por cima do muffin. Eu usei o golden syrup e acho que exagerei um pouco...

completando...

Depois que abri minha geladeira para o público, fiquei pensando na dinâmica dessa nossa função de guardar/preservar alimentos. Olhei as fotos que tirei da minha ice box naquela particular segunda-feira e concluí que ela nunca teve exatamente esse conteúdo, nessa determinada combinação e composição, e nunca terá novamente. Porque o que eu coloco na minha geladeira depende de fatores variados, sendo o mais importante a estação do ano. São as estações que definem basicamente o cardápio e consequentemente os ingredientes. Uma geladeira no inverno é bem diferente da geladeira de verão, com exceção daqueles produtos que nunca saem de lá—porque são sempre úteis ou porque são esquecidos mesmo.

Outro exemplo é a marca dos produtos, que nem sempre são as mesmas. Nessa específica segunda-feira, a minha geladeira não continha algumas coisas que ela sempre contém, como o meu iogurte favorito "european style", a caixinha de buttermilk, a lata de ameixas secas do Uriel, entre outras pequenas coisinhas. Os sucos variam, os containers com restinhos variam, até o tamanho das embalagens de leite variam, pois às vezes eu compro leite de galão.

Três coisas pra se notar nessas fotos: Um: não há frutas na geladeira, pois eu nunca coloco nenhuma fruta lá, incluindo também os tomates, que não devem ser refrigerados de maneira alguma, a não ser que você não se importe de comer tomate com sabor de nada. Dois: nós consumimos latícinios a beça. queijos e mais queijos, cremes, etc. Três: eu quase não congelo produtos como carnes, peixe e frango. compro geralmente o que vou usar na semana. por isso sobra tanto espaço no congelador magrelo pra tanto sorvete—outra coisa que consumimos muito no verão.

Uma coisa que não mostrei, portanto ninguém viu, é que essa geladeira não é filha única! Tenho outra geladeira na garagem, onde guardo bebidas—vinhos que precisam gelar, cerveja, algum refrigerante pra minha nora. Uso muito essa geladeira extra quando tem festa aqui, ou recebo convidados e visitas.

a verdade, nua, crua e fria

Olhei com curiosidade o conteúdo de algumas geladeiras de blogs bacanas e apesar de ter achado a idéia legal, ponderei um bocado até decidir se iria abrir a minha também. Sou bem relutante com questões de seguir trends, mas esse eu achei tão divertido, então — what the heck — resolvi aderir! Minha geladeira é bem abarrotada, não deu pra condensar tudo numa foto. Fiz um set com todas as prateleiras e micro-detalhes. O que será que a minha geladeira revela sobre a minha personalidade? Boa oportunidade também pros guris observarem as marcas dos produtos.

flapjacks
goldensyrup.jpgflapjacks.jpg

Uma receita clássica de flapjacks deste website de receitas retrô. Eles ficam simplesmente uma delicia! Eu adicionei damascos secos em pedacinhos, o que deu um upgrade nas barrinhas amanteigadas de aveia.

4 oz /100g de aveia grossa
2 oz / 50g de manteiga
3 oz /75g de açúcar [usei mascavo]
1 colher de chá de Treacle ou Golden Syrup [substitua por mel ou melado]
Numa panela derreta a manteiga e o syrup, adicione o açúcar e a aveia. mexendo sempre em fogo médio [coloquei os damascos em cubinhos também]. Espalhe a mistura numa forma untada com manteiga e asse por uns 15 minutos. Tire do forno, corte com uma faca e deixe esfriar. Ele endurece depois, formando barrinhas. Essa receita dá 4 porções.

no jornal da capital
SacBee2.jpg

O jornalista Bob Sylva, que descende de portugueses do Açores, fez uma excelente reportagem sobre os blogs de culinária da região de Sacramento, para o jornal da capital* — o Sac Bee. O Chucrute com Salsicha está lá, junto com outros queridos bloggers que tive o prazer de conhecer pessoalmente. As fotos estão super bacanas e criativas. Eu fiz um clique das páginas do jornal — AQUI e AQUI.

* será que o governador Arnaldão Schwarzenegger lê o Sacramento Bee??

wonderland
alotofcandies.jpg
marinada de vermouth

A receita, que eu vi numa propaganda do Martini & Rossi® dry vermouth, era pra camarão. Mas como eu só tinha uns filezinhos de frango, foi assim mesmo. Também dei uma mudada geral, então da receita original ficaram apenas dois ingredientes.

Tempere os filés de frango com sal grosso, suco e raspas de um limão verde, alho cortado em fatias finérrimas, uma boa dose do dry vermouth e uma boa colherada de marmelade de laranja—eu usei aquela de limão meyer, que ainda tinha. Deixe marinar por um tempo, espete os filezinhos em palitos de madeira que fram imersos antecipadamente em água, para não pegarem fogo e coloque na churrasqueira ou grelha. Mais fácil que isso, só sanduiche de queijo e presunto.

quantas saladas poderei fazer!
seraqueehrucula.jpg

Verdes são a alma das saladas. Eu cresci comendo alface, agrião e rúcula. Mas também comia o espinafre, o repolho, a acelga, entre outras folhas não tão populares. Esses verdes são entidades batutas, que podem virar um bela salada em solo, misturados entre si ou com outros ingredientes, abrindo um leque de possibilidades quase infinito. Minhas piscadelas amorosas se inclinam na direção da rúcula, que é o meu verde favorito—e vamos ser sinceros: que VERDE, hein? Adoro o sabor pungente e picante dessa folha. Acho que ela acompanha bem quase tudo e mistura-se bem à quase tudo, além de ser deliciosa sozinha, temperada levemente com um salzinho, azeite e um pingo de vinagre de vinho tinto.

Por três anos eu plantei rúcula na minha horta. Um ano deu bem, no outro ano não deu nada e no último ano eu simplesmente esqueci das folhas lá no quintal, por falta de tempo, porque me embananei nas minhas funções domésticas, porque às vezes essas coisas acontecem mesmo, conformemo-nos. No final do inverno finalmente deitei abaixo os resquíscitos da horta do verão passado, que se cobrira de pés de tomates ressecados e mato. Revirei a terra cheia de minhocas, arranquei o mato, plantei ervas e perdi metade para bichos invisíveis que todo ano atacam meus canteiros de devoram as coisas gostosas. Um pé de cebolinha sumiu inteiro, certamente obra de algum mamífero patudo e não de seres repelentes rastejantes. Mas aos poucos a horta foi tomando caras de horta novamente. O hortelã chocolate se espalhou rapidinho, renascido da tumba de Lázaro. O orégano e o tomilho rebrotaram, as novas ervinhas foram criando raizes ou sucumbindo aos bichos. Plantei vários pés de tomates intercalados por alguns de manjericão. E assim foi indo até quando numa das minhas inspeções notei um matagal verde se espandindo num dos cantos de um dos canteiros. Como era volumoso e uniforme, logo vi que não podia ser mato. Peguei uma folha e cheirei—hm, não pode ser—mordi e mastiguei outra folha—nhoccrunchnhoc—será?? ohdearlord, é RÚCULA!

Segundo a minha amiga Alison, o fato de eu ter esquecido a rúcula na horta no verão passado, permitiu que ela florecesse e polinasse. Sem ter plantado nada, vou ter com certeza salada abundante o verão inteiro. A melhor salada, a minha favorita, e assim, sem mais nem menos, fruto da minha total desorganização.

Os comedores de milho

Passei o final de semana de óculos, lendo o livro do Michael Pollan, The Omnivore's Dilemma [O Dilema do Onívoro]. Terminei o primeiro capítulo, onde ele faz uma analise criteriosa da alimentação predominante neste país. Pollan faz primeiro um restrospecto, chegando à base de todo o sistema e parte dali para fazer uma desconstrução minuciosa de todo o processo que termina na nossa mesa e estômagos. O retrato que ele pinta é terrivelmente assustador. Eu diria que The Omnivore's Dilemma poderia ser comparado com Sugar Blues do William Dufty, o livro demonificando o açúcar que foi um marco para a época [década de 70/80]. Claro que o livro de Pollan é muito mais elaborado e critica toda a indústria de alimentos, não somente um setor, como foi o caso do livro do Dufty.

Como já iniciei o segundo capítulo, percebi que ele não vai ficar só criticando em vão—apesar que vai ousar mais um pouco, metendo a boca na indústria dos orgânicos, bem representada pela rede Whole Foods. Pollan vai mostrar que há alternativas. Já vi esse livro ser mencionado por muitos food bloggers, já li que ele é um best-seller, o autor fez palestras aqui na UC Davis [ele é professor na UC Berkeley], o livro já foi discutido em colóquios e seminários sobre agricultura sustentável. E ouvi dizer que muita gente mudou a maneira de se alimentar depois de ter lido The Omnivore's Dilemma. No meu caso de pessoa super impressionável, eu pressinto que haverão algumas mudanças que estavam na portinha de acontecer, só faltavam um pequeno empurrãozinho. Há tempos que venho tentando estender minhas compras de orgânicos também para carne e frango. Frango que não foi confinado e injetado com antibióticos e boi que pastou, não teve que fazer a dieta do milho.

Milho! Essa é a palavra chave do primeiro capítulo do The Omnivore's Dilemma. Tudo de errado que temos na indústria alimentícia da América do Norte é devido à esse grão, antes cultuado como alimento sagrado pelos indígenas das Américas. Hoje o milho é a base de tudo, tanto da alimentação dos animais que vamos comer, como dos ingredientes de quase absolutamente tudo o que ingerimos. Pollan traça um paralelo entre a política da agricultura e o estilo de vida norte-americano. O estilo de escrever de Pollan é considerado por muitos como "advocacy journalism", onde o objetivo final é provar um certo ponto de vista. Se você ler o livro, vai perceber isso facilmente. Mas pra mim, o mais importante é alguém trazer ao público certas informações sobre a industria dos alimentos, que poderíamos passar a vida inteira sem saber.

A parte do livro mais difícil de ler até agora, foi a que ele descreve como o gado é criado para virar bife. Ele comprou um novilho, que acompanhou durante o processo de engorda. Fiquei o final de semana todo refletindo sobre o que estava lendo e repassando os fatos pro Uriel:

—você sabia que os hamburgueres das redes de fast-foods são feitos com basicamente carne das vacas leiteiras que estão muito velhar pra parir e produzir leite?

Alguma coisa vai mudar. Ou melhor, com certeza alguma coisa já mudou.

bouquet variado
floresvariadas1.jpg
floresvariadas2.jpg
creme frio de tomate
cremefriodetomate.jpg

Esperei até às oito da noite para irmos comer em algum lugar—nosso ritual já meio padronizado das sextas-feiras. Não é novidade pra mim ser deixada esperando. Faz parte do pacote de ser casada com um acadêmico workaholic. Mas isso não me isenta do direito de bufar e chutar latas. E isso eu fiz. Fiz também um jantarzinho improvisado, com o que tinha na minha frente: quatro tomates. Fiz um creme frio, tostei um pãozinho na frigideira de ferro e comi sozinha. Aproveitei pra usar umas taças de margarita que não saiam do armário há anos! Fez um visual, pra compensar a frustração...

Creme frio de tomate
4 tomates Roma
Um punhado de salsinha—acho que manjericão ficaria melhor, mas eu não tinha mais
1 fatia de cebola roxa
1/3 xícara de half-and-half [um creme de leite diluído]
Um punhadinho de azeitona preta sem caroço
Sal marinho a gosto
Tabasco a gosto—usei o de Chipotle
Um fio de azeite

Bata tudo no liquidificador, até formar um creme bem liso. Coloque em taças de margarita e sirva com fatias de pão tostadas com um fio de azeite.

a culpa foi do Misty
pandebono.jpg
o desastre

A ironia disso tudo é que eu tenho publicada uma excelente receita de pão de queijo, uma das receitas mais requisitadas aqui neste blog. É verdade que eu nunca fiz o pão de queijo Pat, nem pão de queijo algum. Sou uma brasileira que nunca fez pão de queijo! Bem, eu fiz daqueles horrorríveis de liquidificador que foi moda total nos anos oitenta, mas esses nem contam como pão de queijo. Outro dia me deparei com uma receita de um pão de queijo colombiano numa edição antiga da revista Gourmet. Me meti a fazer, porque eu tenho mesmo esse espírito de porco que incarna vez ou outra.

A receita é super simples, como quase toda receita de pão de queijo. Mas eu resolvi fazer com metade das medidas, pois não tinha polvilho suficiente pra receita inteira. Quando a gente vai mudar alguma coisa numa receita—principalmente medida, tem que se colocar num modo de concentração extremo. Essa parte já não é o meu forte, especialmente porque eu tenho inúmeras distrações na cozinha. E a pior delas é o meu gato Misty. Só quem tem animal de estimação em casa vai entender o que é fazer tudo com uma criatura peluda aos seus pés. No caso do meu gato Misty, ele está constantemente ao meu lado. Se eu não fechar a porta do banheiro na cara dele, ele me acompanha e fica na minha frente, me encarando, enquanto eu estou sentada na privada. Na cozinha ele é uma presença constante. E fica nos lugares estratégicos—em frente da pia e do fogão, ou no meio entre a pia e o fogão, que é o território por onde me movimento quando estou cozinhando. Pois enquanto eu fazia a receita do pão de queijo da revista, o gato gordo se postou insistentemente aos meus pés, com o rabão esticado, me deixando nervosa, me atrapalhando e me distraindo. O resultado é que eu errei as medidas de açúcar, sal e fermento. Os pãezinhos cresceram na largura e achataram. Ficaram massudos, adocicados e borrachudos. Tenho uma penca deles agora e não acredito que eu possa fazer um reaproveitamento, como torrar ou grelhar. Com certeza vão todos pro lixo, que tristreza. Meus primeiros pão de queijo, um fracasso total!

* a receita, pra quem quiser tentar. retire antes os gatos e cachorros da cozinha!

Pan de Bono
receita dos chefs Jose Luis Flores e Douglas Rodriguez.
revista Gourmet novembro de 2004

3 xícaras de polvilho - tapioca flour
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de sopa de açúcar
1 1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de fermento em pó
3/4 lb - 3 xícaras de mussarella fresca ralada grosseiramente
1 xícara de leite integral
2 ovos
1/2 tablete [1/4 xic] de manteiga derretida e esfriada
2 colheres de sopa de óleo

Aqueça o forno em 375ºF/200ºC. Forre duas formas com parchment paper. Misture os ingredientes secos numa vasilha e bata com o batedor de arame. Junte o queijo. Incorpore bem. Numa outra vasilha bata os ingredientes liquidos. Misture o liquido ao seco, misture bem com uma colher de pau, faça bolinhas, coloque na forma com espaço entra cada uma e asse por 30 minutos. Deixe esfriar numa grade.

macarrão com abobrinha e manjericão
macarraoabobrinha.jpg

Felicidade maior pra mim: chegar em casa do trabalho já sabendo o que vou preparar pro jantar! Isso é sinônimo de tranquilidade, pois já vou direto ao assunto, sem delongas indecisas. E foi assim que acoonteceu com esse prato de macarrão com abobrinha e manjericão, que foi decidido bem cedo.

Cozinhe o macarrão em bastante água salgada. Eu usei macarrão integral. Corte a abobrinha em tirinhas bem finas. Eu usei duas abobrinhas pequenas. Descasque e rale em fatias finas dois dentes grandes de alho. Pique um macinho de manjericão. Quando o macarrão estiver cozido ao dente, coe e reserve. Na mesma panela que cozinhou o macarrão, coloque uma boa quantidade de azeite e o alho. Doure o alho, jogue sal marinho e pimenta do reino moída a gosto, acrescente a abobrinha e refogue por DOIS SEGUNDOS, não deixe a abobrinha amolecer. Jogue o macarrão, desligue o fogo, mexa bem para incorporar os ingredientes. Salpique com o manjericão, sirva com bastante queijo ralado na hora.

sabores exóticos
dazsacaimel.jpg

A série Häagen-Dazs Reserve está bem interessante. Já experimentamos o sabor romã com chocolate, que foi aprovadíssimo por todos. O de açaí não fez muito a nossa cabeça. Mas apesar de ser um Häagen-Dazs, ele tem quase zero de gordura, fato que nos impressou deveras. Esse sorvete é delicioso justamente porque tem mais de cinquenta por cento de gordura—quase um crime! Provamos também o sabor mel lehua havaiano com creme, que gostamos muito.

multiplicam-se
fabulososdaofrutos.jpg

Os pés de pêssegos, cujo fabuloso e heróico resgate foi aqui relatado, estão dando frutos. Bem acomodados, mesmo ainda dentro de latões de plástico, eles prosperam e já precisaram ganhar um suporte, envergados que estavam pela fartura de lindos pêsseguinhos—ainda verdes, mas crescendo à vistas grossas e prometendo uma colheita abundante.

os tomates que viraram salada
tomatesamaelos.jpg

Eu não acho os tomates amarelos tão saborosos quanto os vermelhos. Mas que eles são bonitos, isso são. Dão um show na travessa, quando são cortados em fatias e dispostos à apreciação pública—temperados com sal, pimenta, azeite e vinagre de vinho branco ou de champagne, e salpicados com alguma erva fresca.

oréganos
oreganosnosvasos.jpg

As ervinhas nos vasos mudaram-se para o quintal. Duas delas já tinham perecido, um pouco culpa do gato maluco, outro pouco culpa da falta de luz direta, não sei. Tinha achado um cantinho que bate sol a tarde toda, mas talvez precise mais que sol. Nunca consegui fazer os vasinhos de ervas vingarem dentro de casa. Vamos ver se no quintal elas sobrevivem. Senão a última alternativa será a horta e bye bye vasinhos...

Corn Chowder Salad
cornchowdersalad.jpg

Cansada, cheia de achaques hormônicos, de mau humor, me preparando pra jantar sozinha, procurei por uma receitinha fácil, prática e que me ajudasse a sair daquele estado desalentador que ainda insistia em relembrar—It's only Tuesday!

A primeira receita que vi e que me animou muito foi a de um Corn Chowder, uma sopa típica do sul dos EUA. Sopa, sopa... Tudo na receita me interessou, menos o fato de ser uma sopa. Não estou mais no embalo dos caldos aquecidos. Tive então a idéia de transformar a sopa numa salada, muito mais apropriada para essa época e o meu humor resultante de um dia descabelante de primavera. Usei quase os mesmos ingredientes e mandei bala. O resultado foi de comer com colher, que é como a gente come comida confortante, pra curar todos os achaques e reativar os ânimos para continuar firme até o fim da semana.

1 lata de milho verde - pode usar o congelado ou melhor ainda, se tiver, o fresco
1 cenoura ralada
1 cebolinha picada
Bastante salsinha picada
Pimentão vermelho picado - eu usei o assado e desidratado
Pimenta cayenne em flocos - da vermelha, qualquer uma, seca ou fresca

Misturar tudo numa saladeira e temperar com um molho feito com suco de limão verde, um pingo de maionese, buttermilk, azeite, sal marinho. Bata bem para emulsificar e adicione aos outros ingredientes. Misture bem e sirva.

torta de espinafre e queijo
tortaespinafrequeijo.jpg

O rolo de phyllo pastry [massa folhada estilo grega] estava descongelado na geladeira há semanas. Um rolo de queijo de cabra implorava para ser usado urgente. Chegou espinafre fresco na cesta—folhonas enormes e verdolentas, uma overdose de clorofila. Resolvi juntar esses três ingredientes numa torta. Missão: jantar. Dificuldade: média. Primeiro prepare o recheio, pois ele deve estar frio quando for colocado na massa. Eu refoguei um scallion [cebolinha], parte branca e verde num tanto de azeite. Use cebola, se nao tiver scallion. Joguei lá as folhas de espinafre lavadas, escorridas e picadas grosseiramente. Refoguei só até as folhas murcharem. Acrescentei sal marinho grosso, pimenta do reino fresca, um punhado de pistachos moídos [use nozes, pinoles, amendoas se tiver e quiser] e acrescentei o queijo de cabra [use feta se tiver e quiser]. Abri a massa. Se não tiver a phyllo, qualquer uma folhada serve. Com a phyllo é importante pincelar muito bem cada folha com manteiga derretida. Forre uma forma grande com parchement paper, vá colocando as folhas da massa e pincelando uma por uma com bastante manteiga—saravá, Julia Child! Não sei se fica tão bom se substituir a manteiga por óleo vegetal em spray ou outra coisa menos calórica. Manteiga é manteiga, não há substituto! Quando terminar as camadas, coloque o recheio sobre a massa, dobre como quiser [eu sou péssima nisso, minhas tortas sempre ficam feias] e asse em forno pré-aquecido em 350ºF/180ºC até a massa ficar dourada e crocante. Sirva frio, que eu acho que fica mais gostoso.

sweet [adorable] cherries
sweetcherries.jpg
fresquinhas, locais, orgânicas
adoro!
Almoçamos fora no domingo

Família desorganizada, acho que éramos os únicos sem reserva para um restaurante no domingo de dia das mães. Quase duas da tarde e já tínhamos tentado quase todos os bons restaurantes de Davis. Até um em Sacramento. Mas queríamos comer por aqui mesmo, de preferência em downtown, onde poderíamos ir a pé. O único restaurante que nos deu uma resposta positiva foi o Tucos Wine Market and Cafe, que fica em downtown, perto da estação de trem, numa casinha pequena e aconchegante. Já tinha recebido recomendações desse lugar, pela comida e pelo wine tasting. Eles têm um cardápio simples, com ingredientes locais, tudo feito do zero, sem firulas, mas com capricho. É o meu tipo de lugar. A carta de vinhos não é extensa, mas os poucos são exclusivos. Nós optamos pelo menu do dia das mães, que incluia uma sopa de cenoura, aspargos enrolados no prosciutto e queijo, com ovo pochê [que dispensei] e torradas, talharini feito em casa com molho branco camarão e ervilhas, e uma tortinha de cerejas com sorvete de baunilha. Eu ganhei uma deliciosa taça de prosecco, incluida no pacote das mães. Foi um almoço delicioso, feito sem pressa, num ambiente super acolhedor. Pros outros restaurantes que não tinham lugar pra nós—uma banana!

* O Gabriel jurou ter visto uma latinha de guaraná passeando numa bandeja pelo restaurante. Quando fomos apresentados à lista de bebidas sem álcool, uma surpresa: além do guaraná, oferecido como algo super chique, uma variedade de sucos de polpa de frutas—real natural rainforest fruit juices, straight from Brazil. Acerola, caju, cacau, graviola, goiaba, mamão, manga, maracujá, abacaxi e tamarindo, batidos com água ou leite, estilo vitamina.

almoçamos fora no sábado
almocosabadoquintal.jpg
pêssegos & damascos
pessegosedamascos.jpg
fresquinhos, locais, orgânicos
adoro! adoro!
dá gosto de ver
meufilhocome.jpg

Meu filho passou aqui na quinta-feira para bater um rango. É um prazer ver o pratão de comida que ele sempre faz e come com gosto. Nunca fiz aviãoziinho!

novas velhas amigas
novasvelhasamigas1.jpg
  ooolááá!  
bolo de aveia, maçã e laranja
bolodemacaelaranja.jpg

Vi essa receita na Lara, que viu num outro blog. Achei tão gostosinha, resolvi fazer. Como na receita da Lara não tinha a temperatura do forno e eu gosto de saber os graus exatos, fui na receita original para ver se lá tinha esse dado importante. Vi então o ingrediente purê de maçã, no lugar do suco de maçã. Como fiz com o suco, como a Lara, e ficou muito bom, constatei mais uma vez que receitas são entidades incrívelmente flexíveis, que se adaptam, se curvam, esticam, se dobram. Façam como quiser—com purê ou suco. Com o suco o bolo ficou bem fofinho, com um leve crocante das nozes, que eu substituí por pistachos.

1 ¼ xícara de farinha de trigo
1 xícara de aveia
½ xícara de açucar mascavo
2 colheres de chá de canela em pó
¼ de colher de chá de noz moscada
1 colher de sopa de casca de laranja ralada - usei a seca
1 ½ colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de sal
1 ¼ de xícaras de suco de maça sem açúcar, ou o purê de maçã
1/3 de xícara de óleo
2 ovos
1/3 de xícara de buttermilk

Para a cobertura:

1/3 de xícara de nozes pecan - usei pistachos
4 colheres de sopa de açucar mascavo
¼ de colher de chá de canela
1 colher de chá de raspas de laranja

Forma de bolo inglês untada.
Forno pré-aquecido em 350ºF/180ºC.

Misture os ingredientes secos—farinha, aveia, açúcar, canela, noz moscada, raspas de laranja, fermento, bicarbonato e sal. Em outra vasilha, misture os outros ingredientes—suco de maça, óleo, ovos e buttermilk. Junte as duas misturas e deixe descansando enquanto prepara a cobertura.

Pique as nozes muito bem picadinhas, pode utilizar o processador. Adicione o açúcar, a canela e as raspas de laranja. Junte metade desta cobertura à massa. E o restante, jogue por cima da massa já acondicionada na forma. Asse por mais ou menos por 55 minutos.

the zero-waste festival
recyclehere.jpg

Kombis coloridas, ônibus psicodélicos, centenas de cabeleiras rastafaris e camisetas tie dye do Grateful Dead vão invadir a cidade neste final de semana para o Whole Earth Festival, que acontece no campus da UC Davis. Todo ano quando chega a maio, o dia das mães e consequentemente o festival, eu me lembro de uma bofete que falou do alto da sua empáfia que não ia, nem levava a família nessa festa porque ela era cheia de gente que fumava ma-co-nhaa! Ha Ha Ha! Minha Santa Perequeta, nos salve desses boçais! Apesar de não ser uma, eu tenho uma alma hiponga e curto esse festival, que começou em 1969, cresceu e desenvolveu com muitas propostas bacanas. Uma delas é o zero-waste. Uma festa com milhares de pessoas que produz pouquissimo lixo é possível e foi comprovado. Tudo é reciclável e reciclado. Para as barracas de comida—que são cem por cento vegetarianas, não há quase lixo, pois os comensais "alugam" os pratos, copos e talheres, e recebem o dinheiro de volta no retorno. Tudo é lavado e esterilizado numa lavadora industrial. Além da comida veggie simplesmente deliciosa, o festival tem mil outras coisas bacanas—música ao vivo, palestras, filmes, dança, workshops esotéricos, artesanato bonito. Movida a energia solar, a festa demanda uma penca de voluntários, que trabalham os três dias e recebem o charmoso título de Karma Patrol. Eu vou estar lá, provávelmente dançando no show principal de sexta à noite e encaroçando alegremente na tarde de sábado. Eu adoro essa festa e vou todo ano, desejando sempre que a alegria contagiante inunde as almas dos caretas!

salad with mint and peas
saladaervilhamenta.jpg

Da Everyday Food de maio 2007. Essa salada mistura três ingredientes que combinam muito bem, um ajudando a destacar o sabor do outro. Como a minha horta está abarrotada de hortelã chocolate, achei que essa era uma ótima oportunidade de usar a erva fresca.

Faça uma vinagrete com suco de limão, mostarda dijon, azeite, sal marinho. Descongele as ervilhas. Pique o hortelã. Coloque a alface numa vasilha grande, jogue as ervilhas, salpique com o hortelã e misture a vinagrete somente na hora de servir. Moa pimenta fresca e pronto: suuper refreeeescantee!

black beans with lime
feijaopretomexicano.jpg

Da edição de maio 2007 da Everyday Food, do menu para a fiesta do Cinco de Mayo mexicano, um prato simples de feijão preto com limão verde que arrasou. Rápido, fica pronto num minutinho, se você fizer como a receita manda e usar feijão enlatado. Nada impede que se cozinhe um feijãozinho—o que eu geralmente gosto muito de fazer, mas desta vez não tive tempo.

Azeite
1 scallion cortado inteiro, parte branca e verde, em fatias fininhas
Sal marinho
2 latas de feijão preto
1 colher de chá de chili powder - pimenta vermelha em pó estilo mexicano
1 colher de sopa de suco de limão verde espremido na hora

Numa panela aqueça o azeite e refogue o scallion picadinho. Salgue. Jogue o feijão, adicione a pimenta chili. Refogue por uns minutos, retire do fogo e acrescente o suco de limão. Eu servi com tortilla chips.

o dia de despedir
oultimocafedamanha.JPG
é sempre um dia triste...
vamos ler o que eles têm a dizer
livrosnovos1.JPG
livrosnovos2.JPG

salada de couve-flor assada
couve-flor-alface1JPG.JPG
couve-flor-alface2.JPG
couve-flor-alface3.JPG

Me inspirei pra fazer essa salada numa revista Gourmet antiga que folheei no consultório do meu médico, quando fui ver as sequelas do tombaço. Adorei a mistura, que na original ainda levava radicchio. Fez sucesso no meu jantar de ontem, que acabou super tarde, mas teve a presença do Gabe e da Marianne. Todos elogiaram o sabor da couve-flor assada.

Corte a couve em floretes, espalhe numa forma forrada com papel alumínio e regue com azeite, salpique com sal e pimenta do reino fresca. Asse em forno médio até os floretes ficarem tostadinhos por fora. Tire do forno, separe e deixe esfriar. Monte a salada com bastante alface, os floretes assados e amêndoas tostadas [eu usei as tostadas e defumadas]. Tempere com azeite, vinagre de vinho, sal, pimenta do reino fresca. Misture bem e salpique com bastante salsinha picada. Sirva.

*Fiz arroz e porpetinhas bem simples, pras crianças comerem e uma salada de beterraba crua ralada e pecans tostadas, temperada com vinagre balsâmico, que também agradou a todos.

o que vamos beber hoje
umvinhoportugues.JPG

Meu cunhado, que está aqui nos visitando, é um português de Coimbra que entende dos bons vinhos. Estou aproveitando para pedir a opinião dele. Servi uns vinhos portugueses que ele gostou e muitos californianos, que ele está levando na mala. Ontem ele mesmo comprou essa garrafa numa wine store em San Francisco. Vamos beber hoje e dar nosso veredito.

Palace of Fine Arts
finearts2.JPG
finearts1.JPG
finearts3.JPG
uma visita ao Exploratorium
na pontinha do continente
pointreyeslighthouse1.JPGpointreyeslighthouse2.JPG
pointreyeslighthouse3.JPGpointreyeslighthouse4.JPG
pointreyeslighthouse5.JPGpointreyeslighthouse6.JPG

The Point Reyes Lighthouse na ponta extrema do continente. Um lugar lindo, mas com um clima brutal de ventos. Um refresco zen, em preparacão para um dia atrapalhado. Fomos lá na sexta-feira.

cheese quesadilla
quesadillhainpointreyesJPG.JPG
num café em Point Reyes Station
foi um dia bem cansativo
pizzaout1.JPG
pizzaout2.JPG
pizzaout3.JPG

Comecei o dia mal humorada, pois tinha 8996534 coisas pra fazer e meu filho avisou que só apareceria ao meio-dia, pois tinha aula de akidô. E meu marido saiu pra trabalhar como se fosse um dia normal [dele] e só apareceu quando os convidados já estavam aqui. Tive seis pessoas para o brunch, mais nós e a família da minha irmã, então fiquei bem esbaforida. Felizmente minha querida irmã me ajudou a cortar todos os ingredientes para a moqueca e quando os convivas chegaram eu já estava preparando o brunch e limpando a meleca que a cafeteira resolveu aprontar, vazando liquido e pó por toda a bancada. Coisas assim sempre acontecem nas horas inapropriadas. Mas o brunch foi gostoso, todos comeram bem, fiz panquecas, três omeletes de forno, cornbread, salmão, além dos queijos, pães, morangos, geléias, café, vinho, chá, sucos. ufaaaa!

Às três da tarde peguei minhas cestinhas com toda a "gear" para preparar a moqueca e fui para a International House com a minha irmã-assistente. Preparei a cozinha, montei os ingredientes na bancada, felizmente tive o bom senso de levar uma panela de arroz e outra de moqueca pra cozinhar enquanto eu falava. As pessoas foram chegando e se aboletando na cozinha. Quando comecei a falar, me apresentei, disse quem era, de onde era, citei meu blog, e algumas pessoas já exclamaram—ah, te vimos no jornal! Pois é, a fama me persegue! Fiquei um pouco nervosa, tremi levemente, mas falei bem, expliquei bem e todos tiveram uma visão razoavel da panela no fogão, viram como é fácil fazer uma moqueca. Quando terminei de falar, a moqueca que eu trouxe montada e o arroz estavam prontinhos e todos puderam provar um pouco. Foi um sucesso absoluto! Eu custo a crer o quanto essa moqueca fica boa e agrada a todos. A outra panelona de moqueca que fiz durante a aula foi vendida inteira, nao sobrou uma lasca de peixe e só se ouviu elogios. Ela chegou atrasada e concorreu com uma feijoada completa, então dá pra ter uma idéia de como esse prato de peixe faz sucesso. A prefeita de Davis estava no evento e entrou na minha aula, comeu a minha moqueca e elogiou, depois tirou fotos comigo. Eu não sabia que ela era a prefeita—a total purfa! O evento foi um tremendo sucesso, com muita gente nas palestras e comprando comida, que teve uma venda recorde. A diretora da I-House estava com um sorriso histérico congelado na cara. Ela ainda não tinha tomado tento que TUDO que envolve o Brasil atrai muita gente e é sempre um sucesso. Esse evento não foi diferente.

A sogra do Gabe com o namorado também foram ao evento e entraram em algumas palestras. Voltamos para casa, bebemos café no quintal e eles foram embora. Estava uma noite tão agradável que resolvemos comer a pizza lá fora. As crianças dormiram e ficamos até onze da noite bebendo vinho e conversando no quintal. Foi um dia cheio e cansativo, principalmente pra cozinheira!

*Murphy é padrasto e apareceu pra fazer outra sacanagem comigo. Tiramos muitas fotos do brunch e minha irmã se empenhou tirando fotos da minha aula de moqueca. Não sei explicar o que houve, mas perdi TODAS as fotos. Gone! Estou até agora inconsolável....

tudo super natural
supernaturalcooking.JPG

Comprei o Super Natural Cooking da Heidi Swanson, do blog 101 Cookbooks. O livro é simplesmente lindo, como ela e o blog. Poderia ser um livro de mesa, pra enfeitar, mas ainda tem receitas maravilhosas. Ela dá muitas dicas para que se use alimentos naturais. Essas dicas eu não vou aproveitar, porque eu já sou uma natureba veterana e mergulhei nessa onda há muitos anos, quando mal tinha completado dezessete anos. Mas sei que vou folhear e folhear o livro da Heidi por muito tempo. Ele é um colírio para os olhos. E para quem reparou que na foto tem dois livros—é que um está indo para o Brasil—pisc!

Estou me preparando para um evento culinário no sábado—dois aliás: um brunch de família pela manhã e uma demonstraçào culinária à tarde. A International House de Davis escolheu o Brasil como tema de uma conferência de um dia. Vai ter muita coisa legal, e eu vou fazer uma demonstração da famosa moqueca de salmão da Paula. Te mete, hein nega? Paulista fazendo moqueca pra americano! Mas o problema nem é essa adaptação toda, mas a minha terrível timidez de falar em público. Vou ter a cozinha da I-House toda pra mim, até preparei um texto pra dar apoio à minha fala, e estou pensando no esquema de cook show da minha performance. Vou levar uma moqueca já pronta e todos os ingredientes já cortados e preparados para fazer a outra. Infelizmente eu não tenho uma produção pra me ajudar, vai ter que ser estilo DIY. Vamos ver se consigo alguém para tirar fotos. Desejem-me [muita] sorte!

não tem nada melhor!
lepicnicfarmers_1.JPG
lepicnicfarmers_2.JPG
lepicnicfarmers_3.JPG

Um picnic no parque—se eu que sou adulta adoro, imagina o efeito de comer sobre uma toalha na grama pra uma criança. Eles adoraram. O menu foi simplérrimo, sanduba de queijo, presunto e tapenade, morangos frescos, queijo, figos secos no balsâmico e damascos secos com queijo, amêndoas torradas, suco de laranja pras crianças e vinho branco pra nós. Ficamos no parque até não aguentarmos mais de frio, depois fomos beber chá e café no Ciocolat.

Pudim de pão com banana

Um monte de banana ficando passada e um monte de resto de pão viraram um belo pudim, inspirado numa receita da Dona Marthinha Stewart. Minha irmã apontou a diferença desse tipo de pudim de pão, onde o pão fica em pedaços, e aqueles nossos tradicionais, onde o pão é moído e o pudim fica uma massa uniforme. Os dois tipos são gostosos, e esse é mis fácil de fazer.

pudimpaobanana.JPG

2 colheres de sopa de manteiga cortada em cubinhos
1 1/4 de creme de leite fresco ou half-and-half [creme de leite diluído no leite]
3 ovos
3/4 xícara, mais 2 colheres de sopa de açúcar mascavo
1/2 colher chá de sal
2 colheres de chá de extrato de baunilha
2 colheres de sopa de rum escuro - eu usei brandy
3 bananas cortadas de rodelinhas
Meia bengala de pão tipo rústico cortado em cubinhos

Pré-aqueça o forno em 350ºF/180ºC. Coloque uma forma de assar com uns dois cm de água fervendo no forno. Espalhe a manteiga no fundo de um refratário. Espalhe as 2 colheres do açúcar por cima da manteiga. Coloque as bananas por cima das camadas de manteiga e açúcar. Numa vasilha misture bem o creme de leite, ovos, sal, baunilha e rum [brandy]. Coloque os cubinhos de pão espalhados sobre a banana e cubra com a mistura de creme e ovos. Deixe incorporar por uns 5 minutos. Coloque o refratário na forma com água no forno e asse por uns 50 minutos. Sirva morno ou frio.

the jelly belly experience
jellybelly1.JPGjellybelly2.JPG
jellybelly3.JPGjellybelly4.JPG
jellybelly5.JPGjellybelly6.JPG
jellybelly7.JPGjellybelly8.JPG

Tantos anos ouvindo falar da Jelly Belly Factory Tour, mas nunca tive o interesse e a curiosidade de ir até Fairfield para conhecer o lugar. Com as crianças aqui, planejamos ir. É bem legalzinho, pois você entra dentro da fabrica e vê os funcionários e robôs trabalhando normalmente na confecção das famosas balinhas. Aprendemos um pouco da história das Jelly Beans, que são descendentes do Turkish Delight. Ganhamos saquinhos de amostras e depois pudemos fazer compras na lojinha e experimentar os sabores. Eu não sou muito fã de açúcares e balas, mas as crianças amaram tudo. Pedi alguns samples antes de comprar e fiquei apenas impressionada com o sabor de kiwi, que é exatamente o sabor da fruta. Vi alguns sabores esdrúxulos, como alho e feijão assado. Só para os audaciosos!

* infelizmente não pude tirar fotos do tour pela fábrica, pois era proibido.

não tem feijão?
faustocatarinaeomacarrao.JPG

Meu rango está bem simples, porque estamos passeando, porque eu estou alquebrada e porque criança nem sempre gosta de comida com muito triquetrique. E esse é o caso do Fausto, que gosta de pouquíssimas coisas. Fiz pizza em casa, porque ele detestou o molho de pizza daqui—fato indiscutível, pois ele tem toda razão, a pizza norte-americana é um filme de horror! Fiz franguinho na churrasqueira e polenta, que ele adorou. E fiz carne na churrasqueira, com arroz, farofa dessas prontas e saladona de tomate com manjericão. O tomate só a Catarina comeu, mas a carne, arroz e farofa foram muito bem apreciados pelo Fausto. Enquanto ele comia o prato de arroz, perguntou—não tem feijão? Que mancada esquecer justo o feijão, hein Tia Fê?