mãos aos talheres
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Quando penso que em muitas culturas não se usa talheres. Um dia vou ter tempo de fazer uma pesquisa, para descobrir como e quando eles se popularizaram na sociedade ocidental. Gosto tanto deles, da utilidade de não deixar nossas mãos e dedos engordurados e cheirando à comida. Gosto particularmente dos de design simples e dos que desempenham o seu papel com eficiência, como exemplo a faca que realmente corta. Também gosto dos de madeira e dos antigos, que quando posso garimpo nas lojas de segunda mão ou antiguidades.

deu um baita cansaço

São aquelas fases de extremo cansaço que nos pegam desprevenidos e nos dão uma rasteira bem dada. Estou assim, me sentindo cansada e tendo um episódio atrás do outro de trapalhadas, acidentes, esquecimentos, tropeções, avoamentos gerais. Tudo, absolutamente tudo que eu vou fazer tem dado confusão. Uma dose extra, do que já é normalmente confuso.

O Uriel avisou que estava no meio de uns testes e que não viria jantar. Resolvi então fazer apenas um snack pra mim. Antes tive que dar um pulo no supermercado, pois a lista de falturas já estava longa. Lá vi dois itens perfeitos para o meu lanchinho da noite—umas azeitonas recheadas com gorgonzola e uma pimentinha meio adocicada chamada peppadew, que eu quis experimentar. Coloquei as azeitonas e as pimentas na embalagem, peguei meu bloquinho e caneta para anotar o nome, guardei de novo na bolsa e segui em frente com as compras. Deixei o potinho em cima do balcão. Só fui notar—sorvetada na testa—quando cheguei em casa e não achei as coisinhas nos pacotes. Desaforo! Guardei as compras e voltei no supermercado. Nesse vai e vem gastei quase duas horas.

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Mas fiz meu pratinho de gostosuras—salada verde, fatias de queijo brie, damascos secos, figos no balsâmico, as azeitonas, as pimentinhas, framboesas e uma fatia de pão sour dough fresquinho. Acompanhou uma taça de vinho branco. Quando terminei de comer o cansaço já tinha triplicado e tomado conta de todas as partes do meu ser, incluindo mente e alma. Enrolei o quanto pude, mas tentar resistir foi inútil. Subi para tomar um banho e me refugiar na minha cama aconchegante, assistindo meus filmes favoritos. Ainda eram apenas oito e meia da noite e havia claridade lá fora, tive que realmente me esforçar pra aguentar mais um pouco acordada. Dormir às oito e meia da noite é um exagero. Consegui manter os olhos abertos até às nove e meia, quando virei de lado e enquanto Fred Astaire e Ginger Rogers sapateavam pela tela da tevê, eu capotei.

Estou me sentindo assim, não tem jeito, mas pelo menos hoje tenho uma grande motivação e estou corneteando: THANK GOD IS FRIDAY!

as grandonas são charmosas
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A maioria das minhas xícaras para o café com leite do dia-a-dia são bem grandes. Beber café com leite em xícarazona é uma mania que eu tenho há tanto tempo que nem lembro como e quando adquiri. Tenho xícaras de tamanho normal, que uso quando tenho visitas. São as grandonas, porém, que entram na roda de samba das nossas manhãs. E são xícaras com píres, não mugs—não sou muito fã das mugs, embora tenha alguns jogos delas.

Esse trio da foto é quase uma aberração de tão grandes. São lindas e ótimas pra migrar do café com leite para uma variedade de sopas. Adaptar é preciso, sem nunca, never, jamais, perder a classe e a pose.

Sayra's cornbread

Como um simples cornbread pode se transformar numa peregrinação de dois dias? Eu explico: queria fazer um cornbread, porque já estou com uma abundância de espigas de milho na geladeira. Mas fazer um cornbread não é tarefa tão simples, quando você tem uma dezena de livros de receitas norte-americanas, metade deles com receitas de famílias sulinas. São inúmeras variações dessa maravilhosa iguaria, que pode ser feita de diversas maneiras, salgada ou doce. Passei dois dias folheando livros, procurando a receita exata, que preenchesse os requisitos do que eu queria fazer.

*parênteses: preciso parar de comprar livros.

No final da extensa busca, encontrei o que eu queria no livro Sundays at Moosewood Restaurant. Invés do cornmeal comum, usei o stone ground blue cornmeal, que é feito com o milho azul e vira uma farinha de cor azulada, puxando pro indigo. O resultado fica bem interessante, pois o bolo fica mais escuro, com pontinhas azuladas. Para usar o milharal, resolvi rechear o cornbread com os grãos. Ficou bem gostosinho.

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2 ovos
1 xícara de leite ou buttermilk
1/2 xícara de óleo
3/4 colher chá de sal
1/4 xícara de açúcar mascavo - opcional, não usei
4 colheres de chá de fermento em pó
1 xícara de cornmeal amarela ou branca * usei azul
1 xícara de farinha de trigo [pode usar 1/2 comum, 1/2 integral]

Pré-aqueça o forno em 400ºF/205C. Numa vasilha grande bata com o batedor de arame os ovos, leite, óleo, sal e açúcar, se for usar. Bata bem. Acrescente o fermento e bata até formar uma espuminha. Coloque a farinha e o cornmeal. Bata bem até ficar bem lisa. Coloque numa forma untada e asse por uns 20 minutos. Eu recheei com milho cozido - uma espiga, que fervi e raspei com a faca, bastante salsinha picada e cubinhos de queijo monterey jack.

biscoito-mania
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eu nem como o conteúdo, pois não sou chegada em biscoitos. mas adoro as embalagens, principalmente se forem de metal. lugar pra guardar os biscoitos que ninguém come é o que não falta aqui em casa!

Asheville , 10 — China, 0

Fiquei totalmente horrorizada lendo essa reportagem do New York Times sobre o fechamento de um monte de fábricas de alimentos na China. A história toda começou a vir à tona, quando animais começaram a morrer aqui nos EUA contaminados com uma comida produzida no Canadá com matéria prima vinda da China. Eu evito o máximo que posso comprar produtos made in china, mas está ficando cada vez mais difícil, pois parece que o mercado norte-americano está totalmente dominado pelos chineses. É um choque ver uma cultura tão rica ser totalmente corrompida pela sede de lucro e poder. Eu estou sempre ouvindo que em breve a China será a maior potência mundial, superando os EUA. Quando isso acontecer eu espero estar morta.

Mas nem tudo são horrores neste mundo. E existe sim a possibilidade de uma economia sustentável, sem sweatshops, salários micros, exploração, e política desonesta. A Kate Hopkins do Accidental Hedonist publicou essa história muito legal dessa cidadezinha e depois publicou mais um artigo argumentando uma critica. Vale a pena ler os dois textos dela e descobrir que há muita gente repensando os velhos e carcomidos modelos de economia capitalista, que visivelmente não são os caminhos que vão nos levar a construir um mundo melhor.

nem queira saber...
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Não canso de bradar a minha admiração pelas pessoas que cozinham bem, aquelas que jogam uns ingredientes quaisquer na wok e transformam tudo numa refeição digna de restaurante. Aquelas que fazem num instantinho um bolinho de três camadas com cobertura. Aquelas que conseguem impressionar sem esforço. Pois eu, mis amis, eu sou daquelas que tem que se concentrar muito antes de entrar na cozinha, esvaziar a mente, meditar, cantar mantras, let go. E não pode fazer nada muito complicado, nada que tenha mais que dois passos ou mais que quatro ingredientes, nada que implique no uso abusivo do elemento fogo ou dos utensílios cortantes. Tudo tem que ser feito com um cuidado extremo, para o resultado final ficar apenas razoável.

Pois lá fui eu usar a gadget nova de despolpar abobrinha, toda pimpona, me achando a bacana, porque iria INVENTAR uma receita, take that Heidi Swanson! Comecei muito bem, despolpando excelentemente o legume. Piquei a polpa e misturei com grãos de milho que raspei da espiga com a faca afiada. Piquei um quarto de cebola, refoguei na manteiga, joguei a abobrinha e o milho, uma pitada de sal, um pingo de leite, deixei amolecer. Enquanto isso moí um punhado de amêndoas e piquei um outro punhado de cibouletttes. Quando os legumes ficaram molinhos, desliguei o fogo e resolvi acrescentar uma pitada de pimenta cayenne.

Nisso o Uriel chegou e me distraiu perguntando do dia. Eu estava começando a contar as estrepolias do Roux, que está tendo uma certa dificuldade para se adaptar ao banheiro-robô, e falando e olhando pra ele abri o vidro da cayenne pelo lado errado jogando de uma virada só metade do pote dentro do refogado!

Meu prático marido sugeriu rapidíssimo—vamos comer fora! Eu me recusei a desistir daquilo. Retirei com cuidado a parte grossa da pimenta, acrescentei a amêndoa moída e as ciboulettes e joguei um potinho de sour cream na mistura, pra ver se refrescava a quentura. Recheei as abobrinhas e pus no forno. Foi daí que me deu um cansaço, um desânimo, um desalento e acabei jogando a toalha—tá, pega um macarrão lá no Fuzio. Em dez minutos estavamos jantando o macarrãozinho do restaurante. A abobrinha recheada assou, mas eu ainda não tive as caras de provar. Talvez amanhã…

for the times they are a-changin'
TRUST
Na Swanton Berry Organic Farm em Davenport, nos deliciamos com os morangos orgânicos colhidos na hora, mergulhados no chocolate, transformados em sorvete cremoso, cheese cakes e tortas, acompanhados de bolo e chantily. A fazenda de morangos não usa mão de obra barata [imigrantes ilegais] e tem um sistema de pagamento self service na sua lojinha de comilanças: você pega o que quer e deixa o dinheiro numa caixinha. Pega o troco se precisar, ninguém vem conferir. Confiança é uma palavra em desuso, mas não completamente obsoleta!

Em junho de 2004 eu escrevi esse pequeno relato da visita que fizemos à uma fazenda de morangos.

Vivenciamos tantas situações similares, tanto aqui nos EUA, quanto no Canadá. Um dos exemplos acontecia na fazenda de orgânicos da UC Davis, onde eu vou buscar a cesta toda semana há uns seis anos. No inicio havia somente uma estrutura de madeira, para acomodar as dezenas de cestas e protegê-las do sol. Com o tempo, atos de surrupiagens começaram a acontecer e então a administração da fazenda colocou uma porta de correr na estrutura de madeira, para os meliantes não verem as cestas que ficavam ali expostas. Passaram-se uns anos e os roubos continuavam acontecendo, até que a administração resolveu colocar um cadeado na porta durante a noite—pois muita gente vai pegar a cesta bem tarde ou no dia seguinte. Passaram-se muitos meses e algumas cestas continuavam desaparecendo misteriosamente, até que a administração decidiu deixar o cadeado nas portas o tempo todo.

Fui pegar a minha primeira cesta do trimestre de verão e não consegui abrir os cadeados. Tentei o código nos dois cadeados um montão de vezes, comecei a suar, me irritei, me enervei, estressei. Já disse aqui que eu sou uma estressadinha, que perco a paciência rapidinho quando as coisas que eram pra funcionar não funcionam? Bufei, amaldiçoei as almas dos imbecilóides que roubam as cestas e que obrigaram a administração da fazenda a tomar essa medida antipática, coisa de selva de pedra, onde ninguém confia em ninguém, tudo trancado a sete chaves. Me senti deprimida, pois percebi que o mundo está mudando e até os lugares onde havia confiança estão se fechando. Agora me diga, quem é que passa fome aqui em Davis pra roubar cestas de legumes e verduras? Só pode ser pura sem-vergonhice de estudante que mora nos apartamentos do campus perto da fazenda. Voltei pra casa toda irritada e tensa, e sem a cesta. Regressei na fazenda mais tarde com o Uriel, que com a sua incrível habilidade abriu o cadeado com a maior facilidade, assim plick-plock. O truque era dar uma puxada no dito, pra ele destravar. Toda essa história estragou a minha noite, sem falar que dá um enorme sentimento de pena, pois está ficando cada vez mais raro vivenciar situações onde a confiança predomina e a palavra vale tanto quanto um recibo.

warm quinoa, spinach, and shiitake salad
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Essa receita saiu da edição de setembro de 2005 da revista Everyday Food. Apesar de ser servida meio quente, faz uma refeição bem leve. Ajudou a alimentar sem acrescentar aquele peso, pois eu já estava um chumbo com o acúmulo de uma sequência de pequenas chatices acontecidas no final do dia.

Warm Quinoa, Spinach, and Shiitake Salad

1/2 xícara de vinagre de vinho tinto
1/3 xícara de azeite
sal grosso e pimenta moída a gosto
1 quilo de cogumelo shiitake fresco, cortado em tiras * eu usei o crimini
1 1/2 xícara de quinoa
500 gr de mini espinafre * eu usei mini alface tipo romaine
250 gr de queijo feta em cubinhos

Ligue o broiler, ou um forninho ou grelha se nNào tiver broiler. Numa vasilha mistute o azeite, vinagre, sal e pimenta. Coloque os cogumelos numa assadeira e cubra com metade desse molho de vinagre. Misture bem e ponha no forno por uns 20 minutos, até os cogumelos assarem e ficarem bem sequinhos.

Enquanto isso prepare a quinoa. Lave os grãos muito bem, escorra e coloque numa panela com 3 x;icaras de água e sal a gosto. Deixe ferver, abaixe o fogo, tampe e deixe cozinhar até absorver toda água.

Coloque o espinafre ou a folha verde que decidir usar numa saladeira. Adicione os cogumelos assados, a quinoa e jogue o restante do molho de vinagre. Misture e coloque o queijo feta. Sirva imediatamente.

creme de lavanda
[para comer com frutas]
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No ano passado eu peguei uma dessas revistinhas que são oferecidas de grátis na porta de certos supermercados. Aqui é normalmente no Co-op. Nela tinha uma receitinha de figos com um creme de lavanda. Despiroquei com a idéia, mas infelizmente os figos já tinham desaparecido dos mercados e das árvores de ninguém, onde às vezes vou me esbaldar de colhê-los. Acho que nem guardei a revista, tal a facilidade da receita. Era basicamente um creme com mel e flores de lavanda. Pois sábado no Farmers Market avistei rapidamente os adorados figos e comprei duas cestinhas, que foram devoradas ferozmente, sem modos e sem culpa, por mim e pelo Uriel. Acompanhando, o creme de lavanda. Usei creme fraiche, mas pode-se usar creme de leite fresco, iogurte, ou algum queijo cremosinho. Misturei com mel a gosto—não muito pro nosso gosto, e um pouquinho de flores de lavanda. Como não sobrou nenhum figo, repetimos a dose usando pequenos damascos e framboesas frescos.

não comer morei

O nosso secretário Joshua se formou, classe de 2007 na UC Davis. Duas tortas da Bakers Square foram compradas para fazermos uma mini-celebração. Todos se reuniram no conference room para dar os parabéns ao Joshua e dividir uma torta de morangos e outra de chocolate com caramelo. Eu tinha acabado de voltar do almoço e só de olhar pra aquelas tortas me senti inflando imagináriamente como um balão e flutuando imagináriamente pela sala. As tortas, cheias de açúcar, massa feita com gordura vegetal e chantilly artificial me olhavam com uma cara maquiavélica de vilão de filme B. Como eu iria me livrar dessa? Todo mundo escolhendo—quero chocolate—quero morango—quero morango e chocolate! Eu decidi falar uma meia verdade: vou pegar a de morango mas vou comer mais tarde, pois acabei de almoçar. Foram muitos minutos presenciando uma verdadeira orgia açúcarada, garfos afundando no chantilly branco, bocas lambuzadas, dedos melecados. Encostada solenemente na porta segurando o meu pratinho sobre a minha mão esquerda estendida, como se eu fosse uma garçonete de algum diner congelada no tempo e espaço, aguentei firme. Quando o regabofe comemorativo terminou, caminhei até a minha salinha, ainda com o prato na mão, e lá ele ficou. Horas mais tarde abandonei sorrateiramente a torta intacta na geladeira da nossa micro-cozinha. Pra tudo há um limite e esse tipo de torta passou além da minha justa e estabelecida fronteira.

the good, the bad and the ugly
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A Torta de Morango com Ruibarbo, estrelando Ruibarbo Cooper & Morango Hepburn, no fabuloso épico cinematográfico que vai encantar e deleitar espectadores de todas as idades.

o dia do ruibarbo

No meu primeiro ano no Canadá eu conheci a Grace. Não lembro exatamente como a conheci, porque meu primeiro ano lá ficou um tanto nublado na minha memória, tantas foram as mudanças que tive que enfrentar e administrar. Mas a Grace tinha essa determinação de querer ser minha amiga, apesar de eu não querer muito ser amiga dela. O negócio é que a Grace era meio chatonilda, tipo me ligava no sábado às sete da manhã pra me avisar que tinha uma garage sale ótima na rua tal, número tal, que era imperdível e que eu tinha que ir lá. Normalmente eu balbuciava algo concordando só pra me livrar e voltava pra cama com o meu sono já arruinado pela irritação. Mas uma vez eu segui a dica da Grace e fui na tal sale que ela recomendara, porque o Gabriel queria um globo mundial daqueles que rodam e acendem a luz, e aconteceu dela ver um não sei onde. Dei com os alces n' àgua, é claro. A dica da Grace era uma furada, entrei na casa errada onde não estava tendo garage sale nenhuma, maior bafão, depois rodei, rodei, rodei e não encontrei nada. Ainda tive outras histórias chatas com a Grace, mas não vamos nos fixar só nos pontos negativos. Uma das coisas boas que a Grace fez por mim foi me apresentar à uma planta que eu nunca tinha visto nem ouvido falar—o ruibarbo. Ela me levou à uma casa onde tinha uma plantação de ruibarbos no quintal. Fiquei espantadíssima que aquilo fosse comestível e cozinhável, pois eu passaria reto, achando que era apenas um tipo de planta invasiva. Mas ela me explicou que comia-se somente os talos, e somente os talos cozidos. Normalmente se misturava os talos do ruibarbo aos morangos, pois a acidez bem peculiar que eles tinham casava bem com as berries. Comi uma fatia da torta de morango com ruibarbo feito pela Grace e ficou tudo por isso mesmo.

Quinze anos depois..... Me deparo com talos de ruibarbos no Farmers Market e realmente só prestei atenção porque tinha lido a Valentina e a Tatu postarem que tinham feito umas receitas com eles. Nunca, nunca, em todos esses anos eu me animei ou me interessei em reproduzir a torta de morango com ruibarbo, ou mesmo fazer uma geléiazinha. Acho que o ruibarbo me trazia lembranças daqueles telefonemas chatos em horas impróprias e de como eu não tinha jeito pra me desenvencilhar daquela canadense. Mas nesse dia no mercado respirei fundo, tomei coragem e comprei um maço de talos de ruibarbos orgânicos.

Cinco semanas depois... Disse, é hoje que faço essa torta e uso esses ruibarbos, doa a quem doer! E lá fui eu, aproveitando que o calor diminuiu um pouco e já dava pra ligar o forno um pouco mais tarde, depois do jantar. Lavei bem e dei uma descascada nas pontas dos ruibarbos, piquei e coloquei numa panela junto com um montão de morangos cortadinhos que já estavam misturados com açúcar demerara. Cozinhei por pouco tempo, só até o ruibarbo derreter. Deixei esfriar. Fiz então a massa, com a receita de pâte sucrée. Juro que segui à risca, mas não sei como deu xabú e desandou de uma maneira inexplicável. Eu conferi e reconferi as medidas umas dez vezes, não sei o que aconteceu. Achei que precisava de mais farinha de trigo, mas a farinha tinha acabado. Usei então uma farinha integral bem grossa, que também ajudou na função de abrir a desengonçada massa. Deixei gelar bem, abri, forrei uma forma de torta, enchi com a mistura de morango e ruibarbo, cobri com o resto da massa e assei por meia hora em forno alto. O cheiro estava inebriante, houve até comentários do tipo hmm, o cheiro está bom!. Mas e o sabor?

No dia seguinte.... Na hora do almoço provei a torta. Quase não pude crer, mas ela ficou boa! Até a massa quase arruinada e consertada com farinha integral vingou. O recheio não ficou muito doce, exatamente como eu gostaria que fosse. E pelo que eu me lembro, minha desajeitada rhubarb strawberry pie ficou tão gostosa quanto a da Grace.

Pão de cebolinha verde
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Me encantei com essa receita, porque adoro pão com coisinhas dentro. Há muitos anos, quando ainda me aventurava a fazer pão em casa, eu tinha uma receita básica onde eu colocava restos de arroz integral cozido ou cevada cozida. Eu chamava de pão crocante, porque ficava mesmo pedaçudo. Infelizmente essa minha fase Thoreau passou e até a minha panificadora portátil, que me serviu para fazer pães mais modernos, estava aposentada. Mas o pão da Ana me fez levantar e sacodir a poeira! Tirei a máquina de pão do fundo do armário, espanei geral e fiz essa receita deliciosa. Não usei o bacon, porque não tinha. Mas usei bastante chives—ciboulette, que eu precisava detonar com urgência. Essa idéia do cream cheese na massa é supimpa! Deixa o pão com uma maciez cremosa. Quando vi a massa sendo sovada inicialmente pela máquina, até pensei que aquilo não iria pra frente. Mas não tem erro. Pão nota dez! E agora que desempoeirei a panificadora, muitos outros pães virão, especialmente com essa fantástica possibilidade de não precisar ligar o fOOOrno!

Pão de cebolinha verde
3/4 xícara de água morna
2 colheres de chá de fermento de pão seco
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de sal
1/2 xícara de queijo cremoso - cream cheese
3 colheres de sopa de cebolinha verde picada * usei ciboulette
Bacon torrado e picadinho opcional * não usei
3 1/4 xícaras de farinha especial para pão * usei comum

Coloquei todos os ingredientes na máquina e usei o ciclo básico. Voltei três horas depois e tirei o pão para deixá-lo esfriando na grade.

Waitress

Outro filme, que apesar do intenso buzz de público e crítica, eu enrolei o quanto pude para ver, pois quando assisti ao trailer tive a impressão que esse seria um caso típico de filme que o trailer seduz e engana, e com certeza iria ser chatinho pacas. Quem já não foi iludido por um trailer de filme bem montado? Eu já! Mas no trailer de Waitress o que realmente fisgou a minha atenção foi as tortas que a protagonista faz para o café onde trabalha. É através delas que a garçonete exorciza seus problemas. E eles não são poucos: infeliz e casada com um cretino, ela fica grávida sem querer ficar, e ainda se envolve num love affair com o seu ginecologista, que é casado. O filme se arrasta um pouco demais pro meu gosto e eu não consigo simpatizar cem por cento com a ex-Felicity, Keri Russell. Mas a história até que é bacaninha. A melhor cena pra mim é quando ela pega a filha no colo pela primeira vez e finalmente muda o rumo da sua vidinha amargurada e besta. As cenas em que ela faz as tortas ficam em segundo lugar no meu ranking de preferência. As tortas são fantásticas. Queria muito as receitas dos recheios e também daquela massa que ela abre tão fácil! Mas as tortas de Waitress sairam da imaginação da atriz Adrienne Shelly, que escreveu o roteiro, interpretou a garçonete Dawn, dirigiu o filme e foi brutalmente assassinada no final de 2006. Infelizmente nunca vai rolar um livro com os segredinhos, então o jeito é tentar reinventar as receitas nós mesmos.

Algumas das tortas do filme:

Pregnant Miserable Self-Pitying Loser Pie - Lumpy oatmeal with blueberries and fruitcake mashed in. Flambé.

Earl Murders Me Cause I'm Having an Affair Pie - Smashed blackberries and cherries into a chocolate crust.

I Can't Have No Affair Because It's Wrong and I Don't Want Earl to Kill Me' Pie - Vanilla custard meringue with banana.

I Dont Want Earl's Baby Pie - Brie & ham quiche.

I Hate my Husband Earl Pie - Bittersweet chocolate and banana.

Chocolate Mouse Falling in Love Pie - Chocolate mousse pie.

Baby Screamin Its Head Off In the Middle of The Night & Ruinin My Life Pie - No crust New York style cheesecake.

Marshmallow Mermaid Pie - Marshmallow pie.

repeteco
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Não tem problema repetir receita. Aliás, quando a receita é boa, tem que repetir mesmo, e muitas vezes. Esse pimentão vermelho assado é coringão. Faço muito, pra comer com pão ou pôr em saladas. Aprendi a despelar os pimentões dessa maneira eficiente com a minha best friend Marthinha Heleninha Kostyra...

ultra-mega-super improvisado
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Domingo foi Dia dos Pais e nós fizemos um almocinho em casa, sem muito planejamento, nem estresse. Eu comprei os ingredientes e o fillho fez um churrasco para o papai. Foi tudo super simples, porque eu realmente não ando no humor de ficar fazendo nada mais sofisticado que uma salada. E foi o que fiz, salada de beterraba assada, outra vez, e salada de abobrinha, outra vez. De sobremesa preparei um bolo escalafobético, do qual todo mundo riu, pois ficou realmente um horrorrore! Eu cortei um angel food cake e recheei com chantily feito em casa e adoçado com néctar de agave e morangos. O nosso convidado de quinze anos não quis comer o bolo, recusou-se educadamente, mas mandou bala nos sorvetes!

Stranger than Fiction

O filme estava em cima da minha cômoda há mais de um mês. O babado é que eu ando completamente bitolada em filmes antigos—numa paixão especial pelos da década de trinta. E por isso Stranger than Fiction ficou acumulando empoeira por tanto tempo. Eu sou fã do Will Ferrell, não tanto quanto sou do Jim Carrey, mas quase lá. Tenho uma imensa admiração pelos atores cômicos. Acho que são eles os melhores, pois dominam a arte mais difícil, que é a de fazer rir.

Stranger than Fiction não é bem uma comédia. Aliás, não é comédia. É um filme muito bem escrito, bem dirigido e muitissimo bem interpretado, que aborda temas como a rotina, a solidão, a morte, o destino e literatura. Tudo muito bacana, não vou entrar em detalhes, pois quem já viu sabe, e quem não viu tem que ver pra saber. Mas o filme tem uma particularidade que nos remete diretamente para um papo-comida. Maggie Gyllenhaal faz a ex-aluna da Harvard Law School que abandona tudo para abrir um café e passar os dias fazendo a vida das pessoas mais feliz, com seus cookies, tortas e bolos. Ela será o objeto da paixão de Will Ferrell, o funcionário imaculável do imposto de renda, que vai fazer uma auditoria no café. Depois de tornar o dia dele miserável, ela o obriga a comer um dos seus cookies saído do forno acompanhado de um copo de leite. Para ela isso reabilita qualquer um de um dia ruim. Ele precisa ser forçado a comer o cookie, porque afirma não gostar deles. Conta que a mãe nunca fez nada em casa, nem bolo, nem cookies, ela realmente nunca cozinhou. Um cookie industrializado não é a mesma coisa que um feito em casa, ela provou o seu ponto.

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Ele aparece de repente na frente do café, quando ela já está fechando e indo pra casa. Trouxe um presente pra ela, pra retribuir o cookie e também para se declarar de uma maneira bem incomum—I want you!. O presente, vários sacos de farinha. Ele diz I brought you flours, mas se não olharmos para a caixa cheia de pacotinhos com fitas crepes coloridas marcando o tipo das farinhas, podemos nos confundir poeticamente com o som similar das palavras e ouvir ele dizer I brought you flowers.

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O café da personagem de Maggie tem uma clientela eclética. Entre os assíduos, um maluquete. Já repararou como em todo café tem sempre um tipo maluquete que é frequentador assíduo? O Garrett, um lindo, um fofo e um amoreco que além de fazer os mais inventivos e saborosos cupcakes, ainda tem um ótimo senso de humor, escreve bem pacas e me faz rir de chorar com suas histórias, tem uma de um maluquete total, passada num café em Sacramento. A história é simplesmente hilária e poderia com certeza ser uma cena saída de um filme.

Quem já não presenciou uma cena ou outra de maluquete em cafés? Eu já vi algumas. Numa delas, há muitos anos, uma mulher bizarrissima estava em pé junto às cafeteiras, vestindo um casaco longo cor-de-rosa sujo e rasgado, com muitos anéis enormes nos dedos, óculos escuros, sombrinha e botinas de Mary Poppins, tomando o seu café numa xícara verde de cerâmica, com o mindinho empinado e rindo muito, falando alto e gesticulando sozinha. Essa foi uma visão, mas não representou realmente nenhum perigo eminente. Como o louquinho do café de Stranger than Fiction, essa era da turma dos mansos.

Crawdad Festival
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Fazia muitos anos que nós não íamos à um desses festivais muito comuns por aqui—do morango, do alho, da alcachofra, do jazz, da corrida do ouro, eteceterá. Motivados pelo post da Ann do Sacatomato, resolvemos nos aventurar no festival do Crawdad, um tipo de lagostin de rio, numa minúscula cidade chamada Isleton. Desorganizados e desprevenidos, fomos sem pensar em nada. Fiquei animada com a possíbilidade de ouvir música cajun a zydeco, que eu realmente gosto.

Chegamos na pequena cidade ribeirinha e já percebemos que não somos os únicos seres desorganizados do mundo, certamente há gente pior. A festança estava armada, mas a infra-estrutura deixou deveras a desejar. Primeiro foi um parto estacionar—achar onde se podia pagar pra estacionar, já que não havia a menor sinalização além dos ameaçadores no parking - tow away zone. Entramos na festa e nos misturamos a um mundaréu de gente. Embora não estivesse terrivelmente quente, não havia uma parca sombra e tivemos que comprar chapéus, pois o sol rachava inclemente as nossas cacholas. Fila pra tudo, nenhum lugar pra sentar e comer decentemente a comida de festival, que era aquela abundância de coisas pesadas e oleosas. Não quisemos arriscar comer os crawdads, porque teríamos que abrir com as mãos e chupar a carnita dos bichos ali em pé no meio da multidão. Lembrei de um filme chamado No Mercy onde a Kim Basinger e o Richard Gere fogem para um pântano em New Orleans e comem os lagostins, a única comida que puderam arrumar no esconderijo à beira do rio. Bom, se você viu o filme, sabe porque uma pessoa minimamente civilizada não pode comer um balde dessas mini-lagostas sentada no chão de uma rua entulhada de gente. Escolhemos comer um peixe frito [catfish] com batata, que estava lotada de alho. O horrore dos horrores!

A festa estava boa para quem estava lá para encher a cara e dançar. E gente enchendo a cara era o que não faltava. Muitos bikers e rock 'n' rollers, muitas famílias barulhentas, muita gente esbaforida, mal educada e estranha. Pra nós valeu ter ouvido um pouco da música da Louisiana, mas a hora de ir embora chegou rápido, e fomos!

Duas palavras sumarizam o tal festival: muvuca e farofa.
Uma única conclusão final: maior furada!

* todas as fotos do colorido evento AQUI. A volta para casa, no relato impagagável de como o casal barata-tonta foi parar em Nowhereland guiados pelo GPS do carro, AQUI.

This I Believe

Conversando com a minha mãe, ela me contou que encontrou com a dona da loja macrô onde eu trabalhei em mil novecentos e oitenta, e me disse que sempre que vai à lojinha de produtos naturais que ela frequenta há mais de vinte anos em Campinas, ela diz pra dona do entreposto que todo esse estilo de vida natureba e saudável que ela adotou, deve-se à mim, a filha que fazia tudo diferente. Por causa da minha ojeriza à carnes, aos dezoito anos eu encontrei a minha turma—o pessoal natureba, que não comia animais e mastigava o arroz integral de acordo com as instruções de Michio Kushi. Passei por montes de fases e hoje acho que estou mais próxima de encontrar o meu equilibrio.

Pensando nisso e no fato de que entrei no ITunes e comprei sem piscar o álbum Instant Karma, da campanha da Anistia Internacional para ajudar a crise em Darfur, concluí que devo ter mesmo uma alma hiponga que dança emaconhada e descalça sob a luz do luar. Porque eu queria dizer pras pessoas não "baixarem" esse álbum ilegalmente, mas por favor, comprarem. Eu acredito em ajudar e praticar a caridade, e que gentileza gera gentileza. Eu acredito em adotar e não comprar animais. Eu acredito em tanta coisa, não faço download ilegal de música e filme, não quero comer ovo da galinha torturada, uso casacos com pele falsa, choro quando vejo um bicho enjaulado ou maltratado, sinto um bocado de culpa por todos os meus privilégios, fico com o coração destroçado quando jogo comida fora, acredito nos orgânicos e em ajudar os comerciantes locais. Tanta coisa, é assim que eu sempre fui. E ainda sou.

salada de beterraba, pecans, queijo e rúcula
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Como já tinha umas beterrabas que assei na churrasqueira, resolvi fazer essa salada que comi no restaurante Il Fornaio de Sacramento. Fica refrescante e alimenta bem. Minhas rúculas estão ficando extremamente amargas, porque eu não estou colhendo—mas quanta folha verde um ser humano consegue devorar por dia? Mesmo assim ficou bom. Tenho que escolher as folhas mais jovens e tenras. Usei nozes pecans e queijo asiago. Foi o que comemos em mais uma tarde quente.

o vinho estava bem gelado

Com o calor de 37ºC 38ºC que fez ontem, achei que poucos se arriscariam ir a um picnic. Engano meu. A vida corre normal. Na hora hora do almoço fiz correndinho a receita de panzanella italiana. Quando cheguei em casa às cinco da tarde arrumei as cestas cuidadosamente, as toalhas, a gear toda, mais água e vinho gelado, que coloquei estratégicamente num saco plástico cheio de gelo. Não tem nada pior que beber coisa sem gelo num dia quente. Fui para o parque de bicicleta, com o vinho e àgua no gelo, mais toalhas nas cestinhas, a cesta de palha enganchada no guidão. Quando eu chego e estendo as toalhonas na grama, as pessoas à minha volta olham como que pensando—mas que nega espalhada! Mas logo vão chegando os amigos e o espaço é todo tomado por bundas e pernas. Muita gente apareceu, com comida, frutas frescas e vinho e ficamos no parque até nove e meia da noite, quando a brisa fresquinha já estava soprando. O parque não estava lotado, mas estava bem cheio. Tem cabimento perder um precioso dia de picnic só porque está um bafão?

caminhando
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a caminhada sob o sol escaldante foi feita num outro ano. mas vale a pena ver de novo! acho muito fofinho quando vejo gente usando sombrinha na rua. é um alivio ter uma proteção. eu uso a minha sempre que posso. queria bolar um jeito de poder usá-la quando pedalo minha bicicleta.

37ºC

O verão me provoca muitos sentimentos contraditórios, pois apesar de eu adorar certas coisas que acontecem nessa época do ano, eu de-te-sss-to-o outras. Eu gosto das manhãs frescas, da luz, da abundância de frutas, legumes e verduras, de poder colher nectarinas e pêssegos nas árvores do meu quintal, e tomates na horta, de achar figos no Farmers Market, almoçar e jantar na mesa do quintal, de poder nadar sem ficar parecendo um ET arroxeado, de usar sandálias, fazer picnics e tais. Mas abomino os dias tórridos. Os dias em que não se consegue sair na rua, em que a respiração fica difícil, a água da piscina fica quente e xoxa, as casas ficam fechadas, as pessoas se enclausuram nos ambientes com temperatura controlada. E desses dias, que chegam em ondas de dois, três, quatro, não há escapatória. Hoje e amanhã já teremos um aperitivo. Entre meio de julho e meio de agosto vamos estar implorando por dias como hoje. Sim, piora, e muito. Felizmente o verão é curto e os dias agradáveis deixam boas lembranças.

Quando começa a onda de dias quentes e extremamente secos, temos que fazer alguns rearranjos na nossa rotina. Eu fecho todas as janelas e cortinas antes de sair de casa pela manhã e só reabro quando a brisa da noite chegando começar a soprar. As casas têm um bom isolamento térmico e o segredo é não deixar o calor entrar, nem prodizir calor dentro delas. Eu já desliguei a geladeira extra da garagem, lavo e seco roupa à noite e paro de usar o forno. Na cozinha é onde mais se produz calor. Assar muffins num dia baforento, nem pensar! Meus jantares são reestruturados e reorganizados de uma maneira que se faça menos cozinhamentos possíveis. Os menus giram em torno de saladas e coisas feitas na churrasqueira. Nos dias realmente quentes—e temos alguns de lascar, nem a chama do fogão pode ser acesa. Meu jantar brejeiro de ontem foi todo feito na churrasqueira: uma carnita, pimentões vermelhos e beterrabas assadas. Acompanhou uma salada de alface bem fresca.

de Minas para o mundo

Fomos beber um suquinho natural dos trópicos lá no Tucos e o dono do restaurante nos avisou que iria colocar feijoada brasileira no cardápio. Nos disse também que queria introduzir pão de queijo na lista de appetizers. Pois eu tenho uma receita fabulosa e infalível—já fui avisando. Trocamos alguns e-mails, ele perguntando as medidas exatas, porque venhamos e convenhamos, 1 copo americano de leite e 1/2 queijo de Minas curado ralado não são medidas universais. Depois de tudo clarificado e explicado, ele me avisou que o pão de queijo já está no menu do restaurante, assim como a feijoada. A feijuca eu não garanto, mas o pãozinho é o fabuloso Pão de queijo da Pat. Sucesso garantido e absoluto!

salada de batata e salmão
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O calor chegou. Já teremos temperaturas em torno dos 40ºC no meio da semana. Entrei no mood verão e só de cozinhar umas batatas no fogão ja me deu um suadouro e achei que esquentou a cozinha. Vou ter que começar a planejar os cozimentos ultra-rápidos e agilizar o uso da churrasqueira no quintal. Mas quis cozinhar as batatas que chegaram na cesta orgânica, pois elas são divinas e achei que combinariam numa salada com as sobras de salmão do domingo. Busquei na geladeira por ingredientes que valorizassem essa mistura básica. Ralei fininho meia cebola branca e deixei de molho na água e vinagre. Cortei dois pepinos japoneses pequenos em cubinhos e um bulbo bem pequeno de erva-doce em fatias finas. Misturei as batatas cozidas, o salmão em pedaços, a cebola escorrida, o pepino, a erva-doce, joguei umas folhas frescas de manjericão e um punhado de azeitonas verdes cortadas em rodelas. Temperei com um molho de mostarda e dill—maionese, creme fraiche [iogurte ou sour cream], suco de limão, vinagre de maçã, mostarda escura, sal, pimenta, dill seco.

feijão na terracotta
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Adquiri esse lindo pote de terracotta italiana e fiz a receita de feijão toscano nela. Fiz com feijões brancos—cannellini, nem deixei de molho, só coloquei água, uns dentes de alho e um ramo de sálvia. Cozinhou lenta e lindamente, sem desmanchar. Virou uma salada, misturado com bastante salsinha e manjericão picados e temperado com bastante azeite, sal marinho, pimenta do reino e um vinagre balsâmico com amora e baunilha que comprei no Farmers Market, junto com o de kiwi, e que também valeu cada pataca investida nele!

já viu um pé de alcachofra?
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Eu nunca tinha visto um, apesar de comer alcachofra desde que criança. Minha mãe fazia em ocasiões especiais, recheadas com pão e imersas no molho de tomate e eu amava raspar a "carninha" das folhinhas com os dentes. Quando vi o pé de alcachofra na horta da Alison, com algumas não-colhidas transformadas em lindas flores roxas, fiquei abismada. Que lindas, não? Nunca imaginei que elas pudessem florir.

o girassol não foi plantado, o alho foi trançado
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Dei um pulinho na Alison no domingo de manhã pra botar o papo em dia, ajudá-la a trançar um monte de alho que ela tinha colhido e secado e pegar uns para mim, claro. Visitei a imensa horta que ela mantém no pequeno rancho onde vive. Tanto trabalho, mas muita recompensa. Logo na entrada da horta, vários girassóis gigantes que brotaram espontâneamente nos recepcionaram.

Sentamos para trançar os alhos e eu com o meu desajeito infinito não consegui trançar absolutamente nada. Fiquei só matracando, como eu sempre faço, enquanto ela trançou tudo sozinha. Mesmo assim ganhei umas cabeças de alho, que já usei nas receitas do dia!

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um prato colorido
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Salmão selvagem, feito mais ou menos como nessa receita com a cama de batata e a manteiga com alcaparras e cebolinha. Fiz no papel alumínio, na churrasqueira. Carpaccio de abobrinha, que é coringa do meu menu de verão—e às vezes no de inverno também, conforme a demanda.

A receita básica pode ser manipulada a vontade. Desta vez eu usei abobrinha amarela e folhas de um tipo de manjericão escuro, muito perfumado e um vinagre de vinho e kiwi que comprei no Farmers Market e que valeu cada pataca investida nele!

Catalan chickpeas with tomatoes and almonds, receita deste blog lindo que eu adoro. Segui tudo à risca e ficou ótimo, perfumado e crocante.

Creme de coco ligeirinho da Fer
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A sobremesa do sábado à noite foi o creme de coco ligeirinho, receita da Fer, a nossa querida Dadivosa! Eu não tinha água de laranjeira, então coloquei um pouco de leite de coco. Vou procurar a água pra comprar, pois com certeza vou repetir essa receita e quero fazer da maneira correta.

500 ml de iogurte natural
2 colheres de sopa de mel (ou mais, se quiser)
1 colher de sopa de água de flor de laranjeira [*usei 3 colheres de leite de coco]
100 g de flocos de coco
frutas frescas para acompanhar

Misture o iogurte com o mel e a água de flor de laranjeira. Se o mel estiver cristalizado ou mais durinho (isso pode acontecer no frio), aqueça uma panelinha com água, desligue o fogo e deixe o vidro de mel ali dentro até amolecer.
Incorpore o coco ralado e leve à geladeira enquanto prepara o almoço ou jantar.
Sirva com frutas frescas e, se quiser, com mais mel para adoçar.

yes, nós temos lavanda!
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Durante alguns anos eu tive uma rotina de verão, quando eu ia colher lavanda lá no matagar dos Domes, secava as flores, debulhava e colocava em saquinhos, fazendo sachês deliciosos—que muita gente ganhou de presente. Hoje já não posso me dar ao luxo de fazer os sachês. Mas não seja por isso, pois a lavanda é abundante aqui na minha região e além das que eu tenho no quintal, que só crescem e crescem, posso comprar os ramos ou as flores secas ou mesmo os sachês já prontos, e lindos, no Farmers Market. Eu adoro, pois perfuma a casa. Essas, fresquinhas, estão perfumando o quarto de hóspedes, que vai ser ocupado na próxima sexta-feira.

I see jack rabbits

Grumpy old me indo para a cozinha pela manhã para abrir a lata de comida dos gatos com aquela cara de mal humorada de sempre, quando vejo uma coisa peluda pulando pelo quintal. Tive um sobressalto, pois às vezes recebemos visitas nada bem-vindas de ratazanas vindas do Arboretum da universidade—de onde vem também os patos que acampam no gramado do jardim. Mas que surpresa, parei admirada e encantada com a visão delicada e fofinha de um filhotinho de lebre, um jack rabbit. Eles são uma verdadeira praga, mas oh dear lord, são também tãooooo adoráveis. Fiquei um tempão ali na sala, olhando o bichinho com um sorrisão na cara, enquanto ele piscava as orelhinhas e comia folhas verdinhas de um belo dandelion ali brotado no meio dos pedregulhos. Os gatos me olhavam da cozinha com aquela cara de "cadê o nosso rango, madame?". Só parei de sorrir e voltei à minha cara normal de birrenta matinal quando a lebrezinha se retirou, aos pulinhos. Esses bichinos comem as ervas da minha horta, destroem tudo, mas são fofos demais de olhar. No campus da universidade há uma verdadeirta infestação de esquilos e eles muitas vezes são inconvenientes, atrapalhando a passagem das bicicletas e nos dando sustos, quando pulam sem aviso na nossa frente. Mas mesmo eles sendo uma importuna onipresença, sempre dou risada quando vejo um—e acho que vejo uns 877665554 por dia! Como as lebrezinhas, os esquilos também são uma das pestes mais adoráveis do planeta.

Valeu a pena tanto arroz integral

Alegria de mãe natureba é ver o filho chegando do Farmers Market com sacolinhas de legumes, verduras e frutas orgânicas, além de pão integral e outras coisinhas boas. Ele me contou que agora dá uma passadinha no mercado das quartas-feiras. Pois comer bem é muito bom! Esse é o menino que foi intuchado de rango natural pela mãe que andava com os livros da Sonia Hirsch debaixo do braço. No final das contas, a boa semente plantada sempre dá frutos, não é mesmo? Ufaaaaaa!

Thinking out of the box

Panzanella com aspargos e croutons? Mas panzanella não é .... Opaaaa, pode parar, pode parar!!

Quando vi a panzanella do Della Fattoria em Petaluma a minha primeira e mais primitiva reação foi lembrar das receitas tradicionais e pensar que algo ali estava errado. Eu não costumo pensar com esse tipo de bitola e quero me considerar sempre uma pessoa aberta para experimentos, novidades, inovações, transformações. Acho que uma das coisas mais irritantes que existe no mundo culinário é a intolerância e o tradicionalismo. Isso não pode, aquilo não é feito assim, tal ingrediente não vai com tal receita, não é assim que se cozinha esse prato, não pode fazer deste modo esta iguaria, não isso, não aquilo, não aquele outro, porque a tradicão é assim, porque lá na minha terra faz-se deste jeito que é o jeito certo.

Minha personalidade rebelde e não seguidora de receitas se agita nesses momentos. Não pode por quê? Quem disse? Quem ditou essa regra? E por que seguir restritamente uma regra, se temos fartura de ingredientes e imaginação de sobra para criar e recriar nossa própria tradicão? Acho imprescíndivel que se tenha ganas e intrepidez para mudar e transformar. Gosto de ver receitas sendo reinventadas, tanto através da criatividade, como da necessidade. E a necessidade é a mãe da invenção—não tem isso, põe aquilo, falta algo, substituí, esse não tem por aqui, usa aquele. E assim temos a explêndida oportunidade de experimentar sempre algo novo.

O que seria da deliciosa lasanha de berinjela se os patrulheiros do tradicionalismo tivessem execrado o prato e não permitido que ele recebesse o nome de lasanha? E a pizza portuguesa, de catupiry com frango, a havaiana ou californiana? Não são pizza? E o cassoulet de grão de bico, não pode ser chamado de cassoulet porque não tem feijão branco? E o clafoutis só pode ser de cereja, não pode ser de damasco? Quem disse que eu não posso mudar alguns ingredientes, tirar, acrescentar, e continuar usando o nome original do prato? Onde está a lei que me força, me obriga a só fazer a tal receita de um certo modo?

Eu já andava ruminando sobre esse tipo de bitola gastronômica, quando me encontrei com os blogueiros de Sacramento e ouvi as mesmas preocupações e reflexões proveniente de outras fontes. A sopa de cebola tradicional não é feita assim, a torta de carne não tem esse ingrediente, o queijo certo não é esse, como você ousa apresentar essa receita? Bem, somos todos visionários! No dia em que alguém me ouvir dizer, não é assim, isso não é o certo, pode me esbofetear com força. Insubordinados do planeta culinária, uní-vos! Mudem os ingredientes e as receitas! Revolução já!

Della Fattoria
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Em Petaluma almoçamos na Della Fattoria, que não é apenas um aconchegante e delicioso café, mas também [e basicamente] uma padaria. Todos os ingredientes usados para fazer os pães maravilhosos que eles assam num forno a lenha e vendem são orgânicos, locais, o azeite é extra-virgem, o sal é marinho e eles não usam fermento comercial. Um pãozão gigante de semolina me custou quatro patacas. Nada mal, pra toda essa qualidade.

Eu adorei o lugar, pena que enquanto tirava fotos a bateria da minha câmera arriou e como sempre, eu—a campeã planetária do esquecimento, não levei baterias extras. Anotei no meu caderninho o que comi e bebi— uma taça de um bom Zinfandel local, sopa de tomate com cubinhos de pão com queijo grelhados e uma colorida panzanella com aspargos, ervilhas, mistura de folhas verdes, pinoles tostados, currants e citronette [vinagrette de limão].

em Petaluma
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Petaluma é uma gracinha de cidade, com um centro histórico lindo, muitas lojinhas, restaurantes e lugares interessantes. Entramos no prédio antigo da biblioteca pública e era um museu muito bacana. Tirei algumas fotos. Petaluma foi uma grande produtora de aves e ovos. O galinheiro estava dentro do museu e as galinhas são bonecos. Adorei a cozinha antiga. Tinha tantos detalhes, faltou o fogão, o armário. Pena que a pouca luminosidade e os vidros protegendo as antiguidades não colaboraram muito. Também eu fotografando dentro do museu, maior mico, né?

não é um barato essa barata

Quem me lê há um tempinho sabe que eu trabalho para o programa de gerenciamento integrado de pestes da Universidade da Califórnia. Não tenho nada que ver com as pestes, só mantenho o website. Mas tem dias que eu vou te contar, viu—fico descabelada, arrepiada e enojada com a visão da bicharada. Cheguei depois do almoço, pois tirei a manhã de folga e o primeiro e-mail que abri foi o do meu chefe, pedindo pra eu parar de fazer o que estava fazendo—uma atualização massiva das pragas dos feijões, e trabalhar na pagina das baratas. Sim, BARATAS, você leu muito bem. Então logo após meu delicado e saboroso almoço eu trabalhei numa página cheia de baratas—fotos de baratas, desenhos de baratas, toneladas de informações preciosas de como identificar e se livrar dessas horrorendas cascudas. Quando eu trabalho nessas páginas, tenho que ler o material minuciosamente, porque faço um pouco de edição e não posso deixar passar nenhum errinho. Sinceramente, dependendo do bicho simplesmente não é fácil. Já terminei a página, que já foi pra revisão, mas ainda estou com o estômago revirado. Uma tarde nada agradável na companhia de Dona Baratinha....

sopa de tomate assado
[com wafers de parmesão]
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Nas últimas duas semanas eu tomei três tipos de sopa de tomate em três restaurantes diferentes. Uma delas, do menu do brunch de domingo do Seasons, estava particularmente deliciosa. Resolvi tentar uma sopa de tomate em casa. Achei essa receita da revista Gourmet de 2003 no site da Epicurious e resolvi tentar. Ficou excelente, mas não abocanhou o troféu. A sopa que eu tomei no Seasons ainda é a melhor. Vou continuar experimentando receitas.

2 quilos de tomates cortados ao meio*
6 dentes de alho sem descascar*
3 colheres de sopa de azeite
1/2 colher de chá de sal
1/4 colher de chá de pimenta do reino
1 cebola média picada
1/2 colher de chá de orégano seco esmagado*
2 colheres de chá de açúcar
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
3 xícaras de caldo de galinha ou legumes
1/2 xícara de creme de leite fresco

Acompanhamento: parmesan wafers*

Asse os tomates e os dentes de alho em forno baixo, regados por azeite, sal e pimenta. Asse por uma hora. Deixe esfriar e descasque os alhos. *Eu pulei essa fase, usando os roasted tomatoes da Muir Glen. * E não usei alho.

Numa panela, refogue a cebola, orégano e açúcar em fogo moderado até a cebola ficar bem molinha. * Nessa etapa eu também fiz mudanças, usando bastante orégano fresco, já que tenho bastante na horta. Acrescente os tomates e alho, coloque o caldo de legumes e deixe cozinhar tampado por uns 20 minutos. Desligue o fogo, deixe esfriar um pouco e bata tudo no liquidificador—com MUITO cuidado! Passe toda a sopa por uma peneira fina, pra remover qualquer resíduo dos tomates e orégano. Adicione o creme de leite, tempere com sal e pimenta a gosto e sirva com um wafer de parmesão no centro e uma folhinha de orégano ou manjericão fresco decorando. Eu servi essa sopa morna, mas ela pode ser servida bem quente ou mesmo fria. Ela também pode ser feita no dia anterior e guardada em pote fechado na geladeira.

* eu fiz os wafers baseados na receita da Ana, onde ela explica como fazer nos super-micro-detalhes. eu fiz os meus eu com parmesão e cibouletes.

salada de lentilha com rúcula, alcachofra e abobrinha
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Tive a idéia para essa salada no meio da tarde. Usei lentilha verde, a puy lentils. Cozinhe até elas ficarem macias, mas ainda bem firmes. A lentilha verde é ótima para saladas, pois ela não desmancha fácil. Mas use qualquer lentillha, nada aqui é regra. Coe e deixe esfriar completamente. Corte corações de alcachofra em padacinhos. Corte uma abobrinha amarela em fatias finas e depois em quadradinhos. Pique uma quantidade de rúcula. Misture tudo às lentilhas, tempere com sal, pimenta do reino moída, vinagre de vinho tinto e bastante azeite. Sirva com torradas de pão rústico.

the dollhouse kitchen
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Num museu em Petaluma, uma casa de bonecas vitoriana com não sei quantos cômodos, todos mobiliados e ocupados com micro-detalhes. A cozinha me encantou. A falta de luz e o vidro que protegia a casinha não ajudaram muito, mas clicando e ampliando dá pra ver alguns detalhes—cestinha de ovos, bule, cookie jar, loucinhas nos armários, eteceterá.

rainier cherry
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outra variedade de cereja
também orgânica, também deliciosa
que eu também adoro!
depois do domingo vem sempre a segunda
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Foi um final de semana longe da cozinha. Por isso não há receitas, nem invencionices, sucessos ou fracassos. Almoçamos e jantamos fora, fizemos apenas o café do domingo à noite em casa—o que envolve praticamente nenhum esforço, além de arrumar a mesa com pão, queijos, salame, leite, suco. Mas a ausência da cozinha não foi planejada, simplesmente aconteceu, pois calhou que o finde foi repleto de atividades fora de casa. Hoje, segundona, dia da cesta de verduras e do indefectível lava—lava. Dia de cozinhar novamente um ranguinho. Talvez tentar algo novo, ousar, arriscar, quem sabe?

mint sun tea
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Bebi o sun tea feito pela Elise com hortelã e verbena e achei uma delícia. Não fica com o sabor tão acentuado como no do chá comum, feito com água fervendo. Eu fiz só com hortelã—uma variedade chamada "chocolate" que se domina a minha horta há anos. Numa jarra ou garrafa transparente com tampa, coloque as ervas—use a mistura que quiser, adicione lascas de gengibre, casca de limão ou laranja, vale tudo! Encha de água filtrada, tampe bem. Como eu usei uma jarra, lacrei com filme plástico bem apertado. Deixe no sol por no mínimo duas horas. Ponha na geladeira e quando estiver bem fresquinho, beba. Esse chá feito no sol tem que ser consumido rapidamente, pois como não chegou a ser fervido, pode estragar fácil. *Não precisa tirar as ervas da garrafa ou jarra para servir. Elas fazem uma decoração linda dentro do vidro.

Domo Arigato!!
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Toda vez que eu vou ao mercadinho asiático da minha cidade eu volto pra casa carregada de belezuras e gostozuras. O tipo de biscoitinho de polvilho que eu amava no Brasil, encontro lá. Desta vez dei de cara com essa pipocona, que confesso sem nenhuma vergonha ser uma das grandes delicias da vida pra mim. No Brasil eu comprava aquelas de pacote cor-de-rosão. Fiz o Moa comprar um pacote no semáforo, quando estávamos voltando pra casa de taxi no Rio de Janeiro. Minha mãe uma vez fez um estoque delas, porque o Gabriel também é fanzoco dessas pipoconas. Quando ele ficar sabendo que essa japonesa é idêntica à brasileira, vai ter um treco!

Comprei uma bento box de laca linda de presente de aniversário para a Marianne. Essa comprei pra mim. É uma mini-bento box—the cutest little thing! Ainda não sei o que vou fazer com ela. Talvez carregar meus sushis até o parque? Ah, não, vou guardar meus saquinhos de chá no meu escritório. Tantas possibilidades para essa linda coisinha vermelha cravada de borboletinhas!

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Imaginem o primeiro Burning Man. Ou um micro-burning man. Poderia ser o evento Uncanny, organizado por estudantes do colégio de Design e Technoculture da UC Davis. Numa fazenda e vinícola orgânica próxima de Davis, o evento incluiu um pouco de tudo—performances de arte, dança, música, instalações esdrúxulas, comida orgânica, e atraiu um público bem eclético. Eu fui com os meus amigos Heloisa e Michael e prestigiamos o show de outros amigos, David e Scarlet, que tocaram e cantaram bacanérricamente. Ficamos até às nove da noite, quando o pessoal realmente começou a chegar em peso. Enquanto nós saíamos, muitos carros e pessoas em bicicletas chegavam. A entrada era uma doação e o bilhete era uma casca de noz amarrada num barbante. Felizmente eu fui de botas, porque o lugar—no meio de uma clareira, era um poeirão só!