Culpa da Fafah, que deixou um comentário mencionando um tal sorvete de figo. Minha mente obsessiva entrou em modalidade ziriguidum. Não sosseguei enquanto não fiz o sorvete. Felizmente estamos em temporada de figo. Felizmente em moro num estado onde os figos abundam. Felizmente eu tenho acesso à uma árvore de figos. Felizmente pra Fafah também, pois se eu não conseguisse fazer o tal sorvete de figos, certamente ela iria receber mensagens ameaçadoras das minhas lombrigas mafiosas.
Para fazer o sorvete de figo foi super simples. Envolveu apenas algumas etapas que foram facilmente superadas. Primeiro fui dirigindo até a estação experimental de vegetable crops da UC Davis, onde tem uma figueira de ninguém dando sopa e muitos figos. Esses não são dos figos roxinhos, mas da variedade calimyrna, que é verde. Fui até a figueira munida de luvas e cesta, me espichei toda pra colher as frutas mais madurinhas—a árvore estava lotada, então já sei que ainda vou poder voltar lá mais vezes. A estação experimental fica no meio de um poeirão, com greenhouses de um lado, campos de milho e outros legumes do outro. Tem que ir de sapato fechado e tomar cuidado pra não pisar em figos podres e depois pisar na terra e pedregulhos. E tem que lembrar de checar as solas do sapato antes de entrar no carro.
Munida de muitos figos madurinhos, rumei para casa onde eles foram lavados e despolpados—alguns devorados animalisticamente ali na frente da pia mesmo. Depois fiz uma mistura de 2 xícaras de creme de leite fresco, 1 xícara de leite integral, 3/4 de xícara de açúcar e 2 colheres de chá de essência de baunilha. Misturei bem com o batedor de arame, até o açúcar dissolver completamente. Acrescentei a polpa de vários figos, mexi bem e coloquei na sorveteira.
Olha, não vou nem tentar contabilizar aqui em público a quantidade absurda desse sorvete que eu devorei, enquanto murmurava palavras elogiosas e prazeirosas degustando o creminho gelado impregnado do sabor e das sementinhas de figo. Obrigada pela inspiração Fafah. As lombrigas de pança cheia mandam lembranças!
Receita bacaninha do livro de culinária The Virginia Housewife escrito por Mary Randolph em 1838 e que também está disponível no Projeto Gutenberg. Claro que fiquei piscando para esse refresco necessário para todo tipo de festa e vou fazer qualquer dia desses, ah se vou!
Outra receita maravilhosa do Bistrot da Elvira. As ameixas viraram uma geléia no recheio do bolo, que tem uma mistura de fofulência e crocância muito boa. Já fiz bonito, servindo uma generosa fatia para uma amiga que veio me visitar no domingo à tarde.
Bolo de ameixas frescas e amêndoas
400 g de ameixas frescas
250 g de farinha para bolos com fermento*
* ou 250 g de farinha + 2 colheres (chá) de fermento em pó
200 g de manteiga amolecida
175 g de açúcar
100 g de amêndoa moída
50 g de amêndoa laminada
3 ovos
6 colheres (sopa) de leite
1 colher (chá) de essência de baunilha
manteiga para untar
açúcar para polvilhar
Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar uma forma redonda (sem buraco) com papel vegetal e untar o papel com manteiga. Reservar. Lavar e secar as ameixas. Eliminar os caroços e cortar as ameixas em gomos grossos. Reservar. Bater a manteiga com o açúcar até ficar um creme liso. Juntar os ovos um a um, sem parar de bater. Adicionar o leite e misturar. Juntar a baunilha, a farinha e a amêndoa moída. Bater muito bem. Deitar metade da massa na forma e juntar os gomos de ameixa. Cobrir com a massa restante e polvilhar com as amêndoas laminadas. Levar ao forno por 45 minutos, a 180ºC. Verificar a cozedura com um palito ou uma lámina fina. Retirar o bolo do forno e polvilhar com um pouquinho de açúcar. Deixar amornar antes de desenformar. Desenformar delicadamente e eliminar o papel vegetal. Servir o bolo levemente morno ou frio.
American Cookery, foi o primeiro livro de receitas publicado em território norte-americano em 1796 . A autora da façanha, uma órfã e trabalhadora doméstica chamada Amelia Simmons, fez o primeira registro dos hábitos alimentares e do uso de ingredientes nativos, como milho, cornmeal, squash e abóbora. O livro, cujo título original era American Cookery, or the art of dressing viands, fish, poultry, and vegetables, and the best modes of making pastes, puffs, pies, tarts, puddings, custards, and preserves, and all kinds of cakes, from the imperial plum to plain cake: Adapted to this country, and all grades of life , substituiu os importados da Inglaterra nas cozinhas da América e tornou-se extremamente popular. Hoje existem somente quatro cópias do livro original, e uma delas pode ser vista no website da Biblioteca do Congresso. Notem ao folhear as páginas amareladas, que a prensa que fez a impressão do livro certamente tinha um problema com a letra "s", que foi substítuida em todas as páginas por um "f". Esse detalhe acrescenta um toque extra de peculiaridade à leitura de American Cookery.
*Reproduções desse livro e de outros pioneiros da culinária norte-americana podem ser encontrados AQUI. **O Projeto Gutenberg tem o livro disponibilizado para download AQUI.
Nem todas as receitas são fazíveis, mas a leitura desse livro precursor é certamente uma aula de história da gastrônomia no Novo Mundo. Eu quis experimentar ao menos uma receita e escolhi essa de Indian Slapjacks, que é basicamente uma panqueca de milho. Elas não ficam tão macias quanto as panquecas comuns, mas são extremamente saborosas.
Indian Slapjacks
1 xícara de leite
2 xícaras de cornmeal
4 ovos
4 colheres de sopa de farinha de trigo
Misture bem todos os ingredientes até formar uma massa uniforme. Frite em frigideira ou chapa untada, sob fogo ou em temperatura média. Vire quando a massa fizer bolhinhas. Sirva morno com mel, manteiga, geléia, ou somente com sal. As minhas foram servidas com maple syrup.
Vi essa receira na MSLiving de junho de 2007. Ela é uma versão simplificada desta salada que eu peguei na Elise no ano passado e que foi um estouro, primero lugar absoluto na parada dos sucessos culinários. Essa tem menos ingredientes, mas mantém o básico feijão-tomate-azeite aromatizado com alho. Também ficou muito boa e foi o meu almoço, acompanhada de torradas de pão francês feitas na frigideira de ferro.
Duas latas de feijão branco cannellini
*usei uma lata de butter beans ou fagioli bianchi de spagna
250 gr de tomate roma cortados em cubinhos
*usei os cerejas, pois estou com uma colheita abundante na minha horta
1/2 xícara de folhas frescas de manjericão
Sal grosso e pimenta moída na hora a gosto
1/4 xícara de azeite
3 dentes de alho pequenos amassados
Frite o alho no azeite, deixe esfriar um pouco e jogue sobre a salada que já deve estar misturada numa vasilha. Mexa bem e deixe descansar por 30 minutos, para os sabores se incorporarem bem.
Coloquei a massa da pizza para dar uma pré-assada ligeira e peguei o ônibus espacial para Saturno. Quando regressei à Terra, a massa tinha torrado muito mais que o grau regulamentado pelo FDA. Removi a placa amarronzada da forma e coloquei em cima da pia, já quase dando tudo como perdido. But I ain't no quitter, no sir! Olhei bem dos dois lados da arga-massa e vi que o centro ainda estava com uma cor razoável, achei que dava pra salvar. Quebrei as partes periféricas e sobrou um centro arrendondado, que emplastei com molho de tomate e salpiquei com bastante queijo mussarela. Coloquei por dois minutos no microondas só pra derreter o queijo e não comprometer a massa. Daí levei ao forno e liguei o broiler, só para dar aquela cara bronzeada para o queijo. Quando abri o forno, três minutos depois, a pizza estava pegando fogo—sim, em chamas! Foi uma correria histérica pra retirar e apagar a forma crepitando em labaredas. Fumacê, gritaria, abalo emocional, frustração.
E agora, melhor ninguém fazer perguntas, tá? Circulando, circulando! Ninguém viu nada, não aconteceu NADA, capito?
Teve um ano que eu plantei essa variedade de tomate na minha horta. Ele é muito bonito, mas não é tão doce quanto os outros tomates. O sabor é um pouco mais ácido.
Tive um ataque de ansiedade quando, no meio da tarde no trabalho, resolvi checar em que ponto estava a minha compra no site da Amazon. Quando li delivered - front door quase tive um treco! Minha sorveteira estava na porta da minha casa e eu tinha ainda umas boas três horas de labuta pela frente. Roí até os cotovelos de vontade de largar tudo e pedalar enlouquecidamente para casa. Mas a hora chegou e eu pude finalmente abrir a caixa da minha primeira sorveteira!
Maldição que é essa minha librianice de ficar como uma tonta, indecisa, de enrolar e procrastinar, de não conseguir escolher as coisas, ir na loja e dizer—é essa! Agarrar e comprar. Fiquei protelando tantos meses para comprar essa sorveteira. Já estamos no meio do verão, veja quanto tempo perdido.
Mas lamentos serão desnecessários, pois já estreei com sucesso minha maquininha de fazer gelados. Comecei com algo bem saudável, um frozen yogurt. Usei as nectarinas que já estamos colhendo, polpudas, suculentas e docinhas. A receita eu adaptei do livrinho que veio com a máquina. Não poderia ser mais simples.
Coloque três nectarinas no processador e pulse até ela ficar pedaçuda, mas não totalmente liquida. Numa outra vasilha misture 2 xícaras de iogurte natural, 1/2 xícara de leite integral, 1/4 xícara de açúcar. Bata bem, para o açúcar dissolver completamente. Acrescente o molho de nectarinas e misture bem. Ligue a sorveteira, coloque o liquido nela e espere o sorvete ficar pronto, que neste caso foram vinte minutos. Gostei muito mais da textura do sorvete no dia. Depois que dormiu no congelador ele ficou mais durinho. Mas nada que comprometesse o sabor. Outros experimentos virão, com creme de leite e tais.
Essa receita muito saborosa da Bia eu tive que testar. Fiz algumas modificações, porque é sempre de praxe. Como só tinha uma abobrinha amarela pequena, juntei o milho raspado de duas espigas. Também não tinha cebolinha, usei uma mistura de ciboulette e salsinha, ambos fresquinhos da minha horta. A salsinha foi praticamente resgatada, pois já estava quase se metamorfoseando numa planta alienígena.
2 abobrinhas * uma abobrinha pequena e milho de duas espigas
1 maço de cebolinha *ciboulette e salsinha
4 ovos
80 g de farinha de trigo
500 ml de creme de leite fresco
180 g de queijo de cabra fresco
Pré-aquecer o forno à 180°C/355ºF. Ralar as abobrinhas no ralo grosso e raspar o milho com uma faca. Refogar a abobrinha ralada e o milho em um pouco de azeite, juntar as ervas picadinhas, sal e pimenta do reino, tampar e deixar cozinhar 10 minutos. Deixar esfriar. Bater os ovos como para uma omelete, Junte aos poucos a farinha e vá misturando com um batedor de arame. Junte o creme de leite. Misture bem até que fique bem liso. Amasse o queijo com um garfo e junte ao creme anterior, misturando bem. Junte a abobrinha e milho cozidos e despeje numa forma untade com manteiga. Deixe assar 30 minutos, ou até que doure. Tire do forno e deixe esfriar.
Quando participei daquela yard sale onde levei o bolo de figos da Elvira, não vendi quase nada—eu estava vendendo pela Brazil in Davis. Mas imaaaagineee só se eu iria voltar pra casa sem comprar nada! Sou uma gastona, uma compradora compulsiva. Mas pelo menos essas coisinhas foram baratotais. Na verdade nem comprei tudo. A linda colher de pau e a latinha francesa eu ganhei. A toalhinha foi $0,50 cents, o livro $0,25 cents, a cesta foi $1,00 pataca e ainda tem um bowl de cerâmica belíssimo, que não saiu na foto, mas me custou apenas $1,00 green buck e estou usando praticamente todos os dias.
Um link que é pura diversão—a coleção de menus de restaurantes da Biblioteca pública de Los Angeles. Digite o ano - comece por 1920, por exemplo, e navegue pelos menus autênticos dos restaurantes da época na cidade. Compare os preços—onde se pode comer com $0,50 cents em L.A. hoje? Analise os pratos dos menus, a carta de vinhos. É uma verdadeira viagem! Entre lá com tempo, pois você vai ficar muitas horas bisbilhotando. Delightful!
Num sábado comprei dois filés grandes de bacalhau fresco e preparei essa receita de sumac crusted cod with black olive sauce. Infelizmente o prato não fez o sucesso que eu esperava que fizesse. Na minha opinião o molho de azeitonas, mais o sumac, ficou exagerado. O bacalhau fresco é um peixe bem carnudo e leve, não combinou com temperos tão vigorosos. Não ficou do nosso gosto e, infelizmente, não conseguimos comer o que sobrou, que acabou indo pro... [ai!]..
No entanto sobrou uma parte do molho de azeitonas, que não usei para servir acompanhado do peixe por razões óbvias—o do tempero já estava demais. Guardei na geladeira e resolvi usar como molho de salada. Ficou ótimo numa salada de folhas verdes variadas. Mas quero experimentar com abobrinha.
Molho de Azeitonas Pretas
1/3 xícara de azeitonas pretas descaroçadas
1 filé de achova/aliche ou 1 colher de chá de pasta de anchova
1 xícara de azeite extra virgem
1 dente de alho
1 ramo de tomilho
1 colher de sopa de suco de limão
1 colher de sopa de vinagre de laranja* não estava na receita original, mas eu acrescentei para a salada
Bata tudo no liquidificador ou processador até ficar um molho bem liso e espesso. Mantém-se bem na geladeira por muitos dias.
Eu conheci uma pessoa que dizia que, segundo a cabala, a terça-feira era o dia mais próspero da semana. É um argumento compensador, pois a terça-feira só não é mais desanimadora que a segunda-feira—convenhamos!
Então para serenar a fome, o calor e o cansaço de uma terça-feira atrapalhada no trabalho, que me rendeu até uma sovaqueira, já fui pra casa com o menu do jantar decidido e concluido na minha cabeça. Iria fazer um orzo, temperado com as dezenas de tomatinhos cerejas que eu tinha colhido no dia anterior da minha horta. Alho, azeite e manjericão, pra ajudar a temperar. Queijo ralado pra arrematar. E assim foi feito, rápido, sem esquentar a cozinha nem a cachola, e o resultado foi compensador. Comfort food, na melhor acepção da palavra.
Volta e meia eu pego a volumosa compilação The Art of Eating e leio algumas páginas. Ler M.F.K. Fisher me põe em foco e perspectiva com relação ao mundo, quem eu sou, no que acredito. Na semana passada li um capítulo de How to Cook a Wolf, que ela escreveu durante o período da segunda grande guerra. Ela comenta sobre as carnes, que tinham virado um artigo de luxo. A escassez do produto abriu espaço para o retorno de receitas com partes mais baratas e estranhas dos animais, que nem sempre são recebidas com entusiasmo. Eu, por exemplo, tremo de pavor delas! Fisher descreve maneiras econômicas de usar os ingredientes e apesar de listar algumas receitas deveras pertubadoras—como um assado de cabeça de vitelo [tête de veau] com descrição de detalhes horripilantes da preparação dessa iguaria de filme de horror, ela dá dicas excelentes, que podemos usar no nosso dia-a-dia. Uma delas, o reaproveitamento das carnes.
Na geladeira acomodavam-se um belo pedaço de grass fed flank steak, uma porção generosa de purê da melhor batata orgânica do planeta e um refogado do fabuloso milho amarelo com azeite e ciboulettes. Guiada por M.F.K. Fisher, moí a carne no processador com algumas folhas de manjericão. Numa vasilha, misturei a carne com o purê e os grãos de milho e amassei bem para os ingredientes se incorporarem. Moldei bolinhos, passei numa mistura de leite com sal, pimenta e tomilho seco e depois rolei na farinha de pão. Fritei.
O entardecer estava imerso num bafão de 37ºC, então nem pensar em fazer nada na cozinha, assar, ferver, muito menos fritar. Eu quase não conjugo esse verbo. Aqui frituras acontecem uma vez por ano, e ontem foi o tal dia. Fritar bolinhos dentro da cozinha num dia tórrido de verão é tão nonsense quanto ligar o ar condicionado no máximo no meio do inverno. Mas eu tenho um coringa na mão para essas ocasiões: um burner elétrico que eu uso no quintal. Fritei os bolinhos lá fora e eles ficaram bem saborosos, mas não ficaram bonitos de olhar. O Uriel perguntou, ué não vai tirar foto dos bolinhos? Marido, eu respondi, você sabe que eu tenho um senso de estética bem apurado e sei quando devo poupar meus visitantes de imagens traumatizantes, né? Assim devoramamos os deliciosos bolinhos acompanhados de uma refrescante salada verde, e não se falou mais nisso.
A uva nunca ocupou uma posição elevada na minha lista de frutas favoritas. Mas eu gostava bastante da variedade vermelha que comia na minha infância e adolescência. Uva pra mim sempre teve gosto de Natal. E a uva que consumíamos durante as festas de final de ano era aquela com casca firme, que tinha que mastigar e cuspir, muito caldo e muitas sementes. Alguém me disse que aquela variedade é mais comum pra se fazer vinho. Aqui é praticamente impossível achar daquele tipo de uva pra comprar. Encontrei uma semelhante quando estive na França. Era a variedade Moscatel. As que eu compro aqui na Califórnia são doces demais, com casca finíssima, carnudas e com pouco caldo e sem sementes, como essa que comprei no Farmers Market. Não têm gosto de Natal e me fazem arrepiar pelo seu excesso de doçura.
Na minha casa não há forminhas de fazer gelo, pois tenho uma daquelas super-úteis geladeiras com um mecanismo interno que faz automaticamente toneladas de cubinhos. Mas quem consegue resistir à essas coloridas e charmosas, de estrelinhas e coraçõezinhos, que te seduziram com mil piscadelas cativantes, quando você passou inocentemente na frente da prateleira onde elas estavam? E por apenas $1,99 cada, na IKEA.
Duas cozinheiras de mão cheia, a Ana e a Eliana, fizeram essa receita com sucesso, então foi essa mesma a escolhida para ser o prato principal no meu jantar de sábado, para convidados vegetarianos.
Já estou meio cansada de dizer isso, mas não tem jeito: tive dificuldades com a massa. Eu sei que a culpa é minha, sei lá que raios acontece na hora de medir os ingredientes, mas sempre me enrosco. Desta vez me deu um certo desespero, porque a torta era a protagonista do jantar. Mas no final ela assou bem, apesar de não ter ficado bonita—oh, well...
A massa é qualquer coisa de saborosa. Mesmo com o estresse de sempre que tenho fazendo massas, essa vai pra categoria das massas básicas. Ela tem uma textura quase que de massa folhada e o iogurte faz a diferença.
A receita, como está na Eliana, com as adaptações da Ana:
Massa
2 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
150 g/ 1 tablete de manteiga
180 g / 3/4 xícara de iogurte natural
1 colher (chá) de sal
1 gema para pincelar
Recheio:
3 colheres (sopa) de azeite
1 cebola picadinha
1 tomate inteiro picadinho
280 g de palmito (usei o palmito já picado)
1/2 xícara (chá) de azeitonas picadas
1 lata/ 1/2 xícara de ervilha (se preferir pode usar congelada que acho melhor)
1/2 xícara (chá) de salsa e cebolinha picadinha
220 g de requeijão cremoso - 6 trângulos de queijo tipo polenguinho, da vaquinha risonha ou cream cheese
1 colher (sopa) de farinha de trigo
Sal e pimenta a gosto
Comece preparando o recheio que deve ser utilizado frio. Aqueça numa panela o azeite e refogue a cebola só até ficar transparente (não é para dourar), junte o tomate e deixe criar um caldinho no refogado, adicione o palmito, a ervilha, as azeitonas o sal e a pimenta e deixe cozinhar por alguns minutos. Acrescente o requeijão cremoso a salsa a cebolinha e farinha de trigo e mexendo deixe cozinhar por mais alguns minutinhos ele fica com textura de creme. Transfira para outra vasilha e deixe esfriar completamente.
Massa: Em um recipiente coloque a farinha de trigo (reserve um pouco) a manteiga, sal e o iogurte. Misture com as mãos (nesse momento se for necessário utilize a farinha reservada). Deixe descansar por 20 minutos tampada com um paninho ou um filme plástico. A seguir polvilhe com farinha um saquinho plástico aberto, coloque metade da massa e polvilhe a massa com farinha e cubra com outro saquinho plástico aberto e com auxilio do rolo de massa comece abrir a massa o ideal é que não fique grossa. Cubra o fundo e as laterais de uma assadeira de 22cm de aro removivel e coloque o recheio frio. Abra o restante da massa seguindo o mesmo processo e cubra a torta, pincele com a gema e leve ao forno a 180ºC/355ºF por vinte minutos.
Procurando desesperadamente por receitinhas bacanas para um jantar que eu iria fazer no sábado, achei nos meus bookmarks um link para a Vejinha São Paulo com receitas especiais de vários chefs de restaurantes brasileiros. Gostei muito desta receita da chef Tatiana Szeles. O resultado ficou bem interessante. Servi morninha, quase fria.
1 cebola média picada
4 colheres (sopa) de azeite virgem
400 g de milho pré-cozido congelado
1,5 l de leite integral
200 g de shiitake cortado em lâminas
Sal a gosto
100 g de queijo de cabra tipo boursin
Sopa: refogue a cebola no azeite. Acrescente o milho e refogue por 10 minutos. Junte o leite, tempere com sal e deixe cozinhar por mais 20 minutos. Espere amornar, bata no liquidificador e coe.
Sauté de shiitake: aqueça o azeite numa frigideira, junte o shiitake, tempere com sal e refogue por 5 minutos ou até que fique macio.
Montagem: reaqueça a sopa, coloque num prato fundo e sirva com o queijo de cabra e o sauté de shiitake.
Para não sair do meu habitual "modus operandi" de preparar uma receita, pesquisei incansávelmente e encontrei muitas variações para a feitura da panna cotta. Escolhi essa bem simples, que adaptei aos meus ingredientes. Queria usar uma berry, que inicialmente seria a framboesa, mas sei lá por que acabei optando por amoras. Não foi uma boa escolha, pois elas estavam muito maduras e algumas tinham uns carocinhos mais duros. Mas o creme ficou muito saboroso e mesmo a molenguice das frutinhas não comprometeu o sabor. O Gabriel comeu duas porções, e isso é um ótimo sinal. Usei as baunilhas do Tahiti que ganhei do Garrett.
1 litro de creme de leite fresco
14 gramas de gelatina em pó sem sabor
1/2 xícara de leite
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1 colher de chá de extrato de baunilha ou favas de baunilha
Raspei duas favas de baunilha e coloquei, favas picadas e sementes, em 1 litro de creme de leite fresco. Deixei descansar por um tempo e acrescentei 1 xícara de açúcar de confeiteiro. Polvilhei dois envelopinhos de 7 gr cada um de gelatina em pó sem sabor em 1/2 xícara de leite integral e deixei a gelatina dissolver. Esquentei a mistura de creme de leite com baunilha e cozinhei em fogo baixo por uns minutos. Não deixei ferver. Retirei do fogo e coei, para retirar as favas da baunilha. Voltei ao fogo baixo e acrescentei a gelatina dissolvida no leite, misturei bem com um batedor de arame. Retirei do fogo. Preparei os ramequins com um punhado de amoras em cada um. Coloquei a mistura de creme de leite sobre as amoras e levei à geladeira por mais ou menos três horas, quando a panna cotta ficou firme.
Quando vamos para Point Reyes passamos por inúmeras fazendas leiteiras, que transformam a região numa imensa paisagem de comercial de televisão, com pastos verdinhos, cerquinhas, vaquinhas faceiras e se você der sorte, como nós demos, bandos de cervos correndo pelos morros. Dá vontade de parar para tomar um copo de leite, mesmo eu não sendo fã número um desse produto.
Na minha decisão juramentada de consumir produtos locais, estou fazendo algumas mudanças. Eu tenho a sorte de viver num dos estados com a maior e mais variada produção de alimentos do país, então não está sendo muito difícil acomodar os produtos locais. Eu já era compradora do iogurte estilo europeu e da manteiga dessa fazenda orgânica, e agora estou começando a comprar todos os seus outros produtos. As garrafas de leite e creme são recicláveis e refundáveis, você leva de volta pro supermercado e recebe umas patacas de volta.
Esses feijões franceses têm uma cor verde bem pastel. Díficil não notá-los na seção de bulk food do Co-op. Eles são os kidney beans não amadurecidos e acompanham bem a carne de carneiro. Vamos testar.
Colhi o tomilho pra colocar em alguma receita. O que sobrou deixei numa pequena vasilha de vidro, em cima da bancada da cozinha. Dois dias depois ele estava completamente seco. É assim que secamos ervas aqui no deserto—é só deixar em algum canto. A secura do ar é tanta, não precisa fazer nada especial. Aproveitei o tomilho seco e coloquei na salada de folhas verdes com rodelas de abobrinha.
Usei a massa crocante e simplérrima deste quiche e depois cobri com towmatos, tomaytos, manjericão fresco, fatias de qualquer queijo, um fio de azeite. Forno em 400ºF/205ºC por 20 minutos, deixa esfriar, salpica com flor de sal ou sal marinho e voilá, sirva com uma salada de folhas verdes. Superb!
O fazendeiro que vendia as ameixas cor-de-rosa anunciava num pequeno cartaz—"pink lemonade" plums. Fui procurar pela real identidade dessas frutinhas e descobri que elas são uma variedade japonesa chamada "hollywood" ou "trailblazer". Elas são docinhas e roseadas por dentro, um pouquinho mais carnudas que as ameixas comuns ou roxas. E não têm gosto de limonada, caso alguém tenha ficado com essa dúvida!
Um lanchinho simples, que comi desacompanhada, já que o Uriel foi à uma festa que eu não quis ir. Preferi ficar no quintal, ouvindo o cachorro do vizinho latir, os passarinhos alvoroçarem os arbustos, vigiando o pé de nectarina, pensando na vida...
ou, lust for life, ou, vivendo como se não houvesse um amanhã, ou, será que um dia me arrependerei disso?
Comigo é tudo aqui & agora. Eu não poupo, não economizo, não sou do tipo moderado. Se tem gostosuras, eu como. Se tem bebidinhas, eu bebo. Sabonetes cheirosos e caros vão pro uso. Perfumes são espirrados aos montes, sem comedimento. Roupas compradas hoje são usadas hoje mesmo, ou o mais tardar amanhã. Sapatos são gastos conforme a vontade e a necessidade. As iguarias são devoradas, coisas novas e diferentes compradas, a grana é pra gastar, não consigo passar vontade.
Eu sou assim esganada, não guardo dinheiro, não guardo nada, todas as roupas que eu tenho são para serem usadas, não tenho nada especial reservado numa caixinha dourada, minhas bijous simplórias são guardadas em latinhas de pastilhas e caixas de sabonete, não tenho ouro, nem prata, nem roupas de seda. Como e bebo até passar a vontade, faço as coisas que quero fazer, mesmo quando uma vozinha me aconselha o contrário. Sou espontânea, sincera e arrebatada. Adoro comprar e dar presentes. Choro na hora que o choro borbulha, escandalosamente, não importa onde eu esteja. Dou risada na hora que o riso explode, posso estar onde for. Passo vergonhas monstruosas por causa disso, mas nem penso em tentar me controlar. Não dá.
Quando olho para a vida de pessoas com poupança no banco, vida organizada, tudo meticulosamente planejado, me sinto um ser selvagem, que só se preocupa em satisfazer as necessidades básicas, sem pensar muito no depois. Na verdade, nem é tanto assim, mas é quase.
No pico da temporada dos damascos, com os frutos amarelos e doces em opulência no mercado, eu inventei de fazer esta receita e caí do cavalo. Gastei damascos frescos e pistachos numa torta que acabou no lixo, pois ninguém comeu. Eu até que comi umas duas fatias, mas alguma coisa no recheio de pistacho não me deixou feliz. Desconfio que foram os ovos...
Com os damascos dando os últimos suspiros no Farmers Market, me apressei para comprar uma quantidade que desse para fazer uma torta. Sinto muito, mas quando eu encasqueto, eu encasqueto. E fiquei com essa idéia fixa de fazer uma torta de damascos frescos. E fiz.
Decidi fazer a receita que vi no kitchen apartment therapy, um blog que eu adoro. Nem vou contar os detalhes trampolinescos de fazer a massa. Juro que me apavorei num certo ponto e achei que teria que jogar tudo fora e começar do zero. Culpa da minha pessoa alvoroçada, não da receita. No final, para a minha surpresa e alivio, a massa ficou ótima, abriu como uma beleuzura e assou macia e saborosa. Ufaaaaa! O recheio ficou perfeito pra mim, que não curto muito as coisas extremamente adocicadas e adoro todos os sabores das frutas. Vale lembrar que eu usei um pouco menos açúcar do que manda a receita, só que não percebi [como posso ser assim tão descabeçada?] que o açúcar da massa era mascavo, então usei o branco. Como não tinha buttermilk, usei half-and-half, que é um creme de leite fresco diluido no leite. Na decoração, pulei a parte do suco de laranja e misturei geléia de limão no rum. Mas trelelê à parte, o que interessa é que a torta ficou muito boa. A-le-lu-i-a!!
Apricot and Biscuit Crostata
Faz uma torta redonda de 30cm/ 12"
1 quilo de damascos frescos, descaroçados e cortados ao meio
1/4 xícara de açúcar [*usei um pouco menos de açúcar demerara]
3 colheres de sopa de rum ou brandy [*usei rum escuro]
6 colheres de sopa de manteiga sem sal gelada cortada em cubinhos
2 xícaras de farinha de trigo
1/3 xícara de açúcar mascavo [*distraí nesse detalhe e usei o comum]
1 colher de chá de sal
4 colheres de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de nos moscada ralada
1/2 colher de chá de gengibre em pó
1 ovo
1 xícara de buttermilk
1/2 xícara de suco de laranja
Açúcar de confeiteiro para decorar
Misture as frutas com o rum/brandy e açúcar. Deixe macerar.
Pré-aqueça o forno em 400ºF / 205ºC.
Forre uma assadeira com uma folha de parchment paper. Unte com manteiga e polvilhe com farinha.
Num processador misture a manteiga, farinha, açúcar, sal, fermento e especiarias e pulse até ficar bem incorporado. Separadamente bata o ovo com o buttermilk e vá acrescentando à mistura de manteiga e farinha no processador, enquanto pulsa, até obter uma massa consistente. Se precisar, acrescente mais farinha. Abra a massa e estenda na forma preparada com o papel e untada. Coloque a mistura de fruta no centro e dobre em volta, formando um círculo com borda grossa. Asse por 45 minutos.
Numa panela misture o suco de laranja com o rum/brandy que sobrou da marinada de frutas. Reduza em 2/3. Tire a crostata do forno e pincele com esse xarope de laranja. Pra economizar tempo, eu misturei uma colher sopa de geléia de limão com o rum e pincelei a torta. Polvilhe com açúcar de confeteiro. Sirva quando estiver fria.
Um dos galhinhos da árvore de nectarina quebrou ontem à noite e tivemos que colher as frutas numa operação emergência. Este ano vamos ter muitas, muitas nectarinas. Essas ainda não estão maduras e eu não gosto de colher antes do tempo, mas não tive escolha. Em alguns dias elas estarão molinhas. Aguardemos.
Me contaram que ele adora comer. Mas não parece, quer dizer, eu não vejo ele comendo, nem andando pelo local com bolachinhas nas mãos e a boca cheia de farelo. Vejo sim ele segurando uma caneca de cerâmica feita à mão sempre cheia de café com leite. Mas a caracteristica principal dele é ser engraçado pacas! Me contaram também que ele é o "punster" do local, tem sido por mais de vinte e cinco anos. Eu saquei isso rapidinho, antes mesmo de alguém me dizer qualquer coisa, pois toda vez que ele aparece na minha frente eu começo a rir. É a entonação da voz, as palavras usadas e, é claro, o humor peculiar. Isso é uma coisa que já vem embutida no dna, ninguém se transforma numa pessoa espirituosa e sagaz, tem que ter nascido com os genes.
Então noutro dia, no meio de uma reunião, ele começou a contar o causo mais delirantemente divertido que eu já ouvi nos últimos meses. Era um roteiro de filme pastelão, totalmente Buster Keaton, onde ele fica preso na biblioteca pública à noite. Foi depois de um encontro mensal do clube dos aviadores da região. Quando tudo terminou ele resolveu ir ao banheiro. Ninguém notou a ausência dele e foram embora, trancaram a porta e jogaram a chave na caixa do correio. E ele ficou lá dentro. Todo mundo chorava de rir com o jeito que ele contou a história, que mesmo se tivesse sido contada por uma pessoa comum teria sido engraçada. Eu ria em dobro, pois tinha notado um detalhe extra que ninguém notou: enquanto ele falava empolgadamente segurando a tal xícara de café com leite, UM GARFO de metal prateado saltava à vista, sobressaindo-se enquanto fazia companhia para algumas canetas e lápis, no bolso da camisa.
Jantávamos no quintal à noite, com uma brisa fresquinha soprando, as luzinhas do arraial acesas e admirávamos nossa árvore de nectarinas tão apinhada de frutas que envergou e tivemos que colocar dois suportes de madeira para que o galho não se quebrassem. Essa visão do nosso quintal com grilos cricando, luz de vela de citronela, céu salpicado de estrelas e comida fresca, boa e saudável na mesa é a nossa realidade, mas não é a realidade do mundo.
Posso parecer um pouco panfletária quando comento repetidamente minhas reflexões sobre alimentação, mas ando incrívelmente assustada, pessimista e desiludida, especialmente quando leio uma notícia abismante como esta. Cheia de pesar e incredulidade fico conjecturando onde vamos parar. Se a situação já está desanimadora hoje, imaginem o que estaremos comendo em alguns anos ou décadas?
Quando leio essas notícias horrorosas, tento avaliar a extensão do estrago causado pelos nossos maus hábitos de alimentação, quando a comida parece ser apenas um enche-bucho irracional e que ainda traz de brinde uma sentença de vida miserável e de morte lenta e sofrida. A solução mais simples e efetiva que me ocorre no momento é diminuir meu raio de visão e me concentrar no espaço onde eu vivo, que se resume à minha casa, minha vizinhança, minha cidade e se estendendo um pouco, pelo meu estado. Comer comida local, que já é um slogan bem divulgado por muitos movimentos de resgate da nossa alimentação. Com certeza teremos menos problemas, e mais soluções viáveis e ao nosso alcançe se tivermos problemas, se a nossa comida vier da região onde vivemos. Não dá pra evitar cem por cento os produtos industrializados, mas pelo menos podemos fazer uma opção nas frutas, verduras, legumes, carnes, ovos, pão, leite, queijo. Quando peguei as amoras das mãos manchadas pelo sumo roxo do fazendeiro que as plantou, colheu e agora as está vendendo, sinto um alívio imenso. As amoras doces não tem gosto de papelão imerso em essência de fruta. São reais e me dão um bocado de esperança, que podemos comer como gente, se essa for a nossa vontade.
Não tinha como não fazer essa receita extraordinária da querida Elvira que tinha tudo pra ser um hit na parada de sucessos. Me atrapalhei um pouco com as medidas, principalmente com o "1,5 dl" que eu nunca tinha visto, mas na Elvira mesmo tem uma página de equivalências e tudo acabou bem. Dá um bolão, então na próxima vez vou tentar fazer metade da receita. Como eu tinha um evento no domingo de manhã, levei o bolo e quase cansei de tanto ouvir elogios. Participei de uma yard sale com mais seis garotas. Eu vendi para arrecadar uma graninha extra pra Brazil in Davis. Como chegamos bem cedo no local, tivemos café, mimosas, donuts e o meu maravilhoso bolo de figos secos, que sem dúvida alguma deixou os donuts com complexo de inferioridade. Delicioso!
500 g de farinha para bolos com fermento
[* ou 500 g de farinha + 1 colher (sobremesa) de fermento em pó]
500 g de açúcar
400 g de figos secos [*misturei dois tipos, escuro e claro]
250 g de manteiga amolecida (ou margarina vegetal)
6 ovos
1,5 dl/ 150ml/ 5oz de leite
5-6 colheres (sopa) de aguardente [*usei brandy]
1 colher (sobremesa) de canela em pó
manteiga e farinha para a forma
Cortar os figos secos em cubinhos pequenos e colocá-los numa tigela. Regar com a aguardente, envolver e deixar macerar por 1 hora. Pré-aquecer o forno a 180ºC. Untar uma forma redonda de buraco com manteiga e polvilhar com farinha. Reservar. Numa tigela, bater muito bem a manteiga com o açúcar. Juntar os cubinhos de figo previamente escorridos (reservar a aguardente) e envolver. Adicionar os ovos, a canela, o leite e a aguardente reservada. Misturar muito bem. Incorporar a farinha previamente peneirada, sem parar de bater até a massa ficar lisa e homogénea. Transferir a massa para a forma e levar ao forno por aproximadamente 1 hora, a 180ºC. Verificar a cozedura da massa com um palito ou uma lámina fina. Desenformar o bolo e deixá-lo arrefecer sobre uma grelha.
O Diego me deu uma dica para fazer carne que eu nunca tinha experimentado. Temperar com sal grosso [marinho], pimenta do reino [omiti] e tomilho fresco. Comprei duas peças de beef ribeye steak sem osso e fiz na churrasqueira. Ficou incrivelmente bom! Obrigada guri pela excelente dica. Agora tenho mais um uso para as variedades de tomilho que se alastram e transbordam pela minha horta.
Meu plano para a hora do almoço era chegar em casa, vestir um robe, um chinelo, improvisar um rango e relaxar um pouco. Mas o pessoal que limpa a minha casa toda sexta-feira estava atrasado e quando eu cheguei eles ainda estavam lá, um na cozinha, outro na sala. Resolvi pegar um rango ambulante no Fuzio e enquanto esperava meu linguini com calamari ficar pronto, dei um pulinho na Borders. Pra quê? Saí de lá com o livrão debaixo do braço. Esses não são bem livros de receitas, apesar de terem receitas. São mais livros dos detalhes gastronômicos de cada país e são muito interessantes de ler.
Contar sonho em blog é pior que fazer lista, o famoso enche linguiça. Mas nem todo sonho é cinematográfico ou tem um tema culinário, então vou deixar meus brios de lado e dizer que perdi hora pela manhã por causa de um sonho desses. Eu sonho muito, desde que era criança, e lembro de todos os micro detalhes quando acordo. Mas nem sempre meus sonhos são agradáveis ou pândegos, geralmente eles conseguem mudar o meu humor ou estragar o meu dia. Meu mundo onírico tem muitas semelhanças com filmes como os de Tim Burton ou do Terry Gilliam. Nesta manhã, porém, sonhei um misto de Woody Allen com Mira Nair. Na realidade o Uriel convidou um colega professor e sua esposa para jantar aqui em casa no próximo sábado. Eles são indianos e vegetarianos. O Uriel mencionou a possível presença de um dos filhos. São dois já adultos, génios da computação. Cogitamos convidar também o Gabriel. E fiquei pensando no que vou cozinhar, um cardápio brasileiro veggie. Fui dormir e sonhei que estávamos em casa num sábado qualquer, relaxados e despreocupados, quando de repente bateram na porta. Era o casal indiano, mais os dois filhos. Os filhos eram mini-adultos se comportando [horrívelmente] como crianças mimadas. O casal era Ashoke e Ashima Ganguli, personagens do filme The Namesake [Nome de Família] da Mira Nair. Pânico total, não por eles serem o Ashoke e a Ashima, mas por terem vindo jantar na nossa casa no dia errado! Eu fiquei paralisada, enquanto a Ashima tomava as rédeas e dizia, não te preocupas, eu te ajudo. E se pôs a cozinhar na minha cozinha, que ficou perfumada de cheiros indianos e cheia de fumacê de algumas frituras que ela fazia nas panelas. Vi ela dissolver um molho vermelho, fritar samosas, fazer chapatis. Eu estava envergonhadíssima, pelo fato de estar despreparada e não ter muitos ingredientes disponíveis. Mas Ashima nem tchuns, e continuou improvisando e fazendo rangos e mais rangos. Em breve corri desajeitadamente para arrumar a mesa e nos sentamos para degustar uma fartura de pratos feitos pela minha convidada. O resto do sonho se desenvolveu como sketches de programa humoristico, onde personagens que faziam vizinhos ou conhecidos riam da minha situação enternecedora: convidou Ashoke e Ashima Ganguli para jantar e foi Ashima quem cozinhou.
Encantadoras as novas reusable totes do Trader Joe's. Elas são feitas com um tipo de plástico trançado com tecido, muito resistentes. Parecem pequenas à primeira vista, mas quando você começa a empacotar, oh dear, cabe coisa que não acaba mais. Comprei duas, pra deixar no carro—$1,99 cada!
* lembrando que já discutimos as vantagens das sacolas de supermercado reusáveis neste post antigo.
O refrescante vinho verde português, que a minha irmã diz ser o vinho-refrigerante. É tão leve, bom para dias de calor, como acompanhamento de peixes—aprendi com meu cunhado. Mas estou bebendo indiscriminadamente, acompanhando qualquer coisa. Porque me encantei e pronto!
Aniversários são datas empolgantes para pessoas que gostam e sabem como assar um bolo. Pra mim sempre foram datas de sacrifício, desgaste, estresse e humilhação. No aniversário de dois anos do meu filho inventei de fazer um bolo de chocolate. Não tive ânimo de buscar uma foto para ilustrar a tragédia, que pode muito bem passar sem a imagem constrangedora de uma amassarocado de cor marrom, torto e desnivelado, lambuzado e melecado de brigadeiro mole e pegajoso e salpicado aleatóriamente com balinhas coloridas de goma. Felizmente ninguém fez nenhum comentário e até que comeram fatias do desmilinguido bolo. O importante é que o Gabriel aproveitou muito a sua festinha e saiu em todas as fotos com o seu sorrisão feliz. Depois dessa fiquei anos sem fazer bolo por muito tempo, se bem que a atmosfera inebriante dos aniversários ainda me fez cair em algumas armadilhas. Anos atrás resolvi que tinha que superar esse trauma e sentimento de incapacidade. Munida de uma infalível receita da minha melhor amiga, a Marthinha Heleninha Kostyraa, fiz num cuidadoso passo-a-passo um bolo de aniversário, mesmo não sendo aniversário de ninguém. Fiquei tão abobalhada com o resultado positivo, do que posso chamar de meu primeiro bolo, que fiz a receita novamente para o aniversário de uma amiga. Meus arroubos bolísticos são bem raros. Hoje eu sei que consigo fazer um bolo de aniversário semi-decente, se me concentrar e usar uma receita detalhada e testada. O duro é quando resolvo inventar moda, como fiz no aniversário de trinta e cinco anos do Uriel. Eu deveria ter queimado a prova do crime, mas resolvi confessar abertamente—o passado me condena.
O grande equívoco gastronômico do século 20—melão com presunto. Uma aberração que virou uma mania internacional e um símbolo de chiqueresa e fineza durante praticamente duas décadas. Fiz uma cara de repugnância quando serviram melão com presunto no café da manhã de um bed & breakfast onde me hospedei uma vez no Rio de Janeiro. Sei lá, não fui com as fuças daquilo. Mas com o tempo vamos aprendendo a relevar e a memória dos horrores da mesa vai se apagando, até que resolvemos reinventar ou dar uma segunda chance para o indigníssimo prato. No caso do melão com presunto, bati definitivamente o martelo com o veredito de culpado. O delinquente deve ser condenato ao ostracismo, sem direito a apelação.
Outras comidas infâmes cujas receitas foram adaptadas, viraram moda e foram consideradas chiques, depois amaldiçoadas e finalmente resgatadas e ressuscitadas em nostálgicos revivals: estrogobofe de carne, frango ou camarão com molho de catchup e creme de leite—felizmente não inventaram o gobofe de porco—cocktail de camarão, aspic de legumes, salpicão de frango com abacaxi, surpresa de atum, hors d’oeuvre de salsicha, queijo e azeitona, pastinha de sopa de cebola com creme de leite, crepe suzette, charlotte russe, fundue de chocolate, eteceterá, eteceterá...
Bulgur salad with feta and pine nuts
da revista Everyday Food de agosto, 2007
1/2 xícara de bulgur [trigo de quibe]
sal grosso e pimenta do reino
2 colheres de sopa de pine nuts [pinoles] tostados
4 colheres de chá de suco de limão
2 colheres de chá de azeite
1/2 xícara de feta cheese esmigalhado
1/4 cebola roxa picadinha
1/2 xícara de salsinha picada
1 pepino pequeno descascado e picado
Folhas de alface - não usei.
Deixe o bulgur de molho em 1 xícara de água fervendo com uma pitada de sal por meia hora. Coe pra retirar toda água. Faça um molho com o suco do limão, azeite, sal e pimenta. Acrescente o bulgur, o pepino, cebola e salsinha. Misture bem. Adicione o queijo feta e os pinoles. Misture bem e sirva sobre as alfaces, se quiser.
Tá certo que tudo é orgânico nesse não-tradicional "meat & potato". Desde a a carne moída dos hamburgueres, até as batatas e as ervas. Pra fazer o hamburguer, quanto menos coisas misturadas na carne, melhor. Nesse tem mostarda amarela preparada, sal grosso, pimenta do reino, cogumelo cozido picadinho e bastante salsinha. Fiz grelhados na churrasqueira. E as batatas salteadas rapidamente no azeite e salpicadas com sal marinho grosso e ciboulettes.
A inconveniência dos dias quentes é a grande desculpa para que eu jogue as panelas e frigideiras para os ares, ignore minhas 687906543 mil fontes de receitas e me acomode no conforto da simplicidade e da improvisação. Essa é uma excelente oportunidade de saborear os alimentos na sua maior intensidade. Imaginem uma refeicão onde cada prato contém apenas um ingrediente, maximizado e concentrado, onde nada mais que uns frugais temperinhos influem no resultado final. Pra mim isso é a essência do verão.
Dois peitos de franguete orgânico temperados com suco e raspas de um limão verde, pimenta vermelha em pó, sal grosso e uma dose de tequila, e assados na churrasqueira. Duas abobrinhas amarelas, cortadas ao meio, retirada as sementes, temperadas com sal, pimenta do reino e azeite, a assadas na churrasqueira. Salpicadas com ciboulettes picadinhas antes de servir. Uma salada de folhas verdes e ervas, temperada com sal, pimenta do reino, azeite e suco de limão. Milhos amarelos e tenros cozidos na água e sal. Uma baguete de pão francês fresquinho com manteiga caseira. Sobremesa: melão em fatias, framboesas e red currants frescas.
Comemos como se estívessemos diante de um banquete pantagruélico. Foi uma orgia de sabores puros e simples, que pudemos degustar sem interferências ou intrusões. Cada sabor, único. Nenhum alimento foi dominado, nenhum se subjulgou. Foi uma refeição equilibrada, sem distinções ou privilégios, onde cada sabor se sobressaiu por suas próprias qualidades. Tudo isso é uma ótima desculpa pra não cozinhar, não é? Ôoo, se é!
Quando passamos por ondas de calor com temperaturas chegando nos "triple-digits", acima de 100ºF, ficamos completamente satisfeitos e descaradamente felizes quando voltamos ao nosso normal de 94, 96ºF. No calorão da quinta-feira minha respiração era pesada e meu globo ocular ardia enquanto eu voltava para casa do trabalho pedalando a minha bicicleta, mais ou menos protegida por um chapéu de palha. Na sexta-feira passei frio à noite, com vestido fresco de alcinha numa festa onde os convidados se puseram a conversar do lado de fora, pegando uma fresca. Sábado arrumei a mesa para jantar com amigos no quintal, mas a brisa fria nos convenceu a ficar dentro de casa. Isso é o nosso verão, cheio de altos e baixos, momentos dramáticos e períodos bucólicos. Aguardem os próximos capítulos.
A mesma saladinha de atum de sempre. Uma receita básica, que permite inúmeras variações. Nesta, atum, pickles, maçã e bastante salsinha picada.
Tenho memórias de muitas cozinhas, tanto nas diversas casas que morei durante a infância e adolescência, quanto nas minhas moradas de pessoa jovem casada com filho. Na minha primeira casa de pessoa jovem casada com filho, a geladeira era bem pequena, o chão era cor de ferrugem e as paredes tinham azulejos decorados com tons de beije e marrom. A pia tinha um tampo de mámore cor de gelo e era pequena e baixa para a minha altura. Eu sempre ficava com a barriga molhada enquanto lavava coisas. O fogão era o mais chique, presente de casamento que destoava de tudo mais. Nessa cozinha pequena eu fiz muita comida ruim, joguei muita comida fora, lembro de um frango inteiro indo pro lixo, pois achei que o cheiro estava estranho. Nessa cozinha eu fazia as papinhas de legumes sem carne pro Gabriel e ele comia sentado num cadeirão. Um dia eu fui pra universidade e esqueci no fogo uma leiteira com água esquentando uma mamadeira. Estava no meio da aula quando me deu um click. Voei aos passos triplos pelas ruas, correndo como uma enlouquecida. Cheguei em casa esbaforida e cega de pavor e encontrei a panela ainda no fogo, chiando. A base da mamadeira derreteu e a leiteira ficou imprestável, mas a casa não pegou fogo. Ali uma vez eu cozinhei feijão numa das centenas de infrutiferas tentativas de fazer um feijão bom. Deixei a vasilha esfriando em cima da mesa e o Gabriel foi lá e virou tudo no chão cor de ferrugem. Era tarde da noite, o guri acordado aprontando todas, um disco da Yoko Ono tocando e eu lavando o chão, louca da vida e rindo ao mesmo tempo, porque as crianças às vezes fazem a gente rir nas horas mais insólitas. Era um prédio de quatro apartamentos por andar, um de frente pro outro, as portas da frente e as cozinhas. Da janela da minha cozinha eu via a cozinha do vizinho, que era um jogador do Guarani Futebol Clube chamado Banana. Apelido Banana, pois acredito que ele deveria ter um nome normal como Sérgio Wanderlei ou Márcio Roberto. Pois naquele ano o Guarani estava na crista da onda e o Banana estava deslumbradão e pimpão com a possibilidade de "make it big", ganhar muitos milhares de Cruzeiros, ficar famoso, sair na capa da revista Contigo. Enquanto eu cozinhava minhas gororobas destinadas ao lixo, as papinhas do Gabriel ou lavava as louçinhas, ouvia o Banana bradar lá do outro lado do edifício, pra mulher dele que cozinhava, o que ele iria fazer com a grana que estava entrando. Abraçava a mulher, olhando de soslaio pra ver se eu estava ali na minha cozinha para poder ouví-lo—MULHER, PREPARE-SE POIS VOU TE COMPRAR UM ANEL DE DIAMANTES! Um diamante é para sempre, mas a onda de sorte e prosperidade do Guarani e do Banana não parece ter durado muito.
Super simples: cozinhe o soba em bastante água. Quando cozido, escorra numa peneira e enxague bem com água corrente fria. Reserve. Prepare o molho, que pode ter muitas variações. O meu só teve shoyo, um pouquinho de água, dois pingos de óleo de gergelim e gengibre ralado. Misture e salpique com sementes de gergelim tostadas.
Tenho essa impressão fatalista com relação à certos feriados, por exemplo, eu tinha certeza absoluta que sempre iria chover no dia de finados e normalmente sempre chovia. Tá certo que essas "fatalidades" têm uma ligação bem forte com as estações do ano, que costumavam ser invariáveis. Tenho, de qualquer maneira, essas idéias pré-estabelecidas sobre a atmosfera de um feriado. Não tenho mais experiência de dia de finados, felizmente! Mas agora agreguei minhas premonições aos feriados que vivencio aqui na América do Norte. E pra mim não existe fourth of july que não seja tórrido. Todos os quatro de julho que vivenciei, desde que cheguei em Davis há dez anos, foram tórridos. Em alguns deles eu escapei para a praia, onde invariávelmente, verão, outono, inverno ou primavera, faz sempre frio. Já saímos de Davis aos quarenta graus, e tive que vestir um suéter e um casaco chegando na praia. Essas idas à praia são de fato um refresco.
Aquele tal Lulu que disse que iria levar a vida sobre as ondas, certamente nunca cogitou mudar-se para o Central Valley do norte da Califórnia, que é a região onde estou, bem no limite do fresquinho da Bay Area. Aqui, as únicas ondas que pegamos são as de calor, e estamos surfando sobre uma neste exato momento.
Como não fugimos nem pra praia, nem pro lago, resolvemos enfrentar o quatro de julho enfurnados em casa. Nunquinha que eu vou fazer picnic de feriadão em parque sob um solão de 40ºC! Imaginei a cidade em massa acampada no parque onde acontecem os fogos no final do dia. Eu fui à esse evento uma vez e bastou. A base desse feriado é o picnic. E quando anoitece tem aquela queima de fogos, que dependendo da cidade pode ser uma experiência estimulante ou broxante. Aqui em Davis acho que atingimos um meio termo. Mas com bafão, ficar no parque a tarde toda? Nem pensar!
Fui nadar pela manhã, depois demos um pulo ao supermercado onde adquirimos um filézão de salmão selvagem, frutas frescas e ingredientes para uma bela salada, além de pão e bebidas. Não usei o fogão. O Uriel fez o peixe na churrasqueira e almoçamos bem tarde. Eu bebi vinho verde acompanhando o salmão que foi temperado somente com sal marinho e pimenta do reino e assado no papel alumínio sobre uma caminha de batata, para não grudar.
Passamos o resto da tarde esticados no sofá, lendo e cochilando na companhia dos gatos. Fizemos um lanche às oito da noite e subi às nove para abrir as janelas da casa. Ainda estava um pouco abafado. Às nove e meia começaram os fogos no parque e os cachorros do meu vizinho latiram sem parar por mais de meia hora, enquanto eu tentava ouvir os diálogos de Rope, do Hitchcock na tevê.
Hoje, cinco de julho, temperatura de 41ºC, seco como um árido deserto. Mas como sempre, estamos preparados com todas as técnicas e gears, surfando normalmente a nossa onda.
F O R N O : parece que essa ondaça de calor engolfou não só o norte da Califórnia, mas todo o oeste norte-americano. muita calma neste momento! permaneçam indoors, não se abanem nem se afobem e bebam muita água!
Fiquei incomodada quando li a respeito do remake hollywoodiano de Mostly Martha. Quem segura esses produtores gananciosos? Chorem meninos, chorem, pois a Inês já é morta. Vi o trailer de No Reservations, o filme que é a cópia do fofinho filme alemão. Feito para faturar, porque afinal de contas gastronomia está na moda...
Além de ter a delicadeza de dividir com os outros bloggers as centenas de favas de baunilha que recebeu do beanilla para serem testadas, ele ainda fez a gentileza de trazê-las aqui em casa. Special delivery! Que amoreco!
Agora tenho essas favas vindas do Tahiti, Madagascar e Tonga. Preciso de receitas urgente. A primeira coisa que me veio à cabeça foi um creme brulée, ou mais óbvio, um leite ou açúcar infusos com as baunilhas. Idéias? Idéias?
*acho que vou comprar uma geringonça de fazer sorvete...
Quando vi o Roux naquela posição tensa e rígida no patamar da janela, imediatamente corri pra tentar ver o que ele estava vendo. Um coelho? Um passarinho? Ou, argh, um rato? Fixei meus olhos na direção do focinho do felino e vi, galgando ligeirinho pelo tronco do meu limoero, uma IMENSA RATAZANA CINZA!!
Fiquei descabelada! Liguei para a empresa de controle de pestes que nós contratamos para lidar com as formigas e que chamamos para outros casos quando precisamos. Deixei um recado extremamente nervoso. No dia seguinte na hora do almoço chega o rapazinho da empresa.
—respondendo a um chamado sobre roedores...
—sim, e eu quero ver esses ratos todos MORTOS!
Pegamos a sessão das dez para ver o novo filme de animação da Pixar. Nem pensem que eu sou do tipo que vejo esse tipo de filme. Os poucos que vi até hoje foram puro acidente, normalmente assistidos no avião, durante uma viagem longa, quando acabam todas as outras opções. Acho tudo muito lindinho, mas esses filmes não são bem a minha praia. Nunca sairia de casa de livre e espontânea vontade para ver no cinema uma animação da Pixar. Mas ontem eu fiz, porque o filme era Ratatouille, a história do ratinho cujo sonho é se tornar um chef em Paris.
Andei lendo que essa é a melhor e mais perfeita animação feita pela Pixar. É realmente impressionante a riqueza dos detalhes e pormenores. Muitas vezes quase juramos que as cenas são reais. O ratinho, little chef Remy, é a coisinha mais fofa e encantadora do mundo! Os ratos do filme não são estilizado nem embelezados, para se tornarem fofinhos. São ratos mesmo, vivendo em sótãos ou esgotos, roubando comida. Mas Remy tem o paladar e o olfato super desenvolvidos e refinados e é fã de Gusteau, um chef parisiense famoso. O filme vai agradar toda a blogosfera culinária. É impossível não se identificar um pouco com Remy e não ficar balançando a cabeça e rindo com cara de bobo em certas cenas. Uma em especial, quando o temível crítico Anton Ego [dublado por Peter O'Toole] coloca a primeira garfada do ratatouille feito por Remy na boca—é de rolar lágrimas bolotudas pelo rosto. O filme é simplesmente um primor.
Ficamos com aquele riso nervoso enquanto víamos o bando de ratazanas do filme. O que vamos fazer com o rato invasor do nosso quintal, que está comendo nossas nectarinas e tomates? Meu marido disse que mesmo glamourizados em filminhos, ratos continuam ratos. Mas como eu sou uma pessoa abobalhada, fiquei com a imagem do Remy misturada com a visão da ratazana descendo do meu limoeiro. Ratos de animação, ratos de verdade: amem e odeiem.
Depois da experiência na Quintessa, todo o resto que fizemos no Napa ficou meio mixuruca. Paramos para almoçar no Bistro Don Giovanni e eu estava completamente blasé. Não fiquei impressionada com nada e talvez nem tivesse motivos pra ficar. O garçon, daquele tipo afetado com senso de humor que poderiamos classificar de simpático passivo-agressivo, até que se esforçou pra deixar tudo mais interessante. Mas como eu disse, depois da Quintessa o resto perdeu um pouco a graça.
Pedimos uma sopa de tomate com pão, que estava bem gostosa e depois atacamos de massas. Pra acompanhar, fomos na sugestão do nosso amigo Andres e optamos por um Zinfandel do Napa Cellars. Eu nunca bebi um Zinfandel que eu não gostasse. Tenho uma preferência descarada por essa variedade. E o do Napa Cellars não decepcionou. Estava realmente saboroso e eu bebi dois copos! Já a massa, optei pelo Fettuccine alla Lina, com molho de porcini, linguiça e parmesão regiano. Talvez tenha sido a sopa, aliada aos dois copos de vinho, mas eu estava devagar na degustação do fettuccine. Não achei aquela maravilha. O nosso extravagante garçon me informou gaiatamente que Lina, a esposa do proprietário do Bistro Don Giovanni, tinha criado essa receita de fettuccine especialmente para a Sofia Loren.
—e a Sofia Loren gostou?
—o fettuccine está no menu, não está?
—aaahhhh, sim, está!!
Bom, parece que a Sofia Loren gostou do Fettuccine alla Lina. Mas pra falar a verdade... shiu... vem cá, vou te falar...
Uma receita brasileira tirada do livro 1000 Receitas da Culinária Brasileira da Editora Girassol, sem autor. Eu comprei esse livro quando estive no Brasil em dezembro e ele ainda estava "virgem". Como os milhos não param de chegar, foi a hora de procurar uma receita por lá. Essa me fisgou por ser extremamente fácil, quase um bolo de liquidificador.
4 espigas de milho
1/2 xícara de óleo
1 lata de leite condensado
3 ovos
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó
açúcar de confeiteiro e canela a gosto
Debulhe os grãos de milho com uma faca, cortando rente ao sabugo. Bater o milho debulhado no liquidificador com 1/2 xícara de água. Passe por uma peneira. Jogue o resíduo fora e ponha o creme de milho de volta ao liquidificador. Junte o óleo, o leite condensado e os ovos e bata bem. Coloque a mistura numa vasilha e acrescente a farinha, batendo bem com o batedor de arame. Por último acrescente o fermento em pó batendo bem. Despeje tudo numa forma redonda com um furo no meio untada e enfarinhada e asse em forno pré-aquecido a 200ºC/400ºF por uns 30/ 40 minutos. Retire do forno e quando esfriar retire da forma e decore se quiser com açúcar de confeiteiro e canela.
O Marcelo Freitas estava procurando a tradução para o português de um ingrediente em inglês, quando aportou aqui no Chucrute com Salsicha. Ninguém precisa ler todos os meus arquivos para concluir que tenho essa preferência pelos produtos naturais e integrais. Foi por isso que ele decidiu me convidar para fazer uma visita à vinícola onde ele trabalha no Napa Valley. Antes preciso dizer que o Marcelo é brasileiro e trabalha com food & wine na Bay Area desde que chegou aqui nos EUA, há quase vinte anos. Ele sabe das coisas, e não somente de qualquer coisa, mas do que é realmente bom e de qualidade.
Combinei tudo com o Marcelo, convidei um casal de amigos, ela brasileira e ele chileno, e o professor espanhol. Gente que gosta e entende um pouco de vinho e que iriam ser excelentes companhia num passeio assim. No sábado saímos cedinho em direção à Rutherford, no coração do Napa Valley, onde irìamos fazer uma private tour na Quintessa Winery.
Vinícolas abundam aqui na Califórnia. Só no Napa Valley são duzentos e cinquenta. E nós já visitamos um bocado delas, mas nenhuma como a Quintessa. A vinícola não tem aqueles chamativos todos que as outras têm. A sua estrutura física é discretíssima, mas de uma elegância ímpar. Fomos recebidos pelo nosso simpático guia, que nos levou para um dos passeios mais fantáticos que eu já fiz pela terra do vinho. As duas horas e meia que se seguiram foram cheias de surpresas e eu aprendi muita coisa sobre vinho e sobre as maneiras de produzí-lo.
Primeiro o Marcelo nos contou toda a história da vinícola e dos seus proprietários, os chilenos Agustin e Valeria Huneeus. A história da paixão deles pela cultura do vinho, ele um homem de negócios e ela uma artista e visionária cheia de idéias inovadoras, nos cativou. Ouvimos com atenção, curiosidade e admiração o relato da compra das terras, do plantio das primeiras videiras. A Quintessa pratica agricultura sustentável e biodinâmica para produzir uvas Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Ficamos especialmente impressionados com a utilização prática e eficiente dos principios da Biodinâmica, onde tudo está em harmonia, planeta, céu, terra, estrelas, lua. Eles usam um preparado homeopático feito de silica, camomila, casca de carvalho e outras ervas como pulverização contra pragas e insetos. Valeria Huneeus além de tudo pratica o Zen Budismo, então não permite que nenhum animal seja morto na vinícola, nem mesmo os peixes do lago podem ser pescados.
Nosso grupo praticamente dominado por cientistas—dois professores de engenharia agrícola e um estudante de PhD de agronomia, teve reações de incredulidade e abismamento com relação à eficiência dessas práticas naturais e não tão disseminadas. Mas a qualidade das uvas e consequentemente do vinho provou que esse tipo de agricultura é possível. Conhecemos toda a vinícola, desde os campos de vinhas, até os cellars e depois fomos conduzidos à sala de degustação, onde pudemos bebericar safras de dois anos, 2003 e 2004, acompanhados de queijos e crackers e da explicação minuciosa e erudita do nosso guia. Segundo o nosso amigo chileno, esse foi o melhor vinho que ele bebeu na vida! Realmente, o sabor era delicioso, acentuado e suave. Me senti bebendo o resultado de todo esse processo harmônico, onde levou-se em conta todos os fatores da natureza sem pensar em maximizar safras nem lucro. Baco iria aprovar.
A segunda coisa que mais me impressionou, além da vinícola em si, foi o vasto conhecimento e cultura do nosso guia, Marcelo Freitas. Foi um grande prazer ter a companhia de alguém tão versado na arte de comer e beber. Recomendo aos visitantes do Napa Valley que façam uma parada obrigatória na Quintessa. Depois dessa visita, nenhuma outra tour ou degustação de vinho será tão gratificante.
Os vinhos da Quintessa são feitos com uma mistura primorosa de variedades de uvas. Como descreveu perfeitamente o nosso guia "o vinho feito com apenas uma variedade é como um concerto solo de violoncelo. a música é suave e linda. mas o vinho feito de diversas variedades é como o mesmo concerto tocado por uma afinadíssima orquestra. é uma experiência simplesmente indescritível."
| E comia-se tudo isso vestindo corseletes e saias de dez camadas com armação de arame. | |
Receita fabulosa da Lara, que eu fiz um pouquinho modificada, mantendo os ingredientes principais e a base do risoto. Ficou excelente, apesar do meu marido não-gourmet ter reclamado da presença da banana. Mas pra mim a banana é que deu aquele toque especial.
A receita original:
Risoto de chá verde com camarão e banana
Para o arroz:
500 ml de chá verde
1 litro de caldo de legumes
300 g de arroz arbóreo
100 g de manteiga * usei azeite por engano - distração
30 g de alho
60 g de cebola
150 ml de vinho branco
sal
Para o risoto:
900 g de camarão grande
2 limões sicilianos *usei o verde e acrescentei a casca ralada
25 g de gengibre
15 g de curry *não usei
7 g de açafrão *não usei
10 g de pimenta dedo-de-moça *usei chipotle em pó
2 bananas nanicas em rodelas
salsinha
sal e pimenta
Preparo:
Coloque o camarão para marinar no suco de limão. Junte as raspas do limão, o gengibre, o curry, a pimenta cortada em cubinhos e o açafrão. Numa panela, doure o alho no azeite, junte a cebola e acrescente o arroz. Junte o vinho branco e deixe evaporar, mexendo sempre. Coloque todo o chá verde e deixe reduzir até a metade. Comece a regar o arroz com o caldo até atingir a consistência desejada. Corrija o sal e reserve. Em outr