very halloweenish
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A cidade amanheceu envolta numa densa neblina. Só percebi quando olhei pela janela um minuto antes de sair de casa. Vesti uma touca de linha, tricotada por mim mesma há alguns anos. Pedalei pelas brumas me sentindo feliz—que dia perfeito para Halloween! As bicicletas com luzes acesas, as árvores sendo engolidas pela névoa cinza, um clima primoroso de outono.

Levei uma caixa de cookies de nozes para os meus colegas de trabalho, porque é tradição as pessoas levarem coisas gostosas durante essas comemorações. Hoje vou ver muita gente fantasiada no campus e pelas ruas da cidade. Estou pensando no que vou fazer para o jantar. Vai ter que ser algo bem prático, pois vou ficar ocupada abrindo porta e entregando doces. Também penso nos gatos, principalmente no Roux, que vai ficar excitado com os visitantes e com a porta aberta, possibilidade de aventura.

Não é todo mundo que acha bonito um dia nublado e neblinado. Mas eu gosto! Tem seu propósito. Meu colega concordou:—what a beautiful day!yes! very halloweenish!

hipnótico
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um rabanete

já é quase halloween
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A grande abóbora já está na varanda avisando aos trick-or-treaters que nesta casa se oferecerá doces. Muita gente põe várias abóboras, eu acho um desperdício. A maioria faz jack-o-lanterns com as abóboras, removendo a polpa, cortando uma cara e colocando uma vela dentro. Eu acho legal, mas infelizmente não tenho as habilidades pra fazer isso sem destruir várias abóboras antes. Fico na simplicidade, onde a margem de erros é menor.

O ritual da noite do Halloween é um dos mais tradicionais aqui na América do Norte. E envolve toda a comunidade, é uma grande festança, que se inicia semanas antes em visitas à pumpkin patchs para se escolher as melhores abóboras para enfeitar a frente da casa e fazer os jack-o-lanterns. No dia do Halooween, onde quer que você vá, os lugares estão decorados e as pessoas estão fantasiadas: consultórios médicos, lojas, bancos. As casas que vão dar doces ficam todas enfeitadas. Essa é uma regra—se você não quiser dar doces, não enfeite a porta e não acenda a luz. Todo ano eu abro a minha caixa de apetrechos de Halloween, que não são muitos, mas eu enfeito a porta, pois adoro dar doces para as crianças.

Já comprei as balas. Outra regra: as crianças só devem aceitar doces industrializados, embalados. Nada de maçãs caramelizadas ou muffins. Nunca se sabe o monstro que pode estar atrás daquela fantasia de bruxa ou fantasma, entregando gostosuras feitas em casa. E uma regra particular: sempre compro doces que não me interessam, pois senão acabo comendo as sobras e isso é um no-no de Halloween pra mim.

Aqui as crianças fazem trick-or-treat pelas ruas, batendo de casa em casa. A função começa quando anoitece. Primeiro chegam os bem pequenininhos, sempre acompanhados dos pais, que ficam na calçada às vezes orientando—say thank you. Eles são a maior gracinha, muitos não sabem muito bem o que fazer e tem os olhos arregalados com a fartura de balas e pirulitos. Um pouco mais tarde chegam os mais velhos, que já têm mais malícia e nem sempre estão acompanhados dos pais. No cair da noite chegam os adolescentes e bem tarde chegam, às vezes, alguns adultos, nem sempre para pedir doces. A festa vai noite adentro, com festas pipocando por todo canto, nas fraternidades e sororidades também.

Nesta minha vizinhança não tem muitas crianças, então sempre sobra doces aqui em casa. Eu penduro um baldinho do lado de fora da porta, cheio de balas, mesmo assim fica um montão. Mas eu morei numa outra casa, numa vizinhança apinhada de crianças e a noite de Halloween lá era MUITO divertida. Às cinco da tarde já se ouvia a comoção dos grupinhos de crianças, todos fantasiados e carregando baldinhos ou sacolas. Naquela casa eu precisava comprar muita bala e muitas vezes a bala acabava e eu era obrigada a desligar a luz e não atender mais a porta, o que me chateava, mas fazer o quê?

Com a abóbora já na porta, as balas compradas, amanhã é só acender as velas e esperar pelos indefectíveis knock-knocks da noite das bruxas.

pacotinhos crocantes de espinafre [e outros de tomate]

Dois maços de espinafre. Um da semana passada, outro dessa semana. Tive um momento desespero quando comecei a tirar os legumes e verduras da cesta orgânica: um mação de espinafre, um mação de rúcula, uma alface, uma acelga do tamanho de uma melancia, um maço de alguma coisa verde pra se fazer cozida. Lord have mercy, se a nossa pele começar a esverdear, vocês já sabem o motivo.

O espinafre porém eu dei um jeito. Refoguei com cebola e azeite, quer dizer, primeiro amoleci a cebola no azeite, depois joguei os dois maços de espinafre, deixei murchar, joguei sal a gosto, zaatar, pinoles torrados e queijo feta. Coloquei esse refogado em colheradas no meio das massinhas quadradas de won ton [tipo massa de pastel], enrolei fechadinho e coloquei numa forma forrada com papel alumínio. Assei em forno pré-aquecido em 385ºF/ 200ºC por uns 30 minutos, até a massa ficar dourada e crocante.

Como sobraram algumas folhas da massa de won ton e vieram uns tomatinhos extremamente maduros na cesta—os heróicos que ainda insistem, apesar do frio. Cortei os tomatinhos ao meio e coloquei quatro metades em cada folha de massa, por cima um pedacinho de mussarela fresca, orégano e uma pitada de sal. Fechei enroladinho e assei do mesmo jeito que os pacotinhos de espinafre.

até tu, trufus!
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Um vidrinho de trufas negras à venda por dez patacas? Barbas de molho, minhas senhoras e meus senhores. Essas trufas baratotais, que geralmente o rótulo diz serem francesas, mas umas letrinhas miúdas denunciam—tuber indicum, são na verdade as trufas chinesas, cultivadas massivamente na China. E onde mais? Nem o Paraguai conseguiu essa façanha. Há muitos tipos de trufas. As chinesas se parecem muito com as francesas, mas não têm nem de perto o mesmo sabor. E a trufa francesa custa dez vezes mais. Essas trufas servem pra enganar trouxas, como o azeite trufado que se compra em qualquer supermercado e que não tem nem um pingo de trufa nele. As trufas chinesas são trufas, sem dúvida, mas não são o Real McCoy.

*comprei o vidrinho, provei o gosto borrachudo das ditas cujas chinesas e agora, o que faço com elas? um stir fry?

f-i-a-s-c-o
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Foi pro lixo uma xícara e meia de organic whole ground buckwheat flour, um tablete da melhor manteiga orgânica, uma gema de ovo caipira, açúcar orgânico com baunilha, uma caixa de figos orgânicos frescos, uma xícara de creme fraiche e duas colheres de chá de água de rosas francesa. A massa queimou a ponto de esfumaçar—não deu pra comer, não deu, simplesmente!

com pimenta
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honey pound cake
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Receita da revista Country Living de outubro de 2007. O forte dessa revista não são as receitas, mas de vez em quando aparece uma que me interessa. Essa foi uma. É um pound cake, com obviamente muita manteiga e ovos, mas vale cada grama das calorias ingeridas [410 gr por fatia]. Eu usei mel de flor de laranjeira, mas a receita recomenda se puder, usar um mel mais forte, como o leatherwood.

1 xícara - 2 tabletes de 4oz - de manteiga amolecida
1 1/2 xícara de açúcar
1/4 xícara de mel
5 ovos grandes
2 colheres de chá de extrato de baunilha
1 3/4 de farinha de trigo peneirada
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal

Unte uma forma levemente com manteiga ou óleo. Na batedeira, coloque a manteiga, o açúcar e o mel e bata em velocidade alta por uns 3 minutos, até que forme um creme leve e fofo. Com a batedeira ligada vá colocando os ovos, um por um. Acrescente a baunilha. Continue batendo até o creme ficar bem liso. Desligue a batedeira e adicione a farinha, o fermento e o sal. Religue e bata bem, até a mistura ficar lisa. Coloque a massa na forma untada e asse em forno pré-aquecido em 355ºF/180ºC por mais ou menos uma hora. Retire do forno, deixe esfriar e desenforme. Polvilhe com açúcar de confeiteiro ou açúcar de baunilha.

red curry chicken and eggplant
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Apesar de não ser uma das maiores fãs de curry, resolvi testar essa receita de red curry chicken and eggplant pra ver se gastava as inúmeras berinjelas acumuladas na geladeira. O ponto bom dessa abundância é que tem que goste desse legume aqui em casa. Fiz o curry pensando no Uriel e ele realmente gostou. Já eu não posso garantir que vou comer as sobras. Curry pra mim é uma vez ou outra.

Mudei duas coisas na receita: fritei os pedacinhos de frango antes—tenho um pouco de horror de colocar o frango cru em molhos borbulhantes. Só chatice minha, ninguém precisa me seguir. E diminuí a quantidade de pasta de curry para 1 colher de sopa. Achei 3 colheres um pouco demais. Mas quem gosta de comida apimentada, daquelas de sair fumaça pelas ventas, manda bala nas três colheres.

1 (14 ounce) lata de leite de coco ou de creme de coco
3 colheres de sopa de pasta de curry vermelha—red curry paste * usei apenas 1 colher e achei que ficou perfeito pro nosso gosto
1/2 quilo de peito de frango cortado em cubos
2 ou 3 berinjelas japonesas ou comuns cortadas em cubos * usei comum
2 colheres de sopa de molho de peixe—fish sauce *eliminei totalmente, pois detesto o cheiro desse molho
4 folhas de limão kaffir cortada em pedaços * usei folha de limão amarelo
2 pimentas vermelhas frescas cortadas em tiras fininhas *eliminei—tá doido?
1/2 xícara de manjericão tailandes - thai bail ou sweet basil *usei o manjericão roxo

Ponha uma panela no fogo e acrescente o leite de coco. Deixe borbulhar e acrescente a pasta de curry, mexendo bem. Adicione os cubos de frango. * mudei aqui, primeiro fritei o frango no azeite, depois joguei o leite de coco e o curry. Deixe ferver e engrossar. Acrescente os cubinhos de berinjela, deixe cozinhar uns minutos. Acrescente o molho de peixe e as folhas de limão. Cozinhe por mais cinco minutos. Antes de servir acrescente a pimenta em tiras e o manjericão. Sirva com arroz. Usei o arroz basmati.

cenouras multicoloridas
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Servi assim mesmo, só levemente cozidas no vapor e acompanhadas daquele aioli da Alice, onde desta vez acrescentei manjericão roxo.

no Farmers Market...
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...sempre tem muita gente, sempre tem muitas flores e sempre tem música.

é lindo olhar pra baixo
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enquanto se caminha nesta época do ano
a carne louca
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Nem sou capaz de calcular quantos anos fazia que eu não comia essa salada de carne. Não me lembro se ela era feita com músculo ou lagarto—tenho uma inclinação pelo músculo, que era aquela carne que se colocava em sopa, bem fibrosa e com gordura. Já esqueci muita coisa, especialmente essas relativas à cortes de carne. Mas resolvi que iria fazer a carne louca e comprei um belo pedaço de beef eye round roast, que eu acho que se equipara muito bem ao lagarto brasileiro. Fritei dos dois lados, depois joguei uma garrafinha de cerveja e bastante molho ingles e cozinhei na panela de pressão. Depois de fria, desfiei com as mãos. Adendo: arre égua, precisa ter dedos de mulé cabra macho pra desfiar essa carne! Depois misturei com bastante cebola cortada bem fininha, pimentão verde cortado bem fininho e uma boa quantidade de salsinha picada. Temperei com sal, pimenta do reino moída, um vinagre de vinho tinto da melhor qualidade e muito azeite. Comemos no dia, mas as sobras que ficaram na geladeira ainda estão fazendo sucesso.

comida de esquilo
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acorn

sopa de cogumelo assado
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Outra sopa para aproveitar a abundância dos cogumelos no Farmers Market. Usei uma receita como base, mas adaptei tanto que ela se transformou. O resultado foi aprovado pelo provador oficial da família, que primeiro olhou com aquela cara de desconfiado, depois raspou o prato.

Usei umas 300gr de baby portabella, tomilho fresco, um litro de caldo de legumes, meia xícara de vinho branco, umas gotas de limão amarelo e meia xícara de creme de leite fresco. Azeite e sal. Pré-aqueça o forno em 400ºF/ 205ºC. Forre uma forma com papel alumínio e espalhe os cogumelos, regue com azeite e ponha pra assar. Os cogumelos assam muito rapido, portanto não vá ver tevê, nem ler o jornal na internet. Quando eles estiverem assados—murchinhos e escuros, retire do forno e coloque no liquidificador com metade do caldo de legumes. Bata, mas não deixe virar um creme. A sopa vai ficar pedaçuda. Coloque os cogumelos batidos na panela, o resto do caldo, muitas folhas de tomilho fresco e sal. Cozinhe por um bom tempo, até o caldo reduzir. Acrescente o vinho e cozinhe mais um pouco. Quando a sopa tiver engrossado, desligue o fogo, acrecente umas gotas de suco de limão, o creme de leite, acerte o sal e sirva. Como eu tinha umas sobras de garlic chives que resgatei da horta, acrescentei elas picadinhas no final. Mas não é necessário.

baked spiced butternut squash with apples and maple syrup
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A Marianne não é uma cozinheira trivial. Ela gosta de assar bolos, de fazer fudges no Natal e é a responsável pelo peru do Thanksgiving, que ela prepara metodicamente e sempre fica muito bom. Mas ela nunca foi de trocar receitas comigo, pois na verdade quem faz os ranguinhos diários é o Gabriel. Naquele dia porém ela me contou que tinha feito uma butternut squash que tinha ficado divina. Pela descrição que ela fez do prato, eu exigi—quero a receita. Ela me enviou o link para a baked spiced butternut squash with apples and maple syrup. Esperei pela chegada de mais uma abóbora na cesta e fui até o Farmers Market comprar o melhor suco de maçã. Fiz a receita e comi como sobremesa, mas tenho certeza que seria um bom acompanhamento para o peru que a Marianne vai fazer no Thanksgiving.

1/2 xícara (1 tablete) de manteiga
3/4 xícara de maple syrup puro
1/4 xícara de suco de maçã - usei o estilo cidra, bem grosso
1 colher de chá de canela em pó
1/2 colher de chá de allspice
1/2 colher chá de sal
3 butternut squashes pequenas e 4 maçãs Granny Smith, descascadas, sem sementes e cortadas em fatias

Pré-aqueça o forno em 400°F/ 205ºC. Unte um refratário com manteiga. Numa panela, misture a manteiga, o maple syrup e o suco de maçã. Leve ao fogo médio e aqueça, até a manteiga derreter. Aumente o fogo e deixe ferver até o liquido reduzir um pouco. Remova do fogo e acrescente a canela, o allspice e o sal. Bata bem com um batedor de arame.

No refratário arrume uma camada de fatias de abóbora, outra de maçãs e assim sucessivamente até acabar a abóbora e a macà. Regue com a mistura de suco, xarope e manteiga. Cubra com papel aluminio e asse por uns 50, 60 minutos. Pode ser feito um dia antes e guardado na geladeir. Na hora de servir reaqueça no forno ou microondas. Acompanha bem carnes, ou pode servir de sobremesa.

sou um pudim ambulante

Bem na minha frente e atrapalhando o meu acesso à marca de desodorante que eu costumo usar, estava uma mãe com quatro filhas. As meninas abriam os desodorantes um por um, cheiravam e murmuravam comentários elogiosos, dependendo do tipo de perfume. Violeta espanhola, hmmm, esse é realmente delicado. Algodão doce, ohh, esse eu gostaria de lamber. A mãe tentava dissuadir as meninas daquela lenga-lenga que a estava empatando, dizendo algo como—vocês ainda são muito novas pra usar desodorante, o que vocês precisam é apenas um bom banho. Concordei. A mãe também precisava de uma chuveirada, mas isso não vem ao caso. O caso é que eu não gosto de desodorante com cheiro forte e a marca do desodorante que eu uso lançou uma linha com cheiros inacreditáveis. Naquela confusão de meninas matracando, murmurando, cheirando, abrindo e fechando embalagens e tirando e pondo desodorantes das prateleiras, eu tive um cinco minutos de ansiedade, peguei o primeiro desodorante que alcançei e casquei fora. Desde então está tudo muito estranho por aqui, pois nunca na vida eu tive um sovaco com cheiro de baunilha e chai.

feijoa
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Meu primeiro encontro com a feijoa foi num Farmers Market no ano passado. Foi uma surpresa descobrir essa frutinha muito parecida com a goiaba, em gosto, cheiro e forma. Também foi surpresa descobrir que ela é conhecida como Mexican guava, embora seja original do sul do Brasil. Este ano já encontrei as feijoas novamente no mercado e já me deliciei com a sua doçura perfumada.

Mas surpresa mesmo eu tive quando um dos meus colegas entrou no prédio numa manhã anunciando—vocês viram que esses arbusto que temos na frente da porta é de Mexican guava? Fui correndo olhar e lá estavam mesmo as frutinhas verdes penduradas. Toquei, cheirei e comecei a rir do meu grau de distração e falta de percepção. Eu passo todo dia em frente desses arbustos, pois eles formam uma espécie de biombo entre a nossa porta dos fundos e a rua. Ali ficam sempre uns dois ou três esquilos que me assustam quando pulam de galho em galho. Outro dia tinha um lá coitado, tão pelado, talvez com algum tipo de doença de pele esquilítica que o deixou parecendo um rato. Com todo esse tempo gasto, entrando e saindo pela porta, observando e me sobressaltando com os esquilos e tal, como foi que eu não percebi que estava em frente à um pé de feijoa?

a grande verdade

La cuisine, c'est quand les choses ont le goût de ce qu'elles sont.
Good cooking is when things taste of what they are.
A boa cozinha é quando as coisas têm o gosto do que são.

Et surtout, faites simple!
And above all, keep it simple!
Mantenha a simplicidade, acima de tudo!

Maurice Edmond Sailland, a.k.a. Curnonsky.

you can get everything you want
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at Alice's restaurant

Eu tirei essa foto na Portobello Road em Londres porque eu adorei o lugar e também porque me lembrei imediatamente do Alice's Restaurant do Arlo Guthrie. O Arlo era um jovem hippiezinho no Festival de Woodstock e continua um hippie até hoje, já não tão jovem. Mas quando ele ainda era um piázinho desengonçado, compôs uma música chamada Alice's Restaurant, que é literalmente uma viagem, pois dura quase meia hora. Depois o Arthur Penn dirigiu o Arlo num filme, também chamado Alice's Restaurant, com a Alice e seu restaurante. O filme é outra viagem, hiponga.

Não sei explicar exatamente como, onde e por que, mas eu e o Uriel temos até essa private joke, quando dizemos um pro outro—you can get everything you want [at Alice's restaurant]. Também não sei por que eu gosto tanto do Arlo e tiro foto do restaurante—ou pelo menos parecia um restaurante, em Londres, só por causa da música dele. Talvez não seja somente pelo fato do Arlo ser fofo, engajado e cantar músicas de protesto, mas também porque ele é o filho caçula do Woody Guthrie. Quem é Woody Guthrie, você me perguntará? E eu responderei prontamente, Woody Guthrie foi um grande folk singer norte-americano e um dos caras que influenciou Bob Dylan.

my own private junk food
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O cachorro-quente é uma daquelas comidas que faz parte da história gastrônomica da minha vida. O impacto que esse sanduíche me causou, comida alguma nunca se equiparou. Fazia muito tempo que eu não comia um cachorro, portanto estava mais do que na hora. O detalhe especial dessa junk food é que nada ali é realmente junk, a começar da salsicha—da melhor qualidade, até as batatas fritas e o molhinho de cebola e pimentão. Nada é ordinário, tudo é orgânico, até a maionese. Pra comer sem culpa, com gosto, ficar com aquela cara alegre, cheia de satisfação.

Eu cozinho as salsichas na água, escorro, retorno a panela ao fogo, rego com um pouco de azeite, jogo cebola e pimentão verde cortados em rodelas e refogo, até os legumes ficarem macios e formarem um molho. Só isso!

às compras
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Bolinhos de banana e manteiga de amendoim
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Eu não escondo de ninguém que sou uma banana head—louca & pirada por banana, qualquer tipo de banana, como pelo menos uma por dia. Sendo ela a fruta da alegria, pois ajuda a produzir seretonina no cérebro, tá explicado porque eu sou essa hiena boba alegre que está sempre rindo de si mesma.

Outra coisa que eu não escondo é que de vez em quando curto uma colherada da infame manteiga de amendoim. Já confessei meu crime de partilhar do mesmo mau gosto do rei rebolante, justamente por causa dessa mistura incrívelmente deliciosa que é a da banana com a manteiga de amendoim.

Portanto esses bolinhos se materializaram rapidamente na minha cozinha, assim que que vi a receita no The Daily Green. Bolinhos fofos e macios, uma verdadeira love song—love me tender, love me sweet, never let me gooooo. you have made my life complete, and I love you soooooo!

75g de manteiga de amendoim - peanut butter
75g de manteiga
2 ovos
100g de açúcar
3 bananas médias amassadas com um garfo
1 colher de sopa de óleo vegetal
125 ml/ 1/2 xícara de leite
1 colher chá de bicarbonato de sódio
250g de farinha de trigo
3 colheres de chá de fermento em pó - químico

Na batedeira, bata os ovos, a manteiga, a manteiga de amendoim e o açúcar. Os ingredientes devem estar na temperatura ambiente. Quando obtiver um creme, adicione as bananas amassadas e o óleo. Bata mais um pouco. Numa vasilha separada misture o leite com o bicarbonato de sódio. Noutra vasilha misture a farinha de trigo com o fermento em pó. Com a batedeira ligada vá adicionando as misturas de leite e farinha alternadamente. Bata até ficar tudo bem misturado. Despeje a massa em forminhas de muffins. Asse em forno pré-aquecido em 350ºF/180ºC por uns 25-35 minutos. Retire do forno, deixe esfriar numa grade e deseforme.

* coloquei muita massa nas forminhas, por isso meus muffins ficaram com essa cara de cogumelos encantados.

salada crocante
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Saladas são geralmente uma tela em branco, abrindo espaço para o exercício da criatividade. Eu acredito que poucas saladas precisam de receita. Todo mundo pode criar saladas inéditas ou recriar algumas das clássicas. Quase tudo pode virar salada e eu geralmente brinco com os ingredientes que tenho, usando o bom senso, misturando as cores e sabores e coroando a mistura com um molho que ajude a realçar os ingredientes. Minha regra número um é quanto mais simples melhor. Nenhum ingrediente deve oprimir o outro, todos devem combinar harmoniosamente e o resultado final deve ser um prazer!

Nessa salada crocante eu usei as cores e sabores que me estavam disponíveis. Ainda estão chegando pepinos e pimentões na cesta. Usei rúcula fresquinha picada, uma laranja cortada em cubinhos, um pepino, um pimentão amarelo. No molho usei as raspas da casca da laranja, vinagre de laranja, sal grosso e bastante azeite. Salpiquei umas lascas de amêndoas tostadas. Esse tipo de salada com ingredientes delicados [rúcula] e que soltam água [pepino] eu tempero imediatamente antes de servir.

no high fructose corn syrup
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Esse Paul Newman é mesmo um batuta!

sopa picante de tomate e grão de bico
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Receita da revista Martha Stewart Living, edição de novembro 2007. É uma sopa bem apimentada, eu recomendo diminuir a quantidade de pimenta, se você não quiser ficar naquele abafamento sudoral provocado por elas.

Spiced chickpeas and tomato soup

2 dentes de alho picados
3 pimentas secas picadas ou 1/2 colher de chá de pimenta vermelha seca
1 colher de chá de coriander [coentro] seco moído
3/4 colheres de chá de sal grosso
1/8 colher de chá de sementes de caraway [kümmel]
2 colheres de sopa de azeite extra-virgem
1 lata [15 ounces] de grão-de-bico, escorrido
1 1/2 xícara de tomate em lata, com o suco *usei o tomate orgânico assado da marca Muir Glen, que é uma das melhores
1/2 xícara de pimentão vermelho assado
3 1/2 xícaras de caldo de legumes ou de galinha feito em casa ou comprado, mas de boa qualidade
Sour cream e folhas de salsinha para decorar

Num pilão, amasse o alho com sal e temperos, até formar uma pasta. Numa panela, adicione o azeite e refogue a massa de alho por uns 3 minutos, até ficar macia. Adicione o grão-de-bico, o pimentão e o tomate. Refogue uns minutos, adicione o caldo e deixe cozinhar por uns 15 minutos. Desligue o fogo, deixe esfriar e então bata a sopa no liquidificador. Retorne à panela e esquente. Sirva com uma bolota de sour cream e uma folhinha de salsinha.

domingo no Ciocolat
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Fizemos muitas coisas no domingo e no meio do tempo paramos para um almocinho rápido no Ciocolat, que é um café aqui em Davis, o favorito da minha amiga Leila. O café é uma gracinha, instalado numa casa de esquina em downtown, com mesas sempre decoradas com vasos e jarras de flores, pratos e xícaras de porcelana e talheres de metal. No Ciocolat não tem nada de papel nem de plástico e o lugar vive cheio, desde manhã para o breakfast, até o final da noite para sobremesa e vinho. Eles têm os melhores doces, bolos, pastries, sucos, chás e também têm um cardápio simples para um lanchinho light. Eu adoro a salada que acompanha todos os pratos, de folhas verdes com cranberries secas e com um tempero vinagrete bem simples, que deixa você sentir o gosto das folhas e da fruta. Nesse domingo corrido eu pedi um croque monsieur californiano, feito com salmão defumado e o Uriel pediu um muffuletta. Depois pedimos sobremesa, uma pastry com pêra e um mousse de abacaxi. Sentamos da varanda observando o movimento em downtown e nem frio e o vento atrapalhou nosso delicado almoço.

*já mencionei o Ciocolat inúmeras vezes nos meus blogs nesses últimos sete anos, uma delas foi AQUI.

sou uma dinossaura
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Um bolinho de chocolate para celebrar sete anos de blogagens ininterruptas! Tudo começou , onde eu escrevia sobre tudo—filmes, comida, cotidiano e ainda faço, de maneira menos sistemática, mas sempre contínua. Sou do tempo que existiam no total uns dez blogs brazucas no pedaço e todo mundo se conhecia. Hoje a blogolândia é do tamanho do mundo e tem de tudo, todo tipo de gente, todo tipo de blog. Continuo firme, porque essa é a mídia com que eu mais me identifiquei e que preencheu todas as minhas necessidades, de escrever e de criar. Meus blogs já fazem parte do meu testamento, onde instruí que eles permaneçam online para sempre, porque neles tem muita vida e muita história. Sete anos escrevendo e fotografando, não é pra qualquer um!

edicão de 1942
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pesto de rúcula com pecans
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Variações para o pesto abundam. Essa é uma das versões para o pesto de rúcula. Eu recebi uma rúcula muito áspera na cesta dessa semana e achei que ela não ficaria boa em salada. Virou pesto. No processador, as folhas de rúcula, cubos de parmesão, pecans levemente tostadas, um dente de alho, sal a gosto, o que pra mim significa só uma pitadinha, e bastante azeite extra-virgem. Gosto muito de usar esse pesto mais picante no macarrão integral. Na hora de servir, salpique com mais queijo parmesão ralado.

dois vasos de flores
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elegância
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salada quente de abóbora, radichio e figo
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Corte a abóbora em cubinhos, espalhe numa forma forrada de papel alumínio e asse em forno pré-aquecidoo em 400ºF/205ºC até ficar mole. Retire do forno. Corte um radichio grande ao meio, lave, escorra bem, coloque numa forma forrada com papel alumínio e asse até os radichios murcharem um pouco. É bem rápido, portanto não distraia. Numa panela, jogue alguns figos secos—eu usei a variedade black mission, e cubra com vinagre balsâmico. Reduza no fogo médio. Monte a salada numa travessa, a abóbora de um lado, as metades de radichio do outro. Salpique a abóbora com folhas de tomilho fresco. Jogue os figos cozidos e o balsâmico reduzido sobre a abóbora e radichio. Regue com azeite, salpique com flor de sal e sirva imediatamente.

manchego
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bons hábitos no trabalho

No meu trabalho tem uma máquina de água, dessas com duas opões: água quente ou gelada. O programador compra os galões de água no Co-op, voluntários trocam, conforme a necessidade. A cada seis meses faz-se a limpeza da máquina de água. Voluntários são requisitados. Da última vez fui eu e a secretária. Ficamos duas horas seguindo o passo-a-passo, mas a água ficou deliciosa—ou assim comentaram os que provaram. Eu me voluntario pra trocar o galão ou limpar a máquina, porque bebo muita água. Se não é gelada, é a quente que eu uso pra fazer meus chás. Eu tenho várias latinhas cheias de saquinhos empilhadas na minha estante e durante os meses frios bebo pelo menos três xícaras de chá por dia. São xícronas. Nosso prédio é pequeno. É na verdade um anexo de um prédio grande. Nós temos uma micro-cozinha que fica no corredor com pia, geladeira, micro-ondas, armário e cafeteira. Não podemos jogar lixo orgânico nas lixeiras. Reciclamos tudo. Cada um limpa a sua própria sujeira. Todo dia pela manhã o meteorologista faz café. Às vezes a jornalista faz mais café à tarde. Todo mundo bebe café, menos eu. Não há pratos, nem talheres, nem copos de papel nem de plástico, todo mundo tem seus próprios utensílios e sua própria xícara ou caneca. Inclusive eu, que tenho três.

savage chickens
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ha ha ha — adoro!
lendo e relendo [pouco a pouco]
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hoje eu lembrei

Acho que é hoje que faz dois anos. Não costumo ficar marcando e relembrando datas tristes, mas tenho quase certeza que foi no dia de hoje, há dois anos, que ouvi o recado do meu pai na secretária e depois o som abafado de quem não consegue mais falar. Eu chorei por um tempão, porque ela era uma das minhas pessoas favoritas neste mundo, aquela que eu admirava e imitava, reparava nas parecências e até me assustava. Ela dizia com a sua voz potente e alta—nós duas somos dois livros abertos!

Por tudo isso e mais um pouco, numa época em que meu irmão ainda morava em Los Angeles, nós decidimos que iríamos fazer uma compra mensal de gostosuras pra ela através do supermercado online que entregava tudo direitinho lá no sitio onde ela vivia. Ela amava gostosuras, chocolates, bolachas, geléias. Mas ela tinha aquela doença traiçoeira chamada diabetes. Então minha missão mensal era fazer uma compra de gostosuras que não deixasse ela mais doente. Por três anos, todo final de mês eu me logava e fazia uma comprinha. Era legal, porque durante esses anos eu me interei das novidades nas prateleiras do supermercado brasileiro. Via produtos novos aparecendo, marcas novas, diversidade, variedade. Algumas coisas eu queria comprar pra mim, ficava empolgada. Mas a compra era para ela e tinha que ser especial. Eu comprava também sabonetes variados, porque eu sabia que ela iria adorar. Éramos iguais nisso também, loucas por banho, por cheiros, por perfumes.

Faz dois anos então hoje que eu parei de fazer as comprinhas no supermercado online, faz dois anos que acabou a minha diversão de encaroçar pelas prateleiras virtuais, pensando e escolhendo as coisas que eu sabia que ela iria gostar e depois ficar me sentindo imensamente feliz imaginando a alegria dela ao receber a entrega. Outro dia minha irmã disse que a ausência dela é como se nunca mais tivessemos ido ao sitio visitá-la, no que eu concordei. Dois anos depois eu ainda penso nela sempre que vejo chocolates, bolachinhas e geléias gostosas, sabonetes e perfumes, ou todas as outras coisas que ela adorava. Fico olhando e matutando—hmm, será que compro pra enviar, pois ela iria amar!

pasta com cogumelos e espinafre
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Um rango bem simples pra poder usar aquele pacotão de baby portabellas que comprei no Farmers Market, mais uma boa quantidade de espinafre que veio na cesta orgânica. Achei que essa pasta ficou com uma cara incrível de outono!

Cozinhei em bastante água e sal uma porção de orecchiette. Quando a pasta estava quase al dente, refoguei uma misturinha de alho com sal grosso amassada no pilão numa boa quantidade de azeite. Juntei os cogumelos cortados em quatro, refoguei um minuto, juntei o espinafre picadinho, acertei o sal, moí um pouco de pimenta. Escorri o orecchiette e joguei no refogado. Joguei um punhado de salsinha picada, servi com queijo parmesão ralado na hora.

Não sei por que eu fiz sem pensar um panelão desse macarrão e no minuto em que estávamos sentando à mesa, chegaram o Gabriel e a Marianne. Eu tinha comida para um batalhão, somando-se à uma saladona. Colocamos mais dois lugares na mesa e tivemos um jantar em família, no meio da semana, que mais parecia um domingo!

where the buffalo roam
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*Vida nas pradarias canadenses: Uriel e Gabriel providenciando a CARNE pra Fer poder fazer o jantar. Bufalo ou bisão, honey?

No menu do restaurante da floresta de Apple Hill tinha a opção de hamburguer de carne de bufalo—cem por cento orgânica. Eu apontei o item do menu para o Uriel e nós dois fizemos aquela cara de bleargh. Eu não sou uma pessoa essencialmente carnívora. Eu como carne, mas tenho crises de consciência e de asco muito frequentes. Nunca quis provar cozido de coelho, que se preparava em festas de família ou o hamburguer de avestruz, que é famoso aqui em Davis. A carne de bufalo, porém, eu provei. Foi uma experiência inesquecível, no mais amplo sentido da palavra inesquecível. Meu paladar para carnes é bem sensível, carnes muito fortes me entojam fácil e a carne de bufalo não é coisa pra amadores. Pra mim foi mais do que eu consigo suportar.

Pedimos um hamburgão de carne de bufalo cada um num passeio ao Wanuskewin Heritage Park em Saskatchewan, Canadá. Um lugar completamente apropriado para a experiência de provar o sabor da carne do bufalo, que é praticamente o simbolo do desbravamento do oeste norte-americano e canadense. Nem preciso dizer que não consegui terminar o meu sanduíche e que me concentrei nas batatas fritas. Será que os índios plantavam batatas? Se eu fosse uma índia no tempo dos bufalos vagando, certamente viveria plantando e comendo muitas batatas.

sopa para uma noite de chuva
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Quando chove não tem graça, especialmente quando ainda é outono. Porque chuva é personagem de inverno, quando a paisagem já está cinza mesmo e todo mundo já se conformou. Mas tem chovido, chuvarada demais e eu me molhei na hora do almoço e senti frio, por isso fui pra casa decidida que naquela noite teríamos uma sopa bem yang pra compensar o ying do dia.

Descasque e corte uma abóbora pequena em cubinhos e embrulhe em papel alumínio. Descasque uns 4 dentes de alho e embrulhe em papel alumínio. Descasque e corte umas três batata-doces médias em cubinhos ou deixe-as inteiras mesmo e embrulhe em papel alumínio. Coloque os três pacotinhos numa forma e asse em forno pré-aquecido em 400ºF/205ºC por uns 30 minutos ou até que tudo esteja molinho. Pode tirar o alho antes, para que ele não fique muito cozido. Remover tudo to forno. Se não descascou as batatas antes, agora é hora de descascar com cuidado pra não pelar os dedos. Coloque a abóbora, alho e batata-doce no liquidificador com um litro de caldo de galinha ou de legumes. Adicione uns galhinhos de dill fresco e bata bem, até obter um creme. Jogue tudo numa panela, adicione sal a gosto, azeite a gosto e um tantinho de pimenta pra quebrar a doçura dos legumes e do alho assado. Eu usei a pimenta chipotle, que é a jalapeño seca e defumada, que eu acho que tem um sabor bem especial. Deixe a sopa engrossar um pouco no fogo médio e sirva em potinhos decorados com uma bolota de creme fraiche [ou sour cream, ou iogurte] salpicada com dill fresco picadinho.

indian corn [take II]
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Quis fazer outra foto com os mini-milhos, pois a lindeza deles merece muitos takes, retakes e remakes! Pois não?

figos com creme & mel
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Eu quase não tenho receitas com figos frescos, porque aqui figo não dura o tempo necessário para se pensar em algo e colocar em prática. Normalmente eu abocanho as frutas puras mesmo, ou faço a mistura de creme com lavanda e mel, ou somente mel e creme fraiche.

gingerbread man cookie cutter
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Quando minha cunhada me pediu os cookie cutters no formato do gingerbread man, eu assobiei satisfeita—tranquilex, tá no papo, facinho de resolver essa parada. Quando comecei a entrar e sair de lojas de mãos vazias, um sentimento imenso de frustração me invadiu, em modo incompreensão total perguntei como podia eu estar achando cortador em formato de absolutamente TUDO, menos o do homenzinho de gengibre? Minha nora que vou te contar sabe tudo, me respondeu, informando daquela maneira blasé que ela tem de informar coisas trágicas, que achar os gingerbread man cutters iria ser uma missão. Sei lá por que motivo eles parecem ter virado raridade. Ela me sugeriu olhar no e-bay e em lojas de segunda mão. Eu não fui, mas fiquei com o pedido da Patrícia ali na gavetinha das coisas por fazer. Toda vez, toda vez mesmo que eu entrava em qualquer loja, procurava pelos cortadores, assim como quem não espera nada.

Um ano depois numa hardware store em Placerville, lá estavam os gingerbread man cookie cutters! Comprei dois pra ela, dois pra mim. Tenho certeza que a Patricia vai fazer bonecos de gengibre lindos para pendurar na árvore de Natal ou para dar de presente. Eu prometo tentar usar os meus. Depois dessa peregrinação, prometo mesmo!

abóbora recheada com quinoa [e pecan]
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A receita original do Epicurean era pecan and wild rice-stuffed squash, mas eu não tinha arroz selvagem, então resolvi usar a quinoa vermelha. E usei a butternut squash, que era o tipo de abóbora que eu tinha. Porque eu faço muitas coisas ao mesmo tempo, sempre acabo fazendo omissões na receita e desta vez esqueci de colocar a noz pecan, o que me fez lamentar muito depois, porque eu acredito que elas dariam um toque de classe extra à essa receita extraordinária. Mas mesmo sem as pecans, ficou ótimo! Enquanto eu comia, senti uma nostalgia das lojas de produtos naturais, daquelas que tinham lanchonete, como era a Mãe Terra, em São Paulo.

1 butternut squash cortada ao meio
1/2 xícara de arroz selvagem, quinoa ou buckwheat
* usei a quinoa vermelha inca
1 1/2 xícara de água
3 colheres de sopa de sálvia fresca
1/2 xícara de salsinha fresca
1 colher de sopa de azeite
2 talos de salsão picadinho
1/2 cebola [1 xícara] picada
1 colher de chá de manjerona seca *omiti por avoamento
1 tcolher de chá de pimenta do reino moída na hora * omiti por avoamento
1 pitada de nos moscada ralada na hora *omiti por avoamento
1 colher de chá de sal
3/4 xícara de pecan * omiti por avoamento

Pré-aqueça o forno a 400°F/205ºC. Forre uma forma com papel alumínio e coloque as duas metades da abóbora em cima. Asse por 20 ou 30 minutos, até a polpa ficar bem mole.

Enquanto isso faça a quinoa, misturando com água e levando ao fogo alto. Quando ferver abaixe o fogo e tampe a panela. Deixe cozinhar até secar toda a água.

Separadamente, refogue o salsão, a sálvia picada e a cebola no azeite. Acrescente a salsinha picada e os outros temperos que eu esqueci de pôr. Refogue bem e remova do fogo. Acrescente a quinoa, misture bem. Remova a abóbora do forno, com uma colher remova um pouco da polpa cozida, coloque numa vasilha. Amasse bem com um garfo e misture ao refogado com a quinoa. Moa as pecans num processador e junte à mistura de quinoa e abóbora [* não esqueça, como essa cabeçona que vos escreve]. Recheie as metades da abóbora e ponha novamente no forno, asse por uns 20 minutos ou menos.

rabanete psicodélico
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Nunca se sabe o que se vai encontrar quando se corta um rabanete ao meio. Os desenhos são muitas vezes incríveis! Esse foi uma viagem psicodélica. E o gosto não compromete, apesar desse rabanete ser um pouco mais doce que a maioria.

quinoa vermelha inca
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o presente da moça Dadivosa que desbravou terras e oceanos para encantar nas terras estrangeiras
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Eu não sou mulher viajada
por aquele Brasil encantado
sou caipira exilada
que nunca comeu puba
nem cuxá, nem sururu,
mas vejo com muito bom grado
toda essa riqueza culinária
que pretendo um dia desbravar.

Enquanto esse dia não chega
vou viajando nas paradas
desse livro tão letrado
mais que isso, caprichado
que a inspirada cozinheira Tatu
escreveu com muita graça
e com prosa bem casada.

E se assim tenho nas mãos
essa jóia da nossa culinária cultural
com todos os ingredientes porretas
que muito me apeteçem,
foi graças a impar gentileza
de uma Fernanda muito prendada
que todos temos juntinho do coração
e que chamamos de Dadivosa.

Peço licença à todos
para fazer esse agradecimento
pois foi com grande satisfação
e imenso contentamento
que abri o envelope,
endereçado em caprichosa letra de mão,
e com distinta dedicatória,
das lindas moças prestimosas,
para essa humilde oradora
que agora aqui vos fala.

como arruinar um dia perfeito
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Quando o Uriel propôs de irmos até Apple Hill no domingo, para o festival da colheita da maçã, logo pensei que aquela não era uma boa idéia. Quando li o relato da Sheri no Edible Sacramento tive certeza: seria uma FRIA! Mas fomos assim mesmo. E fomos tarde, pois eu precisava nadar. Eu só consigo nadar nos finais de semana. Pegamos a estrada pensando em almoçar em algum orchard em Apple Hill. Congestionamento na freeway, congestionamente na estradinha que leva aos pomares, dificuldade para estacionar, gentarada saindo pelo ladrão, familias e mais famílias com crianças, pais, avós, bisavós, querendo desfrutar as atividades promovidas pelas fazendas. E que atividades minha gente: correr por pumpkin paths fajutos, andar de cavalo [detesto, detesto essas coisas envolvendo animais], pagar ingresso para brincadeiras de quermesse, ficar horas na fila para tudo, inclusive para comer as mil e uma sobremesas feitas com maçã. No pomar que paramos, eles vendiam de tudo—tortas congeladas de maçã, vinho de maçã, suco de maçã, descascador de macã, e muitas maçãs, é claro. Fomos procurar algo para comer de almoço. O menu maravilhoso de hamburguer, hot dog, corn dog, chili dog, fritas, e eteceterá me desanimou. Mais desânimo quando vi o cartaz na janelinha da venda—espera de 30 a 45 minutos. Esperar tudo isso pra comer um monte de fritura? O Uriel se colocou na fila dos doces de maçã e comprou donuts, tortas, dumplings. Depois pegamos a estradinha congestionada novamente, pra tentar achar um restaurante. No meio de uma floresta de pinheiros achamos um pub inglês que servia todos aqueles pratos típicos, misturados aos norte-americanos, nada que entusiasmasse. Pedimos um rango mesmo assim e saímos de lá frustrados e desapontados. Fomos até o fim da estrada que corta Apple Hill e pegamos a freeway novamente, dando de encontro com outro congestionamento. Nesse ponto meus nervos já estavam em frangalhos e o Uriel decidiu parar em Placerville, que é uma cidadezinha histórica da corrida do ouro, com um ponto de interesse peculiar—um bar que foi construído no local onde ficava uma árvore onde se enforcavam criminosos, bem no estilo old wild west. Uma coisa fantasmagórica e deprimente. A cidade, que já visitamos duzentas e trinta e sete vezes, é bem bonitinha, com um bar a cada metro e muitas lojas de antiguidade. Eu me diverti nas lojinhas, bebemos suco de maçã, café e fomos embora. Que total desperdício de um belo domingo!

olha o caqui docinho!
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A novidade no Farmers Market deste sábado foi o caqui. Eles aparecem nessa época do ano e são destaque em muitas receitas de outono. Eu ainda tenho um pouco de preconceito com relação à ele, que nunca fez parte da minha lista de frutas favoritas. Mas tenho com comprometimento de me esforçar.

Chicken Bouillabaisse
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Tinha guardado essa receita de Chicken Bouillabaisse que vi no NYT, pra fazer numa boa oportunidade, quando o outono chegasse. Já tinha até o frango comprado e congelado. Com o clima ameno ajudando, agora era somente questão de colocar a mão na massa. Essa é uma receita boa para ser feita para muitos comensais. O que me fisgou nela foi o uso do Pastis, que é uma bebida que eu adoro. O Pastis pode ser substituido por qualquer bebida à base de anis. Eu mudei um pouco o esquema da receita, pois temperei o frango um dia antes e substituí alguns ingredientes.

1 xícara de caldo de galinha * usei água
1/2 colher de chá de fiozinhos de açafrão
4 colheres de sopa de azeite * usei metade óleo vegetal, metade azeite
6 pernas e 2 peitos de frango orgânico com o osso
1 xícara de alho poró picado * usei cenoura
1 xícara de bulbo de erva doce picado *usei salsão
3 dentes de alho picado
2 xícaras de tomate sem pele picado
1/3 xícara de vinho branco seco
1/4 xícara de Pastis
6 raminhos de tomilho fresco * acrecentei um ramo de dill fresco também
Sal e pimenta cayenne
Batatas cozidas, fatias de pão tostadas e maionese de alho [aioli] pra acompanhar

Diferente da receita do NYT, eu temperei o franguete um dia antes com o açafrão, sal, pimenta, dill, vinho branco, pastis e azeite. Deixei marinando na geladeira e fui virando de vez em quando.

No dia seguinte frite o frango com duas colheres de óleo vegetal numa panela grande. Deixe dourar nos dois lados e retire os pedaços da panela, ponha num refratário. Adicione ao óleo que sobrou na panela o alho picado, a cenoura e salsão [alho poró e erva doce, pra seguir a receita original]. Refogue por uns minutos, acrescente os tomates, refogue mais um pouco, acrescente o caldo de frango—eu usei água com o marinado do frango. Coloque o ramo de tomilho e dill fresco amarrado. Salgue, deixe refogar para engrossar um pouco. Acrescente o vinho e o pastis. Como já tinha colocado o açafrão na marinada, não coloquei extra. Ponha os pedaços de frango frito no molho e deixe cozinhar por uns 20 minutos. Teste o sal, acrescente a pimenta cayenne e 2 colheres de sopa de azeite por cima, desligue o fogo, remova o ramo de tomilho e dill fresco e sirva com as batatas cozidas, as torradas e o molho aioli. Nesse aioli acrescentei dill fresco.

na cesta
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darkgreenbeans
lastfigs
baby portabellas, dark green beans, figs
dia de flores
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sopa de ervilha & bacon
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Porque eu já tinha combinado de pegar um cinema com uma amiga na sessão das sete e o Uriel já tinha avisado que não iria jantar, abri portas de armários e da geladeira freneticamente durante o meu almoço, para tentar bolar um menu rapido e prático para a noite. Ervilhas secas acenaram idilicamente através de um vidro e desesperadas fatias de bacon congeladas imploraram—nos use e abuse!

Cheguei em casa às cinco da tarde com uma missão definida: fazer uma sopa com as ervilhas e o bacon. Tudo muito rapido, porque ainda queria tomar um banho antes de cascar para o cinema.

Cortei as fatias de bacon, que já tinham sido descongeladas e estavam mais calmas em pedacinhos pequenos e fritei numa panela. Quando o bacon estava bem fritinho, acrescentei um dentão de alho picadinho, uma cenoura picadinha e refoguei uns minutos. Juntei as ervilhas secas já lavadas e escorridas e refoguei mais um pouco. Juntei água o suficiente e tampei para que as ervilhas cozinhassem. Quando as ervilhas amoleceram, juntei um pouco de vinho branco, sal, pimenta e deixei cozinhar mais um pouco. Eu quis uma sopa pedaçuda, então não bati nada no liquidificador, nem usei o mixer de mão. Antes de servir juntei umas folhas de manjericão que estavam abandonadas em cima da pia, sobra de um macarrãozinho que tinha feito na noite anterior. Como também tinha dois salsichões que sobraram de um outro dia, cortei em rodelas e coloquei na sopa, mas me arrependi de ter feito isso, pois achei que emperequetou demais. Somente o bacon teria sido suficiente.

voltaremos outro dia
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madame moussaka

De repente começou a chegar berinjelas e mais berinjelas na cesta orgânica. Num piscar de olhos eu acumulei umas dez de tamanho médio. Precisei fazer uma receita que usasse muitas de uma vez. Só pude pensar na madame moussaka, que coincidentemente é um dos pratos favoritos do Uriel. Ele uma vez me contou que a mãe costumava preparar a moussaka e ele adorava. A que ela fazia era com carne moída. Na verdade eu nunca comi moussaka alguma em tempo algum na casa da minha sogra. Mas lembrança de filho é sagrada, então sempre que preparo esse prato é exclusivamente pra ele e pensando nele. Já fiz moussaka com carne moída, mas sinceramente prefiro sem. E desta vez fiz sem carne, pois só a berinjela pra mim já basta. Comecei a preparação no dia anterior, fatiando as berinjês e deixando de molho na água salgada por uns minutos. Escorri bem, coloquei numa vasilha grande e temperei com sal, pimenta, ervinhas secas e bastante azeite. Grelhei na churrasqueira, mas dá pra fazer no grill ou no forno. Guardei as fatias grelhadas na geladeira. Isso agilizou a preparação da moussaka no dia seguinte, que montei num vapt-vupt.

Untei um refratário com azeite. Coloquei uma camada das fatias de berinjelas, outra de queijo mussarela, outra de molho de tomate feito em casa, outra de mussarella, outra de berinjelas e assim sucessivamente até acabar as fatias de berinjelas. Salpiquei com mussarela ralada e levei ao forno médio por mais ou menos 20 minutos, até a moussaka começar a borbulhar e o queijo gratinar. Comemos com pão francês fresquinho. Não tirei foto. Mas vocês podem imaginar as cores da delícia!

olho de sogra
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adoro!

os ignorantes da web

Há muito tempo que queria escrever sobre esse assunto do roubo de imagens na web. Eu conversei até com a Elise do Simply Recipes sobre isso uma vez, porque acho completamente impossível garantir que as nossas fotos online não sejam surrupiadas por gatunos sem imaginação. Ela me garantiu que NÃO HÁ JEITO mesmo. A única esperança é confiar que as pessoas ajam decentemente e com ética, sem falar educação, quando estão fazendo uso dessa midia maravilhosa que é a internet. Mas isso é ser inocente demais, não? O que eu vejo por aí é um oportunismo sem limites, gentinha fazendo sucesso com os amigos usando imagens alheias. Eu já tenho essa idéia de que minhas fotos correm o mundo e acho bobagem colocar marquinha, porque gaiato que é gaiato não vai estar nem aí se a foto tem watermark ou não. Vão usar com a marca ou retirar numa boa. Muito de vez em quando, dou uma olhada nas estatisticas do meu servidor e vejo os mal educados que fazem hotlink nas minhas imagens—isto é, linkam direto do meu servidor, gastando a minha banda, o que já é considerado uma das maiores grosserias, além da tosquice de roubar foto alheia. Hoje achei duas e pedi para retirarem minhas fotos. Uma delas veio aqui no Chucrute e deixou um comentário GRITANDO, nem poderia esperar que ela se comportasse de outra maneira, não? Pois então, segunda a torpe que deixou nome e endereço, a minha foto estava LIVRE na web e ela só tira do blog dela se quiser! Tão boas santas? Linkando direto no meu servidor e dizendo que só tira se quiser? Além de tudo é ignorante. Bom, agora ela tem um X no lugar da foto, que é o que eu geralmente faço pra detonar os hotlinks quando tenho tempo. Estou brava, muito brava! E atônita! Não adianta ter acesso à computador, nem à internet se não tem a menor noção de como se comportar. Mas infelizmente isso é mais comum do que imaginamos.

o outro amigo
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Misty Gray

as mudanças que chegam em outubro

A primeira coisa realmente notável é a escuridão pela manhã. Até o final do mês a escuridão da noite vai chegar mais cedo também. Isso significa que minhas horas de luz natural para fotografias vão ficar bem limitadas. Minhas adaptações para conseguir fazer fotos incluem malabarismos ligeiros, usando uns minutos antes de sair para trabalhar ou a hora do almoço. A segunda mudança mais notável é a dos ingredientes. Como eu sigo as estações, agora começam a sumir os tomates, pepinos, pimentões e milhos e surgem as abóboras e as folhas verdes, que vão reinar por um longo período. No trabalho eu volto a beber meus chás—branco, verde ou de ervas. As aulas recomeçam e o campus se enche de estudantes, abundância de bicicletas, perigo eminente de acidente! As blusas de manga comprida tomam a frente nas gaveta, reaparecem os adoráveis cachecóis que eu uso o tempo inteiro, aposento as sandálias, visto meias. Para substituir os fresquinhos chinelos de dedo, desenterro meu velho tamanco birkenstock que uso para ficar em casa, fecho as janelas do quarto, desligo os ventiladores de teto, os gatos começam a dormir em lugares mais quentinhos, as saladas saem do centro da roda e as sopas tomam o lugar de destaque. Sinto vontade de comer uma comida mais quente e substanciosa, mais raizes, mais feijões, mais molhos. Paramos de usar a mesa do quintal para almoços e jantares, os pés de tomate morrem, abandono vergonhosamente a horta, o limoeiro do quintal fica carregado e aparecem os limões meyer na árvore de ninguém. Evito nadar em dias sem sol, acabam os picnics das quartas-feiras no Farmers Market, me preparo para dias de chuva. Outubro é o meu mês favorito, por muitas razões, a melhor delas a grande mudança.

olha o passarinho!
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a rainha romã
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Quando as romãs começam a aparecer no mercado e na cesta é uma alegria imensa para mim. Não sei explicar porque eu gosto tanto dessa fruta, que é uma daquelas difícil de comer. Eu tenho o costume de abrí-las, guardar as sementes num tupperware e ir usando, geralmente para salpicar nas saladas salgadas ou na de frutas. Gosto do xarope de romã, que transforma qualquer molho de salada num evento especial e do suco, que está na moda por aqui. Nós compramos o puríssimo, que é o mais saudável, super ácido e bebemos em doses pequenas. A fazenda de pistachos, onde o Uriel testa a máquina dele todo final de verão, também produz romãs. Algumas são para exportação—o Japão recebe a maioria. Elas são as romãs mais perfeitas que eu já vi, gigantes e preciosas. Ele me trouxe uma outro dia. Essa fofurete vestindo coroa e tudo veio na cesta orgânica desta semana.

cornucópia
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o importante é que ficou gostoso
Apple Cobbler


Estava de olho nessa receita de Apple Cobbler da Elise já há um tempo. Comprei até as maçãs verdinhas Granny Smith no Farmers Market especialmente para fazer essa torta. Segui as instruções passo-a-passo, porque eu sei que as receitas da Elise são infalíveis. Tenho porém que me conformar com o fato que não sou jeitosa, não faço pratos bonitos. Minha Apple Cobbler não ficou nem um pouco parecida fisicamente com o modelo que copiei. Mas deve ter ficado tão boa quando, pois servi para os meus amigos numa reunião que fizemos para a Brazil in Davis e todos gostaram. Fiz apenas UMA modificação, pois como não tinha mais gengibre cristalizado, usei uma maçã cristalizada que por acaso eu tinha na despensa.

Apple Cobbler

recheio:
1/4 xícara de açúcar -- ou mais, se gostar mais doce. pra mim essa quantidade ficou perfeita, pois não curto muito coisas super doces.
1 1/2 colheres de sopa de farinha de trigo
1/2 colher chá de canela
4 colheres de sopa (1/4 xícara) de manteiga sem sal
1 1/2 quilo [umas 5 ou 6 unidades] de uma maçã ácida, das verdes, tipo granny smith, descascada e cortada em fatias -- eu não descasquei
3 colheres de sopa de suco de limão
1 colher de chá de extrato de baunilha

massa:
2 xícaras de farinha de trigo
1/4 xícara de açúcar
2 colheres de chá de fermeno em pó - quimico
1/4 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de manteiga sem sal, gelada e cortada em cubos
2 colheres de sopa de gengibre cristalizado picado bem grosso -- usei maçã
Casca ralada de uma laranja
1 xícara de creme de leite fresco, mais um pouquinho para pincelar --eu esqueci de fazer isso

Faça o recheio: derreta a manteiga numa panela em fogo médio. Jogue as fatias das maçãs, o suco de limão, a canela, o açúcar e a farinha. Misture bem e cubra parte da panela, deixe cozinhar por uns 10 minutos. Jogue a baunilha e transfira a mistura para uma forma redonda grande já untada com manteiga. Essa receita só tem massa na cobertura.

Faça a massa: numa vasilha grande misture a farinha, açúcar, fermento e sal. Adicione a manteiga em cubos e vá misturando bem com os dedos até a massa ficar pedaçuda. Junte o gengibre. Coloque asraspas da laranja no creme de leite e vá adicionando o liquido na mistura de farinha e mexendo com um garfo. Misture bem com as mãos até a massa formar uma bola com boa consistência para abrir com o rolo. Abra a massa, cubra a forma onde estão as maçãs com ela, decore as bordas --como a Elise fez. Faça cortes no centro da massa, para deixar sair o vapor durante o cozimento. Pincele com creme de leite e asse em forno alto 450ºF/232ºC por 10 minutos. Abaixe o forno para 375ºF/200ºC e continue assando por mais 20 minutos. Sirva morno, com creme de leite batido se quiser.

salada primeiros ares de outono
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Ela chegou na cesta da primeira semana de outono e virou salada, primeiro cortada em cubos, temperada com azeite, sal, pimenta e ervas provençais e depois assada em forno alto. A abóbora virou uma bonita salada com cores outonais depois que foi mistutada à duas pequenas abobrinhas redondas picadas em cubinhos, algumas vagens verdes cozidas no vapor e cortadas em pedacinhos pequenos, queijo feta esmigalhado e bastante ciboulete picada. O tempero foi bem simples, sal marinho, azeite espanhol e vinagre de laranja.

delicias do mundo
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panforte

como gostei de reencontrá-los
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Mais um dia sem cozinhar. Nadei e na volta fiz um lanchinho simples como almoço. Depois fui me encontrar com uma amiga. À tarde, mais um evento social, desta vez com amigos que eu não via há sete anos. Foi um reencontro muito legal, pois revi as crianças que cresceram muito e batemos um papo longuíssimo que foi até depois da meia-noite. Eu tinha planejado fazer uma torta de maçãs e cupcakes de chocolate pros meninos, mas meus planos afundaram. Fomos à um restaurante italiano que eu gosto muito aqui em Davis e nos fartamos de macarrão e vinho. As crianças pediram os básicos espagueti com porpeta e talharine alfredo que pareciam deliciosos. Como eles mandaram bala e quase não sobrou nada no prato, concluí que deveria estar bom mesmo. Mais um sabado que eu passei sozinha e sem cozinhar, mas rodeada de amigos e comendo muitíssimo bem!

super maduras
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inspiração não falta
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Falta mesmo é ação, por a mão na massa. Mas eu chegarei lá! Aos poucos vou desbravar o território das centenas de receitas da Claudia, presente da minha irmã, mais as outras centenas de dicas da CIA para o chef profissional, presente do Gabe, além da inspiração maior que é a AW, presente meu para mim mesma. Só preciso mesmo é de tempo. Feriados, quando?

cozinhas - Zaida Siqueira

As fotos de cozinhas da fotógrafa Zaida Siqueira são literalmente uma viagem. O website tem uma navegação não muito amigável—clique em fotos e depois na primeira foto cortada da esquerda. Clique então nos quadradinhos para ver as fotos grandes. Clique na foto grande para voltar ao menu de quadradinhos. Veja todas as fotos, porque elas são maravilhosas. Eu fiquei hipnotizada pela beleza e familiaridade de muitas daquelas cenas.

o tempo não pára
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O telefone. Amanheci falando ao telefone na segunda-feira fatídica e ainda não parei. Cozinhar, como? Mas é muito importante falar. Quando comecei a pensar nos planos para o meu jantar—menu para um, o telefone tocou. Era a minha mãe. Com ela fico sabendo de todos os detalhes de tudo o que aconteceu ou está acontecendo. Eu batizei nossa conversa de fofocas funerárias, porque eu tenho esse senso de humor que insiste em tentar fazer tudo parecer menos pesado. Fiz as fofocas todas com a minha mãe, que me contou da emoção das netinhas, das últimas palavras da filha para a mãe, avisando que o filho querido estava chegando. Depois filosofei com o meu pai por mais uma hora. Falamos da vida, da morte, das fotografias. Eu não estava com fome, mas ele precisava ir dormir. Desliguei dizendo, amanhã te ligo para falarmos de política!. Preparei um macarrãozinho simples, com um molho de tomates frescos, manjericão, muito azeite e salpicado de queijo parmesão ralado fresquíssimo. Subi com a macarronada e uma taça de old vine zinfandel e fui ver um filme com William Powell e Mirna Loy na tevê. Assim que terminei de comer o telefone tocou novamente e embarquei em mais uma hora de papo, porque ele precisa conversar com todos, aqui e lá. Faz parte do processo do luto entender os porques, certificar-se de que ela era querida e especial, que foi-se tranquila e sem dor, guardar os pertences mais importantes, as fotos, os filmes, fazer um retrospecto, uma colagem de lembranças—somente as boas. Fazer tudo para garantir que o passado não será esquecido, que a memória não vai nos passar a perna, que tudo ficará preservado e assim, só assim, poder tocar a vida pra frente.

beleza que se põe na mesa
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the girl & the fig
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click & amplie

Não me lembro como eu cheguei no website do restaurante the girl & the fig, mas guardei para uma eventual visita. Quando comecei a pensar e pesquisar onde iria querer almoçar para comemorar adiantado o meu aniversário, resolvi sem nenhuma indecisão libriana que iria ser ali. Sonoma é cidade vizinha e irmã do Napa e fica a uma hora de Davis. E fazia muitos anos que nós não íamos à Sonoma. Foi uma viagem tranquila, com o Gabriel dirigindo com o pai ao lado, eu e a Marianne tagarelando no banco de trás. O restaurante fica no centro da cidade, a downtown histórica. Adorei o lugar, super charmoso, exatamente como eu imaginava—um restaurante de inspiração francesa, mas com alma californiana. O que implicou em ingredientes locais e fresquíssimos, tudo feito com muito capricho. Como domingo o menu é de brunch, optamos por sanduíches. Uriel escolheu uma sopa de tomate e depois abocanhou um hamburguer de primeira linha, feito com top sirloin moído, acompanhado das charmosas matchstick frites. Gabriel mandou ver na omelette du jour acompanhada de salada verde. Marianne quis inovar e pediu o salami & brie sandwich que veio com red onion confit , sherry mustard, baguette e celery root salad. Eu pedi a grilled fig & arugula salad, que veio com pecans, chevre, pancetta, fig & port vinaigrette. E depois mandei bala num roast pork loin tartine que veio com caperberries, lavender sea salt e toast. Pedi também uma porção das frites, que dividi com a Marianne. Bebemos água, limonada e eu pedi um cocktail de champagne com licor de figo. Nem pedimos sobremesa, mas depois que passeamos pelo centro de Sonoma, fizemos comprinhas e tiramos fotinhas, paramos na doceria de um hotel e compramos tortas de figo!

um cheiro
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a fritada florida
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Com tantas dicas legais que recebi sobre as blossoms, escolhi fazer a coisa mais óbvia e fácil. Mas é muito típico. Durante a semana nem sempre tenho tempo de sofisticar, mas sobraram umas seis flores e quem sabe hoje saia algo mais legal. Fiz uma fritada com ovos, queijo fontina, ciboulettes picadinhas e com os floretes por cima. Ficou bem interessante.

my fave Zin
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O vinho da variedade Zinfandel é de longe o meu favorito. Os zins da vinícola Rosenblum são todos ótimos, não tem erro. Só para vocês ficarem sabendo. Pisc!

o fim da festa
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brandade de bacalhau & batata
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Para um jantar com amigos, quis preparar uma receita de bacalhau diferente da que eu sempre faço. Onde mais se poderia achar receitas fantásticas, senão no fabuloso blog da Elvira? Foi lá que eu peguei essa versão portuguesa de uma receita francesa, que realmente arrasou Paris em chamas. Ficou deliciosa, apesar de eu ter esquecido—êta cabeção—de colocar sal. Salpicamos com flor de sal portuguesa e devoramos acompanhado de arroz branco e salada de folhas, mais vinho verde, é claro! Nas fotos, as batatas e o bacalhau cozinhando e a descabelada metida a cozinheira nos momentos finais da preparação.

A receita como está na Elvira:
brandade de bacalhau
400 g de bacalhau demolhado
2 folhas de louro
600 g de batatas
1 raminho de salsa
2 dentes de alho
sumo de 1/2 limão
10 cl de natas * creme de leite fresco
1/2 copo de azeite
sal & pimenta
manteiga q.b.

Colocar as postas de bacalhau num tacho com as folhas de louro. Cobrir com água fria (sem sal). Cozer em água a fervilhar por 10 minutos. Deixar o bacalhau arrefecer na água de cozedura. Descascar e lavar as batatas. Cozer em água a ferver por 20 minutos. Escorrer o bacalhau, reservando metade da água de cozedura. Remover cuidadosamente as peles e as espinhas. Desfiar o peixe e reservar. Escorrer as batatas e desfazê-las em puré com o auxílo de um garfo. Reservar. Pré-aquecer o forno a 200ºC/ 400ºF.

Picar finamente a salsa com os dentes de alho. Colocar o bacalhau desfiado numa frigideira anti-aderente. Juntar a salsa e o alho. Regar com o sumo de limão. Aquecer em lume brando, adicionando o azeite em fio e mexendo com uma colher de pau. Cozinhar por 4-5 minutos, sem parar de mexer. Adicionar o puré de batata e as natas. Misturar muito bem para ligar os ingredientes. Se for necessário, acrescentar um bocadinho da água de cozedura do bacalhau. Rectificar os temperos.

Transferir o preparado para uma assadeira ligeiramente untada com azeite. Alisar a superfície com o auxílio de um grafo e espalhar pedacinhos de manteiga. Levar a gratinar no forno por 10 minutos, ou até a brandade se apresentar levemente dourada. Servir de seguida, com salada mista.

as frô das bóbras
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Como resistir à essas frôzinhas simpáticas? Lembro que minha mãe fazia essas flores empanadas e fritas, mas eu mesma nunca fiz. A sugestão da fazendeira que me vendeu foi recheá-las com queijo de cabra e fritá-las. Ela também disse que o Epicurious tem algumas boas receitas. Elas ainda estão na geladeira. Urgência se faz. Mais idéias serão muito bem-vindas.

life is very short, and there's no time for fussing and fighting, my friends
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Do fundo do meu coração—muito obrigada à todos que deixaram recados aqui ou pelo dia de ontem! Não vou conseguir achar as palavras certas pra descrever a alegria e o conforto que cada palavra escrita me proporcionou. Sempre quis fazer um texto especial agradecendo à todas as pessoas que vem aqui, as que comentam, as que não comentam, mas que fazem meus textos e minhas fotos terem importância. Cada comentário recebido ontem chegava como uma gota de mel pra adoçar o dia amargo, nublado, triste. Felizmente fizemos uma comemoração no domingo, pois o dia primeiro de outubro não foi nem um pouco comemorativo. Minha sogra morreu no dia do meu aniversário. Passei o dia chateada e estressada, falando com pessoas da família e com o meu marido, que estava no sul da Califórnia. Ele está indo para Campinas hoje. A vida é curta meus amigos. Vamos aproveitá-la bem.

dia de soprar [muitas] velinhas
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