lombo de porco com quinoa vermelha
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Essa mistura de grão e carne ficou bem reconfortante. Fiz uma marinada pro lombo batendo no liquidificador bastante cebolinha verde, alho, sal e vinho branco. Deixei na geladeira de um dia pro outro. Fritei o lombo dos dois lados numa panela de ferro com um pouco de óleo e depois coloquei a panela tampada no forno médio. Assei por uns 40 minutos. Tirei do forno, deixei descansar por uns 20 minutos e cortei. Pra fazer a quinoa vermelha eu simplesmente refoguei um punhado de cebolinha verde picadinha [tenho um surplus delas] em uma colher de sopa de manteiga, crescentei a quinoa já lavada, refoguei um minuto—pra 1 xícara de quinoa vão 2 xícaras de água. Sal a gosto. Deixei ferver, abaixei o fogo e deixei cozinhar em fogo baixo com a panela semi-tampada até secar toda a água. Eu AMO essa quinoa!

salada de alface com queijo de cabra assado

Duas horas ou até um dia antes, corte um tubo do melhor e mais fresco queijo de cabra que voce puder encontrar em rodelas de uns 2 ou 3 cm, coloque num recipiente com tampa, tempere com sal, pimenta, ervinhas frescas ou secas a gosto e cubra com um bom azeite. Guarde na geladeira. Prepare uma farinha de pão, moendo o pão torrado ou bolachas salgadas. Eu uso uns crackers salgados noruegueses feitos de centeio. Empane as rodelas de queijo de cabra temperado com a farinha de pão, coloque numa forma e asse em forno pré-aquecido em 400ºF/205ºC até que o queijo fique molinho por dentro e dourado por fora—de 5 a 10 minutos, é rápido, por isso é recomendável ficar de olho.

Escolha as melhores folhas de alface fresquinha, lave, seque bem e pique em pequenos pedaços com as mãos. Coloque numa saladeira e separe. Prepare um vinagrete simples, com 1 colher de sopa de vinagre de vinho, sal a gosto e 3 colheres de sopa de azeite. Eu coloquei uma colherzinha de mostarda dijon. Pode substituir o vinagre de vinho por suco de limão. Bata vigorosamente com o batedor de arame até ficar um creme grossinho. Tempere as folhas de alface com esse vinagrete. Vá colocando aos poucos, só o suficiente para deixar as folhas de alface brilhante. Não encharque. Sirva com as rodelas de queijo de cabra assadas.

* essa salada é receita clássica da Alice Waters. sem foto, porque assim que o queijo saiu do forno , nos servimos e devoramos prontamente tudinhooo...

serviço de utilidade pública
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Em anos e anos usando espátulas na cozinha, nunca tinha usado uma tãoo boa quanto essas. São da Chef'n e são as melhores. Comprei uma, comprei outra, comprei mais uma, porque espátulas nunca são demais. Elas são de silicone por fora, com uma barra de metal por dentro—como dá pra ver mais ou menos na espátula branca. Dá pra usar os dois lados, o que é uma mão na roda. Aqui cada uma dessas custa em torno de dez patacas. Vale a pena o investimento. Eu recomendo!

* coincidência as cores serem branco, vermelho e azul, hein? pisc!

um dia, dois bolos

Por volta das três da tarde eu sempre saio para fazer uma caminhada pelo campus, esticar as pernas, respirar ar puro, espairecer e às vezes comer um bolinho na coffee house. Desta vez foi um de abóbora com especiarias, que estava muito bom. Quando regressei pra minha sala, fui pega no meio do caminho por um dos meus colegas. Eu logo saquei—era uma festinha pra mim, com bolo de chocolate e cartão com mil desejos de felicidades. É que na terça-feira eu e o Uriel recebemos nossa cidadania americana. Meus colegas decidiram que devíamos celebrar. E eu até comi a fatia do bolo, que não estava mal, apesar de ser daqueles comprados em supermercado.

antepasto de berinjela & pimentão
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Não tem segredo nenhum nessa receita, que com certeza todo mundo tem a sua especial ou faz de improviso, como eu fiz. O pessoal da fazenda avisou que as berinjelas dessa semana seriam as últimas mesmo—a-a-aleluia! Sinceramente, as berinjelas já deram pra mim este ano. Assim também como os pimentões, que eu já estava fazendo uma coleção como se fossem bijous: verdes, amarelos, vermelhos, os chamados de pimenta doce, sem falar nas pimentas. Hora de dizer chega, né? Pra isso eu precisei de uma receita que detonasse todos esses legumes de uma vez, quando também aproveitei pra gastar a dentadura dinossaurica de alho.

É só refogar o alho em azeite, depois jogar as berinjelas e pimentões picados, refogar, temperar com sal, pimenta, ervinhas frescas ou secas [usei a provençal], depois jogar umas azeitonas e uma pimenta vermelha picadinha e cozinhar, cozinhar, cozinhar, cozinhar, sempre em fogo baixo.

Panetone caseiro

Minha mãe encontrou a receita de panetone que eu fazia em meados do século passado, quando praticava minhas experiências culinárias na ensolarada cozinha da minha casa em Piracicaba. Quem me deu essa receita foi uma vizinha e lembro que fiz pela primeira vez com ela e depois segui meu rumo sozinha. Eu fazia uma fornada de panetone recheado com frutas e outra com pedacinhos de chocolate para experimentar. Naquela época os panetones de chocolate não eram comuns, então os meus faziam sucesso como novidade. Para quem quiser testar, segue a receita.

1ª MASSA:
5 tabletes de fermento para pão
1 copo de leite morno
1 xícara de água morna
1 xícara de açúcar
3 ovos
4 xicaras de farinha de trigo
Bata no liquidificador os 5 primeiros ingredientes—tudos, menos a farinha. Passe a mistura para uma tigela grande e junte as 4 xícaras de farinha de trigo, misture com as mãos. Deixe em lugar quente e coberto para crescer.

2ª MASSA:
1 xícara de manteiga
1 lata de leite condensado
raspas de limão
raspas de laranja
3 ovos
1 colher de café de noz moscada fresca ralada
1 colher de chá de sal
Farinha de trigo o suficiente mais ou menos 2 quilos, contando com as 4 xícaras já empregadas antes. Convém colocar menos de 2 quilos e se precisar vai colocando mais
250 grs. de frutas cristalizadas enfarinhadas
100 gramas de uvas passas enfarinhadas
Bata a manteiga em creme, junte aos poucos o leite condensado e continue a bater até obter consistencia cremosa. Junte este creme á massa já crescida e acrescente as raspas, os ovos batidos, a noz moscada, sal e farinha de trigo para obter uma massa fofa que não grude na mão. Sove bem e divida em 3 partes. Junte em cada parte um pouco de frutas cristalizadas enfarinhadas e torne a amassar. Coloque em formas próprias de papel ou em formas untadas. Deixe crescer até quase encher a forma. A seguir faça um corte em forma de cruz e coloque um pedacinho de manteiga. Pincele com gema de ovo e leve a assar por 1 hora.

Quantidade: 3 panetones médios.
Notas: Não esquecer de passar as frutas na farinha de trigo. Se for forma própria de papel, não precisa untar a forma. Colocar só metade da massa na forma, porque ela cresce até em cima.

rainbow chard
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Bimbo!
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Eu reclamando dos divinosmaravilhosos panetones italianos e suas injustas porcentagens de trans-fat e ele me aparece com esse panetone BIMBO made in Peru—com ZERO de trans-fat, mas com uma cor amarela nada natural e e salpicado de frutas cristalizadas falsas com cores fluorescentes. Fruta cristalizada falsa é simplesmente o fundo do poço das aberrações comestíveis!

salada de beterraba & laranja
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Uma salada simples cujo segredo é o molho. A beterraba eu assei embrulhada no papel alumínio sem descascar—fiz num outro dia quando assei outras coisas e aproveitei o forno, guardei na geladeira embrulhada no papel alumínio que assou. A laranja foi descascada e despelada da parte branca. Ajeitei tudo numa travessa e preparei o molho. Uma colher de sopa de suco de laranja, 1/2 colher de sopa de vinagre de champagne ou vinho branco, sal e três colheres e sopa de óleo de avelãs. Qualquer óleo de nozes ajuda a intensificar o sabor da beterraba. Bata bem o molho com um batedor de arame até ele ficar bem emulsificado e cremoso. Tempere a salada. Eu também salpiquei raspas de casca da laranja sobre as beterrabas.

o pai dos burros gourmet
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Larousse Gastronomique
segunda edição em inglês

the pizza revolution

Quando o chef austríaco Wolfgang Puck abriu o Spago, seu restaurante na Sunset Boulevard de Hollywood em 1982, ninguém esperava que o centro do menu fosse a pizza. Com um poderoso forno à lenha italiano instalado em frente ao bar, o restaurante foi um sucesso instântaneo. Puck inovou o cardápio de pizza da América, colocando sobre os discos de massa ingredientes como camarões frescos de Santa Barbara, prosciutto, scallops, queijo de cabra de Somoma, alcacrofras, berinjelas, flores de abobrinha, ou qualquer tipo de produto fresco que por ventura o chef achasse no mercado do dia. A pizza mais famosa do Spago era a recheada com salmão defumado, caviar, cebola roxa e creme fraische aromatizado com dill.

O restaurante Spago atraia foodies e celebridades. Frequentadores assíduos eram Billy Wilder, Warren Beatty, David Bowie e Jack Nicholson, que sentavam-se às mesas cobertas por toalhas impecavelmente brancas onde talheres de prata da Christofle e pratos imensos da Villeroy & Boch eram arranjados com classe e harmonia.

pistachio-pomegranate pilaf
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Receita da revista Martha Stewart Living de dezembro 2007 que eu simplifiquei. Na receita original vai arroz selvagem, que eu não tinha, então usei só o basmati. O passo-a-passo também era mais elaborado. A quantidade é para servir de 10 a 12 pessoas, então diminua de acordo.

Pilaf com pistacho e romã

5 colheres de sopa de azeite
1o shallots - enchalotas picadinhas - mais ou menos 2 1/4 de xícara
1 1/2 xícara de arroz selvagem
4 xícaras de caldo de galinha ou água
Sal grosso
1 xícara de arroz basmati lavado e escorrido
1 3/4 xícaras de água
3 colheres de sopa de vinagre de sherry-jerez
1 colher de sopa de óleo de gergelim
Pimenta do reino moída a gosto
1 xícara de pistachos descascados e picados grosseiramente
1 3/4 de xícaras de semente de romã - mais ou menos 2 romãs
1 xícara de coentro fresco picado
1 xícara de salsinha fresca picada

Faça o arroz selvagem, refogando as shallots em 1 colher de sopa de azeite, adicione o arroz, refogue, adicione o caldo de galinha ou a água, reduza o fogo e cozinhe até o arroz ficar macio e os grãos abrirem—não fiz essa parte porque não tinha arroz selvagem. Fiz o arroz basmati com as shallots e água. Se for fazer os dois arroz, separadamente prepare o basmati, refogado no azeite. Adicione a água e sal a gosto, deixe ferver, abaixe o fogo e desligue quando o arroz secar. Tampe. Prepare um molho com o vinagre de sherry, o azeite restante, o óleo de gergelim, sal e pimenta. Misture os dois arroz, o molho, as sementes de romã, o pistacho picado, o coentro e a salsinha. Misture bem e sirva.

meu encontro com a Alice
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O motivo da minha ida à Berkeley foi o book signing da Alice Waters. Claro que eu já tinha comprado o livro novo dela—The Art of Simple Food, e até usado nos preparos do Thanksgiving com a receita do lemon curd. Mas não dava pra perder essa oportunidade de ficar frente a frente com uma das minhas musas. Comprei outro livro lá, que também recebeu dedicatória e vai ser enviado para uma querida amiga. Nem preciso dizer que como fanzoca boba que sou, fiquei totalmente emocional na frente da Alice Waters. Ela é bem petit, e linda, e delicada. Eu precisava falar algo, porque a gente se sente meio pateta ali na frente da pessoa que você admira, então eu disse—thank you so much, Alice, you're such an inspiration to me!. Ela sorriu. Deve ouvir isso o tempo todo, mas tudo bem, não importa, eu tinha que falar alguma coisa!

Chez Panisse Café
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As confusões acontecem por algum motivo esotérico, não por falta de planejamento, pois algumas vezes tudo falha calhordamente por nenhum motivo aparente. Desta vez eu me preparei. Escrevi pra Maryanne, que lê este blog, mora em Berkeley e conhece os bons restaurantes da cidade. Ela sugeriu três lugares, eu escolhi um, liguei e fiz reserva. Tudo certo, não iriamos dar com os burros n'água em qualquer birosca desconhecida. Chegamos em Berkeley cedo, pois eu queria antes passar no The Cheese Board Collective, que fica em frente ao Chez Panisse e faz parte da história do restaurante. O lugar estava fechado, então seguimos para o Farmers Market em downtown, onde passamos um tempo e depois seguimos para o restaurante onde eu tinha feito reserva. Chegando lá, o grande choque—o lugar estava FECHADO*! Fiquei louca da vida, gruni, chutei lata, aquilo não era possíverrrrr....

Resolvemos voltar para a rua do Chez Panisse, onde ficava um outro lugar que a Maryanne tinha recomendado. Mas quando chegamos lá e eu olhei novamente para o charmoso restaurante da Alice Waters, me deu um ziriguidum:

fruck reservations! eu vou checar se rola a gente almoçar no café do Chez Panisse!

E fui. A hostess, extremamente delicada e gentil, me disse que seria trinta minutos de espera. Topei sem piscar. Enquanto o Uriel foi estacionar o carro, eu fiquei olhando os cozinheiros trabalharem na preparação do jantar do dia, no restaurante que fica na parte de baixo da casa. Dei uma espiada através da cortina e depois fiquei embasbacada, olhando o movimento na cozinha de um dos restaurantes mais famosos do mundo. Um dos cozinheiros escolhia talos de uma verdura, outros picavam coisas, a cozinha tinha um cheiro maravilhoso de coisas deliciosas. De repente entrou o chef Jean-Pierre Moullé, que comanda a cozinha do restaurante há anos. Ele inspecionou algumas coisas e foi sentar-se em uma das mesas com outras pessoas, certamente planejando a noite.

Subimos para o café, onde tivemos o nosso almoço. Infelizmente eu sou tímida demais pra sacar a minha camerazona dentro do lugar e tirar fotos indiscriminadamente. Simplesmente não rolou. E eu estava feliz da vida, curtindo a minha primeira visita ao Chez Panisse. Durante o almoço eu fiquei contando coisas sobre a história do restaurante pro Uriel. Percebi que nessa altura do campeonato, depois de ler tanto e tanto, eu sei absolutamente TUDO sobre tudo do lugar, só faltava mesmo estar lá fisicamente.

O café é maior que o restaurante, isto é acomoda mais gente. E tem um cardápio a la carte, que o restaurante não tem—lá o menu é fixo. Eu pedi o Zinfandel da casa, que tem toda uma história, que eu contei pro Uriel, e quis provar. Eu pedi uma ricota assada com folhas de alface da horta e um frango grelhado com brócolis ao vapor, molho de tomatillos e batata frita palha, que na realidade eram lascas finérrimas da batata, como papel de seda. O Uriel pediu uma sopa de couve-flor com iogurte e menta e depois um ravioli com espinafre e cogumelos, uma das massas mais delicadas que eu já vi. De sobremesa acertamos na mosca, o Uriel com uma bavaroise de baunilha com molho de fruta silvestre e eu com um sorvete de laranja cristalizada, que devoramos entre murmuros de puro prazer.

O Chez Panisse é a epítome de absolutamente tudo que eu sempre acreditei e pratiquei na minha cozinha. Come-se tão bem quanto em outros mil lugares, mas pra mim é a filosofia que envolve o restaurante que faz a diferença. Como eles põe em pratica a sustentabilidade, como insistem na qualidade dos produtos e como apoiam os produtores locais.

*quando chegamos em casa à noite, tinha uma mensagem do restaurante furão na secretária, se desculpando pelo inconveniente de termos dado com a cara na porta. aparentemente eles decidiram não abrir por causa de um problema de família.

lemon curd tart
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Lemon curd pra mim é uma coisa deliciosa, doce e ácido, perfeito para rechear tortas ou bolos, ou mesmo para comer com waffles. O duro era encontrar um lemon curd que não tivesse gosto artificial e consistência de coisa engrossada com maizena. Quando eu achava um de ótima qualidade, eu estocava. Mas agora, com essa receita da musa Alice Waters, nunca mais comprarei um vidro de lemon curd na vida. Fiz o lemon curd e forrei as forminhas de torta com fundo removivel com uma massa básica de torta, esticada bem fininha. Assei a massa, em forno pré-aquecido em 350ºF/176ºC até a massa ficar dourada. Recheei as forminhas e assei novamente por uns 15 minutos ou até o lemon curd ficar firme. Simples, fácil e simplesmente o fino da bossa!

Lemon Curd
do livro The Art of Simple Food

Lave e seque 4 limões —eu usei dois limões amarelos e três meyers pequenos. Raspe os limões e depois esprema o suco. Meça 1/2 xícara de suco. Misture bem numa panela 2 ovos, 3 gemas, 2 colheres de sopa de leite [integral], 1/3 de xícara de açúcar [pode pôr um pouco mais se gostar mais doce, mas pra mim essa quantidade de açúcar ficou perfeita, pois eu gosto bem azedinho], 1/4 colher de chá de sal—omita se usar manteiga salgada, 6 colheres de sopa de manteiga cortada em pedacinhos. Adicione as raspas e o suco dos limões e cozinhe em fogo médio mexendo constantemente com uma colher de pau, espátula ou batedor de arame. Quando engrossar coloque numa vasilha e deixe esfriar.Pode colocar em vidros de geléia e guardar na geladeira.

folhas
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cranberry sauce - versão crua
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Esse foi o cranberry sauce mais diferente que já provei em anos—ele não é cozido e tem na mistura abacaxi. Foi aprovado!

Bata no liquidificador um punhado de cranberries frescas, uma maçã descascada, fatias de abacaxi fresco. Tempere com raspas da casca de laranja e limão, suco de limão e laranja e açúcar à gosto. Sirva com o peru.

lemon and almond tart
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Fazer essa torta de limão com amêndoa, que acabou na nossa mesa de Thanksgiving, foi uma saga. Queria muito usar esse livro chamado The Citrus Cookbook que comprei no ano passado. Um livro bonito, desses cheios de fotos glamourosas e explicações passo-a-passo. Canseira de entrar nos micro-detalhes vergonhosos, mas o caso é que eu fiz a torta e achei que iria ter que jogar tudo no lixo, pois nada parecia estar certo, até o final apoteótico quando queimei a palma da mão e toda a borda da massa, que ficou preta-pretinha. Escolhi outra receita pra fazer, desta vez uma à prova de idiotices, da mestra Martha Stewart e fui até o supermercado comprar mais ovos. Quando voltei resolvi experimentar a torta fracasso e para a minha surpresa, tirando a parte esturricada, ela estava ótima. Então fiz a receita novamente, dessa vez tomando cuidado pra não errar onde errei na primeira vez.

torta de limão e amêndoa
Massa:
2 xícaras de farinha de trigo
3/4 xícaras de açúcar de confeiteiro
9 colheres de sopa de manteiga cortada em cubinhos
1 ovo batido
1 pitada de sal

Numa vasilha peneire a farinha e o açúcar juntos. Misture a manteiga em pedacinhos e misture com os dedos até formar uma farofa fina. Misture a gema de ovo e o sal e sove até formar uma massa uniforme. Modele como uma panqueca grossa, enrole numa folha plástica e coloque na geladeira por 15 minutos.

Abra a massa o mais fino que puder e forre uma forma de fundo removível. Coloque a forma no congelador por 15 minutos. Asse em forno pré-aquecido em 350ºF/176ºC por 10 minutos. Remova, coloque o recheio e asse por mais 25 minutos, até o recheio ficar firme. Retire do forno e ligue o broiler no máximo. Salpique a torta com açúcar de confeiteiro e coloque no broiler até o açúcar caramelizar—cuidado aqui, eu cobri as bordas de massa com papel alumínio e vigiei constante. Se você tiver o maçarico, o problema estará resolvido.

Recheio:
2 ovos
1/4 xícara de açucar super fino
Suco e raspas de 4 limões amarelos
1/2 colher de chá de extrato de baunilha
1/2 xícara de amêndoas moídas
1/2 xícara de creme de leite fresco

Na batedeira, misture os ovos e o açúcar e bata até ficar bem grosso e cremoso. Acrescente delicadamente as raspas e o suco dos limões, a baunilha, a amêndoa moída e o creme de leite. Misture bem e recheie a massa previamente assada.

a comilança
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Um menu tradicional—crudités com patês, salame e bolachinhas, salada, purê de batata, refogado de batata doce, vagens e tomates assados com cobertura de pão torrado, brócolis cozidos no vapor, cranberry sauce, stuffing, gravy e o peru. sobremesa pecan pie e lemon almond tart.

I'm thankful for ...
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Meus ursos arcanjos — que me amam incondicionalmente e aturam meu mau humor;

Minha família — que me acha uma estrela;

Meus amigos — que não me deixam derrubar a peteca;

Meus gatos — que me fazem rir sempre;

Computador — meu contato com o mundo;

Telefone — que me traz o som de tantas vozes familiares e amigas;

Água quente — que me ajuda a meditar;

Minha casa — com muita luz e espaço para meus livros, filmes, discos e nada mais......

está aberta a temporada
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dos deliciosos panetones!

A maioria dos panetones à venda aqui na minha região são importados da Itália. Iurru, diriam alguns, mas não é bem assim. Eu suo a camisa pra achar uma marca de panetone italiano que não tenha trans-fat. A maioria tem. E eu casco fora. Todo ano eu deliro com as caixas lindas, mas quando leio o rótulo é broxada na certa. Mas há os sem trans-fat, só tem que ser persistente e procurar. Eu acho que os mais confiáveis são os fabricados na Itália especialmente para o mercado norte-americano. A verdade é que quando você prova uma fatia do panetone italiano, é adeus para sempre pros Bauduccos e similares. Anos atrás apareceu o famoso panetone brasileiro pra vender nas lojas da Target. Eu comprei, porque era tradição e tal. Não tem comparação com os italianos, viu. Mas tem que ser os sem trans-fat—pisc!

um pé de caqui
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na vinícola Quixote

1080 recipes
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A editora Phaidon já tinha traduzido a biblia da cozinha italiana—The Silver Spoon que me deixou um pouco decepcionada, já que as duas primeiras receitas que fiz do livro falharam. Mas tudo bem, não estou aqui só por causa das receitas. Gosto das histórias, fotos e ilustrações, que são sempre uma inspiração. Por isso comprei a tradução que a Phaidon fez da biblia espanhola—1080 Recipes, toda decorada por esses desenhos maravilhosos do designer Javier Mariscal, de Barcelona. Se essa biblia também me desapontar não vou ficar chateada. Só o prazer de folhear as receitas decoradas por essas ilustrações fofíssimas já valeu o investimento.

Thanksgiving is just around the corner

E eu num suplício porque ainda não decidi que sobremesa vou fazer para o nosso almoço de família. Pelo menos já decidi que será algo com limão, por causa do meu surplus de frutas citricas. É de conhecimento geral que meu nome do meio é desastre quando se trata de fazer sobremesa. Mas eu estou me esforçando pra mudar isso.

Todo ano comemoramos o Thanksgiving na casa da sogra do Gabriel, que geralmente também convida amigos e é sempre uma reunião muito agradável, com comida simples e boa. A Marianne é a encarregada do peru. Eu sempre levo vinho e sobremesa. Antes eu costumava passar o feriado inteiro lá, fazendo compras no Marin county, mas agora eu prefiro voltar pra casa. O Thanksgiving é um dos meus feriados favoritos, deixando o Natal bem lá pra trás. Pra mim o Thanksgiving faz muito mais sentido, pois é uma festa de agradecer o que temos, comer, beber, passar o dia com a família. Nada de dar presentes, que é o que—na minha opinião, faz o Natal uma festa cansativa e irritante.

Quixote
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Mais uma vez a Elise organizou um evento fantástico para os food bloggers de Sacramento, turma batuta na qual eu me incluo. Passamos o domingo na vinícola Quixote, recebidos com todos os salamaleques pelos simpáticos proprietários Pam Hunter e Carl Doumani. A vinícola fica um pouco afastada do circuitão do Napa Valley e só recebe visitantes que ligam e fazem reserva ou que são convidados, como nós fomos.

O que primeiro impressiona na Quixote é a sua arquitetura. Carl Doumani explicou em minúcias como ele e Pam contactaram o artista austriaco Frederick Hundertwasser para fazer o design da vinícola. Carl nos contou que foram anos de negociações, pois Hundertwasser tinha horror à cidade San Francisco e não queria vir para os EUA. No final, o carismático Carl Doumani venceu e trouxe o artista para o Napa Valley, onde ele colocou suas idéias mais uma vez em prática. Tudo na Quixote parece ser encantado. O casal Carl e Pam é amante das artes e pra onde quer que se olhe, vê-se pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, objetos de arte de todos os estilos. A Quixote é um lugar realmente especial, escolhido para ser a casa de Pam e Carl, e que ainda produz um vinho orgânico delicioso e de altíssima qualidade.

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Fomos recebidos com um tour pela vinícola, com explicações detalhadas sobre a cultura das vinhas orgânicas e depois fizemos uma experimentação de vinho e queijos, organizada pela chef Janet Fletcher, que foi treinada no Culinary Institute of America e no Chez Panisse. Ela escreve uma coluna sobre queijos no jornal San Francisco Chronicle e publicou vários livros. Um deles nós recebemos de presente. Nosso grupo era formado dos blogueiros e de três colunistas de revistas em Sacramento. Fizemos o tasting na casa de Pam e Carl, que é simplesmente uma formosura. Pam é apaixonada pela cultura japonesa, então a casa toda tem inúmeros elementos asiáticos na arquitetura e no decoração. Nosso tasting incluiu a variedade Cabernet Savignon e Petit Syrah combinados com queijos Zamorano, Pecorino di Grotta e Erhaki. O Pecorino foi o meu favorito. Também gostei muito do Petit Syrah, que era um vinho que eu nunca tinha experimentado

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Depois do wine tasting tivemos um almoço, preparado pelo chef Raul Steven Salinas III, que estava simples, porém magnífico. Uma salada de folhas verdes com caqui Otow e nozes foi servida. Todos os ingredientes usados pelo chef eram locais e orgânicos. Depois nos servimos de Short Ribs assadas—que o chef nos contou ter assado por muitas horas no molho de vinho Petit Syrah e caldo de galinha. A carne estava desmanchando, delicada e e saborozissima. Acompanhou um refogado de cevada com legumes de outono assados—abóbora e nabo. A sobremesa foi um Apple Cobbler morninho, com chantily de baunilha.

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Depois do almoço nos despedimos de Pam e Carl na Quixote e rumamos para uma visita à outra vinícola espetacular, a Quintessa que eu já tinha visitado no verão. No outono a paisagem é estupendamente linda! Na Quintessa fizemos mais um tasting da produção deles de 1993 e 2004—a Quintessa só produz um tipo de vinho, que é um blend. Mais queijos deliciosos, pasta de marmelo e bolachas integrais. Foi um dia cheio de delicias, excelente vinho, comida maravilhosa, companhia de pessoas incríveis com o melhor papo do mundo—comida! Pra mim, que nem me considero uma boa cozinheira, é um grande privilégio poder fazer parte desse grupo.

domingo
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Gourmet - 1971
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Depois de um ano, voltei na biblioteca para pegar mais uns volumes da revista Gourmet. Desta vez quis folhear os anos de 1971 e 1972. Foi uma diferença brutal com as singelas edições de 1941, cheias de ilustrações e textos. Inaugurando a década de 70, a Gourmet estava totalmente funkadelic—muitas fotos, a maioria muito feia, escuras e não muito apetitosas, algumas propagandas de carro, outras poucas diversificadas e uma imensidão de anuncios de bebida alcoólica. Não apenas bebida alcoólica, mas destilados. Fiquei realmente impressionada. Noventa por cento das propagandas das edições de 1971 e 1972 era de bebida destilada. E algumas com teor incrívelmente machista. Eram outros tempos. Fiquei tão impressionada que mostrei as revistas para a jornalista que trabalha comigo no IPM. Nós duas comentamos o quanto essa situação das drogas legais mudou aqui nos EUA. Além de outras coisas, como a etnicidade das propagandas. Hoje não se vê esse tipo de pose machista com um casal branco, tudo tem que ser multicultural e indiscriminado, o que eu acho maravilhoso. Fui folheando a revista pra jornalista ver e era UM anúncio de bebida POR página. Eu folheava e ela exclamava—holy shit! Realmente, a revista mudou, o país mudou, o mundo mudou.

*alguns shots mequetrefes das páginas da Gourmet 71 estão AQUI.

bolinho de atum
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Um bolinho que se originou de um inicio de noite com muita fome, muita fome. Tive a idéia de fazer um tipo de cupcake salgado, mas não tive tempo nem paciência de ir atrás de uma receita infalível. Tive que confiar nos meus instintos culinários e arriscar, sabendo da minha susceptibilidade para o desastre. Cheguei em casa já decidida que o bolinho seria de atum. Daí lembrei que tinha uma sobra da quinoa com limão do outro dia. Tava tudo na mão:

1 lata do melhor atum que seu $$ puder comprar, dos conservados no azeite
1 1/2 xícara de quinoa cozida [arrisco dizer que couscous também daria certo]
1/2 xícara de leite integral
1 xícara de farinha de trigo
2 ovos
1 colher chá de fermento em pó
sal a gosto
Azeite
Uma pontinha de uma pimenta vermelha super picante picadinha
Bastante chives-ciboulettes picadinha
Bastante coentro fresco picado

Numa vasilha tempere o atum escorrido e esmigalhado com as ervas frescas, a pimenta picada [cuidado, hein!], sal e azeite. Numa outra vasilha bata os ovos, acrescente a quinoa cozida, misture bem, acrescente o leite, a farinha de trigo e o fermento em pó. Mexa bem e junte o atum temperado. Misture até ficar bem incorporado e coloque a colheradas numa forma de muffins untada. Asse em forno pré-aquecido em 385ºF/196ºC por uns 20 minutos ou até que os bolinhos fiquem firmes e assados por dentro. Deu 9 bolinhos, que eu servi com uma salada simples de alface.

sopa de feijão branco com berinjela
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Num comentário sobre uma das minhas sopas, a Valéria mencionou uma receita do Jamie Oliver de sopa de berinjela com feijão branco. Fiquei realmente entusiasmada com essa mistura, sem falar que ainda tinha umas berinjês pra gastar, frutos dos últimos suspiros do verão. Ela me passou a receita e eu fiz. Foi um sucesso com o fanzoco das berinjelas, que repetiu dois pratos. Eu também gostei muito da mistura dos dois legumes. Dei umas modificadas na maneira de fazer, mas mantive os ingredientes. Assei as berinjelinhas [usei 4 bem pequenas] no dia anterior. Usei feijão em lata, porque tem dias que simplesmente não dá tempo de cozinhar feijão. Usei os butter beans, uns feijões grandões. E inverti a maneira de fazer—primeiro passei os feijões e a polpa assada das berinjelas no food mill, depois acrescentei caldo de legumes caseiro. Refoguei bastante cebolinhas, a parte branca e a verde e joguei o caldo lá. Não usei alho nem cebola, mas usei a páprica doce e a cayenne seca. Servi com uma bolota de creme fraiche.

A receita, como a Valéria me enviou:

sopa de feijão branco com berinjela

2 berinjelas
2 xícaras de feijão branco (eu meço as duas xícaras quando tiro o feijão do pacote, ainda seco, antes de cozinhar)
1 litro de caldo de legumes ou galinha
1 tantinho de chillie seco picado, sem as sementes (tem que ser um tantinho mesmo porque, na primeira vez em que fiz, usei uma pimenta inteira, como mandava a receita, e quase morri afogada na primeira colherada de sopa)
azeite
cebola
alho
cebolinha
outros temperos que você gostar - eu ponho uma pitada de páprica doce e uma de páprica picante em tudo que eu faço, seguindo os conselhos de uma velha amiga da minha mãe, que dizia que é a melhor maneira de prender o marido pelo estômago (ela ficou casada mais de 50 anos... rsrsrs...)

Asse as berinjelas em forno alto por uns 40 minutos, até ficarem bem chamuscadas. Quando esfriarem um pouquinho, raspe toda a carninha de dentro delas e reserve. Eu tiro um pouco das sementes, porque tenho uma certa aflição, mas não precisa. Cozinhe os feijões na panela de pressão por uns 20 minutos. Eu uso a água do cozimento para fazer o caldo de legumes. Refogue os feijões e a massa de berinjela no azeite com os temperos. Acrescente o caldo, bata tudo no liquidificador e pronto! A receita original manda colocar um pouquinho de ricota esfarelada por cima na hora de servir, mas acho que qualquer queijo ou uma colherada de creme azedo servem.

soy rice crackers
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um snack saudável

the food mill
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O food mill já estava na minha wish list desde que vi o do Daniel, que ele herdou da sua avó Marieta. Mas foi a leitura de uma receita maravilhosa de sopa de cenoura que fez com que finalmente eu comprasse a engenhoca. Já usei pela primeira vez, fazendo uma outra sopa, e posso garantir que vou usar muito mais. O meu querido liquidificador Kitchenaid vermelhinho está contemplando seriamente uma aposentadoria antecipada.

mil e um pedacinhos
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chicken paillard
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Essa é uma receita rápida, que na verdade eu fiz sem receita nenhuma. Usei apenas um belo peito de frango orgânico free range, que eu coloquei no meio de um pedaço gigante de plástico, fechei, coloquei em cima de uma tábua de carne e marretei com um rolo de macarrão—na falta de um martelo de madeira, até ele quadruplicar de tamanho e ficar bem fininho. Vou ter que dizer algo antes, porque eu fiquei deveras perturbada enquanto dava pauladas naquele peito de frango, sei lá, mil coisas, sou assim tontona mesmo, mas não liguem pra o que eu digo, porque vale a pena toda essa violência. Quando o peito ficou fino e grande, eu cortei em vário pedaços, temperei com sal marinho e fritei numa frigideira num pouquinho de azeite. Cada um faz como quiser, usando grelha, churrasqueira. Eu optei pela frigideira, mas se desse teria usado a churrasqueira. Fritei dos dois lados e quando os filés ficaram dourados, desliguei o fogo, salpiquei chives—ciboulettes picadinhas e reguei com o suco de um limãozinho meyer. Servi com uma salada de folhas verdes. Ficou excelente.

thank you, miss carousel

Estava lendo um thread no forum do chowhound sobre um outro assunto quando alguém comentou um procedimento adotado pela rede de supermercados Safeway um tempo atrás. Esse supermercado já irritava com algumas chatices. Primeiro na explícita cara de saco cheio dos empacotadores quando você pedia sacolas de papel. A pergunta vinha em forma de uma quase imposição—is plastic okay? Não, não é okay, eu quero papel. E lá vinha o carão. Hoje melhorou e eles aceitam bem as sacolas reusáveis que os clientes por ventura tragam de casa e até tentam vender as deles.

O segundo caso é a dos funcionários chatonildos que interrompem a sua concentração pelos corredores pra perguntar—are you finding everything okay? Grrr! Se eu não estivesse, iria tomar a iniciativa de perguntar, né? Não sei de onde esse pessoal de marketing tira essas idéias geniais de integração com o cliente.

Mas o que se comentava no chowhound era outra coisa irritante, que felizmente eles pararam de fazer. Na hora de entregar a nota fiscal, o caixa olhava o seu nome, que vem impresso nela porque todo mundo usa o cartão de descontos onde registra nome e telefone, e lascava o forçado—thank you Mr.fulano, have a nice day! Esse negócio de falar o nome das pessoas numa cidade super multicultural deu xabú, pois muitos nomes são difíceis de pronunciar e ninguém tem a obrigação de saber como dizer perfeitamente Mr. Bruschtscosvisk, ou Ms. Uphadayaya, ou Mrs. Arroyo-López-Ramirez. No meu caso virava e mexia dava uma confusão porque Rosa parece ser primeiro nome, Guimarães forgetabouit ninguém consegue pronunciar, então às vezes eles me chamavam de miss Fernanda.

Mas parece que os clientes reclamaram tanto dessa estratégia pseudo simpática intimista, que o gerenciamento da rede resolveu voltar atrás e desobrigar os caixas desse lero-lero. Eu vou pouquíssimo ao Safeway, mas bem que da última vez que estive lá reparei na ausência daquele titubeamento final—ahn, thank you miss, miss, miss... Fernanda?

Tower Cafe
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Quando Davis ainda não tinha o Varsity, o seu cinema independente, nós íamos muito à um dos cinemas independentes de Sacramente. Éramos fãs do Tower Theater, que frequentávamos muito, quase sempre parando no café ao lado do teatro, o Tower Cafe. Fazia muito tempo que não íamos lá e pra mim foi um pouquinho decepcionante. Eu tinha essa idéia do Tower Cafe ser um lugar super cool—e ainda é, sem dúvida. Mas o caso é que eu mudei, tenho outros interesses, tenho outras ambições e o Tower Cafe parece ter parado no tempo. O menu deles é bem legal, pois eles têm essa proposta étnica de global village, com rangos inspirados em outras culturas. O resturante é todo decorado com knick knacks de todos os cantos exóticos do mundo. Parece a coleção de um mochileiro que andou pelo Tibete, pela Africa, pela India. E o staff é todo moderninho, garotas e garotos alternativos. A comida nunca foi ruim, mas infelizmente não me impressiona mais. Talvez tenha impressionado no passado. Fiquei um pouco chocada em encontrar no menu o mesmo Brazilian Chicken Salad que eu comi uma vez há uns seis anos pra ver o que ela tinha de Brazilian, que na minha conclusão foi absolutmente NADA. Nós chegamos durante a transição do menu do brunch para o menu do jantar, então não tivemos um leque muito grande de opções. Eu pedi um frango desfiado e temperado com um pesto de coentro e jalapeños ajeitado numa focaccia, com rúcula, cebola roxa e uma maionese de pimentão vermelho. Veio acompanhado de batatas fritas. O Uriel pediu um hamburguer vegetariano, que quando chegou pensamos que a garçonete tinha se enganado com o pedido dele, pois parecia um hamburgão de carne. Não era! As batatas fritas estavam pateticamente tristes. Depois da minha experiencia das batatas do Putah Creek Cafe, vai ser dificil engolir qualquer outra. O Tower Cafe sempre teve e ainda tem uma variedade enorme de sobremesas super criativas, além dos acompanhamentos para chá e café—muffins, cookies, bolos, scones, biscuits, etc. Mas eu pedi uns profiteroles recheados com creme de café e com cobertura de chocolate com jalapeño, que eu achei que tinham sido preparados na semana anterior. Estava bom, mas não estava fresco, se isso pode ser possível. Estava apenas comível. O Uriel pediu um creme brulée de amaretto, que não estava ruim, mas também não arrasou Paris em chamas. Acho que o meu problema com essa visita ao Tower Cafe foi tentar sentir o mesmo frisson que sentíamos lá na década de 90. São outros tempos e eu estou em outro caminho.

TAZO - herbal
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Estou completamente *in love* com esse chá—o sabor mais pronunciado de fruta que eu já provei. Azedinho, pra beber sem açúcar. Simplesmente delicioso. Viciei!

figo seco com sementes de damasco
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nhcroc—nhcroc
o livro da vez
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Depois de ler o capítulo dedicado à Alice Waters no The United States of Arugula, fiquei tão impressionada com as idéias dessa mulher que no meu velho estilo de obcecada, fui atrás de mais informação. Esse é o meu modus operandi—se eu gosto de um ator ou diretor vejo TODOs os seus filmes, se gosto de um autor leio TODOS os seus livros, se me interesso por um assunto preciso exaurir, achar todas as informações, histórias, fotos, documentação. E pra se aprofundar na história da Alice Waters e seu fabuloso empreendimento gastrônomico, que incluí o restaurante Chez Panisse e o projeto educacional dos Edible Schoolyards, nenhuma fonte seria mais completa do que esse livro do Thomas McNamee—Alice Waters and Chez Panisse: The Romantic, Impractical, Often Eccentric, Ultimately Brilliant Making of a Food Revolution. Estou devorando esse livro há semanas. Marcando as páginas com receitas simplérrimas e deliciosas, marcando histórias que achei bacanas e que quero contar aqui, divagando e comentando com o Uriel sobre um monte de coisas com que me identifiquei e me apaixonei. Estou esperando acabar de ler o livro pra finalmente fazer uma reserva no restaurante. Dá até um medinho de me decepcionar, porque o livro do McNamee me fez sentir amigona próxima da Alice. Me fez até delirar na possibilidade de largar meu emprego na Universidade da Califórnia e ir me oferecer pra começar do zero lá no CP, lavando pratos! Por causa desse livro vão pintar ainda muitas histórias sobre a Alice e o seu restaurante por aqui. Muita paciência, pois eu tenho esse jeito bitolado e quando eu encasqueto com algo, fico batendo na mesma tecla até a obsessão passar. I just can't help it!

sopa de lentilhas com pancetta
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Cozinhe a lentilha com bastante água até que elas fiquem bem molinhas. Desta vez eu usei lentilhas espanholas Pardina. Numa panela separada frite a pancetta cortada em micro-cubinhos até elas ficaram tostadinhas. No meio tempo acrescente um dentão de alho picadinho. Jogue a pancetta frita com o alho na lentilha cozida, acresente sal a gosto e deixe cozinhar mais uns minutos. Antes de servir jogue um punhado de salsinha fresca picadinha.

mais vinho verde
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Aveleda
é uma boa vinícola?

cranberry, caramel and almond tart
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Só de ler as explicações micro-detalhadas da Deb do lindo blog Smitten Kitchen sobre a torta de cranberry, caramelo e amendoa, já percebi que se eu me metesse a fazer essa torta iria ser a maior fria. Eu, que tenho problemas com massas. Eu, que sempre faço uma coisa errada. Se a experiente cozinheira teve problemas, imagina eu! Mas teimosia às vezes é qualidade de caráter, então coloquei os pés de pato, ajustei os goggles, coloquei um prendedor de roupa fechando o nariz e me joguei....

Não vou dizer que foi fácil, nem que ficou perfeito. Fiz uma torta grande e três pequenas, porque sobrou massa—e sim, a massa ENCOLHE depois de assada. Fiz duas receitas do recheio. Na primeira deixei queimar o caramelo. E foi justo a torta com o caramelo queimado que levei para um jantar na casa de amigos. Foi um vexame! Meu marido simplesmente declarou—está horrível, nãoo dá pra comer. Os anfitriões do jantar, amigos gentilíssimos, comeram uma fatia, tentando elogiar. Mas realmente não ficou bom. O recheio de caramelo ficou amargo e um pouco mole demais. No dia seguinte a situação estava muito mais encarável. Então, se alguém quiser arriscar fazer essa torta, tome muito cuidado na hora de fazer o caramelo e faça um dia antes.

Eu estava realmente chateada por ter protagonizado mais um fiasco, dessa vez com testemulhas. Mas tinha esquecido das tortinhas, que fiz com a mesma massa e com uma segunda receita de recheio. Nesse recheio o caramelo ficou perfeito e—suprise, surprise, as tortinhas ficaram uma delicia, com o caramelo bem consistente. Talvez o segredo seja mesmo servir no dia seguinte. Mas aviso, essa tortinha é robusta, isto é, um pouco enjoativa, mesmo com a presença das refrescantes cranberries.

Pra fazer a receita como está no blog da Deb, eu precisaria ter começado de manhã cedo. Tem tanto tempo de espera, tempo de geladeira, mas realmente time is not on my side, então otimizei as 3 horas de geladeira.

Massa:
13 colheres de sopa (1 tablete de 4oz mais 5 colheres de sopa) de manteiga sem sal cortada em cubinhos - deixe fora da geladeira uns 15 minutos ou ponha no microondas por 10 segundos
1/3 xícara de açúcar de confeiteiro
1 gema de ovo
1½ xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de creme de leite fresco

Na batedeira com o gancho de massa - paddle, coloque a manteiga e o açúcar e bata até o acúcar desaparecer e se incorporar à manteiga. Acrescente a gema, depois a farinha de trigo dividida ao meio. Por último o creme de leite. Forme uma panqueca com a massa, cubra com plástico e leve a geladeira—a receita pede 2 horas, mas eu deixei somente 30 minutos.

Abra a massa com o rolo e forre a forma grande ou as forminhas. Coloque a forma no freezer por 1 hora, mas eu diminui esse tempo também pra 30 minutos. Asse a massa em forno pré-aquecido em 350ºF/176ºC por 25 minutos. Remova do forno e deixe esfriar.

Recheio:
1¼ xícara de creme de leite fresco
½ xícara (1 tablete de 4 oz) de manteiga sem sal cortada em pedaços
1 xícara de açúcar
1¾ xícara de cranberries congeladas
2 xícaras de amêndoas em lascas

Cooloque o creme de leite e a manteiga numa panela e aqueça, até que a manteiga derreta totalmente. Numa outra panela, larga e funda, coloque o açúcar e derreta em fogo médio, até formar o caramelo—cuidado aqui pra não deixar passar do ponto e ficar muito escuro, pois fica com um gosto amargo de queimado! Quando o caramelo estiver pronto, coloque COM MUITO CUIDADO a mistura de creme de leite e manteiga. Use luvas, pois vai espirrar. Eu fiz esse procedimento dentro da pia. Continue mexendo e volte a mistura ao fogo, mexendo sempre até dar uma engrossada. Deixe esfriar, acrescente as amendoas e as cranberries, misture bem e recheie a torta. Asse por mais 20 minutos em forno a 350ºF/176ºC. Remova, deixe esfriar.

iris
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christmas lima beans
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salada verde picante com queijo manchego e pêras
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Receita da Gourmet de novembro 2007 que foi um total sucesso de público e crítica no nosso almoço de sábado. Ela faz parte do menu vegetariano de Thanksgiving publicado nessa edição da revista. Serve oito pessoas.

1/3 xícara de sementes cruas e verdes de abóbora - pepitas
1/3 xícara, mais 2 colheres de sopa de azeite
3 colheres de sopa de vinagre de sherry - jerez
1 colher de chá de mel
1 colher de chá de mostarda granulada
4 xícaras de verdes picantes como agrião e rúcula
4 xícaras de frisée - French curly endives
* eu usei rúcula, alface e mâche
250 gr de queijo manchego cortado em fatias bem finas
8 pêras pequenas - Bartlett verde ou vermelha

Frite as sementes cruas da abóbora numa colher de sopa de azeite numa frigideira pesada sobre fogo médio, até elas começarem a ficar amarronzadas. Retire, coloque em folhas de papel para enxugar o óleo—se quiser pode somente tostar as sementes, sem o azeite, que deve ficar também muito bom.

Prepare o molho, misturando a mostarda, mel, sal a gosto, o vinagre e o azeite. Bata bem com um batedor dev arame até ficar bem emulsificado.

Prepare os pratos, colocando a mistura de verdes, coloque as fatias de queijo manchego e fatias de pêra. Tempere com o molho e salpique com as sementes de abóboras tostadas.

tangerinas
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elas chegaram!

quinoa aromatizada com limão
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Tirei essa receita deliciosa da revista Gourmet de Novembro de 2007. É um prato bem simples, bom pra acompanhar coisas mais robustas. Duas dicas sobre a quinoa: antes de cozinhar, os grãos precisam ser muito bem enxaguados, com bastante água fria, pra tirar qualquer resquícito da cobertura de saponin que dá à quinoa um sabor amargo. A quinoa também deve ser guardada na geladeira, pois ela se deteriora facilmente mesmo não estando cozida—bem diferente de outros grãos que podem ser guardados por anos no armário, se os carunchos não aparecerem para aquela visitinha desagradável.

Para essa receita você vai precisar de 1 xícara de quinoa, que vai ser cozida por 15 minutos em 2 litros de água fervendo com uma colher de sopa de sal. Jogue a quinoa lavada quando a água começar a ferver. Depois coe a quinoa e prepare uma panela com um dedo de água no fundo, em fogo baixo, coloque uma peneira com a quinoa, cubra com um pano de prato e depois com a tampa. Deixe cozinhar por mais 10 minutos. Você pode também usar um steamer de metal ou de bambu. Remova a quinoa da peneira, coloque numa vasilha e mexa com um garfo até ela ficar bem afofada. Tempere então com 1 colher de chá de raspas de limão [usei mais que isso] e 2 colheres de chá de suco de limão [usei mais que isso] e 1 1/2 colher de sopa de azeite. Eu coloquei um pouco de sal também. Usei o limão meyer.

outra variação do salmão
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Com o salmão selvagem que comprei fresquinho no Farmers Market pela manhã, fiz os filés assados no papel. Essa é uma maneira prática e saudável de fazer peixe. Eu gosto de fazer uma caminha de legumes, pro peixe não colar no papel. Desta vez usei cenoura cortada em rodelas finas e um pouquinho de cebola roxa, também em fatias bem finas. Por cima os filés de salmão, salpiquei com sal e pimenta do reino moída na hora, depois coloquei rodelas de limão meyer bem finas e algumas folhas de coentro. Reguei com um fio de azeite espanhol, fechei os papilottes e assei por 20 minutos em forno pré-aquecido em 400ºF/205ºC.

bom dia!
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Roux e as dálias

o estado do que é recorrente

São situações difíceis de se explicar. No inverno, por exemplo, eu sinto frio. Muito frio. Eu tremo, eu suo no sovaco de tanto frio. Tenho frio nos pés, no pescoço e nas mãos. Demoro pra esquentar. É um horror, todo inverno, todo inverno. Outra coisa é que todo dia eu sinto fome, especialmente no período entre nove e doze e cinco e sete. É uma fome irritante, que me faz descontrolar e comer coisas idiotas como um sanduíche de peanut butter ou só a peanut butter com a colher. Nessas horas eu também devoro pizzas e pão e queijo e banana. É um horror, não consigo me conformar! E tem ainda esse negócio esquisito de toda noite eu ficar cansada, sentir sono, querer deitar e dormir. É uma coisa mais forte do que eu. Minha cama tão aconchegante, macia e quentinha me chama—vem, vem, vem. Eu não consigo resistir. Deito, me estico e durmo muitas horas. É um horror, toda noite é a mesma história, toda noite, toda noite!

Marius, Fanny e César
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Quando fiquei sabendo da obsessão de Alice Waters pela trilogia do francês Marcel Pagnol—Marius, Fanny e César, tive que correr atrás e ver por mim mesma o que esses filmes tinham de tão sensacional. Alice ficou tão impressionada que passou a se vestir com modelitos da década de trinta—incluindo boinas e chapéus que viraram a sua marca registrada, batizou seu restaurante com o nome de um dos personagens e até o empreendimento, que incluia os sócios da empreitada, recebeu o título de Pagnol et Cie. Anos depois, quando teve uma filha, batizou a menina de Fanny e casou-se com um vestido similar ao que a personagem Fanny usou no seu casamento no filme. Alice decorou o café do Chez Panisse, que fica no andar superior da casa que abriga o restaurante, com posters dos três filmes de Marcel Pagnol. Só isso basta pra nos deixar curiosos?

A trilogia, que é composta dos filmes Marius de 1931, Fanny de 1932 e César de 1936 é realmente uma jóia rara. Pagnol tinha escrito as histórias originalmente para o teatro. A transposição para filme foi feita com os mesmos diálogos e atores. A trama dos três filmes é centrada no no dia-a-dia dos habitantes da região do porto de Marseille, em especial os frequentores do bar de César e o romance entre Marius e Fanny. Nos três filmes acompanhamos a trajetória dos personagens principais através dos anos, com porções de romance, comédia e melodrama. São filmes pra se divertir e emocionar. Duas coisas bem notáveis são o formato de teatro dos filmes, com diálogos longos e cheio de detalhes, que não era muito comum no cinema mais popular da época—o norte-americano. Pra mim, que estou acostumada com a superficialidade dos filmes dos anos 30 de Hollywood, essa trilogia muitas vezes incomodava pelo exagero de falação dos personagens. Mas é justamente isso que nos envolve na história e dá uma sensação de grande familiaridade com os personagens. Outro ponto interessante é a visão da França a partir da perspectiva dos provençais. Há muitas piadas dos marsellenses com relação aos lyoneses e principalmente com os parisienses. Li que a cidade que aparece no filme foi destruída durante a segunda grande guerra e depois reconstruída, mas que o charme ainda é o mesmo.

Depois de ver os três filmes e o documentário sobre Marcel Pagnol, entendi um pouco melhor a obsessão de Alice Waters. Sendo eu também uma alma desvairada e obstinada, não é difícil perceber como certos trabalhos de arte provocam tanta comoção e reação, e de uma idéia brotam mil outras, dando continuidade ao processo de criação e inspirando grandes mudanças.

tortinhas de frango com palmito
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O resultado até que ficou bonitinho, levando-se em conta a minha total inabilidade manual pra fazer um acabamento jeitoso nas comidas. Mas essas tortinhas só se materializaram por causa de uma sobra de peito de frango que eu fiz outro dia com tomates secos e vinho branco. Vou te contar que tem dias que a minha energia simplesmente acaba numa determinada hora do dia, e esse dia foi o dia. Às cinco da tarde eu me arrastei pra casa, pedalando a minha bike sem ouvir música, num ritmo de pessoa esbagaçada que estava digno de pena. A sorte foi sacar rapidamente a presença das sobras de frango e aquela massinha semi-pronta de torta que estava na geladeira há algumas semanas. Somente tive o trabalho de refogar cebolinhas verdes no azeite, jogar uma lata de palmitos orgânicos picadinhos, o frango com os tomates secos, também picadinhos e um punhado de azeitonas pretas cortadinhas. Forrei as forminhas com a massa, coloquei o recheio, cobri com tiras de sobras da massa e coloquei pra assar. Preparei um salada simples de alface e desfaleci no sofá. Só tive ânimo de levantar pra comer, depois subir pra tomar banho, deitar e ler. Nem consegui escrever, tal o cansaço que tomou conta do meu ser físico e mental. Em dias assim, ofereço às sobras salvadoras minha mais completa gratidão e reverência.

caçarola musical

Quando o sofisticado e excêntrico Jeremiah Tower tomou posse como chef da cozinha do restaurante Chez Panisse em meados da década de 70, ele imediatamente determinou—chega de Led Zeppelin tocando nesta cozinha, de agora em diante só ouviremos música clássica enquanto trabalhamos.

Eu acredito que ouvir música na cozinha deve ser um fato unânime e universal. Todo mundo ouve alguma coisa enquanto corta cebolas e refoga o molho. Eu sempre tive uma boombox na bancada da cozinha, onde ouvia meus cds. Mas como já mantenho o meu laptop na cozinha há um bom tempo, acabo ouvindo música nele. Ouço os cds que copiei pro computador ou as rádios do ITunes ou websites ecléticos como o Pandora. Eclético é também a melhor palavra pra definir meu gosto musical. Eu ouço muita coisa diferente. Algumas coisas muito diferentes, como hits dos anos 20 e 30.

Eu cresci ouvindo todo tipo de música, providenciadas pelo meu também eclético pai, que comprava de tudo e nos expôs à uma variedade enorme de estilos musicas. Meu pai ouvia de Mozart, a Nina Simone, a Jimi Hendrix. Mas ele se concentrava muito mais na música clássica, que eu passei a infância escutando. Fui amplamente exposta, mas não desenvolvi gosto pelos clássicos. Como também nunca fui a maior fanzoca da MPB. Eu sempre gostei mesmo foi de old Blues, old Jazz, Bob Dylan, a música negra norte-americana em geral e o bom e velho Rock 'n' Roll. Eu sou uma pessoa totalmente Led Zeppelin e iria ser forçada a pedir demissão se por acaso trabalhasse na cozinha do Chez Panisse durante o reinado clássico do chef Jeremiah Tower.

a sopa do dia
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1 xícara de chana dal - baby garbanzos
3 ramos de cebolinha verde picadas
Azeite e sal a gosto
1/2 litro de caldo de legumes
3 linguiças defumadas caseiras

Cozinhe os baby garbanzos em bastante água, até eles ficarem molinhos. Coe e reserve os grãozinhos. Numa panela separada refogue a cebolinha verde no azeite. Junte o baby garbanzo cozido, refogue um minuto. Acrescente o caldo de legumes e as linguiças cortadas em cubinhos. Acerte o sal e deixe engrossar. Sirva.

snack japonês
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adoro!

Monday Monday, [not] so good to me

Não bastasse eu estar soterrada de trabalho há meses, sem tempo para muitas leituras durante o dia, fazendo malabarismos e correrias para poder manter esse Chucrute ativo durante a semana, agora temos a noite chegando às 5 horas e a cesta orgânica abarrotada de folhas verdes. Infelizmente eu preciso dormir oito horas por noite, para poder funcionar e produzir no dia seguinte, senão poderia usar essas horas pra fazer outras trocentas mil coisinhas que eu quero fazer e não consigo.

Segundas são sempre punk pra mim, mas se durante o verão eu pegava a cesta e lavava rapidamente os legumes e frutas, ainda me sobrava tempo e luz para bolar fotos, pensar em receitas. Agora, com a noite chegando tão cedo e a cesta praticamente monocromática, com uma abóbora para destoar do vasto espectro de tonalidades de verde, não é mais a mesma coisa. Fico muito mais cansada e com a impressão de que já é muito mais tarde do que parece.

E como usar esse monte de verde? Chegou outra acelga do tamanho de uma melancia. E mais mações de espinafre, alface, rúcula, boc choi, red russian kale e cebolinhas verdes de tamanho descomunal. Com as sobras da geladeira, que incluiam outros verdes de alho poró e salsão, mais alguns nabos, fiz um caldo. Usei todos os verdes possíveis e ainda sobrou muita coisa. Enquanto fazia o caldo e lavava as mil e uma folhas verdes, coloquei uma abóbora cortada ao meio e sem as sementes para assar no forno—sim, eu tenho mania de assar tudo nessa época do ano.

A abóbora assada virou uma sopa, que ficou realmente boa. Refoguei a parte branca e picada de um alho-poró num pouco de azeite. Quando a abóbora ficou molinha, removi a polpa com uma colher e coloquei no copo do liquidificador, onde bati com um pouco de caldo de legumes—não usei muito, pois quis uma sopa bem cremosa e que não precisasse cozinhar mais. Juntei ao creme de abóbora, uma xícara de um queijo branco cremoso, russian style. Joguei esse creme de abóbora, queijo e caldo de legumes sobre o refogado de alho-poró. Temperei com sal, deixei ferver, desliguei o fogo e servi.

caramelos
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vinagre, cravo, bravo, rosa, meyer
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Eu digo que eles são os limões que ninguém quer porque se eu não for lá pegar, eles apodrecem no pé. Este ano uma das árvores não deu nenhum fruto. O Uriel disse que isso é normal. Aconteceu com o nosso pé de nectarinas no ano passado. Mas o menorzinho está até envergado de tanto limão. Chamados de Rosa, Cravo, Bravo, China, Vinagre ou Meyer, eu simplesmente adoro esse limão! E mesmo estando com o meu limoeiro lotado de limões amarelos no quintal, fui catar os limõeszinhos alaranjados num ataque de pura ganância. Como a sogra do Gabe já está fazendo os planos pro Thanksgiving e eu sempre levo uma sobremesa pra esse evento, já decidi que este ano será a vez dos citrus.

Putah Creek Cafe
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Desde que chegamos em Davis que o café da manhã do Putah* Creek Cafe na cidade de Winters** nos tinha sido recomendado. Mas em todos esses anos nós nunca fomos lá. Frequentamos muitas vezes o restaurante em frente, uma steak house chamada Buckhorn, de onde víamos o pequeno café da esquina com fachada cor-de-rosa. Na semana passada eu estava folheando um número da Sacramento Magazine quando vi uma reportagem intitulada restaurants worth the drive—um deles, o Putah Creek Cafe. Decidi que tinha finalmente chegado a hora de irmos checar se o lugar era bom mesmo.

O que eu tinha ouvido falar é que o café era um lugar bem simples, com comida também simples, tipo cardápio de diner, só que feito pela família, com ingredientes fresquinhos e locais. A descrição bateu perfeitamente com a realidade. O restaurante é bem simples, serve café da manhã e almoço. Tem também um cardápio de tortas e biscoitos. Eu poderia descrevê-lo como a versão caseira e ultra-melhorada de um Denny's ou um Baker's Square. Chegamos um pouco depois da uma da tarde e eles não estavam mais servindo o café da manhã. Pedimos o almoço. Para beber, limonadas feitas de limão fresco espremido—coisa rara em diners de hoje em dia. O Gabriel pediu chá e veio uma variedade enorme do Tazo, realmente bem diferente do menu de chás de um diner comum. Pedimos nosso rango, que chegou prontamente. De onde estávamos podiamos ver o cozinheiro, muito compenetrado. Pedimos sanduíches, que vieram com sopa ou salada. O Uriel elogiou a sopa, onde se via os legumes e pedaços de carne. Nada a ver com as sopas enlatadas que são servidas abundantemente por aí. Eu pedi uma torta de milho feito com roasted chiles, milho fresco e cornmeal, servido com sour cream que estava simplesmente perfeita—úmida, macia e ultra-saborosa. Pedimos batatas fritas e eu mal pude acreditar naquilo: elas vieram super pelando, do jeito que eu adoro, crocantes por fora, macias por dentro e sequinhas! Batatas fritas simplesmente perfeitas. Tudo que saia da janela da pequena cozinha tinha uma cara simples, mas parecia delicioso. Quando chegou a hora da sobremesa estávamos tão cheios, mas eu quis pedir uma torta pra experimentar. Elas são todas feitas com frutas da estação, dos pomares da região. O Uriel escolheu a torta de damasco, que estava muito interessante, diferente e deliciosa. Vou querer voltar lá outras vezes para provar as outras tortas. E pra compensar todos esses anos que deixei de ir—vale mesmo a pena pegar a estrada!

*Putah pronuncia-se pheutá, caso alguém tenha ficado confuso.

** Winters fica a dez minutos de Davis é uma cidadezinha rodeada por todos os lados de pomares de amêndoas e pêssegos.

torta de figo fresco com creme de flor de laranjeira
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Eu sou desorganizada, atrapalhada e distraída. Mas não sou uma pessoa que desiste fácil. Isso pode ser uma coisa boa, pois nem pensem que eu joguei a toalha com relação à aquela torta de figos esturricada. Vi novamente figos frescos pra vender no Farmers Market e pensei—desta vez vai ou racha! Decidi tentar de novo. E por que não?