flores de Ano Novo
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Feliz 2008!

tudo se transforma II
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Também sobrou um bocado de salmão defumado norueguês. Resolvi fazer um quiche, mas um daqueles sem massa, somente o recheio. Ficou um quiche bem leve. Misturei bem numa vasilha:

1 xícara de salmão defumado picadinho e temperado com limão
1/3 xícara de queijo de cabra picado
1/3 xícara de creme fraiche
1/4 xícara de creme de leite fresco [heavy cream]
BASTANTE dill fresco picado
Sal e pimenta do reino branca moída a gosto

Coloquei a mistura numa forma de quiche levemente untada com manteiga e levei ao forno pré-aquecido em 365ºF/185ºC por uns 40 minutos, ou até o quiche ficar firme e dourado. Servi morno com uma salada de folhas de alface, rúcula, uma laranja picadinha e temperada com um vinagrete simples feito com limão, azeite, sal, mostarda dijon.

tudo se transforma I
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Seis quilos de peito de peru para seis pessoas foi um pouquinho demais, né? Agora samba, cabrocha, samba pra conseguir dar um fim nessa peruzada toda. É sobra que não acaba mais. Primeiro fiz o basicão sanduba com fatias de peru, fatias de tomate e queijo, tudo derretido e prensado na frigideira. Depois fiz esse recheio frio, que era uma receita muito antiga que eu fazia com frango desfiado. Pique bem picadinho:

Peito de peru
1 maçã verde
Várias fatias de picles de pepino
1 talo de salsão [aipo]
Bastante salsinha
Um punhado de azeitonas pretas

Tempere tudo com sal, pimentão, um fio de azeite, suco de limão e maionese, da melhor que tiver disponível. Misture bem e sirva com pão e folhas de alface. Com esses croissants fresquinhos o sanduba de peru ficou o fino da bossa.

a chuva lavou o carro

Por aqui não acontece absolutamente nada diferente. Tudo ainda é velho. Chove e faz frio, o que dá um certo desânimo de colocar o nariz pra fora de casa. Mas isso não é problema, já que na casa tem tudo, tem até pão e leite!

Não vou fazer ceia de ano novo—iurru! Vai ser tudo uma surpresa. Mas terei um rack of lamb descongelado e tenho alface e rúcula fresquinhas e lavadas. E se tem pão, está tudo bem.

Fiz café, que ficou fraco, mas o convidado bebeu, assim como comeu o quiche salgado. Não adianta, entra ano, sai ano, e eu continuo salgando muito as comidas e fazendo café muito forte ou muito fraco. É até chato, porque vocês sabem, né?

O som na caixa é de outros tempos, mas a vida é muito boa aqui, sou feliz onde estou, não olho pra trás, não tenho nenhuma dúvida de que aqui é o lugar onde eu deveria estar, hoje, agora.

salmão defumado & pão
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para o café da manhã

Para o breakfast do dia de Natal, servi esse salmão defumado norueguês para os meus convidados noruegueses—não podendo ser mais óbvia, acabei sendo! Adoro esse pão de aveia, feito por uma padaria francesa no Napa Valley e que chega fresquinho todo santo dia no Co-op. Também fiz uma omelete, Annette Poulard style. Sempre coloco um pingo de leite ou creme na mistura de ovos, mas dessa vez acho que dormi no ponto. Invés de comprometer, a falta do leite deve ter ajudado, pois a omelete foi devorada avidamente. Só bati quatro ovos imensos das galinhas que ciscam no terreiro com salsinha, sal, pimenta branca moída. Derreti uma colher de sopa de manteiga numa frigideira larga, joguei a mistura de ovos chacoalhei metodicamente, até que os ovos ficaram cozidos. Dobrei no meio e servi.

breakfast no Café Bernardo
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No dia 25 eu tinha preparado um breakfast robusto, com omelete e salmão defumado. Na manhã do dia 26, eu, Marianne, Reidun e Idar fomos tomar nosso café da manhã fora. Escolhemos o Café Bernardo, que é um lugar bem gostosinho em downtown. O Uriel e o Gabriel não nos acompanharam, pois foram trabalhar. Eu gostei de não precisar fazer nada e tivemos um breakfast típico norte-americano, com ovos, bacon, salsicha feita em casa, refogado de batatas, pão, geléia, café.

os livros do Natal
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Ganhei mais uns livros, oh well, fazer o quê? Pisc! O lindíssimo Chez Panisse Fruit, da Alice Waters, com as belíssimas ilustrações da Patricia Curtan. A reedição de aniversário de 40 anos com atualizações feitas pelas autoras, do Mastering the Art of French Cooking, volume I publicado originalmente em 1961 e volume II publicado em 1970. Obra clássica da Julia Child e das francesas Louisette Bertholle e Simone Beck. E os dois volumes calhamaços publicados pela revista Gourmet na década de 50. Gourmet Cookbook. Um pouco desatualizados, mas itens de coleção, pra quem gosta, como eu.

ricota com cranberry

ricota_cranberry.jpgUma sobremesa improvisada que não fez sucesso absoluto com os meus convidados, que favorecem sobremesas mais robustas, com chocolate, caramelo e nozes. Mas ficou gostosinha pra quem curte coisas com frutas. Vi a receita numa revista, não me lembro qual, e fiz parecida. A ricota é temperada com raspas de limão e açúcar—usei o baunilhado. Faça uma compota com cranberries frescas, como se fosse fazer o tradicional cranberry sauce de Natal. Para onde não há cranberry fresca disponível, qualquer outra fruta pode ser usada. Uma camada de ricota temperada, uma camada da fruta cozida, outra de ricota, geladeira por algumas horas e voilá!

o menu completo

Peito de peru assado e recheado com arroz selvagem e ameixa - o recheio servido separado, o peru acompanhado de apple butter;

Quinoa vermelha refogada com salsinha e cebouletes;

Salada de batata [new potato - tão tenras e com a casca tão fina que nem precisa descascar] temperada com a maionese aioli da Alice Waters;

Salada de rúcula com cogumelos e beterraba;

Salada de alface com queijo de cabra, também da Alice Waters.

De sobremesa a pecan pie e a salada de frutas de inverno, onde acrescentei pêra e kiwi.

Para beber água com gás, refrigerante de laranja vermelha, cidra quente e o Cabernet Sauvignon Faust que comprei na vinícola Quintessa.

salsa verde
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Receita do The Art of Simple Food da Alice Waters, que foi o meu livro guia para o preparo dos rangos natalinos. Esse molho típico italiano foi servido com cenouras cruas, como aperitivo, e depois foi usado para temperar uma salada. Fica incrívelmente saboroso e pode ser feito com qualquer tipo de erva verde. Eu usei a salsinha. E fiz no processador. Mas pode-se picar as ervas com a faca e usar o pilão, dependendo do gosto do freguês.

1/3 de xícara de salsinha — use as folhas e os cabos
Raspas da casca de 1 limão
1 dente de alho macerado no pilão até virar purê
1 colher de sopa de alcaparras escorridas, lavadas e picadas
1/4 colher de chá de sal
Pimenta do reino moída na hora a gosto
1/2 xícara de azeite
1 filé de aliche-anchova

Misture tudo muito bem. Na hora de servir adicione suco de limão. Guarde as sobras na geladeira.

salada de rúcula com cogumelos
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A inspiração para essa salada veio na revista Gourmet, mas acabei transformando a receita original e criando uma diferente. Usei cogumelos crimini e shitake, que refoguei rapidamente no azeite. Fiz isso no dia anterior, mas o melhor é fazer na hora. Numa saladeira coloquei folhas de rúcula e radichio picadas com as mãos, acrescentei cubinhos de beterraba assada, que também preparei um dia antes, e por último coloquei os cogumelos mornos. Temperei com a salsa verde.

pecan pie
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Desta vez encostei o corpo e usei uma massa de torta pronta, dessas congeladas que só precisa assar. Mas o recheio foi feito do zero:

1 xícara de açúcar
4 colheres de sopa de manteiga sem sal derretida
4 ovos grandes
1 xícara, mais 2 colheres de sopa de dark corn syrup *usei o golden syrup
1/2 xícara de maple syrup puro
2 colheres de sopa de bourbon ou rum escuro *usei o rum
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
1 1/2 xícaras de pecans

Misture todos os ingredientes e despeje na massa semi-assada. Asse por 15 minutos em 375ºF/200ºC, então baixe para 350ºF/176ºC e asse por mais uma hora. Sirva fria.

o peru deste ano
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Foi um dois melhores perus que eu já fiz. Precisei da ajuda da Marianne pra retirar os seis quilos do peito que estava mergulhado no vinha d'alho, rechear com o refogado de arroz selvagem com alho poró e ameixa, amarrar, cobrir com fatias de bacon e colocar na grade da assadeira. Ficou no forno a 365ºF/185º por quatro horas, na panela tampada. O peru era free range. A carne ficou úmida e saborosa. O único problema de comer peru é que depois dá um sonoooo....

mãos às obras
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cabeleira presa e mangas arregaçadas
e sobrou muita comida
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Espero que o Natal de todos vocês tenha sido maravilhoso! O nosso foi bem simples, com poucos convidados, mas a comida ficou explêndida—tudo preparado do zero, com os melhores ingredientes locais, sazonais e orgânicos. Foi uma comilança e tanto. Acho que impressionei as visitas, não pela sofisticação da ceia, muito pelo contrário. Provei que o simples pode ser divino. Mas isso não quer dizer que não deu trabalho! Ofaaa.. Pelo menos eu não lavei nenhuma louça.

I wish you a...
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manhã da véspera
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o recheio do peru
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O peito desossado do peru está mergulhado numa marinada feita com alho, cebola, cebolinha, salsinha, sal e vinho branco. Na véspera do Natal ele será recheado, amarrado, coberto com fatias de bacon e estará pronto para ir ao forno por muitas horas. O recheio foi feito com bastante alho poró refogado no azeite, onde acrescentei arroz selvagem cozido, bastante ameixa seca picada, algumas cranberries secas, pêra fresca picada, lascas de amêndoa e tomilho fresco. Temperei com sal a gosto.

and she can't cook!
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Imagine se a rainha da culinária, com a coluna mais famosa, na revista mais lida, que desse receitas e dicas maravilhosas direto da sua fantástica casa, na sua fazenda em Connecticut, fosse na verdade uma farsa. Imagine essa deusa doméstica vivendo num apartamentinho em New York e sendo suprida por receitas pelo seu tio Felix, um hungaro mal humorado. Barbara Stanwyck é a Martha Stewart fajuta dos anos 40 nesse filme fofésimo, recheado de citações culinárias e cenas de comida e cozinha. Christmas in Connecticut é delicioso, não só pelas referências culinárias, mas porque a história é uma gracinha. A colunista fajuta é obrigada pelo dono da revista onde ela escreve a receber um herói de guerra para o Natal. O único problema é que ela não tem fazenda nenhuma e pior, ela nem sabe cozinhar. Um ricaço apaixonado oferece a sua fazenda em Connecticut e a farsa é montada. Mas numa comédia romântica já sabemos o que vai acontecer, né? Um filme clássico de Natal, que todos vão curtir, mesmo não vivendo em Connecticut, nem sabendo cozinhar.

greens & grazes
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tis' the season to be jolly
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está tudo [quase] pronto

A minha rotina de Natal é sempre a mesma, entra ano, sai ano. Neste ano a festa vai ser mais tranquila, porque não vem tanta gente. Mas é sempre cansativo. A única coisa que eu não faço é limpar a casa, pois tenho um serviço que faz isso com perfeicão uma vez por semana. O restante é meu trabalho. Eu faço as compras, decido o cardápio, cozinho, preparo, sirvo, entretenho os convivas. Só não lavo a louça final, que é trabalho do Uriel e Gabe. Sexta-feira, saí do trabalho às 3pm e comprei todos os presentes de Natal, além de queijos, panetones e alguns enfeites. No sábado, fiz as compras de comida—e fui á quatro lugares diferentes, dois em Sacramento, dois em Davis. Isso tudo enquanto lutava contra uma crise de enxaqueca morfética. Saí do último supermercado e quando estava na esquina lembrei: não comprei isso, aquilo e aquele outro! E tinha feito lista. Dor de cabeça é uma desgraceira. Domingo, estou um pouco melhor. Organizei o cardápio, que vai ser simplérrimo, mas com os ingredientes da mais alta qualidade. Minha homenagem à Alice Waters. Com tudo escrito, fiquei mais tranquila por me senti mais organizada. Como é feito nas revistas, dividi tudo ém partes, no que poderei fazer hoje, e o que só pode ser feito no dia ou na hora. Não posso contar muito com o Uriel, pois ele trabalha até o último minuto possível. Mas o Gabe já foi convocado para ajudar, pois quando eu tenho essas dores de cabeça, elas duram três dias cravados. Lord have mercy! Espero sobreviver à esse Natal para depois poder curtir minhas pequenas férias!

salmão
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rubis & catchup

Na edição de fevereiro de 1981 da revista Food & Wine uma enquete perguntava à alguns famosos da época, qual tinha sido a sua refeição romântica mais memorável. A melhor resposta, na minha opinião foi a do Andy Warholcomendo um hamburguer com fritas num MacDonald's com a Paulette Goddard, porque ela estava usando seus rubis e eles combinavam com o catchup. Ha ha ha ha! Genial!

pêras pra que te quero
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educando fezoca
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Eu odiava quando a minha mãe me punha pra ajudar a enxugar a louça. Essa era a única tarefa que ela me dava na cozinha e tinha o intuíto de educar. Numa sociedade, como a brasileira, onde as famílias ainda contam com empregados para fazer quase todos os serviços domésticos, é importante que se ensine o valor desse trabalho. Minha mãe pensava nisso. Eu também pensei e meu filho sempre teve suas responsabilidades. Muito mais do que eu tive. Acho que ele também não gostava, afinal ninguém gosta. Mas é importante aprender e fazer.

foi um sonho? apenas um sonho?

Não tenho certeza se foi um sonho ou se eu realmente acordei no meio da noite e sentenciei decidida—já tenho o menu do Natal todo resolvido: será peito de peru recheado e acompanhado de quinoa com frutas secas e nozes, e bacalhoada acompanhada de arroz branco [eureca!].

Mas não consigo lembrar se também defini os acompanhamentos como salada ou legumes e as sobremesas. Sonho ou não sonho, vou pensar sériamente nessa idéia da quinoa e do bacalhau.

salada de frutas [outono-inverno]
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Use o que tiver à sua disposição. Salada de frutas não é sinônimo de verão e pode ser feita em qualquer época do ano, com qualquer tipo de fruta. Essas de outono-inverno se combinaram maravilhosamente bem nessa salada, que ficou vigorosa, refrescante, doce, azedinha e crocante. Eu usei: caqui fuyu, sementes de romã, laranja, figos secos e nozes tostadas. Temperei com pingos de limão meyer e um fio de maple syrup.

o suplício inevitável da estação

Eu não curto nem um pouco essas festinhas obrigatórias que pipocam todo final de ano. Não é só a festa em si, mas tudo o que é decorrente e inerente à ela. Na festa de Natal do meu grupo de trabalho tem sempre comidas, bebidas, música, conversinhas pra boi dormir e jogos e brincadeiras animadas.

Tudo é tolerável, menos os jogos e brincadeiras, que geralmente vêm acompanhados de prêmios, que nem sempre têm caracteristicas de recompensa, mas sim de punição. Quem quer ganhar um buquê feito de pirulitos coloridos? Ou uma caixa com cubos de chocolates com gosto de parafina pintados de cor-de-rosa? Eu passo. Queria passar os joguinhos também, mas não quero ganhar o título de chatonilda do mês, então participo—bocejando, com uma cara de blasé, sem me esforçar nada, não fazendo a mínima questão. Eu detesto qualquer tipo de brincadeira ou jogo coletivo, principalmente em ambiente de trabalho.

Ninguém escapa da famigerada festa de Natal. Primeiro temos que responder uma survey online, até que os organizadores—voluntários, ainda vai chegar a minha vez—cheguem a uma resolução democrática, depois que todos deram suas opiniões, sobre onde, quando, como, que horas, com catering, potluck, aberto para famílias, eteceterá, eteceterá. Tudo decidido com relação ao local, horário, menu, vem então o turno da organização das brincadeiras.

Neste ano um dos joguinhos de adivinhação pedia a colaboração de cada indivíduo, que deveria enviar para a fulana de tal uma foto sua, de tempos longínquos, vestido em fraldas, ou fantasiado pro halloween, ou saltando de pára-quedas, ou fazendo qualquer coisa de maneira irreconhecível. Eu tinha acabado de publicar a foto reveladora de uma pequena bugrinha muito da mal humorada e resolvi que seria aquela mesma que iria ser enviada para a organizadora meticulosa da brincadeira mais sensacional da festa de Natal.

Ficou decidido que um serviço de catering seria contratado para providenciar a comida—um maravilhoso e variado cardápio de lasagna de legumes e lasagna de carne, mais salada e pão. A sobremesa seria potluck style, então eu fiz uma torta de limão, com uma massa congelada, mais o lemon curd da Alice Waters e um suspiro por cima. Chovia cântaros pela manhã quando ajeitei a torta bem enrolada em papel alumínio dentro de uma cesta e enfrentei o aguaceiro e o vento, que simplesmente destruiu o meu guarda-chuva.

A festinha decorreu naquela previsibilidade. Música sazonal tocando no fundo, sorteio de prêmio que foi abocanhado pela chefona, comida sem graça, sobremesas variadas e os célebres jogos de confraternização. Eu não reclamo de nada, engulo a gororoba banal, passo a manteiga artificial no pão, bebo até Fanta laranja, mas quando chega na hora de jogar o jogo, a mal humoradinha que mora dentro de mim se manifesta com um grunido de protesto. Todo mundo parece adorar os jogos, aplaude, vibra. Eu tenho ganas de ir lavar as mãos no banheiro e ficar sentada num banco no corredor, esperando a função terminar.

Na brincadeira de adivinhar quem era quem em tempos remotos, eu até arrisquei uns palpites com relação à algumas pessoas: o meu supervisor que continua com a mesma cara até hoje, a que posava com o uniforme do clube do Mickey Mouse e uma que eu jurava que era outra. No final quase todo mundo adivinhou quem era a bochechuda de cara amuada sentada numa rede com vestidinho de manga bufante da foto número um. Não mudei muito, não? Muita gente concordou.

sopa de salsão
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O salsão é um legume injustiçado. É sempre usado no background das receitas, como base na preparação de algum prato. Raramente ele brilha sozinho no spotlight. Nem a cenoura e a cebola, que muitas vezes figuram de coadjuvantes, são tão ostracizadas. O salsão que comprei no Farmers Market tinha um perfume delicioso, precisava reinar sozinho numa receita. Fiz então uma sopa. Procurei por receitas, mas todas que encontrei combinava o salsão com outros legumes. Eu queria uma sopa apenas com o salsão e então fiz da minha cabeça.

Refogue bastante cebolinha picadinha no azeite. Junte um salsão inteiro picado, bulbo e folhas. Junte água o suficiente para cobrir todo o salsão—uns dois litros, no mínimo. Cozinhe, cozinhe, cozinhe, cozinhe. Quando o caldo estiver bem verde, bata tudo no liquidificador e passe por uma peneira. Melhor deixar esfriar antes de fazer isso—o seguro morreu de velho! Retorne a panela com o caldo de salsão para o fogo, salgue a gosto, adicione pimenta branca moída na hora e mais um fio de azeite. Deixe reduzir mais um pouco. Sirva com uma bolota de creme fraiche [ou um substituto] e alguns croutons de alho.

como assim, uma semana?
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Acho que eu sou uma pessoa óbvia, pois todo ano tem repeteco da mesma cena: a ficha caindo que faltam apenas alguns dias para o Natal e eu ainda não fiz nada, não pensei em nada. Talvez isso aconteça porque essa festa não é a minha favorita, não é a mais aguardada, não é a mais planejada. Eu somente vou com a onda e talvez seja por isso também que eu sempre tomo um caldo. Pois chegou o dia da ficha cair. Enquanto mantinha os olhos cravados no número 17 do calendário—que está exatamente em cima do 24, quer dizer daqui uma semana será Natal—tive meu chacoalhão, meu wake up call.

Não é novidade que eu sempre deixo tudo pra última hora e por isso mesmo preciso registrar o fato mais uma vez, para que fique bem claro para as gerações que nos seguirão que a grandma Fezoca não curtia muito os festejos do Natal. A casa não tem nenhum enfeite, nem árvore, nem luzinha, nem Bing Crosby cantando White Christmas, muito menos cookies de gengibre e canela assando no forno. O sambalelê vai começar agora, com aquela habitual procura histérica por receitas legais, a correria pelos supermercados da cidade em busca dos ingredientres, a esperança de que todas as sobremesas ficarão comíveis e a única certeza—que o esquema do peru vai ser o mesmo. Gingo-o-beus, gingo-o-beus!

cupcakes de baunilha & de chocolate
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Fazia tempo que eu estava querendo trazer uns treats para os meus colegas no trabalho. Cupcakes são uma boa pedida, pois são fáceis de fazer, de carregar e de comer. Já tinha feito isso uma vez com os cupcakes de cranberry e pumpkin. Desta vez optei por duas receitas básicas—chocolate & baunilha.

Tenho uma insegurança enorme com relação à minha comida, principalmente com relação às coisas que não tenho muita prática, como bolos e sobremesas. Por isso providenciei uma sessão de degustação particular, quando provei um de cada bolinho e fiz o Uriel comer um de cada também, para poder dar o seu palpitezinho. Depois analisei intensivamente a questão dos ingredientes que eu normalmente uso. O cupcake de chocolate, por exemplo, foi feito com azeite e cacau orgânicos. O de baunilha com a melhor manteiga e açúcar, também orgânicos. O Uriel me aconselhou a não falar nada sobre isso—se você ficar falando que é tudo orgânico, é capaz de assustar o pessoal e eles ficarem com medo de comer os bolinhos. Meu marido, um cara ponderado e sábio! Ele também sugeriu que eu levasse uma geléia pra acompanhar os bolinhos, pois é fato público que meus colegas adoram coisas super doces, de preferência com bastante creme e sabores artificiais. Bom, eles pensam que isso é que é bom, já que não têm outra experiência pra comparar. Pois decidi que será meu papel de agora em diante providenciar essa experiência. Não fui ainda ver quantos cupcakes foram comidos. Estou aqui roendo as unhas—serão os meus bolinhos um sucesso ou um fracasso de publico? No decorrer do dia ficaremos sabendo.

As receitas:

mom's chocolate cupcakes
1 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de açúcar
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de sa;
1/3 xícara de cacau em pó
1/2 xícara de óleo - usei azeite
1 xícara de água
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 colher de sopa de vinagre

Misture todos os ingredientes muito bem e coloque nas formas de cupcake. Asse por 20 minutos em forno pré-aquecido em 350º F/176º C.

simple vanilla cupcakes
2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher chá de sal
2 colheres de chá de fermento em pó
1/2 xícara - 113 gr de manteiga sem sal amolecida
3/4 xícara de açúcar
2 ovos
1 xícara de leite - usei egg nog
1 colher de chá de extrato de baunilha

Pré-aqueça o forno em 375ºF/ 176ºC. Forre as formas de cupcake com forminhas ou unte com manteiga. Bata bem a manteiga com o açúcar até formar um creme bem leve. Acrescente os ovos, um por vez. Adicione os outros ingredientes e a farinha e o leite alternadamente. Distribua a massa nas formas e asse por 20 minutos.

**update: 4:37 pm, passei pela cozinha e dos vinte e quatro cupcakes que eu coloquei lá às 8 am, restaram ZERO! ainda bem que eu não pronunciei a palavra orgânico—pisc!

Frango no molho de castanha de caju - the remake
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Outra receita dos arquivos que eu decidi refazer e fotografar — frango no molho de castanha de caju. Simples e rápida de fazer, contando que você não tropece no tapete e não derrube todos os cogumelos cortados em mil pedacinhos pelo chão da cozinha.

linda, útil & ecorreta
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O carteiro bateu na porta e quando ele faz isso é pacote! Happy happy, joy joy! A querida Neide me presenteou com uma das sacolas que ela e a irmã dela fazem, de lona e chita. Já foi pro uso com as outras sacolas reusáveis que ficam no carro e que carregam minhas compras onde quer que eu vá. A sacola da Ecorreta da Neide já provou que não está aqui pra brincadeiras. Além de linda ela é pau pra toda obra. Carregou meus vidros de leite, garrafas de vinho, latas e caixas. Testei com os produtos mais pesados e ela nem amarrotou. Virei ela no avesso, porque quero causar inveja e cobiça com a exibição ostentativa dessa estonteante e incomparável chita vermelha.

Sopa indiana de batata doce - take II
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Outra receita de anos atrás que merecia ser refeita, fotografada e comentada. Fica uma sopa muito leve, apesar da robustez da batata e do picante do curry vermelho. O toque do limão antes de servir é imprescindível. Experimente!

a hora da estrela
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-2ºC
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Essa é a paisagem que eu vou admirar por muitos meses. Nosso inverno é cinza com pinceladas de verde desbotado. Chove bastante e fica assim, frio o bastante pra congelar meu cérebro de manhã cedo na bicicleta se eu insistir em não usar uma touca bem protetora. Hoje está um dia assim, gelinho nas gramas, transeuntes e bikers encapotados e também algumas criaturas provavelmente provenientes do Alaska, que acham que estão no verão. Parece brincadeira, mas ainda vejo gente de chinelo de dedo nas ruas. Pra mim é tempo de meia, tchau chinelinhos. Mas eu entendo, pois nos nossos anos no Canadá, quando fazia ZERO grau já tinha canadense nas ruas de camiseta sem manga, chinelo e shorts, aproveitandoooo o caloooorrrr, afinal...

Minha árvore ancestral, que fica entre a minha casa e o do meu vizinho, cobre praticamente todo o quintal, providenciando uma sombra muito importante e bem-vinda nos meses do verão. Agora ela não tem nem uma mísera folhazinha. Esse verdinho pendurado nela não é parte da árvore. É sim uma planta parasita muito comum e famosa chamada mistletoe. Ela suga a árvore que a hospeda e é parte de uma tradição de Natal, quando se pendura um galho de mistletoe no alto de uma porta e os casais que passarem pela planta pendurada têm que se beijar. Nós fazemos, quando lembramos. Minha árvore é muito alta para alcançarmos as parasitas e também não há muitas, pois temos um serviço de poda que acaba com elas todo ano.

pop-color
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Esse milho faz uma pipoca deliciosa e incrívelmente crocante. Milho comum amarelo e o milho indígena vermelho. Veio como treat na cesta orgânica da semana.

I say hello, hela, heba helloa
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Dear friends,

Faz tempo que não dou minhas caras neste blog, mas é que está frio aqui no norte da Califórnia e eu ando dormindo muito, sempre nos lugares quentinhos, na minha caminha ou nas cadeiras forradas com cobertas de lã, às vezes até me enfio em baixo da cama pra tentar dar uma indireta pros humanos desumanos que habitam essa casa e não ligam o aquecedor. Mas está tudo bem, a comidinha está boa, eu bebo água na pia, corro pela casa toda manhã, continuo tentando ser amigo do gato Misty, que pelo jeito [será?] não gosta muito de mim. Anyway, life is good! Mas está frio e eu não ando muito ativo. Ah, a novidade é que ontem a fezoca ganhou um vaso de lindas poinsettias vermelhas—estou adorando! Espero que todos estejam bem, regards, cheers, meawww, tudo de bom,

do amigo Roux.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa
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Será que é culpa do trânsito de Marte retrógado pegando a minha lua?

Primeiro a caixa da quinoa vazou e zilhões de sementes se espalharam rapidamente pelas prateleiras e frestas da geladeira. Depois o triturador da pia entupiu e subiu aquela água borbulhante amarelada, que gira em falso como se fosse um redemoinho gago. Liguei rapidamente pro Uriel pedindo socorro, pois apesar da pia ter duas bacias, a que tem o triturador é a mais útil, a mais fácil, e eu não posso cozinhar sem usar a torneira. Ele veio e a meleca estava realmente grande. Depois de remover tudo o que fica guardado em baixo da pia, desligar o aparelho, remover o cano, drenar a água escura cheia de pedaços semi-moídos de casca de mexirica, apareceu o grande causador do estrago: uma tampinha de plástico, que deve ter caído lá por acidente. O jantar saiu, mas antes tive que trocar os tapetes da cozinha e me descabelar na frente do fogão, pois justamente naquele dia a lentilha que estava na panela tentando virar sopa, não amolecia de jeito nenhum.

E no dia que resolvi fazer uma receita de tuna melt porque iria jantar sozinha e comecei a não achar os ingredientes—um atrás do outro. No final das contas a única coisa que eu tinha era mesmo um lata de um maravilhoso atum espanhol, que eu compro lá no Corti Brother's. Bom, pelo menos isso, eu tinha um atum de excelente qualidade preservado no azeite, que compensou a falta de TODOS os outros ingredientes. Não tinha pita bread, não tinha salsão, não tinha pickles, nem queijo cheddar e a maionese até que tinha, mas quando eu abri o pote ela estava com uma camada amarela e um cheiro de ranço. Foi pro lixo. Fiz então o tuna melt à minha maneira, usando um pão indiano e temperando o atum com salsinha picada. Usei também uns tomates meio sem gosto, fora de época, que ainda teimam em chegar na cesta orgânica, cobri com queijo manchego ralado e assei. Não ficou nada igual a um verdadeiro tuna melt, mas ficou bom e eu comi assim, como sempre como quando estou sozinha, com uma bandeja no colo vendo um filme, na sala de tevê.

señoritas jalapeño
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California rock 'n' roll

O primeiro restaurante de sushi nos Estados Unidos abriu na região de Little Tokyo, centro de Los Angeles, sul da Califórnia, em 1960. Era um pequeno bar com seis banquinhos chamado Kawafuka. Logo em seguida surgiram outros dois outros restaurantes, o Eikiku e Tokyo Kaikan. Os sushi chefs do Tokio Kaikan, Ichiro Mashita e Teruo Imaizumi receberam os créditos pela criação do primeiro sushi cross cultural, adaptado ao paladar ociental—o California roll. Na época o atum fresco em Los Angeles era sazonal, disponível somente durante o verão. Os chefs começaram a pensar no que mais poderiam usar pra fazer os sushis. E encontraram uma abundância de abacates produzidos localmente. Fresquinhos e cortados em cubos, a polpa dos abacates têm uma oleosidade natural que se aproxima muito da textura do peixe gordo. Combinado com king crab, pepino e gengibre, o sushi California era servido para ser comido com as mãos. O novo sushi se tornou bem popular e serviu de estímulo para os clientes ocidentais do restaurante, enquanto iam desenvolvendo coragem para provar os sushis autênticos, com peixe cru. Durante os anos 70, o sushi ainda era considerado uma iguaria exótica. A popularidade veio somente nos anos 80, com o estrondoso sucesso da mini-série Shogun, que colocou o país numa mania coletiva por coisas japonesas. Hoje, o sushi já entrou no cardápio oficial norte-americano e Califórnia virou sinônimo de sushi vegetariano. Não poderia ser mais apropriado!

macarrão com manteiga e queijo
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Pra quando não dá tempo de fazer nada, não se quer requentar nenhuma sobra de antonte, mas a fome é grande e o frio determina que se coma algo quente, o grande lance é um prato de macarrãozinho com manteiga e queijo. Enche a pança, esquenta, não dá bafo e ainda é tri saboroso. Eu usei o elbow macaroni feito de milho, por isso essa cor super amarela. E manteiga sem sal orgânica, mais queijo parmesão que eu ralei fininho na hora agá. Pra comer com colher, sem nenhum acanhamento ou hesitacão, se faz o favor, tá?

who wants to live forever...

A inquilina da minha guest house veio pagar o aluguel no domingo e me pegou, como ela sempre me pega, fazendo o rango. Ela tem 21 anos e está no seu junior year na UC Davis. Eu já a conhecia antes dela virar minha inquilina. Ela não cozinha, o que pra mim é até certo ponto um alivio, pois a cozinha da guest house é minuscula e tem que investir num esquema para se cozinhar lá. Mas toda vez que ela vem pagar o aluguel ou só perguntar algo ou me falar algo, nós conversamos sobre comida. Ela me acha no mínimo o máximo porque eu cozinho e acha que eu sou uma mulher de sucesso porque eu tenho um blog de culinária. Ela é muito engraçada e fala umas frases engraçadas, sempre elogiosas e carinhosas, ela é bem querida. Às vezes eu convido ela pra puxar um rango. No meu aniversário ela veio e comeu a brandade de bacalhau, que ficou um pouco sem sal, então ela colocou—sem brincadeira—uma colher de SOPA de flor de sal no meio do prato. Uma vez ela me perguntou—você sabe que existem comidas prontas que você pode comprar e colocar no microondas? Minha resposta foi uma sonora gargalhada! Foi idéia do Uriel iniciar o processo de desova do bolo de laranja com tâmaras que ficou muito doce pro nosso gosto. Ele ofereceu o bolo pra ela, que aceitou prontamente, então eu cortei quatro fatias gigantes e embrulhei numa folhona de papel aluminio, enquanto explicava que o bolo só estava um pouco doce pra nós, mas era coisa fina—usei os melhores ingredientes, ovos fresquíssimos, manteiga orgânica, as tâmaras são locais e estão na temporada, tudo que eu uso é da melhor qualidade. Ela fez aquela cara de encantamento que ela sempre faz quando eu falo de como eu cozinho e nas coisas que eu acredito, e enquanto segurava cuidadosamente o pacote de bolo soltou mais uma das suas pérolas—oh, vocês comem tão saudável, você e o Uriel vão viver pra sempre!

apple & carrot slaw II
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Refiz esta receita de anos atrás, desta vez tirei foto. E não usei repolho, mas usei a cebola roxa e troquei o coentro por salsinha. O resto ficou igual—só que da primeira vez cortei as cenouras e as maçãs no mandolin, depois cortei em fios. Desta vez cortei grosso e ficou uma salada para exercitar bem os molares e o maxilar. As cranberries podem ser substituidas por passas ou qualquer outra fruta seca.

pappardelle de outono
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O Trader Joe's tem um pappardelle de limão com pimenta do reino que é tão bom que nem precisa tempero—uma bolota de manteiga ou apenas queijo ralado já basta. Mas desta vez fiz o macarrão com uma mistura de legumes assados.**Nem preciso dizer o quanto eu adoro assar legumes, né? ** Assei primeiro a abóbora—usei uma fatia grossa cortada em quadradinhos da variedade musque de provence. Depois assei cogumelos crimini e um bulbo de erva-doce cortada em cubinhos. Temperei os legumes assados com sal, pimenta do reino, azeite, suco de limão meyer, salsinha, orégano e tomilho frescos. Misturei os legumes temperados ao pappardelle cozido e polvilhei com bastante queijo parmesão ralado na hora de servir.

Giusti's
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Mas uma vez decidimos seguir as indicações da reportagem restaurants worth the drive da Sacramento Magazine. Na primeira vez adoramos a experiência da alta qualidade e simplicidade do Putah Creek Café. Desta vez, nossa visita ao Giusti's foi um pouco diferente. O restaurante instalado no meio de fazendas de uva e ao lado do Sacramento River, parece mesmo o paraíso dos caçadores e pescadores. Como a reportagem da revista descreve, o lugar é rústico por dentro e por fora. Pertence à uma família de descendentes de italianos que gerencia o restaurante há mais de cem anos. Logo na entrada tem um bar, com o teto totalmente forrado de bonés de baseball. O restaurante fica ao lado do bar e faz um estilo cantina, mesmo na hora do almoço de um dia ensolarado as persianas estava fechadas e as luzes acesas. O menu do dia fica afixado em lousas brancas nas paredes. Nós decidimos pedir o catch of the day, que era o grilled red snapper. O prato vinha com sopa ou salada, pão rústico e vinho. Comida à beça! Pedimos sopa, que veio numa vasilha enorme, deveria servir umas quatro pessoas. O vinho—um Chianti sangue de boi, veio numa jarra, dava também pra quatro pessoas. O peixe veio com um arroz, tipo parabolizado e temperado com o que parecia ser cogumelos. Cara de arroz de caixinha. O peixe parecia ter sido temperado com aqueles pózinhos de alho e não consegui imaginar aquilo sendo grelhado. Parecia ter sido apenas frito numa frigideira. A sopa também não era feita from scratch. Se era, meu paladar está me passando a perna, porque aquela sopa tinha o gosto típico das sopas em lata. Comemos, mas não ficamos impressionados. Eu pedi uma porção de batata frita, e foi a única coisa que realmente gostei. Elas vieram super quentes e crocantes. A reportagem da revista dizer que as porções no Giusti's são enormes foi correto, mas dizer que a comida é fresca, eu não coloco minha mão no fogo pra confirmar isso. Muito pelo contrário. Achei que eles usam muita coisa processada e pré-preparada, como o arroz, a sopa e os temperos.

Talvez tenhamos ido lá no dia errado. No final de dezembro eles terão um sábado de Cioppino e toda quarta-feira no jantar o especial é lagosta. Bom, tem lagosta no Red Lobster também, mas isso não significa que valha a pena jantar lá.

want some castanhas?
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O melhor antídoto para uma manhã gelada no Farmers Market é chegar na barraca de um fazendeiro para comprar romã e kiwi e ver uma churrasqueira forrada de castanhas portuguesas assando na brasa. Fiquei ali provando e comprando as deliciosas romãs e o kiwi madurinho recém-colhido de polpa verde e doce, quando o simpático fazendeiro me perguntou:

—do you want some castanhas?

Claro que quero castanhas, respondi. E levei uma porção, que fui comendo pela rua, apertando a casca por baixo e devorando o conteúdo que foi ajudando a aquecer o corpo. Junto com as castanhas ganhei também um folheto—how to roast chestnuts, que vou divulgar aqui. As castanhas são uma iguaria típica de Natal para muitos países nos hemisférios norte e sul. Então onde quer que você esteja, delicie-se com elas!

* * *

Primeiro, quando guardar suas castanhas portuguesas, não deixe que elas ressequem. Elas devem ser mantidas em lugar úmido, enterradas numa vasilha com areia ou terra molhada, ou embrulhadas numa toalha úmida dentro de um saco plástico na geladeira, ou congeladas numa vasilha com água.

Roasting em casa—use uma frigideira pequena. Corte um X na base de cada castanha, ou corte a base fora. Adicione 1/4 de xícara de água na frigideira, coloque as castanhas, tampe e cozinhe por uns 3 minutos. Vá chacoalhando a frigideira no fogo, até as castanhas ficarem tostadas, com a casca bem esturricada. Coma as castanhas aiinda quentes, retirando uma por uma das cascas. Quando esfria a casca fica muito difícil de ser retirada. Para reaquecer, leve de volta ao fogo na frigideira.

As castanhas são muito ricas em proteína e têm quase zero de gordura. Elas ficam ótimas recheando carnes, misturadas com arroz, no stir fry. Elas podem ser assadas no forno também—400ºF/205ºC por 20 minutos. Não esqueça de fazer um corte na base de cada uma antes.

bolo de laranja e tâmara
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Pois então, o meu bolo não ficou igual ao da receita original. Primeiro o bolo assou um pouco demais e ficou muito moreno. Segundo, por algum motivo alheio à minha vontade, o glacê não ficou grosso, ficou apenas uma calda e pra falar a verdade nós achamos esse adendo extremamente doce—eu recomendaria regar o bolo somente com o suco de laranja e raspas, sem o açúcar. A não ser que doce arrepiante seja do seu gosto.

orange date bundt cake
1/2 xícara de manteiga sem sal na temperatura ambiente
[8 colheres sopa ou 1 tablete de 113 gr]
1 xícara de açúcar
2 ovos grandes
Raspas de 1 laranja média
1 colher de chá de baunilha
2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de sal
2/3 xícara de buttermilk [ou coalhada, ou kefir]
umas 6 tâmaras picadas

Para o glacê:
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1/2 xícara de suco de laranja espremido na hora
1 colher de sopa de raspas de laranja

Pré-aqueça o forno a 350ºF/176ºC. Unte uma forma Bundt. Na batedeira, usando a pá, bata a manteiga até ela ficar cremosa, por mais ou menos 3 minutos. Acrescente o açúcar e bata por mais uns segundos. Acrescente os ovos, depois as raspas de laranja e a baunilha. Adicione metade da farinha, o sal e o bicabornato de sódio. Coloque o buttermilk, depois o resto da farinha. Coloque as tâmaras picadas na massa gentilmente e coloque a massa na forma untada. Asse por 40 minutos. Deixe esfriar, vire o bolo numa travessa e prepare o glacê misturando os ingredientes, ou somente regue com o suco de laranja—minha recomendação. Sirva quando estiver completamente frio.

a mal humoradinha
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Aqui está a prova. Não é culpa dos hormônios borbulhantes de mulher madura, assim como nunca foi culpa dos hormônios borbulhantes de garota adolescente. Eu nasci mal humorada. O mau humor está nos meus genes, faz parte de mim, é uma caracteristica da minha persona. Admito, sou uma mal humoradinha. Na verdade sou mesmo uma mal humoradona. Mas isso não desconta atrativos, pelo contrário, só acrescenta. Afinal os mal humorados podem ser extremamente charmosos e também merecem um lugar ao sol. [pisc!]

chestnut soup
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A receita original pedia 15 castanhas portuguesas, salsão e cebola. Mas eu usei um purê de castanhas, que comprei numa lata made in France, e substituí a cebola e salsão por alho-poró.

Numa panela eu derreti duas colheres de manteiga. Refoguei o alho-poró. Bati o puré de castanhas no liquidificador com 1 litro de caldo de galinha. Acrescentei esse creme ao alho-poró refogado. Coloquei sal e deixei cozinhar em fogo baixo por uns 40 minutos. Fica um creme liso, macio e leve. O mais interessante é que o sabor da sopa poderia enganar qualquer um: parece incrivelmente com feijão. Até o Uriel ficou pasmo, quando eu disse que não era feijão. Intrigante!

the making of a [lovely] salad
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A salada de sempre, com folhas de rúcula e alface, das quais tenho tido abundância. Um pequeno pedaço de blue cheese do Point Reyes Farmstead Cheese Co. que é uma produtora local que faz um queijo simplesmente divino. No vinagrete básico coloquei micro-pedaços de um tomate seco—seco mesmo, tenho que cortar com a tesoura, que compro de uns produtores japoneses gentilíssimos no Farmers Market. E fiz os croutons, na frigideira de ferro. Cortei as fatias de pão em quadradinhos, ou pelo menos tentei, coloquei um pouco de manteiga na frigideira, adicionei um dente de alho bem picadinho, deixei a manteiga impregnar com o sabor do alho e joguei os cubinhos de pão. Tostei, mexendo sempre com uma colher de pau, até eles ficarei crocantes. Montei a salada na hora de servir.

caquis fuyu
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deliciosos
ganhei da Andrea

sopa de cenoura
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Fui forçada a comprar cenouras no Farmers Market, porque na minha cesta só tem vindo folha verde claro, folha verde escuro, folha verde arroxeada, folha verde espinhuda, folha verde aveludada, folha verde, folha verde. E necas de pitibiriba das outras cores, como o laranja ou o amarelo das cenouras que eu tanto gosto. O produtor de quem eu comprei essas cenouras amarelas me disse que elas tinham o sabor bem semelhante aos da cor de laranja. Eu gostei muito. Lavei, despelei, piquei e fiz uma sopa excepcional. Receita do The Art of Simple Food.

sopa de cenoura

4 colheres de sopa de manteiga
2 cebolas médias em fatias --o cabeção esqueceu de colocar
1 ramo de tomilho
6 xícaras ou mais ou menos 1 quilo de cenouras
Sal
6 xícaras de caldo de galinha -- usei o caseiro

Numa panela de fundo grosso [usei a de ferro] derreta a manteiga. Quando começar a espumar adicione a cebola e o tomilho. Refogue em fogo médio por uns 10 minutos. Adicione as cenouras cortadas em cubos, salgue e refogue por 5 minutos. Coloque o caldo e deixe cozinhar por uns 30 minutos. Ajuste o sal. Bata a sopa no liquidificador. Eu usei o ralo grosso do food mill. Na hora de servir acrescentei 2 colheres de sopa de creme fraiche. Serve de 6 a 8 pessoas, dependendo da fome.

Passe-me uma das coxas do brontossauro, por favor?

No alvorecer da década de oitenta, vivenciei por uns meses algumas situações desconcertantes geradas pela minha participação no processo Fisher-Hoffman. Eu era uma adolescente natureba e fazia a minha comida separada, sem carne, em casa. Essa trabalheira extra e estresse com a minha família não era motivada por nenhuma convicção filosófica, somente pela minha reação natural à uma ojeriza que sempre senti pelos produtos animais, que naquela época incluia também leite e ovos. Eu não entendia muito bem o que era ser vegetariano, porque eu não me considerava oficialmente uma. Mas algumas das pessoas no meu grupo do Fisher-Hoffman—que comigo somavam oito almas a procura de suas ilusões perdidas, eram vegetarianas declaradas. Um casal era bem radical, daqueles que moiam o próprio trigo e faziam aquele pão sólido como uma pedra, que só eles mesmos conseguiam comer. O cara era um agrônomo, ganhou até um prêmio para jovens cientistas por um projeto inovador que ele desenvolveu. E patrulhava com relação às carnes, às farinhas brancas, ao açúcar. Eu concordava com tudo, porque concordava mesmo. Naquela altura do campeonato eu já tinha feito minha passagem pela Raposa Vermelha e tinha lido o Sugar Blues do William Dufty, os livros de macrobiótica do George Ohsawa e já tinha adquirido o meu livro de cozinha favorito, que era a tradução para o português do livro do Ed Brown, The Tassajara Cooking.

Um tempo depois do final do processo eu fui com o Uriel, que ainda era meu namorado, a uma festa de casamento de uma das pessoas do meu grupo do F-H. Nunca vou me esquecer de uma cena que vi durante o almoço que foi oferecido aos convidados. Lá estava o casal que não comia carne de jeito nenhum, que fazia o próprio pão e advogava a vida ultra-super natureba devorando ávidamente coxas imensas de peru assado, que era um dos pratos servidos no almoço. Aquela visão dos vegetarianos totalmente possuídos pelo espírio de Fred e Wilma Flintstone ficou cravada para sempre nos arquivos da minha memória.

salada de rúcula, caqui e nozes
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Um bom punhado de folhas de rúcula, lavadas e escorridas. Dois caquis fuyu descascados e cortados em cubos—o caqui fuyu é bem firme, quase da textura de uma pêra. Toste um punhado de nozes. Prepare um molho vinagrete com 1 colher de sopa de suco de limão [usei o meyer], sal, um pouquinho de mostarda dijon, um pingo de vinagre de vinho branco e 3 colheres de sopa de azeite. Eu acrescentei 1 colher de sopa de xarope de romã. Bater bem com um batedor de arame até o molho ficar completamente emulsificado. Misturar a rúcula com os cubos de caqui, regar com o molho e salpicar com as nozes.

»As nozes estão na temporada por aqui, então podemos comprá-las bem fresquinhas. Eu aprendi a manter as nozes na geladeira e congelar, quando não vou usá-las todas de uma vez. As nozes perdem o frescor e ficam rançosas muito rapidamente. O melhor é comprar em pouca quantidade e usar logo. Isso vale para todas elas, amêndoas, pistachos, avelãs, pinoles, pecans, etc.

para comer com delicadeza
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A Ludmila fez uma viagem à China que eu acompanhei através de fotos e relatos. Mas mal sabia eu que iria ganhar também um memento dessa jornada extraordinária! Vou usar muito esse set tão fofo—merci, Lud!

cansada, eu?

Passei o final de semana organizando a casa. É aquele ziriguidum que acontece uma ou duas vezes por ano. No sábado eu arrumei tudo o que precisava ser arrumado na parte de baixo da casa. Pilhas de livros na cozinha, uma pilha de papéis pra jogar fora e outra pra guardar, geladeira cheia de produtos com data de validade expirada, gaveta com condimentos que precisavam ir pro lixo. O Uriel me ajudou esvaziando e lavando o que iria ser reciclado. Nosso container de recicláveis nunca ficou tão cheio. E tinha cacarecos mil na lavanderia. Nem cheguei na garagem, pois lá preciso de mais um dia. No domingo me concentrei no closet e armários e gavetas de roupas, depois entrei no mundo encantado de papelada do escritório. Cansei, fiquei mal humorada e com dor nas costas, mas botei ordem no que queria colocar. Segunda-feira na hora do almoço estava trocando as roupas de cama e de banho, trocando também a capa do edredon e dos vários travesseiros que enfeitam a cama. Ainda falta organizar as contas do mês, que eu faço online. Comecei a semana esbagaçada. Como segunda é também o dia da cesta orgânica e o Uriel ligou avisando que iria ter que jantar rapidamente e voltar pro trabalho—o que não é algo inédito na rotina dele, eu fiz o prato coringa que sempre faço quando estou com pressa, quando preciso de um conforto: macarrão ao alho e óleo com bastante salsinha e queijo parmesão ralado na hora. Tive que tristemente reciclar dois maços gigantes de verduras da cesta. Ainda sobrou mais um chard colorido, outra verdura arrocheada, mais uma acelgona, alface e rúcula. Vieram também rabanetes e nabos. Nabos!! Nabos?? For Pete's sake, onde estão as cenouras??

buckwheat crêpes
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Outra receita da Alice Waters pela qual eu me apaixonei assim que li pela primeira vez, ainda no livro do McNamee, sem quantidades, onde ela faz somente a descrição desses crêpes de trigo sarraceno. No seu primeiro livro, Chez Panisse Menu Cookbook, Alice publicou a receita completa, com medidas e instruções. Essa é uma receita que ela faz em casa.

crêpes de trigo sarraceno

2 xícaras de leite
1/2 xícara de manteiga - 1 barra de 113 gr
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar
3/4 de buckwheat - farinha de trigo sarraceno
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher de sopa de óleo vegetal
4 ovos
1 xícara de cerveja - deixe sair todo o gás

Numa panela pequena misture 1 xícara do leite, a manteiga, o sal e o açúcar e leve ao fogo médio, até que a manteiga derreta. Retire do fogo e deixe esfriar. Numa vasilha grande e funda peneire a farinha de trigo e a farinha de trigo sarraceno. Faça um buraco no meio da mistura de farinha e jogue lá os 4 ovos e o óleo vegetal. Bata com um batedor de arame, acrescente gradualmente a mistura de leite e manteiga, batendo sempre, e finalmente a cerveja. Bata bem, cubra a vasilha e leve à geladeira por 2 horas. Retire da geladeira, acrescente a outra xícara de leite e bata bem com o batedor de arame. Vai ficar uma massa bem grossa.

Numa frigideira larga e rasa, faça os crêpes. Eu untei levemente a frigideira com manteiga apenas uma vez. Coloque três colheres da massa e espalhe na frigideira até ela ficar bem fininha. Quando começar a formar bolhinhas, vire com os dedos ou com uma espátula e cozinhe mais uns minutinhos do outro lado. Vá empilhando os crêpes, tentando mantê-los quentes. A massa pode ser guardada até dois dias na geladeira. Essa receita dá muitos crepes, você pode diminuir a receita ou fazer para vários dias.

Para servir, prepare uma manteiga temperada com raspas de laranja e açúcar. Eu coloquei uma barra de manteiga orgânica no micoondas por dez segundos, até ela ficar mole, mas não liquida. Juntei as raspas de uma laranja grande e açúcar de baunilha. Bati bem e coloquei na geladeira até a hora de servir. Essa manteiga fica um creme laranja, com um aroma e um sabor que é no mínimo o máximo—não deixe de fazer. Para usar a laranja, piquei em pedacinhos, temperei com Grand Marnier e açúcar. Para servir com os crêpes, tivemos também a opção de mel e creme fraiche.

christmas lima beans cassoulet
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Estava muito animada para usar aqueles gigantes christmas lima beans que li terem um delicioso nutty flavor. Optei por usá-los num cassoulet, que é uma maneira muito boa de fazer feijão em dias frios.

Cozinhei o feijão em água no dia anterior. Fritei algumas fatias do melhor bacon numa panela grande de ferro. Mascerei no pilão alguns dentes de alho com sal grosso e um pedacinho daquela pimentinha vermelha demoníaca. Juntei essa massa de alho ao bacon já frito. Juntei também um punhado de cebolinha verde picada [ainda tenho um surplus] e refoguei por uns minutos, Juntei o feijão com a água do cozimento. Tampei de deixei cozinhando em fogo baixo. No meio do tempo juntei umas conchas de caldo de galinha caseiro e duas linguiças de frango fresquíssimas que comprei no meat lab da UC Davis. Retampei e deixei cozinhar até o caldo ficar grosso. Servi com um arroz cozido com salsinha picada. Os feijões se mantém inteiros e são bem carnudos, com um sabor bem interessante.

buttermilk pudding
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Receita da revista Real Simple de setembro de 2007. Super simples de fazer e com excelente resultado. Não havia recomendação para servir com purê ou caldo de fruta, mas eu achei que ficaria bom. Servi com uma apple butter caseira que ganhei da Elise e que deu um complemento interessante ao sabor levemente ácido do buttermilk.

1 e 1/4 de envelope de gelatina em pó sem sabor
1 xícara de creme de leite fresco - heavy cream
2/3 xícara de açúcar
2 xícaras de buttermilk
1 colher de chá de extrato de baunilha
óleo para untar os ramequins

Misture a gelatina com 1/4 xícara de água numa vasilha pequena e deixe descansar por 3 minutos. Enquanto isso, misture 1/2 xícara do creme de leite e o açúcar numa panela pequena e ponha em fogo médio, mexendo vigorosamente com um batedor de arame, até o açúcar dissolver completamente. Retire do fogo, acrescente a mistura de gelatina com água, que deve estar uma pasta bem mole da consistência de um purê. Bata bem, acrescente o resto do creme de leite, a baunilha e o buttermilk. Misture bem e coloque nos ramequins previamente untados [levemente] com óleo. Cubra com plástico e leve à geladeira por no mínimo três horas.

inspiração [e informação]
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peixe pochê & batatas cozidas
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Aos sábados eu geralmente compro peixe no Farmers Market. O vendedor é o próprio pescador, que pega os peixes na região de Bodega Bay. Ele não tem muita variedade, mas os peixes são sempre fresquíssimos. Decidi comprar o bacalhau fresco e fazer de uma maneira semelhante a que o Scalabis fez o dele. Transformei um pouco a receita, já que o bacalhau inspirador era cozido totalmente no azeite. Resolvi fazer pochê.

Numa panela coloquei água, vinho branco, sal, pimenta do reino, alho picado, salsinha picada e bastante azeite. Coloquei também umas fatias de limão meyer. Mergulhei o peixe na água e coloquei em fogo brando até o peixe totalmente cozido. Pode-se reduzir a água em que se cozinhou o peixe e fazer um molho. Eu não fiz. Servi o peixe pochê com as new potatos cozidas somente na água, sem sal sem nada. As new potatoes são maravilhosas. Elas têm a casca super fininha, que são completamente comestíveis, não precisa remover. O único porém é que as new potatoes precisam ser armazenadas na geladeira e consumidas rapidamente. Servi as batatas e o peixe com creme fraiche e uma manteiga temperada com raminhos de erva-doce picados.