procure & ache

Orgânico, sustentável, local, sazonal, criado e abatido com humanidade, são palavras que eu uso muito aqui no Chucrute, mas que podem deixar de ser apenas palavras e tornarem-se uma ação. Tudo vai depender de como você vai se posicionar diante delas. Quer assinar uma cesta orgânica, quer comprar carne, ovos, leite, produtos de animais criados com respeito, procure um fornecedor mais perto de você.

Para facilitar essa busca, eu decidi montar uma página de links e informações sobre agricultura orgânica e sustentável, que vai ficar permanentemente no menu da direita, logo abaixo do link para o dicionário & dicas. Usem e abusem. Por enquanto há pouca coisa, mas o objetivo é ir coletando mais links e dados e ir melhorando e expandindo a página. Se alguém tiver dicas, sugestões, quiser dividir alguma experiência, boa ou ruim, acrescentar mais links, por favor fique à vontade para deixar um comentário aqui ou me enviar um e-mail.

a tal da cesta orgânica

Muita gente me pergunta que raios de cesta orgânica é essa, a qual eu me refiro todo o tempo aqui no Chucrute. Ela é a minha fonte de legumes e verduras, tem sido por quase uma década. Eu pago uma taxa trimestral e recebo uma cesta cheia de verduras e legumes uma vez por semana. Na verdade eu não recebo, mas vou buscar eu mesma lá na fazenda dos estudantes da Universidade da Califórnia aqui em Davis. Os legumes e verduras são sazonais, então eu só consumo o que está na crista da onda. Tudo é plantado e colhido na fazenda, pelos estudantes e funcionários. Essa cesta não é comercial, mas é uma CSA—Community Supported Agriculture, que é um negócio bem legal, pois você se compromete, pagando adiantado como uma assinatura de revista, a consumir produtos locais, produzidos por uma fazenda da sua comunidade. Pra mim funciona muito bem, apesar que essa cesta contém produtos suficientes para alimentar duas famílias pequenas. Eu costumava dividir minha cesta, mas já faz um tempo que não faço mais, por isso essa abundância que nem sempre conseguimos dar conta.

* nas fotos se vê alguns melões, que chegam no verão. a cesta às vezes tem frutas, mas é um treat, assim como são os feijões, pipoca, tomates secos e as flores.

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Para quem está nos EUA e acha que não vai encontrar esse tipo de CSA na sua região, eu sugiro uma olhada no website do USDA. E sei que esse serviço de venda e entrega de produtos orgânicos está se disseminando e pode ser encontrado por todos os cantos do mundo. Converse com quem já tem esse serviço e mora na mesma área que você. Muitos fazendas fazem entregas em casa. Se puder vá visitar a fazenda, pra ter certeza que não está comprando gato por lebre. Eu estimulo esse tipo de consumo, pois acho que vale à pena. Eu tenho que ir buscar minha cesta na fazenda, depois tenho que lavar tudo muito bem lavado, pois os produtos vêem bem sujos de terra e com bichos, mas não troco minha cesta por nada, muito menos por produtos semi-processados , cheios de orvalho de mangueirinha e lustrosos de cera do supermercado.

Se eu ganhasse uma pataca por cada pessoa que eu já inspirei e ajudei na conversão para os CSA orgânicos nesses últimos anos, já teria uma pequena poupança. Muito bom, muito bom mesmo!

the art of dunking
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"dunking is an art, don't let it soak too long. a dip and sock, into your mouth. if you let it too long it become soggy and falls apart. it's a matter of timing. i'll write a book about that. 20 millions and you don't know how to dunk!"

It Happened One Night, é um filme fofésimo, dirigido pelo Frank Capra em 1934. Eu já revi esse filme tantas mil vezes que já sei até alguns diálogos decor. O filme foi feito sem nenhuma ambição e acabou sendo uma surpresa no box office e abocanhando um monte de Oscars. É um road movie onde os personagens estão tentando se locomover do ponto A para o ponto B e na duração desse trajeto toda a trama de desenvolve. Em It Happened One Night, uma ricaça mimada [Claudette Colbert] está fugindo do pai, tentando chegar em NY para se casar com um canastrão. Seu companheiro de banco no ônibus é um jornalista desempregado [Clark Gable], que vai ajudá-la a chegar ao destino, na esperança de vender a história para o jornal. Nem preciso dizer o que vai acontecer. né? Bom, nos anos 30 o povão viajava de trem e ônibus e neste filme o meio de transporte é o busunga. Como eles estão atravessando o país, a viagem é longa e cheia de paradas. Numa delas, os passageiros têm a oportunidade de dormir num motelzinho e é o que Colbert e Gable fazem, tomando o cuidado de dividir o quarto com as muralhas de Jericó—um cordão com um lençol pendurado, afinal de contas eles não eram casados!

Na cena do motel, Gable acorda antes e prepara o café da manhã, que consiste de café preto, um ovo e um donut para cada um. Enquanto tomam café e conversam, Colbert enfia o donut no café e Gable faz uma cara de horrorizado! Você não sabe mergulhar o donut no café? Tem que fazer em movimentos rápidos, mergulhar e colocar na boca, se deixar muito tempo no café ele fica muito molhado e se desmancha. 20 milhões de dólares e não sabe molhar um donut! Ela aprende a lição rapidamente e molha o donut da maneira que ele ensinou. Uma cena pra se guardar na memória e aprender, afinal mergulhar o donut no café é uma arte!

Rhubarb & white chocolate buttermilk cupcakes
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Fui comprar pão e leite e vi ruibarbos, super vermelhos e fresquinhos, comprei dois talos. Essa é a minha segunda experiência com o ruibarbo. A primeira teve seus muitos percalços. Já estou achando que não dou muita sorte com esse ingrediente. Pensei em fazer uns muffins com ruibarbo e maçãs. Coloquei as palavras chaves no google e a primeira receita que apareceu foi esta. Nem quis procurar mais—era essa mesma que eu iria fazer! Achei facílima, com uma mistura de ingredientes maravilhosa. O unico problema é que eu não me adapto mais à essas medidas em gramas. Sinto muito, mas gosto do modo americano das xícaras e colheres. Você compra um set padrão e não tem como errar. Por isso as receitas da Marthinha S. dão sempre certo pra mim. Com essa receita o que aconteceu, concluí, foi que não consegui traduzir as maledetas gramas do buttermilk. Sinceramente, como se mede liquido em gramas, eu não entendo. Fiquei com pregui de usar o conversor e simplesmente coloquei um recipiente na balancinha, descontei o peso dele e pesei o buttermilk. Óbviamente que não deu certo, pois eu achei que os cupcakes ficaram muito moles, parecendo um bombocado. Sem falar que 150g de chocolate também foi demais. Usei um chocolate californiano de excelente qualidade, o Ghirardelli e mesmo assim achei que essa quantidade deixou os muffins muito oleosos.

Bom, no dia seguinte eles ficaram um pouco mais firmes e apesar de estarem bem comíveis, o resultado não foi o que eu esperava. De qualquer maneira, valeu pela experiência e me ensinou a lição de não me entusiasmar tão rapidamente com a primeira receita que me aparecer na frente e sempre procurar uma que tenha medidas em xícaras e colheres—better safe than sorry.

rhubarb & white chocolate buttermilk cupcakes
[faz 12 cupcakes normais ou 10 grandes]

150 g de açúcar
80 g de manteiga amolecida
2 ovos grandes
225 g de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
150 g de buttermilk
400 g de ruibarbo
150 g de chocolate branco em pedaços

Pré-aqueça o forno em 225º C/435ºF.
Bata o açúcar e a manteiga até virar um creme. Adicione os ovos e continue batendo. Acrescente a farinha e o fermento, depois o buttermilk. Adicione o ruibarbo já lavado, descascado e cortado em cubinhos. Mexa e coloque o chocolate delicadamente. Distribua a massa em forminhas de muffins e asse por 20 minutos. Deixe esfriar numa grade.

até ele viu...
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The Meatrix

pasta com tomate seco & aliche
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Foi só eu decidir comprar um pouco de tomate seco no Farmers Market que chegou um saco deles na cesta orgânica. Pronto, lá estava eu com um potão cheio dos tais tomates. Mas esses são sun-dried tomatoes, que não são macios. Para usá-los precisa antes deixá-los de molho na água e foi o que eu fiz, antes de tudo. Depois cozinhei espaguete de farinha de spelt [farro] em bastante água bem salgada. Quando o macarrão ficou al dente, escorri e tampei. Na mesma panela joguei azeite e alho picadinho. Quando o alho estava quase dourado, temperei com sal e pimenta do reino branca moída. Joguei os tomates escorridos e picadinhos, depois um punhado de azeitonas pretas sem caroço e no final espremi meio tubo de pasta de aliche [anchovas], que era o que eu tinha. Pode usar meia latinha de aliche picadinho. Misturei bem para o aliche dissolver e acrescentei o macarrão cozido, misturei, tampei. Polvilhei com queijo parmigiano peggiano ralado na hora.

*acho que essa receita já andou por aqui, no passado remoto...

plin!
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começou

corned beef & cabbage
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Tudo começou com um repolho. Eu não sou fã desse legume, apesar do nome do blog, eteceterá e tal, longa história. Mas quando chega repolho na cesta orgânica eu enfrento bravamente. Neste inverno estou com sorte, pois até agora só veio um, dos comuns. Teve ano que eu me afoguei nos repolhos de todos os tipos, os roxos, os de folhas lisas, os de folhas crespas.

Mas por causa desse repolho, comecei a pensar em opções para usá-lo. Foi então que lembrei do interessante corned beef, que preparei apenas uma vez, há muitos anos. Eu sempre penso no corned beef como comida de camponês, pois é basicamente um corte de carne não muito macio, preservado numa salmora com especiarias e cozido geralmente num ensopado com repolho. Dizem que corned beef & cabbage é o rango típico de St Patrick's Day, uma festividade que não faz parte do meu pacote de dias comemoráveis, e da qual portanto nunca participei.

Decidida a fazer a carne ensopada e acompanhá-la com o repolhão da cesta, fui primeiro atrás de um corned beef que atendesse às minhas condições imprescindíveis para carne consumível—do animal criado e abatido em condições humanitárias. Depois disso, fui atrás de uma receita. A que achei era para ser feita no forno, mas adaptei para fazer na panela elétrica, a crock pot ou slow cooker, que é uma maneira muito pratica de fazer esse tipo de carne que requer muitas horas de cozimento.

A receita original do corned beef and cabbage feita no forno está AQUI. Segue a minha versão para a panela elétrica.

1 peça de corned beef*
1 laranja grande cortada em fatias
1 repolho fatiado fino
1 maçã das mais acidas, cortada em fatias
Água o suficiente para cobrir o repolho

Coloque o repolho picado no fundo da panela. Coloque a peça de corned beef em cima. Coloque as fatias de maçã e de laranja em volta. Cubra com água, tampe e ligue em temperatura baixa. A minha carne ficou 10 horas cozinhando, isto é, durante a noite. Desliguei pela manhã, deixei a carne esfriar, removi a carne e o repolho para uma sopeira. Coei o liquido, que vou usar como caldo. Fatie a carne e sirva acompanhada do repolho, frio ou quente, com uma fatia de pão integral e uma mostarda forte.

*se não achar corned beef à venda na sua cidade, você pode tentar fazer em casa com esta receita.

conforte-me com... brocólis
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Muitas vezes sinto pena da segunda-feira—o dia mais odiado da semana. Gostaria que as segundas tivessem o espírito das sextas, assim seríamos todos muito mais felizes. Mas desafortunadamente segundas são segundas, então temos que enfrentar o dia número dois com coragem e determinação, pois ele realmente pesa. As minhas segundas são completamente atrapalhadas e é nesse dia que eu me sinto muito mais cansada. Essa segunda não foi diferente. Quando li a lista dos legumes e verduras da cesta orgânica já previ meu desalento de final da tarde. Primeiro tendo que lavar tudo aquilo. Segundo tendo que bolar maneiras criativas de usar os tais onipresentes do inverno—bok choi, red Russian kale, Carinata Kale, [as temidas verduras], beterrabas, uma alface monstra, cenouras, o horrorildo broccoli romanesco, rabanetes, alho-poró, endro e alecrim, sun-dried tomatoes e uma quantidade absurda de brócolis.

Quando tirei a alface da cesta quase desfaleci. Quem tem aquela idéia estereotipada de que produtos orgânicos são feios, pequenos e minguados, precisa dar uma olhada na minha cesta! O solo de Davis deve ser muito bom, porque eu recebo coisas gigantes. O monstro da semana foi a alface, que parecia ter saído do seriado Terra dos Gigantes. Lavei pacientemente 287654322098 folhas, não só as da alface turbinada, mas também as das couves e do bok choy. Quando acabei, olhei pros brócolis, o romanesco e o comum, e senti uma vontade de chorar. Nem vou contar o que tenho acumulado nas gavetas da geladeira, pra não deixar ninguém angustiado. Bom, tenho que usar todas essas maravilhosas verduras e legumes, então vamos lá, cozinhar esse brócolis, fazer algo legal. Pensei em sopa. Nannn. Pensei em cozinhar no vapor. Então cozinhei no vapor e quando os raminhos ficaram tenros, coloquei numa saladeira e deixei esfriar.

Decidi que os brócolis cozidos iriam virar salada. No momento que tomei essa decisão, lembrei da salada de brócolis cozido que se fazia na casa dos meus pais e que eu comi praticamente a minha vida toda. Nada complicado, nada exótico, nada especial. Mas como tem gosto de memória, é sem dúvida a melhor. Apenas tempere os brócolis cozidos com sal, azeite e vinagre de vinho tinto. O vinagre de vinho tinto é o que dá o gostinho especial. Pode não ser especial pra ninguém, mas é especial pra mim. E nessa odiada e cansativa segunda-feira, comer essa salada de brócolis da minha infância, pegando os raminhos com as mãos mesmo, me proporcionou uma sensação imensa de conforto.

tortinhas de alho-poró & queijo
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No próximo Natal eu vou pedir encarecidamente aos meus convidados que não tragam NENHUM queijo e NENHUM vinho, pois ainda estou lidando com o surplus desses ingredientes. O vinho tudo bem, fica descansando. Mas queijo não tem vida tão longa. Ainda tenho queijos do Natal na geladeira—lord have mercy! Gastei metade de um deles, um double cream francês com um sabor de manteiga, fazendo essas tortinhas de queijo e alho-poró.

Refogue um talo de alho-poró picadinho numa colher de manteiga. Tempere com sal e pimenta do reino branca moída. Acrescente 1/2 xícara de leite, deixe ferver. Abaixe o fogo e acrescente o queijo cremoso em pedacinhos—use qualquer queijo com consistência cremosa. Deixe derreter, tire do fogo e reserve. Eu usei massa pronta, mas se você tiver tempo e disposição pode fazer uma massinha caseira. Forre os ramequins com a massa, encha com o recheio e cubra com massa se quiser, pode não cobrir e fazer mini-quiches. Asse em forno médio até que a massa esteja dourada. Sirva com uma salada de folhas verdes.

o pudim & o Oscar
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Eu assisto à cerimônia do Oscar há muitos anos. Lembro de estar deitada num sofá antigão que tinha na primeira casa que meus pais moraram em Campinas e assistindo ao Oscar, sozinha no escuro. Lembro dos prêmios que Um Estranho no Ninho recebeu. E do Keith Carradine cantando I'm Easy sozinho com um violão no palco. A música concorria por Nashville e ganhou o Oscar de melhor canção do ano. Eu era uma adolescente tímida e magricela e o Oscar era uma coisa super especial pra mim. Era gostoso aquele ritual de ficar acordada até de madrugada. Achava super estranho eu estar de pijama às 11:30pm e os artistas estarem entrando na festa sob a luz do sol. Na minha infantilidade eu imaginava que eles ficavam um tempão pra entrar e outro tempão esperando lá dentro. Agora que estou no mesmo fuso horário da festa, ela começa às 5:30pm pra mim.

Hoje o que eu mais curto durante o Oscar é ficar batendo papo pelo computador com o Moa. Eu aqui empacotada bebendo chá, ele lá de shorts, suando e devorando um pote de sorvete de açaí. Eu aqui pensando no jantar, ele lá pensando na cama, porque no Rio de Janeiro já é madrugada. Nos fofocamos sobre tudo, fazemos comentários durante os discursos chatos e nas propagandas, damos risadas reais e virtuais, nos emocionamos, concordamos e discordamos, torcemos pelos nossos favoritos, tudo ao mesmo tempo, ao vivo na tevê e no nosso chat particular.

Eu não faço comida especial pra noite do Oscar. Meu dia acaba cedo, pois eu sento pra ver o red carpet e só saio da frente da tevê quand o host da festa diz boa noite. Quanto muito rola um snack improvisado. Na maratona deste domingo eu sobrevivi com uma porção do pudim de pão da infância da Judith Jones, que refiz, desta vez usando cerejas secas no lugar das passas douradas. Também bebi chá de genbibre com limão e lá pelas 8pm o Uriel me trouxe uma banana. Eu não quero saber de comer durante o Oscar. Só quero prestar atenção nas roupetas, nas piadas, nos comentários, nas caras e bocas, criticar e elogiar, dar risada e chorar, e teclar com o Moa. Comer é uma atividade que nunca fez parte do show pra mim e que sempre ficou pra depois.

tô-fraco-tô-fraco-tô-fraco

Cheguei no trabalho pela manhã, tive apenas tempo de ligar meu computador e ainda estava de casaco e boina quando meu chefe veio falar comigo:

[C]—você viu as aves lá fora? elas estão naquela parte de grama da esquerda e são muitas.
[F]—não vi, elas estão vivas ou mortas?
[C]—vivas! estão ciscando todas juntas no gramado!
[F]—nossa, não vi nada! onde?

Ele me acompanhou até a porta e quando abriu eu pude ver, como se estivesse sonhando, um bando de galinhas d'angola gorduchudas e felizes atravessando a rua apressadamente. Uma que ficou um pouco para trás, deu até uma voada rasante para conseguir alcançar as outras. Fiquei pasma! Ficamos confabulando que tipo de aves eram aquelas, embora eu já soubesse que eram com certeza as famosas d'angolas. Mas de onde elas sairam? Será que elas pertencem à algum departamento da faculdade de veterinária? Que eu saiba na UC Davis não tem zoológico.

pastina salad
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Pastina é um micro-macarrãozinho em forma de estrelinha, que é normalmente usado em sopas, mas eu usei para fazer uma salada. Achei uma receita bem interesante, mas como eu não tinha alguns ingredientes importantes, resolvi simplificar. Ficou muito boa. Com todos os ingredientes deve ficar melhor ainda. A pastina de longe pode enganar os desavisados, que podem pensar que você está servindo couscous. Mas a textura e o sabor são bem diferentes e se você olhar de pertinho, vai ver que os grãozinhos são na verdade estrelinhas.

Cozinhe a pastina al dente, como faria com qualquer massa, na água salgada. Coe, coloque numa vasilha e reserve. Toste algumas amêndoas em lascas. A receita original pedia pinoles, mas eu não tinha. As amêndoas foram ótimas substitutas. Misture um punhado de currants, aquelas passas minúsculas, na pastina cozida. Junte as amêndoas. Faça um tempero com sal, suco de laranja, água de flor de laranjeira, cominho em pó, curcuma [tumeric] em pó, noz moscada ralada, e azeite. Tempere a pasta com essa mistura e acrescente bastante coentro picadinho. Misture e sirva.

purê de ervilha com hortelã
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A receita deste purê de ervilha é uma daquelas que não tem passado—não me lembro de onde ela saiu, mas já faço há anos, sempre para acompanhar peixe, principalmente salmão. Neste remake o ator coadjuvante foi o halibut, mas a performance do purê continuou digna de um Oscar.

halibut ao creme de laranja
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Coloque o halibut num refratário e tempere com sal e pimenta. Cubra com raspinhas da casca de uma laranja e depois regue com o suco espremido dessa laranja. Polvilhe com um pouquinho de noz moscada ralada. Cubra com pedacinhos de manteiga de limão [manteiga+raspas de casca de limão], cubra com papel alumínio e asse em forno médio por uns 2O minutos. Retire o alumínio, asse mais alguns minutos. Se quiser pode parar por aqui, mas eu fui adiante com um passo mais ousado e não me arrependi. Coloque o molho que formou na assadeira numa panela. e reduza em fogo médio. Acrescente um pouco de creme de leite, deixe ferver e jogue esse molho sobre o peixe. Sirva imediatamente.

Indio mandarinquats
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Indio mandarinquat—A kumquat-mandarin hybrid with orange, bell-shaped fruit much larger than a typical kumquat. The sweet peel is eaten along with the tart flesh for a unique flavor combination. Slice in quarters for garnish or eat right from the tree for snacks.

salvem as tubaroas!

Fui comprar o peixe do sábado e vi que na lista não tinha o tubarão mais uma vez. Comprei um filé de tubarão outro dia e adoramos. É um peixe saboroso e relativamente barato. Sem essa opção e querendo um peixe carnudão, optei pelo halibut, que é bem mais caro, mas vale cada centavo. Enquanto pagava, perguntei para o pescador:

[F]—quando você vai ter tubarão pra vender novamente?
[P]—ah, não tem jeito de saber, não é sempre que eu pesco um deles...
[F]—eu comprei umas semanas atrás e achei muito saboroso.
[P]—sim, mas eles não são fáceis de pescar e quando eu pego um, só fico com ele se for um macho, se for fêmea eu jogo de volta no mar, porque você sabe, as fêmeas podem estar carregando filhotinhos...

Paguei meu halibut e voltei pra casa toda pimpona de contente. Onde mais podemos ter um diálogo desses? Na peixaria do supermercado que certamente não é.

as tulipas são lindas
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idiot wind

"idiot wind, blowing every time you move your mouth, blowing down the backroads headin' south. idiot wind, blowing every time you move your teeth, you're an idiot, babe. it's a wonder that you still know how to breathe." Dylan

Estou um bocado cansada, porque tudo pode ser feito com gentileza, cuidado e delicadeza, mas muitas vezes se escolhe o caminho inverso. Eu adoro escrever aqui, e apesar dos meus constantes erros de grafia e atrapalhamentos gerais, essa ainda é uma atividade que me deixa muito feliz. Entretanto, eu adorava participar da comunidade, mas aos poucos meu entusiasmo está murchando...

Uma tempestade com ventos de mais de cem quilometros por hora se aproxima da nossa região. Da outra vez que tivemos uma tempestade assim, foi um caos e muita gente ficou sem eletricidade por alguns dias, muita gente teve que ir para shelters providenciados pela cidade, acabou o estoque de tudo nos supermercados que ficaram abertos, o Co-op fechou e teve um baita prejuízo, pois teve que jogar fora muita comida que ficou sem refrigeração. Nós ficamos bem, mas depois que vimos a seriedade da coisa que caimos na real que não tínhamos nem velas em casa. Hoje vamos nos preparar, pois o idiot wind parece estar soprando para todos os lados.

from Mexico
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excuse me

Tem coisa mais chata que ser pega com a boca na botija, comendo algo, com farofa no cantinho da boca, iogurte pingado na ponta do queixo, qualquer coisa colada no dente, não te deixando falar direito? Mas tem sempre aquela pessoa inconveniente que se aprochega bem na hora agá e não se toca que você está com um saco de bolachas numa mão e uma delas mordida na outra, sem falar nas migalhas espalhadas pelo seu suéter preto. Vai chegando e nem repara que você está segurando a colher suja de iogurte e que o copinho está pingando, já puxa um papo descontraído, pergunta como você vai, comenta do frio, conta do gato. E você ali com a colher suspensa, com a boca suja, sem saber o que fazer com as mãos, tendo que responder, tentando não espirrar o que está na boca, procurando manter a pose durante os minutos mais ridiculamente longos do seu dia.

mais feijão
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Feijão é uma delicia! Eu gosto de todos os tipos, servidos em pratos frios ou quentes, temperados de todas as maneiras, mas até sem tempero o feijão é gostoso, carnudo e substancioso. Eu gosto especialmente de cozinhar os feijões e servir de maneira simples, ainda quente, como se fosse uma salada.

Para essa receita eu usei os cranberry beans, que deixei de molho na água de um dia para o outro. Cozinhei na panela de terracota em fogo baixo por mais ou menos uma hora. Os grãos devem ficar tenros, mas não podem desmanchar. Removi os grãos da panela com uma escumadeira e temperei com sal, pimenta do reino moída, um pingo de vinagre de laranja, bastante azeite e ervas frescas. Gosto da salsinha fresca no feijão, mas como só tinha coentro, foi coentro mesmo, que eu também adoro.

Você pode cozinhar o feijão com um raminho de sálvia, ou um raminho de alecrim, ou folhas de louro. Também pode jogar lá na água uns dentes de alho. Só não pode colocar sal. Depois de cozido os feijões podem ser temperados com qualquer outro tipo de erva fresca ou seca. Feijões são gentis e dóceis, além de naturalmente ultra-saborosos.

stir fry com bok choi & bambu
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Esses bok choi chegam toda semana e às vezes me deixam cansada, pois verdura é uma coisa que pode acabar numa repetitiva mesmice. Essa verdura chinesa é bem delicada e suave. Desta vez fiz uma espécie de stir fry, ou poderia dizer um fry xadrez. Usei uma frigideira de ferro por pura preguiça de pegar a wok, mas funcionou bem. Azeite mais uns pingos de óleo de gergelim, refoguei meia lata de fatias de broto de bambu, acrescentei o bok choi picadinho, temperei com sal, joguei uns amendoins turbinados com chili. Nhocnhocnhoc!

tanto talento desperdiçado
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Um doce para quem adivinhar qual das três sou eu. Algumas dicas para ajudar no prognóstico: uma é minha prima, a outra é minha irmã; o tio da minha mãe apertava nossas bochechas e dizia pra minha irmã que ela era mais linda, pra minha prima que ela era a princesa, e pra mim, cof cof, que eu era a artista. Eu poderia ter virado um Jim Carrey de saias e poderia ter feito fama e fortuna caindo de cara no pudim nos filmes de Hollywood, mas invés disso acabei apenas dandos meus tropeços privativamente no tapete da minha cozinha e caindo com a cara no pudim sem público pagante aplaudindo.

**update revelador: a única com talento pra Jim Carrey nesse trio é a primeira, altona e careteira! e é claro que eu sou a primeira. a segunda charmosinha é minha prima. e terceira fofíssima é minha irmã.

11:39 - hora de encher linguiça

Mergulho num estado de estagnação por um momento, olhando para a tela, mente vazia, nenhuma idéia, nenhum pensamento, nada. Quando então começo a pensar no almoço, no que irei comer. Não são pensamentos sofisticados, pois meu rango é sempre composto de restos requentados ou algo feito rápidamente no improviso. Mas quando chega perto do meio dia meu estômago ronca e eu começo a fazer uma avaliação mental do que tenho na geladeira, decidindo o menu du jour, porque é no almoço que eu sinto mais fome. A caixinha do calendário pula, avisando que está quase na hora de montar na bicicleta e atravessar o campus impregnado pelo cheiro de carne assada, sopa e frango frito. Passo pela horda que carrega pratinhos e caixinhas com comida, pedalo rápido pois estou com fome e os restos de ontem me esperam—delícia de rangabofe, que fica melhor ainda porque é devorado no conforto e na tranquilidade da minha casa.

garfo & faca
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O que podemos fazer

A divulgação de um video perturbador pela Humane Society precipitou o maior recall de carne da história deste país. Eu não vi o vídeo, porque não consigo. Mas não preciso ver o horror pra me sentir completamente enraivecida e desolada. O excelente food blog The Kitchn listou alguns links úteis e outros importantes para alargar os horizontes da discussão. O que importa é que o video chocou e que o USDA tomou uma atitude, que deveria se expandir e multiplicar. Pra quem ainda não sabia desses horrores, fica a pergunta—e agora, o que fazer? Pra mim a resposta é muito simples: diminuir o consumo de carnes e buscar produtos de fontes confiáveis. Eu não quero contribuir com nem UM CENTAVO para essa indústria baseada em brutalidade e crueldade. Além do meu já declarado compromisso com os fazendeiros e pequenos negociantes do Farmers Market e com os supermercados locais, ainda posso contar com uma grande ajuda—o Eat Well Guide, um mecanismo de busca para ajudar a encontrar os bons produtores na sua área. Funciona otimamente, para EUA e Canadá.

chocolate peach-apricot cupcakes
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Receita do How to Be a Domestic Goddess, da Nigella Lawson, originalmente chamado de Chocolate Cherry Cupcakes, mas como eu fiz com geléia de peach-apricot, virou Chocolate Peach-Apricot Cupcakes. Ela usa a morello cherry preserve e aconselha diminuir a quantidade de açúcar caso se use uma geléia de qualidade inferior. Assumindo que a minha geléia de pêssegos e damascos poderia não ser tão sofisticada quanto a da Nigella, eu fui logo diminuindo a quantidade de açúcar de 1/2 xícara, para 1/4 xícara. Mesmo assim achei que ficou um pouco doce pro meu gosto. Se um dia eu fizer esses cupcakes novamente, vou eliminar totalmente o açúcar.

Fiquei com medo de encher totalmente as forminhas e fazer cupcakes mushrooms, e acabei não enchendo o suficiente. Deram mais bolinhos, mas eles ficaram meio baixolas. Sempre um erro de tática, levando ao acréscimo da feíura nos resultados. Mas tudo bem.

No livro, os cupcakes têm uma cobertura feita com creme de leite fresco e chocolate amargo, mas eu achei melhor pular essa parte, já que vou levar os bolinhos para os meus colegas no trabalho e cobertura melequenta não combina com container e bicicleta.

1/2 xícara - 4 oz - 113gr de manteiga sem sal
1/2 xícara - 4 oz - 113gr de chocolate meio amargo em pedaços
1 1/2 xícara de geléia de cereja - usei de pêssego e damasco
1/2 xícara de açúcar - usei 1/4, mas poderia eliminar esse item
Uma pitada de sal
2 ovos grandes batidos
1 xícara de farinha com fermento - como não uso esse produto, acrescentei 1 colher de chá de fermento em pó à farinha

Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC.Coloque a manteiga numa panela de fundo grosso e leve ao fogo médio. Quando a manteiga estiver quase totalmente derretida, acrescente o chocolate picado e mexa uns minutos até ele derreter quase totalmente. Remova do fogo, continue mexendo até ficar um creme bem liso. Transfira para uma vasilha, acrescente os ovos, a geléia, o açúcar e o sal. Misture bem, com um batedor ou colher de pau. Acrescente a farinha e fermento e incorpore bem. Divida a massa entre doze forminhas de muffins e asse por 25 minutos. Deixe esfriar, transfira para uma grade.

Se for fazer a cobertura, derreta mais 113gr de chocolate meio amargo numa panela, acrescente 1/2 xícara mais 1 colher de sopa de creme de leite fresco [heavy cream], continue batendo até levantar fervura, retire do fogo e continue batendo até ficar um creme grosso. Decore os bolinhos e coloque uma cereja em calda no topo de cada um.

party of three
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Finais de semana são preciosos pra mim. Se eles forem prolongados, com um feriado na segunda então, eu aproveito cada minuto. Na segunda, feriado do dia do presidente que nas atuais circunstâncias poderia ser equiparado com o dia de finados, foi um dia ensolarado e tranquilo. Convidamos o Gabriel pra almoçar e ele veio feliz bater um ranguinho da mamãe. A Marianne estava visitando o pai em San Luis OBispo, então ele veio sozinho. Colheu uns dez limões do limoeiro e com o seu muque de quebrador zen de tábuas de taekendo espremeu todos eles com a maior naturalidade, sem nem se curvar ou suar. Fizemos uma super limonada, adoçada com nectar de agave, que eu acho que é um adoçante que fica bem suave em limonadas. Eu adoro olhar o prato que meu filho faz quando almoça aqui em casa. É uma coisa impressionante. Fico feliz pensando que ele gosta da minha comida, mas também penso o quanto ele gasta de energia e o quanto precisa repor. Meu filho come como um estivador das docas! Nesse feriado comemos, conversamos, bebemos limonada e vinho, não teve sobremesa mas ninguém se importou. Um almoçinho em família num final de semana prolongado é uma das melhores coisas dessa vida.

* comprei uma linda toalha de plástico florida para colocar na mesa do quintal e acabei usando na mesa da cozinha. achei que ficou vistosa e festiva, e deu uma atmosfera quase primaveril ao ambiente.

Sue's rice muffins
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Para gastar a farinha de arroz que comprei para fazer a sobremesinha persa, resolvi preparar uma receita de muffins que veio impressa no próprio pacote. Ficou diferente. Não arrasou Paris em chamas, mas agradou o suficiente para virar a atração principal do chá da noite do domingo. O que eu gostei mesmo é que essa receita faz apenas 6 unidades, o que evita o desperdício.

Numa vasilha coloque:
1 ovo da galinha feliz
1/2 xícara de liquido—água, suco de fruta, leite, iogurte *usei leite
2 colheres de sopa de açúcar
1 xícara de farinha de arroz
2 colheres de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de nozes picadas ou 1/4 xícara de passas ou outro tipo qualquer de fruta seca *usei black currant berries

Bata tudo muito bem, coloque em seis formas de muffins untadas ou cobertas com forminhas, asse em forno pré-aquecido em 425ºF/ 220ºC por 20 minutos.

croxetti com molho de nozes
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O Edu apelidou o empório Santa Luzia em São Paulo de sex-shop e eu concordo plenamente com o cognome, mesmo sem nem conhecer o lugar. Não querendo ser uma imitonilda invejozinha, mas vou ter que contar que também tenho o meu sex-shop, que freqüento uma vez por mês. O meu chama-se Corti Brothers e fica em Sacramento. Lá se pode encontrar absolutamente de tudo. Darrell Corti, o atual proprietário e filho de um dos irmãos que abriram o negócio juntos em 1947, é considerado pelo editor da revista Saveur como o cara que mais entende de comida e vinho, como nenhum outro no mundo. Isso já diz tudo sobre o meu fabuloso e excitante sex-shop—pisc!

Talvez por causa da ascendência de Darrell Corti, os produtos italianos abocanham um espaço bem influente dentro do supermercado. A seção das massas de macarrão é um bom exemplo. É um corredor inteiro dedicado às pastas, das artesanais às industriais, das simples às sofisticadas, as tradicionais e as modernas, de todos os preços, mais da metade delas importadas da Itália. Eu fico lá, naquele imenso corredor, andando pra lá e pra cá completamente atordoada. Minha famosa librianice fica atacada quando estou no Corti Brothers, porque simplesmente não sei o que escolher com tantas opções e variedades.

Desta vez trouxe um estoque de pasta que vai durar um tempo. A primeira, que não dava para esperar pra preparar, foi a croxetti, uma massa artesanal típica da Liguria, no norte da Itália. É recomendado que ela seja servida com pesto. Mas no pacote tinha uma receita de molho de nozes, que foi o que eu decidi fazer. Ficou bem interessante. A pasta parece uma hóstia grossa e cozinha bem rápido. Achei bem leve. O molho também ficou incrivelmente delicado. Eu preferiria que tivesse ficado mais cremoso e menos pedaçudo. Se fizer outra vez vou colocar um pouco mais de azeite e de creme e vou bater tudo junto no processador.

molho de nozes – walnut sauce

Coloque 2 xícaras de nozes numa vasilha e encha com água fervendo. Deixe descansar por 3 minutos. Escorra e moa as nozes no processador. Acrescente 4 colheres de sopa de azeite, 2 colheres de sopa de creme de leite fresco [heavy cream]. Tempere com sal e pimenta do reino moída a gosto. Misture bem e tempere o macarrão cozido com esse molho, misturando bem para incorporar. Sirva com bastante queijo parmigiano peggiano ralado na hora.

O respeito que eles merecem
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O Dilema do Onívoro de Michael Pollan é um livro impressionante, cuja leitura com certeza vai causar algum tipo de mudança na vida de quem estiver predisposto. Pra mim, o efeito foi devastador na minha rotina de semi-carnívora.

Eu sempre acreditei que não nasci carnívora, pois desde as minhas mais tenras lembranças eu olhava para a dieta com carnes de animais com uma certa repulsa. Mas também não posso afirmar que sou uma vegetariana. Fico ali em cima do muro, me equilibrando entre ascos de nojo e comendo animais com uma certa desconfiança. Nunca pensei em adotar uma dieta vegetariana, embora tenha passado por longos períodos de abstinência. Não foi decisão, foi só acontecendo.

Ainda não tenho intenção de adotar uma dieta cem por cento vegetariana, mas a leitura do livro do Pollan me fez ver claramente um fato que eu sempre soube que existia, mas nunca fui buscar informação sobre detalhes: a brutalidade e a crueldade na indústria de criação de animais para consumo. Sempre pensei nas galinhas e nas vacas, mas nunca soube, ou quis saber, exatamente o que acontecia com elas. Mas agora eu tenho um pouco de informação, que é apenas uma olhadela no horror dos criadouros e abatedouros, mas pra mim já foi suficiente.

Chorei de desidratar em muitas partes do livro. O único livro que tinha me feito chorar desse jeito foi o Ensaio sobre a Cegueira, do José Saramago, que li há muitos anos e que me impressionou muito. Depois dele veio O Dilema do Onívoro.

Quando Pollan revelou a chocante informação de que os porcos são TÃO ou MAIS inteligentes que os cachorros, eu desfaleci de tristeza… Se você tem ou teve um cachorro, sabe como eles reagem ao sofrimento. Pois o porco, confinado num campo de concentração sem espaço, estressado ao ponto de comer o rabo do outro porco que está na sua frente, também estressado e sem espaço, nunca vai ter a vida de um cachorro. Poderia ser um filme de terror, mas não é.

O que acontece comigo agora é que eu não consigo tolerar nem olhar pra aquelas bandejinhas com cortes de carne no supermercado. Sinceramente, não dá. Eu continuo comprando carne, mas eu preciso ter certeza que estou comprando um produto decente, que fez o animal passar pelo processo todo com um mínimo de humanidade, com um pouco de respeito, porque eu não acho completamente errado que animais morram pra nos alimentar, mas tudo tem que ser feito com dignidade e com compaixão.

Pollan discute o fato de que um animal criado em condições melhores vai encarecer o produto final, mas a verdade é que ninguém precisa comer carne todo santo dia. Assim, quando comêssemos carne—diz Pollan—faríamos com consciência, com cerimonia e com o respeito que os animais merecem.

somente gerberas
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que eu adoro!

sábado é dia de peixe
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Não é um esquema rígido, mas sábado é geralmente o dia de fazer peixe aqui em casa. Eu compro na barraca do pescador no Famers Market, que é o único lugar onde eu confio que o peixe é super fresco. Neste sábado eu voltei quente para comprar o tubarão, que comemos na semana passada, mas não tinha. Em compensação tinha sole [linguado] e halibut, que é um peixe smplesmente delicioso. Fiquei pensando uns minutos e acabei optando pelo sole. Preparei de uma maneira bem simples, que gosto, pois é rápido e saudavel. Faço o peixe embrulhado no papel.

Primeiro fiz uma manteiga de limão, com um tablete de manteiga levemente salgada da melhor qualidade e raspinhas da casca de 2 limões [amarelos]. Temperei o peixe com o suco do limão, sal e pimenta. Ralei várias batatinhas novas no mandoline, fiz uma cama com as batatas e cobri com um lençol de erva-doce, também ralada fininho no mandoline. Deitei o peixe ali e salpiquei com pedaços da manteiga de limão e salsinha fresca picada. Fechei o papelote e são 15-20 minutos de forno alto. Servi com uma salada de alface.

Fereni
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Vi essa receita de origem persa no caderno Comida da Folha de São Paulo que é aberta à plebe—não assinantes, como eu. Achei super interessante e, principalmente, fácil. Não entendi bem o que é o creme de arroz, se é um preparado tipo para mingau, então substituí pela farinha de arroz. Para ficar chiquezinho e coloridinho como o da foto do jornal, usei Grenadine, um xarope de romã usado em cocktails. Não achamos o fino da bossa, mas é bem gostosinho.

250 g de açúcar
40 ml de água de rosas
250 g de creme de arroz * usei farinha de arroz
1 litro de leite integral
Pistache picado
Pétalas de rosa para decorar *não usei

Misture o leite com a farinha de arroz e leve ao fogo médio, mexendo sempre com um batedor de arame ou uma colher de pau. Acrescente o açúcar e continue mexendo. Quando começar a engrossar, acrescente a água de rosas e cozinhe por mais uns minutos. Retire do fogo. Coloque um pouco de Grenadine no fundo de copinhos de vidro, acrescente o creme, decore com pistaches picados e leve à geladeira. Sirva frio.

um pote azul
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Outra das minhas manias é pottery. Adoro essas peças, principalmente as feitas a mão. Tenho tantas que até me descuido de algumas. Essa foi resgatada do esquecimento ontem, junto com algumas latas.

deu na lata
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Uma das minhas [muitas] manias é comprar latas. Tenho latas e mais latas, que na maioria das vezes acaba num canto da cozinha, ou no fundo do armário, sem uma verdadeira utilidade. Se a lata vier com biscoitos dentro, eles acabam velhos e ressecados, porque eu não sou de biscoitos. Mas as latas, ah, as latas são irresistíveis—como essas, que eu comprei no século passado e estavam perdidas no buraco negro da minha cozinha. Foram resgatadas ontem.

azeitonas secas
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Pra mim elas não substítuem as azeitonas comuns, na salmora. Mas são bem interessantes, realmente secas, com um sabor bem mais concentrado e até um pouco áspero. Acompanham aperitivos, combinam com saladas, ainda não usei elas em nada cozido, mas tenho certeza que dariam um toque especial à um frango ou carne de panela. Logo irei testar.

macarrão integral com limão meyer, rúcula e pistacho take II
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Receita da Martha S. que eu fiz num final de ano, quando meu irmão, minha cunhada e minhas sobrinhas estavam aqui. Resolvi refazer, porque a receita é supimpa e não tinha foto. Agora, devidamente fotografado, aqui está o whole-wheat spaghetti with meyer lemon, arugula, and pistachios, que certamente merecia um remake. A única mudança que fiz na receita foi usar um espaguete comum [porém orgânico], porque as sobras de um integral bom pra danar que eu tinha, feito com de farinha de spelt, não dava quantidade suficiente para duas pessoas. O resto fiz idêntico. Esse macarrão ficaria perfeito durante o verão, mas é no inverno que temos abundância da rúcula e do delicioso limão meyer.

quem ri por último...

Rir é com certeza a melhor maneira de expurgar idéias ou sentimentos negativos. Quem pensa que a comicidade das minhas histórias é depreciativa, está muito enganado. Rir é terapeutico e nos ajuda a ver uma determinada situação atraves de uma nova perspectiva. A visão do ridículo é purificadora e mostra que até os mais absurdos defeitos podem ser divertidos. É por isso que eu escrevo sobre as minhas patetadas com frequência. Se elas me fizerem rir, todo o efeito negativo de sentir-se um peixe fora d' água, uma esquisita, uma atrapalhada, sempre metida numa gafe, se diluí.

Histórias não faltam. Tenho material para um livro. Não é pra não rir do episódio em que eu beijei a boca de uma mulher sem querer, enquanto tentava cumprimentá-la desengonçadamente numa festa? E até teve gente que se identificou com a talentosa Splashy e suas estripulias aquáticas. Quantas vezes eu revi na minha memória, como se fosse um filme pastelão, a cena que protagonizei quando visitei uns amigos no Brasil: estava sentada num sofá e fui descruzar a perna longa distraidamente, quando chutei uma bacia cheia de cascas e sementes de mexiricas, que voou pelos ares e aterrisou do outro lado da sala, fazendo uma sujeirada tremenda no chão.

Depois que eu escrevo e dou muita risada, não me sinto mais tão esdruxúla, não acho que sou diferente, ou que estou sempre dando foras ou espetáculos patetescos, caindo das cadeiras, tropeçando, rolando pelas escadas, batendo com a cara no poste. Depois que eu choro litros de lágrimas de tanto rir, tenho certeza de que sou abençoada com essa capacidade de conseguir rir saudavelmente de mim mesma.

*texto reciclado do The Chatterbox

torta de maçã [fácil]
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Pega lá umas seis maçãs—eu usei as verdinhas ácidas Granny Smith orgânicas. Descasca e corta essas maçãs em fatias grossas. Pega lá uma frigideira de 22 cm / 9 inch que possa ir ao forno. Põe no fogo médio. Pega lá uma colher de manteiga e coloca pra derreter na frigideira. Quando derretida, coloca as fatias grossas das maçãs em círculo, até acabar. Deixa cozinhar um minuto. Pega lá um açúcar legal—eu usei um baunilhado que eu mesma faço com as favas secas, e sapeca sobre as maçãs. Como eu usei maçãs bem ácidas, coloquei mais açúcar, mas se usar maçãs doces não coloque muito, só o suficiente para caramelizar. Deixe cozinhar por uns 5 ou 6 minutos, até o açúcar começar a ficar dourado. Pega lá qualquer massa pronta para torta, porque estamos sem tempo. Mas se o tempo pra você abunda, faça uma massa caseira ao seu gosto. Corte a massa num circulo de 22 cm / 9 inch e cubra as maçãs na frigideira. Ajeite bem a massa na borda, para ficar bem firme. Deixe cozinhar no fogo mais uns 3 minutos e então coloque no forno pré-aquecido em 375ºF/ 190ºC. Asse por 30 minutos. Retire do forno, deixe esfriar por uns minutos. Só então vire a torta num prato. Sirva morna ou fria, au naturel ou com sorvete ou chantily ou creme de leite. Para mim uma fatia simples, por favor.

pão é o meu chocolate
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A atual secretária do nosso programa é uma gracinha de pessoa. Antes dela nós tivemos uma secretária que fugiu com o namorado bandido e nunca mais deu as caras, depois um secretário que fumava, usava as calças caídas e ostentava uma cara de quem não parecia muito contente com o emprego. Mas essa nova foi um achado. Ela é simpática, conversadeira, educadíssima. Uma coisa fofa que ela faz é decorar o front desk. Eu raramente passo por lá, só vou quando preciso de alguma coisa e outro dia fui pedir umas pilhas recarregáveis e notei a decoração de valentine's day, cheia de coraçõeszinhos, cupidos, eteceterá. Ela mantém também um vidro com treats, que variam conforme a celebração. Desta vez são chocolates em formato de coração, que a nossa técnica estava atacando e no entusiasmo me ofereceu um:

[E]— esses são os melhores chocolates que eu já comi, prova um...
[F]— ahn, eu não sou muito chegada em chocolate.
[E]— você não come chocolate? que tipo de pessoa é você?
[F]— sou normal. mas não morro por um chocolate.
[E]— mas você gosta do que então?
[F]— gosto de outras coisas...

Sim, gosto de outras coisas. O que por exemplo? Gosto de PÃO. Adoro PÃO. Troco qualquer chocolate por uma fatia de pão, como esse da foto com cranberries e nozes da Acme Bread Company de Berkeley. Eu posso ser considerada normal, apesar de não ser a maior fanzoca de chocolate. Porque eu tenho uma paixão, que é o PÃO. PÃO é o meu chocolate.

aquele do tomatão
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O supermercado que eu mais frequento e que mais gosto aqui em Davis é o Food Co-op. Eu vou lá mais ou menos duas vezes por semana, mas eu conheço gente que vai todo dia. É muito difícil não gostar daquele lugar. Assim que cheguei em Davis, enquanto esperava a burocracia da minha papelada para poder trabalhar, fiz voluntariado no Co-op. Por dois meses trabalhei recebendo como pagamento um bom desconto nas compras. Eu tirava a poeira das prateleiras, rearranjava os produtos, deixava tudo bonitinho. Foi uma experiência interessante e desde então, passei a ser apenas consumidora.

Adoro ir lá por causa do ambiente. Não é um supermercado grande, nem chique, mas tem uma vibração super legal e é frequentado por pessoas bacanas de todas as tribos. Os funcionários são de uma gentileza ímpar e percebe-se que é uma coisa genuína, não é reflexo de um treinamento de marketing. Outro dia fiz uma pergunta pra um cara altão que estava enchendo alguns containers de bulk com produtos e ele—sem parar de falar um minuto, me levou pra cá e pra lá, me mostrando as opções. Difícil sair insatisfeito de lá.

No Co-op eu sempre encontro amigos e faço sucesso com minha sacola e-correta. Os caixas e empacotadores revezam, mas sempre puxam conversa, agradecem quando você toma a iniciativa e coloca as coisas na sacola. E tem sempre gente interessante nos corredores e nas filas. Outro dia um rapaz completamente out there comprava várias garrafas de cerveja. A cena estava engraçada, porque ele não estava com os dois pés completamente seguros no chão do planeta. No final ele saiu com umas garrafas enfiadas em sacos de papel e esqueceu uma pra trás. E ontem mesmo no caixa atrás de mim, um casal estrangeiro, que achei que deveriam ser filipinos, não falava UMA palavra de inglês e ria muito, de tudo, tentando se comunicar com a caixa, que tinha o rosto completamente vermelho e não sabia mais o que fazer para explicar que a sacola de papel era DE GRAÇA!

Além das coisas deliciosas que o Co-op vende e que muitas vezes só se encontra lá, ainda temos a vantagem ludica de sermos recepcionados na entrada por um tomate. A estátua ostensiva e acolhedora faz parte do tratamento diferenciado que nenhum outro supermercado tem.

* foto da escultura do tomate tirada DAQUI

um chazinho
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mil e uma utilidades
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Acabou a mostarda? Recicla o potinho usando pra colocar as faquinhas de queijo todas juntas e deixá-las sempre à mão. Ou pode colocar chopsticks, pincéis, colheres de sorvete, canudinhos...

saindo à francesa

Você de repente reparou que eu não estou mais presente, que saí de fininho e ninguém nem viu, que decidi não participar, que não sou dessa tribo, que prefiro não saber, que eu quero paz e tranqüilidade, que eu fiquei perplexa e não quero mais compactuar, que sumi do mapa, você nunca mais me viu, nem ouviu falar de mim, nem ouviu de mim. É assim mesmo, vai se acostumando, pois eu sempre saio à francesa quando não me sinto mais confortável para ficar.

*textinho publicado originalmente em maio de 2005 no The Chatterbox.

o dia de pegar na enxada

Parou de chover e deu uma esquentada, o que me motivou a sair para uma vistoria no quintal. Saí principalmente para checar o estado da horta. Duas horas depois eu já tinha capinado uma das beds, removido um monte de mato e muitas folhas mortas acumuladas que cairam da minha árvore ancestral no outono, arranquei também raizes da menta hortelã, porque ela já está rebrotando e se não ficar de olho ela avança em tudo. Deu até pra suar um pouquinho. Enxada, pá, ancinho, luvas de borracha, cheiro de terra, de folhas decompostas—eu não sei por que tudo isso me atraí tanto, já que sou uma péssima jardineira, não tenho os dedos verdes e sou notória por conseguir fazer com que todas as plantas em vasinhos morram quando estão sob os meus cuidados. Mas na horta eu não preciso fazer muito, pois a terra é ótima, cheia de minhocas, bate sol suficiente e tem sistema de irrigação. Fiz uma avaliação geral do que sobrou do final do verão. As rúculas estão reaparecendo, perfumando tudo com o cheiro delicioso que elas tem. Parte do orégano e do tomilho sobreviveu, apesar de não estarem nem um pouco vistosos. Também a salsinha está lá, meio tímida ainda. E um raminho curto de cibouletes. Tudo o mais padeceu com a chuva e o frio. Infelizmente eu não tenho disposição para fazer horta de inverno. Mas no verão eu realmente me animo, apesar de me concentrar basicamente nas ervas e nos tomates. Para este ano tenho uma estratégia diferente para os pés de tomate, que já fiquei no maior entusiasmo de plantar.

*esse ritual de sair no quintal quando o inverno dá um tempinho, é repetido rotineiramente no meio de fevereiro ano após ano.

** a estrategia deste ano eh apenas uma—espaco. vou plantar apenas duas plantas por canteiro, ou apenas uma por canteiro, pois tomates, like Brazilians, need space!! ;-)

***tem uma foto da minha horta AQUI.

tá lavado
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Tosca cake
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Achei essa receita no Nordic Recipe Archive e ela estava guardada há um tempo. Tive a oportunidade perfeita para finalmente faze-lo quando combinei um chá das cinco com meus amigos. Fiz também a pissaladière, que já figurou aqui em outros carnavais. O chá foi um simples Earl Grey, com leite para quem quis leite e açúcar para quem quis açúcar. O bolo ficou bom, mas só na hora de traduzir a receita que eu percebi que troquei o mililitro pelo grama durante a leitura. Segundo o Uriel, eu simplesmente DOBREI a quantidade de farinha e por isso o bolo ficou mais massudo do que deveria. Ele me mandou comprar uma lupa para ler receitas. Acho que vou seguir esse conselho, porque assim não dá pra continuar…

Tosca cake
3 ovos grandes
200 ml de açúcar
300 ml farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
2 colher de chá de açúcar baunilhado
3 colheres de sopa de leite ou crème de leite fresco
150 gr de manteiga

Para a cobertura de amêndoa:
100 gr de manteiga
2 colheres de sopa de leite
6 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de açúcar baunilhado
2 colheres de sopa de farinha de trigo
200 ml de amêndoas em fatias

Massa: derreta a manteiga e deixe esfriar. Numa outra vasilha peneire a farinha, o fermento e o açúcar de baunilha. Bata o açúcar com os ovos até obter um crème. Incorpore a mistura de farinha, alternando com o leite e a manteiga derretida. Misture gentilmente com uma espátula e coloque numa forma redonda larga e rasa untada. Asse em forno pré-aquecido em 175 °C/ 350ºF por 20 ou 30 minutos, até o bolo estar quase cozido e com a superfície ligeiramente dourada. Suba a temperatura do forno para 200 °C/400ªF e prepare a cobertura.

Cobertura: numa panela derreta a manteiga, adicione o leite, os açúcares, a farinha e as amêndoas. Misture bem e leve ao fogo, mexendo sempre até engrossar ligeiramente. Cuidado para não cozinhar demais. Despeje a cobertura sobre o bolo e asse por mais dez minutos. Retire do forno, deixe esfriar, transfira para uma grade e depois para um prato.

Casa Grande & Senzala

Fui ver o video indicado pelo Ricardo onde a tal de Ana Maria Braga ensina a fazer a carne-de-sol. Eu não conhecia o programa dessa moça, que nunca tinha assistido. No meu tempo de Brasil só existia a Ofélia cozinhando na tevê. Pra quem vive no Brasil, o que me chamou a atenção deve passar despercebido. Mas visto de fora é muito difícil não notar uma das características mais comuns da sociedade brasileira—a presença da Maria. Na cozinha do programa ela é meramente a serviçal, limpando, arrumando, fritando o bife, fazendo o serviço que a patroa não faz. A Maria sempre de uniforme, que nesse caso faz parecer o aparato de um chef, sem deixar de ser uniforme, pois a patroa não está usando um. Pobre Maria, até levou uma bronca em público da patroa, que disse—não é assim que faz, Maria, não faz assim, Maria. A Maria não retrucou nem a nem b. Aliás, até o irritante papagaio de plástico tem uma participação de mais destaque no programa. A Maria só é vista passando no fundo, abrindo o forno, carregando a bandeja, e ouvindo ordens. Será que foi assim somente nesse episódio? Será que em outros a Maria tem uma participação diferente?

Outra coisa que notei foram as luvinhas nas mãos da patroa. Acho horriveR a lambeção de dedos de celebridades como a Nigella, por exemplo. Mas num pais onde se faz carne-de-sol com carne podre comprada de abatedores clandestinos e ninguém fiscaliza, nem faz absolutamente nada pra mudar esse cenário tétrico, aquelas luvinhas me pareceram bem hipócritas. *está explicado o uso das luvas nos comentários, então removo minhas criticas.

peach blossoms
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cem por cento local
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Um almoço cem por cento local—norte da Califórnia. O peixe é um leopard shark pescado em Bodega Bay, temperado com sal, pimenta branca, envolto no fubá e frito no óleo, servido com um gomo de limão do meu quintal. A salada são folhas verdes dos meus produtores favoritos no Farmers Market com as passas dos fazendeiros de Sanger, temperada com limão, azeite, sal. Os cogumelos são também do Farmers Market, do produtor japonês de quem eu compro cogumelos orgânicos todo sábado, eles foram refogados com alho da cesta orgânica da fazenda da UC Davis e azeite orgânico do Napa Valley. Se quiser esticar mais um pouquinho o esquema eat local, os pratos também podem ser considerados locais, pois são feitos manualmente em Sausalito, pela Heath Ceramics. Nota final do crítico, depois dessa refeição: estava excelente. me senti almoçando no Chez Panisse. ha ha ha ha ha!

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Simplesmente deliciosas—da fazenda da família Schletewitz, em Sanger, Califórnia.

narcissus
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Uma flor linda e extremamente delicada, mas com um odor nauseabundo, muito pior do que o do jasmim...

os horrores dos bastidores

Duas noticias bem horripilanticas—uma sobre o peixe cru e a outra sobre a carne-de-sol. Lord have mercy! Como eu sou uma picky eater e ainda por cima sou super desconfiada de tudo, nunca vou morrer por ter comido peixe cru. Já a carne-de-sol, confesso que nunca comi e agora é que não vou mais comer mesmo.

compre pronto e sirva
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Um incrível pequeno detalhe que encontrei nos livros de Edouard Pomiane—a receita precursora do revolucionário chucrute com salsicha da minha mãe! ha ha ha ha! Não parei de rir até agora.

Docteur Edouard de Pomiane
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Foi no An Omelette and a Glass of Wine da Elizabeth David que eu primeiro li sobre o Docteur Edouard de Pomiane. David adorava o medico francês, que se considerava polonês e que enfrentou a velha tradição da culinária francesa. Pomiane era um acadêmico que dava aulas no Instituto Pasteur e foi o primeiro a explicar a culinária em termos científicos. Após aposentar-se, ele dedicou o restante da sua vida à culinária. Pomiane escreveu dois livros que se tornaram muito populates—French Cooking in Ten Minutes e Cooking with Pomiane, ambos publicados nos anos 30. Os livros de Pomiane foram inovadores para a época, quando era um sacrilégio romper as tradições mantidas pela escola de Escoffier, que impunha que os cursos da refeição fossem servidos na ordem correta, sempre uma carne seguida de um peixe, zilhões de rococós. Pomiane facilitou a vida dos seres humanos comuns, que não têm o dia inteiro para gastar dentro de uma cozinha, mas mesmo assim querem comer bem e saudavelmente.

Pomiane tinha uma prosa divertida e escrevia falando com o leitor, como se ele também estivesse ali, vendo o que ele via. As receitas publicadas por ele na década de 30, quando o microondas não existia nem em sonho e ter geladeira em casa ainda era o luxo dos luxos, são ainda completamente praticáveis. Em French Cooking in Ten Minutes ele dá vários menus, que a primeira vista parecem saídos de um sofisticado restaurante francês. Mas ele realmente ensina como fazer cada prato em dez minutos. O primeiro conselho—quando entrar em casa, antes mesmo de tirar o casaco, coloque uma panela com água para ferver no fogão à gás, ele frisa. Pra que vai servir a água? Ele responde que não sabe, mas com certeza ela terá algum proveito, se não para colocar um dos itens do menu em prática, ao menos servirá para fazer o café.

Os menus de Pomiane incluem entrada, prato principal, salada, pão, queijos e frutas. Acompanha água e vinho. Nunca refrigerante. Tudo em pequenas porções, que satisfaz sem pesar no estômago, sem acrescentar quilinhos extras e sem furar o bolso. Ele usa alguns produtos enlatados, na falta do mesmo fresco. Na época de Pomiane ainda não existiam os produtos congelados.

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Onion soup

Saddle of hare with sour cream

Buttered beets

Green Salad

Cheese

Jam cookies


Pumpkin soup

Creamed salt cod

Buttered green peas

Cheese

Fruit

Ainda não fiz um menu inteiro. Mas sei que farei. No entanto já testei uma sopa de cebola. Não calculei o tempo pra ver se levou mesmo dez minutos, mas garanto que foi rápido e a sopa ficou deliciosa.

Onion Soup [em dez minutos]

Manteiga
1 cebola grande picada
1 colher de chá de farinha de trigo
Água fevendo [*olha aí a utilidade dela!]
Sal e pimenta a gosto
Pão amanhecido ou torradas
Queijo parmesão ralado
Leite quente, crème de leite fresco ou um ovo batido [* itens opcionais, mas eu escolhi usar o crème de leite]

Coloque um tanto de manteiga numa panela, deixe derreter e adicione a cebola picada. Cozinhe em fogo alto até a cebola ficar num tom amarronzado. Adicione a farinha e misture bem, adicione um pouco de água morna, depois jogue 2 xícaras de água fervendo. Deixe cozinhar por 8 minutos, adicione sal e pimenta. Coloque pequenos pedaços de pão amanhecido ou torradas num prato, salpique com queijo parmesão. Adicione a sopa, um pouco de crème de leite [ou leite, ou um ovo batido] e sirva.

[beware of the picky eater]

Na mesa do almoço na vinícola Quixote eu sentei em frente ao Hank Shaw, que poderia ser o italiano que ajudou o Michael Pollan a caçar o porco selvagem e encontrar os cogumelos em O Dilema do Onívoro. A única diferença é que Hank não é italiano e vive na região de Sacramento. Mas ele também planta seus legumes e verduras, colhe frutas silvestres e ervas comestíveis pelos campos e cogumelos na floresta, caça animais selvagens e prepara ele mesmo praticamente tudo o que consome, desde linguiças, passando pelas conservas e até o vinho.

Na mesa do almoço na vinícola Quixote havia um prato com ovos cozidos. Eram ovos das galinhas do vizinho, que foram trocados por serviços, não lembro bem a história. Eles foram cozidos à perfeição e nós alegremente nos servimos deles. Em frente ao Hank, que faz salada de ervas daninhas e queijo com o leite que ele ganha do amigo que tem uma vaca, come de tudo e é super frugal, eu removi cuidadosamente as gemas super amarelas do ovo das galinhas do vizinho, enquanto ele me olhava com um certo espanto. Você não vai comer a gema? Nas entrelinhas eu ouvi, você tem um blog de culinária e não come isso ou aquilo?

Realmente isso parece contraditório e até enganoso, pois como pode alguém que gosta de comida, não comer isso ou aquilo? Desfiei meu rosário pra ele—sim, sou uma chatonilda, não gosto de gema de ovo, nem de leite, nem de frutos do mar, nem de miúdos de animais e carnes estranhas, não como coelho, capivara, macaco ou cobra. Sobra a minha paixão pelos pães, pelos queijos, macarrão, pelas frutas, legumes, verduras, ervas, feijões, gosto também das azeitonas, dos peixes cozidos, como arroz, couscous, quinoa, lentilhas, ervilhas... Será que tenho um bom currículo pra ter blog de culinária? Ah, esqueci de dizer que também não encaro caviar nem foie gras. Mas como feliz um pratão de espinafre.

The Mitake mushroom
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chili con naranja
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A Alison me deu a dica de uma receita do livo Joy of Cooking—Caribbean chili. Fiquei tri-animada com a idéia de um feijão temperado com citrus, mas comecei meio com o pé esquerdo, pois já sabia que não tinha alguns ingredientes, como a laranja ou o coentro. Mas mal sabia eu que a situação iria evoluiur para a ausência total de receita. Com meus poderosos óculos, curvada na bancada da pia, com a luz mais forte iluminando o livro, i-swear-to-god, procurei naquele índice micro-minúsculo por chili, por feijão, por feijão preto, por tudo que pudesse me indicar o caminho da verdade, mas não achei necas de pitibiriba.

Então resolvi fazer o chili com uma receita da minha cachola mesmo. Refoguei cebola picadinha no azeite, joguei o feijão flor de mayo já cozido com o caldo, mais um pouco de caldo de legumes. Piquei um tanto de gomos de tangerina [teria que ser laranja, mas], raspei cascas de uma laranja vermelha e um limão, mais o suco do limão, chili pepper em pó, cominho em pó e um pouco de noz moscada ralada na hora. Cozinhou até dizer chega. Acertei o sal, jogue salsinha picada [era melhor coentro]. Servi quentíssimo com um triangulo de corn bread. Comi demais—coisa que eu detesto fazer à noite.

O corn bread tirei do Joy of Cooking, já que estava com eles abertos [chequei a edição velha e a nova, atrás do tal chili]. Também não tinha uns ingredientes pra essa receita, mas nessa altura do campeonato nada mais importava, pois eu já estava irada e pronta pra rodar uma baiana e desafiar o Mario Batali no Iron Chef America.

skillet corn bread

Pré-aqueça o forno em 400ºF/205ºC. Unte uma frigideira grossa de ferro [skillet] com manteiga. Numa vasilha misture:

1 1/4 xícaras de cornmeal amarela * eu não tinha, usei a azul
3/4 xícara de farinha de trigo *o rato furou o saco, usei uma integral
2 1/2 colheres de chá de fermento em pó
2 colheres de sopa de açúcar *pode pôr até 4 se gostar mais doce
3/4 colher de chá de sal

Adicione então:
2 ovos batidos
2 ou 3 colheres de sopa de manteiga derretida, gordura de bacon ou óleo vegetal * usei 2 colheres de óleo vegetal
1 xícara de leite

Misture bem, eu joguei um pouco de queijo ralado, coloque na frigideira e ponha no forno. Asse por uns 20 minutos, até que a massa esteja firme como um bolo.

O guardião da farinha

Desde domingo à noite que o gato Roux estava de plantão na cozinha. Ele se posicionava em modo caçador ora no canto da máquina de lavar louça, ora no canto da geladeira. Alertei o Uriel que o gato certamente tinha visto algum bicho. Eu já estava na cama quando o Uriel veio me contar que tinha pegado a lanterna e viu o que estava intrigando o gato. Era um ratinho, disse ele, me fazendo reagir com um berro de pânico, só pra um segundo depois completar, um ratinho de pano! Rimos da piadinha engraçadinha aliviados—era apenas um ratinho de pano, daqueles que eu compro de meia dúzia, ha ha ha!

Mas o Roux continuou de plantão na cozinha. Foi segunda e foi terça. Na terça ele estava particularmente insistente, sempre naquela pose de caçador, no canto da máquina. Eu olhei, olhei, não vi nada e não tive tempo mais de pensar no assunto. Na terça à noite ainda estava lá o Roux. Ele passou o dia na cozinha. Quando eu abri uma das portas da parte de baixo do armário da pia, entendi por que. Onde tenho guardado açúcares e farinhas, alguns itens em latas, outros soltos, vi um rastro de papel mastigado e logo em seguida um dos pacotes de farinha com um buraquinho.

TEM UMMM RAAAAAAATOOOOOOOOO NA COZINHAAAAAAAAAAAA!!!!

Foi somente então que o Roux finalmente saiu da cozinha e se aconchegou exausto numa das poltronas onde ele dorme, no andar de cima. O gato passou o dia inteiro na vigilância, nem dormir, o pobre coitado. Tudo porque um rato teve a audácia de adentrar uma casa onde vivem dois gatos. Um que deve estar perdendo os instintos e outro muito consciente das suas obrigações, felizmente! O rato entrou, de fato, mas mal conseguiu mastigar um buraquinho no saco de farinha, pois o gato não deu sossego. O estrago foi bem pequeno, graças ao Roux! Telefonei para o serviço de controle de pestes que temos e o Uriel inspecionou todas as possíveis entradas do rato. Fechamos algumas possibilidades com panos e pela manhã inspecionei tudo novamente. Parece que o rato não voltou, mas também pudera, a coisa mais difícil do mundo é driblar o guardião da farinha, o eficientíssimo gato Roux!

feijão cozido na terracota
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frango com alcachofra
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No ano passado nós fomos à um jantar na casa de uns amigos, que nos serviram esse frango com molho cremoso e alcachofra. Eu achei uma delícia e pedi a receita. Quis refazer em casa só para poder publicar aqui. É um prato festivo. O molho fica com um gostinho cítrico ultra-saboroso. Eles serviram com arroz. Eu também.

2 peitos do franguinho serelepe que brincou no quintal, desossados e cortados ao meio, formando quatro filés
2 colheres de sopa de manteiga
sal e pimenta a gosto
1 lata de 300 gr de corações de alcachofra, escorridos e picados
2 colheres de sopa de dry sherry * usei dry vermouth
2 colheres de sopa de raspas de limão
2 colheres de chá de suco de limão
1/2 xícara de creme de leite fresco
1/2 xícara de queijo parmesão ralado

Pré-aqueça o forno em 350ºF/176ºC. Tempere os filés de frango com sal e pimenta. Derreta a manteiga numa panela e frite os filés, até que eles fiquem dourados—vire, para fritar dos dois lados. Coloque os filés num refratário e cubra com as alcachofras picadas. Na panela com a manteiga, adicione o sherry [ou vermouth], as raspas e o suco de limão e cozinhe em fogo médio até ficar bem incorporado. Acrescente o creme de leite, mexa bem e despeje tudo sobre o frango e alcachofras. Cubra com o queijo parmesão e leve ao forno por 20/25 minutos, até que o creme esteja borbulhando o queijo fique gratinado. Sirva bem quente.

change & hope

obama_apron.jpgEm 1982 eu votei pela primeira vez, na primeira eleição direta depois da ditadura militar. Foi uma eleição para governador e eu votei no mais improvável de ganhar, mas no que carregava mais expectativas de mudanças. Era o sindicalista Lula, que concorria pelo PT e perdeu, é claro. Mas naquela eleição, que foi a minha primeira, eu fui votar com entusiasmo, alegria, esperança e orgulho. Depois daquela, não houve mais nenhuma. Todas foram um fardo, votando no menos pior, pelo menos pra mim.

Depois de 25 anos vou votar pela primeira vez novamente, e vou votar com entusiasmo, alegria, orgulho e esperança outra vez. Quero que todos os meus votos daqui pra frente sejam assim—importantes. Que eles s