sopa de cenoura [com gengibre e castanha de caju]
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Nem me preocupei em procurar por receitas, pois já tinha a idéia fixa dessa sopa, que provei no evento do azeite e quis replicar em casa. Fiz o que precisei fazer para obter uma textura e sabor exatamente como eu queria. E no final ficou melhor do que a sopa que me inspirou.

Assei uma duzia de cenouras cortadas em rodelas. No liquidificador coloquei dois pedaços grandes de gengibre fresco, as cenouras assadas, uma parte de caldo de legumes e bati até obter o creme. Passei tudo pela peneira, usando um pouco de água para diluir. Bati mais ou menos uma xícara de castanha de caju com mais caldo de legumes. Misturei o creme de castanhas ao creme de cenoura e gengibre. Coloquei numa panela e levei ao fogo. Deixei ferver, coloquei sal e na hora de servir reguei com azeite—usei o delicioso extra-virgem pressionado com limão meyer que comprei no Farmers Market.

francês bebe vinho
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Divertida cena do fabuloso filme Jules et Jim dirigido por François Truffaut em 1962, onde o trio de amigos-amantes Jules, Jim e Catharine estão sentados na sala de Jules e Catharine na Austria. Jim está apenas visitando, mas em breve vai estar também morando na casa, a pedido da pá-virada Catherine [Jeanne Moreau]. Jules [Oskar Werner] oferece cerveja alemã à Jim [Henri Serre] e isso enfurece Catherine, que se põe a listar como uma matraca os maravilhosos vinhos da França.

[Jules] Jim, it's time you learned enjoy German beer.

[Catherine] Jim's French like me. He doesn't give a damn.

[Jim] Not true!

[Catherine] France has the widest variety of wines in Europe. ln the world! Bordeaux like Chateau Laffitte, Chateau Margaux, Chateau Yquem, Chateau Frontenac, St-Emilion, St-Julien, Entre- -Mers, and l'm forgetting some of the best. Clos Vougeot, the Burgundies, Romanee, Chambertin, Beaune, Pommard, Chablis, Montrachet, Volnay, Beaujolais, Pouilly-Fuisse, Pouilly-Loche, Moulin, Vent, Fleurie, Morgon, Brouilly, St-Amour...

Magali e o Chucrute
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Será possiver que até a Magali lê o Chucrute com Salsicha?

A Mariângela de Poa me enviou essa imagem, que ela tirou do gibi da Magali que a filhinha dela comprou. Ficamos divagando, será que tem um desenhista no grupo do Mauricio de Souza que é fã do Chucrute ou foi apenas uma incrível coincidência?

tagliarelle com alcachofra e limão
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Sucesso absoluto de pública e crítica, essa receita arrancou hms e ohs elogiosos dos meus convidados e um pedido de quero mais do meu filho, que doente em casa não pode participar do jantar, mas comeu uma porção levada pela namorada. O molho ficou delicioso, mas a combinação só ficou perfeita porque usei um tagliarelle incrívelmente leve e delicado, da marca Cipriani. Não tem como errar com uma massa dessa qualidade.

Para o molho, coloquei no processador, corações de alcachofra, suco e raspas de um limão [o amarelo, sempre], flor de sal, coentro fresco e azeite. A massa levou 3 minutos para ficar cozida. Envolvi com o molho e servi com queijo parmesão ralado na hora. Essa vai ser uma receita coringa para ser refeita em qualquer ocasião especial.

Edamame Corn Chowder
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Uma sopa deliciosa que peguei no Everyday Food. Fiz como entrada no jantar de sexta-feira, com os pedacinhos e bacon separados, pois uma das minhas visitas é vegetariana. Adorei a idéia de colocar os edamames—soja verde—junto com o milho. A combinação ficou excelente. Usei milho em lata, porque eles estão fora de estação.

Edamame Corn Chowder
Serve 4 pessoas

3 fatias de bacon
1 cebola média *usei cebolinha, parte branca e verde
2 xícaras - 1/2 litro de caldo de galinha *usei de legumes
1 batata * não usei
1/2 colher de chá de Italian seasoning * usei ervas de Provence secas
2 xícaras de edamame—soja verde, congeladas ou frescas
2 xícaras- 500 gr de milho verde fresco, em lata ou congelado
1/2 xícara de half-and-half [3/4 leite integral, 1/4 creme de leite fresco]
Sal marinho e pimenta do reino moída

Frite as fatias de bacon até elas ficarem crocantes. Eu faço no microondas, coloco as fatias separadas embrulhadas em papel toalha sobre um prato. Ponho por 4 minutos. O bacon fica crocante e o papel absorve a gordura. Use um bacon da melhor qualidade, que vai resultar em menos gordura. Deixe esfriar e quebre o bacon com as mãos, fazendo uma farofa bem grossa. Reserve.

Se fizer o bacon frito na panela, use o óleo que sobrou da fritura. Senão acrescente um pouco de azeite e frite a cebola. Adicione o caldo, a batata em cubinhos e as ervas. Eu não usei batata, joguei logo o milho—bati metade no liquidificador, deixei a outra metade inteiro— depois o edamame. Coloque sal e pimenta a gosto. Deixe cozinhar uns minutos, adcione o half-and-half, deixe ferver e desligue o fogo. Sirva o chowder com o bacon polvilhado por cima.

pudim de padaria
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Não sei de onde saiu essa receita que estava guardada nos meus alfarrábios. Pudim de padaria era um dos meus doces favoritos. Nunca fui chegada em coisas rebuscadas, com muitas camadas, recheios de chocolate, cheias de creme e mil tremeleques. O pudim de padaria e a bola de rum eram sempre os doces escolhidos, quando eu me postava na frente de alguma vitrine de qualquer doceria. Era um doce tão simples, que quase não tinha graça. Foi a primeira vez que fiz esse pudim em casa. Eu e o Uriel devoramos sozinhos metade do doce, acompanhado de canecas de chá de menta.

3 ovos caipiras
2 xícaras de açúcar baunilhado
2 xícaras de leite integral
1 1/2 xícara de farinha de trigo
4 oz/ 100 gr.de queijo parmesão ralado
1 colher de sopa de manteiga amolecida.

Caramelize uma forma quadrada e funda. Reserve. Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata bem. Despeje a massa na forma caramelizada e asse em banho-maria, em forno pré-aquecido em 365ºF/185ºC, até a massa ficar firme e dourada. Remova da forma depois de frio, corte em retângulos e sirva.

comprando azeite
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No Farmers Market, em Davis. Ed, Jeannie e a contentona de cara amassada. Compramos dois tipos de azeite, todos de uma fazenda de azeitonas no Shasta county. Um com meyer lemon, que nós adoramos, suave e citrico, uma delicia.

sofre, gourmerette, sofre
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Fui ao Corti Brothers fazer uma comprinha de gostosuras supérfluas. Note que o Corti Brothers não é nenhuma birosca, portanto a tendência natural é acreditar que tudo que se vende lá é no mínimo o máximo. Vi então umas latas de doces da Argentina—marmelo, batata-doce e doce de leite com chocolate. Eu que sou brasileira escolada e careca de saber que é pra fugir dos doces em latas [redondas], caí na armadilha. Não sei nem explicar por que decidi pagar pra ver o tal doce de leite. Quando abri a lata já pressenti o drama. Dinheiro jogado no lixo. Que porcaria! A lista de ingredientes denunciava o crime. Vou te contar, nem aquela famosa goiabada de xuxu da Cica conseguiu ser tão ruim....

sanduiche de salmão
[defumado]
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Receita perfeita da Elise, que chegou no momento exato, quando eu tinha muitas sobras de salmão defumado do brunch do último domingo. Felicidade pra mim é chegar em casa no final da tarde, cansada do dia estafante e preparar um jantarzinho delicioso em menos de trinta minutos. ôlerê, belê!

Você vai precisar de:
Fatias de pão francês
Queijo Gruyere * usei o finlandês Lappi
Salmão defumado em fatias finas
Limão em conserva — eu compro pronto, mas veja como fazer em casa aqui
Chives - cibouletes picadinhas *esqueci de colocar
Manteiga
Uma frigideira robusta e bem larga

Coloque a frigideira no fogo médio. Enquanto isso monte os sanduiches com fatias do queijo, fatias do salmão, a casca do limão em conserva cortada finíssima e as cibouletes sobre uma fatia de pão. Passe manteiga na outra fatia e cubra o sanduiche. Coloque os sanduiches na frigideira, a parte com manteiga para baixo primeiro. Vire os sanduiches, deixe tostar dos dois lados. Retire da frigideira e sirva imediatamente.

espreitar, investigar, atacar
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minha sopa de tomate
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Estou numa missão para gastar os ingredientes que estão na geladeira e prevenir desperdícios. O ingrediente central de ontem era um bocado de tomate em lata, que sobrou de alguma outra receita. Era fire roasted tomato, que tem um sabor levemente defumado e que eu adoro. Também tinha um restinho de manjericão fresco, que sobrou do evento da pizza do Gabriel. Minha intenção, que acabou virando uma obsessão, era fazer uma sopa. Vamos lá, procurei uma receita de sopa de tomate—que tinha que ser EXATAMENTE como eu queria—em pelo menos uns dez livros. Não achei nada que me satisfizesse. Fui para o Food Blog Search. Nada, nada, nada. Decidi improvisar mesmo. Whatever...

Bati mais ou menos 1 xícara de meia de tomate no liquidificador com uma xícara de água e as folhas de manjericão fresco. Passei tudo pela peneira. Numa panela, refoguei três dentes de alho picadinhos no azeite. Quando os alhos ficaram dourados, joguei o purê de tomates. Adicionei sal, pimenta moída e deixei ferver. Quando o caldo ficou mais encorpado, joguei 1/3 xícara de half-and-half [2/3 xícara de leite integral e 1/3 de creme de leite] e bastante queijo asiago ralado. Desliguei o fogo, misturei bem para o queijo derreter e servi com torradinhas de pão de grãos integrais e manteiga.

lemon squares
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Receita da Everyday Food, para tentar gastar meus limões, pois ainda tenho muitos na árvore. Quando eu digo limão é sempre o amarelo. Essas lemon squares são fáceis de fazer e ficam, hmmmm, deliciosamente cítricas.

Lemon squares

Faça a massa, colocando no processador:
3/4 xícara de farinha
1/3 de açúcar de confeiteiro
1/4 xícara de amido de milho, maizena
1/4 colher de chá de sal
1/2 xícara [1 tablete--113gr] de manteiga sem sal cortada em cubinhos

Bata todos os ingredientes secos, junte a manteiga e pulse até obter uma farofa grossa. Pressione essa farofa no fundo de uma forma quadrada e funda, untada com manteiga e forrada com papel vegetal—use uma folha maior que a forma, que vai ajudar a desenformar o doce depois de pronto. Ponha na geladeira por 15 minutos. Então asse em forno pré-aquecido em 350ºF/176ºC por 20 minutos, até a massa ficar ligeiramente dourada. Enquanto assa a massa, faça o recheio.

Na batedeira coloque 4 ovos grandes e bata até formar um creme. Adicione 1 xícara de açúcar, 2/3 xícara de suco de limão, 1/4 xícara de farinha de trigo, 1/2 colher de chá de fermento em pó e 1/2 colher de chá de sal. Bata bem. *eu acrescentei também as raspas da casca de um limão.

Retire a massa do forno, deixe esfriar u pouco e então coloque o recheio. Abaixe a temperatura do forno para 325ºF/162ºC e asse a torta por mais 20 minutos, até o recheio ficar firme e levemente dourado. Retire do forno, deixe esfriar e depois coloque na geladeira por pelo menos uma hora. Desenforme, puxando os lados do papel vegetal. Coloque num prato e corte em quadradinhos. Pode polvilhar açúcar de confeiteiro por cima, mas eu não fiz. Dá 16 quadradinhos.

mousse de caramelo com laranja
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Fiz essa receita já há algumas semanas, mas como ela foi um total fracasso com a crítica, que declarou resolutamente—ficou muito doce!—e não comeu nem mais uma colherada, perdi o entusiasmo de publicá-la. Apesar de ter uma grave intolerância com coisas super doces, eu comi o mousse sem me contorcer, então concluí que a critica exagerou e se precipitou condenando a receita ao ostracismo.

Ela saiu da edição de abril da Martha Stewart Living, com um nome mais chique e acompanhada de uns biscoitinhos. Eu simplifiquei tudo, do meu jeitão, indo diretamente ao que me interessava. A MS usou vários tipos de cítricos, eu usei somente laranja, então ficou simplesmente Mousse de caramelo com laranja.

Voilá.

1/4 xícara, mais 2 colheres de sopa de água gelada
1 colher de chá de gelatina em pó
1 xícara de acúcar
2 colheres de sopa de light corn syrup - karo light
2 1/2 colheres de sopa de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 3/4 de creme de leite fresco
1/2 xícara de crème fraiche
*se não tiver creme fraiche, use somente creme de leite, totalizando 2 xícaras e 1/4 de creme
Uma pitada de sal

Dissolva a gelatina em 2 colheres de sopa de água gelada. Reserve. Numa panela, coloque o acúcar, o corn syrup e o restante 1/4 xícara de água e leve ao fogo, mexendo sempre em fogo médio, até o acúcar dissolver. Continue mexendo até a mistura ficar cor de ambar escuro, mais ou menos 12 minutos.

Remova a panela do fogo. Coloque na pia a adicione com cuidado a manteiga em cubinhos, batendo sempre com o batedor de arame, até a manteiga dissolver—cuidado, pois o açúcar borbulha e espirra. Adicione 1/4 xícara de creme de leite e 1/4 de creme fraiche [ou 1/2 xícara só de creme de leite]. Bata bem. Adicione a gelatina misturada na água, mexa para incorporar. Deixe esfriar completamente.

Enquanto o caramelo esfria, coloque na batedeira o resto do creme de leite/creme fraiche [ou só o creme de leite] e bata ate formar picos firmes. Coloque o caramelo gentilmente no creme batido, cubra e refrigere por uns 10 minutos.

Corte as laranjas em cubinhos e coloque em taças ou copos. Uma camada de laranja, outra do mousse de caramelo, outra de laranja. Leve à geladeira por um hora. Sirva.

Tassajara cooking
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Esse é outro livro que eu carrego comigo há anos e tenho um carinho especial por ele, por uma razão que não tenho cem por cento certeza. Quando eu comecei minhas aventuras naturebas na cozinha, um livrinho me guiou e me inspirou com suas ilustrações fofinhas. Não tenho mais a tal edição, mas quando cruzei pela primeira vez—anos depois, já morando no exterior—com o Tassajara Cooking, reconheci as ilustrações do livro da minha adolescência. Concluí que aquele livrinho do meu passado era a tradução em português desse clássico, publicado em 1973 pela editora Shambhala e de autoria do monge Edward Espe Brown, do Zen Center de San Francisco. Brown ainda é muito ativo e no ano passado lançou o filme How To Cook Your Life, que está na minha lista de must see.

só me restaram as flores
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Fui toda pirilampa buscar minha cesta orgânica semanal na fazenda da UC Davis, já antecipando as lavagens e tais. Nem lembrei que não tinha recebido naquele dia a mensagem que sempre recebo, contando um pouco sobre a semana na fazenda, o que está por vir, quem colheu o que com cuidado e carinho e a esperada lista dos produtos. Não lembrei também que já tinha recebido a mensagem do final do quarter de inverno e perspectivas para o quarter de primavera, com custos, calendário, eteceterá. Por causa do sambalelê em que minha vida se transformou nas últimas semanas, não lembrei de nada, fiz o que sempre faço automaticamente e como já fiz antes, cheguei na fazenda e encontrei tudo vazio. Elementar minha cara, a cesta está no spring break, junto com a massa de estudantes que simplesmente desapareceu do campus depois do estresse do exames finais. Minha vida segue mais ou menos o ritmo do sistema de quarters [trimestres] da universidade. Quando as aulas começam, me atrapalho manobrando a bicicleta no meio da horda de gente também bamboleando ou fazendo tolices em duas rodas, gente falando no celular, correndo, carregadas de livros, pratos ambulantes, milhares de copos gigantes cheios de café, fones de ouvido, laptops. Quando os estudantes têm um break, tudo muda. Minhas pedaladas na segunda-feira foram tranquilas, por um campus vazio, ouvindo apenas uma barulheira de passarinho, recebendo uma chuva de flores nos ombros, com as alergias borbulhantes, sol aquecendo a alma, doce aroma da nova estação. Que surpresas terei quando a cesta orgânica voltar, junto com os estudantes, no último dia de março?

shots de aspargos
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Claro que sobrou um monte de aspargos que a Madame Exagero fez pro brunch de domingo. Nem pensar em desperdiçar tais beleuzuras. Como os aspargos já estavam cozidos no vapor e temperados com sal e azeite, apenas piquei e bati no liquidificador com um pouco de água. Passei pela peneira, jogando mais um pouco de água, até obter um creme. Levei ao fogo até ferver, acertei o sal, desliguei o fogo e acrescentei um pouco de half-and-half [*para fazer em casa misture 3/4 xícara de leite integral com 1/4 de xícara de creme de leite fresco]. Servi morno em copinhos, como se fossem shots. Também pode servir frio.

ranguinho brejeiro
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Tão simples e tão bom. Porque estou achando que esse pode ser o so long, farewell, auf wiedersehen, goodbye dos brócolis e das cenouras, usei os legumes com um sentimento de antecipada nostalgia. Usei filés de peito de frango sem bad karma. Temperei rapidamente no vinho e no suco de limão, acrescentei raspinhas da casca do limão, mais sal marinho e pimenta moída. Cortei as cenouras e um ramo de cebolinhas, daquelas gigantes, parte branca e verde. Fritei os filés no azeite, qdo eles estavam dourados dos dois lados, acrescentei a cebolona picada e as cenoura. Tampei e deixei cozinhar por uns minutos. Por último foram os raminhos do brócolis, que não deve cozinhar muito. Acertei o sal e servi.

Mother productions presents...
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Gabe makes pizza!

Orgulho da mamãe! Meu filho é lindo, inteligente, charmoso, carinhoso, talentoso e ainda cozinha muito bem. Faz franguinho, arrozinho, saladas, sopas e também pizza. No sábado ele promoveu uma pizza party para comemorar o aniversário da namorada. Ele fez o mesmo esquema da primeira pizza party onde ele foi pizzaiolo, na casa so meu cunhado no Brasil. Fez a mesma massa, o mesmo molho e quase as mesmas variedades de toppings. Para a pizza sobremesa ele trocou a banana pelo morango, pois a aniversariante não gosta de banana, e acrescentou chocolate. Eu não provei, porque estava exausta de tanto comer as versões salgadas, mas quem provou disse que estava no mínimo o máximo.

brunch de Páscoa
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Sem chocolate. Com salmão defumado e fatias de tomate e limão, omelete com pecorino e chives, aspargos cozidos no vapor e temperados com azeite, um pingo de vinagre balsâmico e flor de sal, pães de centeio e integral, iogurte, mel, manteiga de amêndoas, frutas frescas, queijo provolone, manteiga sem sal, café, leite e suco de cenoura.

a primavera chegou!
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E com ela chegaram os aspargos—representantes leguminosos e verdes desta tão esperada e antecipada estação.

lindeza de capim dourado
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Presente especial da Zel, que tem bom gosto e sabe das coisas. Many, many thanks, lindoca! Já estreei, que nem sou tola de ficar esperando, né? Pisc!

baked scallops
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Acho que eu nunca tinha feito scallops, apesar de já estar cansada de vê-los em receitas aqui e ali. Pela primeira vez, vi os tais sendo vendidos na barraca do pescador no Farmers Market, então resolvi comprar. Fui buscar informação e fiquei bem surpresa em descobrir que os scallops são moluscos! Eles têm conchas, que as vezes são vendidas junto com a carne branquinha, que parece um peixe. Pelo que eu li, o objetivo crucial de quem estiver preparando os scallops é não cozinhar demais pra eles não ficarem borrachudos. Me concentrei nesse detalhe e fiz uma receita bem simples que encontrei neste blog:

Baked scallops [para dois]
6 scallops
20-30 gr de farinha de pão bem fininha
Raspas da casca e suco de um limão
Pimenta do reino moída grossa
Azeite

Pré-aqueça o forno em 480ºF/250ºC. Unte duas forminhas refratárias com azeite. Coloque a farinha de pão num prato, tempere com as raspas de limão e a pimenta do reino. Cubra os scallops generosamente com essa farinha. Coloque os scallops nos refratários—três em cada, Regue com o suco de limão e com azeite. Asse por 15 minutos, deixe descansar uns minutos antes de servir.

mais azeite da UC Davis
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No ano passado eu dormi de touca e perdi a primeira festa de lançamento do azeite da UC Davis. Meus amigos foram e me contaram. E eu então contei aqui que as oliveiras estão por toda parte, na cidade e no campus da Universidade da Califórnia em Davis. As árvores se enfileiram por ruas e campos. Na avenida paralela à minha rua há uma grupo delas, lindas, pomposas e ancestrais. Fiquei muito feliz quando a universidade tomou a iniciativa de colher as azeitonas das oliveiras do campus e transformá-las em azeite. No ano passado comprei meus vidros do néctar e este ano marquei no calendário o dia da festa do lançamento do azeite da UC Davis e marquei presença, na companhia da minha amiga Charlene. Chegamos um pouco tarde e ficamos tentando botar o papo em dia, então perdemos alguns dos inúmeros rangos que estavam sendo oferecidos. Compramos tokens para provar quatro tipos de vinhos, de algumas vinícolas e distribuidores locais, que estavam expondo seus produtos. Aqui na Califórnia, festa sem vinho não é festa! Provamos o azeite deste ano, que achamos um pouco apimentado demais para o nosso gosto. Outros produtores de azeite locais estavam expondo seus produtos e concluímos que a variedade das azeitonas aqui tem mesmo um toque ligeiramente amargo. Rodamos pela festa, comemos algumas coisinhas, bebemos dois tipos de vinho branco e dois tinto. O vinho que nós mais gostamos foi o Sauvignon Blanc Chasing Venus da wine company Crew. Um vinho neozelandês leve e delicado, com sabor e aroma bem intenso de grapefruit.

happy chocolate day

Ontem minha nora, Marianne, fez trinta anos. Vamos ter muitas comemorações neste final de semana e no próximo. Como é de praxe, eu já fiquei toda animada com a possibilidade de fazer um bolo pra ela e assim praticar meus baking skills, que precisam de muito treino. Pensei no trabalhão que eu iria ter fazendo um bolo de aniversário, na bagunça, nos acidentes, nos possíveis e prováveis fracassos, no tempo que iria gastar e decidi aceitar a sugestão da minha amiga Leila—comprar um bolo no Nugget.

Conversando pelo telefone com a mãe da Marianne, para combinarmos o weekend, ela citou o fato de que domingo é dia de Páscoa. Juro que me surpreendi. Esse é um feriado que foi aos poucos ficando cada vez menos importante no meu calendário comemorativo. Primeiro que aqui a sexta-feira santa não é feriado. E eu não me importo com chocolates. Fazia as coisinhas quando o Gabriel era pequeno. Lembro como se fosse hoje a excitação da manhã de domingo, com ele procurando os ovinhos pelos arbustos e matagais do sítio da minha tia Anah. Lembro da risada alta dela, toda vez que ele achava um dos preciosos ovos que ela mesma tinha escondido. Hoje as histórias de Páscoa são apenas doces lembranças.

Mas teremos ovos e coelhos, que serão providenciados pela sogra do Gabe, que é a festeira da família. Ela curte os ovos e coelhos, traz o chocolate. No ano passado passamos a Páscoa na casa dela, e foi quando tirei essas fotos, que estão batendo o recorde de visitas de navegantes vindos pelo Google em busca de imagens de ovos e coelhos. Sinceramente, isso me deixa deveras triste e bastante furiosa, pois essa gente vem buscando imagens e vão pegar e usar, sem pedir, sem dar crédito. Os coelhos e os ovos da Reidun e as minhas fotos, vão ser usadas por aí, como se fosse de domínio público. A internet está mesmo infestada de larápios e copiões.

as frô de pês
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O panorama no quintal já está bem diferente de algumas semanas atrás, quando tirei essas fotos. O pé de nectarina e os dois pés de pêssegos que estavam floridíssimos, estão cheios de folhas verdes. Logo começam a aparecer as frutinhas. A expectativa é sempre grande, pois essas frutas são o algo mais do meu verão.

cozinha cheirosa
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Não consigo jogar as cascas dos cítricos no lixo. Acho essas frutas tão preciosas. Sempre que posso, ralo a casca bem fininha e coloco em receitas. Adoro colocar os zests no molho para salada. Ou então guardo as cascas para jogar no fogo da lareira. Mas elas, tão perfumadas, também fazem uma ótima infusão aromática. Fervidas na água com alguns cravos da india, deixam a cozinha com um cheiro delicioso. Não tem fedor de bacon frito que resista à essa poção mágica.

Parmesan Popovers
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Queria servir um pãozinho com a sopa, mas tinha que ser coisa simples e rápida, porque não sei o que acontece comigo, mas sempre no final do dia estou exausta, fisica e mentalmente. Tive essa idéia de fazer popovers, que são bolinhos macios que crescem e geralmente explodem pra fora da forminha. Usei a conveniente caixinha do Food Blog Search e cai nesta receita deste blog, que achei perfeita. Meus popovers não cresceram muito, nem ficaram com a aparência típica dos popovers, mas tudo bem, beleza não é tudo nesta vida, né?

Parmesan Popovers

Pré-aqueça o forno em 400ºF/205ºC. Unte uma forma com 12 muffins com azeite. No liquidificador, coloque:
3 ovos
3/4 xícara de farinha de trigo
1/4 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de pimenta do reino moída na hora
1/2 colher de chá de ervas de Provence
4 colheres de sopa de salsinha fresca picadinha * eu usei orégano fresco
1 xícara de leite integral
3/4 xícara de queijo parmesão ralado

Bata bem. Encha as forminhas com 3/4 da mistura e asse por 25 minutos, até que eles cresçam e fiquem dourados. Remova da forma e deixe esfriar numa grade. Esses bolinhos são ótimos para serem levados, fechados num container, para picnics.

sopa de brócolis
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Já estou de joelhos, pedindo, implorando—chega de brócolis por este ano! Pode ser que o panorama da cesta mude em breve, pois nesta semana chegaram, junto com mais brócolis e mais repolho, quatro aspargos bem compridos e bem magrelos.

Mas enquanto a temporada do brócolis não termina, vamos inventando receitas. Nessa sopa só precisei cozinhar os raminhos com caldo de galinha, até eles ficarem super tenros. Juntei umas cenouras também. Temperei com sal, pimenta e um fio de azeite. Quando os legumes amoleceram, moí com o mixer de mão e acrescentei uma xícara de buttermilk. Depois disso foi só servir.

Busca de Blogs de Culinária

Quem passeia pela blogosfera gastronomica em inglês ou francês já deve ter visto o Food Blog Search, um site de busca para receitas em blogs de culinária desenvolvido pela Elise Bauer do blog Simply Recipes. Quando eu vi, achei a idéia ótima e coloquei a caixinha de busca ali embaixo, no meu menu, onde posso ter essa facilidade sempre a mão. A iniciativa da Elise contou com a ajuda de outros blogueiros, da turma inglesa e francesa. Mas a blogosfera gastronomica não fala só inglês e francês. Os blogs em língua portuguesa são a prova disso. Somos muitos e já somos bem vísiveis. Por isso a Elise me convidou para ajudá-la na empreitada da versão em português do Food Blog Search. O Busca de Blogs de Culinária já está online e já tem muitos blogs anexados. A Elvira me enviou a lista de links inscritos no Cozinhas do Mundo e eu completei com os que tenho no meu menu. Mas sei que muitos podem ter ficado de fora, portanto se o seu blog não estiver lá e me avisa, que eu anexarei.

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Para saber se o seu blog está anexado, faça uma busca no Busca de Blogs de Culinária pelo nome ou endereço do blog.

As regras para um blog ser anexado no Busca de Blogs de Culinária são:
Ser escrito em Português
Ter receitas
Incluir histórias e comentários
Oferecer fotos ou ilustrações - do próprio blogueiro ou com crédito
Seguir métodos de cozinhar tradicionais - não vale ensinar a fazer bolo de caixinha
Ter um formato de blog, incluindo espaço para comentários dos leitores
Existir por pelo menos 10 meses e ter pelo menos 10 posts

Você também pode colocar a caixinha de busca no template do seu blog, como eu fiz, para facilitar as buscas. Para isso, é só pegar o código aqui, copiar, colar e tcharan—boa pesquisa por receitas em português!

oito xícaras & oito pires
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Quando eu vi o joguinho de oito xícaras e oito pires de porcelana da Bavaria alemã, não pensei em nada, agarrei as fofuretes, paguei e me mandei. Na thrift store que eu frequento e que ajuda os animais do abrigo do SPCA de Woodland, é assim: viu e gostou, agarra rápido! Porque se parar pra pensar, pode não ter uma segunda chance e alguém atrás de você pode sair da loja com as coisinhas que você vacilou e não comprou.

O único problema dessa questão das minhas visitas semanais à lojinha dos bichinhos é que estou ficando, ou melhor já estou, sem lugar pra acomodar mais nada. Esse jogo alemão foi a gota d'água na seção das xícaras. Quando abri o armário onde guardo uma parte das xícaras para chá e café, vi que uma das prateleiras estava manca, pois um dos suportes tinha se quebrado. No desespero de tirar todas as xícaras de lá, quebrei uma. Felizmente era uma num conjunto de onze, então sobraram outras dez. Protagonizei um pequeno sambalelê, pedi ajuda e ainda levei uma bronca porque é evidente que na cozinha não tem mais lugar nos armários pra nem mais um copo. Revidei às críticas ao meu consumismo assistencial com o melhor argumento de todos—poootesz greeelo, estou apenas ajudando os animais desabrigados, será o benê que não tenho esse direito?!

para frutificar
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pé de tomate

smoke gets in your eyes

Todo mundo que passa por aqui deve saber que eu tenho uma obsessãozinha por filmes antigos. Aliás, filmes antigos é quase só o que eu assisto. Tenho preferência pelos da década de 30, mas assisto de tudo, gosto de observar os micro-detalhes, além de curtir a história, os atores e tal. Uma coisa super notável nos filmes de 34 pra frente, quando se reenforçou o código para os filmes de Hollywood e acabou com o bacanal de mulheres semi-nuas, sexo, violência e all that jazz, é a presença constante do cigarro. Bom, não se podia fazer mais absolutamente nada, as mulheres tinham que se vestir com casaquetes fechados até o pescoço, os casais não podiam dormir na mesma cama e beijar só de lábios bem selados, então o jeito era fumar, e fumar muito!

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Três objetos que hoje estão praticamente em desuso, eram necessidade básica naqueles tempos—o isqueiro, coisa fina para os ricos, os pobres usavam aquela outra coisa que se riscava na sola do sapato pra acender o cigarro; a cigarreira, também outra coisa fina, geralmente presente do amante com iniciais encravadas, os pobres tiravam aquele maço de papel amassado do bolso do paletó surrado; e o cinzeiro, que ficavam espalhados pela casa e eram tão populares que eram vendidos desde em lojas como Tiffany até nas biroscas de turistas em Niagara Falls—e que deve ser hoje o único lugar onde pode-se ainda achar um deles.

A atriz com luvas brancas, chapéu com peninhas e redinha e um terninho incrívelmente sufocante, já entra em cena segurando um cigarro. E era um cigarro sem filtro, porque ela tira um naco de fumo da língua, como eu via algumas pessoas que fumavam Minister sem filtro lá na minha pré-história na década de sessenta, fazer. Eram pessoas mais pobres, que não podiam comprar o fino Hollywood com filtro. Presumo que na decada de quarenta todos os cigarros eram sem filtro. Até a Bette Davis tirava naco de fumo da língua, porém com luvas e com muito charme.

Cigarros eram tão parte de tudo, que ninguém se importava com ele, Fumava-se comendo, beijando, dentro do elevador, nas festas de criança, no banheiro, durante brigas, fazendo sexo em camas separadas, é claro. Cigarro não incomodava, muito pelo contrário, quando alguém entrava em cena, oferecia-se um cigarro, como hoje se oferece um vinho do porto, um copo de água, um cafézinho passado na hora, um chiclete de menta. Chegava a vamp de chapéu e o pitéu de casaco com corte perfeito de alfaiate abria a cigarreira de prata e oferecia um cigarro. Ou havia uma caixa de cigarros na mesa de centro e o casal dividia as baforadas, ou ele acendia os dois cigarros e passava um pra ela. A primeira coisa que se fazia, antes de tudo, até do café da manhã, era fumar. Os filmes antigos têm aquela tênue névoa pairando no ar em todas as cenas. Era o fumacê discreto do sempre presente cigarro.

Hollywood já não é a mesma, principalmente porque hoje na Califórnia não se pode fumar em praticamente nenhum lugar público. Mesmo do lado de fora, há regras. Em alguns lugares, por exemplo, pra poder dar umas baforadas no cigarrinho, o fumante marginalizado tem que estar a pelo menos seis metros de qualquer janela ou porta de qualquer prédio. Eles ficam lá sozinhos, fumando no ostracismo, os passantes desviando, como se o fumacê tivesse bactérias nauseabundas ou vírus contagiantes. Acabou o glamour, hoje quem fuma não é mais Bette Davis.

* eu não fumo, nunca fumei.

cabelo de anjo com ervilha & bacon
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Receita da revista Everyday Food para se fazer em vinte minutos. Frite umas fatias de um bom bacon cortado em quadradinhos, até eles ficarem crocantes. Escorra e reserve. Na gordura que ficou na panela—que se o bacon for dos bons, não vai ser muita, apenas o suficiente—refogue uma enchalota [shallots] picadinha até ela ficar macia. Jogue um saquinho de ervilha congelada, refogue até a ervilha ficar macia. Enquanto isso já vá cozinhando um punhado de macarrão cabelo de anjo em bastante água salgada. Jogue meia xícara de half and half [um creme de leite diluído] no refogado de ervilhas, tempere com sal a gosto. Escorra o macarrão e junte ao refogado de ervilha. Salpique com o bacon frito e sirva com bastante queijo parmesão ralado na hora.
The Big Tomato
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A Ashley tinha me dado um toque, que haveria um evento do tomate aqui em Davis, mas ela não sabia onde, era pra eu ficar de olho. Eu fiquei interessada, mas esqueci de ficar de olho, pois fui carregada na avalanche dos zilhões de acontecimentos da semana e nem lembrei de pensar no tomate.

Mas como se diz por aí, se Maomé não vai até a montanha… O evento do tomate simplesmente apareceu na minha frente, enquanto eu fazia a minha caminhada semanal do sábado pela manhã no Farmers Market. O tal evento do tomate estava bem ali, no meio do gramado do parque. E parecia animado, lotado de gente. Fui lá checar.

O evento, batizado de Big Tomato, foi uma iniciativa do Yolo County Agricultural para promover uma conexão entre a população e a produção número um do nosso condado de Yolo, o tomate. A UC Davis desenvolveu pôsteres com informação sobre a cultura do tomate, e havia distribuição de livretos de receitas e mudinhas de plantas de tomate—eu peguei uma, que vai ficar num vaso, dentro de casa, até meio de abril, quando já vai estar quente o suficiente para plantá-lo na horta. Mas o que estava fazendo sucesso com o público eram os inúmeros restaurantes, entre os melhores da região, oferecendo amostras de comidas preparadas com o ingrediente astro. Eu não provei nenhuma, porque não curto muito essa coisa de pegar amostra de comida em lugares públicos, mas a paella de inverno do Tuco’s, um dos meus restaurantes favoritos aqui em Davis, estava muito bonita e chamativa. Encontrei alguns conhecidos lá, entre eles uma escocesa com quem trabalhei na International House e ela estava animadíssima, provando todas as coisas deliciosas e lambendo os beiços.

um repolhão para dar, não vender

Eu comprava duas cebolas e ela comprava dois repolhos, pequenos. Ela tinha chegado primeiro, já estava pagando e fez o que eu acho o fim da picada de se fazer num Farmers Market, ela barganhou. Cada repolho custava setenta e cinco centavos e ela pediu pra levar os dois por um dólar porque eles eram pequenos. Virei meu pescoço e encarei, sem nem procurar disfarçar. Queria mesmo era ouvir o diálogo que ela travava com o fazendeiro, ou melhor, o monólogo, que era mais ou menos assim: eu ADOOOROOO repolho, você não tem repolhos maiores, esses são muito pequenos, porque eu AMOOO repolho, faz os dois por um dólar, ah, eu realmente AMOOO repolho! Por um momento eu quis interferir, convidando a referida para dar uma passadinha na minha casa, pois eu tenho lá um repolhão encalhado, repolhão que eu DETESTO, não AMOOO nem um pouco e estou tentando me livrar. Doaria de bom grado, sem cobrar, o que seria um lucro duplo, pois eu não teria que comer nada e ela comeria sem desembolsar nem um centavo.

na janela
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Uma maneira charmosa de exibir um lindo jogo de chá de terracota.

urucum?
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Muita gente deve estar se perguntando como foi que apareceu urucum na minha cozinha californiana. Um ingrediente realmente improvável, a não ser que você tenha uma mãe como a minha, que me envia pelo correio as coisas mais inusitadas. Quando eu me comprometi a dar aquela aula de moqueca na International House, no ano passado, minha mãe não só recomendou que eu fizesse a moqueca indígena, também conhecida como capixaba, mas também providenciou o ingrediente indispensável—o urucum. Eu pensei e repensei, mas decidi fazer a minha infalível receita de moqueca de salmão, que é sempre sucesso absoluto em todas as paragens. A aula foi bem bacaninha, apesar da minha horrível timidez, a moqueca foi devorada até pela prefeita de Davis, e no fim me sobrou o urucum, que eu guardei na esperança de um dia usar. Pois então.

moqueca de camarão & banana
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Me inspirei nesta receita de moqueca de banana da Neide Rigo pra fazer a minha moqueca, onde adicionei alguns camarões. Fiz no estilo capixaba, com o urucum e sem leite de coco ou azeite de dendê. Não tenho a maravilhosa panela de barro do Espírito Santo, então adaptei usando uma frigideira de terracota. Usei tomate em lata, porque os frescos agora vêm de algum canto do mundo e têm gosto de nada. Os de lata que eu uso são tomates californianos enlatados no pico da estação, quando eles estão no auge da gostosura. Adaptações são necessárias, mas isso não significa perder em qualidade e sabor.

Refoguei um punhado de sementes de urucum numa boa quantidade de azeite. Deixei esfriar e removi as sementinhas. Adicionei cebolinha picadinha no azeite que ficou avermelhado pelo urucum. Usei a parte verde e a branca—minhas cebolinhas são gigantes, apenas uma bastou. Quando as cebolinhas estavam molinhas, acrescentei uma lata de tomate, deixei engrossar. Temperei com sal e pimenta vermelha seca. Quando o molho ficou grosso, afundei ali os camarões que tinham sido previamente temperados com sal, pimenta e suco de limão. Espremi por cima mais suco de limão. Cobri com rodelas de banana nanica e polvilhei com bastante coentro fresco. Tampei e deixei cozinhar por uns minutinhos apenas, com cuidado pros camarões não virarem chicletes borrachudos. Servi com arroz branco e uma salada simples de folhas de alface. Minha opinião sincera: os camarões poderiam ter ficado de fora. Só a banana já fez dessa moqueca o fino da bossa.

twinkies 'R' forever
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Twinkies—os bolinhos do Michael Pollan.
Data de validade—fim do mundo.
Modo de usar—para matar a fome, em caso de uma hecatombe nuclear.
Os twinkies e as baratas—os insetos com certeza não vão querer comê-los.

e foi assim que fiz mais um jantar
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A semana começou no sábado e já num ritmo de ziriguidum. Vou confessar que tenho estado sempre exausta e que muitas vezes sinto um enorme vazio, na cabeça e no estômago. Fico extremamente feliz e realizada quando descolo uma receita antecipadamente, ou quando me dá aquela idéia brilhante no meio da tarde, e festejo quando abro a geladeira e está tudo ali na minha frente, só preciso juntar os ingredientes de uma maneira mais ou menos metódica—picar, juntar, misturar, refogar ou assar, e prontíssimo, o jantar está servido.

Mas tem dias que nem com a vaca tossindo o menu do jantar se concretiza. Eu até que tinha uma vaga idéia de um rango improvisado: iria ser um macarrão com brócolis. Mas tive que dar um pulo no supermercado e lá o tal macarrão com brócolis entrou num processo de metamorfose. Primeiro vi no olive bar uns pimentões vermelhos assados. Pensei, uhm, vou colocar tiras desse pimentão no macarrão com brócolis, estou ficando audáciosa! Virando no primeiro corredor, peguei vários pães, um de queijo asiago da padaria mais fofa de Davis, a Village Bakery. Na outra esquina do supermercado vi umas irresistíveis linguiças recheadas com erva-doce. Bom, vou ter que tomar uma decisão radical, saí o brócolis, excuse moi, entra a linguiça. Vamos ter então um macarrão com linguiça e pimentões assados, o menu estava ficando mais interessante. Mas foi daí que eu vi o grão-de-bico.....

Jantar da noite, chegamos num momento decisivo, é vai ou racha, o macarrão foi definitivamente eliminado. O menu será um refogado com linguiça, pimentão, grão-de-bico, mais um bulbo de erva-doce que lembrei ter na geladeira, temperado com a salsinha e cebolinha que colhi da horta ontem e um queijo feta grego que comprei outro dia e que é simplesmente o mais chic dos fetas, envelhecido em barril. Servirei acompanhado do pão de queijo asiago. Ale-luiah!!

Chegando em casa foi so get my mojo working e em menos de trinta minutos e jantar estava servido. Para evoluir da idéia de macarrão com brócolis para a concretização de um saboroso cozido de grão-de-bico com linguiça, só precisou de uma caminhada arejada de inspiração no supermercado mais próximo.

Bitki
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Outra receitinha da Judith Jones, a editora da Julia Child, entre outros astros da culinária norte-americana, que eu estava esperando ansiosa pra fazer. No final da sua autobiografia—The Tenth Muse, Judith coloca algumas das suas receitas favoritas, umas da sua infância, como o levíssimo pudim de pão, que eu já refiz usando cerejas secas invés de passas, outras da sua juventude e maturidade, até as receitas que ela cozinha hoje, aos 83 anos. Não são muitas, afinal o livro é uma biografia, mas a vida dela esteve sempre intimamente ligada à comida, de todas as maneiras possíveis, portanto achei muito legal que ela nos deu a oportunidade de experimentar algumas das receitas que marcaram a sua brilhante trajetória gastronômica.

Uma das receitas que chamaram a minha atenção foi a desses bolinhos de carne, que ela chama de Bitki. Judith conta que costumava fazer essa receita quando estava na universidade, lá pela década de 40, e queria convidar amigos para jantar e num orçamento de estudante, impressioná-los. Ela diz que a receita é fácil e barata, pode ser feita com antecedência e fica uma delicia. Eu quis experimentar. Achei realmente muito fácil e extremamente saborosa. Um outro prato simples e festivo.

bitki
6 fatias de pão branco amanhecido, sem a casca
1 xícara de leite
3 cebolas grandes em fatias
3 colheres de sopa de manteiga
700 gr de carne moída—do boizinho feliz, se possível
1 colher de chá de mostarda
Algumas gotas de molho inglês—Worcestershire
3 colheres de sopa de salsinha fresca picada
Sal e pimenta moída a gosto
1 xícara de sour cream
Paprica doce para polvilhar

Pique o pão e coloque numa vasilha, molhe com o leite e deixe absorver. Numa panela, derreta a manteiga e frite a cebola em fogo baixo e panela tampada, mexendo sempre até que a cebola fique macia e dourada. Numa outra vasilha coloque a carne, a mostarda, o molho inglês, sal, pimenta e o pão espremido com as mãos. Não use as sobras do leite, se houver, na receita. Misture bem com as mãos, Junte a salsinha e incorpore. Faça bolinhas e coloque na panela com a cebola. Tampe e cozinhe em fogo baixo com a panela tampada por 20 minutos, virando as bolinhas uma vez. Coloque o sour cream e deixe esquentar. Desligue o fogo e sirva os bolinhos polvilhados com paprica, acompanhados de arroz branco, macarrão largo de ovos [noodles] ou purê de batatas.

*fiz metade da receita. E deu uma quantidade para umas 4 pessoas. Então a receita inteira dá mesmo para um jantarzinho com amigos.

**como não tinha sour cream, usei creme fraiche.

***servi com arroz.

****tirei a foto sem polvilhar com a paprica—ê, cabeção! mas na hora de servir polvilhei e realmente acrescenta um tchanran extra.

It's cookie time [AGAIN?]

Mais ou menos nesta época, todo ano, elas chegam com a listinha de biscoitinhos pra vender. E elas estão decididas a fazer você comprar, pois têm uma meta para cumprir e alcançá-la ou não pode acrescentar ou custar uma medalha ou algum outro tipo de prêmio. Com a mudança de estação a cidade é logo invadida pelas garotas escoteiras vendendo caixas dos seus famosos cookies. O Uriel compra da filha de um dos seus colegas, eu compro da filha de um dos meus colegas, e nós dois compramos das nossas fofinhas vizinhas. Elas moram do outro lado da rua. Antes era só a mais velha que vinha com a lista de cookies, mas este ano a mais nova também estreou no oficio. O irmão vem junto, pra não perder os agitos. Quando vejo eles atravessando a rua já me preparo. Quando abro a porta faço aquela cara de surpresa depois digo—oh, it's cookie time! E compramos duas caixas de cada. Assinamos a lista, que é longa. Não é fácil pras pequenas escoteiras cumprir a tal da meta. Elas precisam que os pais convoquem todos os parentes, amigos, conhecidos e vizinhos. E elas, com seu charme, precisam convencer todos a comprarem pelo menos DUAS caixas. É dureza. Precisa mesmo ser uma escoteira pra enfrentar essa maratona—com coragem, confiança e carater!

roxas, mas não violetas
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muitas maneiras de preparar
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o brócolis

Anotei todas as deliciosas idéias que recebi no post do brócolis e vou tentar testar quantas der, enquanto a temporada do legume durar. A primeira foi a dica da Mariângela de POA, que contou sobre uma receita da mãe dela. Fiz parecido. Cozinhei os raminhos do brócolis no vapor. Deixei esfriar. Numa panela fritei lascas de alho no azeite, até elas ficarem crocantes. Ali mesmo juntei sal e pimenta do reino. Reguei os brócolis com esse azeite. Foi difícil parar de comer!

Ginger Elizabeth Chocolates
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O querido Garrett do blog Vanilla Garlic organizou um evento bem bacana para os food bloggers de Sacramento. Fomos fazer um chocolate tasting na chocolateria Ginger Elizabeth Chocolates em midtown Sac. Como eu não sou louca por chocolate, fui sem nenhuma expectativa. Tive uma surpresa incrivelmente agradável com a qualidade e a delicadeza dos bonbons que nos foram servidos pela chocolatier e proprietária da lojinha encantada. Ginger Elizabeth tem apenas 26 anos e confessou ter se iniciado no fascinante mundo do chocolate aos 16. Ela primeiro nos deu uma explicação minuciosa sobre as plantações, colheita e processamento do cacau. Até nos mostrou fotos dela em fazendas na América do sul e central. Depois contou detalhes da manufatura da matéria básica e finalmente a parte que é a sua paixão—transformar o chocolate em pequenas delicias que dissolvem na boca. Provamos desde o puro chocolate em micro pedacinhos, até a manteiga, que pura tem um gosto repugnante, mas é o que faz o chocolate ser tão gostoso e viciante. Depois fizemos o tasting de vários tipos de chocolate amargo, seguido dos mais delicados bonbons, feitos de uma massa sedosa de ganache e cobertos com uma crosta quase imperceptível de chocolate. Dois bonbons me encantaram—o de chocolate amargo com ganache de meyer lemon e o de chocolate ao leite com ganache de maracujá. Ginger diz que usa os melhores chocolates e somente suco ou polpa de frutas, nada de essências. O sabor é um nocaute! Depoiis ela ainda nos serviu um bolo de várias camadas com gianduia, que eu tive que partir ao meio para conseguir comer e um tipo de semifreddo, cremoso e gelado. Visitamos também a cozinha da pequena chocolateria, onde Ginger pratica sua arte. Alguém aí pensou no filme Chocolat? Eu estou pensando nele agora. Acho que temos a nossa versão da Madame Rocher, aqui no vale central da Califórnia.

Portobello com alcachofra
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Uma invencionice bem sucedida. Quatro cogumelos, retirado a haste e refogados levemente no azeite, frente e verso, por uns minutos. No final, jogue uns pingos de vinagre balsâmico na base da frigideira, para dar uma caramelizada. Recheie com uma mistura de queijo de cabra [ou outro similar] e corações de alcachofra picadinhos. Tempere essa mistura com sal, pimenta branca, azeite e ervas provençais. Recheie os cogumelos, cubra cada um com uma fatia de queijo derretível [usei mussarela] e coloque no forno médio até o queijo gratinar. Sirva com uma salada simples de folhas. Eu fiz tudo numa frigideira só, que foi ao fogo e ao forno, só não foi à mesa.

Maple rice pudding
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O Projeto Gutenberg oferece acesso gratuíto à muitos livros de culinária antigos, alguns verdadeiras pérolas, como esse—Foods that will win the war and how to cook them. Eu tenho uma fascinação por este tema, especialmente em como se faziam adaptações ao racionamento de produtos durante a guerra. Esse livro foi publicado em 1918, portanto encara as mazelas da Primeira Grande Guerra e ensina muitas coisas bacanas que poderiam ser adaptadas ao nosso tempo sem problemas. Os autores se concentram na falta de farinha de trigo, açúcar, carnes e gorduras. Logo no inicio, duas ilustrações dão uma aula de economia doméstica que poderia muito bem fazer parte da nossa rotina de hoje.

COMIDA
1.Compre com consciência
2.Cozinhe com cuidado
3.Sirva apenas o suficiente
4.Guarde o que não vai estragar
5.Coma o que vai estragar
6.Colhido da sua horta é o melhor
NÃO DESPERDICE!

Adorei as receitas, com substituições e dicas. Escolhi para testar, a receita de um tipo de arroz doce, sem açúcar, usando o xarope de maple e as uvas passas como adoçante. Fiz uma pequena burrada inicial, pois a receita pede cozimento no vapor, usando um double boiler, onde uma panela com água fica embaixo e outra em cima com o arroz. Usei uma vasilha de vidro, que achei que era refratária, mas nos primeiros minutos ouvi um sonoro CRACK e a vasilha tinha rachado de cabo a rabo. Tristemente e contrariando todo o propósito desse livro, tive que jogar tudo fora e começar de novo. Da segunda vez fiz algo mais seguro e usei duas panelas. O pudim demorou muito mais que 35 minutos pra ficar cozido e ficou muito doce pro meu gosto. Talvez, naqueles tempos duros de guerra, os desejos de comida doce eram mais acentuados, porque comia-se muito menos açúcar.

maple rice pudding—arroz doce dos tempos de guerra
1/2 xícara de arroz
1 1/2 xícara de leite
1/4 colher de chá de canela
1/8 colher de chá de sal
1/3 de xarope de maple—maple syrup
1/2 xícara de passas
1 ovo

Bata bem o ovo com um batedor de arame, acrescente o leite, o sal, canela, bata bem para não ficar pedacinhos de gema [eca!] e para a canela se incoprporar. Acrescente o arroz e as passas e coloque para cozinhar num double boiler por 35 minutos.

o fiscal faz
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o controle de qualidade
das flores

bolo [clássico] de banana
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Receita da Dorie Greenspan publicada no Seroius Eats. Um dos melhores bolinhos que já comi. Não coloquei o chocolate, mas me arrependi.

Classic Banana Cake [em versão pequena]
1 1/2 xícara de farinha dee trigo
1 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de sal
1 tablete (4 oz/ 113 g/ 1/2 xícara) de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 xícara de açúcar
1 colher de chá de puro extrato de baunilha
1 ovo grande em temperatura ambiente
2 bananas bem maduras amassadas - 3/4 xícara
1/2 xícara de sour cream ou iogurte natural
3 oz/85g de chocolate em pedacinhos *opcional

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 176ºC e coloque a grade no meio do forno. Unte 12 forminhas de muffin com bastante manteiga e reserve.

Numa vasilha misture com o batedor de arame a farinha, o fermento e o sal. Reserve.

Coloque o acessório de pá na batedeira e bata a manteiga até formar um creme. Acrescente o açúcar e bata em velocidade média até ficar cremoso. Adicione a baunilha e o ovo, continue batendo. Baixe a velocidade e acrescente a banana amassada—a mistura vai talhar, mas sem pânico, siga em frente. Adicione o sour crem ou iogurte e a mistura de farinha alternadamente. Bata até ficar uma mistura bem lisa. Se for colocar o chocolate, adicione e misture manualmente. Distribua a mistura entre as 12 forminhas e asse por uns 30 minutos, ou até que a massa esteja firme. Deixe esfriar numa grade.

Esses bolinhos devem ser guardados em container com tampa e deixados em temperatura ambiente por até 3 dias. Congelados eles podem ser guardados por até 2 meses.

Para fazer numa forma grande, tipo Bundt, dobre os ingredientes e asse por 70 minutos.

Earl Grey tea cookies
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Definitivamente, eu não sou uma cookie person, nem pra fazer, nem pra comer. Cookies não são o meu cup of tea, embora eu coma biscoitinhos que eu compro no supermercado, mas eles precisam ser simplíssimos, quase sem açúcar, sem recheio, sem cobertura. Quanto mais simples melhor.

A primeira e última vez que fiz cookies em casa foi no aniversário de cinco anos do Gabriel, que coincidiu—ano e mês, com a passagem do cometa Harley pelo céu do nosso planeta. Então o motivo da festa foi, a pedido dele, o tal cometa. O bolo foi feito por uma profissional, com cobertura branca de coco e no formato de um cometa estilizado. Dai eu fiz gelatina em forminhas de estrelas e comprei um cortador de cookies de estrela e fiz lá os tais cookies, que pelo que eu me lembro não ficaram muito apetitosos nem fizeram sucesso com os pequenos convidados. Pudera, devia ser cookies naturebas que eu gostaria de comer e achei que todos também iriam gostar. Sobrou cookies a beça!

Por isso nunca me interessei muito por essa categoria da culinária. Mas outro dia topei com uma receita que achei impressionantemente interessante. Tratava-se de cookies feitos com folhas do chá Earl Grey, que é sem dúvida um dos meus favoritos. Eu já tinha feito uma receita bem interessante com esse chá no passado, os Earl Grey pots de créme que ficaram deliciosos. Nunca mais refiz a receita do cremezinho, mas os cookies eu precisava tentar. Parecia facil e foi. Só dei uma mancada, deixando eles ficarem mais tempo do que o necessário dentro do forno. Meu cabeçao na cozinha é uma coisa irritante. Mas desculpemos. Os cookies ficaram bem interessantes, apesar de um tantinho marronzinhos demais. Provei acompanhado com chá de laranja, onde mergulhei os retangulosinhos—chomp!

Earl Grey tea cookies
faz duas dúzias

1 xícara de farinha de trigo
1/4 xícara de açúcar
1/4 xícara de açúcar de confeiteiro
1 colher de sopa de folhas do chá Earl Grey
1/4 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de baunilha
1 colher de chá de água
1/2 xícara / 113g de manteiga sem sal

Coloque todos os ingredientes secos no processador e pulse até as folhas de chá ficarem bem moídas. Acrescente a baunilha, a água e a manteiga e pulse até formar uma massa. Coloque a massa embrulhada em papel manteiga ou vegetal e ponha para gelar por pelo menos 30 minutos. Essa massa pode ser congelada.

Pré-aqueça o forno em 375ºF/ 200ºC. Corte a massa em rodinhas ou retangulos, disponha numa forma com espaço suficiente para os cookies expandirem. Asse por uns 12 minutos, ou até os cookies ficarem com as bordas douradas. Preste atenção e não deixe os cookies ficarem escuros, como eu fiz! Deixe esfriar numa grade, sirva ou guarde numa lata fechada.

todo dia é dia de...
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flores!

a mesma velha história

Eu gosto de ver como as pessoas não têm medo de começar de novo, como é o caso da K., uma mulher de mais de cinquenta anos iniciando uma nova carreira. Ela voltou a estudar, se formou e arrumou um emprego em outra cidade. Então tivemos que nos despedir dela, com uma daquelas festinhas básicas de ambiente de trabalho. Deve ter sido porque ela só iria trabalhar pela manhã que resolveram fazer um celebração diferente, com comes de breakfast. Eram dois tipos de muffins, um com açúcar, outro sem açúcar—o que geralmente significa que contém algum tipo de adoçante artificial; uma bandeja com fatias de frutas—maças e laranjas; e duas variedades de dips para as frutas, outra vez um calorico e com açúcar e o outro, bom sei lá, nem quero entrar nos detalhes de um dip para frutas cheio de coisas artificiais.

Fomos lá dar o presente que alguém que a conhecia melhor comprou, ouvir ela contar sobre o novo emprego, onde ela vai morar, como está sendo a mudança, já que só ela vai mudar, o marido e um dos filhos que ainda mora com eles vão ficar. Enquanto isso, enchiam-se os pratinhos com as comilanças. Todos menos eu e meu chefe. Todos sabem que trago uma lancheira com meus snacks saudáveis. Eu tento não ser arrogante com minha posição de não comedora de bolinhos e dips com adoçante e ingredientes artificiais. Mas comi sim uma fatia de maçã, que também foi o que o meu chefe comeu. Nos identificamos nas nossas preferências e entabulamos por uns minutos num convercê sobre comida, que nos divergiu momentaneamente do que se falava no resto da sala. Foi quando ele me passou uma boa idéia que ainda estou pra testar: um sanduiche aberto feito com uma fatia de pão rústico, coberto com uma camada de maçã cortada bem fininha e completado por uma bela fatia de queijo brie.

um encontro com Michael Pollan II
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um encontro com Michael Pollan I

Michael Pollan está em casa em Berkeley. Antes do inicio do evento, enquanto as pessoas se acomodavam nas cadeiras do auditório lotado do Wheeler Hall, no centro do campus da Universidade da Califórnia, ele conversava com alunos, colegas e fãs. Descontraído e simpático, Pollan subiu ao palco sem delongas e fricotes de celebridade, para ser entrevistado por Cynthia Gorney, sua colega no Graduate School of Journalism.

A professora Gorney começou a entrevista contando que jantou com Pollan no Café Rouge em Berkeley e que podia afirmar que ele é um sujeito normal, que come com garfo, faca, usa guardanapo e se vira muito bem com copos de vinho. Na sequência Gorney perguntou o que toda a platéia gostaria de saber—Michael, o que você comeu no jantar? Ele descreveu um menu bem simples, preparado na cozinha da sua casa em Berkeley: macarrão integral com atum em lata, azeitonas e limão. Claro que o atum é o de melhor qualidade, cuja pesca não põe os golfinhos em risco e tudo o mais era orgânico e local.

Pollan fez um apanhado geral do seu novo livro In Defense of Food: An Eater's Manifesto, comentando também o best-seller O Dilema do Onívoro. Foi uma conversa agradável, divertida e instrutiva, entre Pollan, Gorney e o público, que participou com perguntas por escrito. Polan falou sobre muitas coisas, muitos tópicos importantes, recebeu aplausos com alguns dos seus comentários e o tempo todo se via muitas cabeças, inclusive a minha e a da minha amiga Eliana, se movimentando em concordância à tudo o que ele falava.

Pollan conta que muita gente chega até ele confessando que não está conseguindo avançar na leitura do O Dilema do Onívoro por puro temor do que virá pela frente. Os leitores assustados dizem que têm medo de chegar ao final do livro não conseguindo comer mais absolutamente nada. Mas Pollan afirma que quando o público sabe de onde vem a sua comida, ele consegue tomar decisões mais acertadas sobre a sua dieta. Segundo Pollan a indústria dos alimentos necessita de um sistema com transparência máxima. Se as paredes dos matatouros fossem de vidro e qualquer pessoa pudesse observar como os animais são abatidos nesses lugares, muita coisa iria mudar e essa seria a melhor maneira de fazer uma limpeza geral em todos os níveis do esquema industrial de processar alimentos.

Para Pollan, está tudo errado com a maneira como nós nos alimentamos. No In Defense of Food, Pollan detona sem pena as milhares de pesquisas nutricionais que, como num samba do crioulo doido, ditam modas, impõem diretrizes, mudam dietas e crucificam ou endeusam certos alimentos, fazendo de todos nós escravos da comida, que acaba sendo consumida por causas dos seus beneficios nutricionais e não por motivos mais singelos, como sabor e prazer. Para Pollan, o resultado dessa confusão toda é que a indústria dos alimentos está produzindo pacientes para a indústria de saúde [ou de doenças, se você preferir].

A solucão para essa enrascada onde nos enfiamos, transformando o ato de comer numa atividade puramente mecânica e carregada de pressa, estresse e culpa, é simplesmente voltarmos a fazer como fazíamos antes, e isto quer dizer apenas voltar a cozinhar com ingredientes de verdade, não produtos processados. Pollan recomenda se que gaste mais dinheiro e mais tempo comprando e preparando nosso alimento. O custo da comida barata é mais gasto com a saúde, ele afirma. Gasta-se um pouco mais com produtos de melhor qualidade, compra-se e come-se menos, porque ninguém precisa comer carne todos os dias, beber litros e litros de leite e se entupir de toneladas de comida em todas as refeições.

Para quem argumenta que vivemos numa sociedade corrida, que todos trabalham, que ninguém pode perder horas do dia labutando na cozinha, Pollan responde: você arruma tempo para fazer as coisas que valoriza. Há tempo de sobra para assistir tevê, jogar golfe ou navegar na internet, por que não há tempo suficiente para se preparar uma refeição simples e honesta, com ingredientes frescos e saudáveis?

Pollan recomenda que se invista numa cesta orgânica [as CSA que ele diz adorar!], comprar local nos Farmers Markets e fazer sua própria horta. Ele também diz que se der saudades de porcarias a regra é: pode-se comer toda a junk food que se quiser, desde que se faça a sua própria. Se você tiver que fazer batata-frita em casa, quantas vezes por ano vai comer essa delícia? Muitos aplausos!

Pollan é um homem alto, com os pés mais gigantescos que eu já vi na minha vida e com um sorriso espontâneo e largo. Me pareceu mais velho pessoalmente do que eu havia imaginado. Mas a simpatia é visível e contagiante. Logo depois da palestra ele foi para o hall de entrada do teatro autografar livros. Ouviu, conversou e interagiu com cada um dos seus fãs. Eu esqueci de levar meus livros, mas minha amiga Eliana levou o dela e ganhou um autógrafo sugestivo—eat good! Nós comentamos que ele não parece ter sido contagiado com a celebridade que alcançou. E com certeza não será, porque apesar dele estar desempenhando esse importante papel de guia, ele dá a impressão de estar caminhando ao nosso lado e não na nossa frente e isso é funciona como um incentivo fora do comum.

Alguns mandamentos de Michael Pollan
.Não coma nada que a sua avó não consiga reconhecer como comida.
.Evite comidas que contenham ingredientes que você não consiga pronunciar.
.Evite comer qualquer coisa que não apodreça.*
.Evite produtos que prometem benefícios para a sua saúde.
.Compre produtos nas áreas periféricas do supermercado—os perecíveis.
.Melhor ainda, não compre em supermercados, mas sim nos Farmers Markets, ou assine uma CSA.

*Pollan carrega pra cima e pra baixo há anos, um pacotinho com dois bolinhos industrializados, para provar que os trequinhos continuam perfeitos, fofinhos e sem nenhum bolor ou descoloração, mesmo com o passar dos anos——e-ca!

a lancheira da Wilma F.
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Dois dias participando de um seminário em Sacramento mudou a minha rotina. Me fez finalmente tirar a poeira e usar pela primeira vez a lancheira grande, que comprei um tempo atrás junto com a pequena, naquela incrível loja online.

Como eu não sabia como iria ser o esquema de comida do evento, fui para o seminário carregando minha lancheira da Wilma Flintstone. Essa lancheira é uma coisa impressionante de espaçosa. Estou acostumada com a pequiena, que uso diáriamente pra levar meus snacks pro trabalho, mas a grande me surpreendeu. No primeiro dia levei até uma caneca, pois não podia ficar sem o meu chá. Ela arrancou comentários elogiosos de boa parte dos participantes do evento. Muita gente perguntou onde eu tinha comprado a lancheira fofa. Sucesso! Acabei almoçando com minhas colegas na área de alimentação de um shopping que eu detesto em Sacramento, com predominância absoluta de junk food. Elas comendo uma gororoba chinesa acomodada numa embalagem de isopor [yacks!] e eu com minhas saladinhas de edamame e de batata-doce, sandubinha de cenoura com azeitonas, banana, laranja em cubinhos, iogurte, lahdihdah...

salada de edamame com cranberries e queijo
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Ferva os edamames por cinco minutos, coe e deixe esfriar. Numa vasilha misture as edamames com cranberries secas, salpique com manjericão fresco picado [*não tinha, usei coentro fresco] e tempere com sal, pimenta moída e azeite. Misture bem e acrescente queijo feta esmigalhado [*não tinha, usei queijo de cabra]. Sirva gelado ou em temperatura ambiente. Eu coloquei as edamames sobre uma cama de alface crespa.

arroz com abóbora
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As abóboras estão dando os últimos suspiros. Comprei uma red kuri squash e assei partida ao meio. Removi a polpa e guardei na geladeira. Fiz um arroz simples, usando o basmati que é o meu arroz do dia-a-dia aqui, mas pode fazer com qualquer arroz. Cozinhei uma xícara de arroz com uma e meia de um bom caldo de legumes, sal e um pouquinho de manteiga. Quando o arroz estava quase cozido, acrescentei uma xícara da polpa da abóbora assada e amassada com um garfo, mais meia xícara de caldo de legumes. Deixei secar e acrescentei bastante queijo parmesão ralado. Servi imediatamente.

The New Vegetarian Epicure
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Eu não tenho uma explicação racional de por que um livro me fascina, me interessa, me ganha. Alguns são especiais, por causa do conteúdo ou do formato. Passei os olhos pela minha estante e decidi que vou mostrar alguns deles, os que tem aquele detalhe especial que fez com que eu me apegasse. O livro de estréia dessa futura série de fotos é o The New Vegetarian Epicure, da Anna Thomas. Eu tenho esse livro há muitos anos, foi um dos poucos que eu trouxe comigo quando vim pra Califórnia. Os dois primeiros livros de Thomas, The Vegetarian Epicure, publicados na década de 70, foram um tremendo sucesso de venda. Esse livro segue o mesmo estilo dos primeiros, delicadamente ilustrado com receitas criativas e inovadoras. Uma delicia de folhear, para se inspirar para cozinhar ou apenas ter idéias.

onde se encontra de um tudo

Com centenas de livros de receitas na estante da cozinha, mais centenas de revistas de culinária empilhadas pelos cantos da casa, sem mencionar aqueles vários pacotes com recortes de jornal e revistas, folhetinhos, receitas impressas ou escritas a mão, eteceterá, eteceterá, onde é que a senhora modernete vai procurar uma receita quando precisa de uma? No Google é claro!

Comentei outro dia com um amigo que os cds estão com os dias contados. Música em breve será basicamente consumida nos Itunes e Amazons. E os dvds provavelmente terão o mesmo destino. Máquinas de escrever, telefones de discar, discos de vinil, filmes em 16 mm—coisas de museus ou de colecionador. E os livros? Os livros de receita, no meu caso? Acho que nunca, nunca vou me desfazer das minhas centenas, nunca foi deixar de folhea-los, de admirar, olhar fotos, me inspirar. Vou continuar comprando, no meu esquema obsessivo, vou continuar empilhando, desejando, buscando pelos mais interessantes, os antigos com páginas manchadas e cheiro das cozinhas do passado, com suas receitas com medidas esdrúxulas e ingredientes inencontráveis. Os livros continuarão a fazer parte da minha vida, sempre, mas na hora que eu precisar de uma receita rápida, numa segunda-feira à noite, vou buscar, sem dúvida, vocês sabem onde, lá mesmo, no google dot com.

Liaison bistro - Berkeley
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Fomos à Berkeley com nossos velhos amigos Eliana e Andres, encontrar nossos novos amigos, Maryanne e Paulo. Eles nos recomendaram esse fofíssimo bistrô, numa esquina da cidade e foi lá que marcamos um almoço no domingo. Adorei o lugar, bem tradicional, com um cardápio francês, um ambiente aconchegante e um serviço atencioso. Tivemos dificuldade para escolher o vinho e o garçon nos trouxe uma amostra dos vinhos que estávamos em dúvida. Foi uma excelente manobra, pois um dos vinhos não teve aprovação. Pedimos outro, que todos gostaram. Como é comum aqui nos domingos, o cardápio era de brunch. Mas diferente da maioria dos restaurantes que servem brunch, achei o cardápio do Liaison bem variado. Um set de entradas, outro de pratos com ovos, outro de saladas e o último de croques, que achei bem criativo. Todo mundo pediu algo com ovos. Eu, concentrada em papear com a Maryanne, me distraí de absolutamente tudo e pedi uma salada niçoise sem perceber que ela vinha com o atum fresco selado—e eu NÃO como peixe cru! Mas isso não foi problema, pois a salada era imensa, como todos os pratos do lugar, e eu ainda pedi pommes frites e nem consegui comer tudo. As sobremesas valeram à pena. Eu pedi uma île flotant que estava perfeita. Gostei de tudo do Liasion Bistro, principalmente da maneira com que eles apresentavam os cardápios de drinks e sobremesas, carimbando na cobertura de papel da mesa. Passamos a tarde toda lá, acomodados na mesa redonda, conversando animadamente. Foi uma tarde deliciosa, especialmente porque estávamos em ótima companhia.

rosa, roxo & verde
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Três cores que eu nunca arriscaria colocar juntas. Mas alguém fez por mim e eu gostei.

the hedgehog mushroom
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Hydnum repandum—Often called the "hedgehog mushroom," this most delectable of delicious delicacies is easily recognized by its pale orange-tan colors, its terrestrial habitat, and the spines or "teeth" on its underside. In fact, Hydnum repandum is one of the safest edible mushrooms, since it is so unmistakable. Sadly, I rarely find Hydnum repandum in quantities sufficient for the table--but when I do, life stops until I eat them. Aside from the sweetly nutty taste, the texture of the hedgehog mushroom is truly wonderful; "pleasantly crunchy" is how I would describe it.

skate wings na manteiga
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O peixe dessa semana foi o skate wings, que é uma espécie de arraia e, segundo o pescador, uma delicacy. Comprei para experimentar, mas quando vi a foto do bicho, já fiquei meio assim. Depois li que esse peixe não é encontrado tão fácil e que a carne dele lembra um pouco a lagosta ou o caranguejo. Preparei de uma maneira bem simples—coloquei manteiga e fatias de alho numa frigideira, deixei a manteiga derreter e pegar o gosto do alho. temperei o peixe com sal, pimenta do reino branca moída e passei os dois lados na semolina. fritei o peixe na manteiga. minutos antes de servir, salpiquei com chives—cibouletes picadinha.

Servi o peixe frito acompanhado de brussels sprouts—couve de bruxelas refogadas no azeite, com mini-erva-doces, nozes e sal a gosto. Não foi uma refeição memorável pra mim, que achei o peixe muito cremoso e cheio de espinhas—ele tem praticamente uma camada de espinhas que você tem que remover para comer a carne. Mas por mais incrível que possa parecer, o skate wings foi um sucesso com a crítica, que devorou praticamente o peixe inteiro.

flores [que esqueci o nome]
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