um encontro em Coimbra
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Minha condição dinossaurica de dezesseis anos como usuária da internet e de oito anos como blogueira endossam essa minha mania de encontros. Não é de hoje que eu tenho esse impulso de conhecer pessoalmente os amigos das convivências virtuais. A maioria dos meus encontros foram frutiferos e geraram amizades duradouras e bacanas. Sempre há os casos de falta de conexão ou de pessoas que não têm mesmo nada a ver com você, mas esses são minoria, felizmente!

Aqui em Coimbra, assim como em Lisboa, meu encontro com as queridas amigas portuguesas foi fantástico! Infelizmente nem todos puderam ir por impedimentos ou compromissos pessoais, ou por uma falha não intencional minha, que acabei não me recontactando com todos. Haverão outras oportunidades, tenho certeza!

Num sábado de solaço e calorão encontrei com Elvira, Mariana e Marizé. Perdi a noção do tempo, mas pelo jeito passamos muitas horas no bate papo—primeiro na porta da estação de trens, onde encontramos Elvira e Marizé e esperamos pela Mariana. Depois caminhando pelas ruas do centro histórico de Coimbra, num café para bebermos água e refrescar, finalmente no restaurante a beira do Rio Mondego, e depois novamente num café, onde bebemos cerveja e conversamos tanto que quase fizemos a Elivira e a Marizé perder o trem de volta pra casa.

Minha irmã e meu cunhado também nos acompanharam e tiveram que enfrentar uma maratona de conversas culinárias e de blogueiragens sem fim. Eles foram fortes e bravos e nem demonstraram muito desespero nem bocejaram de tédio na nossa cara. Fiquei muito orgulhosa da minha irmã. Pisc!

Meninas lindas de Coimbra, foi uma felicidade imensa conhecer vocês. Estendo o convite para tardes de verão ou outono na Califórnia. Bá, mas não vai ser a mesma coisa, né? Tenho mesmo é que voltar mais vezes à Portugal.

*na primeira foto: eu, Marizé, Mariana e Elvira.
**no cardápio, uma deliciosa feijoada de peixe.
***esqueci de fotografar o vinho, que era verde, é claro!

A cozinha do Mosteiro de Mafra
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No Mosteiro de Mafra, fiquem encantada com a cozinha dos frades, toda equipada com tachos de cobre medievais. Fotografei alguns detalhes até que fui alertada que "não pode tirar fotografias". Então fechei a câmera, desconsolada....

queijo Serra
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Queijo de ovelha curado e amanteigado. Corta-se uma rodela na casca, formando um buraco por onde tiramos o creme para passar nos pães ou tostas. Um queijo magnífico!

almoço em Peniche
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Estamos comendo bastante em restaurantes e com a exceção de um mal escolhido em Óbidos, temos comido muitíssimo bem. A maioria dos restaurantes serve uma comida simples e saborosa. Alguns surpreendem, como este chamado Kate Kero na pequena cidade litorânea de Peniche. Os peixes eram fresquíssimos e os pratos eram muito simples, servidos com salada e batatas cozidas. Eu pedi o meu peixe com batatas-fritas. Estou batendo o recorde de comer batata-frita, pois as daqui são deliciosas, cortadas a mão e fritas na hora. Nada de batata pré-frita e congelada. Aleluia!

Nas fotos, uma sopa de peixe, o meu prato principal de espadarte ou peixe-espada e o espeto de lulas pedido pela da cunhada da minha irmã. Bebemos um vinho rosé que todos disseram ser muito popular com os turistas estrangeiros, o Mateus, e de sobremesa eu provei o molotof, que é um pudim de claras em neve cozidas no leite com caramelo. Um almoço simples, porém memorável, como tem sido quase todas as minhas refeições aqui em Portugal.

Óbidos
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A Ginja
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Em Óbidos bebemos a Ginja, que é um licor feito com uma fruta da família da cereja. Fizemos nos copinhos de chocolate. Bebemos a Ginja e depois comemos o copo!

um encontro em Lisboa
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Eu ainda estava com um jet-lag desgranhento, não tinha dormido nem uma piscada na noite anterior, então minhas olheiras estavam monstruosas e todo o meu ser ainda estava flutuando no limbo dos viajantes recém-chegados. Consegui conversar pelo telefone com as blogueiras de Lisboa e a Isabel [Pipoka] do blog Three Fat Ladies gentilmente tomou a iniciativa de arranjar todos os quiprocrós, definindo o ponto de encontro e a escolha e reserva do restaurante. Nós tínhamos ido à Belém naquela tarde e nossa volta foi maratonica, com uma fulanete batendo a porta do carro no elétrico, onde nos encontrávamos, e provocanto um caos e um congestionamento. Conseguimos voltar ao hotel à tempo para um banho e chegamos aoenas quinze minutos atrasados na A Brasileira, o café onde Fernando Pessoa sentava-se todos os dias, no Bairro Alto de Lisboa. Lá já estavam a Paula do O Que Der na Gana, a Goretti do Mal-Cozinhado e a Isabel do Cinco Quartos de Laranja. Logo depois chegaram as três lindas Three Fat Ladies e a Suzana do Gourmet Amadores e seguimos juntas para o restaurante Antigo Primeiro de Maio, onde já éramos esperados. Um pouco mais tarde chegou a Cris do Momentos da Cris, para completar o grupo, que também contou com o Zé, marido da Cris, a fofa Teresa, filha da Goretti, minha irmã Leandra, meu cunhado Luis e meus sobrinhos Fausto e Catarina. O restaurante era bem pequeno, mas bem aconchegante e a comida estava muito boa, apesar que eu mal consegui comer porque sentei no meio da mesa e queria desesperadamente conversar com todas! Depois que fomos convidados a nos retirar do restaurante, pois havia um grupo de alemães esperando para sentar na nossa mesa, caminhamos pelo belíssimo Bairro Alto até a praça do miradoro, onde conversamos em pé até altas horas. Lá chegou a última das moicanas, a querida Carlota, que não tem blog e é completamente adorável. Amigas de Lisboa, foi um prazer imenso encontrar pessoalmente com voces, colocar um rostinho e uma voz em cada personalidade blogueira, conhecer vocês um pouco mais e poder compartilhar algumas horas juntas num bate-papo muito agradável. Agora espero todas vocês na Califórnia, tá?

* nas fotos alguns ítens do cardápio—os peixinhos da horta, que são massinhas fritas com vagens, bolinhos de bacalhau, carapaus, pescada e um delicioso vinho verde, é claro!

Casa Pereira da Conceição
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Em Lisboa, na Rua Augusta, atrás da Praça do Comércio, vi essa lojinha antiga de café, chás e rebuçados simplesmente encantadora. Entrei para encaroçar e acabei pedindo licença para fotografar. Recebi sinal verde de dois gentis senhores portugueses e fiz algumas fotos. O que as imagens não passam é o delicioso cheiro de café que emanava do lugar.

Casa do Alentejo
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Entrei em Portugal com o pé direito. Meu primeiro rango em Lisboa foi na Casa do Alentejo. Uma delicia de comida. Tomamos uma sopa de tomates, depois eu comi um bacalhau com migas de grão-de-bico que me encantou e a Le e o Luis comeram um refogado de porco com mariscos. As criancas [não] comeram um bife com batatas fritas. O vinho alentejano estava delicioso, assim também como os aperitivos de azeitonas curadas e uma linguiça bem forte. Tudo estava fantástico , sem falar que o lugar é um casarao antigo lindo todo decorado com os famosos azulejos. A Catarina chorou pra entrar no lugar, porque ela disse que parecia a casa da bruxa. E parecia mesmo, hahaha! Mas aí que é que estava o charme. Reparem na touca do Fausto, ostentando o brasão do time de futebol do avô português dele—o Sporting.

em Lisboa
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Estou cá! Cheguei bem, apesar do desgaste da viagem longuíssima. Segundo minha divertida irmã, eu fiz o mesmo percurso da tocha olimpica. Mas já vi bastante de Lisboa, apesar do cansaço imenso. Conexão de internet no hotel não é tão fácil como eu pensei que seria, mas estou conectada para mandar um tchauzinho daqui. Muito obrigada por todas as dicas maravilhosas, estamos anotando tudo e já fizemos alguns roteiros

as rosas daqui
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Elas não são as mais bonitas. Tenho que espirrá-las com água de esguicho antes de colocá-las nos vasos, porque não importa quantas mil joaninhas trabalhem afoitas, elas apresentam sempre uma colônia de pulgões. Todo ano elas aparecem mais ou menos por esta época, este ano um pouco mais tarde que o usual. Mas logo elas estarão enchendo os vasos até eu não aguentar mais colhê-las e desistir, deixando que desfolhem lá mesmo no pé. Algumas são muito cheirosas, todas são bem espinhudas, umas são bem pequenas, outras são realmente enormes. As cores variam em tons de vermelho, rosa, amarelo e creme. Algumas abrem de uma maneira tão escancarada que nem parecem que são as flores que são. Rosas. E são todas do meu jardim.

panzanella de aspargos
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O casalzinho veio dirigindo de Chico até Davis para nos conhecer e olhar a guest house por dentro. Chegaram às 6:30 pm, que teoricamente seria a hora do jantar do casal ancião que gosta de jantar com o recolher das galinhas. Quando eles chegaram eu estava na cozinha, terminando de preparar uma saladeira enorme de panzanella de primavera. Enxuguei as mãos no pano de prato e fui cumprimentá-los—nice to meet you, nice to meet you. Eu já tinha conversado com ela pelo telefone, tinha pedido pra ela ligar pro Uriel, que por outro lado disse que teria que falar primeiro comigo. O Uriel adora fazer esses ping-pongs, quando ele bem sabe que eu sou librianamente impossibilitada de tomar decisões. Mas não tínhamos dado muitas esperanças ao casalzinho, porque baseados nas nossas péssimas experências do passado, colocamos "casais" e "pessoas com animais de estimação" na nossa lista negra de inquilinos não desejados.

Mas o Uriel é um cara de coração puro e singelo, que não tem muito jeito pra dar uma de durão. Enquanto eu terminava de preparar a panzanella, ele levou o casal pra uma visita à propriedade e quando voltaram parecia que estava tudo certo para alugarmos a casinha para eles.

?????

Ainda não sabemos como vai ficar, porque eles querem mudar somente em junho, pois ainda estão terminando classes na universidade lá em Chico. Mas eles são tão fofinhos, estão tão encantados pela casinha e aceitando todos os nossos poréns, que acho que vamos acabar nos dobrando à inconveniência deles serem um casal.

Estava tão empacada com a idéia de fazer uma panzanella para o jantar, que até fui ao Co-op comprar um belo pain au levain da padaria Acme de Berkeley, depois cozinhei no vapor um maço de aspargos magrelos que veio na cesta orgânica e preparei a receita clássica da panzanella, com os aspargos substituindo os tomates. Jantamos a salada crocante discutindo os detalhes dos talvez futuros inquilinos.

* essa salada fica melhor ainda depois de descansar algumas horas na geladeira, ou mesmo no dia seguinte.
* * sim, a cidade chama-se Chico—welcome to California, folks!

às favas
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Foi só elogiar...

Eu estava recomendando o meu serviço de web hosting, que era um dos melhores que havia. Digo, era! O negócio está despencando morro abaixo desde que eles começaram a vender hospedagem por cinco mangos mensais. Quem quer um serviço profissional, tem que pagar um preço decente. Por cinco mangos ninguém está esperando perfeição. Mas eu não pago cinco mangos e já sou clente há muitos anos, com um pacote profissional. Quando se compra um pacote profissional, se espera profissionalismo. Mas não é o que anda acontecendo com o meu servidor. Desde domingo que está tudo um horror. Foram dois dias de serviço interrompido intermitentemente. Na segunda-feira foram sete horas em que não pude acessar meu publicador e ninguém pode comentar nos blogs. Ficou tudo fora do ar também. Depois voltou. Saiu, voltou, saiu, voltou. Os comentários estão soluçando, eu tenho que esperar pacientemente para entrar no publicador. Educada que sou, escrevi duas mensagens delicadas para o suporte técnico, que primeiramente me respondeu que tinha alguém com um website tosqueira hospedado no mesmo servidor que o meu, e que o programa mal escrito do website tosco era o causador do problema. Como nada foi resolvido e depois de sete horas sem conseguir acessar nada, escrevi outra mensagem, desta vez já menos educada, pedindo uma explicação. Ela veio dois dias depois, dizendo que ELES NÃO SABEM O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O MEU SERVIDOR!!!! Já comecei a olhar outro serviço. Eu levo muito a sério tudo o que eu faço, mesmo que seja um mero blog de culinária e quero tudo funcionando normalmente, por mim e também por respeito a quem entra aqui, quer comentar, fazer uma busca ou apenas olhar e ler.

* vamos ver quantas horas de maratona da paciência vou precisar pra publicar este texto.

couscous com espinafre
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O esquema do jantar estava atrasado e alguém encostado na bancada me olhava com cara de quem estava com pressa de comer e voltar logo para suas papeladas. Eu só queria pôr um fim nas atividades do dia na cozinha e o único pensamento que me vinha era o de um couscous. Um treco fácil e rápido, ferve um caldo, joga lá, tampa, mexe, pronto, serve! Juntou-se a isso o drama de ter três maços de espinafre aboletados na gaveta da geladeira por ordem de chegada, ou melhor, de seniority. Nem acreditei quando no final de alguns minutos eu tinha um prato completo sendo servido para o jantar.

Numa panela pequena, coloque 2 xícaras de caldo de legumes para ferver. Noutra panela larga e rasa refogue cebola ou cebolinha picadinha no azeite. Eu usei três ramos de alho verde. Junte ali as folhas de espinafre lavadas, bem escorridas e picadas grosseiramente. Deixe murchar bem. Tempere com sal. Junte 1 xícara de couscous. Desligue o fogo. Mexa bem o couscous e o espinafre, então junte o caldo de legumes. Mexa rapidamente, tampe a panela e deixe descansar por uns minutos, até o couscous absorver todo o caldo e ficar macio. Mexa bem com um garfo. Salpique lascas de amêndoas torradas no forno ou numa frigideira no fogo. Sirva quente, morno ou frio.

feijão
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Moosewood Cookbook
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The Moosewood Cookbook é outro livro que eu carrego comigo há muitos anos. Ele foi um dos primeiros livros de receita que eu comprei quando cheguei no Canadá, no início da década de 90 do século passado. Fiquei encantada justamente com o que o livro é famoso por causar encanto—sua simplicidade, a letra de mão da autora impressa, suas pequenas ilustrações, como se fosse mesmo um caderno de receita.

Mollie Katzen escreveu o livro quando ela ainda era parte do grupo que fundou e administrava o famoso restaurante Moosewood em Ithaca, New York. O livro traz receitas que eram oferecidas no restaurante, que foi inaugurado em 1973 e ainda opera, mas sem Katzen no grupo. Ela escreveu outros livros, mas nenhum tem o charme desse primeiro, que é confuso e atrapalhado, como qualquer caderno de cozinheiros colecionadores de receitas.

*outra fanzoca da Mollie Katze é a querida Ana do blog Kitchen Space.

ainda estou cá, mas logo estarei lá
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Mala quase pronta, chupando umas pastilhinhas de Rescue, porque afinal de contas viagens sempre me estressam. Mas estou quase indo. Já tenho até quarto reservado num hotel em Lisboa, graças ao meu cunhado. A partir da tardezinha do domingo, dia 20 de abril, serei uma zumbi puxando minha pequena mala e bamboleando pelos corredores do Hotel Principe Lisboa. Ficarei em Lisboa até o dia 23, daí rumaremos para Óbidos e depois Coimbra. Estou pensando num jantar num restaurante no dia 22. Sugestões serão bem-vindas. Já tenho muitas dicas que me foi dada pela Joana e que minha irmã guardou junto com o guia!

Dia 20, 21. 22 e 23 de Abril
Hotel Principe Lisboa
Av. Duque d'Avila 201
351 21 359 20 50

Me liguem lá, tá?

Seasons em Davis
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O restaurante Seasons faz parte da nossa lista de frequentáveis aqui em Davis. É um lugar bem agradável, sem muitas firulas, mas que serve uma comida feita com ingredientes sazonais de qualidade, adquiridos de produtores locais. Fomos lá no último sábado para jantar com nossos amigos Eliana e Andres, que tinham chegado de viagem e com quem queríamos nos encontrar antes da minha viagem. O Andres levou o vinho, um Chardonnay da vinícola Kendall Jackson de Santa Rosa. O Uriel foi o único que pediu sopa, um creme de aspargos, afinal estamos na instável e geniosa primavera. Depois ele pediu um spaghettini com tomates frescos, azeitonas e um chiffonade de manjericão com azeite que estava com uma cara deliciosa de verão. Eu e a Eliana arriscamos nas codornas recheadas com amêndoas, figos e bacon e servidas sobre uma sopa de couscous israelita. O Andres foi de ossobuco de carneiro com polenta e um relish de alcachofra, tomate seco e azeitonas. Todos gostaram dos pedidos. Eu fiquei um pouco perturbada quando vi o tamanho do bichinho no meu prato, ainda mais quando o Uriel começou a repetir—parece um passarinho, é igualzinho a um passarinho! As coxinhas da codorna eram comoventes, tão pequenininhas que pareciam peças de algum joguinho de tabuleiro macabro. Mas elas tinham sido assadas na brasa e estavam realmente saborosas. Eu comi, com toda a culpa do mundo pesando nos meus ombros, mas comi. Na hora da sobremesa, me encantei com um sorbet de morango com Zinfandel feito na casa, mas tive a maior decepção da minha carreira de comedora de sobremesas. Achei o sorbet muito doce e ele veio acompanhado de dois cookies que eram uma aberração. Um deles, de chocolate, tinha a grossura de dois dedos. Nota ZERO! Já os meus amigos, que optaram por um pudim de banana, gostaram muito do que pediram.

rolinhos de peixe e repolho
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Receita do minimalista Mark Bittman. Ele fez com alface romana, eu fiz com repolho, pois tinha um na fila de espera para ser usado. Usei bacalhau fresco. É realmente facílima de fazer e o resultado é super alta classe.

Corte o peixe em pequenas postas e tempere com sal grosso e pimenta moída. Escalde as folhas de repolho ou alface na água fervendo, para elas ficarem molinhas e mais dobráveis. Enrole cada posta de peixe numa folha. Numa panela larga derreta 8 colheres de manteiga e jogue vinho branco suficiente para que os rolinhos fiquem semi-imersos. Coloque os rolinhos nesse liquido, tampe a panela e deixe cozinhar em fogo médio por uns 20 minutos. Remova os rolinhos, regue com o molho e sirva. Talvez usando alface a cor fique mais chamativa. Com repolho ficou assim meio pálido, mas o sabor estava intenso. Servi com uma salada de batata temperada com chives e creme fraiche. Não sobrou nem uma lasca.

flor virou fruta
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Tortilla catalã [com feijão e alho verde]
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Os ramos de alho verde continuam chegando, por isso marquei essa receita logo assim que vi—Catalan-style white bean and green garlic tortilla, ou truita de mongetes i all tendre. Achei bacanérrimo trocar a batata pelo feijão branco, e ainda ter o alho verde de gaiato. Mudei um pouco a quantidade, usando o dobro de ovos. Deu certinho. Eu virei a tortilla como pede a receita, mas não me arrisquei fazendo o flip. Usei a técnica do prato, que aprendi com a minha mãe há muitos anos. Vira a tortilla num prato, depois volta do prato para a frigideira para cozinhar o outro lado. Faça a virada no prato com cuidado, pois a tortilla vai estar quentíssima e com um lado ainda meio mole. Mas se preferir vá vem frente e faça o flip!

O resultado desse prato foi realmente surpreendente. O feijão branco dá uma textura interessante e o alho se incumbe do tempero. Se não tiver alho verde use alho comum, ou melhor ainda, use cebolinha, a parte branca e a verde.

2 xícaras de feijão branco cozido e escorrido
2 - 4 colheres de sopa de azeite
3/4 xícara de alho verde picadinho
Sal a gosto
Pimenta moída na hora a gosto
4 ovos grandes batidos

Refogue o alho no azeite até ficar macio. Acrescente o feijão e desligue o fogo. Espere esfriar um minuto e misture aos ovos batidos com sal. Mexa bem e volte à frigideira. Deixe fritar de um lado, vire, deixe fritar do outro e sirva, quente ou frio.

mais tulis
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a bat caverna
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O lugar mais bagunçado da casa, porém o meu favorito. E o favorito dos gatos também. Clique na foto para ampliar e ache o gato Roux nessa confusão toda!

potage parmentier
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Realmente, as batatas eram gigantes—gigantes! Não conseguimos comer tudo e eu guardei as sobras para pensar no que fazer com elas no dia seguinte. Era quase certeza que seria uma sopa. Foi só olhar pra geladeira e ver outro gigante, desta vez um imenso alho-poró, pra decidir que eu faria uma potage parmentier, ou em bom francês uma sopa de batata com alho-poró. Fiz tudo muito simples, porque tem dias que simplesmente não dá pra ficar inventando trelelês e rococós.

Refoguei o alho-poró gigante cortado em pedacinhos em três colheres de manteiga. Acrescentei a batata que já tinha sido assada no dia anterior, também picada em pedacinhos. Deu mais ou menos 1 1/2 xícara de alho-poró e 1 xícara de batata. Acrescentei um litro de caldo de legumes, mais uma xícara de água, salguei a gosto e deixei a mistura ferver. Bati tudo muito bem com o mixer de mão para formar um creme. Deixei encorpar e desliguei o fogo. Na hora de servir, polvilhei com salsinha fresca picada.

Adeus batata! Adeus alho-poró! Adeus fome! Até o Roux ficou animado com essa sopa e quando o Uriel levantou da cadeira pra ir pegar uma fatia de pão, questão de segundos, o bichonildo danado deu um super salto de felino ninja e enfiou o nariz na sopa que estava dando sopa. Jogamos aquela porção fora e o Uriel se serviu de outra, sem contaminação de nariz de gato enxerido.

Greens - San Francisco - II
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Greens - San Francisco - I

No final da década de 60, a estudante de Zen Budismo Deborah Madison voluntariava na cozinha do San Francisco Zen Center. Filha de um professor de botânica na UC Davis, Deborah cresceu em Davis e em meio à fazendas. Nos anos em que praticava suas habilidades culinárias no mosteiro, Deborah conheceu Alice Waters e depois de jantar algumas vezes no Chez Panisse, acabou indo fazer um estágio na cozinha do já afamado restaurante em Berkeley. Depois da experiência em Berkeley, Deborah decidiu propôr ao monje chefe do Zen Center, que abrisse um restaurante anexado ao monastério budista. Assim começou o Greens, o restaurante vegetariano que abriu suas portas em 1979. Hoje Deborah Madison não é mais a chef lá, mas o lugar virou sinônimo de vegetariano high-end.

Eu já tinha o Greens na lista de must-go-places há muito tempo, sendo ele o restaurante favorito da minha amiga Helô, que vez em quando me falava dele. Nem preciso dizer que o Greens segue a mesma linha de produtos orgânicos, super frescos, locais, sazonais e de alta qualidade do Chez Panisse. Só que o Greens não serve nenhum tipo de carne de animal. Mas garanto que ninguém vai nem reparar nesse detalhe. O lugar é lindo, instalado numa seção do Fort Mason em San Francisco, ao lado da Marina, com vista para o mar azul da baia e para o símbolo da cidade, a ponte Golden Gate. O restaurante é todo cheio de luz e de gente sorridente, tudo com um astral muito zen. Fomos almoçar um brunch de domingo com a Maryanne e o Paulo e passamos uma tarde muito agradável, com ótima companhia e ótima comida. Nós todos pedimos uma sopa de cenoura com gengibre de entrada, que ganhou nota dez. O Uriel foi de pappardelle com aspargos, pinoles e manteiga de meyer lemon. Eu pedi uma torta de alcachofra com polenta e cebolinha. A Maryanne comeu ovos e o Paulo pediu o prato mais cobiçado e invejado por todos—um sampler de gostosuras árabes. Bebemos vinho, chá de menta e suco de uva natural. De sobremesa eu me deliciei com uma fatia de torta de nozes e mel com sorvete de lavanda, e os outros foram de tarte tartin de maça. Ficamos numa mesa privativa numa salinha separada, com um janelão com vista para o mar ao nosso lado e uma luz maravilhosa de uma tarde de primavera.

O único porém do Greens é que o serviço é desorganizado. A Maryanne já tinha me avisado que seria assim e assim foi. Primeiro eles trouxeram uma bebida pra nossa mesa que não era nossa. Depois chegaram com os pratos antes da sopa, levaram tudo de volta. Depois trouxeram o café da Maryanne antes das sobremesas, que chegaram faltando uma. Dai pedimos uma extra e vieram duas, que foi oferecida como cortesia. Tudo bem, num restaurante zen, com uma comida deliciosa de de qualidade excepcional, dá perfeitamente pra desculpar esses tropecinhos.

duetos
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Uma das coisas mais gostosas da vida é dividir a cozinha com alguém que você ama, fazer o rango juntos, ou apenas colaborar. Meu marido não cozinha, mas esse pequeno detalhe não impede que dancemos juntos um Blues culinário. Normalmente a tarefa fica dividida entre eu cozinhar e ele limpar. Quando terminamos de jantar, ele coloca a louça na máquina de lavar, esfrega as panelas e outros objetos que eu não gosto que coloque na máquina. Quando estou exausta, depois de um dia de trabalho, bicicletagem, cozinhação e comilança, só pensando em subir para o meu quarto, tomar um banho e me enfiar na cama, a visão dele na frente da pia todo compenetrado e deixando tudo arrumadinho me dá uma grande sensação de conforto. Quando temos festa é a mesma coisa, os preparos ficam todos por minha conta, a limpeza é toda dele. Essa é a nossa colaboração, já que ele não é nem de longe um cozinheiro. Essa minha relação na cozinha com o Uriel me faz pensar no Paul e na Julia Child, quando ela começou o seu programa na tevê pública com um orçamento mísero, e ele lavava a sujeirada que ela fazia durante a gravação numa bacia improvisada, agachado no chão. Amor maior que esse não há!

Coloquei umas batatas gigantes pra assar e quando o Uriel chegou dizendo que iria jantar e voltar pro trabalho, avisei que o rango iria demorar. Admito que sou meio possessiva e territorial quando estou na minha cozinha. Quero controlar tudo, fazer tudo, e tudo tem que estar do meu jeito, que é o jeito que eu gosto. Ele sempre oferece ajuda e eu sempre recuso, argumentando que a melhor ajuda que ele poderia me dar é sair da frente e tentar não atrapalhar. Mas como a situação estava meio caótica, sugeri que ele lavasse a alface que já estava de molho na água. Enquanto eu desmembrava a couve-flor em raminhos, cortava a cenoura e os aspargos para cozinhar tudo em etapas no vapor e fazer uma salada, ele começou o processo de lavar a alface. Foi realmente um processo, pois ele desinfetou folha por folha, esfregando cada uma como se estivesse lavando uma peça de roupa. Removeu cuidadosamente duas lesmas e também lavou os ramos de alho verde, as cebolinhas, o alho poró e um macinho de espinafre. No final do processo de lavação, a salada já estava pronta, a batata ainda não estava assada e a pia da cozinha estava uma catástrofe, além de água respingada pelo chão e tapetes. Eu reclamei, mas não muito, pois valorizo cada minuto dessas poucas horas que passamos juntos, colaborando na cozinha, esperando nossa batata assar, conversando sobre o dia, sobre as pequenas e grandes coisas das nossas vidas.

Bella vineyards
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Bella vineyards foi a última vinícola que visitamos, já no Dry Creek Valley. Nos embrenhamos numa estradinha que cortava vários morros e vimos muitas pequenas vinícolas, umas que eram apenas a casa da família e os vinhedos ao redor. Num cantinho escondido estava a Bella, cujo nome já diz tudo. É uma pequena área que só produz a variedade Zinfandel. Ficamos encantados com o bom gosto e a beleza do lugar, com suas oliveiras centenárias e a caverna encravada sob os campos de uvas. Na caverna fizemos o tasting. Experimentei quatro tipos de Zinfandel, dois que gostei muito e um, muito adocicado para sobremesa, que não fez o meu estilo. Comprei uma garrafa do que eu mais gostei para levar para o sogro da minha irmã em Portugal. Tivemos que apressar o passo, pois tínhamos um compromisso de almoço com amigos em San Francisco. Se tívessemos tido mais tempo, o jardim da Bella teria sido o lugar ideal para fazermos um delicioso picnic.

*esse post é para a minha querida amiga Brisa Carter, que também tem uma Bella, porém muito mais linda, um verdadeiro tesouro.

Korbel - tour
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Sempre achei a champanhe Korbel super cafona. Preconceito meu, eu sei. Mas sempre olhei para as garrafas de Korbel com um certo ar de superioridade. Nunca comprei essa champanhe californiana, nem mesmo pra fazer Mimosas. Então quando passamos pela Korbel Winery, numa região lindíssima do Russian River Valley no meio de uma floresta de red woods, eu dei uma risada, tipo, que deboche hein, parar justamente nessa vinícola. Nos juntamos correndo à uma tour, que o Uriel não queria fazer, mas que eu achei legal. Ouvimos a história da vinícola e até tivemos que aturar um vídeo horrorildo de dez minutos com uma música de missa no background. Mas valeu à pena. Os prédios onde estão instalados os cellars sobreviveram à um incêndio ainda no século 19 e depois ao grande terremoto de 1906 que destruiu San Francisco. Aprendi como se faz champanhe, que é um processo diferente do vinho, uma informação óbvia sobre a qual eu nunca tinha refletido. Um grupo de franco canadenses que também estava fazendo a tour perguntou o que estava na ponta da minha língua—vocês podem chamar essa bebida de champanhe? A resposta foi, sim podemos. Por dois motivos: porque a Korbel tem um acordo com a França e porque essa champanhe californiana é feita usando exatamente o mesmo processo das champanhes da região de Champagne, na França. Visitamos a vinícola de cabo a rabo, depois fomos fazer um private tasting. O guia nos serviu quatro tipos de champanhe, todas exclusivas da vinícola, que não se acha pra comprar em supermercados. Eu gostei de todas elas. Saí da Korbel com uma impressão menos negativa da champanhe. Mas vou confessar que continuei achando tudo extremamente cafona—os jardins, os lustres, a mobília. Num dos pontos estava instalada num pódio uma garrafa gigante e uma taça de vidro acompanhando, ao lado de um anuncio em letras douradas que a champanhe Korbel foi a champanhe oficial do novo milênio. Realmente.....

Korbel - tasting
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Hop Kiln winery
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A Hop Kiln é uma vinícola linda, bem na saída de Healdsburg. Paramos para dar uma olhada e ficamos encantados com os jardins na beira do rio, com muitas mesas de madeira para picnic—e alguns visitantes aproveitando, como deve ser feito. A vinícola também tinha uma vendinha na área de tasting, com uma variedade de mostardas, vinagres, óleos, pestos, vinagretes e molhos doces. Eu não provei nenhum, porque tinha acabado de almoçar. Mas marquei touca, não comprando nada para trazer comigo.

Sentamos ao sol para olhar o mapa e decidir qual seria o nosso destino. Nisso o Uriel viu uma blogueira celebridade e fez ela sentar se equilibrando no murinho e tirou essa foto dela toda descabelada, só para provar que blogueiras famosas são pessoas comuns. Pisc! Seguimos em frente.

Restaurant Charcuterie
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Chegou a hora do rango, com os nossos estômagos dando aqueles sinais típicos, e nós ainda não tínhamos decidido onde comer. Passamos por vários lugares interessantes no centro de Healdsburg, alguns cheios de gente, outros nem tanto. Demos aquela vistoria geral, também olhamos os menus. Tínhamos passado por esse pequeno restaurante chamado Charcuterie. Ele ainda estava fechado, mas um pessoal bacana já esperava na porta. Olhei o menu—saladas, pastas, sandubas. Seguimos em frente, mas o fato de ter gente na calçada esperando o restaurante abrir impressionou o Uriel demasiadamente. Ele não parou de falar no tal Charcuterie. Eu já tinha até escolhido o meu favorito, quando ele mencionou mais uma vez o lugar com gente esperando na porta. Deve ser bom. Só tinha um jeito do meu marido sossegar o facho: vamos lá no tal Charcuterie então! O restaurante bem pequeno estava lotado. E tinha gente esperando na porta. Nós tivemos sorte e fomos colocados rapidamente numa mesinha que fazia dupla com uma mesa maior, onde sentaram um trio de meninas asiáticas. Pedimos nosso rango—eu pedi um sanduiche de portobello e pimentão e o Uriel uma pasta putanesca. Bebemos água com gas e eu pedi uma taça do Pinot Noir 2006 da vinícola Hook and Ladder no Russian River Valley. Já que estavamos ali, queria beber o vinho da região. Esse Pinot Noir não decepcionou. A comida também, apesar de super simples, não decepcionou, muito pelo contrário. Meu marido até sugeriu que os preços estava muito módicos para a qualidade e sabor da comida. As mocinhas asiáticas curiosas da mesa ao lado perguntaram—what's that? para absolutamente tudo que estávamos comendo. Na hora da sobremesa, eu pedi um floating island e o Uriel um strawberry shortcake e ficamos chocados com o tamanho dos pratos. Um baita exagero, ninguém precisa de uma sobremesa daquele tamanho.

Healdsburg, CA
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A primeira cidadezinha que visitamos foi Healdsburg, no condado de Sonoma. Fiquei encantada com o lugar. As cidadezinhas das regiões vinicultoras aqui na Califórnia são todas umas fofuras, geralmente com uma downtown histórica, pracinha com coreto e muitas lojinhas e restaurantes bacanas. Healdsburg superou todas as outras que já visitei até hoje. É uma cidade adorável e certamente com a lista de restaurantes mais sofisticada. Ficamos como dois baratões tontos, tentando decidir onde almoçar. Eram muitas opções. Pra variar, dei uma passadinha nas lojinhas de antiguidades que eu adoro, enquanto o Uriel esperava sentado num banco na calçada, ou me seguia pela loja, reclamando de tudo. Encaroçar em loja de antiguidade abarrotada de coisinhas mil pra se olhar com marido que não gosta de fazer compras na cola, é missão impossível e destinada ao fracasso.

Russian River Valley
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Passamos o final de semana no visitando vinícolas pelo Russian River, Alexander e Dry Creek Valley. Essa é uma área belíssima e extensa, fora do circuito hype do Napa e Sonoma Valley, mas com uma quantidade de vinícolas realmente impressionante. Muitas são pequenas e tocadas por famílias, outras são grandes e famosas. Tivemos uma visão de outra parte produtora de vinhos que ainda não tínhamos explorado. Vamos esquecer o Napa e o Sonoma Valley por um tempo e nos concentrar nessa outra região, que ainda vai render muitas visitas. Adoramos tudo que vimos e provamos e eu tirei tanta foto que ainda estou pensando como vou me organizar.

Gina de Santa Helena
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Não sei se eu tinha comprado esse Cabernet Sauvignon de Santa Helena no Napa Valley, ou se alguém trouxe em alguma festa, mas ele estava na minha micro-adega e resolvi experimentar. Gosto muito dos rótulos modernos e criativos nos vinhos. Eu sei que o rótulo não interfere na qualidade da bebida, mas visualmente fica alegre e interessante. Os vinhos californianos têm essa presença de espírito. Esse não só estava alegre e caloroso, mas o Cabernet Sauvignon que a garrafa continha também fez bonito. Sou uma bitolada em Zinfandel, porque não entendo muito de vinhos, então me agarro à variedade que mais me agrada. Mas estou aprendendo com um amigo a finalmente apreciar os cabernets.

creme ou limão?
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Eu ainda não consigo chamar os meus amontoados de coisaradas de coleção, porque eu não compro pra colecionar. Compro sim para usar e porque tenho essa obsessão consumista que me empurra sempre pra frente, olha mais um, compre, compre! Mas quem gosta de chamar um grupo de coisas da mesma espécie, utilidade ou categoria de coleção, poderá identificar diversas coleções nos meus armários. Uma delas é a de jarrinhasa para leite. Nas minhas garimpagens, eu encontro muitas jarras orfãs, solitárias, perdidas ou desgarradas de enormes jogos, de café, chá ou jantar. Nem bebemos tanto chá com leite assim para fazer uso de tantos jarrinhas, mas dentre as inúmeras que possuo há as que são minhas favoritas e que eu uso constantemente. Sempre que bebemos chá ou servimos café, pelo menos uma delas aparece na mesa, trazendo o leite com uma delicadeza especial.

ontem eu fiz...

...uma salada Niçoise, pela milhonésima vez.

Eu adoro a versatilidade dessa salada. Também adoro como ela quebra o galho e substitui uma refeição completa, em qualquer estação do ano. Ontem ela foi a primeira coisa que pensei em fazer quando cheguei em casa às sete da noite, com fome, cansada, sem idéia, sem paciência. Tenho duas versões relatadas e fotografadas de Niçoises, uma AQUI e a outra AQUI.

E a de ontem saiu bem diferente, o que é justamente o segredo dessa salada. Nunca fica exatamente a mesma coisa. O segredo é ser criativo usando os ingredientes disponíveis e se usar atum—que é o que eu sempre uso—nunca economizar, usar sempre o melhor que suas patacas puderem pagar, do tipo preservado em azeite.

Na Niçoise de ontem usei:
Erva-doce ralada fininha
Azeitonas pretas
Figos caramelizados no vinagre balsâmico
Ovos da galinha hillbilly, a Florisbela, cozidos e cortados em fatias
Feijão branco cozido e temperado com salsinha picadinha * usei os butter beans, uns feijões gigantes e carnudos, simplesmente deliciosos
Folhas de alface
Uma lata do melhor atum preservado em azeite
Regue tudo com azeite extra-virgem e salpique flor de sal e pimenta branca moída. Sirva com fatias de pão rústico tostadas na frigideira

goodbye

Minha casa de hóspedes está vazia. Vamos fazer umas reforminhas, pois uma das floreiras quebrou e a madeira estava apodrecendo. O Uriel quer jogar bark no jardim, pra deixar tudo mais fácil de manter. E queremos fazer um upgrade no ar condicionado, além de pintar os armários do banheiro. Depois que tudo isso for feito, vamos anunciar a casinha para alugar novamente. Ela é um tipo de studio, com sala ampla, banheiro enorme, cozinha minúscula e um dormitório num loft.

Encerrou-se mais uma etapa, com a formatura da nossa querida e divertida inquilina. Ela agora vai trabalhar um pouco com o pai, depois vai se aprimorar na carreira, que ela ainda não decidiu se será na área de saúde ou do meio-ambiente. Estávamos jantando com convidados quando ela apareceu na porta, toda descabelada e molhada, com a roupa suja de material de limpeza. Ela veio se despedir, dizer obrigada, nos dar um abraço. Foi um momento constrangedor, já que tivemos que levantar da mesa, ainda mastigando, com nossos convidados olhando com cara de , e dizer ali no meio da sala de jantar—boa sorte, felicidades, vamos sentir saudade, mantenha contato! Ela retrucou com o sorriso metalizado de aparelho dentário que nós somos muito bacanas, aquela lenga-lenguice de sempre.

Mais tarde, quando estávamos aconchegados conversando com os convidados na sala, materializam-se na porta de vidro, primeiro o irmão, depois o pai, ambos sorridentes e felizes, vieram dizer obrigado por tudo, apertar fortemente a nossa mão, reafirmar que nós somos mesmo muito bacanas. Foi uma despedida familiar. A casinha agora está vazia. Fico sempre naquela expectativa meio pessimista, será que vamos encontrar outra inquilina tão querida e divertida quando essa? Pode ser que sim, pode ser que não. A única certeza que eu tenho é que ela virá nos visitar, vai bater na porta da frente exibindo o seu sorriso metálico, vai dizer que veio ver como estávamos e nós vamos pedir para ela entrar e convidá-la pra sentar, porque com certeza nossa amiga e ex-inquilina vai chegar justamente na hora do jantar.

quinoa vermelha com aspargos
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Eu no olho esquerdo, ele no direito. Os dois caolhos. Eu e o Roux. Fomos atrás de informação, pois achamos que eu e o gato estavamos pegando e passando coisas um para o outro, mas lemos que conjutivite felina não passa para humano, nem vice-versa. Parece que em gatos essa é uma doença que vem e vai, dependendo muitas vezes de algum estresse pelo qual o animal passou. Coincidentemente estamos os dois com a mesma coisa—piscando, com o olho colado, vermelho, ardendo, inchado. Eu estou pingando colirio e estou tendo que usar óculos para enxergar letras e tais [pardon my typos]. Por isso não dá pra seguir receita nem inventar muita moda, porque exergando direito já sou um desastre, meio cegueta sou uma bandeira vermelha flamulante.

Fiz uma quantidade de quinoa ideal para duas pessoas. Numa panela coloquei:
1/2 xícara de quinoa vermelha já lavada
1 1/4 xícara de caldo de legumes
Um fio de azeite
Uma pitada de sal grosso
Seis aspargos magrelos cortados em pedacinhos

Fogo alto, quando ferver, fogo baixo, tampar e deixar secar. Pode fazer com antecedência e requentar levemente ou servir frio.

sol
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pasta trofie com alho verde
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Estamos na temporada do alho verde ou alho de primavera. Já estou com uma quantidade razoável deles na geladeira e quis fazer uma receita bacana. Primeiro preciso descrever o alho verde, que é o alho num estágio médio de maturidade. O alho verde ainda não tem os dentes, é apenas um bulbo e lembra muito visualmente uma cebolinha. Mas de cebolinha ele não tem nada. O alho verde é poderoso. Ele não tem o mesmo cheiro do alho comum, que apesar de forte ainda é suave perto da sua versão verdolenta. Pode ser que seja apenas o meu nariz ultra-super sensível, mas o cheiro do alho verde arde e domina. Trazendo a cesta no porta-malas, o carro ficou todo empestiado. Acomodados em sacos plásticos, o odor tomou conta da geladeira. Piquei em rodelinhas e enquanto esperava para fazer a receita, a cozinha ficou inteiramente dominada pelo cheiro fortíssimo do alho verde. Ele não é de brincadeira. Mas cozido, ele se transforma e completamente domado pelo calor mostra toda a sua docura.

Fiz uma pasta bem simples. Usei a genovesa trofie, que são parafusinhos enrolados a mão, bem pequenos. Cozinhei em bastante água e sal e uma folha de louro. Piiquei o alho verde e um punhado de cogumelos comuns. Quando a pasta estava al dente, escorri e na mesma panela coloquei bastante azeite e refoguei o alho verde e depois os cogumelos. Adicionei sal e pimenta a gosto, joguei o macarrão, mexi para incorporar e juntei uma mistura de queijo asiago, fontina e parmesão. Só isso.

that's entertainment
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trimestre da primavera

Mais um ciclo se inicia. As aulas recomeçaram, o campus se encheu de estudantes e muitas daquelas arriscadas bicicletas. A população agora se divide em quem está sofrendo com a gripe e quem está sofrendo com alergias. Eu estou apenas tentando manter os olhos abertos, porque o vento ou outro mensageiro maldoso me presenteou com uma horrorilda conjuntivite. A cidade está coberta de pétalas de flores, algumas já se decompondo. O vento sopra gelado, dando a impressão de que tempo quente é apenas fruto da nossa delrante imaginação. Minha horta está renascendo de uma maneira excitante. O orégano reapareceu em diversos pontos, assim como a menta chocolate, que folgada como ela só já está se espalhando. Também tem chives e tomilho, a sálvia ainda mirrada, alguma salsinha e um montão de rúcula, picante e verdona. A cesta orgânica recomeçou sem muitas novidades—um maço pequeno de espinafre com folhas imensas, ramos de alho verde e mais aspargos magrelos. Estou notando a ausência das rosas, que já deveriam estar enchendo os meus vasos. Minhas roseiras ainda estão peladas, mas não por muito tempo—em breve, quem vier verá.