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cornmeal-cherry muffins
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Na terça-feira o Uriel chegou com um sacão de cerejas recém-colhidas numa das fazendas em que ele faz testes. Eles resolveram testar uma das máquinas nas árvores de estimação da proprietária, que estavam apinhadas de frutinhas. A máquina faz um trabalho muito delicado e meticuloso, quase como se fossem dedinhos humanos colhendo as cerejas. Elas chegaram perfeitas, todas com cabinhos e sem nenhuma ranhura ou machucado provocados pela chacoalhação e queda na esteira. Frutas perfeitas e lindas! Devoramos praticamente metade delas, puras, sem nada, apenas mastigando a polpa e cuspindo o caroço com alegria. O bocadinho que sobrou, eu resolvi investir numa receita. Mas cabeça-dura que sou, quando encafifo com algo, nada consegue me persuadir a mudar de idéia. E a visão que eu tinha para o futuro daquelas cerejas era de muffins feitos com cornmeal. Procurei, procurei, procurei, até que achei essa receita que considerei perfeita. O único porém é que achei que ela iria produzir muffins para um batalhão—três xícaras de farinha, mais três xícaras de cornmeal? Decidi reduzir a receita em um terço. Infelizmente folks, eu sou uma negação com números. Toda vez que me atraco com eles, saio perdendo. Achei que fiz alguma coisa errada na conversão, pois os muffins não cresceram. Mas ficaram saborosos—e como não poderiam ficar, com os ingredientes de primeira que usei? Só que eles não cresceram...

Aqui vai a receita inteira, para o café da manhã da tropa de escoteiros. Quem quiser diminuir, que faça ao seu próprio risco.

Cornmeal-Cherry Muffins

3 ovos da Felizberta
3 colheres de sopa de raspas de limão [o amarelo]
1/4 xícara de suco de limão [o amarelo]
6 oz. - 170 gr - 12 colheres de sopa de manteiga sem sal, derretida
1/4 xícara, mais 2 colheres de sopa de óleo vegetal
3 xícaras de buttermilk - eu usei o kefir, mas iogurte também serve
15 oz - 425 gr - 3 xícaras de farinha de trigo
19 oz. - 540 - 3 - 1/3 xícaras de cornmeal ou mistura de polenta
4-1/2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
3/4 xícara de açucar
1 colher de chá de sal
16 oz - 500 gr - 2 xícaras de cerejas frescas ou secas

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 176ºC. Na batedeira, bata bem os ovos, as raspas e suco do limão, a manteiga, o óleo e o buttermilk. Numa vasilha separada misture bem com o batedor de arame a farinha, a polenta ou cornmeal, o fermento, bicarbonato, sal e açúcar. Misture ao creme de ovos e incorpore bem, Junte as cerejas, descaroçadas. Coloque nas formas de muffin e asse por 35 min. Remova do forno e deixe esfriar numa grade.

mini caprese
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Uma mini salada, para usar os mini tomates e as mini mussarelas. Ficou uma mini caprese, adornada com mini folhas de manjericão fresco. Foi nosso almoço no feriado, acompanhado de uma focaccia com pesto e alcachofra, que compramos na padaria de Pescadero.

[caranguejo]
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the italian pantry I

Ingredientes fundamentais na cozinha italiana
segundo Marcella Hazan

Aliche/Anchovas/Anchovies
acciughe
Esse peixinho é um ingrediente básico em muitas receitas, geralmente escondida no meio de outros ingredientes, usados apenas para realçar o sabor. E como realça! As melhores anchovas são as grandonas, compradas inteiras, que você remove as espinhas, dessalga e põe de molho no azeite. Segundo Marcella, as em lata são aceitáveis, mas você deve escolher as de melhor qualidade. Quanto mais barato, maior será a quantidade de sal adicionada ao peixe e menor será o sabor. Então vale a pena investir num produto de qualidade, um pouco mais caro, mas que vai dar melhor resultado.

Vinagre Balsâmico/Balsamic
aceto balsâmico
Outro item que Marcella enfatiza que o mais caro é o melhor. Na década de 80 houve uma popularização desse tempero e o que se encontra hoje por aí à preços ridiculamente baratos é apenas um vinagre comum adicionado de açúcar mascavo para dar cor e sabor. Mas não tem nada a ver com o verdadeiro aceto balsâmico, que é um néctar que ficou envelhecendo por muitos anos e deve ser usado em gotas, apenas para realçar o sabor de alguns pratos.

Basilicão/Basil
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Usar SEMPRE as folhas frescas, em temperatura ambiente. NUNCA as folhas secas ou em pó. O basilicão fresco tem um sabor especial, que o cozimento destrói. Acrescentar as folhas picadas com as mãos no último minuto ou imediatamente antes de servir. Se já não encontrar basilicão fresco, espere até a próxima temporada.

Louro/Bay
alloro
Um dos temperos mais versáteis da culinária italiana. Dá um sabor especial à pratos salgados e doces. Use sempre a folha inteira, quebrada com as mãos. Nunca use louro em pó.

Feijão/Beans
fagioli
Se não houver os feijões frescos, use os secos. Proceda deixando de molho e cozinhando lentamente, sem acrescentar sal.
* dicas para cozinhar feijão.

Farinha de pão/Breadcrumbs
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Sempre feito em casa, sem temperos. Usar pão amanhecido, moer bem fininho e depois secar por alguns minutos no forno médio ou numa frigideira de ferro, no fogo.

Caldo/Broth
brodo
Fazer um caldo leve com legumes, carne e os ossos para dar substância. Não use carne de porco nem de carneiro. Use caldo feito com miúdos e ossos de frango com parcimônia, pois seu sabor interfere muito no resultado final do prato. O caldo italiano não é reduzido e pesado, como o francês, pois é apenas aromatizado com os legumes e a carne.

a cozinha da nossa casa

É notório o desdém que Julia Child tinha pela cozinha italiana, que ela considerava desinteressante. Mesmo assim, ela e Marcella Hazan sempre mantiveram um relacionamento amigável. Hazan é considerada uma autoridade em culinária italiana e a responsável por introduzir as técnicas tradicionais dessa cozinha nos Estados Unidos e Grã Bretanha. Hazan é para a culinária italiana, o que Julia Child é para a francesa. Com o pequeno—porém notável—detalhe que Julia não era francesa, mas Marcella é uma italiana, nascida em 1924 na vila de Cesenatico, na região da Emilia-Romagna.

Por mais que eu adore a Julia Child, tenho que discordar da opinião dela com relação à comida italiana e ficar totalmente ao lado da Marcella Hazan. Em The Classic Italian Cook Book, seu primeiro livro de culinária publicado em 1973, Hazan bota os pingos nos is com relação à mal interpretada comida italiana, que não consiste apenas do batido espaguete com porpetas ou da inevitável polenta. Ela afirma que o termo "comida italiana" é totalmente equivocado, pois a Itália é um país dividido em muitas regiões, cada qual com suas caracteristicas e sua cozinha especifica. Ela diz que a única cozinha que pode ser considerada a verdadeira cozinha italiana é la cucina di casa, ou seja, a comida que se prepara rotineiramente nas casas italianas. Nós, brasileiros, sabemos muito bem como funciona essa história de culinária regional, e eu que cresci numa casa brasileira totalmente influenciada pelos meus antepassados italianos da região da Basilicata do meu lado materno, percebi bem cedo a predominância dessa culinária regional italiana na minha família. Nas festas sempre apareciam muitos pratos tradicionais, adaptados aos ingredientes brasileiros.

Os ingredientes que sempre predominaram na cozinha e na despensa na casa dos meus pais e dos meus tios e tias, são os mesmos que Marcella Hazan explica em detalhes no seu livro. Estou encantada. Vou comentar sobre o que já li até agora, na sequência.

gelado de morango
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Os morangos da Swanton Farm que nós não devoramos puro, viraram sorvete. A receita é a basicona—uma parte de creme de leite fresco, meia parte de leite integral, os morangos cortados ao meio, mel a gosto e uma dose de licor Grand Marnier. Bater tudo ligeiramente no liquidificador e colocar na sorveteira. Não bata muito, para que os morangos não se desfaçam totalmente e o sorvete ganhe pedacinhos da fruta aqui e ali. Foi um dos sorvetes mais elogiados que eu já fiz!

Duarte's Tavern
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Depois de colher os morangos na Swanton Berry Farm o GPS nos levou até Pescadero para um almoço na Duarte's Tavern. Chegamos na minúscula cidade e fomos direto para o restaurante, que estava lotado, com muita gente esperando na porta. Colocamos o nosso nome na lista de espera e recebemos o aviso de que teríamos que esperar por 45 minutos. Achei que valeria a pena e para passar o tempo fomos visitar as lojinhas de antiguidades e de artes da rua principal da cidade. A história do restaurante é interessante e começou em 1894 quando o patriarca Frank Duarte trouxe um barril de whiskey de Santa Cruz até Pescadero e vendia as doses em cima do balcão do bar, que ainda é o mesmo. A família Duarte tem tocado o local desde então. Hoje eles têm muitos funcionários, mas os membros da família continuam trabalhando lá. Vimos alguns deles, apressados, servindo pratos, conversando com os comensais.

Nós sentamos no balcão, o que nos poupou alguns minutos de espera. Eu confesso que adoro sentar nos balcões de restaurante! Acho o atendimento mais cuidadoso, não sei o que é. No Duarte's não foi diferente. Eu levei um tempão pra decidir o que pedir, pois as opções eram imensas, com muito peixe e frutos do mar. Acabei optando por uma sopa de chili verde, que pedi com um pouco de medo, pois as pimentas ainda me assustam. A sopa acabou sendo a melhor escolha, um creme suave e delicado, com uma deliciosa surpresa picante no final. Também pedi um sanduíche de caranguejo, que estava recheadão de carne macia e bem temperada. O Uriel pediu um ravioli de alcachofra. Os pratos com alcachofra são a assinatura do restaurante. Muita gente pedia a sopa de alcachofra, que é bem famosa. Eu bebi um vinho espumante da Mumm Napa, que veio na garrafinha super charmosa. Até o pão estava especial, vindo semi-assado da padaria da outra esquina e terminado de assar nos fornos do restaurante, chegou à mesa quentinho e crocante. De sobremesa dividimos uma torta de morango com ruibarbo que chegou quentinha e derretia na boca. O restaurante é bem simples, mas a comida é de primeira, como também o atendimento extremamente simpático. Saímos de Pescadero felizes da vida e rumamos para Half Moon Bay pela Highway 1, que tem uma das mais belas paisagens daqui do norte da Califórnia.

the rainier cherry
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swanton berry farm
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Em junho de 2004 nós dirigíamos pela Highway 1 na costa do norte da Califórnia, procurando pela casa do Neil Young, quando passamos em frente dessa fazenda de morangos orgânicos. Na época, ficamos encantados com os produtos que consumimos lá e com a filosofia do lugar, que além das técnicas de produção sem agrotóxicos, ainda não usa mão de obra ilegal, todos os trabalhadores têm beneficios e salários justos. Eles também usam o sistema da confiança [honor till] na lojinha, que vem funcionando muito bem por anos e anos. Você pega o que quer e paga, pega o troco, ninguém confere nada. Fomos lá desta vez para fazer o u-pick, isto é, colher os morangos nós mesmos. O preço é três dólares por cestinha, pegamos três cestinhas, jogamos uma nota de vinte na caixa, pegamos onze em notas de um de volta.

Clafoutis de cereja
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As cerejas frescas estão abundantes, presentes em diferentes cores e variedades. Estão dulcíssimas e irresistíveis. Algumas teriam que virar um doce. Procurei e achei algumas receitas legais, mas como não estive no meu cem por cento neste final de semana, decidi por uma bem fácil. E não tem nada mais fácil que um clafoutis. Esse, de cereja, é um clássico. E essa receita é da avó da francesinha Fanny, que escreve um blog delicioso chamado Foodbeam.

Clafoutis de Cereja
[le clafoutis de ma grand-mère]

200g de farinha de trigo
120g de açúcar
Uma pitada de sal
3 ovos
80g de manteiga derretida
250ml de leite integral
500g de cerejas descaroçadas

Pré-aqueça o forno em 200°C /400ºF e unte uma forma de torta de 30 cm com bastante manteiga.

Na batedeira coloque a farinha, o açúcar e o sal e incorpore bem. Junte os ovos, um de cada vez, batendo em velocidade média. Quando a massa estiver macia, coloque a manteiga. Continue batendo, em velocidade baixa e vá colocando o leite. A massa deve ficar bem lisa.

Espalhe as cerejas pela forma untada. Coloque a massa por cima e leve ao formo por 30 minutos ou até o clafoutis ficar firme e dourado. Deixe esfriar e sirva. Nós gostamos mais no dia seguinte.

A massa desse clafoutis ficou com um amarelo intenso devido aos avos que use, todos da Felizberta!

não se perca de mim
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oi, estou por aqui!

sea bass com tomate
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Preparei um filé grande de sea bass imerso num molho de tomate picante. Numa panela refogue cebola picadinha no azeite até ela ficar molinha. Usei uma cebolinha gigante que eu tinha, parte ceboluda e parte verde. Empurrei a cebola refogada para o lado da panela e coloquei o peixe, só para dar uma selada dos dois lados. Então acrescentei tomate picado—usei o em lata fire roasted que eu adoro, dois filés de aliche/anchovas picadinhos, vinho branco, flocos de pimenta vermelha e sal a gosto. Deixe refogar por alguns minutos até o molho engrossar. Fazer o peixe foi mais rápido que cozinhar as batatas que servi com ele. As batatas foram cozidas somente na água e depois temperadas com azeite e flor de sal com orégano.

couve-flor com gorgonzola
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Super simples e super bom. Cozinhe as florizinhas no vapor. Faça um molho com leite e queijo gorgonzola picado. Deixe o queijo derreter e engrosse em fogo médio. Se necessário acrescente uma colherzinha de farinha de trigo dissolvida num pingo de leite, para ajudar no processo. Tempere a couve-flor com o molho. Sirva.

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Para perder o apetite

Estava escrevendo uma novela sobre como cheguei a ver três episódios do No Reservations com o Anthony Bourdain, no Travel Channel. Deletei tudo e decidi ir direto ao que interessa: achei o programa divertido, honesto, e educativo, assistirei outros, se tiver a oportunidade, mas infelizmente não tenho a mente aberta de um gourmet, ao contrário, tenho uma visão bem limitada sobre o que considero coisas comíveis.

Num hotel finíssimo no Japão, gueixas serviram um café da manhã cheio de coisas muito gosmentas, muito purulentas e muito estranhas à Bourdan. Até ele hesitou. Em Cingapura o guia local mostrou o que seria uma iguaria caríssima e especialíssima—uma espécie de caranguejo carnívoro, que parecia mesmo um besouro jurrássico, importado das catacumbas do Sri Lanka. O bicho se alimenta de carne humana, de defuntos. For Christ's sake, QUEM quer comer as vísceras de um monstro desse? Bourdan não comeu. Em Shangai me apavorei com várias coisas, entre elas o stinky tofu, peludo e cheio de mofo, que Bourdan comeu torcendo o nariz e depois disse que não gostou. Mas a pior cena foi a com um monte de peixes sendo colocados num wok cheio de óleo quente. Nada demais, se não fosse pelo fato dos peixes estarem VIVOS!

Em Cingapura, antes de devorar um balde de sopa de ossos com um molho viscoso vermelho, se lambuzar todo e chupar o tutano dos ossinhos com um canudinho, Bourdan fez uma massagem avaliativa e terapêutica num quiosque de Shiatsu num shopping center. Ali mesmo eu perdi o apetite, vendo closes de ranhuras, calos, unha encravada, unha com fungo e outros detalhes cascudos do pé do afamado chef. Certamente aquilo foi o aperitivo perfeito para o que estava por vir..

Gostei imensamente da experiência cultural proporcionada pelo programa do Bourdain, que me mostrou que comem-se coisas incrivelmente variadas por esse mundão afora. Algumas dessas coisas me provocaram naúseas, tristeza e contorcionismos bucais e faciais. Eu não comeria, mas não deixa de ser comida prar quem o faz.

kohlrabi
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O kohlrabi é um legume delicioso, apesar da aparência um pouco estranha. Ele pode ser comido cru, em saladas ou em crudités, e também cozido em refogados ou no vapor. Até as folhas são comestíveis. Eles aparecem na versão de casca verde clara ou roxa. Por dentro é sempre igual, se comido cru a textura é crocante. Eu adoro!

pastel de choclo
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Vi somente a foto desse prato e fui logo atrás da receita. Gostei da primeira que achei—Pastel de Choclo—ou torta de milho e carne chilena. Aproveitei umas sobras de carne que resultaram de um exagero no domingo

6 espigas de milho raladas ou 3 xícaras de milho em lata ou congelado
8 folhas de manjericão fesco
1 colher de chá de sal
3 colheres de sopa de manteiga
1/2 ou 1 xícara de leite
2 cebolas picadinhas
3 colhers de sopa de óleo
1 lb [1/2 kg] de carne moída
Sal e pimenta a gosto
1 colher de chá de cominho em pó
4 ovos cozidos picadinhos
1 xícara de azeitonas pretas picadas
1 xícara de uva passa
12 pedaços de frango dourados em óleo e temperado com sal, pimenta e cominho *omiti
2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro *omiti

Fiz a minha torta somente com carne, que eram cubinhos que tinham sido feitos na churrasqueira, em espetinhos intercalados com pedaços de cebola. Pulei a parte do refogado e moí a carne e a cebola no food processor. Mas quem não tiver sobras de carne, faça o refogado da carne e cebola, temperado com sal, pimenta e cominho. Quando a carne estiver cozida, reserve. Enquanto isso cozinhe os ovos. Coloque o milho, o leite, sal e folhas de manjericão no liquidificador e bata bem. Despeje numa panela e acrescente a manteiga. Cozinhe em fogo médio até ficar um creme mais engrossado. Monte a torta num refratário ou em ramequins individuais. No fundo coloque a carne, depois o ovo cozido picado, depois as azeitonas, por último as passas. Cubra tudo com o creme de milho. Na receita original vai o frango refogado entre as passas e o creme de milho, mas eu omiti. Também omiti salpicar o creme de milho com açúcar de confeiteiro. Achei que não iria agradar ao nosso paladar. Mas quem quiser faça, como manda a receita. Assar em forno pré-aquecido em 400ºF/205ºC por 35 minutos, até o creme ficar dourado. O meu creme de milho ficou um tanto esverdeado porque eu exagerei um pouco nas folhas de manjericão. Gostamos muito do resultado final, bem diferente. Servi com uma salada simples.

frogurt de damasco e sálvia
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Exagerei um pouco na compra de frutas no sábado, porque tudo estava tão reluzente e colorido, realmente chamativo. E como nunca guardo frutas na geladeira, temos que ser rápidos no gatilho quando há muita fruta e alguns dias quentes. Por causa disso decidi que uma parte dos damascos iriam virar sorvete. Já sabendo que damascos combinam muito bem com sálvia, fiz a mistura da fruta com a erva. A receita é a mesma do frogurt de manga com menta—parte de iogurte natural, outra parte de kefir, mel a gosto, os damascos frescos descaroçados e picados e folhas de sálvia fresca picadas, tudo batido no liquidificador e jogado na sorveteira. Só não abuse da sálvia, pois o sabor dessa erva pode ficar dominante. Esse frozen iogurte fica refrescante, azedinho e aromático. Muito bom acompanhado de bolachinhas fininhas de manteiga.

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O Uriel já vem desenvolvendo há alguns anos umas colheitadeiras para alguns produtores daqui da Califórnia. As máquinas foram projetadas para colher com precisão pêssegos, pistachos e azeitonas. Por isso, de vez em quando aparece por aqui um monte de azeitonas verdes, ou de pistachos crus, ou sacos cheios de pêssegos. De vez em quando também os produtores mandam um agradecimento, porque aqui é muito comum esse hábito de dizer thank you pra tudo. Desta vez um deles preparou uma caixa, que eu achei bem legal. Ela veio cheia de produtos da Califórnia, alguns deles envolvidos no trabalho que o Uriel faz, como as azeitonas e os pistachos. Nada ali foi novidade. Tudo eu já conheço, porque eu sou uma ávida consumidora dos produtos locais. Mas gostei da idéia de agradecer mostrando como o trabalho dele vai contribuir para melhorar a qualidade do produto final.

Na caixinha de agradecimento vieram uns cookies gourmet gigantes, com amêndoas, pistachos e frutas secas, que não estavam lá muito fotografáveis. Veio também mel, azeitonas recheadas com alho, chocolates recheados com pistachos [nós cortamos pedacinhos para experimentar], ameixas secas cobertas com chocolate, e manteiga de amêndoa que é a minha favorita. Adoro essa delicia local. Aliás, outro dia eu li que a Califórnia é responsável por quase oitenta por cento da produção mundial de amêndoas. Impressive!

migas com verdura e feijão
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Comi um prato de migas com verdura e feijão na casa da sogra da minha irmã em Portugal e fiquei encantada. Quando a Elvira publicou a sua receita de migas de broa com grelos e feijão frade, marquei para fazer, tentando repetir a experiência que tive por lá. Como a Elvira explica, as migas são um prato de acompanhamento. Pra mim não tem problema nenhum transformá-las no centro da refeição. Adaptei alguns ingredientes e talvez por isso não tenha ficado idêntico ao prato que comi lá na Dona Rosa. Mas ficou muito gostoso mesmo assim. Vou tentar ainda uma próxima vez, usando uma verdura mais macia e um pão com textura mais parecida com a broa de milho, que esfarela, ao contrário do pão rústico que eu usei e que permaneceu intacto. Os grelos eu substituí pelas folhas de dino kale, também conhecida por cavolo nero, que são folhas verde escuríssimas e bem mais robustas que outros tipos de verdura.

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Essa primeira versão de Waterloo Bridge é a minha favorita. No dramalhão da segunda versão de 1940, tudo é muito esterilizado e embelezado. Os protagonistas Vivien Leigh e Robert Taylor são lindos, arrumadinhos e limpinhos com cara de superstar. Se alguém for um pouquinho avoado, capaz de nem perceber que a boneca de porcelana Vivien Leigh cai na vida, isto é, se prostitui, quando pensa que o engomadinho Robert Taylor passou desta para melhor.

No Waterloo Bridge de 1931 todas as cartas são colocadas com franqueza na mesa, a realidade é nua e crua, sem firulas, sem cortina de fumaça ou idéias subjetivas. A personagem de Mae Clarke é pobre, se prostitui quando não está trabalhando como corista, é amarfanhada e suja e está faminta. O jovem soldado ingênuo, Douglass Montgomery, conhece a mocinha durante um bombardeio. Eles vão para o apartamento dela, que é um muquifo. Ela não tem nem uma moeda para colocar na máquina de gás e acender o fogão e ele oferece, não só a moeda, como também de buscar comida. Na Londres bombardeada durante a Primeira Grande Guerra, o "take out" era peixe frito e batata frita embrulhados em folhas de jornal. Ele traz o rango, ela arruma a mesa, colocam o peixe e as batatas numa travessa, ela faz um chá, ele traz também um filão de pão, que corta enquanto conversa com ela. É uma cena longa, ela dividida entre o encantamento pelo soldado e a prevenção natural de quem tem uma vida dura nas ruas. Eles comem, ela mastiga de boca aberta. Ele é muito singelo e fofo e se oferece para pagar o aluguel atrasado dela e comprar um vestido que ela queria. Ela se ofende. Assim nasce um romance, que só quem assistir ao filme vai poder saber como vai terminar.

* Bette Davis também dá as caras nesse filme, numa reles ponta. Nada com um dia depois do outro, hein?

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aquela torta de maçã
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Todo sábado, quando vou para minhas comprinhas no Farmers Market, eu passo por uma banquinha que vende pães, sopas e vejo umas tortas de maçã. Eu não costumo parar nessa banca, cuja vendedora é uma americana que já viveu em Paris, França. Ela faz uns pães bonitos, as sopas são sempre populares nos dias frios e na época do Thanksgiving ela faz umas tortas lindas que parecem ter saido de um desenho animado. No resto do ano, as tortas que ela vende são bem simples. Mesmo assim eu sempre olho pra elas com olhos purpurinantes, porque elas me parecem tão bem feitas e tão deliciosas. Só que até hoje eu nunca tinha comprado nenhuma, porque sempre penso—ohwell, essas tortas são ridiculamente fáceis de se fazer em casa!

Mas fazer que é bom, nada. Então neste último sábado extremamente baforento, que não abria a menor possíbilidade nem de pensar em assar nada em forno nenhum, não tive a desculpinha de sempre para seguir em frente e esnobar as lindas tortas. Comprei uma!

Engraçado como criamos receitas imaginárias para comidas que vemos por ai. Nessa torta eu jurava que tinha uma camada de creme entre a massa e a fruta. Que nada, é só mesmo uma massinha bem fina, com as fatias grossas de maçã por cima. Deu pra perceber que as frutas tinham sido regadas com limão e salpicadas com açúcar, pois estavam um bocado doces. Muito mais fácil de fazer do que a minha imaginação tinha fantasiado. Isso se um dia eu realmente chegar a fazer.

dip de feijão preto
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O plano original era fazer o black beans hummus da Ana. Mas quando eu comecei a colocar os ingredientes no food processor, um espírito Pepe Legal baixou na minha cozinha e na sequência o hummus foi se transformando num dip com requebros de mariachi.

Feijão preto, raspinhas e suco de um limão verde [a lima], chives-cibouletes picadinhas, flocos de pimenta vermelha, sal marinho grosso e alho picadinho refogado no azeite—usei o alho e um pouquinho do azeite. O resultado ficou bem interessante. Servi o dip com umas chips feitas com feijão e azeitonas que comprei no Co-op. A marca me chamou a atenção imediatamente e a qualidade e sabor das chips realmente comprovou que a proposta do Food Should Taste Good é legítima.

gelado de cereja
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Cereja combina com creme. Por isso arrisquei numa invencionice sem receita e chutei o balde usando 1/3 de creme fraiche, 2/3 de half-and-half [o creme de leite diluído] que bati no liquidificador com muitas, muitas cerejas frescas descaroçadas e mel a gosto. Não deixei bater muito, pra fruta ficar pedaçuda. Depois disso sorveteira por vinte minutos e grawngrawngrawn...


halibut com mostarda
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O halibut é como o salmão, um peixe tão saboroso que não precisa de muitos triquetriques para prepará-lo. Quanto mais simples, melhor. Assim se pode sentir o sabor da carne branquinha e pedaçuda desse peixe habitante das águas frias do norte. Esses filés comprados no Farmers Market tinham a pele e ostentavam uma coloração levemente azulada, que eu achei interessante. Eu não entendo muito de peixes, mas deduzi com a minha lógica de leiga que comprei uma parte periférica do enorme peixe, pois já comprei outros cortes diferentes do halibut antes.

O pescador me indicou o halibut como um bom peixe pra churrasqueira. Num sábado com temperatura de 40ºC sem brisa e sem umidade, a churrasqueira foi a opção mais sensata para o preparo do almoço. Fiz os filés de halibut no papel alumínio, usei um heavy duty, bem grosso. Fiz uma cama de rodelas de limão, coloquei os filés, temperei com sal marinho grosso e pimenta do reino moída, depois espalhei uma camada de mostarda Dijon em cada filé, reguei com um pingo de suco de limão e salpiquei com chives-cibouletes picadas. Fechei o pacote e coloquei na churrasqueira. Em menos de 20 minutos o rango estava pronto, sem esquentar a cozinha. De acompanhamento fiz aspargos temperados com sal grosso e azeite embrulhados no papel alumínio, também na churrasqueira. O pacote com os aspargos leva menos tempo pra cozinhar do que o peixe, então todo cuidado é pouco. E pra completar, uma salada de tomate com manjericão. Tudo fresquinho, tudo local, tudo delicioso!

frogurt de manga e menta
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Esse bafão descabelante fora de época tem me dado ganas descontroladas de ingerir sorvete. Por isso tirei a poeira da minha sorveteira e fiz esse frozen yogurt [frogurt] de manga e menta. Usei metade de iogurte natural, outra metade de kefir natural, um saquinho de manga congelada, mel a gosto e folhinhas de menta chocolate fresca, que já abunda na minha horta. Bater, jogar na sorveteira e devorar muitos copinhos. Sem brincadeira, nos devoramos mesmo, como dois trogloditas esbaforentados...

aprium
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hibrido de
damasco & ameixa

o que não é blogável

Preparei a mega salada, fotografando o passo-a-passo, que nem era necessário, mas achei legal mostrar o processo de montagem de um prato único e completo. Em seguida fotografei o resultado final e para isso movi algumas coisas aqui e ali. Depois olhei as duzentas fotos uma por uma, escolhi umas quinze, que cortei e preparei para publicação. Quando vi as fotos montadas, uma sensação de que aquilo iria dar em nada tomou conta de mim. Não senti firmeza, não só pelas fotos, mas pela salada em si. Isso não é blogável, afirmei. E assim abortei mais um ex-futuro post para o Chucrute com Salsicha.

Outro dia uma pessoa me perguntou por que eu tinha ido naquele evento, que era a mesma coisa sempre, todo ano. Porque tudo lá é muito blogável, respondi. No vocabulário dos blogueiros, o jargão blogávelnão blogável já está ficando comum. Eu sempre gasto um minuto de análise antes de publicar algo, porque ladies & gentlemen nem tudo é realmente blogável. Como foi o caso da multi salada, que vai ficar somente na minha memória.

O Chucrute com Salsicha não é um blog partidário do radicalismo, aqui todo assunto é um bom assunto. Mas eu mantenho sempre ativa e alerta a percepção de que tem muita coisa que não é blogável, assim como outras tantas simplesmente não são fotografáveis. E a infotograbilidade é um fenômeno que interfere terrívelmente com a possível blogabilidade da situação. Portanto temos que aceitar estes fatos incontestáveis de que certas coisas não fotografam bem, como outras coisas não blogam bem. Conscientes disso, prossigamos então, avante—próximo post, por favor!

A taberna da Adelia
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Em Nazaré, depois de passearmos pela linda praia, onde as criancas cataram pedras e conchinhas e o Fausto tomou um caldo, voltávamos para o estacionamento quando eu vi esse restaurante. Ele estava fechado, mas eu colei a minha cara nos vidros e fiquei simplesmente encantada com o que vi lá dentro. A oportunidade de registro era única. Micos à parte, o que importa é que fotografei o restaurante, que agora vai ficar gravado para sempre na minha memória, para no futuro, quem sabe, eu poder voltar à Narazé e jantar na Taberna da Adelia.

Pelo que me contaram da história de Nazaré, com sua população de pescadores vestidos de camisa xadrez e touca de meia de lã e as mulheres com as saias curtas—certamente para poder entrar na água e ajudar os maridos com mais destreza, a Taberna da Adelia reproduz todos esses simbolos da cidade. Com as cadeiras forradas de tecido xadrez, a foto da própria Adelia vestida a carater e todos os micro-detalhes das louças e tachos de metal. Um chame de lugar, onde eu não comi, mas isso realmente não importa.

não estou preparada pra hoje

É difícil alguém me pegar reclamand do frio. A não ser que chova muito e a umidade e falta de sol comece a mofar e cansar a beleza. Mas de maneira geral, eu encaro bem outono e inverno, nunca reclamei, nem mesmo quando morei em Alaskatoon. Mas o calor, lordhavemercy, esse me pega sempre com as calças na mão, tentando correr pra me esconder sem sucesso. Como eu abomino os dias infernais. Só não abomino mais os dias infernais daqui, do que a sauna do verão tropical. Sou uma pessoa temperada, não gosto de exageros.

Então me deu um siricotico histérico quando olhei a previsão do tempo para esta semana e vi lá na quinta-feira números inacreditáveis para esta época do ano. Hoje, 39ºC / 102ºF. O que significa isso??

Significa que preciso me vestir o mais confortavel possível, com roupas que não apertem, não sufoquem, e beber muita água, andar devagar, não se abanar nem se afobar, fechar as janelas e cortinas da casa na hora do almoço—na verdade deveria ter fechado agora de manhã—evitar usar o forno e tentar usar o fogão o mínimo possível. Plantas irrigadas, gatos com suplemento extra de água, coragem pra pedalar para casa às 5 pm, quando o mercurio do termómetro estiver batendo lá nos trinta e nove.

Essa ondaça de calor vai durar até domingo. A coisa boa é que está ventando muito. E ontem eu dormi com todas as janelas escancaradas e ouvindo uma deliciosa sinfonia de grilos, que pra mim é sempre um som nostalgico e reconfortante.

arroz de atum
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A inspiração veio toda da Mariana e eu fiz exatamente como ela fez, usei até atum português! Arroz basmati, cenoura, ervilha, tomate, só omiti o alho. Ficou mesmo comida de comer na tigela, com colher. Pra comer enquanto se conversa sobre os assuntos do dia, encerrando o expediente. O bom é que deu uma quantidade pra servir umas quatro pessoas bem servidas, então tenho rango pro almoço de hoje. Hmmm!

um fio de cada
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azal

fui ao Continente
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Para não quebrar a minha tradição de dar um pulinho no supermercado local dos paises que eu visito, em Portugal eu tive que ir ao Continente. Primeiro fomos ao pequeno Inter Marché perto da casa dos pais do Luis em Granja do Ulmeiro. Depois fomos ao Continente em Coimbra, porque esse é o supermercado bacanérrimo do pedaço, que todos elogiaram, o paraíso do consumo. O Continente é um hipermercado nos moldes do Carrefour. Um lugar para se passar muitas horas encaroçando pelos corredores e prateleiras. Eu adorei ver os produtos, principalmente os frescos que vêem de diferentes lugares da Europa, Ásia, Africa e até do Brasil, como é o caso da cana. Na Europa fico sempre encantada com a seção de queijos e iogurtes. No Continente, parei na frente dos azeites e dos vinhos também. Não só parei pra olhar, mas também pra fotografar, para o total desespero do meu cunhado, que caminhava a metros de distância na minha frente tentando fingir que não me conhecia. Micos galore! Pobre Luis! Mas eu não poderia perder a oportunidade de registrar o meu passeio ao Continente. Pois sim, visitar supermercados estrangeiros é passeio pra mim! Pena que as maledetas companhia aéreas impõem limite de peso à bagagem, senão eu teria feito uma bela de uma compra, mesmo correndo o risco de ficar parecendo uma farofeira das boas, carregando postas de bacalhau e sacolas de comida dentro do avião.

necas de pitibiriba

Eu cheguei, mas ainda não estou realmente aqui.

O negócio é que ando sem a menor vontade de cozinhar. Durante a semana tenho feito um rangabofe simples, porque precisamos comer e gastar os produtos frescos que já se aboletam nas gavetas da geladeira. Mas pra falar a verdade, ando sem inspiração e sem ânimo. Olho as receitas nas revistas do mês que se empilharam durante a minha ausência e tenho ganas de jogar tudo pra cima, depois pisotear as folhas coloridas e impressas com fotos bacanas bem pisoteadas e sair correndo pela rua, braços estendidos em direção à qualquer restaurante ou birosca que venda batata frita. Esse é o meu estado de espírito atual. Não tenho nenhuma pretensão de me explicar, só quero registrar esse fato singular de que não ando querendo cozinhar.

Tenho planejado tentar replicar alguns dos rangos bacanas que experienciei em Portugal. Naquele dia da semana passada fiz numa piscada de olho a sopa de tomate alentejana que tanto encanta a minha irmã e que me deixou realmente abismada pela sua simplicidade. Cebola, tomates pelados e picados, azeite e um ovo pochê acomodado no caldo, ajeitado numa cumbuca forrada por uma fatia de pão rústico. Naquele dia eu jantei sozinha às 5:30 da tarde, porque não consegui esperar pelo Uriel, tamanha era a minha fome e o meu sono. Quando a sopa ficou pronta eu pensei em tirar fotos e esse pensamento me fez curvar de tanto cansaço. Simplesmente não consegui tirar foto nenhuma, só consegui comer, comer e pronto.

Não estou querendo cozinhar, não ando querendo tirar fotos das minhas comidas, por isso vou sentar e esperar essa vontade de fazer nada na cozinha passar. Porque vai passar, eu tenho certeza que vai.

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** O tempo que tenho economizado não cozinhando está sendo usado pra fazer outras mil coisas, como capinar novamente a horta que foi tomada por um matagal durante a minha ausência. Finalmente plantei meus pés de tomate. Desta vez apenas quatro, pois quero experimentar dar bastante espaço para os arbustos. Plantei vários tipos de manjericão e orégano, mais cibouletes, sálvia e lemon verbena, pra fazer par com o lemon balm [melissa] que está crescendo lindamente. Replantei também as ervas dos vasos. No interim tomei conhecimento de um novo morador no meu quintal—um esquilo, que se divide entre a minha casa e a do vizinho. No ano passado foi um filhote de lebre muito fofinho que detonou com metade das minhas ervas. Neste ano é o senhor esquilo, que está prestes a fazer um belo estrago, talvez nas frutinhas de pêssego e nectarina.

*** Também aproveitei para fazer um remanejamento das roupas no closet, armários e gavetas. Saí de cena artigos de lã, veludo, mangas compridas, casacos, cachecóis. A previsão do tempo para esta semana está arrepiante. Ainda estamos em meio de maio e já teremos uma ondaça de calor temporã. Quinta-feira, mínima de 16ºC, máxima de 38ºC. ARGH!!!

the best is yet to come
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damascos

Whole Earth Festival
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O Whole Earth Festival é uma festança hiponga que acontece todo ano no campus da UC Davis durante o final de semana do dia das mães. E eu estou sempre lá porque acho tudo muito divertido. E já escrevi muito sobre esse evento, que considero um dos mais bacanas no calendário acadêmico. É uma festa imensa com quase ZERO de lixo. No ano passado, 97% de todo o lixo produzido pelo festival foi reciclado. Tudo funciona com energia solar. Para a comida há o eficientíssimo esquema de cobrar $1 por cada prato ou copo e $0.50 por cada talher, que quando é devolvido recebe o dinheiro de volta. Ninguém quer perder dinheiro, então praticamente não se produz lixo e todo restante de material orgânico vai pro composto da universidade. Toda a comida é vegetariana, há muita música ao vivo, todo tipo de manifestação política, religiosa e filosófica e aquele comérciozinho básico que não pode faltar, apesar do clima odara da festa. Em outros anos escrevi textos mais inspirados e simpáticos AQUIAQUI & AQUI. Outras fotinhos AQUI. Neste ano fui bem cedo e comi samosas com chutney, bebi limonada e eu e o Uriel dividimos um prato de stir fry de legumes e tofu com arroz integral, mais um knish, que é um bolo de batata, espinafre, cebola, alho e especiarias embrulado numa folha de massa finíssima e grelhado.

um bom motivo
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As batatas, orgânicas e fresquinhas, chegam sujas assim. Mas isso não é nada. Basta um pouco de água e uma boa esfregada com as mãos e a terra toda desce ralo abaixo. O pior são as folhas, muitas, imensas, que é preciso olhar bem, lavar bem, ter muito cuidado, porque ninguém quer encontrar intrusos alienígenas na salada. E todos os legumes vêm com cabos e folhas. O milho vem na palha, que quando se abre encontra-se sempre lá, confortavelmente alojada, uma lagarta. Tudo precisa ser muito bem esmiuçado e muito bem lavado.

Outro dia, conversando com o Uriel sobre o ritual da cesta orgânica das segunda-feiras, me perguntei por que eu faço isso toda semana há tantos anos? Vou lá na fazenda buscar a cesta, volto e me ponho a lavar e organizar tudo, depois tenho que pensar no que fazer com os legumes e verduras, alguns não muito comuns, que nunca fizeram parte da minha dieta. Por quê?

Porque eu acredito no que estou fazendo. Porque quero comer saudável, quero proteger o meio ambiente, quero apoiar a agricultura local e quero consumir alimentos orgânicos, frescos e sazonais. Eu quero e acredito, e é por isso que me dou todo esse trabalho. Toda semana.

Pinhas de Montemor
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Em Montemor, depois de visitar o castelo, paramos no centro do pequeno povoado para achar uma máquina de banco para retirar dinheiro e ficamos com sede. Entramos num restaurante de esquina para comprar água e eu vi esses doces em forma de pinhas na vitrine. Eles têm uma casquinha feita com uma massa que parecia de milho e o recheio parecia ser feito de ovos. Não perguntei se havia pinhas no doce ou era só o formato. De qualquer maneira eu gostei, pois esse é daqueles doces não muito doces. Bebemos a água gaseificada natural Pedras Salgadas, que é a favorita da minha irmã.

salada de lentilha verde com cenoura e batata-doce
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Recomeçamos nossos picnics das quartas-feiras no Farmers Market. Até o final do verão teremos o parque disponível, com música ao vivo e toda a animação que essa atividade traz. Eu adoro fazer picnics. Tenho uma variedade de equipamento, com cestas bacanas, toalhas e mil e um utensílios. Gosto de planejar e por em prática um mini-menu, que geralmente envolve uma salada, um pão, vinho e água. Para esse picnic inaugural, levei uma salada de lentilha verde de Puy com cenoura e batata-doce—yam, a batata-doce cor de laranja. Cozinhei a lentilha no dia anterior, escorri e reservei. Uma hora antes do picnic cozinhei as cenouras e as batata-doces cortadas em cubinhos no vapor. Deixei esfriar e misturei à lentilha. Temperei com orégano fresco picado, que está abundante na minha horta, vinagre de figo, que trouxe de Portugal, flor de sal com oréganos, que ganhei da Carlota, e bastante, bastante azeite extra-virgem. Levei um vinho branco da Rosenblum que não gostei muito. É o primeiro vinho dessa vinícola que me desagrada. Mas isso não interferiu na minha animação, nem na do pessoal, que comeu, bebeu e conversou muito. Ficamos na grama do parque até às 9 da noite e voltamos para casa no escuro.

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Não consigo lembrar o nome da cidade, mas quando entramos na rua principal e eu vi a placa indicando as direções para chegar no Food for Humans, fiquei entusiasmada, querendo saber se era um restaurante. Precisei ir conhecer esse lugar com um nome tão criativo. Seguimos as placas e estacionamos numa ruazinha, onde ficava uma linda casinha onde funcionava um mini-co-op. Fiquei encantada. Enquanto o Uriel ficou no carro analisando o mapa, eu subi as escadinhas e entrei no improvisado supermercado, que logo na entrada vendia cerâmicas lindas. Caminhei pelos corredores cheirando a especiarias e saí de lá feliz, mesmo não tendo comprado nada, somente pela experiência de ter estado num lugar batizado de Food for Humans.

No minuto em que vi as placas, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi de como é importante ser criativo e diferente quando colocamos nomes nas coisas. Onde você escolheria almoçar ou fazer compras—no Cindy's Place ou Susy's Market ou no Food for Humans? A minha escolha vocês já sabem.

inside the GH
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Pronto. A casinha de hóspedes foi alugada para o casalzinho singelo com bochechas rosadas de Chico. Eles pagaram um depósito para segurar a casa, assinaram o contrato e mudam-se dia primeiro de junho. Enquanto isso, o Uriel aproveita pra fazer algumas coisinhas por lá, como trocar lâmpadas e remover a escada de subir em pé de jaboticaba e instalar uma escada caracol, com degraus seguros e corrimão. Aproveitei e tirei umas fotos da frente, fundos e interior da guest house. As fotos mostram a minusculice do lugar. O quarto fica no loft. Nessa foto só estou dando uma de tonta alegre, pois nunca subi lá devido ao meu pavor de alturas.

casquei-me fora

Bem que eu vi o e-mail da secretária chegando, mas me fiz de sonsa e pensei alegremente—estou em férias, não preciso responder, não vou confirmar, portanto me livrei dessa! Bom se fosse. A danada querendo ser gentil e eficiente resolveu confirmar ela mesma a minha presença no fabuloso picnic anual dos funcionários da UC Davis, criativamente batizado de TGFS - Thank God For Staff.

E veio me trazer o ingresso, que eu aceitei com um sorriso amarelo. Conversei um pouco com ela sobre o evento, que na minha opinião é o mais completo acontecimento aborígene que a universidade organiza. Contei que fui ao picnic de 2006 e tinha jurado nunca mais cair nessa armadilha. Expliquei mais ou menos o esquema da coisa: camelar até o final do arboretum, ficar na fila pra pegar um sanduba e um garrafa de água, sentar no chão, pagar todos os micos possíveis com joguinhos infames, só porque você teve a sorte na vida de ser funcionário da grande Universidade da Califórnia. Eu, sinceramente, passo. Trocar meu tranquilo almoço em casa pra ficar lá na grama conversando amenidades sem importância com meus colegas, tentando comer sem ficar com fiapos de carne entre os dentes, ensovacando no sol do meio-dia, ouvindo o "agito" dos funcionários animados, que participam dos jogos com aquele entusiasmo irritante, não é a minha praia, não faz o meu estilo.

Segurei o ingresso imóvel por alguns minutos pensando na única vantagem de ir a esse picnic indigena—poder escrever sobre a famigerada experiência aqui. Sinto muito folks, mas optei por cascar-me fora dessa.

Marizé comprou mais um tacho
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em Coimbra

Oliveira Pastelaria
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Adorei as pastelarias de Portugal, com seus doces típicos e outras tantas mil gostosuras. Visitamos muitas, em Lisboa, Coimbra, Sintra e pelo caminho. Nesta, na cidade de Batalha, provamos uns doces típicos feitos com amêndoas. Todos muito bons!

Restaurante Casa Adão
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Encurtamos nossa visita à cidade de Porto para poder ficar dois dias em Sintra e Cascais. Por isso só tivemos uma tarde, que gastamos visitando uma das caves de vinho do porto do outro lado do rio Douro, em Vila Nova de Gaia. Enquanto esperávamos pelo horário da tour na cave da Ferreirinha, resolvemos almoçar e recebemos a recomendação do restaurante Casa Adão. É uma pequena tasca na mesma rua das caves, onde tive com certeza a refeição mais memorável de toda a minha viagem. Não sei explicar por que, mas me senti extremamente feliz comendo lá. O garçon foi divertido e gentil, apesar que eu e minha irmã tivemos dificuldades para entender o sotaque dele. A comida foi excepcional. Nada demais, mas tudo muito bem feito. Eu acho que sei distinguir uma comida simples, porém bem feita e com bons ingredientes, de uma comida metida a besta e meia boca. Na Casa Adão comi o MELHOR bolinho de bacalhau em terras portuguesas, bebi o vinho verde que me deixou estalando a língua de felicidade, provei as famosas alheiras que vieram com as melhores batatas fritas, cortadas a mão e fritas com perfeição. Veio junto um ovo frito, arroz e salada. Mais simples impossível, mas vou dizer—estava fenomenal! Comi com gosto, com felicidade, com satisfação. Meu cunhado também pediu as alheiras e minha irmã foi de francesinha, um sanduíche pra alimentar um boi faminto, com pão rústico recheado de carne e linguiça, coberto por queijo e um ovo frito e afogado num molho picante. Não provei a francesinha, mas minha irmã se debulhou em hms e ohs. Perfeito! Agora, ponham reparo na cor da gema desse ovo frito e me digam se essa galinha portuguesa não é uma penosa super feliz.

* além de tudo, essa foi a refeição mais barata que tivemos em toda a viagem. um total de trinta e quatro euros para três pessoas comerem e beberem muitíssimo bem.

as novidades por aqui
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Para tentar reentrar na rotina, peguei minha cestinha e sacolinha e dei meu pulinho usual ao Farmers Market. Duas semanas fora e voltei para uma paisagem bem diferente nas banquinhas. Para minha surpresa já há alguns tomates, alguns pêssegos, muitos morangos e bastante cereja. Estou na expectativa dos damascos, que são os mais deliciosos e têm uma temporada relativamente curta.

6 am

Cheguei em Davis na noite do mesmo dia que parti de Lisboa, depois de outra maratona transcontinental. Eu não posso acreditar que exista um ser humano normal que curta viajar de avião. Eu sou do time dos que odeiam. Paguei um tantão a mais no total da passagem para descer em Sacramento, cujo aeroporto fica a 20 minutos da minha casa, mas chegando em New York fui recolocada para voar para San Francisco por causa de todos os atrasos que compremeteram a minha conexão. Esperei muitas horas no aeroporto, depois vooei mais seis horas, além das sete que me custaram para atravessar o Atlântico. O Uriel foi me buscar e enfrentamos mais uma hora de estrada até Davis. Eu sempre digo que amarrei meu burro num lugar maravilhoso, mas muito longe. Tudo nessa vida tem vantagens e desvantagens.

Hoje já estava acordada às 5:30 am. Agora vou combater o jet-lag inverso. Meus gatos já me receberam felizes, vi que todas as roseiras estão apinhadas de flores, tem algo cheirando mal na geladeira, vou desfazer as malas, tentar comer uma comidinha decente pra compensar as refeições plastificadas que tive nos aeroportos e aviões. Aos poucos tudo vai voltar ao normal, mas eu ainda tenho muita coisa para comentar sobre Portugal, então ainda vão aparecer muitos posts sobre aquela linda terrinha!

*vou colocar aos poucos as quatro mil e quinhentas fotos que tirei, numa coleção chamada Portugal no meu álbum no Flickr.

doce
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até breve, Portugal!
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