Minha rotina depois do jantar é subir pro meu quarto, ligar a tevê sempre no mesmo canal e clicar no guia pra ver o que está passando ou o que vai passar e assim poder planejar se vou assistir algo no canal ou colocar um dvd. Depois entrar no banheiro, sempre acompanhada por um dos gatos—se for o Misty eu tenho que abrir a água de uma das pias, se for o Roux vou ter que ficar conversando um pouco com ele, que vai miar com uma voz esganiçada que nos faz dobrar em riso. Tomo o meu banho, faço toda a rotina de escovação de dentões e hidratação de corpão, volto para o quarto e vou ler meus livros e ver meus filmes. Ontem já tinha decidido que não iria ver o filme que estava passando no TCM, o meu canal vitalício—The Joy Luck Club. Eu já vi e revi esse filme, inteiro ou em partes, inúmeras vezes. E todas as vezes eu me debulho em lágrimas. Não tem jeito, o filme é um clássico tearjerker pra desopilar o fígado e lavar a alma. Então quando saí do banho, já pensando qual seria o dvd que iria escolher pra assistir e de olho no livro que estou lendo, sentei na cama ajeitando as costas nas muitas almofadas e pow—não consegui mais descravar o olho do filme, que já estava pra lá da metade. E lá fui eu outra vez, chorar de dar bafão, de assustar os gatos, daqueles choros com gemidos, dolorido, que parece que os dentes vão cair e a cara vai estourar, que me deixou esbugalhada, cansada, fungando e de olhos ardendo. Quando o filme terminou com o encontro das irmãs, meimei! meimei!, eu já estava um farrapo humano, suspirando com uma cara aparvalhada. Fui dormir.
O resultado do chororô da noite foi uma cara matinal de pinguça, agravada por uma dor de cabeça que veio galopante e me deu um baita de um coice no crânio. Estou acordada há quase quatro horas e ainda sinto as sequelas da miserável. Somente o Blues poderá salvar este famigerado dia. Escrever também ajuda.
Estou pensando no futuro, no que vou fazer amanhã e em novembro. O dia vai ser quente, mas está nublado e esfumaçado, um ar pesado e poluído devido aos incêndios que se alastram pelo norte do estado. Isso tudo desanima, até de cozinhar e comer. Tenho me dedicado às receitas simples, rápidas e fáceis. Minha cozinha está cheia de produtos fresquinhos de verão, mas eu não ando entusiasmada. Os deliciosos tomates maduríssimos viram uma simples salada ou são combinados com alho e manjericão numa panela de pasta de rodelinha. Chegou um maço tã gigante de manjericão na cesta orgânica, que fui obrigada a fazer um pesto. Usei uma mistura de nozes e pecans, que era o que eu tinha, Torrei as nozes e as pecans e fiz como manda a receita clássica. Usei um pouco da água do cozimento da pasta pra diluir o pesto, dica da Marcella Hazan que já adotei. No outro dia fui às compras e fiz couscous com cranberries secas e pinoles. Mais um rango simples, servido com salada, porque não ando muito insoirada. E há muitas batatas. Batatas amarelas, brancas e roxas, que chegam toda semana, junto com as folhas verdes, que eu decidi impôr férias, então retiro da cesta lá mesmo na fazenda e coloco numa cesta onde acredito as pessoas doam o que não querem pra uma tal de Kara. A cesta de verão é realmente colorida, com muitos tipos de abobrinha, tomates e algumas frutas. Nesta semana chegaram figos, roxos e verdes, que foram devorados em minutos.
O website da UC Davis traz uma reportagem bacana sobre sustentabilidade e nela vocês poderão ver um pouquinho da fazenda orgânica dos estudantes, de onde vem a minha cesta semanal. Em Planting the Seeds of Change, clique no audio slideshow da direita, Student Farm lessons.
Vocês já pararam pra pensar que alguns utensílios de cozinha são clássicos. Nós só precisamos ter um exemplar de cada e nem é absolutamente necessário que eles sejam bonitos, que estejam acompanhando o último grito da moda & design, que sejam feitos com o melhor material, talhados em modelos ultra-modernex e cheios de incrementações tecnológicas. Porque o trabalho que eles realizam independe de visual, de material, de luzinhas piscando e cores fosforescentes.
Outro dia tirei meu rolo de macarrão da jarra onde ele sempre fica e ao invés de só fazê-lo trabalhar desengonçadamente [mea culpa, admito], olhei pra ele com uma atenção incomum. Ele é um rolo de macarrão completamente sem glamour. Lembrei que ele foi uma das primeiras coisas que comprei para a minha casa californiana. E adquiri rapidamente porque é imprescindível que toda casa, mesmo as que ainda nem tenham panelas, tenha um rolo de macarrão. Comprei o meu numa garage sale que alguém nos levou. Comprei o rolo de macarrão, usado e meio rachado, junto com uma caneca rústica de cerâmica azul, que aindo tenho e que foi por anos a minha favorita. O rolo de macarrão vem trabalhando incansável por anos e anos, sem nunca dar problema, sem me deixar na mão, abrindo toda e qualquer massa para torta ou massa para pizza, com uma funcionalidade excepcional.
Meu rolo de macarrão é um utensílio de segunda mão, de madeira comum, com um pequeno racho, um pouco desengonçado no manuseio [mea culpa, admito], com uma cor desbotada, mas sempre botando pra quebrar eficientemente no serviço que lhe foi designado.
Para uma porção de arroz já cozido, restos de antontem, prepare um refogado no azeite com meia cebola pequena picada, uma espiga de milho, os grãos raspados com a faca, e um punhado de vagens verdes picadinhas. Deixe refogar até o milho e a vagem amolecerem, mas não muito, mantendo um pouco da sua crocância. Salgue a gosto. Junte cubinhos de queijo gorgonzola e deixe derreter, junte o arroz cozido, mexa bem, desligue o fogo, tampe, reserve. Deixe descansar por uns minutos e então sirva. Salpique queijo parmesão no prato se quiser, ou não salpique se não quiser. Eu não salpiquei, mas achei que deveria ter salpicado.
Se a vida [via fazenda orgânica] lhe oferecer um repolho, faça com ele um coleslaw. Se o repolho for roxo, faça então um purple coleslaw. Para realizar essa façanha você vai precisar de:
um repolho roxo ralado fininho no mandoline
uma maçã ralada fininha da mesma maneira
uma abobrinha amarela pequena idem
figos secos picados em cubinhos
um pouquinho de folhas de orégano fresco picadinhas
misture tudo e tempere com um molho feito com:
suco de um limão amarelo, flor de sal, azeite extra-virgem, mostarda dijon e creme fraiche
* esse coleslaw não ficou muito fotografável, mas passou pelo meu crivo de blogável, então aqui está!
Eu sou cliente que dá preferência. Gosto de comprar de certos produtores no Farmers Market. Compro sempre os ovos de uma família simpática—e quando quero ovos tenho que ir cedo, porque eles vendem rapidíssimo. Gosto do casal japonês que vende folhas verdes pra saladas, e do japonês dos cogumelos, também volto sempre no moço engraçado das frutas, e na família onde o guri faz as contas todo atrapalhado. Compro as flores sempre do mesmo casal, que já me conhece e eu e ela sempre trocamos uma prosa. Curto comprar com a bonitona do azeite, a alemã dos pães, com as mocinhas da Capay, e com a sorridente cunhada da Deborah Madison, que vende as melhores geléias. E tenho a maior simpatia por um casal de senhores, onde eu compro tomates, nozes e figos, além dessa senhorazinha que vende as frutas menos bonitas, mas eu gosto de tudo que compro dela, e gosto especialmente dela, por uma razão vingativa. Tudo porque uma vez vi ela dando a maior bronca num fulano boçal que estava apertando as frutas. Grr, como eu odeio essa gente que aperta todas as frutas, escolhe, escolhe, escolhe, escolhe, escolhe, abre as espigas de milho, provam tudo e às vezes viram as costas e não compram nada, grrgrrr! E nesse dia ela falou por mim, falou o que eu gostaria de eu mesma ter falado—NÃO APERTE AS FRUTAS PORQUE ELAS ESTÃO MADURAS E SÃO MUITO DELICADAS, NÃO PRECISA APERTAR! O fulano fez uma cara de pateta ofendido e foi embora sem comprar. A senhorinha nem pestanejou com remorso. Melhor perder um possível cliente, do que aguentar aquela tortura de olhar esses tipos machucando as frutas. Bom, eu aprovei o que ela fez, gosto muito dela e pronto. Por isso no sábado fiquei feliz em revê-la no mercado, pois ela sumiu por umas semanas. Reapareceu vendendo uns deliciosos pêssegos amarelos, que são os meus favoritos. Comprei muitos, sem apertar nenhum, e com eles fiz um sorvete,
Estava descascando os pêssegos quando o Uriel apareceu na cozinha para xeretar e quando eu disse o que ele estava fazendo, ele sugeriu que eu acrescentasse um restinho das blackberries que salvaram-se da nossa trogloditice rústica, que nos fez devorar as frutinhas puras, sem creme, nem açúcar. Decidi abraçar a idéia dele e joguei lá umas dez blackberries, junto com uns seis pêssegos bem maduros descascados, mais 1/2 xícara de leite integral e 1 xícara de creme de leite fresco. Juntei mel a gosto e uma colher de sopa de licor de cassis, bati tudo no liquidificador e depois joguei na sorveteira. Sempre tenho o cuidado de ver que o liquidificador não transforme tudo num purê homogêneo, para deixar o sorvete cheio de surpresas pedaçudas. No teste de textura e sabor o crítico me deu um high five enquanto divulgava seu veredito extremamente positivo. As blackberries não foram suficientes para apagar o sabor intenso do pêssego, mas elas deram uma cor lindíssima ao sorvete.
Woodland é a nossa cidade vizinha, dez minutos por uma estrada principal ou uns quinze por outra vicinal e já estamos lá. Eu não gostaria de morar em Woodland, mas vou bastante lá, pelo comércio. A cidade tem os largos campos de tomates e as enlatadoras, que transformam o visual das estradas no final do verão. Lá também se produz os deliciosos óleos especiais e há muitos campos de amêndoas, pêssegos, arroz. Apesar da cidade ser rodeada por essa cornucópia agrícola, Woodland não é uma cidade gourmet e quando pensamos em comer bem, a cidade nunca entra na nossa lista de opções.
Mas admito que essa exclusão determinista é um pouco injusta, pois Woodland tem lojinhas de antiguidades bem bacanas no seu centro histórico e um restaurante digno de nota, o Tazzina Bistro.
Estivemos lá por acaso, num dia horrívelmente tórrido de um verão no passado. Foi uma experiência gratificante. Quis voltar lá para transportar as observações para este blog. Fomos, num outro dia de verão, não tão tórrido, porém bastante quente. Pegamos o menu de brunch, a praga que infestou absolutamente todos os restaurantes nos almoços de domingo.
Quando chegamos o lugar estava bem vazio, foi enchendo no correr das horas. Um restaurante como o Tazzina iria fazer um sucesso absurdo em Davis, mas concluímos que alugar um espaço bacana como aquele numa área central, deve custar muito menos em Woodland do que em Davis. O Tazzina serve produtos locais e sazonais, tudo preparado com muito capricho, num menu californiano com influência italiana e francesa.
O Uriel pediu uma sopa de aspargos que ele declarou estar uma delícia. Eu pedi uma caesar salad, que achei muito bem equilibrada. Geralmente essa salada exagera no alho, mas a do Tazzina estava bem leve. Depois o Uriel decidiu pela lasanha de berinjela com queijo de cabra e molho de tomate e pimentão grelhado, tapenade e pinoles. Eu estava de olho nessa lasanha, mas como ele pediu, resolvi pedir outro prato e escolhi o hamburguer feito com carne kobe do Snake River Farms acompanhado de tabasco aioli, cebola roxa grelhada, queijo cheddar branco, em fatias de pão ciabatta. Batatas fritas acompanhavam o prato. Eu pedi o hamburguer porque, seguindo um trend iniciado pelo Ches Panisse, o Tazzina informa a procedência da carne, dizendo de onde ela vem, neste caso, a Snake River Farm. Achei todas as porções gigantescas e não consegui comer tudo, embora o hamburguer feito a mão e muito bem temperado, e as batatas cortadas também a mão e fritas com perfeição, estivessem deliciosos. Acompanhamos a refeição com um prosecco italiano e água com gás. Nem pedimos sobremesa, de tão empanturrados que ficamos. Mas eu me arrependi, pois deveria ter provado pelo menos uma, pra ver como o Tazzina se sairia nesse quesito.
Bob Dylan na rádio paradise, furando onda no sonho, café sem açúcar, miçanga mania, limões crescendo na árvore, água azul cristalina, móbile de galinhas na janela da cozinha, vento refrescante no rosto, picolé de frutas tropicais, pilhas de papéis, linha azul turquesa, pêssegos saborosos, Nando Reis é um titã, menta chocolate secando, cestinha de pano listrado, telefonema feliz de Paris, lista de coisas pra fazer, gargalhadas a dois, sorvete de creme, mensagem com boa notícia de Campinas, chinelo de dedo, pequena viagem, alface com azeite, muitas revistas, foto nova no porta-retrato, cinco moedas de um centavo, cheiro de grama e terra, gato espiando na porta, colares coloridos, camiseta sem manga, querer é poder, postal da Grécia, lavanda, filme do Hitchcock, uma rosa vermelha no vaso, oitenta e sete graus. [num junho em 2004]
Solstício — 41ºC. O dia mais longo do ano. Um calorão. Mais de uma razão pra fazer OUTRO sorvete. Eu adoro fazer esses sorvetes, porque geralmente é só misturar os ingredientes e em menos de meia hora já se pode devorar uma deliciosa sobremesa gelada. Eu tinha comentado com o Uriel que iria fazer um sorvete com limão, pois meu limoeiro ainda está carregado de limões carnudos e cheios de suco. Ele tinha tentado me desanimar, dizendo que iria ficar muito forte. Pois era forte mesmo que eu queria, bem LIMÃOZUDO! Fiz um frozen yogurt.
1 xícara de iogurte natural integral
1 xícara de kefir
Raspas da casca e o suco puro e fresco de um limão [1/2 xícara de suco]
Nectar de agave ou mel a gosto
1 colher de sopa de licor Limoncello
Misturar tudo e colocar na sorveteira.
Aqui não consumimos muita carne, porque sou eu quem decide o menu e nunca fui muito fã de comer animais. E também porque agora estou envolvida numa cruzada ideológica, que clama por respeito, compaixão e humanidade com os seres vivos que fazem parte da nossa cadeia alimentar. Me certifico de que o animal que morreu para que um filé ou um bife pudesse chegar à minha mesa, não tenha passado por nenhum tipo de confinamento cruel ou tortura horripilante. Essas carnitas, que comprei no Co-op, se encaixaram nos meus rígidos parâmetros. Quis fazer bifes, porque me entusiasmei com o sal defumado e porque estamos surfando noutra ondaça de calor e durante esse período é mais prudente e saudável evitar de usar o fogão. Os bifões foram para a churrasqueira, depois de serem salpicados com o sal defumado e folhinhas de tomilho—dica especial que aprendi com o Diego anos atrás e que sempre uso. Os bifes produziram uma refeição especial, acompanhados de abobrinhas refogadas em papel alumínio, também preparadas na churrasqueira. A cozinha continuou fresquinha e as nossas panças ficaram cheias e satisfeitas.
Um refogado sem usar o fogão, tão simples e tão bom. Cortei uma abobrinha verde e outra amarela, das longas, em palitos grossos e temperei com sal marinho, pimenta do reino moída, orégano, alecrim e óleo de nozes. Coloquei tudo num envelope feito de papel aluminio heavy duty e levei à churrasqueira. Uns vinte minutos depois, removi o pacote, abri e servi. Ficou um ótimo acompanhamento para os bifes de carne temperados com sal defumado e tomilho, que também fiz na churrasqueira.
Estava olhando umas fotos de uns bolinhos no Mission Beach Cafe, em San Francisco, quando aquela luzinha acendeu—plin—sorvete de passas ao rum!
Foi uma epifania! A lembrança desse sabor que fez parte do menu gelado da minha infância, juntamente com o de flocos, me encheu de entusiasmo. Procurei por algumas receitas e acabei resolvendo improvisar a minha própria. Não tem muito segredo. Fiz tudo com um dia de antecedência.
1 xícara de passas - usei a variedade flame, orgânica
Rum o suficiente para cobrir as passas - usei rum escuro, da Republica Dominicana, resquícito da minha ex-inquilina. Deixe as passas de molho no rum por muitas horas, ou até elas absorverem quase toda a bebida e ficarem inchadas e macias.
Faça um creme com:
1 xícara de leite integral orgânico
1 gema de ovo da Felizberth
1/4 xícara de açúcar
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
Bata bem com um batedor de arame e leve ao fogo, até ferver. Retire do fogo, deixe esfriar e leve à geladeira para gelar.
Do dia seguinte misture as passas mergulhadas no rum ao creme de baunilha e adicione 2 xícaras de creme de leite fresco. Misture bem e leve à sorveteira.
Esse sorvete satisfez plenamente o nosso paladar nostálgico!
E vejam só. Estava compenetrada, tentando tirar fotos do sorvete com rapidez e eficiência, pois afinal de contas está calor e o gelado derrete fácil, quando um cabeção felino entrou no raio de visão da minha câmera. Êta bicho curioso, não pode perder nenhum buxixo, tem que xeretar em absolutamente tuuuuudooooo....
Fui comprar flor de sal pra minha mãe e encontrei isso—sal marinho defumado sobre a madeira de barris de carvalho que foram usados para guardar vinho Chardonnay. Os barris são usados por um determinado número de anos e quando são descartados, viram combustível pra fogueira que vai secar o sal, que fica com um aroma e sabor muito impressionantes, com a dominância do defumado e um leve toque de vinho. Excelente para carnes, frutos do mar, omeletes, batatas e saladas. Eu já usei na saladona que fiz para a noite calorenta.
Já virou praxe fazer uma saladona assim quando está quente e não se pode nem pensar em usar o fogão. Eu faço tantas dessas que já nem é mais novidade. Mas elas sempre saem diferentes, pois nunca uso os mesmos ingredientes. Uso uma travessa bem larga e rasa e vou colocando o que vier na minha telha. Às vezes eu tempero cada coisinha separadamente. Outras vezes coloco tudo na travessa e depois tempero como quero. Dessa vez fiz mais ou menos. Temperei o feijão fava separado e o resto na travessa mesmo, mas variei os azeites e os vinagres. Já fiz essa salada em noites de inverno também. Portanto, nada com respeito dessa saladona é rigidamente delimitado.
Nessa usei—tomates vermelhos e amarelos, feijão fava, figos secos, azeitonas pretas, brócolis levemente cozidos no vapor, ovos cozidos, atum conservado no azeite, abobrinha ralada em tirinhas bem finas, pepino japonês em cubos e bastante folhas de manjericão fresco picadas e salpicadas por cima de tudo. Tempero a gosto.
Agora estou toda metida com essas moquecas, usando o urucum e até abusando do azeite de dendê, pois ganhei dois vidros da minha amiga Fabiana. Inspirada na moqueca de siri que vi no Edu, fiz a minha receita improvisada. Esse é um prato festivo e sofisticado, mas que é vapt-vupt de fazer, em menos de trinta minutos o jantar já está servido.
Para duas pessoas:
2 xícaras de carne de siri—aqui eu uso o crab
1/2 cebola picada
1 tomate
1/2 xícara de leite de coco
3 gotas de azeite de dendê
Coentro fresco a gosto
Azeite a gosto
Sal e pimenta do reino moída a gosto
Refogue a cebola no azeite. Junte o tomate. Quando estiver bem molinho e aromático, junte o siri e refogue por uns minutos, mas não exagere. Junte o leite de coco, deixe ferver. Coloque sal e pimenta. Junte o coentro e desligue o fogo. Sirva com arroz branco—usei basmati, que é o meu arroz do dia-a-dia—e uma salada de folhas verdes.
Uma salada ridiculamente fácil e simples, mas que sempre abafa na passarela. Rale pepinos japoneses em fatias finas no mandoline, salpique com fatias fininhas de folhas de menta cortadas com a tesoura, tempere como quiser—eu fiz com óleo de abacate, vinagre de figo português e flor de sal. No final salpique um bom pedaço esfarelado de queijo feta. Misture bem e sirva. Não tempere pepino com muita antecedência, pois ele solta bastante água e a salada pode virar uma sopa.
A agência Espalhe está lançando uma campanha muito legal para a Brastemp e escolheu o Chucrute com Salsicha, entre outros blogs bacanas, para participar do lançamento do Microonderia. Lá você pode escolher inúmeras opções de adesivos com desenhos interessantes para decorar o seu microondas e pode até escolher o design que eles criaram para o Chucrute. Além de também poder votar no design que mais gostar. Claro que eu recomendo que vocês votem no design do Chucrute com Salsicha, que é simplesmente o fino da bossa, com inspiração no Andy Warhol.
Outro dia o Uriel achou uma aranha viúva negra caminhando alegremente pelas cobertas da nossa cama. Logo em seguida os inquilinos avisaram que tinham matado mais duas delas na varanda da casinha. Fechamos rapidamente todas as possíveis entradas de aranha, como ralos de pia, e chamamos imediatamente o serviço de controle de pestes. Já tivemos uma viúva negra no quintal, mas dentro de casa, em cima da cama, é sinal vermelho piscante—pode parar já com isso!
Então quando o Uriel ligou lá no serviço de controle de pestes, perguntando como iria ser feito o aniquilamento das aranhas, se eles iriam espirrar algum tipo de pesticida e se seria algo tóxico, já foi avisando—olha, nós temos uma lebrezinha vivendo no quintal e eu não quero que nada aconteça com ela, hein? não tem perigo dela se intoxicar? porque se a NOSSA lebre morrer, eu cancelo o serviço com vocês no mesmo minuto! Os caras garantiram que o produto que eles vão usar não vai fazer mal nenhum à NOSSA lebrezinha. Ufaaa!
Pelo menos uma vez por semana, lá vou eu para minhas garimpagens. Nem sempre encontro coisas legais e às vezes saio da lojinha de mãos vazias, o que não me deixa feliz pois eu quero muito ajudar os animais. Todo o lucro dessa lojinha de segunda mão vai para o abrigo dos animais que o SPCA mantém em Woodland. Eu estive naquele abrigo uma vez, quando deu um forrobodó com o senhor Misty. Fiquei arrasada e quis ajudar de alguma maneira. Minha contribuição é comprando coisas e doando o troco. Eu gasto bastante lá e muitas vezes saio com preciosidades como estas—bules para chá ingleses da década de cinquenta da Swan Brand, uma empresa que não existe mais. Os bules não devem ter muito valor monetário, mas são uma graça, feitos de aluminio cromado e decorados com desenhos em relevo.
Meu marido pode ser considerado um obstinado Sir Lancelot em busca do Santo Graal quando se trata de encontrar a pizza perfeita, ou a melhor pizza de Sacramento. Há anos ele busca por esse tesouro escondido em alguma esquina de algum bairro da capital do estado da Califórnia. Já fomos à muitas pizzarias na cidade, sempre na esperança de que ali iremos comer a melhor pizza, mas nunca realizamos tal façanha. De qualquer maneira, meu darling Lancelot não desiste nunca e no potluck dos blogueiros de Sacramento ele não perdeu a chance de fazer o seu invariável questionamento: onde comer a melhor pizza? Uma das garotas do Sac Foodies indicou uma pizzaria chamada Luigi's.
No domingo, fui fazer um exame em Sacramento na hora do almoço e quando saimos da clinica, resolvemos ir checar a tal pizzaria. Eu sabia que ele não iria sossegar enquanto não fosse até lá verificar se a pizza estava à altura da recomedação de uma foodie.
O Luigi's Pizza Parlor fica numa esquina num bairro bem desprivilegiado da cidade. É um lugar pequeno, que serve pizza sem muita frescura desde a década de cinquenta. Pedimos uma meio queijo, meio linguiça portuguesa e sentamos numa das mesas simples do lugar, ansiosos pela experiência. As opções de bebida eram refrigerante ou cerveja. Algumas pessoas estavam lá só bebendo cerveja. O menu incluia também alguns tipos de pasta e sanduiches. O Uriel ficou um pouco decepcionado logo que viu que o forno não era a lenha. Mas eu me animei quando vi dois senhores abrindo a massa e preparando as pizzas com esmero. Eu estava sem poder comer desde manhã e já tinha visões de bolinhas flutuantes quando a pizza finalmente chegou na nossa mesa. Veredito: não é a melhor pizza de Sacramento! A massa estava ótima, fininha, bem seca e crocante. O molho não era dos piores, mas também não se sobressaiu. O problema maior foi a escolha de adicionar linguiça portuguesa, que realmente foi uma mancada nossa—ou melhor, minha, pois fui a autora da idéia, talvez neblinada pela fome. Comemos, mas não tivemos uma epifania na primeira mordida. Foi uma experiência mais uma vez ordinária.
Notamos uma clientela bem eclética na pizzaria. Na mesa ao lado da nossa sentaram-se três meninas negras, vestidas iguais e falando sem parar no celular. Não pude deixar de notar uma delas, que era extremamente bonita e poderia ser uma modelo, se tivesse a chance. Elas riam muito e falavam o tempo todo. Mas o lugar tinha muito barulho, produzido por uma tevê gigantesca onde passava notícias de esportes e por uma jukebox onde tocava sucessos da Motown. Não estava dando pra ouvir o que as meninas falavam, mas uma delas se virava toda hora e dizia pra nós—I apologize! [eu peço desculpas] Eu estava boiando total, fiquei pensando será que estou encarando muito, porque às vezes eu encaro sem perceber, ainda mais que fiquei realmente encantada com a beleza de uma delas. Mas não tinha nada a ver comigo, pois no final uma delas disse—I apologize! Is too much cursing for you? [é muito palavrão pra vocês?] Eu respondi sorrindo que não era problema algum, pois nem estávamos prestando atenção. Embora eu não tenha realmente notado nenhuma linguagem chula que elas provavelmente estavam usando na conversa, não pude deixar de notar uma coisa chocante que uma delas fez. Além de salpicar a fatia de pizza com aquele queijo ralado vagaba que é muito comum nas pizzarias daqui, esbugalhei meus olhos abismada quando vi ela espremer um tantão de maionese no prato e depois molhar a pizza ali e nhack! Foi a minha vez de &%$#@*@$%!!
Finalmente consegui fotografar a meliante invasora! A lebrezinha que está morando no meu quintal. Ontem ela estava impossível, saracotiando e correndo pra lá e prá cá aos pinotes, até que chegou relativamente perto da porta e eu consegui fazer esses cliques. Nós achamos que ela já cresceu um pouquinho. Mas vejam as orelhonas transparentes, as patinhas pernalongas e o rabinho de pom-pom, fora os olhinhos tão meiguinhos. Apesar dela ser considerada uma praguinha, me amolece totalmente o coração a visão desse bichinho tão fofinho, que com certeza deve ter se perdido da mãe.
Aprendi a fazer essa salada com o macarrão de feijão—bean thread noodle—há muitos anos. Só não lembro onde, nem quando. Nessas horas é que se vê a importância de se manter um blog, com tudo registrado e arquivado.
Esse é um prato ótimo para dias quentes, mas nada impede que se faça também em dias frios. Eu prefiro saborear essa salada bem fria, então gosto de fazer com antecedência.
Colocar o macarrão de feijão na água fervente, para amolecê-lo. Esse macarrãozinho não precisa ser cozido, só amolecido. Ele é branco e fica bem transparente, como o macarrão de arroz. Quando o macarrão já estiver molinho, junte à água quente onde ele está imerso, um punhado de brotos de feijão—moyashi. Isso é para o moyashi ficar levemente cozido, sem perder a crocância. Escorra o macarrão e o moyashi, coloque numa saladeira, junte bastante deep fried tofu picado em cubinhos e bastante coentro fresco. Tempere com molho de soja—shoyo, azeite e pingos de óleo de gergelim. Misturar bem, o molho de soja vai fazer o macarrão ficar mais escuro. Deixe esfriar ou coloque para gelar, e sirva.
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Fotografia pra mim não é hobby, é simplesmente vida. Influenciada pelo meu pai, sempre tive fascinação por essa mídia. E ele foi meu guru, que me mostrou o caminho, quase sempre pelo exemplo. A vida toda vi meu pai fotografando. Também fui objeto da mira das suas câmeras. Meu pai passou toda a vida clicando muitas fotos, da minha mãe—sua musa e modelo favorita, dos filhos, das pessoas, das paisagens, das coisas. Meu pai sempre teve um laboratório fotográfico no fundo da casa. Hoje ele está desmontado, mas durante a minha infância, eu via ele entrar naquele quartinho para ficar horas lá dentro e emergir cheirando aos produtos químicos que usava para fazer seus experimentos com revelação. Entrar naquele quartinho, para ficar olhando todas as fotos e também desenhos e pinturas que ele fazia lá dentro, era o ponto máximo da felicidade pra mim. Eu entrava quando ele permitia, o que não era muito frequente. E entrava sorrateiramente, roubando a chave, quando ele não estava. Quando eu entrava lá sozinha e podia mexer em TUDO—tomando o devido cuidado de não deixar rastros da minha presença, me dava até cólicas de borboletas, pois estar lá era uma delicia, olhar as fotos que estavam secando no varal, os negativos pendurados, as fotos empilhadas, fotos que eu não tinha nem visto ele tirar, coisas diferentes, bacanas, artisticas. Entrar no laboratório do meu pai foi meu prazer proibido por muitos anos.
Um dia, já adolescente, ele me sentou no sofá, talvez percebendo o meu interesse anormal pela fotografia e disse—se você quer tirar fotos, tem que aprender o básico. E me ensinou a teoria sobre abertura, luz, velocidade, lentes, eteceterá. Eu esqueci tudo, obviamente, mas nunca esqueci da alegria que senti tendo meu pai ali, dividindo um pouco da paixão dele comigo.
Eu não lembro exatamente quando comecei a fotografar, mas foi com aquelas câmeras vagabas da Kodak. Depois ganhei uma câmera boa, e depois outra. Todas foram presentes do meu pai. Agora com as digitais, o céu é o limite para a nossa habilidade e criatividade. Meu pai já não fotografa mais, mas ele me elogia e me critica. Outro dia me deu uma bronca pelo telefone—você tira umas fotos muito próximas do objeto, a gente não consegue nem identificar o que é que você está querendo mostrar! Critica anotada, estou sempre querendo melhorar, afinal essa é a meta para tudo na vida, não é mesmo?
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Esses oleos são, sem sombra de dúvida, o fino da bossa! Produzidos em Woodland, minha cidade vizinha, eles são feitos com os melhores ingredientes, já que esta região onde estamos está abarrotada de pomares de amêndoas, nozes, pistachos. Da linha de óleos do La Tourangelle eu tenho o de avelãs, o de abacate e o de nozes, que na minha opinião é o melhor—com aroma e sabor contagiantes. Minha próxima aquisição será o de pistacho.
Usar esses óleos não requer grande esforço. Qualquer saladinha vira superstar com um molhinho preparado com eles. O de nozes fica ótimo com beterraba ou abóbora assada, o de abacate ficou delightful na abobrinha cortada em fatias fininhas e misturado com limão e flor de sal. O de avelãs também deixou a abobrinha fazer bonito outro dia. Ficam bons com tomate, feijões, rabanetes, brócolis. Na verdade, o céu é o limite para o que se pode fazer com esses magnificos óleos. E eu quero ir testando todas as possibilidades.
Com esse sorvete eu provei que é possível fazer uma coisa assim, gostosa e simples, até naqueles dias em que a sua cabeça está completamente nublada e você acha que não vai conseguir nem mesmo cortar um tomate ou fazer um café com leite.
Duas bananas, um pouco de mel—porque essa fruta já é bem doce, 1 xícara de creme de leite fresco, 1/2 xícara de leite integral. Bater tudo no liquidificador. Juntar um punhado de pecans torradas na frigideira ou forno. Deixe as pecans esfriar bem e quebre-as com as mãos. Junte ao creme de banana. Coloque tudo na sorveteira.
Usei as pecans, porque já tinha feito o sorvete de banana antes e queria mudar um pouco. As pecans torradas ficam muito mais aromaticas que as cruas e combinam muito bem com a banana.
As minhas mais remotas lembranças dos jantares de sábado sempre me remetem para a pizza. Raramente tínhamos um menu diferente neste dia. A presença da pizza era absoluta, sempre de mozarela e aliche/anchova. A empregada deixava a massa pronta, semi-assada. Minha mãe preparava rapidinho um molho simples com alho, tomates e orégano. Meu pai gostava da pizza com aliche e sempre dizia—pizza tem que ser de mozarela e aliche! Foi assim que eu cresci, comendo pizza todo sábado. E quando casei, trouxe essa tradição comigo. Portanto, a pizza continua a estrela dos sábados à noite na minha casa. Durante todos esses anos tentei replicar a pizza da minha mãe, às vezes com sucesso, outras vezes não. Já fiz pizzas ótimas, já fiz pizzas meia-boca. Tentei todo tipo de massa, variei aqui e ali no molho, saí um pouco dos parâmetros estabelecidos pelo meu pai, inovando nas coberturas. Também já comprei muita pizza pronta nos dias de preguiça e meu veredito nesses anos todos, especialmente com relação à pizza norte-americana, é que não existe pizza melhor que aquela da minha infância.
Uma boa receita de massa de pizza que sempre dá certo, é essa da Heleninha Kostyra que a Paula também fez e gostou.
O meu molho é bem básico, mas fica sempre muito bom. Refogue alho picadinho a gosto em bastante azeite. Junte tomates frescos picados, ou molho de tomate feito com tomates cozidos, ou tomate em lata picado—esse item pode ser adaptado conforme a estação. Eu não me incomodo do molho ter pele e sementes, mas se você se incomodar é só passar tudo na peneira ou no food mill antes de refogar. Junte orégano fresco ou seco, sal e pimenta do reino moída a gosto, deixe engrossar por uns minutos e então use, espalhando sobre a massa que foi pré-assada, uns dez minutos no forno, só pra ela firmar—eu acho que isso ajuda na crocância final. Depois monte a pizza, com bastante mozarela e a cobertura que quiser. A minha é sempre azeitonas pretas e quando é temporada, rodelas de tomates frescos e orgânicos.
Ela aparece no meu quintal nessa época do ano. Abre essa flor, que dura apenas um dia. No dia seguinte ela murcha e fecha, dai a flor seca e bye-bye. Ela é muito bonita, mas não é flor de vaso, porque tem uma vida curtíssima. Não sei que flor é essa. Se alguém souber, apite-me!
*atualização: obrigada à todos pelas dicas e especialmente à Regina. a flor é a Dietes iridioides, da família Iridaceae—também chamada de African iris, Cape iris, Fortnight lily, Morea iris, Wild iris.
Quero aproveitar ao máximo a curta temporada dos damascos e fazer pelo menos uma tortazinha legal com eles. Achei essa receita usando o mecanismo de busca dos blogs de culinária, que é realmente uma mão na roda. Achei tudo ótimo, gostei da massa com amêndoas e do creme caramelizado. Planejei fazer essa torta por mais de uma semana e finalmente concretizei meus planos no sábado à tarde. Gostamos muitíssimo do resultado. Eu decidi fazer em forminhas individuais, para ficar mais fácil o consumo. Deu seis tortinhas.
Apricot Tart Brulee
Faça a massa:
1-1/4 xícaras de farinha de trigo
1/2 xícara de amêndoas sem pele e torradas, moídas bem fininho
3 colheres de sopa de açúcar
1/2 tcolher chá de sal
1/2 xícara ou 1 tablete de 113gr de mantega sem sal gelada
1 gema de ovo
1 colher de chá de baunilha
3 colheres de sopa de creme de leite fresco
Misture a farinha, as amêndoas moídas, o açúcar e o sal numa vasilha. Acrescente a manteiga gelada cortada em cubinhos e misture tudo com os dedos, até formar uma farofa. Não amasse! Num outro recipiente bata a gema do ovo e acrescente a baunilha e o creme de leite. Faça um buraco na mistura de farinha, jogue lá a mistura de ovo e creme e misture bem com um garfo, depois amasse bem com as mãos até formar uma bola. Enrole em plástico e coloque na geladeira por 30 minutos.
Pré-aqueça o forno em 375ºF/200ºC. Abra a massa com um rolo e forre uma forma grande ou forminhas pequenas, como quiser. Coloque as formas na geladeira por mais 30 minutos, ou faça um shortcut no congelador, como eu fiz. Apenas 10 minutos. Coloque a massa para assar por uns 15 minutos, ou até ela ficar um pouco firme e levemente dourada. Retire do forno. Reduza a temperatura do forno para 350ºF/176ºC.
Faça o creme:
1 xícara de creme de leite fresco
1 colher de chá de baunilha
2 ovos ligeiramente batidos
1/4 xícara de açúcar
Misture todos os ingredientes muito bem, batendo com um batedor de arame.
Corte uns 8 damascos em fatias e arrange sobre as forminhas. Jogue o creme por cima dos damascos, salpique com pedacinhos de manteiga e açúcar. Coloque no forno e asse por uns 30 minutos, ou até o creme ficar firme. Coloque no broiler por 5 minutos somente para caramelizar o açúcar. Remova do forno e deixe esfriar bem antes de servir.
Essa é a minha versão funky do famoso sorvete de menta com chocolate chips, que foi um sabor muito popular nos anos 80 e era um dos meus favoritos na época. Não por causa do chocolate, mas sim por causa da menta. Adoro essa erva. E como tenho uma abundância de uma variedade de menta muito interessante na minha horta, decidi arriscar replicar o famoso mint chocolate chip ice cream. Só que a minha versão é um pouquinho diferente, pois não usei chocolate chips, mas sim os cacao nibs. Esses são o cacau na sua forma mais pura e apesar de terem um sabor intenso quando mastigados, os cacao nibs não interferem no sabor do sorvete, que fica completamente mentolado. Muito bom!
Bati um punhado de folhas de menta chocolate no liquidificador com 1/2 xícara de leite integral e deixei descansar por uma hora. Depois coei, ficou um leite esverdeado. Eu deixei um pouquinho das folhas da menta moída no leite, mas isso não é necessário. Misturei ao leite mentolado 1 xícara de creme de leite fresco, adocei com mel a gosto e coloquei os cacao nibs—não coloque muito! Coloquei o liquido na sorveteira e voilá!
Em todos os meus sorvetes cremosos eu uso leite integral e creme de leite orgânico da Straus Family Creamery. Acho que a qualidade desses ingredientes refletem na qualidade do produto final, que fica sem sombra de dúvidas o fino da bossa. Pisc!
Essa é a menta chocolate, que eu plantei na minha horta há uns cinco anos e renasce todo ano na primavera, tomando conta praticamente de todo o canteiro quando chega o verão. Ela é uma menta com um sabor bem forte e picante, mas não tem gosto nenhum de chocolate.
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Essa foi a primeira vez que comprei e preparei os cogumelos morel. Eles são bem caros, mas eu achei que valeram cada centavo. O cogumelo morel é da mesma família da trufa. Comprei frescos na banquinha do japonês gentil, que vende cogumelos orgânicos e selvagens no Farmers Market. Lavei rapidamente os morel em água corrente para limpá-los da terra que às vezes se acomoda nas ranhuras e fiz uma receita bem simples. Fritei filezinhos de frango caipira previamente temperados com sal e sumo de limão na manteiga, dourei bem e acrescentei os cogumelos, que foram refogados ligeiramente na mesma manteiga. Usei uma manteiga de boa qualidade e sem sal. Salguei a gosto com sal marinho grosso. O sabor desse cogumelo é excepcional e intrigante. Fiquei tentando decifrar que gostinho levemente adocicado e picante era aquele, e cheguei a conclusão de que era um sabor de anis!
Maracujá, aqui não há. Mas a polpa congelada pode ser encontrada no mercadinho internacional, e há uns meses eu comprei dois pacotes porque precisava ter essa opção. E outro dia bateu a inspiração—sorvete! Por que não?
Fiz a receita básica: 1 xícara de creme de leite fresco, 1/2 xícara de leite integral. Bati levemente no liquidificador com um punhado de cerejas, mel a gosto e 1 xícara da polpa do maracujá, que eu descongelei e ficou bem liquida. Por ter acrescentado uma quantidade grande de liquido à mistura básica, onde geralmente vai somente a fruta, resolvi aplicar um truque que aprendi com a Elise: coloquei duas colheres de sopa de vodka na mistura e coloquei na sorveteira. O álcool ajuda a manter a cremosidade do sorvete, e esse vai ficar bem sedoso quando finalizado e depois de passar horas, ou mesmo dias, no congelador, vai se firmar numa textura bem macia. O resultado desse sorvete ficou excepcional. Forte, realmente passional como é a caracteristica do maracujá, com o toque delicado da cereja.
Realmente, dá uma baita raiva quando você vê um buraco perfeito, como se aquele pezinho de manjerona tivesse sido sugado por uma micro-nave espacial. Na verdade, a ervazinha plantada por você com carinho e antecipação foi arrancada pelas patinhas habilidosas de um gopher ou esquilo. Outros danos são causados por outros roedores, que aparecem sem serem convidados e se instalam na sua propriedade. Agora o meu quintal é a foster home de uma lebrezinha de uma fofurice que até dói o coração. Ela é super minúscula, com um par de orelhonas e olhinhos meigos e doces, deve ter se perdido da mãe. Quando vou ao quintal ouço o barulhinho dela correndo, se escondendo. Às vezes vejo um pequeno vulto, passando rápido como um raio. Outras vezes vejo ela direitinho quando estou na janela, do lado de dentro da casa, e ela não está vendo que eu estou vendo. É uma lindeza de criatura, mas estou de olho, pois não quero que ela faça estragos na minha horta. Morar no quintal tudo bem, mas há regras, como os nossos inquilinos bem sabem.
Minha amiga Alison está tendo problemas muitos piores que o meu, pois a horta dela é muito maior e ela mora numa área rural. O que fazer? Não sabemos. Pra mim só resta vigiar e me descabelar no caso de alguma perda. Ela busca por alternativas. Outros já encontraram e decidiram pegar em armas. Mas pra mim, isso não é, nem nunca será uma opção.
Receita perfeita para aquele dia em que você quer fazer um jantar bacana em tempo recorde e tem a sorte de ter uns quatro filézinhos do frango feliz disponíveis na icebox. Tempere os filés como quiser, ou com sal grosso e suco de limão e corte em micro-cubinhos. Numa panela, coloque azeite e refogue os pedacinhos de frango, até eles ficarem dourados. Enquanto isso meça 2 xícaras de couscous. Coloque 2 xícaras de caldo de legumes, mais 2 xícaras de água numa panela. Jogue lá também um punhado de ervilhas congeladas e coloque no fogo para ferver. Nesse ponto o frango já deve estar dourado, desligue o fogo, acrescente uma colher de chá de curry, um punhado de pistachos torrados e descascados, outro punhado de gengibre cristalizado cortado em micro-pedacinhos, as xícaras de couscous e mexa bem para incorporar. Salgue a gosto. Quando o caldo com as ervilhas estiver borbulhante, jogue no refogado de frango com o couscous. Mexa rapidamente, tampe e deixe descansar por uns 10 minutos. Remexa com um garfo para deixar o couscous soltinho. Sirva quente, morno ou frio. Essa receita serve muito bem quatro pessoas. Ou duas, com muitas sobras para o dia seguinte.
Meu marido acha que eu exagero nas minhas criticas, mas eu detesto o Zen Toro. Ele é um restaurante japonês pseudo-modernex, que veio para Davis nesses esquemas massificantes de franchising. Está instalado num espaço minúsculo em downtown e quem vai almoçar ou jantar lá sai sempre fedendo a fritura da cabeça aos pés. Mas eu não desgosto de lá somente por isso. Também acho a comida pretensiosa e o serviço uma porcaria. Tá certo que numa cidade universitária, onde noventa e nove por cento dos atendentes dos restaurantes são estudantes, não se pode esperar o melhor serviço do mundo. Mas no Zen Toro eu tive um dos piores, com o agravante que de lá sempre se sai com cabelo, pele e roupa empesteados numa fedentina de óleo de fritura.
Meu chefe veio me ajudar num projeto que realmente eu não precisava de ajuda. Quando ele sentou-se ao meu lado, senti na hora que ele tinha almoçado em algum lugar catinguento, daqueles onde frituras abundam. Depois de me dar uma mão desnecessária ele entabulou num convercê e então confidenciou que ele e a esposa tinham ido almoçar num lugar diferente. E eu—ah é, onde? Nem fiquei surpresa quando ele respondeu—no Zen Toro.
É a mesma receita de anos atrás e não tem segredo. Você só vai precisar de tomates orgânicos e madurinhos. Nunca guarde tomates na geladeira—vale a pena repetir a dica, pois refrigerados eles perdem o seu delicioso sabor. Corte os tomates ao meio, remova as sementes, deixe escorrer bem. Eu faço tudo numa panela só, neste caso uma frigideira que pode ir ao forno. Unte a frigideira com azeite, coloque os tomates com a borda para baixo na frigideira e frite no fogo médio por uns minutos, até a borda ficar levemente douradinha. Vire os tomates e recheie com uma farofa resultado da mistura de pão torrado moído no processador, sal grosso, um dente de alho, ervas secas de provence e bastante salsinha fresca [eu usei cibouletes/chives]. Recheados, os tomates vão ao forno alto por uns 15 minutos ou até a farofa ficar dourada e crocante. Sirva quente ou frio.
The kohlrabi from Jupiter—tá certo que eu gosto desse legume, mas toda semana tem chegado pelo menos dois assim, gigantescos, monstruosos, verdolentos ou arroxeados. Haja imaginação para usar esse ingrediente interplanetário. Já fiz dois deles cortados julienne e assados, como fritas de forno. Também já fiz purê, que fica muito bom. Os kohlrabis quando cozidos ficam com um sabor incrivelmente suave e adocicado.
Começou a temporada das abobrinhas e essa época é sempre um desafio pra mim, que preciso bolar mil maneiras diferentes de usar as inúmeras variedades que recebo. Para essa salada, usei a patty pan squash, que parece um mini-disco voador chegado de Marte. Fiz fatias bem finas no mandoline e depois temperei com um óleo de avelãs, vinagre de champagne, flor de sal, pimenta do reino e folhinhas frescas de lemon verbena. Essa erva é muito interessante, aveludada e com um perfume de limão, deu um toque especial à essa salada.
Inspirada nesta receita da Elise cozinhei esse maço de aspargos no vapor até o ponto em que eles ficaram molinhos, mas ainda com uma leve crocância. Depois temperei com sal marinho grosso, raspas e suco de um limão amarelo, bastante azeite extra virgem e queijo parmesão ralado na hora.
Dois anos depois daquele primeiro potluck dos food blogs de Sacramento organizado pelo querido Garrett, quando nos encontramos pela primeira vez, tivemos outro evento similar. Nesses dois anos, fizemos muita coisa bacana juntos, como a aula de egg whites em Berkeley, jantar no hidden kitchen, visitas à vinícolas orgânicas e uma experiência com chocolate tasting. Eu adoro fazer parte desse grupo de pessoas tão diferentes, com uma paixão em comum.
Desta vez o potluck foi organizado conjuntamente pela Elise e Garrett. Num domingo com um clima perfeito, nem quente nem frio, muitos blogueiros de Sacramento e região baixaram na casa da Elise para um almoço com bastante bate-papo. Cheguei lá com um panelão de bacalhoada e reencontrei conhecidos e amigos e conheci pessoas novas. Quando eu cheguei, os blogueiros já estavam fazendo o que todo blogueiro de culinária faz, fotografando as comidas. Eu fui correndo fazer o mesmo, afinal, não podia perder a oportunidade de registrar o evento. Mesmo assim não fotografei tudo, pois começamos a comer e alguns convivas chegaram mais tarde e naquela altura eu já tinha esquecido da câmera e me concentrado só na comilança.
Não vou poder listar todos que estavam lá, porque eu não consegui conversar com alguns. Mas adorei conhecer a Debby e sua filha Megan, que fazem o blog Everything on a Waffle. Elas trouxeram as batatinhas recheadas, uns palitos de chocolate ajeitados lindamente em latinhas e a Megan, que só tem doze anos, preparou uma sobremesa de cereja deliciosa! Também gostei de conhecer o Nick, que bloga daqui de Davis e escreve sobre peanut butter no Peanut Butter Boy. Ele trouxe uns bolinhos de carne que foram servidos com um molhinho de peanut butter, of course! Também adorei rever o Hank e conhecer a sua companheira Holly. Eles trouxeram três tipos de patos selvagens, umas linguiças de porco selvagem e carne defumada de antílope, tudo caçado por eles e preparado na churrasqueira pelo Hank. Eu só provei a linguiça, pois acho essas carnes um pouco fortes pro meu gosto. Mas quem comeu o pato e o antílope só elogiou. A Elise serviu uma strawberry rhubarb terrine que me fez pirar na batatinha. Acho que devorei uns cinco pratos, sem brincadeira! O Garrett arrasou Paris em chamas com o seu chipotle flourless chocolate cake. A Andrea trouxe uns aspargos com prosciutto que também fizeram sucesso. Adorei rever os amigos, conhecer gente nova e passar a tarde num convercê divertido. O quintal da Elise, deixa eu contar, é enorme e praticamente um pomar. Fizemos uma tour pelas árvores—maças, limão, laranjas, mexirica, grapefruit, kiwi, romã, figo, ameixas, amora, nozes, damasco, pêssego, nectarina— é uma coisa impressionante, tudo muito bem cuidado.
Todo mundo perguntou sobre o meu prato e eu expliquei detalhes e tals. Usei bacalhau canadense, mas as batatas e as cebolas eram orgânicas, os ovos da Felizberta, azeitonas gregas maravilhosas e foi tudo regado com muito azeite português. Uma das meninas do Sac Foodies deu uma garfada na bacalhoada e exclamou—essa era a comida que minha avó fazia! A avó dela é uma portuguesa da Ilha de Madeira emigrada na Califórnia. Estávamos em casa.
Mais uma vez fui lá eu ensinar a malta a fazer moqueca. No ano passado tivemos um evento chamado Dia do Brasil, quando dei a aulinha, num dia cheio de mil atividades que culminou com eu perdendo inexplicavelmente todas as fotos.
Desta vez o evento foi o Festival Latinoamericano que ocorre uma vez por ano e a nossa associação brasileira Brazil in Davis participa. É um evento beneficiente, onde arrecadamos dinheiro para fazer doções para entidades assistenciais que trabalhem com crianças carentes em cada país respectivo. Sempre participam o Brasil, o Chile, a Argentina, a Colômbia, a Venezuela, o Peru e neste ano Cuba também juntou-se ao grupo. O evento deste ano copiou o esquema que fizemos no Dia do Brasil e então a venue foi um pouco diferente, mas teve comidas típicas, além de palestras, shows de música e dança, exposição de arte, atividades para as criancas, open mic, aulas de dança e aula de culinária, onde eu participei com a infalível receita de moqueca da minha amiga Paula.
Eu uso a receita que a Elise adaptou para o inglês, com medidas mais exatas. Sempre, sempre, essa receita dá certo e faz um sucesso danado. Desta vez não foi diferente. O único problema nisso tudo sou eu mesma, com minha timidez horrorosa e meu temor de falar em público. Apesar do meu descabelamento, ensuvacamento e mal ajambramento pessoal, deu tudo certo. Levei tudo organizadíssimo, pois já tinha a experiência anterior pra me basear. As outras aulas que vi—de uma venezuelana e de uma colombiana, estavam extremamente desorganizadas. Elas não levaram nada e ficavam procurando os utensílios e ingredientes nos armários da pequena cozinha da International House durante a aula. Bocejo! A venezuelana entrou no meu horário e eu comecei minha aula com quinze minutos de atraso por causa dela. Mas eu estava o fino da organização, levei tudo que precisava e não me atrapalhei. Ofereci a receita impressa, com um pouco da história da moqueca baiana e capixaba também. Os atendentes curtiram. A cozinha da IHouse é pequena, então cabem lá umas quinze pessoas. Mas na hora de servir uma amostra da moqueca pronta, que eu levei montada e ficou cozinhando enquanto eu fazia outra na frente das pessoas, não parava de chegar gente para pegar um potinho. Servi a panela inteira. Teve gente que veio pedir mais um pouco e quando acabou o peixe, me pediram o caldinho! O panelão de sete litros que preparei durante a aula foi vendido em porções na nossa barraquinha de comida brasileira. Não sobrou uma lasca. Sucesso absoluto!
