le calendrier gastronomique pour l'année 1867
les 365 menus du baron Brisse
un menu par jour
Eu e a Maryanne marcamos de nos encontrar no The Cheeseboard Collective, que é um dos pontos gastronômicos mais famosos de Berkeley. O Cheeseboard é uma cooperativa onde todos que trabalham lá são sócios proprietários, têm o mesmo salário e dividem os lucros. Essa loja de queijos foi uma das primeiras a se estabelecer naquela região, onde está também o Chez Panisse, e que hoje é conhecida como o Gourmet Ghetto de Berkeley.
O bacana do Cheeseboard é o ambiente descontraído e a maneira como você é atendido. Você chega e pega uma carta de baralho—a nossa foi o Jack of Hearts. Quando nossa carta foi chamada, nos aproximamos do balcão onde poderiamos pedir qualquer tipo de aconselhamento ou provar qualquer um dos 88653322098 mil queijos que eles vendem por lá. Você pode provar duzentos queijos e comprar apenas dois, ou se quiser pode provar trezentos queijos e não comprar nenhum. O duro é conseguir provar e não comprar, porque os queijos são deliciosos.
Eu não tinha nenhuma festa de queijo planejada, nem queria nenhum conselho. Também não sabia que queijo eu queria experimentar, porque minha visão libriana se embaraça e fica nebulosa quando há muitas opções no horizonte. Felizmente eu pensei rápido e lasquei o pedido—quero provar um queijo da Califórnia. A minha atendente então cortou fatias finérrimas de um queijo cremoso de cabra do outro mundo chamado Humboldt Fog. Comprei um pedaço. Depois ela me ofereceu o Roth's Private Reserve, um queijo de Winsconsin, que segundo ela era ótimo. E era mesmo. Um estilo alpino artesanal premiado, feito com leite de vaca cru, muito interessante. Comprei outro pedaço. Também experimentamos um pecorino italiano com uma crosta de ervas e eu comprei um pedaço do Prima Donna, um Gouda muito delicado.
O Cheeseboard também tem uma padaria e vende pães fresquinhos, mas nós não compramos nenhum. Ao lado do Cheeseboard fica a pizzaria da cooperativa, também muito famosa pelo menu que oferece apenas um tipo de pizza por dia e que mesmo assim faz filas enormes na porta.
Esses potinhos são tão fofos e fotogênicos que mereceram figurar num post sem comida, somente eles, mostrando como são lindos, por dentro e por fora.
Passei a tarde de sábado em Berkeley com minha amiga Maryanne e entre os muitos bate-papos e bate-pernas almoçamos no Café Fanny da Alice Waters. O café, que tem o mesmo nome da heroína de Marcel Pagnol e que também é o nome da filha da Alice Waters, é um lugar bem pequeno, que serve basicamente café da manhã europeu—com café au lait servido no bowl—e lanches leves, com sopas, sanduiches e saladas. A idéia de Alice era oferecer aos comensais um lugarzinho agradável sem as complicações de um restaurante, para as pessoas sentarem no páteo e tomarem café ou uma taça de vinho. O Café Fanny não tem cozinha, tudo é preparado no balcão. O serviço é rápido, escolha, pague e leve. O lugar está muito bem localizado numa esquina entre a famosa padaria Acme Bread Co., que tem uma fila constante na porta da sua micro-loja, e uma loja de vinho. Todos os produtos do menu do Café Fanny segue a linha da ideologia da Alice Waters—são locais, de fazendas e sítios que praticam agricultura sustentável e ecológica. Eu comi um sanduíche levíssimo feito com pain de mie do Acme, queijo raclete e tapenade. Pedi também uma salada de verdes, simples e perfeita. A Maryanne pediu a clássica salada de queijo da cabra assado, que vem com duas torradas lindas e enormes feitas com o pão levain do Acme. Nossa opção de bebida foi uma limonada fresquíssima, que estava do jeitinho que eu gosto, bem limãozuda e sem muito açúcar.
Esse bolinho de milho super caseiro é uma receita da Fer, a querida Dadivosa, que estava guardada há tempos, esperando seu dia de brilhar na passarela dos bolinhos singelos com gosto de roça. Segui as explicações da receita dadas pela Fer à risca, só mudei o tipo de forma, pois achei que bolinhos em formato pequeno iriam ser mais fáceis de levar
na lancheira. Eles ficaram muito fofinhos e simplesmente deliciosos!
1 xícara de milho verde
100g de manteiga sem sal
1 xícara de açúcar
2 ovos
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher sopa de fermento em pó
1/4 xícara de iogurte natural
Unte uma forma de buraco no meio e reserve. Pré-aqueça o forno em temperatura média. Bata o milho no liquidificador até virar uma pasta. Bata bem o açúcar com a manteiga ou margarina até formar um creme claro e fofo. Adicione os ovos, um a um, mexendo sempre. Junte o milho batido e misture, depois o trigo e misture mais um pouco, o fermento e por último o iogurte. A massa não fica muito líquida. Despeje a massa com cuidado na forma e leve ao forno médio até que, enfiando um palito no centro do bolo, ele saia limpinho. Espere esfriar e desenforme.
Eu estava com uma idéia fixa de usar umas azeitonas verdes provençais bem pequenas, numa receita com frango. Nem fui procurar nada, fiz da minha cabeça mesmo. Ficou surpreendentemente ótimo!
Um filé de frango caipira cortado em tiras
1/4 de cebola cortada em tiras
Azeite
Um punhado de azeitonas verdes
1/2 xícara de vinho branco
1/4 xícara de água ou caldo de galinha
Estragão seco e sal a gosto
Refogue as tiras de cebola num pouco de azeite. Quando as cebolas estiverem molinhas, adicione o frango e refogue até dourar. Junte as azeitonas e refogue por um minuto. Junte o vinho branco e a água [ou caldo, se preferir]. Acrescente o estragão seco e o sal, baixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar até o caldo engrossar.
Eu servi esse frango com azeitonas sobre um couscous básico—colocar 1 xícara de couscous salpicado com sal a gosto e um fio de azeite numa vasilha com tampa, juntar 1 1/2 xicara de água fervendo. Tampar e deixar descansar por uns 5, 10 minutos, afofar com um garfo e servir.
Ele chegou da fazenda bem de madrugada. Pela manhã quando fui tomar meu café encontrei um sacão cheio de pistachos crus em cima da pia e ao lado um bilhete—aproveite para fotografar! Então eu fiz. Os pistachos também têm uma casca externa molinha, além da casca durinha que protege o fruto e que já conhecemos. Processar o pistacho dá um trabalho, eu já fiz e não gostei do resultado. Primeiro tem que ferver, remover todas as cascas externas, depois torrá-los na medida certa, que eu não consegui fazer. Uma parte queimou e outra ficou borrachuda. Melhor comprar o pistacho torrado na loja. E usar esses crus mesmos, porque eles são bem comíveis.
Na cartinha do final do verão já fomos avisados que por uma eventualidade agrícola estaríamos lidando com uma avalanche de abóboras neste outono. O pessoal da fazenda aconselhou que nos preparássemos bem para enfrentar essa súbita invasão cor de laranja, com muitas receitas criativas porque abóboras abundariam dali pra frente. Dito e feito. Já tenho uma coleção de variedades de abóboras na minha cozinha, com diferentes cores, formatos e sabores. E agora? Perguntam vocês. Já estou me virando. Respondo eu.
A revista SUNSET trouxe, na edição de outubro, uma seção de receitas com abóbora. Acho que vou testar algumas delas. A primeira foi essa, de gnocchi servido com manteiga e queijo. Ficou bem interessante. As sobras eu servi no dia seguinte com um molho simples de tomate caseiro. Também ficou muito bom.
2 xícaras de abóbora cozida, sem casca e sem sementes
3 a 3 1/2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
1/4 colher chá de noz moscada ralada na hora
1/4 colher chá de pimenta do reino branca moída na hora
3 colheres de sopa de manteiga derretida
1/2 xícara de queijo parmesão ralado—ou pecorino ou asiago
Pimenta moída a gosto
Misture a abóbora com sal, noz moscada e pimenta. Vá acrescentando a farinha até dar o ponto. Enfarinhe bem uma superfície plana e sove a massa umas dez ou doze vezes. Faça rolinhos compridos e corte em pedacinhos com uma faca. Mantenha enfarinhados.
Numa panela com bastante água salgada fervendo, cozinhe os gnocchis por 3 minutos ou até eles subirem à superfície. Remova com uma escumadeira e reserve. Tempere os gnocchis com a manteiga derretida, o queijo ralado e com mais pimenta moída a gosto. Sirva imediatamente.
Eu adoro essa fruta, que é uma daquelas diferentonas e difíceis de comer, porque ela não tem polpa, só sementes. Todo ano eu fico toda entusiasmada quando vejo as romãs chegando junto com o outono. Elas se dão muito bem no clima desta região e são muito usadas como árvores ornamentais na frente das casas. Fica muito bonito, porque as romãs são realmente frutas rainhas, com sua cor e formato elegantes.
Na cozinha eu adoro salpicar as sementinhas nas saladas, ou misturar com couscous ou arroz. O céu é o limite para o uso da romã. E além de usar suas qualidades culinárias, adoro explorar sua fotogênia, em cliques como este da romã da Elise em 2006 e o da romã rainha da cesta orgânica em 2007.
Eu ouso comparar a saga das azeitonas californianas—que está apenas começando—com a do vinho californiano, que se desenvolveu a partir da década de 60 e alcançou um patamar de qualidade e de renome mundial. Isso porque um homem, o empreendedor Robert Mondavi, decidiu que colocaria o estado no mapa da vinicultura mundial. Eu acredito que a Califórnia tem potencial para tornar-se completamente independente também no quesito azeite e boas azeitonas de mesa. Os produtores de azeitona do estado parecem estar decididos a mudar esse panorama triste, das azeitonas enlatadas. Eu tenho comprado azeite californiano e não tenho tido nenhum motivo pra reclamar. Alguns fatos sobre as azeitonas daqui, tirados da revistinha sazonal do departamento de Plant Science, da UC Davis.

As oliveiras são originais da Asia Menor e se espalharam pelo Irã, Síria e Palestina seis mil anos atrás e em seguida pelo resto da região mediterrânea. Há documentação que mostra que as oliveiras foram trazidas da Espanha para o Peru em meados do século 16. No século 18 monges franciscanos levaram as oliveiras para o México e depois rumo ao norte, com o estabeecimento do sistema de missões na Califórnia. O primeiro registro de uma oliveira plantada na Califórnia está datado em 1769, na missão San Diego de Alcala.
Pomares comerciais de oliveiras apareceram no final do século 19, primeiramente nos vales do centro e norte da Califórnia. As azeitonas das primeiras colheitas viraram azeite, mas no inicio do século 20 a indústria deu uma guinada, se concentrando na produção de azeitonas para mesa. O desenvolvimento da tecnologia de enlatamento trouxe mais lucros para a indústria do que a fabricação de azeite. Hoje 90% da produção de azeitonas na Califórnia é para enlatamento, com apenas 10% reservada para fazer azeite.
A Califórnia é o único estado do país com uma produção significante de azeitonas comerciais. Aproximadamente 80% das azeitonas consumidas nos EUA vem da Califórnia. O azeite era quase que totalmente importado, mas devido à demanda do consumidor hoje a produção de azeite californiano aumentou consideravelmente. Há previsão de que o volume da produção de azeite no estado aumente em 500 por cento nos próximos cinco anos—te cuida Espanha e Itália!
A Califórnia produz as seguintes variedades de azeitonas:
Para mesa: Manzanillo, Sevillano, Mission, Ascolano e Barouni.
Para azeite: Arbequina, Arbosana, Koroneiki, Frantoio, Mission, Manzanillo e Leccino.
Uma salada outonal—folhas de rúcula, cubinhos de abóbora assada [butternut squash], fatias de sweet capocollo, e pedacinhos de queijo de cabra. Pra temperar, uma vinagrete feita com suco de laranja, óleo de nozes e flor de sal.
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Melão pele de sapo, uma variedade super doce, que eu cortei em cubinhos e respinguei com suco de limão. Servi salpicado com lascas de amêndoa tostadas. Hm-crok-Hm.
Não é novidade, pois acontece todo ano. Ele mal chegou de uma viagem e já viajou de novo, desta vez pro sul do estado onde a colheita dos pistachos e das azeitonas está a todo vapor. São duas fazendas, com uma hora e meia de distância entre elas, e ele tem que estar nos dois lugares ao mesmo tempo, dirigindo os testes com duas máquinas diferentes. Não é bolinho meus camaradas!
Então ele chegou no domingo de madrugada e passamos o dia juntos, antes dele voltar pra colheita nas fazendas. Ele sugeriu que fossemos almoçar em Winters, naquele café simpático que gostamos muito. Depois ficamos rodando pelas estradas vicinais ao redor, percorrendo o circuito agrícola. São quilômetros e quilômetros de fazendas de nozes, pistachos, castanhas, ameixas, tomates, pêssegos, nectarinas.
Me encantei com as árvores de nozes—as nogueiras, que estavam carregadas de frutos, muitos ainda verdes, outros já rachados e expondo as nozes com suas cascas rugosas. Eu moro no centro da maior produção de nozes e amêndoas do mundo. A Califórnia é responsável por 80% da produção mundial de amêndoas. Mas eu raramente penso nas árvores ou nos frutos. Já conhecia o pistacho, que como as outras castanhas, também crescem dentro de um fruto com polpa verde, que quando se abre mostra a casquinha que protege a noz. Então são três camadas—a polpa externa, a casca e o centro, que é o que interessa e o que comemos.
As nozes e amêndoas têm uma colheita bem interessante. A máquina chacoalha a árvore, os frutos caem no chão e daí outra máquina passa pegando tudo, os frutos e terra misturados. Depois se faz a peneiragem e espera-se uns dias até as casquinhas secarem. Quando as nozes e amêndoas estão maduras, a casca externa racha e abre. É bacana de ver.
E as castanhas portuguesas, conhecidas aqui por chestnuts, são mais lindas ainda, uma bolota espinhosa, perigosa, que fura seus dedos mesmo com luvas. E lá dentro a castanha tão linda, lustrosa, macia e doce! Foi irresistível pegar algumas, a maioria caida e espalhada pelo chão do pomar.
Rodamos os pomares de nozes, amêndoas e castanhas até o final da tarde. Terminamos o passeio visitando uma das estações experimentais da UC Davis, a que tem muitas das oliveiras centenárias que produzem uma das três variedades de azeite, que fazem a festa todo ano na universidade.
Procurando uma receita para usar as crabapples, encontrei essa idéia irresistível de sorvete—sparkling crabapple cider sorbet. Ficou incrivelmente delicado. Com certeza deve ser possível substituir as crabapples por outro tipo de maçã ácida.
2 xícaras de purê de crabapple [ou outra maçã]
12 oz / 341 ml de cidra espumante de maçã, pêra ou pêssego
2/3 xícara de açúcar
Para fazer o purê, cozinhe as maçãs rapidamente em um pouco de água e passe tudo pelo food mill ou bata no liquidificador e depois peneire. Coloque o purê para gelar. Depois misture todos os ingredientes muirto bem, até o açúcar dissolver completamente e coloque tudo na sorveteira.
Elas têm o mesmo tamanho e formato das cerejas e de relance até parecem mesmo cerejas, mas não são cerejas, são maçãs. Bem pequenas e bem ácidas, as crabapples só servem pra fazer doce—conserva, geléia, purê e a deliciosa manteiga de maçã.
O ano letivo na UC Davis começa nesta quinta-feira. A movimentação já está intensa, com estudantes chegando e se instalando em apartamentos, fraternidades, sororidades, condominios e dormitórios. Já percebi um fluxo maior de bicicletas pelo campus e toda hora vejo um barata tonta com aquela cara de quem não sabe onde está, girando um mapa, pra esquerda, pra direita e escaneando a área ao redor com movimentos oscilantes da cabeça. Pobres e perdidos freshmen. Outra coisa que reparei foi a quantidade de cartazes aflixados pelos caminhos principais do campus. A maioria está tentando convocar os novos estudantes para se afiliarem em associações e organizações. E todos oferecem alguma coisa, geralmente as mais chamativas: pizzas, sorvetes, sanduiches. Uma das placas vai direto ao ponto e anuncia selvagemmente—FREE FOOD! Que estudante recém-iniciado numa vida longe da família e com pouco dinheiro vai conseguir resistir a um atrativo como esse?
Eu li o aviso que alertava em letras vermelhas—habaneros—mad hot! E a mocinha da banca vendo a minha cara de purfa me avisou precavida—they're really, really, really HOT! Ela me disse que era pra tomar muito cuidado, pois essas pimentas eram de estraçalhar. Cuidado com os olhos, se você tocar num corte ou machucado com as mãos sujas do habanero, vai inchar, vai doer. Use luvas e coloque só um pouquinho. Mesmo sendo uma covardona para pimentas e ouvindo todos os avisos amigos, resolvi comprar quatro pequenas habaneros, sem ao menos saber o que vou fazer com elas.
O Garrett também comprou as mad hot habaneros e foi bem ousado, como ele relata nessa história hilária.
Foi no final da década de 80, no livro O Melhor da Festa da Sonia Hirsch, que eu li pela primeira vez uma receita com as almofadinhas de tofu frito, que ela chamava de aguê. Naquela época a cozinha asiática não era tão popular como é hoje e não foi muito fácil achar as tais almofadinhas. E quando achei deu um baita trabalho pois, como a Sonia explica no livro, tinha que ferver as almofadas, depois espremer, depois cortar fininho sem furar—e aí é que a porca torcia o rabo comigo, pois eu sempre cortava torto e furava várias. Ela ensinava a rechear com arroz integral refogadinho e era assim que eu fazia.
Hoje sei que essas almofadinhas de tofu frito recheadas com arroz são o inari sushi, que eu simplesmente adoro. Eu compro o aguê, ou abura-age, ou fried bean curd em qualquer mercado asiático. Não precisa ferver, nem espremer e já vem cortadinho, é só abrir os envelopinhos e rechear. Desta vez eu fiz um recheio inventadinho, com arroz de sushi, onde acrescentei:
Chives—ciboulettes picadinhas
Sementes de gergelim pretas tostadas
Cubinhos de cenoura refogados levemente em um pingo de óleo de gerlegim.
arroz para sushi
2 1/2 xícaras de arroz próprio para sushi [grãos curtos]
3 xícaras de água.
Lave o arroz e deixe escorrer por vinte minutos. Misture o arroz e a água numa panela grande. Cubra e ponha no fogo alto. Quando ferver, reduza para fogo baixo e deixe cozinhar por uns 25 minutos ou até a água ser totalmente absorvida. Tire a panela do fogo e deixe descansar ainda tampada por mais 20 minutos. Enquanto isso faça o molho de vinagre com:
5 colheres de sopa de vinagre de arroz
1 colher de sopa de saquê
3 colheres de sop de açúcar
2 colheres de chá de sal
Misture todos os ingredientes numa panela pequena e cozinhe no fogo alto até o açúcar dissolver completamente. Colocar sobre o arroz e revolver bem com uma espátula de madeira. Não misture, só revolva. Deixe o arrioz esfriar em temperatura ambiente.
Receita simpaticíssima que encontrei no Serious Eats e que fiz, com relativo sucesso, se descontarmos o fato que o bolo se desmilinguiu totalmente ao ser desenformado—o que realmente não contribuiu para que ele tivesse uma foto à altura da sua gostosura. Segue a receita.
lemon olive oil cake
3/4 xícara de azeite extra virgem, mais um extra para untar a forma
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/4 colher de chá de sal marinho fino
3 ovos caipiras
1 xícara de açúcar
3/4 xícara de iogurte integral
Raspas de 3 limões [amarelos]
Pré-aqueça o forno em 325ºF / 162ºC e unte uma forma de 20 cm – 9-inch com azeite.
Misture a farinha, o fermento, o bicabornato e o sal com um batedor de arame.
Na batedeira em velocidade alta, bata bem o açúcar com os ovos até formar uma pasta bem clara e fofa, por mais ou menos 5 minutos. Em velocidade media, adicione as raspas do limao e o iogurte. Bata bem e vá acrescentando devagar o azeite. Desligue a batedeira e acrescente a mistura de farinha, batendo bem com uma espátula até todos os ingredients ficarem bem incorporados. Coloque a massa na forma untada e leve ao forno por 45 minutos. Deixe esfriar e desenforme.
A variedade de frutas nestas terras californianas certamente não incluí as tropicais. No caso da banana, estamos mais ou menos limitados à nanica—que eu tenho o cuidado de comprar fair trade, já que não posso comprar local. Acha-se a banana maçã, que eu já desisti de comprar, porque pra mim não tem gosto nenhum da banana maçã que eu conheço. E acha-se também a banana da terra, conhecida aqui como plantain. Não sei se elas são a mesma coisa, mas o sabor é bem parecido. Só que as plantains chegam aqui vindas sei lá de onde e normalmente estão verdes. Eu sei que há maneiras de se preparar essa banana verde, mas essas não são o meu objetivo. Quero a banana madura, no ponto ideal para se comer crua se quiser. Mas isso é quase uma missão impossível. As plantains geralmente estão muito verdes ou extremamente maduras. Quando eu dou de cara com uma banana no ponto [quase] ideal, dou pulos de alegria. Essas não estavam perfeitas, mas deu pra fazer frita, do jeito que eu gosto. Cortei em rodelas e fritei dos dois lados na manteiga. Na hora de servir, salpiquei com flor de sal.
Banana é uma das minhas frutas favoritas. E eu tento comer uma por dia. E adoro banana frita e banana flambada, que eu faço com a banana nanica mesmo. Êta coisa boa!
Aquele ditado popular um bocado rude que diz que "visita é como peixe: depois de três dias começa a feder", sempre me intrigou, porque nunca tive a experiência de um peixe ou de um hóspede chegando nesses termos. Pois no sábado passado, mesmo estando sozinha, fiz o favor de comprar dois filezões de peixe no peixeiro do Farmers Market. Como naquele dia eu já tinha um almoço engatilhado, coloquei os filés num canto da geladeira e me comprometi mentalmente a prepará-los no domingo. Separei até uma receita. Mas no domingo fiquei pra lá e pra cá por causa da torta de figos e não o fiz peixe nenhum. Aliás, nem lembro o que comi no domingo. Dificuldade com a memória está se tornando um problema. Segunda chegou e com ela chegou também o Uriel. Depois veio a terça quando corri comprar uns bifões no Co-op que fiz de maneira simples na churrasqueira. A definição do jantar da quarta-feira permanecia em estado nebuloso, envolvida na escuridão da falta de idéias, quando fui ler o post da Neide sobre a moqueca caiçara feita com postas pequenas de peixe e temperada com ervas. PEIXE?? PEIXE!! Pois então lembrei que os filés de peixe do sábado ainda estavam no cantinho da geladeira. Não deu outra, foi tudo pro lixo. Chicotadas imaginárias na alma! Felizmente nunca tive o desprazer de sentir o fedor provocado por um hóspede, mas agora sei que o do peixe é deveras incômodo. O menu do jantar foi polenta.
Para registrar que eu fiz um sorvete de morango com manjericão e achei o fino da bossa. A receita é aquela mesma:
Morangos orgânicos a gosto
Folhinhas de manjericão fresco a gosto
1 xícara de creme de leite fresco
1/2 xícara de leite integral orgânico
Mel a gosto
1 colher de sopa de vodka
Bater tudo no liquidificador e levar à sorveteira.
Uma caixa de primeiros socorros fica permanentemente numa das gavetas da cozinha. Não estou querendo me fazer de vitima aqui, mas eu me machuco TODO SANTO DIA e garanto—juro, que muitos desses pequenos acidentes não são minha culpa. Eu me corto na folha do livro de receitas que estou olhando, na borda da forma de metal que estou lavando, ou quando vou pegar uma louça no escorredor fatio o dedo no mandoline que está ali proximo, e queimo os pêlos do braço nem sei como, e quando estou refogando algo no azeite quente uma lasca de comida dá um salto de trapezista e aterrisa dentro do meu olho, me corto na borda da lata vazia de comida dos gatos quando vou colocar outra coisa na lata de lixo, prendo o dedo fechando a gaveta ou tampando a panela de ferro. Manchas roxas, cortes sangrentos ou cascudos, bolhas, esfolamentos e cicatrizes abundam. E pra completar essa minha rotina de cumprimento da pena cármica, ainda tem o animal. Sim, o animal, aquele que sempre me espera passar pelo tapetinho entre a sala de jantar e a cozinha pra dar o bote. Sim, o bote que é de brincadeira, mas às vezes machuca. Ele não tem intencão de machucar, mas quando eu passo ele dá um pulinho e lasca uma patada. O alvo da patada é a minha perna. E as patas têm garras afiadas. Então nesta semana eu já colecionei uma bolha, um corte do mindinho, um dedo roxo esmigalhado e três arranhões gigantes na parte de cima do meu pé esquerdo, perpetrados pelo animal, o ANIMAL!
Quando a Constance Escobar sugeriu uma redução de vinho do Porto para acompanhar os figos frescos, fiquei entusiasmadíssima e já fui logo perguntando como fazer. Ela ensinou—para cada 500ml de vinho, 100gr de açúcar e um pau de canela, deixar reduzir até virar um xarope.
Eu fiz e servi com os figos frescos. Fica uma sobremesa deliciosa e bonita de ver. Nossa, que chique, foi o comentário do crítico. Comemos todos, um por um!
Foi realmente bom ter novamente companhia para o jantar, depois de tantos dias sozinha. Voltar foi uma maratona pra ele, que ficou praticamente dois dias em trânsito, contando com o as dificuldades normais de voar nos dias de hoje, e ainda fazer isso num final de semana, completando com a passagem de um furacão e terminando com essa lonjura onde vivemos. Mas finalmente ele colocou as malas no corredor e fomos jantar juntos no quintal, num entardecer agradável de final de verão. Ficamos conversando, comendo sobremesa e olhando fotos até a noite escura chegar e o frio nos empurrar pra dentro de casa. No menu do jantar uma substanciosa sopa de lentilhas [espanholas, por pura coincidência], salada de tomates cereja com majericão fresco, azeitonas verdes temperadas com um molho picante de laranja vermelha e torradinhas de pão francês que comemos com manteiga. Pra beber, água.
sopa de lentilhas com abóbora
Numa panela, refogue tiras de um bom bacon* cortadas em cubinhos [*eu uso os produtos de super qualidade do Niman Ranch, onde os animais são criados e abatidos com humanidade] Quando o bacon estiver fritinho, junte dois dentes de alho picados e refogue por uns minutos. Junte a lentilha lavada e escorrida. Eu usei a variedade Spanish Pardina, que cozinha rapidinho, ótima para fazer sopa. Refogue a lentilha um minutinho e junte cubinhos de abóbora assados. Eu asso a abóbora com antecedência e guardo na geladeira. Junte um litro de caldo de legumes, baixe o fogo e com a panela semi-tampada, cozinhe até a lentilha ficar molinha. Adicione sal e pimenta do reino moída a gosto, junte um punhado de orégano fresco ou outra ervinha fresca disponível e sirva.
Essa torta era prioridade na minha lista de receitas para fazer. Aproveitei o final de semana, que é quando tenho mais tempo para me atrever em performances mais elaboradas e mandei bala. Fui até a árvore de ninguém buscar os figos, pois queria fazer exatamente como a querida Pipoka fez, com os figos verdes.
Para a massa:
1 ½ xícara de de farinha de trigo
½ xícara de cornmeal
1 colher de sopa de açúcar
¼ colher de chá de sal
½ xícara - 113g de manteiga sem sal, cortada em cubos
1 ½ colher de sopa de alecrim fresco [*usei o seco]
4 a 5 colheres de sopa de água gelada
Para o recheio:
Figos frescos a vontade cortados em rodelas
½ xícara de sour cream
1 xícara - 225 gr de queijo mascarpone
¼ xícara de açúcar
1 ½ colher de chá de raspas de limão
No processador pulsar a farinha, o cornmeal, o açúcar, o alecrim e o sal. Juntar a manteiga e pulsar até a mistura ficar granulada. Colocar 4 colheres de sopa de água gelada e continuar pulsando até formar uma massa consistente. Se precisar, colocar mais um pouquinho de água, até a massa dar liga.
Colocar a massa numa forma de torta com fundo removível pressionando com os dedos . Gelar por 30 minutos. Assar em forno pré-aquecido a 400ºF / 200ºC por 20 ou 30 minutos. Remover do forno e deixar esfriar completamente.
Para o recheio misture bem todos os ingredientes numa tigela. Colocar o recheio na forma quando a massa estiver totalmente fria e arranjar os figos por cima.
Nota: esta torta fica bem melhor quando feita com antecedência. Um dia antes faça a massa e o recheio e guarde tudo na geladeira. Monte 1 ou 2 horas antes de servir. Mantenha a torta na geladeira.
Que atire a primeira pedra quem nunca fez uma pataquada dessas: separar a receita, sair pra comprar os ingredientes, voltar e começar a arranjar tudo, fazer o mise en place e notar que dois dos ingredientes principais, insubstituíveis, estão faltando. Eu faço isso o tempo todo, mesmo escrevendo e carregando listas, mesmo checando e rechecando. É como ler a receita várias vezes e mesmo assim esquecer de acrescentar um ingrediente—e logo aquele que vai fazer diferença, interferir no resultado, provocar o total fracasso.
Ainda bem que era um domingo e eu estava inteiramente à disposição de fazer a tal receita. Primeiro passei no Co-op e comprei coisas, muitas coisas. Depois voei até a árvore de ninguém, empastelei a sola dos meus sapatos com aquele grude de figo podre com grãos de pedra e apesar de usar luvas, fiquei com um braço coçando. Voei novamente para casa, onde a gataiada nem conseguia dormir, tal era o meu entra e sai. Reli a receita, em português e inglês e fui me preparando para transformá-la num estrondoso sucesso quando vi que não tinha um dos ingredientes principais—que eu jurava que tinha, e o outro tinha só metade da quantidade necessária. A frustração que eu senti não teve medida. Voltei ao Co-op tão fula da vida e soltando bufadas pelas ventas, que até esqueci de revestir os sapatos e só fui notar quando cheguei no supermercado que estava vestindo meus chinelos de dedo encardidos. Corri para pegar os ingredientes faltantes sem me permitir olhar mais nada e entrei na fila do caixa que ainda não tinha me atendido naquele dia.
A receita foi realizada, com um errinho aqui, outro ali. Nada grave. O único problema que me aflige agora é—quem vai comer tudo isso? Pior que inventar moda, esquecer ingredientes e ficar num pra lá e pra cá frenético, é inventar moda e não ter ninguém pra dividir a história e os garfos.
Os quinces—marmelos também são sinal do outono acenando ali na esquina. Eu adoro essa fruta, seu sabor e textura. Já tinha preparado o quince em calda e adorei a idéia de fazer uma tarte tatin com ele. A inspiração veio deste blog, recomendado pela Elise. Para a massa eu usei uma receita de pâte sucrée do livro Chez Panisse Fruit da Alice Waters.
pâte sucrée
1 tablete - 113g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1/3 xícara de açúcar
1/4 colher de chá de sal
1/4 colher de chá de extrato de baunilha
1 gema de ovo caipira
1 1/4 de farinha de trigo
Numa batedeira misture a manteiga e o açúcar e bata bem com a pá até ficar uma mistura bem cremosa. Acrescente o sal, a baunilha e a gema de ovo e continue batendo, até ficar completamente incorporado. Junte a farinha e trigo e bata até formar uma massa uniforme. Faça um bola, enrole em plástico e achate formando um disco. Gele por algumas horas ou de um dia para o outro, até ficar bem firme. Na hora de usar, retire da geladeira e abra com o rolo numa superfície enfarinhada.
Para fazer a cobertura de fruta, descasque e corte 4 quinces—marmelos em fatias grossas [pingue umas gotas de limão]. Numa frigideira que possa ir ao forno coloque 1/4 xícara - 2 colheres de sopa de manteiga e 1/2 xícara de néctar de agave [ou açúcar]. Leve a frigideira ao fogo médio e deixe a manteiga derreter e formar um caramelo com o agave. Coloque as fatias de quince na frigideir e deixe cozinhar bem até o caramelo incorporar na fruta. Retire do fogo, cubra com a massa de pâte sucrée, aberta no tamanho da frigideira. Feche bem as laterais da massa, apertando com os dedos. Leve ao forno pré-aquecido em 375ºF / 190ºC e asse até a massa ficar bem firme e dourada. Deixe esfriar bem e inverta a torta num prato. Sirva morna ou fria.
Preparei as delicadas pêras Seckel inspirada numa receita da Edna Lewis. Descascar as pêras e cozinhar com um pouco de água, açúcar a gosto e uns cravos da índia até elas ficarem molinhas. Remover as pêras e deixar a calda engrossar em fogo baixo. Doces assim sempre ganham o acompanhamento de um pingo de creme de leite fresco, que combina muito bem com as frutas cozidas.
Essa receita tirada do site da Epicurious não me deixou completamente satisfeita. Eu queria fazer uma sobremesa com morangos frescos, que fosse gelada, cremosa e refrescante. Essa panna cotta é, de fato, tudo isso. Mas por algum motivo não me conquistou daquela maneira passional que geralmente as sobremesas com frutas fazem. Para quem quiser tentar, segue a receita.
3 xícaras de morangos orgânicos cortados em fatias
1 3/4 xícaras de buttermilk
6 colheres de sopa de açúcar
2 1/2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
1/4 xícara de leite integral
1/4 xícara de creme de leite fresco
Bata no liquidificador os morangos com o buttermilk e o açúcar. Espalhe a gelatina sobre o leite e deixe amolecer, por cerca de 1 minuto. Coloque o creme de morango numa panela—se quiser pode coar antes, mas eu não fiz—e leve ao fogo até ferver. Desligue o fogo, junte a gelatina dissolvida no leite, mexendo bem até ficar bem dissolvido. Misture o creme de leite e bata bem, com um batedor de arame. Coloque em ramequins e leve à geladeira. Gele por pelo menos 8 horas. Na hora de servir, pode desenformar. Eu não fiz.
Desta vez foi! Assim que eles chegaram, removi as casquinhas, cortei em quatro e joguei no liquidificador com coentro fresco, suco de limão, uma pimenta jalapeño sem as sementes, sal e azeite. Fiz a salsa de tomatillos e me senti recompensada moralmente, por não ter jogado nada no lixo. Os tomatillos têm um sabor bem interessante, um pouco parecido com os tomates, talvez mais próximo dos tomates verdes, mas com um gosto mais pungente.
A salsa de tomatillos fez essa simples tortilla de milho, recheada com um refogado de frango, pimentão verde e vermelho e cebola roxa e branca, brilhar.
Eu nunca iria conseguir achar as palavras certas para agradecer à pessoa que inventou a pizza. O que seria dos meus sábados, durante todos os anos da minha vida,
sem aquela massa deliciosa lambuzada com molho de tomate, coberta com muito queijo mussarela e assada primorosamente na alternância entre a crocância e o derretimento perfeitos?
Outra invenção memorável e certamente merecedora de agradecimentos efusivos é a salada caprese. Tomate, mussarela, manjericão, azeite. Posso comer esse prato o verão inteiro, enquanto os tomates durarem, sem enjoar. E eu nunca esqueço do pão, que precisa ser usado para sorver e aproveitar todo o caldinho dos tomates, misturado ao azeite. A idéia de juntar tudo numa coisa só e fazer uma caprese no pão me conquistou imediatamente. Melhor que essa salada entre duas fatias de pão, só mesmo uma bela pizza!
- Uma fatia grossa de um pão bem fresquinho
- Tomates orgânicos maduríssimos cortados em fatias
- Muitas folhas de manjericão fresco
- Fatias da melhor mussarela de búfala que seu dinheiro puder comprar
- Um bom azeite de oliva
- Sal a gosto, se quiser
Monte o sanduba com as fatias de tomate salpicadas com sal, se quiser, as fatias de mussarela, as folhas de manjericão e regue tudo com um fio de azeite. Eu devorei dois deles, sozinha. E para beber abri um vinho tinto italiano que estava dando sopa na minha pequena adega.
Outra receita da Elvira que estava na fila para ser preparada e ficou tão deliciosa que me proporcionou outra epifania sobre comida—eu tenho muitas!
São apenas fatias finíssimas de batata e de abobrinha, transformadas num verdadeiro manjar graças à combinação com o queijo de cabra. Esse prato não leva nenhum ingrediente sofisticado e pede pouquissimos temperos, mas o resultado é excepcional.
Fiz em ramequins individuais.
2 abobrinhas médias
4 batatas médias
150 ml de creme de leite
200 g de queijo de cabra [chèvre]
sal & pimenta do reino branca moída na hora
azeite
Pré-aquecer o forno a 400ºF / 200ºC. Untar uma assadeira com azeite e reservar.
Descascar e secar as batatas. Lavar e secar as abobrinhas. Remover as pontas, sem descascar. Cortar as batatas e as abobrinhas em rodelas finíssimas. Reservar.
Cortar o rolo de queijo de cabra em rodelas finas. Reservar.
Dispor uma camada dos legumes no fundo da assadeira, alternando as rodelas de batata e de abobrinha. Temperar com a pimenta branca e uma pitada de sal.
Distribuir algumas rodelas de queijo de cabra e regar com um pouco de creme de leite. Cobrir com mais uma camada de legumes alternados, até terminar os ingredientes, finalizar com queijo de cabra e o creme de leite.
Cobrir com uma folha de alumínio e levar ao forno por 20 minutos. Remover a folha de alumínio e baixar a temperatura do forno para 355ºF / 180ºC. Assar por mais 20-25 minutos. Retirar a assadeira do forno e servir de imediato.
Eu coleciono as receitas da Elvira, que vou fazendo aos pouquinhos. Não somente eu, mas também a minha irmã, que é cozinheira estreante e adora a praticidade e simplicidade das receitas que a Elvira testa. Este far breton de figos frescos simplesmente me deu uma rasteira. Vim pra casa decidida a fazê-lo e como o universo sempre conspira em favor das coisas boas, a cesta orgânica da semana me trouxe um saquinho de figos—dos verdinhos, como os que a Elvira usou. Mãos à obra. Fiz apenas um terço da receita, pois estou sozinha. Vou confessar sussurando que já devorei metade.
24 figos pequenos
160 g de farinha de trigo
100 g de açúcar
1 colher (sopa) de açúcar baunilhado
3 ovos grandes
250 ml de leite integral
250 ml de creme de leite fresco
50 ml de rum
20 g de manteiga
açúcar de confeiteiro
Pré-aquecer o forno a 400ºF / 200ºC. Untar muito bem uma forma ou uma assadeira - de barro, de preferência - com a manteiga. Reservar.
Bater o açúcar com o açúcar baunilhado e os ovos. Juntar o leite, o creme de leite, o rum e a farinha de uma só vez. Misturar muito bem.
Eliminar os cabinhos dos figos. Fazer um corte em forma de cruz em cada um, sem chegar até à base. Distribuir os figos pela forma.
Colocar a massa sobre os figos e levar ao forno por 25-30 minutos. Retirar do forno e polvilhar com o açúcar de confeiteiro. Deixar repousar. Servir morno ou à temperatura ambiente, na própria forma.
Ainda estava no trabalho quando recebi um telefonema do meu marido, que tinha acabado de jantar um bacalhau com batatas em Évora. Hoje ele já deve ter saido bem cedinho em direção à Sevilha, onde vai encontrar um professor espanhol que trabalhou com ele aqui em Davis e que vai levá-lo para um tour das oliveiras. Depois eles vão para Córdoba, para mais encontros e mais eventos com azeitonas. Em seguida ele volta para Évora, onde professores de vários cantos do mundo estarão atendendo uma conferência sobre colheita de azeitonas e participando de um teste de campo com uma máquina argentina que está inovando. Ele me pergunta o que eu quero que ele me traga de lá. Azeite, é a minha resposta ligeira. E se der, azeitonas também, é claro!
Dei uma cambalhota tripla quando vi esta sobremesa perpetrada pela fabulosa Faby do Rainhas do Lar. Mas eu nem prestei atenção no sorvete, nem no suspiro, muito menos nas amêndoas. Só conseguia ver aqueles pêssegos boiando na deliciosa calda aromatizada com água de flor de laranjeira. Fiz a receita duas vezes, pois na primeira tive dificuldade para remover a casca dos pêssegos cozidos. Então tentei uma segunda vez descascando os pêssegos antes de cozinhá-los. Usei pêssegos orgânicos, pois vocês sabem que essa fruta é a numero uno na lista das mais contaminadas por agrotóxicos.
6 pêssegos orgânicos bem firmes
2 xícaras de água
1/2 xícara de açúcar
2 colheres de sopa de água de flor de laranjeira
A Faby usa também um pau de canela, mas eu eliminei esse item, pois queria só o sabor da flor de laranjeira
Descasque os pêssegos, corte cada um em quatro e reserve as cascas. Numa panela coloque a água, o açúcar, a água de flor de laranjeira e misture bem, até o açúcar dissolver. Leve ao fogo, coloque os pêssegos cortados em quatro, as cascas e deixe ferver. Quando começar a ferver, conte 5 minutos e remova os pêssegos. Baixe o fogo e deixe a calda reduzir pela metade. Coe para remover as cascas. Deixe esfriar, junte a calda e os pêssegos e coloque na geladeira. Nós comemos os pêssegos na sua calda rosada com um pouco de creme de leite fresco, como sempre fazemos com fruta em calda. Essa receita será repetida muitas vezes. Outstanding!
Essa receita fabulosa saiu da edição de julho de 2008 da revista Gourmet. Eu gostei de tudo nela—da simplicidade, dos ingredientes e do toque especial da uva assada. Fica bem fininha, portanto uma torta de 22 cm não dura muito.
Pré-aqueça o forno em 375ºF/ 190ºC. Unte uma forma redonda refratária de 9"/ 22cm com manteiga. Espalhe sobre a forma untada uma colher de sopa de farinha de pão moída bem fininha—eu faço a minha na hora, usando bolachas integrais.
Bata bem no liquidificador:
1 2/3 xícara [ou 15 oz ou 425gr] de ricota feita com leite integral
2 ovos grandes
3 colheres de sopa de açúcar
1/4 colher de chá de canela
1/8 colher de chá de sal
Coloque essa massa de ricota na forma untada com a manteiga e farinha de pão. Leve ao forno e asse por 25 minutos, ou até a massa ficar firme e levemente dourada. Remova do forno e deixe esfriar.
Faça a calda de uvas assadas, colocando numa assadeira rasa 2 xícaras de uvas vermelhas sem sementes e cortadas ao meio, 2 colheres de sopa de açúcar, 2 colheres de sopa de manteiga e 1 colher de sopa de um bom vinagre balsâmico. Misture bem e coloque no forno a 425ºF / 220ªC na grade mais baixa. Asse por 10 minutos, chacoalhando a forma uma ou duas vezes. Deixe amornar e sirva com o pudim de ricota.
No filme La Cérémonie do francês Claude Chabrol tem uma cena onde as personagens desajustadas da Isabelle Huppert e Sandrine Bonnaire passam o dia juntas. Quando elas se encontram, Huppert está saindo do meio do mato segurando muitos cogumelos na blusa. Eram chanterelles, que ela refoga rapidamente numa frigideira e serve, acompanhados de pão fresco e um copo de vinho, no almoço em que revelam seus crimes e pecados. Elas devoram os cogumelos refogados com grande intensidade e excitação. Há muitas cenas marcantes neste filme deveras perturbante, mas a dos cogumelos refogados se destacou pra mim, por razões óbvias.
Almoçei sozinha no sábado, sem ninguém para dividir meus crimes e pecados, mas preparei uma porção grande de chaterelles frescos, que refoguei rapidamente no azeite e salpiquei com flor de sal na hora de servir. Devorei o prato todo acompanhado de uma taça de vinho.
Toda semana tem chegado um pacote de tomatillos na cesta orgânica, além dos tomatões e tomatinhos. Minha cozinha está cintilante com tanto tomate. Mas os tomatillos são um pouco estorvo pra mim, pois não sei muito bem o que fazer com eles, além da famigerada salsa. Fui então apenas jogando os recém-chegados junto com os veteranos numa vasilha, que foi acumulando dezenas de tomatillos verdes e amarelos, todos ainda com sua casquinha fininha. Quando finalmente decidi usá-los da maneira menos criativa, fazendo a tal salsa, me deparei com o resultado desagradável de uma estocagem inconsequente. Os tomatillos mais velhos apodreceram no fundo da vasilha e o fedor pútrido que se desprendeu deles empesteou a cozinha de uma maneira absurda. Nunca, jamais, em tempo algum imaginei que tomatillos podres pudessem feder tanto. Era um cheiro tão nauseabundo que não pude suportar nem olhar para os tomatillos restantres e joguei tudo, muitos, todos no lixo.
Com o final trágico do capítulo dos tomatillos, voltei-me para confrontar a continuação da saga dos tomates, que têm vida mais curta que a dos tomatillos e ao contrário dos seus primos cascudos, não podem de maneira alguma ser desperdiçados.
Foram três dias comendo queijo, azeitonas e pão tostado com fatias de tomate temperadas com azeite, então resolvi que naquela noite sopa teríamos. Seria porém uma sopa fria. Gostei muito da idéia desta sopa, temperada somente com a páprica defumada espanhola. Ficou um prato bem interessante. Eu mudei o modo de fazer da receita e servi com cubos de pão torrado. Segue a receita original e logo abaixo as minhas modificações.
sopa de tomate com páprica defumada
[serve duas pessoas]
1 colher de sopa de azeite
2 dentes de alho em fatias finérrimas
5 tomates orgânicos bem maduros
3/4 colher de chá de sal grosso
1/2 colher de chá de páprica defumada espanhola
1/2 xícara de leite
Refogue o alho no azeite. Adicione os tomates cortados em cubos, o sal e a páprica. Cozinhe por uns 5 minutos mexendo de vez em quando. Coloque tudo no liquidificador com cuidado e bata bem. Passe tudo por uma peneira. Adicione o leite e sirva com pão ou sanduíche de queijo grelhado.
* eu dei uma adaptada bem dramática—refoguei o alho no azeite. Bati os tomates no liquidificador, passei pela peneira e juntei ao alho refogado. Juntei o sal e a páprica, deixei cozinhar uns 5 minutos, juntei o leite e deixei ferver. Desliguei o fogo e deixei esfriar. Servi a sopa morna, quase fria, com cubos de pão integral tostados com azeite numa frigideira.
Fiz uma simplificação da receita que vi na revista Bon Appétit e que tinha muitos passos. Pra mim, se uma receita tiver três etapas e usar mais que duas panelas, eu já desanimo. Essa valia a tentativa, mas eu decidi inverter a sequência e enxugar os detalhes.
Numa panela refogue no azeite um talo de alho-poró picadinho até ficar macio. Acrescente os grãos raspados de 2 milhos verdes [ou o equivalente a uma lata]. Continue refogando, acrescente sal a gosto e pimenta do reino. Junte 1/4 xícara de vinho branco seco. Regogue mais um pouco, até o milho ficar cozido. Junte 1 xícara de creme de leite fresco, mexa bem e deixe borbulhar. Desligue o fogo. Numa outra panela com bastante água e sal cozinhe 1/2 xícara de orzo. Deixe ficar um pouquinho durinho. Coe o orzo e junte ao creme de milho. Acrescente ciboulettes picadas—eu esqueci de colocar, mas não comprometeu em nada. Sirva quente ou frio, como acompanhamento ou prato principal.
Os sea beans estão destoando nesta loja de cogumelos, porque parece que eles são um tipo de legume marítimo. Devia ter comprado uma caixinha para experimentar, dormi de touca.
O plano inicial era irmos, eu e o Uriel, juntos encontrar com a Mariana e o Zé em San Francisco. Mas meu marido está atolado em trabalho, com várias viagens programadas, a mesma velha história que rola todo final de verão. Por isso eu acabei indo sozinha, apesar de estar invariavelmente acompanhada simbolicamente pelo Bob, o que fez a Mariana rir muito, lembrando dessa afamada história.
Passamos uma tarde agradável na cidade, que inesperadamente teve um dia bem calorento. Caminhamos até o Ferry Building, onde encaroçamos nas lojinhas bacanas, almoçamos no DELICA rf1, uma delicatessen japonesa que eu adoro, depois devoramos macaroons no Miette. Caminhamos rapidamente por Chinatown, onde eu e a Mariana pudemos piscar nossos olhos seduzidos pelos mil cacarecos de cozinha enfileirados pelas lojas. De carro, fomos até Sausalito cruzando a Golden Gate, depois paramos na Haight Street, bem no famoso cruzamento Haight—Ashbury que ficou famoso por hospedar o inicio do movimento contracultural hippie, conhecido hoje como o Verão do Amor de 1967. Caminhamos pra lá e pra cá, sentamos pra beber algo gelado e, acima de tudo, conversamos muito, o tempo todo!
A Mariana foi me encontrar em Coimbra e desta vez eu fui encontrá-la em San Francisco. É tão bom fazer esses encontros, e melhor ainda foi revê-la!
Agora estou de olho nos gerânios. Vi esse no jardim de um dos meus vizinhos. Peguei uma muda, pois fiquei encantada com o cheiro impregnante de citronela que as folhas dessa planta exalam.
Fiz a minha versão do creme al gerânio profumato seguindo direitinho a receita da Neide—até pinguei o limão, que no caso dela foi acidental. Só mudei o tipo de queijo e diminuí o açúcar. Ficou um manjar. Eu e o Uriel colocamos os melindres de lado e devoramos as quatro porçoes sozinhos, com bastante framboesa fresca.
150 gr de creme de leite fresco
150 g de queijo fresco – usei o mascarpone
2 colheres de sopa de açúcar
4 folhas de gerânio perfumado - usei o com aroma de limão
Umas gotas de limão
Framboesas frescas
Folhinhas de gerânio para decorar
Aqueça o creme de leite com as folhas de gerânio e o açúcar em banho-maria. Cozinhe por cerca de 10 minutos. Guarde na geladeira até o outro dia ou pelo menos por 8 horas. Coe a mistura, pressionando bem as folhas. Descarte-as. Junte ao creme de leite o queijo fresco e bata bem com o mixer ou batedor de arame. Acrescenteumas gotinhas de limão se quiser. Deixe na geladeira para gelar bem e sirva com as frutas frescas.
Fácil e saboroso. Você vai precisar de 2 filés de linguado [sole] fresquíssimos, sal, pimenta branca moída, uma colher de sopa de manteiga, meio limão, 4 colheres de sopa de vinho branco seco e folhinhas de estragão [tarragon] fresco.
Unte um refratário com parte da manteiga. Tempere os filés com sal e pimenta a gosto e estenda no refratário untado. Esprema o limão sobre o peixe. Coloque também o vinho. Salpique com pedacinhos do resto da manteiga e depois com as folhinhas do estragão.
Leve ao forno pré-aquecido em 355°F /180°C e asse por uns 20 minutos, até o peixe ficar cozido. Gratinar por uns minutos no broiler. Servir com o molho que formou no refratário.