in the dark

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O Halloween deste ano vai ser molhado e frio. Espero que isso não atrapalhe a diversão da criançada. Como sempre, eu corri pra fazer os meus parcos preparativos, que sempre executo de última hora. Neste ano vou distribuir treats de chocolate e comprei menos do que sempre compro, pois outro dia achei dentro de um gourd o resto das balas do Halloween do ano passado. Waste no more!

Na hora do almoço vou decorar a minha porta com os mesmos enfeites que uso, ano após ano. Já tenho algumas abóboras na varanda. É isso. Como na sexta-feira nós normalmente jantamos fora, provavelmente o Uriel terá que pegar comida em algum restaurante, pois eu vou estar ocupada abrindo e fechando a porta e não posso decepcionar as crianças da vizinhança.

Para quem quiser ler ou reler, aqui estão relatos sobre a experiência do Gabriel com o Halloween e as minhas divagações de sempre sobre essa comemoração. Happy Halloween, para quem é de Halloween!

a noite dos mortos-vivos

ou a bruxa escapou e está solta
ou a noite dos horrores pré-halloween

O resultado de querer correr uma maratona no final do dia, quando se deveria estar relaxada e sentada no sofá vendo um filme e bebericando de uma taça de vinho, foi um vidro de um litro do mais puro e saboroso azeite extra virgem, que veio como presente super especial dos amigos espanhóis de Córdoba, espatifado no meio do chão da cozinha. O resultado foi cacos de vidro por todos os lados, mancha imensa verde, oleosa e viscosa se alastrando e se infiltrando pelas ranhuras do chão de cerâmica, gatos dando pulinhos de curiosidade sem atentar para o perigo cortante iminente e uma mulher histérica chorando e praguejando com um rolo de papel toalha na mão, sem saber direito o que fazer.

Foi uma noite realmente assombrada, entremeada por outros tantos acidentes aterrorizantes, como o açúcar caro esparramado na bancada da pia, o remédio errado trazido da farmácia, o cansaço provocando dores nas costas e ainda o choque inesperado ao olhar no calendário e perceber que em dois dias será Halloween.

pear and blue cheese crostata

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Acho que tenho umas trinta páginas do The Kitchn guardadas, com receitas para fazer, artigos para ler, até aquelas maravilhosas tours de cozinhas fantásticas que às vezes aparecem por lá. Eu adoro esse website. Gosto mais dele do que do seu irmão mais velho, o Apartment Therapy. Essa receita de Pear and Blue Cheese Crostata publicada lá, estava marcada com prioridade. Então desde sábado que estou no making-of dessa torta. Djezuis Craist, nunca conheci ninguém mais atrapalhada do que eu vivendo neste planeta. Primeiro fiz a massa e quando fui fazer o recheio constatei a ausência de três pêras, ingrediente imprescíndivel. Comprei as pêras na terça-feira e fiz a torta. Preparei outra massa, porque achei que aquela que estava na geladeira não ia dar. Fiz uma receita enorme, com muitas pêras cortadas em pedaços muito grandes, que consequentemente não cozinharam direito. Comi uma fatia—que não estava ruim, e até tirei algumas fotos, que me ajudaram a comparar com a torta original e concluir que estava tudo errado. Fiquei desolada, irritada, inconformada. Comecei tudo de novo na quarta-feira. Acabei usando a massa que tinha feito no sábado, comprei uma variedade de pêra um pouco mais macia, que cortei em cubinhos bem pequenos. Dessa vez vingou. Ha-Le-Lu-i-Ha! Ficou uma delícia!

Massa:
1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher de sopa de açúcar
1/8 de sal kosher [grosso]
1/2 tablete - 56 gr de manteiga sem sal bem gelada
1 colher de sopa de água gelada
No processador, pulse a farinha, o açúcar e o sal. crescente a manteiga cortada em cubinhos e pulse mais umas 15 vezes até ficar uma farofa. Adicione a água e pulse outra vez, até a massa ficar mais consistente. Amasse com os dedos formando uma bola, amasse num disco, embrulhe em plástico e coloque na geladeira por uma hora.

Recheio:
4 pêras pequenas e maduras
3 colheres de sopa de blue cheese esmigalhado
1/4 xícara de farinha de trigo
1/4 xícara de açúcar mascavo
1/4 xícara de avelãs picadas [ou nozes]
3 colheres de sopa de manteiga gelada
Corte as pêras em cubinhos. Estenda a massa numa folha de papel vegetal ou alumínio e coloque sobre uma assadeira. Coloque as pêras em cubinhos no centro da massa. Deixe uns 4 cms da massa em volta, para poder dobrar. Salpique o queijo esmigalhado sobre as pêras, aperte para eles entrarem entre as frutas. Dobre as bordas da massa, cubrindo parte das pêras. Numa vasilha misture a farinha, o açúcar mascavo e as avelãs picadas. Junte a manteiga e amasse com os dedos até formar uma farofa, que será espalhada sobre a crostata. Asse em forno pré-aquecido em 450ºF / 232ºC por 20 ou 30 minutos, ou até que a massa esteja bem dourada. Deixe esfriar, corte em fatias e sirva.

sopa de legumes [assados]

sopa_assados_1S.jpg Esta sopa fica pronta num instante, se você já tiver os legumes assados. Eu tenho o hábito de assar coisas extras quando uso o forno ou a churrasqueira. Já tinha abóbora [butternut], pimentão vermelho e alho assados. Então foi só bater a abóbora, o pimentão e uma colherzinha do alho no liquidificador com um tanto de caldo de legumes. Colocar o creme batido numa panela, salgar a gosto e regar com azeite. Deixar ferver e servir.

Simca's Cuisine
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Fiquei um pouco surpresa comigo mesma por nunca ter comentado aqui a minha leitura da biografia póstuma da Julia Child—My Life in France. Acho que isso aconteceu porque demorei pra engatar nos capítulos e depois fui lendo muito devagar, parando e recomeçando, terminando por ficar horrivelmente abalada pelo final do livro, quando ela descreve a decadência física do marido, concluindo que envelhecer é muito cruel. Quando finalmente fechei o livro, mais de um ano depois de tê-lo comprado no frenesi da novidade, chorei desesperadamente, de soluçar e sacudir o corpão inteiro, de assustar o gato, de molhar a roupa, de encher o buraco das orelhas com lágrimas, de doer o maxilar, de ficar com os olhos ardendo e inchados e de acabar com uma baita dor de cabeça. Esse livro me sacudiu, porque de uma certa maneira eu me identifico um pouco com o percurso da Julia Child. Ela viveu uma vida linda e plena, mas o fim é sempre o fim.

E é no My Life in France que a Julia conta todo o processo da produção dos dois volumes do best seller Mastering the Art of French Cooking, que ela escreveu com a colaboração de duas amigas: Louisette Bertholle e Simone Beck. Esses livros, cujo objetivo era divulgar receitas e técnicas da culinária francesa para o público norte-americano, levaram anos para ficarem prontos por causa do perfeccionismo das autoras, especialmente de Julia e Simone, que era mais conhecida como Simca. Louisette cascou fora assim que pôde, mas a colaboração entre as outras duas amigas ainda durou alguns anos. No livro, Julia conta como foi essa cooperação com Simca—um relacionamento nada suave, apesar da Julia ter uma grande consideração pela amiga francesa. Eu me irritei muito lendo as implicâncias e turrices de Simca no final da revisão do primeiro volume. E me compadeci de Julia durante a tortura e o calvário que foi o trabalho conjunto das duas pra o segundo volume. O relacionamento da Julia Child com essa amiga difícil fez com que ela subisse mais ainda no meu conceito, tal a sua paciência, dedicação e lealdade. Simca ficou pra mim como uma completa chatonilda de galochas.

Simca se ressentia de várias coisas, entre elas do destaque que a borbulhante e simpática Julia ganhava durante a divulgação do livro escrito pelas duas. Sendo Mastering the Art of French Cooking uma adaptação das receitas e técnicas francesas clássicas para o público norte-americano, Simca teve que lançar o seu livro com suas receitas especiais, com o seu jeito de fazer, que era o jeito francês e portanto o jeito certo. Simca's Cuisine parece para mim o livro do desforro com luvas de pelica: desaforento embora gentil, onde ela coloca suas cartas altas na mesa—o verdadeiro livro da culinária francesa. Que na realidade é uma versão particular, com receitas que ela fazia em casa e heranças de família. Ninguém se importou muito com o livrinho da Simca, ocupados que estavam comprando, lendo e preparando receitas do livro da Julia Child [que era também da Simca, alguém lembrou?]. Simca's Cuisine é um livro de receitas muito fofo e tudo parece incrivelmente simples e singelo. Mas muito cuidado mes amis, porque analisando cuidadosamente percebi que as receitas da Simca podem até ser um tantinho blasé, mas não são de maneira alguma descomplicadas.

variações da panna cotta

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Sempre com a mesma receita. Nesta inovação, servi o creme com fatias finíssimas e frescas da perfumada feijoa.

tapenade

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Azeitonas verdes sem caroço
Azeitonas pretas sem caroço
Alcaparras conservadas no sal grosso*
[*deixe de molho e troque de água duas vezes, depois escorra]
Filés de Aliche/Anchovas
Azeite

Bata tudo no processador ou liquidificador. Sirva como quiser. O que sobrar, ponha num pote com tampa e guarde na geladeira.

SPQR
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Fomos à San Francisco encontrar com o nosso amigo Fernando e almoçamos com ele no SPQR, uma pequena osteria na Fillmore Street. As referências do restaurante eram as melhores possíveis—trocentas reviews ultra-positivas, cheias de elogios e salamaleques para o local que serve uma adaptação californiana de um menu romano. As reviews falavam de filas quilométricas na porta e esperas intermináveis, já que o restaurante não aceita reservas. Fomos com duas outras opções de back up, mas encontramos tudo razoavelmente vazio para um horário de almoço no domingo. O SPQR está instalado num prédio pintado de preto, sem placas piscantes anunciantes, o que nos fez passar por ele sem perceber que era ali o lugar. Lá dentro, num ambiente aconchegante e bem estreito, ficam as poucas mesas e um bar, de onde pode-se assistir aos preparativos do chef. A primeira coisa que eu reparei quando coloquei os pés dentro do SPQR foi que eles usavam as cerâmicas da Heath de Sausalito, a mesma que fornece as louças para o Chez Panisse—mais chique que isso não há!

O almoço estava muito bom. Pedimos um trio de antipasti que estava fantástico: uma salada de erva-doce com atum em conserva, ervas, pimenta e bottarga; cogumelos chanterelle com espinafre e pancetta; e mussarela bocconcini com tomates. O ponto forte do lugar parece ser os antipasti, porque a pasta, fatta in casa, me decepcionou um pouco. Deve ser por ter crescido comendo a melhor pasta feita em casa que sei muito bem a diferença entre uma pasta caseira e outra nem tanto. Mas esse pequeno detalhe não comprometeu. Eu comi um canelloni com linguiça de porco, ricotta, espinafre e pecorino, O Uriel comeu um rigatoni amatriciana e o Fernando um rigatoni aglio e olio. Eu fiquei um pouco atrapalhada com a carta e vinho, que só tinha italianos, e acabei pedindo um rosato que estava uma delicia. Decidimos não pedir sobremesa e fazê-lo em outro lugar, mas me arrependi de não ter provado as que eles ofereciam por lá. Fica pra próxima vez!

Frango com leite de coco, limão, gengibre e capim-santo

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Peguei essa receita de frango no bacanérrimo Panelinha, que tem muita receita prática e gostosa. Servi com arroz basmati.

1 quilo de frango com osso, em pedaços e sem pele
[usei ante-coxas sem pele e sem osso]
1 colher (sopa) de suco de limão
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
2 colheres (sopa) de gengibre
2 dentes de alho picados
400 ml de leite de coco
700 ml de caldo de legumes
1 xícara (chá) de folhas capim-santo* ou de erva-cidreira**
[usei o capim-santo—lemongrass]
raspas de 1 limão
1 colher (sopa) de ciboulettes [chives] cortada com a tesoura
sal e pimenta do reino a gosto

Numa tigela, tempere o frango com uma pitada de sal, pimenta e o suco de limão.

Leve uma panela média com o azeite ao fogo médio. Quando esquentar, junte o gengibre e refogue por 2 minutos. Em seguida, misture o alho e refogue por 2 minutos. Aumente o fogo, coloque os pedaços de frango e doure-os por cerca de 5 minutos.

Acrescente o leite de coco, o caldo e as folhas de capim-santo* ou de erva-cidreira**. Quando ferver, abaixe o fogo e tampe a panela. Deixe cozinhar por 25 minutos.

Retire os pedaços de frango da panela e transfira-os para um prato. Por uma peneira, passe o molho que ficou na panela. Volte o frango e o molho para a panela e leve ao fogo médio. Junte as raspas de limão e a ciboulette picada. Quando ferver, desligue. Sirva a seguir.

*Capim-santo=Lemongrass
**Erva-cidreira=Lemon balm

Panna cotta com romã

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Cheguei do trabalho na sexta-feira e—surprise, surprise—fui recepcionada por um sacão com mais umas vinte romãs gigantes em cima da pia da cozinha. Abri três delas e coloquei as sementes em containers na geladeira. Quis porque quis experimentar fazer uma panna cotta com elas. Usei a mesma receita clássica da Alice Waters que sempre uso. No fundo dos potinhos coloquei um pouquinho de pasta concentrada de romãs, depois um tanto das sementinhas frescas e cobri com o creme. Levei à geladeira por muitas horas. Adorei o resultado!

o minestrone de anteontem

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Outra sopa? Sim, outra sopa!

Felizmente existem sopas e saladas para alimentar pessoas preguiçosas e eternamente cansadas como eu. Tem dias—e esses dias parecem ser quase todos os dias—que só dá ânimo pra coisas fáceis, rápidas e de preferência feitas numa só panela. E na noite em que o minestrone figurou no menu, eu tive vontade de mastigar, de comer algo quente e pedaçudo. Nada mais prático então do que essa sopa super versátil, que não precisa de receita, ajuda a dar cabo de legumes e verduras acumulados e ainda fica reconfortante e deliciosa.

Nessa versão eu usei algumas fatias de um ótimo bacon, que cortei em cubinhos e fritei numa panela de ferro robusta. Depois acrescentei cebola picada, cenoura em cubinhos, abóbora em cubinhos, uma lata de feijão mulatinho cozido [pinto beans], alguns quiabos cortados em rodelas e um pequeno pimentão. Juntei um litro de caldo de cogumelos, um pouco de água e um outro pouco de vinho brano. Deixei cozinhar até engrossar, daí acrescentei um punhado de ORZO e sal a gosto. Deixei fervei, desliguei e acrescentei bastante salsinha fresca picada. Servi com fatias de pão rústico sweet batard.

kitchen store

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em Jackson, Califórnia

bolo de romã
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No mês passado o Uriel trouxe da fazenda de pistachos seis romãs gigantes. Essa fazenda produz romãs exclusivas para exportação, elas vão para o Japão provávelmente dentro de saquinhos de veludo e devem custar por lá o seu peso em ouro. Mas elas são lindas e perfeitas! O cara da fazenda avisou o Uriel que elas já estavam ótimas para consumo. Eu dei uma para uma amiga, abri outra que comi sozinhas devorando as sementes com a colher—e desta vez não encontrei nenhuma surpresa!

Estava pensando no que fazer com tanta romã, ainda mais que também tem chegado romãzinhas singelas, as primas pobres das romãzonas bacanudas, na cesta orgânica. Estava pensando em fazer uma panna cotta, quando cruzei com esta receita. Assim foi. Abri uma romã gigante, fiz o bolo e e ainda sobrou muitas sementes para eu levar de snack no trabalho. O bolo ficou no mínimo o máximo!

Pomegranate Pound Cake
3/4 xícara de açúcar
6 colheres de sopa de manteiga na temperatura ambiente
2 ovos caipiras grandes
1 clara de ovo
3/4 xícara de buttermilk
2 colheres de chá de raspas de limão
2 colheres de chá de extrato de baunilha
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
1/4 colher de chá de sal
3/4 xícara de sementes de romã
Manteiga para untar a forma

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 176ºC. Na batedeira bata em velocidade de média para alta a manteiga com o açúcar até ficar bem misturado. Adicione os ovos e a clara um de cada vez, batando sempre. Numa vasilha misture o buttermilk com as raspas de limão, a baunilha e o bicarbonato de sódio. Numa outra vasilha misture a farinha e o sal e bata com o batedor de arame. Vá colocando alternadamente a mistura de buttermilk e a de farinha na batedeira, até formar uma massa lisa. Desligue, adicione as sementes de romã, misture com uma espátula e coloque numa forma média untada. Asse por uma hora, até que o bolo fique firme e dourado. Retire do forno e deixe esfriar antes de desenformar.

pedras preciosas

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sementes de romã

olha...

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—mas isto aqui está um té-éé-di-oo, hein?

in vino veritas

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Não deixe passar despercebidos os pequenos detalhes na composição de uma bela garrafa.

sopa de berinjela e tomate

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No domingo eu empilhei várias berinjelas, pimentões e pimentas numa vasilha imensa e pedi para o Uriel tostar na churrasqueira. Essa foi a única maneira que encontrei de tentar salvar os tais legumes que acumulavam na geladeira. Quando ele trouxe a vasilha de volta cheia dos tais legumes chamuscados, despelei tudo e guardei em containers na geladeira. Por isso pude facilmente fazer uma sopa na segunda-feira, com a polpa da berinjela assada. Procurei por receitas de sopa de berinjela e a maioria que encontrei levava tomate. Os tomates ainda estão chegando na cesta orgânica, mas não têm mais nem a sombra da beleza, sabor e exuberância que exibem durante o verão, pois chegam queimados pelas temperaturas baixas das noites frias de outono. Esses tomates só servem para molho, não dão mais pra serem comidos crus. Então bati alguns tomates feiosos no liquidificador com um pouco de água e depois passei pela peneira. Voltei o purê para o copo do liquidificador e acrescentei a polpa de duas berinjelas pequenas assadas. Bati bem. Numa panela fritei uns três dentes de alho picadinhos num tantinho de azeite. Acrescentei a mistura batida de tomate e berinjela, adicionei uma pitada cuidadosa de pimenta chipotle—a jalapeño seca e defumada. Salguei a gosto. Deixei ferver, desliguei o fogo e servi logo em seguida.

e agora são oito

Eu gosto de marcar datas, especialmente para poder ter alguma referência e poder relembrar e recontar quando a memória começar a falhar. O marco importante que quero frisar hoje é que completo oito anos escrevendo blogs ininterruptamente. Oito anos de textos diários sobre a vida, sobre comida, filmes, música, gentes, gatos, meu cotidiano aqui nas terras californianas, como também pequenas e grandes viagens.

Quando eu comecei minhas blogagens, os blogs não eram conhecidos, muito menos populares. Meu e-mail chegava nas caixas dos meus amigos com a assinatura que eu uso até hoje [leia o meu pensamento] e os que iam lá checar o que os meus pensamentos poderiam ser, voltavam encantados e entusiasmados. O meu primeiro blog, The Chatterbox, foi mãe de muitos blogs nos primórdios da blogolândia, assim como o Chucrute com Salsicha também acabou sendo mãe de alguns blogs de culinária.

Eu e o meu The Chatterbox saimos em muitas reportagens sobre blogs em quase todos os jornais e revistas brasileiros. Estávamos lá nos primeiros relatos, que acabaram dando inicio à febre blogueira que se alastrou pela internet no inicio deste novo século. Era muito engraçado ganhar aquele tipo de destaque, já que eu estava apenas escrevinhando os meus pensamentos sobre o meu cotidiano e sobre a vida. E é isso que venho fazendo até hoje. São três blogs ativos, oito anos de vida, muitos textos, muitas fotos, informação à beça que já dá pra fazer de arquivo da memória, somado à muitos amigos, muitos encontros e alguns desencontros, pois eles também fazem parte. A soma dos oito é extremamente lucrativa, pois desde o inicio que eu tinha absolutamente certeza de ter encontrado a mídia perfeita para por em prática o que eu sempre quis fazer: escrever para quem quiser me ler.

salada de batata doce

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Sobre uma cama de rúcula, rodelas de batata doce cozidas e salpicadas com ciboulettes [chives]. O tempero foi vinagre de vinho, flor de sal e muito azeite.

bacalhau a Califórnia

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O bacalhau é canadense, que foi desalgado de molho na água com duas trocas por 24 horas, depois cozido no leite. O resto são os ingredientes básicos de uma bacalhoada, com o detalhe significante de ser tudo californiano—local e orgânico. As batatas novas, daquelas com a casca finíssima quase um papel de seda e as echalotas [shallots] compradas no Farmers Market de um fazendeiro da região. As azeitonas verdes vieram de Sonoma e o azeite maravilhoso veio de Corning, no Tehama county. As batatas foram pré-cozidas e para montar a bacalhoada foi só regar o fundo de um refratário com azeite, deitar uma camada de batata cozida cortada em rodelas, outra camada do bacalhau em pedaços grandes, uma camada das echalotas cortadas em fatias finas, muitas azeitonas, outra camada de batata, regar com bastante azeite e colocar em forno médio por uns 20 minutos.

dutch baby [com pêras]

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A dutch baby é uma panquecazona alemã que é um coringa nas minhas noites de domingo. Ela é fácil e rápida de fazer, e fica deliciosa. Eu faço sempre que não tenho nenhuma gostosura para o nosso lanchinho de encerramento do final de semana e não estou nos ânimos de fazer nada mais demorado. A dutch baby fica pronta num piscar de olhos. Desta vez eu inovei fazendo com fruta no meio da massa e ficou muito bom. Essa receita serve muito bem duas pessoas com fome.

3 ovos caipiras
3/4 xícara de leite integral
3/4 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de extrato de baunilha
2 colheres de sopa de manteiga
2 pêras
1 colher de sopa de açúcar baunilhado
Açúcar de confeiteiro para decorar

Pré-aqueça o forno em 425ºF / 220ºC. Numa frigideira de preferência de ferro e que possa ir ao forno, derreta duas colheres de manteiga. Coloque as pêras cortadas em cubinhos e refogue na manteiga. Acrescente uma colher de açúcar baunilhado. Enquanto isso bata no liquidificador os três ovos em velocidade máxima, Acrescente o leite, sempre batendo. Desligue, acrescente a farinha e ligue novamente em velocidade máxima. Por último coloque o extrato de baunilha. Quando as pêras estiverem douradas, desligue o fogo, jogue a massa batida por cima e leve ao forno. Asse por uns 20 minutos, ou até a massa crescer e ficar dourada. Retire do forno e polvilhe com açúcar de confeiteiro. Sirva em seguida.

Imperial Hotel
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Para compensar o show de horrores que foi o nosso almoço no buteco da Susan, tivemos um jantar delicioso e elegante no Imperial Hotel em Amador City. A minúscula cidade de 150 habitantes abriga um restaurante realmente impressionável, pela qualidade da comida e serviço. O prédio construído em 1879 era um hotel para os mineiros, que infestavam a região durante a corrida do ouro. Hoje restaurado, o local ainda oferece hospedagem com seis quartos na parte de cima e o restaurante no andar de baixo. Tudo muito lindo, sem exageros, decoração e luz delicada, eu e o Uriel ríamos como bobos alegres, comparando as duas experiências do dia.

De entrada o Uriel pediu em roasted garlic and warm brie with olives, mixed greens and baguette, que foi o único prato que eu fotografei. Eu pedi uma salada com organic baby romaine with parmesan, crostini and creamy lemon dressing que estava leve e saborosa. Depois o Uriel foi de penne pasta with artichoke hearts and sun roasted tomatoes in a light cream sauce e eu de pork chop chili-rubbed pork chop with mango wine sauce served with basmati rice. Eu bebi um blend muito saboroso de uma vinícola que a garçonete disse ficar just across the street. A sobremesa foi cheesecake de café para o Uriel e bolo de maçã com calvados e sorvete de baunilha pra mim. O sorvete era feito em casa, nada de lata, nada de pacote, nada de vidro, nada semi-pronto e processado. Ufaaaa!

desperately forgetting Susan
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Eu detesto escrever pra esculhambar, mas muitas vezes é impossível evitar. E a Susan pediu pra levar chibatadas. Desculpa, Susan, mas você merece todas as palavras duras e todo o escracho, sinto muito.

Chegamos em Sutter Creek já passado do horário do almoço. Caminhamos pela rua principal até o information center, onde pegamos folhetos e conversamos com uma senhora que nos deu algumas dicas de visitas às minas, que era o passeio que o Uriel estava doido pra fazer. Sutter Creek e Jackson são as cidades principais naquela área do condado de Amador, que é famoso pela intensa corrida do ouro que trouxe gente à beça para a Califórnia em 1849.

Olhamos o panfleto dos restaurantes e enquanto eu fui encaroçar numa lojinha de antiguidades, o Uriel ficou analisando as possibilidades. Finalmente decidimos que deveríamos tentar um lugar chamado Susan's Place, que servia Mediterranean/California cuisine. Ficamos animados. O restaurante fica num beco bem charmoso, numa construção antiga que nos pareceu ser um pequeno hotel. A entrada, apesar de emperequetada demais pro meu gosto, não nos assustou. Muitos comensais almoçavam no páteo, mas fomos levados para uma das partes internas do restaurante. Sentamos e fomos muito bem atendidos por uma garçonete gentil que me trouxe diversos samples de vinho até eu decidir por um Zinfandel da região. O condado do Amador tem muitas vinícolas e produz vinho de excelente qualidade. Eu quis beber o vinho da região. O Zinfandel não decepcionou. Mas o resto.....

Quando olhamos o cardápio percebemos que o rango californiano mediterrâneo era bem fraquinho. Pedimos juntos uma entrada de bruschettas, eu uma saladona e o Uriel um prato com frango. Dai começamos a observar a decoração do lugar. Sintetizando, tudo ali era OVER THE TOP. Muita luzinha, muitas plantas e flores falsas, um guarda-sol em cada mesa na parte interna, uma cafonice total com cortininha, abajour e livros antigos—realmente, um restaurante-biblioteca com livros de matemática de 1942 era tudo o que queríamos da vida. Havia também muitos quadros cafonildos nas paredes pintadas de roxo-lilás. As portas eram também pintadas de roxo e deu logo pra perceber que a Susan tinha uma preferência exagerada por essa cor, que abundava por todo o restaurante, entremeada pelo verde e o dourado, numa mistura extremamente cansativa. Pra completar, a cereja no topo do bolo, o fundo musical tocando no restaurante era música de elevador cantada, tipo Berry Manilow. Eu já estava quase chorando de arrependimento e antecipando o pior quando a comida chegou...

A bruschetta veio quente e com uma camada de pesto por cima da torrada. Comemos meio assim, achando que aquilo era muita invencionice e já começamos a ficar preocupados com o que viria dali pra frente. O prato do Uriel era uma coisa indecífravel. Eu perguntei umas dez vezes—mas você não pediu frango? Porque o que víamos ali era uma carne moída muito estranha por cima de um arroz, uma visão tenebrosa. A cara do Uriel demonstrava um horrível descontentamento. E a minha salada era a coisa mais buffet do Fresh Choice que eu já vi na vida! Tudo sem graça e coroado com muitas azeitonas DE LATA! Azeitona de lata é o fundo do poço, o fim da picada da baixa qualidade e total ausência de sabor. Fiquei revoltada, só conseguia balbuciar inconformada—AZEITONA DE LATA, AZEITONA DE LATA, AZEITONA DE LATA! E o molho da salada era ardido de tanto alho, daquele que deixa um gosto ruim na boca por 48 horas. Tudo horrípilesco, grotesco, monstruoso, pra combinar com a decoração. Só salvou-se o vinho e a delicadeza da garçonete, que no final me levou até a adega do restaurante para eu ver a garrafa do vinho que havia bebido. Lá estava, debruçada no balcão do bar, a Susan, uma loiraça de meia idade com um suéter beige de cashmere. Au revoir, Susan! Só queremos desesperadamente te esquecer.

multitasking
[i'm only human]

Cheguei em casa com o pacote do Adobe Creative Suite e queria pular da tarefa de fazer o jantar e ir direto para a tarefa de fazer a instalação dos programas no meu computador. menos_bagunca_4S.jpg Eu me dei de presente de aniversário um iMac novo, já que o velho estava quase aposentado e fazia uns três anos que eu praticamente só usava o laptop. Mas o computador novo veio praticamente pelado de programas úteis e os que eu tenho em versões mais antigas não rodam bem no sistema novo. Então aproveitei o meu desconto educacional e comprei na livraria da universidade esse pacotão por um preço bem razoável.

Mas jantar era preciso, então me apressei. No interim chegou revistas, DVD e livros, tinha uns tapetes de molho na máquina de lavar, umas toalhas de banho e lençóis esperando um segundo ciclo na máquina de secar e tive que enfrentar a desorganização básica de sempre na cozinha. Mas dessa vez me surpreendi, pois nunca estive tão afinada numa coreografia de fazer o jantar coordenado com outras atividades domésticas. Fiz uma sopa de lentilha vermelha, que era a que eu tinha na despensa.

Numa panela refoguei alho picadinho num fio de azeite. Adicionei a lentilha lavada e maçãzinhas lady cortadas em pequenos cubinhos. Refoguei, refoguei, juntei água suficiente para cobrir tudo, cozinhei, cozinhei até a lentilha quase derreter. Usei o mixer de mão para transformar tudo num creme espesso, adicionei sal a gosto e umas pitadas bem cautelosas de curry. Deixei ferver e desliguei o fogo.

Corri abrir dois peitos de frango caipira com a faca, deixando-os bem largos e finos. Fiz a mesma receita do frango recheado com espinafre e queijo brie, só que dessa vez usei folhas frescas de espinafre. Coloquei os dois peitos recheados para assar em forno médio e subi correndo para fazer o que tinha que fazer no meu novo iMac.

Demorou a beça pra instalar o Suite e durante a espera tive tempo de arrumar o meu semi-abandonado e hiper-bagunçado escritório, que agora está frequentável novamente.

Foi uma noite proveitosa. A sopa ficou uma delicia, o frango ficou super saboroso e macio, os programas foram instalados com sucesso, e ainda consegui dobrar e guardar as toalhas e lençóis lavados, folhear os livros novos e terminar de ver um filme!

M.F.K. Fisher

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Foto de Chistine Alicino

Meet Me in St. Louis

Meet Me in St. Louis é um musical romântico dirigido pelo diretor Vincente Minnelli em 1944. Esse filme é diversão pura, porque é cheio de números musicais clássicos bacanérrimos, de lindas cenas bucólicas em technicolor e muitas, muitas referências à comida. O filme é dividido por estações do ano e se inicia no verão, dentro da cozinha.

Os Smiths são uma típica família classe média que vive num casarão vitoriano na cidade de St. Louis, estado do Missouri, em 1903. São o pai, a mãe, a empregada, quatro filhas e um filho. No inicio do filme é verão e a mãe e a empregada estão ocupadas na cozinnha preparando o jantar e fazendo catchup. Todos que entram na cozinha dão uma provadinha na conserva de tomates e dão um palpite—muito, ácido, muito doce, muito grosso. No final. mesmo não chegando a um consenso, a empregada encerra o assunto colocando o catchup nas garrafinhas com um funil.

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making catchup

A filha mais velha está esperando o telefonema do namorado. Ele está em New York e vai ligar interurbano, por isso a família se organiza pra tentar adiantar o horário do jantar. Mas o pai não aceita e a empregada tenta então servir tudo nas pressas. Primeiro uma sopa de tomates, afinal é verão. Depois uma bela peça de corned beef, servida com repolho cozido. O pai reclama que a carne está cortada muito fina. A empregada retruca que a patroa mandou ela cortar bem fino pra carne poder ser servida em duas refeições. O pai vence a batalha e todos se servem de grandes e grossas fatias de corned beef.

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corned beef & cabbage

Com o outono chega o Halloween e as cenas mostram novamente as funções na cozinha. A empregada está decorando um bolo enorme e lindo. As meninas chegam fantasiadas e lhe pregam um susto. Depois de vários acontecimentos durante e depois do trick or treating todos se sentam pra devorar vasilhas cheias de sorvete e contar histórias do Halloween. O pai chega com a notícia que por razões do seu emprego a família vai ter que se mudar para New York, mas ninguém se mostra feliz. St Louis é a cidade onde todos desejam permanecer.

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halloween treats

No decorrer do filme há muitos bafafás românticos envolvendo as irmãs mais velhas, com destaque para Judy Garland, que é a estrela do filme e protagoniza quase todas as cantorias. Margaret O'Brien, que faz o papel da irmãzinha fofinha mais nova, contou numa entrevista anos mais tarde que foi muito fácil trabalhar com Judy Garland nesse filme, pois nessa fase a atriz estava sempre feliz. Foi nos sets de filmagem de Meet Me in St. Louis que ela conheceu e se apaixonou pelo seu futuro marido Vincente Minnelli, que dirigia o filme. Garland começou sua carreira como atriz infantil num tempo em que os estúdios tinham permissão para fazer coisas que hoje seriam consideradas abusos e torturas horripilantes. Uma das atrocidades que os produtores da Metro-Goldwyn-Mayer faziam com a menina prodígio Judy Garland era não deixá-la comer, mantendo-a sempre numa rígida dieta, para que não perdesse a sua figura esbelta que vendia bem e ajudava os crápulas de Hollywood a encher os bolsos de dinheiro.

pumpkin [ginger] muffins

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Mais uma receita infalível da minha amiga Elise, que como sempre ficou ótima. Já contei que fomos avisados pelo pessoal da fazenda orgânica ainda no verão que haveria uma abastança de abóboras neste outono, e dito e feito. Já tenho uma bela coleção na minha cozinha e estou tentando usar como posso. Para fazer esses muffins usei a butternut squash, que eu tinha cortado em cubinhos e cozinhado no vapor outro dia. Não fiz purê, apenas amassei com o garfo, para que os muffins ficassem mais pedaçudos.

1 1/2 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
1 xícara de açúcar
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 xícara de purê de abóbora
1/3 xícara de manteiga derretida
2 ovos caipiras batidos
1/4 xícara de água
1/2 colher de chá de noz moscada
1/2 colher de chá de canela
1 colher de chá de gengibre em pó
2 colheres de sopa de gengibre cristalizado picado

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 176ºC. Numa vasilha peneire junto a farinha, sal, açúcar e o bicarbonato. Misture separado a abóbora, a manteiga, os ovos, a água e as especiarias e junte à mistura de farinha. Mexa até os ingredientes ficarem incorporados, mas não exagere. Junte o gengibre cristalizado—se não tiver, use passas, outra fruta seca, ou nozes, pecans. Coloque a massa nas formas de muffin untada ou forrada com forminhas. Asse por 30 minutos, ou até os muffins ficarem firmes e dourados. Remova do forno, deixe esfriar numa grade. Essa receita faz 12 muffins.

kiwi berries

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São pequenas berries com sabor de kiwi, super delicadas e doces. Nós adoramos, principalmente por serem fáceis de comer e não precisar descascar.

lady apples

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Lindas mini-maçãs, embora não tão mini quanto as crab apples. Ainda não sei que vou fazer com elas, talvez coma algumas cruas. São maçãs snack!

tea candies
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Paramos no Peet's Coffee para o Uriel beber um café [na xícara] e eu fui comprar o chá branco Snow Leopard que a Sally tinha recomendado. Enquanto ele esperava pelo café, fiquei encaroçando nas outras coisinhas e tchanran, foi quando achei essas balas de goma de chá.

Eu não sou muito chegada em coisas açúcaradas, doces, chocolates, balas, etc. Mas duas coisas que me fazem salivar na hora são balas azedas e balas de goma. Deve ser algum resquício emocional da minha infância. E essas balas de goma vendidas no Peet's estavam perfeitas—não muito doces, macias, super saborosas e mastigáveis, com sabores de jasmine green tea, hibiscus tea e black currant tea.

foi o esquilo que me encarou

Na frente da porta de entrada para a minha sala no meu trabalho tem um arbusto que se enche de pequenas flores no verão e que no outono viram frutos ovalados com uma cor verde bem escura. Esse arbusto é um pé de feijoa, uma fruta deliciosa também conhecida como goiaba mexicana. Eu levei muito tempo para me tocar que aquelas frutinhas eram feijoas, já que elas desaparecem rapidamente por serem vilmente atacadas e devoradas ainda verdes pelos esquilos.

Voltando da minha caminhada estica-pernas das três da tarde observei uma comoção esquilanesca nas proximidades do pé de feijoa. Foi quando peguei no flagra três esquilos, que já roiam covardemente as tais frutinhas. Minha presença e cara nada amigáveis fizeram com que dois dos esquilos se pirulitassem e fossem procurar por coisinhas comestíveis na grama de outra árvore mais próxima. Mas um deles não se moveu, ficou ali plantado e me encarou. O esquilo me encarou sem piscar, nem disfarçar, não abaixou a cabeça, não vacilou. Ele simplesmente me encarou. E eu encarei de volta, enquando ele subia pelos galhos da árvore, sem nunca virar a cabeça, sempre firme me encarando. O duelo de olhares durou alguns minutos. Foi emocionante. Não sei por que, mas eu tive quase certeza de que aquele esquilo era uma esquila.

sopa de feijão branco

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Uma sopa muito simples e muito boa, feita com feijões brancos do tipo Great Northern que ficaram de molho durante uma noite e depois foram cozidos na panela terracota junto com dentes de alho e folhas de sálvia em fogo baixo, até ficarem bem macios. Depois é só bater tudo no liquidificador, passar por uma peneira, adicionar mais água se necessário e salgar a gosto. Na hora de servir, temperar com bastante azeite bacanudo, do melhor que você tiver na sua despensa.

salada de espinafre e abóbora

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A cesta orgânica já engatou segunda e acelerou, entrando graciosamente no modo outono. Além dos vários tipos de abóbora, agora temos também as folhas verdes. Nesta semana chegaram um mação de espinafre, outro mação de rúcula, três tipos de verduras de cozinhar e um pé número 49 de alface crespa. Essa é a época do ano em que as noites de segunda-feira são desalentadoras, pois eu passo muito tempo em frente da pia lavando, lavando, lavando, lavando...

Para fazer valer todo o trabalho, nada mais natural que tívessemos uma saladona com folhas verdes para o jantar. Sobre uma cama de espinafre salpiquei cubinhos de abóbora [a butternut squash] que foi cozida no vapor. Azeitonas verdes temperadas com laranja vermelha, mais nozes colhidas outro dia na fazenda e pedacinhos de um excelente queijo azul feito em Point Reyes. O tempero foi vinagre de laranja, azeite com laranja vermelha e flor de sal. Ficou uma refeição completa.

The Olive Pit
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Depois do almoço no Granzella's em Williams, dirigimos mais umas trinta milhas em direção ao norte, com destino à cidade de Corning no condado de Tehama, conhecida como the olive city—a cidade das azeitonas. Corning fica no meio de campos imensos de oliveiras e tem uma loja famosa que vende azeitonas e azeites de todos os tipos. Fiquei impressionada com a quantidade de maneiras diferentes de preparar as azeitonas, e com as inúmeras variedades que a loja oferecia. Comprei um azeite não filtrado feito com a variedade Arbequina e um outro feito com a variedade Mission prensada junto com laranjas vermelhas.

Um professor, colega do Uriel, nasceu em Corning e contou que a cidade não mudou nada desde o tempo em que ele era criança. Pudemos constatar o fato in loco. Achei fofo que muitas ruas tinham nomes de frutas. Mas a cidade é outra daquelas sem muitos atrativos, com uma rua principal bem larga, com cara de downtown dos anos 50. Pude até visualizar o Bill rebolando a pélvis num bailinho da escola pública de Corning ao som da sensação musical do momento—Elvis Presley.

Granzella's
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A Califórnia não é só San Francisco, Los Angeles, Hollywood, Napa Valley. A Califórnia é também um estado agrícola, responsavel pelo abastecimento de gostosuras pelo país e mundo afora. Além do glamour dos lindos lugares turisticos e afamados, há também grandes extensões de terra cultivadas com arroz, tomates, amêndoas, azeitonas, nozes, muitas fazendas de gado e de frutas. É uma beleza de ver, apesar de não ser tão chamoso e não atrair nenhum turismo.

Quando o Uriel viaja pelas fazendas na Califórnia, ele e o grupo dele sempre acabam tendo que comer em lugares não muito refinados. Eles comem pela estrada, em lugares que servem comida pesada e porções gigantescas para caminhoneiros, lenhadores, trabalhadores da terra, gente que precisa repôr a energia perdida no trabalho braçal. Então quando ele achou esse restaurante italiano no meio do nada, com comida decente, uma deli que prepara sanduiches frescos e leves, uma lojinha com centenas de variedades de azeitonas e azeites, ele se sentiu num oásis. E quis que eu fosse lá conhecer o lugar.

O Granzella's fica no meio dos campos de arroz, mais pro norte do estado, na cidade de Williams, condado de Colusa, com três mil e poucos habitantes. Nós fizemos um rápido tour pelo lugar, que num sábado à tarde parecia uma cidade fantasma, com a exceção da movimentação no Granzella's e por um casamento mexicano acontecendo numa igreja simples numa esquina. O restaurante deve ser a única atração e a maior fonte de empregos da cidade. Um incêndio destruiu o local no ano passado, mas ele foi rapidamente reconstruído.

O Granzella's é enorme e comporta um restaurante, uma deli, uma loja de quitutes e um sports bar que realmente me chocou, com centenas de cabeças de animais penduradas pelas paredes. A deli é bem famosa, onde você pode pedir sanduíches leves feitos com queijos e carnes frias e o pão fresquinho assado na padaria do lugar. Nós optamos pelo restaurante e não achamos nada especial, mas a comida era honesta. O Uriel pediu um nhoque que não impressionou. E eu pedi um steak, que na verdade eram quatro e vieram acompanhados de vagens cozidas no vapor e purê de batata com gravy, que veio por engano, pois eu tinha pedido batata frita. As fritas vieram como cumprimento mais tarde. Eu bebi um White Zinfandel e o Uriel uma Italian soda de morango. Os pratos incluiam o salad bar, que não tinha nada de diferente ou especial, a não ser pelas azeitonas temperadas. As porções eram enormes, fato normal em qualquer restaurante que sai do circuito refinado da California Cuisine.

A lojinha de guloseimas era tentadora, com mil e um tipos de azeites, até suco de azeitonas pra se colocar no Martini e Bloody Mary. Tomamos um gelatto e atravessamos a rua para visitar a lojinha de presentes do Granzella's, que não achamos nada especial, pelo contrário, achamos meio cafonalha e bem careira. Mas eu comprei uns cremes para mãos feitos com azeite e com lavanda que me impressionaram pela delicadeza e perfume.

garlic rosemary popovers

Essa receita veio impressa em alguma embalagem, que eu recortei e deixei na altura dos meus olhos, encaixada na fresta da porta de um dos armários, para poder lembrar de fazer em breve. Os popover são pãezinhos bem leves, que até lembram um pouco aquele pão de queijo de liquidificador, só que eles ficam mais sequinhos e com uma consistência mais firme. Mas crescem e abrem em formato de flor e ficam ocos por dentro, portanto ótimos para comer com algum tipo de recheio. Eles foram o acompanhamento para uma sopa de lentilha verde temperada com alho e ervas e uma salada simples de tomate, servidos numa noite de ventania descabelante e barulhenta.


1 1/2 xícara de leite integral
Três dentes de alho
1 colher de sopa de alecrim fresco picadinho [*usei o seco]
3 ovos da galinha feliz
1 1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher de manteiga derretida
1/4 colher de chá de sal
3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado

Aqueça o leite numa panela até ele ficar bem quente. Desligue o fogo e coloque os dentes de alho cortados ao meio e o alecrim de molho no leite quente por pelo menos vinte minutos.

Pré-aqueça o forno em 450ºF / 232ºC. Unte seis formas grandes ou doze pequenas para popover com manteiga. Se não tiver as formas próprias para popover, use as para muffins.

No liquidificador coloque todos os ingredientes, mais o leite coado [descarte o alho e o alecrim]. Bata bem até obter uma massa lisa e coloque nas formas até 2/3 de altura, porque eles crescem e abrem.

Salpique cada popover com um pouquinho de queijo parmesão e leve para assar em forno alto pré-aquecido por 15 minutos. Baixe a temperatura do forno para 325ºF / 162ºC e asse por mais 15 minutos. Não abra a porta do forno durante o processo. Desenforme e sirva, quentinho.

dias de ventania
[descabelante]

Perdi hora pela manhã, o alarme não tocou. Isso acontece raramente, mas quando acontece desestrutura todo o meu dia. Acordar devagar, abrir os olhos com calma, espreguiçar, pensar na morte da bezerra antes de colocar os pés no chão, me desejar um bom dia, tudo isso faz parte da minha rotina matinal, que foi interrompida porque o alarme não tocou ou tocou e eu não ouvi. Me virei ainda semi-imersa num sonho para olhar o relógio e os números que vi me fizeram pular da cama num sobressalto assustado—sete e cinco!

Felizmente deu pra beber minha xícara de café, remoendo a perda dos preciosos minutos. Cara amarrada. Já saindo para a fazenda ele me perguntou—dormiu bem? A resposta era sim, dormi, mas não pude dizer que sim, já que estava amargurada pelo atraso. Mais ou menos, foi a minha resposta mal humorada.

O menu do jantar foi sopa de lentilha verde com alho e ervas. Colocar a receita aqui é chover no molhado, mas eu queria registrar. Começou a ventar horrivelmente. Uma pessoa que conheço, nascida em Upstate New York, sempre bradava num tom apocalíptico que na Califórnia quando chovia, chovia, chovia, chovia, e quando ventava, ventava, ventava, ventava. Eu nunca entendi muito bem essa reclamação exacerbada, mas é verdade que quando venta, realmente venta e venta enlouquecidamente e descabelantemente por vários dias.

Dormi com o barulho dos galhos da árvore chicoteando o telhado da casa. O cachorro do vizinho latia sem parar, chorando. Vento, vento, vento, vento. A manhã chegou gelada e eu perdi hora, perdida no sonho, sonhando com algo que nem mais lembro.

pimentão recheado com arroz

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Usei o arroz jasmine coral já cozido de maneira tradicional e segui o principio da receita de pimentão recheado da tia Dirce, pois acho que aliche/anchova combina muito bem com pimentão. É só cortar os pimentões ao meio—usei verdes, vermelhos e amarelos, já que tinha uma coleção—remover sementes e rechear com a mistura de arroz, cubinhos de pimentão vermelho, filézinhos picadinhos do melhor aliche que seu dinheiro puder comprar, azeitonas pretas picadinhas e salsinha fresca picadinha. Assar em forno médio, até os pimentões ficarem macios. Servir quente ou frio.

Fair Trade

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jasmine coral rice

Quando eu perguntei ao meu amigo que é diretor da fazenda orgânica da UC Davis e uma das pessoas mais engajadas em políticas de agricultura e meio-ambiente que eu conheço, o que mais eu poderia fazer além de comprar local e orgânico de produtores que praticassem a auto-sustentabilidade, ele respondeu na lata—buy Fair Trade!

Ele também me recomendou pesquisar os fazendeiros que adotassem práticas justas com seus trabalhadores, não explorando mão de obra barata e ilegal. Mas o Fair Trade é um detalhe muito importante para os produtos que vem de países mais pobres e em desenvolvimento, pois essa prática econômica tem como um dos seus objetivos principais promover um sistema global de economia sustentável e justa. Morando num país rico que compra produtos de países mais pobres, é minha obrigação tentar não contríbuir com qualquer tipo de exploração. Banana, chocolate, café, açúcar são produtos que têm uma boa distribuição Fair Trade aqui nos EUA. A banana e a quinoa que eu compro são Fair Trade. Há muitos outros produtos nas prateleiras dos supermercados que também são, é só procurar com cuidado. Esse delicioso arroz jasmine coral da Tailândia é Fair Trade. Fique de olho nesses produtos você também!

»Para saber mais, visite o website da Fair Trade Federation.

sopa de abóbora e manjericão

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Relendo depois de vinte anos O Melhor da Festa da Sonia Hirsch, rememorei algumas das suas boas idéias. Uma delas, misturar abóbora com manjericão, que segundo ela é uma das combinações mais perfumadas da história da culinária. Não posso discordar. Usei uma abóbora japonesa, a kabocha, que já estava previamente assada. Eu tenho o costume de assar coisas de véspera ou quando estou usando o forno ou a churrasqueira pra fazer outras coisas. Essa abóbora tem uma casca grossa que não é fácil, precisa ter muito muque para descascá-la e como muque é o que eu não tenho, apenas cortei ao meio, removi as sementes, embrulhei no papel alumínio e assei. Na hora de fazer a sopa, removi toda a polpa com uma colher, coloquei no liquidificador com bastante folhas de manjericão fresco e um tanto de água—ia usar caldo de legumes, mas resolvi que não deveria interferir no sabor da abóbora e do manjericão. Bati bem a mistura. Numa panela refoguei cubinhos micros de cebola no azeite, acrescentei o creme de abóbora, temperei com sal e pimenta branca moída, deixei levantar fervura e desliguei o fogo. Servi a sopa com pedaços de queijo fresco e um fio de azeite super-extra-especial.

DNNO

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Este foi o terceiro ano do Davis Neighbors Night Out organizado pela prefeitura da cidade e neste ano a nossa vizinhanca participou. Não foi nada que não pudessemos ter feito sozinhos, como já fizemos em 2002 num churrasco comunitário. Mas com o apoio da cidade, que ofereceu descontos e brindes, enviou convites e fez a promocão, ficou realmente mais fácil. Este ano, com as comemorações dos 100 anos da cidade e do campus da Universidade da Califórnia, o objetivo era conseguir cem vizinhanças participando.

Nossa vila foi construída pela UC Davis em 1996 para abrigar professores da universidade. São trinta e duas casas agrupadas num circulo e uma linha reta que faz a fachada da vila. As casas no círculo são para os professors e têm uma casinha de hóspede no fundo, também chamada de graduate cottage, pois foram construídas para abrigar estudantes de pós-graduacão. Na linha reta ficam casas geminadas [town houses] onde moram funcionários da universidade. É uma comunidade bem estruturada e forma um grupo grande de vizinhos.

Eu conheco meus vizinhos do lado, da frente e umas amigas que vivem numa das casas geminadas e numa casa de hóspedes. Fora esses, não conheco mais ninguém. Como temos uma mailing list da vila, conheço alguns outros de nome, mas é só. Então participar dessa festa de vizinhos me animou, pelo menos para dar uma olhada na cara das pessoas que vivem do outro lado.

Como eu já tinha marcado um outro compromisso com umas amigas e o papo estava pra lá de bom, acabei chegando atrasada na festa dos vizinhos. Chegar atrasada aqui muitas vezes significa perder a parte principal da festa, E foi o que aconteceu com o casal atrasanildo da casa 273. Cheguei com a minha saladona quando a maioria já tinha comido. E não havia mais name tags para escrevermos nossos nomes. Além de que todo mundo já estava no papo animado em grupinhos e alguns já estavam quase indo embora. Mesmo assim nos enturmamos, eu conheci pelo menos uma pessoa super legal e o Uriel ficou de papo com um professor aposentado. Não prestei atencão na comida, mas vi de relance que tinha cachorro-quente feito com salsichas assadas numa churrasqueira e uma mesa de saladas, outra de doces, snacks espalhados por todo canto. Também havia vinho, cerveja, refrigerante e suco. Logo anoiteceu e ninguém mais conseguia ver a comida. Um cara chegou com lanternas. As criancas correram e brincaram muito e dançaram—porque também tinha um som na caixa tocando. Estava uma festa agradável, apesar que alguns vizinhos eu simplesmente não me importo de encontrar novamente, pois eles são uns chatos de longa data. Outros são muito legais. Pessoas diversas, como em toda comunidade.

mesa para um jantar
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As minhas arrumações de mesa refletem muito bem a minha libra influenciada por uma rigorosa vênus em virgem, que exige hamonia e beleza mas de-tes-ta emperequetação. Minhas mesas são sempre assim, simples. Raramente uso toalha, porque no caso dessa minha mesa de jantar de quase cem anos, eu gosto de mostrar a história de vida que ela tem impressa na madeira. Gosto de misturar estampas e cores e de guardanapos coloridos contrastando com a rigidez das cores sobrias. Nessa mesa eu usei uma mistura de pratos—uns vintage americanos estampadinhos de cor cinza claro e outros de design escandinavo cinza escuro. Os guardanapos deram o toque final de cores. Ficou uma mesa muito legal, onde sentaram-se cinco pessoas para comer pizza e beber vinho!

fotos de folhas são manjadas

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Mas quem resiste?

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Os trifles são facílimos de fazer, ficam deliciosos e sempre resultam num visual bacanoso, impressionando os convivas em festas e jantares. Eles também são o fino da bossa porque sempre levam um tipo de fruta, fresca ou até mesmo congelada. Nesse eu usei morangos frescos e orgânicos. As camadas ficaram assim:

  • Fatias finíssimas de um butter pound cake [*comprei pronto] regadas com licor Grand Marnier
  • Morangos fatiados e salpicados com um pouquinho de açúcar baunilhado
  • Chantily feito com creme de leite fresco da melhor qualidade [* eu uso o da Strauss Family Creamery], adoçado com um pouquinho de açúcar de confeiteiro e um pingo de extrato puro de baunilha

Vai alternando as camadas até não caber mais. Manter na geladeira por muitas horas, quanto mais tempo melhor. Servir gelado.

doces, café & chá

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Masse's pastries—Berkeley, Califórnia

sopa de fungo de milho
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Eu nunca tinha colocado nenhuma atenção nesse fungo até ler sobre ele no Come-se da Neide. Foi uma surpresa, porque já tinha passado o olho por uns tumores acinzentados quando atualizei páginas das pragas do milho no meu trabalho, mas nunca imaginei que aquela coisa de aparência monstruosa fosse algo comestível. Temos que admitir, sem provocar engasgos, que muita coisa que se come por aí não tem aparência apetitosa apesar de muitas vezes ser. E esse fungo, conhecido aqui nos EUA como smut e no México como huitlacoche, é uma dessas iguarias com cara de monstro de Halloween.

Outro dia chegaram algumas espigas de milho muito feias de fim de estação na cesta orgânica. Quando desfolhei uma delas, encontrei duas ocorrências do fungo. Guardei na geladeira, pensando em fazer alguma coisa com eles. Coincidentemente fazendo compras no Co-op vi os huitlacoche pra vender e comprei um punhadinho. Nem pisquei pra decidir fazer a receita da sopa que a Neide publicou. Fiz no olhômetro e usei mais huitlacoche que batata, adicionei uma pimenta jalapeño e substituí o caldo galinha pelo de legumes. Decorei somente com salsinha na falta da epazote. Esqueci de salpicar com queijo, mas devorei um pratão. Me lembrou um pouco a sopa de feijão, com uma cor acinzentada bem escura. Um pouco assustadora, concordo, mas muito saborosa.

sopa de batatas com huitlacoche

2 colheres sopa de azeite de oliva
1 cebola roxa picada
40 g de huitlacoche picado
6 batatas médias descascadas e fatiadas
1 litro de caldo de frango caseiro quente
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes cortada
2 colheres (sopa) de salsa com epazote* picado
[*erva-de-santa-maria, mastruz/ mentruz-de-arbusto]
Sal a gosto

Aqueça o azeite de oliva numa panela grande, fogo alto, junte a cebola e refogue até amolecer. Acrescente o huitlacoche e as batatas e mexa por mais um minuto. Coloque o caldo de frango, a pimenta dedo-de-moça e salgue a gosto. Com a panela tampada e fogo baixo, cozinhe por cerca de 30 minutos ou até a batata estar bem macia. Se preferir mais suave, tire a pimenta. Se não, passe tudo pelo mixer ou liquidificador [neste caso, espere antes amornar um pouco]. Volte ao fogo, deixe ferver. Se estiver muito densa, junte mais água fervente para deixar a sopa com consistência cremosa e fluida. Junte as rodelinhas de pimenta e as ervas e sirva. Se quiser, espalhe sobre a sopa queijo fresco ralado.

tarte tatin de tomates

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Acho que esta será a última receita com tomates que eu vou publicar aqui este ano. Eles ainda continuam chegando, mas eu já quero começar a dar vazão às receitas outonais. Até o próximo ano, tomates! Ponto final. E essa tarte tatin de tomates teve uma história. Primeiro eu fiz exatamente como estava explicado numa receita que vi no The New York Times e achei o resultado detestável. Os tomates estão extremamente maduros e doces, e o processo de caramelização deixou a torta açucarada demais pro meu gosto. Eu comi, mas não achei que iria vingar algo blogável. Passaram-se muitos dias e dezenas de tomatinhos já estavam acumulados novamente, empilhados na bancada da minha cozinha. Resolvi dar mais uma chance para esta receita, mas desta vez resolvi mudar os detalhes que não gostei e fazer do meu jeito, eliminando a caramelização com açúcar. Usei apenas o azeite e o vinagre e ficou muito melhor. Também não usei cebola. Se alguém quiser testar a receita original, ela está AQUI.

1 circulo de massa folhada [* usei a Puff Pastry]
Muitos tomatinhos maduros
Um punhado de azeitonas pretas
Folhas de tomilho fresco
Sal grosso e pimenta do reino branca moída a gosto
Azeite e vinagre Jerez [Sherry vinegar]

Pré-aqueça o forno em 425 ºF/ 220ºC. Numa frigideira que possa ir a forno coloque um pouco de azeite, ajeite os tomatinhos cortados ao meio e frite em fogo médio, até eles começarem a caramelar. Tempere com sal e pimenta a gosto. Quando os tomates estiverem borbulhantes e soltando um liquido caramelizado, coloque as azeitonas, espalhe as folhas de tomilho e regue tudo com algumas gotas de vinagre Jerez. Não exagere, senão fica muito ácido. Deixe refogar mais uns minutos, remova a massa folhada da geladeira e cubra os tomates com ela, cuidando para que a borda fique bem fechada. Coloque no forno pré-aquecido e asse por mais ou menos 20 minutos ou até a massa ficar crocante e dourada. Retire do forno, deixe esfriar um pouco, passé uma faca pela borda e vire a torta num prato. Sirva morna ou fria.

vinte e quatro horas

Jantei um cachorro-quente e meio, algumas batatas chips naturebas e meia taça de um Sauvignon Blanc neozelandês. Li feliz a cartinha da Jean e o e-mail do Moa, arrumei a cozinha, coloquei meus keds fedorentos de molho na máquina de lavar, coloquei a roupa lavada para secar. Subi, liguei a tevê e chorei muito vendo o filme da Lassie enquanto dobrava roupas de cama lavadas. Tomei banho, terminei de ver Mata Hari com a Greta Garbo, revi Meet John Doe do Frank Capra pela enésima vez enquanto comprava meu novo IMac na loja da Apple da UC Davis. Comecei a ler Simca’s Cuisine, o Uriel ligou e disse que terminaram os testes na fazenda. Tomei remédio para dor de cabeça, comecei a ver Shall We Dance e enquanto Fred Astaire sapateava e cantava sorrindo, virei de costas e dormi.

Acordei, tomei café com leite com bolo de milho, li feliz muitos e-mails, tomei banho, vesti uma blusa que eu adoro e uma saia longa jeans que me dá sorte, arrumei a lancheira e fui pedalando devagar com medo da saia enroscar na corrente da bike. Cheguei no trabalho, disse bom-dia para a jornalista, meu chefe veio conversar comigo e falamos sobre envelhecer e sobre politica. Li feliz mais e-mails, trabalhei, bebi água, ouvi música, comi sementes de romã, fui ao banheiro com o celular no bolso da saia. Trabalhei mais um pouco, meus pais ligaram no celular, falamos sobre envelhecer e sobre politica. Trabalhei ainda mais um pouco, deixei o computador ligado para a técnica instalar o Panther e fui pra casa pedalando devagar com medo da saia enroscar na corrente da bike. Liguei pro Mustard Seed e fiz reserva para uma party of four, fui a pé até o Fuzio onde pedi um sanduíche com salada sem molho para levar para casa, enquanto esperei olhei as roupas na loja da GAP ao lado. Voltei pra casa, o Gabriel ligou. Não gostei muito do sanduíche, mas comi toda a salada. Fiz cortes em cruz e coloquei as castanhas portuguesas para cozinhar numa panela com água, fiz uma receita da panna cotta clássica da Alice Waters. Arrumei a cozinha, subi para ler e ver filmes. Vi dois filmes da década de 30 com a Anne Harding. Tomei comprimidos pra dor de cabeça. Li feliz mais um tanto de e-mails e comi castanhas. O Misty veio me fazer companhia. Minha amiga ligou. Meu irmão ligou, dai desligou e religou no Skype. Minha irmã ligou e ficamos, eu, meu irmão no Skype e minha irmã no telefone. Meu irmão quase dormiu de tédio com o nosso papo. Me despedi, tomei banho, coloquei meu colar super funky, liguei pro Uriel e ouvi o telefone tocando na cozinha—ele já estava em casa. Ele tomou banho. O Gabriel e a Marianne chegaram, fomos à pé ao Mustard Seed. Bebemos vinho, água com gás e suco de uva Pinot Noir. Eu e o Gabriel comemos um hallibut com crosta de macadâmia, o Uriel pediu steak e a Marianne comeu pato. Pedimos entradas, mas não pedimos sobremesa. Comemos e conversamos muito. Voltamos para casa, onde devoramos as panna cottas, conversamos mais um tanto, nos despedimos. Subi, desliguei o laptop que estava em cima da cama, tomei outro banho, liguei a tevê, deitei, começou a passar King Kong de 1933 com a Fay Wray, um clássico que já vi muitas vezes. Pisquei, pisquei, virei de costas e dormi.

mais um

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primeiro de outubro