lá vem ela...

Sempre tomo um susto quando me vejo em fotos. E com essa, clicada pelo paparazzi, não foi diferente. Entendo que nunca nos vemos como realmente somos, temos uma idéia meio fantasiosa sobre a nossa figura, de como nos mostramos ao mundo. Portanto me surpreendi mais uma vez, ao ver a imagem de relance e ter mais uma pequena revelação. fer_old_sac_1S.jpgPrimeiro é muito incrível o tanto que eu estou ficando parecida com a minha mãe. Esse é um fato concreto que não precisa de foto para se mostrar, o espelho já é suficiente. Mas com fotos podemos analisar outras informações importantes, como nesse click casual ai ao lado, que mostra algumas peculiaridades da minha personalidade. O imperturbável descabelamento, as mil caretas que faço inconscientemente, o visual eclético com roupas folgadonas arranjadas em várias camadas, e é lógico, a indefectível câmera fotografica sempre em mãos.

Esse detalhe da câmera é revelador. Sempre carreguei minha câmera comigo, mesmo antes do advento das digitais. Lembro que carregava a câmera na bolsa e sempre tinha um acidente qualquer, porque uma das minhas mais fortes caracteristicas é ser desajeitada e atrapalhada. Então detonei muitas câmeras porque a bolsa caia no chão ou a câmera caia da bolsa. Nem digo mais. E com as digitais não foi muito diferente. A minha primeira câmera digital caiu no chão tantas vezes que num belo dia simplesmente pediu arrego, parou de funcionar, aposentou-se sumariamente. Também já protagonizei algumas cenas tragicômicas com a câmera na mão, como quando levei um tombo espatifante numa rua movimentadíssima em Fan Francisco enquanto tirava uma foto. Eu quebrei umas costelas, mas a câmera permaneceu intacta, num lance de pura sorte! Mas posso dizer com muito orgulho que melhorando muito nessa parte de deixar coisas cairem no chão. Aprendi que conforme a situação, o mais seguro é pendurar a câmera no pescoço, no mais infame estilo turistão. Aqui ninguém repara.

Desde que criei meu blog jurássico que a câmera virou acessório primordial, junto com caderninho e caneta, no mesmo nível do lipbalm e do pacotinho de lenço de papel. Na minha viagem a Portugal carreguei até lentes, uma grande angular e outra macro, que eu trocava conforme a necessidade. Deu um cansaço, mas o resultado, nas fotos lindíssimas, fez tudo valer a pena.

Carregar a câmera é tão praxe, que as pessoas que convivem comigo já se adequaram e não me deixam esquecer ou passar nada em branco. Estou sempre ouvindo daqui e dali—cadê a câmera? não trouxe a câmera? não esquece a câmera!

amêndoas de pobre

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Eu já tinha visto as sementes de damasco sendo vendidas no Trader Joe's e tinha deixado passar, sei lá por que. Mas outro dia comprei para experimentar. As sementes do damasco são também conhecidas por "amêndoas de pobre" ou "amêndoas amargas". Elas são realmente amarguinhas. Quando você mastiga, sente a doçura que pode mesmo ser comparada com a da amêndoa, mas logo em seguida vem a amargura. Nada monstruoso, mas não é tão prazeiroso quanto comer as amêndoas, que são doces do inicio ao fim. Fui ler sobre as sementes de damasco e encontrei dois tipos de informação—uma, que o consumo dessas sementes previne certos tipos de câncer; outra, que as sementes contém amidalina e se consumidas em excesso podem provocar sintomas de intoxicação por cianido. Well, não sei como alguém poderia comer tantas dessas sementes a ponto de se intoxicar, já que elas não são nem tão saborosas assim. No meu caso, eu passo!

salada de beterraba & nozes

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Às vezes recebo na cesta algumas beterrabas douradas [golden beets], mas desta vez chegaram beterrabas brancas e eu estava bem curiosa para prepará-las. Não fiz nada diferente do de sempre. Assei as beterrbas—as brancas e as comuns enroladas em papel alumínio grosso, as brancas separadas, para não manchar. Depois cortei em fatias e temperei com um vinagrete de nozes. As nozes combinam muitíssimo bem com as beterrabas. Numa vasilha coloquei flor de sal, bastante óleo de nozes, um pouco de vinagre balsâmico e outro pouco de vinagre jerez [sherry]. É sempre o dobro de óleo para quantidade de vinagre. Então é só misturar bem com um batedor de arame e temperar as beterrabas arranjadas no prato separadas por cores, para a vermelha não manchar a branca. Antes de servir, salpique com pedacinhos de nozes torradas. Eu usei as pecans. Achei que a beterraba branca tem o mesmo sabor da vermelha, docinha e aromática.

bolinho de macarrão

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Pois então... cozinhei o macarrão feito de arroz, quinoa e amaranth. O resultado foi uma massaroca meio grudenta, os fios se quebraram em mil pedacinhos. Fiquei um bocado irritada, pois na primeira olhada aquilo só dava mesmo pra ser usado em sopa. Mas na segunda olhada, prestando atenção na textura da gororoba, aquilo me pareceu uma bela massa. Tive então a idéia de usá-la como base para fazer bolinhos.

Usei mais ou menos 2 xícaras da massa cozida, juntei dois ovos, 1 xícara de queijo de cabra, 1/2 xícara de queijo parmesão ralado e um punhadão de salsinha picadinha. Misturei bem com as mãos. A textura daria pra modelar os bolinhos, mas eu já estava pelas tampas, então soquei porções dela numa forma de mini-muffins untada levemente com azeite. Forno em 400ºF/ 205ºC por uns 15 minutos e voilá—realizou-se um milagre.

*o meu veredito sobre essa pasta multi-grãos bate mais ou menos com o que a Ana escreveu nos comentários do post da pasta. Realmente, não é nem de longe o fino da bossa. Mas os bolinhos feitos com ela ficaram muito bons!

spaghetti squash

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Este foi o primeiro ano que recebemos a singular spaghetti squash na cesta orgânica. Eu já tinha visto receitas com ela, mas nunca tinha experimentado. Realmente, ela é única! Depois de cozida ou assada, a polpa fica toda fibrosa e é só raspar com um garfo que forma os fiozinhos do "spaghetti". Eu assei uma pequena cortada e com o corte virado para baixo por uns 30 minutos em forno alto. Raspei a polpa numa vasilha e reservei. Numa panela derreti 3 colheres de sopa de manteiga e refoguei ali quatro dentes de algo ralados em lascas finas. Acrescentei sal e pimenta do reino branca moída a gosto, joguei a polpa da squash, misturei bem e depois juntei um bocado de salsinha picadinha. Foi um bom acompanhamento para uma carne assada. Como foi a primeira vez que fiz, raspei desordenadamente e os fiozinhos ficaram meio quebrados. Mesmo assim o prato ficou com uma cara bem espaguetosa.

tem de tudo

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As inúmeras visitas que eu faço ao Co-op durante a semana sempre acabam me mostrando o caminho para algumas novidades. Normalmente eu compro os mesmos produtos de sempre, os que já aprovei e gosto. Mas mantenho minha mente aberta para coisas diferentes. Eu adoro massa integral, apesar que nem todas são muito saborosas. Achei interessante a de multi-grãos—arroz, quinoa e amaranth. E a feita com farinha de jerusalem artichoke foi realmente uma surpresa!

dia feijão com arroz

Não quero de jeito nenhum ficar só reclamando das segundas-feiras, porque não é justo. Mas que nesses dias eu me sinto mais desgastada, isso é verdade. Faz tempo que o Uriel vem sugerindo que eu arrume uma pessoa pra dividir a cesta orgânica, mas eu sempre respondo exaltada—mas QUEM?QUEM?QUEM? Não tenho muita paciência de sair por aí perguntando e buscando por alguém. Mas uma cesta inteira por semana para uma família de dois está se tornando um estresse. Neste momento, além das abundantes folhas verdes, muitas cenouras tomaram conta das gavetas da geladeira. E eu vivendo essa fase desânimo.

Como ainda estamos em janeiro, muitas resoluções de ano novo ainda estão na roda, sendo planejadas, administradas e colocadas em prática. Portanto, quase que meio sem querer, arrumei uma partner para dividir comigo a opulenta cesta de verduras e legumes. A Marianne chegou logo depois das cinco e meia da tarde daquela segundona, empunhando uma sacolinha de pano. Discutimos sobre algumas idéias, eu fiquei feliz pois ela aceitou levar um maço de chard e metade do brócoli romanesco, que pra mim não é apenas um legume esdrúxulo de outro planeta, mas um troço realmente dos infernos, que não sei como fazer e não gosto de comer.

—leva essas cenouras coloridas... elas são bem doces...
—okay.
—e o brócoli?
—sim, posso levar tudo.
—e esse lindo legume fractual [o monstro romanesco]?
—tem gosto do quê?
— uma mistura de brócolis com couve-flor.
—detesto couve-flor.
—okay, mas o sabor mais evidente é de brócolis.
—okay.
—e aquele repolho gigante?
—odeio repolho!
—okay.

Ficamos um tempo conversando sobre receitas, ela tentando me dar idéias de como detonar o repolhão, levou bastante coisa e combinamos de fazer um teste. Ela decidiu que precisa se alimentar melhor, embora não tenha muita paciência com cozinha. E eu preciso desesperadamente dar vazão para a imensa quantidade de legumes e verduras superdesenvolvidas que recebo toda semana. It's a done deal.

Feliz da vida, lavei apenas metade das verduras e legumes que costumo lavar sempre. Será que esse nosso acordo vai vingar? Tomara! E mesmo sendo uma segunda-feira, precisei pensar no que fazer pro jantar. O feijão já estava cozido, só precisei temperar. Fiz um arroz vapt-vupt. Refoguei folhas de chard no azeite e depois espremi um limão por cima e salpiquei com flor de sal. Esse foi o nosso jantar, que o Gabriel também acabou levando pra casa dele—arroz, feijão e verdura, cuidadosamente ajeitados numa marmitinha de vidro.

peixe era

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Foi o Gabriel quem arrumou a mesa deste modo minimalista para o jantar no sábado. Não sei quem fotografou. Achei as fotos na câmera. O menu foi bacalhau fresco assado em pacotinhos individuais.

pinot noir da Meridian

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Como eu não entendo muito de vinhos, uso a técnica do gostei-não gostei para fazer minhas escolhas. E sigo as recomendações de quem entende um pouco mais. O pai da Marianne sempre que vem nos visitar traz vinhos da vinícola Meridian que fica na região da costa central, onde ele vive. Eu gostei muitíssimo do pinot noir deles, então ele já foi pra minha lista de compras. Essa região mais para o sul da Califórnia é bem famosa por seus vinhos, apesar de não ser tão conhecida internacionalmente como o Sonoma e o Napa Valley.

a prima caipira

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Ela chegou no trem do domingo, toda arrumadinha com seu vestido de flores, sandalhinha de saltinho branca combinando com o cinto branco e a bolsa também branca, forte no penteado kanekalon e no batom cor de laranja da Colorama. Ela veio visitar as primas chiques da cidade grande e trouxe uma cestinha cheia de gostosuras preparadas pelas tias lá do interior—queijo fresco, biscoitos de manteiga, geléia de frutas, picles de legumes, pão feito em casa. Foi muito bem recebida, a festiva e querida prima caipira.

mushroom tart

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Receita ligeiramente simplificada da Everyday Food. Você vai precisar de uma caixa de massa folhada descongelada, cebola, cogumelos, folhas de espinafre e queijo de cabra.

Pré-aqueça o forno em 400ºF/ 205ºC. Estenda a massa numa assadeira forrada com papel alumínio ou papel vegetal. Com a faca, faça um risco nas lateriais da massa para formar uma borda. Com um garfo, espete o centro da massa em vários lugares. Asse por uns 15 minutos ou até ela ficar douradinha.

Faça o recheio numa frigideira robusta, aquecendo azeite e ali refogando na sequência, fatias de cebola, cogumelos cortados em pedacinhos e por último folhas de espinafre. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto.

Remova a massa do forno, coloque o recheio de cogumelos no centro e salpique com pedacinhos de queijo de cabra. Retorne ao forno por mais uns 10 minutos. Sirva imediatamente.

meu quiche lorraine

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2 ovos batidos
1 xícara de creme de leite fresco
sal e pimenta do reino moída
2/3 de xícara de queijo Jarlsberg ralado [* o original era Gruyere]
3 talos de scallion [*o original era alho poró]
8 fatias de presunto [*o original era bacon]
Azeite para refogar

Já dizia o velho ditado popular que quem não tem cão caça com gato e eu aplico muito esse principio na cozinha. Não tenho receio de substituir ou improvisar, quando a situação permite, é claro. Não tem bacon, nem alho poró, nem queijo Gruyere, mas tem presunto, tem scallions e tem queijo Jarlsberg? Não tem porque adiar a confecção de um delicioso quiche Lorraine. E ficou muito bom, viu? Comemos até a última lasca, requentada no dia seguinte.

Usei uma massa pronta para torta, dessas congeladas, feita com farinha de spelt. No azeite, refoguei os talos de scallions picadinhos numa panela. Juntei o presunto cortado em cubinhos e refoguei por uns minutos. Numa vasilha bati os ovos, juntei o creme de leite e o queijo ralado, temperei com sal e pimenta branca moída a gosto. Juntei a mistura de ovos e queijo ao presunto refogado, misturei bem e coloquei essa mistura na massa pronta. Assei em forno a 365ºF/ 165ºC até o recheio ficar dourado, por mais ou menos 30 minutos. Sirva o quiche morno ou frio.

»scallions são um tipo de cebolinha gigante, dá pra usar a parte branca como cebola e a verde como cebolinha.

»meu presunto segue a linha filosófica de qualquer outro produto animal que eu consumo: sem quimicos, sem antibióticos, sem confinamentos cruéis. aqui nos EUA está ficando fácil achar produtos animais de boa procedência, como os do Niman Ranch. procure pela certificação de "humane raised & handled" nos rótulos.

panna cotta de manga

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Isso já está virando carne de vaca, mas uma das sobremesas que fiz para o jantar da passagem do ano foi a panna cotta de baunilha, que servi com o indefectível molho de manga. Comprei tudo no exagero e sobrou ingredientes à beça. Toca eu então fazer mais panna cotta. Só pra variar um pouco, resolvi adaptar a receita da Alice Waters que uso sempre e colocar a manga junto com o creme. Felizmente aqui ninguém recusa um potinho desse creminho super delicioso e mandamos ver!

Dissolva um pacotinho de 0.25 ounces / 7 gr de gelatina em pó sem sabor em 3 colheres de sopa de creme de manga*. Reserve. Numa panela, coloque 3 xícaras de creme de leite fresco, 1 xícara de creme de manga* e 1/2 colher de sopa de pasta de baunilha. Leve ao fogo médio e esquente a mistura, mas não deixe ferver. Remova do fogo, adicione 1 xícara desse creme à mistura de gelatina e creme de manga, mexa bem, retorne o creme mais a gelatina para a panela, com o resto do creme. Mexa bem, deixe esfriar um pouco e coloque nos ramequins. Cubra e ponha na geladeira por pelo menos 6 horas.

*o creme de manga eu compro pronto na lojinha indiana e já vem doce. uma maneira de substituir é bater a manga no liquidificador ou no processador até conseguir um creme bem expesso e acrescentar mel a gosto.

iogurte com maçã caramelizada

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Fiz essa sobremesa num improviso, porque queria usar umas maçãs antes que elas começassem a enrugar. Descasquei e cortei quatro maçãs em fatias. Numa frigideira [uso sempre a minha pesadona de ferro] derreti 3 colheres de sopa de manteiga e ajeitei as fatiazinhas de maçãs ali. Deixei cozinhar, virando cada fatia no meio do processo. As maçãs ficam caramelizadas e deliciosamente amanteigadas. No final ralei um pouquinho de canela por cima das maçãs cozidas. Dai foi só colocar um pouco de iogurte com sabor de maple num potinho e deitar as fatias de maçã por cima. Essa combinação de sabores ficou excelente! Pra quem não tiver acesso ao iogurte com sabor de maple, sugiro adoçar um iogurte natural com um fio de maple syrup ou então usar um iogurte sabor de baunilha. O iogurte com sabor de maple que eu uso é o orgânico da Strauss Creamery.

pasta with greens & feta cheese

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A receita veio na cartinha que acompanha a cesta orgânica semanalmente. Simplesmente gostei da idéia, também porque creiam-me, continuamos recebendo pelo menos cinco tipos de folhas verdes por semana. Para fazer essa singela pasta, gastei TRÊS maços de red Russian kale, uma verdura um tanto áspera, que não figura entre as minhas favoritas. Mas no contexto ela ficou ótima. Pode usar qualquer outra verdura, até espinafre ou mesmo rúcula. A receita pedia o penne, mas eu fiz com esse macarrãozinho de milho, que acho uma delícia.

Numa panela robusta aqueça 4 colheres de sopa de azeite. Adicione a verdura cortada fininho [a minha fica cortada meio grosseiro, mas tá valendo] e refogue bem, mexendo de vez em quando. Enquanto isso cozinhe macarrão suficiente num panelão com bastante água e sal. Quando a verdura estiver bem murcha, tempere com sal e pimenta a gosto. Torre um punhado de pinoles no forno ou na frigideira. Jogue pedaços de queijo feta na verdura cozida, depois as pinoles torradas. Escorra o macarrão e misture com a verdura. Sirva imediatamente.

sai dessa cozinha que não te pertence!

No inicio parecia que aquele cheiro chato e insistente na cozinha era resquício da fritura dos filés de frango. Mas depois de fumegar por horas um panelão cheio de cascas de laranja, cascas de mexerica, paus de canela, cravos e estrelas de anis, achando que tivesse dado cabo da fedentina, percebi que nada tinha mudado. Veio o pessoal da limpeza e mesmo podendo sentir um cheirinho deliciosamente bom pela casa, na cozinha eu ainda podia identificar claramente, camuflado sobre a nuvem de desinfetante de lavanda, aquele cheiro horrível de sei lá o que.

E todos os dias, quando eu descia as escadas em direção à cozinha e cheirava aquele cheiro, me angustiava pensando em como foi que eu tinha conseguido deixar minha cozinha assim tão fedorenta. E procurei por eventuais restos de cebola caidos acidentalmente em algum canto obscuro, ou um pé de couve por ventura podre dentro da geladeira, ou outra coisa qualquer fora de lugar. Como não achava nada, fui ficando frustrada, frustrada, frustrada....

Até que caiu a ficha e resolvi cheirar a travessa de alho que mantenho sempre em cima da pia, ao lado da geladeira. Na mesma semana que eu fiz o frango frito, chegou um alhão roxo gigante na cesta orgânica. O culpado só poderia ser o alho, veterano de outros delitos olfativos e atentados contra os odores de boa índole. Funguei, funguei e como não pude ter certeza, decidi fazer um teste. Removi a travessa de alho para a lavanderia. E o cheiro estranho na cozinha SUMIU completamente. Ou melhor, mudou de lugar. Fedia agora o outro espaço.

O responsável pelo futum misterioso era mesmo o alhão roxo e orgânico, minha gente. Agora entendi muito bem porque alho espanta até vampiro!

what will Obama eat?

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AP Photo/Rick Bowmer

O menu do almoço inaugural de Barack Obama, dica da Leila:
Seafood Stew
Duck Breast with Cherry Chutney
Herb Roasted Pheasant with Wild Rice Stuffing
Molasses Whipped Sweet Potatoes
Winter Vegetables
Cinnamon Apple Sponge Cake

Um belo e simples menu, com ingredientes típicos como o arroz selvagem, a batata doce, o melado e a maçã. Na carta de vinhos, somente californianos: um sauvignon blanc 2007 da vinícola Duckhorn no Napa Valley, um 2005 pinot noir da vinícola Goldeneye no Anderson Valley e uma cuvée feita pela Korbel Champagne Cellars no Russian River Valley. O website oficial da inauguração disponibilizou as receitas do menu em detalhes neste pdf para quem quiser testá-las.

Beef Stroganoff - take II

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Sempre pensei que eu deveria fazer essa versão classuda do monstruoso estrogonofe para poder fotografar. Na primeira vez que fiz essa receita, num jantar para os meus amigos Tatiana e Guilherme, não poderia imaginar o sucesso que ela faria. Esse estrogonofe não é aquele horrorendo feito com catchup e creme de leite de lata—bleargh!

A receita, que eu fiz naquele jantar e repeti muitas outras vezes, saiu da revista Everyday Food. É carninha refogada com cebolas e cogumelos frescos, temperada com uma mostarda Dijon fino da bossa, o melhor iogurte grego e servida sobre uma cama de delicados egg noodles. O modo de fazer está AQUI.

mais uma
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cocoricórr
macarronada
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Meu irmão Carlos Augusto é o atual fazedor de macarrão da nossa família. Posso afirmar, com os meus mais de quarenta anos de prática como comedora de macarronadas, que ele faz o melhor macarrão que já comi na vida!

os favoritos da hora
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Azeites e azeitonas representam uma parte importante do nosso dia-a-dia, aparecendo constantemente no nosso vocabulário, cardápio, trabalho e lazer. Nestes últimos dias tenho trabalhado na atualização de umas páginas de controle integrado das pestes das azeitonas. Na próxima semana o Uriel tem uma reunião com os produtores de azeitonas da Califórnia. O nosso jornal local, o Sac Bee, publicou no seu caderno de gastronomia desta quarta-feira uma extensa reportagem sobre azeites e azeitonas da Califórnia. Nós nos dedicamos à iniciação da minha cunhada e do meu irmão nos prazeres do azeite extra virgem californiano, pois estamos nessa viagem já faz um tempo, provando as variedades e descobrindo os nossos favoritos. Neste momento estamos apaixonados pelo azeite feito com a variedade de azeitona Arbequina e temos consumido litros desse azeite não-filtrado comercializado pelo Olive Pit. E eu nem preciso dizer que tenho uma predileção descarada pelos azeites prensados com frutas citricas. Esse da Stonehouse prensado com lima da Pérsia foi uma descoberta fenomenal. Tenho usado ele para finalizar tudo quanto é prato. É divino! Nosso aperitivo diário antes do jantar é sempre pão e azeite. E a universidade logo terá aquela bacanérrima festa do azeite, desta vez mais caprichada, pois ela irá celebrar também o primeiro aniversário do UC Davis Olive Center. Estamos com certeza na terra do vinho, mas também na do azeite, então vamos que vamos aproveitar, né?

Dicas: Mantenha seus vidros de azeite longe da luz e do calor e consuma o mais rápido que puder, no máximo dentro de seis meses. Prefira o azeite fresco e de preferência local, que tenha esperado menos tempo entre a colheita e a prensa, não tenha viajado longas distâncias e não tenha ficado muito tempo exposto em prateleiras. Ao contrario do vinho, o azeite não envelhece com elegância, pois fica rançoso e perde seu sabor original.

grão-de-bico com bacalhau

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Um rango que fiz para alimentar muitas bocas. Minha alegria na cozinha é poder fazer um panelão de comida, pois estou sempre me debatendo com as quantidades, tentando diminuir receitas, agora que cozinho somente para dois e de vez em quando só para um.

A idéia veio da famosa salada de grão-de-bico com bacalhau, mas o frio me fez reformular a receita para ser servida quente. Cozinhei o grão-de-bico no dia anterior em bastante água. Achei que cozinhei demais, queria que ele tivesse ficado mais durinho. Oh, well, foi assim mesmo. Dessalguei bem o bacalhau e cortei em postas retangulares. Refoguei as pequenas postas no azeite, juntei bastante cebola cortada em lascas, deixei refogar bem, então juntei o grão-de-bico cozido e refoguei mais um pouco. Acrescentei mais azeite, sal e pimenta do reino moída a gosto e bastante salsinha picadinha. Poderia ter colocado azeitonas, mas nem lembrei. Servi quente. Comemos os restos frios no dia seguinte. Esse prato é bem versátil.

o último suspiro [do atum]

Ando cansada de dizer que ando cansada, mas realmente o que eu tenho sentido não é bem um cansaço, mas uma exaustão. E tem dias que ela ataca forte, me deixando mal humorada e sem muita destreza física e mental. Depois das festas, meu maior objetivo é conseguir limpar e esvaziar a geladeira de ingredientes que sobraram das grandes comilanças. Como tive visitas durante e depois das comemorações, precisei dobrar a quantidade de ingredientes e sempre sobra um pouco aqui, outro ali.

Durante um desses meus ataques de exaustão, resolvi fazer aquela mais do que batida e super flexível e variável salada niçoice. Usei floretes de brocolis cozidos no vapor e palitinhos de cenouras coloridas, que fez os olhinhos da minha sobrinha brilharem. Cobri tudo com aquela maionese de alho que faço com gema cozida, e dessa vez usei as raspas e suco do limão cravo, que é o meu favorito e que colho na árvore de ninguém. Cozinhei uns ovos e abri duas latas de um atum italiano conservado no azeite, que temperei com salsinha picada e reguei com o mais fabuloso azeite prensado com limas da Pérsia. Esse foi o nosso jantar, acompanhado de pão de azeitonas, amêndoas frescas, vinho tinto e água com gás.

Revelou-se que duas latas de atum para quatro pessoas foi um exagero. Guardei as sobras na geladeira, esperando pela primeira oportunidade para poder gasta-la. E ela apareceu numa outra noite, em que atacada novamente pela exaustão, abri e fechei as portas da geladeira e da despensa 8754 vezes sem conseguir pensar em absolutamente nada fazível ou comível para aquele jantar. Resolvi finalmente por um macarrão, que cozinhei num potão de água com sal. Piquei um punhado de tomates secos, outro punhado de azeitonas pretas, três talos de cebolinha e separei a sobra do atum. Quando o macarrão ficou cozido al dente, escorri, voltei tudo pra panela e acrescentei os outros ingredientes, regando tudo com uma boa quantidade de azeite extra virgem. Daí foi só ralar um bocado de queijo em cima e devorar, com um ânimo que só a fome consegue dar à uma criatura tão cansada como eu tenho estado.

capeleti no caldo
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Minha cunhada Patricia fez o capeleti no caldo [cappelletti in brodo] no mesmo jantar em que meu irmão fez o seu famoso macarrão. O capeleti no caldo foi servido como entrada. Esse prato precisa de um pouquinho mais de tempo e paciência—mais ou menos uma hora e meia para fazer capeletis suficientes para alimentar cinco pessoas. A massa foi a mesma do macarrão, só que deixada mais grossa. Usamos caldo de legumes orgânico. Ficou incrivelmente bom.

200gr de carne moída
1/4 de cebola
Um dente de alho
Dois ramos de salsa e dois de cebolinha
Sal, pimenta e noz moscada moída a gosto
2 colheres de sopa de azeite
Queijo grana padano ralado
Farinha de pão o quanto baste
1 ovo
2 litros de caldo de legumes ou frango

Refogar alho e cebola picadinho no azeite, juntar a carne moída, depois salsinha e cebolinha picadinhas, temperar com sal, pimenta e noz moscada moída. Colocar esse refogadinho no processador e bater bem com um ovo, queijo ralado e farinha de pão, até formar uma pasta. Rende bastante.

Para a massa do capeleti, meu irmão usou uma xícara pequena de farinha de trigo para cada ovo grande. Trabalhar a massa com as mãos e passar no rolo da máquina de macarrão até o número dois apenas. Deixando a massa mais grossa, o capeleti nao fura quando estiver sendo cozido.

Para fazer os capeletis, corte pequenos quadradinhos de 3 X 3 cm e coloque no meio o recheio—apenas uma bolinha do tamanho de uma ervilha. Dobre o quadradinho num triangulo, junte as duas pontas e se quiser dê uma viradinha, pra formar o "chapéuzinho" do capeleti.

Cozinhar por uns 6 minutos no caldo de legumes [ou de frango*] e servir com queijo ralado fresco. Usei o Grana Padano.

*A Patricia faz o capeleti no caldo de frango, que ela faz em casa com a carcaça que sobra do frango assado.

salada de edamame, cogumelo & black currant

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Essa salada foi montada com a mistura inusitada das edamames [soja verde] cozidas rapidamente na água e sal, fatias finíssimas de cogumelos crimini e black currant berries secas. O vinagrete super especial, que envolve os ingredientes com o delicado aroma cítrico e a opulência das frutas oleaginosas, é feito com raspas e suco de um limão cravo, flor de sal e bastante óleo de pistacho fresquíssimo—aquele produzido artesanalmente na minha cidade vizinha, Woodland.

loja de doces [em Old Sac]
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Entramos nessa loja em Old Sacramento porque o cheiro que saia de lá era inebriante. A Livia comprou logo um algodão doce—que ainda estava quentinho recém-saído da máquina. Nós ficamos olhando a manufatura artesanal dos brittles e toffees, gostosuras com caramelo, chocolate e todos os tipos de nozes. Esse das fotos é um brittle de coco. Provamos um pedaço e estava muito bom.

o fim das férias

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[escultura de malas — Aeroporto Internacional de Sacramento]

Dia de dizer tchau. O Gabriel foi levá-los ao aeroporto, para aquela viagem longuíssima que já conhecemos muito bem. Foi muito bom ter meu irmão, minha cunhada e minha sobrinha nos visitando. Vou sentir saudades...

tâmara recheada com queijo de cabra & amêndoa

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Tinha descolado essa receitinha pra fazer na noite de Ano Novo como aperitivo, mas adivinha só o que aconteceu—esqueci de fazer!

Mas meu esquecimento não ficou por isso mesmo, ontem resgatei as tâmaras californianas fresquinhas do armário e devoramos uma a uma, recheadas com queijo de cabra e amêndoa.

É só abrir a tâmara com uma faquinha, remover o caroço, rechear com uma bolota de queijo de cabra e repousar ali, confortavelmente, uma linda amêndoa torrada. Depois disso é só abocanhar e hmmmmmmhmmmmmhmmm!

super v.i.p.

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Eu sempre achei que ela era no mínimo o máximo, mas é claro que não estou sozinha nessa opinião. A Saveur—uma das melhores revistas de gastronomia daqui dos EUA—colocou minha amiga Neide Rigo, dona do maravilhoso blog Come-se, na sua lista dos 100 melhores home cooks do MUNDO! Bacanérrimo!!

essa minha cozinha

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Tem dias que acho a minha cozinha toda errada. Acho que tenho muito cacareco, que ela esta atravancada, com muitas coisas empilhadas, muitos enfeites cocorocós, totalmente over, muitas cores, tudo improvisado, desorganizado, como eu mesma sou. Olho as fotos de cozinha de revista e desejo ter uma cozinha daquelas, toda limpa, bancadas vazias, minimalista, inox, madeira, vidro. Tudo muito chique, tão chique que provavelmente eu teria pena de me arriscar cozinhar ali e fazer das minhas pataquadas acidentais.

Tem outros dias que acho a minha cozinha perfeita. Luz suficiente, espaço suficiente, uma área primorosa para eu dar minhas piruetas, transformar ingredientes de primeira em refeições maneiras ou incomíveis, dependendo da sorte do dia. Aqui eu fico à vontade, tomando cuidado para não tropeçar no gato, para não derrubar a panela, embora nem sempre ter cuidado adiante.

A minha cozinha é um ambiente experimental, onde, além de cozinhar, eu também ouço música, danço, escrevo, leio, tiro fotos, olho pela janela, falo ao telefone, faço até pose, penso e concluo que apesar de não ser perfeita, nem a mais linda, nem a mais moderna, nem a mais equipada, nem a mais minimalista como eu gostaria, essa é a cozinha que eu tenho e é nela que adoro estar.

carne com vinho branco & alecrim

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Tenho me esforçado para incluir um pouco mais de carne no meu cardápio, depois que fiquei um pouco anêmica—efeito colateral da minha doencinha uterina. Pra mim hoje, comprar carne não é somente me prostrar em frente ao balcão do açougue e pedir qualquer coisa. Nem pode ser qualquer açougue, porque tenho parâmetros muito rígidos com relação ao tipo de animal que vou consumir. Portanto, me limito a comprar esses produtos no açougue do meu Co-op, onde tenho certeza da procedência de tudo que é vendido lá, animais criados e abatidos com dignidade e sem confinamento e tratamento cruel, alimentados com grama e ração sem produtos animais, antibióticos ou químicos.

Numa noite, comprei dois pedaços de sirloin steak, que não tinha a menor idéia de como iria prepará-los. Normalmente faço mais carne no verão, quando uso a churrasqueira. Mas pra minha sorte e conveniência, recebi naquele dia mesmo o meu exemplar de janeiro da revista Gourmet e logo nas primeiras páginas vi uma receita fácil e atraente, usando o corte de sirloin steak.

sautéed beef with white wine and rosemary
serve 4
800 gr de boneless sirloin steak
1 colher de sopa de farinha de trigo
4 colheres de sopa de azeite
4 dentes de alho fatiados bem fino
1 1/2 colher de sopa de alecrim picadinho
2/3 de xícara de vinho branco seco

Corte a carne em fatias bem finas e tempere numa mistura feita com a farinha de trigo temperada com sal e pimenta a gosto. Aqueça 1 1/2 colher do azeite numa frigideira e frite a carne. Faça em duas partes, porque frita mais uniformemente. Transfira a carne frita para uma travessa. Na mesma frigideira, adicione o resto do azeite, o alho e o alecrim e refogue até o alho começar a ficar dourado. Adicione o vinho, mais sal e pimenta a gosto se achar necessário, e raspe bem o fundo da frigideira com uma espátula ou o batedor de arame, para diluir bem. Deixe reduzir, junte os bifes fritos e sirva bem quente acompanhado de acini di pepe com limão [eu usei israeli couscous].

lemon pepper acini di pepe
serve 6 como acompanhamento
2 xícaras de acini di pepe *usei o israeli couscous
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de azeite
1/2 xícara de queijo Parmigiano-Reggiano ralado
1 colher de sopa de casca de limão ralado *usei o limão cravo
1 colher de chá de pimenta do reino branca moída

Cozinhe o acini di pepe ou o israeli couscous em bastante água com sal, até ficar al dente. Coe e reserve 1/2 xícara da água do cozimento. Derreta a manteiga junto com o azeite numa panela. Remova do fogo e junte a pasta/couscous, o queijo, raspas de limão, a pimenta moída e mais sal se necessário. Adicione um pouco da água do cozimento, se achar necessário. Sirva imediatamente, como acompanhamento da carne.

hmpft!

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Era só o que faltava—um cachorro exibido e aparecido aqui no MEU blog!

salada de erva-doce & laranja

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Fui correndinho tentar replicar em casa a salada que comi na Pizzeria Delfina. Essa é uma salada típica de inverno, feita com ingredientes que estão na crista da onda agora. Eu tinha laranjas vermelhas Cara Cara. Descaquei uma grande e cortei em fatias. Também tinha um bulbo de erva-doce que cortei ao meio e ralei uma das metades no mandoline. As nozes também estão no pico e foi só tostá-las por uns minutos na frigideira e depois esmigalhar com as mãos. Espalhei por cima da salada montada uma pitada de folhinhas secas de dill e temperei com um vinagrete feito com suco de limão cravo, mostarda honey, óleo de amêndoas e flor de sal.

Pizzeria Delfina
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O nosso sábado foi gasto batendo perna e dando um extenso rolê por San Francisco. Quando a noite se aprochegou, a italianada quis comer pizza, é claro. Rumamos para o bairro da Mission, onde nos aconchegamos na minúscula Pizzeria Delfina que cheirava deliciosamente a massa assada e queijo derretido. O lugar é realmente pequeno e já estava lotado às seis da tarde, ou melhor, da noite do nosso inverno. Colocamos o meu nome na lousa—party of five, sem predileção para ficar fora ou dentro, pois tínhamos no grupo uma criança cansada e faminta. Esperamos uns trinta minutos e fomos colocados numa mesa na calçada, estratégicamente situada embaixo de uma fileira de aquecedores na borda do telhado. Jantamos no quentinho e olhando o movimento da rua. Quando a comida chegou tive uma paralisante amnésia fotográfica. Pedimos três antepastos, com três tipos de azeitonas marinadas e servidas mornas, uma salada de laranja vermelha com erva-doce e nozes, e o vencedor da noite, que eu comi entre murmuros, uma escarola grelhada com azeite de limão, nozes e um ingrediente que não consegui ler no menu da parede, mas que me pareceu ser aliche/anchovas. As pizzas foram a tradicional margherita e outra batizada de panna, assada com uma bolota de creme e lascas de parmigiano por cima, que foi eleita a mais gostosa. Cada pizza serve uma pessoa com muita fome ou duas com acompanhamento de antepastos variados.

*um relato ótimo sobre a Pizzeria Delfina foi publicado pelo No salad as a meal—um blog que eu adoro e uso como referência de restaurantes em San Francisco.

o cão pidão
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No tasting room da vinícola Imagery no Sonoma Valley, um casal estava numa provação de vinho tão dedicada que o cachorro deles perdeu a paciência e resolveu ir à luta. Foi até o outro lado do balcão, onde colocou as patas e com o olhar mais pidão do mundo implorou por algo—um copo d'agua? uma taça de vinho? uma xícara de café? alguém para levá-lo peloamordedeus para casa? socorro, please, onde é o dábliucê? Todo mundo riu, mas ninguém sacou o que o cão queria. No fim ele ganhou um grissini, que comeu resignado, até que os donos se tocaram e vieram pegá-lo. Au-au!

quiche de salmão - take II

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Essa receita de quiche de salmão precisava ser repetida e fotografada, pois foi um dos maiores sucessos de público e crítica da minha cozinha. Eu fiz pela primeira vez há tantos anos que não me lembro de onde peguei a receita. Já reusei a massa para fazer uma torta de tomate. E desta vez não foi diferente da primeira—todo mundo adorou! Da primeira vez eu usei sobras de churrasco de salmão e desta vez usei um salmão defumado. O salmão pra mim é sempre o selvagem. Nessa versão eu não tinha sour cream, então usei iogurte grego e coloquei por acidente apenas dois ovos ao invés dos três que a receita pede e não houve problema. Esse é um quiche prático, pois é para se comer frio e então dá pra fazer com antecedência.

mãozinhas extras [na cozinha]

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Que delicia que foi ter a Patricia e a Livia me ajudando com a cesta orgânica nesta segunda-feira! A Pat lavou, secou e ensacou TODAS as folhas verdes, com a ajuda da Livia, que também descascou umas cenouras fresquinhas pra gente depois cortar em palitinhos e comer com um molho rancho improvisado, que ficou ótimo. Se eu pudesse ter mais mãozinhas assim na lavação toda semana. Fazer o jantar nesse dia foi uma tranquilidade...

O que tem pra hoje?

No final do ano passado o meu querido amigo Moa, com quem eu divido aquele blog simpático sobre cinema, foi diagnosticado com uma condição chamada de esofagite. Ele foi intimado a entrar numa dieta rigorosa, pelo menos neste inicio de tratamento, que eliminou do seu cardápio diário o café, o açúcar, os produtos com glúten, frutas ácidas, vinho, entre outras coisinhas. Mas o Moa tem a sorte de ter ao seu lado o Lau, um chef de cozinha excepcional, que está se desdobrando para fazer as comidinhas da dieta ficarem saborosas e interessantes. Sendo assim, o caminho natural era o Moa abrir um blog de culinária, para poder deixar registrado toda a sua experiência e poder ajudar outras pessoas com o mesmo problema, ou apenas deixar lá as idéias bacanas dele e do Lau para quem quiser se inspirar. Eu já me entusiasmei toda com uma receita de pizza com sobras de arroz... hmmm!

Pois agora já posso perguntar para o Moa e o Lau com um misto de curiosidade e expectativa—O QUE TEM PRA HOJE?

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Passei a tarde de domingo dirigindo pelo vale de Sonoma com meu irmão, minha cunhada e minha fofíssima sobrinha, visitando algumas vinícolas. Como não pude beber pois estava no volante, fiquei felicíssima quando paramos na Jacuzzi winery e vi que lá também havia uma provação de azeites. Me diverti de um lado da vinícola, com azeites e mil coisinhas bacanosas, enquanto meu irmão provava os vinhos do outro lado. Ele não gostou de nenhum, pois achou todos eles muito "frutados". Mas nós curtimos muito a visita à vinícola estilo missão espanhola e o dueto vinho—azeite.

a casa de gengibre da Livia
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Ela montou e decorou sozinha, depois nós serramos as paredes e tentamos comer os pedaços, mas estava muito doce. Bleargh. Foi legal apenas fazer, né Lili?

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2009!