torta rústica de pera

Ainda estou relendo revistas velhas, pra poder reciclar tudo com a segurança de que não estou perdendo nada. Tenho rasgado as páginas que me interessam, com receitas e idéias. A dessa tortinha saiu de uma revista Sunset de setembro 2008. Decidi por ela torta-pera_1S.jpgporque queria gastar uma massa folhada que estava no congelador e usar umas peras bem lindas que tinha comprado no Farmers Market. A massa da marca Dufour é a melhor que existe por aqui pra se comprar congelada. Ela é feita apenas com farinha de trigo e manteiga. Não tem conservante, corante, gordura hidrogenada e outros quetais. Qualquer receita feita com essa massa já tem 50% de sucesso garantido. Usei também um crème fraîche local que é simplesmente o fino da bossa. Dá pra fazer essa torta com outras frutas. Eu repeti com pêssegos e nectarinas.

1 folha de massa folhada de 25X30cm
3 peras maduras e firmes
1/3 xícara de geléia de laranja [*usei de damasco]
1 gema de ovo batida [adicionei um pouquinho de água]
2 colheres de sopa de açúcar turbinado
6 colheres de sopa de crème fraîche
1 e 1/2 colheres de chá de açúcar

Pré-aqueça o forno em 375°F/ 190ºC. Unte com manteiga ou forre com papel vegetal duas assadeiras grandes. Abra a massa numa superfície untada com farinha e corte em 6 retangulos. Coloque a massa nas formas untadas ou forradas.

Corte as peras em fatias bem finas. Arrume as fatias sobre as massas, deixando 4cm de borda. Aqueça a geléia numa panelinha e pincele sobre as fatias de pera. Dobre as bordas sobre as peras, pincele com o ovo batido e salpique com o açúcar turbinado [pode usar o cristal]. Leve ao forno e asse por uns 30 minutos. Remova do forno e deixe esfriar.

Bata o crème fraîche com o açúcar [eu omiti o açúcar] e sirva sobre as tortinhas, mornas ou frias.

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Shirley Temple in Rebecca of Sunnybrook Farm—1938
tomates assados
[com queijo e tomilho]

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Melhor do que ir pra casa depois de um dia de trabalho já sabendo o que vou preparar pro jantar, é lembrar que naquela noite terei a companhia do meu marido. Devoramos juntos, meio a meio, esses tomates assados acompanhados de salada de folhas verdes e grissinis salpicados com flor de sal de uma padaria local. Usei esses lindos tomates da variedade zebra. A receita foi testada e publicada pelo Culinate, mas ela é originalmente do livro Tender do Nigel Slater.

serve 2 porções
4 tomates grandes e maduros [orgânicos]
Azeite de oliva
4 raminhos de tomilho fresco
Queijo de cabra fresco ou outro queijo da sua preferência
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC. Corte uma tampa nos tomates e usando uma colherzinha remova todas as sementes. Coloque os tomates num refratário, salpique com sal e pimenta do reino moída e coloque mais ou menos 1 colher chá de azeite dentro de cada tomate. Distribua as folhinhas de tomilho dentro de cada tomate e leve ao forno por 25 minutos. Remova do forno, corte o queijo em fatias e preencha os tomates com elas. Retorne os tomates ao forno por mais uns 10 minutos ou até o queijo derreter. Remova do forno e sirva. Eu aumentei um pouco a receita para poder fazer 6 tomates assados.

ovos caipiras

Já faz muitos anos que não compro uma caixa de ovos dessas de supermercado que custam $1,99 a dúzia [ou duas por $1,99 na promoção]. Não compro porque não acho necessário participar de um sistema baseado em crueldade para eu poder fazer uma omelete ou um bolinho vez ou outra. Compro e uso sempre os ovos da galinha feliz—fato que não preciso mencionar a cada receita que publico aqui, mas que é absoluto na minha cozinha.

Compro uma dúzia de ovos caipiras a cada duas ou três semanas, dependendo do que eu fizer na cozinha. Às vezes demoro mais pra gastar, porque não faço muita coisa levando 5 ovos e tais. No farmers market de Davis eu tinha a minha banca favorita para os ovos caipiras. E no primeiro dia no mercado de Woodland já achei minha fornecedora de ovos, de quem tenho sido cliente assídua.

Outro dia cheguei lá para comprar uma caixa e ela me disse—sinto muito, hoje só tem ovos para quem tem o nome na lista. E me explicou que nos dias muito quentes as galinhas diminuem a produção, pois é claro né minha gente, aquele bafão e você botando ovo? Elas simplesmente tiram uma folga. E a mudança da estação, com os dias amanhecendo mais tarde e anoitecendo mais cedo, também afeta a produção do galinheiro, pois donas galinhotas têm que ter o sono restaurador da beleza e nessa época dormem mais cedo e acordam mais tarde, não vão botar ovos nessas horas.

Coloquei meu nome na lista para cada duas semanas, pra ter certeza de que não ficarei totalmente sem ovos. Porque é assim que tem que ser. Nenhuma galinha é escrava e se eu quiser ovos em dias tórridos ou quando a estação faz eles ficarem mais curtos, eu é que terei que me esforçar, pagar mais e ter paciência.

Comparemos então a vida dessas galinhas que tem o direito de botar ou não botar ovos, com aquelas eternamente confinadas num cubículo iluminado noite e dia por uma luz artificial, comendo ração cheia de hormônios pra poder botar ovos dia e noite, sem nenhuma influência das leis naturais e assim suprir a demanda dos ovos com bacon e omeletes diárias pros pafúncios humanos.

Não é justo. E não é assim que precisa ser. A escolha é nossa.

quiche de abobrinha

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indo para o forno

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indo para a mesa

Fica assim bonito, mas é apenas um quiche. E feito com abobrinhas. Exagerada que sou, comprei no Farmers Market três pattypan squash que juntaram-se com mais duas pequenas abobrinhas verdes que vieram na cesta orgânica da semana. As naves espaciais foram fatiadas bem finas e viraram a base do quiche. As longuetes igualmente fatiadas finérrimas fizeram a parte decorativa. Esse quiche não fica apenas bonito, mas também muito gostoso. E é super levinho, porque não tem massa. Como a receita original recomenda, servi com tomates cerejas assados.

2 ou 3 abobrinhas cortadas em fatias finas
3 colheres de sopa de azeite de oliva
1 cebola pequena picada
1/2 colher de chá de folhas de tomilho fresco
4 ovos caipiras batidos
2 xícaras de leite integral
1 colher de sopa de farinha de trigo
1 e 1/2 xícara de ricota bem firme [drene se precisar]
Casca ralada de 1/2 limão
2 colheres de sopa de folhas de manjericão picadas
3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
2 xícaras de tomates cerejas
1 colher de sopa de azeite
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC. Corte as abobrinhas em fatias finas no comprimento. Use o mandoline se tiver um, ou o descascador de legumes. Unte uma forma redonda ou quadrada de mais o menos 20 cm com azeite, Cubra com fatias de abobrinha, o fundo e os lados, como se fosse uma massa. Reserve.

Numa panela, aqueça 3 colheres de sopa de azeite e refogue a cebola com o tomilho e duas pitadas de sal. Quando a cebola estiver translúcida e quase dourada, retire a panela do fogo e reserve, deixando esfriar.

Numa vasilha misture os ovos, o leite, 1 colher de chá de sal e a farinha de trigo. Adicione a cebola refogada já fria e reserve.

Numa outra vasilha misture a ricota, o queijo parmesão ralado, as folhas de manjericã, as raspas de limão e sal e pimenta do reino moída a gosto.

Despeje a mistura de ovo sobre a forma forrada com fatias de abobrinhas. Coloque colheradas da ricota temperada sobre a mistura de ovos. Use o resto das fatias de abobrinha para decorar, como se fossem fitas, afundando na mistura de ovos, em volta das colheradas de ricota. Pode polvilhar um pouco de queijo parmesão ralado por cima, mas eu não fiz, pois esqueci.

Leve ao forno por uns 40 minutos, ou até o quiche estar firme no centro. Remova do forno e deixe esfriar por uns 10 minutos. Sirva com os tomates assados.

Para fazer os tomates assados, coloque os tomates num refratário e tempere com 1 colher de sopa de azeite e sal a gosto. Leve para assar junto com o quiche, quando este estiver nos últimos 10 minutos de forno. Asse até os tomates ficarem bem cozidos.

[hot cider tea]

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Ideia super genial que vi na edição de outubro da Martha Stewart Living. Ao invés de usar água para fazer o chá, usa uma cidra de maçã ou um suco de maçã puro [do fosco, não do translúcido]. Daí é só imergir o saquinho ou folhas de chá da sua preferência no suco fervendo. A revista recomenda o Earl Grey, mas eu usei o Lady Grey e ficou uma delícia. E como o suco já é naturalmente doce, nem é necessário adicionar açúcar. Pra mim, que prefiro chá completamente sem açúcar, ficou um pouco mais doce do que eu esperava. Mas não foi motivo forte o suficiente para me impedir de sorver essa bebida incrementada com grande satisfação!

bolo bundt de maçã

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Com o outono já limpando os sapatos no tapete da porta, as maçãs locais começam a aparecer nas feiras e mercados. Sei que essa fruta é meio desprezada, geralmente criticada por ser um troço bem sem graça. Pode até ser o caso quando as frutas são importadas, mas certamente não é o caso durante a sua temporada. Fresquinhas, elas são simplesmente deliciosas. Adoro essa época, quando volto à minha rotina de comer pelo menos uma maçã por dia. E são tantas variedades, que dá pra passar o outono inteirinho provando diferentes sabores. Para fazer esse bolo, usei umas maçãzinhas super singelas e azedinhas, que vieram direto do pomar da fazenda da UC Davis, os fornecedores da minha cesta orgânica semanal.

Não sei sobre outros países, mas nos EUA a maçã está liderando a lista dos dirty dozen, que incluí os produtos agrícolas mais contaminados por agrotóxicos. Então maçã, somente orgânica.

apple bundt cake [da revista Bon Appétit de dezembro 1999]
4 maças médias descascadas e cortadas em cubos
5 colheres de sopa, mais 2 e 1/2 xícaras de açúcar
2 colheres de chá de canela em pó
4 ovos grandes
1 xícara de óleo vegetal
1/4 xícara de suco de laranja
1 colher de sopa de raspas da casca da laranja
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
3 xícaras de farinha de trigo
3 e 1/2 colheres de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal
Açúcar de confeiteiro para decorar

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 176ºC. Unte uma forma bundt [com um buraco no meio] com óleo e polvilhe com farinha de trigo. Eu polvilhei com açúcar com canela.

Numa vasilha misture os cubos de maçã com 5 colheres de sopa de açúcar [eu diminuí para 2 colheres] e a canela em pó. Reserve.

Numa outra vasilha misture as 2 e 1/2 xícaras de açúcar [diminuí para apenas 2 xícaras], o óleo, os ovos, o suco e raspas da laranja e o extrato de baunilha e bata bem com um batedor de arame. Junte a farinha o fermento e o sal na mistura líquida. Coloque um terço da massa na forma untada, espalhe por cima metade das maças, coloque mais um terço da massa, alterne com o resto das maçãs e cubra com o restante um terço da massa.

Leve ao forno e asse por 1 hora e 30 minutos. Remova do forno e deixe esfriar por 15 minutos. Inverta o bolo sobre uma grade e deixe esfriar completamente. Coloque numa travessa e polvilhe com açúcar de confeiteiro se quiser. Eu não quis.

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torta de creme & pêssego

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Gostei dessa receita por três motivos—porque ela teve inspiração na Alice Waters e nos seus pêssegos, porque usa essa fruta que está abundante neste final de verão e porque é uma receita facílima. Sem mencionar o fato de que é muito legal poder fazer uma torta sem precisar cozinhar a fruta, podendo assim aprecia-la em todo seu frescor. A receita original leva amêndoas defumadas, mas eu fiz com amêndoas cruas. Se achar as defumadas, faça com elas. Também acho que dá pra diminuir um pouco o açúcar, já que os biscoitos são doces. Eu usei um açúcar demerara baunilhado que faço em casa. A receita recomenda os wafer cookies, tipo Nilla, mas use o tipo que preferir ou que tiver disponível.

2 xícaras [150 gr] de biscoitos
1/2 xícara de amêndoas cruas
1/4 de xícara de açúcar
4 colheres de sopa de manteiga derretida
1 ovo
1 caixinha de 8 oz [230gr] de cream cheese
1/4 de xícara de sour cream
2 pêssegos maduros, porém firmes, sem descaroçados, descascados e cortados em fatias

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 176ºC. Num processador de alimentos coloque as bolachas, as amêndoas e 2 colheres de sopa de açúcar [pode por um pouco menos se quiser] e moa bem até obter uma farofa fina. Junte a manteiga derretida e pulse até a farofa ficar bem úmida. Pressione essa massa no fundo e lados de uma forma de fundo removível de 22 cm e asse por 10 minutos.

No mesmo processador coloque o cream cheese, o sour cream, o ovo e mais 2 colheres de açúcar. Processe até obter um creme. Despeje sobre a massa assada e retorne ao forno, por mais 15 minutos. Remova do forno, deixe esfriar um pouco e leve ao congelador por 15 minutos. Numa vasilha misture as fatias de pêssego com o resto do açúcar [eu pinguei um pouquinho de suco de limão também] e misture bem. Remova a torta do congelador e arrange as fatias de pêssego por cima do creme. Remova da forma, coloque numa travessa e sirva.

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my new lunch spot
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Desde que me mudei para Woodland e que acabou a mamata de ir almoçar em casa, tenho feito picnics diários numa área com árvores e bancos que fica bem atrás do meu prédio. Não pensei muito sobre esse evento, apenas trago meus ranguinhos brejeiros embalados em potes com tampas, as saladas com o molho no fundo para ser misturada apenas na hora de comer, sopas frias [enquanto está calor], frutas frescas, coisinhas simples que não precise de muita firula pra comer. Uso meus talheres de bambu, guardanapos de pano para forrar o colo e evitar acidentes na roupa. Raramente trago bebidas, pois não acho necessário. Carrego tudo numa sacola colorida, sento no banco, me divirto com as aparições dos esquilos pidões. Mas outro dia comecei a ficar deveras incomodada quando percebi que aquela área com bancos vive cheia de fumantes, que nem sempre são delicados e gentis jogando os cigarros na lixeira própria para tal. Quando comecei a ver que estava dividindo o meu almoço com brumas de fumacê de alguém pitando no outro banco, resolvi olhar pro outro lado da rua. E vi esse lugarzinho. Com um banco com encosto, lixeira bem do lado, uma árvore gigante fazendo sombra, bem em frente de um pessegueiro onde os esquilos fazem a festa devorando as frutinhas—e não vêm me incomodar pedindo comida. Sem falar na vista que tenho de uma das ruas principais do campus, que me proporciona um almoço cheio de movimento. Felizmente ainda não tive que dividir esse espacinho com ninguém, porque durante o verão o campus fica bem vazio. Na próxima semana começa o ano letivo e vai quadriplicar o número de estudantes circulando pela universidade. Espero que ninguém cobice esse espacinho, porque dá licença, ele é só meu!

frango bbq [com tequila]

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Receitas com carnes são raras por aqui, porque elas também são raras na minha cozinha. Até o peixe, que eu me esforçava pra servir uma vez por semana, anda difícil porque no Farmers Market de Woodland não tem um peixeiro como no de Davis. Mas quando fiquei sabendo que teria três convidados [bons de garfo] pra um almoço de domingo, fui buscar uma receita com carne pra fazer na churrasqueira. Essa saiu de uma revista Cooking Light, com o sugestivo título de tequila-glazed grilled chicken thighs. Comprei ante-coxas desossadas de frango caipira. Como não tinha suco de abacaxi, usei um de tangerina. Se alguém ficar ressabiado com a adição da tequila, eu direi que a calda cozinha o suficiente para o álcool evaporar e que não precisa se preocupar. Ninguém ficará beubo depois de comer esse frango.

1 e 1/2 colher de chá de cominho em pó
1 colher de chá chili em pó
3/4 colher de chá de sal kosher [mais grosso]
1/4 colher de chá de pimenta chipotle em pó
1 quilo de ante-coxas dessosadas
3/4 xícara de suco de abacaxi [*usei tangerina]
1/3 xícara de tequila
1/4 xícara de mel
2 colheres de chá de amido de milho [maizena]
2 colheres de chá de água
2 colheres de chá de raspas da casca de um limão verde [lime]
3 colheres de sopa de suco de limão verde [lima]
1/4 colher de chá de flocos de pimenta vermelha

Combine os 4 primeiros ingredientes numa vasilha e esfregue sobre os pedaços de frango. Misture bem e reserve. Numa panela pequena misture o suco de abacaxi, a tequila e o mel e deixe ferver. Cozinhe até reduzir para 3/4 xícara [uns 10 minutos]. Misture bem o amido de milho com a água até dissolver completamente. Junte essa mistura de amido e água à panela com o suco reduzido e cozinhe por 1 minuto batendo com um batedor de arame. Remova do fogo, junte as raspas e o suco de limão e os flocos de pimenta vermelha.

Junte a calda aos pedaços de frango temperado e misture bem. Eu preferi fazer assim, mas pode-se também ir pincelando a calda sobre os pedaços de frango enquanto eles cozinham. Asse na churrasqueira ou na grelha até o frango ficar bem cozido e dourado. Sirva imediatamente acompanhado de fatias de limão verde [lime].

sun dried olives

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Na banquinha do Mike & Diane Madison no Farmers Market de Davis, comprei essas azeitonas orgânicas secas ao sol. Mike e Diane são respectivamente irmão e cunhada da chef californiana Deborah Madison. Eles moram num sítio na cidade vizinha de Winters. As azeitonas que eles produzem são bem interessantes, diferentes das azeitonas secas tradicionais que são bem oleosas. Essas são simplesmente desidratadas ao sol temperadas com sal marinho e não ficam rançosas como as outras. Comprei a caixinha em maio e ainda tenho parte dela guardada na geladeira.

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bolo de creme

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Eu realmente não preciso de mais uma forma para assar bolos, quanto muito uma forma dupla. Mas comprei essa da marca Nordic Ware porque achei uma fofura. Ela assa dois bolinhos de uma vez, o que pode ser algo pratico. E pra testar a forma usei uma receita que veio impressa na embalagem. Ela fez dois bolinhos super finos, que podem virar uma sobremesa sofisticada para uma data especial. Eu servi num almoço para o meu filho e a namorada. Acompanhei as fatias de bolo com figos frescos e sorvete de baunilha.

1/2 xícara [8 colheres de sopa] de manteiga amolecida
1 e 1/2 xícara de açúcar
3 ovos
1/2 xícara de creme de leite fresco
1 e 1/2 xícara de farinha para bolo*
1/2 colher de chá de extrato puro de baunilha
1/4 colher de chá de extrato puro de amêndoa
1/4 colher de chá de extrato puro de limão

Pré-aqueça o forno em 325ºF/ 150ºC. Unte com manteiga e enfarinhe as formas. Eu polvilhei as formas com açúcar ao invés de usar a farinha.

Na batedeira bata a manteiga e o açúcar até obter um creme macio. Adicione os ovos, um de cada vez, batendo continuamente a cada adição. Adicione metade do creme de leite e metade da farinha. Bata bem. Adicione o restante do creme e o restante da farinha, batendo até tudo se incorporar. Adicione os extratos de baunilha, amêndoa e limão. Divida a massa entre as duas formas untadas e enfarinhadas e leve ao forno por 35-40 minutos.

Remova do forno, deixe esfriar por 15 minutos, inverta os bolos sobre uma grade e dexe esfriar completamente antes de servir. Pode polvilhar com açúcar de confeiteiro se quiser. Eu não quis.

*Faça a farinha para bolo em casa misturando 2 colheres de sopa de amido de milho [maizena] na xícara quase cheia de farinha de trigo.

sopa fria de ervilha & pepino

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Na minha casa não existe verão sem sopas frias. Adoro a praticidade delas, que ficam prontas num minuto. E além de serem refrescantes, nutritivas e deliciosas, também são resistentes, pois aguentam ser guardadas na geladeira. Por isso as sopas frias são onipresentes na minha cesta de picnic diário [a.k.a. almoço]. Achei essa receita numa revista Cooking Light e ela já foi repetida várias vezes. Uma delas para um almoço com alguns convidados que eu não tinha certeza se iriam gostar de tomar uma sopa fria [na verdade ela é gelada!]. Avisei de antemão do que se tratava e que eles não se obrigassem a comer se não curtissem. Mas eles não só provaram, como repetiram e elogiaram. A receita original pedia ervilhas frescas, mas eu usei as congeladas orgânicas.

2 xícaras de ervilhas congeladas
2 xícaras de água gelada
1 pepino grande descascado
1 xícara de cubos de pão amanhecido
2 colheres de sopa de azeite extra-virgem
1 1/2 colheres de sopa de vinagre sherry [jerez]
2 dentes de alho
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto
Raminhos de broto de ervilha [pea shoots*]
*pode substituir por agrião ou omitir
Folhinhas de hortelã fresco
Mais azeite para servir

Cozinha as ervilhas rapidamente num pouco de água. Coe e deixe esfriar bem. Coloque todos os ingredientes [menos os brotos de ervilha e as folhas de hortelã] no copo do liquidificador e bata bem até obter um liquido bem cremoso. Coloque numa sopeira ou jarra e leve à geladeira. Na hora de servir, coloque a sopa nos pratos e decore com as folhas de hortela, os brotos de ervilha e pingue gotinhas de azeite.

gherkin cucumbers

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Outra banquinha do Farmers Market que eu prestigio é pilotada por uma mocinha ultra singela. Tudo o que ela vende é delicado, como os tomates cerejas de várias cores, os tomates jelly beans que parecem balinhas, e os tomates peras ótimos para saladas de picnics diários [a.k.a meu almoço]. Ela oferece também um leque de pepinos—os armênios, os limão, os del rio e esses gherkins, que segundo a mocinha não são apenas bons para fazer pickles, como ficam ótimos descascados e servidos crus em salada. Ainda não usei esses intrigantes legumes, porque a palavra pickles me dá um pouco de preguiça e porque vou precisar de óculos e mãos firmes para descascar esses pepininhos um por um.

figos assados
[com mel e alecrim]

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Neste ano ainda não consegui fazer absolutamente nenhuma receita especial com os figos frescos da estação, embora esteja comendo dezenas deles, apenas abocanhando um por um, com casca e tudo. Outro dia comprei os figos mais impressionantes de uma fazendeira no Farmers Market de Woodland. Ela é engraçada, veste macacão de jeans listrado, bandana amarrada no pescoço, tem um sotaque de mulher da roça, mas demostra um bom gosto de cosmopolita sofisticada nos produtos que vende. Já me empenhei em firmar uma amizade com ela, fazendo elogios e mil perguntas, anotando o nome das coisas diferentes e interessante que ela traz da fazenda. Tenho uma obsessão pelos heirloom, ela me disse outro dia, apontando um vidro cheio até a borda com grãos de bico negros e uma cesta cheia de favas rajadas. Foi dela que comprei dois grapefruits gigantes e rosados que pareciam adoçados com mel. E outro dia enchi um saquinho de peras minúsculas, sem falar nos figos deliciosos, que ela sempre tem dos roxos e verdes. Escolhendo os mais lindos pra levar pra casa, levantei um enorme, tão maduro que estava rachado parecendo uma flor, e comentei:

—meu deuso, que figo mais lindo!
—ninguém compra figo assim, pensando que está estragado.
—azar o deles, perdem de provar o melhor!
—se você não fosse comprar esse figo, eu comeria ele eu mesma!
—hahaha! desculpa, mas esse é meu!

Levei um saco cheio dos figos explodindo de maduros, que servi para os meus amigos Bia e LC, num jantar de despedida que fiz para eles. Para consumir um figo desses, less is more, e iria ser exagero emperequetar uma fruta que já estava simplesmente perfeita. Resolvi fazer um sorvete de mel de castanhas para servir com os figos al natural. Misturei 1 xícara de creme de leite fresco, 1 xícara de leite integral [ambos orgânicos da Straus Creamery] e 1/2 xícara de mel espanhol de castanha portuguesa, que é um mel de sabor bem forte. Juntei uma colher de sopa de vodka, coloquei tudo na sorveteira e depois no congelador até a hora de servir. Ficou um sorvete bem cremoso, com um sabor bem forte de mel e fez uma combinação incrível com os figos frescos.

Mas a história dos figos não termina aqui, porque é nessa época que eu sou tomada por uma onda de loucura—the fig season insanity. Passo a curta temporada dessa fruta comprando, pegando e comendo o máximo que puder. Passo por todas as bancas do Farmers Market vendendo figos e compro duas ou três cestinhas e ainda vou numa árvore de ninguém, dentro de um dos campos experimentais da UC Davis, e volto carregada. Os figos que eu mesma colhi, comi metade e fiz a outra metade assada, para acompanhar um clássico sorvete de baunilha. Esses figos verdes são da variedade calimyrna, bons pra fazer figo seco, mas também muito gostosos frescos. Juntei um punhado deles cortados ao meio e ajeitei num refratário. Reguei com um fiozinho de mel e salpiquei com folhinhas tenras de alecrim. Assei em 365ºF/ 185ºC por uns 30 minutos e servi com bolas de sorvete de baunilha.

outras coisas lindas

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que encontro por ai

salsa [assada]

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Não sei quanto a vocês, mas eu tenho o péssimo hábito de muitas vezes não ver ou perceber o óbvio, como se uma tontice crônica tomasse conta do meu ser. Nem cogito ou penso em certas coisas, opções ou ideias até *plin* ver alguém fazendo.

Foi o caso dos tomatillos e da salsa de tomatillos. Há anos recebo esses tomatinhos esdruxúlos na cesta orgânica todo santo verão e todo ano eu sofro porque não sei bem o que fazer com eles. Já servi em saladas e já fiz salsa, mas sempre usando eles crus, que eu achava ser o mais comum. Até que vi uma moça fazendo salsa com eles cozidos no evento do Chez Panisse em Berkeley. Ela cozinhava os tomatillos junto com cebolas e pimentas jalapeño numa frigideira elétrica e depois batia tudo no liquificador com temperos.

Esse foi o meu *plin* pros tomatillos. Fiz uma salsa então, primeiro cozinhando alguns deles, mais uma cebola cortada ao meio, duas bullhorn peppers [que são umas pimentas vermelhas alongadas e doces] e uma pimenta jalapeño. Fiz tudo na churrasqueira para aproveitar o fogo num dia em que grelhei outras coisas, mas pode-se fazer numa frigideira ou mesmo no forno. Depois que estava tudo cozido, coloquei no liquidificador. Só removi os cabinhos das pimentas, nada mais. Juntei o suco espremido de um limão verde [que aqui chamamos de lime], mais sal e azeite. Ficou uma salsa meio picante e meio adocicada, bem cremosa e vermelha, por causa das pimentas. Comi com chips de multi grãos da minha marca natureba favorita—Food Should Taste Good.

[pão]
breadbread
breadbread
breadbread
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A primeira coisa que vimos no evento dos 40 anos do restaurante Chez Panisse no museu da UC Berkeley foi a função do pão, liderada pelo icônico Steve Sullivan, o cara do Acme Bread. Eles tinham lá dois forninhos de barro e assavam o pão em latinhas e latonas. O Uriel foi fazer perguntas pro Steve sobre o forno e ouviu que ele mesmo construiu as estruturas arredondadas de barro, com muito cuidado e técnica especial, para não haver rachaduras e tais. Já tinha lido sobre a busca da Alice Water pelo forno perfeito para o restaurante. Tem que ser tudo feito da maneira certa.

Ouvimos umas histórias, enquanto os moços tiravam o pão quentinho do forno, que foram fatiados e servidos com mel. Uma delicia. Eu sou fanzoca absoluta da Acme Bakery que faz um pão simplesmente imbativel, iniciado com fermentação de uva. Já li toda a história do Steve e sua obstinação por fazer o pão perfeito e considero ele uma autêntica celebridade. Fiquei na frente dele ouvindo ele contar como preferiu trabalhar na cozinha naquele final de semana de celebrações e acabou pilotando o stand do pão no museu. Uma simpatia de padeiro!

»esses cliques bem simpaticos foram feitos com o meu iphone. o Steve Sullivan é o cara de camiseta cor de mostarda e cabelo grisalho e comprido.