it's halloween [again]!

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No ano passado eu estava no Brasil e perdi o que seria o meu último Halloween em Davis. Minha vizinhança lá não era muito populada por crianças, então fui diminuindo a cada ano a quantidade de doces que eu comprava, pra evitar sobras. Mas sempre tive trick-or-treaters batendo na minha porta e sempre achei essa festa super divertida, pela magnitude da coisa e pela tradição. Por isso estou na expectativa da noite de Halloween este ano em Woodland, que parece que será bem movimentada. Alguém me recomendou comprar muitos doces, porque a vizinhança é bem popular. Já percebi pela decoração das casas dos meus vizinhos que a coisa é realmente séria. Decorei a minha porta também, como sempre fazia em Davis, com a adição das algumas várias abóboras que imitei do que vi nas casas em Woodland. Será que tenho doces suficientes? Será que terei muitos trick-or-treaters? Logo saberei.

salada outonal

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Adoro as saladas de outono, porque elas são reconfortantes. Sempre coloco algum legume assado junto com folhas verdes, muitas vezes adiciono algumas nozes recém colhidas e super frescas ou uma fruta ou fatias finíssimas de um queijo forte. Como salada o ano inteiro, não tenho problema em consumí-las quando está frio, justamente por causa dos ingredientes que mudam conforme a estação e se ajustam às necessidades do seu corpo. Nessa salada usei folhas picantes de rúcula e cubinhos de butternut squash assados, feijão branco cozido e sementes de romã. Temperei com azeite de oliva da variedade arbequina e um vinagre balsâmico de pêssego, super doce e suave. Todos os ingredientes locais, com exceção do sal e da pimenta do reino. Não tem nada melhor que isso!

feijão branco com abóbora

Inspirada neste post sobre a abóbora no Come-se da Neide Rigo, fui dar cabo da primeira butternut squash que chegou na cesta orgânica neste inicio de outono. Quis também usar uns feijões brancos que estavam na minha despensa. Procuro não deixar os feijões guardados por muito tempo, feijao-abobora_3S.jpgpois acho que feijão velho não cozinha muito bem. Deixei os feijões de molho de um dia para o outro, troquei a água e cozinhei em fogo baixo numa panela de terracotta com um raminho de alecrim dentro. Faço feijão sempre assim, deixando de molho antes e cozinhando na panela de terracotta. Tem uns que ficam macios com apenas trinta minutos de fogo. Não precisa de panela de pressão. Geralmente cozinho num dia para usar no outro, não tenho pressa. Pode colocar na água de cozimento, um raminho de alecrim, ou folhinhas de sálvia, ou uma folha de louro, ou um raminho de tomilho, ou um dente de alho, se quiser acrescentar um sabor extra ao feijão.

Com o feijão já cozido, refogue umas fatias de bacon [da melhor qualidade, s'il vous plaît—eu uso os do Niman Ranch] numa panela de ferro ou outra similar, mas bem robusta. Quando o bacon fritar, jogue cubinhos de abóbora [usei a butternut squash] e refogue até ficarem cozidas. Jogue então o feijão já cozido e tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. Deixa cozinhar até o caldo engrossar, não deixe secar muito. Sirva.

panquecas indianas
[amazing indian dosas]

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—gostei das panquecas de abóbora.
—não era abóbora, era batata doce.
—mas acho que dá pra fazer com abóbora.
—acho que dá sim!
—ficou muito boa essa sua invenção!
—mas eu não inventei nada, usei uma receita.
—parecia uma comida inventada.
—o que você quer dizer com isso?

A receita saiu na última [outubro] edição da revista do Jamie Oliver e eu realmente me preparei para fazê-la, pois me encantei com todos os ingredientes. A panqueca feita com farinha de grão de bico, o recheio de batata doce e a mistura do gengibre e limão verde com as outras especiarias. Combinou tudo muito bem e as sementes de mostarda dão uma textura gostosa quando se mastiga a massa. Preparei as panquecas para as nossas marmitas de almoço, minha e do Uriel. Como não tinha nenhum tipo de chutney, substituí por geléia de figo feita em casa. Segundo o meu marido, pareceu comida inventada. Se isso é bom ou não, não saberei responder. Mas a versão com abóbora é realmente uma boa idéia!

para a massa:
1 xícara de farinha de grão de bico
1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
2 e 1/2 colheres de chá de sementes de mostarda
500 ml de água
Azeite

para o recheio:
2 batatas comuns
2 batatas doces
1 pimenta vermelha seca cortada em fatias [*usei flocos]
1 pimenta vermelha fresca cortada em fatias
1 cm de gengibre fresco fatiado bem fino
1 e 1/2 colheres de chá de sementes de mostarda
1 colher de chá de cúrcuma [turmeric]
Sal marinho a gosto
Azeite
1 limão verde [lime]
4 ramos de cebolinha picados
Um punhado de coentro fresco picado
Iogurte com hortelã, chutney e fatias de limão verde para servir

Pré-aqueça o forno em 400°F/205ºC. Cutuque as batatas com a ponta de uma faca, embrulhe em papel alumínio e leve ao forno por 40 min/ 1hora até que as batatas fiquem cozidas, bem macias por dentro. Remova do forno, desembrulhe, deixe esfriar um pouco e remova a casca. Coloque as batatas cozidas e descascadas numa vasilha e amasse com um garfo.

Numa panela aqueça um tanto de azeite e coloque as pimentas, o gengibre, as sementes de mostarda, o cúrcuma e uma pitada de sal. Refogue mexendo sempre até as sementes começarem a pipocar e o azeite ficar bem aromático [cuidado para não deixar queimar!]. Coloque esse azeite com os temperos sobre as batatas cozidas e misture bem. Esprema meio limão sobre as batatas temperadas, adicione a cebolinha e o coentro. Reserve.

Para fazer a massa, coloque as duas farinhas, o bicarbonato, as sementes de mostarda e uma pitada de sal numa vasilha e vá adicionando água aos poucos e mexendo com um batedor de arame. A massa deve ficar bem liquida, nada viscosa. Se precisar coloque um pouco mais de água.

Numa frigideira média coloque um pingo de azeite e espalhe com uma folha de papel ou pincel. Coloque uma colherada de massa e vire a frigideira para os lados para a massa escorrer e cobrir toda a superfície. Cozinhe em fogo médio até formar umas pequenas bolhas. Vire a panqueca com uma espátula e cozinhe do outro lado. Repita o mesmo processo até acabar toda a massa. Vá empilhando as panquecas num prato e pingue mais azeite na frigideira quando achar necessário.

Recheie as panquecas com a mistura de batatas e especiarias e sirva com um pouquinho de iogurte batido com folhas de hortelã, chutney e fatias do limão verde.

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empanadas de verdura

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Me meti novamente a fazer empanadas, não porque seja fanzoca desses pastelzinhos, mas porque fiquei encantada com a foto ilustrando a receita na revista Food & Wine e porque achei o recheio o fino da bossa. Nem preciso dizer que as minhas empanadas não ficaram iguais às da foto da revista, né? Mas pra isso eu tenho uma excelente teoria, que é também um dos meus pet peeves. Eu tenho certeza absoluta de que receita de chef não funciona perfeitamente nas nossas cozinhas comuns, porque os bacaninhas não fazem as adaptações necessárias para isso. Neste caso, das empanadas do chef argentino Mauricio Couly, está bem notável que elas foram assadas num forno à lenha. No meu forno elétrico comunzão elas não ficaram tão bonitas e provavelmente não tão saborosas. E a receita não diz honestamente que o chefe assou no forno à lenha mas que poderemos fazer assim assados num forno comum. Isso é um grande gerador de decepções. Mas felizmente, as empanadinhas mesmo pálidas ficaram gostosas. Essa receita tem também a vantagem de se poder fazer a massa e o recheio com antecedência, que foi exatamente o meu procedimento. Preparei tudo numa noite e finalizei as empanadas na noite seguinte. Só omiti as favas/lima beans. A massa é muito boa, bem macia e maleável, não deu nenhum trabalho pra abrir. Esse fato me deixou imensamente feliz. E ainda gastei um maço enorme de komatsuna, uma verdura bem escura que faz parte das novidades da estação na cesta orgânica semanal. Outono, seja bem-vindo, seu lindo!

massa:
1 e 1/2 xícaras de água
1 colher de sopa de sal kosher
3 colheres de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de chá de páprica doce defumada
[sweet smoked paprika -pimentón de la Vera]
3 e 3/4 xícaras de farinha de trigo

recheio:
300gr [1 e 1/4 xícara] de folhas de espinafre [*usei komatsuna]
1/2 xicara de favas ou lima beans descongeladas [*omiti]
150 gr de vagens
1 xícara de ervilhas descongeladas
5 colheres de sopa de azeite
1 cebola média picadinha
2 dentes de alho picados
2 colheres de sopa de folhas frescas de hortelã
1 colher de sopa de folhas de tomilho fresco
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

para fazer a massa: Numa panela pequena coloque a água, o sal, a manteiga e a paprica e leve ao fogo médio. Quando ferver, desligue o fogo e coloque a mistura numa vasilha grande e deixe esfriar completamente até ficar na temperatura ambiente. Então junte a farinha e misture bem para formar a massa. Numa superfície enfarinhada, sove a massa delicadamente até ela ficar bem macia. Embrulhe numa folha de plástico e leve à geladeira por uma hora ou de um dia para o outro.

para fazer o recheio: Numa panela grande coloque bastante água com sal e leve ao fogo Quando ferver jogue as folhas de espinafre [ou outra verdura que for usar] e deixe cozinhar por 1 minuto. Retire tudo com uma escumadeira e reserve. Na mesma água adiciona as vagens e cozinhe por 4 minutos. Retire e reserve. Se for usar as favas ou lima beans, cozinhe elas também na água fervendo por 1 minuto. As favas precisarão ainda ser despeladas.

Esprema bem o espinafre cozido e pique com uma faca. Pique também as vagens. Numa panela coloque o azeite e refogue a cebola até ela ficar macia. Junte o alho e refogue rapidamente. Coloque o espinafre, as vagens, as ervilhas descongeladas e escorridas e as favas ou lima beans [se for usar, eu não usei]. Cozinhe tudo por 2 minutos, tempere com as folhas de hortelã e de tomilho, e com sal e pimenta do reino moída.

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 176ºC. Unte com azeite ou forre com papel vegetal duas assadeiras grandes. Numa superfície enfarinhada, abra a massa o mais fino que puder e corte rodelas com um cortador. Molhe as bordas das rodelas de massa com água, coloque 1 colher de sopa do recheio numa metade e feche bem como se fossem pastelzinhos. Coloque as empanadas nas formas untadas ou forradas e leve ao forno por 30 minutos. Remova do forno e sirva as empanadas mornas ou em temperatura ambiente.

eu ♥ velharias

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Outra rotina que mudou pra mim na nova cidade foi minhas visitas à thrift stores. Na da SPCA de Davis, onde eu ia basicamente uma vez por semana, só apareci umas duas vezes nesses últimos quatro meses. E nas de Woodland, que são umas quatro espalhadas pela Main Street, não fui nenhuma vez ainda. A razão é que estou completamente obcecada por uma loja de antiguidades, onde tenho batido ponto semanalmente. É uma loja bem grande e já existe há muitos anos, quando teve diferentes donos e os mais variados dealers. O que eu gosto nela é justamente os dealers, pois a loja é toda dividida em áreas, cada uma lotada de coisaradas de dealers diferentes, o que acrescenta uma variedade enorme de itens, estilos e até de preços. E o lugar é tão abarrotado que você tem que se organizar num sistema mental, pra conseguir olhar tudo sem sentir tontura. E eu olho absolutamente tudo, do chã ao teto, começo sempre pelo lado esquerdo da loja, vou entrando e saindo dos stands com o maior cuidado pra não derrubar nada, vou até o fundo e volto pela direita. Normalmente no meio do caminho eu já estou carregando mais coisas do que minhas mãos conseguem segurar e tenho que levar tudo até o front desk. A loja é velhusquissima, com chão de madeira desnivelado, coisas penduradas em todos os cantos, o pé direito altissimo que possibilita mais espaço para disponibilizar cacarecos. Foi lá que comprei, em 2003, o buffet branco que tenho na sala de jantar. E foi lá que comprei mil e outras coisinhas, entre pequenos móveis, utilitários, pratos, copos, quadros, bijouterias, caixinhas de música italianas e até uma vitrola antiga de manivela e discos de 78rpm pra tocar nela. Outro dia achei lá num cantinho do chão essa bandeja de marchetaria, que agarrei no mesmo segundo que vi já pensando em usá-la para colocar algumas das taças de cristal que tenho garimpado aqui e ali nos últimos anos. A bandeja com os copos ganhou lugar de destaque em cima do meu móvel favorito, que também foi comprado numa loja de antiguidades, uma especializada em anos 50 e 60 em Sacramento.

curry de legumes

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Fiz esse curry pela primeira vez quando me deparei com um surplus de berinjelas e quiabos nas gavetas da minha geladeira. Refiz ainda algumas vezes, adicionando ou mudando alguns dos ingredientes. Usei tanto o curry tailandês verde, como o vermelho. Em todas as vezes ficou muito bom. Eu intencionava fotografar e publicar aqui, só que na correria do dia a dia acabei nunca fazendo. Mas desta vez foi! Refiz o curry mais uma vez e consegui finalmente tirar uma foto. Os melhores são os que levam quiabo—legume que eu adoro. Mas sem quiabo também fica muito bom. Esse curry é fácilimo de fazer e é também uma excelente maneira de gastar um monte de legumes numa só tacada. Pode ser feito grelhando ou apenas refogando os legumes. Ele guarda bem na geladeira e faz uma excelente marmitinha pra levar no trabalho, sozinho ou acompanhado de arroz.

Berinjelas picadas em tiras ou cubinhos [usei a comum e a japonesa]
Quiabos cortados em rodelas [neste da foto não tem quiabo]
Pimentões de todas as cores
Pimenta vermelha e jalapeño [uma unidade de cada]
Vagens verdes e vagens chinesas [as bem longas]
Tomatillos
Cebola roxa cortada em fatias
Folhas frescas de manjericão e de coentro
1 lata de leite de coco
2 colheres de sopa de curry tailandês verde ou vermelho [em pó]
Sal a gosto
Suco de 1 limão verde [lime]
Azeite, óleo vegetal ou de coco para refogar

Numa panela bem grande coloque o óleo e refogue a cebola cortada em tiras. Junte os outros legumes e refogue bem [pode grelhar os legumes antes, que fica muito bom]. Quando os legumes estiverem bem cozidos, junte sal a gosto, o curry em pó e misture bem. Despeje o leite de coco, deixe ferver e desligue o fogo. Junte o suco do limão verde e as folhas de manjericão e coentro frescos. Sirva acompanhado de arroz, se quiser.

gelado de pistacho

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Esse sorvete foi fácilimo de fazer e eu fiz duas vezes, pois da primeira, exasperada, não olhei a data de validade do creme de leite fresco que estava expirada e o resultado foi um sorvete com cheiro e gosto de queijo. Blé! Fiz tudo de novo, desta vez com o creme recém comprado e ficou bem forte, bem pistachudo. O procedimento foi bater no liquidificador 1 xícara bem cheia de pistachos crus descascados e despelados, 1 xícara de leite integral e 1 xícara de creme de leite fresco. Adocei com mel a gosto, coloquei um splash de vodka e processei na sorveteira até firmar. Depois é só guardar o sorvete no congelador num pote de vidro com tampa e consumir a vontade.

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bolo de pistacho

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Depois de toda a trabalheira de descascar duas vezes e despelar todos os pistachos, fui procurar uma receita para usá-los. Vou dizer que não foi fácil, pois a maioria delas levava um punhadinho de pistachos secos aqui ou ali e eu queria uma receita que usasse muitos pistachos, de uma xícara para mais. Me debati entre uma que levava 5 ovos e essa um pouco mais simples e que preenchia todas as minhas condições. A receita é pra ser feita com pistachos secos, mas eu arrisquei com os crus e ficou um bolo bem interessante—levinho e com o sabor intenso do pistacho fresco. A única chatice foi ver o bolo murchar no centro quando tirei do forno. Mas esse pequeno detalhe desastroso não comprometeu o resultado final, que ficou bem delicioso.

1 e 1/2 xícara de pistachos [medidos sem a casca -- cerca de 225gr]
1 xícara de açúcar
3 ovos grandes, gema e claras separadas
2 colheres de chá de raspas da casca de um limão
1/3 xícara de amido de milho [maizena]
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/4 colher de chá de sal

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 180°C. Unte uma forma de fundo removivel de 22 cm com manteiga. Se for fazer com pistachos secos, leve uma panela de água ao fogo e quando ferver mergulhe os pistachos nela por 30 segundos. Remova, seque com uma toalha, esfregando os pistachos para remover a pele. Os meus pistachos já estavam pelados.

No processador coloque os pistachos e o açúcar e moa até obter uma farofa. Transfira tudo para uma vasilha grande e adicione as gemas dos ovos, as raspas de limão, o amido de milho, fermento em pó, bicarbonato de sódio e sal. Misture bem. Numa outra vasilha bata as claras em neve. Misture as claras em neve à mistura de pistachos delicadamente com uma espátula. Coloque a massa na forma untada e leve ao forno por uns 30 minutos. Remova do forno e deixe esfriar. Remova da forma e deixe esfriar completamente numa grade. Coloque numa travessa e sirva. Essa receita é gluten free.

dois sacos de pistachos

Junto com as romãs e as amêndoas vieram também os pistachos. Não é a primeira vez que o Uriel traz pistachos frescos da fazenda logo após a colheita. Acredito que ele faz isso porque se entusiasma, pois deve ser lindo ver todo aquele mundaréu de frutos saindo daqueles pomares quase infinitos. Mas desta vez foi realmente a última, porque eu dei o ultimato—CHEGA DESSA HISTÓRIA!

Os pistachos crus não são como as amêndoas, que secam sozinhas e conservam fácil. Eles precisam de uma ajuda extra, um processamento e fazer isso em casa simplesmente não dá certo. Já tentamos antes e falhamos. Tentamos novamente e falhamos mais uma vez. Não sabemos como fazer e, sinceramente, eu não estou nem um pouco interessada em saber. Prefiro comprar os pistachos já torrados e prontos para o consumo.

Embora eu não ache muito prudente comer muitos deles assim, os pistachos podem ser consumidos crus e são até bem gostosos, crocantes e com um sabor bem intenso, um pouco diferente da sua versão seca. Mas isso tem que ser feito logo depois da colheita, porque eles não guardam bem com aquela casca molinha exterior, que precisa ser removida para que não mofe e apodreça. E foi o que fizemos durante o final de semana passado, removemos todas as cascas, tentamos torrar no forno e não deu certo. Enchemos dois sacos de 3 litros cada com pistachos ainda crus. Um saco ainda está na geladeira nos esperando, o outro descascamos e despelamos um por um e com os pistachos verdíssimos e aromáticos fiz um sorvete e um bolo. As receitas virão a seguir.

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sim, eu sou uma locavore!

Algumas coisas estão bem diferentes na minha vida depois da minha mudança de casa e cidade. E tudo que eu achava que iria acontecer, não aconteceu da maneira como eu previa. Eu tinha certeza absoluta de que iria fazer muita coisa em Davis, além de trabalhar no campus durante a semana. Achava que iria continuar com as aulas de pilates naquele studio hiponga modernete frequentado pelas cheer leaders, continuar visitando a thrift store do SPCA regularmente, e nadando na mesma piscina de sempre com os Masters e que não perderia nenhum Farmers Market aos sábados. Well....

Mudei e comecei a olhar tudo em volta de mim. Achei uma piscina pra nadar perto de casa, comecei a visitar a lojinha de antiguidades da Main Street, achei um outro lugar pra fazer aula de pilates e praticamente não coloco mais o nariz em Davis nos finais de semana. No primeiro sábado em Woodland fui checar o pequeno Farmers Market da cidade. Foi um grande choque, porque o FM de Woodland é uma ervilha se comparado com o de Davis. São poucas bancas, não tem o peixeiro, nem a florista, nem o japonês dos cogumelos, nem a carne grass-fed, nem o frango caipira. São praticamente pequenos fazendeiros da região fazendo um esforço fora do comum para manter o mercado funcionando. Uma vez, conversando com a administradora, ouvi ela reclamar amargamente dos habitantes de Woodland que não tem o hábito de frequentar esse tipo de feira. O que eu faço com esse povo, ela me perguntou desgostosa. Respondi que ela precisava fazer umas promoções, divulgar mais, que tudo é uma questão de informação. Mas sei que não é nada fácil.

Nos últimos meses fui freguesa assídua do FM de Woodland. Frequentei as versões das manhãs de sábado e as da terça-feira à tarde. Fiz amizade com a maioria dos produtores, com quem bati ótimos papos, fiquei sabendo onde eles plantam, o que plantam, como plantam, por que plantam. Todo sábado eu voltava pra casa com a cesta lotada de delícias fresquinhas e com um sorriso na cara, porque as conversas eram as mais bacanas e variadas. Isso me deixava imensamente feliz, pela impagável oportunidade de socializar com a pessoa que tinha plantado, colhido e agora estava me vendendo o produto que iria virar minha refeição. Me encantei!

Quando fiquei sabendo que o mercado de Woodland era sazonal e iria fechar durante o outono e inverno, me desmanchei de tristeza. Peguei cartão de endereço com todos os fazendeiros, perguntei se eles vendiam direto da fazenda, se tinham frutas durante o inverno, me preveni. No primeiro sábado depois do encerramento das atividades do FM de Woodland, eu e o Uriel fomos ao de Davis. Fiz as compras no mercado lotado, muita gente comprando, outros só aproveitando a manhã e consumindo as comidas étnicas que são vendidas lá, muita gente fotografando as lindas abóboras. O Farmers Market de Davis está em atividade há 30 anos. Tem uma estrutura apropriada, construida pela prefeitura e que permite que tudo funcione mesmo durante os dias frios e chuvosos. É um mercado bacanérrimo, cheio de variedades e novidades, tem tudo o que você precisa e um pouco mais, a localização é excelente bem ao lado de um parque enorme, é realmente tudo o que falam dele, merece a fama de ser um dos melhores Farmers Markets do país.

Mas eu agora quero um pouco mais—ou melhor, um pouco menos. Porque adorei a oportunidade de chegar mais perto dos fazendeiros e das suas fazendas, mais perto das colheitas, observar as atividades no background de todo esse sistema que termina quando estou cortando um tomate para fazer uma salada na minha cozinha. Vejo os campos, os pomares e as atividades agrícolas diárias, de acordo com a estação. Me encantei com os campos de girassóis, com a colheita dos tomates e agora estou de olho num pomar de nozes com o chão todo salpicado de frutos, que estão prontos para serem colhidos, depois que as cascas racham e se abrem.

Decidi que vou tentar o máximo continuar consumindo os produtos dos fazendeiros de Woodland, vou mandar e-mail, combinar de passar pelas fazendas quando der. Uma das fazendas, que além de tudo é certificada orgânica, fica bem no meu caminho. Todo dia eu passo em frente e vejo um galpão onde a família arruma os produtos que serão vendidos durante o dia. Nao fica ninguém lá, apenas as abóboras, os melões e os tomates, uma lista de preços rabiscados numa lousa, uma balança para pesar os produtos e uma caixinha para a gente colocar o dinheiro. E eu gosto muito disso.

[*o que é um locavore?]

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[uma pera asiática]

amêndoas frescas

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Não tem coisa mais gostosa que um produto super fresco, vindo diretamente do pomar ainda na sua embalagem natural. Dá um pouco mais de trabalho pra abrir, mas o sabor compensa. Remova primeiro a casca aveludada, depois abra o invólucro poroso com um quebra nozes e o que não consumir na hora é só guardar na geladeira. Assim as amêndoas se manterão saborosas, crocantes e fresquinhas por um bom tempo.

pom [wonderful!]

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Essas são as romãs mais deliciosas que eu já tive o prazer de provar. Todo ano eu ganho um saco cheio delas, vindas do maior produtor da Califórnia. Eles são os responsáveis pelo delicioso suco Pom Wonderful. Mas essas romãs que chegam pra mim são as produzidas para exportação, para o mercado japonês. Elas têm em média uns 15 cm de diâmetro e as sementes são vermelhíssimas e dulcíssimas, verdadeiras pedras preciosas. Este ano ganhei dez delas, escolhidas a dedo quando o Uriel voltou dos testes que ele faz nessa fazenda durante a colheita dos pistachos. Essa fazenda também produz toneladas de pistachos e de amêndoas, que irão virar histórias por aqui em breve.

〉♥〈

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tacinhas de cristal
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jarra como a da bisavó Masullo

bolo rústico de mel

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Adoro tudo com mel, pão de mel, sorvete de mel, bolo de mel, mel puro pingado no leite ou no pão. Por isso essa receita de bolo francês rústico de mel foi pra minha lista assim que a vi. E foi a primeira que fiz, para servir num chá da tarde com uma amiga. Não fica um bolo muito doce e a adição das ameixas secas, que me pareceu a principio um pouco estranha, acrescenta bastante na sua deliciosidade. E pra completar ainda tem a facilidade de não precisar de batedeira e de se usar apenas uma vasilha no preparo desse bolo.

1 xícara de farinha de centeio
1 xícara de farinha para bolo
2 colheres de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de canela em pó
1/2 colher de chá de sal kosher
1/4 colher de chá de noz moscada em pó
1/8 colher de chá de cravo em pó
1/2 xícara de mel
2 ovos caipiras grandes
1/4 xícara de manteiga sem sal derretida
1/2 xícara de leite integral
1 xícara de ameixas secas picadas

Pré-aqueça o forno em 350˚ F/ 176ºC. Unte com manteiga uma forma quadrada de 20 cm. Peneire as farinhas numa vasilha. Adicione o bicarbonato de sódio, a canela, a noz moscada, o cravo e o sal. Junte os ovos, o mel, o leite e a manteiga derretida. Misture bem com uma colher de pau ou batedor de arame. Adicione as ameixas secas picadas e mexa bem para incorporá-las. Coloque a massa na forma untada e asse por uns 35 minutos. Remova do forno, deixe esfriar. Vire numa travessa e polvilhe com açúcar de confeiteiro.

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fogões dos anos 40
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old stovesold stoves
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Estamos procurando um fogão novo, porque finalmente vamos fazer a conexão pro gás na cozinha e trocar aquele horrorever fogão elétrico. Mas procurar por fogões vintage não fazia parte do nosso plano de ação. Acabamos nesse lugar por puro acaso, procurando por lojas de antiguidades em Berkeley. O aplicativo do Yelp sugeriu a Reliance Appliance & Antiques e quando entramos lá tivemos uma baita surpresa. Fogões e mais fogões, todos dos anos 40, um mais lindo que o outro e todos funcionando tão perfeitamente quanto um fogão novinho. A dona da loja nos contou que fogões antigos são sua paixão e por isso ela garimpa essas preciosidades de mais de sessenta anos. Os fogões são totalmente restaurados por dentro e por fora. As peças internas são trocadas por similares novos e modernos. A loja era pequena e com muitas janelas, portanto foi um pouco difícil fotografar. Vimos fogões de todos os tamanhos, uns com até quatro fornos, outros com apenas quatro bocas, a maioria brancos, alguns azuis ou verdes bem clarinho. Um dos meus favoritos tinha um telescópio no painel superior, por onde você podia ver perfeitamente dentro do forno sem precisar abrir a porta. Uma inventividade genial que deve ter sido o máximo da bossa na época.

sopa de batata doce
[com queijo feta & zaatar]

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Demorei à beça para preparar essa sopa, porque num dia não tive tempo, no outro não tinha queijo feta e no outro não tinha o zaatar. Depois de ter os ingredientes apropriados comprados, o tempo disponibilizado, finalmente coloquei a receita em prática. Usei batata doce previamente assada, por minha própria conta e risco.

serve de 6 a 8 porçoes
1/4 de xícara, mais 2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de zaatar
1 colher de sopa de manteiga
1 cebola pequena picada
5 batatas doces médias descascadas e cortadas em cubos
6 xícaras de água
2 xícaras de caldo de legumes
1 folha de louro
1 colher de sopa de sal
1/4 xícara de queijo feta

Numa panelinha coloque 1/4 xícara de azeite e o zaatar. Cozinhe sobre fogo médio por uns minutos, mas não deixe queimar [*achei que o meu queimou um pouco, mas felizmente nao afetou o sabor só ficou com uma cor mais escura]. Remova do fogo e deixe a esfriar e pegar gosto por uma hora.

Numa panela grande coloque a manteiga e o restante do azeite e leve ao fogo. Adicione a cebola picada e refogue bem. Junte os cubos de batata doce e refogue por mais alguns minutos. Junte a água, o caldo de legumes, a folha de louro e deixe ferver. Abaixe o fogo e cozinhe por 30 minutos ou até as batatas ficarem bem macias.

Remova a folha de louro, bata tudo no liquidificador [com cuidado!] ou use o mixer de mão para fazer um creme. Adicione o sal. Coloque o creme nos pratos de sopa, salpique um tanto de queijo feta esmigalhado e regue com o azeite de zaatar. Sirva imediatamente.

a colheita do tomate
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Deu um pouco de tristeza ver o verão se encerrar meio que de repente. Tivemos a derradeira onda de calor e sem cerimônia nenhuma começou a chover, esfriou e acabou-se o que era doce. As últimas semanas foram bem agitadas nos campos e pomares da região. A minha decisão de ir e voltar do trabalho pelas back roads me deu a grande oportunidade de observar bem de pertinho algumas colheitas, e mais intensamente a dos tomates. É tudo muito rápido, quando eu passava pela manhã as máquinas estavam colhendo a todo vapor e na volta pelo mesmo caminho à tarde, os campos já tinham virado um imenso poeirão salpicado de frutos caídos das colhedeiras. Por algumas semanas eu vi um campo atrás do outro ser desbastado e carretas e mais carretas se enchendo de frutas vermelhas. Pra mim essa proximidade com a colheita do tomate foi uma experiência absolutamente fascinante. Voltando do trabalho numa tarde, decidi ir pra casa pegar a câmera e voltar para tentar fazer uns cliques. Tive que acompanhar a colhedeira com o carro, do outro lado da pista, porque ela não para um segundo, vai e volta, jogando a tomatada na carreta que a segue puxada por um trator. E são muitas carretas, que vão se alternando em perfeita sincronizacão. Nesse dia estava fazendo quase 40ºC. Parei o carro numa encruzilhada e fui andando à pé pelo acostamento para tirar algumas fotos com o celular. Um carro que vinha normalmente por uma das estradas de repente diminuiu a velocidade e abaixou o vidro da janela. Uma moça colocou a cabeça pra fora e falou comigo—está tudo bem com você? Fiquei desconcertada e só então me toquei do absurdo da minha situação caminhando na vastidão dos campos de tomates, sob um sol de rachar coquinho, eu só podia estar em alguma confa e precisando de ajuda. Respondi toda sem graça—sim, estou apenas tirando umas fotos! Acho que eu não precisava chegar tão perto da colheita, mas eu quis fazer e fiz. E apesar daquele momento altamente constrangedor, olha-só-aquela-mulher-maluca-vagando-pela-estrada, valeu à pena ter feito.

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doce de figo [com creme]

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Podem me acusar de encher linguiça, que não vou refutar nem discutir. Mas preciso registrar como ficou bom esse doce [ou geléia se quiserem chamar assim], que fiz com um bocadinho daqueles figos de casca verde da variedade calimyrna. Fiz de olhão, mas combinei mais ou menos 3 partes de figos frescos cortados ao meio com 1 parte de maple syrup orgânico. Cozinhei em fogo baixo até os figos ficarem caramelizados, imersos num xarope bem denso. Devoramos esse doce numa piscada. Servido em taças e regado com creme de leite fresco. Experimente!

bolo turco de figos

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Fiz esse bolo publicado pela querida Ameixinha, não somente porque ainda não tinha feito nenhuma gostosura com os figos frescos que estavam abundantes; mas também porque fiquei absolutamente comovida quando li a história dos meus gatos contada tão poeticamente por ela, nos antecedentes da receita. [♥] Usei o dobro de figos que a receita original pedia. O meu bolo ficou mais com cara e textura de pudim, mas incrivelmente saboroso.

4 ovos, clara e gemas separadas
1/2 xícara de açúcar
3 colheres de sopa de farinha de trigo peneirada
1 e 1/2 xícara de iogurte grego natural
raspa da casca e suco de 1 limão
1 1/2 colher de chá de água de flor de laranjeira
8 figos frescos cortados ao meio

Pré-aqueça o forno em 355ºF/ 180ºC. Numa tigela bata as gemas com o açúcar até ficar cremoso e leve. Adicione a farinha e misture. Junte o iogurte, as raspas e o suco de limão mexendo até combinar. Adicione a água de flor de laranjeira. Bata as claras em neve e envolva gentilmente à massa, usando uma espátula. Unte uma forma de 20 cm de diâmetro com manteiga. Coloque a massa na forma e as fatias de figo por cima. Leve ao forno por 50 minutos ou até o topo ficar dourado. Deixe esfriar bem e sirva.

muito bem comemorado

tsurprise

Chegamos em casa vindos de Berkeley e quando abri a porta vi todos os meus amigos lá dentro gritando ((( SURPRISE!!!! ))). A casa estava toda decorada, a cozinha cheia com comida do meu restaurante favorito em Davis, bolos da melhor chocolatier de Sacramento, minha familia conectada em grupo pelo skype. Foi uma festa super bacana, magnificamente orquestrada pelo meu marido. Não desconfiei de absolutamente nada e tive a maior surpresa da minha vida. Foi a minha primeira festa surpresa e adorei a experiência. It was absolutely fabulous!

sábado, 1 de outubro de 2011
birthday
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Para comemorar o meu aniversário, escolhi sem pensar muito almoçar no sempre impecável Chez Panisse. O norte da Califórnia tem uma abundância de restaurantes fantásticos, mas escolhi ir nesse mais uma vez, porque o lugar tem tudo a ver comigo. É sofisticado na qualidade dos ingredientes, mas é informal no ambiente e no serviço. A comida é deliciosa e simples, preparada com extremo capricho e cuidado nos detalhes. Lá me sinto comendo em casa ou na casa de alguém muito legal.

Pedi uma sopa de pimentão vermelho com um creminho de erva-doce, o halibut com milho doce e tomatillo e uma torta de figos perfeita. Adorei o vinho branco californiano que escolhi e dividi com meu filho e minha nora—um blend não filtrado da região da Sierra Foothills. O vinho, que era turvo e tinha um aroma de maçã, harmonizou perfeitamente com o peixe.