༺♥༻ Happy Thanksgiving ༺♥༻

thanksgiving morning
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from my kitchen to you!

um bom ano

Confundida pelo clássico AM/PM acreditei por alguns dias que iriamos passar a virada do ano dentro de um avião da American Airlines. Felizmente percebi a tempo que nosso voo sairia de São Paulo às 12:15am do dia 31 de dezembro de 2013, o que me proporcionou tempo de sobra para chegar em Woodland, tomar um banho, ir ao supermercado comprar ingredientes, preparar uma panela de lentilhas com linguiça e servir com pão fresquinho e queijos e uvas brancas de sobremesa. Essa foi a nossa ceia de reveillon, que foi devorada às seis da tarde. Não somos tão fortes como pensamos, pois às oito horas já estavamos dormindo e só fomos acordados uns minutos antes da meia noite pela festa dos vizinhos e o som de alguns rojões pipocando no horizonte, nos beijamos e abraçamos deitados mesmo, desejamos "feliz ano novo" um pro outro, eu lembro de ter dito "esse vai ser um ano MUITO BOM", viramos para o lado e continuamos a dormir. No dia seguinte, já mais revigorada, fiz o almoço do ano novo que consistiu de uma salada de alface e um gratinado de bacalhau. Mas não foi qualquer salada, nem qualquer bacalhau, foi algo especial. E devoramos com gosto. Vai ser muito bom este ano de 2014, não vai? Sim, vai ser um ano incrívelmente bom!

[»em seguida, as receitas]

[ r e s u m o ]

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Ficou tudo meio paradão por aqui, espero que ninguém tenha reparado, porque já estou empenhada limpando a poeira e as teias de aranha. Tivemos um pequeno hiato porque decidimos ir para o Brasil no ultimo minuto antes do Natal e poder passar os feriados com a família depois que meu pai adoeceu. Foi uma decisão correta, mas a viagem foi expressa, somente para cuidar de assuntos familiares. Aproveitei também para ver meu filho que já estava lá e passar uns dias com ele, antes dele embarcar para outra parte da sua aventura brasileira. Graças à disposição dessas meninas de dirigirem até Campinas para nos ver, tivemos um encontro ultra auspicioso com as queridas amigas Roberta e Maria Rê no dia seguinte da minha chegada. Depois disso só consegui ver membros da família. Tivemos um Natal tropical mega improvisado e atribulado, partimos no último dia do ano com tempo de chegar na Califórnia antes do inicio de 2014 e passar a virada dormindo. O ano começou diferente e apesar de eu estar ainda um pouco cansada, outro tanto emocionada, tenho certeza absoluta que este novo ano será muito bom. Estou positiva e antecipando muitas coisas bacanas que estarão vindo em nossa direção!

2013—thanks for the memories

[ t h a n k f u l ]

thanksgiving kitchen
thanksgiving kitchen
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minha cozinha na manhã do Thanksgiving

[ 2922 dias ]

Este foi o primeiro ano deste blog que eu deixei passar o dia primeiro de novembro sem fazer ou dizer nada por aqui. Uma verdadeira decepção, levando em conta o arroz de festa que sou, porque neste dia o Chucrute com Salsicha completou oito anos. Mas também foi nesse dia que eu empacotei meus pertences pessoais e meu computador e coisas do trabalho e deixei o campus da Universidade da Califórnia depois de tantos anos da minha vida pessoal e profissional girando em torno dele. Dei adeus às lindas árvores que florecem na primavera e ficam douradas no outono, aos gramados e aos picnics ocasionais, adeus às aulas incidentais de literatura indiana, aos zilhões de esquilos que dividiram o meu espaço na hora do almoço, adeus ao farmers market da universidade e tantas outras coisas bacanas do ambiente acadêmico. Deixei o campus com uma certa tristeza que se dissipou assim que eu entrei no novo prédio que será o meu lugar de trabalho daqui em diante. Não mudei de emprego, mas essa mudança de locação foi para melhor em absolutamnente todos os sentidos. Estou tão contente que não tenho palavras. Sem mencionar que agora vou ter uma cozinha decente à disposição, com duas geladeiras e um freezer industrial, pias, bancadas espaçosas, microondas, muito lugar pra sentar e comer dentro e fora do prédio. Isso pode até não ter [ainda] nenhuma relação com este blog, mas com certeza terá. Desejo profundamente que haja muitos mais anos de fotos, receitas e conversas por aqui. Mesmo que eu esteja um pouco mais quieta, podem contar comigo registrando minhas comilanças neste velho blog.

∙ • ● ◉ b o o o ◉ ● • ∙

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happy halloween!!

final, ponto. inicio, três pontos.

Antes que o mês de janeiro termine, preciso contar como ele começou. Nós não somos pessoas muito organizadas e apesar de estarmos em férias e saber que queríamos passar a virada do ano em algum lugar bacana, demoramos para decidir onde. Quando fomos escolher o lugar, restaurante e hotel, muita coisa já não estava disponível. Eu queria ir para o litoral, mas realmente preciso aprender a planejar melhor, mesmo essas pequenas viagens. Decidimos ir para o Sonoma county e passar o reveillon em Healdsburg, uma cidadezinha muito lindinha que fica na região das vinícolas. Hotel lá já não havia, então reservamos um à seis minutos de distância numa outra cidadezinha chamada Windsor. Que surpresa que foi chegar no lugar e encontrar uma downtown super brejeirinha, com prédios replica estilizadas de uma cidade européia antiga. Ah, esses americanos!

Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
Fim de AnoFim de AnoFim de Ano

Nosso jantar no último dia de 2012 foi no Café Lucia—cozinha nova portuguesa. Dentre os restaurantes que serviam jantar na noite do dia 31 e não tinham cardápio fixo com coisas que eu não gosto e nem como, nem preços astronômicos, essa foi a nossa opção. Também porque vimos bolinho de bacalhau e bacalhoada no cardápio. Que delicia de comida! Todas as gostosuras portuguesas que pedimos estavam sublime. Um caldo verde ultra delicado, bolinhos de bacalhau super leves e sequinhos, bacalhoada perfeita e espetada com batatas e piri-piri deliciosas. Eu bebi um vinho branco português que acompanhou tudo perfeitamente. De sobremesa pedimos a opção de gelados: sorbet de maçã & vinho verde, sorbet de manga, sorvete de porto vintage e sorvete de chocolate & piripiri. Tudo excelente, ficamos muito felizes e satisfeitos.

Passeamos um pouco pela cidade que estava linda e até bem agitada com todo tipo de festa, das chiquerésimas às modernetes, até as bem desanimadas com o povo enchendo a cara de cerveja e jogando bilhar. Demoramos um pouco para achar um lugar bom pra passar a meia-noite e acabamos num bar cavernoso, que tinha música dançante e clientela eclética de todas as idades e tribos. Não estava fervendo, mas estava divertido. Entramos em 2013 requebrando o esqueleto no bar do urso Ernie. Nos vinte minutos do primeiro tempo do novo ano vi mensagem no meu telefone. Era o serviço do sistema de alarme, que tinha disparado na nossa casa, em Woodland. Abre uma nova cena no palco com a gente saindo do bar correndo—liga pra cá, liga pra lá, a policia foi na casa, o Gabriel foi na casa, era mau funcionamento em um dos sensores. Feliz 2013, né?

Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
Fim de AnoFim de AnoFim de Ano

No primeiro dia de janeiro ficamos em Healdsburg encaroçando nas lojinhas de antiguidades e depois rodando pelas estradas da região das vinícolas. Pena que nenhuma vinícola estava aberta no primeiro dia do ano. Muitos restaurantes também estavam fechados. Fizemos um almoço bem tardio na moderna Pizzando no centro da cidade. Comemos uma entrada de albacore que estava deliciosa, com uma farofinha crocante por cima. Depois um inusitado pappardelle com butternut squash, rúcula, sementes de abóbora [pepitas] e nibs de cacau. Faltou apenas um pouquinho de sal, mas estava interessante. Depois devoramos uma pizza com broccolini e mascarpone, que foi a nossa alternativa à falta da burrata, que era a nossa primeira opção [quem manda chegar tarde?]. Nem pedimos sobremesa, porque queríamos provar outra coisa em outro lugar. E acabamos mesmo num café, onde bebemos capuccino e chocolate asteca.

Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
Fim de AnoFim de AnoFim de Ano

No segundo dia de janeiro comemoramos nosso trigésimo primeiro aniversário de casamento e aproveitamos para passear juntos por alguns lugares que gostamos aqui no norte da Califórnia. Primeiro passamos por Bodega e Bodega Bay, onde eu impreterivelmente tenho que ir visitar e tirar fotos dos cenários do filme The Birds do Hitchcock. Não tem muito o que fazer lá, além de olhar a lindíssima paisagem. Improvisamos um rápido picnic em cima de um dos penhascos com vista para o Pacífico e seguimos para Petaluma, onde almoçamos bem tarde [outra vez] no pequeno Wild Goat bistrot. Petaluma é uma fofura de cidade, mas muita coisa ainda estava fechada no pós festividades. Encaroçamos mais lojas de antiguidades, comemos tortas e bebemos chá no Petaluma Pie Company e seguimos para casa, um pouco melancolicos porque as férias de final de ano tinham finalmente chegado ao fim, mas felizes porque comemoramos o que tinhamos que comemorar e estávamos nos sentindo prontos para iniciar o novo ano.

Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
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What Are You Doing New Year's Eve?


Ella Fitzgerald

Merry! Merry!

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Feliz Natal para todos nós!

a árvore na montanha

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Iniciamos no ano passado a nova tradição de ir buscar nossa árvore de Natal direto na fonte—nas fazendas de pinheiros próximas das montanhas da Sierra Nevada. É muito legal ir até lá e escolher a árvore, cortar você mesmo e depois trazê-la amarrada no topo do carro. É uma boa maneira de começar a entrar no espírito natalino, que pra mim só acontece mesmo às vésperas do evento. Gosto de montar a árvore apenas uns dias antes e deixá-la iluminada na janela da casa para os passantes também poderem apreciar.

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Este foi o primeiro jantar de Thanksgiving completo que fiz sem substituir o peru por bacalhau e convidando amigos, não só improvisando algo para a minha micro família. É trabalhoso cozinhar um cardápio com tantos ítens, mas com a ajuda do meu atencioso marido que deu duas mãos nas preparações e na limpeza, correu tudo relativamente bem. Aproveitamos muito o dia na companhia do Gabriel e dos nossos amigos Leila, Peter e Christopher. E o jantar ficou muito bom. Fiz cranberry sauce, batata doce caramelizada, batata roxa cozida, farofa de milho, farro com cogumelos e espinafre, purê de batata, salada de folhas verdes com laranja e romã e o imprescindível peru, que foi marinado no vinha d'alho coberto com fatias de bacon e assado coberto por quase quatro horas. Para beber vinho petite sirah local e prosecco. De sobremesa, gelatina de cranberry e maple, cheesecake de abóbora e chocolate e torta de maçã feita pela Leila com as maçãs colhidas pelo Christopher. Estava tudo uma delícia. Many thanks e vamos repetir essa festa no próximo ano.

many many many thanks!

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Hoje minha cozinha vai funcionar à todo vapor. Todo ano eu gosto de fotografá-la para marcar essa celebração que eu adoro e que considero a melhor de todas. Happy Thanksgiving! * O gato que sempre aparece nas fotos desse dia, está dormindo numa caminha embaixo da ilha.

sete anos—um resumo

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1 ano2 anos3 anos4 anos5 anos6 anos

sete anos—it's getting better!

It's getting better all the time!

happy halloween!

happy halloweenhappy halloween
happy halloweenhappy halloween
happy halloweenhappy halloween
happy halloweenhappy halloween

Uma centena de crianças e adolescentes baterão hoje na porta da minha casa pedindo doces. A minha vizinhança é uma área bem popular com os trick-or-treaters que invadem as calçadas caminhando em grupos barulhentos carregando lanternas, e sacolinhas e baldinhos para coletarem as gostosuras. A noite das bruxas é uma das celebrações mais divertidas daqui do hemisfério norte. Eu adoro participar e já estou muito bem preparada!

salada de lentilha
[com camarão]

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As lentilhas são a única tradição de ano novo que ainda sigo. O restante das superstições e rituais já viraram coisa do passado. Não acredito que essas coisas vão fazer grande diferença no meu ano, então salvou-se apenas o detalhe da comida. No dia 30 de dezembro fomos almoçar num bistrozinho francês em Sacramento e eu pedi uma entrada com lentilhas e camarões. Gostamos tanto do que comemos, que eu decidi tentar replicar a receita em casa. Fiz, ficou bem parecido e foi o nosso prato com lentilhas do ano novo. Usei camarões um pouco menores do que o servido no restaurante, porque comprei o selvagem pescado na Flórida. E usei a lentilha verde de Puy, que continua bem firme depois de cozida e é ótima em pratos assim, servida como salada.

Numa panela, coloque 1 xícara de lentilhas e cubra com água. Cozinhe até as lentilhas ficarem macias. Escorra a água. Reserve. Numa outra panela refogue rapidamente um punhado de camarões em um pingo de azeite, tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. Reserve. Bata 1 xícara de creme fraiche com um punhado de ciboulette picadinha, temperado com sal, pimenta do reino moída na hora e um fio de azeite. Reserve. Misture umas 2 colheres de sopa de mostarda dijon com um pouco de suco de limão, um fio de azeite e sal. Bata bem para emulsificar e reserve. Monte a salada, colocando as lentilhas cozidas numa travessa, regue com o molho de mostarda. Coloque os camarões sobre as lentilhas e o creme fraiche no centro. Sirva a seguir acompanhado de pão fresco ou torradas.

os dias restantes

um ano novinhoum ano novinho
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um ano novinhoum ano novinho
um ano novinhoum ano novinho
um ano novinhoum ano novinho
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um ano novinhoum ano novinho
um ano novinhoum ano novinho
um ano novinhoum ano novinho
um ano novinhoum ano novinho

Foram umas das melhores férias que já tive, porque não fiz nada e fiz esse nada muito bem acompanhada. Ficamos em casa na semana entre o Natal e o Ano Novo e descansamos muito. Tivemos dias ensolarados e lindos, colocamos muitas coisas em ordem, conversamos com a família pelo skype e aproveitamos o tempo juntos. No último dia de 2011 preparei lentilhas e cuscuz paulista para o nosso almoço de primeiro dia do ano novo e à noitinha partimos para Napa, onde jantamos no restaurante Oenotri e depois passamos a meia noite no wine bar 1313. No primeiro dia ficamos em casa, no segundo dia celebramos 30 anos de casados e no terceiro dia voltamos ao trabalho e à rotina. Nosso final de ano foi simples e tranquilo, mas foi memorável.

[muitas coisas novas]

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Não faço nenhuma resolução ou plano de ano novo. Porque as palavras geralmente se espalham com o vento e o tempo, e acaba ficando apenas o dito pelo não dito. O meu ideal é ir fazendo o que for preciso ser feito. Com bom senso as chances de sucesso abundam. Se eu tivesse feito planos para o ano de 2011, tudo teria dado com os burros n'água, porque este foi um ano cheio de surpresas e mudanças. Nunca, nem em algum delirio alcoólico, pensei, cogitei, sonhei, imaginei que um dia estaria morando em Woodland—uma cidade que foi minha vizinha por quatorze anos, mas que eu nunca me interessei em conhecer. Todas as mudanças deste ano foram inusitadas e inesperadas. Me pegaram não só de surpresa, mas mudaram um bocado o meu cotidiano. Diminuí muito o ritmo deste blog, olhei pra muita coisa com outros olhos, adotei sem pudor as fotos toscas, aceitei minhas limitaçãoes—que não posso blogar todos os meus almoços e jantares, em casa ou em restaurantes. Gostei de ficar mais em casa, mudei meus caminhos da roça, respirei outros ares, expandi meus horizontes. E admito que até pensei, algumas vezes e bem seriamente, em encerrar minha carreira de blogueira de culinária. Porque temo um pouco a monotonia e a repetição. Mas por esse ano ter sido bem incomum, os assuntos acabaram por se distinguir. Tudo foi novidade pra mim durante os últimos seis meses, porque eu nunca tinha estado nessa cidade e vizinhança antes, e fui aos pouquinhos descobrindo as particularidades da minha nova casa. Me espantei alegremente com minha conta de eletricidade caindo em dois terços no verão, por causa das inúmeras árvores ancestrais que rodeiam a casa. Também descobri que tenho camélias no quintal. E que elas abrem nessa época do ano. Quando tudo fica com uma cara cinza, essas flores foram um colirio em tons de cor-de-rosa para os meus olhos. E no próximo ano, mesmo que nem tudo seja mais novidade, o que vier será com certeza especial. Pra mim, pra você e para todos, desejo um Feliz 2012 cheio de boas e bem-vindas surpresas!

O Natal em Columbia

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O vilarejo de Columbia fica num parque histórico estadual e faz parte da rota da corrida do ouro, no condado de Calaveras. Lá todo dezembro, celebra-se o natal dos mineiros. Chegamos um pouco tarde para o segundo dia do evento e perdemos algumas das atrações. Mas mesmo assim deu pra fazer muita coisa. As crianças adoraram a peneiragem para achar ouro e pedras [preço do ingresso variando conforme a ambição de riqueza do pequerrucho] e decoraram velas, que era um dos artesanatos mais populares em 1850. Também andamos de stagecoach, a famosa diligência do velho oeste que nos levou por estradinhas íngremes pelo meio da floresta, com direito a assalto com bandido vestido a caráter. Pra quem se inscreve com antecedência, tem a disputada confeção das candy canes—um dos doces mais tradicionais do Natal. Nós só pudemos olhar pelo vidro. As crianças ganharam moedas de chocolate do Father Christmas e nós bebemos café feito na fogueira, onde os mineiros também assavam castanhas e amendoim e contavam histórias para os passantes. E tinha o ferreiro, os bombeiros, as mercearias, os bares, a livraria, as maravilhosas lojas de doces, a estação da carruagem, o jornal, o hotel, o dentista, a loja chinesa, eteceteráeteceterá. Um lugar super gostoso pra se passar uma tarde, com ou sem crianças.

the feast

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Acho que nunca comi tanto numa ceia de Thanksgiving. Estava tudo delicioso, em especial um prato feito com vagens, cogumelos e um crisp de pão por cima. O segredo deve ter sido a gordura do bacon que foi usada para refogar os legumes. Como de costume, fomos convidados para a ceia preparada pelos nossos amigos de longa data, que consideramos como família. Isso porque eles realmente foram nossa família durante os anos em que nossos filhos estiveram juntos. Eu fiz as sobremesas—o clafoutis de cranberry e nozes que já brilhou neste palco iluminado umas semanas atrás e uma torta de abóbora com chocolate, receita da Martha S. que foi o maior sucesso do jantar e que vou publicar aqui em breve. Fora isso não cozinhei mais nada. Essa pose de cozinheira pimpona foi só pra exibir o avental vintage feito a mão [little house on the prairie] que ganhei da gentilíssima anfitriã—e que também tem a casa mais fotogênica que conheço. Foi uma delícia de thanksgiving e sou muito grata por isso!

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so many thanks to give today!

quantos anos mesmo?

Nem faz tanto tempo assim, mas em vida virtual alguns anos já são uma eternidade. Eu já sou uma estabelecida dinossaura, depois de completar onze anos no blog pioneiro, agora estou completando seis anos neste blog tão popular. Não preparei absolutamente nada especial, nem bolo, nem fotos, nem mesmo um discurso decente. Mas de qualquer maneira gosto de marcar datas, porque me faz refletir um pouco sobre o que fiz e sobre a passagem do tempo.

Muita coisa mudou na minha vida real nos últimos seis anos. E na vida virtual de repente apareceram outros zilhões de blogs, todos tentando achar o seu lugar especial, se sobressair e brilhar no palco iluminado. Eu já encontrei o meu lugar há tempos. Estou feliz com o que faço e como faço. Não consigo me expandir mais do que já fiz, nem me dedicar mais do que já faço, mas esse tanto que faço me diverte muito e essa é a melhor parte e a mais importante. Porque ter um blog é com certeza um compromisso, mas como tudo na vida é preciso acrescentar um toque de espontaneidade e de originalidade, senão fica tudo muito igual e chato.

Passei batido por muitas fases e modinhas durante os últimos seis anos, sempre mantendo o Chucrute com Salsicha autêntico, honesto e real. E quero que seja sempre assim porque este blog reproduz a minha vida. Aqui eu mostro o que preparo na minha cozinha para alimentar a minha família, e como eu faço isso baseada em coisas que acredito e pratico. Tudo o que eu escrevo aqui é factual. Não tem papo encomendado, não tem cenário montado, não tem conversa fiada.

Com minha mudança de casa, cidade e rotina, meu tempo na cozinha ficou bem mais restrito. Mas este blog não é—nunca foi—um espaço só para receitas. Ele é um espaço eclético, pois gosto de escrever sobre tudo, mostrar meus achados vintage, comentar filmes antigos, discorrer sobre minhas idéias sobre alimentação e até um pouco sobre politica vez em quando. Aqui exponho um pouco da minha filosofia de vida e da minha rotina diária nessa belíssima região agrícola onde vivo.

Adoro fazer este blog. E adoro saber que muita gente é visitante há anos e gosta do que eu faço aqui. Enquanto tudo isso for um prazer pra quem faz e pra quem visita, vamos em frente. Com muitas idéias bonitas para este novo ano. Viva!

6 anos!6 anos!
6 anos!6 anos!
6 anos!6 anos!
6 anos!6 anos!
6 anos!6 anos!
6 anos!6 anos!
1 ano2 anos3 anos4 anos5 anos

it's halloween [again]!

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No ano passado eu estava no Brasil e perdi o que seria o meu último Halloween em Davis. Minha vizinhança lá não era muito populada por crianças, então fui diminuindo a cada ano a quantidade de doces que eu comprava, pra evitar sobras. Mas sempre tive trick-or-treaters batendo na minha porta e sempre achei essa festa super divertida, pela magnitude da coisa e pela tradição. Por isso estou na expectativa da noite de Halloween este ano em Woodland, que parece que será bem movimentada. Alguém me recomendou comprar muitos doces, porque a vizinhança é bem popular. Já percebi pela decoração das casas dos meus vizinhos que a coisa é realmente séria. Decorei a minha porta também, como sempre fazia em Davis, com a adição das algumas várias abóboras que imitei do que vi nas casas em Woodland. Será que tenho doces suficientes? Será que terei muitos trick-or-treaters? Logo saberei.

muito bem comemorado

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Chegamos em casa vindos de Berkeley e quando abri a porta vi todos os meus amigos lá dentro gritando ((( SURPRISE!!!! ))). A casa estava toda decorada, a cozinha cheia com comida do meu restaurante favorito em Davis, bolos da melhor chocolatier de Sacramento, minha familia conectada em grupo pelo skype. Foi uma festa super bacana, magnificamente orquestrada pelo meu marido. Não desconfiei de absolutamente nada e tive a maior surpresa da minha vida. Foi a minha primeira festa surpresa e adorei a experiência. It was absolutely fabulous!

sábado, 1 de outubro de 2011

birthday
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Para comemorar o meu aniversário, escolhi sem pensar muito almoçar no sempre impecável Chez Panisse. O norte da Califórnia tem uma abundância de restaurantes fantásticos, mas escolhi ir nesse mais uma vez, porque o lugar tem tudo a ver comigo. É sofisticado na qualidade dos ingredientes, mas é informal no ambiente e no serviço. A comida é deliciosa e simples, preparada com extremo capricho e cuidado nos detalhes. Lá me sinto comendo em casa ou na casa de alguém muito legal.

Pedi uma sopa de pimentão vermelho com um creminho de erva-doce, o halibut com milho doce e tomatillo e uma torta de figos perfeita. Adorei o vinho branco californiano que escolhi e dividi com meu filho e minha nora—um blend não filtrado da região da Sierra Foothills. O vinho, que era turvo e tinha um aroma de maçã, harmonizou perfeitamente com o peixe.

picnic em Bodega Bay

Eu adoro fazer picnics. E se o picnic for na praia fico tri animada, porque pra mim não tem nada mais delicioso que comer sentada sobre uma toalha esticada na areia fofinha olhando para o mar e ouvindo o barulhinho das ondas. Sou caipira do interior, então pra mim qualquer excursãozinha para o litoral é um verdadeiro treat. O único porém é que aqui no norte da Califórnia as praias são muito frias. Mesmo durante o verão, a quantidade de banhistas dando mergulhos de sereia [ou de baleia] na água é bem pequeno. Já fiz alguns picnics de verão na praia e num deles não conseguíamos nem comer os sanduiches de tanto que ventava gelado e revoava areia.

Desta vez decidimos almoçar numa praia em Bodega Bay. Para os cineaficionados essa cidade remete à cenas memoráveis de um dos filmes mais famosos do A. Hitchcock—que foi todo filmado lá e na cidade vizinha de Bodega. Eu adoro Bodega Bay, não só porque me sinto num cenário cinematográfico, mas também porque adoro a beleza natural da costa de penhascos, com um mar super azul, praias cheias de pedras e encostas íngremes.

Bodega
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BodegaBodega

Obviamente que no feriado do 4 de julho, muitos outros amantes dos picnics tiveram a mesma idéia que a nossa e tivemos que dirigir bastante para achar uma área em que pudessemos estacionar e descer até a praia com relativa facilidade. Preparei uma cesta de picnic bem leve, porque sabia que em Bodega Bay iriamos ter que descer pelos barrancos. Tivemos sorte de aportar uma pequena baia tão fechada que nem o vento lá chegava. Eu consegui ficar só de camiseta e esticamos nossas toalhas numa parte mais alta, protegida por um tronco de árvore e rodeada de pedras.

Levei sanduiche feito com liguiça italiana grelhada e acomodada num filão de pão ciabatta untado com pasta umami. Também levei uma salada de alface romana com azeitonas, temperada com suco de limão e azeite de laranja. E muitas frutas frescas de verão, queijo, marmelada, bolachinhas e mini tortinhas de frutas e de noz pecã. Pra beber levei chá gelado de limão e gengibre na garrafa térmica, uma garrafinha de vinho branco e água.

Também levei pratos e talheres de bambu, guardanapos de pano e copos de vidro. E um saco para colocar o lixo que voltou comigo. Aproveitamos a praia, mas não deixamos nada pra trás. O dia estava absolutamente lindo, ostentando um céu azulzissimo e fazendo um calorzinho muito agradável. Aproveitamos!

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BodegaBodega

um ano novinho!

feliz 2011!feliz 2011!
feliz 2011!feliz 2011!
feliz 2011!feliz 2011!
feliz 2011!feliz 2011!

O Uriel ainda está rolando de rir e tirando uma onda da minha cara por causa do título do último post—foi tudo bem simples. Segundo ele, um jantar que levou dez horas pra ficar pronto não pode ser chamado de simples. Mas eu insisto que foi. E por ter cozinhado tanto no Natal, passei o Ano Novo sem nem chegar próxima de uma panela. Entrei em férias, fiz compras, viajamos prá lá e prá cá pelo sul da Bay Area, fiz uma limpeza revolução pela casa, doei caixas e caixas, sacolas e sacolas, muita coisa que não usava mais. Até pendurei uns quadros, que estavam no chão, apenas encostados na parede, há muito tempo. Passamos o Ano Novo em Monterey. Jantamos uma comida deliciosa num restaurante em Carmel, voltamos para o hotel onde passamos a meia-noite dançando rock 'n roll numa festa. Dormimos muito e depois de conversar com a família saímos pela estrada. Meu irmão chegou no segundo dia do ano, que foi quando eu e o Uriel comemoramos 29 anos de casados. Conversamos, comemos, bebemos, fizemos muitos planos para este ano que promete ser muito bacana e diferente. Ah, e pela primeira vez na vida eu fiz luzes no cabelo. Estou realmente me abrindo para muitas mudanças!

✳✴ Feliz Ano Novo! ✴✳

foi tudo bem simples

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Eu cozinhei o dia inteiro, porque não tenho, não tive ajuda. Pela manhã o pessoal da limpeza chegou e me pegou descascando as castanhas portuguesas. A visita deles era imprescindível e foi muito aguardada. Casa limpa para mim é essencial. Mas na cozinha fiquei mesmo sozinha. E fui devagar fazendo as receitinhas—marinei uma costela de cabra num molho de vinho, alho, limão e ervas que depois foi assada coberta com papel alumínio por quatro horas, fiz um pudim inglês de castanhas portuguesas e chocolate e um bolo de gengibre*, depois preparei tâmaras recheadas com queijo de cabra e amêndoa [reprise de outros carnavais], fiz uma bandeja com queijinhos, torradinhas, azeitonas castelvetrano e chips de maça, assei beterrabas vermelhas e amarelas para fazer uma saladona temperada com óleo de nozes, cozinhei com ervas o flageolet, o feijão verde francês que combina muito bem com carnes fortes como a de carneiro ou cabra, preparei um pesto de cranberry e pistachos para fazer com a couve de bruxelas, também preparei cranberry sauce e uma saladona com alface romana, laranja, maça e raiz de salsão. Bebemos cava com os antepastos e um vinho chileno especial que ganhamos de presente de uma amiga com a refeição. Foi tudo bem simples, mas muito gostoso na nossa pequena ceia de natal, cujas sobras viraram almoço no dia seguinte. *receitas das sobremesas virão logo a seguir.

fa la la la la—la la la la

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E o ano voou, não voou? Já estamos à poucos dias do Natal, com todo aquele burburinho, o compra-compra enlouquecido, embrulhação de presentes, listagem infinita de possíveis receitas para a ceia, férias escolares, aeroportos congestionados, tempestades de neve no hemisfério norte, calorão e chuvarada de verão no hemisfério sul, realmente nada de novo no front. Nesta mesma época no ano passado eu estava enfrentando o frio miserável em Londres para passar o Natal com a parte da minha família que mora lá. Neste Natal não nos movimentaremos muito. Eu estou totalmente dominada por uma vibe de arrumação, mudança e limpeza. Acredito piamente que o acúmulo de coisas velhas e sem uso não faz muito bem para o fluxo natural das energias cósmicas. Então passei dias colocando ordem pelos armários, gavetas e cômodos da casa. Ainda estou surfando essa onda, pois prometi pra mim mesma que vou tentar ser mais organizada e que vou tentar ao máximo facilitar o meu trabalho dentro da cozinha. Começando por dar mais acessíbilidade aos pratos, copos, talheres, panelas, travessas e outros zilhões de utilitários que se empilhavam caoticamente na minha cozinha..

Tirei meu baú de enfeites de Natal do armário e neste ano decidi fazer a decoração um pouco diferente. Enchi as meias penduradas na lareira com gostosuras, coloquei um enfeite minimalista ali, outro acolá e pronto. A grande mudança foi que resolvi montar a árvore de Natal na cozinha. Nossa árvore é clássica, artificial, bem pequena e simples e está agora posicionada em frente da janela, iluminando a entrada e facilitando a chegada do espírito das festividades, que por aqui sempre demora um pouco pra aparecer. Gostei imensamente dessa alteração da perspectiva da árvore e de tê-la presente no ambiente onde gasto mais tempo, adornando o espaço da cozinha com suas luzes, os micro papai-noelzinhos, as bolas feitas de chocolate e a guirlanda de guisos.

Não costumo prometer ou me compremeter com resoluções e decisões de final de ano. Sou mais o tipo de tomar decisões inesperadamente, de último minuto e fazer tudo como me der na telha. Mas tudo indica que terei que me organizar um pouco mais para não ser atropelada por 2011, que será um ano que promete!

2010 foi um ano bem devagar por aqui, tanto na vida quanto no blog. Penso muito sobre o futuro deste meu espaço virtual que é tão especial pra mim. Não gostaria de ver o Chucrute com Salsicha acabar indexado apenas como mais um blog de receitas. Gostaria mesmo era poder sempre oferecer uma experiência bacana, divertida e até inesperada para todos os que passam diariamente ou vez em quando por aqui. Mais ou menos como a experiência de passar pela rua e ver pela janela daquela casinha toda pintada de azul clarinho, uma árvore de natal toda piscante e iluminada na cozinha.

✴✳ Feliz Natal! ✳✴

thanks giving day

Thanksgiving 2010
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Thanksgiving 2010

Tivemos um Thanksgiving bem simples em casa e eu cozinhei absolutamente tudo o que comemos. E fiz tudo do zero. Deu um trabalhão, mas os deuses estavam de bom humor e me deixaram fazer tudo sem muitos percalços. Só tostei demais as nozes e quase deixei queimar a farofa, pois achei que tinha desligado o fogo e fui fazer outras coisas—clássico. Ao invés do peru, que produz muitas sobras, fiz um franguinho caipira, ou melhor, hillbilly, da fazenda Soul Food de Vacaville. Essa fazenda abastece o restaurante Chez Panisse, então eu não poderia ter escolhido melhor. O frango é bem magrinho, mas tem um sabor intenso. Fizemos numa grelha na churrasqueira depois de deixá-lo passar a noite numa marinada de alho, limão cravo, vinho branco e salsinha. Fiz batata doce assada com especiarias, saladona de folhas, erva-doce e pera, cranberry sauce, mousse de queijo de cabra, torta de pera e damasco e tortinhas de abóbora. Algumas receitas virão a seguir.

é sempre bom agradecer

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Em exatamente uma semana teremos as celebrações do Thanksgiving por aqui. Esse é, sem a menor dúvida, o meu feriado favorito no ano. Troco dez Natais por um Thanksgiving. E vou dizer porque. É que me sinto uma privilegiada por tudo o que tenho, nem preciso listar aqui, mas garanto que é muito. E por isso acho super importante esse negócio de agradecer. Nem precisa ser nada formal, um pensamento apenas basta—putzgrila, muito obrigada por tudo!

Neste ano não vai ter nada de especial. Nem mesmo o infalível peru. Decidi que não quero lidar com sobras, portanto vou assar um frango caipira, que abocanhei outro dia no Co-op e que guardei no congelador para esperar uma ocasião especial. Nosso esquema de Thaksgiving mudou um pouco, depois de quase dez anos de celebrações realizadas na casa da ex-sogra do Gabriel. Com ela aprendi muitas maneiras de apreciar essa festividade.

O Thanksgiving pra mim tem a cara do outono, que aqui é demorado, lindo e está no seu ápice no final de novembro. Nessa época estamos inundados pelas mais lindas cores de amarelo, vermelho e dourado. E apesar de já estar frio, ainda não está aquele cinza úmido miserável do inverno. É um momento realmente especial e muito auspicioso, que junta uma tradição culinária, com uma reunião de família. Comidas gostosas, calor humano. O dia de dizer obrigado está chegando e apesar de ainda não ter muitos planos esquematizados, eu já estou entrando no clima de antecipação e animação.

5 anos fechados
[com chave de ouro]

Festanças não são muito a minha praia. Mas eu gosto de marcar e relembrar as datas, principalmente as comemorativas. E este ano juntaram-se várias numa curta sequência. Quando me toquei que o aniversário de cinco anos do Chucrute com Salsicha estava se aproximando, nem esquentei a cachola pensando no que iria fazer para celebrar. Eu iria estar no Brasil, mais precisamente em São Paulo e com amigas blogueiras, exatamente no primeiro de novembro—o dia auspicioso em que iniciei este promitente blog.

Chucrute no BrasilChucrute no Brasil
Chucrute no Brasil
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Chucrute no Brasil

As outras datas celebrativas que precederam brevemente o aniversário do Chucrute e que determinaram que eu entrasse num avião e mudasse de hemisfério, foram o aniversário de 80 anos do meu pai e o de 50 anos de casamento dele com a minha mãe. Toda família compareceu, tivemos festa, festão e festinha na comemoração de duas datas importantíssimas para nós. Passei uma semana e meia aproveitando a companhia de todos da família e revendo e conhecendo novos amigos. Conheci a querida blogueira Luciana Betenson que veio encontrar-se comigo em Campinas, ri muito com minha irmã e o amigão dela, o Calil, revi a Sandra, minha alma gêmea ativista dos orgânicos, bebi cházinho com bolo de azeite e alecrim feito para mim pela minha irmã, comi feijoada, galinha caipira com quirera, goiaba, pitanga, todas as bananas que pude engolfar, laranja lima, manga, pizza do Bráz, pão de queijo assado na folha de bananeira e linguiça feita em casa pela minha prendada cunhada Patrícia, comi requeijão, goiabada, doce de figo, bebi drinks sem alcool com minha mãe, ouvi meu pai falar de política, visitei a fazenda orgânica Yamaguishi com minha mãe e meu irmão, curti todos os meus sobrinhos, desde os que sobem em árvore, fazem tricô, curtem futebol, tocam música, dançam balé, me preparam deliciosos bolos, até os que adoram salada e plantam hortinha na varanda. Também convivi com todos os cachorros da família e dos amigos. Fui aos supermercados convencionais e orgânicos, hortifruti, mercearia, vendinha, padaria, açougue, peixaria.

Chucrute no Brasil
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Me despedi da minha família um pouco mais cedo, para poder passar três dias em São Paulo, revendo e conhecendo amigos, experienciando um pouco da diversidade da cultura gastronômica da cidade. Fui recepcionada pela minha querida amiga Roberta, que me tratou como uma rainha—nunca vou conseguir agradecer o suficiente tanto carinho e cuidado! Com ela e o Antônio, mais minha irmã, meu cunhado e sobrinhos, comi comida mineira levinha, pastelzinho recheado com carne seca, bolinho de mandioquinha com queijo, couve refogada, caldinho de feijão e uma farofa de maracujá que nunca vou esquecer. Também com a Roberta fui encontrar com o queridíssimo Gui Bracco no restaurante Moinho de Pedra, onde também conheci a chef Tatiana Cardoso [e ganhei o livro dela autografado]. Depois passamos na chocolateria Valrhona, onde papeamos muito mais e também encontramos a Beth V. À noite brindamos os cinco anos do Chucrute informalmente num jantar encantadoramente Dadivoso na casa da Fernanda Zacchi e na companhia da Mariana Newlands, Roberta, Mr. Dadivoso e a linda cachorra Frida. No dia seguinte passamos no Lá da Venda, onde conheci a simpatica chef Heloisa Barcelar, bebi Turbaína e almoçei pastelzinho de massa de milho e picanha com purê de banana da terra na companhia da Roberta e da fofíssima Maria Rê. Passamos a tarde num papo tão bom, que nem vimos as horas passarem. À noite jantei no sofisticado restaurante Maní com as amigas Lena Gasparetto, Faby Zanelati e Daniela Fonseca. E meu último dia em São Paulo passei com a querida Neide Rigo, que me serviu suco de bacuri da Ilha do Marajó, me levou de trem para o Mercado da Lapa, onde comi açaí com banana e creme de cupuaçú, depois fomos de ônibus até o centro da cidade, onde almoçamos no restaurante Tordesilhas. Esse lugar foi para mim no mínimo, o máximo, pelo ambiente, decoração e comida especialíssima, mas também por causa da chef Mara Salles, que juntou-se à nós, na companhia da sua mãe e me ensinou sobre a abobrinha brasileira, falou um bocado de coisas legais sobre sustentabilidade e ainda nos serviu um delicioso licor de Baru. Saí do Tordesilhas encantada com o que vi, ouvi e comi e de lá segui tristemente para o aeroporto, acompanhada e guiada mais uma vez pelas queridas Roberta, Maria Rê e Neide Rigo que ficaram comigo até quase a hora do embarque.

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Os cinco anos do Chucrute com Salsicha não teve [nem vai ter] comemoração formal, com bolo, fogos de artificio, relatos nostálgicos. Este blog é o que é, porque eu sou quem eu sou. E tudo o que fiz até hoje resultou numa rede de amizades inestimáveis, que me faz sentir privilegiada por ter tido a oportunidade de manter e estreitar esses laços. Não consegui ver e rever muitas outras gentes queridas, mas sei que não irão faltar oportunidades num futuro breve. Mais visitas virão com certeza, mas por enquando vou ficando por aqui, dando continuidade à este convercê que iniciei há cinco anos e que parece estar bem longe de se encerrar.

[»todas as fotos tiradas com meu companheiro de viagem iPhone4; a foto com a Mara Salles e a abobrinha é de autoria da Neide Rigo.]

mais um dia, mais um ano

Fiquei um ano mais sábia na sexta-feira. E vou dizer que nem doeu. Aliás, quero deixar registrado que doi cada vez menos, porque é assim que tem que ser. Idade é maturidade. florvasoazul1S.jpgSe não for assim é porque alguma coisa está muito errada. Me importo sim, às vezes, de não ter mais a pele tão fresca, de ter minhas marcas, dos cabelitos brancos ali na testa insistindo em ficar aparecidos, de não ser mais tão esbelta, tão energética e dos probleminhas que fatalmente aparecem. Mas não poderia estar mais feliz, com minhas chatices, minhas manias, meu apetite e meu sono, minha paciência, meu humor, minha persistência, minha resistência e, principalmente, com a minha capacidade de contar até dez, vinte, cinquenta, cento e setenta, mil.

Nunca vou esquecer de uma cena patética que protagonizei quando tinha vinte e cinco anos e choramingava minhas pitangas de imaturidade numa mesa de restaurante, rodeada por mulheres bem mais velhas do que eu. Meu rosário de reclamações centrava-se no temor absoluto pela minha iminente chegada nos TRINTA anos, o que iria com certeza me condenar à viver para sempre num calabouço de horror e tristeza. As mulheres me ouviram pacientemente, com certeza se entreolharam e reviraram os olhos, e finalmente uma delas virou-se pra mim e disse:

—você ainda não tem maturidade para entender a naturalidade de se fazer trinta anos e só vai ter essa maturidade quando fizer trinta anos.

Demorei um tempo para entender o que ela quis dizer e quando entendi fiquei com uma cara de tacho eterna, porque pá, é isso mesmo! Só vamos entender quando chegamos lá. Cheguei nos trinta e nada mudou, o mesmo valeu para os quarenta. E parece que cada vez fica mais fácil e mais tranquilo—the zen art of getting old.

então vamos, por aqui

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Fui e voltei. Ainda não superei o cansaço da viagem e já caí gripada. Passei o primeiro dia do ano novo me sentindo podre, um zumbi tentando colocar em prática o menu planejado para o primeiro almoço. Não consegui. Todos ajudaram, mas não teve sobremesa e meu humor não estava dos melhores. Dormi o resto da tarde. Dormi e dormi muito. Parei de acreditar nessas superstições de ano novo há muito tempo. Mas se ainda acreditasse, estaria rangendo os dentes. Sei que este ano de 2010 será razoavelmente turbulento. E se não for, sairemos no lucro. Também parei de fazer resoluções há muito tempo, mas se ainda tivesse disposição para essas listas, diria que gostaria de descansar mais, encanar menos, tentar não exagerar em nada, nem me deixar ficar muito óbvia. Então vamos indo, né, que é por aqui mesmo.

and so this is christmas

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Feliz Natal! Merry Christmas!

quatro anos [por aqui]

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[umdoistrês]

Gourmet — primeira e última

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Gourmet

Quem não lamentou o fechamento da Revista Gourmet? A notícia foi uma grande surpresa e deixou muita gente triste e atônita, pois a revista tinha história. Ela não era apenas uma revista lançada ontem, mas uma publicação com sessenta e oito anos de currículo. Pelas páginas da Gourmet passaram muitos nomes famosos, entre eles o de M.F.K. Fisher. A Gourmet era única e vai deixar um imenso vazio. Quando recebi meu último exemplar, levei uns dias para abrí-lo, pois me senti um pouco melancólica. Deu pra perceber que a decisão da editora foi súbita, pois nada nessa edição tem cara de despedida ou de fim. Confirmei essa sensação quando ouvi a entrevista com a Ruth Reichl na NPR onde ela relata a surpresa e a tristeza do encerramento inesperado da revista.

Anos atrás eu tinha corrido os olhos pela coleção da Revista Gourmet da biblioteca da UC Davis. Eles têm lá TODOS os exemplares, desde o número um, publicado em janeiro de 1941 até este último, datado de novembro de 2009. Pra mim resta o consolo de poder rever qualquer número da revista a qualquer hora. Publiquei minhas impressões dos primeiros números da Gourmet de 1941 e as da Gourmet de 1971, que já tinham uma cara bem diferente.

Hoje escolhi publicar, junto com a capa e umas páginas do último número, a capa e o conteúdo do primeiro número, para dar uma idéia do quanto a revista evoluiu nos últimos sessenta e oito anos. O número um trazia um desenho de uma cabeça de javali assada na capa e as páginas internas eram na maioria em preto & branco. Percebe-se no conteúdo a clara e onipresente influência francesa, que naquela época parecia ser a única referência para a alta gastronomia mundial. Hoje não é preciso mais colocar menu em francês para parecer chique e sério. Os EUA já fixaram terrítorio no mundo gatronômico e mesmo sem a preciosa contribuição da revista Gourmet, acredito que vamos continuar evoluindo, sempre para melhor.

[nove]

Gosto de marcar esta data, pois ela mudou muita coisa pra mim. Mudou principalmente a maneira com que passei a me comunicar, contar histórias, me expressar. Logo que encontrei a ferramenta do Blogger, cliquei aqui, cliquei ali e olha só—comecei escrevendo sobre o Steve MacQueen. No inicio não sabia muito bem como fazer, mas logo fui achando outros blogs e outros blogs foram me achando, Não éramos muitos naquele tempo, talvez uns 15, no máximo 20. Escrevendo fora do Brasil era eu, a Graziela e o Cris Dias. No Brasil estavam a Inêz, a Mariana Newlands, a Zel, o Zamorim, o Jean Boechat, o Nemo Nox e a Pink Dress que já contava com participações especiais da Dadivosa. Depois foram surgindo outros muitos, que ainda estão ativos, como eu.

O sistema de auto-publicação dos blogs foi pra mim o achado do novo século, literalmente. Nunca me senti tão a vontade para escrever meus pensamentos, me expressar sem me preocupar se estava ou não incomodando alguém. Porque no blog o espaço é somente seu. Te visita quem quer e quem gosta. Para mim os blogs viraram sinônimo de absoluta liberdade, que ainda permite uma completa customização. Essa foi a primeira cara do meu primeiro blog, que evoluiu e se transformou, saiu do blogger, testou um publicador inovador e migrou definitivamente para onde estou até hoje.

Gosto de marcar esta data, porque foi a partir daquele 22 de outubro que me transformei numa escrevinhadora diária. Meus blogs estão no meu testamento, com a instrução de que eles continuem disponíveis, mesmo quando eu não puder mais atualizá-los. Nunca escrevi um livro impresso em papel, mas tenho certeza que o que tenho online já basta para marcar definitivamente minha presença neste planeta.

apenas alguns números

>> hoje, estou muito mais velha do que a minha avó materna, que morreu aos vinte e nove anos.

>> hoje, estou mais velha do que a minha avó paterna, que morreu aos quarenta e dois anos.

>> hoje, ainda sou muito mais nova do que a minha mãe era, quando eu tinha a idade que o meu filho tem hoje.

>> hoje, meu filho é mais velho do que eu era quando ele nasceu.

>> hoje, continuo apenas um ano mais velha que o meu marido

>> hoje, calculei que já vivi muito mais que a metade da minha vida com ele.

>> hoje, me sinto muito mais nova do que realmente sou.

>> hoje, olho no espelho e me vejo com a idade que realmente tenho.

>> hoje, a maturidade me permite compreender que anos são apenas números, nada mais.

chocolate & berries

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o bolo foi o presente

fourth of july

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Hoje comemoraremos a [minha] independência. Bem que eu vi ela chegando ontem com um monte de gostosuras. E cheirei um salmão, tenho certeza! Também vi tomates, vi figos e vi vinho. Os dias estão calorentos e modorrentos, mas eu realmente não sinto nenhuma diferença de temperatura, pois nunca saio lá fora. Mas eu vejo a lebre, o esquilo e os passarinhos. Eles me atormentam, pois estão lá fora no quintal e eu não. Tudo bem, pelo menos aqui dentro tem água fresca, comida a vontade e mil lugares confortáveis pra se dormir. Só não consigo ficar muito tempo naquele sofazão, pois ela chega e me tira de lá. Tudo bem, eu volto, pois não sou gato de desistir fácil. Agora ela comprou uma escova super poderosa pra nos escovar e eu me sinto muito mais leve, sem todos aqueles pelos extras. E facilita nas minhas pulações brincando com meus ratinhos de pano. A vida é bela, eu sei, pois vejo tudo pela janela. Hoje vai ser um dia de churrascos e picnics e ao anoitecer vai ter fogos de artificio pipocando no horizonte. Eu com certeza não vou participar de nada, pois vou estar desligado sonecando ou distraído brincando, como sempre faço, o dia todo, todos os dias.

vinte e sete

Eu lembro de cada detalhe daquele dia vinte e sete de abril de mil novecentos e oitenta e dois. Lembro do dia anterior também, a partir do momento que tive a primeira contração. Eu estava vendo tevê, um programa triste sobre uma criança que iria morrer. Fui correndo arrumar a minha malinha. Tomei banho, lavei o cabelo, passei perfume, vesti aquele vestido que combinava com as sapatilhas de bailarina beige. As famílias em total alvoroço. Fomos para o hospital: eu, Uriel, minha mãe e minha sogra.

Lembro de todos os micro-detalhes: de como o médico disse 'nooossaaa, que barriga mais linda!', de como eu fiquei surpresa com toda aquela dor, da visita do meu cunhado com os amigos, da minha ida pra sala pré-parto e de como a dor me fez esquecer o que eu estava fazendo ali e do alívio que eu senti quando lembrei que estava sofrendo temporáriamente para ter o meu bebê, que eu já não via a hora de ver como ele era!

E quando ele nasceu eu achei que ele era a minha cara e fiquei preocupada porque nem tínhamos escolhido um nome. Eu queria descansar e as famílias não saiam do quarto, todo mundo olhando pra minha cara como se eu fosse a mãe do menino Jesus.

Tantos anos e eu não esqueci nenhum pequeno detalhe. Tá tudo aqui guardado, como se fosse um filme. E todo dia vinte sete de abril eu acordo e relembro. No aniversário do meu filho Gabriel!

what will Obama eat?

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AP Photo/Rick Bowmer

O menu do almoço inaugural de Barack Obama, dica da Leila:
Seafood Stew
Duck Breast with Cherry Chutney
Herb Roasted Pheasant with Wild Rice Stuffing
Molasses Whipped Sweet Potatoes
Winter Vegetables
Cinnamon Apple Sponge Cake

Um belo e simples menu, com ingredientes típicos como o arroz selvagem, a batata doce, o melado e a maçã. Na carta de vinhos, somente californianos: um sauvignon blanc 2007 da vinícola Duckhorn no Napa Valley, um 2005 pinot noir da vinícola Goldeneye no Anderson Valley e uma cuvée feita pela Korbel Champagne Cellars no Russian River Valley. O website oficial da inauguração disponibilizou as receitas do menu em detalhes neste pdf para quem quiser testá-las.

a casa de gengibre da Livia

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Ela montou e decorou sozinha, depois nós serramos as paredes e tentamos comer os pedaços, mas estava muito doce. Bleargh. Foi legal apenas fazer, né Lili?

mais um final de ano

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E neste final de ano estou bem desorganizada. Não comprei roupa nova, não comprei flores, não fiz ainda as sobremesas e preciso sair para comprar alguns ingredientes que faltaram. Mas isso é porque estou aproveitando a companhia das minhas visitas. Bom papo, muitas risadas, bom vinho e ótima comida até agora. O jantar de ontem foi improvisado pelo meu filho, que fez um delicioso macarrão com atum fresco, manteiga e limão Meyer. Todos estão dando uma mão com a louça, o que faz o meu trabalho muito mais fácil e prazeiroso. Engatando primeira para a noite do Ano Novo, já estou indo preparar um prato com lentilhas e vou desejar a todos uma excelente passagem de ano e que 2009 seja um ano lotado de realizações, felicidade, criatividade, paz e muitas coisas deliciosas!

a ceia mais simples

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Esta foi certamente a ceia de Natal mais simples que eu já preparei. E nem por isso ficou menos deliciosa. Assei o franguinho caipira recheado apenas com quartos de limão cravo. Durante o tempo de forno—mais ou menos umas duas horas—reguei com azeite três vezes. A carne ficou desmanchando e bem úmida. Para acompanhar fiz uma farofa de banana, com bacon refogado e cebola e usei o cream of wheat que tem uma textura bem parecida com a da farinha de mandioca. Também fiz a famosa salada de alface com queijo de cabra assado e uma torta de nectarina. Eu bebi uma cava e o Uriel e o Gabriel foram de suco de romã espumante.

meditamentos

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[[ o-mmm ]]

Acordei no meio da noite para a remoção automática da água do joelho da madrugada e demorei um bocado para pegar no sono novamente. Enquanto isso meu pensamento escapou e divagou, correndo entusiasmado pelos campos das idéias do que fazer para o jantar de Natal. Rechearei o frango com quartos de limão e dentes de alho ou com uma farofa feita com farinha de pão? Acho que usarei grits ou polenta para fazer uma farofa. E será uma farofa de banana! Farei um doce com as nectarinas congeladas e usarei aquela massa fantástica de cream cheese do Greens. Foi assim por uns tantos minutos, até que consegui controlar o desmiolado e finalmente voltei a dormir.

Foi então que sonhei que tinha feito uma burrada com uns arquivos, nomeando um novo com o mesmo nome do velho e apagando praticamente os dois últimos anos de convercê e fotos do Chucrute com Salsicha. Eu sentia pena, mas não estava triste, nem chorando, nem desesperada. Tentava pensar numa solução que parecia não existir. Fui nadar de roupa, perdi minha sacola no vestiário e foi então que lembrei que o servidor deveria ter uma rotina de back up dos arquivos e me animei com a perspectiva de poder recuperar o blog.

Desmarcamos o regabofe natalino aqui em casa para poder fazer uma festa só, que acontecerá no Ano Novo quando meu irmão estará nos visitando. Também desistimos de passar o dia de Natal na casa da sogra do Gabe. Decidimos ficar por aqui. Não vou fazer nada de especial para a ceia, só um ranguinho simples, porque quero mesmo é descansar. Ao invés do peru, comprei um frango caipira que imergi numa marinada feita com vinho branco, limão cravo, tomilho fresco, alho em lascas finas e sal grosso. Só ainda não sei se vou rechear com quartos de limão e dentes de alho ou com a tal farofa feita com farinha de pão.

Nesta véspera do dia de Natal, uma chuva cai gelada lá fora e vou acender a lareira. Já sei que os gatos não vão nem dormir, ficarão o dia inteiro atrás de mim. O Uriel já foi trabalhar e eu preciso dar um pulo no Co-op, porque obviamente esqueci de comprar alguns ingredientes. Vou temperar as rodelas de queijo de cabra para fazer uma salada e preparar a massa para a tal sobremesa que decidi fazer no meio da noite. Gosto dos preparativos para a festa, mesmo que ela seja pequena e íntima.

Sem mais delongas, quero apenas agradecer todos os votos de boas festas e desejar a todos uma noite de Natal linda e feliz!

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Christmas

homemade oreos

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Os fofíssimos inquilinos da nossa guest house vieram nos desejar Feliz Natal. Trouxeram um pratinho com biscoitinhos feitos em casa. Eram uma imitação caseira os famosos oreos, os cookies de chocolate recheados com um creme de baunilha. Eu não sou fã de cookies, e esses oreos são extremamente doces pro meu gosto. Esses, feitos em casa, estavam bem gostosos. Bem menos doces que os originais.

Thanks Feast

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Nosso almoço ajantarado de Thanksgiving aconteceu no final na casa da Melissa e Bill, que são grandes amigos do Gabriel e Marianne—a Melissa é amiga de infância da Marianne. Como eles moram na mesma vizinhança, foi fácil carregar o peru e os outros rangos, incluindo a minha sobremesa que ficou enorme. A Melissa preparou uns hors d'oeuvres com queijos diversos, bolachinhas, frutas e trufas. O menu incluiu o peru assado, cranberry sauce, gravy, o stuffing servido separado, purê de batata, ervilhas cozidas, cenouras caramelizadas, rodelas de batata-doce assadas na manteiga, salada de folhas verdes com pêra e nozes e um gratinado de abóbora com queijo de cabra. A minha sobremesa foi um trifle de chocolate com laranja, e tinha uma torta de abóbora e sorvete de baunilha feito em casa. Eu levei um Merlot excelente da vinícola Pine Ridge. A Reidun levou outros vinhos e bebidas espumantes e a Melissa comprou um vinho de romã armênio para servir com a sobremesa que ninguém gostou muito...

a metodologia do peru

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Minha nora Marianne não é como eu, que soca o peru de molho no vinho d'alho por uns dias, depois recheia o dito cujo com alguma mistura interessante e adocicada, embrulha tudo em fatias de bacon, põe no forno e vai fazer outras coisas, beber vinho, conversar, até o bicho ficar torradinho e com cara de pronto. Minha nora usa receita para assar um peru e é uma receita metódica. Primeiro ela faz o recheio tradicional—o stuffing, também com receita e depois de rechear o bicho, ela amarra e prende os orifícios, de modos que tudo fique em seu devido lugar e cozinhe uniformemente. Dai ela separa a pele da carne com as mãos e coloca ali fatias de manteiga e ervas frescas. Depois ela rega tudo com vinho branco e então a grande jornada de assar o peru se inicia. Tudo é pesado e calculado de acordo, e ela fica as tantas horas que o peru vai levar pra ficar pronto besuntando o bicho de vinte em vinte minutos com um bom azeite de oliva extra virgem. Ele não assa nem de mais, nem de menos. Fica perfeito, pois o truque da besuntação deixa a carne extremamente úmida, sem aqueles ressecamentos comuns que acontecem com carnes de aves. O liquido que ela coleta na parte de baixo da forma é transformado num molho—o gravy. E antes de servir ela corta o bicho todo em partes, tudo caprichado e arrumado de uma maneira bonita numa bela travessa.

very grateful

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O Thanksgiving é a celebração que eu mais gosto, porque não é nada mais que reunir a família, comer coisas gostosas e agradecer por tudo que temos. E eu só tenho o que agradecer. Neste ano teremos um almoço aqui em Davis, na casa do meu filho. Eu já preparei minha sobremesa e às onze da manhã a Marianne vai colocar o seu famoso peru, que é assado lentamente besuntado na manteiga e ervas, no forno. Para o blog, eu sempre tiro essas fotos matinais da minha mesa de trabalho, que é a minha mesa da cozinha. Adoro passar minhas manhãs ali, lendo e fazendo planos culinários. Um feliz Thanksgiving para todos e muito, muito obrigada por tudo!

chá para o bebê

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Eu não tive chá de bebê, pois esse tipo de festa não era comum quando eu estive grávida. Mas já fui à muitos aqui na América do Norte e também já organizei alguns. Esse foi para uma amiga querida que vai ter um menino em fevereiro. Aqui fazemos tudo muito simples, usando o esquema de potluck—cada um traz um prato, pois não temos ajudantes domésticas, precisamos facilitar. Então para esse chá eu comprei as bebidas, sodas naturais, guaraná, suco de goiaba, lambrusco branco e água, e dois bolos, e servi uma caponata que já tinha feito há um tempo com pãozinho francês fresco. As convidadas trouxeram muitas coisas diferentes, desde uma torta turca feita com semolina, até saladas, quiches, patês, pão de queijo, triângulos de espinafre e torta de abóbora. As convidadas formavam um grupo de quinze pessoas bem eclético e eu não conhecia quase ninguém, mas isso não empediu a enturmação. A futura mamãe estava linda, radiante e feliz. Foi uma das melhores festas que eu já organizei.

e agora são oito

Eu gosto de marcar datas, especialmente para poder ter alguma referência e poder relembrar e recontar quando a memória começar a falhar. O marco importante que quero frisar hoje é que completo oito anos escrevendo blogs ininterruptamente. Oito anos de textos diários sobre a vida, sobre comida, filmes, música, gentes, gatos, meu cotidiano aqui nas terras californianas, como também pequenas e grandes viagens.

Quando eu comecei minhas blogagens, os blogs não eram conhecidos, muito menos populares. Meu e-mail chegava nas caixas dos meus amigos com a assinatura que eu uso até hoje [leia o meu pensamento] e os que iam lá checar o que os meus pensamentos poderiam ser, voltavam encantados e entusiasmados. O meu primeiro blog, The Chatterbox, foi mãe de muitos blogs nos primórdios da blogolândia, assim como o Chucrute com Salsicha também acabou sendo mãe de alguns blogs de culinária.

Eu e o meu The Chatterbox saimos em muitas reportagens sobre blogs em quase todos os jornais e revistas brasileiros. Estávamos lá nos primeiros relatos, que acabaram dando inicio à febre blogueira que se alastrou pela internet no inicio deste novo século. Era muito engraçado ganhar aquele tipo de destaque, já que eu estava apenas escrevinhando os meus pensamentos sobre o meu cotidiano e sobre a vida. E é isso que venho fazendo até hoje. São três blogs ativos, oito anos de vida, muitos textos, muitas fotos, informação à beça que já dá pra fazer de arquivo da memória, somado à muitos amigos, muitos encontros e alguns desencontros, pois eles também fazem parte. A soma dos oito é extremamente lucrativa, pois desde o inicio que eu tinha absolutamente certeza de ter encontrado a mídia perfeita para por em prática o que eu sempre quis fazer: escrever para quem quiser me ler.

happy chocolate day

Ontem minha nora, Marianne, fez trinta anos. Vamos ter muitas comemorações neste final de semana e no próximo. Como é de praxe, eu já fiquei toda animada com a possibilidade de fazer um bolo pra ela e assim praticar meus baking skills, que precisam de muito treino. Pensei no trabalhão que eu iria ter fazendo um bolo de aniversário, na bagunça, nos acidentes, nos possíveis e prováveis fracassos, no tempo que iria gastar e decidi aceitar a sugestão da minha amiga Leila—comprar um bolo no Nugget.

Conversando pelo telefone com a mãe da Marianne, para combinarmos o weekend, ela citou o fato de que domingo é dia de Páscoa. Juro que me surpreendi. Esse é um feriado que foi aos poucos ficando cada vez menos importante no meu calendário comemorativo. Primeiro que aqui a sexta-feira santa não é feriado. E eu não me importo com chocolates. Fazia as coisinhas quando o Gabriel era pequeno. Lembro como se fosse hoje a excitação da manhã de domingo, com ele procurando os ovinhos pelos arbustos e matagais do sítio da minha tia Anah. Lembro da risada alta dela, toda vez que ele achava um dos preciosos ovos que ela mesma tinha escondido. Hoje as histórias de Páscoa são apenas doces lembranças.

Mas teremos ovos e coelhos, que serão providenciados pela sogra do Gabe, que é a festeira da família. Ela curte os ovos e coelhos, traz o chocolate. No ano passado passamos a Páscoa na casa dela, e foi quando tirei essas fotos, que estão batendo o recorde de visitas de navegantes vindos pelo Google em busca de imagens de ovos e coelhos. Sinceramente, isso me deixa deveras triste e bastante furiosa, pois essa gente vem buscando imagens e vão pegar e usar, sem pedir, sem dar crédito. Os coelhos e os ovos da Reidun e as minhas fotos, vão ser usadas por aí, como se fosse de domínio público. A internet está mesmo infestada de larápios e copiões.

26 no Tucos

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Não me lembro exatamente porque casamos no dia dois de janeiro. Acredito que era o único dia vago, pudera. E não queríamos esperar porque eu já estava no quinto mês de gravidez. Então até hoje, enquanto o povo em geral sossega o facho das comemorações no segundo dia do ano, nós ainda temos mais um regabofe pela frente. E a cada ano que passa, a necessidade de comemorar se intensifica, afinal tantos anos juntos não é pra qualquer um.

Escolhi o Tucos Cafe para celebramos o nosso ano vinte e seis. Foi uma escolha inteligente. Já estivemos lá outras vezes, para almoçar ou apenas beber sucos de frutas brasileiras. O proprietário Pru Mendez* é casado com uma portuguesa e já morou no Brasil. Além dos sucos naturais, o Tucos também oferece feijoada e uma deliciosa adaptação da receita de pão de queijo da minha cunhada Pat, que segundo o Pru é um sucesso entre os americanos. Ele conseguiu transformar um salgadinho super simples e popular numa verdadeira delicacy, fezendo uma adaptação dos queijos, adicionando pasta de trufas, com um resultado extremamente delicado. Feito na hora, o pão de queijo chega quentíssimo à mesa, derretendo na boca.

Desta vez pegamos o cardápio do jantar e tudo o que pedimos estava perfeito. O Tucos oferece uma carta de vinhos bem incomum, com opções de vinhos de vários cantos do mundo, todos exclusivos. Eu pedi um Sousao feito aqui na Califórnia, com um sabor bem apimentado. Provamos um prato de queijo da serra português, que veio com pães, amêndoas torradas, passas brancas e um azeite bem denso e perfumado. Depois eu pedi uma salada simples, com fatias de maçã e uma torrada com queijo de cabra temperado e morno. O prato do Uriel, de carpaccio de prosciutto com alcaparras e queijo grana, estava sublime. Eu acabei comendo umas boas fatias, pois a quantidade era suficiente para duas pessoas. De prato principal o Uriel foi de ravioli com molho de lagosta e eu comi um steak com purê de raizes e legumes refogados. A sobremesa nos frustou um pouco, mas deu pra perceber que era tudo feito a mão, até o sorvete, que a garçonete nos comunicou era feito por eles.

O Tucos está instalado numa casinha pequena e aconchegante em downtown, atrás da estação de trem. A comida é de excelente qualidade, orgânica, local, e o atendimento é um primor de atenção e delicadeza. Enquanto o Uriel pagava a conta, fui conversar com o Pru, quando ele me contou do sucesso do pão de queijo e da feijoada e me falou que procura sempre pelos melhores ingredientes. Apesar de fazer parte do movimento Slow Food e de apoiar ao máximo os produtores e negócios locais, ele disse não ser um radical nem um fanático, e não se importa de trazer um produto de outro lugar, se concluir que aquele é o melhor. A carne que eu comi, por exemplo, é grass fed importada do Uruguai. Ele disse que o Uruguai tem a melhor carne de gado alimentado da maneira tradicional, com grama. Não tive como discordar, pois o meu prato estava uma delícia.

* posando descontraídamente na última foto em companhia da notável e altamente colunável dona do chucrute.

tudo lindo para o primeiro almoço

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Para o almoço do primeiro dia do ano, fiz uma costela de carneiro, batatas assadas e uma salada de alface, rúcula e cubinhos de laranja temperada com um vinagrete de limão. De sobremesa uma panna cotta. Gostei das cores da mesa. O Gabriel e a Marianne nos acompanharam nesse almoço simples, do qual não houve sobras.

Foreign Cinema - San Francisco

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Uriel me convenceu a sair da toca na noite de Ano Novo. Fomos para San Francisco, onde nos contaram que a festa é sempre bonita. A cidade tem milhares de opções para todos os bolsos e gostos. Escolhi um restaurante que eu já estava querendo conhecer há tempos—o Foreign Cinema. Fiz reservas e fomos para a cidade mais linda do mundo na noite do dia trinta e um de dezembro.

O restaurante é bem bacana, tem duas áreas internas e uma externa, com um muro alto onde eles passam filmes estrangeiros. Na noite do reveillon havia também filmes nas paredes da parte interna do restaurante. Enquanto lá fora o filme projetado era o italiano cabeça O Jardim dos Finzi-Continis, lá dentro, onde ficamos, a diversão foi garantida com o over the top Beyond The Valley of The Dolls, um cult soft porn exageradérrimo e cafonérrimo dos anos 70. Nós jantamos um menu de quatro pratos, que podíamos escolher de uma lista interessante, com um preço fixo. Estava tudo muito saboroso, mas devo confessar que fiquei um pouco irritada com a quantidade minúscula das porções, comparadas com o preço nada pequeno da conta. A sopa de entrada, um creme de lagosta, veio num potinho um pouco maior que um dedal, na quantidade equivalente a talvez uma colher de sobremesa. Mas tudo bem, isso foi o de menos. O lugar era legal, a comida estava deliciosa e nós nos divertimos.

Saímos do restaurante às 11:38pm e com a ajuda inestimável do GPS conseguimos chegar ao Embarcadero uns minutos antes da meia-noite. Trocamos de sapato e nos agasalhamos melhor no carro e corremos para ver os fogos, embaixo da Bay Bridge. Foi um espetáculo muito bonito. Depois caminhamos pela orla, que estava apinhada de gente. Eu sou desacostumada com multidões, então fiquei um pouco atordoada. Todo mundo festejando sob a vigilância e ostensiva patrulha da gentil polícia de San Francisco. Havia muitos bêbados, drogados e a cidade estava uma muvuca total, mas tudo acontecendo naquela incrível civilidade e jeitão nonchalant típico da cidade. Voltamos logo em seguida para Davis, afinal eu queria dormir a primeira noite do ano na minha caminha!

um ano bem relécsz pra todos!

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flores de Ano Novo

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Feliz 2008!

o menu completo

Peito de peru assado e recheado com arroz selvagem e ameixa - o recheio servido separado, o peru acompanhado de apple butter;

Quinoa vermelha refogada com salsinha e cebouletes;

Salada de batata [new potato - tão tenras e com a casca tão fina que nem precisa descascar] temperada com a maionese aioli da Alice Waters;

Salada de rúcula com cogumelos e beterraba;

Salada de alface com queijo de cabra, também da Alice Waters.

De sobremesa a pecan pie e a salada de frutas de inverno, onde acrescentei pêra e kiwi.

Para beber água com gás, refrigerante de laranja vermelha, cidra quente e o Cabernet Sauvignon Faust que comprei na vinícola Quintessa.

mãos às obras

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cabeleira presa e mangas arregaçadas

está tudo [quase] pronto

A minha rotina de Natal é sempre a mesma, entra ano, sai ano. Neste ano a festa vai ser mais tranquila, porque não vem tanta gente. Mas é sempre cansativo. A única coisa que eu não faço é limpar a casa, pois tenho um serviço que faz isso com perfeicão uma vez por semana. O restante é meu trabalho. Eu faço as compras, decido o cardápio, cozinho, preparo, sirvo, entretenho os convivas. Só não lavo a louça final, que é trabalho do Uriel e Gabe. Sexta-feira, saí do trabalho às 3pm e comprei todos os presentes de Natal, além de queijos, panetones e alguns enfeites. No sábado, fiz as compras de comida—e fui á quatro lugares diferentes, dois em Sacramento, dois em Davis. Isso tudo enquanto lutava contra uma crise de enxaqueca morfética. Saí do último supermercado e quando estava na esquina lembrei: não comprei isso, aquilo e aquele outro! E tinha feito lista. Dor de cabeça é uma desgraceira. Domingo, estou um pouco melhor. Organizei o cardápio, que vai ser simplérrimo, mas com os ingredientes da mais alta qualidade. Minha homenagem à Alice Waters. Com tudo escrito, fiquei mais tranquila por me senti mais organizada. Como é feito nas revistas, dividi tudo ém partes, no que poderei fazer hoje, e o que só pode ser feito no dia ou na hora. Não posso contar muito com o Uriel, pois ele trabalha até o último minuto possível. Mas o Gabe já foi convocado para ajudar, pois quando eu tenho essas dores de cabeça, elas duram três dias cravados. Lord have mercy! Espero sobreviver à esse Natal para depois poder curtir minhas pequenas férias!

um dia, dois bolos

Por volta das três da tarde eu sempre saio para fazer uma caminhada pelo campus, esticar as pernas, respirar ar puro, espairecer e às vezes comer um bolinho na coffee house. Desta vez foi um de abóbora com especiarias, que estava muito bom. Quando regressei pra minha sala, fui pega no meio do caminho por um dos meus colegas. Eu logo saquei—era uma festinha pra mim, com bolo de chocolate e cartão com mil desejos de felicidades. É que na terça-feira eu e o Uriel recebemos nossa cidadania americana. Meus colegas decidiram que devíamos celebrar. E eu até comi a fatia do bolo, que não estava mal, apesar de ser daqueles comprados em supermercado.

a comilança

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Um menu tradicional—crudités com patês, salame e bolachinhas, salada, purê de batata, refogado de batata doce, vagens e tomates assados com cobertura de pão torrado, brócolis cozidos no vapor, cranberry sauce, stuffing, gravy e o peru. sobremesa pecan pie e lemon almond tart.

Thanksgiving is just around the corner

E eu num suplício porque ainda não decidi que sobremesa vou fazer para o nosso almoço de família. Pelo menos já decidi que será algo com limão, por causa do meu surplus de frutas citricas. É de conhecimento geral que meu nome do meio é desastre quando se trata de fazer sobremesa. Mas eu estou me esforçando pra mudar isso.

Todo ano comemoramos o Thanksgiving na casa da sogra do Gabriel, que geralmente também convida amigos e é sempre uma reunião muito agradável, com comida simples e boa. A Marianne é a encarregada do peru. Eu sempre levo vinho e sobremesa. Antes eu costumava passar o feriado inteiro lá, fazendo compras no Marin county, mas agora eu prefiro voltar pra casa. O Thanksgiving é um dos meus feriados favoritos, deixando o Natal bem lá pra trás. Pra mim o Thanksgiving faz muito mais sentido, pois é uma festa de agradecer o que temos, comer, beber, passar o dia com a família. Nada de dar presentes, que é o que—na minha opinião, faz o Natal uma festa cansativa e irritante.

2 anos ou 24 meses ou 730 dias

novembro05dezembro05janeiro06fevereiro06
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Mas quem é que está contando?

Há exatamente dois anos eu criei um monstro chamado Chucrute com Salsicha. Esse monstro mudou-se para dentro de mim e agora me cutuca o tempo todo com seu dedo comprido e persistente, me cobrando—tem receita, tem foto, tem texto inteligente ou engraçado, o que vamos publicar hoje? Escrever e colocar fotos aqui virou uma obsessão perfeccionista e divertida que muita gente chama de hobby e eu chamo de chucrutagem.

Levando em conta minhas idiossincrasias, minhas inúmeras manias e minhas infindáveis chatices, abro as portas deste espaço sem nenhuma relutância para quem quiser visitar, entrar, sentar, puxar papo, beber um chá ou um licor, passar a mão no gato—se ele deixar—cheirar as flores, provar uma fatia do bolo ou só ficar quietinho folheando um livro ou uma revista.

Considero esta minha cozinha virtual um lugar extremamente especial. Escrevo e fotografo todos os dia, porque tudo que publico neste blog é o que me interessa, o que me estimula, o que me apaixona e o que me deixa feliz. Tenho um grande carinho e respeito por todos que passam por aqui e que valorizam esse meu trabalho diário. Hoje o monstro Chucrute com Salsicha quer simplesmente agradecer, humilde e sinceramente, aos que se identificam, aos que retornam, aos que se inspiram, aos que comentam, aos que participam, aos que incentivam, aos que se divertem, aos que fazem tudo isso valer a pena.

very halloweenish

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A cidade amanheceu envolta numa densa neblina. Só percebi quando olhei pela janela um minuto antes de sair de casa. Vesti uma touca de linha, tricotada por mim mesma há alguns anos. Pedalei pelas brumas me sentindo feliz—que dia perfeito para Halloween! As bicicletas com luzes acesas, as árvores sendo engolidas pela névoa cinza, um clima primoroso de outono.

Levei uma caixa de cookies de nozes para os meus colegas de trabalho, porque é tradição as pessoas levarem coisas gostosas durante essas comemorações. Hoje vou ver muita gente fantasiada no campus e pelas ruas da cidade. Estou pensando no que vou fazer para o jantar. Vai ter que ser algo bem prático, pois vou ficar ocupada abrindo porta e entregando doces. Também penso nos gatos, principalmente no Roux, que vai ficar excitado com os visitantes e com a porta aberta, possibilidade de aventura.

Não é todo mundo que acha bonito um dia nublado e neblinado. Mas eu gosto! Tem seu propósito. Meu colega concordou:—what a beautiful day!yes! very halloweenish!

já é quase halloween

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A grande abóbora já está na varanda avisando aos trick-or-treaters que nesta casa se oferecerá doces. Muita gente põe várias abóboras, eu acho um desperdício. A maioria faz jack-o-lanterns com as abóboras, removendo a polpa, cortando uma cara e colocando uma vela dentro. Eu acho legal, mas infelizmente não tenho as habilidades pra fazer isso sem destruir várias abóboras antes. Fico na simplicidade, onde a margem de erros é menor.

O ritual da noite do Halloween é um dos mais tradicionais aqui na América do Norte. E envolve toda a comunidade, é uma grande festança, que se inicia semanas antes em visitas à pumpkin patchs para se escolher as melhores abóboras para enfeitar a frente da casa e fazer os jack-o-lanterns. No dia do Halooween, onde quer que você vá, os lugares estão decorados e as pessoas estão fantasiadas: consultórios médicos, lojas, bancos. As casas que vão dar doces ficam todas enfeitadas. Essa é uma regra—se você não quiser dar doces, não enfeite a porta e não acenda a luz. Todo ano eu abro a minha caixa de apetrechos de Halloween, que não são muitos, mas eu enfeito a porta, pois adoro dar doces para as crianças.

Já comprei as balas. Outra regra: as crianças só devem aceitar doces industrializados, embalados. Nada de maçãs caramelizadas ou muffins. Nunca se sabe o monstro que pode estar atrás daquela fantasia de bruxa ou fantasma, entregando gostosuras feitas em casa. E uma regra particular: sempre compro doces que não me interessam, pois senão acabo comendo as sobras e isso é um no-no de Halloween pra mim.

Aqui as crianças fazem trick-or-treat pelas ruas, batendo de casa em casa. A função começa quando anoitece. Primeiro chegam os bem pequenininhos, sempre acompanhados dos pais, que ficam na calçada às vezes orientando—say thank you. Eles são a maior gracinha, muitos não sabem muito bem o que fazer e tem os olhos arregalados com a fartura de balas e pirulitos. Um pouco mais tarde chegam os mais velhos, que já têm mais malícia e nem sempre estão acompanhados dos pais. No cair da noite chegam os adolescentes e bem tarde chegam, às vezes, alguns adultos, nem sempre para pedir doces. A festa vai noite adentro, com festas pipocando por todo canto, nas fraternidades e sororidades também.

Nesta minha vizinhança não tem muitas crianças, então sempre sobra doces aqui em casa. Eu penduro um baldinho do lado de fora da porta, cheio de balas, mesmo assim fica um montão. Mas eu morei numa outra casa, numa vizinhança apinhada de crianças e a noite de Halloween lá era MUITO divertida. Às cinco da tarde já se ouvia a comoção dos grupinhos de crianças, todos fantasiados e carregando baldinhos ou sacolas. Naquela casa eu precisava comprar muita bala e muitas vezes a bala acabava e eu era obrigada a desligar a luz e não atender mais a porta, o que me chateava, mas fazer o quê?

Com a abóbora já na porta, as balas compradas, amanhã é só acender as velas e esperar pelos indefectíveis knock-knocks da noite das bruxas.

sou uma dinossaura

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Um bolinho de chocolate para celebrar sete anos de blogagens ininterruptas! Tudo começou , onde eu escrevia sobre tudo—filmes, comida, cotidiano e ainda faço, de maneira menos sistemática, mas sempre contínua. Sou do tempo que existiam no total uns dez blogs brazucas no pedaço e todo mundo se conhecia. Hoje a blogolândia é do tamanho do mundo e tem de tudo, todo tipo de gente, todo tipo de blog. Continuo firme, porque essa é a mídia com que eu mais me identifiquei e que preencheu todas as minhas necessidades, de escrever e de criar. Meus blogs já fazem parte do meu testamento, onde instruí que eles permaneçam online para sempre, porque neles tem muita vida e muita história. Sete anos escrevendo e fotografando, não é pra qualquer um!

ultra-mega-super improvisado

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Domingo foi Dia dos Pais e nós fizemos um almocinho em casa, sem muito planejamento, nem estresse. Eu comprei os ingredientes e o fillho fez um churrasco para o papai. Foi tudo super simples, porque eu realmente não ando no humor de ficar fazendo nada mais sofisticado que uma salada. E foi o que fiz, salada de beterraba assada, outra vez, e salada de abobrinha, outra vez. De sobremesa preparei um bolo escalafobético, do qual todo mundo riu, pois ficou realmente um horrorrore! Eu cortei um angel food cake e recheei com chantily feito em casa e adoçado com néctar de agave e morangos. O nosso convidado de quinze anos não quis comer o bolo, recusou-se educadamente, mas mandou bala nos sorvetes!

Almoçamos fora no domingo

Família desorganizada, acho que éramos os únicos sem reserva para um restaurante no domingo de dia das mães. Quase duas da tarde e já tínhamos tentado quase todos os bons restaurantes de Davis. Até um em Sacramento. Mas queríamos comer por aqui mesmo, de preferência em downtown, onde poderíamos ir a pé. O único restaurante que nos deu uma resposta positiva foi o Tucos Wine Market and Cafe, que fica em downtown, perto da estação de trem, numa casinha pequena e aconchegante. Já tinha recebido recomendações desse lugar, pela comida e pelo wine tasting. Eles têm um cardápio simples, com ingredientes locais, tudo feito do zero, sem firulas, mas com capricho. É o meu tipo de lugar. A carta de vinhos não é extensa, mas os poucos são exclusivos. Nós optamos pelo menu do dia das mães, que incluia uma sopa de cenoura, aspargos enrolados no prosciutto e queijo, com ovo pochê [que dispensei] e torradas, talharini feito em casa com molho branco camarão e ervilhas, e uma tortinha de cerejas com sorvete de baunilha. Eu ganhei uma deliciosa taça de prosecco, incluida no pacote das mães. Foi um almoço delicioso, feito sem pressa, num ambiente super acolhedor. Pros outros restaurantes que não tinham lugar pra nós—uma banana!

* O Gabriel jurou ter visto uma latinha de guaraná passeando numa bandeja pelo restaurante. Quando fomos apresentados à lista de bebidas sem álcool, uma surpresa: além do guaraná, oferecido como algo super chique, uma variedade de sucos de polpa de frutas—real natural rainforest fruit juices, straight from Brazil. Acerola, caju, cacau, graviola, goiaba, mamão, manga, maracujá, abacaxi e tamarindo, batidos com água ou leite, estilo vitamina.

um delicioso bolo [comprado]

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Comprei o bolo mousse de manga no Ciocolat, porque não está dando tempo de cozinhar nada especial—só estou fazendo o trivial. E também por causa do tombaço, não estou conseguindo fazer algumas coisas normais com o braço esquerdo. Mas o niver do Gabe foi muito bem comemorado, com salmão, batatas, cogumelos, favas verdes, salada de rúcula, tudo orgâââânico—minha irmã não deve estar aguentando ouvir tanto isso é orgânico, aquilo é orgânico, orgânico, orgânico, orgânico...

vinte e cinco puxões de orelha!

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Gabe com nove meses e sua mami descabelada

Já escrevi tanta coisa sobre os aniversários do meu filho.

Cada ano era uma coisa diferente: festa toda encomendada, bolo de chocolate despencado e derretido feito por mim, bolo em forma de cometa, churrasco no clube, pizza com os amigos, velinhas em cima do muffin, muitos aniversários sem bolo, muitas comemorações em restaurantes, bolo de chocolate de caixinha feito pela Marianne, muitos aniversários me esqueci o que fizemos, como comemoramos, afinal são vinte e cinco anos.

Lembro do ano 17, quando pela manhã eu tive essa idéia que achei sensacional. Saí do trabalho na hora do almoço e invés de ir almoçar, fui até o supermercado e comprei mil coisinhas, bolinho, vela em formato de Um e Sete, bexigas, serpentinas de papel crepe, confetes pra espalhar na mesa—fui pra casa e preparei uma festa surpresa diferente. Quando ele chegasse da escola, iria encontrar a mesa posta como se fosse uma festa, instruções escritas para fazer coisas, tudo paramentado. Passei a tarde rindo sozinha, pensando na cara de bocó dele, quando chegasse e visse a minha surpresa. Às seis da tarde corri embora, entrei em casa e ele estava vendo tevê. Abraços, beijos, feliz aniversário, tárará e a pergunta ansiosa de mãe, então, gostou da surpresa que eu fiz pra você? E ele com aquela cara blasé de dezessete anos:

—aanh, achei meio jeca tatu, mas gostei...

não vai passar em branco

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pros adultos..
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pras crianças..

Quando o Gabriel era pequeno, fazíamos alguns rituais de Páscoa, com as pegadas das patinhas do coelhinho feitas de giz, ovinhos e ovões escondidos. Hoje não vejo mais propósito, mas o consumismo me faz comprar algumas coisas nessa época. E como resistir à tanto apelo? Tento escolher o que acho comestível—ou seja, o que eu comeria. Isso incluí basicamente chocolate amargo, que é o que eu gosto. Pra alegria das minhas lombrigas consumistas, meus sobrinhos Fausto e Catarina estão chegando no final do mês, então aproveitei a oportunidade para afogar as saudades de comprar coisinhas pra crianças - coelhinhos, ovinhos e toda a parafernália acompanhante!

O Ano do Porco Dourado

Fomos até San Francisco para quebrar um pouco a nossa rotina. Nós adoramos visitar a The City, que é para mim uma das cidades mais encantadoras e charmosas do mundo. Como era o dia do Ano Novo Chinês, resolvemos dar uma passadinha em Chinatown. San Francisco tem o maior bairro chinês fora da Ásia. A segunda maior Chinatown do mundo fica em Vancouver, Canadá. Elas são muito semelhantes - borbulhante de gente, comércio e uma imundice desgraçada. Sinceramente, o que me desanima de visitar Chinatown é a nojera. É chocante, mas faz parte do show. Eu gosto de entrar nas lojinhas, de comprar cacarecos e de olhar as pessoas apressadas fazendo as suas comprinhas, toneladas de frutas, verduras, legumes, raizes, carnes, aves, peixes.

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O Ano do Porco [Dourado] tem tudo para ser um ano muito especial, com ênfase em atitudes de honestidade e bondade. Estamos muitíssimo precisados de um ano assim. Mas para a entrada do ano de 4704, não houve nenhuma celebração pública especial na Chinatown de San Francisco. Vimos muitas crianças e adultos estourando traques e até algumas bombinhas, e havia papel vermelho picado pelas calçadas - aumentando a sujeirada - e muitos cookies e chocolates em embalagens douradas e vermelhas à venda, além de todos os apetrechos típicos do dia, para boa sorte e fortuna. Eu comprei um quimono, um xale, colheres de porcelana e uma garrafa térmica com peneirinha para chá. Caminhamos muito, estava uma muvuca horrível, nós sempre comentamos das filas nas padarias, casas de chá e restaurantes em geral. Tudo sempre está abarrotado. É tanto cacareco e tanta comida pra vender, tanta gente, tanto movimento. Destoa um pouco do resto da cidade, lotada de figuras sofisticadas e modernex, turistas e mendigos. Aliás não se ve um mendigo em Chinatown - e olha que eles abundam no resto da cidade. Acho que é porque em Chinatown não tem espaço para os carrinhos de supermecado, que são as casas ambulantes dos homeless, e não dá pra dormir naquelas calçadas. Ninguém, nem mesmo os junkies no fundo do poço se arriscam.

Enquanto eu entrava nas lojinhas e me divertia olhando os cinco milhões de opções de badulaques inúteis e coloridos, o Uriel entrava nas vielas, obcecado em encontrar o ex-barbeiro do Frank Sinatra. Ha Ha Ha! Só o meu marido mesmo! O que ele encontrou foi um muquifo cheio de indivíduos imersos numa jogatina danada. Dispersa, dispersa, e arrepia na geral!

Menu do Natal

Quiche de carangueijo - sem receita, massa pronta, 1 xícara de leite integral, 1 xícara de creme de leite fresco [heavy cream], 3 ovos, sal, nos moscada, misturar meio quilo de carne de carangueijo, decorar com tomatinhos, colocar na massa pré-assada, assar até o recheio ficar dourado.

Quiche de aspargos - sem receita, massa pronta, 1 xícara de leite integral, 1 xícara de creme de leite fresco [heavy cream], 3 ovos, sal, nos moscada, colocar os pedaços do aspargos frescos [usei uns bem gordinhos] na forma com a massa pre-assada e colocar o creme, assar até o recheio ficar dourado.

Salada de batata - feita pela Marianne - norwegian style.
Salada de rúcula com tomates secos.
Carpaccio de abobrinha - usei abobrinhas verdes e amarela, salpiquei com um pouquinho de coentro fresco, ralei queijo asiago fresco por cima.

Stuffing - arroz selvagem cozido, tomates secos, salsinha picada, tâmaras picadas, uvas passas brancas, sal, pimenta - rechear o peru com essa mistura, servir separado depois que destrinchar o peru. Como eu tinha uma convidada vegetariana, fiz parte do stuffing fora do peru.

Peru - receita tradicional da minha família, temperado por dois dias no vinha d'alho e coberto com bacon, assado por 4 horas no forno médio.

Polenta com gorgonzola e cogumelos. Como uma das convidadas era vegetariana, eu fiz essa polenta, que vi por acaso numa revista. Fiz de última hora e agradou a todos, ficou um ótimo acompanhamento pro peru. Receita a seguir.

Sobremesas: gelatina de vinho branco com suco de romã e uvas - imitei da Karen - usei 3 xícaras de suco puro de romã fervendo, 1 xícara de vinho branco espumante onde eu dissolvi 4 pacotinhos de gelatina em pó sem sabor, joguei o suco fervendo, um pouco de mel, mexi bem com um batedor de arame, acrescentei uvas brancas cortadas ao meio. Também fiz um Raspberry trifle, receita a seguir.

Ufa....

estava tudo muito bom

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Foi um trabalhão, mas ficou tudo bom. Na hora de destrinchar o peru rolou uma pequena confusão, dado à inexperiência dos cortadores, mas ficou tudo muito saboroso e todos comeram bem. Eu fiz tudo sozinha, mas eu gosto dessa preparação. O duro é limpar, mas isso não é minha tarefa. Foi uma noite feliz e a semana está muito ocupada com visitas. Receitas seguirão em breve! Espero que todos tenham tido um ótimo Natal e que já estejam engatando segunda para a passagem do ano.

Natal? Que Natal?

À noite consegui ir ao supermercado comprar umas coisinhas, pois minha geladeira estava vazia de itens frescos. Fui capengando. Chega quatro da tarde meus olhos começam a arder. Mas considerando que eu mudei de hemisfério e voltei seis horas no tempo, até que estou super bem, funcionando.

Hoje é a festinha de Natal do meu trabalho. Vamos a um lodge, cada um leva seus próprios utensílios e um prato de comida, eu peguei carona no último bonde e vou levar bebidas. Nada de álcool, nem preciso dizer. Comprei umas falsas champagnes de maçã e cranberry - sparkling cider. Não sei como vou levar cinco garrafas na bicicleta, mais minhas coisas, mais eu. Está difícil pedalar de manhã cedo, com temperaturas negativas. Como sempre diz um dos meus colegas, se continuar frio assim vou me mudar pra Califórnia! Ha ha ha!

Tentando ler todos os blogs que não li nas duas últimas semanas, dou de frente com o fato de que não fiz absolutamente nada referente ao Natal ainda. Nem tirei meus velhos enfeites do storage. Vai ter árvore? Não sei. Minhas sobrinhas vãoo curtir uma, o Roux também—that's the problem! E a comida? Vou ter que ir até o Corti Brothers em Sacramento comprar meus peitos de peru borboleta, então o Uriel que tem o dom de simplificar tudo sugeriu que eu comprasse qualquer peru, ali mesmo no Safeway. Vou pensar. A cesta orgânica está de férias até começo de janeiro. Terei tempo de passar no Farmers Market? Comprarei e prepararei gostosuras? A casa ficará com cara de Natal? O espírito natalino descenderá sobre nós? To jingle bells, or not to jingle bells, that's the ho ho ho question.

I'm thankful for everything

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de onde eu chucruto...

Hoje que eu poderia dormir muito, o quanto quisesse, sem horários, estou acordada e alerta desde às 7am. Levantei, fazer o quê? É o hábito. Estou pensando no ranguinho de Thanksgiving, na viagem do meu filho, na minha viagem. Eu não gosto de viajar e não viajo bem, então tudo relativo ao trajeto vira um estresse. Mas hoje é dia de agradecer, e eu certamente tenho MUITO pra dizer obrigada! Estou com uma leve dor de cabeça causada pelos inúmeros copos de vinho - delicioso Zinfandel, que bebi na festa da minha amiga. O Roux corre atrás do Misty, depois chora quando é enjeitado, o Uriel ainda dorme, o céu está azulzinho, está 6ºC lá fora, estou de roupão de fleece quentinho, pantufas, descabelada, chucrutando da mesa da cozinha, de onde eu sempre chucruto, e vocês podem ver nas fotos.

—o que você vê: comprei o novo Joy of Cooking depois de ler a review da Elise. eu tenho a edição de 1975, que é bem mais magrinha que essa. o californiano Ghirardelli faz um excelente chocolate, da mesma qualidade dos suiços e franceses. minha bolacha favorita que eu como pela manhã, toasts de anisete. mais uma geléia, essa austríaca de wild lingonberry achei no World Market. revistas com as receitas que vou tentar fazer hoje. os limões meyer, meus favoritos. o meu gato Misty. o iBook de onde eu olho para o mundo.

um thanksgiving sem peru

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[Thanksgiving 2004—em destaque no buffet, a minha famosa torta de tomate]

Nós costumamos passar o Thanksgiving com a Reidun, a sogra do meu filho. Ela nos convida todo ano, e faz o almoço/jantar com todos os elementos da clássica comemoração americana. Eu curto muito essa celebração, porque é uma festa de família e comida, sem aquela neuras de presentes que é o Natal. Dizem que o Thanksgiving é o feriado mais importante para o americano, deixando até o Natal para trás. Eu entendo o por que disso, e acho fabuloso uma festa para agradecer! Então todo ano vamos para o Marin county no final de novembro e comemos o peru assado—sempre preparado pela minha nora, que passa o dia em função do bicho, temperando e untando de hora em hora com manteiga. Para acompanhar sempre tem batatas em forma de purê ou apenas cozidas—ítem que não pode faltar na casa de uma norueguesa—além de gravy, cranberry sauce, batata-doce, vagens, ervilhas, cenouras, brussels sprouts, stuffing que recheia o peru e é geralmente servido separado, saladas e pães. Sobremesas de torta de maçãs e de abóbora. Tem sempre um toque diferente aqui ou ali, como a adição de uma salada de palmito ou uma torta de tomate trazidas por mim. Mas no geral o cardápio básico é sempre o mesmo.

Neste ano vamos ter um Thanksgiving diferente aqui em casa. Uma grande amiga da Reidun ficou viúva e ela decidiu passar esse dia na companhia dela. E também o Gabriel e a Marianne embarcam para o Brasil no dia seguinte, então ninguém vai estar com cabeça para assar peru. Eu também não estou, por isso resolvi que vou fazer uma bacalhoada, tudo simples e rápido, pois estou um pouco apavorada com a falta de tempo que vou enfrentar nessas festas de final de ano. Vou chegar do Brasil no dia 16 e vou ter exatamente seis dias para preparar o Natal que vai ser outra vez aqui em casa, com o meu irmão, cunhada e sobrinhas, mais a família da Marianne. Acho que vai ser um potluck Christmas, tudo diferente, como esse Thanksgiving com bacalhau!

celebrate, yeah!

Recebi um e-mail do meu host pela manhã, avisando da renovação do domínio chucrutecomsalsicha.com. Como eu escolhi não colocar datas nos meus posts neste blog, não estava nem lembrando que há exatamente um ano me deu um faniquito, comprei o dominio e passei o dia montando o meu mais novo blog - finalmente, um espaço para eu escrever só sobre culinária. Os primeiros textos no Chucrute com Salsicha foram publicados no dia primeiro de novembro e até hoje eu não entendo como demorei tanto para abrir essa cozinha ao público.

Escrevi muito sobre todos os assuntos no blog mãe, até que em 2002 eu passei os assuntos de cinema e tevê para o Cinefilia, o blog que eu divido com o meu querido amigo Moa. Mas continuei escrevendo sobre comida e publicando minhas fotos food porn no The Chatterbox. Foi somente em novembro de 2005 que finalmente vi a luz, e separei os assuntos culinários definitivamente. Foi a melhor coisa que eu fiz! Adoro esse espaço e as novas possibilidades, assuntos e relacionamentos que ele me proporcionou. Viva!

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Esse bolo eu fiz pro aniversário do Gabriel em 2005. Ele pode exemplificar perfeitamente o meu estilo Chucrute com Salsicha, que se empenha com determinação, mas nem sempre alcança os melhores resultados e o visual mais charmoso. Um bolo tortinho, uma torrada queimada, os legumes cortados desiguais, uma salada sem azeite, uma sopa muito salgada, um tropeço aqui, outro lá, mas eu nunca desisto. E vamos sempre em frente!

trick-or-treating

Quando nos mudamos para o Canadá em 1992, meu filho tinha dez anos e estava entusiasmadíssimo com cada novidade que o novo país lhe oferecia. Nos nossos anos no Brasil não havia ainda o aculturamento do Halloween, então o Gabriel nunca tinha feito o trick-or-treating. Final de outubro chegou e ele estava realmente animado—ganhar balas dos vizinhos, quantas ele quisesse, era para o guri natureba um ticket só de ida para o paraíso. Então no 31 de outubro ele estava todo preparado. Até se fantasiou, o pobre, e tentamos planejar como ele iria fazer o tar do trick-or-treating. Vendo a nossa inexperiência canuca, uns vizinhos se apiedaram e convidaram o Gabriel pra acompanhá-los no Halloween dos filhos deles. Não tínhamos sacado o detalhe mais importante da noite das bruxas naquele país— já estava um frio dos demônios com possibilidade de nevasca. Os vizinhos sabiam das coisas e como iria nevar—e realmente nevou—eles levaram os meninos pra pedir balas de carro. Fantasia? Forget about it! Todas as crianças vestiam casacão, luvas, mittens, touca e cachecol por cima dos super-heróis, astronautas, princesas, bailarinas. Ninguém via nada. E saiam do carro, faziam o blinblon trick or treat na porta das casas decoradas com abóboras e corriam de volta para o carro. Foi assim o primeiro Halloween do meu filho.

Nos anos seguintes ele já estava mais experiente e tinha uma turma de amigos que fazia absolutamente tudo juntos. Mesmo se o tempo não ajudasse, eles saiam trick-or-treating à pé, usando a técnica da fronha de travesseiro. Eles levavam uma fronha, que enchiam de doces e faziam pit stops em casa para esvaziar e voltar para as ruas para pedir mais. O Gabriel acumulava uma verdadeira montanha de doces todo ano, que durava quase que até a primavera! Eu me resignava, apenas lembrando dos bons tempos, quando açúcar não fazia parte da dieta do meu filho. Ele e os amigos nem se preocupavam em se fantasiar, voltavam pra casa com as caras vermelhas, as pestanas cheias de gelo e um excitamento que só uma tonelada de açúcar pode provocar. Quando viemos pra Califórnia, onde o clima permite que as crianças se fantasiem e saiam pelas ruas pedindo doces sem perigo de congelar os ossos, o Gabriel já tinha perdido o interesse por essa maratona. Eu continuo firme, todo ano decoro a minha porta e dou docinhos pros visitantes. Não tenho pena mais das crianças, que aqui não ficam congeladas, mas ainda penso nos pobres canadensezinhos - será que vai nevar esta noite em Saskatoon?

um bolinho de chocolate para adoçar o dia

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Muito obrigada à todos que deixaram recadinhos por aqui! Abri e li cada um com a alegria de quem abre um pequeno presente especial! Fiquei muito feliz!

Hoje, de idade nova, me sinto uma mulher cada vez mais realizada. Meu marido sempre vem com aquela pergunta de quem não sabe comprar presente—o que você quer de aniversário? E eu sempre respondo que não sei, porque eu tenho tudo o que eu quero. Não tenho wish list. Ele tem que se rebolar pra fazer coisas criativas. Neste ano acho que vou ganhar uma massagem/banho de lama em Calistoga. Não riam, eu até que achei legal a idéia dele.

Nossas comemorações de aniversários sempre envolvem um almoço ou um jantar num restaurante da preferência do aniversariante, e um bolo pós-rango. Minha escolha pra ontem seria uma bodega espanhola, mas eles não servem almoço no domingo, então fomos à um desses de cozinha californiana. Comemos muito bem, eu pedi uma salada niçoise de salmão e um flat bread com queijo, acompanhado de vinho branco. O pão nunca pode faltar!

Viemos pra casa, onde um bolinho que eu encomendei no Ciocolat nos aguardava. Bebemos chá, pois o tempo mudou radicalmente ontem, e entramos definitivamente no outono. Depois recebi visitas, que lembraram do meu dia e vieram tomar um vinho comigo. Falei com todos da minha família no Brasil, foi um aniversário típico. Eu pensei por muitos meses que deveria fazer uma festona, muita gente, muita comida, mas isso realmente não é o meu estilo. Eu não cozinho no meu aniversário, não lavo nem um copo, não faço nada, só aproveito o meu dia!

véspera da véspera

Porque eu sou uma desorganizada, tenho que me organizar o triplo. Mas não é só por isso, é também porque vou receber onze convivas e tenho que fazer tudo sozinha, das compras, às arrumações e preparaçãoes. Só depois da festa é que eu tenho ajuda na limpeza do meu super ocupado marido, que hoje está trabalhando e com certeza vai trabalhar amanhã até quando puder. Então estou me preparando para essa véspera de Natal há uma semana. Hoje estou fazendo algumas coisas que posso adiantar, como pastinhas e coisinhas para se comer enquanto se espera a ceia. Vou ter convidados brasileiros, americanos e noruegueses. Como no menu não vai ter batata - base de tudo para os noruegueses - desencalhei um arenque e uma truta defumada da despensa, que vou servir com pão de centeio alemão. Fiz a pastinha de aliche com salsinha que é um must nos meus natais italianos. Também temperei azeitonas e vou fazer uma invencionice com queijo cremoso mascarpone e nozes pecan. Cozinhei e descasquei as castanhas portuguesas, lavei tomilho que vai no recheio do peru [decidi pôr tomilho que ainda tenho fresco na minha horta]. Fiz também o cranberry sauce, que é um ítem do menu americano que eu adoro. Vou passar a tarde na cozinha, ouvindo jazz, dando risada com os gatos. Curto tanto os preparativos quanto a festa em si.

comida de Thanksgiving

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» peru assado - um no forno, outro na churrasqueira, stuffing, salada de folhas, salada de grãos, purê de batatas, purê de batata-doce, cranberry sauce, cenouras cozidas, pão.

pinga de Thanksgiving

» eu escrevi este post em dezembro de 2002, quase véspera de Natal. Mas como eu falo de uma receita de peru, vou republicá-la nesta véspera de Thanksgiving, quando estou exausta, com o dedo queimado e pensando como vou levar uma torta de chocolate - que ficou horrível visualmente - balançando no carro até San Francisco sem transformá-la num monte de farelo melequento....

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Hoje eu planejei ir comprar o peru, mas quem disse que eu consegui? O fogão da guest house não estava acendendo e ficamos a tarde toda esperando o cara que viria arrumar. O conserto do fogão ficou metade do preço de um novo. Aqui é o país do descartável mesmo….

Resolvi inovar na ceia de Natal, fazendo umas receitas diferentes. Vou preparar uns ‘tapas’ [aperitivos] de um livro de receitas mediterrâneas que a Patricia me deu. E uma torta de ameixas também de lá. O peru será o mesmo, com receita tradicional da minha mãe – ao vinha d’ alho. Mas eu peguei o livro Comer Bem da Dona Benta pra ler a receita. Eu acho essa receita o máximo:

1 peru
1 copo de pinga

Pouco antes de matar o peru, dê-lhe, às colheradas, um bom copo de pinga e, quando ele ficar bêbado, caído, mate-o, cortando-lhe o pescoço mais ou menos no meio, separando-lhe, assim, a cabeça do corpo.

Coitado do peru!!!!! Vai ser embriagado e assassinado…. Que maldade, matar o bicho bêbado!!!!

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Depois a receita ensina a depenar, limpar, temperar e finalmente assar. Ufa, pusta trabalheira! Melhor ir ao Safeway e comprar a coisa congelada e limpa.

Essa receita da Dona Benta é para quem quer fazer tudo do jeito antigo e tradicional. Só para ensinar a rechear o peru com a farofa são dez passos….. Coisa sofisticada!!

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Eu quis ter esse livro porque não tinha nenhum livro de receitas em português. Lembrei desse, que acho que minha mãe tinha uma edição da década de 60. A Leila me deu esse na 73ª edição. E eu fiquei pensando quem será essa tal de Dona Benta? Será que ela realmente existe, como a Ofélia? Questão intricadíssima, como a receita do peru!!




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