macarronada de quinze minutos

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A super duper gênia da raça Martha Helena publicou essa receita na última edição da sua revista com direito a vídeo e tal, mas eu só acreditei que daria mesmo certo depois que fiz eu mesma e vi que realmente não só dá certo, como fica ótimo. Coloca tudo cru na panela, cozinha, cozinha e em 15 minutos o macarrão tá na mesa. Adorei toda essa praticidade.

350gr de linguine ou espaguete
350gr de tomates cereja cortados ao meio
1 cebola em fatias finas [cerca de 2 xícaras]
4 dentes de alho cortado em fatias finas
1/2 colher de chá de de pimenta vermelha em flocos
2 raminhos de manjericão
2 colheres de sopa de azeite extra-virgem de oliva
Sal grosso e pimenta moída na hora
4 e 1/2 xícaras de água
Queijo parmesão ralado na hora, para servir

Numa panela grande coloque tudo cru—o macarrão, o tomate, a cebola, o alho, a pimenta em flocos, o manjericão, o azeite, 2 colheres de chá de sal, 1/4 colher de chá de pimenta do reino moída na hora e a água. Leve para ferver em fogo alto. Quando ferver, vá mexendo e virando a pasta frequentemente, até que a massa fique cozida al dente e água tenha quase evaporado, mais ou menos uns 10 minutos. Remova do fogo e sirva com queijo parmesão ralado na hora.

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enrolado de aspargos
[com queijo brie & tomilho]

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Achei esses rolinhos uma ideia tão legal, que resolvi colocar em prática. Pra mim, tudo que envolve massa dá mais trabalho do que o normal, devido ao meu desajeito crônico com elas. A massa folhada é uma das mais difíceis de eu me safar impune, porque ela quebra muito fácil. As camadas dos meus rolinhos não ficaram perfeitas e teve muito remendo, mas depois de assados não se percebe nada. E com as pinceladas de manteiga, eles ficam levinhos e meio crocantes, proeza que só a massa folhada consegue realizar.

Um maço grande de aspargos frescos
Azeite de oliva e sal a gosto
12 folhas de massa folhada [phyllo]
4 colheres de sopa de manteiga sem sal, derretida
Alguns raminhos de tomilho
Queijo brie cortado em fatias
1 colher de sopa de sementes de gergelim

Pré-aqueça o forno a 375°F/ 200ºC. Forre duas assadeiras grandes com papel vegetal ou alumínio. Lave e seque os aspargos. Remova a ponta rígida da parte inferior. Coloque em uma tigela e misture com uma colher de sopa de azeite de oliva e tempere com sal.

Arrume a área de trabalho, com espaço para a massa e os ingredientes do recheio separados e prontos. Pegue uma folha de massa folhada e coloque sobre uma tábua [eu coloquei também sobre um pano de prato úmido]. Pincele com manteiga. Cubra com outra folha de massa folhada. Pincele com manteiga. Adicione mais uma folha, pincele com manteiga e corte em quatro [eu usei uma tesoura]. Coloque dois talos de espargos lado a lado na borda externa de cada um dos seus quatro retângulos. Polvilhe com algumas folhas de tomilho e junte uma fatia de brie ao longo dos talos. Enrole a massa com os aspargos e brie dentro, pincele com manteiga e transfira para a assadeira. Quando terminar de fazer todos os rolinhos, pincele um por um com manteiga derretida e polvilhe com as sementes de gergelim.

Asse por 8 a 12 minutos até a massa folhada ficar dourada. Retire do forno, deixe esfriar por cerca de 5 minutos e sirva morno ou temperatura ambiente.

pasta com grão de bico
[e azeite de alecrim]

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E edição de fevereiro da revista Bon Appetit trouxe uma matéria com receitas tão bacanas de pasta, que me fez marcar quase todas. A primeira que escolhi fazer foi essa. Recomendo comer uma pratada dessa pasta fumegante usando uma colher!

1 cebola média picada
1 cenoura média, descascada e cortada em pedaços pequenos
1 talo de aipo cortado em pedaços
4 dentes de alho inteiros
2 dentes de alho picados
1/2 xícara de folhas de salsinha
1/4 colher de chá de pimenta vermelha em flocos
1/2 xícara de azeite
Sal kosher a gosto
2 colheres de sopa de extrato de tomate [*usei uma lata de tomate assado]
2 latas de grão de bico [ou 425 gr de grão de bico cozido]
400 gr de macarrãozinho ditalini
1 colher de sopa de alecrim fresco

No processador de alimentos pulse a cebola, o aipo, a cenoura, os alho inteiros, a salsa e a pimenta até ficar bem picadinho; transfira para uma tigela pequena e reserve.

Aqueça 1/4 da xícara do azeite em uma panela grande em fogo médio, adicionar a mistura de legumes reservado, temperar com sal e cozinhar, mexendo sempre até ficar dourado por uns 8-10 minutos. Numa tigela misture o extrato de tomate com 1 xícara de água [*eu usei apenas uma lata de tomate assado que já contém liquido]. Junte o tomate à mistura de refogado e cozinhe raspando bem os lados com uma espátula. Deixe ferver, reduza o fogo e deixe cozinhar até que o líquido tenha quase evaporado, por uns 5-8 minutos.

Adicione o grão de bico e 2 xícaras de água na panela e cozinhe por 15 minutos para que os sabores penetrem. Transfira 1 xícara de grão de bico da mistura para o processador de alimentos e bata até formar um purê. Misture esse purê de grão de bico de volta ao molho na panela.

Enquanto isso cozinhe o macarrão em uma panela grande de água fervente com bastante sal sal, mexendo ocasionalmente, até ficar al dente. Escorra a massa, reservando um pouco do líquido de cozimento.

Coloque a massa cozida no molho e se precisar acrescente um pouco sa água do cozimento da massa. Aumente o fogo para médio e continue mexendo até que tudo esteja bem encorporado.

Numa panela pequena aqueça a 1/4 de xícara restante de azeite em fogo médio-baixo, adicione o alho picado e o alecrim e deixe cozinhar por cerca de 1 minuto. Para servir, coloque a massa nos pratos e regue com uma colher do azeite de alecrim.

molho putanesca

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Esse molho é um clássico, mas eu não tenho nenhuma lembrança de um dia tê-lo preparado. Super falha minha, porque ele é uma delícia e fica pronto numa piscada. Nesta época do ano os tomates presentes na minha cozinha são somente os enlatados—eu estoco o fire roasted, tomates orgânicos da marca Muir Glen, que é a minha favorita. Adaptei levemente uma receita da revista Food&Wine.

1/4 xícara de azeite de oliva extra-virgem
3 dentes de alho picados
6 filés de aliche/anchova
1/4 colher de chá de pimenta vermelha em flocos
1 colher de sopa de extrato de tomate [orgânico]
1 lata grande de um litro de tomates [fire roasted orgânicos]
1 pitada de açúcar
2 ramos de manjericão [usei salsinha]
1/4 xícara de azeitonas pretas kalamata picadas
1 colher de sopa de alcaparras escorridas
Sal a gosto

Numa panela grande e robusta aqueça o azeite. Adicione o alho, os filés de aliche e a pimenta em flocos e refogue em fogo médio, mexendo de vez em quando, por 5 minutos. Adicione o extrato de tomate e mexa por 1 minuto. Adicione os tomates em lata [tudo junto, os tomates e o suco]. Coloque a pitada de açúcar, as azeitonas picadas, as alcaparras e o manjericão. Adicione sal a gosto e deixe cozinhar em fogo baixo por uns 30 minutos, até que reduza e fique um molho bem grosso. Sirva sobre macarrão cozido al dente em bastante água salgada. Eu usei o talharim. Esse molho pode ser feito com antecedência e guardado na geladeira por até 3 dias.

molho de abóbora & espinafre
[servido com capeleti]

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Desta vez pude falar de boca cheia—Uriel, esta receita foi inventada! Porque foi mesmo e não posso nem me gabar, porque não foi nenhuma idéia brilhante. Apenas substituí o tomate pela abóbora e fiz o molho para temperar uns capeletis recheados com espinafre, que comprei pronto. Usei cubos de abóbora previamente assados. Bata os cubos com caldo de cogumelos [use de legumes ou de frango se quiser] no liquidificador. Numa panela refogue uns dentes de alho no azeite e jogue o molho de abóbora por cima. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora a gosto. Deixe engrossar e no último minuto jogue folhas de espinafre picadas grosseiramente no molho. Despeje sobre os capeletis cozidos al dente em bastante água com sal e sirva, polvilhando queijo parmesão ralado por cima.

panquecas de centeio

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Nós não somos pessoas que comem panquecas no café da manhã. Eu, porque de manhã mal consigo articular palavras coerentes, quanto muito fritar panquecas. E o Uriel, porque ele não é muito versado na cozinha, com panelas e ingredientes. Mas eu tinha uma missão neste final de semana—tentar liquidar com um tanto de buttermilk e usar a farinha de centeio que comprei outro dia para fazer uma receita que levava menos de uma xícara. Panquecas foram a melhor idéia e achei esta receita perfeita, porque usa todos os ingredientes que eu precisava gastar e faz uma quantidade pequena. Pra nós dois foi até um pouco demais e sobrou. Mas não sobrou muito. Comemos panquecas então no café da noite do domingo, acompanhadas por rodelas de banana da terra [plantain] fritas e maple syrup. Para fazer as bananas, apenas coloque as rodelas numa frigideira com manteiga derretida, frite dos dois lados e salpique com uma mistura de açúcar e canela.

Para fazer as panquecas, numa vasilha peneire tudo junto:
1/2 xícara de farinha de centeio
1/4 xícara de farinha de trigo integral
1/2 colher de sopa de fermento em pó
1 pitada de sal

Numa outra vasilha bata bem:
1 ovo
1 xícara de buttermilk
1/2 colher de sopa de manteiga derretida

Coloque a mistura dos ingredientes liquidos sobre a mistura dos ingredientes secos e bata com um batedor de arame. A massa deve ficar mais liquida que grossa. Acrescente mais buttermilk se precisar, na minha precisou. Unte uma frigideira ou chapa com manteiga e coloque colheradas da massa, espalhando rápido para formar um circulo. Deixe cozinhar bem de um lado, vire com uma espátula e cozinhe do outro lado. Remova as panquecas prontas para um prato. Repita a operação até usar toda a massa. Sirva com as bananas fritas e maple syrup. Ou com outra mistura de frutas frescas ou cozidas, geléia ou xarope que tiver disponível.

yorkshire pudding
[e uma história antiga]

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saidos do forno
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no forno
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e o galetinho

Numa das nossas férias voltando a pé das nossas nadações em um dos rios da cidade, meu primo paulistano que passava todas as férias de verão e de inverno com a gente lá no interior viu uns pintinhos ciscando soltos pela beira da estrada. Nunca admitimos o fato de que os pintinhos deveriam ter donos e de que fizemos uma afanação ilegal, mas a verdade é que simplesmente decidimos levar os bichos pra casa. Na minha casa tinha um galinheiro, normalmente vazio, onde ficavam provisóriamente as galinhas compradas vivas para serem abatidas e virarem frango assado no domingo. Os pintinhos ficaram por ali e as férias nem tinham terminado e eles já tinham virado uns franguetes. Num belo domingo ensolarado fomos ao clube e voltamos animados e cheios de fome para um almoço de churrasco que tinha sido anunciado desde o sábado. Para o nosso mais completo horror, o prato principal do churrasco era galeto—feito com os nossos franguinhos. Lembro que as crianças sairam chocadas da mesa e não sei se os outros voltaram e comeram, mas eu não arredei o pé e passei um domingo esfomeada e magoada. Por essa e por outras que nunca tinha ousado comprar o cornish hen—o franguinho jovem. Outro dia fazendo compras no Co-op resolvi levar um, dos caipiras. No minuto em que peguei o bichinho já me deu um certo remorço. O Uriel recomendou que eu devolvesse o frango pra geladeira, mas eu insisti e levei Vá lá, vou tentar. Quando desempacotei o bicho o arrependimento bateu forte, porque ele é uma coisinha e veio com o pescoçinho, bem fininho e comprido. Quase chorei. Pra não estender a minha tortura, decidi fazer o galeto à maneira do Thomas Keller como fiz com o frango grande nesta receita incrível. Desta vez coloquei fatias de pão amanhecido por baixo do franguinho, sequei bem, temperei com sal e pimenta e fiz como da outra vez, só que desta sem fumacê. Na hora de servir deixei descansar, reguei com azeite e salpiquei com folhas frescas de tomilho. Ficou gostoso e serviu bem duas pessoas numa refeição. E agora que já fiz o galeto, sossegarei o facho e não vou precisar fazer novamente por muitos e muitos anos. Para acompanhar o galeto, fiz uma salada de folhas de alface e um purê de batata doce [das cor de laranja]. Cozinhei as rodelas descascadas em água até elas quase desmancharem, amassei com um garfo, adicionei sal, manteiga e um pouco de leite e voalá. E também fiz os yorkshire puddings, que são sempre um ótimo acompanhamento. Escolhi esta receita super fácil e os bolinhos ficaram lindíssimos e super leves. Acrescentei folhinhas de alecrim fresco na massa e adoramos o resultado, que ficou bem aromático.

1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
2 ovos caipiras
3/4 xícara de água
1/2 xícara de leite
Folhinhas de alecrim fresco

Numa vasilha misture todos ingredientes com um batedor de arame até formar uma massa bem lisa, não muito grossa. Se tiver tempo deixe descansar na geladeira por 1 hora, senão prossiga. Unte 12 forminhas de muffins ou de popover [*usei de mini popover] com azeite, coloque 3 colheres de sopa da massa em cada forma e leve ao forno pré-aquecido em 425ºF/ 220ºC por 20 minutos. A massa vai crescer e sair pra fora das formas. Remova do forno e sirva imediatamente.

panquecas indianas
[amazing indian dosas]

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—gostei das panquecas de abóbora.
—não era abóbora, era batata doce.
—mas acho que dá pra fazer com abóbora.
—acho que dá sim!
—ficou muito boa essa sua invenção!
—mas eu não inventei nada, usei uma receita.
—parecia uma comida inventada.
—o que você quer dizer com isso?

A receita saiu na última [outubro] edição da revista do Jamie Oliver e eu realmente me preparei para fazê-la, pois me encantei com todos os ingredientes. A panqueca feita com farinha de grão de bico, o recheio de batata doce e a mistura do gengibre e limão verde com as outras especiarias. Combinou tudo muito bem e as sementes de mostarda dão uma textura gostosa quando se mastiga a massa. Preparei as panquecas para as nossas marmitas de almoço, minha e do Uriel. Como não tinha nenhum tipo de chutney, substituí por geléia de figo feita em casa. Segundo o meu marido, pareceu comida inventada. Se isso é bom ou não, não saberei responder. Mas a versão com abóbora é realmente uma boa idéia!

para a massa:
1 xícara de farinha de grão de bico
1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
2 e 1/2 colheres de chá de sementes de mostarda
500 ml de água
Azeite

para o recheio:
2 batatas comuns
2 batatas doces
1 pimenta vermelha seca cortada em fatias [*usei flocos]
1 pimenta vermelha fresca cortada em fatias
1 cm de gengibre fresco fatiado bem fino
1 e 1/2 colheres de chá de sementes de mostarda
1 colher de chá de cúrcuma [turmeric]
Sal marinho a gosto
Azeite
1 limão verde [lime]
4 ramos de cebolinha picados
Um punhado de coentro fresco picado
Iogurte com hortelã, chutney e fatias de limão verde para servir

Pré-aqueça o forno em 400°F/205ºC. Cutuque as batatas com a ponta de uma faca, embrulhe em papel alumínio e leve ao forno por 40 min/ 1hora até que as batatas fiquem cozidas, bem macias por dentro. Remova do forno, desembrulhe, deixe esfriar um pouco e remova a casca. Coloque as batatas cozidas e descascadas numa vasilha e amasse com um garfo.

Numa panela aqueça um tanto de azeite e coloque as pimentas, o gengibre, as sementes de mostarda, o cúrcuma e uma pitada de sal. Refogue mexendo sempre até as sementes começarem a pipocar e o azeite ficar bem aromático [cuidado para não deixar queimar!]. Coloque esse azeite com os temperos sobre as batatas cozidas e misture bem. Esprema meio limão sobre as batatas temperadas, adicione a cebolinha e o coentro. Reserve.

Para fazer a massa, coloque as duas farinhas, o bicarbonato, as sementes de mostarda e uma pitada de sal numa vasilha e vá adicionando água aos poucos e mexendo com um batedor de arame. A massa deve ficar bem liquida, nada viscosa. Se precisar coloque um pouco mais de água.

Numa frigideira média coloque um pingo de azeite e espalhe com uma folha de papel ou pincel. Coloque uma colherada de massa e vire a frigideira para os lados para a massa escorrer e cobrir toda a superfície. Cozinhe em fogo médio até formar umas pequenas bolhas. Vire a panqueca com uma espátula e cozinhe do outro lado. Repita o mesmo processo até acabar toda a massa. Vá empilhando as panquecas num prato e pingue mais azeite na frigideira quando achar necessário.

Recheie as panquecas com a mistura de batatas e especiarias e sirva com um pouquinho de iogurte batido com folhas de hortelã, chutney e fatias do limão verde.

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empanadas de verdura

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Me meti novamente a fazer empanadas, não porque seja fanzoca desses pastelzinhos, mas porque fiquei encantada com a foto ilustrando a receita na revista Food & Wine e porque achei o recheio o fino da bossa. Nem preciso dizer que as minhas empanadas não ficaram iguais às da foto da revista, né? Mas pra isso eu tenho uma excelente teoria, que é também um dos meus pet peeves. Eu tenho certeza absoluta de que receita de chef não funciona perfeitamente nas nossas cozinhas comuns, porque os bacaninhas não fazem as adaptações necessárias para isso. Neste caso, das empanadas do chef argentino Mauricio Couly, está bem notável que elas foram assadas num forno à lenha. No meu forno elétrico comunzão elas não ficaram tão bonitas e provavelmente não tão saborosas. E a receita não diz honestamente que o chefe assou no forno à lenha mas que poderemos fazer assim assados num forno comum. Isso é um grande gerador de decepções. Mas felizmente, as empanadinhas mesmo pálidas ficaram gostosas. Essa receita tem também a vantagem de se poder fazer a massa e o recheio com antecedência, que foi exatamente o meu procedimento. Preparei tudo numa noite e finalizei as empanadas na noite seguinte. Só omiti as favas/lima beans. A massa é muito boa, bem macia e maleável, não deu nenhum trabalho pra abrir. Esse fato me deixou imensamente feliz. E ainda gastei um maço enorme de komatsuna, uma verdura bem escura que faz parte das novidades da estação na cesta orgânica semanal. Outono, seja bem-vindo, seu lindo!

massa:
1 e 1/2 xícaras de água
1 colher de sopa de sal kosher
3 colheres de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de chá de páprica doce defumada
[sweet smoked paprika -pimentón de la Vera]
3 e 3/4 xícaras de farinha de trigo

recheio:
300gr [1 e 1/4 xícara] de folhas de espinafre [*usei komatsuna]
1/2 xicara de favas ou lima beans descongeladas [*omiti]
150 gr de vagens
1 xícara de ervilhas descongeladas
5 colheres de sopa de azeite
1 cebola média picadinha
2 dentes de alho picados
2 colheres de sopa de folhas frescas de hortelã
1 colher de sopa de folhas de tomilho fresco
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

para fazer a massa: Numa panela pequena coloque a água, o sal, a manteiga e a paprica e leve ao fogo médio. Quando ferver, desligue o fogo e coloque a mistura numa vasilha grande e deixe esfriar completamente até ficar na temperatura ambiente. Então junte a farinha e misture bem para formar a massa. Numa superfície enfarinhada, sove a massa delicadamente até ela ficar bem macia. Embrulhe numa folha de plástico e leve à geladeira por uma hora ou de um dia para o outro.

para fazer o recheio: Numa panela grande coloque bastante água com sal e leve ao fogo Quando ferver jogue as folhas de espinafre [ou outra verdura que for usar] e deixe cozinhar por 1 minuto. Retire tudo com uma escumadeira e reserve. Na mesma água adiciona as vagens e cozinhe por 4 minutos. Retire e reserve. Se for usar as favas ou lima beans, cozinhe elas também na água fervendo por 1 minuto. As favas precisarão ainda ser despeladas.

Esprema bem o espinafre cozido e pique com uma faca. Pique também as vagens. Numa panela coloque o azeite e refogue a cebola até ela ficar macia. Junte o alho e refogue rapidamente. Coloque o espinafre, as vagens, as ervilhas descongeladas e escorridas e as favas ou lima beans [se for usar, eu não usei]. Cozinhe tudo por 2 minutos, tempere com as folhas de hortelã e de tomilho, e com sal e pimenta do reino moída.

Pré-aqueça o forno em 350°F/ 176ºC. Unte com azeite ou forre com papel vegetal duas assadeiras grandes. Numa superfície enfarinhada, abra a massa o mais fino que puder e corte rodelas com um cortador. Molhe as bordas das rodelas de massa com água, coloque 1 colher de sopa do recheio numa metade e feche bem como se fossem pastelzinhos. Coloque as empanadas nas formas untadas ou forradas e leve ao forno por 30 minutos. Remova do forno e sirva as empanadas mornas ou em temperatura ambiente.

couscous israeli com ervilhas

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Tive um dia atribulado, daqueles em que à medida que as noticias vão chegando, você só sente vontade de sentar [ou deitar] e chorar. No meio da manhã bradei bem alto, assustando minhas duas chefes que trabalhavam concentradas—VAMOS TER QUE ASSALTAR UM BANCO! Porque é tanto quiprocó burocrático e gastação ridícula de dinheiro no processo de vender uma casa e comprar outra que nem sei. Gostaria de estar tendo tempo para fazer um diário e registrar todos os passos, todos os afazeres, os corre pra lá e corre pra cá que envolvem uma mudança. Sem falar na montanha russa emocional, que está realmente desgastante. A tristeza de deixar a casa antiga, com a excitação das novidades da casa nova. Tem dias que me pego falando alto e sozinha, no mais completo transe de mulher endoidecida.

Neste dia particular, em que todas as notícias de quanto iríamos gastar nas reformas e consertos foram chegando de solavanco, fui almoçar em casa e [bah] constatei chocada que não tinha absolutamente nada pronto para comer na minha cozinha. Nem mesmo um pão com queijo. Na verdade até tinha pão, mas não tinha queijo. Fiquei uns minutos zanzando pela cozinha, até decidir colocar uma panelinha com água e sal no fogo. Qualquer massa funcionaria bem. E as ervilhas congeladas foram a segunda opção. Decidi pelo couscous israeli que cozinha rápido. Então foi só cozinhar a massinha na água com sal fervendo e no final juntar um tanto de ervilhas congeladas. Escorrer tudo, temperar com sal, pimenta do reino moída e um fio de azeite extra-virgem, misturar e servir bem quente. Deu um almocinho bem reconfortante que me ajudou a enfrentar o resto do dia. Ready for second round!

pasta com aspargos & favas

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Está bem perceptível a minha falta de vontade de ficar na cozinha, porque neste momento preciso mesmo é estar fazendo outras coisas, como empacotar meus 87554 suéters de lã, os 54322 casacos de inverno, minha coleção de copos de martini e de margarita, meus 98875 pratos, pratinhos, pratões, travessas, saladeiras, a extensa coleção de jarras e bules, os zilhões de livros de culinária, eteceterá eteceterá. Já gastei bem uns dez quilometros de plástico bolha na embrulhação. Mas isso não vem ao caso.

Embora eu esteja ocupada e focada em outras atividades, a cesta orgânica continua chegando semanalmente, trazendo os produtos da estação. Aspargos e favas não tem faltado e foi com esses dois ingredientes que resolvi fazer esse macarrão. O mais trabalhoso foi descascar as favas, que precisam sair de dois casulos para serem facilmente saboreadas. Mas esse trabalho vale a pena. Eu acho as favas um dos legumes mais saborosos que existem. E adoro usá-las em diferentes receitas, mesmo sabendo que vou perdeu um tempinho razoável na descascagem.

Para fazer esse macarrão, usei um maço de aspargos cortadinho, um maço de favas que cozinhei rapidamente numa panela com um pouquinho de água. Removi os feijõezinhos das vagens, depois removi a pele de cada um. Usei também um pouquinho de cream cheese temperado com sal, pimenta do reino moída e cibouletes picadinha diluido num pouco de creme de leite. Numa panela refoguei cebolinha picada, adicionei os aspargos, deixei cozinhar, juntei o cream cheese diluido no creme de leite, no final as favas. Depois é só jogar esse molho sobre o macarrão da sua preferência cozido al dente numa panela com bastante água e sal, misturar bem e servir, com queijo parmesão ralado por cima se quiser. Eu quis.

dumplings de camarão
[no caldo de legumes]

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Sempre achei que fazer dumplings dava um trabalhão. Mudei de idéia depois de me aventurar na receita que saiu na revista da Heleninha, a MSL de abril/11. Não tem nada mais simples. E neste caso, com um recheio que eu realmente curti. Ficou muito bom. Tão bom que fiz uma receita extra e congelei. Tenho agora dumplings congelados para apenas jogar num caldo e preparar um ranguinho reconfortante numa piscada. Usei os camarões wild-caught no Canadá, que é recomendado como good alternative pelo Seafood Watch do Aquário de Monterey. Para quem está no Brasil, fique sempre de olho no guia para escolher peixe organizado pela Maria Rê.

120 gr de camarão pequeno [sem casca]
2 colheres de chá de gengibre descascado
2 colheres de chá de cibouletes picadinha
16 massinhas prontas para won-ton
Num mini-processador misture o gengibre e o camarão. Transfira para uma vasilha e acrescente as cibouletes picadas. Eu temperei com um pouquinho de sal e pimenta também. Coloque 1 colher de chá desse recheio no centro de cada passinha de won-ton. Molhe as beiradas da massa com água e feche bem, formando um pastelzinho. Cubra com um papel úmido e leve à geladeira até a hora de usar ou por até 3 horas.

Faça um caldo de legumes ou use um de boa procedência. Eu tenho sempre na minha despensa um orgânico, que tem uma cor e sabor bem fortes. Coloque o caldo numa panela e junte 1 pimenta vermelha seca cortada ao meio e sem as sementes, um anis estrelado. Eu coloquei também cubinhos de cenoura. Deixe ferver. Adicione os dumplings já preparados e cozinhe por uns 5 minutos. Adicione um punhado de cogumelos, um rabanete cortado em fatias finas e um tantinho de ciboulettes picadas ao caldo. Tempere com molho de soja e sirva imediatamente.

pasta com alho & verdura

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Por meses e meses, toda segunda-feira, sem interrupção ou descanso, eu recebo na cesta orgânica: dino kale, red russian kale, green collards, carinata kale, swiss chard, espinafre e alface. Não vou mencionar os repolhões, porque eles não se encaixam cem por cento na categoria das folhas verdes. Mas dá pra ter uma idéia do que eu tenho nas minhas mãos semanalmente. Então chega uma hora em que eu só quero gastar as folhas e refogo um maço no alho e azeite e sirvo os verdes cozidos sobre uma fatia de pão torrado. Ou misturo no macarrão alho e óleo. Essa é uma maneira muito boa de gastar as folhas, porque elas "somem" no meio da massa. Só refogue bastante alho picado num bocado de azeite, junte sal e pimenta do reino moída na hora a gosto, misture as folhas verdes da sua preferência picada ou rasgada [remova o caule] e depois que a verdura murchar junte o macarrão cozido al dente. Eu gosto de usar um macarrão integral pra fazer esse prato, mas nesse dia desencalhei um espaguete feito de milho e ficou bem gostoso. Na hora de servir salpique com queijo parmesão ralado na hora.

pasta com harrissa e verdura

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Mais uma idéia criativa para gastar as diversas folhas verdes que recebo [ininterruptamente] toda semana na cesta orgânica. Determinação é realmente o meu nome do meio e nunca que vou desperdiçar essas preciosidades enfiando tudo num pote de caldo de legumes. Tenho preparado muitas coisas gostosas com essas verduras. Para replicar a receita de harissa spaghettini da Heidi Swanson, usei espaguete integral e as folhas escuríssimas da saborosa dino kale [cavolo nero].

3 dentes de alho
1 pitada de sal
1/4 xícara de azeite de oliva extra-virgem
2 colheres de sopa de pasta de harissa
250 gr de macarrão integral
1 maço de dino kale [cavolo nero]
1/2 xícara de azeitonas pretas secas [*usei a kalamata]
1/2 xícara de pinoles tostados
Casca ralada de 1 limão

Cozinhe o macarrão numa panela funda com bastante água e sal. Enquanto isso, amasse o alho com uma pitada de sal num pilão formando uma pasta. Misture a pasta de alho com a harrisa e o azeite. Quando o macarrão estiver quase cozido [al dente] jogue na água do cozimento as folhas do dino kale rasgadas grosseiramente com as mãos. Conte até seis e remova as folhas. Escorra o macarrão. Reserve.

Na mesma panela onde o macarrão cozinhou, jogue a pasta de alho, azeite e harissa e deixe esquentar. Junte o macarrão cozido, as folhas cozidas de verdura, as azeitonas, os pinoles e as raspas da casca de limão. Misture bem e sirva. Faz de 4 a 6 porções.

farfalle com salmão & limão

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Tivemos um lindo final de semana ensolarado e com temperaturas razoavelmente agradáveis, o que deu um baita ânimo de sair de casa, fazer coisas na rua. Fazia tempo que eu não nadava com o sol brilhando. Infelizmente uma ventania gelada me fez passar um baita frio. Mas o que é um principio de hipotermia quando se está com o espírito feliz e abobalhado, olhando a revoada de pássaros cruzando o lindo céu azul?

Saí até no quintal para avaliar a condição da minha horta, depois de tanta chuva. Também colhi alguns limões, pois a minha árvore está até envergada com o peso de tantos frutos. Fiz tanta coisa pra lá e pra cá, que perdi a inspiração para cozinhar. Quer dizer, não quis pensar em nada que envolvesse mais de dois passos e por isso improvisei um almoço com macarrão. Fiz com salmão defumado, pois era o que eu tinha. Deve funcionar também com o salmão fresco. Mas defumado ou fresco eu uso sempre e apenas o salmão selvagem do Pacífico, que é o recomendado e o sustentável.

Cozinhe o farfalle ou outro tipo de massa da sua preferência, até ficar al dente numa panela com bastante água e sal. Enquanto isso derreta um pouco de manteiga numa outra panela e refogue fatias de cebola. Quando as cebolas estiverem macias, junte salmão defumado cortado em pedacinhos. Tempere com sal e pimenta vermelha em flocos a gosto. Refogue mais um pouco e então coloque as raspas da casca e o suco de um limão. Misture bem, desligue o fogo e regue com um pouquinho de creme de leite fresco—bem pouco, só pra formar um molhinho cremoso. Adicione coentro fresco picado e misture o macarrão cozido e escorrido. Sirva imediatamente.

pasta com molho de cogumelo

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Você se considera um cozinheiro intuitivo? Eu nunca tinha pensado sobre isso, antes de ler o artigo do escritor Daniel Duane publicado na edição de dezembro da revista Food & WineBecome an Intuitive Cook: Thomas Keller's Cooking Lessons. Duane conta como começou suas incursões na cozinha, no principio fortemente amparado pela precisão das receitas escritas, com quantidades exatas, modo de fazer, todos aqueles detalhes tão preciosos para cozinheiros inseguros, como ele [e eu? e você?]. Ele conta como fez, uma por uma, todas 290 as receitas do livro Chez Panisse Vegetables, muito antes daquela moça ter o seu momento *plin* com as receitas da Julia Child. E assim ele foi passando de livro em livro, não coincidentemente todos os do Chez Panisse e ele explica no inicio do texto o por que dessa ligação com a Alice Waters.

Quando Duane ganhou da irmã o livro The French Laundry Cookbook do chefe Thomas Keller, suas experiências na cozinha foram ficando mais e mais sofisticadas. Ele começou destrinchando Bouchon, o livro com receitas clássicas francesas do chefe. E depois foi a vez do Ad Hoc at Home. Todos os livros repletos de dissertações, micro-detalhes e preciosismos. Até que Duane recebeu um telefonema de Keller, que tinha aceitado participar de uma reportagem que ele iria conduzir para uma revista, criando cinco pratos imprescíndiveis e que deveriam ser dominados por qualquer um.

No encontro entre Duane e Keller, o chefe tão detalhista e preciso nos seus livros, deu uma lição de intuitividade ao escritor, mostrando com um exemplo bem bizarro, como um livro antigo e com receitas super vagas pode ajudar um cozinheiro a criar suas próprias receitas.

Quando terminei de ler o artigo, concluí que sou muito mais intuitiva do que imaginava. Um exemplo disso é a minha mania teimosa e ousada de sempre mudar algo na receita ou substituir, rearranjar, encurtar o modo de fazer e todas as decisões precipitadas que nem sempre resultam em sucesso. Mas instintivamente é um treino. Claro que eu odeio pegar uma receita sem quantidades, sem temperatura de forno e tempo de cozimento. Porque considero tudo isso um porto seguro, que me garante uma certa tranquilidade. Mas sair numa aventura também é tentador. E muitas vezes necessário. Nem posso me gabar muito, porque sou a rainha da gororoba e tenho certeza que quando uma receita não fica cem por cento boa, é porque eu mudei alguma coisa. Mas como resistir a esses impulsos?

Pra quem já é naturalmente intuitivo na cozinha, o jeito é se pinchar e aproveitar essa habilidade. E pra quem acha que não é ou que nunca vai conseguir ser, no final do artigo Thomas Keller dá a receita de como se tornar um cozinheiro intuitivo em cinco passos .

Essa receita de molho de cogumelos que eu fiz num meio de semana, quando não existe nenhuma possibilidade física ou mental de abrir livro, seguir receita, e pode ser um exemplo de como podemos ser intuitivos na cozinha, Fiz tudo sem medidas, tudo na base do olhão, mas no final deu tudo certo e ficou uma delícia.

Um monte de cogumelos [*usei chanterelle fresco]
Um pedaço de cebola picadinha
Um naco de manteiga
Um tanto de vinho branco
Um pouco de creme de leite
Um punhado de salsinha fresca
Sal e pimenta do reino moída

Cozinhe o macarrão da sua preferência numa panela com bastante água salgada borbulhante. Enquanto o macarrão cozinha, numa outra panela derreta a manteiga, frite a cebola picadinha nela, quando a cebola estiver bem murcha, junte os cogumelos cortados [não lave, só escove ou passe um paninho!] e refogue por mais uns minutos. Junte um tanto de vinho e deixe cozinhar até secar. Acrescente o creme de leite, deixe cozinhar mais um pouquinho. Desligue o fogo, tempere o molho com sal e pimenta do reino moída na hora e salpique o molho com bastante salsinha picadinha. Coe o macarrão cozido al dente e jogue no molho. Misture e sirva. Se quiser, com parmesão ralado na hora por cima.

pesto de verdura

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Começa o frio e o número de verduras na minha cesta orgânica semanal triplica. Nesta semana contei 7 [SETE] tipos diferentes de folhas verdes. Lord have mercy—não é fácil! Fico o inverno inteiro praguejando e correndo atrás de receitas diferentes e criativas pra usar tanta clorofila. Mas sei que estou errada reclamando, pois essas folhas verdes têm bastante nutrientes para manter o meu corpo saudável nesses meses cinzentos. E é por causa delas que acabo descobrindo receitas maravilhosas como esta da Heidi Swanson. Fiz duas vezes, da primeira vez usando um macarrãozinho tipo parafuso, e depois com este da foto, tipo fita. Das duas vezes não teve sobras.

serve de 4 a 6 porções
4 dentes de alho
4 chalotas pequenas [*usei meia cebola roxa]
1 maço de verdura
[*usei um tipo de couve chamada komatsuna, mas pode usar qualquer tipo de folhas verdes—kale, couve, espinafre, folhas de beterraba, etc]
1/3 xícara / 80 ml de azeite extra virgem
1/3 xícara de queijo de cabra
2 colheres de sopa da água do cozimento do macarrão [*opcional]
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto
Suco de limão [*opcional]
350 g de macarrão seco
Tomilho fresco

Numa panela grande, coloque água e bastante sal e leve ao fogo até ferver. Quando ferver, adicione os dentes de alho e a cebola [ou chalotas] e deixe cozinhar por uns 2-3 minutos. Junte as folhas de verdura e deixe por uns 10 segundos. Remova tudo com uma escumadeira e coloque num processador de alimentos. Na água fervendo na panela, jogue o macarrão da sua preferência e cozinhe até ficar al dente. Enquanto o macarrão cozinha, bata a cebola, alho, verdura, o azeite e o queijo de cabra no processador até formar um creme. Se precisar, junte um pouco da água do cozimento do macarrão. Pra mim não precisou. Tempere com sal e pimenta. Se quiser adicione o suco do limão. Escorra o macarrão e tempere com o pesto. Sirva decorado com folinhas de tomilho fresco e um pouquinho de queijo de cabra esmigalhado com os dedos.

pesto de tomate & amêndoa

pesto-de-tomate_1S.jpgAdoro quando resolvo o que vou fazer para o jantar já no meio da tarde e fico com aquela sensação de certeza e de firmeza de que vou chegar em casa e, pá pum, em menos de meia hora o jantar já vai estar na mesa. Quando isso acontece, quase sempre fruto de um mero acaso, eu ganho o dia. Porque chegar em casa depois de um dia de trabalho e ficar naquele abre e fecha neurótico de porta de geladeira e de despensa, é para abalar até os que têm nervos de aço.

Foi a maior felicidade encontrar essa receita de pesto Trapanese ou pesto de amêndoa e tomate. Eu tinha todos os ingredientes, e todos fresquinhos. Fiz o pesto num minuto. E só mudei um pequeno detalhe—a Deb usa linguine e eu usei espaguete integral.

3/4 xícara de amêndoas em fatias
1 punhadão de folhas de manjericão fresco
1 ou 2 dentes de alho grande
Sal marinho
6 tomates bem maduros [orgânicos] cortados em quatro
1/2 xícara de queijo Pecorino ou Parmesão ralado [*usei Pecorino]
1/3 xícara de azeite
500 gr de linguine [*usei espaguete integral]

Numa frigideira, refogue as amêndoas num pingo de azeite até elas ficarem tostadas. Deixe esfriar. Moa no processador, remova e reserve.

Coloque o manjericão, o alho e o sal [umas pitadas, a gosto] no processador e moa bem. Adicione as amêndoas pré-moídas, adicione os tomates, o queijo ralado e o azeite. Pulse até obter um creme. Tempere com pimenta do reino moída na hora.

[Arrume a mesa]

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Cozinhe o macarrão em bastante água salgada até ficar al dente. Escorra. Misture o macarrão com o molho pesto. Adicione um pouquinho da água do cozimento do macarrão se precisar [*pra mim não precisou]. Sirva morno ou na temperatura ambiente, com mais queijo salpicado por cima, acompanhado de uma taça de vinho branco gelado. Serve 4 pessoas ou 2 com sobras para o dia seguinte.

camarão com manjericão
[e couscous com limão]

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Essa comidinha é muito fácil de fazer e fica pronta num instante. O único porém aqui é o camarão, que eu compro pouquissimo e presto muita atenção na procedência—não consumo o criado em fazenda nem o importado do outro lado do mundo. Desta vez achei no Co-op uma opcão de camarão sustentável e vou dizer que só poderia ser melhor se eu tivesse comprado de um pescador na areia da praia. A receita de chili, lemon, and basil shrimp with israeli couscous eu encontrei num dos mes blogs favoritos, o The Kitchn.

serve 2 porções
para o couscous
1 xícara de Israeli [pearl] couscous
1 limão, suco espremido e casca ralada
1 1/2 de caldo de galinha [*usei água]
Azeite
Sal a gosto
para o camarão
4 dentes de alho picados
1 pitada de pimenta vermelha em flocos
500 gr de camarões limpos
1 xícara de folhas frescas de manjericão
Sal a gosto

Numa panela aqueça um fio de azeite em fogo médio. Adicione o couscous e refogue por 3 minutos, até os grãozinhos ficarem um pouquinho tostados. Adicione o suco do limão e mexa bem até o liquido evaporar. Junte o caldo ou água, sal a gosto, deixe ferver, abaixe o fogo e tampe a panela. Cozinhe por uns 15 minutos ou até todo o liquido evaporar e o couscous ficar cozido. Tire do fogo e reserve até a hora de servir.

Numa frigideira, aqueça outro fio de azeite em fogo médio. Adicione o alho picado e a pimenta vermelha e refogue por 5 minutos, até o alho ficar meio dourado. Seque o camarão com uma toalha de papel e junte ao refogado de alho. Cozinhe rapidamente, só até o camarão ficar rosado—não cozinhe demais! Desligue o fogo e junte as raspas da casca de limão e o as folhas de manjericão. Salgue a gosto.

Sirva o camarão sobre o couscous.

pasta com pesto & abobrinha

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Na cartinha da fazenda orgânica daquela semana veio uma receita de pesto zucchini, que eu li por cima e não entendi bem o que realmente era. Anunciei aos quatro ventos que iria fazer o pesto de abobrinha—já pensaram que bacana, pesto de abobrinha! Mas quando li a receita com atenção, caí na real. Era pesto com abobrinha, não pesto de abobrinha. Tudo bem, fazia mais sentido. A abobrinha não iria segurar o pesto e para adicioná-la teria que remover o manjericão? Não, isso não pode!

Apesar da decepção com a pseudo-novidade, fiquei com a idéia na cabeça. Pesto de abobrinha. Resolvi preparar um pesto, que fiz sem medidas, usando bastante folhas de manjericão fresco, queijo parmesão ralado na hora, um dente de alho, um punhadão de sementes de girassol torradas, um pouquinho de sal e muito azeite.

Cozinhei um macarrão integral al dente em bastante água com sal. Cortei abobrinhas e temperei com sal e azeite e grelhei na churrasqueira—pode fazer no forno ou grelha no fogão.

Temperei o macarrão com o pesto. Use um pouco da água do cozimento para dissolver o pesto, se achar necessário. Misturei as abobrinhas grelhadas e servi com bastante queijo parmesão ralado na hora.

um tipo de pissaladière

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Na última segunda-feira, assustadas e abobalhadas com a quantidade de verduras entuchadas na cesta orgânica, eu e a Marianne tivemos a pachorra de contar: DEZ tipos diferentes de folhas verdes. Dez, mes amis, DEZ. Eu sugeri que ela adquirisse um bom livro de receitas vegetarianas, porque não tem criatividade culinária que se sustente sozinha nesse monocromático panorama.

Persisto nos repetecos das folhinhas picadas e refogadas com alho ou cebola e respingadas com limão, que tanto eu como o Uriel gostamos. Mas com tanta variedade, HAJA verdurinha refogada, hein? A morte pelo tédio certamente e felizmente nunca será uma ameaça concreta se depender da minha capacidade de correr atrás de idéias. Até que tenho feito bastante coisas diferentes com as verduras. Como aquela torta com massa de azeite, que foi um achado. E agora encontrei outra forma de consumir as verduras, de maneira criativa e deliciosa.

Voltei a fazer a massa da pizza de sábado em casa. Eu tenho fases intercaladas de ânimo e preguiça. Ando numa fase animada. Só que a receita perfeita, que uso já faz uns anos, faz duas pizzas grandes com massa bem fininha, o que não é muito prático numa casa com duas pessoas. A solução que eu encontrei foi fazer duas massas, deixar uma guardada na geladeira, já pre-assada, esperando para virar pizza no outro sábado. Mas essa idéia não vingou como eu queria, pois na segunda-feira eu já arrumei outro uso para a segunda massa.

Lembrei da deliciosa pissaladière, uma espécie de pizza provençal feita no sul da França, coberta de cebolas caramelizadas e azeitonas pretas. Imaginei um tipo de pissaladière com ou sem as cebolas, mas com muita verdura e um outro legume ou cogumelos, um queijinho e voilá!

Usei a segunda massa de pizza, que ganhou uma cobertura com folhas e caules de mostarda, fatias de cebola e cogumelos chanterelle refogados no azeite e temperados com sal marinho e pimenta do reino moída, um punhado de azeitonas pretas espalhadas e raspinhas de queijo parmesão por cima. Daí é só terminar de assar no forno em 365ºF/ 185ºC.

Refiz a mesma pissaladière numa outra segunda-feira, usando uma mistura de folhas verdes refogadas no azeite, alcachofras grelhadas e conservadas no azeite que comprei prontas, azeitonas pretas e pedacinhos de queijo de cabra.

Já pensei em mil e uma variações diferentes, sempre usando verduras, até quando essa invasão verde-clorofila durar.

israeli couscous com abóbora e limão em conserva

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Gostei imensamente desta receita executada pelo David Lebovitz. Fiz exatamente e ficou uma delicia. Como ele diz, não dá pra substituir o limão em conserva. Para quem não tem acesso à essa iguaria pronta, tenho aqui uma receita que é muito fácil de fazer. A butternut squash pode ser substituida por outras variedades de abóbora ou por batata doce.

israeli couscous with butternut squash and preserved lemons
serve 8 porções

1.25 quilos de abóbora butternut squash descascada e sem sementes cortada em cubos
3 colheres de sopa de azeite
Sal a gosto
1 cebola picadinha
1 3/4 xícara [280 gr] de israeli couscous ou algum tipo de pasta pepe italiana
1 pau de canela pequeno
1 limão em conserva
1/2 xícara [60 gr] de passas brancas
1/4 xícara [30 gr] de cereja ou cranberry seca [*usei cranberry]
1/4 colher de chá de canela moída
1 xícara [60 gr] de salsinha picada
2/3 xícara de pinoles tostados no forno ou frigideira

Pré-aqueça o forno em 475ºF / 245ºC. Tempere os cubos de abóbora com 1 colher de sopa de azeite e com sal a gosto e espalhe numa forma forrada com papel alumínio. Asse por uns 15 minutos ou até que a abóbora fique bem macia. Cuidado para não deixar assar demais.

Numa panela aqueça as duas colheres restantes de azeite e cozinhe a cebola picada até ela ficar bem macia. Junte a abóbora assada, remova do fogo e reserve.

Cozinhe o couscous israeli numa panela com bastante água fervendo com o pauzinho de canela.

Corte o limão ao meio, remova a polpa e pique a casca em cubinhos. Reserve a polpa. Misture a casca do limão picadinho com a abóbora e usando um coador esprema a polpa do limão na mistura.

Coe o couscous cozido, remova o pau de canela e misture o couscous com a abóbora. Adicione as passas, as cranberries, a canela moída, as folhas de salsinha e os pinoles tostados. Sirva morno ou em temperatura ambiente.

bolo de milho com pesto

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Eu queria fazer uma receita com milho. Procurei pelo ingrediente no How to Cook Everything Vegetarian do Mark Bittman e caí nesta receita de bolo de milho. Esses bolos são super tradicionais, especialmente nas cozinhas do sul dos EUA, e eu adoro. Nem sempre eles incluem milho, mas o ingrediente principal é sempre o cornmeal. Usei algumas dicas do Bittman, como acrescentar grãos de milho crus e também um tantinho de molho pesto na massa. Usei um pesto feito em casa, que eu tinha na geladeira, Ficou bem legal. Esses bolos de milho são geralmente servidos como acompanhamento, mas pra nós ele foi o protagonista num jantar de dia de semana acompanhado por uma salada de legumes.

1 1/4 xícara de buttermilk
2 colheres de sopa de manteiga ou azeite [*usei azeite e menos]
1 1/2 xícara de cornmeal [ele recomenda o de moedura média]
1/2 xícara de farinha de trigo
1 1/2 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar
1 ovo
1 xícara de milho verde
2 colheres de sopa de molho pesto

Pré-aqueça o forno em 375ºF / 190ºC. Coloque a manteiga ou o azeite numa frigideira que possa ir ao forno ou numa formaa quadrada, deixe aquecer e espalhe, untando. *Eu fiz com o azeite, sem aquecer.

Misture os ingredientes secos numa vasilha. Misture o ovo com o buttermilk, adicione o milho e o pesto e jogue essa mistura na de ingredientes secos. Misture levemente e coloque na frigideira ou forma untada. Asse por 30 minutos ou até que o bolo fique levemente dourado. Sirva quente ou morno.

carbonara com abobrinha

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Ovos crus no molho—essa era a razão pela qual eu nunca tinha cogitado preparar um macarrão carbonara. Receitas pipocavam aqui e ali, mas nunca tive vontade de fazer ou provar essa mistura que me provocava mais desconfiança do que apetite. É que tenho algumas divergências com os ovos. Vocês já sabem, não suporto a idéia de misturar ovos com carne, tenho nojo do cheiro e detesto a gema. Basicamente, considero esse ingrediente um tanto repugnante. Mas essa receita, que estava na segunda edição da revista do Jamie Oliver, me interessou muito por causa da adição da abobrinha. E além do mais—concluí—os ovos cozinham rapidamente quando adicionados ao macarrão quente, não é? Então decidi me aventurar. O meu primeiro carbonara ficou bem gostoso. Comemos, mas não adoramos. Achei que fica um prato bem pesado. Agora já testei, okay. E a receita já ficou registrada, okay. Mas não acho que vou refazê-la tão cedo.

Serve duas pessoas
2 ovos grandes
300 ml de creme fraiche [*usei sour cream]
25 gr de queijo parmesão ralado bem fininho
2 colheres de chá de azeite
60 gr de pancetta cortada em cubos [*usei bacon]
1/4 de cebola roxa em fatias
1/2 abobrinha amarela cortada julienne ou ralada
1/2 abobrinha verde cortada julienne ou ralada [*usei só a amarela]
Casquinha ralada de 1 limão
Ervas frescas picadas para servir

Cozinhe o macarrão em bastante água salgada fervendo. Numa vasilha bata os ovos como o creme fraiche [ou sour cream], adicione o parmesão e uma pitada de pimenta do reino moída na hora. Aqueça o azeite numa panela robusta e frite a pancetta [ou bacon] até ficar bem crocante. Adicione as fatias de cebola e frite por mais dois minutos. Adicione as abobrinhas à mistura de pancetta e cebola, frite até murchar. Quando o macarrão estiver cozido al dente, escorra. Junte o macarrão à mistura de abobrinha e desligue o fogo. Junte a mistura de creme fraiche e ovos, misture bem para incorporar. Sirva imediatamente, acompanhado de mais parmesão ralado fininho, as raspinhas de limão e as ervas picadinhas. *Misturei parte das raspas de limão no creme com ovos.

pasta com molho de tomate cru

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No seu livro How to Cook Everything Vegetarian, Mark Bittman diz que infelizmente não consegue se lembrar quem foi o "santo" que o ensinou a fazer esse molho de tomates frescos e crus. Bom, todo verão eu uso meus tomates e manjericão abundantes fazendo um molho bem parecido, que preparo num minuto só cortando os tomates em cubos e jogando por um minuto na panela com azeite, depois misturando o macarrão cozido e as folhas de manjericão. Porque eu cozinho os tomates por um mísero minuto, meu molho não é exatamente de tomate cru. Mas a idéia é quase a mesma.

Para esta versão do Bittman, você vai precisar de ingredientes da melhor qualidade—tomates maduros e orgânicos [faizfavoire], folhas de manjericão, alho, queijo parmesão e azeite do melhor que você tiver na sua cozinha. Coloque um panelão com água e sal para ferver e cozinhe o macarrão da sua preferência. O Bittman sugere o linguine. Enquando isso coloque os tomates, sem sementes e picados em cubos, numa vasilha. Junte 2 dentes de alho levemente amassados com a lâmina da faca. Junte folhas de manjericão, sal e pimenta do reino moída a gosto e amasse com um garfo ou amassador de batatas. Mas não deixe virar um purê. Adicione azeite a gosto. Você pode fazer esse molho uma ou duas horas antes e deixar descansando fora da geladeira. Quando o macarrão estiver cozido "al dente", coe e junte um pouquinho da água do cozimento ao molho se quiser e remova os dentes de alho. Junte o macarrão ao molho, misture bem e sirva com bastante queijo parmesão ralado na hora. Na minha opinião achei desnecessário juntar a água do cozimento do macarrão no molho. Apesar do alho não ser picado, nem ser servido com o macarrão, o tempo que ele passa marinado com os tomates é suficiente para dar um sabor bem picante ao molho. Um pouco mais do que eu gostaria, mas sem reclamações.

molho de pimentão [da Maria]

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Atéquenfim os pimentões locais chegaram e assim eu pude colocar em prática o molho que a Maria serviu no jantar que ela nos ofereceu lá em Milão. É absurdamente fácil de fazer e fica muito saboroso. A Maria me passou a receita sem medidas super exatas, pois ela faz esse molho sempre. Eu servi com raviolis recheados com alcachofras assadas e queijo. Aqui está a receita, a moda da Maria:

Para 2 pessoas:
2 pimentões vermelhos
1 latinha de tomate pelado
Alho
Azeite de oliva extra virgem
Sal
Aceto balsâmico

Remova a pele do pimentão com o descascador de batatas e corte em tirinhas finas. Em uma panela coloque o azeite de oliva, o alho e deixe refogar, mas cuidado para não queimar o alho. Depois acrescente o pimentão, sal e deixe refogar até praticamente desmanchar. Nesse ponto acrescente o aceto balsâmico [não coloque muito e não precisa ser aquele super caro]. Quando evaporar o aceto, coloque o tomate e deixe cozinhando até notar que toda a água do molho evaporou. Corrija o sal, se quiser pode colocar pimenta também, vai do gosto pessoal [*eu não coloquei]. Pode usar esse molho para temperar praticamente todo tipo de pasta.

spätzle
[de abóbora com gorgonzola]

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Inspirada e animada pelas sempre bacanérrimas idéias da Neide, elegi a receita que ela publicou do spätzle de abóbora com gorgonzola para tentar replicar na minha cozinha. Eu não tinha a escuteda correta para fazer os spätzles, nem tive tempo de pedir pro meu marido improvisar uma. Mas lembrei [plin!] que tenho o food mill—o passador de legumes, que eu uso para fazer molhos e purês—e que poderia muito bem servir para fazer o spätzle, se eu usasse a base de furos mais largos. Já tinha a abóbora assada, um pedaço modesto de queijo blue Stilton e um macinho de manjerona fresca. Pelas fotos da massa para o spätzle que a Neide mostrou, me pareceu que ela fica bem cremosa e a minha ficou mais compacta, por isso tive um pouco de dificuldade para fazê-la passar pelo food mill. Ela grudou um pouco. Sem falar que quando tenho que fazer algo na cozinha que exija destreza, precisão e rapidez, a pomba gira do desastre encarna, me deixando totalmente atrapalhada e propensa a fazer porcariada. Mas consegui fazer o spätzle, que ficou bem gostoso, temperado com o stilton, a manteiga e folhas de manjerona.

A receita, como está lá no Come-se:

spätzle de abóbora com gorgonzola

1/2 xícara de abóbora madura cozida e amassada
1 ovo
Água
1/2 colher (chá) de sal
1/2 colher (chá) de pimenta-do-reino triturada bem grosso
160 g de farinha de trigo (cerca de 1 e 1/4 de xícara + 1 colher (sopa))
1 pedaço de gorgonzola (só tinha 50 g)
2 colheres (sopa) de folhinhas de manjerona
1 colher (sopa) de manteiga
Numa xícara com 240 ml coloque a abóbora bem amassada, já fria. Coloque por cima o ovo e complete o volume com água. Bata no liquidificador até a mistura ficar cremosa. Passe para uma tigela, misture o sal e a pimenta-do-reino e mexa bem. Acrescente a farinha e bata bem até resultar numa massa firme e elástica. Passe pelo instrumento de fazer spätzle. Ou apoie uma tábua com a massa na borda da panela e vá cortando tirinhas com uma faca ou espátula, deixando cair direto sobre a água. Quando as cobrinhas boiarem como nhoque, tire com uma escumadeira e vá ajeitando numa travessa que deve ser mantida aquecida. Junte um pouco de azeite ou manteiga para que as massinhas não grudem. Numa frigideira, aqueça a manteiga e deixe começar a dourar. Desligue o fogo, junte as folhinhas de manjerona, a massa e o gorgonzola ralado. Chacoalhe a frigideira para incorporar os sabores e nhac.

cornmeal crunch

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Esta receita super natural de cornmeal com cebola caramelizada da Heidi Swanson é sem dúvida alguma o fino da bossa. Recomendo que se use o mesmo tipo de cornmeal que ela recomenda. A textura final desse prato é algo sensacional. O passo mais demorado é o da caramelização da cebola, mas use o tempo gasto na frente do fogão, mexendo a cebola com uma colher de pau, para meditar. Não tem nada melhor que meditar em ação, preparando um rango bom e forte como esse.

1 1/2 xícara de cornmeal integral [medium grind]
Sal marinho
4 xícaras de cebola picada - mais ou menos 3 cebolas médias
1/4 xícara de azeite
1/2 xícara de queijo parmesão ralado na hora
3 xícaras de água ou caldo de legumes * usei água

Primeiro caramelize a cebola. A Heidi cortou a dela em micro pedacinhos, mas eu [cujo nome do meio é preguiça] resolvi cortar em fatias no mandoline e deu certo. Numa panelona de fundo grosso refogue a cebola em azeite até ela caramelizar. Demora um pouco e tem que ficar mexendo, pra cebola não queimar ou grudar na panela. Mas o esforço e o tempo gasto valem a pena. Vai mexendo até a cebola ficar amarronzada, com aparência de caramelizada. Não esqueça de acrescentar um pouco de sal marinho.

Enquanto a cebola carameliza, coloque o cornmeal numa vasilha e misture com 1 1/2 xícara de água [ou caldo de legumes, se for usar] e uma pitada de sal. Reserve. O cormeal que a Heidi usou é o integral medium grind, que tem uma aparência bem rústica e faz toda a diferença no resultado da receita. O substituto desse cornmeal seria um preparado bem grosso para polenta.

Quando a cebola estiver quase pronta, ligue o forno e pré-aqueça em 400ºF/ 205ºC. Unte uma forma retangular de 22 por 30 cm com manteiga e depois polvilhe com farinha, ou forre o fundo com papel vegetal, que foi o que eu fiz [porque meu nome do meio é mesmo preguiça]. Também mudei a forma, usei uma redonda e funda.

Se a cebola já estiver caramelizada, desligue o fogo e reserve. Numa outra panela coloque a outra parte da agua ou caldo de legumes—1 1/2 xícara. Deixe a água levantar fervura e então adicione a mistura de cornmeal que estava de molho. Misture bem com uma espatula e mexa no fogo médio até a mistura ficar bem grossa, mais u menos uns 5 minutos. Remova do fogo e junte 2/3 da cebola caramelizada e o queijo ralado. Misture bem e coloque na forma previamente untada ou forrada. Regue com azeite e leve ao forno por 45 minutos. Antes de servir decore com o restante da cebola caramelizada e se quiser, mais queijo ralado.

pasta com erva-doce & aliche

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Durante a semana simplesmente não dá pra fazer nenhuma receita com mais de dois passos e com muitos ingredientes. Sinceramente nem sei como consigo cozinhar toda noite e ainda produzir fotos e posts desses meus jantarzinhos simples e brejeiros. Noites cansadas são a minha realidade. Por isso estou sempre na procura de receitas únicas, que dêm cabo dos meus legumes e verduras sazonais, que sejam diferentes e criativas, mas que tenham como caracteristica principal a simplicidade e a facilidade. Estou usando muito o livro Chez Panisse Vegetables da Alice Waters, pois além de lindo, tem idéias perfeitas para meus jantares super apressados de dias de semana.

Esse macarrãozinho ficou incrivelmente bom, tanto que não sobrou um fio, mas ficou pronto em menos de trinta minutos. O processo mais demorado foi o da fervura da água.

Coloque bastante água com sal numa panela e quando ferver cozinhe um punhado de linguine ou fidelini até ficar al dente. Enquanto o macarrão cozinha, coloque dois dentes de alho e uns seis filés de aliche / anchovas num pilão e moa bem até formar uma pasta. Junte bastante azeite e reserve. Rale um bulbo de erva-doce no mandoline. A receita pede uma fervida no bulbo antes de cortar, mas eu não fiz. A receita também não pede que se coloque os raminhos da erva-doce, mas eu coloquei, picadinho. Quando o macarrão estiver pronto, escorra e reserve. Usando a mesma panela que cozinhou o macarrão, coloque a mistura de alho, aliche e azeite. Refogue por um minutinho e jogue as fatias de erva-doce. Refogue por mais uns minutinhos, mexendo bem com uma colher de pau e junte o macarrão cozido. Desligue o fogo. Esprema suco de limão sobre o macarrão imediatamente antes de servir ou diretamente no prato.

ricotta orzo

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Essa receita estava na edição de junho de 2008 da revista Country Living e me fiscou pela foto. Na verdade, a primeira vista eu pensei que fosse uma salada. As saladas me atraem como imã! Mas era um prato quente, feito com ricota e orzo. Ficou bem interessante.

200gr de orzo pasta
1 colher de chá de azeite
1 1/4 de xícara de alho-poró picado *usei salsão
1/2 xícara de ervilhas congeladas
1/2 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de pimenta do reino moída
1 xícara de ricota fresca
4 tiras de bacon, fritas e esmigalhadas
1/2 xícara de queijo parmesão ralado
1 colher de sopa de dill/ endro

Numa panela com bastante água e sal cozinhe o orzo até ficar al dente. Coe e reserve. Numa outra panela refogue o alho-poró no azeite. Eu usei o salsão, mas admito que com alho-poró teria ficado muito melhor. Quando o alho-poró estiver macio, acrescente as ervilhas, o sal e a pimenta e cozinhe por mais um minuto. Adicione o orzo cozido, a ricota e o bacon e misture bem. Adicione o parmesão e o dill, misture bem, desligue o fogo e sirva bem quente.

pasta com limão & pistacho

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A minha tarde foi completamente desgostosa, fazendo coisas desgostosas. Quando cheguei em casa, ainda amarfanhada, atordoada, com vontade de subir correndo, direto pro chuveiro e depois pra cama, decretei—hoje não haverá jantar!

Mas os gatos me fizeram rir com suas poses pidonchas e logo vi que tinha um monte de roupa suja que precisava ir para a máquina, aproveitei e guardei a louça limpa e e já coloquei outras sujas no lugar, enquanto pensava—não vai ter jantar? mas como?

Dali foi uma olhada na geladeira, outra na despensa e quando vi já estava enchendo o panelão de água e separando os ingredientes necessários, me animando com a possibilidade de um pratão de macarrão quentinho e saboroso.

Fiz uma versão simplificada dessa receita antigona, que preparei usando aquele espaguete feito com farinha de jerusalem artichoke*.

Foi só cozinhar o macarrão al dente, escorrer rapidamente e juntar um punhado de rúcula picadinha, casca e suco de um limão, outro punhado de pistacho picado, flor de sal e bastante azeite. Usei o azeite prensado com limão, que dá um toque extra-super especial. Misturar bem e servir com queijo ralado na hora. Comi, comi, comi e me senti muito melhor, esqueci as desgosturas, que foram substituídas pelo gostinho citrico de limão, a ardidura simpática da rúcula e pela crocância adocicada do pistacho.

*para quem não sabe o que são as jerusalem artichokes, tem uma foto delas AQUI.

bolinho de macarrão

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Pois então... cozinhei o macarrão feito de arroz, quinoa e amaranth. O resultado foi uma massaroca meio grudenta, os fios se quebraram em mil pedacinhos. Fiquei um bocado irritada, pois na primeira olhada aquilo só dava mesmo pra ser usado em sopa. Mas na segunda olhada, prestando atenção na textura da gororoba, aquilo me pareceu uma bela massa. Tive então a idéia de usá-la como base para fazer bolinhos.

Usei mais ou menos 2 xícaras da massa cozida, juntei dois ovos, 1 xícara de queijo de cabra, 1/2 xícara de queijo parmesão ralado e um punhadão de salsinha picadinha. Misturei bem com as mãos. A textura daria pra modelar os bolinhos, mas eu já estava pelas tampas, então soquei porções dela numa forma de mini-muffins untada levemente com azeite. Forno em 400ºF/ 205ºC por uns 15 minutos e voilá—realizou-se um milagre.

*o meu veredito sobre essa pasta multi-grãos bate mais ou menos com o que a Ana escreveu nos comentários do post da pasta. Realmente, não é nem de longe o fino da bossa. Mas os bolinhos feitos com ela ficaram muito bons!

pasta with greens & feta cheese

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A receita veio na cartinha que acompanha a cesta orgânica semanalmente. Simplesmente gostei da idéia, também porque creiam-me, continuamos recebendo pelo menos cinco tipos de folhas verdes por semana. Para fazer essa singela pasta, gastei TRÊS maços de red Russian kale, uma verdura um tanto áspera, que não figura entre as minhas favoritas. Mas no contexto ela ficou ótima. Pode usar qualquer outra verdura, até espinafre ou mesmo rúcula. A receita pedia o penne, mas eu fiz com esse macarrãozinho de milho, que acho uma delícia.

Numa panela robusta aqueça 4 colheres de sopa de azeite. Adicione a verdura cortada fininho [a minha fica cortada meio grosseiro, mas tá valendo] e refogue bem, mexendo de vez em quando. Enquanto isso cozinhe macarrão suficiente num panelão com bastante água e sal. Quando a verdura estiver bem murcha, tempere com sal e pimenta a gosto. Torre um punhado de pinoles no forno ou na frigideira. Jogue pedaços de queijo feta na verdura cozida, depois as pinoles torradas. Escorra o macarrão e misture com a verdura. Sirva imediatamente.

macarronada

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Meu irmão Carlos Augusto é o atual fazedor de macarrão da nossa família. Posso afirmar, com os meus mais de quarenta anos de prática como comedora de macarronadas, que ele faz o melhor macarrão que já comi na vida!

capeleti no caldo

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Minha cunhada Patricia fez o capeleti no caldo [cappelletti in brodo] no mesmo jantar em que meu irmão fez o seu famoso macarrão. O capeleti no caldo foi servido como entrada. Esse prato precisa de um pouquinho mais de tempo e paciência—mais ou menos uma hora e meia para fazer capeletis suficientes para alimentar cinco pessoas. A massa foi a mesma do macarrão, só que deixada mais grossa. Usamos caldo de legumes orgânico. Ficou incrivelmente bom.

200gr de carne moída
1/4 de cebola
Um dente de alho
Dois ramos de salsa e dois de cebolinha
Sal, pimenta e noz moscada moída a gosto
2 colheres de sopa de azeite
Queijo grana padano ralado
Farinha de pão o quanto baste
1 ovo
2 litros de caldo de legumes ou frango

Refogar alho e cebola picadinho no azeite, juntar a carne moída, depois salsinha e cebolinha picadinhas, temperar com sal, pimenta e noz moscada moída. Colocar esse refogadinho no processador e bater bem com um ovo, queijo ralado e farinha de pão, até formar uma pasta. Rende bastante.

Para a massa do capeleti, meu irmão usou uma xícara pequena de farinha de trigo para cada ovo grande. Trabalhar a massa com as mãos e passar no rolo da máquina de macarrão até o número dois apenas. Deixando a massa mais grossa, o capeleti nao fura quando estiver sendo cozido.

Para fazer os capeletis, corte pequenos quadradinhos de 3 X 3 cm e coloque no meio o recheio—apenas uma bolinha do tamanho de uma ervilha. Dobre o quadradinho num triangulo, junte as duas pontas e se quiser dê uma viradinha, pra formar o "chapéuzinho" do capeleti.

Cozinhar por uns 6 minutos no caldo de legumes [ou de frango*] e servir com queijo ralado fresco. Usei o Grana Padano.

*A Patricia faz o capeleti no caldo de frango, que ela faz em casa com a carcaça que sobra do frango assado.

quiche de salmão - take II

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Essa receita de quiche de salmão precisava ser repetida e fotografada, pois foi um dos maiores sucessos de público e crítica da minha cozinha. Eu fiz pela primeira vez há tantos anos que não me lembro de onde peguei a receita. Já reusei a massa para fazer uma torta de tomate. E desta vez não foi diferente da primeira—todo mundo adorou! Da primeira vez eu usei sobras de churrasco de salmão e desta vez usei um salmão defumado. O salmão pra mim é sempre o selvagem. Nessa versão eu não tinha sour cream, então usei iogurte grego e coloquei por acidente apenas dois ovos ao invés dos três que a receita pede e não houve problema. Esse é um quiche prático, pois é para se comer frio e então dá pra fazer com antecedência.

pasta integral com brócolis e grão de bico

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O booklet Everyday Meals da revista Gourmet descreve o resultado da mistura de ingredientes desse prato como absolutamente espetacular. Eu não sei se teria a inventividade de colocar na mesma panela grão-de-bico e macarrão, mas a revista Gourmet afirmou que era fantástico, então resolvi tentar. A receita pede brócolis congelado, que quando cozinha se despedaça. Eu usei brócolis fresco e os floretes ficaram inteiros. Talvez tenha sido isso o único porém do meu resultado, mas não comprometeu o veredito da revista.

6 dentes de allho picados
1/2 colher de chá de pimenta vermelha em flocos
1/4 xícara de azeite
2 pacotes de 300 gr de brócolis congelado [não descongele]
*eu usei um maço de brócolis fresco e cru
3/4 de colher de chá de sal
1 lata / 450gr de grão de bico cozido e escorrido
250 gr de espaguete integral
Parmesão ralado para servir

Refogie o alho picado e a pimenta em flocos no azeite por uns minutos. Adicione o brócolis ainda congelado e vá refogando até ele descongelar e ficar macio, em torno de 5 minutos. Adicione sal a gosto.Junte o grão-de-bico e refogue mais uns minutos. Desligue o fogo. Cozinhe o espaguete integral ao dente em bastante água com sal. Reserve 1/2 xícara da água do cozimento e escorra. Junte a água e o macarrão ao cozido de brócolis. Sirva com bastante queijo parmesão ralado por cima. Pode também regar o macarrão com um fio extra de azeite se quiser.

tagliatelle com limão [cravo]

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Navegando pelo novo caderno Paladar online, achei essa receita de tagliatelle com limão e resolvi fazer usando o limão cravo, abundante por aqui. Não gostei muito do jeito que eles publicaram a receita lá, precisando clicar nas fotos para ler o modo de fazer. É modernê, mas não é muito prático. O tagliatelle porém ficou delicioso, bem cítrico. Usei uma massa levíssima da marca Spinosi, que também contribuiu para o sucesso do prato.

350 g de tagliatelle
4 limões
1 colher (sopa) de azeite de oliva
150 g de creme de leite fresco
150 g de queijo parmesão
sal a gosto
pimenta branca moída na hora

Rale a casca dos limões e esprema o suco. Eu usei apenas 3 limões e achei que foi o suficiente. Use as raspas do quarto limão para decorar o prato. Numa panela refogue as raspinhas do limão no azeite por dois minutos em fogo baixo. Adicione o creme de leite e deixe ferver. Acrescente o suco de limão e deixe ferver novamente. Junte o queijo parmesão e salgue a gosto. Misture esse molho no tagliatelli cozido e tempere com a pimenta branca moída e raspinhas de limão.

butternut squash gnocchi

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Na cartinha do final do verão já fomos avisados que por uma eventualidade agrícola estaríamos lidando com uma avalanche de abóboras neste outono. O pessoal da fazenda aconselhou que nos preparássemos bem para enfrentar essa súbita invasão cor de laranja, com muitas receitas criativas porque abóboras abundariam dali pra frente. Dito e feito. Já tenho uma coleção de variedades de abóboras na minha cozinha, com diferentes cores, formatos e sabores. E agora? Perguntam vocês. Já estou me virando. Respondo eu.

A revista SUNSET trouxe, na edição de outubro, uma seção de receitas com abóbora. Acho que vou testar algumas delas. A primeira foi essa, de gnocchi servido com manteiga e queijo. Ficou bem interessante. As sobras eu servi no dia seguinte com um molho simples de tomate caseiro. Também ficou muito bom.

2 xícaras de abóbora cozida, sem casca e sem sementes
3 a 3 1/2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
1/4 colher chá de noz moscada ralada na hora
1/4 colher chá de pimenta do reino branca moída na hora

3 colheres de sopa de manteiga derretida
1/2 xícara de queijo parmesão ralado—ou pecorino ou asiago
Pimenta moída a gosto

Misture a abóbora com sal, noz moscada e pimenta. Vá acrescentando a farinha até dar o ponto. Enfarinhe bem uma superfície plana e sove a massa umas dez ou doze vezes. Faça rolinhos compridos e corte em pedacinhos com uma faca. Mantenha enfarinhados.

Numa panela com bastante água salgada fervendo, cozinhe os gnocchis por 3 minutos ou até eles subirem à superfície. Remova com uma escumadeira e reserve. Tempere os gnocchis com a manteiga derretida, o queijo ralado e com mais pimenta moída a gosto. Sirva imediatamente.

creme de milho com orzo

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Fiz uma simplificação da receita que vi na revista Bon Appétit e que tinha muitos passos. Pra mim, se uma receita tiver três etapas e usar mais que duas panelas, eu já desanimo. Essa valia a tentativa, mas eu decidi inverter a sequência e enxugar os detalhes.

Numa panela refogue no azeite um talo de alho-poró picadinho até ficar macio. Acrescente os grãos raspados de 2 milhos verdes [ou o equivalente a uma lata]. Continue refogando, acrescente sal a gosto e pimenta do reino. Junte 1/4 xícara de vinho branco seco. Regogue mais um pouco, até o milho ficar cozido. Junte 1 xícara de creme de leite fresco, mexa bem e deixe borbulhar. Desligue o fogo. Numa outra panela com bastante água e sal cozinhe 1/2 xícara de orzo. Deixe ficar um pouquinho durinho. Coe o orzo e junte ao creme de milho. Acrescente ciboulettes picadas—eu esqueci de colocar, mas não comprometeu em nada. Sirva quente ou frio, como acompanhamento ou prato principal.

torta de tomate e ricota

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Essa é a época do ano em que eu fico completamente frenética tentando usar todos os tomates que chegam via cesta orgânica, pela horta ou nas minhas compras impulsivas no Farmers Market ou no Co-op. Então temos um ítem com tomate em todas as refeições, seja salada, prato quente ou frio. A razão pra tanta pressa é que os tomates estragam rápido, pois eles ficam na bancada da cozinha, nunca na geladeira. Tomate guardado na geladeira perde definitivamente todo o seu sabor e textura original. Portanto, se você costuma guardar seus tomates na geladeira, nunca realmente provou o verdadeiro sabor adocicado e delicado desse fruto.

Outro dia usei vários dos tomates grandes super maduros numa receita bem simples e que ficou bem legal. Cortei uma tampa e despolpei os tomates—com a polpa e as tampas fiz molho. Recheei os tomates com uma mistura feita com restos de arroz basmati misturados com bastante salsinha picada e um tanto de azeitonas pretas. Antes de rechear os tomates, pinguei no fundo azeite e salpiquei com sal, coloquei o recheio, decorei com uma bolota de cream cheese e levei ai forno até eles ficarem cozidos e gratinados. Ficou muito bom.

E desta vez matei os tomatinhos pequenos, amarelos e vermelhos, numa torta que revelou-se no mínimo o máximo. A receita saiu da supimpa Everyday Food.

torta de tomate e ricota
Serve 4 pessoas

2 xícaras de farinha de pão fresca
1/4 xícara de azeite de oliva
1 xícara de ricota de leite integral
1/2 xícara de queijo parmesão ralado
2 ovos grandes
2 colheres de sopa de manjericão fresco picadinho
Sal e pimenta do reino moída a gosto
Tomates cortados em fatias ou tomatinhos cortados ao meio

Pré-aqueça o forno em 450ºF/ 230ºC. Misture a farinha de pão com o azeite até formar uma farofa. Eu faço minha farinha na hora, com pão torrado ou bolachas integrais. Pressione essa farofa no fundo de uma forma de aro removível [daquelas de fazer cheese cake]. Numa vasilha misture bem a ricota, o queijo parmesão, os ovos, o sal e a pimenta e o manjericão picadinho. Espalhe esse creme sobre a massa de farinha de pão e azeite. Cubra tudo com os tomates e regue com um fio de azeite. Leve ao forno e asse por 35 a 45 minutos. Deixe esfriar, desenforme. Sirva morna ou na temperatura ambiente.

making ravioli

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ravioli

É praticamente uma vergonha que eu, neta de italianos, passei minha vida inteira vendo minha mãe fazer todo tipo de pasta em casa e nunca tenha feito raviolis. Mas minha amiga Alison mudou o destino da minha história, iluminando o meu caminho com um convite para fazermos raviolis juntas. Foi uma experiência enriquecedora, que eu quero com certeza repetir em casa. Fizemos um ajuntamento de idéias, ingredientes e habilidades. Eu fiz um recheio de nozes e ricota, a Alison fez outro recheio de abóbora assada e também fez a massa, com ovos das galinhas da Mary, a vizinha que também participou do evento. Os ovos fizeram toda a diferença. Nós passamos a massa na máquina numa ação conjunta, se revezando na manivela. A Alison colocou o recheio caprichadamente sobre as tiras de massa e nós nos revezamos mais uma vez no corte dos raviolis. A Mary produziu os quadradinhos mais perfeitos. Fizemos primeiro o com recheio de nozes e ricota, que foi o nosso jantar. A Alison preparou um molho rápido com azeite, alho e manjericão colhido na hora na imensa horta que ela mantém. Quando sentamos para comer, acompanhadas também da Theresa e do Allan, só ouviam-se os murmuros—hmmhmmm!

Eu levei um melão e a Mary levou blueberries e uma melancia. Ela pegou umas nectarinas na árvore carregada de frutos em frente da casa e fez, vapt-vupt, uma salada de frutas perfeita. O melão se sobressaiu, pois tive a sorte de receber um verdadeiro pingo de mel nesta semana na cesta orgânica.

Eu fui embora, já atacada pela exaustão, antes da finalização dos raviolis recheados com a abóbora assada. A Alison usou uma butternut squash da horta dela, que ela assou no forno solar. O aroma dessa abóbora assada estava impressionante. Fiquei triste de ter perdido a segunda rodada.

Meu recheio de nozes com ricota foi simplérrimo de fazer. Preparei na noite anterior, colocando no processador:

1 1/2 xícara de nozes tostadas na frigideira
1 xícara de ricota
Um punhado de salsinha
Sal marinho a gosto

Bater tudo e guardar na geladeira. Fica um recheio bem pedaçudo, com o sabor dominante e extraordinário das nozes.

Israeli couscous com tomate

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O Israeli couscous, também conhecido por maftoul ou pearl couscous, é bem diferente do couscous marroquino. O Israeli é feito de bolotas largas e precisa ser cozido, não apenas reidratado como o marroquino. Ele fica ótimo em saladas, como esta com lentilha e hortelã que eu fiz um tempo atrás. Desta vez me baseei numa receita da revista Martha Stewart Living.

Toste 1 xícara de Israeli couscous numa panela até os grãozinhos ficarem dourados. Enquanto isso tenha uma chaleira preparada com água fervendo. Quando o cuscous estiver douradinho despeje bastante água fervendo até cobrir todo os grãos, acrescente sal a gosto e deixe cozinhar até os grãos ficarem bem macios. Escorra bem e reserve. Você pode fazer com tomates crus, como a MS ensina, mas eu estava usando a churrasqueira pra fazer outras coisas e resolvi aproveitar o calor e assei os tomates pequenos cortados ao meio e embrulhados numa folha de papel alumínio. Você pode também fazer no forno. Quando eles estiverem cozidos, remova da churrasqueira, abra o pacote e deixe esfriar um pouco. Misture os tomates assados—com o caldinho que soltou e tudo, no couscous cozido. Tempere com molhinho feito com vinagre balsâmico, suco de limão, azeite, óleo de nozes e flor de sal. Misture bem, jogue bastante folhinhas de manjericão frescas rasgadas com as mãos, e então sirva.

couscous com espinafre

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O esquema do jantar estava atrasado e alguém encostado na bancada me olhava com cara de quem estava com pressa de comer e voltar logo para suas papeladas. Eu só queria pôr um fim nas atividades do dia na cozinha e o único pensamento que me vinha era o de um couscous. Um treco fácil e rápido, ferve um caldo, joga lá, tampa, mexe, pronto, serve! Juntou-se a isso o drama de ter três maços de espinafre aboletados na gaveta da geladeira por ordem de chegada, ou melhor, de seniority. Nem acreditei quando no final de alguns minutos eu tinha um prato completo sendo servido para o jantar.

Numa panela pequena, coloque 2 xícaras de caldo de legumes para ferver. Noutra panela larga e rasa refogue cebola ou cebolinha picadinha no azeite. Eu usei três ramos de alho verde. Junte ali as folhas de espinafre lavadas, bem escorridas e picadas grosseiramente. Deixe murchar bem. Tempere com sal. Junte 1 xícara de couscous. Desligue o fogo. Mexa bem o couscous e o espinafre, então junte o caldo de legumes. Mexa rapidamente, tampe a panela e deixe descansar por uns minutos, até o couscous absorver todo o caldo e ficar macio. Mexa bem com um garfo. Salpique lascas de amêndoas torradas no forno ou numa frigideira no fogo. Sirva quente, morno ou frio.

pasta trofie com alho verde

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Estamos na temporada do alho verde ou alho de primavera. Já estou com uma quantidade razoável deles na geladeira e quis fazer uma receita bacana. Primeiro preciso descrever o alho verde, que é o alho num estágio médio de maturidade. O alho verde ainda não tem os dentes, é apenas um bulbo e lembra muito visualmente uma cebolinha. Mas de cebolinha ele não tem nada. O alho verde é poderoso. Ele não tem o mesmo cheiro do alho comum, que apesar de forte ainda é suave perto da sua versão verdolenta. Pode ser que seja apenas o meu nariz ultra-super sensível, mas o cheiro do alho verde arde e domina. Trazendo a cesta no porta-malas, o carro ficou todo empestiado. Acomodados em sacos plásticos, o odor tomou conta da geladeira. Piquei em rodelinhas e enquanto esperava para fazer a receita, a cozinha ficou inteiramente dominada pelo cheiro fortíssimo do alho verde. Ele não é de brincadeira. Mas cozido, ele se transforma e completamente domado pelo calor mostra toda a sua docura.

Fiz uma pasta bem simples. Usei a genovesa trofie, que são parafusinhos enrolados a mão, bem pequenos. Cozinhei em bastante água e sal e uma folha de louro. Piiquei o alho verde e um punhado de cogumelos comuns. Quando a pasta estava al dente, escorri e na mesma panela coloquei bastante azeite e refoguei o alho verde e depois os cogumelos. Adicionei sal e pimenta a gosto, joguei o macarrão, mexi para incorporar e juntei uma mistura de queijo asiago, fontina e parmesão. Só isso.

cabelo de anjo com ervilha & bacon

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Receita da revista Everyday Food para se fazer em vinte minutos. Frite umas fatias de um bom bacon cortado em quadradinhos, até eles ficarem crocantes. Escorra e reserve. Na gordura que ficou na panela—que se o bacon for dos bons, não vai ser muita, apenas o suficiente—refogue uma enchalota [shallots] picadinha até ela ficar macia. Jogue um saquinho de ervilha congelada, refogue até a ervilha ficar macia. Enquanto isso já vá cozinhando um punhado de macarrão cabelo de anjo em bastante água salgada. Jogue meia xícara de half and half [um creme de leite diluído] no refogado de ervilhas, tempere com sal a gosto. Escorra o macarrão e junte ao refogado de ervilha. Salpique com o bacon frito e sirva com bastante queijo parmesão ralado na hora.

pasta com tomate seco & aliche

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Foi só eu decidir comprar um pouco de tomate seco no Farmers Market que chegou um saco deles na cesta orgânica. Pronto, lá estava eu com um potão cheio dos tais tomates. Mas esses são sun-dried tomatoes, que não são macios. Para usá-los precisa antes deixá-los de molho na água e foi o que eu fiz, antes de tudo. Depois cozinhei espaguete de farinha de spelt [farro] em bastante água bem salgada. Quando o macarrão ficou al dente, escorri e tampei. Na mesma panela joguei azeite e alho picadinho. Quando o alho estava quase dourado, temperei com sal e pimenta do reino branca moída. Joguei os tomates escorridos e picadinhos, depois um punhado de azeitonas pretas sem caroço e no final espremi meio tubo de pasta de aliche [anchovas], que era o que eu tinha. Pode usar meia latinha de aliche picadinho. Misturei bem para o aliche dissolver e acrescentei o macarrão cozido, misturei, tampei. Polvilhei com queijo parmigiano peggiano ralado na hora.

*acho que essa receita já andou por aqui, no passado remoto...

pastina salad

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Pastina é um micro-macarrãozinho em forma de estrelinha, que é normalmente usado em sopas, mas eu usei para fazer uma salada. Achei uma receita bem interesante, mas como eu não tinha alguns ingredientes importantes, resolvi simplificar. Ficou muito boa. Com todos os ingredientes deve ficar melhor ainda. A pastina de longe pode enganar os desavisados, que podem pensar que você está servindo couscous. Mas a textura e o sabor são bem diferentes e se você olhar de pertinho, vai ver que os grãozinhos são na verdade estrelinhas.

Cozinhe a pastina al dente, como faria com qualquer massa, na água salgada. Coe, coloque numa vasilha e reserve. Toste algumas amêndoas em lascas. A receita original pedia pinoles, mas eu não tinha. As amêndoas foram ótimas substitutas. Misture um punhado de currants, aquelas passas minúsculas, na pastina cozida. Junte as amêndoas. Faça um tempero com sal, suco de laranja, água de flor de laranjeira, cominho em pó, curcuma [tumeric] em pó, noz moscada ralada, e azeite. Tempere a pasta com essa mistura e acrescente bastante coentro picadinho. Misture e sirva.

croxetti com molho de nozes

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O Edu apelidou o empório Santa Luzia em São Paulo de sex-shop e eu concordo plenamente com o cognome, mesmo sem nem conhecer o lugar. Não querendo ser uma imitonilda invejozinha, mas vou ter que contar que também tenho o meu sex-shop, que freqüento uma vez por mês. O meu chama-se Corti Brothers e fica em Sacramento. Lá se pode encontrar absolutamente de tudo. Darrell Corti, o atual proprietário e filho de um dos irmãos que abriram o negócio juntos em 1947, é considerado pelo editor da revista Saveur como o cara que mais entende de comida e vinho, como nenhum outro no mundo. Isso já diz tudo sobre o meu fabuloso e excitante sex-shop—pisc!

Talvez por causa da ascendência de Darrell Corti, os produtos italianos abocanham um espaço bem influente dentro do supermercado. A seção das massas de macarrão é um bom exemplo. É um corredor inteiro dedicado às pastas, das artesanais às industriais, das simples às sofisticadas, as tradicionais e as modernas, de todos os preços, mais da metade delas importadas da Itália. Eu fico lá, naquele imenso corredor, andando pra lá e pra cá completamente atordoada. Minha famosa librianice fica atacada quando estou no Corti Brothers, porque simplesmente não sei o que escolher com tantas opções e variedades.

Desta vez trouxe um estoque de pasta que vai durar um tempo. A primeira, que não dava para esperar pra preparar, foi a croxetti, uma massa artesanal típica da Liguria, no norte da Itália. É recomendado que ela seja servida com pesto. Mas no pacote tinha uma receita de molho de nozes, que foi o que eu decidi fazer. Ficou bem interessante. A pasta parece uma hóstia grossa e cozinha bem rápido. Achei bem leve. O molho também ficou incrivelmente delicado. Eu preferiria que tivesse ficado mais cremoso e menos pedaçudo. Se fizer outra vez vou colocar um pouco mais de azeite e de creme e vou bater tudo junto no processador.

molho de nozes – walnut sauce

Coloque 2 xícaras de nozes numa vasilha e encha com água fervendo. Deixe descansar por 3 minutos. Escorra e moa as nozes no processador. Acrescente 4 colheres de sopa de azeite, 2 colheres de sopa de creme de leite fresco [heavy cream]. Tempere com sal e pimenta do reino moída a gosto. Misture bem e tempere o macarrão cozido com esse molho, misturando bem para incorporar. Sirva com bastante queijo parmigiano peggiano ralado na hora.

macarrão integral com limão meyer, rúcula e pistacho - take II

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Receita da Martha S. que eu fiz num final de ano, quando meu irmão, minha cunhada e minhas sobrinhas estavam aqui. Resolvi refazer, porque a receita é supimpa e não tinha foto. Agora, devidamente fotografado, aqui está o whole-wheat spaghetti with meyer lemon, arugula, and pistachios, que certamente merecia um remake. A única mudança que fiz na receita foi usar um espaguete comum [porém orgânico], porque as sobras de um integral bom pra danar que eu tinha, feito com de farinha de spelt, não dava quantidade suficiente para duas pessoas. O resto fiz idêntico. Esse macarrão ficaria perfeito durante o verão, mas é no inverno que temos abundância da rúcula e do delicioso limão meyer.

pasta con sarde

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Vi a receita neste blog e achei deveras interessante. Mesmo não sendo uma ardente fã das sardinhas, preparei o molho. Ficou gostoso.

azeite para refogar
1 bulbo de erva-doce ralado, guarde os raminhos para decorar
3 dentes de alho picados
3-4 filés de aliche-anchovas
1 lata pequena de tomate - eu uso o Muir Glen
4-5 folhas de louro
Vinho branco seco
Sumo de 1 limão
Pimenta vermelha em flocos
1/3 xícara de passas brancas
1 lata de sardinha em azeite
Espaguete cozido

Numa panela, refogue a erva-doce no azeite até ela ficar bem molinha. Acrescente o alho e refogue até ele ficar macio. Amasse bem os filés de aliche a acrescente ao refogado de erva-doce e alho. Adicione os tomates, as folhas de louro, uma dose de vinho, o sumo do limão, a pimenta e as passas. Misture bem. Adicione as sardinhas inteiras e cubra com o molho. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 30 minutos.

Cozinhe o espaguete ao dente e tempere com o molho. Enfeite com os galhinhos da erva-doce e sirva com queijo ralado, se quiser, mas não é necessário.

macarrão com manteiga e queijo

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Pra quando não dá tempo de fazer nada, não se quer requentar nenhuma sobra de antonte, mas a fome é grande e o frio determina que se coma algo quente, o grande lance é um prato de macarrãozinho com manteiga e queijo. Enche a pança, esquenta, não dá bafo e ainda é tri saboroso. Eu usei o elbow macaroni feito de milho, por isso essa cor super amarela. E manteiga sem sal orgânica, mais queijo parmesão que eu ralei fininho na hora agá. Pra comer com colher, sem nenhum acanhamento ou hesitacão, se faz o favor, tá?

pappardelle de outono

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O Trader Joe's tem um pappardelle de limão com pimenta do reino que é tão bom que nem precisa tempero—uma bolota de manteiga ou apenas queijo ralado já basta. Mas desta vez fiz o macarrão com uma mistura de legumes assados.**Nem preciso dizer o quanto eu adoro assar legumes, né? ** Assei primeiro a abóbora—usei uma fatia grossa cortada em quadradinhos da variedade musque de provence. Depois assei cogumelos crimini e um bulbo de erva-doce cortada em cubinhos. Temperei os legumes assados com sal, pimenta do reino, azeite, suco de limão meyer, salsinha, orégano e tomilho frescos. Misturei os legumes temperados ao pappardelle cozido e polvilhei com bastante queijo parmesão ralado na hora de servir.

pasta com cogumelos e espinafre

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Um rango bem simples pra poder usar aquele pacotão de baby portabellas que comprei no Farmers Market, mais uma boa quantidade de espinafre que veio na cesta orgânica. Achei que essa pasta ficou com uma cara incrível de outono!

Cozinhei em bastante água e sal uma porção de orecchiette. Quando a pasta estava quase al dente, refoguei uma misturinha de alho com sal grosso amassada no pilão numa boa quantidade de azeite. Juntei os cogumelos cortados em quatro, refoguei um minuto, juntei o espinafre picadinho, acertei o sal, moí um pouco de pimenta. Escorri o orecchiette e joguei no refogado. Joguei um punhado de salsinha picada, servi com queijo parmesão ralado na hora.

Não sei por que eu fiz sem pensar um panelão desse macarrão e no minuto em que estávamos sentando à mesa, chegaram o Gabriel e a Marianne. Eu tinha comida para um batalhão, somando-se à uma saladona. Colocamos mais dois lugares na mesa e tivemos um jantar em família, no meio da semana, que mais parecia um domingo!

minha versão do passateli ao limão

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Fui até comprar um espremedor de batata, que eu não tinha, pra poder fazer essa receita que a Neide Rigo publicou, depois de ter feito uma aula com a chef Ana Soares. Achei tudo notávelmente singelo, com os fiozinhos de massa no caldo da sopa. Iria ser a primeira refeição completa que eu iria preparar para comer finalmente acompanhada. Um dos problemas mais sérios que eu encontro para seguir receitas é a falta de preparação. Nem sempre temos todos os ingredientes necessários e nem sempre temos tempo para fazer as comprinhas imprescindíveis. Eu jurava que tinha uma caixa de caldo de legumes na despensa, mas quando fui ver percebi muito tardiamente que não tinha. Quase joguei a toalha, mas todo mundo sabe que não sou dessas. Analisei minhas possibilidades e vi que tinha uma quantidade razoável de molho purissimo de tomates da minha horta e resolvi foi fazer a minha versão do passateli, que acabou se transformando em outra coisa—mas não menos apetitosa!

A receita da chef Soares, publicada pela Neide:
Passateli ao perfume de limão siciliano
200 g de pão francês seco, ralado
200 g de parmesão ralado
Raspas de limão siciliano a gosto (ou outro, se preferir)
3 ovos inteiros
Gemas até dar o ponto
30 g de manteiga amolecida
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Noz moscada ralada a gosto
1,5 litro de caldo de carne
Legumes picados a brunoise

Numa tigela grande, misture a farinha de pão, o queijo parmesão e as raspas. À parte, bata os ovos com a manteiga e despeje na tigela, mexendo bem. Vá juntando gemas até conseguir uma mistura cremosa e firme (que possa passar no espremedor de batatas). Cubra e deixe na geladeira por 15 minutos. Aqueça o caldo de carne desengordurado, coloque a massa dentro do espremedor de batatas e vá apertando, deixando cair sobre o caldo fervente os fiozinhos de massa. Junte os legumes (cenoura, salsão e abobrinha em cubinhos mínimos) e cozinhe por mais dois minutos.

A minha versão:
Passateli ao perfume de limão siciliano
200 g de pão rústico seco, ralado
200 g de parmesão ralado
Raspas de limão siciliano a gosto (ou outro, se preferir)
3 ovos inteiros
30 g de manteiga amolecida
1,5 litro de molho de tomate
1/2 cebola
óleo, azeite, sal

Numa tigela grande, misturei a farinha de pão, o queijo parmesão e as raspas de limão. À parte, bati os ovos com a manteiga e despejei na tigela, mexendo bem. Decidi não acrescentar mais gemas e ver no que dava. Cobri a tigela com um pano e deixei na geladeira por 15 minutos. Refoguei meia cebola picadinha numa colher de óleo vegetal e um fio de azeite. Acrescentei o molho de tomate, sal a gosto e uma pitada de açúcar. Deixei engrossar um pouco. Passei a massinha pelo espremedor de batata direto no molho. Deixei cozinhar uns minutos, desliguei o fogo e tampei a panela. Ficou uma sopa bem grossa. Não ficaram fiozinhos como imaginei na sopa da chef Soares. Avalio que o molho encorpado de tomate, o pão mais grosso e a ausência de algumas gemas foi o que fez a diferença.

A receita tinha absolutamente tudo para dar errado, começando com um acidente ensanguentado logo no início da preparação, quando ralei a tampa do dedão no super ralador e tive que interromper todo o processo até conseguir controlar o sangue e a dor. Com um band-aid porcamente colado na ponta do polegar e xingando a bruta falta de sorte de ter que fazer o resto do jantar com o dedão da mão direita empinado, continuei firme. Quando vi o resultado, com aquele visual encorpadão da sopa e sem nenhum fiozinho charmoso se revelando, tive vontade de chorar—mais um jantar arruinado! Mas quando servi e começamos a comer, que deliciosa surpresa! Ficou uma sopa de tomate bem substanciosa e saborosa, com um hint do limão que fez toda a diferença. Acho que reinventei a receita acidentalmente, mas ainda vou tentar novamente fazer a original.

O Uriel fez o seu indefectível comentário de finais de jantares bem sucedidos: ficou muito boa essa sua invenção!. Retruquei rapidamente que não era invenção, que eu tinha seguido uma receita, mas nem eu mesma fiquei convencida dos meus fracos argumentos.

pasta? sim, pasta!

Morar numa cidade universitária me traz grandes vantagens, como poder conhecer muita gente legal de vários cantos do mundo que vêm aqui para estudar ou trabalhar. Mas por outro lado tem a desvantagem que é ter que, de vez em quando, superar a melancolia que acompanha as despedidas. Chegou a hora de dizer good bye para uma amiga muito querida, que vai fazer muita falta no meu círculo de relacionamentos. Como todos os nossos rituais de despedida incluem comida, quis fazer um almoço para ela. Eu já tinha combinado com um amigo italiano que adora cozinhar, que iríamos fazer uma macarronada. Eu estava muito curiosa para observar as técnicas dele no preparo da massa e do molho. Colocamos os nossos planos em prática.

Usamos ovos fresquíssimos, farinha de trigo orgânica, semolina e toneladas de tomates orgânicos maduríssimos. Cozinhei os tomates um dia antes e passei pela peneira para obter alguns litros de purê. No dia seguinte começamos a função cedo. Eu e a Charlene trabalhamos duro como assistentes dedicadas do comandante da cozinha, o chef Luigi. Fizemos macarrão e três tipos de molho para dezoito comensais. Aprendi muita coisa legal com esse romano, que é do nosso time de apreciadores da comida simples, feita com capricho e com ingredientes da melhor qualidade. Ele fez o macarrão bem grosso. Passou a massa umas dez vezes pela expressura um, e depois cortou em tiras de fettucini. Nunca tinha comido o macarrão grosso assim e achei muito bom. Os molhos foram feitos de uma maneira incrívelmente simples. Eu perguntava pra ele—vai pôr isso? vai pôr aquilo? E a resposta era sempre—não, o molho de tomate italiano é muito simples. Perguntei sobre o majericão e fui aconselhada a adicionar no final do cozimento do molho, mas aconteceu que na correria das arrumações de mesa e detalhes finais das preparações, o manjericão não entrou na dança. E pra falar a verdade, nem fez falta.

Ficamos conversando em volta da mesa até as seis da tarde. Só não ficamos mais tempo porque era domingo e a segunda-feira nos aguardava impaciente e exacerbada. Foi um almoço delicioso, tanto pela comida e bebida, quanto pela companhia. Uma despedida à altura da nossa convidada especial, a amiga que vai deixar saudade.

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** fotos extras AQUI

Molho ao Sugo
Refogar duas cenouras cortadas em cubos e uma cebola picadinha num pouquinho de óleo vegetal. Pode pôr um pingo de azeite. Uma coisa que eu sempre soube sobre cebola e alho é que quando se usa a cebola, não se usa o alho e vice-versa. O Luigi só reafirmou esse ponto. Quando a cenoura estiver molinha, vai acrescentando o purê de tomate, que eu fiz fresco, usando quilos de tomates. Mas o Luigi deu a dica de misturar metade de purê de tomates frescos com metade de tomates em lata. Refogar essa mistura até o molho reduzir em 1/3 e ficar bem grosso. Acrescentar um pouco de sal grosso. Pode pôr manjericão no final, mas nós esquecemos de colocar e ninguém reparou. No final, eu acrescentei um tomate grande inteiro, picado. Segundo o Luigi, a casca do tomate dá um sabor especial ao molho. Esse molho é daqueles que não pode ser desperdiçado e exige fartura de pedaços de pão, para limpar os pratos e as panelas.

Molho de Tomate com Aliche
Nessa versão do molho de tomate, faz tudo igual ao molho ao sugo e acrescenta-se filés de aliche/achovas durante o cozimento. Como eu não tinha mais nenhuma latinha de aliche, usei uma pasta de aliche que eu às vezes uso para pôr em molho de saladas. Esse molho foi o meu favorito!

Molho de Manteiga com Sálvia
Esse molho é ridiculamente fácil. Derreta a melhor manteiga que você puder comprar numa frigideira e coloque folhas de sálvia fresca. Deixe pegar o gosto. Desligue o fogo rápido, pra manteiga não queimar. Ela deve ficar clara. Não precisa sal, pimenta, nada.

pesto de sementes de abóbora e coentro

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Para um jantar ultra-rápido e ultra-simples, fiz o pesto de sementes de abóbora da Ana. Usei macarrão integral. Ficou um bocado mais leve que a maioria dos pestos que já provei.

1 xícara (chá) de sementes de abóbora (das verdes)
1 maço de coentro (só as folhas)
1 xícara (chá) de queijo parmesão ralado na hora
1 colher (sopa) de suco de limão [*esqueci de usar]
2 dentes de alho [*não usei]
Sal a gosto
Pimenta-do-reino a gosto [*não usei]
Azeite de oliva a gosto

Torre as sementes de abóbora em uma frigideira. Mexa constantemente até ficarem meio douradinhas, cerca de 3 ou 4 minutos. Coloque no processador com os outros ingredientes. Pulse até triturar bem (algumas pessoas preferem com mais textura, menos triturado) e acrescente azeite de oliva pelo bocal até atingir a consistência desejada, mais espesso ou mais ralo. Misture ao macarrão bem quente e sirva com queijo ralado.

fiz macarrão

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with a little help from a friend

Foi num arrebatamento inesperado que fui até onde estava encostada a máquina de fazer macarrão e abri a caixa. Ela estava guardada desde o dia que eu a trouxe da loja, há quase dois anos. Finalmente suas partes metálicas viram a luz do dia e da cozinha. Atarrachei na mesa e fiz a massa com 100g de farinha de trigo para cada ovo. Uma pitada de sal. Usei farinha orgânica e ovo caipira, de galinha fecundada pelo galo.

Me atrapalhei um pouco, claro. Não fazia macarrão em casa há anos. A última vez que fiz, e foram poucas vezes, nós ainda moravamos no Brasil e o Gabriel era um gurizinho magricela usando óculos de aro azul. Foi no século passado, durante uma das minhas fracassadas tentativas de ser a líder das tradições culinárias da minha família. Joguei a toalha e desisti há muito tempo. Quem faz isso hoje com muito sucesso é o meu irmão Carlos Augusto—o autor de um macarrão tão bom quanto o da minha mãe.

Hoje recuperei um pouco meu brio, fazendo um macarrãozinho bem decente. E já até sei onde fiz meus erros. Deixei a massa ficar muito fina, fui até o numero sete, e não enfarinhei com firmeza. Mas os fiozinhos de massa cozinharam bem e foram temperados com o molho ao sugo que fiz outro dia. Agora é só não desanimar e continuar praticando rumo ao aprimoramento.

Indian slapjacks

American Cookery, foi o primeiro livro de receitas publicado em território norte-americano em 1796 . A autora da façanha, uma órfã e trabalhadora doméstica chamada Amelia Simmons, fez o primeira registro dos hábitos alimentares e do uso de ingredientes nativos, como milho, cornmeal, squash e abóbora. O livro, cujo título original era American Cookery, or the art of dressing viands, fish, poultry, and vegetables, and the best modes of making pastes, puffs, pies, tarts, puddings, custards, and preserves, and all kinds of cakes, from the imperial plum to plain cake: Adapted to this country, and all grades of life , substituiu os importados da Inglaterra nas cozinhas da América e tornou-se extremamente popular. Hoje existem somente quatro cópias do livro original, e uma delas pode ser vista no website da Biblioteca do Congresso. Notem ao folhear as páginas amareladas, que a prensa que fez a impressão do livro certamente tinha um problema com a letra "s", que foi substítuida em todas as páginas por um "f". Esse detalhe acrescenta um toque extra de peculiaridade à leitura de American Cookery.

*Reproduções desse livro e de outros pioneiros da culinária norte-americana podem ser encontrados AQUI. **O Projeto Gutenberg tem o livro disponibilizado para download AQUI.

Nem todas as receitas são fazíveis, mas a leitura desse livro precursor é certamente uma aula de história da gastrônomia no Novo Mundo. Eu quis experimentar ao menos uma receita e escolhi essa de Indian Slapjacks, que é basicamente uma panqueca de milho. Elas não ficam tão macias quanto as panquecas comuns, mas são extremamente saborosas.

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Indian Slapjacks
1 xícara de leite
2 xícaras de cornmeal
4 ovos
4 colheres de sopa de farinha de trigo

Misture bem todos os ingredientes até formar uma massa uniforme. Frite em frigideira ou chapa untada, sob fogo ou em temperatura média. Vire quando a massa fizer bolhinhas. Sirva morno com mel, manteiga, geléia, ou somente com sal. As minhas foram servidas com maple syrup.

Orzo com tomates

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Eu conheci uma pessoa que dizia que, segundo a cabala, a terça-feira era o dia mais próspero da semana. É um argumento compensador, pois a terça-feira só não é mais desanimadora que a segunda-feira—convenhamos!

Então para serenar a fome, o calor e o cansaço de uma terça-feira atrapalhada no trabalho, que me rendeu até uma sovaqueira, já fui pra casa com o menu do jantar decidido e concluido na minha cabeça. Iria fazer um orzo, temperado com as dezenas de tomatinhos cerejas que eu tinha colhido no dia anterior da minha horta. Alho, azeite e manjericão, pra ajudar a temperar. Queijo ralado pra arrematar. E assim foi feito, rápido, sem esquentar a cozinha nem a cachola, e o resultado foi compensador. Comfort food, na melhor acepção da palavra.

cold soba noodles

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Super simples: cozinhe o soba em bastante água. Quando cozido, escorra numa peneira e enxague bem com água corrente fria. Reserve. Prepare o molho, que pode ter muitas variações. O meu só teve shoyo, um pouquinho de água, dois pingos de óleo de gergelim e gengibre ralado. Misture e salpique com sementes de gergelim tostadas.

Orzo com alcachofra

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Tão simples que nem parece que estamos preparando uma receita. Frite um alho picadinho numa boa quantidade de azeite. Não deixe o alho ficar muito dourado. É coisa rápida. Retire do fogo e deixe o azeite com o alho esfriando. Enquanto isso ponha uma panela com bastante água e sal no fogo e cozinhe o orzo—macarrãozinho em formato de arroz. Escorra quando estiver ao dente. Pique uma boa quantidade de coração de alcachofra [usei em lata] e reserve. Numa vasilha coloque o orzo cozido, jogue as alcachofras picadinhas, jogue a infusão de azeite e alho, misture bem e sirva!

pasta com cenoura, pinoles e tomilho

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Dica maravilhosa da Sally, que viu e testou a receita deste blog lindo. Uma simplicidade incrível e uma mistura de ingredientes muito interessante. Não tem como errar.

Cozinhe a pasta da sua preferência em bastante água e sal. Enquanto isso descasque as cenouras e corte em fatias finíssimas - use o peeler e vá fatiando até a cenoura quase desaparecer. Eu faço tudo em uma panela só. Quando a pasta estiver cozida al dente, escorra e reserve. Coloque a panela de volta ao fogo, ponha azeite, jogue a cenoura ralada, um punhado de pinoles e outro punhado de tomilho fresco. Refogue rapidamente, acrescente sal a gosto, jogue a pasta cozida, desligue o fogo, mexa bem para os ingredientes se incorporarem bem e sirva. Fiquei tentada a polvilhar com queijo ralado, mas me forcei a seguir a receita e realmente o queijo não fez a manor falta. Na receita original vai cebola, mas como a Sally, eu também decidi não usar.

macarrão com abobrinha e manjericão

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Felicidade maior pra mim: chegar em casa do trabalho já sabendo o que vou preparar pro jantar! Isso é sinônimo de tranquilidade, pois já vou direto ao assunto, sem delongas indecisas. E foi assim que acoonteceu com esse prato de macarrão com abobrinha e manjericão, que foi decidido bem cedo.

Cozinhe o macarrão em bastante água salgada. Eu usei macarrão integral. Corte a abobrinha em tirinhas bem finas. Eu usei duas abobrinhas pequenas. Descasque e rale em fatias finas dois dentes grandes de alho. Pique um macinho de manjericão. Quando o macarrão estiver cozido ao dente, coe e reserve. Na mesma panela que cozinhou o macarrão, coloque uma boa quantidade de azeite e o alho. Doure o alho, jogue sal marinho e pimenta do reino moída a gosto, acrescente a abobrinha e refogue por DOIS SEGUNDOS, não deixe a abobrinha amolecer. Jogue o macarrão, desligue o fogo, mexa bem para incorporar os ingredientes. Salpique com o manjericão, sirva com bastante queijo ralado na hora.

fuzilli com pesto de alcachofra

Normalmente nos jantamos fora nas sextas-feiras. Mas nessa última além de eu estar cansadérrima, me deu um siricotico de fazer essa receita de pesto de alcachofra, que eu vi não sei onde. Como não tinha a receita, somente a idéia, fiz da minha cachola mesmo. O resultado foi excepcional!

Cozinhe o fuzilli em bastante água e sal. Enquanto isso coloque no processador uma lata de coração de alcachofra, um punhado de coentro fresco, um outro punhado de pinoles tostados no forno ou na frigideira, pimenta do reino moída, sal marinho, azeite o quanto baste. Bata tudo até formar uma pasta. Misture ao fuzilli cozido e sirva.

* ao invés de coentro, pode-se usar manjericão, salsinha, cebolinha.
** ao invés dos pinoles, as amêndoas ou as nozes devem fazer bonito.

pasta with ricotta, herbs, and lemon

Um macarrãozinho rápido para uma terça-feira corrida e cansativa. Tirada da edição de julho de 2005 da revista Real Simple. Faz quatro porções.

450 gr de macarrão penne
2 colheres de sopa da manteiga sem sal em cubinhos
1 xícara de ricota fresca
1/2 xícara de ervas frescas - eu usei salsinha, cebolinha francesa, manjericão e tomilho
Raspas da casca de um limão
Sal kosher
Pimenta do reino moída na hora

Cozinhe o macarrão na água e sal. Escorra. Reserve 1/3 xícara da água do cozimento. Numa panela misture a água, a ricota e a manteiga e mexa bem com um batedor de arame, em fogo baixo, até formar um creme. Salgue a gosto, acrescente as ervas picadinhas e as raspas do limão, misture o macarrão cozido, tempere com a pimenta fresca e sirva.

macarrão integral com limão, rúcula e pistacho

Fui imediatamente fisgada por essa receita da edição de janeiro de 2007 da revista Martha Stewart Living. Estamos na temporada desses limões deliciosos e rúcula e pistachos são ingredientes fabulosos. Decidi fazer esse macarrão para o jantar do dia seguinte ao Natal. Até as minhas sobrinhas comeram. Meu irmão comentou que essa receita ficaria ótima num dia de verão—pena que no verão é difícil achar meyer lemon e rúcula, mas ele tem razão, o prato é leve e refrescante e por isso ficou perfeito depois da comilança do peru.

Whole-wheat spaghetti with meyer lemon, arugula, and pistachios

Sal marinho ou grosso
1/2 xícara de pistachos descascados e torrados
1 enchalota [shallot] pequena cortada em pedaços
1 meyer lemon [a.k.a. limão cravo, rosa, vinagre, china] cortado em fatias e sem sementes
3 colheres de sopa de azeite aromatizado com limão, ou o comum extra-virgem
300 gr de spaghetti integral
2 xícaras de rúcula
Pimenta do reino moída na hora

Numa panela grande, ferva bastante água com sal. Enquanto isso pulse os pistachos e a enchalota no processador até ficarem bem moídas. Retire para uma vasilha. Moa o limão no processador e coloque o limão moído na mistura de pistacho e enchalota. Coloque 2 colheres de sopa de azeite. Cozinhe o macarrão al dente. Escorra e reserve 1/2 xícara da água do cozimento. Misture o macarrão com a mistura de pistacho, adicione a água do cozimento, para o tempero se espalhar por igual. Coloque a rúcula, 1/2 colher de chá de sal, o resto do azeite e tempere com pimenta do reino a gosto. Sirva imediatamente.

a boa massa

Quando uma receita é testada e dá certo, vai pro patamar das receitas boas. Ontem uma conseguiu esse mérito. Eu precisava de uma receita de massa de torta para fazer uma torta de frango com uma sobra de um frango assado que comprei no Farmers Market. O recheio é fácil, os pedacinhos de frango picados e refogados com o que quiser. Eu usei salsão, pimentão vermelho, tomate, azeitona verde, salsinha. A massa é onde a porca torce o rabo - pra mim, eu sei!

Então peguei essa receita em um dos livros do Moosewood Restaurant. Fiz na batedeira elétrica, mas dá pra fazer no food processor ou mesmo na mão.

6 colheres de sopa de manteiga geladíssima
1 xícara e meia de farinha de trigo
4 colheres de sopa de água ou leite gelado [usei leite]

Coloque a farinha na batedeira. Bata com a pá achatada em velocidade de misturar por 10 segundos. Acrescente a manteiga cortada em cubinhos e misture por um minuto até os pedacinhos de manteiga ficarem do tamanho de uma ervilha. Vai acrescentando o leite e batendo, ate a massa ficar consistente. Embrulhar numa folha de plástico e deixar na geladeira por 15 minutos. Esticar com o rolo e usar. Forra uma forma de 20 cm.

pasta de verão

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Saí do trabalho me sentindo tão cansada. Pedalei minha bicicleta com um baita esforço. Achei que tinha pegado um "bug" de gripe. Me senti tão pesada e desanimada que sinceramente não sei como consegui fazer um jantar decente.

Quando estou assim no limite, minha opção é sempre um macarrão. Usei a última abobrinha na geladeira. E alguns dos zils tomates. Um pouco do mação de basilicão. Juntei tudo e improvisei uma receita inspirada numa que li em algum lugar - não lembro onde.

Cozinhe o macarrão em bastante água fervendo temperada com sal e uma folha de louro. Enquanto o macarrão cozinha, corte a abobrinha em fatias finas, corte os tomates ao meio, pique folhas de basilicão, esmague uns quatro dentes de alho assado, tempere tudo com sal e pimenta do reino. Escorra o macarrão e misture com a aobrinha, tomate e ervas. Esquente um tanto de azeite numa panelinha - não esquente muito - e jogue sobre o macarrão. Misture bem, cubra com queijo ralado. Sirva-se a vontade!

* vejo esse macarrão feito em muitas versões, pode substituir a abobrinha por outro legume, o basilicão por outra erva, acrescentar azeitonas pretas, e o alho assado por alho cru - pra quem tiver coragem!

A saga das panquecas

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Acontece também com você? E você não odeia quando acontece? Você decide fazer uma receita, pensa em todos os ingredientes, menos nos óbvios - farinha, leite, ovos, fermento, pois esses você tem certeza que sempre tem! Mas o quê? Basta você começar a se preparar, pôr os utensílios alinhados, abrir o caderno de receitas, separar os ingredientes para constatar que NÃO TEM FARINHA DE TRIGO!!

Foi isso que me aconteceu quando resolvi que iria fazer panquecas recheadas com ricota para o almoço de sábado. Fiquei muito irritada, pois tive que mudar as direções da barca culinária, o que não foi uma situação feliz.

Resolvemos a questão no sábado à noite, quando o Uriel foi comprar umas coisas no Co-op e trouxe um saco de farinha. Pro almoço de domingo fiz as panquecas, recheadas com ricota e onde usei o molho de tomate que preparei para uma eventual macarronada.

A receita da massa das panquecas é da minha mãe. O recheio não tem segredo, é ricota amassada com cebolinha e salsinha picadinha e temperada com sal e pimenta do reino.

Para a massa, bata no liquidificador 2 xícaras de farinha de trigo, 2 xícaras de leite, duas colheres de sopa de manteiga, 1 colher de chá de fermento em pó, 2 ovos, uma pitada de sal. Bata bem e deixe descansar por 5 minutos. Frite as panquecas o mais fininho possível na frigideira untada com manteiga. Enrole cada uma com o recheio de ricota. Ponha num refratário, cubra com molho de tomate e salpique com queijo parmesão. Leve ao forno médio por uns 15 minutos e sirva.

macarrão frio com abobrinha

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A preguiça é a mãe da invencionice. Muitas abobrinhas na geladeira, mais calor, mais falta de vontade de cozinhar é igual a receita de macarrão frio.

Numa vasilha grande rale duas abobrinhas médias e tempere com sal, pimenta do reino, azeite e um pouquinho de vinagre balsâmico. Cozinhe duas porções de macarrão parafuso em bastante água e sal. Coe e reserve.

Junte à abobrinha ralada: umas azeitonas pretas picadas, uns tomates secos picados, uns tomates cerejas picados - parece redundante acrescentar duas variedades de tomates, mas faz sentido no sabor, um pedaço pequeno de queijo Stilton picadinho, umas folhas de basilicão.

Junte o macarrão parafuso cozido e frio com a mistura de abobrinha. Mexa bem para incorporar os temperos e sirva.




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