escondido de linguiça

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Escondido não é novidade pra ninguém, mas é pra mim, que só comi uma vez um de carne seca e nem gostei muito porque achei um pouco salgado. Nunca tinha preparado nenhum. E quando resolvi que deveria, me toquei que esse tal de escondidinho é o primo brasileiro da tradicional shepherd's pie, que também tem suas inúmeras versões. O propósito dessa minha receita nem foi fazer um escondidinho per se, mas usar uma super uber hiper rutabaga do tamanho de uma melancia que tinha chegado à minha cozinha via cesta orgânica. Descasquei, cortei em cubos e fiz um purê com ela, cozinhando primeiro em água, depois amassando e acrescentando sal e pimenta do reino a gosto, manteiga e half and half suficiente para dar uma consistência cremosa ao purê. A rutabaga, também conhecida como nabo sueco, parece um cruzamento entre a batata e o nabo. A consistência não é nem muito farinhosa como a batata, nem muito aguada como o nabo.

Depois preparei um refogado com linguiça italiana [usei da Niman Ranch] picada em cubinhos minimos e refogada no azeite com cebola. Juntei vinho e extrato de tomate orgânico. Deixei reduzir bastante e temperei com sal e pimenta vermelha em flocos. No final desliguei o fogo e joguei bastante ciboulettes [chives] e salsinha picadas.

Dai foi só colocar o refogado de linguiça no fundo de um refratário, cobrir com o purê de rutabaga e levar ao forno pre-aquecido em 400ºF/ 205ºC até o recheio começar a borbulhar e o purê ficar dourado. Depois disso remove do forno e serve acompanhado de uma salada bem fresca e leve.

cuscuz paulista

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Eu cozinhei pouquíssimo pras celebrações de final de ano. Fiz tudo bem simples desta vez, realmente! Para o primeiro dia do ano decidi fazer um cuscuz paulista, que pra mim é uma comida com gosto de festa. Lembro dos cuscuzes que minha mãe fazia para os aniversários e que ficavam uma delícia. Como a minha irmã tinha me presenteado com um saco de farinha de milho em flocos, aproveitei a oportunidade. Procurei e achei muitas receitas na web, mas acabei escolhendo uma em inglês, porque as medidas e os ingredientes estavam mais adaptados à minha cozinha. Também considerei essa receita adaptada um achado, pois a autora substitui a farinha de milho pela polenta—uma bóia salva-vidas para muitos expatriados que não tem acesso à farinha brasileira. Um dia testarei. Usei camarões da Flórida no lugar da sardinha em lata e aproveitei para gastar o milho orgânico que recebi no verão e tinha congelado.

1/3 xícara de azeite de oliva
1 xícara de cebola picada
4 ramos de cebolinha picados
4 dentes de alho picados
1 xícara de ervilhas congeladas [deixe descongelar]
1 xícara de milho congelado [deixe descongelar
2 xicaras de tomate picado em lata [usei orgânico fire roasted]
2 xícaras de farinha de milho em flocos
1/4 xícara de salsinha fresca picada
1/3 xícara de azeitonas verdes picadas
4 ovos cozidos—2 fatiados e 2 picados
1 xícara de camarões limpos e descascados
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto.

Unte uma forma grande com um buraco no meio com azeite. Decore o fundo da forma com os 2 ovos cortados em rodelas e fatias de cebolinha [usei chives/ciboulette]. Reserve. Numa panela grande e robusta refogue a cebola, a cebolinha e uma pitada de sal. Deixe apenas suar por uns 6-8 minutos. Adicione o alho e refogue por mais um minuto. Adicione as ervilhas e o milho e refogue por 2 minutos. Adicione o tomate e deixe cozinhar por uns 3 minutos. Coloque os camarões, as azeitonas, os 2 ovos picados e a salsinha picada e deixe cozinhar brevemente. Acerte o sal e junte pimenta do reino moída. Adicione a farinha de milho aos poucos, mexendo sempre com uma colher de pau até formar uma massa bem molhada, porém firme. Coloque essa massa na forma untada e decorada e aperte bem com uma espátula. Cubra e leve à geladeira até a hora de servir. Desenforme e sirva em temperatura ambiente.

costelinha de porco com angu

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É fato que os blogs são o palco iluminado onde exibimos nossas lindamente fotografadas e caprichadamente descritas experiências culinárias. E é fato que os twitters são os bastidores, onde se comenta o antes e durante, as idéias, a execução e os detalhes, nem sempre lindos e brilhantes, quase sempre ilustradas com fotos de celular, sem tanto glamour, mas com o fator do aqui e agora, tudo acontece naquele momento, sem edição, sem brilhantismo e [quase] sem censura. Adoro observar o desenvolvimento de um post para um blog através de um twitter. Geralmente isso também acontece comigo, se bem que muitos dos meus twits nunca acabam no blog. Mas a sensação é basicamente essa—palco versus bastidores.

Foi assim que vi o desenrolar da produção da receita da costelinha com polenta da Maria Rê, que se iniciou informalmente no twitter e terminou brilhantemente bem acabada no blog. Como não ficar com as bichas, participando de todo o processo de execução de uma receita tentadora? Impossível! Portanto, acabei tendo que fazer também a minha versão.

Comprei as costelinhas de porco [baby back ribs] no Farmers Market, de um criador que não maltrata, tortura ou entucha os animais de antibióticos e tranqueiras do gênero. Pedi quantidade para duas pessoas com sobras e ele me deu duas peças. Temperei com suco e raspas de dois limões, três dentes de alho cortados em lâminas finas, 1 pimentinha vermelha seca picada, 2 colheres de sopa de mel e sal defumado. Deixei marinando durante a noite. No dia seguinte, bem cedinho, coloquei as duas peças de costela com a parte do osso virada para cima, em cima de uma grade, em cima de uma assadeira forrada com papel aluminio e coloquei em forno baixo a 200ºF/ 94ºC por três horas. Depois de três horas, subi a temperatura do forno para 350ºF/ 176ºC e assei as costelas por mais duas horas.

Para servir, queria preparar uma polenta molinha, mas na hora H não achei a farinha de polenta nos meus armários, que eu tinha certeza que ainda tinha. Muita raiva de mim mesma, mas desistir jamais. Fiz então um angu—ou o que eu chamei de angu, pois não sei se já comi, fiz ou sei exatamente o que é um angu. Mas fui na definição da palavra: massa espessa, geralmente feita de farinha de milho. Usei cornmeal moído em granulação média. Numa panela coloquei 4 xícaras de caldo de legumes, temperei com sal e um fio de azeite. Levei ao fogo e quando o liquido ferveu, adicionei 1 1/2 xícara de cornmeal e mexi, mexi, mexi com um batedor de arame, até a mistura engrossar e cozinhar. Servi o angu com as costelinhas, que depois de 5 horas de forno estavam se desfazendo.

arroz vermelho com frango amarelo

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Aproveitei que a Neide está em Portugal, se deliciando com azeites, azeitonas e tudo mais que aquele lindo país tem a oferecer, para tomar posse de uma das suas receitas. Coincidentemente tinha comprado dois pacotes de arroz no inicio do mês—um de arroz proibido, que a Neide disse ser o arroz negro produzido no Brasil e outro de arroz vermelho butanês, que parece muito similar ao arroz vermelho do Pantanal, que a Neide usou nessa comidinha brejeira. Tinha preparado o arroz proibido, que servi com salmão selvagem, comemos e adoramos, eu fotografei tudo, só pra depois deletar as fotos da câmera num daqueles acidentes sem explicação plausível. Mas o arroz vermelho do Butão eu ainda não tinha preparado. A receita da Neide chegou no melhor momento. Aproveitei também para fazer o franguinho com açafrão da terra. Foi até engraçado, pois o Uriel se serviu, olhou pra comida, olhou pra mim e perguntou quase incrédulo—é frango? Porque realmente não temos consumido muita carne por aqui. Mas esse prato, preparado com peito de frango caipIRRa, ficou realmente delicioso. Um treat, que acompanhou muito bem o saboroso e substancioso arroz vermelho.

serve 3 pessoas
Arroz vermelho do Butão
1 xícara de arroz vermelho
2 colheres de chá de óleo de semente de uva
2 dentes de alho finamente picados
2 xícaras de água quente
1/2 colher (chá) de sal
Lave bem o arroz e reserve. Aqueça o óleo numa panela e doure aí o alho. Coloque o arroz e refogue, mexendo, até aquecer. Junte a água quente, o sal. Deixe ferver, abaixe o fogo e tampe a panela. Deixe cozinhar até secar toda a água e o arroz ficar macio.

Peito de frango com cúrcuma
250 g de cubos de peito de frango
1/2 colher (chá) de sal
Pimenta-do-reino a gosto
1 colher (sopa) de suco de limão
1 colher (chá) de cúrcuma em pó—açafrão-da-terra/tumeric
2 colheres (chá) de maisena
1 colher (sopa) de óleo de pequi [*usei o de nozes]
1 colher (sopa) de azeite
1 cebola fatiada
2 pimentas vermelhas sem sementes, em tiras (opcional)
2 colheres (sopa) de salsinha picada [*usei coentro]
Numa tigela, tempere os cubos de frango com sal, pimenta-do-reino e suco de limão. Misture bem. Junte a cúrcuma misturada com a maisena e misture com as mãos para que todos os pedaços fiquem impregnados. Em volta de cada pedaço deve formar uma camada úmida. Numa frigideira antiaderente aqueça o óleo de pequi com o azeite em fogo alto e junte o frango. Mexa até os pedaços ficarem dourados. Coloque na frigideira a cebola, as pimentas, se for usar, e refogue até que fiquem macios. Junte cerca de meia xícara de água quente, chacoalhe bem e assim que ferver, desligue o fogo. Prove o sal e corrija, se necessário. Junte a salsinha e sirva com o arroz vermelho.

espetinhos de bolinho de carne

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A idéia original para estes bolinhos estava na revista Food & Wine e eram mais como porpetas, tipo italiano, servidos com queijo parmesão ralado por cima. Eu decidi fazer de outra maneira, para poder servir com o molho tsatsiki. Temperei a carne com cebola picadinha, za'atar e um fio de azeite. Modelei as bolinhas e assei. Depois montei os espetinhos com dois bolinhos em cada, intercalados por meio tomatinho orgânico. Servi com o molho de iorgute & pepino.

aspargos com ovos, bacon e molho aïoli

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Com os aspargos que recebi na semana passada, adaptei esta receita para fazer deles uma refeição completa. Mudei a maneira de cozinhar o aspargos, que fiz no vapor. Fiz ovos cozidos, ao invés de fritos e usei a minha tática no microondas para obter o bacon torradinho. Essa deve ser a única verdadeira utilidade do meu microondas, pois eu acho que fritar bacon empesteia a casa com, hmhm, um cheiro de bacon. Assim não faz sujeirada e é super rápido.

Forre um prato largo com folhas de papel e coloque as fatias do bacon esticadas, uma ao lado da outra. Cubra com mais papel e coloque no forno por 5 ou 6 minutos. Remova, deixe esfriar, jogue fora o papel e use o bacon. Ele fica crocante, fácil de esmigalhar e usar em receitas como essa ou em qualquer outra.

10 aspargos — lave, remova a ponta dura do final e cozinhe brevemente no vapor
4 fatias de bacon, fritas ou microondeadas
1 colher de sopa de vinagre balsamico
2 ovos cozidos [ou fritos, se quiser]
Fatias de pão rústico tostadas na frigideira

molho aïoli
1 dente de alho
1 gema de ovo * eu uso cozida
2 colheres de chá de mostarda doce alemã ou outra a gosto
2 colheres de sopa de suco de limão
2 colheres de sopa de suco de laranja
½ tcolher de chá de sal
¼ xícara de Parmigiano Reggiano ralado na hora
½ xícara de azeite extra-virgem

Coloque todos os ingredientes num mini-processador, menos o azeite, e pulse até tudo ficar bem incorporado. Vá juntando o azeite aos poucos e pulsando. Se fizer com gema crua, pode cozinhar o molho num double-boiler por 5 minutos. Eu prefiro fazer com gema cozida. Sei lá, tenho nojinho da gema crua.

Para montar o prato, coloque os aspargos, regue com o vinagre balsamico, coloque os ovos, salpique tudo com o bacon esmigalhado e se quiser [eu quis] sapique com mais parmegiano ralado. Sirva o aïoli num potinho ou derrame sobre os aspargos, conforme o gosto do freguês. E não esqueça das fatias de pão rústico, para completar o prato.

Italian pot pies

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A nossa entrada no horário de daylight saving renovou meus ânimos no final da tarde, já que agora chego em casa do trabalho ainda com sol. Sei que é apenas uma ilusão, mas parece que cheguei em casa mais cedo e portanto sinto que tenho mais tempo. Somou-se a isso o fato da cesta orgânica desta segunda-feira já estar me esperando no chão da cozinha, gentileza incrível feita pelo meu marido, que até me animei para preparar um rango diferente.

Minhas revistas e livros têm post-it coloridos colados para marcar as receitas que gostei e que prentendo um dia fazer. Naquele final de tarde ensolarada, abri a primeira revista da pilha, puxando pelo primeiro post-it cor de rosa choque que vi e dei de cara com essa receita—prática, fácil e super interessante. Foi ela que eu fiz para o nosso jantar. Saiu da revistinha Everyday Food, edição de dezembro de 2008.

Faz 4 porções.

Para o refogado:
1 colher de sopa e azeite
1 cebola média picadinha
2 cenouras picadinhas
Sal grosso e pimenta moída a gosto
450 gr de carne moída
2 xícaras de molho de tomate

Pré-aqueça o forno em 450ºF / 232C e coloque a grade na posição mais baixa dentro do forno. Numa panela, faça um refogado com o azeite, a cebola e a cenoura. Adicione a carne e refogue bem. *Eu adicionei a parte verde de um scallion cortadinha e um punhado de azeitonas pretas secas. Quando a carne estiver bem cozida, acrescente o molho de tomate. Deixe refogar mais alguns minutos e desligue o fogo.

Para a massa:
1 xícara de farinha de trigo
1/4 xícara de queijo parmesão ralado
1 1/2 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de alecrim seco
4 colheres de sopa de manteiga derretida
1/2 xícara de leite integral

Misture a farinha, o queijo, o fermento e o alecrim esmigalhado com as mãos, batendo com um batedor de arame. Faça um buraco no meio da mistura da farinha e coloque ali a manteiga derretida e o leite. Misture até formar uma massa. Numa forma forrada com papel alumínio, coloque quatro ramequins e distribua o refogado de carne. Cubra com a massa e leve ao forno por mais ou menos 10 minutos, até a massa ficar douradinha. Sirva imediatamente.

noodles com brócolis

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A frase pode até ser chavão, mas é verdadeira—cozinhar é uma arte. Muitas vezes percebo minha cozinha como uma oficina, onde vou criar um prato comestível, o produto final que poderia ser um quadro, uma escultura, uma peça de cerâmica, uma colagem ou uma montagem interativa. Eu não entendo muito de arte, nem do processo da sua produção ou análise. Mas tenho essa inclinação natural para apreciar e admirar a beleza extraordinária da materia prima que usamos para cozinhar. Nunca me canso de contemplar as lindas formas e cores das verduras, legumes, grãos e frutas, que metaforicamente são minhas tintas, quando me ponho a pintar o canvas em branco do jantar do dia.

Para o jantar desse dia a inspiração era, como sempre, zero! Não é muito comum eu chegar em casa já com uma idéia para o jantar. Normalmente fico o dia inteiro bloqueada, até entrar na cozinha no inicio da noite e começar a abrir armários e geladeira. Também não sou organizada o suficiente para planejar o menu da semana e comprar ingredientes de acordo. Meu guia é o conteúdo da cesta orgânica semanal. É a partir dali que escolho seguir um caminho ou outro. São os legumes e verduras que estão na bancada da cozinha ou na geladeira que definem o menu do dia.

Foi o brócolis que orientou a concepção desse prato de massa. Usei um maço de brócolis, que separei os floretes e folhinhas e ralei os talos no mandoline. Usei um restinho de frango assado, que piquei em cubinhos bem pequenos. Depois foi natural juntar um punhadinho de tomates secos, também picados. Pensei um pouco se deveria ou não acrescentar um outro punhadinho de azeitonas pretas. Decidi por acrescentar e não me arrependi. Numa panela grande e funda coloquei bastante água com sal para ferver e cozinhei ali uns noodles feitos com farinha de spelt. Enquanto os noodles cozinhavam, refoguei o brócolis em bastante azeite. Só o tempo suficiente para os floretes cozinharem, mas sem deixá-los perder a crocância. Acrescentei os outros ingredientes, mais sal grosso e floquinhos de pimenta vermelha a gosto. Depois foi só juntar o refogado de brócolis aos noodles cozidos e escorridos, ralar bastante queijo parmesão para salpicar por cima do prato, servir e comer.

Pena que essas obras de arte diárias que produzimos nas nossas oficinas-cozinhas não são preservadas e têm um tempo de existência bem curto. Como os minuciosos mandalas de areia tibetianos, nossos lindos pratos coloridos também desaparecem, mastigados e devorados avidamente pelos comensais famintos. Para rebater esse ritual ciclico de impermanência, temos a sorte de poder usar nossas câmeras fotograficas e assim registrar a beleza desse nosso trabalho, que é o resultado de toda a nossa dedicação, para a posteridade.

risoto de erva-doce & laranja

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Foi a Marianne que me deu a idéia desse risoto, quando ela contou que tinha feito um com a metade do bulbo da erva-doce que ela tinha levado na outra semana. Fiz seguindo a receita básica—quatro xícaras de liquido, para cada xícara de arroz. Refoguei a erva-doce na manteiga. Cortei o bulbo no mandoline e usei também os caules e os raminhos. Depois refoguei o arroz e acrescentei uma xícara de suco de laranja [substituindo o vinho]. Depois as três xícaras de caldo de legume quente, até o arroz ficar pronto. Juntei raspas da casca de duas laranjas pequemnas. Daí foi só acertar o sal, deixar descansar uns minutinhos e servir, com ou sem queijo parmesão ralado.

torta de alcachofra & milho

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A idéia para essa torta nasceu de uma receita de entrada de alcachofra e queijo de cabra da revista Bon Appetit e acabou se transformando num outro prato, resultado também da minha vontade de fazer uma limpa no congelador. Eu não gosto de deixar coisas congeladas por muito tempo, pois acho que o congelamento compromete a qualidade e o sabor. Tenho alguns sacos de milho congelados no meio do verão e queria começar a usá-los. Também tinha uma massa de torta feita com farinha de spelt orgânica. Juntou tudo e voilá—criou-se uma deliciosa torta!

Descongele o milho e os corações de alcachofra. 2 xícaras de milho e 1 xícara de corações de alcachofra. Numa panela derreta 2 colheres de manteiga e refogue ali um dente de alho picadinho. Junte o milho e a alcachofra e refogue por uns minutos. Tempere com sal, pimenta branca moída, cebolinha picada e gotas de limão. Junte 1/4 de xícara de creme de leite fresco e depois umas 4 fatias de queijo de cabra. Refogue rapidamente até o queijo derreter e formar um creme. Pré-aqueça o forno em 400ºF/ 205ºC. Coloque o creme de milho e alcachofras numa massa preparada—usei uma feita com farinha de spelt orgânica e coloque para assar, até o recheio começar a borbulhar e ficar levemente gratinado. Sirva essa torta quente ou fria.

navarin de carneiro

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Esse é um prato típico da primavera, mas eu não quis nem saber e fiz para recepcionar o inverno, que está se instalando confortavelmente por aqui. Adaptei uma receita do Mastering the Art of French Cooking da Julia Child. Usei menos legumes—apenas cenouras, batatas e rutabagas. Na receita original vai também cebolas pequenas e ervilhas frescas.

1 quilo e meio de carne de carneiro
4 colheres de sopa de óleo
1 panela grande e funda que possa ir ao forno—embora eu tenha feito a receita no fogo, a Julia Child recomenda o forno, então fica ao critério do cozinheiro.

Corte o carneiro em cubinhos, seque bem com papel e frite bem no óleo até eles ficarem dourados. Salpique a carne com 1 colher de sopa de açúcar e mexa bem, sobre o fogo, até eles ficarem caramelizados. Tempere com 1 colher de chá de sal, 1/4 de colher de chá de pimenta do reino moída e três colheres de sopa de farinha de trigo. Refogue por uns minutos e então junte:

3 xícaras de caldo de carne * usei de legumes
350gr de molho de tomate puro ou 3 colheres de sopa de extrato de tomate
2 dentes de alho esmagados
1/4 colher de chá de tomilho ou alecrim
1 folha de louro

Se for colocar no forno, deixe ele pré-aquecido em 350ºF/ 176ºC. Eu fiz no fogo mesmo, deu certinho. Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo de médio pra baixo por mais ou menos 1 hora. Depois disso acrescente os legumes:

De 6 a 12 batatas em pedaços
6 cenouras descascadas em pedaços
6 rutabagas descascados e cortados em pedaços
12 pequenas cebolas descascadas *omiti

Misture os legumes com o molho e a carne e continue cozinhando, no fogo ou forno, até os legumes ficarem cozidos e molinhos. Corrija o sal se necessário. Se for acrescentar as ervilhas frescas, faça no último minuto, dando uma fervida nelas antes. Eu não fiz. Sirva em seguida. Eu servi acompanhado de couscous, mas um pão rústico também seria uma ótima opção.

risoto de limão [cravo]

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Aproveitei que estou sozinha para fazer uma receita que estava me tentando e cutucando há um tempo—risoto com limão cravo. O Uriel já demonstrou de maneiras impliícitas e explícitas que não é nem um pouco fã desse prato, que eu faço pouquissimo porque pra falar a verdade, também não considero um dos meus favoritos. Mas um arroz quentinho e cremoso com gostinho de limão numa noite outonal de sexta-feira é mais do que um bom motivo para dar mais uma chance para o risoto e botar a mão na massa.

Fiz uma quantidade suficiente para uma pessoa esfomeada:
1/2 xícara de arroz arboreo
1 colher de sopa de manteiga
1 colher de sopa de cebola bem picadinha
1/4 xícara de vinho branco
2 xícaras de caldo de legumes aquecido
Sal a gosto
2 colheres de sopa de queijo asiago ralado
1 limão cravo pequeno—casca ralada e suco espremido.

Numa panela robusta refogar a cebola rapidamente na manteiga, acrescentar o arroz [sem lavar!] e refogar por alguns minutos. Jogar o vinho no arroz e ir mexendo bem, em fogo médio, até o liquido evaporar. Daí vai acrescentando o caldo de legumes quente aos poucos—de meia em meia xícara, e mexendo sempre, até o liquido evaporar. Depois que acrescentar a última parte do caldo, adicione o queijo, mexa bem para encorporar, salgue a gosto, desligue o fogo e adicone o suco e raspas do limão. Mexa para incorporar, tampe a panela por alguns minutos, enquanto põe a mesa, e sirva o arroz fumegante imediatamente.

tarte tatin de tomates

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Acho que esta será a última receita com tomates que eu vou publicar aqui este ano. Eles ainda continuam chegando, mas eu já quero começar a dar vazão às receitas outonais. Até o próximo ano, tomates! Ponto final. E essa tarte tatin de tomates teve uma história. Primeiro eu fiz exatamente como estava explicado numa receita que vi no The New York Times e achei o resultado detestável. Os tomates estão extremamente maduros e doces, e o processo de caramelização deixou a torta açucarada demais pro meu gosto. Eu comi, mas não achei que iria vingar algo blogável. Passaram-se muitos dias e dezenas de tomatinhos já estavam acumulados novamente, empilhados na bancada da minha cozinha. Resolvi dar mais uma chance para esta receita, mas desta vez resolvi mudar os detalhes que não gostei e fazer do meu jeito, eliminando a caramelização com açúcar. Usei apenas o azeite e o vinagre e ficou muito melhor. Também não usei cebola. Se alguém quiser testar a receita original, ela está AQUI.

1 circulo de massa folhada [* usei a Puff Pastry]
Muitos tomatinhos maduros
Um punhado de azeitonas pretas
Folhas de tomilho fresco
Sal grosso e pimenta do reino branca moída a gosto
Azeite e vinagre Jerez [Sherry vinegar]

Pré-aqueça o forno em 425 ºF/ 220ºC. Numa frigideira que possa ir a forno coloque um pouco de azeite, ajeite os tomatinhos cortados ao meio e frite em fogo médio, até eles começarem a caramelar. Tempere com sal e pimenta a gosto. Quando os tomates estiverem borbulhantes e soltando um liquido caramelizado, coloque as azeitonas, espalhe as folhas de tomilho e regue tudo com algumas gotas de vinagre Jerez. Não exagere, senão fica muito ácido. Deixe refogar mais uns minutos, remova a massa folhada da geladeira e cubra os tomates com ela, cuidando para que a borda fique bem fechada. Coloque no forno pré-aquecido e asse por mais ou menos 20 minutos ou até a massa ficar crocante e dourada. Retire do forno, deixe esfriar um pouco, passé uma faca pela borda e vire a torta num prato. Sirva morna ou fria.

frango com queijo brie

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Receita da sempre prática revista Everyday Food. É ótima para jantares corridos de dias de semana, quando não dá nem pra pensar em fazer coisas com muitos ingredientes e muitos passos. Pra fazer esses filés enrolados para duas pessoas, você vai precisar de:

2 filés de frango —eu uso o do frango caipira
2 fatias grossas de queijo brie
4 colheres de sopa de espinafre cozido [pode usar o congelado]
Eu não tinha espinafre, então usei pedacos de coração de alcachofra, mas quero refazer usando a verdura da receita original
Sal e pimenta a gosto
Mostarda amarela preparada

Abra os filés, cortando ao meio com uma faca. Tempere com sal, pimenta e uma camada fina de mostarda. Espalhe o espinafre—no meu caso, ajeitei a alcachofra—coloque a fatia de queijo e enrole. Coloque numa forma refratária ou forrada com papel alumínio. Asse no broiler, em fogo baixo, por uns 15 minutos.

Gostei da idéia de usar o broiler, porque assim esquenta menos a cozinha. Mas pra quem não tem o broiler, a parte do forno que acende em cima, pode assar no forno normal.

Eu servi com arroz basmati integral cozido no caldo de cogumelos.

A foto está um horrore, tirada dois segundos antes do ataque, mas serve ao menos para dar uma idéia da cara apetitosa—embora não fotogênica, desse rango brejeiro.

Este post estava engatilhado, esperando sua vez de ser publicado. Ainda não vesti o avental da cozinheira, mas estou voltando devagar.

chili con naranja

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A Alison me deu a dica de uma receita do livo Joy of Cooking—Caribbean chili. Fiquei tri-animada com a idéia de um feijão temperado com citrus, mas comecei meio com o pé esquerdo, pois já sabia que não tinha alguns ingredientes, como a laranja ou o coentro. Mas mal sabia eu que a situação iria evoluiur para a ausência total de receita. Com meus poderosos óculos, curvada na bancada da pia, com a luz mais forte iluminando o livro, i-swear-to-god, procurei naquele índice micro-minúsculo por chili, por feijão, por feijão preto, por tudo que pudesse me indicar o caminho da verdade, mas não achei necas de pitibiriba.

Então resolvi fazer o chili com uma receita da minha cachola mesmo. Refoguei cebola picadinha no azeite, joguei o feijão flor de mayo já cozido com o caldo, mais um pouco de caldo de legumes. Piquei um tanto de gomos de tangerina [teria que ser laranja, mas], raspei cascas de uma laranja vermelha e um limão, mais o suco do limão, chili pepper em pó, cominho em pó e um pouco de noz moscada ralada na hora. Cozinhou até dizer chega. Acertei o sal, jogue salsinha picada [era melhor coentro]. Servi quentíssimo com um triangulo de corn bread. Comi demais—coisa que eu detesto fazer à noite.

O corn bread tirei do Joy of Cooking, já que estava com eles abertos [chequei a edição velha e a nova, atrás do tal chili]. Também não tinha uns ingredientes pra essa receita, mas nessa altura do campeonato nada mais importava, pois eu já estava irada e pronta pra rodar uma baiana e desafiar o Mario Batali no Iron Chef America.

skillet corn bread

Pré-aqueça o forno em 400ºF/205ºC. Unte uma frigideira grossa de ferro [skillet] com manteiga. Numa vasilha misture:

1 1/4 xícaras de cornmeal amarela * eu não tinha, usei a azul
3/4 xícara de farinha de trigo *o rato furou o saco, usei uma integral
2 1/2 colheres de chá de fermento em pó
2 colheres de sopa de açúcar *pode pôr até 4 se gostar mais doce
3/4 colher de chá de sal

Adicione então:
2 ovos batidos
2 ou 3 colheres de sopa de manteiga derretida, gordura de bacon ou óleo vegetal * usei 2 colheres de óleo vegetal
1 xícara de leite

Misture bem, eu joguei um pouco de queijo ralado, coloque na frigideira e ponha no forno. Asse por uns 20 minutos, até que a massa esteja firme como um bolo.

cassoulet de grão de bico

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Meu irmão é um apreciador da boa mesa e já comeu de tudo, em muitos lugares do mundo. Ele contando de um cassoulet de feijão branco com pato que comeu na França me deu uma idéia para o jantar. Nesse frio, queremos comer coisas quentes e substanciosas, para aquecer o corpo, dar sustância. O cassoulet é uma comida perfeita pro inverno. Fiz com grão de bico, que cozinhei "from scratch", a partir do grão seco, porque os de lata se fesfazem durante o cozimento. Usei bacon, uma dessas linguiças com recheio de tomate seco e sei lá mais o que, e uma peça de smoked pork shank, que dá um sabor especial ao guisado. Alho refogado, louro e salsnha fresca no final. Sal e pimenta do reino a gosto. Voilá!




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