the antique fair/ Ten22

em marçoem marçoem março
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Finalmente descobrimos uma feira de antiguidades que acontece mensalmente bem perto de nós. É a antique fair de Sacramento, montada num espaço enorme bem debaixo da freeway onde mais de trezentos vendedores expõem suas relíquias. Levamos bem umas três horas para ver quase tudo. Fomos na do mês de março [quando tirei essas fotos] e já voltamos na de abril. Vende-se muito cacareco, mas também tem bastante coisa divertida e interessante. Eu sempre consigo achar umas coisinhas legais. No domingo em março saimos da feira verdes de fome, depois de horas de camelança, e acabamos indo almoçar num restaurante instalado num ponto bem turístico da cidade—Old Sacramento. Lembro do fuzuê em torno desse Ten22 quando lá era apenas um nightclub, num investimento feito por um dos jogadores do time de basquete da cidade. Hoje ele virou um restaurante da linha farm-to-fork, usando ingredientes locais e sazonais. Eu gostei do ambiente e da comida, que muito caprichada e super gostosa. Ou seria o apenas efeito do horário e da fome? Pisc! Não, estava muito bom mesmo!

Burma Superstar

Adicionei esse restaurante na minha lista de lugares para comer em San Francisco em abril. Como sou atrapalhada, mas nunca desisto de uma missão, conseguimos jantar no Burma Superstar no inicio de dezembro. Valeu a pena esperar tanto tempo? Claro que valeu! Fui buscar o Uriel no aeroporto e na volta entramos na cidade e chegamos na Clement Street às 4:30 da tarde. Era um pouco cedo para jantar, mas lembrei de ter lido sobre as imensas filas para comer nesse lugar. Na hora que chegamos não tinha ninguém, chegamos juntos com dois moços e ficamos ali na frente. Precisei dar um pulo na farmácia e quando voltei a fila já estava virando a esquina. Foi uma alegria saber que éramos os primeirões. O Uriel já tinha ficado amigo dos moços, um deles até falava português aprendido com videos e livros. Às 5 em ponto as portas se abriram, entramos e sentamos na mesa ao lado dos moços amigos da fila. O lugar é bem pequeno, então as mesas são bem juntas [tipo ter que tomar cuidado pra não encostar a bunda no prato de arroz do vizinho ao sair, como eu quase fiz] e ficamos conversando e trocando ideias sobre o cardápio. Em 15 minutos o restaurante já estava completamente lotado e borbulhando com comensais animados e famintos. Do lado de fora a fila se avolumava e um banco estratégicamente instalado para o conforto e um chazinho servido como cortesia ajudava o pessoal aguentar a espera. Fizemos perguntas sobre as opções do cardápio para o atendente e é claro que ele recomendou a salada mais popular, com folhas de chá de Burma, que foi o que pedimos. Além das samosas burmesas, eu pedi uma sangria com lichia, barriga de porco com pickles de folhas de mostrada e o Uriel um camarão com folhas azedas. Acompanhamos tudo com arroz de coco. Estava tudo super gostoso. E diferente. A salada vem com os ingredientes separados, que são misturados com destreza e movimentos acrobáticos na nossa frente. As folhas de chá tem um sabor bem diferente, nós gostamos! Comemos um bolo de chocolate e gengibre de sobremesa, que também estava bom. Recomendei o Burma Superstar para todo mundo no meu círculo de amigos e conhecidos que gosta de comida asiática, mas de vez em quando quer provar algo diferente do tailandês ou do indiano/nepalês. Burma é a nova onda.

Burma SuperstarBurma Superstar
Burma SuperstarBurma Superstar
Burma SuperstarBurma Superstar
Burma SuperstarBurma Superstar
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Shed — Healdsburg

Coincidentemente eu já tinha planejado uma visita à vinícola Quivira nos arredores de Healdsburg naquele final de semana, quando vi uma menção ao Shed na revista Sunset. Foi super providencial, pois decidi que ali seria o nosso lugar de almoçar para não irmos bebericar vinhos de estomago vazio. O que me chamou a atenção no pequeno paragrafo publicado na revista foi o fato do lugar ter um shrub bar. Me entusiasmei ainda mais quando olhei o website deles. Mas só consegui entender o conceito do Shed quando cheguei lá e entrei no prédio, que parece uma mistura de hangar de avião com um celeiro. O lugar é bem pequeno mas é praticamente um parque de diversões pra foodies. Tem tanta coisa pra se olhar, num ambiente absolutamente impecável e altamente fotogênico, que tenho certeza que daria para passar um dia inteiro lá dentro, só comendo e bebendo coisas gostosas, olhando coisas bonitas, fazendo comprinhas e até participando num evento no andar de cima.

shed shed
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Como chegamos famintos, entramos e fomos direto pedir comida e bebida, eu de olho nas bebidas de vinagre—os shrubs, é claro. Eu pedi um prato de mezze e shrub de pera, o Uriel pediu macarrão com berinjela e o Gabriel e a Sarah pediram uma pizza cada um. Bebemos vinho rosé produzido no local, os vinagres e o kombucha. Eles também oferecem cerveja artesanal feita lá, mas não provamos. Adoramos o sorvete deles e o sabor mais comentado e apreciado foi o de mel com manjericão. Me arrependi de não ter comprado mais coisas de comer e beber, principalmente a bebida fermentada de chocolate que parecia muito boa.

shed shed
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Bom, se eu descrever o que tem no Shed, muita gente não vai acreditar que o lugar é bem pequeno. O andar de cima [onde não entramos] é reservado para eventos e estava anunciado um jantar japonês com produtos locais. No andar de baixo tem a parte de bebidas, vinhos, cervejas e café, uma mercearia com produtos locais frescos, legumes, verduras, ovos, produtos em conserva, feijões secos, farinhas moídas no local, charcuterie, queijos, eleteceterá. Uma balcão com comida para levar pra casa e outro balcão de pedidos para a cozinha. Uma geladeira com bebidas, manteigas, queijos, leite, frios e coisinhas boas para picnics, um balcão de chá e café, sorvete e o bar de fermentados, onde sentamos e batemos papo com o chef das bebidas. Achei os shrubs deles especialmente delicados. Tudo uma delícia.

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Na entrada tem uma lojinha com livros e utensílios de cozinha arranjados de maneira tão linda e delicada que me causou uma paralisia de encantamento. Eu adorei as marmitas de enamel, que pesavam [e custavam] mais do que deveriam mas mesmo assim conquistaram a simpatia da minha vênus em virgem. E atrás do shrub bar você pode comprar ferramentas pra sua pequena produção, desde sementes pra plantar, como material pra apiário, pra fermentação de vinagres e pickles, enxadas, foices, alcinhos. Nem consegui ver tudo, porque queríamos ainda visitar a vinícola e tinhamos que voltar para Davis antes do final da tarde. Mas não tem problema porque o Shed será um lugar em que voltarei sempre que for à Healdsburg na região de Sonoma.

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Lincoln — Portland

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O restaurante Lincoln foi recomendação das revistas Sunset e Food & Wine. Eu queria experimentar no Oregon a comida de um lugar que tivesse a preocupação e o zelo de usar ingredientes locais e sazonais, e que fosse casual e sem firulas, onde um casal brejeiro de turistas pudesse ir tranquilamente numa noite quente sem precisar se vestir como se estivesse indo à opera. Por isso fiz essa escolha e acho que decidi bem. O lugar era um antigo galpão na região modernizada da North Williams Avenue, onde os proprietários, a chef Jenn Louis e seu marido David Welch, mantiveram o máximo da estrutura original. Então para um jantar de uma noite de verão, sentamos numa parte do salão onde as paredes estavam abertas, podendo-se ver o movimento na rua e sentir a brisa do anoitecer. Não vou lembrar pequenos detalhes do que comemos, porque o menu do restaurante muda constantemente, eu não anotei nada e depois do segundo copo de licor de erva-doce caseiro com prosecco já não estava mesmo interessada em memorizar detalhes. Apenas aproveitei o jantar ótimo com o meu marido. De entrada pedimos uma omelete levíssima feita com ovos caipiras, ricota caseira, uma folha verde que eu tive que discretamente googlar o nome e flores capuchinhas. Depois comemos halibut com farro e outra verdura que estava espetacular, mais um nhoque de beterraba, aspargos selvagens e spaetzle com sálvia. Na sobremesa eu pedi o brutti ma buoni, que é um suspiro servido com creme fraiche e conserva de ruibarbo. Estava bom. Mas foi a sobremesa do Uriel que derrubou os muros de Babel, uma panna cotta de chocolate branco com pickles de nectarina e saba, que eu já saí do restaurante decidida que iria tentar fazer em casa [e fiz!]. Saindo do Lincoln fomos tomar um drink num outro lugar super recomendado, o Clyde Common. Lá eu ousei bebendo algo que nunca beberia normalmente, um cocktail Martinez envelhecido em barril de whiskey—gin, sweet vermouth, maraschino, orange bitters, lemon peel. Depois caminhamos um pouco pelas ruas da cidade. Portland fica duplamente linda à noite.

Bunk Sandwiches — Portland

Bunk Sandwiches Portland
Bunk Sandwiches PortlandBunk Sandwiches Portland
Bunk Sandwiches PortlandBunk Sandwiches Portland

O Bunk sandwiches foi outra dica que peguei da revista Sunset e que talvez não tivesse encontrado ou me tocado, se não soubesse de antemão que era um lugar legal. É um pequeno corredor, um "hole in the wall" que não oferece nenhum atrativo a primeira vista. É um bom lugar para um lanche rápido. Escolhe-se o sanduiche e se quiser alguns acompanhamentos de um menu escrevinhado no alto da parede, senta e espera a bandeja chegar—forrada com papel, contendo o sanduiche e chips de batata. Nós pedimos uma salada de folhas verdes também. Me senti muito audaciosa nesse dia e pedi um sanduiche cubano de barriga de porco, presunto, queijo suiço, pickles e mostarda, que estava bom. Mas invejei muito a escolha vegana do Uriel, que veio com hummus de cenoura assada, pimentão vermelho chamuscado, azeitonas, pepino e molho tzatziki e que estava delicioso. Pena que não deu pra voltar e experimentar outros recheios. Não dá pra se exigir tal façanha num passeio como esse limitado pelo tempo.

Pok Pok — Portland

Pok Pok PortlandPok Pok Portland
Pok Pok PortlandPok Pok Portland
Pok Pok PortlandPok Pok Portland
Pok Pok PortlandPok Pok Portland

Não sou muito boa planejando passeios e viagens, mas dessa vez fui um pouco mais organizada e usei como guia de Portland este pdf disponibilizado pela revista Sunset e algumas dicas da revista Food & Wine. Nem é necessário dizer isso, mas se você for fazer uma pesquisa rápida de onde comer em Portland, o comentadíssimo, bacaníssimo e modernérrimo Pok Pok vai estar sempre entre os primeiros. E com toda razão. No nosso primeiro dia saímos da Powell's Books e fomos almoçar nesse pequeno restaurante tailandês, que era um dos lugares que eu queria e precisava checar na cidade. O restaurante começou numa pequena casinha e foi ampliado por causa do sucesso e demanda. A paixão do chef Andy Ricker pela cozinha tailandesa elevou o pequeno lugar à categoria cult & melhor do país. Além do Pok Pok original em Portland, hoje o restaurante tem uma filial em New York. Chegamos já era mais de 2pm e ainda tivemos que esperar 30 minutos. Você chega, dá seu nome para a recepcionista e espera. Há um bar, mesas fora e dentro. Fiquei torcendo para sentarmos fora, pois achei tudo lá dentro muito escuro apesar do ar condicionado, ausente no lado de fora.

O restaurante é bem simples e rústico, com pratos, travessas e copos de plástico, mesa forrada com oleado. O serviço é super gentil e eles respondem com a maior paciência a toda e qualquer pergunta. Eu tinha algumas, especialmente sobre as bebidas. Me apaixonei por uma bebida de fruta e vinagre. Experimentei a de ruibarbo e não consegui desviar meu foco dessa super ideia. Já tinha lido sobre os vinagres na bebida, mas nunca tinha provado. Fiquei louca e em breve escreverei mais sobre isso. A água que eles servem também é especial, vem numa jarrona e tem um gostinho diferente, pois é aromatizada com folhas de pandanus como é feito comumente na Tailândia. Tive um pouco de dificuldade para escolher o que comer no Pok Pok, porque sou uma picky eater de lascar a lenha e o menu tem coisas muito diferentes, ovo e carne de porco misturados com outros ingredientes. No final escolhi algo seguro [para mim] e gostei muito. Uma salada, uma linguiça com ervas. e arroz de coco O Uriel comeu um frango com vários molhinhos e salada de mamão verde. Não sei por que não pedimos sobremesa. Eu tinha planos de ir em outro lugar, mas não deu certo. Estávamos cansados e fazia muito calor. Acabamos indo para o hotel, mas o Pok Pok não saiu mais do meu pensamento, fiquei querendo voltar lá para me aventurar com outros pratos e ingredientes. »pok pok é a onomatopeia em versão tailandesa para o barulhinho que o amassador faz no pilão quando se esta moendo as ervas.

Williams Selyem / Della Fattoria

Williams SelyemWilliams Selyem
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Convite dos amigos Heg & Steven para visitar vinícolas é sempre certeza de que beberei bons vinhos e passarei horas gostosas papeando em ótima companhia. Quando visitamos a Williams Selyem no mês passado, foi exatamente o que aconteceu. A vinícola, que fica em Healdsburg no condado de Sonoma, produz as variedades Pinot Noir, Chardonnay [e provamos o unoaked que eu achei muito mais fresco que os envelhecidos no carvalho] e Zinfandel. Eu gostei de tudo o que bebi e olha que eu provei todos os vinhos duas vezes [hihihi!]. A vinícola estava bem movimentada com um evento, que também oferecia pães, queijos, salames e azeites de produtores locais. Terminando a extensa degustação decidimos dirigir até Petaluma e fazer um lanchinho bem tardio no Della Fattoria, um lugar super gostoso que eu não ia desde nossa primeira visita lá em 2007. A cozinha já estava fechando, mas fomos atendidos com a maior gentileza. Pedimos sanduiches, sopa de cenoura, queijo local, o pão servido é feito na padaria deles. Encaroçamos por algumas lojinhas de antiguidades na cidade antes de seguirmos para casa, nós pra Woodland e eles para San Francisco.

treze de abril

Não nos importamos de dirigir até San Francisco num sábado pela manhã, porque adoramos visitar a cidade e neste dia iríamos reencontrar nossos primos de Atlanta que estavam passando uns dias na Califórnia. Fizemos uma visita à região do Japantown, que naquele final de semana estava em polvorosa por causa do Cherry Blossom Festival. Passeamos pelas ruas movimentadas, encaroçando em lojinhas, assistindo alguns shows e demoramos um pouco para achar um lugarzinho pra comer. Olhamos no Yelp e demos com a cara na porta de um restaurante que parecia muito bom, mas que ao invés de estar servindo comida estava vendendo todas as suas cerâmicas e encerrando suas atividades. Escolhemos então na base do unidunitê, o lugar menos cara de território de turista e entramos. O Juban é um daqueles japoneses-coreanos com uma grelha embutida na mesa pra você mesmo fazer seu ranguinho. Além do mais, assim que chegamos tagarelando em português uma das garçonetes veio se apresentar. Era uma brasileira. Ou melhor, um brasileiro. No restaurante japonês em San Francisco fomos atendidos gentilmente por um travesti paraibano chamado Silva. Eu achei ela muito linda e prestativa, pois ainda nos deu várias dicas valiosas para quem nunca tinha entrado num lugar como aquele. Perguntamos se vinha muita comida e a Silva nos fez gargalhar respondendo com seu sotaque charmoso—aqui tudo é pouco, só o gerente que é muito! [whatever that means, hahaha!] Eu pedi um prato com fatias de carne cortadas super fininhas, que vieram cruas e temperadas com molho, acompanhadas de legumes também crus, arroz branco e vários tipos de pickles e kimchi. Foi divertido cozinhar nossa própria comida na grelha da mesa. E pra completar ainda bebemos uns drinks bem coloridos e refrescantes que vinham num copão torto.

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SF in familytrees of fall

Depois do almoço fomos, por escolha da nossa prima, visitar um dos landmarks de San Francisco—o Alamo Square, onde ficam as Painted Ladies, as famosas casinhas vitorianas mundialmente conhecidas e amplamente fotografadas. O parque é pequeno, mas muito gostoso pra fazer caminhadas, embora naquele dia o vento estivesse particularmente inclemente. Tiramos as fotos que todos tiram, enquanto muitos grupos faziam picnic no gramado do lado mais popular do parque.

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Como os nossos primos combinaram de encontrar amigos que também moram por aqui, acabamos num grupo relativamente grande para jantar e eu tive um pouco de dificuldade para achar um restaurante bom na cidade que fizesse reserva e acomodasse um número grande de pessoas. Depois de muita buscar por algo no Yelp e no Open Table achei um restaurante turco em Potrero Hill, chamado Pera. O lugar é bem agradável, o serviço atencioso e a comida estava muito boa. Como todo mundo queria conversar com todo mundo, facilitamos pedindo várias bandejonas com diferentes appetizers que dividimos entre nós. Não reparei no que os outros pediram, mas todo mundo elogiou a comida. Eu pedi o especial da noite, que era um filé de habilut. Bebemos um chenin blanc da vinícola Dry Creek em Clarksburg que estava tão bom que acabei bebendo mais do que devia, por isso não tem quase nenhuma foto das comidas, só um clique aqui e outro ali. Uma pena, porque os pratos eram lindos. Finalizamos tudo com chá e café turco. Depois fomos para o hotel beber cocktails e conversar mais. Queremos muito que nossos primos venham para cá mais vezes, porque é sempre muito divertido estar na companhia deles.

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vinte e sete de dezembro

Uriel precisou renovar o passaporte brasileiro e como estávamos em férias, fomos até San Francisco num dia de semana. Aproveitei para dar um rolê pelas lojinhas e fazer umas comprinhas, o que nos dias seguintes ao Natal traduz por pegar muita fila e lojas cheias por causa das liquidações. A cidade é sempre linda, mesmo com hordas de turistas lotando ruas, restaurantes e lojas. E depois de muitos dias de chuva, pegamos um dia maravilhoso de céu azul, até um pouco menos frio do que o de costume.

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Como fiquei duzentas horas pra decidir minhas compras [incluído horas na fila pra entrar no provador mais horas na fila para pagar—argh!] fizemos um amoço bem tardio. Caminhamos pela região do Financial District procurando por restaurantes que o Yelp tinha nos indicado, mas que estavam fechados. Acabamos na fronteira de Chinatown e eu imediatamente tomei a oportunidade, pois sempre quis comer num restaurante chinês nessa região mas nunca tive coragem de me aventurar, porque tudo lá parece tão perigosamente imundo. O Yelp nos indicou o House of Nanking que é um restaurante ícone no local, sempre lotado de turistas que chegam para provar as delicias que eles preparam lá. E eu agora entendi porque. O lugar tem um menu um pouco diferente dos restaurantes chineses de praxe, embora tenha um ambiente caótico com serviço rude e confuso. Gostei de tudo que comi lá, o pastel de camarão com um molho, a salada de broto de ervilha, o frango com gergelim e batata doce [que é o prato chefe da casa e para o qual abri uma exceção, porque não como carne nunca em restaurante asiático] e a berinjela que foi pedido do Uriel. Até o canecão de chá de flor com goji berry estava diferente. A conta também se distingue dos outros restaurantes chineses, porque é um pouquinho mais salgada.

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Batemos um pouco de perna em Chinatown, que é sempre uma experiência interessante, depois pegamos o carro e fomos dar uma volta para matar hora e não pegar aquele tráfego miseráver na I80 nos dias de semana. Fomos para a região da Union Street que é uma fofura, cheia de lojinhas, restaurantes e cafés. Paramos no La Boulange para beber algo e comer umas gostosuras da padaria francesa. No nosso trajeto de encaroçação entramos numa lojinha cheia de coisas legais e imediatamente a vendedora nos ofereceu uma taça de vinho rosé. O negócio é que ela também estava bebendo [mais do que os clientes] e falava mais que a boca, me explicou mil detalhes de tudo na loja, perguntou de onde estavamos visitando, disse que conhecia Woodland e ainda lascou um—está nevando lá pros lados de Sacramento? —está quase, eu respondi.

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Littorai — Forchetta Bastoni

Qualquer convite dos amigos Hegui & Stevie é sempre certeza que vamos nos divertir na companhia deles e descobrir lugares super bacanas, beber bons vinhos e conversar muitos assuntos. Desta vez fomos à um wine tasting na vinícola Littorai, perto de Sebastopol no Sonoma County. Foi a nossa primeira vez, mas o Hegui e o Stevie já estiveram lá outras vezes— para um outro tasting pos-colheita como fizemos no sábado e antes disso para um tour primaveril pela pequena e belíssima vinícola. A Littorai é uma produtora de pinot noirs e chardonnays e usa técnicas de biodinâmica no cultivo das uvas. Enquanto provavamos os nove diferentes tipos de pinots, acompanhados de uns deliciosos acepipes que até incluia um queijo português St. George de Santa Rosa, ouvimos muitas explicações sobre terreno, solo, clima, névoa, sol, variações de temperatura, uvas, eteceterá. Eu consegui provar os nove tipos de vinho, comer um pouquinho e conversar à beça, sem tropeçar, nem derrubar o queijo dentro do copo alheio, nem falar nenhuma gafe. Quando o tasting terminou saimos para dar uma volta pela vinícola, ver os jardins onde eles plantam as flores e ervas que usam no controle das pestes e as casinhas das abelhas que fazem a polinização das videiras.

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Os tastings e tours na Littorai são feitos apenas com reservas. Mesmo para eventos como este que fomos é preciso ser convidado. A vinícola é bem escondida entre muitas curvas tortuosas e não tem placa anunciando no portão de entrada, que aliás só abre com o código que os convidados recebem.

Da vinícola seguimos para o centro da cidade de Sebastopol porque naquela altura precisavamos comer. O Stevie sugeriu um restaurante que acabou nos surpreendendo. No andar de cima o Forchetta Bastoni [Fork Sticks] é um tailandês e no de baixo é um italiano. Nunca tinha visto esse tipo de combinação, que nem pode ser chamada de fusion já que os menus, cozinha e ambientes eram separados.

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No andar tailandês fizemos uma happy hour com drinks e petiscos para acompanhar. O lugar é bem informal, com sofás feitos de caixotes e almofadas, mas nós ficamos nas mesas e cadeiras. Depois descemos para o andar italiano, que é maior e mais bem decorado, com um bar, uma cozinha aberta e um forno a lenha pilotado pelo pizzaiolo mais simpático, fotogênico e charmoso que já conheci. Pedimos vinho, antepasto e prato principal—nós optamos pela pizza que não estava nota dez, mas estava boa. Dividimos algumas garrafas de vinhos locais, dois tintos e um branco. Mas eu bebi somente um sauvignon blanc da vinícola Quivira, outra biodinâmica que faz vinhos deliciosos que eu adoro e que será a próxima que iremos visitar. Pisc!

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primeiro de setembro

Não sei se vocês sabem, mas eu leio todas as revistas que assino com meses de atraso. A única exceção é a Martha Stewart Living e a Sunset, que adoro e devoro assim que sou avisada que elas estão disponíveis no iPad. Já as outras vou lendo quando posso. Foi por isso que li essa matéria de julho sobre o dogpatch em San Francisco somente noutro dia. É uma área mezzo industrial/mezzo residencial que tem se desenvolvido e se modernizado desde a década de 90.

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A reportagem da revista Bon Appetit deu algumas opções de lugares para comer e eu quis conhecer o restaurante Piccino, instalado numa casa vitoriana amarela numa esquina bem charmosa do bairro. Chegamos sem reserva, o que não é uma coisa que eu arrisco fazer sempre, mas não houve problema. O lugar estava bem cheio, mas nada comparado com as áreas mais turisticas da cidade. Dividimos uma salada de figos, queijo gorgonzola local, rúcula e avelãs. O Uriel pediu um panini de tomate com ragout de cogumelos e eu um gnocco de semolina com vagens francesas e um caldo com pesto saborosissimo. Eu bebi um vermentino de Alta Mesa, California. Não pedimos sobremesa porque eu queria tomar o sorvete da Mr. and Mrs. Miscellaneous, uma lojinha de gostosuras que fica na outra esquina. Escolhi gulosamente dois sabores—azeite e chá preto inglês, que acabou sendo o meu favorito. Meu marido, mais comedido, escolheu somente uma bola de gengibre cristalizado. Os sorvetes deles são muito bons.

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Depois fomos dar uma volta pelas ruas do Mission district, que fazia uma parte coadjuvante na reportagem da Bon Appetit, mas não seguimos nenhuma das dicas. Eu queria mesmo era passar na Tartine Bakery para comprar os famosos pães, que dizem ser uns dos melhores dos EUA. Andamos pela 18th street que estava apinhada de gente. Entrei na fila da Tartine—que me pareceu nunca tem fim, e quando chegou a minha vez fui avisada de que eles só teriam pão depois das 4:30pm. Naquele momento só estavam servindo bolos, tortas, sanduiches. Resolvemos andar pelo bairro, olhar lojinhas de antiguidade, comprei um picolé na esquina, entramos na abarrotada Bi-Rite que vendia tomates, figos [esses um tanto amassados] e outras delicias frescas daqui da nossa região. Demos risada. Voltamos para a Tartine onde finalmente comprei dois pães, que são enormes e estavam quentinhos, crocante por fora, macio por dentro. Atravessamos o Dolores park e voltamos para o carro mastigando nacos de pão pela rua. Não conseguimos evitar!

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Sou daquelas habitante da roça pra quem ir até a beirinha do continente e olhar para o oceano é algo altamente especial. Por isso neste dia aproveitamos para dirigir até a Ocean beach, que não é a praia mais linda da região, mas tem o charme de ter a Cliff House no seu extremo direito. A história dessa casa, que agora hospeda um restaurante e um bar e a do Sutro Baths, a incrível piscina pública que hoje só se pode visitar suas ruínas é absolutamente fascinante. Nessa altura já estava ficando tarde e decidimos jantar em algum lugar por perto. Como sábado pra nós é dia de comer pizza, o Yelp nos indicou a pequena Pizzetta 211 no Richmond district. O lugar é bem pequeno, no estilo da pizzaria Delfina, mas é ambientada como um bistrô francês. Os vinhos são também na maioria franceses, o que eu achei que destoava um pouco de um lugar que servia pizza. Mas deixando de lado os dogmas gastronômicos, bebi um vinho francês, branco e seco, muito gostoso, dividimos uma salada de farro com vagens e tomates e pedimos uma pizza para cada um—uma de berinjela assada, outra com mussarella e anchovas brancas. Voltamos pra casa já estava noite. Foi um dia muito bom.

o restaurante

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Foram várias idas ao Café, mas ainda não tinhamos experimentado o Restaurante Chez Panisse, que fica no andar de baixo da casa da Shattuck Avenue, em Berkeley. O Uriel tinha tentado fazer uma reserva pro meu aniversário e não conseguiu, acabou reservando no Café mesmo. Para comemorar os nossos 30 anos de casados ele tentou novamente e desta vez conseguiu. Fiquei temerosamente de olho no menu, que é fixo e que eles publicam online semanalmente, para ver se não iria ter que encarar coisas que normalmente não encaro, como ostras, mariscos, polvo, patê de fígado, carnes exóticas e tals. Felizmente o ingrediente menos simpatico do menu daquele dia seria peito de pato. Respirei aliviada.

Gostamos imensamente da nossa experiencia no restaurante, que tem um serviço ultra atencioso e delicado. Eles ligaram antecipadamente pro Uriel pra confirmar nossa reserva e perguntaram se era alguma ocasião especial. Por isso me surpreendi quando chegou a sobremesa com um delicado cartão nos desejando "happy anniversary". Estava tudo impecável e delicioso, mesmo o pato—que é uma carne muito forte pro meu paladar, eu consegui comer metade da porção. Saimos imensamente felizes do nosso jantar de 30 anos de casados. E no restaurante do Chez Panisse eu quero voltar mais vezes.

O menu da noite incluiu um aperitivo de prosecco ariomatizado com marmelo e laranja e uma torradinha com um patê de bacalhau negro. A seguir veio uma tortinha super leve e delicada com massa folhada recheada com carangueijo Dungénes, erva-doce, alho poró e uma salada de chicória. O primeiro prato foi um risoto de camarões do Golfo com cogumelos chanterelle, alho verde e olio nuovo. O segundo prato foi o peito de pato de Sonoma com um molho de laranja e mandarin, blinis de raiz de salsão e salada de agrião. A sobremesa foi fondant de chocolate com sorvete de gengibre. As sobremesas do Chez Panisse sempre são o ponto alto da refeição pra mim, porque elas são incríveis. Pra finalizar vieram dois biscoitinhos e café pro meu marido. Eu bebi duas taças de sauvignon blanc da vinícola californiana Quivira que estava perfeito e combinou com tudo o que comi.

sábado, 1 de outubro de 2011

birthday
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Para comemorar o meu aniversário, escolhi sem pensar muito almoçar no sempre impecável Chez Panisse. O norte da Califórnia tem uma abundância de restaurantes fantásticos, mas escolhi ir nesse mais uma vez, porque o lugar tem tudo a ver comigo. É sofisticado na qualidade dos ingredientes, mas é informal no ambiente e no serviço. A comida é deliciosa e simples, preparada com extremo capricho e cuidado nos detalhes. Lá me sinto comendo em casa ou na casa de alguém muito legal.

Pedi uma sopa de pimentão vermelho com um creminho de erva-doce, o halibut com milho doce e tomatillo e uma torta de figos perfeita. Adorei o vinho branco californiano que escolhi e dividi com meu filho e minha nora—um blend não filtrado da região da Sierra Foothills. O vinho, que era turvo e tinha um aroma de maçã, harmonizou perfeitamente com o peixe.

The Automat

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Um dos meus passatempos favoritos no iPad é ficar navegando pelo app da revista LIFE, que tem um arquivo imenso de imagens atuais e antigas. Numa dessas viagens achei essa galeria de fotos de automats. Adoro os automats, que só conheci em fotos e filmes. Esses restaurantes/cafeterias foram muito populares entre os anos 20 e 50 e alguns ficaram imortalizados em cenas de alguns filmes clássicos. Nos automats os comensais entravam e colocavam moedinhas nas janelinhas escolhidas, de onde tiravam sanduiches, sopas, fatias de torta e bolos, frutas e sorvetes, além das torneirinhas que serviam café, chá e leite dia e noite. Os automats desapareceram do mapa, mas ficaram registrados na cultura popular através de fotos e filmes. Eles também deixaram descendentes—as maquinetas de bebidas, comidas e até de gadgets, que hoje pipocam por todos os cantos do mundo. Tenho guardado no meu diretório de memória de filmes inúmeras cenas passadas dentro de um automat, mas a mais divertida pertecence ao fofíssimo filme Easy Living de 1937, protagonizado pela minha atriz favorita de todos os tempos, Jean Arthur e por um jovenzinho Ray Milland. Esse filme é absolutamente delightful e eu recomendo para qualquer um que goste de cinema e filmes clássicos. Mas a cena no automat é impagável, quando a Arthur entra lá faminta e desempregada [usando um casaco carésimo, que é o pivô de toda a trama] e só consegue comprar um café. Milland é um moço rico experimentando a vida de um trabalhador comum, fazendo serviço de busboy dentro do restaurante. Ele tenta ajudar a charmosa e engraçada Arthur, abrindo umas janelinhas pra ela poder comer sem pagar. O que acontece depois você só vai acreditar assistindo toda a cena. E depois de ver essa cena, vai com certeza querer ver o filme inteiro!

the high tea

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Numa quinta-feira recebi o convite via sms para me juntar à um cházinho no sábado com Victoria e Bridget num lugarzinho super gostoso aqui em Davis. Eu já tinha ido ao Tea List beber chá, primeiro com o Uriel e depois com meu irmão Carlos e o Gabriel. Adorei o tea cake que eles servem lá e pirei numa infusão de gengibre com limão, que até já reproduzi em casa. O lugar é super pequeno e aconchegante e quem recebe e serve os clientes é a proprietária, que fala inglês com um sotaque estrangeiro que ainda não consegui identificar a origem.

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No sábado, segui caminhando para o Tea List achando que iríamos apenas beber um chá e papear. A grande surpresa foi encontrar a mesa preparada para um high tea—o chá da tarde típico inglês, com a mesa toda arrumada, xícaras e pratos de porcelana, várias rodadas de bules de chá e travessas de três andares recheadas de sanduichinhos, bolinhos, scones, madeleines, frutas frescas, mais creme e geléia para acompanhar.

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Na companhia de duas pessoas super queridas e fofas, o papo se alongou por horas, E apesar de eu ter ido ao encontro exatamente após ter almoçado, não resisti e gulosamente comi muitas coisinhas. Tudo lá é caprichadíssimo, delicado, delicioso. A atmosfera do high tea é a melhor parte. O charme do chá inglês, quem não curte?

restaurante Tordesilhas

Tordesilhas
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Demorei tanto pra escrever sobre a minha visita ao restaurante Tordesilhas em São Paulo, que agora vou ter que espremer a memória e torcer pra não ter esquecido nenhum detalhe. O plano inicial, sugerido pela Neide Rigo e acatado alegremente por mim, era ir conhecer o famoso restaurante Mocotó que conquistou a cidade com seus quitutes nordestinos. Mas o dia em que me encontrei com a Neide era o meu último em São Paulo e no Brasil. Naquele mesmo dia eu iria direto pro aeroporto e fiquei um pouco nervosa com a localização meio distante do Mocotó. Quando a Neide sugeriu o Tordesilhas como segunda opção, escolhi fazer a troca na hora. Não me arrependi. O Mocotó ficou para a próxima.

Voltando no tempo um pouco, tenho que registrar aqui o meu nervoso e a minha caipirice com o tamanho da cidade e as distâncias dentro de São Paulo e como é meu costume fazer, esquentei a moringa à beça pensando e planejando como eu iria me locomover de um lugar pro outro por lá. Eu não contava com a generosidade e gentileza das queridas amigas com quem me encontrei e que se ofereceram de me dirigir pra lá e prá cá. Assim acabei chegando na casa da Neide antes das oito da manhã, sem nenhum esforço, só no papo gourmet com a minha amiga Daniela, que bondosamente me dirigiu do Itaim-Bibi até a Lapa numa piscada.

Com a Neide então, nem vi por onde estava indo nem onde estava pisando, porque só queria saber de ouvir ela falar e papear. Fomos de trem até o Mercado da Lapa e depois de ônibus até o centro da cidade, onde fui conhecer o Marcos, marido dela e depois fomos caminhando até o Tordesilhas.

O ambiente do restaurante é uma delícia, com uma decoração cheia de detalhes folclóricos, uma bancada com frutas e legumes logo na entrada, tudo colorido, super fotogênico e aconchegante. Chegamos cedo e o lugar ainda estava bem vazio. O serviço foi extremamente cortês e teve uns salamaleques extras, por conta da presença da Neide na mesa. Então toda hora passava um e parava para cumprimentá-la. Andar com gente famosa é assim mesmo, né?

Pedimos a comida, que pra mim foi um processo de extrema dificuldade, pois eu queria provar TUDO! Escolhemos um caldinho de feijão com torresminho e uma renda de couve frita, cubinhos de queijo de coalho fresco com mel de rapadura e uma saladinha caipira, feita com almeirão, tomate, cebola e farelo de torresmo. Eu pedi um medalhão de carne de sol com risoto de pupunha e a Neide um galeto assado com curau de milho verde e arroz de abobrinha com pequi [provei o pequi pela primeira vez na vida e ele tem gosto de perfume!]. De sobremesa pedimos os três sorvetes de frutas amazônicas [açaí, cupuaçú e tapioca] sobre bandeira de jambu com biju. Só bebemos água, porque eu ainda tinha que arrumar mala, ir pro aeroporto, pegar aquele avião.

A comida do Tordesilhas estava deliciosa, mas o fato de eu estar lá almoçando com a querida Neide me trouxe um presente extra, que foi conhecer a chefe Mara Salles e a mãe dela, dona Dega. A Mara chegou na mesa e conversou muito, especialmente sobre um evento de gastronomia e sustentabilidade que estava acontecendo na cidade naquela semana. Um dos meus assuntos favoritos. Fiquei ouvindo tudo o que ela falava e só balançando a cabeça em concordância. Ela fez algumas criticas ultra sensatas e falou muita coisa legal. Adorei ouvir de uma chefe brasileira o que ela pensa sobre culinária sustentável num país tão rico de ingredientes e com estações climáticas tão produtivas, como o Brasil. Depois a dona Dega juntou-se à nós e bebericamos um licor de Baru—uma castanha do cerrado e conversamos sobre muitas coisas. A mais interessante e que me deixou boquiaberta foi sobre a abobrinha brasileira. Comi essa abobrinha verde e amarela por tantos e tantos anos e nunca soube que ela é a versão jovem da butternut squash tão abundante por essas terras onde vivo agora. Essa informação de que a abobrinha que refogamos no Brasil é a versão imatura da butternut squash que assamos aqui, me pegou realmente de surpresa. A Mara serviu um acepipe que ela faz com a abobrinha e trouxe uma abobrinha inteira até a mesa, que ela cortou no meio e me mostrou a polpa e sementes. Fiquei boba! Tão boba que até posei pra uma foto com a Mara e segurando a abobrinha na mão [foto da Neide]. Foi uma experiência ímpar e um privilégio passar umas horas naquele restaurante, papeando com pessoas tão bacanas e com tanto conhecimento. Queria ter ficado pro jantar, mas eu tinha que tomar banho, arrumar mala, rumar para o aeroporto e pegar aquele avião.

o impecável Chez Panisse

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Seguimos por um caminho diferente, um pouco mais longo e tortuoso, mas a estrada estava tranquila e chegamos em Berkeley com tanto tempo sobrando que conseguimos estacionar com calma e ainda passar no The Cheeseboard e comprar uns brioches. Entramos no primeiro piso do prédio onde fica o Chez Panisse e a primeira coisa que se vê é o movimento na cozinha do restaurante, onde os chefs e auxiliares preparavam o jantar que seria servido à noite. Nosso almoço era no café, então prosseguimos pela estreita escada que leva até o andar superior. Estava um dia tipico de inverno, frio, nublado e chuvisquento—basicamente desconfortável. E já estávamos com fome, o que só adicionava mais desconforto ao desconforto. Mas pisar no espaço mistico do Chez Panisse muda tudo. O restaurante tem uma atmosfera tão deliciosa, que é impossível não se sentir a vontade e feliz lá dentro.

Mesmo tendo chegado um pouco adiantados, já fomos levados até a nossa mesa—um booth extremamente confortável localizado bem em frente da cozinha aberta e do forno de pizza. Foi tão bom sentar ali, num ambiente super quentinho, aconchegante e convidativo. Pedimos vinho, um Zin do Alexander Valley, água com gás e azeitonas, que já fomos devorando junto com o pão com manteiga. Depois pedimos nossas entradas, eu uma brandade de bacalhau numa fatia de pão tostada no forno a lenha e acompanhada de uma saladinha de rabanete, erva-doce e chervil. Meu irmão Carlos e o meu filho Gabriel comeram carpaccio que até eu, a chatoronga que não come nenhuma carne crua, experimentei. Depois eu e o Carlos comemos uns pacotinhos de linguiça envolta em repolho, acompanhados de lentilha com chaterelle e fitas finérrimas de batata frita. O Gabriel comeu frango com radicchio e purê de abóbora. Nossa sobremesa foi sherbet de grapefuit e bolo de chocolate. Esses eram alguns dos pratos do dia, daquela terça-feira, onze de janeiro. Tudo preparado com produtos locais e sazonais de excelente qualidade, a marca registrada do Chez Panisse. Tudo absolutamente simples e incrivelmente saboroso. Durante todo o almoço nossas caras demonstravam uma imensa alegria e satisfação. Não sei quantos hmmms pronunciamos, neste almoço memorável que fizemos em família, para celebrar as possibilidades de um ano realmente promissor.

Lá da Venda

Lá da Venda
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Lá da Venda

Ainda queria escrever sobre dois lugares bacanas que conheci quando estive no Brasil em outubro e um deles é o Lá da Venda da chefe Heloisa Bacellar. Já tinha lido tanto sobre esse lugar e me senti realmente feliz por ter conseguido dar um pulinho lá e provar a comidinha super deliciosa e brejeira que é servida no restaurante. O espaço tenta reproduzir a atmosfera de uma vendinha antiga, cheia de badulaques para vender. Me falaram que o pão de queijo deles é o melhor que existe—feito com queijo da Serra da Canastra. Mas infelizmente não provei. Comi os pasteizinhos caipiras feitos com massa de milho e bebi a nostalgica Tubaína. Também provei a picanha com purê de banana da terra, simplesmente deliciosa e depois duas bolotas de sorvete de pintanga. Tudo estava uma delícia e o ambiente é acolhedor, mas o mais gostoso mesmo foi ter dividido a minha mesa com duas queridas—minhas amigas Roberta Fabbri e Maria Rê. E ainda de lambuja conheci a Heloisa Bacellar, cuja simpatia foi capaz de desarmar minha horrível timidez e me fazer pedir pra sair numa foto com ela. [olha lá—XIS—click!]

Tilth — Seattle

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Quando entramos no taxi e demos o endereço do restaurante para o motorista, ele imediatamente exclamou—ah, o lugar orgânico? Não tinha como errar depois dessa. Jantamos no sábado à noite no restaurante Tilth, que foi uma das excelentes dicas da minha nora Victoria. Ela disse que esse era o restaurante favorito dela em Seattle e por gostar de lá e ter me indicado o lugar, cheguei a duas conclusões: essa guria é da minha tribo e com menos de um ano de convivência ela já me conhece muitíssimo bem.

O Tilth tem uma proposta muito simples, que é bem comum aqui na Califórnia e portanto familiar para mim—cozinha orgânica com ingredientes sazonais e locais. Está instalado numa casinha bem pequena e antiga na região de Wallingford, uma área bem para o norte de downtown, onde estávamos hospedados. A Victoria nos aconselhou a fazer reserva, pois o lugar é pequeno, popular e está sempre lotado. Segui à risca os conselhos dela e não me arrependi. Chegamos uns minutos adiantados e ficamos esperando um pouco. Nesse meio tempo deu pra observar bem o lugar, uma casinha toda de madeira construida talvez dos anos 20 ou 30 e mantida na estrutura original.

No cardápio, só produtos de Washington com certificação orgânica do Oregon Tilth, uma organização que promove sustentabilidade e que segundo a Victoria é muito rigorosa, muito mais que a certificação fornecida pelo USDA [o departamento de agricultura dos EUA]. O restaurante estava lotado e tinha uma atmosfera muito aconchegante. O rapaz que nos serviu foi muito paciente e gentil, porque eu fiquei fazendo mil perguntinhas. Primeiro quis saber o que era um poussin, que se revelou ser apenas o nome francês do galeto. Perguntamos sobre outros ingredientes e sobre os vinhos. Para iniciar o jantar, recebemos uma entrada feita com um tipo de aspargo selvagem que cresce nas florestas de Washington. Eu pedi uma sopa especial feita com um matinho chamado nettle e decorada com alho verde, creme fraiche e pimenta cayenne. A cor da sopa era de um verde musgo indescritível. O Uriel pediu uma salada de alface, avelâ, erva-doce e um deviled egg. Nós pedimos o mesmo prato principal, de carne [sirloin] grelhada com salada frisée, vinagrete com lardon [um tipo de bacon] e um ovo cozido em sous vide [que eu não comi, vocês sabem por que, né?]. Bebi uma taça de vinho Va Piano Vineyards, ‘Bruno’s Blend V’, Columbia Valley, Washington 2006, feito com uvas orgânicas numa fazenda sustentável. A sobremesa demorou um pouco pra chegaer, mas foi o encerramento triunfal, simplesmente perfeito. Eu pedi um bolo de semolina com citrus acompanhado de um streusel de figo, grapefruit cristalizado e gremolata. E a do Uriel foi a campeã, um mousse de abacate com xarope de coentro e limão e um tipo de tuile de gengibre.

Uma coisa muito comum nesses restaurantes que servem produtos locais é colocar o nome do produtor ou da fazenda na descrição do prato no cardápio. Eu adoro saber que a avelã veio do produtor Holmquist e que a carne veio da fazenda Eel River, mas às vezes tudo isso causa um pouco de confusão e poluí o menu. Mas é tudo por uma boa causa, né?

Não há fotos, porque percebi que perdi o ânimo de carregar minha câmera comigo nos restaurantes e pagar mico tirando o trambolho de dentro da bolsa durante o jantar. Tentei tirar fotos com o iPhone, mas a luz era péssima, não deu. Decidi que vou comprar uma câmera point-and-shoot nova, discreta e compacta para levar comigo nessas ocasiões. A comida merece ser fotografada, mas eu também mereço jantar tranquila e aproveitar minha noite com o meu marido, sem ficar somente pensando em registrar tudo. Foi um jantar delicado e memorável, onde eu conheci ingredientes especiais de um outro estado norte-americano e por isso agradeci muito à Victoria pela recomendação desse restaurante tri-bacana.

Ottolenghi [take out]

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Precisava comprar os dois últimos presentinhos de natal, então fui até a High Street em Kensignton, um lugar que eu já conhecia bem. Aproveitei também pra dar um pulo numa das filiais do Ottolenghi que fica na rua de trás, a Holland Street. Cheguei lá verde de fome e já fui perguntando se eles serviam almoço. Infelizmente aquela loja só fazia take out, ou take away, como eles dizem aqui. Comprei toda comida que eu pude carregar—arroz iraniano com pistachos, saladas diversas, pãezinhos de queijo, bolinho de maracujá e torta de frutas. Perguntei se podia tirar fotos e o mocinho que me atendeu super gentilmente disse que não. Então me conformei só em olhar e fotografar de fora. Comprei o livro também e voltei pra casa carregada, com mais fome ainda e com uma apertamento daqueles de fazer xixi. Me atrapalhei na estação de metrô e peguei o trem pro sentido oposto. Esperei um tempão na estação pra pegar o trem de volta, desta vez no sentido certo. Quando cheguei em casa, meu irmão estava lá e devoramos juntos toda a comida, super fresca, super saborosa. Adoramos.

feijoada
[the north american way]

feijoada Tucos
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Davis é uma cidade universitária e portanto a maioria dos restaurantes aqui visam atender a clientela estudantil—pessoal jovem, sem muita grana e com muita fome! São dezenas de all you can eat sushi, pizzarias, mexicanos com porções gigantescas, lugares que vendem sanduiches imensos e outras bodegas similares. Mesmo assim temos a sorte de ter alguns restaurantes mais sofisticados, que seguem os preceitos da nova cozinha californiana, usando ingredientes da melhor qualidade, tudo fresquinho, geralmente de produção local, servindo porções decentes, nada daqueles pratões que alimentam tranquilamente cinco elefantes. O Tucos é um desses restaurantes e talvez o menos conhecido, pois fica num espaço bem pequeno e quase escondido em downtown, sem placas piscantes na entrada.

Nós adoramos o Tucos e sempre comemos bem lá. O lugar nunca está lotado. Raramente precisamos fazer reserva. E somos sempre muito bem tratados. Vira e mexe encontro o proprietário fazendo comprinhas no Farmers Market ou no Co-op. O Tucos é o meu tipo de restaurante, membro ativo do movimento Slow Food, com uma atmosfera down-to-earth, servindo comida de excelente qualidade. Portanto é sempre no Tucos que levamos nossos visitantes. Desta vez recebemos a Maryanne e o Paulo para uma visitinha à cidade e marcamos de almoçar no Tucos.

Um dos grandes atrativos do Tucos é o menu eclético com algumas comidas sul americanas e o fato deles oferecerem sucos naturais de frutas brasileiras, além do pão de queijo [adaptado dessa receita da Pati] e a feijoada. Nunca tinha pedido a feijoada, com o pretexto de que feijoada eu sei fazer e faço muito bem, sem falsa modéstia. Mas nesse almoço com a Maryanne e o Paulo, resolvi me jogar no feijão preto, para ver se o nosso prato tradicional estava sendo bem interpretado. Foi um almoço muito simples, não teve confusão de pedidos, pois todos pediram a mesma coisa: suco de fruta, pão de queijo com trufas e feijoada. Adicionei uma porção de azeitonas no pedido, só porque não consigo resistir à essas deliciazinhas. Os sucos de maracujá e goiaba que pedimos estavam ótimos, bem forte e bem grossos, batidos com gelo como num smoothie. Do pão de queijo nunca tenho reclamação. Chega quentíssimo à mesa, molinho, cheiroso, eu adoro. A feijoada não decepcionou, mas tenho algumas criticas. A garçonete nos preveniu que o prato continha nozes, caso alguém fosse alérgico. Nozes, nos entreolhamos com cara de interrogação. Nozes? Bom, na farofa tinha nozes e uvas passas brancas. Desculpa, mas uva passa na farofa da feijoada eu nunca vi. Essa parte da adaptação esticou o limite um pouco além do necessário, não? Já tem a fatia de laranja, não precisa de mais ingredientes doces na feijoada. Faltou também um molhozinho de pimenta, mas tudo bem, perdoado. O feijão estava saboroso, com carninha de porco desfiada. Faltou a carne-seca, mas aí também é pedir demais. A feijoada do Tucos é muito boa. Quem nunca provou uma feijoada brasileira, vai ter uma idéia correta do que o prato realmente é. Não é perfeita, mas não tem enganação. Uma feijoada adaptada, do jeito americano, ou melhor, californiano.

*Ah, faltou também a cairpirinha, né Maryanne?

**As sobremesas não tinham nada de brasileiras, mas estavam perfeitas. Pudim de pão, shortcake de morango e torta de maça com caramelo.

Bouchon Bakery

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Numa passadinha por Yountville, uma cidadezinha fofinha e minúscula com mais restaurantes de chefs famosos por metro quadrado, resolvi seguir uma dica da Maryanne e parar na padaria Bouchon, que pertence ao famoso chef Thomas Keller. Além dessa padaria, ele tem mais três restaurantes em Yountville: o Ad Hoc, o Bistro Bouchon e o mais famoso, French Laundry. A Bouchon Bakery fica ao lado do bistro, com um jardim com mesinhas separando os dois lugares. A padaria é micro. Tive a maior dificuldade para fotografar lá dentro, também porque o lugar estava apinhado de gente. Eles vendem diversos tipos de pães artesanais, doces e salgados, uns ranguinhos rápidos, como saladas, sanduiches e sopas e uma boa variedade de doces finos. Aconteceu conosco e acho que acontece com todo mundo: ficamos atrapalhados, sem saber o que escolher. Acabamos pedindo um éclair de chocolate e outro de chantily, que estavam perfeitos, não muito grande, nem muito doce, tudo na medida exata. E um brioche de citros e pistacho, que dividimos com ganas egoístas, pois ele estava uma delicia. Ficamos tão atrapalhados com o muvuquê dentro da padaria, que acabamos não pedindo nenhum pão. Mais tarde, parando no Dean & Deluca, já no coração do Napa Valley, achamos os pães da Bouchon pra vender e compramos uma baguette e uma coroa salgada. A padaria do Thomas Keller com certeza vai se tornar parada obrigatória nas nossas circuladas eventuais pela região. E agora planejamos experimentar também os restaurantes.

Ubuntu

Ubuntu—que significa "praticar atos humanitários em relação aos seus semelhantes" num dialeto sul africano—não é apenas mais um restaurante vegetariano onde não se serve carne, mas sim um espaço onde se promove a celebração das delicias dos ingredientes fresquíssimos, muitos cultivados na horta biodinâmica que o restaurante mantém, outros vindos de inúmeras fazendas da região. A cozinha do Ubuntu é extraordinária e lindíssima. Eu nunca tinha visto um uso tão extenso das flores comestíveis, que aparecem como ingrediente ou guarnição nos mais diversos pratos, dos frios aos quentes, até a sobremesa. E tudo é absurdamente fresco. Esqueça definitivamente que existem saladas pré-lavadas e vendidas em sacos. No Ubuntu cada folha é manipulada com um imenso cuidado. Vi um dos chefs espirrando cada folhinha verde com água e vi os pratos sendo preparados e montados como se cada um fosse uma jóia preciosa indo para um leilão.

Eu tinha esse restaurante marcado na minha lista de lugares para ir há muito tempo. Resolvemos almoçar lá no sábado. O Ubuntu restaurante e yoga studio fica no centro da cidade de Napa, instalado num prédio antigo que foi reformado com um design ecológico, usando madeira reciclada, transformada por artesões locais em pisos e móveis.

Ubuntu
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A garçonete que nos atendeu primeiro nos contou sobre o significado da palavra Ubuntu, e sobre a horta biodinâmica de onde vem a maioria dos produtos fresquíssimos, de como a primavera era a melhor e mais excitante estação para os chefs e de como todos os pratos, servidos em pequenas porções, tinham sido preparados para que fossem divididos entre os comensais. Tivemos um pouquinho de dificuldade para entender o cardápio, cheio de nomes e ingredientes diferentes. Mas iniciamos com as três entradinhas clássicas—azeitonas castelvetrano marinadas num pesto de nasturtium [nastúrcio/capuchinha], as amêndoas marcona com açúcar de lavanda e flor de sal e os palitinhos de grão-de-bico fritos com molho romesco.

Depois dividimos uma salada de verdes da horta, chamada de gargouillou, com folhas verdes, flores, raizes e um pózinho de avelãs e beterraba. A salada quase não tinha tempero algum, para que se pudesse sentir o sabor de cada folhinha. Achei muito refrescante e adorei a quase ausência do molho.

Depois nós pedimos um mini-nhoque de cenoura com uma camada de pesto e mais outras coisas que não consigo lembrar, mas que estava uma delicia, leve e suave. E o prato final de couve-flor na panelinha de ferro, que chegou à mesa super pelando, com brotos de coentro e torradinhas de manteiga escura. Esse prato me encantou! Estava delicioso demais. Dividimos os dois pratos quentes, com nossas colherezinhas que vem com cada prato. Eles mudam os pratos e talheres a cada novo pedido. No Ubuntu não é permitido ser egoísta, você é incentivado de todas as maneiras a dividir. Gostei disso.

As sobremesas, também com colheres para dividir, fecharam nosso almoço com chave de ouro. Tivemos um sorvete de citros com rodelas de bananas com uma camada de caramelo por cima de cada uma e um micro bule com um leite de coco morno pra jogar em cima. Simplesmentedivinomaravilhoso! E depois um sorvete de lima keffir com tapioca de ruibarbo e uma soda sabor gerânio afogando tudo. Eu comi pronunciando mantras de alegria e prazer.

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Apesar das porçoes serem pequenas, achamos que comemos muito bem com três entradas, dois pratos quentes, uma salada e duas sobremesas. A conta ficou muito aquém do que eu imaginava que ficaria. No Open Table, onde fiz as reservas, a lista de preços indicava entre $31 e $50 por pessoa e é exatamente isso. E ainda bebemos prosecco, ginger ale natural e uma garrafona de água com gás.

O menu é sazonal e por isso muda constantemente. O David Lebovitz esteve lá no outono do ano passado e provou algumas coisas similares e outras diferentes. Gostei de ler a opinião dele [um chef] pois é quase a mesma que a minha [uma reles mortal].

Óleo Cultura

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[ainda na Espanha...]
No último dia em Córdoba fomos almoçar com todos os nossos amigos no Restaurante Óleo e Cultura, que fica na pequena cidade de Castro del Rio, instalado num antigo moinho de azeite. A comida estava impecável. De entrada tivemos umas tostaditas com fatias finérrimas de bacalhau, outras com pimentão vermelho e berinjela, mais pão fresco com azeite orgânico para molhar, croquetas de bacalao e o delicioso salmorejo, que é uma sopa de tomates do outro mundo. De prato principal eu pedi um bacalau que veio misturado com ovos, cebolas e batatas, como num mexido, feito com muito azeite. O Uriel pediu um peixe espada. De sobremesa eu pedi fatias de laranjas regadas com mel. Adorei essa opção de pedir fruta fresca como sobremesa.

Nas estradas que percorremos na Espanha—de Madrid a Córdoba, depois até Sevilla, até Granada e nas redondesas de Córdoba, só o que se vê são oliveirais. Árvores de azeitonas a perder de vista. Fiquei com a impressão que o país é todo coberto de oliveiras. Disso para o paraiso, falta pouco!

La Antigua Bodeguita

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Mais tapas, desta vez em Sevilla. O Sergio nos recomendou comer nas tabernas da praça onde se comem tapas em pé, em mesas altas sem banco, com apenas uma prateleirinha para se colocar bolsas. Às 3pm a taberna estava lotada de gente bebendo vinho e cerveja e comendo os tapas. Nós despirocamos na comilança—eu queria provar TUDO! Você ia até o balcão do minúsculo estabelecimento e pedia bebida e tapas, carregava tudo lá pra fora. Eu bebi um vinho branco e depois um tinto de verano. Comemos as gigantescas azeitonas sevillanas, bacalhau frito e com molho de tomate, atum, tortillas de camarão, bocadillos de bacalhau e queijo manchefo. O pessoal que estava com a gente [um cara da fazenda das azeitonas da Califórnia e a sobrinha dele] pediram camarões gigantes [gambas], presunto ibérico, lombo de porco e mais bacalhau. Comemos muito e depois fomos fazer a digestão visitando a magnifica catedral de Sevilla.

Tetería del Hammam

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No meu primeiro dia em Córdoba, camelei como uma condenada, me perdi, nem vou contar as trapalhices, que são típicas de turista em país estrangeiro. Ainda estava tentando me localizar—depois de ter entrado numa avenida enorme, sem volta para as ruazinhas e que acabou desembocando numa outra avenidona, o que me causou um quase pânico—quando reentrei novamente na parte histórica da cidade pelo bairro judeu e vi que estava passando em frente dos banhos árabes, o único lugar de Córdoba que eu tinha lido à respeito antes de viajar. Para experienciar os banhos, que simulam os rituais de limpeza feitos pelos califas nos magnificamente engenhados banheiros [que pode-se visitar as ruinas], precisa ter hora marcadas, mas para o restaurante e casa de chá ao lado dos banhos, é só entrar. E eu entrei, completamente exausta e descabelada, e pedi por um almoço. Passei pela sala dos chás e fui levada às mesas do restaurante, num ambiente lindo e relaxante. Levei um tempão pra escolher o que comer, pois tudo me parecia delicioso. Como tinha enfrentado uma camelagem homérica sob um solão de trinta e um graus, resolvi pedir coisas frias. Pedi uma salada de alface fresquissima com pinoles, nozes, passas, cubos de maçã verde e ameixa seca, temperada com um molho de mel e amêndoas. E depois pedi o salmorejo cordobês, um prato típico local, que é uma sopa fria de tomate estilo gazpacho salpicada com presunto ibérico em cubinhos e fatias de ovos cozidos. De entrada vieram azeitonas temperadas com os pimientos ahumados, que eu não conseguia parar de comer, e um pãozinho árabe quentinho e crocante. Para refrescar a moringa, bebi uma limonada com hortelã que estava perfeita—gelada, cítrica e mentolada no ponto, sem estar muito doce. Eu adorei tudo o que pedi e comi com gosto. Mas a sopa de tomate foi uma surpresa deliciosa. Tive um surto de alegria quando sorvi a primeira colherada. Minha busca pela sopa de tomate perfeita terminou naquela segunda-feira, no salão de almoço do restaurante e tetería del Hammam, na cidade de Córdoba.

La Cazuela de la Espartería

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No dia em que chegamos, fomos comer tapas numa taberna típica de Córdoba com nossos amigos. São dezenas de tapas, eu não iria saber escolher, um por não saber o que era o que, e dois por estar uma zumbi depois de tantas horas de viagem—entra em avião, sai de avião, aquela via crucis de sempre pra gente viajar do fim do mundo [Califórnia] até o planeta Terra. Tudo o que comemos estava uma delícia. Era quase tudo fritura—talvez por isso tão delicia! Só não comi um tapa de lula, porque não gosto desses bichos do mar. Mas o resto eu comi tudo—berinjela frita, peixe frito, croquetes de carne, um enrolado com presunto que parecia uma alheira portuguesa, um salmão com molho bechamel e berinjelas, que a primeira vista pode parecer uma mistura esdrúxula, mas é uma delicia. Eu bebi um vinho branco frutado delicioso que o Sérgio escolheu pra mim e depois fui na indicação da Esther e bebi um tinto de verano, que é vinho tinto misturado com soda de limao, que eu adorei e vou fazer em casa. A taberna fica cheia, todo mundo mandando bala nos tapas, sentados ou em pé, em bancadas. A Angela me contou que por causa das tabernas os espanhóis são considerados o segundo povo mais barulhento do mundo, perdendo o primeiro lugar para os japoneses e seus divertidos karaokês. Realmente, estava animado. O Uriel ainda pediu um azeite pra gente molhar o pão. Tudo estava uma delícia. Depois dessa verdadeira comilança, fomos a uma padaria comer doces! Aguardem o próximo capítulo.

Il Fornaio - Sacramento

Quando recebemos visitas, sempre acabamos deixando um passeio à Sacramento para o último dia, o que passa a impressão equivocada de que lá não tem nada de interessante—o que não é absolutamente verdade. Sacramento não é San Francisco, mas certamente tem o seu charme particular. Fizemos uma tour pela pitoresca Old Sac e depois demos um pulinho no imponente e nobre Capitol, já que Sacramento é a capital do estado e o escritório de trabalho do nosso mais intrigante governador, o senhor Arnold Schwarzenegger. Lá fizemos um passeio pela parte antiga do prédio, que é muito bonita, mostrando escritórios preservados do inicio do século vinte [1916], e depois demos de cara com uma comoção jornalistica na porta do escritório do nosso atual governador. Eram muitos reporteres de tevê, rádio e jornal, esperando para entrevistá-lo. Nós ficamos super animados com a perspectiva de poder ver o super astro-político assim cara-a-cara e nos prostramos lá também, câmeras em punho, animação evidente. Mas depois de meia hora começamos a sentir fome e o bafão da muvuca foi nos dando uma agonia. Eu sugeri irmos almoçar e a idéia foi acatada unanimamente.

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Eu adoro o restaurante Il Fornaio, um italiano que fica bem no centro financeiro de Sacramento. Ele é parte de um franchising, mas isso não importa. A comida é realmente boa, sem muitos tererês de restaurante modernê. O serviço é sempre bacana, com aqueles garçons vestidos à antiga, com blaser branco e gravata borboleta preta. O prédio onde fica o restaurante pertence ao Wells Fargo, o banco mais antigo da Califórnia, que chegou no oeste junto com a corrida do ouro. O espaço do restaurante é aberto, com pé direito altíssimo e muita claridade, o que deixa o lugar com uma atmosfera extremamente agradável. Eu me sinto feliz quando vou ao Il Fornaio e nem sei explicar muito bem por que.

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Lá matamos nossa fome, que estava descabelante, com os pãezinhos fresquinhos e maravilhosos que a famosa padaria do restaurante produz. Também pedimos bruschettas al pomodoro, que vieram com azeitonas extras. Meu irmão e minha cunhada beberam um zinfandel californiano. Eu bebi água com gas, já que estava dirigindo. A comida estava deliciosa e nós comemos até dizer chega. A Lívia pediu um macarrãozinho simples com um molho de tomate tão saboroso, que eu não resisti e molhei meu pão nele—com a permissão dela, é claro! Eu devorei um peito de frango num molho picante de peperoncino, servido com purê de batata e espinafre. Meu irmão comeu um scaloppine com marsala e funghi, servido com polenta e broccolini. E minha cunhada foi de ravioli recheado com linguiça italiana, ricota e erva-doce. Depois ainda tivemos coragem de dividir uma sobremesa, que foi uma daquelas muitas sobremesas italianas que eles trazem pra gente escolher num carrinho. Saimos do Il Fornaio com a pança cheia e tão felizes que até esquecemos da frustração de não ter conseguido falar um oi para o governator!

era uma vez um bom japa

Era nosso restaurante japonês favorito aqui em Davis. E como tem restaurante japonês aqui em Davis! Mas esse era caprichado, um lugarzinho pequeno, dois sushi men, um cozinheiro mal humorado, a gerente e as mocinhas garçonetes, todas asiáticas, todas vestidas de cor-de-rosa, todas chamando a gente de 'guys' e fazendo os salamaleques na entrada e na saída. O serviço era meio desorganizado, talvez devido ao mau humor do cozinheiro e à imaturidade das meninas garçonetes, então às vezes a entrada chegava depois do prato principal, mas tudo bem, a gente nem ligava e pedia sempre a mesma coisa—o Uriel um prato com peixe e eu um sushi de camarão com lagosta, mais a sopa de missô, a salada de pepino e o tofu frito, que dividíamos.

Mas num fatídico dia o Uriel resolveu pedir sushi. E vocês não sabem dessa praga carmica, mas coisas estranhas se materializam no prato dele, sempre no dele—pelo de animal, cabelão afro ou loiro, cascas, insetos, objetos alienígenas de todos os tamanhos, cores e aspectos. Dá até raiva. Ele faz aquela cara e você já sabe, ele achou algo. E nesse dia ele fez uma cara torta de quem mastigou algo estranho, daí cuspiu discretamente os mastigados do sushi no cantinho do prato e eu já revirei os olhos pensando lá vem coisa, e era uma pedra. Uma pedra dentro do sushi.

Chamamos a gerente e mostramos a pedra. A reação dela foi o que mais nos surpreendeu, muito mais do que achar a pedra dentro do sushi. Ela disse—ah, desculpa, é uma pedra, é do arroz, desculpa às vezes acontece. se tivessemos visto, teríamos tirado, desculpa mas acontece, às vezes acontece de ter uma pedra no arroz.

ACONTECE? Às vezes ACONTECE?

O nosso japa favorito virou história. Depois de tantos anos frequentando o lugar assíduamente não poderemos voltar mais lá, infelizmente, porque se acontece de ter pedra no arroz, não dá mais pra confiar, né?

Delfina Restaurant

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Eu tinha o Delfina Restaurant na minha lista de lugares para ir em San Francisco há muito tempo. Já tinhamos testado a pizza do Delfina Pizzeria, que é a irmã siamesa do restaurante, pois os dois são colados parede a parede, com a diferença que a pizzaria é menor, mais casual e não faz reserva. No restaurante, reserva é estritamente necessária e o cardápio é mais extenso e sofisticado. Combinei com a Maryanne de jantarmos lá no sábado à noite e ela fez a reserva. Nos encontramos no restaurante já lotado às seis da tarde, para um jantazinho muito agradável—excelente comida e excelente companhia.

Pedimos entradas, prato principal e sobremesa. Dividimos as azeitonas castelvetrano servidas mornas e o azeite olivestri olio extra virgine 2008, que veio numa latinha muito simpática com bico para servir, acompanhado de bastante pão quentinho. Eles mergulharam no grilled fresh calamari with warm white bean salad e na ribollita, que eu pensava ser uma sopa, mas o que chegou à mesa foi um tipo de bolo. Eu e o Uriel pedimos a mesma salada de puntarella alla romana with salt-packed anchovy, extra virgin olive oil and parmigiano. Puntarella é um tipo de chicória, uma verdura meio amarguinha muito boa. Depois eu comi o roasted fulton valley chicken with olive oil mashed potatoes and king trumpet mushrooms, que estava perfeito, o Uriel mandou bala num prosciutto-mascarpone ravioli with lemon-herb burro fuso e nossos amigos pediram o gnocchi al ragu e a pancetta-wrapped sonoma rabbit saddle with saba roasted fennel and carrots. Eles beberam dois diferentes vinhos italianos e eu um cabernet savignon do Napa Valley. Dividimos a sobremesa—uma delicada panna cotta de laranja vermelha e profiteroles. Foi um jantar realmente delicioso, num restaurante charmoso no distrito da Mission em San Francisco.

*Único porém foi que esqueci minha câmera em casa—fato totalmente incomum e inexplicável. Mas confiei que a Maryanne fosse levar a dela, já que ela também está sempre numa missão blogueiristica. Portanto, as fotos deste post são dela, que também escreveu sobre o Delfina, num texto com muitos outros detalhes interessantes, além da experiencia gastronômica. Não deixem de ler!

Pizzeria Delfina

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O nosso sábado foi gasto batendo perna e dando um extenso rolê por San Francisco. Quando a noite se aprochegou, a italianada quis comer pizza, é claro. Rumamos para o bairro da Mission, onde nos aconchegamos na minúscula Pizzeria Delfina que cheirava deliciosamente a massa assada e queijo derretido. O lugar é realmente pequeno e já estava lotado às seis da tarde, ou melhor, da noite do nosso inverno. Colocamos o meu nome na lousa—party of five, sem predileção para ficar fora ou dentro, pois tínhamos no grupo uma criança cansada e faminta. Esperamos uns trinta minutos e fomos colocados numa mesa na calçada, estratégicamente situada embaixo de uma fileira de aquecedores na borda do telhado. Jantamos no quentinho e olhando o movimento da rua. Quando a comida chegou tive uma paralisante amnésia fotográfica. Pedimos três antepastos, com três tipos de azeitonas marinadas e servidas mornas, uma salada de laranja vermelha com erva-doce e nozes, e o vencedor da noite, que eu comi entre murmuros, uma escarola grelhada com azeite de limão, nozes e um ingrediente que não consegui ler no menu da parede, mas que me pareceu ser aliche/anchovas. As pizzas foram a tradicional margherita e outra batizada de panna, assada com uma bolota de creme e lascas de parmigiano por cima, que foi eleita a mais gostosa. Cada pizza serve uma pessoa com muita fome ou duas com acompanhamento de antepastos variados.

*um relato ótimo sobre a Pizzeria Delfina foi publicado pelo No salad as a meal—um blog que eu adoro e uso como referência de restaurantes em San Francisco.

Le Petit Paris

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Seria possível encontrar delicados e finíssimos macarons estilo parisiense em Sacramento city? Oui, c'est possible! C'est possible, mes amis!

A Leila tinha mencionado um café estilo europeu em midtown, dizendo que eu iria adorar, além do fato do lugar ser lindo e muito fotografável. Combinamos então de ir juntas ao Le Petit Paris no domingo pela manhã. Chovia cântaros e eu me atrapalhei na hora de sair de casa e só fui perceber que tinha deixado minha câmera fotográfica em casa no meio da estrada. Fiz um retorno e fui buscar a câmera, decisão que se mostrou a mais acertada quando cheguei ao café e vi a todos os mil detalhes classudos e elegantes do lugar. Altamente fotografável de fato!

Mal entrei e já saquei a câmera da bolsa e comecei a clicar. Os proprietários do local, Ruben e Tassina, vieram nos recepcionar e perguntaram—essas fotos são pra quê? Quando eu falei que tinha um blog de culinária, o Ruben não ficou muito feliz. Acho que os blogs de culinária estão ficando famosos por não terem papas na língua e chegarem desavisados, de câmera em punho e senso crítico apurado. Mas quando eu revelei que meu blog era escrito em português e lido por pessoas de todos os cantos do mundo, ele relaxou. E me deixou à vontade para fotografar todos os milhares de detalhes do café.

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Le Petit Paris é um lugar amplo, com uma lojinha de coisinhas parisienses divinas de um lado e o café do outro lado. O café tem três ambientes. Logo na frente sofás, poltronas e mesinhas, mais mesinhas no corredor e outra área com sofás e mais mesas no fundo, com estante de livros, jogos, revistas e jornais. A decoração é toda feita com antiguidades que Tassina coleciona desde sua primeira viagem à França. O lugar é lindo, confortável, agradável, um ambiente onde você pode passar horas e horas e horas, lendo, conversando, bebericando algo...

E a comida? O café serve sanduiches, quiches, sopas, além dos doces e macarons. Cafés, chás, vinhos, sodas italianas, muitas coisinhas diferentes. Eu e a Leila atacamos os macarons, mas eu gulosa e querendo saber se o lugar era mesmo bom, provei o quiche de três queijos e bebi um Pinot Noir francês [eles só servem vinhos franceses]. O quiche estava perfeito, muito leve e delicado, acompanhado de uma salada de folhas com um molho de mostarda, que estava na medida certa. Eu detesto saladas encharcadas de molho, como se costuma praticar muito por aqui. Depois do quiche e do vinho, fui atacar os macarons e dar meu veredito. Escolhi quatro sabores—lavanda-damasco, pistachio, framboesa e coco-maracujá. Não me decepcionei. Os macarons estavam perfeitos, derretendo na boca, levíssimos. Gostei mais dos que misturaram os sabores. O de lavanda com damasco estava no mínimo o máximo! A Leila também gostou. Três moças estavam bebendo a sopa do dia, acompanhada de fatias de baguete fresquinha, sentadas num dos sofás e eu pedi na cara-de-pau para fotografar. Era sopa de dumplings de frango. Conversamos com o Ruben e a Tassina, elogiamos a comida, o serviço e o lugar. Colocamos nossos e-mails na mailing list deles, pois o café promove um encontro toda noite de sexta-feira, quando os comensais chegam, sentam, bebem uma taça de vinho e conversam sobre política, local e mundial. O prefeito de Sacramento frequenta esses encontros. Senti uma vibe totalmente anos 60 e vou querer participar, quem sabe até me sentir dentro de uma música da fase Folk-Greenwich Village do Bob Dylan.

almoço no Seasons

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No dia seguinte ao Thanksgiving fui toda contentona pegar o Uriel no aeroporto e depois fomos todos almoçar juntos no Seasons. Esse restaurante já esteve por aqui um tempo atrás, quando comentei um jantar que tivemos lá com amigos. Nós vamos muito ao Seasons, porque ele serve uma comida de qualidade excepcional. Nesse dia eu e o Uriel pedimos sopas—de abóbora e bisque de abobrinha, e depois fomos todos de sanduíche e o Uriel de salmão selvagem. O sanduba mais interessante foi o Reuben pedido pela Reidun, feito com um pastrami de peru. Eu e a Marianne pedimos um frango com brie e aioli com limão e o Gabe um presunto com gruyere e geléia de frambosesa. Foi um almoço ótimo em família, para recepcionar o querido viajante.

No Tucos com Lud & Luis

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Desta vez eu não fui a lugar nenhum, fiquei aqui mesmo e foi eles que vieram até Davis pra me encontrar. A Ludmila e o Luis chegaram ainda pela manhã e sentamos na sala para conversar e bebericar limonada, até que o Uriel apareceu e fomos todos à pé até o Tucos, onde tínhamos combinado de almoçar juntos. O Tucos é o meu lugar favorito aqui em Davis para comida da melhor qualidade, então foi a escolha perfeita para recepcionar dois foodies on the road pela Califórnia! Nosso almoço foi longo, saboroso, com muitos pratos que devoramos com prazer, regado a uma garrafa de um delicioso syrah de Paso Robles. Eu tinha planejado levá-los para um tour pelo campus da UC Davis e depois dar uma passadinha no escritório do Schwarzenegger, o Capitol de Sacramento, e fazer uma caminhada pela sugestiva Old Sacramento, mas sentamos para tomar um chá e o conversê foi avançando animado, que quando vimos já era noite e hora deles pegarem a estrada de volta a Santa Rosa, onde estavam hospedados. Três jornalistas, duas blogueiras, deu pano pra manga pra muito papo divertido. O Uriel só nos acompanhou no almoço, atrapalhado que está na véspera de mais uma viagem. O Misty fez os salamaleques receptivos e o Roux se fingiu de difícil um pouquinho, mas acabou socializando com os donos do Gaston. Gostamos muito de conhecer pessoalmente a Ludmila e o Luis, um casal tão simpático e com tantas coisas em comum, que dá até pena pensar que eles moram tão longe—ou melhor, longe estamos nós, que viemos amarrar o nosso burro neste outro lado do mundo!

The Slanted Door

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A Mariana foi ao The Slanted Door e não só tinha me recomendado, como tinha me intimado a ir também. Então eu fui! A Maryanne fez a reserva para o domingo e nos encontramos lá para o almoço—eu, o Uriel, ela e o Paulo. O restaurante fica num dos meus lugares favoritos em San Francisco, o Ferry Building Marketplace, que era o antigo porto da cidade hoje transformado num espaço gastronômico fantástico.

The Slanted Door oferece delicias da culinária vietnamita com um toque moderno e coloca uma grande ênfase na qualidade dos ingredientes usados na elaboração dos pratos. Eles usam produtos orgânicos e fresquíssimos vindos de produtores da região da Bay Area que praticam agricultura sustentável. Administrado pela família Phan desde a sua inauguração em 1995, o restaurante tem um ambiente descontraído, num espaço enorme e cheio de luminosidade, com paredes de vidro que emolduram uma das paisagens cartão postal mais lindas da baia, com a Bay Bridge ao fundo.

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Nossa reserva era para as 2 horas da tarde, o que somado à mudança de horário [saimos do daylight saving times] me colocou num estado de fome alucinante. Um dos problemas do The Slanted Door foi, para uma libriana típica como eu, o menu incrívelmente extenso. Fiquei numa dificuldade lancinante para decidir o que pedir. A carta de vinhos era basicamente francesa, o que me colocou numa outra enrascada, já que eu estou ficando com prática de escolher vinhos californianos, mas saiu da minha pequena bolha eu já fico atrapalhada. No final pedi um bourgogne pinot noir rosé francês que estava bem leve. A Maryanne pediu um pinot noir de Oregon que ela gostou bastante também.

Quando finalmente decidimos sobre os pratos, a garçonete gentilmente nos avisou que tínhamos pedido muita comida. Realmente as porções servidas lá são bem generosas. Então decidimos enxugar nossa lista de entradas. A Maryanne e o Paulo pediram os famosos rolinhos frios vietnamitas, com camarão e molhinho de amendoim. Depois ele comeu um frango com capim-santo e ela um prato bem picante de berinjela japonesa, que eu provei e estava uma delícia. Eu e o Uriel dividimos uma salada muito refrescante de papaya verde e tofu e depois ele comeu um halibut do Alaska com um molho picante de gengibre e eu comi um catfish cozido no pote de barro com coentro e gengibre. As porções eram grande e acompanhamos tudo com arroz jasmine. Só eu—a esfomeada e gulosa—que pedi sobremesa, um doce de abóbora kabocha com um creme de menta e sementes de romã, que apesar de parecer uma combinação um pouco estranha, funcionou muitíssimo bem.

Saímos do restaurante super tarde, quando quase todos os funcionários já estavam comendo nas mesas do fundo e o local se preparava para o inicio dos serviços do jantar. Adorei a experiência no The Slanted Door e recomendo. Para nós, que vivemos aqui na Califórnia, os sabores asiáticos não são nenhuma novidade, nem nada muito exótico, já que temos um restaurante desses em cada esquina. Mas nem todos com a qualidade do The Slanted Door, onde o que importa não é somente a comida e o quanto se paga por ela, mas também toda a política que envolve comer bem, com qualidade, apoiando a agricultura local e sustentável e a criação de animais sem crueldade.

* A Maryanne dá mais detalhes sobre o restaurante. Não deixe de ler a review dela lá no Hotel California.

SPQR

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Fomos à San Francisco encontrar com o nosso amigo Fernando e almoçamos com ele no SPQR, uma pequena osteria na Fillmore Street. As referências do restaurante eram as melhores possíveis—trocentas reviews ultra-positivas, cheias de elogios e salamaleques para o local que serve uma adaptação californiana de um menu romano. As reviews falavam de filas quilométricas na porta e esperas intermináveis, já que o restaurante não aceita reservas. Fomos com duas outras opções de back up, mas encontramos tudo razoavelmente vazio para um horário de almoço no domingo. O SPQR está instalado num prédio pintado de preto, sem placas piscantes anunciantes, o que nos fez passar por ele sem perceber que era ali o lugar. Lá dentro, num ambiente aconchegante e bem estreito, ficam as poucas mesas e um bar, de onde pode-se assistir aos preparativos do chef. A primeira coisa que eu reparei quando coloquei os pés dentro do SPQR foi que eles usavam as cerâmicas da Heath de Sausalito, a mesma que fornece as louças para o Chez Panisse—mais chique que isso não há!

O almoço estava muito bom. Pedimos um trio de antipasti que estava fantástico: uma salada de erva-doce com atum em conserva, ervas, pimenta e bottarga; cogumelos chanterelle com espinafre e pancetta; e mussarela bocconcini com tomates. O ponto forte do lugar parece ser os antipasti, porque a pasta, fatta in casa, me decepcionou um pouco. Deve ser por ter crescido comendo a melhor pasta feita em casa que sei muito bem a diferença entre uma pasta caseira e outra nem tanto. Mas esse pequeno detalhe não comprometeu. Eu comi um canelloni com linguiça de porco, ricotta, espinafre e pecorino, O Uriel comeu um rigatoni amatriciana e o Fernando um rigatoni aglio e olio. Eu fiquei um pouco atrapalhada com a carta e vinho, que só tinha italianos, e acabei pedindo um rosato que estava uma delicia. Decidimos não pedir sobremesa e fazê-lo em outro lugar, mas me arrependi de não ter provado as que eles ofereciam por lá. Fica pra próxima vez!

Imperial Hotel

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Para compensar o show de horrores que foi o nosso almoço no buteco da Susan, tivemos um jantar delicioso e elegante no Imperial Hotel em Amador City. A minúscula cidade de 150 habitantes abriga um restaurante realmente impressionável, pela qualidade da comida e serviço. O prédio construído em 1879 era um hotel para os mineiros, que infestavam a região durante a corrida do ouro. Hoje restaurado, o local ainda oferece hospedagem com seis quartos na parte de cima e o restaurante no andar de baixo. Tudo muito lindo, sem exageros, decoração e luz delicada, eu e o Uriel ríamos como bobos alegres, comparando as duas experiências do dia.

De entrada o Uriel pediu em roasted garlic and warm brie with olives, mixed greens and baguette, que foi o único prato que eu fotografei. Eu pedi uma salada com organic baby romaine with parmesan, crostini and creamy lemon dressing que estava leve e saborosa. Depois o Uriel foi de penne pasta with artichoke hearts and sun roasted tomatoes in a light cream sauce e eu de pork chop chili-rubbed pork chop with mango wine sauce served with basmati rice. Eu bebi um blend muito saboroso de uma vinícola que a garçonete disse ficar just across the street. A sobremesa foi cheesecake de café para o Uriel e bolo de maçã com calvados e sorvete de baunilha pra mim. O sorvete era feito em casa, nada de lata, nada de pacote, nada de vidro, nada semi-pronto e processado. Ufaaaa!

desperately forgetting Susan

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Eu detesto escrever pra esculhambar, mas muitas vezes é impossível evitar. E a Susan pediu pra levar chibatadas. Desculpa, Susan, mas você merece todas as palavras duras e todo o escracho, sinto muito.

Chegamos em Sutter Creek já passado do horário do almoço. Caminhamos pela rua principal até o information center, onde pegamos folhetos e conversamos com uma senhora que nos deu algumas dicas de visitas às minas, que era o passeio que o Uriel estava doido pra fazer. Sutter Creek e Jackson são as cidades principais naquela área do condado de Amador, que é famoso pela intensa corrida do ouro que trouxe gente à beça para a Califórnia em 1849.

Olhamos o panfleto dos restaurantes e enquanto eu fui encaroçar numa lojinha de antiguidades, o Uriel ficou analisando as possibilidades. Finalmente decidimos que deveríamos tentar um lugar chamado Susan's Place, que servia Mediterranean/California cuisine. Ficamos animados. O restaurante fica num beco bem charmoso, numa construção antiga que nos pareceu ser um pequeno hotel. A entrada, apesar de emperequetada demais pro meu gosto, não nos assustou. Muitos comensais almoçavam no páteo, mas fomos levados para uma das partes internas do restaurante. Sentamos e fomos muito bem atendidos por uma garçonete gentil que me trouxe diversos samples de vinho até eu decidir por um Zinfandel da região. O condado do Amador tem muitas vinícolas e produz vinho de excelente qualidade. Eu quis beber o vinho da região. O Zinfandel não decepcionou. Mas o resto.....

Quando olhamos o cardápio percebemos que o rango californiano mediterrâneo era bem fraquinho. Pedimos juntos uma entrada de bruschettas, eu uma saladona e o Uriel um prato com frango. Dai começamos a observar a decoração do lugar. Sintetizando, tudo ali era OVER THE TOP. Muita luzinha, muitas plantas e flores falsas, um guarda-sol em cada mesa na parte interna, uma cafonice total com cortininha, abajour e livros antigos—realmente, um restaurante-biblioteca com livros de matemática de 1942 era tudo o que queríamos da vida. Havia também muitos quadros cafonildos nas paredes pintadas de roxo-lilás. As portas eram também pintadas de roxo e deu logo pra perceber que a Susan tinha uma preferência exagerada por essa cor, que abundava por todo o restaurante, entremeada pelo verde e o dourado, numa mistura extremamente cansativa. Pra completar, a cereja no topo do bolo, o fundo musical tocando no restaurante era música de elevador cantada, tipo Berry Manilow. Eu já estava quase chorando de arrependimento e antecipando o pior quando a comida chegou...

A bruschetta veio quente e com uma camada de pesto por cima da torrada. Comemos meio assim, achando que aquilo era muita invencionice e já começamos a ficar preocupados com o que viria dali pra frente. O prato do Uriel era uma coisa indecífravel. Eu perguntei umas dez vezes—mas você não pediu frango? Porque o que víamos ali era uma carne moída muito estranha por cima de um arroz, uma visão tenebrosa. A cara do Uriel demonstrava um horrível descontentamento. E a minha salada era a coisa mais buffet do Fresh Choice que eu já vi na vida! Tudo sem graça e coroado com muitas azeitonas DE LATA! Azeitona de lata é o fundo do poço, o fim da picada da baixa qualidade e total ausência de sabor. Fiquei revoltada, só conseguia balbuciar inconformada—AZEITONA DE LATA, AZEITONA DE LATA, AZEITONA DE LATA! E o molho da salada era ardido de tanto alho, daquele que deixa um gosto ruim na boca por 48 horas. Tudo horrípilesco, grotesco, monstruoso, pra combinar com a decoração. Só salvou-se o vinho e a delicadeza da garçonete, que no final me levou até a adega do restaurante para eu ver a garrafa do vinho que havia bebido. Lá estava, debruçada no balcão do bar, a Susan, uma loiraça de meia idade com um suéter beige de cashmere. Au revoir, Susan! Só queremos desesperadamente te esquecer.

Granzella's

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A Califórnia não é só San Francisco, Los Angeles, Hollywood, Napa Valley. A Califórnia é também um estado agrícola, responsavel pelo abastecimento de gostosuras pelo país e mundo afora. Além do glamour dos lindos lugares turisticos e afamados, há também grandes extensões de terra cultivadas com arroz, tomates, amêndoas, azeitonas, nozes, muitas fazendas de gado e de frutas. É uma beleza de ver, apesar de não ser tão chamoso e não atrair nenhum turismo.

Quando o Uriel viaja pelas fazendas na Califórnia, ele e o grupo dele sempre acabam tendo que comer em lugares não muito refinados. Eles comem pela estrada, em lugares que servem comida pesada e porções gigantescas para caminhoneiros, lenhadores, trabalhadores da terra, gente que precisa repôr a energia perdida no trabalho braçal. Então quando ele achou esse restaurante italiano no meio do nada, com comida decente, uma deli que prepara sanduiches frescos e leves, uma lojinha com centenas de variedades de azeitonas e azeites, ele se sentiu num oásis. E quis que eu fosse lá conhecer o lugar.

O Granzella's fica no meio dos campos de arroz, mais pro norte do estado, na cidade de Williams, condado de Colusa, com três mil e poucos habitantes. Nós fizemos um rápido tour pelo lugar, que num sábado à tarde parecia uma cidade fantasma, com a exceção da movimentação no Granzella's e por um casamento mexicano acontecendo numa igreja simples numa esquina. O restaurante deve ser a única atração e a maior fonte de empregos da cidade. Um incêndio destruiu o local no ano passado, mas ele foi rapidamente reconstruído.

O Granzella's é enorme e comporta um restaurante, uma deli, uma loja de quitutes e um sports bar que realmente me chocou, com centenas de cabeças de animais penduradas pelas paredes. A deli é bem famosa, onde você pode pedir sanduíches leves feitos com queijos e carnes frias e o pão fresquinho assado na padaria do lugar. Nós optamos pelo restaurante e não achamos nada especial, mas a comida era honesta. O Uriel pediu um nhoque que não impressionou. E eu pedi um steak, que na verdade eram quatro e vieram acompanhados de vagens cozidas no vapor e purê de batata com gravy, que veio por engano, pois eu tinha pedido batata frita. As fritas vieram como cumprimento mais tarde. Eu bebi um White Zinfandel e o Uriel uma Italian soda de morango. Os pratos incluiam o salad bar, que não tinha nada de diferente ou especial, a não ser pelas azeitonas temperadas. As porções eram enormes, fato normal em qualquer restaurante que sai do circuito refinado da California Cuisine.

A lojinha de guloseimas era tentadora, com mil e um tipos de azeites, até suco de azeitonas pra se colocar no Martini e Bloody Mary. Tomamos um gelatto e atravessamos a rua para visitar a lojinha de presentes do Granzella's, que não achamos nada especial, pelo contrário, achamos meio cafonalha e bem careira. Mas eu comprei uns cremes para mãos feitos com azeite e com lavanda que me impressionaram pela delicadeza e perfume.

Café Fanny

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Passei a tarde de sábado em Berkeley com minha amiga Maryanne e entre os muitos bate-papos e bate-pernas almoçamos no Café Fanny da Alice Waters. O café, que tem o mesmo nome da heroína de Marcel Pagnol e que também é o nome da filha da Alice Waters, é um lugar bem pequeno, que serve basicamente café da manhã europeu—com café au lait servido no bowl—e lanches leves, com sopas, sanduiches e saladas. A idéia de Alice era oferecer aos comensais um lugarzinho agradável sem as complicações de um restaurante, para as pessoas sentarem no páteo e tomarem café ou uma taça de vinho. O Café Fanny não tem cozinha, tudo é preparado no balcão. O serviço é rápido, escolha, pague e leve. O lugar está muito bem localizado numa esquina entre a famosa padaria Acme Bread Co., que tem uma fila constante na porta da sua micro-loja, e uma loja de vinho. Todos os produtos do menu do Café Fanny segue a linha da ideologia da Alice Waters—são locais, de fazendas e sítios que praticam agricultura sustentável e ecológica. Eu comi um sanduíche levíssimo feito com pain de mie do Acme, queijo raclete e tapenade. Pedi também uma salada de verdes, simples e perfeita. A Maryanne pediu a clássica salada de queijo da cabra assado, que vem com duas torradas lindas e enormes feitas com o pão levain do Acme. Nossa opção de bebida foi uma limonada fresquíssima, que estava do jeitinho que eu gosto, bem limãozuda e sem muito açúcar.

Julia's Kitchen no Copia

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O restaurante Julia's Kitchen fica no Copia, na cidade do Napa e foi batizado em homenagem à Julia Child, uma das idealizadoras, financiadoras e patronas do The American Center for Wine, Food and the Arts.

Tazzina Bistro

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Woodland é a nossa cidade vizinha, dez minutos por uma estrada principal ou uns quinze por outra vicinal e já estamos lá. Eu não gostaria de morar em Woodland, mas vou bastante lá, pelo comércio. A cidade tem os largos campos de tomates e as enlatadoras, que transformam o visual das estradas no final do verão. Lá também se produz os deliciosos óleos especiais e há muitos campos de amêndoas, pêssegos, arroz. Apesar da cidade ser rodeada por essa cornucópia agrícola, Woodland não é uma cidade gourmet e quando pensamos em comer bem, a cidade nunca entra na nossa lista de opções.

Mas admito que essa exclusão determinista é um pouco injusta, pois Woodland tem lojinhas de antiguidades bem bacanas no seu centro histórico e um restaurante digno de nota, o Tazzina Bistro.

Estivemos lá por acaso, num dia horrívelmente tórrido de um verão no passado. Foi uma experiência gratificante. Quis voltar lá para transportar as observações para este blog. Fomos, num outro dia de verão, não tão tórrido, porém bastante quente. Pegamos o menu de brunch, a praga que infestou absolutamente todos os restaurantes nos almoços de domingo.

Quando chegamos o lugar estava bem vazio, foi enchendo no correr das horas. Um restaurante como o Tazzina iria fazer um sucesso absurdo em Davis, mas concluímos que alugar um espaço bacana como aquele numa área central, deve custar muito menos em Woodland do que em Davis. O Tazzina serve produtos locais e sazonais, tudo preparado com muito capricho, num menu californiano com influência italiana e francesa.

O Uriel pediu uma sopa de aspargos que ele declarou estar uma delícia. Eu pedi uma caesar salad, que achei muito bem equilibrada. Geralmente essa salada exagera no alho, mas a do Tazzina estava bem leve. Depois o Uriel decidiu pela lasanha de berinjela com queijo de cabra e molho de tomate e pimentão grelhado, tapenade e pinoles. Eu estava de olho nessa lasanha, mas como ele pediu, resolvi pedir outro prato e escolhi o hamburguer feito com carne kobe do Snake River Farms acompanhado de tabasco aioli, cebola roxa grelhada, queijo cheddar branco, em fatias de pão ciabatta. Batatas fritas acompanhavam o prato. Eu pedi o hamburguer porque, seguindo um trend iniciado pelo Ches Panisse, o Tazzina informa a procedência da carne, dizendo de onde ela vem, neste caso, a Snake River Farm. Achei todas as porções gigantescas e não consegui comer tudo, embora o hamburguer feito a mão e muito bem temperado, e as batatas cortadas também a mão e fritas com perfeição, estivessem deliciosos. Acompanhamos a refeição com um prosecco italiano e água com gás. Nem pedimos sobremesa, de tão empanturrados que ficamos. Mas eu me arrependi, pois deveria ter provado pelo menos uma, pra ver como o Tazzina se sairia nesse quesito.

Não foi desta vez, outra vez

Meu marido pode ser considerado um obstinado Sir Lancelot em busca do Santo Graal quando se trata de encontrar a pizza perfeita, ou a melhor pizza de Sacramento. Há anos ele busca por esse tesouro escondido em alguma esquina de algum bairro da capital do estado da Califórnia. Já fomos à muitas pizzarias na cidade, sempre na esperança de que ali iremos comer a melhor pizza, mas nunca realizamos tal façanha. De qualquer maneira, meu darling Lancelot não desiste nunca e no potluck dos blogueiros de Sacramento ele não perdeu a chance de fazer o seu invariável questionamento: onde comer a melhor pizza? Uma das garotas do Sac Foodies indicou uma pizzaria chamada Luigi's.

No domingo, fui fazer um exame em Sacramento na hora do almoço e quando saimos da clinica, resolvemos ir checar a tal pizzaria. Eu sabia que ele não iria sossegar enquanto não fosse até lá verificar se a pizza estava à altura da recomedação de uma foodie.

O Luigi's Pizza Parlor fica numa esquina num bairro bem desprivilegiado da cidade. É um lugar pequeno, que serve pizza sem muita frescura desde a década de cinquenta. Pedimos uma meio queijo, meio linguiça portuguesa e sentamos numa das mesas simples do lugar, ansiosos pela experiência. As opções de bebida eram refrigerante ou cerveja. Algumas pessoas estavam lá só bebendo cerveja. O menu incluia também alguns tipos de pasta e sanduiches. O Uriel ficou um pouco decepcionado logo que viu que o forno não era a lenha. Mas eu me animei quando vi dois senhores abrindo a massa e preparando as pizzas com esmero. Eu estava sem poder comer desde manhã e já tinha visões de bolinhas flutuantes quando a pizza finalmente chegou na nossa mesa. Veredito: não é a melhor pizza de Sacramento! A massa estava ótima, fininha, bem seca e crocante. O molho não era dos piores, mas também não se sobressaiu. O problema maior foi a escolha de adicionar linguiça portuguesa, que realmente foi uma mancada nossa—ou melhor, minha, pois fui a autora da idéia, talvez neblinada pela fome. Comemos, mas não tivemos uma epifania na primeira mordida. Foi uma experiência mais uma vez ordinária.

Notamos uma clientela bem eclética na pizzaria. Na mesa ao lado da nossa sentaram-se três meninas negras, vestidas iguais e falando sem parar no celular. Não pude deixar de notar uma delas, que era extremamente bonita e poderia ser uma modelo, se tivesse a chance. Elas riam muito e falavam o tempo todo. Mas o lugar tinha muito barulho, produzido por uma tevê gigantesca onde passava notícias de esportes e por uma jukebox onde tocava sucessos da Motown. Não estava dando pra ouvir o que as meninas falavam, mas uma delas se virava toda hora e dizia pra nós—I apologize! [eu peço desculpas] Eu estava boiando total, fiquei pensando será que estou encarando muito, porque às vezes eu encaro sem perceber, ainda mais que fiquei realmente encantada com a beleza de uma delas. Mas não tinha nada a ver comigo, pois no final uma delas disse—I apologize! Is too much cursing for you? [é muito palavrão pra vocês?] Eu respondi sorrindo que não era problema algum, pois nem estávamos prestando atenção. Embora eu não tenha realmente notado nenhuma linguagem chula que elas provavelmente estavam usando na conversa, não pude deixar de notar uma coisa chocante que uma delas fez. Além de salpicar a fatia de pizza com aquele queijo ralado vagaba que é muito comum nas pizzarias daqui, esbugalhei meus olhos abismada quando vi ela espremer um tantão de maionese no prato e depois molhar a pizza ali e nhack! Foi a minha vez de &%$#@*@$%!!

the walking tempura

Meu marido acha que eu exagero nas minhas criticas, mas eu detesto o Zen Toro. Ele é um restaurante japonês pseudo-modernex, que veio para Davis nesses esquemas massificantes de franchising. Está instalado num espaço minúsculo em downtown e quem vai almoçar ou jantar lá sai sempre fedendo a fritura da cabeça aos pés. Mas eu não desgosto de lá somente por isso. Também acho a comida pretensiosa e o serviço uma porcaria. Tá certo que numa cidade universitária, onde noventa e nove por cento dos atendentes dos restaurantes são estudantes, não se pode esperar o melhor serviço do mundo. Mas no Zen Toro eu tive um dos piores, com o agravante que de lá sempre se sai com cabelo, pele e roupa empesteados numa fedentina de óleo de fritura.

Meu chefe veio me ajudar num projeto que realmente eu não precisava de ajuda. Quando ele sentou-se ao meu lado, senti na hora que ele tinha almoçado em algum lugar catinguento, daqueles onde frituras abundam. Depois de me dar uma mão desnecessária ele entabulou num convercê e então confidenciou que ele e a esposa tinham ido almoçar num lugar diferente. E eu—ah é, onde? Nem fiquei surpresa quando ele respondeu—no Zen Toro.

Duarte's Tavern

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Depois de colher os morangos na Swanton Berry Farm o GPS nos levou até Pescadero para um almoço na Duarte's Tavern. Chegamos na minúscula cidade e fomos direto para o restaurante, que estava lotado, com muita gente esperando na porta. Colocamos o nosso nome na lista de espera e recebemos o aviso de que teríamos que esperar por 45 minutos. Achei que valeria a pena e para passar o tempo fomos visitar as lojinhas de antiguidades e de artes da rua principal da cidade. A história do restaurante é interessante e começou em 1894 quando o patriarca Frank Duarte trouxe um barril de whiskey de Santa Cruz até Pescadero e vendia as doses em cima do balcão do bar, que ainda é o mesmo. A família Duarte tem tocado o local desde então. Hoje eles têm muitos funcionários, mas os membros da família continuam trabalhando lá. Vimos alguns deles, apressados, servindo pratos, conversando com os comensais.

Nós sentamos no balcão, o que nos poupou alguns minutos de espera. Eu confesso que adoro sentar nos balcões de restaurante! Acho o atendimento mais cuidadoso, não sei o que é. No Duarte's não foi diferente. Eu levei um tempão pra decidir o que pedir, pois as opções eram imensas, com muito peixe e frutos do mar. Acabei optando por uma sopa de chili verde, que pedi com um pouco de medo, pois as pimentas ainda me assustam. A sopa acabou sendo a melhor escolha, um creme suave e delicado, com uma deliciosa surpresa picante no final. Também pedi um sanduíche de caranguejo, que estava recheadão de carne macia e bem temperada. O Uriel pediu um ravioli de alcachofra. Os pratos com alcachofra são a assinatura do restaurante. Muita gente pedia a sopa de alcachofra, que é bem famosa. Eu bebi um vinho espumante da Mumm Napa, que veio na garrafinha super charmosa. Até o pão estava especial, vindo semi-assado da padaria da outra esquina e terminado de assar nos fornos do restaurante, chegou à mesa quentinho e crocante. De sobremesa dividimos uma torta de morango com ruibarbo que chegou quentinha e derretia na boca. O restaurante é bem simples, mas a comida é de primeira, como também o atendimento extremamente simpático. Saímos de Pescadero felizes da vida e rumamos para Half Moon Bay pela Highway 1, que tem uma das mais belas paisagens daqui do norte da Califórnia.

A taberna da Adelia

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Em Nazaré, depois de passearmos pela linda praia, onde as criancas cataram pedras e conchinhas e o Fausto tomou um caldo, voltávamos para o estacionamento quando eu vi esse restaurante. Ele estava fechado, mas eu colei a minha cara nos vidros e fiquei simplesmente encantada com o que vi lá dentro. A oportunidade de registro era única. Micos à parte, o que importa é que fotografei o restaurante, que agora vai ficar gravado para sempre na minha memória, para no futuro, quem sabe, eu poder voltar à Narazé e jantar na Taberna da Adelia.

Pelo que me contaram da história de Nazaré, com sua população de pescadores vestidos de camisa xadrez e touca de meia de lã e as mulheres com as saias curtas—certamente para poder entrar na água e ajudar os maridos com mais destreza, a Taberna da Adelia reproduz todos esses simbolos da cidade. Com as cadeiras forradas de tecido xadrez, a foto da própria Adelia vestida a carater e todos os micro-detalhes das louças e tachos de metal. Um chame de lugar, onde eu não comi, mas isso realmente não importa.

Restaurante Casa Adão

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Encurtamos nossa visita à cidade de Porto para poder ficar dois dias em Sintra e Cascais. Por isso só tivemos uma tarde, que gastamos visitando uma das caves de vinho do porto do outro lado do rio Douro, em Vila Nova de Gaia. Enquanto esperávamos pelo horário da tour na cave da Ferreirinha, resolvemos almoçar e recebemos a recomendação do restaurante Casa Adão. É uma pequena tasca na mesma rua das caves, onde tive com certeza a refeição mais memorável de toda a minha viagem. Não sei explicar por que, mas me senti extremamente feliz comendo lá. O garçon foi divertido e gentil, apesar que eu e minha irmã tivemos dificuldades para entender o sotaque dele. A comida foi excepcional. Nada demais, mas tudo muito bem feito. Eu acho que sei distinguir uma comida simples, porém bem feita e com bons ingredientes, de uma comida metida a besta e meia boca. Na Casa Adão comi o MELHOR bolinho de bacalhau em terras portuguesas, bebi o vinho verde que me deixou estalando a língua de felicidade, provei as famosas alheiras que vieram com as melhores batatas fritas, cortadas a mão e fritas com perfeição. Veio junto um ovo frito, arroz e salada. Mais simples impossível, mas vou dizer—estava fenomenal! Comi com gosto, com felicidade, com satisfação. Meu cunhado também pediu as alheiras e minha irmã foi de francesinha, um sanduíche pra alimentar um boi faminto, com pão rústico recheado de carne e linguiça, coberto por queijo e um ovo frito e afogado num molho picante. Não provei a francesinha, mas minha irmã se debulhou em hms e ohs. Perfeito! Agora, ponham reparo na cor da gema desse ovo frito e me digam se essa galinha portuguesa não é uma penosa super feliz.

* além de tudo, essa foi a refeição mais barata que tivemos em toda a viagem. um total de trinta e quatro euros para três pessoas comerem e beberem muitíssimo bem.

um encontro em Coimbra

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Minha condição dinossaurica de dezesseis anos como usuária da internet e de oito anos como blogueira endossam essa minha mania de encontros. Não é de hoje que eu tenho esse impulso de conhecer pessoalmente os amigos das convivências virtuais. A maioria dos meus encontros foram frutiferos e geraram amizades duradouras e bacanas. Sempre há os casos de falta de conexão ou de pessoas que não têm mesmo nada a ver com você, mas esses são minoria, felizmente!

Aqui em Coimbra, assim como em Lisboa, meu encontro com as queridas amigas portuguesas foi fantástico! Infelizmente nem todos puderam ir por impedimentos ou compromissos pessoais, ou por uma falha não intencional minha, que acabei não me recontactando com todos. Haverão outras oportunidades, tenho certeza!

Num sábado de solaço e calorão encontrei com Elvira, Mariana e Marizé. Perdi a noção do tempo, mas pelo jeito passamos muitas horas no bate papo—primeiro na porta da estação de trens, onde encontramos Elvira e Marizé e esperamos pela Mariana. Depois caminhando pelas ruas do centro histórico de Coimbra, num café para bebermos água e refrescar, finalmente no restaurante a beira do Rio Mondego, e depois novamente num café, onde bebemos cerveja e conversamos tanto que quase fizemos a Elivira e a Marizé perder o trem de volta pra casa.

Minha irmã e meu cunhado também nos acompanharam e tiveram que enfrentar uma maratona de conversas culinárias e de blogueiragens sem fim. Eles foram fortes e bravos e nem demonstraram muito desespero nem bocejaram de tédio na nossa cara. Fiquei muito orgulhosa da minha irmã. Pisc!

Meninas lindas de Coimbra, foi uma felicidade imensa conhecer vocês. Estendo o convite para tardes de verão ou outono na Califórnia. Bá, mas não vai ser a mesma coisa, né? Tenho mesmo é que voltar mais vezes à Portugal.

*na primeira foto: eu, Marizé, Mariana e Elvira.
**no cardápio, uma deliciosa feijoada de peixe.
***esqueci de fotografar o vinho, que era verde, é claro!

almoço em Peniche

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Estamos comendo bastante em restaurantes e com a exceção de um mal escolhido em Óbidos, temos comido muitíssimo bem. A maioria dos restaurantes serve uma comida simples e saborosa. Alguns surpreendem, como este chamado Kate Kero na pequena cidade litorânea de Peniche. Os peixes eram fresquíssimos e os pratos eram muito simples, servidos com salada e batatas cozidas. Eu pedi o meu peixe com batatas-fritas. Estou batendo o recorde de comer batata-frita, pois as daqui são deliciosas, cortadas a mão e fritas na hora. Nada de batata pré-frita e congelada. Aleluia!

Nas fotos, uma sopa de peixe, o meu prato principal de espadarte ou peixe-espada e o espeto de lulas pedido pela da cunhada da minha irmã. Bebemos um vinho rosé que todos disseram ser muito popular com os turistas estrangeiros, o Mateus, e de sobremesa eu provei o molotof, que é um pudim de claras em neve cozidas no leite com caramelo. Um almoço simples, porém memorável, como tem sido quase todas as minhas refeições aqui em Portugal.

um encontro em Lisboa

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Eu ainda estava com um jet-lag desgranhento, não tinha dormido nem uma piscada na noite anterior, então minhas olheiras estavam monstruosas e todo o meu ser ainda estava flutuando no limbo dos viajantes recém-chegados. Consegui conversar pelo telefone com as blogueiras de Lisboa e a Isabel [Pipoka] do blog Three Fat Ladies gentilmente tomou a iniciativa de arranjar todos os quiprocrós, definindo o ponto de encontro e a escolha e reserva do restaurante. Nós tínhamos ido à Belém naquela tarde e nossa volta foi maratonica, com uma fulanete batendo a porta do carro no elétrico, onde nos encontrávamos, e provocanto um caos e um congestionamento. Conseguimos voltar ao hotel à tempo para um banho e chegamos aoenas quinze minutos atrasados na A Brasileira, o café onde Fernando Pessoa sentava-se todos os dias, no Bairro Alto de Lisboa. Lá já estavam a Paula do O Que Der na Gana, a Goretti do Mal-Cozinhado e a Isabel do Cinco Quartos de Laranja. Logo depois chegaram as três lindas Three Fat Ladies e a Suzana do Gourmet Amadores e seguimos juntas para o restaurante Antigo Primeiro de Maio, onde já éramos esperados. Um pouco mais tarde chegou a Cris do Momentos da Cris, para completar o grupo, que também contou com o Zé, marido da Cris, a fofa Teresa, filha da Goretti, minha irmã Leandra, meu cunhado Luis e meus sobrinhos Fausto e Catarina. O restaurante era bem pequeno, mas bem aconchegante e a comida estava muito boa, apesar que eu mal consegui comer porque sentei no meio da mesa e queria desesperadamente conversar com todas! Depois que fomos convidados a nos retirar do restaurante, pois havia um grupo de alemães esperando para sentar na nossa mesa, caminhamos pelo belíssimo Bairro Alto até a praça do miradoro, onde conversamos em pé até altas horas. Lá chegou a última das moicanas, a querida Carlota, que não tem blog e é completamente adorável. Amigas de Lisboa, foi um prazer imenso encontrar pessoalmente com voces, colocar um rostinho e uma voz em cada personalidade blogueira, conhecer vocês um pouco mais e poder compartilhar algumas horas juntas num bate-papo muito agradável. Agora espero todas vocês na Califórnia, tá?

* nas fotos alguns ítens do cardápio—os peixinhos da horta, que são massinhas fritas com vagens, bolinhos de bacalhau, carapaus, pescada e um delicioso vinho verde, é claro!

Casa do Alentejo

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Entrei em Portugal com o pé direito. Meu primeiro rango em Lisboa foi na Casa do Alentejo. Uma delicia de comida. Tomamos uma sopa de tomates, depois eu comi um bacalhau com migas de grão-de-bico que me encantou e a Le e o Luis comeram um refogado de porco com mariscos. As criancas [não] comeram um bife com batatas fritas. O vinho alentejano estava delicioso, assim também como os aperitivos de azeitonas curadas e uma linguiça bem forte. Tudo estava fantástico , sem falar que o lugar é um casarao antigo lindo todo decorado com os famosos azulejos. A Catarina chorou pra entrar no lugar, porque ela disse que parecia a casa da bruxa. E parecia mesmo, hahaha! Mas aí que é que estava o charme. Reparem na touca do Fausto, ostentando o brasão do time de futebol do avô português dele—o Sporting.

Seasons em Davis

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O restaurante Seasons faz parte da nossa lista de frequentáveis aqui em Davis. É um lugar bem agradável, sem muitas firulas, mas que serve uma comida feita com ingredientes sazonais de qualidade, adquiridos de produtores locais. Fomos lá no último sábado para jantar com nossos amigos Eliana e Andres, que tinham chegado de viagem e com quem queríamos nos encontrar antes da minha viagem. O Andres levou o vinho, um Chardonnay da vinícola Kendall Jackson de Santa Rosa. O Uriel foi o único que pediu sopa, um creme de aspargos, afinal estamos na instável e geniosa primavera. Depois ele pediu um spaghettini com tomates frescos, azeitonas e um chiffonade de manjericão com azeite que estava com uma cara deliciosa de verão. Eu e a Eliana arriscamos nas codornas recheadas com amêndoas, figos e bacon e servidas sobre uma sopa de couscous israelita. O Andres foi de ossobuco de carneiro com polenta e um relish de alcachofra, tomate seco e azeitonas. Todos gostaram dos pedidos. Eu fiquei um pouco perturbada quando vi o tamanho do bichinho no meu prato, ainda mais quando o Uriel começou a repetir—parece um passarinho, é igualzinho a um passarinho! As coxinhas da codorna eram comoventes, tão pequenininhas que pareciam peças de algum joguinho de tabuleiro macabro. Mas elas tinham sido assadas na brasa e estavam realmente saborosas. Eu comi, com toda a culpa do mundo pesando nos meus ombros, mas comi. Na hora da sobremesa, me encantei com um sorbet de morango com Zinfandel feito na casa, mas tive a maior decepção da minha carreira de comedora de sobremesas. Achei o sorbet muito doce e ele veio acompanhado de dois cookies que eram uma aberração. Um deles, de chocolate, tinha a grossura de dois dedos. Nota ZERO! Já os meus amigos, que optaram por um pudim de banana, gostaram muito do que pediram.

Greens - San Francisco - II

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Greens - San Francisco - I

No final da década de 60, a estudante de Zen Budismo Deborah Madison voluntariava na cozinha do San Francisco Zen Center. Filha de um professor de botânica na UC Davis, Deborah cresceu em Davis e em meio à fazendas. Nos anos em que praticava suas habilidades culinárias no mosteiro, Deborah conheceu Alice Waters e depois de jantar algumas vezes no Chez Panisse, acabou indo fazer um estágio na cozinha do já afamado restaurante em Berkeley. Depois da experiência em Berkeley, Deborah decidiu propôr ao monje chefe do Zen Center, que abrisse um restaurante anexado ao monastério budista. Assim começou o Greens, o restaurante vegetariano que abriu suas portas em 1979. Hoje Deborah Madison não é mais a chef lá, mas o lugar virou sinônimo de vegetariano high-end.

Eu já tinha o Greens na lista de must-go-places há muito tempo, sendo ele o restaurante favorito da minha amiga Helô, que vez em quando me falava dele. Nem preciso dizer que o Greens segue a mesma linha de produtos orgânicos, super frescos, locais, sazonais e de alta qualidade do Chez Panisse. Só que o Greens não serve nenhum tipo de carne de animal. Mas garanto que ninguém vai nem reparar nesse detalhe. O lugar é lindo, instalado numa seção do Fort Mason em San Francisco, ao lado da Marina, com vista para o mar azul da baia e para o símbolo da cidade, a ponte Golden Gate. O restaurante é todo cheio de luz e de gente sorridente, tudo com um astral muito zen. Fomos almoçar um brunch de domingo com a Maryanne e o Paulo e passamos uma tarde muito agradável, com ótima companhia e ótima comida. Nós todos pedimos uma sopa de cenoura com gengibre de entrada, que ganhou nota dez. O Uriel foi de pappardelle com aspargos, pinoles e manteiga de meyer lemon. Eu pedi uma torta de alcachofra com polenta e cebolinha. A Maryanne comeu ovos e o Paulo pediu o prato mais cobiçado e invejado por todos—um sampler de gostosuras árabes. Bebemos vinho, chá de menta e suco de uva natural. De sobremesa eu me deliciei com uma fatia de torta de nozes e mel com sorvete de lavanda, e os outros foram de tarte tartin de maça. Ficamos numa mesa privativa numa salinha separada, com um janelão com vista para o mar ao nosso lado e uma luz maravilhosa de uma tarde de primavera.

O único porém do Greens é que o serviço é desorganizado. A Maryanne já tinha me avisado que seria assim e assim foi. Primeiro eles trouxeram uma bebida pra nossa mesa que não era nossa. Depois chegaram com os pratos antes da sopa, levaram tudo de volta. Depois trouxeram o café da Maryanne antes das sobremesas, que chegaram faltando uma. Dai pedimos uma extra e vieram duas, que foi oferecida como cortesia. Tudo bem, num restaurante zen, com uma comida deliciosa de de qualidade excepcional, dá perfeitamente pra desculpar esses tropecinhos.

Restaurant Charcuterie

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Chegou a hora do rango, com os nossos estômagos dando aqueles sinais típicos, e nós ainda não tínhamos decidido onde comer. Passamos por vários lugares interessantes no centro de Healdsburg, alguns cheios de gente, outros nem tanto. Demos aquela vistoria geral, também olhamos os menus. Tínhamos passado por esse pequeno restaurante chamado Charcuterie. Ele ainda estava fechado, mas um pessoal bacana já esperava na porta. Olhei o menu—saladas, pastas, sandubas. Seguimos em frente, mas o fato de ter gente na calçada esperando o restaurante abrir impressionou o Uriel demasiadamente. Ele não parou de falar no tal Charcuterie. Eu já tinha até escolhido o meu favorito, quando ele mencionou mais uma vez o lugar com gente esperando na porta. Deve ser bom. Só tinha um jeito do meu marido sossegar o facho: vamos lá no tal Charcuterie então! O restaurante bem pequeno estava lotado. E tinha gente esperando na porta. Nós tivemos sorte e fomos colocados rapidamente numa mesinha que fazia dupla com uma mesa maior, onde sentaram um trio de meninas asiáticas. Pedimos nosso rango—eu pedi um sanduiche de portobello e pimentão e o Uriel uma pasta putanesca. Bebemos água com gas e eu pedi uma taça do Pinot Noir 2006 da vinícola Hook and Ladder no Russian River Valley. Já que estavamos ali, queria beber o vinho da região. Esse Pinot Noir não decepcionou. A comida também, apesar de super simples, não decepcionou, muito pelo contrário. Meu marido até sugeriu que os preços estava muito módicos para a qualidade e sabor da comida. As mocinhas asiáticas curiosas da mesa ao lado perguntaram—what's that? para absolutamente tudo que estávamos comendo. Na hora da sobremesa, eu pedi um floating island e o Uriel um strawberry shortcake e ficamos chocados com o tamanho dos pratos. Um baita exagero, ninguém precisa de uma sobremesa daquele tamanho.

Liaison bistro - Berkeley

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Fomos à Berkeley com nossos velhos amigos Eliana e Andres, encontrar nossos novos amigos, Maryanne e Paulo. Eles nos recomendaram esse fofíssimo bistrô, numa esquina da cidade e foi lá que marcamos um almoço no domingo. Adorei o lugar, bem tradicional, com um cardápio francês, um ambiente aconchegante e um serviço atencioso. Tivemos dificuldade para escolher o vinho e o garçon nos trouxe uma amostra dos vinhos que estávamos em dúvida. Foi uma excelente manobra, pois um dos vinhos não teve aprovação. Pedimos outro, que todos gostaram. Como é comum aqui nos domingos, o cardápio era de brunch. Mas diferente da maioria dos restaurantes que servem brunch, achei o cardápio do Liaison bem variado. Um set de entradas, outro de pratos com ovos, outro de saladas e o último de croques, que achei bem criativo. Todo mundo pediu algo com ovos. Eu, concentrada em papear com a Maryanne, me distraí de absolutamente tudo e pedi uma salada niçoise sem perceber que ela vinha com o atum fresco selado—e eu NÃO como peixe cru! Mas isso não foi problema, pois a salada era imensa, como todos os pratos do lugar, e eu ainda pedi pommes frites e nem consegui comer tudo. As sobremesas valeram à pena. Eu pedi uma île flotant que estava perfeita. Gostei de tudo do Liasion Bistro, principalmente da maneira com que eles apresentavam os cardápios de drinks e sobremesas, carimbando na cobertura de papel da mesa. Passamos a tarde toda lá, acomodados na mesa redonda, conversando animadamente. Foi uma tarde deliciosa, especialmente porque estávamos em ótima companhia.

55º - Sacramento

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Ficamos sabendo desse evento que acontece em cidades como San Francisco, New York e também em Sacramento—Dine Downtown, quando os restaurantes finos da cidade fazem uma semana de prix fixe menu. Com trinta dólares por cabeça, pode-se jantar um menu de três courses num dos restaurantes high-end de downtown Sacramento. Combinamos com um casal de amigos de irmos juntos e ela escolheu o 55º.

O restaurante fica na Capitol Mall, uma avenidona que desemboca no Capitol, a imponente sede do governo da Califórnia, onde o simpático Arnaldão trabalha. É o cartão postal da cidade. O 55º é pequeno e tem um estilo moderno. Pedimos nossas opçõoes do cardápio de preço fixo—dungeness crab cake, saffron mussel soup, steak of certified angus beef with lemon parsley butter and frites, wild mushroom risotto with mascarpone, parmesan reggiano e black truffles oil, créme brulée e sorbet de frutas.

A nota que demos para a comida foi sete. Isso porque nosso amigo realmente gostou da carne, para a qual eu torci o nariz. Achei que o angus beef estava com um sabor um pouco forte pro meu paladar não muito carnívoro. E as fritas estavam um pouquinho oleosas, talvez por causa da manteiga de limão. O bolinho de carangueijo estava muito bom e quem pediu a sopa de mariscos também gostou. O risotto foi uma decepcão e o créme brulée não entusiasmou. Nós levamos o nosso próprio vinho escolhido pelos nossos amigos, um cabernet savignon da vinícola J. Lohr e pagamos a corkage fee. Não foi um jantar memorável, mas também não foi um jantar ruim. Talvez a qualidade da comida tenha decaido um pouco por causa do menu fixo. Só assim estaria desculpado um restaurante tão caro servir uma comida tão mediana.

26 no Tucos

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Não me lembro exatamente porque casamos no dia dois de janeiro. Acredito que era o único dia vago, pudera. E não queríamos esperar porque eu já estava no quinto mês de gravidez. Então até hoje, enquanto o povo em geral sossega o facho das comemorações no segundo dia do ano, nós ainda temos mais um regabofe pela frente. E a cada ano que passa, a necessidade de comemorar se intensifica, afinal tantos anos juntos não é pra qualquer um.

Escolhi o Tucos Cafe para celebramos o nosso ano vinte e seis. Foi uma escolha inteligente. Já estivemos lá outras vezes, para almoçar ou apenas beber sucos de frutas brasileiras. O proprietário Pru Mendez* é casado com uma portuguesa e já morou no Brasil. Além dos sucos naturais, o Tucos também oferece feijoada e uma deliciosa adaptação da receita de pão de queijo da minha cunhada Pat, que segundo o Pru é um sucesso entre os americanos. Ele conseguiu transformar um salgadinho super simples e popular numa verdadeira delicacy, fezendo uma adaptação dos queijos, adicionando pasta de trufas, com um resultado extremamente delicado. Feito na hora, o pão de queijo chega quentíssimo à mesa, derretendo na boca.

Desta vez pegamos o cardápio do jantar e tudo o que pedimos estava perfeito. O Tucos oferece uma carta de vinhos bem incomum, com opções de vinhos de vários cantos do mundo, todos exclusivos. Eu pedi um Sousao feito aqui na Califórnia, com um sabor bem apimentado. Provamos um prato de queijo da serra português, que veio com pães, amêndoas torradas, passas brancas e um azeite bem denso e perfumado. Depois eu pedi uma salada simples, com fatias de maçã e uma torrada com queijo de cabra temperado e morno. O prato do Uriel, de carpaccio de prosciutto com alcaparras e queijo grana, estava sublime. Eu acabei comendo umas boas fatias, pois a quantidade era suficiente para duas pessoas. De prato principal o Uriel foi de ravioli com molho de lagosta e eu comi um steak com purê de raizes e legumes refogados. A sobremesa nos frustou um pouco, mas deu pra perceber que era tudo feito a mão, até o sorvete, que a garçonete nos comunicou era feito por eles.

O Tucos está instalado numa casinha pequena e aconchegante em downtown, atrás da estação de trem. A comida é de excelente qualidade, orgânica, local, e o atendimento é um primor de atenção e delicadeza. Enquanto o Uriel pagava a conta, fui conversar com o Pru, quando ele me contou do sucesso do pão de queijo e da feijoada e me falou que procura sempre pelos melhores ingredientes. Apesar de fazer parte do movimento Slow Food e de apoiar ao máximo os produtores e negócios locais, ele disse não ser um radical nem um fanático, e não se importa de trazer um produto de outro lugar, se concluir que aquele é o melhor. A carne que eu comi, por exemplo, é grass fed importada do Uruguai. Ele disse que o Uruguai tem a melhor carne de gado alimentado da maneira tradicional, com grama. Não tive como discordar, pois o meu prato estava uma delícia.

* posando descontraídamente na última foto em companhia da notável e altamente colunável dona do chucrute.

Foreign Cinema - San Francisco

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Uriel me convenceu a sair da toca na noite de Ano Novo. Fomos para San Francisco, onde nos contaram que a festa é sempre bonita. A cidade tem milhares de opções para todos os bolsos e gostos. Escolhi um restaurante que eu já estava querendo conhecer há tempos—o Foreign Cinema. Fiz reservas e fomos para a cidade mais linda do mundo na noite do dia trinta e um de dezembro.

O restaurante é bem bacana, tem duas áreas internas e uma externa, com um muro alto onde eles passam filmes estrangeiros. Na noite do reveillon havia também filmes nas paredes da parte interna do restaurante. Enquanto lá fora o filme projetado era o italiano cabeça O Jardim dos Finzi-Continis, lá dentro, onde ficamos, a diversão foi garantida com o over the top Beyond The Valley of The Dolls, um cult soft porn exageradérrimo e cafonérrimo dos anos 70. Nós jantamos um menu de quatro pratos, que podíamos escolher de uma lista interessante, com um preço fixo. Estava tudo muito saboroso, mas devo confessar que fiquei um pouco irritada com a quantidade minúscula das porções, comparadas com o preço nada pequeno da conta. A sopa de entrada, um creme de lagosta, veio num potinho um pouco maior que um dedal, na quantidade equivalente a talvez uma colher de sobremesa. Mas tudo bem, isso foi o de menos. O lugar era legal, a comida estava deliciosa e nós nos divertimos.

Saímos do restaurante às 11:38pm e com a ajuda inestimável do GPS conseguimos chegar ao Embarcadero uns minutos antes da meia-noite. Trocamos de sapato e nos agasalhamos melhor no carro e corremos para ver os fogos, embaixo da Bay Bridge. Foi um espetáculo muito bonito. Depois caminhamos pela orla, que estava apinhada de gente. Eu sou desacostumada com multidões, então fiquei um pouco atordoada. Todo mundo festejando sob a vigilância e ostensiva patrulha da gentil polícia de San Francisco. Havia muitos bêbados, drogados e a cidade estava uma muvuca total, mas tudo acontecendo naquela incrível civilidade e jeitão nonchalant típico da cidade. Voltamos logo em seguida para Davis, afinal eu queria dormir a primeira noite do ano na minha caminha!

breakfast no Café Bernardo

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No dia 25 eu tinha preparado um breakfast robusto, com omelete e salmão defumado. Na manhã do dia 26, eu, Marianne, Reidun e Idar fomos tomar nosso café da manhã fora. Escolhemos o Café Bernardo, que é um lugar bem gostosinho em downtown. O Uriel e o Gabriel não nos acompanharam, pois foram trabalhar. Eu gostei de não precisar fazer nada e tivemos um breakfast típico norte-americano, com ovos, bacon, salsicha feita em casa, refogado de batatas, pão, geléia, café.

Giusti's

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Mas uma vez decidimos seguir as indicações da reportagem restaurants worth the drive da Sacramento Magazine. Na primeira vez adoramos a experiência da alta qualidade e simplicidade do Putah Creek Café. Desta vez, nossa visita ao Giusti's foi um pouco diferente. O restaurante instalado no meio de fazendas de uva e ao lado do Sacramento River, parece mesmo o paraíso dos caçadores e pescadores. Como a reportagem da revista descreve, o lugar é rústico por dentro e por fora. Pertence à uma família de descendentes de italianos que gerencia o restaurante há mais de cem anos. Logo na entrada tem um bar, com o teto totalmente forrado de bonés de baseball. O restaurante fica ao lado do bar e faz um estilo cantina, mesmo na hora do almoço de um dia ensolarado as persianas estava fechadas e as luzes acesas. O menu do dia fica afixado em lousas brancas nas paredes. Nós decidimos pedir o catch of the day, que era o grilled red snapper. O prato vinha com sopa ou salada, pão rústico e vinho. Comida à beça! Pedimos sopa, que veio numa vasilha enorme, deveria servir umas quatro pessoas. O vinho—um Chianti sangue de boi, veio numa jarra, dava também pra quatro pessoas. O peixe veio com um arroz, tipo parabolizado e temperado com o que parecia ser cogumelos. Cara de arroz de caixinha. O peixe parecia ter sido temperado com aqueles pózinhos de alho e não consegui imaginar aquilo sendo grelhado. Parecia ter sido apenas frito numa frigideira. A sopa também não era feita from scratch. Se era, meu paladar está me passando a perna, porque aquela sopa tinha o gosto típico das sopas em lata. Comemos, mas não ficamos impressionados. Eu pedi uma porção de batata frita, e foi a única coisa que realmente gostei. Elas vieram super quentes e crocantes. A reportagem da revista dizer que as porções no Giusti's são enormes foi correto, mas dizer que a comida é fresca, eu não coloco minha mão no fogo pra confirmar isso. Muito pelo contrário. Achei que eles usam muita coisa processada e pré-preparada, como o arroz, a sopa e os temperos.

Talvez tenhamos ido lá no dia errado. No final de dezembro eles terão um sábado de Cioppino e toda quarta-feira no jantar o especial é lagosta. Bom, tem lagosta no Red Lobster também, mas isso não significa que valha a pena jantar lá.

Chez Panisse Café

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As confusões acontecem por algum motivo esotérico, não por falta de planejamento, pois algumas vezes tudo falha calhordamente por nenhum motivo aparente. Desta vez eu me preparei. Escrevi pra Maryanne, que lê este blog, mora em Berkeley e conhece os bons restaurantes da cidade. Ela sugeriu três lugares, eu escolhi um, liguei e fiz reserva. Tudo certo, não iriamos dar com os burros n'água em qualquer birosca desconhecida. Chegamos em Berkeley cedo, pois eu queria antes passar no The Cheese Board Collective, que fica em frente ao Chez Panisse e faz parte da história do restaurante. O lugar estava fechado, então seguimos para o Farmers Market em downtown, onde passamos um tempo e depois seguimos para o restaurante onde eu tinha feito reserva. Chegando lá, o grande choque—o lugar estava FECHADO*! Fiquei louca da vida, gruni, chutei lata, aquilo não era possíverrrrr....

Resolvemos voltar para a rua do Chez Panisse, onde ficava um outro lugar que a Maryanne tinha recomendado. Mas quando chegamos lá e eu olhei novamente para o charmoso restaurante da Alice Waters, me deu um ziriguidum:

fruck reservations! eu vou checar se rola a gente almoçar no café do Chez Panisse!

E fui. A hostess, extremamente delicada e gentil, me disse que seria trinta minutos de espera. Topei sem piscar. Enquanto o Uriel foi estacionar o carro, eu fiquei olhando os cozinheiros trabalharem na preparação do jantar do dia, no restaurante que fica na parte de baixo da casa. Dei uma espiada através da cortina e depois fiquei embasbacada, olhando o movimento na cozinha de um dos restaurantes mais famosos do mundo. Um dos cozinheiros escolhia talos de uma verdura, outros picavam coisas, a cozinha tinha um cheiro maravilhoso de coisas deliciosas. De repente entrou o chef Jean-Pierre Moullé, que comanda a cozinha do restaurante há anos. Ele inspecionou algumas coisas e foi sentar-se em uma das mesas com outras pessoas, certamente planejando a noite.

Subimos para o café, onde tivemos o nosso almoço. Infelizmente eu sou tímida demais pra sacar a minha camerazona dentro do lugar e tirar fotos indiscriminadamente. Simplesmente não rolou. E eu estava feliz da vida, curtindo a minha primeira visita ao Chez Panisse. Durante o almoço eu fiquei contando coisas sobre a história do restaurante pro Uriel. Percebi que nessa altura do campeonato, depois de ler tanto e tanto, eu sei absolutamente TUDO sobre tudo do lugar, só faltava mesmo estar lá fisicamente.

O café é maior que o restaurante, isto é acomoda mais gente. E tem um cardápio a la carte, que o restaurante não tem—lá o menu é fixo. Eu pedi o Zinfandel da casa, que tem toda uma história, que eu contei pro Uriel, e quis provar. Eu pedi uma ricota assada com folhas de alface da horta e um frango grelhado com brócolis ao vapor, molho de tomatillos e batata frita palha, que na realidade eram lascas finérrimas da batata, como papel de seda. O Uriel pediu uma sopa de couve-flor com iogurte e menta e depois um ravioli com espinafre e cogumelos, uma das massas mais delicadas que eu já vi. De sobremesa acertamos na mosca, o Uriel com uma bavaroise de baunilha com molho de fruta silvestre e eu com um sorvete de laranja cristalizada, que devoramos entre murmuros de puro prazer.

O Chez Panisse é a epítome de absolutamente tudo que eu sempre acreditei e pratiquei na minha cozinha. Come-se tão bem quanto em outros mil lugares, mas pra mim é a filosofia que envolve o restaurante que faz a diferença. Como eles põe em pratica a sustentabilidade, como insistem na qualidade dos produtos e como apoiam os produtores locais.

*quando chegamos em casa à noite, tinha uma mensagem do restaurante furão na secretária, se desculpando pelo inconveniente de termos dado com a cara na porta. aparentemente eles decidiram não abrir por causa de um problema de família.

Tower Cafe

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Quando Davis ainda não tinha o Varsity, o seu cinema independente, nós íamos muito à um dos cinemas independentes de Sacramente. Éramos fãs do Tower Theater, que frequentávamos muito, quase sempre parando no café ao lado do teatro, o Tower Cafe. Fazia muito tempo que não íamos lá e pra mim foi um pouquinho decepcionante. Eu tinha essa idéia do Tower Cafe ser um lugar super cool—e ainda é, sem dúvida. Mas o caso é que eu mudei, tenho outros interesses, tenho outras ambições e o Tower Cafe parece ter parado no tempo. O menu deles é bem legal, pois eles têm essa proposta étnica de global village, com rangos inspirados em outras culturas. O resturante é todo decorado com knick knacks de todos os cantos exóticos do mundo. Parece a coleção de um mochileiro que andou pelo Tibete, pela Africa, pela India. E o staff é todo moderninho, garotas e garotos alternativos. A comida nunca foi ruim, mas infelizmente não me impressiona mais. Talvez tenha impressionado no passado. Fiquei um pouco chocada em encontrar no menu o mesmo Brazilian Chicken Salad que eu comi uma vez há uns seis anos pra ver o que ela tinha de Brazilian, que na minha conclusão foi absolutmente NADA. Nós chegamos durante a transição do menu do brunch para o menu do jantar, então não tivemos um leque muito grande de opções. Eu pedi um frango desfiado e temperado com um pesto de coentro e jalapeños ajeitado numa focaccia, com rúcula, cebola roxa e uma maionese de pimentão vermelho. Veio acompanhado de batatas fritas. O Uriel pediu um hamburguer vegetariano, que quando chegou pensamos que a garçonete tinha se enganado com o pedido dele, pois parecia um hamburgão de carne. Não era! As batatas fritas estavam pateticamente tristes. Depois da minha experiencia das batatas do Putah Creek Cafe, vai ser dificil engolir qualquer outra. O Tower Cafe sempre teve e ainda tem uma variedade enorme de sobremesas super criativas, além dos acompanhamentos para chá e café—muffins, cookies, bolos, scones, biscuits, etc. Mas eu pedi uns profiteroles recheados com creme de café e com cobertura de chocolate com jalapeño, que eu achei que tinham sido preparados na semana anterior. Estava bom, mas não estava fresco, se isso pode ser possível. Estava apenas comível. O Uriel pediu um creme brulée de amaretto, que não estava ruim, mas também não arrasou Paris em chamas. Acho que o meu problema com essa visita ao Tower Cafe foi tentar sentir o mesmo frisson que sentíamos lá na década de 90. São outros tempos e eu estou em outro caminho.

Putah Creek Cafe

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Desde que chegamos em Davis que o café da manhã do Putah* Creek Cafe na cidade de Winters** nos tinha sido recomendado. Mas em todos esses anos nós nunca fomos lá. Frequentamos muitas vezes o restaurante em frente, uma steak house chamada Buckhorn, de onde víamos o pequeno café da esquina com fachada cor-de-rosa. Na semana passada eu estava folheando um número da Sacramento Magazine quando vi uma reportagem intitulada restaurants worth the drive—um deles, o Putah Creek Cafe. Decidi que tinha finalmente chegado a hora de irmos checar se o lugar era bom mesmo.

O que eu tinha ouvido falar é que o café era um lugar bem simples, com comida também simples, tipo cardápio de diner, só que feito pela família, com ingredientes fresquinhos e locais. A descrição bateu perfeitamente com a realidade. O restaurante é bem simples, serve café da manhã e almoço. Tem também um cardápio de tortas e biscoitos. Eu poderia descrevê-lo como a versão caseira e ultra-melhorada de um Denny's ou um Baker's Square. Chegamos um pouco depois da uma da tarde e eles não estavam mais servindo o café da manhã. Pedimos o almoço. Para beber, limonadas feitas de limão fresco espremido—coisa rara em diners de hoje em dia. O Gabriel pediu chá e veio uma variedade enorme do Tazo, realmente bem diferente do menu de chás de um diner comum. Pedimos nosso rango, que chegou prontamente. De onde estávamos podiamos ver o cozinheiro, muito compenetrado. Pedimos sanduíches, que vieram com sopa ou salada. O Uriel elogiou a sopa, onde se via os legumes e pedaços de carne. Nada a ver com as sopas enlatadas que são servidas abundantemente por aí. Eu pedi uma torta de milho feito com roasted chiles, milho fresco e cornmeal, servido com sour cream que estava simplesmente perfeita—úmida, macia e ultra-saborosa. Pedimos batatas fritas e eu mal pude acreditar naquilo: elas vieram super pelando, do jeito que eu adoro, crocantes por fora, macias por dentro e sequinhas! Batatas fritas simplesmente perfeitas. Tudo que saia da janela da pequena cozinha tinha uma cara simples, mas parecia delicioso. Quando chegou a hora da sobremesa estávamos tão cheios, mas eu quis pedir uma torta pra experimentar. Elas são todas feitas com frutas da estação, dos pomares da região. O Uriel escolheu a torta de damasco, que estava muito interessante, diferente e deliciosa. Vou querer voltar lá outras vezes para provar as outras tortas. E pra compensar todos esses anos que deixei de ir—vale mesmo a pena pegar a estrada!

*Putah pronuncia-se pheutá, caso alguém tenha ficado confuso.

** Winters fica a dez minutos de Davis é uma cidadezinha rodeada por todos os lados de pomares de amêndoas e pêssegos.

outra noite na Bodega Española

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Mais uma visita à Aioli Bodega Española, desta vez guiados pelos nossos amigos através do menu dos tapas. Da última vez que fomos lá, pedimos tapas, mas depois fizemos a tolice de pedir uma paella vegetariana. Pra quem nunca visitou a Califórnia pode ficar difícil de entender que tranca de paella vegetariana é essa! Mas aqui, meus amigos, tem versão vegetariana de absolutamente tudo, até de bacon. E como eu não como animais com mais de quatro pernas e que vivem em conchas, a maioria dos frutos do mar está fora do meu cardápio. Uma paella seria um desperdício, portanto optamos pela vegetariana, o que foi obviamente um erro de estratégia.

Desta vez, porém, nossos amigos nos recomendaram ficarmos somente nos tapas. Foi bem interessante, pois provamos muitas coisas diferentes—eu pulando os pratos com mariscos, lulas, polvos, eteceterá. Estava tudo ótimo, e eu gostei particularmente de um carneiro com um molho de tomate picante e os cogumelos com molho de jerez. No final decidi pedir uma sopa de tomate com trigo que foi a única decepção. Não consegui comer.

A nossa noite de tapas foi muito boa por causa da comida, mas muito mais por causa da companhia. Com amigos, bom papo e bom vinho, até pão com manteiga vira um manjar, não é mesmo?

domingo no Ciocolat

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Fizemos muitas coisas no domingo e no meio do tempo paramos para um almocinho rápido no Ciocolat, que é um café aqui em Davis, o favorito da minha amiga Leila. O café é uma gracinha, instalado numa casa de esquina em downtown, com mesas sempre decoradas com vasos e jarras de flores, pratos e xícaras de porcelana e talheres de metal. No Ciocolat não tem nada de papel nem de plástico e o lugar vive cheio, desde manhã para o breakfast, até o final da noite para sobremesa e vinho. Eles têm os melhores doces, bolos, pastries, sucos, chás e também têm um cardápio simples para um lanchinho light. Eu adoro a salada que acompanha todos os pratos, de folhas verdes com cranberries secas e com um tempero vinagrete bem simples, que deixa você sentir o gosto das folhas e da fruta. Nesse domingo corrido eu pedi um croque monsieur californiano, feito com salmão defumado e o Uriel pediu um muffuletta. Depois pedimos sobremesa, uma pastry com pêra e um mousse de abacaxi. Sentamos da varanda observando o movimento em downtown e nem frio e o vento atrapalhou nosso delicado almoço.

*já mencionei o Ciocolat inúmeras vezes nos meus blogs nesses últimos sete anos, uma delas foi AQUI.

the girl & the fig

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Não me lembro como eu cheguei no website do restaurante the girl & the fig, mas guardei para uma eventual visita. Quando comecei a pensar e pesquisar onde iria querer almoçar para comemorar adiantado o meu aniversário, resolvi sem nenhuma indecisão libriana que iria ser ali. Sonoma é cidade vizinha e irmã do Napa e fica a uma hora de Davis. E fazia muitos anos que nós não íamos à Sonoma. Foi uma viagem tranquila, com o Gabriel dirigindo com o pai ao lado, eu e a Marianne tagarelando no banco de trás. O restaurante fica no centro da cidade, a downtown histórica. Adorei o lugar, super charmoso, exatamente como eu imaginava—um restaurante de inspiração francesa, mas com alma californiana. O que implicou em ingredientes locais e fresquíssimos, tudo feito com muito capricho. Como domingo o menu é de brunch, optamos por sanduíches. Uriel escolheu uma sopa de tomate e depois abocanhou um hamburguer de primeira linha, feito com top sirloin moído, acompanhado das charmosas matchstick frites. Gabriel mandou ver na omelette du jour acompanhada de salada verde. Marianne quis inovar e pediu o salami & brie sandwich que veio com red onion confit , sherry mustard, baguette e celery root salad. Eu pedi a grilled fig & arugula salad, que veio com pecans, chevre, pancetta, fig & port vinaigrette. E depois mandei bala num roast pork loin tartine que veio com caperberries, lavender sea salt e toast. Pedi também uma porção das frites, que dividi com a Marianne. Bebemos água, limonada e eu pedi um cocktail de champagne com licor de figo. Nem pedimos sobremesa, mas depois que passeamos pelo centro de Sonoma, fizemos comprinhas e tiramos fotinhas, paramos na doceria de um hotel e compramos tortas de figo!

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Porque a colheita não pode esperar, o Uriel chegou e já viajou novamente. Nenhuma novidade nisso. Sozinha outra vez, eu não planejava nada especial para o jantar. Quando o Gabriel me convidou para ir até a IKEA com ele, eu topei já pensando que poderia bater um rango por lá. A IKEA não é um lugar pra se visitar no meio da semana, depois de um dia intenso de trabalho com o final coroado por uma pedalação enlouquecida tentando, sem sucesso, chegar em casa antes da chuva desabar. Mas mesmo assim eu fui, pois convite de filho é difícil de recusar. Ele foi comprar um monte de coisas pra casa dele. Eu não precisava comprar nada, mas quem sou eu pra tentar resistir à um apelo consumista com design escandinavo? Acabei comprando um par de coisas nada necessárias, porque afinal de contas eu preciso ajudar o dono da IKEA—que é o homem mais rico do planeta—a ficar mais rico ainda. No meio das compras sentamos para jantar no restaurante da loja. Tava realmente difícil escolher alguma coisa pra comer ali. Eu já tive experiências um pouco melhores no restaurante da IKEA. Vai ver era o horário. Eles têm aquele sistema de bandeja, pratos frios e sobremesas ajeitados nas prateleiras com tampa de vidro que você abre e pega o que quer, além dos pratos quentes que ficam ali nos chafers não sei por quantas mil horas. Eu não confio nesse tipo de disposição de comida. Aliás, eu não confio em disposição de comida de jeito algum. Caminhei com a bandeja pelo corredor das supostas delicias e fui me apavorando com o visual do rango exposto. Se chamamos a comida que nos desperta desejos e nos faz salivar de porn food, aquilo que eu vi na IKEA era a visão escarrada do horror food. Tudo com cara de que foi preparado na noite anterior. Vai uma torta sueca de maçã ressecada ou um mousse murcho de lingonberry? Arrisca num sanduba suspeito de camarão e ovo? E aquele salmão desbotado com legumes? O Gabriel foi de bolinhas de carne suecas, que vêm acompanhadas de batatas cozidas. Essas meatballs são uma delicia se você fizer em casa ou comprar o pacote delas congeladas na lojinha da IKEA e assar na hora, com batatas cozidas fresquinhas. Mas as que eles estavam servindo lá, sei não... Eu acabei pedindo um pratinho de frango e batatas fritas, que era o que tinha cara de estar mais fresco. Não foi um jantar digno de nota, apesar da agradável companhia do meu filho Gabriel e da nossa amiga Melissa.

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Fomos até San Francisco para encontrar a nossa amiga Patricia, que morou aqui em Davis no ano passado e está agora nos EUA a trabalho. Além de rever uma pessoa tão querida, passamos uma tarde super agradável na cidade. Almoçamos no Samovar Tea Lounge, que era um lugar que estava na minha lista de places to go in San Francisco. O dia estava lindo, o que significa que não precisamos de cachecol, apenas um casaquinho de veludo deu pra segurar o vento. Eu teria optado por ficar no pátio, mas o Uriel e a Patricia preferiram ficar protegidos dentro do restaurante. O lugar é bem pequeno, no terraço no Yerba Buena Gardens. Nós sentamos numa mesa com banco cheio de almofadas e fizemos nosso pedido. Eu estava desembaraçada tirando fotos, o que é bem incomum. Eu tenho uma timidez um tanto irritante, que me limita pacas nesse negócio de tirar fotos em público. Mas eu estava felizona no click-click-click, quando o manager veio gentilmente me avisar que não era permitido tirar fotos no local. Fiquei espantada! E mais quando chegou o chazinho na bandeijinha de madeira e finalmente a comida, numa entrada triunfal. Estava tudo tão incrivelmente lindo, que num gesto de descarada ousadia eu chamei o manager e praticamente implorei pra ele me deixar tirar uma foto. Meu plá não colou e tive que me resignar e deixar a câmera dentro da bolsa. O rapaz foi extremamente gentil e me explicou que eles preferem que as pessoas não vejam fotos da comida, pois querem que a experiência no Samovar seja de surpresa. Realmente, ficamos com umas caras abobalhadas quando a comida chegou à mesa, pois tudo estava visualmente lindo, além de saboroso.

O Uriel pediu uma sea food bento box e um chá delicadíssimo de gengibre com laranja. A Patricia pediu o Russian tea service, que veio com panqueca [blinni] de truta defumada, russian tea egg com caviar, bergamot bread pudding, frutas frescas e lapsang souchong chocolate trufle, acompanhado de chá russo que ela mesma encheu a xícara no samovar prateado [*foto]. Eu pedi o Moorish tea service, que veio com chá de hortelã, grilled halloumi kebabs, mini mint salad, dolmas e azeitonas pretas secas, e tâmaras medjool recheadas com queijo de cabra.

Depois do almoço passeamos um pouco à pé pela cidade, e depois fomos ao Ferry Building Marketplace, que é sem dúvida um dos meus pontos favoritos em San Francisco. Fizemos comprinhas e nos deleitamos com os delicados macarons parisienses feitos à moda californiana, com ingredientes orgânicos e locais.

a Sofia Loren gostou

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Depois da experiência na Quintessa, todo o resto que fizemos no Napa ficou meio mixuruca. Paramos para almoçar no Bistro Don Giovanni e eu estava completamente blasé. Não fiquei impressionada com nada e talvez nem tivesse motivos pra ficar. O garçon, daquele tipo afetado com senso de humor que poderiamos classificar de simpático passivo-agressivo, até que se esforçou pra deixar tudo mais interessante. Mas como eu disse, depois da Quintessa o resto perdeu um pouco a graça.

Pedimos uma sopa de tomate com pão, que estava bem gostosa e depois atacamos de massas. Pra acompanhar, fomos na sugestão do nosso amigo Andres e optamos por um Zinfandel do Napa Cellars. Eu nunca bebi um Zinfandel que eu não gostasse. Tenho uma preferência descarada por essa variedade. E o do Napa Cellars não decepcionou. Estava realmente saboroso e eu bebi dois copos! Já a massa, optei pelo Fettuccine alla Lina, com molho de porcini, linguiça e parmesão regiano. Talvez tenha sido a sopa, aliada aos dois copos de vinho, mas eu estava devagar na degustação do fettuccine. Não achei aquela maravilha. O nosso extravagante garçon me informou gaiatamente que Lina, a esposa do proprietário do Bistro Don Giovanni, tinha criado essa receita de fettuccine especialmente para a Sofia Loren.

—e a Sofia Loren gostou?
—o fettuccine está no menu, não está?
—aaahhhh, sim, está!!

Bom, parece que a Sofia Loren gostou do Fettuccine alla Lina. Mas pra falar a verdade... shiu... vem cá, vou te falar... [eu não gostei muito não....]

Della Fattoria

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Em Petaluma almoçamos na Della Fattoria, que não é apenas um aconchegante e delicioso café, mas também [e basicamente] uma padaria. Todos os ingredientes usados para fazer os pães maravilhosos que eles assam num forno a lenha e vendem são orgânicos, locais, o azeite é extra-virgem, o sal é marinho e eles não usam fermento comercial. Um pãozão gigante de semolina me custou quatro patacas. Nada mal, pra toda essa qualidade.

Eu adorei o lugar, pena que enquanto tirava fotos a bateria da minha câmera arriou e como sempre, eu—a campeã planetária do esquecimento, não levei baterias extras. Anotei no meu caderninho o que comi e bebi— uma taça de um bom Zinfandel local, sopa de tomate com cubinhos de pão com queijo grelhados e uma colorida panzanella com aspargos, ervilhas, mistura de folhas verdes, pinoles tostados, currants e citronette [vinagrette de limão].

Almoçamos fora no domingo

Família desorganizada, acho que éramos os únicos sem reserva para um restaurante no domingo de dia das mães. Quase duas da tarde e já tínhamos tentado quase todos os bons restaurantes de Davis. Até um em Sacramento. Mas queríamos comer por aqui mesmo, de preferência em downtown, onde poderíamos ir a pé. O único restaurante que nos deu uma resposta positiva foi o Tucos Wine Market and Cafe, que fica em downtown, perto da estação de trem, numa casinha pequena e aconchegante. Já tinha recebido recomendações desse lugar, pela comida e pelo wine tasting. Eles têm um cardápio simples, com ingredientes locais, tudo feito do zero, sem firulas, mas com capricho. É o meu tipo de lugar. A carta de vinhos não é extensa, mas os poucos são exclusivos. Nós optamos pelo menu do dia das mães, que incluia uma sopa de cenoura, aspargos enrolados no prosciutto e queijo, com ovo pochê [que dispensei] e torradas, talharini feito em casa com molho branco camarão e ervilhas, e uma tortinha de cerejas com sorvete de baunilha. Eu ganhei uma deliciosa taça de prosecco, incluida no pacote das mães. Foi um almoço delicioso, feito sem pressa, num ambiente super acolhedor. Pros outros restaurantes que não tinham lugar pra nós—uma banana!

* O Gabriel jurou ter visto uma latinha de guaraná passeando numa bandeja pelo restaurante. Quando fomos apresentados à lista de bebidas sem álcool, uma surpresa: além do guaraná, oferecido como algo super chique, uma variedade de sucos de polpa de frutas—real natural rainforest fruit juices, straight from Brazil. Acerola, caju, cacau, graviola, goiaba, mamão, manga, maracujá, abacaxi e tamarindo, batidos com água ou leite, estilo vitamina.

o outro lado

Denny's, Applebee's, IHOP, Lyon's, HomeTown Buffet, Red Lobster, Carrows, Chevy's, Chili's, Chipotle, Sizzler, Outback, Fresh Choice, Marie Callender's, The Old Spaghetti Factory, Olive Garden, Bakers Square... Uma pequena lista de rede de restaurantes que têm algumas coisas em comum: bom preço, pratos fartos e comida massificada. Uma fonte fidedigna [um insider] me contou que nessas redes tudo é congelado e preparado industrialmente, nada, absolutamente nada é feito na hora, from scratch. Tudo vai do freezer para o forno, de pacotes, caixas e esquemas de preparo antecipado pra agilizar e baratear o processo. Quando você vê do balcão o cozinheiro preparando o seu prato ali na hora, e come tudo fresquinho, orgânico, local, preparado com os melhores ingredientes, não dá mais pra enfrentar essa massificação, que infelizmente já virou modelo de comida americana para exportação.

Mas numa bela tarde de domingo o inusitado acontece. Eu queria beber um chocolate e comer umas torradas francesas. Era o nosso café de fechamento do finde, que sempre fazemos em casa, mas o Uriel quis inovar e fazer na rua. Pensamos em ir no Ciocolat, que é uma casa de chá muito boa a três quarteiros de casa. Mas no meio do caminho fica uma Bakers Square, e então eu tive a idéia de girico de tomar nosso café lá. O Uriel foi contra, mas eu teimei!

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Pedimos o cardápio de café da manhã às cinco da tarde. O restaurante estava cheio de velhinhos já jantando. Nesses lugares quem manda é o cliente. Se você quer tomar café da manhã na hora do jantar, será feita a sua vontade. Pedi um prato com as french toasts, que era o que eu queria, mas que de quebra trouxe ovos mexidos e bacon. Uma xícara de chocolate quente, que veio num copão de papel de um litro. O chocolate, um pozinho misturado no leite. Os ovos, saidos de uma caixa de omelete pré-misturada. As french toasts, congeladas. O bacon, pré-frito e requentado no microondas. Pra acompanhar maple "fake" syrup. TUDO, TUDO era industrializado. NADA, NADA tinha gosto de comida caseira, feita na hora. O Uriel com aquela cara de "tá feliz agora??" e eu simplesmente chocada por estar ali, comendo aquela comida plastificada.

Na hora de pagar a conta, fiquei olhando a vitrine das famosas tortas da Bakers Square: açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, toneladas de açúcar, e chantily falso cheio de conservantes, massa das tortas cheia de gordura vegetal, ou margarina. E por falar em margarina, veio uma bolotona de algo amarelado no meio das minhas french toasts e eu perguntei pro garçon, o que é isso? E ele, é manteiga! MANTEIGA??? Tá boa, hein santa?!

Greystone, St. Helena

Nossa intenção original era passar o dia em Calistoga, fazendo banhos e massagens nos inúmeros spas da cidade. Idéia do meu marido, não muito festejada por mim. Eu não estava no humor de imergir numa banheira cheia de lama terapêutica, ou numa jacuzzi de água sulfurosa, suar em sauna baforenta, colocar máscara de ervas no rosto, massagem com óleo e sais... Sei lá. Pra minha sorte, os spas estava todos com as agendas lotadas e não conseguimos vagas para a tortura de ficarmos relaxados e purificados.

Meu marido sugeriu que voltássemos para o Napa Valley, e almoçássemos no restaurante do The Culinary Institute of America, em St. Helena. Poxa, agora sim uma boa idéia! Fomos então para o Wine Spectator Greystone Restaurant, a antiga vinícola, ainda produtiva, que hoje abriga o campus da CIA na Califórnia. O restaurante fica no prédio da escola, com uma vista maravilhosa para o vale e um serviço primoroso. Ouvimos do rapazinho sul-africano que nos serviu e cuidou de nós durante toda a refeição, que o restaurante é mantido por um full-time staff e não por estudantes. Respiramos aliviados, pois não iríamos comer nada feito por mãos tremulas de aprendizes.

O menu muda diáriamente. Nós pedimos o Today's Temptations, que é uma série de samples de aperitivos diferentes. Não vou lembrar os micro-detalhes de cada pratinho, mas um era paté, outro camarão, outro sopa de couve-flor, outro - meu favorito - bolinhos de batata, e um queijo branco. O Uriel foi de Pomegranate Glazed Chicken com risotto de butternut squash, swiss chard, pinenuts e currants. Eu pedi um Grilled Angus Hanger Steak, que veio acompanhado de batata, ferns, garlic coulis, cogumelos e blue cheese. Eu bebi um Zinfandel produzido lá mesmo na Greystone. Muito bom. De sobremesa, o Uriel foi de creme bruleé e eu de pineaple tart tartin com coconut ice cream e meyer rum syrup. Tudo divino! Saímos de lá com a barriga estufada. Sentamos no páteo apreciando o sol quentinho e a paisagem linda. Muito melhor que qualquer massagem!

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O nosso simpático atendente nos avisou que poderíamos fotografar, fazer perguntas para os diversos chefs, observar o preparo da comida pelos balcões das cozinhas, que eram todas abertas. Eu então larguei um pouco a timidez de lado e tirei algumas fotos. Muito legal, né Vitor?

*mais clicks AQUI.

and more, and more chicken!

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O restaurante Poulet em Berkeley, onde tivemos nossa aula de clara de ovo com a pastry chef Shuna Lydon é todo decorado com galinhas por razões óbvias. Achei tudo encantador, porque vocês sabem, eu adoro as galinhetes e coleciono algumas. Antes da aula começar fiquei fotografando, mas elas eram muitas! Pra minha surpresa, estavam à venda as d' angolas brasileiras, aquelas com a ninhada penduradinha. Fui olhar o preço: 15 patacas americanas. Pois minha mãe comprou a mesmíssima galinha no Mercadão de Campinas, pra eu trazer pra sogra do Gabriel, e pagou meras 5 patacas brasileiras. A inflação deve ter ficado por conta do charme do restaurante, numa cidade também super charmosa, no norte da Califórnia. Só pode ser né? Pisc!

no Zuni em San Francisco

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Nosso objetivo principal em San Francisco, além de bater perna pela cidade, era almoçar num restaurante legal. Ainda em Davis, dei uma geral nas reviews da Sam do Becks & Posh. Escolhi um dos restaurante onde ela tinha colocado um coraçãozinho, o que significava que ela adorava o lugar. Confiei nela! Fomos ao Zuni Cafe.

Como era domingo, eles serviam brunch até às 3 pm. Liguei da estrada para fazer uma reserva, mas um simpaticíssimo Rob me disse que as domingos eles não faziam reservas e walk-ins eram bem-vindos. Chegamos lá e sentamos imediatamente. O lugar estava lotado e era muito agradável, num prédio de esquina que de fora parecia minúsculo, mas por dentro acomodava muita gente, em dois andares, além de um longo bar com piano e música ao vivo. O menu do brunch era extenso. Eu fui fisgada por uma polenta com mascarpone e presunto serrano com salada de erva doce, amêndoas e ameixas secas picantes. Bebi um copo de vinho verdejo espanhol, que estava muito bom. O Uriel foi de laranjada fresca e limonata italiana - ele não bebe mais álcool. Mas na hora de escolher o prato dele, apesar as dezenas de opções, ele escolheu dois ovos fritos, que vieram com uma rendinha de ervas, linguiça feita em casa recheada de erva doce e rodelas de batata-doce fritas. Bom, quem escolhe é que sabe, mas ovo frito... Meu marido é uma figura ilustre. E depois ficou reclamando, que queria almoçar, não tomar brunch. Mas comemos muito bem, ele e eu. Na hora da sobremesa, aah maravilha. Ele pediu um caramel pot de créme, que estava fora desse mundo de bom. Vou ter que descolar essa receita, porque eu amei essa sobremesa! E eu pedi um prato de queijo pecorino com pêras secas macias e cerejas secas cozidas no vinagre balsâmico. Gostamos muito do Zuni - eu também vou colocar um coraçãozinho nele!

Não tirei foto do lugar por dentro nem da comida, pois fiquei sem graça de tirar a câmera da bolsa para fazer clicks num lugar lotado de gente chique, elegante e sincera. Não rolou.

sexta no mexicano

Eu já comentei que o fato de Davis ser uma cidade universitária faz com que abundem restaurantes medíocres, que servem comida barata e farta para a estudantada. Nós temos uma linha divisória entre os restaurantes frequentáveis e os forgetaboutit. Tem um aqui atrás da minha casa que serve saladas com carne e que é o paraíso do pessoal com pouca grana, e a comida é bem gostosa. Vamos lá, quando a fila não está virando a esquina. Mas tem outros que simplesmente não dá. Ontem tive certeza de que estou ficando deveras chatonilda com escolhas de comida. Eu morta de fome, ele com uma pressa danada de voltar ao trabalho e terminar de escrever um paper com deadline chegando, fui sugerir jantarmos num mexicano honesto que fica perto de um dos cinemas. Não é um lugar ruim, já fui lá outras vezes, eles têm as melhores e mais variadas salsas, dá pra ver que toda a família trabalha lá, não é um fast-food qualquer. Mas peloamordeus que porções são aquelas: pratos gigantes, com mil ingredientes, uma mistureba amedrontadora. Pedimos duas prawns quesadillas, porque elas sempre são menores, duas tortillas recheadas com queijo e alguma outra coisa, mais molhinhos. Essa veio num pratão, tortillas verdes gigantescas com queijo e camarões, mais um molho de tomate picado, e guacamole, e sour cream, e feijão preto, tudo meio misturado, você não conseguia nem separar nada. E mais um tantão de nachos. Cruzcredo! Saí de lá me sentindo empanturrada, pensando que não quero mais comer nesses lugares que parecem que intencionam alimentar boiadas, não gente! Ficamos olhando o pessoal no restaurante, que estava lotado e com filas. Tudo é bem simples, com reproduções do Diego Rivera e ampliações de cenas de filmes mexicanos nas paredes. Muitos estudantes e famílias. O Uriel deu risada e me cochichou - ali na mesa do lado está um ex-aluno meu, que agora trabalha numa empresa de engenharia, e lá na fila está um meu colega professor, que tem sala ao lado da minha. Bom, menos mal. Seria pior se o lugar estivesse cheio só de estudantes, e nós lá, devorando uma quesadilla do tamanho de uma pizza XLL!

American Market Café

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Outro dia voltaremos para almoçar ou jantar no Julia's Kitchen, pois essa será a visita principal. Mas ontem comemos no American Market Café ao lado do restaurante, onde se pode pedir pratos mais simples preparados no Julia's Kitchen, sanduiches, sopas ou fazer uma comprinha básica de queijos, pães, quitutes e preparar um picnic para se devorar sentado na grama dos jardins do Copia. Nós escolhemos pratos do restaurante e sentamos nas mesinhas do jardim. Eu quis tentar o mini hamburguer, que era mini mesmo! Três mordidas - gone! Veio num mini pãozinho de batata, acompanhado por fritas com limão e tomilho e um molho chipotle. A salada era de espinafre, três tipos de vagens e amêndoas. Eu gostei, apesar de não ser super fã das vagens. O Uriel sempre prevenildo pediu um fettucini com legumes. Tudo vem da horta e pomar orgânicos mantido lá mesmo no Copia—o edible gardens.

quem não arrisca não petisca

Cansada e esgotada, fui à Sacramento depois do trabalho para uma shopping therapy. Nada exagerado, mas eu queria ir à uma loja especifica comprar umas roupitchas. Eu vou rarissimamente à malls, porque não temos nenhum aqui em Davis. Tenho que ir até Sacramento e não gosto muito do ambiente dos malls. Faço minhas compras em outlets, lojas de fábrica, pontas de estoque e lojinhas da cidade. Sou super thrifty com roupas, porque enjôo delas facinho, além de ser uma desastrada e manchar tudo, rasgar tudo. E gosto de ter MUITA roupa, então não pago preço regular. Mas ontem fui no de downtown Sacramento, que é o mais próximo pra mim. Ele é um típico mall californiano, todo aberto, até que bonito. Mas por que, perguntam-se vocês, eu estaria escrevendo sobre isso? Outra vez um post off topic? Nãnanina! É que eu preciso dizer o quanto eu ABOMINO comida de shopping. Eu tenho nojo, asco, revolta. Não consigo comer aquelas porcarias fast-food, simplesmente. Então camelei onde queria, comprei o que queria e dirigi correndo, faminta, de volta para Davis.

Atrás da minha casa tem uma pequena área de comércio, com algumas lojas, alguns restaurantes com mesinhas na área externa, um imenso gramado onde as crianças correm, os adultos se esparramam deitados, e um jardim de plantas típicas da região, que faz parte do Arboretum da UC Davis, com mesinhas, cadeiras e bancos para o pessoal se aconchegar. Nem preciso fazer a comparação desse shoppingzinho vizinho com um mall qualquer em outro lugar... Mil vezes aqui! Então voltei decidida que iria jantar - sozinha mesmo - num dos restaurantes dali. É só atravessar a rua, super tranquilo.

Fui ao Fuzio um franchise que abunda aqui na Califórnia. Uma mistura de cozinha italiana com oriental. É esquisito mesmo... O ambiente é modernex, o serviço é simpático e atencioso, mas a comida deixa um tanto a desejar. Sentei no bar, porque assim não me sinto tão deslocada por estar sozinha. Pedi um ravioli recheado com tomate seco e queijo, com molho de cogumelos grelhados, que não estava totalmente ruim, só a massa que estava um pouquinho dura. E bebi uma taça de Chardonnay [sempre californianos] que supostamente teria um leve sabor de melão. Não estava mau, mas também não impressionou. Se o Fuzio fosse um bom restaurante, com um menu mais variado, eu seria uma frequentadora mais assídua nos meus dias solitários de final de verão. Mas nem tudo pode ser perfeito....

uma boa e honesta salada

Eu gosto de ir à um restaurante grego aqui em Davis, o Symposium quase que somente por causa das saladas que eles servem. Não é nada especial, não tem ingredientes sofisticados, são saladas super simples, mas com um tempero honesto, que eu valorizo muito.

Pra mim o que estraga as saladas servidas na maioria dos restaurantes aqui nos EUA é o molho. Eu DETESTO molho pronto, molho de vidro, desses cheios de coisas dentro e preservativos. Sou adepta da simples e eficiente mistura de azeite, vinagre e sal. Gosto de usar vinagres diferentes, ervas, detalhes interessantes para deixar o molho mais caprichado. Uso muito mostarda em pó ou preparada nos meus molhos. Ou iogurte. Ou sour cream. Mas eu gosto de misturar, não gosto de usar molhos preparados.

Então você vai a um restaurante mediano e pede uma salada. Ela vem encharcada, inundada, afogada num molho pronto. Eles listam pra você - italian, ranch, balsamic, honey mustard, thousand island, vinagrette... Muito raro um desses molhos enriquecerem a salada. Normalmente eles destroem tudo... Eu aprendi a pedir sem molho ou com o molho separado, assim uso só um pouquinho.

Mas no Symposium, não tenho problemas com salada. Geralmente peço uma com alface picadinha, batata cozinda, ovos cozidos, tomates, azeitonas kalamata, alcaparras, cebolinha verde. E o molho - só pode ser vinagre de vinho, azeite, sal e pimenta. Tudo na medida certa - 1/3 de vinagre ou suco de limão, ou os dois misturados e 2/3 de azeite.

Meus molhos são os mais variados. Mas aprendi a fazer um molho coringa com uma amiga suiça - uma perfeccionista, que também me ensinou um truque que eu uso até hoje para levar saladas em potluck parties: colocar os ingredientes para o molho no fundo de uma saladeira. Bater bem com o batedor manual. Colocar os ingredientes da salada por cima do molho. Não misturar. Cobrir com filme plástico e guardar. Na hora de servir, misturar bem o molho com a salada. É uma técnica perfeita, especialmente se você quiser levar uma salada de folhas, que certamente vai murchar se for misturada com o molho com antecedência. Isso evita que você tenha que levar o molho numa vasilha separada e que faça sujeirada na hora de misturar.

Este é o molho clássico para saladas da Annemarie:

Misture bem:
Vinagre de maçã
Azeite de oliva extra-virgem
sal/pimenta moída na hora
mostarda preparada
ervas frescas ou desidratadas [* eu uso muito o dill e as chives]
Esse molho dura muitos dias guardado na geladeira.

Tommaso's

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Pra compensar o nosso almoço meia-boca com visão panorâmica, e outros quiprocós chatos que se passaram durante o dia, sugeri que fossemos jantar no Tommaso's em North Beach. Este é sem dúvida e nosso restaurante italiano favorito em San Francisco. Encontramos ele por acaso, num dia que procurávamos um lugar para jantar na cidade. Sei lá como fomos parar naquela quase esquina da Broadway com a Kearny Street, que é uma região meio suspeita, cheia de strip clubs e lojas de filmes x-rated. O Tommaso's é apenas uma portinha verde, que só abre para o jantar. O que nos atraiu foi a placa dizendo que ali estava o primeiro forno a lenha da cidade, ainda funcionando. Forno a lenha - a palavra mágica! Nossa primeira experiência no restaurante foi meio bizzara, não por culpa do lugar, mas sim de um casal sem noção. O Tommaso's tem os booths aconchegantes dos lados e uma fileira única de mesas no centro. As mesas são juntas, então não há muita privacidade. Mas quando se vai em dois, um casal, é bem raro de se sentar num booth. Já ficamos na longa mesa inúmeras vezes, mas até isso faz a atmosfera do Tommaso's interessante.

Eu que reclamo o tempo todo da péssima qualidade da comida italiana aqui na Califórnia, calo totalmente a minha boca quando vou ao Tommaso's, e só abro pra comer e dizer hmmmmmmmmmm! Tudo lá é bom. Tudo simples, ainda no mesmo estilo que se fazia na década de 30, quando o restaurante abriu. Eu adoro o meat antipasto, com três tipos de frios cortados finíssimo e uma cumbuca de alcachofras temperadas. O pão é bom, a pizza é ótima, as pastas são feitas lá. Amo o manicotti com molho marinara. E a berinjela a parmegiana. Vinho, água, salada caprese e de alface, nunca pedimos sobremesa, porque não cabe. Espresso com uma lasquinha de laranja e a conta!

O único problema do Tommaso's é que está sempre lotado e tem-se sempre que esperar um tanto pra sentar. Enquanto esperamos bebemos vinho e lemos as muitas reviews pregadas nas paredes, algumas bem antigas. Com elas ficamos sabendo que o Tommaso que deu o nome ao restaurante não era um italiano, mas o cozinheiro chinês chamado Tommy. Também ficamos sabendo que na década de 70 o cineasta Francis Coppola costumava fechar o restaurante, convidar os amigos e ir pra cozinha, fazer ele mesmo as pizzas. Eu adoro o ambiente anos 30 do Tommaso's, que pelo jeito só foi ganhando camadas de tinta, mas nunca foi reformado ou adaptado. A clientela que se adapta ao lugar pequeno, porque por aquela comida maravilhosa, se faz qualquer sacrifício!

The Beach Chalet

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A vista para a Ocean Beach era bonita no The Beach Chalet em San Francisco, mas a comida deixou bastante a desejar. O restaurante, lotado de famïliazinhas para o dia dos pais, era muito barulhento e tinha preços acima da qualidade do menu. Comemos um sanduiche de black forest ham com queijo gruyere, molho de mustard-honey, no pão acme dark rye, acompanhado de french fries, uma coleslaw murcha e uma metade de um pickles ressecado. Nunca mais voltaremos lá, nem mesmo pela vista.

Kathmandu Kitchen

Mal humorada e cansada, nada me apetecia. Os restaurantes do centro da cidade lotados na sexta-feira à noite, todo mundo sentado nas mesinhas das calçadas, nos patios dos restaurantes legais. Eu azeda, olhos ardendo. Decidimos ir à um tailandês inédito, onde nunca tínhamos ido antes - são muitos deles aqui em Davis. Mas estava acontecendo um show na praça exatamente em frente ao restaurante, uma muvuca total, então desistimos de ir lá. Acabamos por acaso no Kathmandu Kitchen, que é um restaurante nepalês. Já comi bem e mal lá. Acho que o truque é não pedir carne. Eles têm muitos pratos com carneiro, que é onde eu geralmente me dou mal. Decidi pedir um prato vegetariano, o vegan thali. Foi uma boa decisão.

Como pedimos o thali [dinner], eles retiraram os pratos da mesa. A refeição veio numa bandeja enorme de metal, tudo arrumadinho de forma assimétrica:

Uma porção generosa de arroz basmati alojada no meio;
Duas samosas, super crocantes rodeando o arroz;
Cinco momos, bolinhos recheados de legumes e cozidos no vapor que lembram um pouco os dumplings chineses;
Um naan [pão frito] bem largo, macio e saboroso, deitado em cima do arroz;
Três cumbuquinhas com molhos: um vermelho muito apimentado, outro adocicado e um chutney;
Um potinho com chana masala - um refogado de grão-de-bico que eu adoro;
Um potinho com um curry de ervilha.

Na bandeja do Uriel veio arroz e naan, curry de legumes, sopa de lentilha amarela, um molho de iogurte e palak paneer, um creme de espinafre com queijo paneer.

Ele bebeu um mango lassi e eu uma Himalayan Blue, uma cerveja indiana bem light, mas que vem numa garrafona de 650 ml e que eu simplesmente não consegui terminar. Foi uma refeição leve e farta, que infelizmente não ajudou a melhorar o meu humor, e me deixou um pouco mais cansada. Mas mesmo assim foi bom!

Lunch Menu

No Market em St Helena, Napa Valley - www.marketsthelena.com

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sopa de cogumelo com azeite de trufas e cebolinha
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filé de frango com cenoura, vagem e espinafre
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pina-colada cheese cake com molho de manga

bem acompanhada

Meu marido estava voltando de uma viagem de trabalho ao sul da Califórnia e eu fui camelar em downtown pois precisava comprar um presente pra uma amiga. Lá pelas tantas, me deu aquela tonteira de fome. Eu não gosto de comer sozinha em lugares públicos. É uma bobeira e eu sempre acabo comendo sozinha de qualquer maneira, mas faço minhas tentativas para evitar. Entrei num lugar onde poderia rapidamente pegar uma salada com picanha grelhada para levar para casa. Mas o lugar estava lotado, com uma filona pra pegar o pedido, ah, não tive paciência. Atravessei a rua e fui ao Seasons, um restaurante refinadinho que tem uma comida interessante. Entrei e disse pra hostess - sou só eu! Ela ofereceu o balcão do bar, que era o que eu planejava. Nada de mesa, esperando solitariamente pela comida.

Como nunca tinha comido sozinha sentada no bar de um restaurante, me surpreendi. O serviço foi impecável, rápido e gentilíssimo. Comi exatamente como se estivesse sentada na mesa, só que com mais discrição e atenção. O bartender cuidou de mim como se eu fosse uma princesa. Não deixou o meu copo vazio nem um minuto e me desejou bom apetite, logo depois veio perguntar como estava a comida, não deixou eu me sentir uma coitada sentada num bar de um restaurante cheio de gente numa sexta-feira à noite.

Comi um Gnocchi fortíssimo, com pancetta, asparagus, mushrooms, parmesan cream e truffle oil, acompanhado de pão italiano quentinho e água Pellegrino.

gosto não se discute

Fomos à um pequeno restaurante aqui em Davis, que tinha sido altamente recomendado pelo meu vizinho blogueiro culinário. Nunca tínhamos ido lá, pois o lugar nunca realmente nos chamou a atenção. É um lugar pequeno, ligado à uma loja de produtos naturais, com mesinhas cobertas de toalhas coloridas com vasinhos com flores naturais. O menu é todo orgânico, escrito com palavras muito bem escolhidas, fazendo tudo parecer muito apetitoso. O problema é que o lugar é super low profile, e não combina com o preços, que são de restaurante um nível acima do que experienciamos ali. Resumindo, comida simples, preço sofisticado. O atendimenrto foi ótimo, afinal num sábado na hora do almoço só tínhamos nós dentro do lugar. A cozinha é logo atrás do balção de atendimento e ficamos ouvindo a conversinha da atendente americana com o casal de cozinheiros mexicanos, num espanhol sofrível. E ouvimos e cheiramos a comida ser preparada, o que resultou num cheiro de fritura impregnado na minha roupa e cabelo. A comida era boa, nem ótima, nem ruim. A conta foi alta. E enquanto vestíamos os casacos para ir embora, eu vi uma BARATA saindo de trás de um quadro na parede. Nem preciso dizer que NUNCA mais voltaremos, né?

Fazia muito tempo que queríamos ir à um restaurante italiano em Sacramento, que tem pizza feita em forno à lenha. Quando queremos comer boa comida italiana temos que ir à San Francisco, porque essa região aqui, do Sacramento Valley, não deve ter recebido uma boa imigração italiana. Os restaurantes são péssimos, e eu, como neta de italianos, sempre comi a melhor pizza e pasta feita em casa pela minha mãe, que realmente faz o melhor molho e massa. Então sou exigente, percebo na hora se o molho é de lata e odeio, ODEIO, o molho de pizza que eles usam aqui, muito grosso, com cebola, uma coisa enojante. Ouvi dizer que esse restaurante em Sac tinha uma pizza boa, mas que tinha um ambiente cafona e presunçoso. Fomos, finalmente. Que surpresa boa! O lugar tem um ambiente simpatícissimo, instalado num prédio antigo na Capitol Avenue, entre Old Sacramento e o Palácio do Governo, o Capitol. Nos lembrou os restaurantes antigões de São Paulo, com os garçons de paletó branco e gravatinha preta, um estilo europeu, com pé direiro alto, super diferente e aconchegante. Fomos muito bem atendidos pelo garçon Louis e comemos muito bem, eu uma pizza muitíssimo bem servida, com mussarella, parmesão em fatias, cogumelos, rúcula e prosciutto, regada com azeite de trufas. O Uriel comeu um ravioli verde, com massa feita no local e molho apimentado de lingüiça italiana. Louis nos disse que todas as massas e os pães e crostines [deliciosos] eram feitos lá. Bebi um chardonnay do nosso quintal, segundo o Louis, uma vinícola perto de Davis. Nos sentimos tão confortáveis, que até pedimos sobremesa, o Uriel um tiramisu e eu um creme de fennel com crosta de chocolate. Saímos de lá incrívelmente felizes com a nossa experiência italiana em Sacramento e já decidimos que voltaremos em breve!

all you can eat at jusco

Se na minha cidade falta bons restaurantes italianos, certamente tem uma abundância de restaurantes asiáticos. Só pra se ter uma idéia da demanda, a cidade tem sessenta mil habitantes e quase quarenta por cento da população de estudante na UC Davis é asiática. Então é um restaurante em cada esquina para servir a clientela faminta e já à postos segurando chopsticks ou hashis. Lembrando de cabeça são pelo menos dois vietnamitas, uns três coreanos, uns cinco tailandeses, uns sete japoneses e incontáveis chineses, fora os indianos, nepalianos e alfaganistaneses que não sei se dá pra contar como asiático, e os lugares que só vendem suco ou chá com bolotas de tapioca, mas que também são bem populares. Então quando saimos pra comer fora, opções para comida oriental não faltam. O Uriel sempre sugere os tailandeses, dos quais eu ando meio enjoada. Fazia muito tempo que não íamos à um japonês. Em downtown, perto da minha casa, tem uns três. Um deles abre às onze da manhã e às dez já tem fila na porta. Não sei o que eles servem lá, mas o restaurante tem uma fila enorme na calçada todo-santo-dia. Resolvemos ir num outro logo a frente, que nos foi recomendado pelo Gabriel e Marianne, o Jusco.

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O lugar é pequeno e bem antigo, no velho e bom estilo 'sujinho', que à primeira vista nem anima. Mas como eu e o Uriel temos um histórico de indecisões em porta de restaurante, quase caímos fora no último segundo. A família inteira trabalha no restaurante, cozinham, servem, limpam. Não sabíamos que eles faziam o 'all you can eat' e nunca tínhamos ido à um 'all you can eat' japonês. Ficamos meio perdidos no inicio, mas recebemos as intruções para marcar o que queríamos numa fichinha com os nomes dos sushis, rolos e comida quente. Fui marcando tudo o que não tinha peixe cru. Marquei muita coisa, naquele entusiasmo de quem está com fome. A comida começou a chegar em pequenos pratinhos e não parava mais... Comemos muito e estava tudo delicioso. Só uma coisa nos deixou um pouco estressados: pra não haver desperdício, eles avisaram num cartaz na parede e no menu que CADA SUSHI NÃO COMIDO E DEIXADO NO PRATO CUSTARIA 0,50 CENTS EXTRA! Raspamos os pratos e abandonamos pra trás somente os rabinhos do camarão...




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