Apple Hill — colhemos maçãs

colhendo maçãs
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Tanta coisa aconteceu na minha vida em outubro paralelamente com a colheita das maçãs norte da Califórnia, que eu acabei só conseguindo ir até Apple Hill em novembro. Estava até preocupada que não iria ter mais maçãs pra gente colher, mas que nada! Não só ainda tinha maçãs, como a paisagem estava no auge da sua beleza de outono. Tivemos um dia muito produtivo, colhendo deliciosas Granny Smiths, passeando pelas montanhas coloridas pelas cores outonais, comprando geléias e apple turnovers, almoçando com amigos em Placerville, indo provar vinhos na vinícola Boeger e encerrar o passeio devorando fatias enormes das melhores tortas de maçã deste reino encantado. Para nós esse é um passeio curto, que pode ser feito em apenas um dia e, se outono for, vai valer todos os minutos em que houver luz para a gente tirar centenas de fotos magníficas.

[setembro] passou tão rápido

setembro no Brasil
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De repente me toco que este blog está quase virando um arquivo morto, um balaio de gato com coisas velhas, visitado apenas por paraquedistas dos mecanismos de buscas. Foi apenas um hiato ou é pra valer? Quero explicar que foi apenas um intervalo, causado por toneladas de trabalho e uma viagem ao Brasil. Fui, voltei e nem tive tempo de respirar pois mais trabalho me aguardava na volta. Minha visita foi, com sempre, rápida e intensa. Fui ver meus pais e passar um pouquinho de tempo com eles. Não fiz muitas coisas por lá, mas encontrei amigos e família, comi coisas gostosas e até vi televisão [pra matar o tempo durante a semana]. No meu último final de semana por lá fui pra São Paulo levando a minha mãe para assistir a palestra da Neide Rigo no evento do Paladar Cozinha do Brasil. Até pra ir lá foi tudo na correria, chegamos no local, batemos um rango rápido no mercado, entramos na palestra e tivemos que sair antes do término porque minha mãe precisava pegar o ônibus de volta pra Campinas. Mas foi muito legal poder participar de um evento grande, ver a Neide em ação e aprender um monte de coisas legais. E ainda tive a oportunidade de conhecer a simpaticíssima e fofa Maria Capai, autora do blog Diga Maria. Que pena que foi tudo tão rápido e não tive tempo pra bater mais papo e conhecer mais gente. Mas aproveitei muito meu último dia no Brasil na companhia das queridas amigas Roberta F, Maria Rê & Lilian T. Muito obrigada pela amizade, hospedagem, risadas e pelas comidas gostosas que dividimos. Até breve! Agora acho que finalmente regressei, né? E vamos em frente!

when Napa is not available

wines in placer county
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Foi a primeira vez em dezessete anos que eu realmente me organizei para uma visita ao Napa. Peguei uma dica de vinicolas para serem visitadas na revista Food & Wine, fui no website de todas elas, escolhi algumas, coloquei todos os endereços no google maps e avisei o Uriel—marido, desta vez sairemos cedo e não ficaremos zanzando como baratas tontas sem saber onde ir, desta vez eu me organizei! Isso foi no sábado. No domingo pela manhã quando nos levantamos animados com a perspectiva da jornada vimos a noticia: TERREMOTO NO NAPA!! You've got to be kidding me!

Ainda cogitei nao cancelar o passeio, mas quanto mais eu lia sobre os estragos, mais desanimada eu ficava. Quando vi fotos da cidade e tentei fazer reserva num restaurante pela open table e recebi mensagem de que ele estava fora do ar, repensei tudo. Esquece, não vou fazer passeio em panorama pós-terremoto, barris e garrafas de vinho espatifados por todo canto, calçadas rachadas, áreas sem energia elétrica. Botei minha viola no saco e avisei o Uriel da minha decisão—marido, vamos para o lado contrário, vamos para Auburn.

E fomos. Auburn é uma pequena cidade histórica no pé da Sierra Nevada onde já fomos muitas vezes. Ela é uma das muitas cidadezinhas da época corrida do ouro na California. Dali seguimos para duas vinícolas no Placer county. Essa região não tem o mesmo glamour de Napa ou Sonoma, mas tem vinícolas muito boas, fazendo vinhos muito bons. Usamos o Yelp e chegamos na Green Winery na hora do almoço quando estavam todos colhendo uvas. O dono correu abrir um galpão onde pudemos provar os vinhos que a vinícola produz a bater papo. Ele nos recomendou uma outra vinícola que só fazia vinhos com uvas espanholas e seguimos para lá. A Viña Castellano era um pouco mais sofisticada, com um tasting room muito bem instalado numa caverna. Lá dividimos uma bandeja de tapas e eu fiz um flight completo com muitos tempranillos. No meio do nosso tasting a moça veio perguntar se éramos brasileiros.
—somos! como você sabe??
—é que o uncle Charlie da Green Winery me ligou e disse que um casal de brasileiros muito simpáticos tinham passado por lá e estavam vindo pra cá.
—hahaha, deve ser nós mesmos!
—um brinde!

a árvore da floresta

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Eu não estava planejando armar árvore de Natal este ano, porque não vamos passar em casa e não estava muito no espírito. Mas o Uriel insistiu e fomos. Coincidentemente tinha nevado sem parar por dois dias seguidos e até nos perdemos por causa de algumas estradas fechadas, acabamos não indo no nosso lugar de sempre de buscar árvore. Acabamos aportando por acaso nessa fazenda toda coberta de neve novinha, branquinha, fofinha, flocuda, das melhores para se fazer bolas de neve! Lá tomamos cidra quente e devoramos tortas tradicionais dessa época—shoo fly pie e apple pandowdy. Passeamos pela fazenda que estava encantadora, depois compramos nossa árvore, que estava coberta de neve como todas deveriam ser, sem flocos de algodão.

wine country, Oregon

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Saímos de Portland na manhã do 4 de julho porque achamos que não valia a pena ficar na cidade no feriado quando tudo fecha. O Uriel queria conhecer o wine country do Oregon e fomos descendo em direção à California e olhando as vinícolas no Yelp, selecionando as que estavam abertas. O Oregon é bem famoso por produzir excelentes Pinot Gris, um vinho branco bem refrescante. A Oak Knoll foi primeira vinícola que paramos no Willamette Valley. Por uma taxa de $5 pode-se fazer um tasting de seis vinhos, eu escolhi os brancos, todos deliciosos. Seguimos para mais outras vinícolas, na David Hill eu apenas comprei uma taça de pinot gris e fizemos um mini picnic numa das inúmeras mesas espalhadas pelo local. A nossa, sobre a sombra de uma antiga macieira, dava uma vista espetacular das montanhas e do vale. Os caminhos entre uma vinícola e outra eram rusticos e tortuosos. Algumas estavam fechadas, mesmo com indicação de aberto no Yelp. Isso acontece muito. Mas foi um passeio super agradável. A Amity Vineyards, a última vinicola onde paramos, era isolada no alto de um morro, com uma vista encantadora do entardecer. Os oreganians são muito simpáticos e os atendentes de todas as vinícolas nos explicaram muitas coisas sobre as uvas, a produção e os vinhos. Valeu muito a pena o passeio, mesmo num dia em que nem tudo estava aberto. Numa parte do caminho passamos por uma fazenda de berries—o Oregon é bem famoso por suas deliciosas frutinhas silvestres. Paramos para comprar algumas e encaroçar pela lojinha cheia de coisas cheirosas, saborosas e bonitas. Dormimos nossa última noite no Oregon e no dia seguinte fizemos uma boa esticada na estrada, quando vimos já estávamos novamente na Califórnia.

eteceterá — Portland

Fizemos toda a viagem marcando hoteis pelo caminho usando o app da Expedia e conseguimos bons preços em lugares que ofereciam até "free breakfast", o que significa aquele continental breakfast que quebra um galho, mas dependendo do lugar é pra lá de mixuruca. Quando chegamos em Portland achamos um bom hotel na região do centro de conferências, que por ser um lugar melhor não dava o tal café da manhã de graça. Eu achei isso ótimo, pois eu queria experimentar alguns lugares na cidade. Por isso dirigimos bastante em Portland, indo pra lá e prá cá das pontes, seguindo as indicações do guia da revista Sunset. Uma das indicações era o Ristretto Roasters na N Williams Ave, que é uma área bem agitada, com inúmeras lojinhas, escolas de ioga e culinária, bares, cafés e restaurantes. Fiquei bem impressionada com a qualidade dos ingredientes que eles usam no RR. Pedi um café brasileiro feito na french press e o Uriel pediu dois cappuccinos. Eles não tinha aquele mundaréu de opções de pães e bolinhos, mas o que pedimos arrasou Péris in Chammas—um scone de cevada e morango, croissant e pão tostado com manteiga e geléia de frutas.

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Outro lugar altamente recomendado foi a sorveteria Salt & Straw na NW 23rd Ave do Alphabet District, que é uma das ruas badaladas da cidade, com uma imensidão de ojas e restaurantes espalhados por uma dezena de quarteirões. Nas duas vezes que fomos à Salt & Straw, a fila dobrava a esquina, talvez pelo calor incomum que fazia ou porque o sorvete deles é mesmo o fino da bossa. Provamos morango com balsâmico e pimenta do reino, chocolate, blueberries e crispy treats, sal e caramelo, pera com queijo gorgonzola. Eu tive que pedir um float feito com um refrigerante de ruibarbo super seco [incrível, parece uma água mineral mas não é] e só faltou o milkshake feito com o drinking vinegar do Pok Pok, mas esse eu vou fazer aqui em casa. O mais legal dessa sorveteria é o atendimento feito por um batalhão de garotos e garotas super simpáticos que te abordam ainda na fila para pegar seu pedido e perguntar quais sabores você quer provar. Se você pedir um ou pedir dez, eles trazem cada um deles num colher de metal que serão depois colocadas em caixas, lavadas e esterelizadas. Na Salt & Straw não tem aquele desperdício de colher de plástico.

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Esse passeio nos deixou um pouco divididos porque te expõe a uma vista maravilhosa da cidade, mas chegando lá no topo a gente entra num hospital, o que pode ser um pouco perturbador. O Gabriel, que foi lá uns anos atrás visitar um amigo que fazia residencia no hospital da Oregon Health & Science University [OHSU], nos recomendou pegar o bonde aéreo no terminal do Portland Aerial Tram. Mas é apenas subir, visitar o jardim e descer. Não há muito o que fazer lá em cima, além de tirar fotos da vista.

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Decidimos zarpar de Portland no 4 de julho pois calculamos que toda a cidade estaria paradona, como acontece por todos os cantos nesse feriado. Saímos para tomar café e com a preciosa ajuda do Yelp [outro app que não vivemos sem] achamos um lugar muito legal para fazer um brunch, mas a espera era de 45 minutos e desistimos. Na outra esquina achamos outro lugar [Yelp recomendado] e entramos para um café da manhã americano com ovos, bacon, batatas, catchup orgânico e suco de laranja espremida na hora. Gostamos muito, sem falar que no Bijou Café esperamos menos de dez minutos para nos colocarem em uma mesa. Essa foi a nossa última experiência na cidade. Saímos de Portland ainda pela manhã e rumamos em direção ao wine country do Oregon. Vinhos e paisagens bucólicas coming up next!

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Lincoln — Portland

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O restaurante Lincoln foi recomendação das revistas Sunset e Food & Wine. Eu queria experimentar no Oregon a comida de um lugar que tivesse a preocupação e o zelo de usar ingredientes locais e sazonais, e que fosse casual e sem firulas, onde um casal brejeiro de turistas pudesse ir tranquilamente numa noite quente sem precisar se vestir como se estivesse indo à opera. Por isso fiz essa escolha e acho que decidi bem. O lugar era um antigo galpão na região modernizada da North Williams Avenue, onde os proprietários, a chef Jenn Louis e seu marido David Welch, mantiveram o máximo da estrutura original. Então para um jantar de uma noite de verão, sentamos numa parte do salão onde as paredes estavam abertas, podendo-se ver o movimento na rua e sentir a brisa do anoitecer. Não vou lembrar pequenos detalhes do que comemos, porque o menu do restaurante muda constantemente, eu não anotei nada e depois do segundo copo de licor de erva-doce caseiro com prosecco já não estava mesmo interessada em memorizar detalhes. Apenas aproveitei o jantar ótimo com o meu marido. De entrada pedimos uma omelete levíssima feita com ovos caipiras, ricota caseira, uma folha verde que eu tive que discretamente googlar o nome e flores capuchinhas. Depois comemos halibut com farro e outra verdura que estava espetacular, mais um nhoque de beterraba, aspargos selvagens e spaetzle com sálvia. Na sobremesa eu pedi o brutti ma buoni, que é um suspiro servido com creme fraiche e conserva de ruibarbo. Estava bom. Mas foi a sobremesa do Uriel que derrubou os muros de Babel, uma panna cotta de chocolate branco com pickles de nectarina e saba, que eu já saí do restaurante decidida que iria tentar fazer em casa [e fiz!]. Saindo do Lincoln fomos tomar um drink num outro lugar super recomendado, o Clyde Common. Lá eu ousei bebendo algo que nunca beberia normalmente, um cocktail Martinez envelhecido em barril de whiskey—gin, sweet vermouth, maraschino, orange bitters, lemon peel. Depois caminhamos um pouco pelas ruas da cidade. Portland fica duplamente linda à noite.

Bunk Sandwiches — Portland

Bunk Sandwiches Portland
Bunk Sandwiches PortlandBunk Sandwiches Portland
Bunk Sandwiches PortlandBunk Sandwiches Portland

O Bunk sandwiches foi outra dica que peguei da revista Sunset e que talvez não tivesse encontrado ou me tocado, se não soubesse de antemão que era um lugar legal. É um pequeno corredor, um "hole in the wall" que não oferece nenhum atrativo a primeira vista. É um bom lugar para um lanche rápido. Escolhe-se o sanduiche e se quiser alguns acompanhamentos de um menu escrevinhado no alto da parede, senta e espera a bandeja chegar—forrada com papel, contendo o sanduiche e chips de batata. Nós pedimos uma salada de folhas verdes também. Me senti muito audaciosa nesse dia e pedi um sanduiche cubano de barriga de porco, presunto, queijo suiço, pickles e mostarda, que estava bom. Mas invejei muito a escolha vegana do Uriel, que veio com hummus de cenoura assada, pimentão vermelho chamuscado, azeitonas, pepino e molho tzatziki e que estava delicioso. Pena que não deu pra voltar e experimentar outros recheios. Não dá pra se exigir tal façanha num passeio como esse limitado pelo tempo.

Pittock Mansion — Portland

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No segundo dia em Portland fomos visitar uma mansão histórica que fica numa linda área de mata em cima de um morro. A Pittock Mansion foi contruída em 1914 pelo pioneiro e enpreendedor Henry Pittock. Nascido na Inglaterra, Pittock imigrou para a Pennsylvania e em 1853 com 19 aos pegou uma daquelas carruagens que levava famílias e aventureiros para desbravar o oeste. Pittock chegou ao Oregon, onde começou a trabalhar num jornal do qual acabou dono depois de alguns anos. A casa super moderna, apresentando uma mistura dos estilos inglês, francês e turco, dá uma visão panorâmica maravilhosa da cidade de Portland, com vista para todas as montanhas ao redor. Não posso negar que uma das coisas que eu mais gosto de fazer e que mais me entretem é visitar casas antigas. Essa me fez voltar na sala de jantar e cozinha ums mil vezes. Não é uma casa ostensiva, mas é bem ampla e confortável, com um engenhoso sistema de aquecimento e de intercom. Eles não mantinham muitos empregados e contratavam diaristas. Dá pra ver a lavanderia, a area de geladeira que era separada da cozinha, a despensa, a área do mordomo com ármários com as louças. Nem tudo na casa é original da família, pois quando a casa foi vendida na década de 60 muita coisa se perdeu. Mas quando um objeto ou móvel é original tem um pequeno cartãozinho com o logo da mansão alertando. No andar de cima fiquei muito impressionada com o quarto montado numa espécie de varanda, arejado o suficiente para ajudar os enfermos com a tuberculose, uma doença bem comum na época. E com os banheiros, absolutamente modernésimos, com chuveiros super high-tech. Não fotografei a casa por fora, porque ela estava em obras. Visitamos também a casinha do caseiros [últimas duas fileiras de fotos] que achei uma gracinha, com a cozinha mais fofa do mundo. A casinha tem dois andares e está também cuidadosamente preservada. Seguindo o guia você aprende não somentes fatos sobre a família que viveu lá, mas também sobre a cidade. Os jardins da mansão são maravilhosos e dá pra passar muitas horas lá, dentro e fora, também num pequeno museu montado no subsolo da casa, onde se faziam as festas e hoje mantém um acervo de rádios, vitrolas, gramofones, fonógrafos, televisões e outras fontes de entretenimento audio-visuais.

Pok Pok — Portland

Pok Pok PortlandPok Pok Portland
Pok Pok PortlandPok Pok Portland
Pok Pok PortlandPok Pok Portland
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Não sou muito boa planejando passeios e viagens, mas dessa vez fui um pouco mais organizada e usei como guia de Portland este pdf disponibilizado pela revista Sunset e algumas dicas da revista Food & Wine. Nem é necessário dizer isso, mas se você for fazer uma pesquisa rápida de onde comer em Portland, o comentadíssimo, bacaníssimo e modernérrimo Pok Pok vai estar sempre entre os primeiros. E com toda razão. No nosso primeiro dia saímos da Powell's Books e fomos almoçar nesse pequeno restaurante tailandês, que era um dos lugares que eu queria e precisava checar na cidade. O restaurante começou numa pequena casinha e foi ampliado por causa do sucesso e demanda. A paixão do chef Andy Ricker pela cozinha tailandesa elevou o pequeno lugar à categoria cult & melhor do país. Além do Pok Pok original em Portland, hoje o restaurante tem uma filial em New York. Chegamos já era mais de 2pm e ainda tivemos que esperar 30 minutos. Você chega, dá seu nome para a recepcionista e espera. Há um bar, mesas fora e dentro. Fiquei torcendo para sentarmos fora, pois achei tudo lá dentro muito escuro apesar do ar condicionado, ausente no lado de fora.

O restaurante é bem simples e rústico, com pratos, travessas e copos de plástico, mesa forrada com oleado. O serviço é super gentil e eles respondem com a maior paciência a toda e qualquer pergunta. Eu tinha algumas, especialmente sobre as bebidas. Me apaixonei por uma bebida de fruta e vinagre. Experimentei a de ruibarbo e não consegui desviar meu foco dessa super ideia. Já tinha lido sobre os vinagres na bebida, mas nunca tinha provado. Fiquei louca e em breve escreverei mais sobre isso. A água que eles servem também é especial, vem numa jarrona e tem um gostinho diferente, pois é aromatizada com folhas de pandanus como é feito comumente na Tailândia. Tive um pouco de dificuldade para escolher o que comer no Pok Pok, porque sou uma picky eater de lascar a lenha e o menu tem coisas muito diferentes, ovo e carne de porco misturados com outros ingredientes. No final escolhi algo seguro [para mim] e gostei muito. Uma salada, uma linguiça com ervas. e arroz de coco O Uriel comeu um frango com vários molhinhos e salada de mamão verde. Não sei por que não pedimos sobremesa. Eu tinha planos de ir em outro lugar, mas não deu certo. Estávamos cansados e fazia muito calor. Acabamos indo para o hotel, mas o Pok Pok não saiu mais do meu pensamento, fiquei querendo voltar lá para me aventurar com outros pratos e ingredientes. »pok pok é a onomatopeia em versão tailandesa para o barulhinho que o amassador faz no pilão quando se esta moendo as ervas.

Portland, Oregon

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Assim que chegamos em Portland, rumamos direto para a nossa primeira visita na cidade—a imensa livraria Powell's. Ela é praticamente um ícone na cidade, pois ocupa um quarteirão inteiro, com três andares, vende livros novos, usados, raros, além daquelas inúmeras bugiganguinhas que se vende em livrarias e que nos coloca em modo de consumismo faniquito. Passamos uma hora dentro da Powell's perdidos entre andares e corredores lotados de livros. É um lugar pra voltar mais vezes, muitas vezes, mas desta vez fizemos somente essa parada. E comprei umas coisinhas, quem resiste?

A cidade é super arborizada e cortada ao meio pelo rio Willamette. Tem vários parques e locais para se caminhar a pé, além das várias pontes que cruzamos pra lá e pra cá indo do nosso hotel para muitos lugares. Minha primeira impressão de Portland foi a de uma cidade cheia de bicicletas e cachorros. Em todo canto se via potinhos de água nas calçadas, na frente dos estabelecimentos comerciais para os animais se refrescarem. Isso pode ter sido reflexo da onda de calor que afetou também o Oregon ou pode ser uma coisa que se faz normalmente por lá. Achamos Portland bem cheia andarilhos e mendigos e eles são de todas as tribos e idades. Ouvi dizer que em Portland até os mendigos são hipsters. Ela não é uma cidade imensa, mas tem uma concentração impressionante de food carts e food trucks. É uma cidade super bonita, com muitos prédios históricos e áreas antigas, bem servida de transporte público, como os street cars que te levam pra todo canto com um ticket de uma pataca válido por duas horas.

»Nossa primeira parada no estado para abastecer o carro nos causou a maior surpresa. No Oregon você não pode colocar a gasolina no seu carro como é aqui na Califórnia. Lá self service é proibido por lei e todo posto tem frentistas para fazer o full service. Depois de tantas décadas enchendo nós mesmos o tanque do carro, achamos isso muito estranho. [ more to come...]

Oregon — a costa do Pacífico

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Para quem reparou [*pisc!] estive ausente por alguns dias daqui, mas asseguro antecipadamente que o fim justificará os meios pois terei algumas coisas bem bacanas pra contar e mostrar. É que depois de tantos anos morando na vizinhança do estado de Oregon, decidimos finalmente visitá-lo. Eu já estava querendo ir até Portland desde quando o meu filho foi e ficou me contando disso e daquilo. E também porque toda revista que eu assino que fala da costa oeste, fala das cidades do Oregon, do litoral, das vinícolas e de Portland e sua cultura peculiar, das tribos, da música, da comida. Finalmente achamos a época adequada e colocamos os pés na estrada. Num dos dias mais tórridos do ano subimos pela I5, a rodovia mais rápida que liga a Califórnia ao Oregon com vista parorâmica pelo Mt. Shasta, que ainda tinha neve no seu topo enquanto o termômetro no asfalto marcava 45ºC. A paisagem é linda, com pinheiros e montanhas. Fizemos um desvio em direção a Coos Bay no litoral sul e acabamos dirigindo umas duas horas vendo apenas dunas e florestas. Eu tinha levado um farnel para fazer um picnic na praia, com gaspacho e sopa fria de pepino nas garrafas térmicas, frutas, vinho e sanduiches de queijo. Mas acabamos comendo numa pequena clareira numa área lindissima de floresta [nem pensei nos ursos]. Seguimos em frente até a primeira área onde se via o Pacifico, com penhascos como aqui na Califórnia, onde visitamos uma lighthouse linda, a Heceta Head. Conseguimos visitar apenas mais uma praia na cidade de Newport e decidimos seguir de uma vez rumo à Portland. A costa do Oregon é enorme e não deu para subir mais pro norte sem sacrificar nossos dias planejados para gastar nos outros lugares. Vamos ter que voltar uma outra vez só para fazer uma viagem pela costa, do centro do Oregon até Washington. [to be continued...]

Williams Selyem / Della Fattoria

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Convite dos amigos Heg & Steven para visitar vinícolas é sempre certeza de que beberei bons vinhos e passarei horas gostosas papeando em ótima companhia. Quando visitamos a Williams Selyem no mês passado, foi exatamente o que aconteceu. A vinícola, que fica em Healdsburg no condado de Sonoma, produz as variedades Pinot Noir, Chardonnay [e provamos o unoaked que eu achei muito mais fresco que os envelhecidos no carvalho] e Zinfandel. Eu gostei de tudo o que bebi e olha que eu provei todos os vinhos duas vezes [hihihi!]. A vinícola estava bem movimentada com um evento, que também oferecia pães, queijos, salames e azeites de produtores locais. Terminando a extensa degustação decidimos dirigir até Petaluma e fazer um lanchinho bem tardio no Della Fattoria, um lugar super gostoso que eu não ia desde nossa primeira visita lá em 2007. A cozinha já estava fechando, mas fomos atendidos com a maior gentileza. Pedimos sanduiches, sopa de cenoura, queijo local, o pão servido é feito na padaria deles. Encaroçamos por algumas lojinhas de antiguidades na cidade antes de seguirmos para casa, nós pra Woodland e eles para San Francisco.

the pie ranch

so manyso many
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so manyso many
so manyso many

Se você estiver rodando distraidamente pela belíssima Highway 1 e na altura de Pescadero ver uma placa—slow down for pie, pare imediatamente. Estacione, entre no celeiro e coma tortas, bolos e cookies deliciosos, beba uma xícara de café ou chá, compre uns feijões heirloom, ovos caipiras ou legumes e frutas orgânicos, mas não deixe de dar um rolê pela fazendinha escola da Pie Ranch. Achei o projeto muito bacana, onde as crianças e adolescentes vão aprender sobre autonomia e sustentabilidade. Eles trabalham com voluntariado e promovem um arrasta pé uma vez por mês, com dança e comida. Pena que para nós é um pouco fora de mão, senão eu iria certamente querer ir num desses forrós.

final, ponto. inicio, três pontos.

Antes que o mês de janeiro termine, preciso contar como ele começou. Nós não somos pessoas muito organizadas e apesar de estarmos em férias e saber que queríamos passar a virada do ano em algum lugar bacana, demoramos para decidir onde. Quando fomos escolher o lugar, restaurante e hotel, muita coisa já não estava disponível. Eu queria ir para o litoral, mas realmente preciso aprender a planejar melhor, mesmo essas pequenas viagens. Decidimos ir para o Sonoma county e passar o reveillon em Healdsburg, uma cidadezinha muito lindinha que fica na região das vinícolas. Hotel lá já não havia, então reservamos um à seis minutos de distância numa outra cidadezinha chamada Windsor. Que surpresa que foi chegar no lugar e encontrar uma downtown super brejeirinha, com prédios replica estilizadas de uma cidade européia antiga. Ah, esses americanos!

Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
Fim de AnoFim de AnoFim de Ano

Nosso jantar no último dia de 2012 foi no Café Lucia—cozinha nova portuguesa. Dentre os restaurantes que serviam jantar na noite do dia 31 e não tinham cardápio fixo com coisas que eu não gosto e nem como, nem preços astronômicos, essa foi a nossa opção. Também porque vimos bolinho de bacalhau e bacalhoada no cardápio. Que delicia de comida! Todas as gostosuras portuguesas que pedimos estavam sublime. Um caldo verde ultra delicado, bolinhos de bacalhau super leves e sequinhos, bacalhoada perfeita e espetada com batatas e piri-piri deliciosas. Eu bebi um vinho branco português que acompanhou tudo perfeitamente. De sobremesa pedimos a opção de gelados: sorbet de maçã & vinho verde, sorbet de manga, sorvete de porto vintage e sorvete de chocolate & piripiri. Tudo excelente, ficamos muito felizes e satisfeitos.

Passeamos um pouco pela cidade que estava linda e até bem agitada com todo tipo de festa, das chiquerésimas às modernetes, até as bem desanimadas com o povo enchendo a cara de cerveja e jogando bilhar. Demoramos um pouco para achar um lugar bom pra passar a meia-noite e acabamos num bar cavernoso, que tinha música dançante e clientela eclética de todas as idades e tribos. Não estava fervendo, mas estava divertido. Entramos em 2013 requebrando o esqueleto no bar do urso Ernie. Nos vinte minutos do primeiro tempo do novo ano vi mensagem no meu telefone. Era o serviço do sistema de alarme, que tinha disparado na nossa casa, em Woodland. Abre uma nova cena no palco com a gente saindo do bar correndo—liga pra cá, liga pra lá, a policia foi na casa, o Gabriel foi na casa, era mau funcionamento em um dos sensores. Feliz 2013, né?

Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
Fim de AnoFim de AnoFim de Ano

No primeiro dia de janeiro ficamos em Healdsburg encaroçando nas lojinhas de antiguidades e depois rodando pelas estradas da região das vinícolas. Pena que nenhuma vinícola estava aberta no primeiro dia do ano. Muitos restaurantes também estavam fechados. Fizemos um almoço bem tardio na moderna Pizzando no centro da cidade. Comemos uma entrada de albacore que estava deliciosa, com uma farofinha crocante por cima. Depois um inusitado pappardelle com butternut squash, rúcula, sementes de abóbora [pepitas] e nibs de cacau. Faltou apenas um pouquinho de sal, mas estava interessante. Depois devoramos uma pizza com broccolini e mascarpone, que foi a nossa alternativa à falta da burrata, que era a nossa primeira opção [quem manda chegar tarde?]. Nem pedimos sobremesa, porque queríamos provar outra coisa em outro lugar. E acabamos mesmo num café, onde bebemos capuccino e chocolate asteca.

Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
Fim de AnoFim de AnoFim de Ano

No segundo dia de janeiro comemoramos nosso trigésimo primeiro aniversário de casamento e aproveitamos para passear juntos por alguns lugares que gostamos aqui no norte da Califórnia. Primeiro passamos por Bodega e Bodega Bay, onde eu impreterivelmente tenho que ir visitar e tirar fotos dos cenários do filme The Birds do Hitchcock. Não tem muito o que fazer lá, além de olhar a lindíssima paisagem. Improvisamos um rápido picnic em cima de um dos penhascos com vista para o Pacífico e seguimos para Petaluma, onde almoçamos bem tarde [outra vez] no pequeno Wild Goat bistrot. Petaluma é uma fofura de cidade, mas muita coisa ainda estava fechada no pós festividades. Encaroçamos mais lojas de antiguidades, comemos tortas e bebemos chá no Petaluma Pie Company e seguimos para casa, um pouco melancolicos porque as férias de final de ano tinham finalmente chegado ao fim, mas felizes porque comemoramos o que tinhamos que comemorar e estávamos nos sentindo prontos para iniciar o novo ano.

Fim de AnoFim de AnoFim de Ano
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vinte e sete de dezembro

Uriel precisou renovar o passaporte brasileiro e como estávamos em férias, fomos até San Francisco num dia de semana. Aproveitei para dar um rolê pelas lojinhas e fazer umas comprinhas, o que nos dias seguintes ao Natal traduz por pegar muita fila e lojas cheias por causa das liquidações. A cidade é sempre linda, mesmo com hordas de turistas lotando ruas, restaurantes e lojas. E depois de muitos dias de chuva, pegamos um dia maravilhoso de céu azul, até um pouco menos frio do que o de costume.

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Como fiquei duzentas horas pra decidir minhas compras [incluído horas na fila pra entrar no provador mais horas na fila para pagar—argh!] fizemos um amoço bem tardio. Caminhamos pela região do Financial District procurando por restaurantes que o Yelp tinha nos indicado, mas que estavam fechados. Acabamos na fronteira de Chinatown e eu imediatamente tomei a oportunidade, pois sempre quis comer num restaurante chinês nessa região mas nunca tive coragem de me aventurar, porque tudo lá parece tão perigosamente imundo. O Yelp nos indicou o House of Nanking que é um restaurante ícone no local, sempre lotado de turistas que chegam para provar as delicias que eles preparam lá. E eu agora entendi porque. O lugar tem um menu um pouco diferente dos restaurantes chineses de praxe, embora tenha um ambiente caótico com serviço rude e confuso. Gostei de tudo que comi lá, o pastel de camarão com um molho, a salada de broto de ervilha, o frango com gergelim e batata doce [que é o prato chefe da casa e para o qual abri uma exceção, porque não como carne nunca em restaurante asiático] e a berinjela que foi pedido do Uriel. Até o canecão de chá de flor com goji berry estava diferente. A conta também se distingue dos outros restaurantes chineses, porque é um pouquinho mais salgada.

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Batemos um pouco de perna em Chinatown, que é sempre uma experiência interessante, depois pegamos o carro e fomos dar uma volta para matar hora e não pegar aquele tráfego miseráver na I80 nos dias de semana. Fomos para a região da Union Street que é uma fofura, cheia de lojinhas, restaurantes e cafés. Paramos no La Boulange para beber algo e comer umas gostosuras da padaria francesa. No nosso trajeto de encaroçação entramos numa lojinha cheia de coisas legais e imediatamente a vendedora nos ofereceu uma taça de vinho rosé. O negócio é que ela também estava bebendo [mais do que os clientes] e falava mais que a boca, me explicou mil detalhes de tudo na loja, perguntou de onde estavamos visitando, disse que conhecia Woodland e ainda lascou um—está nevando lá pros lados de Sacramento? —está quase, eu respondi.

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Littorai — Forchetta Bastoni

Qualquer convite dos amigos Hegui & Stevie é sempre certeza que vamos nos divertir na companhia deles e descobrir lugares super bacanas, beber bons vinhos e conversar muitos assuntos. Desta vez fomos à um wine tasting na vinícola Littorai, perto de Sebastopol no Sonoma County. Foi a nossa primeira vez, mas o Hegui e o Stevie já estiveram lá outras vezes— para um outro tasting pos-colheita como fizemos no sábado e antes disso para um tour primaveril pela pequena e belíssima vinícola. A Littorai é uma produtora de pinot noirs e chardonnays e usa técnicas de biodinâmica no cultivo das uvas. Enquanto provavamos os nove diferentes tipos de pinots, acompanhados de uns deliciosos acepipes que até incluia um queijo português St. George de Santa Rosa, ouvimos muitas explicações sobre terreno, solo, clima, névoa, sol, variações de temperatura, uvas, eteceterá. Eu consegui provar os nove tipos de vinho, comer um pouquinho e conversar à beça, sem tropeçar, nem derrubar o queijo dentro do copo alheio, nem falar nenhuma gafe. Quando o tasting terminou saimos para dar uma volta pela vinícola, ver os jardins onde eles plantam as flores e ervas que usam no controle das pestes e as casinhas das abelhas que fazem a polinização das videiras.

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Os tastings e tours na Littorai são feitos apenas com reservas. Mesmo para eventos como este que fomos é preciso ser convidado. A vinícola é bem escondida entre muitas curvas tortuosas e não tem placa anunciando no portão de entrada, que aliás só abre com o código que os convidados recebem.

Da vinícola seguimos para o centro da cidade de Sebastopol porque naquela altura precisavamos comer. O Stevie sugeriu um restaurante que acabou nos surpreendendo. No andar de cima o Forchetta Bastoni [Fork Sticks] é um tailandês e no de baixo é um italiano. Nunca tinha visto esse tipo de combinação, que nem pode ser chamada de fusion já que os menus, cozinha e ambientes eram separados.

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No andar tailandês fizemos uma happy hour com drinks e petiscos para acompanhar. O lugar é bem informal, com sofás feitos de caixotes e almofadas, mas nós ficamos nas mesas e cadeiras. Depois descemos para o andar italiano, que é maior e mais bem decorado, com um bar, uma cozinha aberta e um forno a lenha pilotado pelo pizzaiolo mais simpático, fotogênico e charmoso que já conheci. Pedimos vinho, antepasto e prato principal—nós optamos pela pizza que não estava nota dez, mas estava boa. Dividimos algumas garrafas de vinhos locais, dois tintos e um branco. Mas eu bebi somente um sauvignon blanc da vinícola Quivira, outra biodinâmica que faz vinhos deliciosos que eu adoro e que será a próxima que iremos visitar. Pisc!

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primeiro de setembro

Não sei se vocês sabem, mas eu leio todas as revistas que assino com meses de atraso. A única exceção é a Martha Stewart Living e a Sunset, que adoro e devoro assim que sou avisada que elas estão disponíveis no iPad. Já as outras vou lendo quando posso. Foi por isso que li essa matéria de julho sobre o dogpatch em San Francisco somente noutro dia. É uma área mezzo industrial/mezzo residencial que tem se desenvolvido e se modernizado desde a década de 90.

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A reportagem da revista Bon Appetit deu algumas opções de lugares para comer e eu quis conhecer o restaurante Piccino, instalado numa casa vitoriana amarela numa esquina bem charmosa do bairro. Chegamos sem reserva, o que não é uma coisa que eu arrisco fazer sempre, mas não houve problema. O lugar estava bem cheio, mas nada comparado com as áreas mais turisticas da cidade. Dividimos uma salada de figos, queijo gorgonzola local, rúcula e avelãs. O Uriel pediu um panini de tomate com ragout de cogumelos e eu um gnocco de semolina com vagens francesas e um caldo com pesto saborosissimo. Eu bebi um vermentino de Alta Mesa, California. Não pedimos sobremesa porque eu queria tomar o sorvete da Mr. and Mrs. Miscellaneous, uma lojinha de gostosuras que fica na outra esquina. Escolhi gulosamente dois sabores—azeite e chá preto inglês, que acabou sendo o meu favorito. Meu marido, mais comedido, escolheu somente uma bola de gengibre cristalizado. Os sorvetes deles são muito bons.

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Depois fomos dar uma volta pelas ruas do Mission district, que fazia uma parte coadjuvante na reportagem da Bon Appetit, mas não seguimos nenhuma das dicas. Eu queria mesmo era passar na Tartine Bakery para comprar os famosos pães, que dizem ser uns dos melhores dos EUA. Andamos pela 18th street que estava apinhada de gente. Entrei na fila da Tartine—que me pareceu nunca tem fim, e quando chegou a minha vez fui avisada de que eles só teriam pão depois das 4:30pm. Naquele momento só estavam servindo bolos, tortas, sanduiches. Resolvemos andar pelo bairro, olhar lojinhas de antiguidade, comprei um picolé na esquina, entramos na abarrotada Bi-Rite que vendia tomates, figos [esses um tanto amassados] e outras delicias frescas daqui da nossa região. Demos risada. Voltamos para a Tartine onde finalmente comprei dois pães, que são enormes e estavam quentinhos, crocante por fora, macio por dentro. Atravessamos o Dolores park e voltamos para o carro mastigando nacos de pão pela rua. Não conseguimos evitar!

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Sou daquelas habitante da roça pra quem ir até a beirinha do continente e olhar para o oceano é algo altamente especial. Por isso neste dia aproveitamos para dirigir até a Ocean beach, que não é a praia mais linda da região, mas tem o charme de ter a Cliff House no seu extremo direito. A história dessa casa, que agora hospeda um restaurante e um bar e a do Sutro Baths, a incrível piscina pública que hoje só se pode visitar suas ruínas é absolutamente fascinante. Nessa altura já estava ficando tarde e decidimos jantar em algum lugar por perto. Como sábado pra nós é dia de comer pizza, o Yelp nos indicou a pequena Pizzetta 211 no Richmond district. O lugar é bem pequeno, no estilo da pizzaria Delfina, mas é ambientada como um bistrô francês. Os vinhos são também na maioria franceses, o que eu achei que destoava um pouco de um lugar que servia pizza. Mas deixando de lado os dogmas gastronômicos, bebi um vinho francês, branco e seco, muito gostoso, dividimos uma salada de farro com vagens e tomates e pedimos uma pizza para cada um—uma de berinjela assada, outra com mussarella e anchovas brancas. Voltamos pra casa já estava noite. Foi um dia muito bom.

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Iria ser mais um final de semana com temperaturas acima dos 40ºC e decidimos sair de casa. A melhor pedida seria ir para o lado do litoral, mas ficamos um pouco apreensivos de pegar congestionamento na estrada. Afinal, não deveríamos ser os únicos querendo fugir do bafão. De manhã cedo nadei e depois fui ao Farmers Market, onde acontecia um festival do tomate. Como cheguei tarde e o calor já estava piorando, fiz rapidamente minhas compras da semana, adicionada do convercê que sempre tenho com alguns dos fazendeiros, dei um rolê pela festa tirando algumas fotos e casquei fora. Fiquei sabendo depois que o evento foi um sucesso, com muita gente prestigiando. Vi mesmo que estava animado, com música, dança, comida, até concurso de chef preparando pratos com tomates e tasting de um monte de variedades da frutinha verânica mais popular da região.

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Fomos para Sacramento almoçar por escolha do Uriel no Andy Nguyen, um restaurante vegano na Broadway que apesar de fazer aquelas tchonguices de carne, frango e até e peixe de soja, tem um cardápio super gostoso. Como nós sempre escolhemos tofu e cogumelos quando comemos em qualquer asiático, não mudamos nossa rotina. Esse restaurante tem um ambiente moderno, chão sem carpete [que eu abomino nos restaurantes asiáticos daqui] e serve uns sucos de frutas, legumes e gengibre simplesmente deliciosos. E a comida é delicada e gostosa, com alguns pratos bem criativos. Raramente pedimos sobremesas, mas eles oferecem umas opções interessantes, tipo a banana frita e o sorvete de coco.

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Já estava um bafão descomunal e saimos rumo à lugar nenhum—que é o passeio favorito do meu marido. Decidimos subir mais pro norte e a temperatura foi também subindo com os quilometros rodados. Saimos de Sacramento com 40ºC e quando chegamos ao nosso destino estava 43ºC—em Fahrenheit 104º e 109, que parece ainda pior. Aportamos na pequena cidadezinha de Auburn, que faz parte do circuito da corrida do ouro no norte da Califórnia. Eu adoro essa região que fica no pé da serra e tem toda uma atmosfera de velho oeste. Auburn tem uma downtown histórica bem bonitinha, como as outras cidades da região, mas tem também uma parte mais antiga chamada de Old Town. São basicamente duas ruas compridas com muitas lojinhas, galerias de arte, bares e restaurantes. Quando chegamos já estava quase tudo fechado porque o bafão não estava fácil. Só os bares e restaurantes estavam abertos e procurando por um lugar para tomarmos um sorvete entramos no Carpe Vino, um wine bar com um restaurante muito bacana. Sentamos para tomar uma taça de vinho branco gelado e pedimos para acompanhar um pan con chocolate temperado com flor de sal, raspas de laranja e azeite. Ficamos lá até criar coragem pra sair na rua novamente e dirigir de volta para Sacramento, onde decidimos parar novamente para jantarmos uma pizza margherita assada no forno a lenha, num lugar legal que conhecemos em downtown.

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No domingo saimos rapidamente só para almoçar num restaurante mexicano que gostamos aqui em Woodland. Não teve aqua fresca de hibisco suficiente para me hidratar. Bebi água mineral resto do dia, enquanto descansei, assisti alguns filmes e li um tanto de revistas, trancada seguramente dentro da casa climatizada.

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the dancing coyote

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Li no jornal que a vinícola que produz um delicioso Alvarinho aqui na Califórnia tinha agora um tasting room aberto para o público. No mesmo minuto mandei um e-mail com o endereço para o Uriel dizendo—quero ir lá! Desde que comprei uma garrafa desse Alvarinho da vinícola Dancing Coyote no inicio do ano passado, que nunca mais achei esse vinho pra vender em lugar nenhum. Voltei no supermercado, fiz mil perguntas, mas ninguém sabia de nada. Depois dessa visita entendi a razão. O pequeno tasting room deles fica no condado de San Joaquin bem próximo da cidade de Lodi, numa área com muitas vinícolas pequenas mas com uma cultura de vinho bem forte. É um pouco mais longe de Clarksburg, no condado de Yolo, onde ficam os vinhedos da Dancing Coyote e onde o vinho é produzido.

Logo que chegamos fomos recebidos por um cachorro que pertence a um artista morador do local. O prédio principal fica numa antiga destilaria de brandy e o tasting room é todo modernizado, você pode sentar nas mesas ou ficar no bar conversando com o bartender, que foi o que fizemos. O dono do cachorro, que é um artista hiponga que trabalha com metal reciclado, nos contou um pouco da história da vinícola, do local e do proprietário que não está interessado em fazer nenhum marketing dos vinhos nesse mercado altamente competitivo. Ele prefere que as pessoas comprem o vinho diretamente deles. Achei super justo. Eles também vendem online. Comprei o Alvarinho que já conhecia e provei o Verdelho, que achei muito bom, o Moscato, que não me entusiasmou e o Gruner Veltliner, que adorei e também comprei umas garrafas. O bartender me disse que esse último, feito com uma variedade de uva austríaca, é o favorito de um dos nossos ex-governadores—adivinha só quem? O Arnold Schwarzenegger.

San Francisco [express]

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No segundo dia do passeio com nossos primos, chegamos ainda mais tarde em San Francisco. Estando na minha companhia não é permitido fazer nada na cidade sem antes passar pelo Ferry Building Marketplace. Aproveitamos para fazer nosso almoço tardio ali mesmo, escolhendo comidas entre o il Cane Rosso e o Gott's Roadside, lugar de hamburguer que sempre agrada aos mais jovens [e outros nem tanto]. Depois da sobremesa no Miette, atravessamos a rua para pegar o cable car na California Street, a linha que percorre o Financial District, Chinatown, Nob Hill até a Van Ness Avenue. Fomos e voltamos descendo em Chinatown, onde basicamente só caminhamos pelas ruas apinhadas de gente, entrando e saindo de lojinhas—atividade divertida que eu chamo desde sempre de "encaroçar". De carro fizemos o doloroso e congestionado percurso dos piers até a marina e terminamos o passeio no caminho do Crissy Field, embaixo da Golden Gate bridge. O sol já estava se pondo, por isso decidimos achar um restaurante ali por perto. Os visitantes escolheram jantar comida indiana, então o Yelp me recomendou um lugar no Richmond District chamado India Clay Oven. Um indiano como outro qualquer, nada de cair o queixo, mas estava bom. Deixamos nossos primos num hotel perto do aeroporto de San Francisco e voltamos para casa. Apesar de curto e corrido, eles gostaram muito do nosso passeio expresso.

Napa Valley [express]

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Nossos primos de Atlanta estavam a caminho de férias no Havai e deram uma parada na Califórnia para passar dois dias conosco. Fazia uns três anos que não nos encontrávamos, então gastamos muito tempo conversando. Dividimos o grupo em dois, os adultos na nossa casa em Woodland e os adolescentes na casa do Gabriel em Davis. Na organização do tempo com todo mundo acordando tarde e estendendo a conversa na mesa do café da manhã, mais os banhos e agrupamentos saindo de uma única cidade, acabamos chegando tarde para os nossos dois passeios. O do primeiro dia no Napa Valley, chegamos à uma da tarde e tivemos que condensar a programação ao máximo porque as vinícolas fecham entre 5 e 6 pm. Decidimos visitar apenas duas—a Mondavi, por razões óbvias e a Beringer, porque é uma das mais bonitas e fica bem no centro do vale. Dois clássicos do Napa. Na Mondavi fizemos o tasting dos vinhos vintages e reserve. Na Beringer fizemos o tour com tasting. Para um almoço rápido entre as vinícolas pegamos sanduíches, bebidas e chocolates no Dean & Deluca e depois de visitar a cidadezinha de Calistoga, voltamos para St Helena onde jantamos no Tra Vigne. Fizemos esse passeio com a cachorra Boo que está hospedada neste mês de agosto na casa do meu filho. Na vinícola Mondavi ela teve que ficar no carro, mas na Beringer as moças da recepção ficaram alegremente cuidando dela e no Tra Vigne ela não somente foi bem-vinda como recebeu um pote com água pra se refrescar. Até ela aproveitou muito o nosso passeio expresso.

uma tarde em Sonoma

A Califórnia não é só abençoada com um clima bom, mas tem também uma diversidade de paisagens incrível. Temos um pouco de tudo—montanhas com ou sem neve, praias geladas e algumas não tão geladas, florestas, milhares de campos agricolas e outros milhares de vinhedos, cidades grandes carismáticas e chamosas e incontáveis cidadezinhas históricas cheias de personalidade e coisas bonitas e divertidas para ver e fazer. Pode-se passar uma vida visitando e revisitando lugares legais sem nunca cruzar nenhuma fronteira. Um dos lugares charmosos que adoro visitar é a cidadezinha de Sonoma, vizinha do Napa e também com o seu respectivo vale dos vinhos. Desta vez fomos apenas almoçar e bater perna pela cidadezinha histórica, o que já é entretenimento suficiente para um dia. Os vinhedos já estavam lindos, forrados ou salpicados com flores de mostarda. Pra o almoço escolhi voltar ao The Girl & The Fig onde já tínhamos ido em 2007. Desta vez o restaurante estava absurdamente apinhado de gente. Esperamos trinta minutos e sentamos para um almoço tardio, às 2pm num páteo externo super gostosinho. A comida estava toda correta, apesar do serviço estar um tantinho devagar. Mas isso não foi problema, pois estávamos confortáveis debaixo de um aquecedor, bebendo vinho e conversando. Depois caminhamos pelo centro histórico, encaroçamos pelas lojinhas da cidade e visitamos uma missão e uns museus. Tudo muito bem cuidadinho e agradável de visitar, como é o padrão aqui neste lindo estado onde eu vivo.

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wine skin

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Tenho o costume de transportar garrafas quando viajo, pois os deliciosos vinhos do meu estado são um excelente presente para familiares e amigos. Tenho então minhas técnicas pra proteger as garrafas, prevenir acidentes e otimizar espaço. Embrulho as garrafas em envelopes plásticos com fechamento firme e depois enrolo cada garrafa em roupas. Nunca tive uma garrafa quebrada, mas achei essas embalagens para carregar vinhos na mala muito mais práticas. Encontrei as wine skins pra vender numa vinícola no Napa Valley. Paguei três patacas cada uma e não sei se elas são feitas para serem reusadas por muito tempo, mas eu vou testar. Elas tem um fechamento adesivo, que podem não fechar tão bem depois da primeira viagem. Mas não é nada que uma boa fita crepe não resolva não é?

a cozinha da Astor House

Astor House - Golden, CO
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A cozinha da Astor House foi um caso à parte. Ficamos mais tempo lá dentro do que em qualquer outro cômodo da casa. Fiquei absolutamente encantada com a riqueza de detalhes, todos os armários devidamente estocados, utilitários, gadgets, lavadora de roupa, telefone, panelas, formas, até dois cortadores de dedo, ops, mandolines gigantes, que nos fizeram gargalhar—imagine eu usando um desses! O mais legal dessa cozinha, além de poder fotografar, é que pudemos mexer em tudo, abrir gavetas, folherar livros, xeretar em todos os cantinhos, até cheirar as especiarias numa lata grande de metal pintada a mão que acomodava várias latinhas com temperos. Fiquei rodopiando pela cozinha por um tempão, como uma galinha bêbada e depois que visitei o restante da casa, voltei para mais uma rodada de olhadas e bisbilhotadas. Não sei se eu gostaria de cozinhar numa cozinha dessas—bem moderna para a época, mas inviável para os nossos hábitos práticos de século 21. Cozinhar dava muito trabalho! Mas o empenho de preservação da história é algo fascinante. Imagino que a maioria das pessoas que visita esse tipo de museu se concentra mais em outras partes da casa, como as salas, os quartos, a biblioteca. Mas eu, se não vejo a cozinha e a despensa, fico realmente frustrada. Nesse passeio que fiz ao Colorado, pude visitar duas cozinhas de duas casas do século 19—a chiquérrima da ricaça Molly Brown em Denver e essa pensão simples, porém incrívelmente equipada, em Golden.

The Astor House
[Golden, Colorado]

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Foi o nosso último dia no Colorado e apesar do Uriel estar chumbado pela gripe chinesa e eu no limite de um ataque de nervos por causa de uma dor de cabeça monumental, provavelmente o prólogo da gripe que também iria me atacar, saimos de carro em direção às montanhas. Uma das partes do percurso, entre as cidades de Golden e Idaho Springs, foi uma verdadeira visão do paraiso. A estrada sinuosa entre penhascos de pedra salpicados de pinheiros com um rio acompanhando, ora no lado esquerdo, ora no direito, me deixou abismada. Paisagem linda de doer os olhos e de embasbacar. Pena que a dor de cabeça naquela altura me deixou catatônica e simplesmente não consegui fotografar nada. As imagens ficaram apenas na memória.

Voltamos para Golden com o intuíto de almoçar e eu resolvi que iríamios ficar por ali mesmo, sem pegar mais estrada e sem se aventurar muito, pois ainda tínhamos que achar o caminho do aeroporto antes do final da tarde. Foi a melhor coisa que fiz. Tinha visto umas placas—Museu dos Pioneiros. Depois do almoço fomos investigar.

Golden é a cidade do legendário Buffalo Bill. Ele está enterrado lá e pode-se visitar o túmulo. Mas esse não é o meu tipo de passeio. Pelo nome da cidade já dá pra inferir que ali teve muita mineração. E ainda tem. Há tours para as minas também. E lá também está instalada uma fábrica gigantesca da cerveja Coors. Agora imaginem uma pequena cidade no interior do oeste, com um punhado de museus, tudo muito bem organizado e catalogado, a história completamente preservada e registrada, com a ajuda da população local com muito orgulho do seu passado. Fiquei muito impressionada com o trabalho de preservação, com a qualidade dos museus, embora todos fossem bem pequenos.

Escolhemos visitar primeiro a Astor House, uma pequena pensão no centro da cidade que serviu aos mineradores, estudantes e famílias. Quando pisei na casa, despiroquei! Está tudo preservado como era no século 19, com móveis, objetos, dá até pra sentir o clima da época, como a vida era naqueles tempos. Visitamos a casa inteira, dois andares—em baixo sala de estar e jantar e a cozinha [que terá um post à parte] e no andar de cima, os quartos e a varanda. Havia painéis com audios espalhados pelos cômodos pra se apertar os botões e ouvir as histórias sobre a casa, as pessoas que viveram lá, os hábitos da época e da cidade. Além de todos os mil micro detalhes, ainda podia tocar em tudo e fotografar dentro da casa e eu me esbaldei. Muitas fotos ficaram escuras, mas com essas já dá pra ter uma idéia. Curti tanto esse passeio, que até melhorou minha dor de cabeça!

food trucks [in Denver]

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No dia que fui ao Museu de Arte de Denver, resolvi deixar minha câmera no hotel pra não ficar carregando peso inútil. Quando cheguei numa praça com cara de anfiteatro romano, que era caminho do museu, dei de cara com uma feira de comida. E a maioria dos vendedores usavam os food trucks, que eu acho o maior charme. Eles tinham todo tipo de comida, dos hamburgures e hot-dogs, até crepe franceses, comida chinesa, mexicana, tailandesa, barbecue tradicional do sul, sanduiches leves, bolinhos, eteceterá, eteceterá. Caminhei pela feira e não comi nada, porque ainda era cedo e meu objetivo era chegar logo ao museu. Mas não pude deixar de fotografar, com o iPhone mesmo, alguns dos caminhões. Trés charmant, oui?

Denver, Colorado

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Tirei uns dias de férias e fui encontrar com o Uriel em Denver, no Colorado, onde ele foi atender a um congresso. Foi uma oportunidade de conhecer um outro estado deste enorme país. Meu marido tinha ido pra China e, no esquemão que pra ele é super normal, chegou do outro lado do mundo direto para outra maratona de trabalho. Segundo ele, as 15 horas de diferença de fuso horário não foram problema. O jet lag também nem fez cosquinhas. Mas ele trouxe um vírus chinês na bagagem, que nos pegou de jeito. Eu ainda estou me recuperando. Such is life.

Quanto a Denver, fiquei um pouco decepcionada, pois não vi muito o que fazer por lá. O hotel em que ficamos, num centro tecnológico, ficava bem longe de downtown. Peguei o trem e no primeiro dia sofri muitíssimo com os 37ºC que assolaram a cidade. Estou acostumada com verões tórridos, mas eu não fico andando pelas ruas quando está super quente. E lá eu andei. Primeiro explorei a rua que é um mall—quilometros de lojas e restaurantes, que pra mim não foi a grande pedida. A rua tem um serviço de ônibus grátis bem eficiente, pra você se locomover mais rapidamente por ela. Também gostei dos pianos coloridos instalados em toda a extensão da rua e onde as pessoas que passam podem parar e exercitar os dedos musicais. Vi muita gente tocando e achei bacanérrimo. No primeiro dia camelei absurdamente e fui visitar a casa da Molly Brown, a ricaça da cidade que foi sobrevivente do Titanic e que se tornou uma ativista política. Adorei a casa, totalmente preservada, onde podemos visitar todos os cômodos restaurados exatamente como era quando ela e a família moraram lá, inclusive a cozinha! Uma pena que não podia fotografar.

No dia seguinte o calor aplacou consideravelmente e pude passear mais tranquila. Fui ao Museu de Arte de Denver, que achei muito bom. Vi a exposição do Tutankamon. No dia seguinte, o Uriel se desvencilhou do congresso, alugamos um carro e fizemos um rolê pelas lindas montanhas do Colorado. Foi uma viagem curta, mas deu pra sair um pouco da rotina.

Cache Creek lavender fields

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Visitamos outra região que não conhecíamos, aqui no norte da Califórnia, ainda no nosso condado deo Yolo. São tantos lugares legais, cidadezinhas, mercados, vinhedos, vinícolas. O Capay Valley é bem conhecido pela sua riqueza agrícola. No caminho vimos muitos campos de arroz, alguns de tomates alternados com trigo e os indefectíveis pomares de amêndoas e nozes. Nosso destino era a pequeníssima cidade de Rumsay, com 95 habitantes, onde ficava os campos de lavanda orgânica do Cache Creek. O lugar é bem pequeno, pelo menos a parte que nós visitamos. O Uriel insistiu na tese de que aquile sítio era uma ex-comuna hippie. O ambiente era todo zen. Os pequenos campos de lavanda, uma casinha simpática, uma green house, um pomar de frutas salpicado com mesinhas e bancos para picnic. No dia do festival vendia-se perfumes, produtos de beleza e culinário feitos com lavanda. E por quatro patacas você podia colher o seu próprio bouquet. Também vendia-se um pacote com pão, queijo e morangos para picnicar e havia a opção de comprar a caixa de vinhos produzidos no Capay Valley. Nos compramos o ranguinho, nos servimos da limonada e dos brownies com lavanda que eram gentileza da casa e nos sentamos numa mesa decorada com vaso de flores embaixo de uma macieira. Coloquei atenção especial nos detalhes zen que enfeitavam o pomar e nos ramos de lavanda secando na beira do riacho. Enquanto comíamos nosso lanchinho, escutamos a banda que tocava, uma mistura de new age com ritmos indianos. O rapaz que tocava a cítara parecia importado da India. E assim passamos umas horas muito agradáveis do sábado, visitando um perfumado campo de lavandas.

Calaveras Big Trees State Park

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Passear por este parque foi uma experiência fenomenal. O lugar é lindo, populado por pinheiros, sequoias, cedars, as famosas árvores vermelhas do norte. Muitas são imensas, largas e altíssimas. Muitas são antiquissimas. Algumas cairam sozinhas—uma delas provocou tamanho estrondo que muitos pensaram ser um terremoto acontecendo. Caminhar por essas árvores é uma experiência sensorial. As cores, as texturas, os cheiros. Me senti um pouco estranha por lá, pois de repente comecei a ter um bocado de raiva do ser humano que se mete em tudo e me vi como uma intrusa ali. Aquele não era o meu lugar, nem o de muitos outros campistas ou picniqueiros do feriado. Apesar do lugar estar muito bem cuidado, não se ver um lixo em nenhum canto, aquela floresta não era nossa, mas sim dos esquilos, das raposas, dos ursos, dos pica-paus, dos coiotes, dos veados, dos porco-espinhos.

Murphys - Calaveras county

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Murphys-Calaveras county
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Fazia um tempão que estávamos querendo visitar uma cidadezinha do tempo da corrida do ouro no pé da serra chamada Murphys. Esperamos o inverno terminar, pois tempo de chuva aqui, significa neve por lá e queríamos aproveitar a visita, caminhar, visitar as vinícolas. A primavera foi uma ótima escolha. Aproveitamos o feriado do Memorial Day e zarpamos. O lugar é muito charmoso, como todas as cidades da corrida do ouro, com a rua histórica, os bares, restaurantes, hotel antigo, lojinhas de antiguidades e modernidades e as vinícolas. Comemos em três restaurantes diferentes e achei tudo normal, nada excepcional. Já os vinhos que bebi, da região de Calaveras, foram todos ótimos. Posso dizer que gostei muito de tudo o que bebi e até trouxe uma garrafa de uma variedade que não conhecia—pinotage, uma mistura das uvas pinot noir e cinsaut. Murphys está localizada na parte central da Sierra Nevada, entre Lake Tahoe e o Yosemite National Park. Uma região linda com florestas, muitos rios e lagos. Subimos até o topo da montanha para ver o lago Alpine, que ainda estava congelado. Valeu a pena a viagem na estradinha cheia de curvas ladeada por pinheiros. E no dia seguinte fomos conhecer as Big Trees no Vale dos Ursos, que foi uma experiência fascinante. No caminho entre o parque das árvores e Murphys paramos numa casinha que vendia produtos feitos com maçã. Adoramos tanto, que paramos de novo na volta. Compramos cidra, geléias, tortinhas e donuts, tudo feito ali na hora pela família. Adoro fazer esses passeios bucólicos por essas cidadezinhas californianas, olhar lojinhas de antiguidades, beber vinho, descobrir lindezas da natureza, ziguezaguear por estradinhas e passar horas olhando para paisagens singelas. Mas o mais gostoso é poder fazer tudo isso com a melhor, a mais querida e a mais divertida das companhias—vocês sabem quem!

Theo chocolate — factory

Theo chocolate factoryTheo chocolate factory
Theo chocolate factory
Theo chocolate factory
Theo chocolate factory
Theo chocolate factoryTheo chocolate factory
Theo chocolate factory
Theo chocolate factory
Theo chocolate factoryTheo chocolate factory
Theo chocolate factoryTheo chocolate factory
Theo chocolate factory
Theo chocolate factoryTheo chocolate factory
Theo chocolate factory

A primeira surpresa aconteceu dentro do avião, quando abri um tablete daquele chocolate com erva-doce, figo e amêndoa que levei para comer durante a viagem. Já tinha visto o endereço da fábrica dos chocolates Theo, que eles imprimem em letras grandes na frente da embalagem—3400 Phinney, mas foi somente quando fui ler a lista de ingredientes na parte de trás que vi o endereço completo, que incluia a cidade—Seattle, WA.

—good lord, a fábrica dos chocolates Theo fica em Seattle!!!

Não foi um momento absolutamente auspicioso descobrir esse detalhe de localização, justamente quando eu estava voando de Sacramento para Seattle? Então coloquei uma visita à Theo imediatamente na minha lista de coisas para fazer e lugares para visitar na cidade. Ainda no light rail que nos levou do aeroporto para o hotel, já coloquei o endereço no google maps, pra ver a distância do hotel até a fábrica. Teríamos que pegar taxi ou ônibus. Ficou registrado.

A segunda surpresa aconteceu no domingo, quando combinamos de nos encontrar com a Bridget, irmã da Victoria. Ela nos levou primeiramente ao Fremont market, que ficava bem distante do nosso hotel. Andamos pelo mercado e ela perguntou o que gostaríamos de fazer a seguir. Eu disse, bem, você que mora aqui que decide, mas eu tinha na minha lista visitar uma fábrica de chocolate, você conhece o chocolate Theo? Ela respondeu, claro que conheço, vamos lá então! E atravessou a rua. Eu achei que estávamos voltando para o carro, mas a fábrica da Theo ficava exatamente do outro lado da rua onde estávamos!

—good lord, a fábrica dos chocolates Theo é aqui!!!

Num pequeno prédio de tijolinho, quase não dava pra identificar que aquilo era uma fábrica de chocolate. Entramos e colocamos nossos nomes numa lista de espera para o próximo tour, onde milagrosamente conseguimos entrar. Esses tours são muito populares e lotam rapidinho, por isso é recomendado que se faça reserva. Tivemos muita sorte. Enquanto aguardávamos nossa vez na sala de espera e loja, ficamos experimentando pedacinhos de chocolate, de todos os tipos, sabores, misturas, até que chegou a hora do tour.

A fábrica é bem pequena e emprega apenas setenta funcionários. Tudo é feito manualmente, desde a torrefação do cacau, a confecção dos bombons e caramelos, até a finalização com empacotamento e embalagens. Tivemos uma guia super simpática, cheia de energia, paixão e entusiasmo. Ela nos deu uma extensa aula de biologia, botânica, história, geografia e política. Eu já tinha tido uma aula parecida quando fiz o chocolate tasting na Ginger Elizabeth em Sacramento. Mas na Theo a aula é bem mais complexa, porque eles precisam esmiuçar e enfatizar a importância de se comprar o cacau orgânico e fair trade. A guia explicou que há muito trabalho escravo na produção do cacau, principalmente nos países da costa oeste da África. O chocolate da Theo não é mais gostoso por causa disso. Eles são deliciosos porque são muito bem feitos, com ingredientes de altissima qualidade. Mas saber que ninguém foi explorado no processo até você poder se deliciar com uma barra de chocolate faz a diferença para mim e para muitos outros como eu.

A fábrica estava parada no domingo, mesmo assim fomos envolvidos por uma nuvem calorosa e cheirosa de chocolate quando entramos nas instalações. Os visitantes durante a semana podem ver a fábrica em pleno funcionamento. Adorei visitar a cozinha, onde os deliciosos bombons e caramelos são preparados. É incrível que todo aquele chocolate é feito artesanalmente, até as embalagens decoradas por uma artista local.

Theo é a única empresa que faz chocolate com cacau orgânico e fair trade aqui nos EUA. A fábrica tem apenas 4 anos de existência e já coletou muitos prêmios. Chocolate puro, de alta qualidade, com um sério compromisso com a sustentabilidade ambiental e políticas sociais. Não tem como não ficar fã!

* A Megan Gordon do blog Bay Area Bites também fez a tour na Theo e escreveu um relato muito legal.

Tilth — Seattle

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Quando entramos no taxi e demos o endereço do restaurante para o motorista, ele imediatamente exclamou—ah, o lugar orgânico? Não tinha como errar depois dessa. Jantamos no sábado à noite no restaurante Tilth, que foi uma das excelentes dicas da minha nora Victoria. Ela disse que esse era o restaurante favorito dela em Seattle e por gostar de lá e ter me indicado o lugar, cheguei a duas conclusões: essa guria é da minha tribo e com menos de um ano de convivência ela já me conhece muitíssimo bem.

O Tilth tem uma proposta muito simples, que é bem comum aqui na Califórnia e portanto familiar para mim—cozinha orgânica com ingredientes sazonais e locais. Está instalado numa casinha bem pequena e antiga na região de Wallingford, uma área bem para o norte de downtown, onde estávamos hospedados. A Victoria nos aconselhou a fazer reserva, pois o lugar é pequeno, popular e está sempre lotado. Segui à risca os conselhos dela e não me arrependi. Chegamos uns minutos adiantados e ficamos esperando um pouco. Nesse meio tempo deu pra observar bem o lugar, uma casinha toda de madeira construida talvez dos anos 20 ou 30 e mantida na estrutura original.

No cardápio, só produtos de Washington com certificação orgânica do Oregon Tilth, uma organização que promove sustentabilidade e que segundo a Victoria é muito rigorosa, muito mais que a certificação fornecida pelo USDA [o departamento de agricultura dos EUA]. O restaurante estava lotado e tinha uma atmosfera muito aconchegante. O rapaz que nos serviu foi muito paciente e gentil, porque eu fiquei fazendo mil perguntinhas. Primeiro quis saber o que era um poussin, que se revelou ser apenas o nome francês do galeto. Perguntamos sobre outros ingredientes e sobre os vinhos. Para iniciar o jantar, recebemos uma entrada feita com um tipo de aspargo selvagem que cresce nas florestas de Washington. Eu pedi uma sopa especial feita com um matinho chamado nettle e decorada com alho verde, creme fraiche e pimenta cayenne. A cor da sopa era de um verde musgo indescritível. O Uriel pediu uma salada de alface, avelâ, erva-doce e um deviled egg. Nós pedimos o mesmo prato principal, de carne [sirloin] grelhada com salada frisée, vinagrete com lardon [um tipo de bacon] e um ovo cozido em sous vide [que eu não comi, vocês sabem por que, né?]. Bebi uma taça de vinho Va Piano Vineyards, ‘Bruno’s Blend V’, Columbia Valley, Washington 2006, feito com uvas orgânicas numa fazenda sustentável. A sobremesa demorou um pouco pra chegaer, mas foi o encerramento triunfal, simplesmente perfeito. Eu pedi um bolo de semolina com citrus acompanhado de um streusel de figo, grapefruit cristalizado e gremolata. E a do Uriel foi a campeã, um mousse de abacate com xarope de coentro e limão e um tipo de tuile de gengibre.

Uma coisa muito comum nesses restaurantes que servem produtos locais é colocar o nome do produtor ou da fazenda na descrição do prato no cardápio. Eu adoro saber que a avelã veio do produtor Holmquist e que a carne veio da fazenda Eel River, mas às vezes tudo isso causa um pouco de confusão e poluí o menu. Mas é tudo por uma boa causa, né?

Não há fotos, porque percebi que perdi o ânimo de carregar minha câmera comigo nos restaurantes e pagar mico tirando o trambolho de dentro da bolsa durante o jantar. Tentei tirar fotos com o iPhone, mas a luz era péssima, não deu. Decidi que vou comprar uma câmera point-and-shoot nova, discreta e compacta para levar comigo nessas ocasiões. A comida merece ser fotografada, mas eu também mereço jantar tranquila e aproveitar minha noite com o meu marido, sem ficar somente pensando em registrar tudo. Foi um jantar delicado e memorável, onde eu conheci ingredientes especiais de um outro estado norte-americano e por isso agradeci muito à Victoria pela recomendação desse restaurante tri-bacana.

the pig truck

maximus or minimum
maximus or minimummaximus or minimum
maximus or minimum
maximus or minimum

Estávamos rumando em direção à área do mercado para tomar nosso brunch de domingo e esperando o semáforo abrir para atravessar a rua, quando um porco metálico gigante passou por nós. Ficamos com aquelas caras de patzos, um olhando pro outro—você viu o que eu vi? era isso mesmo? um caminhão porco metálico? Rimos bastante, atravessamos a rua, fomos comer e esquecemos da lúdica visão.

Depois do brunch nos encontramos com a Bridget, irmã da Victoria, que mora em Seattle e que se ofereceu para nos levar para passear pela cidade. Ela nos levou ao Fremont market, uma feira de rua bem divertida e interessante, com muitas antiguidades, alguns artesanatos e alguma comida. Quando chegamos no final do mercado—SURPRISE! Reconhecemos o porcão de armadura estacionado e já servindo ao seu propósito. Ali vendia-se sanduiches de carne de porco e vegetarianos [irônico?] com um molho especial, que poderia vir nas opções maximus ou minimus. Não tive a idéia de perguntar se essa designação era para quantidade ou para apimentamento do molho. Não provamos os sandubas, pois tínhamos acabado de comer. Mas achamos a idéia toda muitíssimo divertida.

the spice & tea market

Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place Market
Pike Place Market
Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place Market
Pike Place Market

Essa lojinha de chás e especiarias fica na parte interna do Pike Place Market e foi recomendada pela minha nora, Victoria. Muito minúscula e abarrotada com todo e qualquer tempero e chá que você possa imaginar. O cheiro lá dentro era inebriante e te estimulava a comprar tudo! Ervas, temperos, chás, acessórios para fazer chá, bules, xícaras. Também tinha uma pequena amostra de cafés. A loja estava, obviamente, lotada e foi um malabarismo fazer fotos lá dentro. Nessas horas que eu vejo que há algumas vantagens em ser alta. Me espremi aqui e ali e mesmo asim não consegui pegar todos os detalhes que eu queria. Mas dá pra ter uma idéia. E os vendedores, eram outro caso especial. Estamos num sebo de discos de vinil? Ou numa loja de skates? Não tem nenhum hippie grisalho com camiseta tie-dye vendendo ervas nessa loja, é bom avisar!

a primeira loja da Starbucks

First StarbucksFirst Starbucks
First Starbucks
First Starbucks
First StarbucksFirst Starbucks

A primeira loja da Starbucks, fundada em 1971, está no centro do buxixo do Pike Place Market. Impossível ignorá-la e não dar uma entradinha pra ver o que é que há por lá. Na verdade não tem absolutamente nada de especial, é só mesmo um marco. Claro que você divaga no fato de uma micro lojinha que vendia café ter se tornado uma super mega marca e ter se espalhado pelo mundo, causando tanta histeria cafeinada. A loja original está instalada num prédio de 1911, que por fora tem cara de ter sido uma mercearia. Por dentro é aquela cara massificada de qualquer outro Starbucks, só que num espaço bem restrito, sem lugar pra mesas, cadeiras, sofás, lareiras. E uma fila ridículamente longa para comprar um café. Só passamos os olhos por tudo, eu fotografei como pude, na muvuca de outros turistas também dando seus cliques, e fomos embora. Uma coisa interessante que notamos é que no logo original da loja, a sereia está de torso nu, mostrando os seios. No logo atual ela ficou estilizada, com o cabelo cobrindo as partes nuas. Meio melancólico.

apples, peppers & irish dance

Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place Market
Pike Place Market
Pike Place Market

Nessa banquinha de frutas e legumes no Pike Place Market, os mocinhos ofereciam amostras de fatias de maçãs, cantarolavam canções tradicionais irlandesas e até davam umas rodopiadas dançantes com as freguesas. Essa foi a vibração super energizada e contagiante que senti por todo o mercado. Além da visão em profusão dessas feições célticas, que é explicada pela imensa imigração irlandesa em Seattle.

na temporada

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Ruibarbos—fresquinhos e lindos, à venda numa das várias bancas de frutas, legumes & verduras no Pike Place Market em Seattle.

[old fashioned] mini donuts

Pike Place Market
Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place Market
Pike Place Market
Pike Place Market

Um detalhe interessante que notei sobre o Pike Place Market, é que algumas coisas lá são mantidas no seu estilo original. Muitas modernidades contrastanto com o tradicional, como essa vendinha de mini donuts que parece ter saído de uma quermesse. O contraste está nos vendedores bem jovens e com um visual super grunge vendendo essas gostosuras. Adoramos a maquineta, que pinga as rodelinhas na esteira de óleo, depois frita pelos minutos exatos e joga os donuts já prontinhos para serem besuntados com chocolate ou polvilhados com açúcar numa bandeja. Esse acabamento é feito a mão. Você compra os mini donuts por dúzia, pois eles são bem pequenos e um só não faz nem cosquinhas.

Pike Place Market - Seattle

Pike Place Market
Pike Place Market
Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place Market
Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place Market
Pike Place Market
Pike Place MarketPike Place Market
Pike Place Market

Só porque o Uriel teve uma viagem de trabalho para dois lugares em Washington State, decidimos que eu iria encontrá-lo em Seattle e passaríamos a o final de semana por lá. Nossas viagem de passeio são normalmente determinadas pelos destinos das viagens de trabalho do meu marido. Essa cidade estava na minha lista de prioridades aqui nos EUA. Tão pertinho, mas nunca tivemos a oportunidade, ou criamos uma, para poder passear por lá. Demorou, mas finalmente consegui conhecer Seattle.

Recebemos muitas dicas legais da Victoria, namorada do Gabriel, que é de lá. Mas mesmo antes de ler a lista de recomendações dela, eu já sabia que teria que visitar o Pike Place Market, que é um dos pontos de maior interesse em Seattle. O mercado é mundialmente famoso e um dos maiores e melhores dos EUA. Foi criado 1909, o que para este far west americano, é realmente uma existência ancestral. E é absurdamente enorme, comporta muitos prédios, muitas ruas e vielas. Não conseguimos ver tudo, porque queríamos fazer outras mil coisas e o Uriel queria pegar a balsa para a ilha de Bainbridge, outro passeio recomendado por causa da paisagem.

O mercado é de tirar o fôlego. Estava abarrotado de tulipas, uma flor que tem produção massiva no estado de Washington. Muitas bancas de peixes e frutos do mar, obviamente. Tudo fresquinho, muitos vindos do Alaska, como o salmão selvagem—que era abundante, do fresco ao defumado. As bancas de pescadores e fazendeiros com muita gente jovem e energetica, artistas tocando música em todos os cantos, e muita, muita gente fazendo compras. Tomamos o café da manhã lá, numa lojinha gourmet de enlouquecer. Achei Seattle linda e uma cidade referência para visitantes foodies. Tive ótimas experiências lá, que vou ter que ir contando aos pouquinhos. A loja de ervas no mercado, a primeira loja da Starbucks, o restaurante orgânico, a tour na fábrica de chocolate, eteceterá, eteceterá!

Shenandoah valley

Shenandoah valley
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Passamos uma tarde deliciosa de sábado passeando pelas vinícolas do Shenandoah Valley, no condado de Amador. São muitas vinícolas pequenas onde às vezes o próprio dono te recebe na porta e te serve o vinho acompanhado de muitos dedos de prosa. Gostamos de sair do circuitão turistico do Napa/Sonoma e descobrir verdadeiras preciosidades encravadas em propriedades praticamente escondidas, com acesso por estradinhas de terra, curvas, curvas e mais curvas. Bebi muito vinho bom e saí um pouco da minha rotina de zinfandel, pinot noir, cabernet, merlot. Algumas das vinícolas produzem variedades de uvas italianas, que eu não conhecia. Outras tem as famosas barbera e tempranillo. Também gostei imensamente da adocicada orange muscat. Acho que aprendi um pouquinho mais sobre vinhos. Ou ao menos espero ter aprendido. Queremos agora explorar outras áreas menos afamadas, mas tão ricas e interessantes, como a região do condado de Calaveras, El Dorado, Lodi e a cidade de Clarksburg, que produz vinhos excelentes. E isso só por aqui no Central Valley, que é a região onde eu vivo. A Califórnia é muito mais que Napa e Sonoma. Só precisa pegar a estrada e sair com animação para explorar.

crepe com nutella

crepe com nutela
crepe com nutela
crepe com nutelacrepe com nutela
crepe com nutelacrepe com nutela
crepe com nutela
crepe com nutela

Passamos pela Portobello Road numa manhã gelada de sábado, que coincidiu ser também o muvucabólico boxing day. O mercado não estava muito cheio, deu pra perceber que faltavam alguns vendedores. Eu já saí de casa num mau humor miseráver, como às vezes me acontece, mesmo depois de sorver a bendita e enorme xícara de café com leite. O frio e o mau humor estavam de amargar, até que avistei uma barraquinha com uma mocinha fazendo crepes recheados com Nutella. Parei na hora. Não sou uma pessoa louca por Nutella, como parece ser dois terços da humanidade. Mas a perspectiva de comer aquele crepe fumegante com um recheio cremoso, me deu esperança de matar o mau humor ali mesmo e poder aproveitar o resto do dia. E assim foi. Dividi parte do crepe com a minha mãe e fui me sentindo mais animada a cada mordida. Continuamos nosso passeio sem mais tantos grunidos reclamões da minha parte.

Pensei que deve ser barbada fazer esses crepes em casa, na frigideira ou no griddle. Basta uma receita básica de massa de panqueca e um vidro de Nutella. Mas comer esses crepes em casa com certeza não vai ter a mesma graça que comê-los numa manhã fria de dezembro, matando o mau humor em plena Portobello Road.

Ladurée at Harrods

Ladurée at Harrods
Ladurée at HarrodsLadurée at Harrods
Ladurée at Harrods
Ladurée at Harrods
Ladurée at Harrods
Ladurée at Harrods

Inventamos de dar uma "passadinha" na loja Harrods no boxing day—o dia seguinte do Natal, que é quando tudo liquida. Toda a população local e turistica de Londres resolveu fazer o mesmo. Não teve condições. Além do que estávamos com os meus pais, que não têm mais aquela destreza e energia para abrir caminho na multidão. Chegou uma hora que jogamos a toalha e decidimos ir tomar um cházinho. Dentro da Harrods tem uma filial da doceria francesa Ladurée, então ficamos por ali. Não podia tirar fotos lá dentro, apesar que vi flashes pipocando galore. Eu fui discreta e registrei nosso chá com o celular.

The Borough Market

Borough Market
Borough Market
Borough MarketBorough Market
Borough MarketBorough Market
Borough Market
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Borough MarketBorough Market
Borough MarketBorough Market
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Borough Market
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Borough MarketBorough Market

No nosso primeiro sábado em Londres, fomos ao Borough Market pela manhã. Uns dias antes do Natal, aquilo estava uma muvuca indescritível. Mas mesmo assim, foi um dos melhores passeios que fiz naquela cidade nesta minha segunda visita. Meus pais tinham chegado do Brasil e o Uriel da India, então estávamos com a família quase completa, só faltando minha cunhada e minha outra sobrinha, que chegariam no domingo. Foi um esfoço manter todo mundo junto naquela multidão. Nos guiávamos pelo beret beige da minha mãe e pela touca vermelha do meu irmão, que é bem alto e bem visível. Conseguimos passear e comer muita coisa boa, até aportarmos numa cervejaria belga numa das saídas do mercado para almoçar. Adorei tudo o que vi e comi lá. Tomei vinho quente, sopa de cogumelos, pão de amêndoas, azeitonas, queijos, o Gabriel comeu um curry, que ele disse estar perfeito. Foi o melhor mercado de comida que já visitei. Super alegre e animado, apesar de tri-lotado.

um chá com a Valentina

chá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentinachá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentinachá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentinachá com Valentina
chá com Valentina

Marcamos de nos encontrar na saída do metrô em Notting Hill. Foi a primeira vez que fui me encontrar com uma amiga blogueira totalmente às cegas, pois apesar de conhecer a Valentina e o Trem Bom há anos, nunca tinha visto uma foto dela. Por alguns minutos fiquei lá parada com aquela expectativa estranha, olhando para cada rosto que se aproximava pensando, será ela? Mas quando ela chegou, sorridente e já de braços abertos para um abraço, não me surpreendi. A Valentina é exatamente o que ela nos passa pelo blog. Nem precisa mesmo de foto!

Fomos caminhando pela noite gelada pelas ruas de Notting Hill, conversando sem parar, até que encontramos um lugarzinho simpático para beber um chá. Eu não vou saber dizer onde fica exatamente, mas era uma loja, com coisas lindas de decoração, uma boutique de roupas no subsolo e um restaurantezinho no fundo da loja. Ainda não eram nem 6pm, apesar da escuridão, e portanto ainda poderiamos oficialmente pedir um chá da tarde.

A Valentina que me orientou nos pedidos, pois eu queria provar algo tradicional inglês. Pedimos então duas tortas—pra mim a banoffee pie com banana fresca e pra ela uma treacle tart com custard. Bebemos chá, of course, eu fui de hortelã fresco e a Valentina de lapsang souchon, um chá bem aromático, que ela mesma disse que não é todo mundo que gosta. Achei o aroma bem defumado, mas não provei.

Conversamos tanto, tanto, que até constrangimos o garçon. Fomos caminhando novamente pelas ruas de Notting Hill, paramos numa livraria para olhar livros de culinária e depois a Valentina me acompanhou até a minha estação, pra não ter perigo de eu pegar o lado errado da linha às nove da noite. Foi de uma delicadeza ímpar.

Tivemos um encontro de duas dinossauras da velha guarda dos blogs de culinária brasileiros. Já fizemos e vimos muita coisa e contínuamos firmes, ou quase. Esses são laços importantes, que eu gosto de preservar. Valentina, muito obrigada pela noite tão agradável! e espero um dia poder retribuir toda a sua gentileza, quando você for me visitar lá do outro lado do mundo!

Ottolenghi [take out]

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Precisava comprar os dois últimos presentinhos de natal, então fui até a High Street em Kensignton, um lugar que eu já conhecia bem. Aproveitei também pra dar um pulo numa das filiais do Ottolenghi que fica na rua de trás, a Holland Street. Cheguei lá verde de fome e já fui perguntando se eles serviam almoço. Infelizmente aquela loja só fazia take out, ou take away, como eles dizem aqui. Comprei toda comida que eu pude carregar—arroz iraniano com pistachos, saladas diversas, pãezinhos de queijo, bolinho de maracujá e torta de frutas. Perguntei se podia tirar fotos e o mocinho que me atendeu super gentilmente disse que não. Então me conformei só em olhar e fotografar de fora. Comprei o livro também e voltei pra casa carregada, com mais fome ainda e com uma apertamento daqueles de fazer xixi. Me atrapalhei na estação de metrô e peguei o trem pro sentido oposto. Esperei um tempão na estação pra pegar o trem de volta, desta vez no sentido certo. Quando cheguei em casa, meu irmão estava lá e devoramos juntos toda a comida, super fresca, super saborosa. Adoramos.

Partridges

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Se eu tivesse me programado para visitar esta sex-shop gourmet, talvez não tivesse dado tão certo. No meu caminho entre a King's Road e a Saatchi Gallery, lá estava ela toda convidativa. Entrei e fiquei zanzando pelos corredores. A loja é bem pequena, com uma lanchonete no fundo. Olhei e quis comprar quase tudo, mas a minha zuretice causada pelo jet lag me preveniu. Comprei porém umas mince pies tradicionais, que não gostei. A massa, feita com gordura de animal, foi um pouco demais para o meu paladar. Mas meu irmão, mais versado nas iguarias inglesas, traçou. Quero voltar nessa loja mais vezes e olhar tudo com mais tempo e atenção.

uma cozinha inglesa

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Os headquarters do Chucrute mudaram de continente temporariamente e estará transmitindo todas as programações festivas direto de Londres, UK. Chegamos com a neve. Mas já enchemos a geladeira de ingredientes para muitos rangos. Teremos um cozinheiro convidado, pois desta vez quem vai comandar as panelas é o Gabriel. Estamos na expectativa!

[nunca te vi, sempre te amei]

É possível que San Diego nunca entrasse na minha lista de cidades para visitar, caso minha amiga Brisa Carter não morasse lá. Temos conversado, conversas longas, já há muitos anos e embora estejamos separadas fisicamente por uma mera viagem de avião de uma hora de duraçao, nunca tivemos uma oportunidade de nos encontrar. Mas um dia a oportunidade finalmente apareceu, quando o Uriel me convidou para acompanhá-lo numa viagem para um congresso em San Diego. Fui sem nenhum plano ou expectativa de grandes turistagens pela cidade. Deixei tudo nas mãos da Bri.

San Diego
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San Diego

Foram quatro dias de conversas contínuas. Eu visitei a cidade sim, mas fomos fazendo as coisas enquanto batíamos aquele papo bom, completando todas as histórias que tivemos preguiça de contar por escrito. Um calorão absurdo engolfou a cidade e fizemos tudo sob um bafão úmido, que nos deixou suadas, descabeladas a amarfanhadas. Quem não viu, perdeu: as duas amigas matracas de chapelão e óculos escuros, saias molhadas de ficar sentadas por horas na grama orvalhada, bebendo vinho e água e tagarelando sem parar.

Achei San Diego linda, com muitas paisagens de cartão postal, praias de areia fofa, uma delas muito especial, onde os cachorros nadam. É uma cidade espalhada, com ruas largas, calçadas imensas, pouca sombra, mas muito bem cuidada, salpicada de esculturas de artistas locais, cheia de tradição e história.

Mas eu não vou escrever sobre a cidade, nem sobre os pontos turisticos ou paisagens lindas que vi. Quero escrever sobre nosso sábado à noite com Brisa e KC e de como nos arrumamos e combinamos de ir jantar fora, num restaurante italiano escolhido à dedo pelo KC. Sentamos no quintal, na companhia dos cachorros, bebericando drinks e engrenamos num bate-papo tão confortável e divertido que esquecemos da hora. Quando percebemos, os restaurantes já tinham fechado. Ainda tentamos pegar uma pizzaria aberta, mas não conseguimos. Decidiu-se então que o KC iria fazer um macarrãozinho e rumamos comprar alguns ingredientes. Antes paramos na praia de Ocean Beach, onde me encantei pelos muitos pontos iluminados pelas fogueiras de vários grupinhos fazendo luau. É tudo super mega organizado, as fogueiras são montadas num fire pit feito de concreto e não se pode fumar na praia. Mas o melhor ainda estava por vir. Tiramos os sapatos e fomos, pisando na areia macia, até a água. Eu nunca entrei nem nadei no oceano Pacífico, porque aqui no norte da Califórnia a água é tão absurdamente congelante que mal aguento mergulhar os pés. Se a água não dá caimbra, o vento faz doer os ouvidos. Praia aqui é pra ir de cachecol e casaco e ficar só apreciando a vista. Quando a onda na Ocean Beach finalmente alcançou meus pés, mal pude acreditar que aquela água agradável que refrescou meus dedinhos era a do Pacífico. Eu poderia nadar ali sem problema, como fazia uma menininha de maiô cor-de-rosa que pulava ondinhas bem ao nosso lado, naquela noite deliciosa de verão.

San Diego
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Com os pés croquetados pela água do mar e areia da praia, fomos ao supermercado pegar uma garrafa de licor Hpnotiq e alguns tomates frescos. Logo vi que não iria dar para vestir os sapatos, mas a Bri me tranquilizou—não tem problema, vamos descalças. Não me lembro qual foi a última vez que andei descalça pela rua, porque isso deve ter acontecido há muitos, muitos, muitos, muitos anos mesmo. Fizemos nossas compras, conversando e rindo pelos corredores do supermercado, com os pés descalços e ainda meio encroquetados. De todas as coisas que vi, senti, comi, bebi, de tudo o que fizemos, esse vai ser o momento da minha viagem a San Diego que vou guardar para sempre na minha caixinha em forma de coração: andar descalça com a Brisa, depois de pisar na areia e lavar os pés na água do mar.

com Maria e Franco, em Milão

jantar com Maria
jantar com Mariajantar com Maria
jantar com Maria
jantar com Mariajantar com Maria
jantar com Maria
jantar com Mariajantar com Maria
jantar com Maria
jantar com Mariajantar com Maria
jantar com Mariajantar com Maria
jantar com Mariajantar com Maria

Milão foi somente a nossa porta de entrada na Itália. Não planejamos ficar por lá, pois estávamos numa missão especial, que nos levaria à Veneza, Treviso e finalmente à San Zenone degli Ezzelini, a cidade de origem da família do meu marido. Mas o pouco tempo que tivemos em Milão foi precioso. Fomos recebidos pela Maria e Franco, que nos pegaram no aeroporto, nos levaram até o hotel e a Maria nos guiou num rolê à pé pelo centro da cidade. A Maria me deu tantas dicas—algumas nos salvaram de entrar no conto do turista. Nos ajudou a comprar as passagens de trem para Veneza, nos informou de todos os micro-detalhes de muita coisa que não tínhamos a menor idéia. Também fomos recepcionados com um jantar que foi sem dúvida o ponto alto da nossa visita à Itália. Não só pela comida deliciosa preparada pela Maria, mas também pelo papo super divertido que tivempos durante o jantar!

A Maria é leitora do Chucrute de muito tempo—mais tempo do que eu imaginava. Quando eu respondi a um comentário dela, ela fez uma coisa muito legal, que nem todo mundo pensa em fazer: ela se apresentou pra mim. Contou um pouco dela, da sua história, onde vivia, e tals. Eu me identifiquei com muito do que ela me contou. Quando o Uriel me falou que iríamos dar um pulo na Itália, avisei a Maria, para que pudessemos nos encontrar. Mas não imaginei a recepção que ela iria nos oferecer. Foi aconchegante, foi divertido, foi delicioso!

O jantar, todo composto de iguarias italianas, foi fantástico. Tive que pedir pra Maria me mandar o menu por escrito, pois no dia não memorizei muitos detalhes.

De entrada tivemos prosciuto di parma, copa e salame di culatello, o maravilhoso parmigiano reggiano, servidos com pãezinhos fresquinhos, um enrolado com azeitonas que adoramos, e taças de prosecco.

Os pratos principais foram ravioli de berinjela com molho de pimentão vermelho, que estava divino [já pedi a receita do molho e vou reproduzir em breve!], carciofi trifolati [alcachofras preparadas com alho, salsinha e oleo oliva extra virgem], piimentões amarelos recheado com farinha de rosca, alho, salsinha, azeitonas, alici, alcaparras [muito parecido com a receita da minha tia Dirce] e uma torta de batatas e tartufo nero recheada de queijo castelmagno. Tudo isso regado com um vinho tinto maravilhoso, que o Franco deixou arejando por algumas horas. A Maria vai ter que dizer que vinho era, pois eu esqueci.

De sobremesa tivemos doces com massa de amêndoas e pistachios, tacinhas de um moscato licoroso e laranjas vermelhas da Sicilia, que foi para mim o encerramento com chave de ouro do jantar. Fiquei realmente encantada com o hábito de se servir frutas como sobremesa nos restaurantes da Espanha e Itália, coisa que aqui simplesmente não existe, apesar de termos tantas frutas frescas excepcionais. Fazemos isso em casa, porque pra mim, fruta é sobremesa.

Depois dessa comilança pantagruélica, a Maria e o Franco nos levaram de volta ao hotel, onde dormimos o sono dos anjos. Maria e Franco, nunca vou conseguir agradecer o suficiente pela gentileza, cuidado, carinho, amizade, sorrisos, hospitalidade e generosidade. Grazie mille, amici!

»o Edu Luz foi outro felizardo que recebeu a recepção da Maria em Milão, com mais tempo para aproveitar a companhia dela e a cidade.

é claro que comemos!

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Pizza na Itália

mercado de abastos

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Em Sevilla visitei o mercado de abastos de Triana. Ele é no mesmo estilo do mercadão de Campinas, porém um pouco menor e tinha muitas lojas fechadas naquele dia. Uma senhorazinha que estava comprando peixes me disse que o movimento é mesmo aos sábados, quando todas as lojas abrem e o povo baixa no mercado para as compras da semana. Lá se vende frutas, legumes e hortaliças, peixes, frutos do mar, carnes, aves, ovos, queijos, embutidos, grãos, latarias, pães e bolachas, roupas, sapatos, eteceterá. Não me surpreendi com muita coisa, somente com a variedade de peixes e frutos do mar e com a visão chocante da cabeça do boi pendurada na parede do açougue e as aves ainda com penas e os coelhinhos com pele e tudo pendurados num gancho da venda de aves... Mais fotos AQUI.

back to my sweet home

Carro, avião, avião, trem, carro, ônibus, trem, trem, taxi, carro, trem, taxi, avião, carro, taxi, trem, barco, barco, carro, trem, ônibus, avião, taxi, taxi, avião, avião, carro.

Acho que nunca fiz uma viagem que envolveu tantos meios de transportes diferentes. Desta vez só faltou andar de bonde, de carroça e no lombo do camelo. Pra quem detesta ficar confinada em ambientes fechados, foi um festival de lamúrias. Mas em duas semanas visitamos dois países lindos e conhecemos sete cidades. Adorei a Espanha e preciso voltar à Itália, por onde passeamos meio desorganizadamente. O roteiro na Itália foi na verdade uma excursão pessoal do meu marido, buscando pelo ponto de partida, o local de origem da sua família.

O jet lag me derruba sempre na volta, quando regressamos nas horas. E ainda peguei uma gripe, com certeza dentro de um dos aviões que me carregou de lá pra acolá. Hoje estou na bolha, mas amanhã recomeça a minha rotinazinha, com a adição de que fui convocada para servir como jurada na Superior Court of California do meu condado.

Ainda tenho muitas fotos e histórias da viagem. Mas logo voltaremos à programação normal.

La Paella

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[e ainda na Espanha...]
Pensaram que eu ia sair da Espanha sem provar uma paella, hein? Oh—no! Combinei de jantar com nossos amigos, mas no meu portunhol miseraver, hablando por teléfono, não saquei que era almoço e não jantar. Segundo a tradição, come-se paella normalmente para o almoço, por ela ser um prato pesado e indutor de siestas. Mas nos comemos num quase jantar, pois estavamos em Granada e viemos dirigindo alegremente e tranquilamente sem pressa, achando que estávamos no horário. Mas estavam todos nos esperando já no restaurante. Big bafão! Mas fomos perdoados e a paella estava deliciosa. Era uma de pescados, com peixe, frango, merluza e camarões gigantes. Essa paella leva duas horas pra ficar pronta e é cozida numa forma funda de barro, onde é servida. Eu adorei o sabor do arroz e comi o peixe e o frango. Mas esses bichos com olhos, eu coloquei elegantemente e disfarçadamente de lado. Ninguém reparou, porque a conversa estava animada, regada a sangria e tudo mais.

churros y cortado

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[ainda na Espanha...]
Em Granada corri para poder experimentar os churros, mas o restaurante não estava mais fritando nenhum, porque já era hora de servir o almoço. Mas o garçon foi com a minha cara e me deu uns de brinde, que ajudaram a matar as lombrigas. Olhei pro panelão de óleo onde os churros são fritos e pensei que não era possível que aquilo fosse azeite, mas ERA! Segundo minha amiga Angela, na Espanha frita-se tudo com azeite. Pudera! O cortado é uma dose de um café forte diluído com um pingo de leite.

Bodega Las Mercedes, Montilla

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[ainda na Espanha...]
Na tarde de domingo visitamos uma bodega [vinícola] na cidade de Montilla, nos arredores de Córdoba. Os vinhos são bem interessantes. Eles fazem um vinho verde, com as uvas imaturas, muito parecido com o português. E também fazem o Pedro Ximenez, que é um vinho no estilo do Porto. Eu comprei o vinho e o vinagre feito com esse vinho. Eles também fazem o vinho branco Fino, que todos os andaluzes bebem durante a tarde acompanhando os tapas. É um vinho bem seco. Outro é o Amontillado, que achei seco demais e forte demais, quase um brandy. E o Oleroso, que é mais adocicado, muito saboroso. A bodega era muito bonita e bem cuidada, apesar de pequena. O guia, señor Francisco, foi muito gentil e atencioso, contou piadas, que eu e o Uriel rimos fingindo que entendíamos tudo! ha ha ha! Os barris são feitos de carvalho americano—informacao que nos deixou de boca aberta—e muitos têm mais de cem anos. O señor Francisco nos deu uma prova da primeira etapa da fermentação do vinho, que ficam numas caçambas enormes de barro. É bem gostoso. Mas o legal foi ver ele tirar o liquiido do fundo do pote com um apetrecho especial com uma haste compridona e por o vinho nos copinhos com um movimento bem habilidoso, fazendo o liquido voar no ar, de um copo para o outro.

Óleo Cultura

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[ainda na Espanha...]
No último dia em Córdoba fomos almoçar com todos os nossos amigos no Restaurante Óleo e Cultura, que fica na pequena cidade de Castro del Rio, instalado num antigo moinho de azeite. A comida estava impecável. De entrada tivemos umas tostaditas com fatias finérrimas de bacalhau, outras com pimentão vermelho e berinjela, mais pão fresco com azeite orgânico para molhar, croquetas de bacalao e o delicioso salmorejo, que é uma sopa de tomates do outro mundo. De prato principal eu pedi um bacalau que veio misturado com ovos, cebolas e batatas, como num mexido, feito com muito azeite. O Uriel pediu um peixe espada. De sobremesa eu pedi fatias de laranjas regadas com mel. Adorei essa opção de pedir fruta fresca como sobremesa.

Nas estradas que percorremos na Espanha—de Madrid a Córdoba, depois até Sevilla, até Granada e nas redondesas de Córdoba, só o que se vê são oliveirais. Árvores de azeitonas a perder de vista. Fiquei com a impressão que o país é todo coberto de oliveiras. Disso para o paraiso, falta pouco!

oggi in Italia

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la bella Venezia

Estamos num pinga-pinga pela Itália. Visitamos Milão [grazie mille, Maria!], Veneza e agora estamos em Treviso. Em breve voltaremos para casa, o que já está me parecendo uma ótima idéia.

La Antigua Bodeguita

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Mais tapas, desta vez em Sevilla. O Sergio nos recomendou comer nas tabernas da praça onde se comem tapas em pé, em mesas altas sem banco, com apenas uma prateleirinha para se colocar bolsas. Às 3pm a taberna estava lotada de gente bebendo vinho e cerveja e comendo os tapas. Nós despirocamos na comilança—eu queria provar TUDO! Você ia até o balcão do minúsculo estabelecimento e pedia bebida e tapas, carregava tudo lá pra fora. Eu bebi um vinho branco e depois um tinto de verano. Comemos as gigantescas azeitonas sevillanas, bacalhau frito e com molho de tomate, atum, tortillas de camarão, bocadillos de bacalhau e queijo manchefo. O pessoal que estava com a gente [um cara da fazenda das azeitonas da Califórnia e a sobrinha dele] pediram camarões gigantes [gambas], presunto ibérico, lombo de porco e mais bacalhau. Comemos muito e depois fomos fazer a digestão visitando a magnifica catedral de Sevilla.

tostada con tomate

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Um dos tíipicos desayunos andaluz, um café con leche e uma tostada con tomate. O pão torrado é acompanhado da polpa de tomate cru. Para comer espalha-se o tomate pelo pão e rega-se com bastante azeite e sal, se quiser. Uma delícia de café da manhã, que vou replicar em Davis com certeza, quando chegar o verão.

Tetería del Hammam

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No meu primeiro dia em Córdoba, camelei como uma condenada, me perdi, nem vou contar as trapalhices, que são típicas de turista em país estrangeiro. Ainda estava tentando me localizar—depois de ter entrado numa avenida enorme, sem volta para as ruazinhas e que acabou desembocando numa outra avenidona, o que me causou um quase pânico—quando reentrei novamente na parte histórica da cidade pelo bairro judeu e vi que estava passando em frente dos banhos árabes, o único lugar de Córdoba que eu tinha lido à respeito antes de viajar. Para experienciar os banhos, que simulam os rituais de limpeza feitos pelos califas nos magnificamente engenhados banheiros [que pode-se visitar as ruinas], precisa ter hora marcadas, mas para o restaurante e casa de chá ao lado dos banhos, é só entrar. E eu entrei, completamente exausta e descabelada, e pedi por um almoço. Passei pela sala dos chás e fui levada às mesas do restaurante, num ambiente lindo e relaxante. Levei um tempão pra escolher o que comer, pois tudo me parecia delicioso. Como tinha enfrentado uma camelagem homérica sob um solão de trinta e um graus, resolvi pedir coisas frias. Pedi uma salada de alface fresquissima com pinoles, nozes, passas, cubos de maçã verde e ameixa seca, temperada com um molho de mel e amêndoas. E depois pedi o salmorejo cordobês, um prato típico local, que é uma sopa fria de tomate estilo gazpacho salpicada com presunto ibérico em cubinhos e fatias de ovos cozidos. De entrada vieram azeitonas temperadas com os pimientos ahumados, que eu não conseguia parar de comer, e um pãozinho árabe quentinho e crocante. Para refrescar a moringa, bebi uma limonada com hortelã que estava perfeita—gelada, cítrica e mentolada no ponto, sem estar muito doce. Eu adorei tudo o que pedi e comi com gosto. Mas a sopa de tomate foi uma surpresa deliciosa. Tive um surto de alegria quando sorvi a primeira colherada. Minha busca pela sopa de tomate perfeita terminou naquela segunda-feira, no salão de almoço do restaurante e tetería del Hammam, na cidade de Córdoba.

as laranjas

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Se eu não estivesse tão cansada das minhas longas camelanças sob o impiedoso sol mediterrâneo, iria ficar rabiscando mil e dois adjetivos para descrever essas laranjas—que se chamam naranjos e não são comestíveis cruas, por serem amargas. Elas ficam boas somente cozidas em forma de marmelade ou como parte de receitas. Córdoba e Sevilla têm essas laranjeiras por toda a parte, é uma coisa impressionante, pois elas são praticamente onipresentes. Para mim elas são a epítome da beleza e muito mais originais do que qualquer outra planta ornamental. Também se vê muitas árvores de limão amarelo, mas as laranjas dominam. Eu dei muita sorte de chegar no inicio da primavera, quando elas começam a florir e impregnam a cidade com o cheiro delicioso da flor da laranjeira.

en la casa de Sergio & Esther

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Nossos anfitriões aqui na Espanha nos prepararam um jantarzinho com tapas bem tarde da noite. O orgulho da gastronomia espanhola é esse presunto ibérico. Segundo o Sérgio, o porco vive uma vida maravilhosa, comendo somente nozes e se refastelando ao sol. O pernil leva 18 meses de preparação e descanso, até poder ser consumido. Em todo canto se vê esse apetrecho de apoiar o presunto, que é cortado em fatias finíssimas com uma super faca afiada e por mãos habilidosas. Achei tudo muito bacana, mesmo frente àquela visão tenebrosa da pernoca com casco e tudo sendo dissecada. Só me assustei mesmo quando vi o ossão que sobra quanto de consome toda a carne—té-tri-co! Os espanhóis amam esse presunto, mas eu achei muito forte. Preferi comer a tortllla de patatas, os pimientos com atún, as croquetas de cosido, o queso manchego e as maravilhosas acetunas. O Sérgio também preparou um delicioso peixe grelhado, temperado somente com sal e o azeite especial feito pelo irmão dele. Bebemos um vinho branco andaluz.

El Jamón Ibérico

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Orgulho da cultura gastronômica espanhola.

los dulces

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Todos já devem saber que eu não sou a maior fanzoca dos dulces e que dou preferência para os que têm fruita. Por isso, entre as inúmeras opções açúcarada oferecidas pela padaria San Pedro, escolhi um recheado com doce de cidra, que não consegui terminar de comer. Bebi um chá de menta. O Uriel comeu um doce com maçãs, que ele elogiou por não estar muito doce, e bebeu um café con leche. Os outros comeram diversos tipos de tortas e bolos. Ninguém quis o flan, nem a crema catalana.

La Cazuela de la Espartería

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No dia em que chegamos, fomos comer tapas numa taberna típica de Córdoba com nossos amigos. São dezenas de tapas, eu não iria saber escolher, um por não saber o que era o que, e dois por estar uma zumbi depois de tantas horas de viagem—entra em avião, sai de avião, aquela via crucis de sempre pra gente viajar do fim do mundo [Califórnia] até o planeta Terra. Tudo o que comemos estava uma delícia. Era quase tudo fritura—talvez por isso tão delicia! Só não comi um tapa de lula, porque não gosto desses bichos do mar. Mas o resto eu comi tudo—berinjela frita, peixe frito, croquetes de carne, um enrolado com presunto que parecia uma alheira portuguesa, um salmão com molho bechamel e berinjelas, que a primeira vista pode parecer uma mistura esdrúxula, mas é uma delicia. Eu bebi um vinho branco frutado delicioso que o Sérgio escolheu pra mim e depois fui na indicação da Esther e bebi um tinto de verano, que é vinho tinto misturado com soda de limao, que eu adorei e vou fazer em casa. A taberna fica cheia, todo mundo mandando bala nos tapas, sentados ou em pé, em bancadas. A Angela me contou que por causa das tabernas os espanhóis são considerados o segundo povo mais barulhento do mundo, perdendo o primeiro lugar para os japoneses e seus divertidos karaokês. Realmente, estava animado. O Uriel ainda pediu um azeite pra gente molhar o pão. Tudo estava uma delícia. Depois dessa verdadeira comilança, fomos a uma padaria comer doces! Aguardem o próximo capítulo.

hola de España!

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Chegamos em Madrid no domingo e pegamos o trem bala para Córdoba, onde fomos recebidos pelos nossos amigos espanhóis, que nos levaram para uma farra da tapas e vinhos. Hoje o Uriel vai trabalhar e eu vou sair pela cidade. Estamos nos alojamentos da Universidade de Córdoba. Estou encantada com as árvores carregadas de laranjas que enfeitam as ruas da cidade.

Imperial Hotel

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Para compensar o show de horrores que foi o nosso almoço no buteco da Susan, tivemos um jantar delicioso e elegante no Imperial Hotel em Amador City. A minúscula cidade de 150 habitantes abriga um restaurante realmente impressionável, pela qualidade da comida e serviço. O prédio construído em 1879 era um hotel para os mineiros, que infestavam a região durante a corrida do ouro. Hoje restaurado, o local ainda oferece hospedagem com seis quartos na parte de cima e o restaurante no andar de baixo. Tudo muito lindo, sem exageros, decoração e luz delicada, eu e o Uriel ríamos como bobos alegres, comparando as duas experiências do dia.

De entrada o Uriel pediu em roasted garlic and warm brie with olives, mixed greens and baguette, que foi o único prato que eu fotografei. Eu pedi uma salada com organic baby romaine with parmesan, crostini and creamy lemon dressing que estava leve e saborosa. Depois o Uriel foi de penne pasta with artichoke hearts and sun roasted tomatoes in a light cream sauce e eu de pork chop chili-rubbed pork chop with mango wine sauce served with basmati rice. Eu bebi um blend muito saboroso de uma vinícola que a garçonete disse ficar just across the street. A sobremesa foi cheesecake de café para o Uriel e bolo de maçã com calvados e sorvete de baunilha pra mim. O sorvete era feito em casa, nada de lata, nada de pacote, nada de vidro, nada semi-pronto e processado. Ufaaaa!

desperately forgetting Susan

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Eu detesto escrever pra esculhambar, mas muitas vezes é impossível evitar. E a Susan pediu pra levar chibatadas. Desculpa, Susan, mas você merece todas as palavras duras e todo o escracho, sinto muito.

Chegamos em Sutter Creek já passado do horário do almoço. Caminhamos pela rua principal até o information center, onde pegamos folhetos e conversamos com uma senhora que nos deu algumas dicas de visitas às minas, que era o passeio que o Uriel estava doido pra fazer. Sutter Creek e Jackson são as cidades principais naquela área do condado de Amador, que é famoso pela intensa corrida do ouro que trouxe gente à beça para a Califórnia em 1849.

Olhamos o panfleto dos restaurantes e enquanto eu fui encaroçar numa lojinha de antiguidades, o Uriel ficou analisando as possibilidades. Finalmente decidimos que deveríamos tentar um lugar chamado Susan's Place, que servia Mediterranean/California cuisine. Ficamos animados. O restaurante fica num beco bem charmoso, numa construção antiga que nos pareceu ser um pequeno hotel. A entrada, apesar de emperequetada demais pro meu gosto, não nos assustou. Muitos comensais almoçavam no páteo, mas fomos levados para uma das partes internas do restaurante. Sentamos e fomos muito bem atendidos por uma garçonete gentil que me trouxe diversos samples de vinho até eu decidir por um Zinfandel da região. O condado do Amador tem muitas vinícolas e produz vinho de excelente qualidade. Eu quis beber o vinho da região. O Zinfandel não decepcionou. Mas o resto.....

Quando olhamos o cardápio percebemos que o rango californiano mediterrâneo era bem fraquinho. Pedimos juntos uma entrada de bruschettas, eu uma saladona e o Uriel um prato com frango. Dai começamos a observar a decoração do lugar. Sintetizando, tudo ali era OVER THE TOP. Muita luzinha, muitas plantas e flores falsas, um guarda-sol em cada mesa na parte interna, uma cafonice total com cortininha, abajour e livros antigos—realmente, um restaurante-biblioteca com livros de matemática de 1942 era tudo o que queríamos da vida. Havia também muitos quadros cafonildos nas paredes pintadas de roxo-lilás. As portas eram também pintadas de roxo e deu logo pra perceber que a Susan tinha uma preferência exagerada por essa cor, que abundava por todo o restaurante, entremeada pelo verde e o dourado, numa mistura extremamente cansativa. Pra completar, a cereja no topo do bolo, o fundo musical tocando no restaurante era música de elevador cantada, tipo Berry Manilow. Eu já estava quase chorando de arrependimento e antecipando o pior quando a comida chegou...

A bruschetta veio quente e com uma camada de pesto por cima da torrada. Comemos meio assim, achando que aquilo era muita invencionice e já começamos a ficar preocupados com o que viria dali pra frente. O prato do Uriel era uma coisa indecífravel. Eu perguntei umas dez vezes—mas você não pediu frango? Porque o que víamos ali era uma carne moída muito estranha por cima de um arroz, uma visão tenebrosa. A cara do Uriel demonstrava um horrível descontentamento. E a minha salada era a coisa mais buffet do Fresh Choice que eu já vi na vida! Tudo sem graça e coroado com muitas azeitonas DE LATA! Azeitona de lata é o fundo do poço, o fim da picada da baixa qualidade e total ausência de sabor. Fiquei revoltada, só conseguia balbuciar inconformada—AZEITONA DE LATA, AZEITONA DE LATA, AZEITONA DE LATA! E o molho da salada era ardido de tanto alho, daquele que deixa um gosto ruim na boca por 48 horas. Tudo horrípilesco, grotesco, monstruoso, pra combinar com a decoração. Só salvou-se o vinho e a delicadeza da garçonete, que no final me levou até a adega do restaurante para eu ver a garrafa do vinho que havia bebido. Lá estava, debruçada no balcão do bar, a Susan, uma loiraça de meia idade com um suéter beige de cashmere. Au revoir, Susan! Só queremos desesperadamente te esquecer.

Duarte's Tavern

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Depois de colher os morangos na Swanton Berry Farm o GPS nos levou até Pescadero para um almoço na Duarte's Tavern. Chegamos na minúscula cidade e fomos direto para o restaurante, que estava lotado, com muita gente esperando na porta. Colocamos o nosso nome na lista de espera e recebemos o aviso de que teríamos que esperar por 45 minutos. Achei que valeria a pena e para passar o tempo fomos visitar as lojinhas de antiguidades e de artes da rua principal da cidade. A história do restaurante é interessante e começou em 1894 quando o patriarca Frank Duarte trouxe um barril de whiskey de Santa Cruz até Pescadero e vendia as doses em cima do balcão do bar, que ainda é o mesmo. A família Duarte tem tocado o local desde então. Hoje eles têm muitos funcionários, mas os membros da família continuam trabalhando lá. Vimos alguns deles, apressados, servindo pratos, conversando com os comensais.

Nós sentamos no balcão, o que nos poupou alguns minutos de espera. Eu confesso que adoro sentar nos balcões de restaurante! Acho o atendimento mais cuidadoso, não sei o que é. No Duarte's não foi diferente. Eu levei um tempão pra decidir o que pedir, pois as opções eram imensas, com muito peixe e frutos do mar. Acabei optando por uma sopa de chili verde, que pedi com um pouco de medo, pois as pimentas ainda me assustam. A sopa acabou sendo a melhor escolha, um creme suave e delicado, com uma deliciosa surpresa picante no final. Também pedi um sanduíche de caranguejo, que estava recheadão de carne macia e bem temperada. O Uriel pediu um ravioli de alcachofra. Os pratos com alcachofra são a assinatura do restaurante. Muita gente pedia a sopa de alcachofra, que é bem famosa. Eu bebi um vinho espumante da Mumm Napa, que veio na garrafinha super charmosa. Até o pão estava especial, vindo semi-assado da padaria da outra esquina e terminado de assar nos fornos do restaurante, chegou à mesa quentinho e crocante. De sobremesa dividimos uma torta de morango com ruibarbo que chegou quentinha e derretia na boca. O restaurante é bem simples, mas a comida é de primeira, como também o atendimento extremamente simpático. Saímos de Pescadero felizes da vida e rumamos para Half Moon Bay pela Highway 1, que tem uma das mais belas paisagens daqui do norte da Califórnia.

swanton berry farm

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Em junho de 2004 nós dirigíamos pela Highway 1 na costa do norte da Califórnia, procurando pela casa do Neil Young, quando passamos em frente dessa fazenda de morangos orgânicos. Na época, ficamos encantados com os produtos que consumimos lá e com a filosofia do lugar, que além das técnicas de produção sem agrotóxicos, ainda não usa mão de obra ilegal, todos os trabalhadores têm beneficios e salários justos. Eles também usam o sistema da confiança [honor till] na lojinha, que vem funcionando muito bem por anos e anos. Você pega o que quer e paga, pega o troco, ninguém confere nada. Fomos lá desta vez para fazer o u-pick, isto é, colher os morangos nós mesmos. O preço é três dólares por cestinha, pegamos três cestinhas, jogamos uma nota de vinte na caixa, pegamos onze em notas de um de volta.

A taberna da Adelia

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Em Nazaré, depois de passearmos pela linda praia, onde as criancas cataram pedras e conchinhas e o Fausto tomou um caldo, voltávamos para o estacionamento quando eu vi esse restaurante. Ele estava fechado, mas eu colei a minha cara nos vidros e fiquei simplesmente encantada com o que vi lá dentro. A oportunidade de registro era única. Micos à parte, o que importa é que fotografei o restaurante, que agora vai ficar gravado para sempre na minha memória, para no futuro, quem sabe, eu poder voltar à Narazé e jantar na Taberna da Adelia.

Pelo que me contaram da história de Nazaré, com sua população de pescadores vestidos de camisa xadrez e touca de meia de lã e as mulheres com as saias curtas—certamente para poder entrar na água e ajudar os maridos com mais destreza, a Taberna da Adelia reproduz todos esses simbolos da cidade. Com as cadeiras forradas de tecido xadrez, a foto da própria Adelia vestida a carater e todos os micro-detalhes das louças e tachos de metal. Um chame de lugar, onde eu não comi, mas isso realmente não importa.

fui ao Continente

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Para não quebrar a minha tradição de dar um pulinho no supermercado local dos paises que eu visito, em Portugal eu tive que ir ao Continente. Primeiro fomos ao pequeno Inter Marché perto da casa dos pais do Luis em Granja do Ulmeiro. Depois fomos ao Continente em Coimbra, porque esse é o supermercado bacanérrimo do pedaço, que todos elogiaram, o paraíso do consumo. O Continente é um hipermercado nos moldes do Carrefour. Um lugar para se passar muitas horas encaroçando pelos corredores e prateleiras. Eu adorei ver os produtos, principalmente os frescos que vem de diferentes lugares da Europa, Ásia, Africa e até do Brasil, como é o caso da cana. Na Europa fico sempre encantada com a seção de queijos e iogurtes. No Continente, parei na frente dos azeites e dos vinhos também. Não só parei pra olhar, mas também pra fotografar, para o total desespero do meu cunhado, que caminhava a metros de distância na minha frente tentando fingir que não me conhecia. Micos galore! Pobre Luis! Mas eu não poderia perder a oportunidade de registrar o meu passeio ao Continente. Pois sim, visitar supermercados estrangeiros é passeio pra mim! Pena que as maledetas companhia aéreas impõem limite de peso à bagagem, senão eu teria feito uma bela de uma compra, mesmo correndo o risco de ficar parecendo uma farofeira das boas, carregando postas de bacalhau e sacolas de comida dentro do avião.

Pinhas de Montemor

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Em Montemor, depois de visitar o castelo, paramos no centro do pequeno povoado para achar uma máquina de banco para retirar dinheiro e ficamos com sede. Entramos num restaurante de esquina para comprar água e eu vi esses doces em forma de pinhas na vitrine. Eles têm uma casquinha feita com uma massa que parecia de milho e o recheio parecia ser feito de ovos. Não perguntei se havia pinhas no doce ou era só o formato. De qualquer maneira eu gostei, pois esse é daqueles doces não muito doces. Bebemos a água gaseificada natural Pedras Salgadas, que é a favorita da minha irmã.

food for humans

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Não consigo lembrar o nome da cidade, mas quando entramos na rua principal e eu vi a placa indicando as direções para chegar no Food for Humans, fiquei entusiasmada, querendo saber se era um restaurante. Precisei ir conhecer esse lugar com um nome tão criativo. Seguimos as placas e estacionamos numa ruazinha, onde ficava uma linda casinha onde funcionava um mini-co-op. Fiquei encantada. Enquanto o Uriel ficou no carro analisando o mapa, eu subi as escadinhas e entrei no improvisado supermercado, que logo na entrada vendia cerâmicas lindas. Caminhei pelos corredores cheirando a especiarias e saí de lá feliz, mesmo não tendo comprado nada, somente pela experiência de ter estado num lugar batizado de Food for Humans.

No minuto em que vi as placas, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi de como é importante ser criativo e diferente quando colocamos nomes nas coisas. Onde você escolheria almoçar ou fazer compras—no Cindy's Place ou Susy's Market ou no Food for Humans? A minha escolha vocês já sabem.

Marizé comprou mais um tacho

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em Coimbra

Oliveira Pastelaria

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Adorei as pastelarias de Portugal, com seus doces típicos e outras tantas mil gostosuras. Visitamos muitas, em Lisboa, Coimbra, Sintra e pelo caminho. Nesta, na cidade de Batalha, provamos uns doces típicos feitos com amêndoas. Todos muito bons!

um encontro em Coimbra

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Minha condição dinossaurica de dezesseis anos como usuária da internet e de oito anos como blogueira endossam essa minha mania de encontros. Não é de hoje que eu tenho esse impulso de conhecer pessoalmente os amigos das convivências virtuais. A maioria dos meus encontros foram frutiferos e geraram amizades duradouras e bacanas. Sempre há os casos de falta de conexão ou de pessoas que não têm mesmo nada a ver com você, mas esses são minoria, felizmente!

Aqui em Coimbra, assim como em Lisboa, meu encontro com as queridas amigas portuguesas foi fantástico! Infelizmente nem todos puderam ir por impedimentos ou compromissos pessoais, ou por uma falha não intencional minha, que acabei não me recontactando com todos. Haverão outras oportunidades, tenho certeza!

Num sábado de solaço e calorão encontrei com Elvira, Mariana e Marizé. Perdi a noção do tempo, mas pelo jeito passamos muitas horas no bate papo—primeiro na porta da estação de trens, onde encontramos Elvira e Marizé e esperamos pela Mariana. Depois caminhando pelas ruas do centro histórico de Coimbra, num café para bebermos água e refrescar, finalmente no restaurante a beira do Rio Mondego, e depois novamente num café, onde bebemos cerveja e conversamos tanto que quase fizemos a Elivira e a Marizé perder o trem de volta pra casa.

Minha irmã e meu cunhado também nos acompanharam e tiveram que enfrentar uma maratona de conversas culinárias e de blogueiragens sem fim. Eles foram fortes e bravos e nem demonstraram muito desespero nem bocejaram de tédio na nossa cara. Fiquei muito orgulhosa da minha irmã. Pisc!

Meninas lindas de Coimbra, foi uma felicidade imensa conhecer vocês. Estendo o convite para tardes de verão ou outono na Califórnia. Bá, mas não vai ser a mesma coisa, né? Tenho mesmo é que voltar mais vezes à Portugal.

*na primeira foto: eu, Marizé, Mariana e Elvira.
**no cardápio, uma deliciosa feijoada de peixe.
***esqueci de fotografar o vinho, que era verde, é claro!

A cozinha do Mosteiro de Mafra

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No Mosteiro de Mafra, fiquem encantada com a cozinha dos frades, toda equipada com tachos de cobre medievais. Fotografei alguns detalhes até que fui alertada que "não pode tirar fotografias". Então fechei a câmera, desconsolada....

queijo Serra

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Queijo de ovelha curado e amanteigado. Corta-se uma rodela na casca, formando um buraco por onde tiramos o creme para passar nos pães ou tostas. Um queijo magnífico!

almoço em Peniche

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Estamos comendo bastante em restaurantes e com a exceção de um mal escolhido em Óbidos, temos comido muitíssimo bem. A maioria dos restaurantes serve uma comida simples e saborosa. Alguns surpreendem, como este chamado Kate Kero na pequena cidade litorânea de Peniche. Os peixes eram fresquíssimos e os pratos eram muito simples, servidos com salada e batatas cozidas. Eu pedi o meu peixe com batatas-fritas. Estou batendo o recorde de comer batata-frita, pois as daqui são deliciosas, cortadas a mão e fritas na hora. Nada de batata pré-frita e congelada. Aleluia!

Nas fotos, uma sopa de peixe, o meu prato principal de espadarte ou peixe-espada e o espeto de lulas pedido pela da cunhada da minha irmã. Bebemos um vinho rosé que todos disseram ser muito popular com os turistas estrangeiros, o Mateus, e de sobremesa eu provei o molotof, que é um pudim de claras em neve cozidas no leite com caramelo. Um almoço simples, porém memorável, como tem sido quase todas as minhas refeições aqui em Portugal.

A Ginja

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Em Óbidos bebemos a Ginja, que é um licor feito com uma fruta da família da cereja. Fizemos nos copinhos de chocolate. Bebemos a Ginja e depois comemos o copo!

um encontro em Lisboa

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Eu ainda estava com um jet-lag desgranhento, não tinha dormido nem uma piscada na noite anterior, então minhas olheiras estavam monstruosas e todo o meu ser ainda estava flutuando no limbo dos viajantes recém-chegados. Consegui conversar pelo telefone com as blogueiras de Lisboa e a Isabel [Pipoka] do blog Three Fat Ladies gentilmente tomou a iniciativa de arranjar todos os quiprocrós, definindo o ponto de encontro e a escolha e reserva do restaurante. Nós tínhamos ido à Belém naquela tarde e nossa volta foi maratonica, com uma fulanete batendo a porta do carro no elétrico, onde nos encontrávamos, e provocanto um caos e um congestionamento. Conseguimos voltar ao hotel à tempo para um banho e chegamos aoenas quinze minutos atrasados na A Brasileira, o café onde Fernando Pessoa sentava-se todos os dias, no Bairro Alto de Lisboa. Lá já estavam a Paula do O Que Der na Gana, a Goretti do Mal-Cozinhado e a Isabel do Cinco Quartos de Laranja. Logo depois chegaram as três lindas Three Fat Ladies e a Suzana do Gourmet Amadores e seguimos juntas para o restaurante Antigo Primeiro de Maio, onde já éramos esperados. Um pouco mais tarde chegou a Cris do Momentos da Cris, para completar o grupo, que também contou com o Zé, marido da Cris, a fofa Teresa, filha da Goretti, minha irmã Leandra, meu cunhado Luis e meus sobrinhos Fausto e Catarina. O restaurante era bem pequeno, mas bem aconchegante e a comida estava muito boa, apesar que eu mal consegui comer porque sentei no meio da mesa e queria desesperadamente conversar com todas! Depois que fomos convidados a nos retirar do restaurante, pois havia um grupo de alemães esperando para sentar na nossa mesa, caminhamos pelo belíssimo Bairro Alto até a praça do miradoro, onde conversamos em pé até altas horas. Lá chegou a última das moicanas, a querida Carlota, que não tem blog e é completamente adorável. Amigas de Lisboa, foi um prazer imenso encontrar pessoalmente com voces, colocar um rostinho e uma voz em cada personalidade blogueira, conhecer vocês um pouco mais e poder compartilhar algumas horas juntas num bate-papo muito agradável. Agora espero todas vocês na Califórnia, tá?

* nas fotos alguns ítens do cardápio—os peixinhos da horta, que são massinhas fritas com vagens, bolinhos de bacalhau, carapaus, pescada e um delicioso vinho verde, é claro!

Casa Pereira da Conceição

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Em Lisboa, na Rua Augusta, atrás da Praça do Comércio, vi essa lojinha antiga de café, chás e rebuçados simplesmente encantadora. Entrei para encaroçar e acabei pedindo licença para fotografar. Recebi sinal verde de dois gentis senhores portugueses e fiz algumas fotos. O que as imagens não passam é o delicioso cheiro de café que emanava do lugar.

Casa do Alentejo

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Entrei em Portugal com o pé direito. Meu primeiro rango em Lisboa foi na Casa do Alentejo. Uma delicia de comida. Tomamos uma sopa de tomates, depois eu comi um bacalhau com migas de grão-de-bico que me encantou e a Le e o Luis comeram um refogado de porco com mariscos. As criancas [não] comeram um bife com batatas fritas. O vinho alentejano estava delicioso, assim também como os aperitivos de azeitonas curadas e uma linguiça bem forte. Tudo estava fantástico , sem falar que o lugar é um casarao antigo lindo todo decorado com os famosos azulejos. A Catarina chorou pra entrar no lugar, porque ela disse que parecia a casa da bruxa. E parecia mesmo, hahaha! Mas aí que é que estava o charme. Reparem na touca do Fausto, ostentando o brasão do time de futebol do avô português dele—o Sporting.

em Lisboa

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Estou cá! Cheguei bem, apesar do desgaste da viagem longuíssima. Segundo minha divertida irmã, eu fiz o mesmo percurso da tocha olimpica. Mas já vi bastante de Lisboa, apesar do cansaço imenso. Conexão de internet no hotel não é tão fácil como eu pensei que seria, mas estou conectada para mandar um tchauzinho daqui. Muito obrigada por todas as dicas maravilhosas, estamos anotando tudo e já fizemos alguns roteiros

Bella vineyards

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Bella vineyards foi a última vinícola que visitamos, já no Dry Creek Valley. Nos embrenhamos numa estradinha que cortava vários morros e vimos muitas pequenas vinícolas, umas que eram apenas a casa da família e os vinhedos ao redor. Num cantinho escondido estava a Bella, cujo nome já diz tudo. É uma pequena área que só produz a variedade Zinfandel. Ficamos encantados com o bom gosto e a beleza do lugar, com suas oliveiras centenárias e a caverna encravada sob os campos de uvas. Na caverna fizemos o tasting. Experimentei quatro tipos de Zinfandel, dois que gostei muito e um, muito adocicado para sobremesa, que não fez o meu estilo. Comprei uma garrafa do que eu mais gostei para levar para o sogro da minha irmã em Portugal. Tivemos que apressar o passo, pois tínhamos um compromisso de almoço com amigos em San Francisco. Se tívessemos tido mais tempo, o jardim da Bella teria sido o lugar ideal para fazermos um delicioso picnic.

*esse post é para a minha querida amiga Brisa Carter, que também tem uma Bella, porém muito mais linda, um verdadeiro tesouro.

Korbel - tour

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Sempre achei a champanhe Korbel super cafona. Preconceito meu, eu sei. Mas sempre olhei para as garrafas de Korbel com um certo ar de superioridade. Nunca comprei essa champanhe californiana, nem mesmo pra fazer Mimosas. Então quando passamos pela Korbel Winery, numa região lindíssima do Russian River Valley no meio de uma floresta de red woods, eu dei uma risada, tipo, que deboche hein, parar justamente nessa vinícola. Nos juntamos correndo à uma tour, que o Uriel não queria fazer, mas que eu achei legal. Ouvimos a história da vinícola e até tivemos que aturar um vídeo horrorildo de dez minutos com uma música de missa no background. Mas valeu à pena. Os prédios onde estão instalados os cellars sobreviveram à um incêndio ainda no século 19 e depois ao grande terremoto de 1906 que destruiu San Francisco. Aprendi como se faz champanhe, que é um processo diferente do vinho, uma informação óbvia sobre a qual eu nunca tinha refletido. Um grupo de franco canadenses que também estava fazendo a tour perguntou o que estava na ponta da minha língua—vocês podem chamar essa bebida de champanhe? A resposta foi, sim podemos. Por dois motivos: porque a Korbel tem um acordo com a França e porque essa champanhe californiana é feita usando exatamente o mesmo processo das champanhes da região de Champagne, na França. Visitamos a vinícola de cabo a rabo, depois fomos fazer um private tasting. O guia nos serviu quatro tipos de champanhe, todas exclusivas da vinícola, que não se acha pra comprar em supermercados. Eu gostei de todas elas. Saí da Korbel com uma impressão menos negativa da champanhe. Mas vou confessar que continuei achando tudo extremamente cafona—os jardins, os lustres, a mobília. Num dos pontos estava instalada num pódio uma garrafa gigante e uma taça de vidro acompanhando, ao lado de um anuncio em letras douradas que a champanhe Korbel foi a champanhe oficial do novo milênio. Realmente.....

Hop Kiln winery

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A Hop Kiln é uma vinícola linda, bem na saída de Healdsburg. Paramos para dar uma olhada e ficamos encantados com os jardins na beira do rio, com muitas mesas de madeira para picnic—e alguns visitantes aproveitando, como deve ser feito. A vinícola também tinha uma vendinha na área de tasting, com uma variedade de mostardas, vinagres, óleos, pestos, vinagretes e molhos doces. Eu não provei nenhum, porque tinha acabado de almoçar. Mas marquei touca, não comprando nada para trazer comigo.

Sentamos ao sol para olhar o mapa e decidir qual seria o nosso destino. Nisso o Uriel viu uma blogueira celebridade e fez ela sentar se equilibrando no murinho e tirou essa foto dela toda descabelada, só para provar que blogueiras famosas são pessoas comuns. Pisc! Seguimos em frente.

Restaurant Charcuterie

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Chegou a hora do rango, com os nossos estômagos dando aqueles sinais típicos, e nós ainda não tínhamos decidido onde comer. Passamos por vários lugares interessantes no centro de Healdsburg, alguns cheios de gente, outros nem tanto. Demos aquela vistoria geral, também olhamos os menus. Tínhamos passado por esse pequeno restaurante chamado Charcuterie. Ele ainda estava fechado, mas um pessoal bacana já esperava na porta. Olhei o menu—saladas, pastas, sandubas. Seguimos em frente, mas o fato de ter gente na calçada esperando o restaurante abrir impressionou o Uriel demasiadamente. Ele não parou de falar no tal Charcuterie. Eu já tinha até escolhido o meu favorito, quando ele mencionou mais uma vez o lugar com gente esperando na porta. Deve ser bom. Só tinha um jeito do meu marido sossegar o facho: vamos lá no tal Charcuterie então! O restaurante bem pequeno estava lotado. E tinha gente esperando na porta. Nós tivemos sorte e fomos colocados rapidamente numa mesinha que fazia dupla com uma mesa maior, onde sentaram um trio de meninas asiáticas. Pedimos nosso rango—eu pedi um sanduiche de portobello e pimentão e o Uriel uma pasta putanesca. Bebemos água com gas e eu pedi uma taça do Pinot Noir 2006 da vinícola Hook and Ladder no Russian River Valley. Já que estavamos ali, queria beber o vinho da região. Esse Pinot Noir não decepcionou. A comida também, apesar de super simples, não decepcionou, muito pelo contrário. Meu marido até sugeriu que os preços estava muito módicos para a qualidade e sabor da comida. As mocinhas asiáticas curiosas da mesa ao lado perguntaram—what's that? para absolutamente tudo que estávamos comendo. Na hora da sobremesa, eu pedi um floating island e o Uriel um strawberry shortcake e ficamos chocados com o tamanho dos pratos. Um baita exagero, ninguém precisa de uma sobremesa daquele tamanho.

Healdsburg, CA

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A primeira cidadezinha que visitamos foi Healdsburg, no condado de Sonoma. Fiquei encantada com o lugar. As cidadezinhas das regiões vinicultoras aqui na Califórnia são todas umas fofuras, geralmente com uma downtown histórica, pracinha com coreto e muitas lojinhas e restaurantes bacanas. Healdsburg superou todas as outras que já visitei até hoje. É uma cidade adorável e certamente com a lista de restaurantes mais sofisticada. Ficamos como dois baratões tontos, tentando decidir onde almoçar. Eram muitas opções. Pra variar, dei uma passadinha nas lojinhas de antiguidades que eu adoro, enquanto o Uriel esperava sentado num banco na calçada, ou me seguia pela loja, reclamando de tudo. Encaroçar em loja de antiguidade abarrotada de coisinhas mil pra se olhar com marido que não gosta de fazer compras na cola, é missão impossível e destinada ao fracasso.

Russian River Valley

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Passamos o final de semana no visitando vinícolas pelo Russian River, Alexander e Dry Creek Valley. Essa é uma área belíssima e extensa, fora do circuito hype do Napa e Sonoma Valley, mas com uma quantidade de vinícolas realmente impressionante. Muitas são pequenas e tocadas por famílias, outras são grandes e famosas. Tivemos uma visão de outra parte produtora de vinhos que ainda não tínhamos explorado. Vamos esquecer o Napa e o Sonoma Valley por um tempo e nos concentrar nessa outra região, que ainda vai render muitas visitas. Adoramos tudo que vimos e provamos e eu tirei tanta foto que ainda estou pensando como vou me organizar.

Tia Fê, vamos para Portugal?

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Ôba! Vamos!

Estarei aterrisando em Lisboa no dia 20 de abril, onde vou ficar alguns dias com minha irmã, cunhado e sobrinhos. Depois iremos para Coimbra. Minha volta para a Califórnia será no dia 2 de maio, então terei muitos dias e um final de semana para conhecer a querida terrinha. Amigos portugueses, vamos planejar um vinho juntos?

Quixote

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Mais uma vez a Elise organizou um evento fantástico para os food bloggers de Sacramento, turma batuta na qual eu me incluo. Passamos o domingo na vinícola Quixote, recebidos com todos os salamaleques pelos simpáticos proprietários Pam Hunter e Carl Doumani. A vinícola fica um pouco afastada do circuitão do Napa Valley e só recebe visitantes que ligam e fazem reserva ou que são convidados, como nós fomos.

O que primeiro impressiona na Quixote é a sua arquitetura. Carl Doumani explicou em minúcias como ele e Pam contactaram o artista austriaco Frederick Hundertwasser para fazer o design da vinícola. Carl nos contou que foram anos de negociações, pois Hundertwasser tinha horror à cidade de San Francisco e não queria vir para os EUA. No final, o carismático Carl Doumani venceu e trouxe o artista para o Napa Valley, onde ele colocou suas idéias mais uma vez em prática. Tudo na Quixote parece ser encantado. O casal Carl e Pam é amante das artes e pra onde quer que se olhe, vê-se pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, objetos de arte de todos os estilos. A Quixote é um lugar realmente especial, escolhido para ser a casa de Pam e Carl, e que ainda produz um vinho orgânico delicioso e de altíssima qualidade.

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Fomos recebidos com um tour pela vinícola, com explicações detalhadas sobre a cultura das vinhas orgânicas e depois fizemos uma experimentação de vinho e queijos, organizada pela chef Janet Fletcher, que foi treinada no Culinary Institute of America e no Chez Panisse. Ela escreve uma coluna sobre queijos no jornal San Francisco Chronicle e publicou vários livros. Um deles nós recebemos de presente. Nosso grupo era formado dos blogueiros e de três colunistas de revistas em Sacramento. Fizemos o tasting na casa de Pam e Carl, que é simplesmente uma formosura. Pam é apaixonada pela cultura japonesa, então a casa toda tem inúmeros elementos asiáticos na arquitetura e no decoração. Nosso tasting incluiu a variedade Cabernet Savignon e Petit Syrah combinados com queijos Zamorano, Pecorino di Grotta e Erhaki. O Pecorino foi o meu favorito. Também gostei muito do Petit Syrah, que era um vinho que eu nunca tinha experimentado

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Depois do wine tasting tivemos um almoço, preparado pelo chef Raul Steven Salinas III, que estava simples, porém magnífico. Uma salada de folhas verdes com caqui Otow e nozes foi servida. Todos os ingredientes usados pelo chef eram locais e orgânicos. Depois nos servimos de Short Ribs assadas—que o chef nos contou ter assado por muitas horas no molho de vinho Petit Syrah e caldo de galinha. A carne estava desmanchando, delicada e e saborozissima. Acompanhou um refogado de cevada com legumes de outono assados—abóbora e nabo. A sobremesa foi um Apple Cobbler morninho, com chantily de baunilha.

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Depois do almoço nos despedimos de Pam e Carl na Quixote e rumamos para uma visita à outra vinícola espetacular, a Quintessa que eu já tinha visitado no verão. No outono a paisagem é estupendamente linda! Na Quintessa fizemos mais um tasting da produção deles de 1993 e 2004—a Quintessa só produz um tipo de vinho, que é um blend. Mais queijos deliciosos, pasta de marmelo e bolachas integrais. Foi um dia cheio de delicias, excelente vinho, comida maravilhosa, companhia de pessoas incríveis com o melhor papo do mundo—comida! Pra mim, que nem me considero uma boa cozinheira, é um grande privilégio poder fazer parte desse grupo.

you can get everything you want

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at Alice's restaurant

Eu tirei essa foto na Portobello Road em Londres porque eu adorei o lugar e também porque me lembrei imediatamente do Alice's Restaurant do Arlo Guthrie. O Arlo era um jovem hippiezinho no Festival de Woodstock e continua um hippie até hoje, já não tão jovem. Mas quando ele ainda era um piázinho desengonçado, compôs uma música chamada Alice's Restaurant, que é literalmente uma viagem, pois dura quase meia hora. Depois o Arthur Penn dirigiu o Arlo num filme, também chamado Alice's Restaurant, com a Alice e seu restaurante. O filme é outra viagem, hiponga.

Não sei explicar exatamente como, onde e por que, mas eu e o Uriel temos até essa private joke, quando dizemos um pro outro—you can get everything you want [at Alice's restaurant]. Também não sei por que eu gosto tanto do Arlo e tiro foto do restaurante—ou pelo menos parecia um restaurante, em Londres, só por causa da música dele. Talvez não seja somente pelo fato do Arlo ser fofo, engajado e cantar músicas de protesto, mas também porque ele é o filho caçula do Woody Guthrie. Quem é Woody Guthrie, você me perguntará? E eu responderei prontamente, Woody Guthrie foi um grande folk singer norte-americano e um dos caras que influenciou Bob Dylan.

como arruinar um dia perfeito

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Quando o Uriel propôs de irmos até Apple Hill no domingo, para o festival da colheita da maçã, logo pensei que aquela não era uma boa idéia. Quando li o relato da Sheri no Edible Sacramento tive certeza: seria uma FRIA! Mas fomos assim mesmo. E fomos tarde, pois eu precisava nadar. Eu só consigo nadar nos finais de semana. Pegamos a estrada pensando em almoçar em algum orchard em Apple Hill. Congestionamento na freeway, congestionamente na estradinha que leva aos pomares, dificuldade para estacionar, gentarada saindo pelo ladrão, familias e mais famílias com crianças, pais, avós, bisavós, querendo desfrutar as atividades promovidas pelas fazendas. E que atividades minha gente: correr por pumpkin paths fajutos, andar de cavalo [detesto, detesto essas coisas envolvendo animais], pagar ingresso para brincadeiras de quermesse, ficar horas na fila para tudo, inclusive para comer as mil e uma sobremesas feitas com maçã. No pomar que paramos, eles vendiam de tudo—tortas congeladas de maçã, vinho de maçã, suco de maçã, descascador de macã, e muitas maçãs, é claro. Fomos procurar algo para comer de almoço. O menu maravilhoso de hamburguer, hot dog, corn dog, chili dog, fritas, e eteceterá me desanimou. Mais desânimo quando vi o cartaz na janelinha da venda—espera de 30 a 45 minutos. Esperar tudo isso pra comer um monte de fritura? O Uriel se colocou na fila dos doces de maçã e comprou donuts, tortas, dumplings. Depois pegamos a estradinha congestionada novamente, pra tentar achar um restaurante. No meio de uma floresta de pinheiros achamos um pub inglês que servia todos aqueles pratos típicos, misturados aos norte-americanos, nada que entusiasmasse. Pedimos um rango mesmo assim e saímos de lá frustrados e desapontados. Fomos até o fim da estrada que corta Apple Hill e pegamos a freeway novamente, dando de encontro com outro congestionamento. Nesse ponto meus nervos já estavam em frangalhos e o Uriel decidiu parar em Placerville, que é uma cidadezinha histórica da corrida do ouro, com um ponto de interesse peculiar—um bar que foi construído no local onde ficava uma árvore onde se enforcavam criminosos, bem no estilo old wild west. Uma coisa fantasmagórica e deprimente. A cidade, que já visitamos duzentas e trinta e sete vezes, é bem bonitinha, com um bar a cada metro e muitas lojas de antiguidade. Eu me diverti nas lojinhas, bebemos suco de maçã, café e fomos embora. Que total desperdício de um belo domingo!

the girl & the fig

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Não me lembro como eu cheguei no website do restaurante the girl & the fig, mas guardei para uma eventual visita. Quando comecei a pensar e pesquisar onde iria querer almoçar para comemorar adiantado o meu aniversário, resolvi sem nenhuma indecisão libriana que iria ser ali. Sonoma é cidade vizinha e irmã do Napa e fica a uma hora de Davis. E fazia muitos anos que nós não íamos à Sonoma. Foi uma viagem tranquila, com o Gabriel dirigindo com o pai ao lado, eu e a Marianne tagarelando no banco de trás. O restaurante fica no centro da cidade, a downtown histórica. Adorei o lugar, super charmoso, exatamente como eu imaginava—um restaurante de inspiração francesa, mas com alma californiana. O que implicou em ingredientes locais e fresquíssimos, tudo feito com muito capricho. Como domingo o menu é de brunch, optamos por sanduíches. Uriel escolheu uma sopa de tomate e depois abocanhou um hamburguer de primeira linha, feito com top sirloin moído, acompanhado das charmosas matchstick frites. Gabriel mandou ver na omelette du jour acompanhada de salada verde. Marianne quis inovar e pediu o salami & brie sandwich que veio com red onion confit , sherry mustard, baguette e celery root salad. Eu pedi a grilled fig & arugula salad, que veio com pecans, chevre, pancetta, fig & port vinaigrette. E depois mandei bala num roast pork loin tartine que veio com caperberries, lavender sea salt e toast. Pedi também uma porção das frites, que dividi com a Marianne. Bebemos água, limonada e eu pedi um cocktail de champagne com licor de figo. Nem pedimos sobremesa, mas depois que passeamos pelo centro de Sonoma, fizemos comprinhas e tiramos fotinhas, paramos na doceria de um hotel e compramos tortas de figo!

o vinho era do Carvalho

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Os Sequeira, os Sousa, os Freitas, os Ramos, os Silva, os Gomes, os Nunes, os Pacheco, os Carvalho. Famílias portuguesas imigradas para o centro norta da Califórnia e que se estabeleceram na área agrícola. Os portugueses estão espalhados pelo estado, mas percebe-se que já são segunda, terceira e quarta geração, sempre carregando as tradições e o orgulho do seus antepassados.

Passamos pelas fazendas dos descendentes, rumo ao nosso destino final—a Festa Portuguesa que acontecia no The Old Sugar Mill em Clarksburg. O lugar é uma antiga usina de açúcar de beterraba, que foi comprada por John Carvalho na década de 90 e restaurada para abrigar algumas vinícolas e um centro de eventos.

A festa estava bem simples, com o vinho e a música concentrando as atenções. A comida deixou muito à desejar. Eu reclamei à beça da carne e frango cozidos em muito vinho, do feijão adocicado misturado com linguiça e da salada de saco acompanhada de molho de vidro. Aquele rango não tinha nada de português ao meu ver, mas o pessoal que sentou-se à enorme mesa redonda com a gente, estava achando tudo uma delícia. Meus standards são realmente altos e eu sei que a comida portuguesa é o fino da bossa e muito melhor que aquilo. Bom, ao menos o bolinho frito, filhós, e os tremoços, tremos, estavam muito bons. E o vinho, é claro! Como eles não estavam vendendo apenas o copo, para bebedoras solitárias como eu, compramos a garrafa mesmo, que eu fui bebendo durante o passeio. Adoro fazer isso, caminhar pelo lugar com a taça de vinho na mão! O vinho, da vinícola Carvalho, estava supimpa!

A música também estava animando a festa, com a banda liderada por uma filha de portugueses que só na adolescência foi resgatar a cultura e a língua dos pais. Ela começou o show com uma música brasileira, de Vinicius de Morais. Mas depois tocou vários números tradicionais portugueses, com fados e até cantou uma música em inglês que dizia Amália, you are the queen!

Depois que visitamos as vinícolas, almoçamos o rango português pra inglês ver, ouvimos o fado e a bossa nova, encaroçamos pela lojinha de antiguidades e xeretamos dentro e fora da parte da usina que faz a produção do vinho, fomos caminhar pelo lado de fora, olhar uma casa que parecia abrigar os escritórios da usina. Lá encontramos um senhor de boné e fumando um cachimbo que veio puxar papo. Ele nos contou toda a história da usina, onde ele trabalhou por quinze anos. Nos disse que da década de 30 até a década de 70, toda aquela região onde hoje se planta uva, era coberta por beterrabas para fazer o açúcar. A concorrência e o corte de subsídios do governo decretou o fim da indústria. Ele contou que a sede foi trazida de Idaho em pedaços e remontada aqui na Califónia na década de 30, e nunca foi reformada. Olhamos através dos vidros da janela e ficamos encantados. Estávamos encantados também com aquele simpático senhor, que eu achei muito parecido com o meu pai, que se apresentou como Joe Sousa, um filho de portugueses da Ilha de Madeira. Ele contou histórias das viagens dele pela marinha durante a segunda grande guerra, que foi quando conheceu asiáticos e africanos que falavam português. Foi uma conversa muito interessante. Eu poderia ficar ali papeando com o Joe Sousa a tarde inteira, mas acabamos por nos despedir, ele—have a great life! e nós—you too!

a Sofia Loren gostou

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Depois da experiência na Quintessa, todo o resto que fizemos no Napa ficou meio mixuruca. Paramos para almoçar no Bistro Don Giovanni e eu estava completamente blasé. Não fiquei impressionada com nada e talvez nem tivesse motivos pra ficar. O garçon, daquele tipo afetado com senso de humor que poderiamos classificar de simpático passivo-agressivo, até que se esforçou pra deixar tudo mais interessante. Mas como eu disse, depois da Quintessa o resto perdeu um pouco a graça.

Pedimos uma sopa de tomate com pão, que estava bem gostosa e depois atacamos de massas. Pra acompanhar, fomos na sugestão do nosso amigo Andres e optamos por um Zinfandel do Napa Cellars. Eu nunca bebi um Zinfandel que eu não gostasse. Tenho uma preferência descarada por essa variedade. E o do Napa Cellars não decepcionou. Estava realmente saboroso e eu bebi dois copos! Já a massa, optei pelo Fettuccine alla Lina, com molho de porcini, linguiça e parmesão regiano. Talvez tenha sido a sopa, aliada aos dois copos de vinho, mas eu estava devagar na degustação do fettuccine. Não achei aquela maravilha. O nosso extravagante garçon me informou gaiatamente que Lina, a esposa do proprietário do Bistro Don Giovanni, tinha criado essa receita de fettuccine especialmente para a Sofia Loren.

—e a Sofia Loren gostou?
—o fettuccine está no menu, não está?
—aaahhhh, sim, está!!

Bom, parece que a Sofia Loren gostou do Fettuccine alla Lina. Mas pra falar a verdade... shiu... vem cá, vou te falar... [eu não gostei muito não....]

Quintessa

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O Marcelo Freitas estava procurando a tradução para o português de um ingrediente em inglês, quando aportou aqui no Chucrute com Salsicha. Ninguém precisa ler todos os meus arquivos para concluir que tenho essa preferência pelos produtos naturais e integrais. Foi por isso que ele decidiu me convidar para fazer uma visita à vinícola onde ele trabalha no Napa Valley. Antes preciso dizer que o Marcelo é brasileiro e trabalha com food & wine na Bay Area desde que chegou aqui nos EUA, há quase vinte anos. Ele sabe das coisas, e não somente de qualquer coisa, mas do que é realmente bom e de qualidade.

Combinei tudo com o Marcelo, convidei um casal de amigos, ela brasileira e ele chileno, e o professor espanhol. Gente que gosta e entende um pouco de vinho e que iriam ser excelentes companhia num passeio assim. No sábado saímos cedinho em direção à Rutherford, no coração do Napa Valley, onde irìamos fazer uma private tour na Quintessa Winery.

Vinícolas abundam aqui na Califórnia. Só no Napa Valley são duzentos e cinquenta. E nós já visitamos um bocado delas, mas nenhuma como a Quintessa. A vinícola não tem aqueles chamativos todos que as outras têm. A sua estrutura física é discretíssima, mas de uma elegância ímpar. Fomos recebidos pelo nosso simpático guia, que nos levou para um dos passeios mais fantáticos que eu já fiz pela terra do vinho. As duas horas e meia que se seguiram foram cheias de surpresas e eu aprendi muita coisa sobre vinho e sobre as maneiras de produzí-lo.

Primeiro o Marcelo nos contou toda a história da vinícola e dos seus proprietários, os chilenos Agustin e Valeria Huneeus. A história da paixão deles pela cultura do vinho, ele um homem de negócios e ela uma artista e visionária cheia de idéias inovadoras, nos cativou. Ouvimos com atenção, curiosidade e admiração o relato da compra das terras, do plantio das primeiras videiras. A Quintessa pratica agricultura sustentável e biodinâmica para produzir uvas Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Ficamos especialmente impressionados com a utilização prática e eficiente dos principios da Biodinâmica, onde tudo está em harmonia, planeta, céu, terra, estrelas, lua. Eles usam um preparado homeopático feito de silica, camomila, casca de carvalho e outras ervas como pulverização contra pragas e insetos. Valeria Huneeus além de tudo pratica o Zen Budismo, então não permite que nenhum animal seja morto na vinícola, nem mesmo os peixes do lago podem ser pescados.

Nosso grupo praticamente dominado por cientistas—dois professores de engenharia agrícola e um estudante de PhD de agronomia, teve reações de incredulidade e abismamento com relação à eficiência dessas práticas naturais e não tão disseminadas. Mas a qualidade das uvas e consequentemente do vinho provou que esse tipo de agricultura é possível. Conhecemos toda a vinícola, desde os campos de vinhas, até os cellars e depois fomos conduzidos à sala de degustação, onde pudemos bebericar safras de dois anos, 2003 e 2004, acompanhados de queijos e crackers e da explicação minuciosa e erudita do nosso guia. Segundo o nosso amigo chileno, esse foi o melhor vinho que ele bebeu na vida! Realmente, o sabor era delicioso, acentuado e suave. Me senti bebendo o resultado de todo esse processo harmônico, onde levou-se em conta todos os fatores da natureza sem pensar em maximizar safras nem lucro. Baco iria aprovar.

A segunda coisa que mais me impressionou, além da vinícola em si, foi o vasto conhecimento e cultura do nosso guia, Marcelo Freitas. Foi um grande prazer ter a companhia de alguém tão versado na arte de comer e beber. Recomendo aos visitantes do Napa Valley que façam uma parada obrigatória na Quintessa. Depois dessa visita, nenhuma outra tour ou degustação de vinho será tão gratificante.

Os vinhos da Quintessa são feitos com uma mistura primorosa de variedades de uvas. Como descreveu perfeitamente o nosso guia "o vinho feito com apenas uma variedade é como um concerto solo de violoncelo. a música é suave e linda. mas o vinho feito de diversas variedades é como o mesmo concerto tocado por uma afinadíssima orquestra. é uma experiência simplesmente indescritível."

Della Fattoria

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Em Petaluma almoçamos na Della Fattoria, que não é apenas um aconchegante e delicioso café, mas também [e basicamente] uma padaria. Todos os ingredientes usados para fazer os pães maravilhosos que eles assam num forno a lenha e vendem são orgânicos, locais, o azeite é extra-virgem, o sal é marinho e eles não usam fermento comercial. Um pãozão gigante de semolina me custou quatro patacas. Nada mal, pra toda essa qualidade.

Eu adorei o lugar, pena que enquanto tirava fotos a bateria da minha câmera arriou e como sempre, eu—a campeã planetária do esquecimento, não levei baterias extras. Anotei no meu caderninho o que comi e bebi— uma taça de um bom Zinfandel local, sopa de tomate com cubinhos de pão com queijo grelhados e uma colorida panzanella com aspargos, ervilhas, mistura de folhas verdes, pinoles tostados, currants e citronette [vinagrette de limão].

em Petaluma

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Petaluma é uma gracinha de cidade, com um centro histórico lindo, muitas lojinhas, restaurantes e lugares interessantes. Entramos no prédio antigo da biblioteca pública e era um museu muito bacana. Tirei algumas fotos. Petaluma foi uma grande produtora de aves e ovos. O galinheiro estava dentro do museu e as galinhas são bonecos. Adorei a cozinha antiga. Tinha tantos detalhes, faltou o fogão, o armário. Pena que a pouca luminosidade e os vidros protegendo as antiguidades não colaboraram muito. Também eu fotografando dentro do museu, maior mico, né?

fazendo pequenas viagens

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Tirei uns dias de férias para passear com minha irmã, cunhado e sobrinhos que estão aqui em Davis me visitando. Estou numa rotina um pouco diferente, por um ótimo motivo! Fomos à San Francisco de trem e mesmo com um desagradável incidente tivemos um ótimo passeio, com muita camelagem. O mais divertido para a Catarina e o Fausto foi o picnic que fizemos no banco do Ferry Building Marketplace. Em plena hora do almoço, o local estava horrívelmente muvucado e resolvemos improvisar um ranguinho com pão, tapenade, frutas e suquinhos. Foi uma sensação! Mas a Cacá ainda não sabe o que a espera: muitos e muitos picnics pela frente.

Farofa a bordo

Assim que o comandante avisou que teríamos que esperar por pelo menos uma hora e meia, até os mecânicos terminarem o conserto do problema no avião, eu ouvi o barulho de desembrulhar de pacotes de papel e plástico nas cadeiras atrás de nós, onde sentava um casal de americanos. Senti cheiro de pão sendo cortado e barulhinho de vinho enchendo copos. Pensei, essa gente trouxe um farnel? Sim, trouxeram! Não olhei pra trás, é claro, mas fiquei invejando a idéia. Estamos acostumados com a falta de rango nos vôos domésticos, quando sempre garantimos comendo antes ou levando alguma coisinhas na mala de mão, mas para esse vôo internacional atravessando o Atlântico, eu só tinha trazido o básico: água, bolacha e umas barras de chocolate—o que não era nada comparado ao que eu ainda iria ver.

Eu ainda estava inebriada pelo cheiro do pão e vinho dos americanos, quando um espanhol que sentava com a esposa na fileira ao nosso lado se levantou. O fulano era uma figuraça de calça Calvin Kline e camiseta do sindicato Solidariedade. Tira coisa dali, tira coisa de lá, se vira, se revira e então eu comecei a sentir um cheiro maravilhoso de pão com queijo e presunto. Virei a cabeça e vi com meus dois olhões esbugalhados os espanhóis devorando enormes sanduiches embrulhados em papel branco. Em seguida os vi brindando com copos cheios de vinho tinto. Eu salivava de inveja. E pra completar a farra gastronômica, o espanhol começou a descascar laranjonas suculentas com um cortador de unha. Picnic completo! Levantei pra esticar as pernas e vi os americanos sentados atrás de nós guardando uma caixa de plástico com presunto cru e retirando do farnel uvas gigantonas verdes e potinhos com algum creme de sobremesa, que eles comiam com uma colherzinha descartável—gente organizadíssima! A mulher me ofereceu umas uvas, que eu recusei gentilmente por educação. Eu já tinha dado bandeira suficiente da minha dor de cotovelo por não ter tido essa idéia também.

Quando o avião finalmente decolou—quatro horas mais tarde, eu já tinha bebido toda a água, perdido todo o meu humor, estava descabelada e quase a beira de ter um dos meus ataques claustrofóbicos de avião, mas os sabidos americanos e espanhóis estavam felizões, dormindo refastelados de bucho cheio. Da próxima vez que eu fizer uma viagem internacional, vou ser esperta como esse pessoal e levar uma farofinha. Comida de avião é uma droga mesmo e pelo que eu percebi ninguém regula a entrada de comida clandestina a bordo!

* quando escrevi esse texto, em outubro de 2005, dava pra contrabandear garrafas de vinho para o avião. fosse hoje, com todas essas medidas extremas de segurança, essa turma iria ter que comer os sanduíches à seco.

The American Diner

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» a exposição do mês de setembro no Copia - Counter Culture - The American Diner.

as panelas da Julia

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Um pedacinho da cozinha de Julia Child está na exposição permanente do Copia. É um painel, onde ela pendurava algumas de suas panelas e formas. Seu marido, Paul, projetou a cozinha na casa de Cambridge, Massachusetts em 1961. Ele teve que adaptar a pia e bancada à altura de Julia, que tinha meros 6'2" - 1,89m. Nesse painel que está hoje no Copia, Paul delineou o formato de cada panela com caneta, assim Julia poderia achar mais fácil o lugar de cada uma.

A cozinha de Julia Child foi doada para o Smithsonian National Museum of American History em Washington, D.C., e pode ser explorada online no website do Julia Child's Kitchen at the Smithsonian. Vejam nas fotos da cozinha completa, tirada ainda na casa de Julia e Paul, o painel com as panelas que hoje pode ser visto no Copia.

welcome!

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Recepção simpática - um casal de fazendeiros indicando o caminho, uma taça de um italiano pinot grigio & verduzzo acompanhado de queijo asiago, queijo cremoso também italiano com pasta de tomate seco no pãozinho - não se pode beber de estômago vazio - mais vinho, desta vez californiano, zinfandel e barbera do Sonoma county.

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Na região do Napa tudo gira em torno dessa fruta. Uvas e videiras são praticamente onipresentes na paisagem. Essas videiras carregadas de uvas madurinhas e docinhas - eu comi uma - eram cerquinhas dividingo os lotes no estacionamento do Copia. Fica lindo, uma coisa realmente diferente. Depois as uvas secam, viram passas ali no pé, como já vi em algumas vinícolas, porque acho que ninguém colhe.

American Market Café

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Outro dia voltaremos para almoçar ou jantar no Julia's Kitchen, pois essa será a visita principal. Mas ontem comemos no American Market Café ao lado do restaurante, onde se pode pedir pratos mais simples preparados no Julia's Kitchen, sanduiches, sopas ou fazer uma comprinha básica de queijos, pães, quitutes e preparar um picnic para se devorar sentado na grama dos jardins do Copia. Nós escolhemos pratos do restaurante e sentamos nas mesinhas do jardim. Eu quis tentar o mini hamburguer, que era mini mesmo! Três mordidas - gone! Veio num mini pãozinho de batata, acompanhado por fritas com limão e tomilho e um molho chipotle. A salada era de espinafre, três tipos de vagens e amêndoas. Eu gostei, apesar de não ser super fã das vagens. O Uriel sempre prevenildo pediu um fettucini com legumes. Tudo vem da horta e pomar orgânicos mantido lá mesmo no Copia—o edible gardens.

The Edible Gardens

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Todo mundo anda pelo Copia carregando um copo de vinho. Eu caminhei pelo edible gardens sorvendo um Francis Coppola 2005 Pinot Noir Rose Carneros Sofia. Esse não foi tasting e o copo custou o preço da garrafa inteira. But who cares! Beber esse vinho caminhando por esse jardim que rescendia a lavanda já vale o preço.

Copia

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Não cozinhei nem sexta nem sábado. No domingo, já tinha até pensado no menu do almoço quando ele sugeriu às dez da manhã - vamos lá no Copia?

Não precisou nem ouvir a resposta. Já fui tomar banho, me vestir e me aboletei sorridente no carro. Copia não é só a deusa romana da abundância, mas tambem um lugar muito bacana instalado na cidade de Napa. The American Certer for Wine, Food & The Arts é uma mistura de museu, galeria de arte, restaurante fino, cafeteria, espaço para eventos, wine tasting, cinema, jardim, horta, pomar. Passamos a tarde lá, comendo, bebendo, vendo, ouvindo, cheirando, tocando comida e vinho. Primeiro fizemos uma tour do local, depois almoçamos no café, que é ligado ao restaurante Julia's Kitchen [um dos 100 melhores da Bay Area, batizado em homenagem à Julia Child]. Depois vimos três exposições - a permanente, sobre comida, e outra sobre American Diners e garçonetes profissionais. Passeamos pelo maravilhoso jardim, que produz frutas, legumes e verduras orgânicos que provém o restaurante e o café. Não fizemos mais coisas por falta de organização e tempo. Já tínhamos vistado o Copia em 2002, mas estamos precisando ficar mais assíduos.

* seguirão fotos galore!

Coppola também faz vinho

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Vinícola de Francis Ford Coppola no Napa Valley, CA

Em 2002, fizemos uma visita à vinícola do Coppola no Napa Valley. O passeio vale muito pelo interesse no cineasta. Ele tem um museu de cinema na casa da fazenda, onde expõe mementos de filmes dele e outras coisas interessantes que ele coleciona. A vinícola é bonita e deve ter sido cenário de algum filme. Na época não bebemos o vinho de lá, mas como eu sempre vejo os vinhos Coppola pra vender nos supermercados, hoje comprei um Pinot Noir. Saberei em breve se o vinho do Coppola é tão bom quanto os seus filmes.

a pior comida do mundo

Ainda adolescente, visitando os meus tios na Querência Echaporã, perguntei ao meu tio, jornalista e gourmet, qual era a melhor e a pior comida do mundo. Ele respondeu - melhor, chinesa, pior, inglesa.

Eu comi muito bem em Londres, quando visitei o meu irmão. Comi comida francesa, italiana, japonesa e o trivial brasileiro feito pela minha cunhada. Num sábado fomos à um pub de trezentos anos - o Lamb & Flag, o mais antigo de Covent Garden. Realmente, se aquele menu ficar de amostra única da comida deles, os ingleses ganharam mesmo a medalha dos piores. Eu comi com curiosidade, não reclamei, até achei legal. O pub tinha uma atmosfera muito charmosa e os donos foram bem simpáticos nos atendendo meio fora de hora. Mas o Uriel não parou de reclamar um segundo e abominou a tal comida no pub. Até hoje ele fala que a pior comida que ele comeu na vida - blearg - foi aquela no pub inglês. No menu bem restrito, sausages, lamb ou roastbeef acompanhados de batata, cenoura e ervilha, gravy e yorkshire pudding, que foi o ítem que eu mais gostei.

A receita do melhor do pior:

Yorkshire Pudding

This dish was originally cooked in a tin under the rotating spit on which roast beef was cooking - the juices from the meat dripped on to it, giving a delicious flavour. In Yorkshire, it is still cooked around the meat tin and is served as a first course before the meat and vegetables. Serves 4-6.

Ingredients: Lard - a little, melted, Plain flour - 110 g (4 oz), Egg - 1, Milk - 300 ml.

1. Pre-heat oven to 220C / 425F / Gas 7.
2. Put a little lard in 12 individual Yorkshire pudding tins (or deep bun tins) or a single large tin and leave in the oven until the fat is very hot.
3. Place the flour in a bowl, then make a well in the centre and break in the egg. Add half the milk and, using a wooden spoon, gradually work in the flour. Beat the mixture until it is smooth then add the remaining milk. Beat until well mixed and the surface is covered with tiny bubbles.
4. Pour the batter into the tins and bake for 10 to 15 minutes for individual puddings; 30 to 40 minutes, if using a large tin, until risen and golden brown.

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