na vínicola Clos Du Val
[um picnic na chuva]
Quando sugeri um picnic numa vinícola no Napa Valley para um encontro com Maryanne, Heguiberto & Steve, e Priscila, essa pareceu a melhor ideia do mundo já que o tempo estava lindo—florido e ensolarado. Três semanas depois as nuvens se acumulavam assustadoramente no céu do norte da Califórnia. Decidimos seguir em frente com nossos planos, no melhor estilo Keep Calm [Smile] and Carry On. Marcamos um tasting e um picnic na vinícola Clos Du Val para um sábado. No dia amanheceu cinzento e choveu canivetes por muitas horas. Pegamos muita chuva na estrada e apesar da perspectiva desanimadora, eu não esmoreci. Manti um sorriso na cara e o espirito de antecipação no coração, também porque finalmente eu iria conhecer o Hegui e o Steve, meus vizinhos blogueiros, depois de praticamente três anos de enrolação [da minha parte, admito humildemente].
Fizemos um tasting super animado, mais pro bate-papo do que para o vinho, já que todo mundo queria conversar e se conhecer melhor. Eu escolhi fazer a prova dos brancos e bebi um Sauvignon Blanc, um Rosé de Pinot Noir e dois Chardonnays, um de barril de metal e outro de madeira. Meu favorito foi o Sauvignon e comprei uma garrafa para acompanhar o nosso picnic.
Assim que entrei na vinícola fui olhar a área de picnic—com mesinhas e cadeiras espalhadas sob um pomar de oliveiras. Super lindo! E ali vi um grupo de moças comendo e bebendo, cada uma segurando um guarda-chuva. Fiquei mais conformada, que não éramos os únicos enfrentando bravamente o mau tempo. Quando saímos do tasting, o tempo parecia ter firmado. Arrumamos alegremente nossa mesa, com nossos pratinhos, talheres, toalha, a vinícola emprestou taças par o vinho. No menu tínhamos uma broa de fubá com molho de goiabada e uma salada panzanella de aspargos feitas por mim. o Hegui trouxe uma salada de pasta com broccoli rabe, a Maryanne muitos queijos deliciosos do Cheeseboard, e a Priscila trouxe três caixas de pães maravilhosos, doces e salgados, que ela mesma fez no curso de bakery que ela esta fazendo no SFBI em San Francisco. Um banquete!
Quando a mesa estava pronta, a comida servida, os estômagos roncando, a fome apertando, começou a chover novamente—primeiro de leve, depois no estilo chuveiro. Por uns minutos ficamos lá, de capa e guarda-chuva, tentando comer nos pratos que estavam simplesmente alagando. Tivemos que pensar numa solução rápida e mudamos a mesa para um lugar um pouco mais seco. Nunca fiz um picnic assim tão molhado, mas a comida estava deliciosa, a companhia super agradável, o vinho tem sempre o dom de deixar tudo lindo e a conversa fluiu muito animada. No final parou de chover e voltamos para o pomar de oliveiras, onde comemos a sobremesa e conversamos bastante até a hora de nos despedir, fazendo planos para outros encontros.
project paso
Se você é um dos tradicionalistas da rolha, que acha que as dos vinhos têm que ser feitas de cortiça, vira os olhos pra lá ou fecha a página. Porque essa vinicola californiana não só substituiu a cortiça pelo plástico, como também aboliu o uso do saca-rolhas nessa linha de vinhos chamada de Project Paso. No website não tem nenhuma explicação do por que dessa inovação, mas posso testemunhar em favor da praticidade. É só puxar a ponta do zigzag de plástico e pleft—remover a rolha com a mão! Pra mim, que detesto abrir vinho com saca-rolha, foi uma revelação. Já o vinho, na minha escolha pelo Sauvignon Blanc, não arrasou Péris in chammas. Bebi uma parte e usei a outra parte para fazer risoto.
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gelatina de vinho moscato

Usei um vinho branco bem doce, o Moscato d'Asti, para fazer essa gelatina. Como usei a agar-agar, ficou pronto rapidissimo. Aproveitei um pouquinho dos morangos maduros que tinha comprado naquele dia e joguei na mistura. Foram 2 xícaras de vinho, 1 pacotinho de agar-agar em pó [2/3 colher de sopa] e um punhado de morango. O vinho é tão docinho que nem precisou de açúcar. Coloque 1 xícara do vinho numa panelinha, salpique a agar-agar por cima e leve ao fogo até ferver. Retire a panela do fogo, junte a outra xícara de vinho, misture bem e despeje numa forma molhada. Coloque os morangos e leve à geladeira até firmar. Desenforme e sirva.
a irmã do meio




Sempre paro pra olhar as prateleiras dos vinhos em todo lugar que vou. Gosto de ver quais variedades são oferecidas, comparar os preços que podem variar muito e presto atenção também nas novidades e nos rótulos. E foi por causa dos rótulos que parei na seção dos vinhos da Target, porque esses da irmã do meio conquistaram o meu coração. Pudera, com esses rótulos fofíssimos, um para cada variedade e cada um engrandecendo uma caracteristica da referida moçoila. Parei pra fotografar enquanto dava muita risada sozinha no corredor da loja—acho que ninguém viu, abafa! Não comprei nem bebi nenhum desses vinhos, mas gostei da proposta divertida. Eu sou a irmã mais velha, mas tanto faz se somos a irmã do meio, a mais velha ou a mais nova, todas nós nos achamos criaturas especiais e queremos ser tratadas com tal distinção. A única dúvida que ficou no ar pra mim foi—será que a dona da vinícola é a própria [e exibida] irmã do meio ou são as irmãs [modestas] da irmã do meio?
wine skin


Tenho o costume de transportar garrafas quando viajo, pois os deliciosos vinhos do meu estado são um excelente presente para familiares e amigos. Tenho então minhas técnicas pra proteger as garrafas, prevenir acidentes e otimizar espaço. Embrulho as garrafas em envelopes plásticos com fechamento firme e depois enrolo cada garrafa em roupas. Nunca tive uma garrafa quebrada, mas achei essas embalagens para carregar vinhos na mala muito mais práticas. Encontrei as wine skins pra vender numa vinícola no Napa Valley. Paguei três patacas cada uma e não sei se elas são feitas para serem reusadas por muito tempo, mas eu vou testar. Elas tem um fechamento adesivo, que podem não fechar tão bem depois da primeira viagem. Mas não é nada que uma boa fita crepe não resolva não é?
um Alvarinho da Califórnia
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A variedade de uva Alvarinho/Albariño é bem comum em Portugal e Espanha, mas esta foi a primeira vez que vi a versão californiana, produzida aqui perto de mim, no central valley, na cidade de Clarksburg. Essa região tem muitas vínicolas com tradições portuguesas, devido a presença de uma grande população de descendentes de imigrantes dos Açores. Estivemos uma vez numa dessas vinícolas, na curiosidade de participar de uma festa portuguesa. O vinho era bom.
Tenho bebido muitos vinhos feitos em Clarksburg e todos eles são excelentes. Move over, Napa valley! E esse Alvarinho estava particularmente delicioso. Adorei não só o liquido, mas também o nome da vinícola, bem californiana—temos muitos coyotes por aqui, e o design super moderno do rótulo. Recomendo e certamente comprarei esse vinho muitas outras vezes.
só queria dizer que ...


gostei muitíssimo desse rosé escuro da vinícola Isabel Mondavi—uma versão mais encorpada feita com uvas da variedade Cabernet Sauvignon. Chic e sofisticado. Tchin-tchin!
a arte de encher linguiça
Eu nunca enchi uma linguiça de verdade nessa minha vida de enchedora de linguiça de palavras. Tirar assunto das pedras, sim isso é possível se você quiser e tiver o dom da conversa. Não quero insinuar que o meu papo é o mais interessante do planeta, mas quem sabe encher linguiça, sabe encher linguiça. E é claro que não estou falando da linguiça comestível.
Por isso nos dias em que fico sozinha em casa—e que não são poucos durante o verão, nem rareiam durante o resto do ano para quem é casada com um acadêmico, quando não tenho um outro humano presente para conversar, tagarelo com os gatos, com a televisão, com o computador e comigo mesma, que sou realmente a melhor e única companhia quando estou sozinha. Me dou bronca colocando o meu próprio dedo em riste no meu próprio nariz, tomo decisões exclamando bem alto frases autoritárias—AGORA CHEGA TÁ ME OUVINDO? ou—AGORA VAI OU RACHA, HEIN DONA FERNANDA! Dou muitas gargalhadas lembrando de certas histórias, choro borbulhões de lágrimas quando a macaca morre de pneumonia no filme, leio livros, leio revistas, marco receitas pra fazer, faço algumas mesmo estando sozinha e além de fazer, eu como. Sim, como e bebo, pois posso ser tudo, mas boba é que eu não sou.

O único problema de fazer receitas quando se está sozinha é acabar com um monte de comida sobre a mesa, nas bancadas, no fogão e na geladeira. Quando alguém aparece, já vou oferecendo—não quer levar esse bolinho, fiz com farinha orgânica superfina, ovos cairpiras, tá vendo como tá amarelão? Empurro sobras pro meu filho, que já tem empilhado na cozinha da casa dele um monte de pratos, vasilhas de vidro com tampa e guardanapos, esperando ele lembrar de me devolver. Mas mesmo sendo comida super simples, eu faço em casa. Pois gosto de comer, e comer comida fresca, comida boa, quero aproveitar as frutas, os legumes, não quero comer qualquer porcaria em qualquer lugar puramente por causa da minha preguiça.
Descobri a roda e o fogo quando decidi testar fazer batata frita e torradas na churrasqueira. Dá super certo e fica super bom, garanto! Outro dia fiz até um frango xadrez usando uma wok dentro da churrasqueira. Queimou os cabos de madeira, mas o frango com legumes e amendoim ficou uma delícia. No verão eu uso e abuso da minha churrasqueira, muitas vezes porque está muito quente pra ligar o fogo do fogão, outras vezes somente porque cozinhar no quintal é divertido. E tudo feito na churrasqueira tem um gosto especial. Aos poucos vou experimentando coisas diferentes.
No dia em que chegou a cesta orgânica eu já grelhei uma berinjela comum e outra japonesa, vários pimentões verdes, amarelos e vermelhos, algumas pimentas jalapeño,
várias abobrinhas. Aproveitei e cortei uma baguette do dia anterior em rodelas, esfreguei alho e pinguei uma gota de azeite em cada uma e também grelhei—acredite, ficam as melhores torradas para bruschettas! Meu jantar neste mesmo dia foi torradas com tomates e folhas de manjericão picados e temperados com azeite, um pingo de balsâmico e sal, mais as abobrinhas grelhadas, que eu pré-temperei com ervas de provence, sal grosso e azeite, mais alguns figos e nectarinas frescas, além de duas taças de vinho rosé, feito com uvas orgânicas da costa norte da Califórnia.
Não me importo de sentar à mesa sozinha, escutando jazz, falando comigo mesma, rindo dos gatos, comendo coisas nem sempre combinantes, nem sempre uma refeição clássica, desde que seja comida boa, gostosa, fresca, que eu como com um imenso prazer. E como muito, nem vou mentir. Gosto de encher linguiça, gosto de falar, gosto de comer e beber. Mas tem uma hora que é preciso dizer chega. Hoje vou buscar meu marido viajante no aeroporto. Agora quero comer e beber um pouco com companhia, contar e ouvir histórias, abraçar, beijar, dar risada—que saudades que estou dele!
bolo de vin santo & uvas


Arrumando minhas revistas por meses, pra ficar mais fácil achar receitas com os ingredientes da época, abri uma Gourmet de janeiro de 2009 e pumba—lá estava a receita que passou na frente de todas as outras, na fila infinita das que quero fazer. A dica era para, se necessário, substituir o Vin Santo por Marsala, Porto ou qualquer outro vinho bem doce. Mas eu fui atrás do original e achei, portanto fiz a receita sem substituições. Essa foi também uma boa oportunidade de usar umas uvas deliciosas que eu tinha congeladas desde o outono passado. Não consegui parar de comprar as tais e acabei tendo que congelar, pra que não estragassem. Quis saber que tipo de uva era aquela, mas o mocinho da fazenda me disse que as videiras estavam lá, ninguém sabia quem plantou, nem de que variedade eram, mas como estava abundante eles estavam vendendo e eu comprando como louca. Fiquei um pouco preocupada em substituir as uvas frescas pelas congeladas, mas deu tudo certo. Não soltou água, não deixou o bolo encharcado, ficou perfeito. E o aroma desse bolo, como está descrito na receita original, é realmente intoxicante. Vou refazer essa receita, não só porque ela agradou gregos e troianos, mas também porque ainda tenho muitas uvas congeladas e mais da metade da garrafa do Vin Santo.
bolos individuais de vin santo & uvas
faz 6 unidades
1 1/2 xícaras mais 1 colher de sopa de farinha de trigo
1 1/2 tcolher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/4 colher de chá de sal
1 tablete [113 gr] de manteiga sem sal amolecida
2/3 xícara mais 2 colheres de sopa de açucar
2 ovos grandes
1 colher de sopa de raspas da casca de uma laranja
2/3 xícara de Vin Santo [ou Marsala, Porto ou outro vinho doce]
1 1/4 xícara [200gr] de uvas sem sementes cortadas ao meio [*não cortei]
Pé-aqueça o forno em 375°F / 200ºC com a grade no meio. Unte formas de muffin gigantes [jumbo/Texas muffin] com manteiga e polvilhe com farinha de trigo. Numa vasilha misture 1 1/2 xícara de farinha de trigo, fermento, bicarbonato e sal com um batedor de arame.
Na batedeira, bata a manteiga com 2/3 xícara de açucar em velocidade média, até ficar uma mistura leve e fofa. Adicione os ovos, um por vez batendo bem. Junte as raspas de laranja. Adicione a mistura de farinha alternadamente com o vinho, começando e terminando com a farinha. Misture até a massa ficar bem incorporada.
Misture as uvas com o restante da farinha e junte à massa. Divida a massa entre as formas de muffin. Polvilhe com o restante do açúcar e asse por uns 20 minutos ou até os bolos ficarem bem firmes. Remova do forno, deixe esfriar por 5 minutos e com ajuda de uma faca levante os bolos e remova das formas. Deixe esfriar completamente e sirva.
*Pode usar formas de muffin comuns [fazendo 12 bolos, ao invés de 6] e diminuindo por uns minutos o tempo de forno.
Quivira [zinfandel]

Pra mim escolher vinho nesta terra ultra produtiva é praticamente uma sessão de tortura. Fico desesperada, atrapalhada, cheia de dúvidas. Vou separando as variedades de uvas que gosto e em primeiro lugar está a zinfandel. Já é o primeiro passo. Mas tenho tentado experimentar outras uvas, alargar os horizontes. Também escolho pelo preço—nem muito barato, nem muito caro. Um vinho de $20 vai te garantir uma boa experiência, talvez até uma mais do que boa. Também me seduzo pelo rótulo, pelo design e criatividade. Meu entendimento de vinhos para ai, com o detalhe que minha opinião geralmente oscila entre GOSTEI e NÃO GOSTEI. Mais que isso é pedir muito, para alguém que não entende nada do assunto. Gosto de beber um bom vinho e aprecio muito as novidades. Quando a loja oferece ajuda, dando dicas sobre o que você está comprando, me sinto muito mais segura para escolher. No dia que comprei esse vinho, fiquei muito tempo lendo a ficha de cada um. Esse, produzido pela vinícola Quivira localizada na belissima região de Healdsburg no condado de Sonoma, me conquistou pelo uso das técnicas biodinâmicas nos vinhedos. E o vinho delicioso passou pelo meu rigoroso critério de avaliação e ganhou o selo de aprovação com a nota GOSTEI. Acho que para este vinho eu deveria acrescentar uma subcategoria, para uma nota GOSTEI MUITO. Bebi sozinha, um pouquinho por dia, até a última gota.
Ca' Secco
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Os italianos da vinícola Ca’ Momi não estão mais em Veneza, na Itália, mas têm a técnica, têm os recursos, têm a qualidade, por que não fazer um frizzante local? O primeiro vinho espumante estilo prosecco produzido na California—Ca'Secco.
Delicioso, refrescante, feito no Napa Valley com uma mistura das uvas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Gewürztraminer e Muscat. E tem o preço dos vinhos daqui, em torno de 15 patacas americanas por uma garrafa.
E o Ca'Secco frizzante ainda vem numa garrafa linda, com um rótulo colorido e alegre, que convida para um brinde.
Shenandoah valley
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Passamos uma tarde deliciosa de sábado passeando pelas vinícolas do Shenandoah Valley, no condado de Amador. São muitas vinícolas pequenas onde às vezes o próprio dono te recebe na porta e te serve o vinho acompanhado de muitos dedos de prosa. Gostamos de sair do circuitão turistico do Napa/Sonoma e descobrir verdadeiras preciosidades encravadas em propriedades praticamente escondidas, com acesso por estradinhas de terra, curvas, curvas e mais curvas. Bebi muito vinho bom e saí um pouco da minha rotina de zinfandel, pinot noir, cabernet, merlot. Algumas das vinícolas produzem variedades de uvas italianas, que eu não conhecia. Outras tem as famosas barbera e tempranillo. Também gostei imensamente da adocicada orange muscat. Acho que aprendi um pouquinho mais sobre vinhos. Ou ao menos espero ter aprendido. Queremos agora explorar outras áreas menos afamadas, mas tão ricas e interessantes, como a região do condado de Calaveras, El Dorado, Lodi e a cidade de Clarksburg, que produz vinhos excelentes. E isso só por aqui no Central Valley, que é a região onde eu vivo. A Califórnia é muito mais que Napa e Sonoma. Só precisa pegar a estrada e sair com animação para explorar.
mulled red wine
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Na primavera planejamos assistir à montagem de A Midsummer Night's Dream que o grupo de teatro da UC Davis estava apresentando ao ar livre, na área mais bonita do arboretum, num corredor de red woods. Nas minhas caminhadas ao entardecer, observei todo o processo dos ensaios do grupo, depois tive que fazer um pequeno desvio no meu caminho durante as apresentações, passando por trás dos camarins e ouvindo e vendo um pouquinho da ação. Por razão desconhecida ou ausente, só explicada pela nossa onipresente capacidade para procrastinação, acabamos não indo e perdendo de ver essa montagem da bucólica peça de Shakespeare.
No inicio do outono o mesmo grupo anunciou que montaria uma versão modernex de MacBeth e desta vez não iríamos dormir de touca, pois teríamos um motivo particular para estar na fileira do gargarejo na estréia. Na trama sangrenta, onde o enlouquecido casal, sir e lady MacBeth, se embola numa matança sem fim, na ambição de chegar ao poder no reino da Escócia, há muitas lutas. E essas lutas precisam ser coreografadas. Nunca tinha pensado nisso até o Gabriel nos dizer que ele iria fazer a coreografia das lutas de espada e adagas para a peça.
Fiquei muito curiosa com essa história do meu filho coreografar lutas e animada para ver os resultados. O único problema é que o grupo faz as montagens ao ar livre e as noites de outono são bem frias. Três horas de peça, sentados nas arquibancadas de cimento, expostos ao frio e vento, não iria ser bolinho. Prevenida, me preparei para uma caminhada pelas planicies alasquianas. Levei um acolchoado macio, almofadas, vesti meu casacão longo de fake fur super duper quentinho, levei luvas, manta de lã, touca, uma garrafona térmica com chá de laranja e outra menor cheia de vinho quente. O chá encalhou, mas o vinho foi bebido em goles largos e felizes durante o intervalo por mim e pela namorada do meu filho. A bebida forte e fumegante nos aqueceu e nos animou para a segunda parte da peça, que teve muito, mas muito sangue e até rolou uma cabeça.
Vi a receita para esse vinho quente na edição de novembro da revista Food & Wine e deixei marcada, pois concordei que era mesmo uma idéia fantástica para detonar restos de vinho das festas. Na minha casa sempre sobra vinho, porque só eu bebo. Fiz da primeira vez usando restos de Cabernet Sauvignon e refiz uma semana depois usando o Zinfandel. Adorei a possibilidade de poder preparar tudo com dias de antecedência e depois só requentar. Esses mulled wines, assim como as cidras, são bebidas muito comuns por aqui durante as festas de final de ano. Eu já comprei as especiarias prontas para fazer essas bebidas quentes, mas achei essa misturinha feita em casa, com pimenta e erva doce, altamente picante e deliciosamente auspiciosa!
mulled red wine with muscovado sugar
2 colheres de chá de pimenta do reino inteiras [black peppercorns]
1 colher de chá de sementes de erva doce [fennel seeds]
1 pau de canela de mais ou menos uns 7 cm
1 1/2 litro de vinho tipo Zinfandel ou Merlot
[*fiz com Cabernet Sauvignon e depois com Zinfandel]
3 folhas de louro
Raspas da casca de uma laranja
1 1/2 xícara de açúcar muscovado ou outro açúcar escuro
Num pilão junte as pimentas e as sementes de erva doce e moa levemente. Numa panela coloque o vinho e todos os outros ingredientes, menos o açúcar. Tampe e ferva em fogo baixo por 10 minutos. Remova do fogo e deixe descansar, tampado, por 30 minutos. Coe para remover todos os ingredientes aromáticos. Junte o açúcar e mexa até dissolver bem. Sirva morno ou reaqueça para servir quente, em taças ou canecas. Esse vinho pode ser feito com antecedência e guardado numa jarra na geladeira por até três dias, Reaqueça na hora de servir.
le beaujolais nouveau est arrivé!




Como manda a tradição, o vinho beaujolais nouveau chegou ontem às lojas, na terceira quinta-feira do mês de novembro. Eu comprei a minha garrafa e bebi uma taça no jantar. Esse vinho é ainda imaturo, portanto bem leve. Pode-se bebê-lo ligeiramente gelado ou em temperatura ambiente. O legal é que o beaujolais nouveau chega exatamente uma semana antes do nosso Thanksgiving. Ótima pedida, hein?
»Le Beaujolais nouveau
»10 fascinating facts about Beaujolais Nouveau
bolo de cacau & vinho
A revista Food & Wine do mês de setembro chegou e no dia seguinte já acabou na cozinha, com montes de post-its cor laranja super fluorescente colados em muitas páginas. A primeira receita simplesmente não podia esperar. A idéia de usar vinho na massa do bolo era extremamente sedutora. Eu sei que existe uma afinidade entre o chocolate e o vinho, mas nunca tinha colocado isso em prática antes. O resultado foi um bolo bem denso e picante, deliciosamente agradável. Eu estava preocupada, pensando como iria fazer pra consumir o bolão, que resolvi fazer bem numa semana em que estou sozinha. Porém não precisei me preocupar muito, pois o Gabriel deu uma passadinha básica aqui em casa para lavar roupa e caiu de amores pelo bolo. Comeu muitas fatias e levou mais outras para casa dele. Sucesso absoluto e sem desperdício!
2 xícaras de farinha de trigo
3/4 xícara de cacau puro, não adoçado nem processado
1 1/4 de colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal
2 tabletes [113gr cada] de manteiga amolecida
1 3/4 de xícara de açúcar
1 1/4 xícara de vinho tinto seco
2 ovos grandes
1 colher de chá de extrato puro de baunilha
Açúcar de confeiteiro para polvilhar

Pré-aqueça o forno em 350ºF/ 176ºC e unte uma forma bundt—ou qualquer outra dessas redondas com um furo no meio, com manteiga e polvilhe com farinha de trigo.
Numa vasilha misture com o batedor de arame a farinha, o cacau, o fermento e o sal. Na batedeira, coloque a manteiga e o açúcar e bata em velocidade média, até a mistura ficar bem fofa [mais ou menos 4 minutos]. Adicione os ovos, um por vez, e continue batendo. Junte a baunilha e bata por mais dois minutos. Vá colocando a mistura de farinha com uma colher grande e alternando com o vinho, até os ingredientes ficarem bem incorporados. Coloque a massa na forma untada e polvilhada com farinha e leve ao forno por 45 minutos. Remova do forno, deixe esfriar e então vire o bolo numa travessa. Polvilhe com o açúcar de confeiteiro, se quiser. Eu não quis. Sirva com creme de leite fresco batido em chantily, se quiser. Eu não quis.
bota box - vinho em caixa
Os enófilos puristas podem me chicotear ou jogar tomates podres, mas não resisti à tentação e comprei essa caixa de vinho com torneirinha.
Vinhos em caixas estão disponíveis no mercado há muitos anos e eu tive uma amiga que só comprava deles, porque são baratos, práticos e têm a torneirinha—fator crucial nestes casos. Mas eu mesma nunca tinha comprado uma, porque até hoje nenhuma elas conseguiu me seduzir. Mas essa da Bota Box, contendo três litros de vinho Zinfandel de vinhas antigas, com caixa ecológica feita de papel reciclado, me fisgou. Outro motivo importante foi saber que o vinho permanece bom e bebível por mais de um mês depois da torneirinha ser aberta. Como eu bebo sozinha, adorei poder ter essa opção de não precisar me preocupar se aquela garrafa de vinho aberta, da qual só bebi um copo, vai virar vinagre. E o Zinfandel é bem saboroso, encorpado. Já bebi ele puro e já usei para fazer tinto de verano—metade vinho, metade soda de limão ou água com gás num copo alto cheio de gelo. Criticos critiquem, mas eu gostei e levanto um brinde: tchin-tchin!
Bodega Las Mercedes, Montilla
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[ainda na Espanha...]
Na tarde de domingo visitamos uma bodega [vinícola] na cidade de Montilla, nos arredores de Córdoba. Os vinhos são bem interessantes. Eles fazem um vinho verde, com as uvas imaturas, muito parecido com o português. E também fazem o Pedro Ximenez, que é um vinho no estilo do Porto. Eu comprei o vinho e o vinagre feito com esse vinho. Eles também fazem o vinho branco Fino, que todos os andaluzes bebem durante a tarde acompanhando os tapas. É um vinho bem seco. Outro é o Amontillado, que achei seco demais e forte demais, quase um brandy. E o Oleroso, que é mais adocicado, muito saboroso. A bodega era muito bonita e bem cuidada, apesar de pequena. O guia, señor Francisco, foi muito gentil e atencioso, contou piadas, que eu e o Uriel rimos fingindo que entendíamos tudo! ha ha ha! Os barris são feitos de carvalho americano—informacao que nos deixou de boca aberta—e muitos têm mais de cem anos. O señor Francisco nos deu uma prova da primeira etapa da fermentação do vinho, que ficam numas caçambas enormes de barro. É bem gostoso. Mas o legal foi ver ele tirar o liquiido do fundo do pote com um apetrecho especial com uma haste compridona e por o vinho nos copinhos com um movimento bem habilidoso, fazendo o liquido voar no ar, de um copo para o outro.
Sofia [rosé]
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O rosé Sofia não é somente um rostinho bonito. Tá certo que a garrafa é fofa e eu acho que combina com a musa que inspirou o vinho. Mas ele também é bom demais de beber e está causando um revival dos desprezados rosés. Apesar de cor-de-rosa, ele não é um vinho doce. É bem sequinho, bem distinto, bem discreto.
pinot noir da Meridian

Como eu não entendo muito de vinhos, uso a técnica do gostei-não gostei para fazer minhas escolhas. E sigo as recomendações de quem entende um pouco mais. O pai da Marianne sempre que vem nos visitar traz vinhos da vinícola Meridian que fica na região da costa central, onde ele vive. Eu gostei muitíssimo do pinot noir deles, então ele já foi pra minha lista de compras. Essa região mais para o sul da Califórnia é bem famosa por seus vinhos, apesar de não ser tão conhecida internacionalmente como o Sonoma e o Napa Valley.
olive oil tasting
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Passei a tarde de domingo dirigindo pelo vale de Sonoma com meu irmão, minha cunhada e minha fofíssima sobrinha, visitando algumas vinícolas. Como não pude beber pois estava no volante, fiquei felicíssima quando paramos na Jacuzzi winery e vi que lá também havia uma provação de azeites. Me diverti de um lado da vinícola, com azeites e mil coisinhas bacanosas, enquanto meu irmão provava os vinhos do outro lado. Ele não gostou de nenhum, pois achou todos eles muito "frutados". Mas nós curtimos muito a visita à vinícola estilo missão espanhola e o dueto vinho—azeite.
Sofia
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A latinha tem um charme todo especial—é minúscula, cor-de-rosa e vem acompanhada de um prático canudinho flexível e retráctil. Essa é a versão mini do Sofia Blanc de Blancs, um vinho espumante blend de pinot blanc, sauvignon blanc e um toque de muscat.
E Sofia é ela mesma, a diretora de filmes bacanas, filha do também diretor de filmes bacanas, que tem uma vinícola no Napa Valley.
Wine tasting no Copia
No COPIA—The American Center for Wine, Food and the Arts, fiz um wine tasting bem diferente, usando um cartão e um monte de máquinas. Tive que testar essa inovação. Você compra a quantia que quiser, mínimo de dez dólares, depois passeia pelas diversas máquinas, cada uma contendo três tipos de vinho. Os tastings custam de um a cinco dólares, dependendo da qualidade do vinho. Eu testei três Cabernet Sauvignon da Califórnia e um Pinot Noir da Nova Zelândia. Bem legal!
Bella vineyards
Bella vineyards foi a última vinícola que visitamos, já no Dry Creek Valley. Nos embrenhamos numa estradinha que cortava vários morros e vimos muitas pequenas vinícolas, umas que eram apenas a casa da família e os vinhedos ao redor. Num cantinho escondido estava a Bella, cujo nome já diz tudo. É uma pequena área que só produz a variedade Zinfandel. Ficamos encantados com o bom gosto e a beleza do lugar, com suas oliveiras centenárias e a caverna encravada sob os campos de uvas. Na caverna fizemos o tasting. Experimentei quatro tipos de Zinfandel, dois que gostei muito e um, muito adocicado para sobremesa, que não fez o meu estilo. Comprei uma garrafa do que eu mais gostei para levar para o sogro da minha irmã em Portugal. Tivemos que apressar o passo, pois tínhamos um compromisso de almoço com amigos em San Francisco. Se tívessemos tido mais tempo, o jardim da Bella teria sido o lugar ideal para fazermos um delicioso picnic.
*esse post é para a minha querida amiga Brisa Carter, que também tem uma Bella, porém muito mais linda, um verdadeiro tesouro.
Korbel - tour
Sempre achei a champanhe Korbel super cafona. Preconceito meu, eu sei. Mas sempre olhei para as garrafas de Korbel com um certo ar de superioridade. Nunca comprei essa champanhe californiana, nem mesmo pra fazer Mimosas. Então quando passamos pela Korbel Winery, numa região lindíssima do Russian River Valley no meio de uma floresta de red woods, eu dei uma risada, tipo, que deboche hein, parar justamente nessa vinícola. Nos juntamos correndo à uma tour, que o Uriel não queria fazer, mas que eu achei legal. Ouvimos a história da vinícola e até tivemos que aturar um vídeo horrorildo de dez minutos com uma música de missa no background. Mas valeu à pena. Os prédios onde estão instalados os cellars sobreviveram à um incêndio ainda no século 19 e depois ao grande terremoto de 1906 que destruiu San Francisco. Aprendi como se faz champanhe, que é um processo diferente do vinho, uma informação óbvia sobre a qual eu nunca tinha refletido. Um grupo de franco canadenses que também estava fazendo a tour perguntou o que estava na ponta da minha língua—vocês podem chamar essa bebida de champanhe? A resposta foi, sim podemos. Por dois motivos: porque a Korbel tem um acordo com a França e porque essa champanhe californiana é feita usando exatamente o mesmo processo das champanhes da região de Champagne, na França. Visitamos a vinícola de cabo a rabo, depois fomos fazer um private tasting. O guia nos serviu quatro tipos de champanhe, todas exclusivas da vinícola, que não se acha pra comprar em supermercados. Eu gostei de todas elas. Saí da Korbel com uma impressão menos negativa da champanhe. Mas vou confessar que continuei achando tudo extremamente cafona—os jardins, os lustres, a mobília. Num dos pontos estava instalada num pódio uma garrafa gigante e uma taça de vidro acompanhando, ao lado de um anuncio em letras douradas que a champanhe Korbel foi a champanhe oficial do novo milênio. Realmente.....
Hop Kiln winery
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A Hop Kiln é uma vinícola linda, bem na saída de Healdsburg. Paramos para dar uma olhada e ficamos encantados com os jardins na beira do rio, com muitas mesas de madeira para picnic—e alguns visitantes aproveitando, como deve ser feito. A vinícola também tinha uma vendinha na área de tasting, com uma variedade de mostardas, vinagres, óleos, pestos, vinagretes e molhos doces. Eu não provei nenhum, porque tinha acabado de almoçar. Mas marquei touca, não comprando nada para trazer comigo.
Sentamos ao sol para olhar o mapa e decidir qual seria o nosso destino. Nisso o Uriel viu uma blogueira celebridade e fez ela sentar se equilibrando no murinho e tirou essa foto dela toda descabelada, só para provar que blogueiras famosas são pessoas comuns. Pisc! Seguimos em frente.
Healdsburg, CA
A primeira cidadezinha que visitamos foi Healdsburg, no condado de Sonoma. Fiquei encantada com o lugar. As cidadezinhas das regiões vinicultoras aqui na Califórnia são todas umas fofuras, geralmente com uma downtown histórica, pracinha com coreto e muitas lojinhas e restaurantes bacanas. Healdsburg superou todas as outras que já visitei até hoje. É uma cidade adorável e certamente com a lista de restaurantes mais sofisticada. Ficamos como dois baratões tontos, tentando decidir onde almoçar. Eram muitas opções. Pra variar, dei uma passadinha nas lojinhas de antiguidades que eu adoro, enquanto o Uriel esperava sentado num banco na calçada, ou me seguia pela loja, reclamando de tudo. Encaroçar em loja de antiguidade abarrotada de coisinhas mil pra se olhar com marido que não gosta de fazer compras na cola, é missão impossível e destinada ao fracasso.
Russian River Valley
Passamos o final de semana no visitando vinícolas pelo Russian River, Alexander e Dry Creek Valley. Essa é uma área belíssima e extensa, fora do circuito hype do Napa e Sonoma Valley, mas com uma quantidade de vinícolas realmente impressionante. Muitas são pequenas e tocadas por famílias, outras são grandes e famosas. Tivemos uma visão de outra parte produtora de vinhos que ainda não tínhamos explorado. Vamos esquecer o Napa e o Sonoma Valley por um tempo e nos concentrar nessa outra região, que ainda vai render muitas visitas. Adoramos tudo que vimos e provamos e eu tirei tanta foto que ainda estou pensando como vou me organizar.
Gina de Santa Helena
Não sei se eu tinha comprado esse Cabernet Sauvignon de Santa Helena no Napa Valley, ou se alguém trouxe em alguma festa, mas ele estava na minha micro-adega e resolvi experimentar. Gosto muito dos rótulos modernos e criativos nos vinhos. Eu sei que o rótulo não interfere na qualidade da bebida, mas visualmente fica alegre e interessante. Os vinhos californianos têm essa presença de espírito. Esse não só estava alegre e caloroso, mas o Cabernet Sauvignon que a garrafa continha também fez bonito. Sou uma bitolada em Zinfandel, porque não entendo muito de vinhos, então me agarro à variedade que mais me agrada. Mas estou aprendendo com um amigo a finalmente apreciar os cabernets.
Quixote
Mais uma vez a Elise organizou um evento fantástico para os food bloggers de Sacramento, turma batuta na qual eu me incluo. Passamos o domingo na vinícola Quixote, recebidos com todos os salamaleques pelos simpáticos proprietários Pam Hunter e Carl Doumani. A vinícola fica um pouco afastada do circuitão do Napa Valley e só recebe visitantes que ligam e fazem reserva ou que são convidados, como nós fomos.
O que primeiro impressiona na Quixote é a sua arquitetura. Carl Doumani explicou em minúcias como ele e Pam contactaram o artista austriaco Frederick Hundertwasser para fazer o design da vinícola. Carl nos contou que foram anos de negociações, pois Hundertwasser tinha horror à cidade de San Francisco e não queria vir para os EUA. No final, o carismático Carl Doumani venceu e trouxe o artista para o Napa Valley, onde ele colocou suas idéias mais uma vez em prática. Tudo na Quixote parece ser encantado. O casal Carl e Pam é amante das artes e pra onde quer que se olhe, vê-se pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, objetos de arte de todos os estilos. A Quixote é um lugar realmente especial, escolhido para ser a casa de Pam e Carl, e que ainda produz um vinho orgânico delicioso e de altíssima qualidade.
Fomos recebidos com um tour pela vinícola, com explicações detalhadas sobre a cultura das vinhas orgânicas e depois fizemos uma experimentação de vinho e queijos, organizada pela chef Janet Fletcher, que foi treinada no Culinary Institute of America e no Chez Panisse. Ela escreve uma coluna sobre queijos no jornal San Francisco Chronicle e publicou vários livros. Um deles nós recebemos de presente. Nosso grupo era formado dos blogueiros e de três colunistas de revistas em Sacramento. Fizemos o tasting na casa de Pam e Carl, que é simplesmente uma formosura. Pam é apaixonada pela cultura japonesa, então a casa toda tem inúmeros elementos asiáticos na arquitetura e no decoração. Nosso tasting incluiu a variedade Cabernet Savignon e Petit Syrah combinados com queijos Zamorano, Pecorino di Grotta e Erhaki. O Pecorino foi o meu favorito. Também gostei muito do Petit Syrah, que era um vinho que eu nunca tinha experimentado
Depois do wine tasting tivemos um almoço, preparado pelo chef Raul Steven Salinas III, que estava simples, porém magnífico. Uma salada de folhas verdes com caqui Otow e nozes foi servida. Todos os ingredientes usados pelo chef eram locais e orgânicos. Depois nos servimos de Short Ribs assadas—que o chef nos contou ter assado por muitas horas no molho de vinho Petit Syrah e caldo de galinha. A carne estava desmanchando, delicada e e saborozissima. Acompanhou um refogado de cevada com legumes de outono assados—abóbora e nabo. A sobremesa foi um Apple Cobbler morninho, com chantily de baunilha.
Depois do almoço nos despedimos de Pam e Carl na Quixote e rumamos para uma visita à outra vinícola espetacular, a Quintessa que eu já tinha visitado no verão. No outono a paisagem é estupendamente linda! Na Quintessa fizemos mais um tasting da produção deles de 1993 e 2004—a Quintessa só produz um tipo de vinho, que é um blend. Mais queijos deliciosos, pasta de marmelo e bolachas integrais. Foi um dia cheio de delicias, excelente vinho, comida maravilhosa, companhia de pessoas incríveis com o melhor papo do mundo—comida! Pra mim, que nem me considero uma boa cozinheira, é um grande privilégio poder fazer parte desse grupo.
o vinho era do Carvalho
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Os Sequeira, os Sousa, os Freitas, os Ramos, os Silva, os Gomes, os Nunes, os Pacheco, os Carvalho. Famílias portuguesas imigradas para o centro norta da Califórnia e que se estabeleceram na área agrícola. Os portugueses estão espalhados pelo estado, mas percebe-se que já são segunda, terceira e quarta geração, sempre carregando as tradições e o orgulho do seus antepassados.
Passamos pelas fazendas dos descendentes, rumo ao nosso destino final—a Festa Portuguesa que acontecia no The Old Sugar Mill em Clarksburg. O lugar é uma antiga usina de açúcar de beterraba, que foi comprada por John Carvalho na década de 90 e restaurada para abrigar algumas vinícolas e um centro de eventos.
A festa estava bem simples, com o vinho e a música concentrando as atenções. A comida deixou muito à desejar. Eu reclamei à beça da carne e frango cozidos em muito vinho, do feijão adocicado misturado com linguiça e da salada de saco acompanhada de molho de vidro. Aquele rango não tinha nada de português ao meu ver, mas o pessoal que sentou-se à enorme mesa redonda com a gente, estava achando tudo uma delícia. Meus standards são realmente altos e eu sei que a comida portuguesa é o fino da bossa e muito melhor que aquilo. Bom, ao menos o bolinho frito, filhós, e os tremoços, tremos, estavam muito bons. E o vinho, é claro! Como eles não estavam vendendo apenas o copo, para bebedoras solitárias como eu, compramos a garrafa mesmo, que eu fui bebendo durante o passeio. Adoro fazer isso, caminhar pelo lugar com a taça de vinho na mão! O vinho, da vinícola Carvalho, estava supimpa!
A música também estava animando a festa, com a banda liderada por uma filha de portugueses que só na adolescência foi resgatar a cultura e a língua dos pais. Ela começou o show com uma música brasileira, de Vinicius de Morais. Mas depois tocou vários números tradicionais portugueses, com fados e até cantou uma música em inglês que dizia Amália, you are the queen!
Depois que visitamos as vinícolas, almoçamos o rango português pra inglês ver, ouvimos o fado e a bossa nova, encaroçamos pela lojinha de antiguidades e xeretamos dentro e fora da parte da usina que faz a produção do vinho, fomos caminhar pelo lado de fora, olhar uma casa que parecia abrigar os escritórios da usina. Lá encontramos um senhor de boné e fumando um cachimbo que veio puxar papo. Ele nos contou toda a história da usina, onde ele trabalhou por quinze anos. Nos disse que da década de 30 até a década de 70, toda aquela região onde hoje se planta uva, era coberta por beterrabas para fazer o açúcar. A concorrência e o corte de subsídios do governo decretou o fim da indústria. Ele contou que a sede foi trazida de Idaho em pedaços e remontada aqui na Califónia na década de 30, e nunca foi reformada. Olhamos através dos vidros da janela e ficamos encantados. Estávamos encantados também com aquele simpático senhor, que eu achei muito parecido com o meu pai, que se apresentou como Joe Sousa, um filho de portugueses da Ilha de Madeira. Ele contou histórias das viagens dele pela marinha durante a segunda grande guerra, que foi quando conheceu asiáticos e africanos que falavam português. Foi uma conversa muito interessante. Eu poderia ficar ali papeando com o Joe Sousa a tarde inteira, mas acabamos por nos despedir, ele—have a great life! e nós—you too!
o gato verde
Um amigo português, estudante aqui na UC Davis, foi a Portugal de férias e me trouxe de presente um vinho verde. Eu tinha levado uma garrafa do néctar refrescante para dividir no último picnic que tivemos e matraquei tanto sobre a minha mais nova paixão, que ele se comoveu e disse—vou te trazer uma garrafa de lá! E trouxe mesmo, oh gajo simpático!
Quintessa
O Marcelo Freitas estava procurando a tradução para o português de um ingrediente em inglês, quando aportou aqui no Chucrute com Salsicha. Ninguém precisa ler todos os meus arquivos para concluir que tenho essa preferência pelos produtos naturais e integrais. Foi por isso que ele decidiu me convidar para fazer uma visita à vinícola onde ele trabalha no Napa Valley. Antes preciso dizer que o Marcelo é brasileiro e trabalha com food & wine na Bay Area desde que chegou aqui nos EUA, há quase vinte anos. Ele sabe das coisas, e não somente de qualquer coisa, mas do que é realmente bom e de qualidade.
Combinei tudo com o Marcelo, convidei um casal de amigos, ela brasileira e ele chileno, e o professor espanhol. Gente que gosta e entende um pouco de vinho e que iriam ser excelentes companhia num passeio assim. No sábado saímos cedinho em direção à Rutherford, no coração do Napa Valley, onde irìamos fazer uma private tour na Quintessa Winery.
Vinícolas abundam aqui na Califórnia. Só no Napa Valley são duzentos e cinquenta. E nós já visitamos um bocado delas, mas nenhuma como a Quintessa. A vinícola não tem aqueles chamativos todos que as outras têm. A sua estrutura física é discretíssima, mas de uma elegância ímpar. Fomos recebidos pelo nosso simpático guia, que nos levou para um dos passeios mais fantáticos que eu já fiz pela terra do vinho. As duas horas e meia que se seguiram foram cheias de surpresas e eu aprendi muita coisa sobre vinho e sobre as maneiras de produzí-lo.
Primeiro o Marcelo nos contou toda a história da vinícola e dos seus proprietários, os chilenos Agustin e Valeria Huneeus. A história da paixão deles pela cultura do vinho, ele um homem de negócios e ela uma artista e visionária cheia de idéias inovadoras, nos cativou. Ouvimos com atenção, curiosidade e admiração o relato da compra das terras, do plantio das primeiras videiras. A Quintessa pratica agricultura sustentável e biodinâmica para produzir uvas Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Ficamos especialmente impressionados com a utilização prática e eficiente dos principios da Biodinâmica, onde tudo está em harmonia, planeta, céu, terra, estrelas, lua. Eles usam um preparado homeopático feito de silica, camomila, casca de carvalho e outras ervas como pulverização contra pragas e insetos. Valeria Huneeus além de tudo pratica o Zen Budismo, então não permite que nenhum animal seja morto na vinícola, nem mesmo os peixes do lago podem ser pescados.
Nosso grupo praticamente dominado por cientistas—dois professores de engenharia agrícola e um estudante de PhD de agronomia, teve reações de incredulidade e abismamento com relação à eficiência dessas práticas naturais e não tão disseminadas. Mas a qualidade das uvas e consequentemente do vinho provou que esse tipo de agricultura é possível. Conhecemos toda a vinícola, desde os campos de vinhas, até os cellars e depois fomos conduzidos à sala de degustação, onde pudemos bebericar safras de dois anos, 2003 e 2004, acompanhados de queijos e crackers e da explicação minuciosa e erudita do nosso guia. Segundo o nosso amigo chileno, esse foi o melhor vinho que ele bebeu na vida! Realmente, o sabor era delicioso, acentuado e suave. Me senti bebendo o resultado de todo esse processo harmônico, onde levou-se em conta todos os fatores da natureza sem pensar em maximizar safras nem lucro. Baco iria aprovar.
A segunda coisa que mais me impressionou, além da vinícola em si, foi o vasto conhecimento e cultura do nosso guia, Marcelo Freitas. Foi um grande prazer ter a companhia de alguém tão versado na arte de comer e beber. Recomendo aos visitantes do Napa Valley que façam uma parada obrigatória na Quintessa. Depois dessa visita, nenhuma outra tour ou degustação de vinho será tão gratificante.
Os vinhos da Quintessa são feitos com uma mistura primorosa de variedades de uvas. Como descreveu perfeitamente o nosso guia "o vinho feito com apenas uma variedade é como um concerto solo de violoncelo. a música é suave e linda. mas o vinho feito de diversas variedades é como o mesmo concerto tocado por uma afinadíssima orquestra. é uma experiência simplesmente indescritível."
o que vamos beber hoje
Meu cunhado, que está aqui nos visitando, é um português de Coimbra que entende dos bons vinhos. Estou aproveitando para pedir a opinião dele. Servi uns vinhos portugueses que ele gostou e muitos californianos, que ele está levando na mala. Ontem ele mesmo comprou essa garrafa numa wine store em San Francisco. Vamos beber hoje e dar nosso veredito.
welcome!
Recepção simpática - um casal de fazendeiros indicando o caminho, uma taça de um italiano pinot grigio & verduzzo acompanhado de queijo asiago, queijo cremoso também italiano com pasta de tomate seco no pãozinho - não se pode beber de estômago vazio - mais vinho, desta vez californiano, zinfandel e barbera do Sonoma county.
uvalândia
Na região do Napa tudo gira em torno dessa fruta. Uvas e videiras são praticamente onipresentes na paisagem. Essas videiras carregadas de uvas madurinhas e docinhas - eu comi uma - eram cerquinhas dividingo os lotes no estacionamento do Copia. Fica lindo, uma coisa realmente diferente. Depois as uvas secam, viram passas ali no pé, como já vi em algumas vinícolas, porque acho que ninguém colhe.
The Edible Gardens
Todo mundo anda pelo Copia carregando um copo de vinho. Eu caminhei pelo edible gardens sorvendo um Francis Coppola 2005 Pinot Noir Rose Carneros Sofia. Esse não foi tasting e o copo custou o preço da garrafa inteira. But who cares! Beber esse vinho caminhando por esse jardim que rescendia a lavanda já vale o preço.
Copia
Não cozinhei nem sexta nem sábado. No domingo, já tinha até pensado no menu do almoço quando ele sugeriu às dez da manhã - vamos lá no Copia?
Não precisou nem ouvir a resposta. Já fui tomar banho, me vestir e me aboletei sorridente no carro. Copia não é só a deusa romana da abundância, mas tambem um lugar muito bacana instalado na cidade de Napa. The American Certer for Wine, Food & The Arts é uma mistura de museu, galeria de arte, restaurante fino, cafeteria, espaço para eventos, wine tasting, cinema, jardim, horta, pomar. Passamos a tarde lá, comendo, bebendo, vendo, ouvindo, cheirando, tocando comida e vinho. Primeiro fizemos uma tour do local, depois almoçamos no café, que é ligado ao restaurante Julia's Kitchen [um dos 100 melhores da Bay Area, batizado em homenagem à Julia Child]. Depois vimos três exposições - a permanente, sobre comida, e outra sobre American Diners e garçonetes profissionais. Passeamos pelo maravilhoso jardim, que produz frutas, legumes e verduras orgânicos que provém o restaurante e o café. Não fizemos mais coisas por falta de organização e tempo. Já tínhamos vistado o Copia em 2002, mas estamos precisando ficar mais assíduos.
* seguirão fotos galore!
Coppola também faz vinho
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| Vinícola de Francis Ford Coppola no Napa Valley, CA |
Em 2002, fizemos uma visita à vinícola do Coppola no Napa Valley. O passeio vale muito pelo interesse no cineasta. Ele tem um museu de cinema na casa da fazenda, onde expõe mementos de filmes dele e outras coisas interessantes que ele coleciona. A vinícola é bonita e deve ter sido cenário de algum filme. Na época não bebemos o vinho de lá, mas como eu sempre vejo os vinhos Coppola pra vender nos supermercados, hoje comprei um Pinot Noir. Saberei em breve se o vinho do Coppola é tão bom quanto os seus filmes.

































































