alho fresco

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alho frescoalho fresco
alho frescoalho fresco

Vale a pena esperar pacientemente por um ano pela chegada do alho fresco. Não tem nada melhor do que isso. Os dentes são gigantes, macios, com aroma e sabor super forte, sem aquele broto verde no meio, apenas uma polpa cremosa. O mocinho do mercadinho onde eu compro esse alho [que é da horta deles] me disse que as tias dele comem o alho puro, como se fosse uma fruta. Eu não chego a tanto, porque esse alho é muito forte e um dente basta pra deixar qualquer receita bem alhuda. A primeira comida que fiz com ele foi um [clichê] macarrão ao alho & óleo [/clichê]—com aliche e salsinha.

the pie ranch

so manyso many
so manyso many
so manyso many
so manyso many
so manyso many
so manyso many
so manyso many
so manyso many

Se você estiver rodando distraidamente pela belíssima Highway 1 e na altura de Pescadero ver uma placa—slow down for pie, pare imediatamente. Estacione, entre no celeiro e coma tortas, bolos e cookies deliciosos, beba uma xícara de café ou chá, compre uns feijões heirloom, ovos caipiras ou legumes e frutas orgânicos, mas não deixe de dar um rolê pela fazendinha escola da Pie Ranch. Achei o projeto muito bacana, onde as crianças e adolescentes vão aprender sobre autonomia e sustentabilidade. Eles trabalham com voluntariado e promovem um arrasta pé uma vez por mês, com dança e comida. Pena que para nós é um pouco fora de mão, senão eu iria certamente querer ir num desses forrós.

foraged citrus

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Não sei se há uma palavra apropriada no português para o ato de fazer forage—que é basicamente buscar por alimentos pelos arredores onde vivemos. Isso é uma coisa que existe desde os primórdios da humanidade, como sempre tinha alguém para pegar frutos daquela árvore na beira da estrada ou colher cogumelos e frutas silvestres na floresta. Felizmente essa prática vem se espandindo e se popularizando, tanto que começou a ser adotada também para as áreas urbanas. Em muitas cidades já existem redes de pessoas que praticam o foraging e que se conectam para trocar produtos, listar os melhores lugares, as áreas com plantas comestíveis e árvores frutíferas. Eu tive o privilégio de conheçer dois famosos urban foragers—a brasileira Neide Rigo que pega plantas e frutas pelas ruas de São Paulo; e o americano Hank Shaw que colhe todo o tipo de ingrediente comestível na nossa prolífica região do norte da Califórnia. Eles são pra mim o melhor exemplo de como podemos tirar proveito da abundância de produtos que proliferam espontaneamente ao nosso redor. Eu infelizmente ainda não pratico o foraging com muito afinco, apesar de viver num ambiente mais do que propício. Mas quando algo simplesmente aparece na minha frente, eu não perco a oportunidade e depois guardo a informação para repetir a dose. Como por exemplo, os limoeiros de ninguém que ficam na minha ex-vizinhança e onde todo inverno desde sei lá quando eu colho os deliciosos limões rosa. E no campus da universidade já marquei as árvores de kinkãs que neste momento estão carregadas de frutinhas. No ano passado fiz geléia com elas. Neste ano ainda nem sei o que vou fazer com elas, mas já fui colher uma sacola cheia.

colhendo frutas [u-pick]

Market Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market Flowers
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Market FlowersMarket Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market Flowers

Desta vez fomos colher frutas na fazendinha orgânica da road 99 um pouco mais cedo e pegamos a [curta] temporada dos damascos. No ano passado colhemos apenas morangos e berries. Ficamos bem animados este ano e já voltamos duas vezes. Os morangos são deliciosos e segundo um amigo do meu marido que provou alguns, eles são os melhores que ele já comeu na vida! Eu até acredito. As berries ainda não estão super maduras, mas os damascos estão um caso à parte. As árvores estão carregadíssimas e as frutas estão lindas e dulcíssimas. Meu marido, que tem anos de experiência projetando robots chacoalhadores para colheita em árvores frutíferas, improvisou um chacoalhador manual no meio do pomar e pudemos coletar as frutas mais maduras que cairam das árvores. Adoramos e admiramos o fato da fazendinha usar o honor system na hora do pagamento. Nunca tem ninguém lá vigiando quem pega ou quem paga. Você colhe, você pesa, você paga o que eles pedem—treze dólares pelo baldinho cheio para morangos e damascos e quatro e cinquenta para o pound das berries. Acho que não dá pra ser mais local, mais fresco e mais próximo do produtor do que isso, né? É por essa, entre muitas outras, que eu adoro viver aqui na roça!

T & Y Strawberry Patch

T & Y Strawberry PatchT & Y Strawberry PatchT & Y Strawberry Patch
T & Y Strawberry PatchT & Y Strawberry PatchT & Y Strawberry Patch
T & Y Strawberry PatchT & Y Strawberry PatchT & Y Strawberry Patch
T & Y Strawberry PatchT & Y Strawberry PatchT & Y Strawberry Patch

O farmers market de Woodland ainda está em recesso, então eu estava indo no de Davis uma semana sim, outra não. Mas um dia deu uma baita preguiça. Era um lindo sábado ensolarado e eu queria ficar por aqui mesmo, na roça, sem ter que pegar estrada, procurar vaga pra estacionar e esses troços todos. Resolvemos sair a procura de um fruit stand, uma banquinha, uma vendinha. Afinal estamos numa área agrícola, cercados por fazendas, pomares de frutas, campos de tomates e trigo, pastagens com carneiros, cabras e vaquinhas. Seguimos até o final da Main Street, que virou road 16 e logo vimos os sinais indicando a venda de morangos.

Já voltamos lá várias vezes, pra comprar mais laranjas da fazenda do Tony Turkovich, ovos das galinhas hillbillies, limões e limas, aspargos, ervas-doce, alcachofras, mexiricas, abacates e até lindos morangos, que já deram o seu ar da graça. O lugar é super simples—a venda, num barracão espaçoso na frente e a horta e um pomar de amêndoas atrás. Muita coisa é produzida ali outras vêm dos arredores, tudo local e sem agrotóxicos, nos garantiu o mocinho asiático que cuida do caixa. Cada vez que vamos lá conhecemos alguém diferente, mas parecem que são todos da mesma família. O Uriel perguntou a história deles e assim ficamos sabendo que eles são refugiados do Laos. Vieram para os EUA no final dos anos 80, ficaram um tempo vivendo num campo de refugiados e depois se estabeleceram em Woodland.

Tenho gostado muito de fazer minhas compras lá, porque é perto, é conveniente e os produtos são fresquissimos e baratos. E é mais uma opção pra mim. O mocinho que sempre nos atende disse que no verão eles terão um mundarel de frutas, locais—além dos legumes, verduras, amêndoas, pistachos, mel e lavanda.

da terra da laranja

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Temos conversado muito sobre as laranjas e os limões porque esses cítricos andam onipresentes nas minhas andanças pela minha vizinhança em Woodland. Pra todo canto que eu olho, vejo árvores carregadas desses frutos. Sentada no sofá da sala de estar vejo duas árvores do vizinho de cá, da cozinha vejo outras duas do vizinho de lá e o vizinho da frente tem mais duas, todo mundo parece ter pelo menos uma laranjeira e muitos tem limoeiros. Devo ter ficado com algum tipo de obsessão cítrica depois que mudei de casa e fiquei lemontreeless, sei lá. O caso é que as laranjeiras carregadas de frutas de cores florescente estão todo o tempo no meu campo de visão e a frase que eu mais repito é—como eu queria pegar um tanto delas pra mim! Mas se não posso apenas ir pegando as frutas que quiser nas árvores alheias [trespassing!], resigno-me a aguardar pacientemente que alguém decida ser um vizinho benemérito. E de fato isso realmente acontece: noutro dia ganhei um saco de limões de uma vizinha e no sábado ganhei uma sacola cheia de laranjas de outra. Ela e o marido passaram a manhã colhendo laranjas de duas árvores, distribuiram um tanto e deixaram o restante em caixas na calçada para quem quisesse pegar. Dividir frutas com os desprovidos é, ao meu ver, uma das maiores manifestações de desprendimento, generosidade e benevolência humana.

zigalhões de tomates

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Em todos os anos que vivi em Davis minha proximidade com a colheita dos tomates se resumiu aos tempo em que o Uriel trabalhou na maior fazenda produtora da região testando uma máquina; e aos caminhões carregados da fruta que eu via indo e vindo pela estrada durante o mês de agosto. Mas agora, morando em Woodland, minha perspectiva de visão mudou bastante. Estou mais próxima do que jamais estive dos tomates, já que há campos deles até dentro do perimetro urbano. Outro dia entrei na cidade e vi duas caçambas de caminhão lotadas até o topo com tomates e o pessoal da colheita já se preparando para ir embora. Sendo eu quem sou, parei o carro no acostamento poeirento, fui até o primeiro moço que parecia ser o chefe da parada e pedi licença pra tirar uma foto com o celular. Ninguém entendeu nada, mas pra mim tudo isso é simplesmente incrível. Nem sei explicar como me sinto quando sou confrontada com essa abundância agrícola de verão. Na saída mostrei a foto pra outro moço com o rosto queimado de sol e um sorrisão cheio de dentes bem brancos, e comentei—BEAU-TI-FUL!

Eu realmente acho os campos de tomates bonitos, quase singelos. E neste momento estou encantada com a visão dos caminhões pela estrada, o acostamento salpicado de frutas caídas das carrocerias lotadas, as caçambas esperando solitárias no meio dos campos para receber toneladas de tomates, tomates e mais tomates. Voltando do trabalho por uma estradinha vicinal [minha mais nova mania—achar estradinhas alternativas para chegar em casa], vi muitas caçambas, muitos tomates e muitos campos já escalvados, mostrando o rastro da máquina que arrancou as plantas e limpou a terra, deixando só uma vastidão de poeirão.

Tenho ido ao Farmers Market da cidade e os pequenos fazendeiros locais que vendem seus produtos estão oferecendo tomates de todos os tamanhos e cores. Agora estou na expectativa de ir colher tomates eu mesma para fazer molho e estocar pro resto do ano. Vou naquela fazenda orgânica que oferece u-pick e usa o honor system. Passo por ali todos os dias e vejo que os donos mantém uma vendinha solitária bem na entrada da fazenda, sem ninguém presente pra coletar o dinheiro. Coisa que já não se vê mais por aí.

Quando fui pela primeira vez assinar a papelada da nossa oferta da casa na imobiliária em Woodland, o corretor me falou—acho que você vai gostar muito de morar aqui, no verão temos os melhores morangos e os melhores tomates. Hoje sei que ele não estava mentindo, nem aumentando ou inventando.

dez quilos de tomate

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A fazenda orgânica enviou uma mensagem avisando que eles estavam com um surplus de tomates e estavam vendendo caixas de 10 quilos por 20 mangos cada uma. Me entusiasmei ao ponto do histerismo. Respondi correndo dizendo que queria comprar uma. Quando os tomates aportaram na minha cozinha, percebi o tamanho da encrenca em que tinha me metido. Mas nessa altura a Inês já estava morta e só me restava arregaçar as mangas e começar a rebolar. Decidi usar a tomatada para fazer molho pra congelar. Achei que seria o processo mais fácil. Felizmente tivemos um final de semana de temperaturas muito amenas e pude ter panelões borbulhantes dominando o cenário da minha cozinha. Fazer molho não é complicado, mas envolve tempo. Eu gosto do molho bem grosso, então tem que deixar reduzir em fogo baixo por bastante tempo. Depois de um final de semana frenético, consegui estocar quase uma dúzia de potes de vidro cheios de molho de tomate, que vão com certeza ajudar a alegrar os dias chuvosos do próximo inverno. Aproveitei também para gastar uma enorme coleção de casca de queijo parmesão, que vou guardando para usar em molho ou para rechear braciolas.

Fiz um molho de tomate bem simplificado. Se quiser pode acrescentar carne, mas eu prefiro sem.

Cozinhe primeiro os tomates com 1/3 de água numa panela funda. Cozinhe até os tomates racharem. Bata tudo no liquidificador—tomates cozidos e água do cozimento. Passe tudo por uma peneira.

Numa panela grande, funda e robusta, coloque um tanto de azeite e refogue cebola, talos de salsão e cenouras, tudo bem picadinho. Quando os legumes estiverem bem macios, junte o purê de tomates já cozido e peneirado. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. Junte umas folhas de louro e pedaços de casca de parmesão [a parte dura, que não dá pra ralar]. Deixe cozinhar em fogo baixo, até o molho ficar na consistência desejada. Não deixe muito aguado, tem que ficar um tanto grosso. Quanto mais reduzir, mais grosso e melhor fica.

Deixe esfriar, remova as folhas de louro e os pedaços de casca de queijo, coloque em vasilhas de vidro com tampa e guarde no congelador.

maçã gala

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São apenas maçãs gala, alguém dirá. Mas não são qualquer maçãs gala, explicarei. Essas são especiais pois chegaram fresquinhas no Co-op direto de uma fazenda aqui pertinho, na cidade de Winters. Pra mim, maçã nunca cheirou nem fedeu. Essa sempre foi uma fruta que nunca me seduziu. Boa pra entrar em receitas, mas pra comer pura, era a última opção, logo depois da pêra. Mas isso começou a mudar quando comecei a provar as maçãs locais, dos pomares da minha região ou vindas do estado de Washington. Que diferença! Primeiro comecei a perceber as inúmeras variedades de maçãs produzidas por aqui. Prova uma, prova outra, prova mais algumas e pronto, fiquei totalmente encantada com essa fruta que era antes para mim um total patinho feio. Produtos da estação e locais—não canso de bater nessas teclas, porque quando as pessoas começarem a perceber a diferença que esses detalhes fazem, tudo vai mudar—e pra melhor. Já nem menciono minha preferência absoluta pelos orgânicos, porque é chover no molhado. Não tem o que discutir, né? Orgânico é a melhor opção, especialmente se o produto estiver na lista dos mais contaminados por agrotóxicos, como é o caso da maçã aqui nos EUA. Então as maçãs que eu consumo são orgânicas, compradas somente na estação e produzidas o mais próximo possível de onde eu vivo.

O que aconteceu é que passei a consumir maçãs diariamente. Durante o outono e inverno me deliciei com diversas variedades, até perceber no final do inverno que as maçãs à venda no Co-op tinham plaquinhas mostrando que elas vinham da Argentina e Chile. Parei! Comer uma fruta que cruzou um continente? Que vai ter gosto de isopor? Essa não é minha praia.

E nem precisei choramingar, pois logo foram chegando as frutas de verão, cornucópia maravilhosa que me deixa completamente enlouquecida por alguns meses no ano.

Mas noutro dia cheguei no Co-op e logo vi um engradado enorme cheio de maças com a plaquinha indicando que eram locais, da cidade de Winters e o nome da fazenda. A primeira colheita de maças do ano—early harvest! Me inclinei para olhar e cheirar e essas eram as maçãs mais delicadas, perfumadas e frescas. Algumas frutas eram bem pequenas, outras ainda tinham as folhinhas penduradas no caule, tão lindas, me deixaram salitante de felicidade! Comprei um bocado, que arrumei num prato e coloquei sobre mesa de centro da sala. Assim elas decoram e perfumam o ambiente e vamos comendo conforme a vontade. Uns colocam caixas de chocolate na mesinha da sala, eu coloco um prato com maças. Como o Obama faz no seu escritório no oval office da Casa Branca. Juro que não roubei a idéia, foi apenas uma coincidência. *pisc!

Bem-vindos à Tomatolândia!

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Até o final do verão, a qualquer hora do dia ou da noite, quem pegar a state route one thirteen—a estrada que liga Davis à Woodland, vai poder ver os caminhões com carreta dupla transportando toneladas de tomates. É um vai e vem típico do verão na região do estado que mais produz tomates no país. Até setembro os acostamentos vão estar avermelhados com os tomates que escaparão das carretas e se espatifarão pela estrada. O cheiro doce dos tomate maduros vai estar infestando o ar. A colheita corre solta, as processadoras de tomate à todo vapor, muitos estudantes aproveitam para ganhar uma grana extra dirigindo os caminhões ou trabalhando nas enlatadoras.

No final da década de 90 o Uriel tinha um projeto com tomates e testava sua maquininha durante a colheita na fazenda do maior produtor de tomate dos EUA. O dono da fazenda, que meu marido chamava apenas de Tony, é responsável por suprir a demanda de catchup do país—imaginem a enormidade disso: catchup pra molhar a batatinha de trezentos milhões de americanos. Numa linda noite de verão em plena colheita dos tomates, quando muitas vezes os pesquisadores passavam a noite no campo junto com os colhedores, eu acabei numa situação bizarrissima. Fui caminhar e não levei a chave. Quando voltei o Uriel tinha regressado apressadamente para o campo de tomates e me deixou trancada pra fora de casa. Foi aí que eu descobri a verdadeira extensão da fazenda do tal Tony. Dois amigos se aventuraram pela noite na tentativa de encontrar o meu marido, para eu poder entrar em casa, e voltaram horas depois de mãos vazias. A fazenda do Tony não tinha UM campo de tomates, mas VÁRIOS, espalhados pela região. Achar o Uriel iria ser como achar uma agulha num palheiro. Naquela época nós achávamos desnecessário ter um aparelho de telefone celular. Eram outros tempos, outra mentalidade, outro século.

Eu costumava propagandear em tom jocoso que vivia na tomatolândia, porque passava o verão atolada nas frutinhas vermelhas. Todo ano elas apareciam insistentemente em quantidades absurdas na minha cozinha. Hoje isso não acontece mais, já que os atuais projetos do Uriel se concentram nos pistachos e nas azeitonas. Mas continuo vivendo no centro da região tomateira e não posso deixar de aproveitar a variedade imensa desses frutos, que chegam à nossa mesa todo verão numa profusão de cores e sabores. Agosto é o mês mais pululante para os tomates no Farmers Market. E quando vou à Woodland passo por caminhões e mais caminhões lotados de tomates. O cheiro dos tomates, as cores dos tomates, os sabores dos tomates, as infinitas receitas com tomates, tomates, tomates, tomates, tomates!!!

vai começar o ano!

Estava lendo o delicioso post da Valentina, sobre o seu linguine com butternut squash e parmesão, e não pude deixar de pensar que simplicidade é TUDO! Tenho refletido muito sobre isso nesses dias, porque tenho cozinhado pouquíssimo, tenho tentado gastar os ingredientes que estão na geladeira e me preparar para a volta da minha cesta orgânica, que esteve de férias por três semanas. Na hora do almoço recebi o e-mail da fazenda, listando os produtos que vão chegar e fiquei felicíssima com o conteúdo da cesta que ainda não peguei. Vai ser uma alegria lavar e guardar todas esses legumes e verduras saudáveis e frescos e depois planejar o que fazer com eles. Pensando nisso, e olhando a foto do linguine da Valentina tão lindo, majestoso e apetitoso em toda a sua simplicidade, cheguei a conclusão que gosto muito dessa maneira de cozinhar, que não envolve grandes peripécias, nem ingredientes carésimos e raros, mas que é a melhor comida do mundo, porque é fresca, foi feita e vai ser degustada num breve período de tempo, não causou alvoroço, mas deu muito prazer e ainda contribuiu para a nutrição caprichada do nosso corpão! Hoje vai ser uma noite especial, com um jantar especial, feito com amor - como foram colhidos e empacotados os produtos pelo Raoul, Rachel, Dori, Catherine e o Scott - e com simplicidade. Batatas, cenouras, limões, alho, cebola, brócolis, repolho, couve, beterrabas, rabanetes negros, nabos e abóboras - olá! iuuuurúú!!

O menu sazonal

Muita gente deve achar um tédio comer apenas os produtos de temporada. Eu não acho. Muito pelo contrário, pois descobri que comendo verduras, legumes e frutas da temporada você ganha em sabor. Não tem como comparar uma fruta ou um legume colhido naquela manhã, ou naquela semana, ali numa fazenda na sua região, trazida madurinha e fresquinha pra feira, sem precisar percorrer zilhometros de trem, avião, caminhão, tudo sob refrigeração. Um tomate de época—delicioso! Um tomate fora de época, colhido verde num outro lugar do mundo e refrigerado para aguentar o longo caminho até as gôndolas do supermercado—gosto de nada!

Sabemos que as fruitas frescas são uma tradição do nosso Natal brasileiro e que nessa época sempre achamos cerejas vindas do Chile para completar o nosso lindo arranjo natalino. Eu demorei pra me acostumar a um Natal sem pêssegos, abacaxis, nectarinas, cerejas, mangas—o que mais? Meu primeiro Natal no Canadá foi traumatico. Mas acostuma-se, adapta-se, tudo tem seu lado bom. No primeiro Natal do meu irmão aqui nos EUA, fomos a Los Angeles para festejar com ele e sua família. No arranjo da mesa da ceia havia uma linda bandeja com frutas—uma delas, cerejas. Estamos na Califórnia, alright, mas isso ñao quer dizer que vamos encontrar cerejas fresquinhas year-round. No verão as cerejas são abundantes, carnudas, suculentas, dulcíssimas! No inverno, elas vem também lá do Chile, como as das mesas brasileiras, só que aqui elas chegam com gosto de NADA, além de custarem uma fortuna. As cerejas do Natal na casa do meu irmão foram uma decepção....

Fiz a mesma burrice quando uma vez fui atacada por um sentimento de nostalgia e comprei damascos, vindos de sei lá onde, em pleno inverno. Nossa senhora, não tinha nem comparação com o sabor dos nossos damascos californianos, as frutinhas douradas que iluminam o nosso verão!

Então hoje me abstenho de consumir produtos fora de estação—fico com o que vem na minha cesta orgânica—que é totalmente sazonal, e o que vejo pelo Farmers Market. Eu aproveito a frescura e o sabor dos alimentos e ainda contribuo para uma agricultura local sustentável, apoiando e consumindo dos produtores da minha região. Portanto, se quer meu conselho, não invente moda e não insista em querer fazer aquela receita de torta de tomate nesta época do ano, pois agora a Inês já é morta!. Tomates bons, só no próximo verão!

Aproveitando dois produtos de outono - butternut squash e sweet potato [abóbora e batata-doce], fiz uma sopa improvisada que ficou surpreendentemente deliciosa.

Sopa cremosa de abóbora e batata-doce
Cortei meia abóbora em cubinhos. Usei três batatas-doces pequenas, que já estava cozidas, mas podem ser usadas cruas também, cortadas em cubinhos. Refoguei no azeite meia cebola picadinha e um dente de alho. Acrescentei a abóbora e a batata. Refoguei mais uns minutos. Joguei um litro de caldo de galinha e uma xícara de vinho branco. Sal e pimenta moída a gosto. Deixei cozinhar por uma meia hora. Triturei tudo com o processador manual - pode ser no liquidificador também. Acrescentei meia xícara de crème fraîche—pode substituir por creme de leite—bati bem com o batedor manual. Desliguei o fogo e antes de servir acrescentei bastante salsinha fresca picada e láminas de amêndoas torradas.




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