Burma Superstar

Adicionei esse restaurante na minha lista de lugares para comer em San Francisco em abril. Como sou atrapalhada, mas nunca desisto de uma missão, conseguimos jantar no Burma Superstar no inicio de dezembro. Valeu a pena esperar tanto tempo? Claro que valeu! Fui buscar o Uriel no aeroporto e na volta entramos na cidade e chegamos na Clement Street às 4:30 da tarde. Era um pouco cedo para jantar, mas lembrei de ter lido sobre as imensas filas para comer nesse lugar. Na hora que chegamos não tinha ninguém, chegamos juntos com dois moços e ficamos ali na frente. Precisei dar um pulo na farmácia e quando voltei a fila já estava virando a esquina. Foi uma alegria saber que éramos os primeirões. O Uriel já tinha ficado amigo dos moços, um deles até falava português aprendido com videos e livros. Às 5 em ponto as portas se abriram, entramos e sentamos na mesa ao lado dos moços amigos da fila. O lugar é bem pequeno, então as mesas são bem juntas [tipo ter que tomar cuidado pra não encostar a bunda no prato de arroz do vizinho ao sair, como eu quase fiz] e ficamos conversando e trocando ideias sobre o cardápio. Em 15 minutos o restaurante já estava completamente lotado e borbulhando com comensais animados e famintos. Do lado de fora a fila se avolumava e um banco estratégicamente instalado para o conforto e um chazinho servido como cortesia ajudava o pessoal aguentar a espera. Fizemos perguntas sobre as opções do cardápio para o atendente e é claro que ele recomendou a salada mais popular, com folhas de chá de Burma, que foi o que pedimos. Além das samosas burmesas, eu pedi uma sangria com lichia, barriga de porco com pickles de folhas de mostrada e o Uriel um camarão com folhas azedas. Acompanhamos tudo com arroz de coco. Estava tudo super gostoso. E diferente. A salada vem com os ingredientes separados, que são misturados com destreza e movimentos acrobáticos na nossa frente. As folhas de chá tem um sabor bem diferente, nós gostamos! Comemos um bolo de chocolate e gengibre de sobremesa, que também estava bom. Recomendei o Burma Superstar para todo mundo no meu círculo de amigos e conhecidos que gosta de comida asiática, mas de vez em quando quer provar algo diferente do tailandês ou do indiano/nepalês. Burma é a nova onda.

Burma SuperstarBurma Superstar
Burma SuperstarBurma Superstar
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Burma SuperstarBurma Superstar

treze de abril

Não nos importamos de dirigir até San Francisco num sábado pela manhã, porque adoramos visitar a cidade e neste dia iríamos reencontrar nossos primos de Atlanta que estavam passando uns dias na Califórnia. Fizemos uma visita à região do Japantown, que naquele final de semana estava em polvorosa por causa do Cherry Blossom Festival. Passeamos pelas ruas movimentadas, encaroçando em lojinhas, assistindo alguns shows e demoramos um pouco para achar um lugarzinho pra comer. Olhamos no Yelp e demos com a cara na porta de um restaurante que parecia muito bom, mas que ao invés de estar servindo comida estava vendendo todas as suas cerâmicas e encerrando suas atividades. Escolhemos então na base do unidunitê, o lugar menos cara de território de turista e entramos. O Juban é um daqueles japoneses-coreanos com uma grelha embutida na mesa pra você mesmo fazer seu ranguinho. Além do mais, assim que chegamos tagarelando em português uma das garçonetes veio se apresentar. Era uma brasileira. Ou melhor, um brasileiro. No restaurante japonês em San Francisco fomos atendidos gentilmente por um travesti paraibano chamado Silva. Eu achei ela muito linda e prestativa, pois ainda nos deu várias dicas valiosas para quem nunca tinha entrado num lugar como aquele. Perguntamos se vinha muita comida e a Silva nos fez gargalhar respondendo com seu sotaque charmoso—aqui tudo é pouco, só o gerente que é muito! [whatever that means, hahaha!] Eu pedi um prato com fatias de carne cortadas super fininhas, que vieram cruas e temperadas com molho, acompanhadas de legumes também crus, arroz branco e vários tipos de pickles e kimchi. Foi divertido cozinhar nossa própria comida na grelha da mesa. E pra completar ainda bebemos uns drinks bem coloridos e refrescantes que vinham num copão torto.

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SF in familytrees of fall

Depois do almoço fomos, por escolha da nossa prima, visitar um dos landmarks de San Francisco—o Alamo Square, onde ficam as Painted Ladies, as famosas casinhas vitorianas mundialmente conhecidas e amplamente fotografadas. O parque é pequeno, mas muito gostoso pra fazer caminhadas, embora naquele dia o vento estivesse particularmente inclemente. Tiramos as fotos que todos tiram, enquanto muitos grupos faziam picnic no gramado do lado mais popular do parque.

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Como os nossos primos combinaram de encontrar amigos que também moram por aqui, acabamos num grupo relativamente grande para jantar e eu tive um pouco de dificuldade para achar um restaurante bom na cidade que fizesse reserva e acomodasse um número grande de pessoas. Depois de muita buscar por algo no Yelp e no Open Table achei um restaurante turco em Potrero Hill, chamado Pera. O lugar é bem agradável, o serviço atencioso e a comida estava muito boa. Como todo mundo queria conversar com todo mundo, facilitamos pedindo várias bandejonas com diferentes appetizers que dividimos entre nós. Não reparei no que os outros pediram, mas todo mundo elogiou a comida. Eu pedi o especial da noite, que era um filé de habilut. Bebemos um chenin blanc da vinícola Dry Creek em Clarksburg que estava tão bom que acabei bebendo mais do que devia, por isso não tem quase nenhuma foto das comidas, só um clique aqui e outro ali. Uma pena, porque os pratos eram lindos. Finalizamos tudo com chá e café turco. Depois fomos para o hotel beber cocktails e conversar mais. Queremos muito que nossos primos venham para cá mais vezes, porque é sempre muito divertido estar na companhia deles.

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vinte e sete de dezembro

Uriel precisou renovar o passaporte brasileiro e como estávamos em férias, fomos até San Francisco num dia de semana. Aproveitei para dar um rolê pelas lojinhas e fazer umas comprinhas, o que nos dias seguintes ao Natal traduz por pegar muita fila e lojas cheias por causa das liquidações. A cidade é sempre linda, mesmo com hordas de turistas lotando ruas, restaurantes e lojas. E depois de muitos dias de chuva, pegamos um dia maravilhoso de céu azul, até um pouco menos frio do que o de costume.

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Como fiquei duzentas horas pra decidir minhas compras [incluído horas na fila pra entrar no provador mais horas na fila para pagar—argh!] fizemos um amoço bem tardio. Caminhamos pela região do Financial District procurando por restaurantes que o Yelp tinha nos indicado, mas que estavam fechados. Acabamos na fronteira de Chinatown e eu imediatamente tomei a oportunidade, pois sempre quis comer num restaurante chinês nessa região mas nunca tive coragem de me aventurar, porque tudo lá parece tão perigosamente imundo. O Yelp nos indicou o House of Nanking que é um restaurante ícone no local, sempre lotado de turistas que chegam para provar as delicias que eles preparam lá. E eu agora entendi porque. O lugar tem um menu um pouco diferente dos restaurantes chineses de praxe, embora tenha um ambiente caótico com serviço rude e confuso. Gostei de tudo que comi lá, o pastel de camarão com um molho, a salada de broto de ervilha, o frango com gergelim e batata doce [que é o prato chefe da casa e para o qual abri uma exceção, porque não como carne nunca em restaurante asiático] e a berinjela que foi pedido do Uriel. Até o canecão de chá de flor com goji berry estava diferente. A conta também se distingue dos outros restaurantes chineses, porque é um pouquinho mais salgada.

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Batemos um pouco de perna em Chinatown, que é sempre uma experiência interessante, depois pegamos o carro e fomos dar uma volta para matar hora e não pegar aquele tráfego miseráver na I80 nos dias de semana. Fomos para a região da Union Street que é uma fofura, cheia de lojinhas, restaurantes e cafés. Paramos no La Boulange para beber algo e comer umas gostosuras da padaria francesa. No nosso trajeto de encaroçação entramos numa lojinha cheia de coisas legais e imediatamente a vendedora nos ofereceu uma taça de vinho rosé. O negócio é que ela também estava bebendo [mais do que os clientes] e falava mais que a boca, me explicou mil detalhes de tudo na loja, perguntou de onde estavamos visitando, disse que conhecia Woodland e ainda lascou um—está nevando lá pros lados de Sacramento? —está quase, eu respondi.

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San Francisco — California

primeiro de setembro

Não sei se vocês sabem, mas eu leio todas as revistas que assino com meses de atraso. A única exceção é a Martha Stewart Living e a Sunset, que adoro e devoro assim que sou avisada que elas estão disponíveis no iPad. Já as outras vou lendo quando posso. Foi por isso que li essa matéria de julho sobre o dogpatch em San Francisco somente noutro dia. É uma área mezzo industrial/mezzo residencial que tem se desenvolvido e se modernizado desde a década de 90.

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A reportagem da revista Bon Appetit deu algumas opções de lugares para comer e eu quis conhecer o restaurante Piccino, instalado numa casa vitoriana amarela numa esquina bem charmosa do bairro. Chegamos sem reserva, o que não é uma coisa que eu arrisco fazer sempre, mas não houve problema. O lugar estava bem cheio, mas nada comparado com as áreas mais turisticas da cidade. Dividimos uma salada de figos, queijo gorgonzola local, rúcula e avelãs. O Uriel pediu um panini de tomate com ragout de cogumelos e eu um gnocco de semolina com vagens francesas e um caldo com pesto saborosissimo. Eu bebi um vermentino de Alta Mesa, California. Não pedimos sobremesa porque eu queria tomar o sorvete da Mr. and Mrs. Miscellaneous, uma lojinha de gostosuras que fica na outra esquina. Escolhi gulosamente dois sabores—azeite e chá preto inglês, que acabou sendo o meu favorito. Meu marido, mais comedido, escolheu somente uma bola de gengibre cristalizado. Os sorvetes deles são muito bons.

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Depois fomos dar uma volta pelas ruas do Mission district, que fazia uma parte coadjuvante na reportagem da Bon Appetit, mas não seguimos nenhuma das dicas. Eu queria mesmo era passar na Tartine Bakery para comprar os famosos pães, que dizem ser uns dos melhores dos EUA. Andamos pela 18th street que estava apinhada de gente. Entrei na fila da Tartine—que me pareceu nunca tem fim, e quando chegou a minha vez fui avisada de que eles só teriam pão depois das 4:30pm. Naquele momento só estavam servindo bolos, tortas, sanduiches. Resolvemos andar pelo bairro, olhar lojinhas de antiguidade, comprei um picolé na esquina, entramos na abarrotada Bi-Rite que vendia tomates, figos [esses um tanto amassados] e outras delicias frescas daqui da nossa região. Demos risada. Voltamos para a Tartine onde finalmente comprei dois pães, que são enormes e estavam quentinhos, crocante por fora, macio por dentro. Atravessamos o Dolores park e voltamos para o carro mastigando nacos de pão pela rua. Não conseguimos evitar!

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Sou daquelas habitante da roça pra quem ir até a beirinha do continente e olhar para o oceano é algo altamente especial. Por isso neste dia aproveitamos para dirigir até a Ocean beach, que não é a praia mais linda da região, mas tem o charme de ter a Cliff House no seu extremo direito. A história dessa casa, que agora hospeda um restaurante e um bar e a do Sutro Baths, a incrível piscina pública que hoje só se pode visitar suas ruínas é absolutamente fascinante. Nessa altura já estava ficando tarde e decidimos jantar em algum lugar por perto. Como sábado pra nós é dia de comer pizza, o Yelp nos indicou a pequena Pizzetta 211 no Richmond district. O lugar é bem pequeno, no estilo da pizzaria Delfina, mas é ambientada como um bistrô francês. Os vinhos são também na maioria franceses, o que eu achei que destoava um pouco de um lugar que servia pizza. Mas deixando de lado os dogmas gastronômicos, bebi um vinho francês, branco e seco, muito gostoso, dividimos uma salada de farro com vagens e tomates e pedimos uma pizza para cada um—uma de berinjela assada, outra com mussarella e anchovas brancas. Voltamos pra casa já estava noite. Foi um dia muito bom.

San Francisco [express]

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No segundo dia do passeio com nossos primos, chegamos ainda mais tarde em San Francisco. Estando na minha companhia não é permitido fazer nada na cidade sem antes passar pelo Ferry Building Marketplace. Aproveitamos para fazer nosso almoço tardio ali mesmo, escolhendo comidas entre o il Cane Rosso e o Gott's Roadside, lugar de hamburguer que sempre agrada aos mais jovens [e outros nem tanto]. Depois da sobremesa no Miette, atravessamos a rua para pegar o cable car na California Street, a linha que percorre o Financial District, Chinatown, Nob Hill até a Van Ness Avenue. Fomos e voltamos descendo em Chinatown, onde basicamente só caminhamos pelas ruas apinhadas de gente, entrando e saindo de lojinhas—atividade divertida que eu chamo desde sempre de "encaroçar". De carro fizemos o doloroso e congestionado percurso dos piers até a marina e terminamos o passeio no caminho do Crissy Field, embaixo da Golden Gate bridge. O sol já estava se pondo, por isso decidimos achar um restaurante ali por perto. Os visitantes escolheram jantar comida indiana, então o Yelp me recomendou um lugar no Richmond District chamado India Clay Oven. Um indiano como outro qualquer, nada de cair o queixo, mas estava bom. Deixamos nossos primos num hotel perto do aeroporto de San Francisco e voltamos para casa. Apesar de curto e corrido, eles gostaram muito do nosso passeio expresso.

fotografando com Penny De Los Santos

Passar um dia na companhia da fotógrafa Penny De Los Santos em San Francisco, fotografando e aprendendo, foi uma oportunidade de ouro que eu agarrei rapidinho, dando um salto triplo de ninja. Nunca fui tão rápida tomando uma decisão e me registrando para um evento. Dez minutos depois da Elise Bauer anunciar que a Penny estaria dando um workshop em SF , eu já estava com o meu espaço garantido. E minha rapidez e destreza valeram a pena! Eu já conhecia a Penny, dos seus trabalhos pra revista Saveur, de outros workshops que eu invejei e já era leitora do seu blog Appetite. No dia do evento, sai de Davis super adiantada, porque não queria pagar mico de chegar atrasada e acabei chegando na cidade uma hora e vinte antes do inicio do workshop. Andei pela Castro Street, comi outro breakfast, enrolei ouvindo gospel no rádio do carro , quando vi a Penny chegando com a Tara do blog Tea & Cookies, que a ajudou a organizar o evento. Fui a primeirona a entrar no restaurante Contigo, onde parte do workshop iria acontecer.

Penny é uma simpatia e uma simplicidade. Veio me receber, o que já me fez inaugurar o primeiro mico do dia. Pra quem ainda não sabe, sou a maior produtora de gafes do oeste norte-americano. Aos pouquinhos os outros participantes foram chegando e infelizmente eu não conhecia ninguém, com exceção da Elise. Na primeira fase do evento, Penny contou um pouco da trajetória dela, mostrou muitas fotos, cada uma com uma história bacana, numa aula de fotografia e de vida. Depois tivemos a oportunidade de fotografar a comida preparada pelo time fabuloso do restaurante Contigo. Também ganhamos permissão para comer todos os "modelos". Durante o workshop Penny circulou pelo restaurante, conversando e dando dicas, dando até pra esquecer por micro segundos que ela era aquela fotografa super fantástica que ilustrava com imagens magnificas as páginas das revistas Saveur e National Geographic.

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Na segunda parte do workshop saimos para as ruas da cidade, primeiro para almoçar, o que eu acabei não fazendo. Encontramos com a Penny na esquina da Mission Street, onde faríamos a segunda parte da nossa tarefa fotografica. Ali mesmo comi o um saquinho de manga fresca, vendida por um mocinho num carrinho que também oferecia abacaxi e papaya. Dali partimos em dois grupos para fotografar perspectivas, pessoas e comida. A parte mais difícil para mim é fotografar pessoas. Pedi, muito sem graça, para fotografar o cachorrinho de uma moça e ela avisou—só o cachorro, pois eu não estou vestida apropriadamente. Tive que obedecer. O Mission District é um gueto latino em San Francisco, cheio de cores e figuras interessantes. Era domingo, então as famílias estavam passeando e almoçando nos inúmeros restaurantes da região. Eu e a Elise entramos num que vendia pupusas e eu pedi licença para fotografar, o dono consentiu, mas a senhora que moldava as pupusas não gostou. Fez cara feia, virou as costas pra mim e ainda reclamou. Tivemos que pedir desculpas e cascar fora.

Depois das duas horas pra cima e pra baixo na Mission, nos encontramos no 18 Reasons, um espaço para eventos relacionados à gastronomia, onde conectamos nossos laptops, escolhemos 12 fotos e fizemos um slide show com fotos de todos os participantes. Me senti invariavelmente frustrada, pois sempre acho que não dei o melhor de mim, que minha timidez é uma pedra no sapato, me atrapalhando muito, eteceterá. Mas minhas fotos não foram vaiadas! Terminando o dia na companhia de uma fotografa tão talentosa e outros vinte e quatro blogueiros, escritores e fotógrafos, me senti flutuando no ar. Como se milhares de portas tivessem sido abertas na minha consciência. A identificação que senti com o trabalho lindo e orgânico da fotografa Penny De Los Santos me deu certeza de que estou no caminho certo. Só falta um pouquinho mais de tempo para fotografar e uma boa dose de coragem e firmeza.

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[**fotos dos outros participantes do evento no album do Flickr — Penny in SF]

Delfina Restaurant

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Eu tinha o Delfina Restaurant na minha lista de lugares para ir em San Francisco há muito tempo. Já tinhamos testado a pizza do Delfina Pizzeria, que é a irmã siamesa do restaurante, pois os dois são colados parede a parede, com a diferença que a pizzaria é menor, mais casual e não faz reserva. No restaurante, reserva é estritamente necessária e o cardápio é mais extenso e sofisticado. Combinei com a Maryanne de jantarmos lá no sábado à noite e ela fez a reserva. Nos encontramos no restaurante já lotado às seis da tarde, para um jantazinho muito agradável—excelente comida e excelente companhia.

Pedimos entradas, prato principal e sobremesa. Dividimos as azeitonas castelvetrano servidas mornas e o azeite olivestri olio extra virgine 2008, que veio numa latinha muito simpática com bico para servir, acompanhado de bastante pão quentinho. Eles mergulharam no grilled fresh calamari with warm white bean salad e na ribollita, que eu pensava ser uma sopa, mas o que chegou à mesa foi um tipo de bolo. Eu e o Uriel pedimos a mesma salada de puntarella alla romana with salt-packed anchovy, extra virgin olive oil and parmigiano. Puntarella é um tipo de chicória, uma verdura meio amarguinha muito boa. Depois eu comi o roasted fulton valley chicken with olive oil mashed potatoes and king trumpet mushrooms, que estava perfeito, o Uriel mandou bala num prosciutto-mascarpone ravioli with lemon-herb burro fuso e nossos amigos pediram o gnocchi al ragu e a pancetta-wrapped sonoma rabbit saddle with saba roasted fennel and carrots. Eles beberam dois diferentes vinhos italianos e eu um cabernet savignon do Napa Valley. Dividimos a sobremesa—uma delicada panna cotta de laranja vermelha e profiteroles. Foi um jantar realmente delicioso, num restaurante charmoso no distrito da Mission em San Francisco.

*Único porém foi que esqueci minha câmera em casa—fato totalmente incomum e inexplicável. Mas confiei que a Maryanne fosse levar a dela, já que ela também está sempre numa missão blogueiristica. Portanto, as fotos deste post são dela, que também escreveu sobre o Delfina, num texto com muitos outros detalhes interessantes, além da experiencia gastronômica. Não deixem de ler!

Pizzeria Delfina

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O nosso sábado foi gasto batendo perna e dando um extenso rolê por San Francisco. Quando a noite se aprochegou, a italianada quis comer pizza, é claro. Rumamos para o bairro da Mission, onde nos aconchegamos na minúscula Pizzeria Delfina que cheirava deliciosamente a massa assada e queijo derretido. O lugar é realmente pequeno e já estava lotado às seis da tarde, ou melhor, da noite do nosso inverno. Colocamos o meu nome na lousa—party of five, sem predileção para ficar fora ou dentro, pois tínhamos no grupo uma criança cansada e faminta. Esperamos uns trinta minutos e fomos colocados numa mesa na calçada, estratégicamente situada embaixo de uma fileira de aquecedores na borda do telhado. Jantamos no quentinho e olhando o movimento da rua. Quando a comida chegou tive uma paralisante amnésia fotográfica. Pedimos três antepastos, com três tipos de azeitonas marinadas e servidas mornas, uma salada de laranja vermelha com erva-doce e nozes, e o vencedor da noite, que eu comi entre murmuros, uma escarola grelhada com azeite de limão, nozes e um ingrediente que não consegui ler no menu da parede, mas que me pareceu ser aliche/anchovas. As pizzas foram a tradicional margherita e outra batizada de panna, assada com uma bolota de creme e lascas de parmigiano por cima, que foi eleita a mais gostosa. Cada pizza serve uma pessoa com muita fome ou duas com acompanhamento de antepastos variados.

*um relato ótimo sobre a Pizzeria Delfina foi publicado pelo No salad as a meal—um blog que eu adoro e uso como referência de restaurantes em San Francisco.

The Slanted Door

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A Mariana foi ao The Slanted Door e não só tinha me recomendado, como tinha me intimado a ir também. Então eu fui! A Maryanne fez a reserva para o domingo e nos encontramos lá para o almoço—eu, o Uriel, ela e o Paulo. O restaurante fica num dos meus lugares favoritos em San Francisco, o Ferry Building Marketplace, que era o antigo porto da cidade hoje transformado num espaço gastronômico fantástico.

The Slanted Door oferece delicias da culinária vietnamita com um toque moderno e coloca uma grande ênfase na qualidade dos ingredientes usados na elaboração dos pratos. Eles usam produtos orgânicos e fresquíssimos vindos de produtores da região da Bay Area que praticam agricultura sustentável. Administrado pela família Phan desde a sua inauguração em 1995, o restaurante tem um ambiente descontraído, num espaço enorme e cheio de luminosidade, com paredes de vidro que emolduram uma das paisagens cartão postal mais lindas da baia, com a Bay Bridge ao fundo.

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Nossa reserva era para as 2 horas da tarde, o que somado à mudança de horário [saimos do daylight saving times] me colocou num estado de fome alucinante. Um dos problemas do The Slanted Door foi, para uma libriana típica como eu, o menu incrívelmente extenso. Fiquei numa dificuldade lancinante para decidir o que pedir. A carta de vinhos era basicamente francesa, o que me colocou numa outra enrascada, já que eu estou ficando com prática de escolher vinhos californianos, mas saiu da minha pequena bolha eu já fico atrapalhada. No final pedi um bourgogne pinot noir rosé francês que estava bem leve. A Maryanne pediu um pinot noir de Oregon que ela gostou bastante também.

Quando finalmente decidimos sobre os pratos, a garçonete gentilmente nos avisou que tínhamos pedido muita comida. Realmente as porções servidas lá são bem generosas. Então decidimos enxugar nossa lista de entradas. A Maryanne e o Paulo pediram os famosos rolinhos frios vietnamitas, com camarão e molhinho de amendoim. Depois ele comeu um frango com capim-santo e ela um prato bem picante de berinjela japonesa, que eu provei e estava uma delícia. Eu e o Uriel dividimos uma salada muito refrescante de papaya verde e tofu e depois ele comeu um halibut do Alaska com um molho picante de gengibre e eu comi um catfish cozido no pote de barro com coentro e gengibre. As porções eram grande e acompanhamos tudo com arroz jasmine. Só eu—a esfomeada e gulosa—que pedi sobremesa, um doce de abóbora kabocha com um creme de menta e sementes de romã, que apesar de parecer uma combinação um pouco estranha, funcionou muitíssimo bem.

Saímos do restaurante super tarde, quando quase todos os funcionários já estavam comendo nas mesas do fundo e o local se preparava para o inicio dos serviços do jantar. Adorei a experiência no The Slanted Door e recomendo. Para nós, que vivemos aqui na Califórnia, os sabores asiáticos não são nenhuma novidade, nem nada muito exótico, já que temos um restaurante desses em cada esquina. Mas nem todos com a qualidade do The Slanted Door, onde o que importa não é somente a comida e o quanto se paga por ela, mas também toda a política que envolve comer bem, com qualidade, apoiando a agricultura local e sustentável e a criação de animais sem crueldade.

* A Maryanne dá mais detalhes sobre o restaurante. Não deixe de ler a review dela lá no Hotel California.

SPQR

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Fomos à San Francisco encontrar com o nosso amigo Fernando e almoçamos com ele no SPQR, uma pequena osteria na Fillmore Street. As referências do restaurante eram as melhores possíveis—trocentas reviews ultra-positivas, cheias de elogios e salamaleques para o local que serve uma adaptação californiana de um menu romano. As reviews falavam de filas quilométricas na porta e esperas intermináveis, já que o restaurante não aceita reservas. Fomos com duas outras opções de back up, mas encontramos tudo razoavelmente vazio para um horário de almoço no domingo. O SPQR está instalado num prédio pintado de preto, sem placas piscantes anunciantes, o que nos fez passar por ele sem perceber que era ali o lugar. Lá dentro, num ambiente aconchegante e bem estreito, ficam as poucas mesas e um bar, de onde pode-se assistir aos preparativos do chef. A primeira coisa que eu reparei quando coloquei os pés dentro do SPQR foi que eles usavam as cerâmicas da Heath de Sausalito, a mesma que fornece as louças para o Chez Panisse—mais chique que isso não há!

O almoço estava muito bom. Pedimos um trio de antipasti que estava fantástico: uma salada de erva-doce com atum em conserva, ervas, pimenta e bottarga; cogumelos chanterelle com espinafre e pancetta; e mussarela bocconcini com tomates. O ponto forte do lugar parece ser os antipasti, porque a pasta, fatta in casa, me decepcionou um pouco. Deve ser por ter crescido comendo a melhor pasta feita em casa que sei muito bem a diferença entre uma pasta caseira e outra nem tanto. Mas esse pequeno detalhe não comprometeu. Eu comi um canelloni com linguiça de porco, ricotta, espinafre e pecorino, O Uriel comeu um rigatoni amatriciana e o Fernando um rigatoni aglio e olio. Eu fiquei um pouco atrapalhada com a carta e vinho, que só tinha italianos, e acabei pedindo um rosato que estava uma delicia. Decidimos não pedir sobremesa e fazê-lo em outro lugar, mas me arrependi de não ter provado as que eles ofereciam por lá. Fica pra próxima vez!

Eu, Mariana, o Zé e o Bob

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verão do amor—2008

O plano inicial era irmos, eu e o Uriel, juntos encontrar com a Mariana e o Zé em San Francisco. Mas meu marido está atolado em trabalho, com várias viagens programadas, a mesma velha história que rola todo final de verão. Por isso eu acabei indo sozinha, apesar de estar invariavelmente acompanhada simbolicamente pelo Bob, o que fez a Mariana rir muito, lembrando dessa afamada história.

Passamos uma tarde agradável na cidade, que inesperadamente teve um dia bem calorento. Caminhamos até o Ferry Building, onde encaroçamos nas lojinhas bacanas, almoçamos no DELICA rf1, uma delicatessen japonesa que eu adoro, depois devoramos macaroons no Miette. Caminhamos rapidamente por Chinatown, onde eu e a Mariana pudemos piscar nossos olhos seduzidos pelos mil cacarecos de cozinha enfileirados pelas lojas. De carro, fomos até Sausalito cruzando a Golden Gate, depois paramos na Haight Street, bem no famoso cruzamento Haight—Ashbury que ficou famoso por hospedar o inicio do movimento contracultural hippie, conhecido hoje como o Verão do Amor de 1967. Caminhamos pra lá e pra cá, sentamos pra beber algo gelado e, acima de tudo, conversamos muito, o tempo todo!

A Mariana foi me encontrar em Coimbra e desta vez eu fui encontrá-la em San Francisco. É tão bom fazer esses encontros, e melhor ainda foi revê-la!

Greens - San Francisco - II

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Greens - San Francisco - I

No final da década de 60, a estudante de Zen Budismo Deborah Madison voluntariava na cozinha do San Francisco Zen Center. Filha de um professor de botânica na UC Davis, Deborah cresceu em Davis e em meio à fazendas. Nos anos em que praticava suas habilidades culinárias no mosteiro, Deborah conheceu Alice Waters e depois de jantar algumas vezes no Chez Panisse, acabou indo fazer um estágio na cozinha do já afamado restaurante em Berkeley. Depois da experiência em Berkeley, Deborah decidiu propôr ao monje chefe do Zen Center, que abrisse um restaurante anexado ao monastério budista. Assim começou o Greens, o restaurante vegetariano que abriu suas portas em 1979. Hoje Deborah Madison não é mais a chef lá, mas o lugar virou sinônimo de vegetariano high-end.

Eu já tinha o Greens na lista de must-go-places há muito tempo, sendo ele o restaurante favorito da minha amiga Helô, que vez em quando me falava dele. Nem preciso dizer que o Greens segue a mesma linha de produtos orgânicos, super frescos, locais, sazonais e de alta qualidade do Chez Panisse. Só que o Greens não serve nenhum tipo de carne de animal. Mas garanto que ninguém vai nem reparar nesse detalhe. O lugar é lindo, instalado numa seção do Fort Mason em San Francisco, ao lado da Marina, com vista para o mar azul da baia e para o símbolo da cidade, a ponte Golden Gate. O restaurante é todo cheio de luz e de gente sorridente, tudo com um astral muito zen. Fomos almoçar um brunch de domingo com a Maryanne e o Paulo e passamos uma tarde muito agradável, com ótima companhia e ótima comida. Nós todos pedimos uma sopa de cenoura com gengibre de entrada, que ganhou nota dez. O Uriel foi de pappardelle com aspargos, pinoles e manteiga de meyer lemon. Eu pedi uma torta de alcachofra com polenta e cebolinha. A Maryanne comeu ovos e o Paulo pediu o prato mais cobiçado e invejado por todos—um sampler de gostosuras árabes. Bebemos vinho, chá de menta e suco de uva natural. De sobremesa eu me deliciei com uma fatia de torta de nozes e mel com sorvete de lavanda, e os outros foram de tarte tartin de maça. Ficamos numa mesa privativa numa salinha separada, com um janelão com vista para o mar ao nosso lado e uma luz maravilhosa de uma tarde de primavera.

O único porém do Greens é que o serviço é desorganizado. A Maryanne já tinha me avisado que seria assim e assim foi. Primeiro eles trouxeram uma bebida pra nossa mesa que não era nossa. Depois chegaram com os pratos antes da sopa, levaram tudo de volta. Depois trouxeram o café da Maryanne antes das sobremesas, que chegaram faltando uma. Dai pedimos uma extra e vieram duas, que foi oferecida como cortesia. Tudo bem, num restaurante zen, com uma comida deliciosa de de qualidade excepcional, dá perfeitamente pra desculpar esses tropecinhos.

Foreign Cinema - San Francisco

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Uriel me convenceu a sair da toca na noite de Ano Novo. Fomos para San Francisco, onde nos contaram que a festa é sempre bonita. A cidade tem milhares de opções para todos os bolsos e gostos. Escolhi um restaurante que eu já estava querendo conhecer há tempos—o Foreign Cinema. Fiz reservas e fomos para a cidade mais linda do mundo na noite do dia trinta e um de dezembro.

O restaurante é bem bacana, tem duas áreas internas e uma externa, com um muro alto onde eles passam filmes estrangeiros. Na noite do reveillon havia também filmes nas paredes da parte interna do restaurante. Enquanto lá fora o filme projetado era o italiano cabeça O Jardim dos Finzi-Continis, lá dentro, onde ficamos, a diversão foi garantida com o over the top Beyond The Valley of The Dolls, um cult soft porn exageradérrimo e cafonérrimo dos anos 70. Nós jantamos um menu de quatro pratos, que podíamos escolher de uma lista interessante, com um preço fixo. Estava tudo muito saboroso, mas devo confessar que fiquei um pouco irritada com a quantidade minúscula das porções, comparadas com o preço nada pequeno da conta. A sopa de entrada, um creme de lagosta, veio num potinho um pouco maior que um dedal, na quantidade equivalente a talvez uma colher de sobremesa. Mas tudo bem, isso foi o de menos. O lugar era legal, a comida estava deliciosa e nós nos divertimos.

Saímos do restaurante às 11:38pm e com a ajuda inestimável do GPS conseguimos chegar ao Embarcadero uns minutos antes da meia-noite. Trocamos de sapato e nos agasalhamos melhor no carro e corremos para ver os fogos, embaixo da Bay Bridge. Foi um espetáculo muito bonito. Depois caminhamos pela orla, que estava apinhada de gente. Eu sou desacostumada com multidões, então fiquei um pouco atordoada. Todo mundo festejando sob a vigilância e ostensiva patrulha da gentil polícia de San Francisco. Havia muitos bêbados, drogados e a cidade estava uma muvuca total, mas tudo acontecendo naquela incrível civilidade e jeitão nonchalant típico da cidade. Voltamos logo em seguida para Davis, afinal eu queria dormir a primeira noite do ano na minha caminha!

Samovar Tea Lounge

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Fomos até San Francisco para encontrar a nossa amiga Patricia, que morou aqui em Davis no ano passado e está agora nos EUA a trabalho. Além de rever uma pessoa tão querida, passamos uma tarde super agradável na cidade. Almoçamos no Samovar Tea Lounge, que era um lugar que estava na minha lista de places to go in San Francisco. O dia estava lindo, o que significa que não precisamos de cachecol, apenas um casaquinho de veludo deu pra segurar o vento. Eu teria optado por ficar no pátio, mas o Uriel e a Patricia preferiram ficar protegidos dentro do restaurante. O lugar é bem pequeno, no terraço no Yerba Buena Gardens. Nós sentamos numa mesa com banco cheio de almofadas e fizemos nosso pedido. Eu estava desembaraçada tirando fotos, o que é bem incomum. Eu tenho uma timidez um tanto irritante, que me limita pacas nesse negócio de tirar fotos em público. Mas eu estava felizona no click-click-click, quando o manager veio gentilmente me avisar que não era permitido tirar fotos no local. Fiquei espantada! E mais quando chegou o chazinho na bandeijinha de madeira e finalmente a comida, numa entrada triunfal. Estava tudo tão incrivelmente lindo, que num gesto de descarada ousadia eu chamei o manager e praticamente implorei pra ele me deixar tirar uma foto. Meu plá não colou e tive que me resignar e deixar a câmera dentro da bolsa. O rapaz foi extremamente gentil e me explicou que eles preferem que as pessoas não vejam fotos da comida, pois querem que a experiência no Samovar seja de surpresa. Realmente, ficamos com umas caras abobalhadas quando a comida chegou à mesa, pois tudo estava visualmente lindo, além de saboroso.

O Uriel pediu uma sea food bento box e um chá delicadíssimo de gengibre com laranja. A Patricia pediu o Russian tea service, que veio com panqueca [blinni] de truta defumada, russian tea egg com caviar, bergamot bread pudding, frutas frescas e lapsang souchong chocolate trufle, acompanhado de chá russo que ela mesma encheu a xícara no samovar prateado [*foto]. Eu pedi o Moorish tea service, que veio com chá de hortelã, grilled halloumi kebabs, mini mint salad, dolmas e azeitonas pretas secas, e tâmaras medjool recheadas com queijo de cabra.

Depois do almoço passeamos um pouco à pé pela cidade, e depois fomos ao Ferry Building Marketplace, que é sem dúvida um dos meus pontos favoritos em San Francisco. Fizemos comprinhas e nos deleitamos com os delicados macarons parisienses feitos à moda californiana, com ingredientes orgânicos e locais.

Macarons no Miette

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Miette pâtisserie
San Francisco, Califórnia

fazendo pequenas viagens

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Tirei uns dias de férias para passear com minha irmã, cunhado e sobrinhos que estão aqui em Davis me visitando. Estou numa rotina um pouco diferente, por um ótimo motivo! Fomos à San Francisco de trem e mesmo com um desagradável incidente tivemos um ótimo passeio, com muita camelagem. O mais divertido para a Catarina e o Fausto foi o picnic que fizemos no banco do Ferry Building Marketplace. Em plena hora do almoço, o local estava horrívelmente muvucado e resolvemos improvisar um ranguinho com pão, tapenade, frutas e suquinhos. Foi uma sensação! Mas a Cacá ainda não sabe o que a espera: muitos e muitos picnics pela frente.

japanese tea garden

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Um passeio singelo que fizemos uns anos atrás, no Japanese Tea Garden no Golden Gate Park em San Francisco. O lugar não é apenas lindo, mas tem uma casinha de chá que é uma fofura total. Bom pra esquentar os ossos, já que The City é sempre fria, mesmo no verão.

no Zuni em San Francisco

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Nosso objetivo principal em San Francisco, além de bater perna pela cidade, era almoçar num restaurante legal. Ainda em Davis, dei uma geral nas reviews da Sam do Becks & Posh. Escolhi um dos restaurante onde ela tinha colocado um coraçãozinho, o que significava que ela adorava o lugar. Confiei nela! Fomos ao Zuni Cafe.

Como era domingo, eles serviam brunch até às 3 pm. Liguei da estrada para fazer uma reserva, mas um simpaticíssimo Rob me disse que as domingos eles não faziam reservas e walk-ins eram bem-vindos. Chegamos lá e sentamos imediatamente. O lugar estava lotado e era muito agradável, num prédio de esquina que de fora parecia minúsculo, mas por dentro acomodava muita gente, em dois andares, além de um longo bar com piano e música ao vivo. O menu do brunch era extenso. Eu fui fisgada por uma polenta com mascarpone e presunto serrano com salada de erva doce, amêndoas e ameixas secas picantes. Bebi um copo de vinho verdejo espanhol, que estava muito bom. O Uriel foi de laranjada fresca e limonata italiana - ele não bebe mais álcool. Mas na hora de escolher o prato dele, apesar as dezenas de opções, ele escolheu dois ovos fritos, que vieram com uma rendinha de ervas, linguiça feita em casa recheada de erva doce e rodelas de batata-doce fritas. Bom, quem escolhe é que sabe, mas ovo frito... Meu marido é uma figura ilustre. E depois ficou reclamando, que queria almoçar, não tomar brunch. Mas comemos muito bem, ele e eu. Na hora da sobremesa, aah maravilha. Ele pediu um caramel pot de créme, que estava fora desse mundo de bom. Vou ter que descolar essa receita, porque eu amei essa sobremesa! E eu pedi um prato de queijo pecorino com pêras secas macias e cerejas secas cozidas no vinagre balsâmico. Gostamos muito do Zuni - eu também vou colocar um coraçãozinho nele!

Não tirei foto do lugar por dentro nem da comida, pois fiquei sem graça de tirar a câmera da bolsa para fazer clicks num lugar lotado de gente chique, elegante e sincera. Não rolou.

O Ano do Porco Dourado

Fomos até San Francisco para quebrar um pouco a nossa rotina. Nós adoramos visitar a The City, que é para mim uma das cidades mais encantadoras e charmosas do mundo. Como era o dia do Ano Novo Chinês, resolvemos dar uma passadinha em Chinatown. San Francisco tem o maior bairro chinês fora da Ásia. A segunda maior Chinatown do mundo fica em Vancouver, Canadá. Elas são muito semelhantes - borbulhante de gente, comércio e uma imundice desgraçada. Sinceramente, o que me desanima de visitar Chinatown é a nojera. É chocante, mas faz parte do show. Eu gosto de entrar nas lojinhas, de comprar cacarecos e de olhar as pessoas apressadas fazendo as suas comprinhas, toneladas de frutas, verduras, legumes, raizes, carnes, aves, peixes.

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O Ano do Porco [Dourado] tem tudo para ser um ano muito especial, com ênfase em atitudes de honestidade e bondade. Estamos muitíssimo precisados de um ano assim. Mas para a entrada do ano de 4704, não houve nenhuma celebração pública especial na Chinatown de San Francisco. Vimos muitas crianças e adultos estourando traques e até algumas bombinhas, e havia papel vermelho picado pelas calçadas - aumentando a sujeirada - e muitos cookies e chocolates em embalagens douradas e vermelhas à venda, além de todos os apetrechos típicos do dia, para boa sorte e fortuna. Eu comprei um quimono, um xale, colheres de porcelana e uma garrafa térmica com peneirinha para chá. Caminhamos muito, estava uma muvuca horrível, nós sempre comentamos das filas nas padarias, casas de chá e restaurantes em geral. Tudo sempre está abarrotado. É tanto cacareco e tanta comida pra vender, tanta gente, tanto movimento. Destoa um pouco do resto da cidade, lotada de figuras sofisticadas e modernex, turistas e mendigos. Aliás não se ve um mendigo em Chinatown - e olha que eles abundam no resto da cidade. Acho que é porque em Chinatown não tem espaço para os carrinhos de supermecado, que são as casas ambulantes dos homeless, e não dá pra dormir naquelas calçadas. Ninguém, nem mesmo os junkies no fundo do poço se arriscam.

Enquanto eu entrava nas lojinhas e me divertia olhando os cinco milhões de opções de badulaques inúteis e coloridos, o Uriel entrava nas vielas, obcecado em encontrar o ex-barbeiro do Frank Sinatra. Ha Ha Ha! Só o meu marido mesmo! O que ele encontrou foi um muquifo cheio de indivíduos imersos numa jogatina danada. Dispersa, dispersa, e arrepia na geral!

A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte

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Fui ao banheiro com uma banana na mão. Fiz xixi, voltei comendo e pensando como a nossa vida gira e acontece em volta da comida. Não tem muita coisa que a gente faça que não esteja relacionada à comida. Encontros, passeios, o dia-a-dia de trabalho e compromissos. Apesar de eu ir almoçar em casa, eu trago uma lancheira para o trabalho. Nela sempre tem uma fruta, uma barra de cereal, bolachas salgadas.

Meu final de semana foi super corrido e cansativo, mas todo permeado - se não baseado, em comida. O avião trazendo o meu irmão aterrisou às oito da noite em San Francisco. Ainda pegamos muito tráfego na I80, que é a interstate que liga San Francisco à Sacramento e continua até Reno, em Nevada. Aquilo está sempre abarrotado de carros. Chegamos em casa às dez e meia e fomos dormir? Claro que não, fomos jantar e conversar. Eu tinha deixado uma sopa preparada, pãezinhos e salada engatilhados. Jantamos às onze da noite, sopa, salada, pão, vinho. E conversamos até não sei que horas. Eu estava tão cansada - pois acordo às seis da manhã - que num certo ponto fiz uma coisa que normalmente nunca faria: apressei meus convidados e praticamente sugeri ao meu filho e minha nora que já era hora de ir embora.

O final de semana foi uma maratona de conversas, passeios e comida! Almoçamos em casa, um churrasco que é sempre a coisa mais prática, o Gabriel cuidou e deixou a carne bem saborosa. Fiz uma salada e batatas fritas no azeite. Ficamos papeando à mesa, bebendo vinho e depois devorando blueberries com chantily [que eu adoço com mel] e figos rami, que meu irmão trouxe na mala. À noite fomos comer mais, num restaurante italiano em Sacramento.

No domingo já foi hora de partir, rumamos novamente para San Francisco e como chegamos cedo matamos tempo conversando num café, bebendo mocha, suco de laranja, iogurte, mordiscando scones de framboesa. Nem preciso dizer o quanto fico feliz quando recebo minha família aqui, e de como me entristeço com as despedidas. Foi uma visita muito rápida, mas já deixamos planos estipulados para outra, em feverereiro, quando ele vier novamente à trabalho para Las Vegas.

Como já estávamos em San Francisco, eu quis passar no Ferry Plaza Market, que é um mercado de produtos orgânicos que foi construído no antigo porto da cidade. É um predio lindo, na beira do oceano com vista para a Bay Bridge, cheio de lugares deliciosos para comprar e comer. Almoçamos num japonês muito bom e depois pegamos uma barca até Sausalito. Essa é uma cidadezinha do outro lado da baia, com muitas galerias de arte e lojinhas variadas. Voltamos para San Francisco e eu fiz comprinhas na Sur La Table - pra espantar o banzo de dizer tchau pro irmão! Ainda compramos pães, gelatto e voltamos para Davis. Quando chegamos em casa fizemos um lanchinho. Me digam se a vida da gente não é só comida? E um pouco de diversão e arte...

Tommaso's

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Pra compensar o nosso almoço meia-boca com visão panorâmica, e outros quiprocós chatos que se passaram durante o dia, sugeri que fossemos jantar no Tommaso's em North Beach. Este é sem dúvida e nosso restaurante italiano favorito em San Francisco. Encontramos ele por acaso, num dia que procurávamos um lugar para jantar na cidade. Sei lá como fomos parar naquela quase esquina da Broadway com a Kearny Street, que é uma região meio suspeita, cheia de strip clubs e lojas de filmes x-rated. O Tommaso's é apenas uma portinha verde, que só abre para o jantar. O que nos atraiu foi a placa dizendo que ali estava o primeiro forno a lenha da cidade, ainda funcionando. Forno a lenha - a palavra mágica! Nossa primeira experiência no restaurante foi meio bizzara, não por culpa do lugar, mas sim de um casal sem noção. O Tommaso's tem os booths aconchegantes dos lados e uma fileira única de mesas no centro. As mesas são juntas, então não há muita privacidade. Mas quando se vai em dois, um casal, é bem raro de se sentar num booth. Já ficamos na longa mesa inúmeras vezes, mas até isso faz a atmosfera do Tommaso's interessante.

Eu que reclamo o tempo todo da péssima qualidade da comida italiana aqui na Califórnia, calo totalmente a minha boca quando vou ao Tommaso's, e só abro pra comer e dizer hmmmmmmmmmm! Tudo lá é bom. Tudo simples, ainda no mesmo estilo que se fazia na década de 30, quando o restaurante abriu. Eu adoro o meat antipasto, com três tipos de frios cortados finíssimo e uma cumbuca de alcachofras temperadas. O pão é bom, a pizza é ótima, as pastas são feitas lá. Amo o manicotti com molho marinara. E a berinjela a parmegiana. Vinho, água, salada caprese e de alface, nunca pedimos sobremesa, porque não cabe. Espresso com uma lasquinha de laranja e a conta!

O único problema do Tommaso's é que está sempre lotado e tem-se sempre que esperar um tanto pra sentar. Enquanto esperamos bebemos vinho e lemos as muitas reviews pregadas nas paredes, algumas bem antigas. Com elas ficamos sabendo que o Tommaso que deu o nome ao restaurante não era um italiano, mas o cozinheiro chinês chamado Tommy. Também ficamos sabendo que na década de 70 o cineasta Francis Coppola costumava fechar o restaurante, convidar os amigos e ir pra cozinha, fazer ele mesmo as pizzas. Eu adoro o ambiente anos 30 do Tommaso's, que pelo jeito só foi ganhando camadas de tinta, mas nunca foi reformado ou adaptado. A clientela que se adapta ao lugar pequeno, porque por aquela comida maravilhosa, se faz qualquer sacrifício!

The Beach Chalet

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A vista para a Ocean Beach era bonita no The Beach Chalet em San Francisco, mas a comida deixou bastante a desejar. O restaurante, lotado de famïliazinhas para o dia dos pais, era muito barulhento e tinha preços acima da qualidade do menu. Comemos um sanduiche de black forest ham com queijo gruyere, molho de mustard-honey, no pão acme dark rye, acompanhado de french fries, uma coleslaw murcha e uma metade de um pickles ressecado. Nunca mais voltaremos lá, nem mesmo pela vista.

comida assustadora

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em Chinatown, San Francisco

mais gadgets inúteis

No maravilhoso Ferry Building Market Place no Porto de San Francisco, eu e uma amiga entramos na Sur La Table e enlouquecemos no paraíso das gadgets inúteis [e caras!]. Eu não resisti e comprei uma espátula para rechear e cobrir bolo e um ralador profissional de casca de limão e laranja, que eu já vi os chefs do Food Netwoork usando.

Já tenho trabalho pra espátula nesta semana, pois vou fazer um bolo de aniversário para uma amiga. Mas vou ter que arrumar receitas que vá lime zest pra poder estrear o meu maravilhoso ralador. Tô achando que essas novas gadgets vão pra mesma gaveta do medidor de macarrão e o cortador de ovo em fatias...

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