jantar para dois

ThanksgivingThanksgiving
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Este foi o primeiro Thanksgiving que eu e o Uriel ficamos sozinhos desde 1999, quando passamos o feriado em Las Vegas. Mas estar sozinhos não significa que não poderíamos ter um jantar apropriado, né? Fiz o menu completo, com peru, sete acompanhamentos e uma sobremesa [só uma sobremesa, sorry!]. O peru foi somente um peito, que mesmo tendo comprado o menor que achei ainda era imenso. Fiz uma adaptação dessa receita e recheei com fatias de pera, tomilho e cebola. As outras receitas foram—o molho de cranberry com porto e alecrim, que fica como um pudim, vagens com farofa de panko e amêndoas, cenouras assadas com harissa e maple, couve de bruxelas com bacon e castanhas assadas, batata doce caramelizada com limão, purê de batata simples e aquela farofa tradicional brasileira, com farinha de milho, ovos e azeitonas verdes. E a sobremesa foi essa torta de abóbora com garam masala, que achamos uma delícia! Eu usei uma massa pronta porque me economizou tempo, mas se tempo extra eu tivesse, teria feito a massa. No final tivemos um jantar de thanksgiving completo e como é tradição aqui em casa, depois da cozinhação e comilança eu sentei pra descansar e o Uriel lavou louça e arrumou a cozinha. Faço sempre um agradecimento extra por isso.

༺♥༻ Happy Thanksgiving ༺♥༻

thanksgiving morning
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lthanksgiving morning
from my kitchen to you!

as vantagens de ser popular

[no Farmers Market de Woodland]

moça dos ovos:
baseado nos ingredientes que vejo você comprar aqui, você deve cozinhar muitíssimo bem e sua comida deve ser uma delicia! sorte da sua família, que deve ser bem paparicada.

moça das berinjelas:
leva todas essas berinjelas bebês, porque sei que você gosta dessas pequenininhas!

moça dos tomates:
fiz gazpacho na semana passada, inspirada por você.

moço dos tomates, abobrinhas, pepinos:
leva uns tomates extras, de cortesia.

moça da geléia de uva cabernet:
—me paga outro dia, eu confio em você.

moça dos figos:
te guardei umas cestinhas dos figos que você gosta.

♥ ovos de FelizBertas ♥

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No farmers market de Woodland, depois de uma semana de calorão:

posso ter uma duzia de ovos?

não tenho ovos hoje. as meninas resolveram não botar nada essa semana.

é o calorão!

[ quando faz muito calor as meninas descansam. tive que entrar na lista de espera pra conseguir comprar essa dúzia, que estou usando com muita parcimônia. ]

we don't speak no mexicano

A novidade saiu até no jornal da cidade—a abertura de uma lojinha de produtos indianos na Main Street de Woodland. Fui correndo conferir, porque geralmente nesses mercadinhos étnicos se acha muita coisa legal. Como eu normalmente vou no mercadinho indiano de Davis, a possibilidade de ter uma opção na cidade onde moro me pareceu perfeito. A loja fica num quadradinho minúsculo num daqueles strip malls que têm varias salas num formado de "U" com um bloco extra no centro. O dono da loja, Um indiano muito bem apessoado, estava lá ouvindo hits indus num equipamento super high tech. Assim que adentrei o micro espaço percebi que estava numa enrascada. Iria ser difícil sair dali sem comprar nada. Mas foi um pouquinho pior.

Em questão de um minuto o moço já estava no meu calcanhar, me mostrando todos os produtos [todos NUMBER ONE!] indianos e alguns chineses [uma coleção de peixe em lata] que ele herdou do proprietário anterior, que era chinês. Pra tudo ele tinha um comentário elogioso, além do fato de tudo que ele oferecia ser NUMBER ONE, melhor qualidade e barato. Me mostrou garrafas de ghee [tomo uma colher por dia!], as variedades de lentilhas [bom pra gente da nossa idade!], os feijões [esse verde é o melhor, você tem que dar pro seu marido todos os dias!] as farinhas de grão de bico [e me deu receita de um pudim] e os temperos [melhor curry! você usa curry?] e os pickles, chutneys, salagadinhos de ervilha, amendoim e pimenta, caixas com misturas para fazer todo tipo de comida indiana, eteceterá. Fui pegando uma coisa aqui, outra lá, nem sabendo se iria mesmo usar, apenas convencida pelo entusiasmo dele.

indiano—você prepara receitas indianas?
eu—na verdade eu não cozinho nada indiano.
indiano—o que você cozinha então? mexicano?
eu—também não. eu sou brasileira.
indiano—ah, brasileira! você fala mexicano então?
eu—não. eu falo português. nem os mexicanos falam mexicano. hahaha!
indiano—ah, e esse português é um dialeto mexicano?
eu—acho que não é! [mas posso estar enganada, né?]
indiano—se você não cozinha mexicano, cozinha o que?
eu—faço muita comida italiana.
indiano—ah, italiano! vem cá então...
[me leva até o freezer e me mostra pacotes com pão Naan congelado]
indiano—olha, muito parecido com comida italiana, igual pizza!
eu—ah, sim, IGUALZINHO [numa outra dimensão]
indiano—obrigado. volte sempre!
eu—com certeza! [não voltarei!]
indiano—e avise seus amigos!
eu—pode deixar! [que não avisarei ninguém!]

três gatos [na cozinha]

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Roux — Sequel & Tim

[ t h a n k f u l ]

thanksgiving kitchen
thanksgiving kitchen
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minha cozinha na manhã do Thanksgiving

N Market

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Sábado à tarde no meu supermercado local pagando umas compras:
caixa—hmm, parece que você está planejando fazer uns bolos hoje?
eu—ainda não sei, ainda estou pensando em receitas.
caixa—tá certo!

Domingo pela manhã no meu supermercado local pagando outras compras:
mesma caixa—olá, e como foi sua tarde ontem?
eu—foi boa! mas como você pode perceber estou aqui novamente!
caixa—ah, isso é bom!
eu—eu venho muito aqui, acho que quase todos os dias. hahaha!
caixa— tudo bem, sem problemas!

Em Davis eu era assídua do Co-op, o supermercado natureba do tomatão e em Woodland eu bato ponto no Nugget Market, um supermercado que pertence à uma família da cidade. Parece que eu sou desorganizada, mas eu não sou. Eu faço listas e minhas listas são até high tech, com app do iphone que eu carrego sempre comigo e vou atualizando. Mas como vou prever que um ingrediente que eu achava que tinha na despensa, na verdade está com a validade vencida ou não tem o suficiente pra receita? E as inspirações momentâneas ou as decisões de último minuto de fazer uma receita e precisar justamente de um ingrediente que não pode faltar nem ser substituído? Por isso eu vou tanto ao supermercado, além do meu normal e semanal pão-leite-iogurte-queijo-pra-pizza. Mas o bom é que como o lugar é pequeno, acabo conhecendo todos e todos me conhecem. Sou notável por ser aquela moça da cesta incrivelmente bacana [como me disse outro dia a menina que embala as compras] e da sacola colorida super linda [idem, a mesma]. E também porque nas minhas compras sempre predominam os produtos orgânicos e os ingredientes diferentes—como tubos de 5 umami paste, mostarda com tangerina, azeitonas secas, farinha de grão de bico, misô de cevada, macarrão de quinoa, lentilhas germinadas, eggnog de leite de amendoa, pimenta do reino defumada, eteceterá eteceterá eteceterá eteceterá.

∙ • ● ◉ b o o o ◉ ● • ∙

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happy halloween!!

o doce é o figo

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Esses lindos figos já aparecerem algumas vezes por aqui. Não sei que variedade é essa, mas posso afirmar que é a mais doce, suculenta e deliciosa. Eu compro de um pequeno produtor que tem uma banquinha bem pequena no Farmers Market de Woodland. No ano passado era a filha que vinha vender os produtos aos sábados [e guardava figos pra mim]. Este ano é o pai, que mal fala inglês, mas está sempre sorridente. Eles são uma familia mexicana da cidade de Esparto, a uma meia hora daqui. Quando eu vejo esses figos, que normalmente aparecem na segunda rodada da estação, em agosto, eu compro todos! E devoro assim puro, porque eles não precisam de nada. O doce já é o próprio figo.

[ new this week ]

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at the Woodland farmers market

[ the view from the sky ]

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Nosso amigo veio de Santa Cruz nos visitar pilotando o seu aviãozinho e nos levou para um passeio pelo céu da nossa região. Eu estava muito tensa, porque tenho pavor de altura, detesto voar e não tenho muitas boas lembranças de voos feitos em aviões pequenos. Mas o piloto era muito experiente e o co-piloto estava ultra animado e prestativo, então tentei ficar calma. E fiquei. Fizemos um voo sobre Woodland e Davis que foi realmente revelador. Lá de cima puder ver as duas cidades e a região onde elas estão localizada, que é simplesmente um patchwork lindíssimo de fazendas e campos agrícolas. Em Woodland vimos como a cidade é antiga, super arborizada e como tem piscinas nos quintais das casas [e isso deve explicar a inexistência de piscinas públicas, que são abundantes em Davis]. Voamos sobre a nossa vizinhança e vimos a nossa casa, que de cima parecia uma casinha linda de bonecas. Quando entramos no céu de Davis já vimos a grande diferença, com a imponência da universidade e o traçado mais moderno de uma cidade que não teve uma história como as outras, pois ela era apenas uma fazenda que pertencia à UC Berkeley e foi crescendo juntamente com a implementação do campus. O que eu vi lá de cima nunca vou esquecer, especialmente a beleza dos campos já plantados, e dos campos sendo preparados, a visão da terra arada, as marcas dos tratores [que rimos porque elas pareciam ferraduras de aliens equinos], os pomares floridos e os pomares ainda secos, com os galhos formando asteriscos cinza no chão verde. Tudo em miniatura, os açúdes de água, os carneiros e vaquinhas, os celeiros, as estradinhas e de um lado do horizonte as elevações da pequena serra que nos separam do Napa e Sonoma vale e do outro lado o perfil cosmopolita da cidade de Sacramento.

La Superior

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Fazia tempo que eu já tinha avistado o supermercado mexicano num dos shopping plazas de Woodland e atiçado minha curiosidade para dar um pulinho lá e ver como era. Mas um certo receio me preveniu de ir em frente, talvez um pouco intimidada de chegar lá e me sentir meio perdida no ambiente, sem saber nada sobre os ingredientes nem o que comprar. Foi quando abri o último número da revista Sunset e li uma reportagem com a chef Silvana Salcido Esparza do Arizona, não somente explicando muitos dos ingredientes, como também mostrando como esses mercados são super bacanas. No final de semana seguinte fomos finalmente fazer nossa primeira visita à La Superior, o que nos proporcionou muitas surpresas agradáveis. O lugar é enorme e super organizado. A maioria dos clientes são hispanicos e todos os funcionários falam espanhol. Os produtos, na maioria mexicanos ou centro americanos, são de ótima qualidade. Vi alguns legumes diferentes, como um chuchu espinhudo e vagens finas, além dos meus já conhecidos, como a mandioca e o cactus. Compramos goiabas, mamão, bananas maçã e da terra e alguns queijos. A parte das frutas tropicais foi a mas interessante pra mim, apesar delas não serem quase locais e algumas virem bem de longe. Banana maçã pra mim é uma verdadeira preciosidade! A padaria com pães coloridos e bolos de assadeira vendidos em pedaços quadrados não me empolgou. O balcão vendendo comida pronta, que cheirava deliciosamente bem, parecia muito popular onde muita gente comprava pra levar ou comer lá mesmo. Ali tinha um compartimento cheio com uns torresmões que eu nunca tinha visto assim tão gigantes. E do outro lado prateleiras com toda qualidade de banha de porco, junto do balcão dos queijos e do açougue e peixaria que eu achei absolutamente impecáveis. Quero voltar para fazer pergunta sobre os peixes que achei com cara de ultra-super frescos. Pena que me deu um ataque de "verguenza" de ficar fotografando quando vi muitas familias chegando e cumprimentando o açogueiro e o peixeiro com simpaticos "buenos dias!". A seção das pimentas secas também é sensacional. Voltarei lá para mais comprinhas. Fiquei até com um pouco de inveja dos que podem ter essa facilidade de ter um supermercado inteirinho replicando exatamente [ou quase?] algo semelhante em outro país.

amendoeiras em flor

amendoal
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De repente tudo começa a florecer, incluindo os pomares de amêndoas. Quando você está dirigindo por uma das estradinhas da região e um pomar florido aparece no horizonte, o único procedimento aceitável é parar o carro imediatamente e se meter na propriedade alheia para tirar fotos dessa lindeza.

cups & saucers

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Uma das coisas que mais gostamos de fazer é encaroçar em lojinhas de antiguidades. Vamos regularmente nas de Woodland, que são muito boas e têm preços acessíveis. E quando estamos viajando tamnbém paramos nas lojinhas que encontramos pelo caminho. No sábado demos um pulinho na lojona da Main Street e fiquei olhando xícaras. Cliquei as que mais gostei para assim poder olhar, olhar, pensar, pensar. Acho que voltarei lá para comprar uma delas. Qual será?

❡ o novo velho ❡

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No inicio deste ano me deu o faniquito da mudança. É um bom hábito fazer algum tipo de rearranjo nos móveis da casa de vez em quando, porque dá uma ideia de novo, apesar de tudo continuar sendo o mesmo. Desta vez mudamos a posição dos móveis da sala de jantar e adicionamos uma mesinha/console em um dos lados da sala. Viramos a mesa para ficar paralela com as janelas e colocamos o bufet na parede em frente, que ficou com uma cara estranha, desnuda. Então decidi fazer com composite de quadros e pratos. Vou dizer que desde que mudamos para essa casa vintage eu meio que perdi o meu medo de colocar pregos nas paredes. Ando assim mandando bala sejaoquedeusquiser. Então reusei uns quadros que estavam guardados e outros que estavam pendurados em lugares diferentes, resgatei uns pratinhos antigos que estavam ainda embrulhados em caixas no basement e voalá! Achei que ficou bem bonitinho. E quando cansar ou enjoar é só trocar tudo de novo.

♥ adoro chuva no outono ♥

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Este foi o primeiro jantar de Thanksgiving completo que fiz sem substituir o peru por bacalhau e convidando amigos, não só improvisando algo para a minha micro família. É trabalhoso cozinhar um cardápio com tantos ítens, mas com a ajuda do meu atencioso marido que deu duas mãos nas preparações e na limpeza, correu tudo relativamente bem. Aproveitamos muito o dia na companhia do Gabriel e dos nossos amigos Leila, Peter e Christopher. E o jantar ficou muito bom. Fiz cranberry sauce, batata doce caramelizada, batata roxa cozida, farofa de milho, farro com cogumelos e espinafre, purê de batata, salada de folhas verdes com laranja e romã e o imprescindível peru, que foi marinado no vinha d'alho coberto com fatias de bacon e assado coberto por quase quatro horas. Para beber vinho petite sirah local e prosecco. De sobremesa, gelatina de cranberry e maple, cheesecake de abóbora e chocolate e torta de maçã feita pela Leila com as maçãs colhidas pelo Christopher. Estava tudo uma delícia. Many thanks e vamos repetir essa festa no próximo ano.

many many many thanks!

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Hoje minha cozinha vai funcionar à todo vapor. Todo ano eu gosto de fotografá-la para marcar essa celebração que eu adoro e que considero a melhor de todas. Happy Thanksgiving! * O gato que sempre aparece nas fotos desse dia, está dormindo numa caminha embaixo da ilha.

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A minha casa tem inúmeros detalhes incomuns. Algumas coisas te deixam pensando pra que será que serve [serviu] isso? Certamente o detalhe mais intrigante é o cômodo com porta de ferro construído num dos cantos do basement. Muita gente já palpitou—é um bomb shelter, é compartimento para guardar munição, é câmera fria para guardar mantimentos, eteceterá eteceterá. Mas ainda não esclarecemos o mistério.

Outra coisa que me intrigou foi esse armarinho numa das paredes da minha cozinha vintage. Pela cara da coisa acabei concluindo que fosse para se guardar temperos. Não consegui imaginar outra possibilidade de uso para esse espaço estreito e longo. E foi lá que ajeitei todos os meus vidrinhos de pozinhos, ervinhas e especiarias.

A questão foi clarificada quando uma amiga veio me visitar. Ela olhou para o armário e disse—Fer, isso aí é uma tábua de passar roupa embutida! Quer dizer, era. Ali tinha uma tábua, daquelas que abria e fechava. Como era muito comum nas casas dos tempos antigos. Passava-se roupa na cozinha, mas a tábua e o ferro ficavam escondidos nesse armarinho engenhoso. Fez todo o sentido, tem até uma tomada elétrica numa altura pouco comum e uma placa de metal para apoiar o ferro. Com o passar dos anos a tábua foi removida e acrescentaram umas madeiras extras para fazer as prateleiras. Bingo!

[na colheita]

colheita tomatecolheita tomate
colheita tomatecolheita tomate
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Este verão foi um bom verão para os tomates. Não tivemos quase chuva no inverno e primavera, mas quando o calorão chegou, ficou estável por meses. Dias bem quentes, noites frescas. Imagino que tenha sido um ano de excelente safra. Os campos não estão tão pertos do meu caminho como no ano passado. Mas vi bastante colheita, desta vez um pouco mais de longe e sem muita vontade de ficar correndo pelo acostamento da estrada poeirenta tentando tirar fotos. Cliquei um caminhão aqui, outro ali, outro acolá no horizonte, cruzando a ponte do outro lado da pista. Vi muitos deles indo e vindo, completamente cheios e derrubando frutas pelas curvas ou já vazios voltando para pegar mais tomates nos campos. Vi muitas carretas cheias esperando os caminhões levá-las para as enlatadoras. As grandes plantações de tomates desta região são para enlatar e fazer catchup. São tomates comuns no formato, mas impressionantes na quantidade e qualidade. Diferentes dos vendidos para o consumo, que são um outro espetáculo—um caleidoscópio de cores, sabores e formatos que alegram os nossos olhos e paladares durante todo o verão.

at the county fair

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No ano passado fizemos nossa primeira visita à uma county fair. Neste ano resolvemos voltar. Como tínhamos um outro compromisso no mesmo dia, fomos bem cedo logo depois do almoço e a feira estava bem vazia. O buxixo acontece à noite, quando uma multidão baixa nos fairgrounds da cidade para se divertir nos rides e jogos, ver shows, beber cerveja e comer porcariada frita. Foi mais um final de semana tórrido com temperaturas chegando a quase 40ºC e por isso não foi muito fácil caminhar pela feira. Mas mesmo assim aproveitamos. Tomamos apenas um sorvete de massa, bebemos litros de água e olhamos todas as exposições. Eu não curto roda gigante e quetais, nem me entusiasmo com jogos de argola ou pescaria pra ganhar bonecos de pelúcia. Gosto de ver a competição de legumes e caminhar pela feira só olhando e fotografando. Se não estivesse tão quente teríamos até ficado um pouco mais.

sunflower fields forever

girassoisgirassois
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Este ano eu estava estranhando não ter visto nenhum campo de girassóis no meu caminho. Mas quando fui buscar comida nepalesa para o jantar de uma sexta-feira, atravessei a ponte que passa por cima da estrada principal que corta a cidade e vi um campo enorme e todo florido dentro do perímetro urbano. Daí comecei a ver outros campos, mais próximos ou um pouco afastados da cidade. O negócio é que os campos mudam de lugar, ou melhor, os campos são os mesmos mas a lavoura é rotativa. Então onde estavam os girassóis no ano passado, neste ano estão os tomates ou o trigo. E onde estavam os tomates estão os girassóis ou o trigo ou o milho. Sou daquelas que acha todo esse cenário agrícola uma lindeza absoluta. Sou daquelas que encomprida o caminho pra casa só pra poder olhar os tomates já brilhando nos campos ou sentir o cheiro do feno recém colhido. Sou daquelas que para o carro no meio do poeirão e vai fotografar campo de tomate ou girassol até mesmo quando está fazendo quarenta graus. Sou daquelas que enfrenta as abelhas pra poder chegar mais perto das flores gigantes e laranjas. Sou daquelas que transpassa propriedade alheia pra poder tirar uma foto, mesmo que seja com o celular. Sou daquelas que comprimenta os trabalhadores do campo dando tchauzinho pro pessopal nos tratores. Na última foto da direita eu sou aquela bolhinha cor-de-rosa, que é como o google maps me identificou no dia em que parei no meio dos campos agrícolas para tirar essas fotos dos girassóis.

viver na Califórnia é ...

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Ver campos recém plantados com uvas cabernet na periferia da sua cidade.

colhendo frutas [u-pick]

Market Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market Flowers

Desta vez fomos colher frutas na fazendinha orgânica da road 99 um pouco mais cedo e pegamos a [curta] temporada dos damascos. No ano passado colhemos apenas morangos e berries. Ficamos bem animados este ano e já voltamos duas vezes. Os morangos são deliciosos e segundo um amigo do meu marido que provou alguns, eles são os melhores que ele já comeu na vida! Eu até acredito. As berries ainda não estão super maduras, mas os damascos estão um caso à parte. As árvores estão carregadíssimas e as frutas estão lindas e dulcíssimas. Meu marido, que tem anos de experiência projetando robots chacoalhadores para colheita em árvores frutíferas, improvisou um chacoalhador manual no meio do pomar e pudemos coletar as frutas mais maduras que cairam das árvores. Adoramos e admiramos o fato da fazendinha usar o honor system na hora do pagamento. Nunca tem ninguém lá vigiando quem pega ou quem paga. Você colhe, você pesa, você paga o que eles pedem—treze dólares pelo baldinho cheio para morangos e damascos e quatro e cinquenta para o pound das berries. Acho que não dá pra ser mais local, mais fresco e mais próximo do produtor do que isso, né? É por essa, entre muitas outras, que eu adoro viver aqui na roça!

The Gibson house

the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house
the gibson housethe gibson house

Um dos melhores passeios pra mim é visitar casas antigas transformadas em museus. Na semana passada conhecemos a Gibson mansion que pertenceu a um fazendeiro que chegou em Woodland na metade do século 19. Ele chegou com uma mão na frente e outra atrás e foi progredindo. A casa, que inicialmente tinha apenas um cômodo, foi progredindo também até virar uma construção imponente de dois andares. Hoje ela fica praticamente no meio da cidade, mas no inicio aquela localização era considerada longe de tudo, no meio do campo. Na imensa propriedade o Sr Gibson criava gado, cavalos, cabras, ovelhas e veados [sim, veados, mas esse empreendimento não deu certo]. Hoje a casa foi transformada num museu daqueles que eu mais amo, porque você pode entrar em todos os comôdos, ver e tocar [com cuidado] todos os objetos, abrir gavetas, portas, tirar fotos. Como essa área teve uma grande imigração asiática durante o período da corrida do ouro, o museu recebeu muitas doações das famílias chinesas e tem muita coisa intertessante, desde porcelana até trajes típicos da época feitos de seda e bordados. Adorei visitar a casa da família Gibson e no dia em que fomos estava tendo uma festa da cidade e muitos voluntários estavam disponíveis e animados para contar histórias e responder perguntas. Essa casa em Woodland é bem parecida com essa pensão que visitamos no Colorado uns anos atrás. É realmente sensacional a maneira como o passado é cuidadosamente preservado, mesmo nos detalhes rotineiros e que parecem não ter muita importância histórica.

in the old [old] houses

Quando tomamos a decisão de mudar para Woodland, eu fiquei um pouco receosa de vir morar numa cidade mais tradicional, contrastando com a atmosfera liberal que sempre vivenciei em Davis. Eu sabia que aqui iria ser diferente—sem as hordas de estudantes jovens e moderninhos, sem a população internacional itinerante, sem o farmers market bacanão e ultra famoso, sem as festas da universidade, eteceterá, eteceterá. Na época duas pessoas me falaram coisas que na hora não fizeram tanto sentido, mas que agora estão fazendo. Primeiro foi o mocinho que fez a inspeção da venda da nossa casa em Davis que me disse—vá para Woodland com a cabeça aberta, que tenho certeza que lá você vai encontrar a sua tranquilidade. E depois foi o meu marido que me disse—você vai fazer com Woodland o que fez com Davis, vai descobrir mil coisas legais e escrever sobre elas no blog, vai até deixar gente com vontade de vir conhecer a cidade. Não sei se Woodland entraria no badalado circuito turistico internacional, mas eu com certeza encontrei aqui muita coisa que nem estava procurando.

Essas fotos logo abaixo são de um passeio que fizemos em setembro de 2011 pela nossa vizinhança. É um evento já bem estabelecido e que acontece todos os anos, chamado de Stroll Through History. Durante um dia as pessoas fazem excursões pelo centro e vizinhanças históricas da cidade. Os visitantes andam pelas ruas acompanhados de arquitetos e historiadores, que vão contando histórias sobre a cidade e sobre as casas e as diferenças de estilo e de época. Temos muitas casas vitorianas aqui em Woodland e muitas são extremamente bem preservadas. E outras tantas casas de muitos outros estilos. Uma delas é a minha, construída em 1948 em estilo inglês colonial. Mas o mais legal desse evento é que muitas casas abrem para o público pagante e podemos entrar nelas e xeretar por dentro. Elas são super bem decoradas, algumas com mistura de coisas antigas e novas, outras bem tradicionais, com a proprietária velhinha te recebendo na sala e contando histórias de família. Em muitas das casas somos recepcionados pelos donos e voluntários do evento vestidos de acordo com a moda da época. No quintal tem bandas tocando música, você pode até dançar. Visitamos todas as casas do circuito, mais as que estavam abertas para venda e duas extras, que o guia arquiteto descolou para o nosso grupo conhecer. As pessoas realmente vivem nelas, e podemos ver a cozinha com os utensílios diários, a mesa de jantar arrumada, a sala com piano onde a família se reune. Todas as casas são realmente magnificas. Passamos o dia nesse trancetê e no final da empreitada olhamos um para o outro sorrindo e tivemos a mais absoluta certeza de que nos mudamos para o lugar certo.

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»tirei umas 98765 mil fotos com o meu iphone durantre o evento, que foi das 8 am às 5 pm e tive que escolher apenas alguns pares delas. mas consegui fazer um pequeno patchwork com as que mais gostei—casas vitorianas com coleção de xícaras clássicas, outra com a cozinha toda decorada com uma coleção infindável de alcachofras, a parede coberta de utensílios culinários antigos, uma varanda com rede, a salinha de estar da casinha da década de 20 que tinha uma adega com bar no basement, o fogão vintage recondicionado, o quarto minimalista da casinha moderna de 1912, e algumas fachadas das lindas casas dessa vizinhança super arborizada.

T & Y Strawberry Patch

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O farmers market de Woodland ainda está em recesso, então eu estava indo no de Davis uma semana sim, outra não. Mas um dia deu uma baita preguiça. Era um lindo sábado ensolarado e eu queria ficar por aqui mesmo, na roça, sem ter que pegar estrada, procurar vaga pra estacionar e esses troços todos. Resolvemos sair a procura de um fruit stand, uma banquinha, uma vendinha. Afinal estamos numa área agrícola, cercados por fazendas, pomares de frutas, campos de tomates e trigo, pastagens com carneiros, cabras e vaquinhas. Seguimos até o final da Main Street, que virou road 16 e logo vimos os sinais indicando a venda de morangos.

Já voltamos lá várias vezes, pra comprar mais laranjas da fazenda do Tony Turkovich, ovos das galinhas hillbillies, limões e limas, aspargos, ervas-doce, alcachofras, mexiricas, abacates e até lindos morangos, que já deram o seu ar da graça. O lugar é super simples—a venda, num barracão espaçoso na frente e a horta e um pomar de amêndoas atrás. Muita coisa é produzida ali outras vêm dos arredores, tudo local e sem agrotóxicos, nos garantiu o mocinho asiático que cuida do caixa. Cada vez que vamos lá conhecemos alguém diferente, mas parecem que são todos da mesma família. O Uriel perguntou a história deles e assim ficamos sabendo que eles são refugiados do Laos. Vieram para os EUA no final dos anos 80, ficaram um tempo vivendo num campo de refugiados e depois se estabeleceram em Woodland.

Tenho gostado muito de fazer minhas compras lá, porque é perto, é conveniente e os produtos são fresquissimos e baratos. E é mais uma opção pra mim. O mocinho que sempre nos atende disse que no verão eles terão um mundarel de frutas, locais—além dos legumes, verduras, amêndoas, pistachos, mel e lavanda.

receitas sem fotos

Meu velho iMac não está conectando na internet. Justamente esse, que é o computador onde eu desovo e processo todas as fotos para o blog porque a tela é maior e melhor. Hoje fiz uma investigação e um interrogatório, me aproveitando da sapiência e gentileza de dois colegas, um programador e outro meterorologista. Chegamos à conclusão que: 1. o airport precisa ser atualizado. 2. o airport tá bichado e precisa ser trocado. Enquanto isso faço o que posso do laptop que fica na cozinha. A combinação desse pequeno probleminha com a correria de trabalho e outras coisas, está me deixando meio desanimada. Até tenho uns assuntos e receitas para publicar, mas simplesmente não estou conseguindo. Se eu pudesse dormir menos horas, essa condição de falta de tempo se resolveria facilmente. Sem falar que ainda entramos no nosso daylight saving time e por isso voltamos a acordar no escuro e não está sendo fácil tentar dormir menos.

Outro dia estava pensando que sou uma pessoa mais de imagens do que de palavra. Será? Porque às vezes fico frustradíssima quando vejo algo super legal e não consigo fotografar. Faço mil pataquadas, tropeço e caio no meio da rua, fico pra trás do grupo, aguentando filho e marido revirando os olhos, só porque eu preciso captar uma imagem. Depois de escolher entre trocentas fotinhos, cortar uma por uma [minto, uso um sistema], sempre gosto de montar as imagens numa galeria com a intencão de dizer algo, contar uma história. Can you dig it?

E as minhas histórias neste momento giram em torno da minha vidinha pacata—a casa, os gatos, os vizinhos, as plantas, as flores, as frutas, os legumes, a garrafa de vinho, detalhes da paisagem que está mudando.

Num domingo fiz um almoço pro meu filho e minha nora. Mas como ainda estava me recuperando de uma gripe morfelenta que me deixou um bagaço por duas semanas, resolvi que iria tentar simplificar ao máximo, fazendo um peixe na churrasqueira. Preparei uma posta grande de atum, que só temperei com sal, pimenta, raspas e suco de laranja. Foi pra grelha embrulhado em papel alumínio sobre uma cama de rodelas de laranja—aquelas da minha bondosa vizinha. O peixe assou rápido e ficou super úmido e tenro. Todos gostaram. Acompanhou salada de batata com vagens e salada verde de folhas. Num outro domingo fiz peixe de novo, desta vez bacalhau fresco do Pacífico, pescado em Half Moon Bay. Cozinhei as postas num molho de tomate [aquele em lata orgânico], depois de fazer um refogado com alho poró. E temperei com curry vermelho tailandês e coentro fresco.

Toda segunda-feira tenho precisado praticamente colocar um post-it na testa para lembrar, mesmo depois de ja ser avisada duas vezes pelo meu calendário no iPhone, que é dia de pegar a cesta orgânica. Já passei reto pela fazenda duas vezes. Da primeira vez eu voltei—estava no meio do caminho quando caiu a ficha. Da segunda vez eu entrei em casa e chorei. Depois me recompus e mandei um texto pra pra minha ex-nora, pedindo pra ela ir pegar a cesta pra mim. Essa amnésia recorrente tem acontecido por causa da minha imensa ânsia de voltar pra casa no final do dia de trabalho.

O que me deixa feliz é que a primavera já está bem presente até na minha cozinha, com a chegada de alguns tímidos aspargos. Está finalmente chovendo tudo o que não choveu quando deveria ter chovido. Tenho deixado os gatos sairem no quintal [com supervisão] durante o final de semana. Vamos mandar repintar a casa inteira por fora. E consertar uma goteira. Essa será a minha primeira primavera em Woodland.

da terra da laranja

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Temos conversado muito sobre as laranjas e os limões porque esses cítricos andam onipresentes nas minhas andanças pela minha vizinhança em Woodland. Pra todo canto que eu olho, vejo árvores carregadas desses frutos. Sentada no sofá da sala de estar vejo duas árvores do vizinho de cá, da cozinha vejo outras duas do vizinho de lá e o vizinho da frente tem mais duas, todo mundo parece ter pelo menos uma laranjeira e muitos tem limoeiros. Devo ter ficado com algum tipo de obsessão cítrica depois que mudei de casa e fiquei lemontreeless, sei lá. O caso é que as laranjeiras carregadas de frutas de cores florescente estão todo o tempo no meu campo de visão e a frase que eu mais repito é—como eu queria pegar um tanto delas pra mim! Mas se não posso apenas ir pegando as frutas que quiser nas árvores alheias [trespassing!], resigno-me a aguardar pacientemente que alguém decida ser um vizinho benemérito. E de fato isso realmente acontece: noutro dia ganhei um saco de limões de uma vizinha e no sábado ganhei uma sacola cheia de laranjas de outra. Ela e o marido passaram a manhã colhendo laranjas de duas árvores, distribuiram um tanto e deixaram o restante em caixas na calçada para quem quisesse pegar. Dividir frutas com os desprovidos é, ao meu ver, uma das maiores manifestações de desprendimento, generosidade e benevolência humana.

sim, eu sou uma locavore!

Algumas coisas estão bem diferentes na minha vida depois da minha mudança de casa e cidade. E tudo que eu achava que iria acontecer, não aconteceu da maneira como eu previa. Eu tinha certeza absoluta de que iria fazer muita coisa em Davis, além de trabalhar no campus durante a semana. Achava que iria continuar com as aulas de pilates naquele studio hiponga modernete frequentado pelas cheer leaders, continuar visitando a thrift store do SPCA regularmente, e nadando na mesma piscina de sempre com os Masters e que não perderia nenhum Farmers Market aos sábados. Well....

Mudei e comecei a olhar tudo em volta de mim. Achei uma piscina pra nadar perto de casa, comecei a visitar a lojinha de antiguidades da Main Street, achei um outro lugar pra fazer aula de pilates e praticamente não coloco mais o nariz em Davis nos finais de semana. No primeiro sábado em Woodland fui checar o pequeno Farmers Market da cidade. Foi um grande choque, porque o FM de Woodland é uma ervilha se comparado com o de Davis. São poucas bancas, não tem o peixeiro, nem a florista, nem o japonês dos cogumelos, nem a carne grass-fed, nem o frango caipira. São praticamente pequenos fazendeiros da região fazendo um esforço fora do comum para manter o mercado funcionando. Uma vez, conversando com a administradora, ouvi ela reclamar amargamente dos habitantes de Woodland que não tem o hábito de frequentar esse tipo de feira. O que eu faço com esse povo, ela me perguntou desgostosa. Respondi que ela precisava fazer umas promoções, divulgar mais, que tudo é uma questão de informação. Mas sei que não é nada fácil.

Nos últimos meses fui freguesa assídua do FM de Woodland. Frequentei as versões das manhãs de sábado e as da terça-feira à tarde. Fiz amizade com a maioria dos produtores, com quem bati ótimos papos, fiquei sabendo onde eles plantam, o que plantam, como plantam, por que plantam. Todo sábado eu voltava pra casa com a cesta lotada de delícias fresquinhas e com um sorriso na cara, porque as conversas eram as mais bacanas e variadas. Isso me deixava imensamente feliz, pela impagável oportunidade de socializar com a pessoa que tinha plantado, colhido e agora estava me vendendo o produto que iria virar minha refeição. Me encantei!

Quando fiquei sabendo que o mercado de Woodland era sazonal e iria fechar durante o outono e inverno, me desmanchei de tristeza. Peguei cartão de endereço com todos os fazendeiros, perguntei se eles vendiam direto da fazenda, se tinham frutas durante o inverno, me preveni. No primeiro sábado depois do encerramento das atividades do FM de Woodland, eu e o Uriel fomos ao de Davis. Fiz as compras no mercado lotado, muita gente comprando, outros só aproveitando a manhã e consumindo as comidas étnicas que são vendidas lá, muita gente fotografando as lindas abóboras. O Farmers Market de Davis está em atividade há 30 anos. Tem uma estrutura apropriada, construida pela prefeitura e que permite que tudo funcione mesmo durante os dias frios e chuvosos. É um mercado bacanérrimo, cheio de variedades e novidades, tem tudo o que você precisa e um pouco mais, a localização é excelente bem ao lado de um parque enorme, é realmente tudo o que falam dele, merece a fama de ser um dos melhores Farmers Markets do país.

Mas eu agora quero um pouco mais—ou melhor, um pouco menos. Porque adorei a oportunidade de chegar mais perto dos fazendeiros e das suas fazendas, mais perto das colheitas, observar as atividades no background de todo esse sistema que termina quando estou cortando um tomate para fazer uma salada na minha cozinha. Vejo os campos, os pomares e as atividades agrícolas diárias, de acordo com a estação. Me encantei com os campos de girassóis, com a colheita dos tomates e agora estou de olho num pomar de nozes com o chão todo salpicado de frutos, que estão prontos para serem colhidos, depois que as cascas racham e se abrem.

Decidi que vou tentar o máximo continuar consumindo os produtos dos fazendeiros de Woodland, vou mandar e-mail, combinar de passar pelas fazendas quando der. Uma das fazendas, que além de tudo é certificada orgânica, fica bem no meu caminho. Todo dia eu passo em frente e vejo um galpão onde a família arruma os produtos que serão vendidos durante o dia. Nao fica ninguém lá, apenas as abóboras, os melões e os tomates, uma lista de preços rabiscados numa lousa, uma balança para pesar os produtos e uma caixinha para a gente colocar o dinheiro. E eu gosto muito disso.

[*o que é um locavore?]

a colheita do tomate

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Deu um pouco de tristeza ver o verão se encerrar meio que de repente. Tivemos a derradeira onda de calor e sem cerimônia nenhuma começou a chover, esfriou e acabou-se o que era doce. As últimas semanas foram bem agitadas nos campos e pomares da região. A minha decisão de ir e voltar do trabalho pelas back roads me deu a grande oportunidade de observar bem de pertinho algumas colheitas, e mais intensamente a dos tomates. É tudo muito rápido, quando eu passava pela manhã as máquinas estavam colhendo a todo vapor e na volta pelo mesmo caminho à tarde, os campos já tinham virado um imenso poeirão salpicado de frutos caídos das colhedeiras. Por algumas semanas eu vi um campo atrás do outro ser desbastado e carretas e mais carretas se enchendo de frutas vermelhas. Pra mim essa proximidade com a colheita do tomate foi uma experiência absolutamente fascinante. Voltando do trabalho numa tarde, decidi ir pra casa pegar a câmera e voltar para tentar fazer uns cliques. Tive que acompanhar a colhedeira com o carro, do outro lado da pista, porque ela não para um segundo, vai e volta, jogando a tomatada na carreta que a segue puxada por um trator. E são muitas carretas, que vão se alternando em perfeita sincronizacão. Nesse dia estava fazendo quase 40ºC. Parei o carro numa encruzilhada e fui andando à pé pelo acostamento para tirar algumas fotos com o celular. Um carro que vinha normalmente por uma das estradas de repente diminuiu a velocidade e abaixou o vidro da janela. Uma moça colocou a cabeça pra fora e falou comigo—está tudo bem com você? Fiquei desconcertada e só então me toquei do absurdo da minha situação caminhando na vastidão dos campos de tomates, sob um sol de rachar coquinho, eu só podia estar em alguma confa e precisando de ajuda. Respondi toda sem graça—sim, estou apenas tirando umas fotos! Acho que eu não precisava chegar tão perto da colheita, mas eu quis fazer e fiz. E apesar daquele momento altamente constrangedor, olha-só-aquela-mulher-maluca-vagando-pela-estrada, valeu à pena ter feito.

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The Yolo County Fair

Yolo County FairYolo County Fair
Yolo County FairYolo County Fair
Yolo County FairYolo County Fair
Yolo County FairYolo County Fair
Yolo County FairYolo County Fair
Yolo County FairYolo County Fair

Foi a minha primeira visita à uma fair americana e até que achei legal. Lá bebemos limonada com cereja e muita água porque a tarde estava quente. Eu comi um taco com salsa, depois um corn dog e devorei um float de root beer do tamanho do universo, com quatro bolas de sorvete de baunilha e uma garrafa do clássico refrigerante. O Uriel comeu um milho assado na palha e eu comprei um torrão imenso de toffee de caramelo com castanhas e coco, que não conseguimos comer nem um décimo. Fairs são ótimas para comer porcarias, doces e frituras. Nessa até que não tinha algumas barbaridades como os deep fried de twinkies, twix ou oreos. É bem perceptível que absolutamente todo mundo come os corn dogs, que são umas salsichas enfiadas num palito e depois empanadas com uma massa de milho e fritas. Um grupo de casais já pelos seus setenta anos sentado na mesa na nossa frente devorava corn dogs como se eles fossem a iguaria mais fina e sofisticada do mundo. A explicação é bem óbvia—corn dogs são lembranças de infância, de quando chegava o verão e eles iram com a família ou com os amigos na fair e se divertiam as pampas, enquando mordiscavam as portáveis e práticas salsichas fritas.

zigalhões de tomates

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Em todos os anos que vivi em Davis minha proximidade com a colheita dos tomates se resumiu aos tempo em que o Uriel trabalhou na maior fazenda produtora da região testando uma máquina; e aos caminhões carregados da fruta que eu via indo e vindo pela estrada durante o mês de agosto. Mas agora, morando em Woodland, minha perspectiva de visão mudou bastante. Estou mais próxima do que jamais estive dos tomates, já que há campos deles até dentro do perimetro urbano. Outro dia entrei na cidade e vi duas caçambas de caminhão lotadas até o topo com tomates e o pessoal da colheita já se preparando para ir embora. Sendo eu quem sou, parei o carro no acostamento poeirento, fui até o primeiro moço que parecia ser o chefe da parada e pedi licença pra tirar uma foto com o celular. Ninguém entendeu nada, mas pra mim tudo isso é simplesmente incrível. Nem sei explicar como me sinto quando sou confrontada com essa abundância agrícola de verão. Na saída mostrei a foto pra outro moço com o rosto queimado de sol e um sorrisão cheio de dentes bem brancos, e comentei—BEAU-TI-FUL!

Eu realmente acho os campos de tomates bonitos, quase singelos. E neste momento estou encantada com a visão dos caminhões pela estrada, o acostamento salpicado de frutas caídas das carrocerias lotadas, as caçambas esperando solitárias no meio dos campos para receber toneladas de tomates, tomates e mais tomates. Voltando do trabalho por uma estradinha vicinal [minha mais nova mania—achar estradinhas alternativas para chegar em casa], vi muitas caçambas, muitos tomates e muitos campos já escalvados, mostrando o rastro da máquina que arrancou as plantas e limpou a terra, deixando só uma vastidão de poeirão.

Tenho ido ao Farmers Market da cidade e os pequenos fazendeiros locais que vendem seus produtos estão oferecendo tomates de todos os tamanhos e cores. Agora estou na expectativa de ir colher tomates eu mesma para fazer molho e estocar pro resto do ano. Vou naquela fazenda orgânica que oferece u-pick e usa o honor system. Passo por ali todos os dias e vejo que os donos mantém uma vendinha solitária bem na entrada da fazenda, sem ninguém presente pra coletar o dinheiro. Coisa que já não se vê mais por aí.

Quando fui pela primeira vez assinar a papelada da nossa oferta da casa na imobiliária em Woodland, o corretor me falou—acho que você vai gostar muito de morar aqui, no verão temos os melhores morangos e os melhores tomates. Hoje sei que ele não estava mentindo, nem aumentando ou inventando.

o〔♥〕da casa

A cozinha, é claro! Ela foi um dos motivos que nos fez decidir comprar uma casa de sessenta e três anos com muitos probleminhas e estranhezas arquitetônicas, em detrimento de outras ultra modernas e funcionais que estavam disponível no mercado pela mesma faixa de preço.

Foi enquanto conversava com o nosso corretor e o Gabriel em pé no meio da cozinha, que tive certeza de que era ali mesmo o meu lugar. Uma cozinha perfeita para uma Julia Child wanna be como eu!

A cozinha foi modernizada, mas apenas em termos. Os armários são originais, feitos com madeira de verdade, coisas dos tempos antigos construidos para durar pra sempre. Os espaços são menores—o do fogão e da máquina de lavar louça, por exemplo e não há conexão pra água atrás da geladeira [e portanto adeus água filtrada e gelinho]. Os armários não são tão grandes como os da outra casa, em Davis. E tudo é bem mais baixo, incluindo a bancada e a altura dos armários. Por isso a batedeira teve que ficar sobre outro móvel. Mas todos esses detalhes foram completamente contornáveis.

O que eu mais gostei nessa cozinha foi a parede toda de janelas e a ausência de espaço pra colocar cacareco. Minha coleção de galinhas se aposentou pra dentro de um armário e não tenho mais jarras e sopeiras à vista. Não há parede pra pendurar enfeites e minha coleção de pratos antigos ainda está encaixotada. De uma certa maneira isso deixou o ambiente muito mais clean e agradável. E eu gostei. O lustre de mosaico que veio com a casa ia ser trocado, mas acabou ficando. A ilha de trabalho em frente da pia tem sido um salva-vidas, já que a bancada é um pouco baixa pra minha altura. Quis tirar o lixo do armário embaixo da pia e estou gostando de ter uma lata com tampa ao lado da bancada. E o tapete é de plástico!

Mudei algumas coisas no visual da minha cozinha e estou realmente contente. Ainda falta instalar a conexão de gás e trocar o fogão. Mas vamos aos pouquinhos. Umas coisas engraçadas nessa cozinha são um pequeno armário para colocar condimentos, que eu achei completamente estranho, pois fica do outro lado bem longe do fogão. E a despensa, que foi improvisada num espaço onde passa os encanamentos do aquecedor e ar condicionado da casa. E também tem o basement, que não é uma coisa muito comum nas casas aqui da Califórnia. Mas eu tenho um, onde está uma geladeira extra e muitas prateleiras lotadas com todas as coisas que não acharam espaço disponível dentro da cozinha.

No dia em que resolvi tirar as fotos da cozinha pra publicar aqui, não arrumei nada, nem fiz preparativos especiais. Depois fiquei com muita raiva de mim mesma e da minha displicência, pois pude ver que tinha louça suja na pia, um monte de coisas fora do lugar, incluindo a escadinha vermelha que o Uriel tinha acabado de usar pra trocar uma das lâmpadas do teto que estava piscando. Mas depois pensei, é isso mesmo! Minha cozinha é assim na vida real. Não é cenário, nem material pra revista de decoração, mas é o lugar onde eu passo um bocado de tempo e é certamente o coração da casa.

[*super obrigada a todos que deixaram comentários nas fotos da minha cozinha-caverna!]

no meu caminho

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campos de girassóis

[ we picked ]

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Chegou o dia em que fui finalmente vencida pelo cansaço. Passei o domingo super devagar, me sentindo sem energia. Tomamos um chazinho acompanhado de éclairs às 4 pm e eu já me entristecia com o encerramento do final de semana quando o Uriel sugeriu um passeio. Quero te mostrar a fazenda orgânica com u-pick de morangos que vi no final da highway 99—disse ele. O céu despencou num baita temporal. Assim que a chuva parou, nos agasalhamos, entramos no carro e fomos ver o tal lugar.

Se eu tivesse a minha bicicleta em Woodland, daria pra ir até a fazenda Pacific Star Gardens pedalando. De carro se chega lá numa piscada. Ela fica no inicio de uma estradinha que liga Woodland à Davis. Não é a estrada principal, nem a melhor estrada, por isso eu nem conhecia.

A região tem muitas fazendinhas com campos de tomates, girassóis e trigo. Numa parte do caminho tem muitas oliveiras enfileiradas. Paramos na fazenda e não tinha absolutamente ninguém por lá. Achamos que o u-pick estava fechado. Fomos investigar. Num pequeno barracão estavam os baldes e cestinhas, uma balança, uma caixinha pra gente colocar o dinheiro e uma placa com as explicações: o preço do pound das blackberries e de cada cestinha de morangos, pegue o balde, vá colher as frutas, pese e pague, obrigado! Ainda tem muita gente que usa esse tipo de honor system, onde a confiança é a alma do negócio.

Pegamos um baldinho e rumamos para o campo, que estava uma lama só por causa das tempestades que cairam durante todo o final de semana. Plaquinhas indicavam os arbustos de blackberries, marionberries e olallieberries. E o campo de strawberries. Fomos pegando as frutas, ainda molhadas da chuva, até encher o balde. No caminho vimos um campo enorme cheio de galinhas felizes. Fiquei animada em poder comprar ovos. Também vimos um pomar de damascos, campos com verduras e tomates. Fiquei num estado de alegria e excitamento sem fim.

Quando já estávamos indo pro campo de morangos, vi uma moça lá junto das galinhas e corri falar com ela. Queria saber dos ovos! Acenei lá de longe, ela acenou de volta, fui apressada encontrá-la. Ela era a dona da fazenda e me contou que os ovos já estão todos vendidos, mas que eles planejam aumentar a produção. Disse que logo terá u-pick de tomates e berinjelas e que se eu quiser eles vendem a galinha viva com recomendação de quem pode fazer o trabalho sujo pra mim. Dispensei. Mas fiquei interessadíssima nos tomates e afirmei que vou voltar para mais berries e tomates até o final da estação, vou virar freguesa. Ela disse que a fazenda tem 40 acres e que tem também um pomar de nozes e eles estão começando a criar patos e perus. Uma ótima opção para o Thanksgiving!

Conversei um tempão com a moça, que me contou da família dela e do Farmers Market de Woodland, que como eu pensava é o Real McCoy, com apenas fazendeiros locais vendendo por lá. Embora nem todos certificados orgânicos, como eu também já sabia.

Fomos pra casa com as botas sujas de lama, um balde cheio de frutas e um sorrisão estampado na cara. O passeio me revigorou e me reanimou. Fizemos nosso lanchinho, com as frutinhas deliciosamente frescas e doces [especialmente os morangos!] mais iogurte grego com mel, pão doce e nutella. Sentados à mesa, devorando as delicias, o Uriel comentou—estou me sentindo como um urso, pois colhi o meu próprio jantar de berries. [ hahahaha! ]

I'm a Woodlander!

Im a Woodlander!Im a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander
Im a WoodlanderIm a Woodlander

Choveu no dia da mudança e eu acho que isso significará muita sorte para nós. Mas mudar foi uma trabalheira. A empresa que contratamos chegou às 8:30 da manhã com quatro funcionários, que botaram pra quebrar. Não antes de soltarem uns palavrões quando viram a quantidade de coisas pra carregar e ainda para encaixotar. Os gatos ficaram estressadíssimos e passaram o dia dentro do quarto vazio na casa velha. Só vieram para a casa nova à noite, quando tivemos a grande surpresa de ver o Misty se ajustar em menos de uma hora e o Roux quase ter um treco de tanto medo. Levou um tempinho, mas agora ele já esta novamente se sentindo em casa.

A nossa adaptação foi ainda mais fácil. Eu estava muito dividida, achando que iria sentir muito a minha saida de Davis. Quando chegamos na casa nova eu fiquei direcionando os moços descarregando as caixas e móveis na calçada da frente, bem embaixo de uma árvore. Depois da chuvarada que caiu pela manhã, o sol apareceu e estava uma brisa fresca. Foi exatamente ali que eu caí na real de como essa minha nova casa é simplesmente deliciosa. Não sei se a vizinhança toda arborizada e tranquila também contribui, mas me senti imensamente tranquila. Me senti feliz.

No dia seguinte voltei pra Davis pra pegar algumas coisinhas que ficaram pra trás, me despedi da casa, agradeci os anos tão bacanas que vivi lá, enxuguei um borbulhão de lágrimas e rumei apressadamente de volta para Woodland, onde uma desordem fenomenal me aguardava. Na primeira manhã na casa nova, não se via nem o chão nem o teto da cozinha, que abrigava sei-lá-quantas mil caixas. Como vamos colocar madeira em dois cômodos da parte de baixo, todos os móveis e outras coisaradas estão empilhados num terceiro. A única parte da casa onde dava pra caminhar razoavelmente eram os quartos e banheiro no andar de cima.

Cinco dias de trabalho duro, levantamento de peso, subindo e descendo escadas, dor nas batatas das pernas e no lombo, posso dizer que tudo já está tomando uma cara mais normal. A cozinha já está usável, apesar do fogão elétrico ainda não ter sido substituído por um a gás—mas estou prestando atenção e tomando cuidado. Já preparei algumas boas refeições. Alías, comemos em casa todos os dias, com exceção do dia da mudança, quando fomos forçados a comer fora. Não pedi pizza, não peguei take out. Minha primeira refeição na minha cozinha ainda lotada de caixas, foi uma salada de tomates com queijo e manjericão fresco e pão torrado na frigideira.

A casa é antiga e aos poucos vamos percebendo certos detalhes que antes nem pensávamos à respeito, como ter ou não ter fio terra nas tomadas. Aqui a maioria não tem. Tivemos que comprar uns adaptadores e vamos ter que chamar um eletricista pra fazer o serviço. A maioria das casas modernas tem espaços padrões pra geladeira, fogão, máquina de lavar e secar. Mas numa cozinha antiga reformada foi um suor instalar a máquina de lavar louça modernosa num espaço adaptado do tempo da onça. Mas tudo isso são detalhes que não interferem com a alegria de viver aqui—estou adorando os assoalhos rangendo quando caminhamos pela casa, a paisagem verde vista de todas as janelas, o cheiro de madeira antiga, o barulhinho do vento nas folhas das árvores, os passarinhos e o silêncio, ah, o silêncio!

»no primeiro dia bateram na porta e era a minha vizinha me recepcionando com um pratinho de cookies ainda quentinhos. ela me disse que mora aqui há 30 anos e que conheceu o dono original, que construiu a nossa casa, que morreu com 98 anos! »no sábado fui conhecer e fazer compras no Farmers Market de Woodland, que é bem modesto. mas lá comprei os morangos e as cerejas mais doces desse inicio de temporada. »nesses dias de folga nem pensei em trabalho, mas amanhã recomeço minha rotina, que não incluirá mais ir pro campus de bicicleta nem almoçar em casa. »um super feliz e comovido obrigada à todos que deixaram comentários sobre a casa!

a casa da rua Pendegast

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Não estava nos nossos planos mudar de cidade. Mas começamos a olhar casas pra comprar em Davis e ficávamos abatidos e desanimados à cada uma que visitávamos—todas muito caras, outras muito pequenas ou muito estranhas ou muito estragadas. Daí decidimos olhar na cidade vizinha e a primeira casa que vimos foi essa. Olhamos pelo website da imobiliária e eu tinha absoluta certeza de que iriamos ter mais uma decepção. Quando entramos na casa fomos arrebatados. Uma semana depois já estavamos fazendo a oferta. O que aconteceu? Não sei. Optei por dizer que a casa nos enfeitiçou, pois toda vez que íamos lá, ficávamos com umas caras de tchongos olhando um pro outro e repetindo—que casa mais bacana! Uma casa com aquela atmosfera reconfortante de lar. E nem tenho como explicar o que isso significa exatamente.

Compramos a casa da rua Pendegast, que fica numa área central da cidade de Woodland. Ela foi construida em 1948 e renovada em 2006, quando ganhou uma plaqueta de herança histórica. É uma casa antiga que ainda ostenta muitas partes originais, como as quinze janelas do tempo do Elvis jovem e magro que terão que ser trocadas por outras mais modernas e eficientes. Mas é uma casa cheia de charme, rodeada de árvores enormes, localizada numa vizinhança com muitas outras casinhas [e algumas casonas] antigas, cujos moradores são realmente orgulhosos das suas encantadoras residências.

Desde que tomamos a decisão de mudar que tenho feito tudo na casa velha imaginando que estou fazendo os mesmos passos na casa nova. Vou certamente sentir falta de algumas coisas da minha vida e da casa de Davis. Mas estou muito entusiasmada com a mudança de panorama e com as inúmeras possibilidades da nova cidade e da nova casa. Nos últimos dois meses tenho andado mentalmente pelos corredores da Pendegast, olhando através das janelas, subindo e descendo as escadas, observando as plantas sentada no banquinho de concreto no quintal, lendo o jornal com a luz do sol iluminando a mesa da cozinha, decidindo as cores das paredes, onde pendurar quadros, onde colocar a estante. E a partir de amanhã vou poder fazer tudo isso de verdade, na prática, lá na minha nova casinha velha.




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