food & hollywood XVII

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Joan Crawford
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Gary Cooper, Howard Hawks & Marlene Dietrich
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Rita Hayworth
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Rudolph Valentino
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Gary & Maria Cooper
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Hedy Lamarr
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Rocky & Gary Cooper
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Rocky & Gary Cooper

The Little Whirlwind [1941]


tudo por uma fatia de bolo

food & hollywood XVI

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Clark Gable & Carole Lombard
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Bette Davis & hubby
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Natalie Wood
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James Stewart
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Clark Gable & Judy Garland
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Bonita Granville, Helen Parish
& Judy Garland

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Clara Bow

food & Hollywood XV

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Bill Holden & Audrey Hepburn
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Gene Tierney
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Grace Kelly & Hitchcock
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Gary Cooper, Ingrid Bergman, Tony Quinn
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Bob Dylan
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Louise Brooks & Sally Blane

thanksgiving & hollywood

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Bob Hope

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Doris Day

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Alfred Hitchcock

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Ann Sheridan

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Barbara Kent

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The Three Stooges

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Lucille Ball

food & hollywood XIV

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Ava Gardner
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Barbara Stanwyck
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Ginger Rogers
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Hedy Lamarr
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Dolores Del Rio
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Boris Karloff

[ tasting ]

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Mary Pickford

food & hollywood XIII

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Joan Crawford

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Paulette Godart

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Irene Dunne and Charles Boyer

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Marilyn Monroe

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Carole Lombard

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Barbara Stanwyck

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Gary Cooper

food & hollywood XII

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Ginger Rogers & James Stewart
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Shirley Temple
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Ingrid Bergman
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Greta Garbo & John Gilbert
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Irene Dunne
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Jimmy Stewart & Bette Davis
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friends & Gary Cooper
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Una Merkel

[ nhoc nhoc nhoc ]

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Gary Cooper
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Clara Bow

food & hollywood XI

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Judy Garland & Frank Sinatra
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Sofia Loren
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Gary Cooper & Audrey Hepburn
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Ann Sheridan
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William Shatner & Leonard Nimoy
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Carole Lombard & Fred MacMurray
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Gary Cooper

The Picnic [1930]


Minnie, Mickey & Pluto

food & hollywood X

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Lucille Ball
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Bette Davis
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Humphrey Bogart
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Marilyn Monroe
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Lana Turner
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Rita Hayworth
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Shirley Temple

The Scarecrow


parte I


parte II

Buster Keaton é um dos meus heróis do cinema. Adoro tudo o que ele fez, porque ele foi um dos gênios das primeiras décadas de Hollywood. E era um tempo sem truques tecnológicos e efeitos especiais, então os roteiros, cenários e edição dos filmes exigiam astúcia, tudo muito bem pensado e executado. E Keaton era ótimo nisso. Os filmes mudos dele são como um balé, perfeitas obras de arte. E ele não usava dublê, fazia tudo ele mesmo. Tanto que quebrou o pescoço numa cena no filme Sherlock Jr. em 1924. Ele era muito bom nos malabarismos e quando os filmes falados chegaram, a grande surpresa foi ouvir sua voz grossa e melodiosamente sensual. The Scarecrow é um curta de menos de meia hora feito em 1920 e muito divertido de assistir. Estou colocando esse filme aqui por causa das primeiras cenas passadas na casa onde os dois moços solteiros vivem. Buster Keaton e Joe Roberts preparam o jantar, comem e arrumam tudo de um jeito surpreendente. A casa é um cubículo integrando cozinha, sala de jantar, sala e quarto, mas é cheia de engenhocas. A cena deles orquestrando o jantar é muito engraçada. O filme está dividido em duas partes, mas vale a pena assistir inteiro e ter uma idéia de como era um filme deste ícone do cinema que foi o Buster Keaton.

food & hollywood IX

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Spencer Tracey
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Ava Gardner
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Gary Cooper
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Jean Harlow & William Powell
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Norma Shearer
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Rita & Cary

(( dreaming ))

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Betty Grable dreams of food in How To Marry A Millionaire—1953

food & hollywood VIII

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Ava Gardner
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Grace Kelly
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Greta Garbo & friends
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Hitchcock & friend
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Clara Bow & friend
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Bette Davis & friends

food & hollywood VII

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Joel McCrea & Maureen O'Sullivan
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Joan Crawford
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Clark Gable
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Spencer Tracy & Hedy Lamarr
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Ginger Rogers
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Bette Davis

food & hollywood VI

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Lucille Ball
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Nancy & Frank Sinatra
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Barbara Stanwyck & Robert Taylor
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Shirley Temple & Baby Leroy
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Marilyn Monroe

food & hollywood V

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Liz Taylor
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Marlon Brandon
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Clara Bow
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Gene Tierney
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Joan Crawford

Radio Days

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radio daysradio days
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radio daysradio days

Sou completamente fanzoca do Woody Allen. Tanto que me esforcei para ver seu novo filme, To Rome with Love, numa sala de cinema e no mesmo dia da sua estréia na minha cidade. Tenho alguns filmes dele que guardo como se fosse uma pérola herdada da bisavó e que vira e mexe eu olho, com reverência e admiração. Infelizmente esse último filme dele não entrou para a lista dos meus favoritos. Pior, eu simplesmente detestei!

Fui então rever um dos meus favoritos—Radio Days. Esse filme me encanta e me fascina em tantos aspectos que nem sei como iniciar uma abordagem coerente. Assisti me concentrando no assunto principal deste blog e coloquei minha atenção nas cenas de comida. E são muitas. A maioria na pequena cozinha da família do protagonista, que é realmente a casa dos avós, onde moram também os pais e os tios. É uma casinha modesta num bairro de Queens em New York durante o inicio dos anos 40. E o rádio, com seus shows e música, é o fio que conecta todas as pequenas historietas. Como o programa que a mãe escuta enquanto lava a louça ou prepara o jantar ajudada pela irmã na minúscula cozinha, ou a música que embala as celebrações de aniversário ou ano novo na sala de jantar ou de estar. O rádio também está presente em algumas cenas em locais públicos, como o soda bar de uma lanchonete onde as garotas escutam o crooner romântico do momento enquando bebem root beer floats de canudinho, ou num automat em Manhattan ou no diner de esquina de bairro. O filme é um primor de reconstituição de época dos macro aos micro detalhes. E é inteligente e engraçado. Sem falar nas músicas, os hits da época da segunda grande guerra, que são absolutamente clássicos.

food & hollywood IV

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James Stewart
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Sophia Loren
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Pat Paterson & Spencer Tracy
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Bette Davis & her mother
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Alice Thompson & Joan Crawford
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John Wayne & Jean Arthur

food & hollywood III

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Bogart & Bacall
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Marcello Mastroianni
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Clara Bow
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Buster Keaton
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Alain Delon

The Whoopee Party [1932]

food & hollywood II

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Rita Hayworth
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Myrna Loy & William Powell
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Fernando Lamas & Liz Taylor
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Bette Davis
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Tony Curtis & Marilyn Monroe
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Marlon Brando

um banquete na era Tudor

Na sequência do documentário sobre a história da cozinha com a Lucy Worsley, assisti a essa outra realização de um grupo de arqueologistas e historiadores ingleses, que decidiram recriar um banquete da era Tudor. Eles fazem tudo numa cozinha da época, com ingredientes similares e usando as mesmas técnicas—desde trazer a água do corregfo, até acender o fogo usando pedras, moer o açúcar, pescar, caçar, eteceterá. Cozinhar naquela época não era tarefa para os fracos. Na cozinha dos aristocratas abundava mão-de-obra, queimava-se muita madeira e algumas das mais simples tarefas poderiam levar muitos dias para serem concluídas. No final servia-se um banquete inigualável. Assista os quatro segmentos de 15 minutos cada para participar dessa excursão virtual pela cozinha laboriosa do século XV.


parte 1


parte 2


parte 3


parte 4

Toast

Me enchi de expectativas com relação a esse filme, pois acho o Nigel Slater super classudo. Talvez a leitura da sua auto-biografia fosse mais interessante, mas o filme é apenas bonitinho. A trama é cheia de clichês e resoluções óbvias, arrematando tudo num final completamente ridículo e sem muita sequência lógica. Fiquei muito decepcionada. Sem falar que com exceção da Helena Bonham Carter, que faz a madrasta cleaning & cooking freak do Nigel, todos os outros atores estão bem chatinhos e caricatos. Não gostei.

A história se divide praticamente em duas partes. A primeira relata a relação de Nigel com a mãe adoentada e apática, que não sabia cozinhar e preparava todas as refeições da família a partir de latas requentadas em banho-maria. Quando tudo dava errado na cozinha, o jantar acabava sento torrada [toast] com leite ou chá. Nigel tinha fome de ingredientes frescos e comida saborosa. Ele também queria cozinhar e sua primeira experiência foi fazer um espaguete a bolognesa, que pareceu uma comida marciana na mesa daqueles ingleses. Quando a mãe morre, ele tenta cozinhar para alegrar e conquistar a amizade do pai.

Nigel com a mãe
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Na segunda parte do filme aparece a diarista maníaca que vai acabar casando com o pai e virando a madrasta de Nigel. Ela é ultra competitiva, cozinha e limpa como uma louca e entucha o marido de comida, que no inicio se empanturra, comendo tudo o que não comeu nos anos do casamento anterior. Nigel tenta competir com ela, fazendo delicias na aula de economia doméstica da escola. Mas ele precisa se esforçar muito, principalmente quando decide reproduzir [sem receita] a obra-prima da madrasta—a torta de limão com merengue.

O filme termina abruptamente com o pai morrendo e Nigel saindo de casa para ir trabalhar num restaurante. Tudo assim meio sem pé nem cabeça. TOAST tinha tudo para ser um filme super bacana, contando a história de um grande nome da gastronomia inglesa moderna, mas acabou sendo apenas um filme bonitinho. E um tantinho irritante.

Nigel com a madrasta
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a história da cozinha [inglesa]

a historiadora Lucy Worsley não é apenas a chefe curadora da organização Historic Royal Palaces, que cuida da Torre de Londres, do palácio de Hampton Court, dos apartamentos do Kensington Palace State, a casa de banquetes em Whitehall e do palácio Kew em Kew Gardens. Ela também escreve livros e protagoniza séries para a BBC. Worsley tem apenas 37 anos e está causando um furor nos meios acadêmicos britânicos pela casualidade com que ela aborda temas delicados como a história da intimidade da humanidade. Ela fala de camas, fogões, banheiras e privadas com a mesma natualidade com que fala da arquitetura e arte. Fiquei absolutamente encantada com a figura dessa historiadora depois que ouvi uma entrevista com ela na rádio pública americana, a NPR. Fui procurar o livro dela—If Walls Could Talk, an Intimate History of the Home, e achei as séries que ela fez para a rede de televisão britânica BBC4. Escolhi colocar aqui o episódio sobre a evolução da cozinha, que é o mais interessante. Mas ela também examina a evolução do banheiro, do quarto e da sala de estar. Vale a pena ver todos os episódios, que estão disponibilizados no YouTube em sequências de mais ou menos 15 minutos cada.


parte 1


parte 2


parte 3


parte 4

Mickey's Rival [1936]


Mickey planejou um delicioso picnic romântico com Minnie, mas não contava com a intromissão inesperada do inconveniente Mortimer. [hi hi hi!]

The Trip

the tripthe trip
the tripthe trip
the tripthe trip
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the tripthe trip
the tripthe trip

Li brevemente sobre esse filme inglês em algum lugar, talvez tenha mesmo ouvido sobre ele na rádio pública [NPR] que eu escuto todos os dias. Não sei. Só sei que guardei o filme na minha gaveta de possíbilidades, nada urgente nem especial, e esqueci. Numa das minhas horas de almoço durante esse tedioso inverno, quando tenho assistido filmes no meu ipad para distrair já que não consigo fazer meus picnics no lado de fora, The Trip apareceu numa das colunas de sugestão da Netflix. Escolhi assistí-lo e tive um lunch break repleto de gargalhadas. Terminei de ver o filme quando cheguei em casa à noite e tive que rever algumas cenas que achei absolutamente geniais. Os atores Steve Coogan e Rob Brydon fazem versões ficcionais deles mesmo—dois atores bem estabelecidos e já quarentões. Coogan é divorciado com filho adolescente, namora uma americana bem mais nova que ele, mas pula a cerca adoidado. Brydon é bem casado, tem uma bebezinha, faz programas infantis de tevê e é um tipo completamente bonachão. Os dois são colegas, mas não são amigos. Coogan marca uma viagem gourmet pelo norte da Inglaterra para fazer com a namorada. Quando a namorada precisa voltar de repente para os EUA e ele não acha ninguém que queira fazer a viagem com ele, faz o convite para Brydon. Os dois passam cinco dias viajando por estradinhas, comendo em restaurantes e falando muita abobrinha. Quando os dois estão nos restaurantes, as cenas com eles comendo, comentando a comida e falando todo tipo de tolices são intercaladas com cenas na cozinha, com os chefs preparando o que eles vão comer. Mas a comida não é o centro da história. Na verdade, o centro de tudo são as conversas sem pé nem cabeça entre os dois personagens, que falam, falam e não dizem realmente nada. Há momentos onde fatos da vida dos dois personagens dariam pano pra manga pra um papo mais aproximador, mas nada disso acontece. O que eles mais fazem durante a viagem e durante as refeições é reproduzir de maneira impagável a voz e falas de outros atores, como Sean Connery, Michael Caine, Anthony Hopkins e até Woody Allen. Eles discutem superficialmente a carreira de ambos e citam inúmeros filmes durante a viagem. Nessa sequência de fotos eles estão provando um tasting menu no segundo restaurante da viagem. Os comentários que eles fazem sobre a comida são os mais espantosos, engraçados e inesperados. Mas quando eles começam um duelo de quem reproduz melhor uma frase do Roger Moore como James Bond e outra de Christopher Lee como o inimigo de Bond em The Man with the Golden Gun, é simplesmente o fino da bossa do humor. Pra ver e rir, rever e rir, rever mais uma vez e rir novamente.

food & hollywood

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Carole Lombard & Clark Gable

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Liz Taylor

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Clara Bow & friend

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Audrey Hepburn & Mel Ferrer

jantando chucrute com salsicha

Cary Grant come chucrute com salsichaCary Grant come chucrute com salsicha
Cary Grant come chucrute com salsichaCary Grant come chucrute com salsicha
Cary Grant come chucrute com salsichaCary Grant come chucrute com salsicha
Cary Grant come chucrute com salsichaCary Grant come chucrute com salsicha
Cary Grant come chucrute com salsichaCary Grant come chucrute com salsicha
Cary Grant come chucrute com salsichaCary Grant come chucrute com salsicha

O filme era até um pouco chato—People Will Talk [1951], mas tem essa cena em que os dois médicos amigos, Cary Grant e Walter Slezak, discutem o caso da paciente Jeanne Crain, que estando grávida sem ser casada tenta se matar. Enquanto eles conversam, devoram pratos cheios de chucrute com salsicha, além de pedaços generosos de pão com manteiga. Deu até vontade!

Woodland Cafe [1937]


〔swell〕

um ovo pra dois

Copacabana
Copacabana
CopacabanaCopacabana
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CopacabanaCopacabana

Carmen Miranda e Groucho Marx são romanticamente noivos e profissionalmente parceiros em Copacabana, um filme super divertido de 1947. Nesta cena Carmen e Groucho estão desanimadíssimos porque ninguém quer contratá-los para fazer shows e por isso estão paupérrimos, devendo o aluguel e tais. Portanto o jantar deles é apenas um ovo e uma fatia de pão, que eles dividem meio a meio. Groucho está um pouquinho repetitivo com suas frases e cacoetes cômicos, mas nem por isso menos engraçado. E Carmen está fantástica. Ela é a estrela do filme e brilha do começo ao fim, com seu sotaque fortíssimo, as caretas, as plataformas, os chapéus e os rebolados chicka-chicka-boom-boom.

making cookies

Shirley making cookies
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Shirley Temple in Rebecca of Sunnybrook Farm—1938

Shirley Temple
[washing dishes]

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Just Around the Corner — 1938

Mickey's Surprise Party [1939]

Até tu, Minnie? Que mané fazer cookies em casa, o que! Compra pronto, da marca Nabisco, como até a mãe do Mickey fazia. hahaha! This American Life!

The Best Years of Our Lives

Já revi esse filme umas 7543 vezes e em todas elas eu choro e choro e choro. The Best Years of Our Lives é um clássico tear jerker e ganhou sete Oscars em 1946, contando a história de três veteranos voltando da Segunda Guerra e se ajustando à uma sociedade em pleno processo de transformação. Depois de milhares de filmes sobre a guerra, os heróis deixam os campos de batalha e são colocados em outro cenário—obrigados a guardar as medalhas na gaveta e enfrentar a rotina, emprego e crises familiares.

Todas as vezes que revi esse filme, talvez por estar com a vista embaçada pelas lágrimas, nunca tinha reparado no tanto que os personagens bebem e comem. Até que num dia, revendo mais uma vez [e me acabando de tanto chorar mais uma vez] percebi a cena onde o personagem do galante Dana Andrews, um piloto de combate durante a guerra, pega um trabalho preparando sundays, banana splits e vacas pretas no soda counter da farmácia da cidade. Dei um rewind no filme e revi tudo com outros olhos.

The Best Years of Our Lives
The Best Years of Our LivesThe Best Years of Our Lives
The Best Years of Our LivesThe Best Years of Our Lives

Os três personagens principais, Fredric March, Dana Andrews e Harold Russell, retornam ao país e à cidade onde viviam antes e reencontram amigos e família. A vida não é mais a mesma, nem pra eles que estiveram ausentes por anos, nem para os que ficaram. Harold Russell tem a adaptação mais difícil, já que ele perdeu os braços numa explosão e volta para casa com um mecanismo de ferro no lugar das mãos. Ele é realmente um veterano de guerra sem os braços, o que deixa a história mais impressionante. E ganhou um Oscar de melhor ator coadjuvante pelo desempenho nesse papel, que foi o único da sua breve carreira como ator.

The Best Years of Our LivesThe Best Years of Our Lives
The Best Years of Our LivesThe Best Years of Our Lives
The Best Years of Our LivesThe Best Years of Our Lives

Fredric March volta ao seu emprego de bancário, mas agora ele tem um problema com a bebida. Dana Andrews volta para a esposa, uma bimbo fútil que logo lhe dá um pé na bunda. Ele decide procurar um emprego na farmácia da cidade e tem um choque ao entrar no local e encontrar um ambiente totalmente diferente, quase uma loja de departamentos. Tudo mudou nas cidades americanas depois da guerra. Os supermercados substituiram os mercadinhos e as grandes drugstores tomaram o lugar do pequeno balcão onde se vendia remédios e produtos de higiene. Andrews começa vendendo perfume e depois vai para o soda counter, onde serve sorvetes.

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The Best Years of Our Lives
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The Best Years of Our Lives
The Best Years of Our Lives

Mãe [Myrna Loy] e filha [Teresa Wright] conversam seriamente na cozinha enquanto preparam o almoço, descascando batatas e debulhando ervilhas.

The Best Years of Our LivesThe Best Years of Our Lives

O filme tem muitas cenas num bar, onde os três amigos se encontram frequentemente para beber e conversar. E também tem cenas em restaurantes, onde a familia de Fredric March vai jantar e dançar, e onde Teresa Wright se encontra com Andrews. Nas cozinhas servem-se o café da manhã, com ovos e torradas feitas numa engenhoca acoplada à porta do forno. E eles comem, bebem e dialogam, tentando entender o papel de cada um nessa nova estrutura. Porque tanto pros heróis quanto pros cidadãos comuns, nunca mais o mundo seria o mesmo como o de antes da guerra.

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The Best Years of Our Lives
The Best Years of Our Lives

The Grocery Boy [1932]


Mickey & Minnie in the kitchen

Mildred Pierce

Mildred Pierce é um melodrama clássico dirigido pelo Michael Curtiz em 1945 e estrelado pela divina Joan Crawford, que na época estava com a popularidade em pouco em baixa. O filme começa com um crime e a história é contada em flashback. Mildred é casada desde os 17 anos com um marido corretor de imóveis, tem duas filhas e uma vida simples. Ela faz e vende bolos para juntar uma grana extra. O marido, pulador de cerca, casca fora logo no inicio do filme, deixando a pobre Mildred não só numa situação financeira delicada, mas naquela condição desconfortável de "largada".

Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce

Mas Mildred não se faz de rogada e sai à procura de um emprego. Como a única coisa que ela sabe fazer é cozinhar, servir, limpar, arrumar mesa, acaba de garçonete num restaurante durante o dia e fazendo tortas na cozinha da própria casa, com a ajuda da empregadinha, para fornecer ao restaurante e ajudar no orçamento. Mildred não dorme, não come, não descansa. Tudo porque sua filha mais velha Veda [Ann Blyth] precisa ter tudo do bom e do melhor. Mildred não conta para a garota que trabalha como garçonete.

Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce

Joan Crawford com seu rosto rígido e olhos esbugalhados é a epítome da determinação e do sacrificio, a mãe que faz o possível e o impossível pelas filhas. Quando a mais nova morre de pneumonia, Mildred fica devastada, mas não desiste nos seus planos de abrir um restaurante. Ela compra uma propriedade de um ex-ricaço e também se envolve romanticamente com ele.

Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce

O restaurante de Mildred se torna um sucesso. Ela mesma serve mesas, frita o frango e só descansa depois de anotar todos os detalhes financeiros do dia. Mas apesar de toda riqueza e sucesso, a filha Veda nunca está cem por cento contente. Ela quer mais e mais e rejeita as origens humildes e o trabalho honesto e braçal da mãe.

Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce

Tudo o que Mildred toca vira ouro e logo ela tem uma cadeia de restaurantes espalhados pela região. Mas a vida amorosa da magnata está no limbo e a filha Veda continua gastona, arrogante, ambiciosa e sem escrúpulos. Os embates entre mãe e filha são dramaticos e novelescos.

Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce
Mildred PierceMildred Pierce

O filme trouxe um Oscar de melhor atriz para Joan Crawford e é até hoje um marco da melodramaturgia noir. Divertido de assistir, especialmente para se prestar atenção nos detalhes das cozinhas da Mildred, na casa e no restaurante. Comida é o que não falta nessa rocambolesca história.

O buxixo agora é com o remake de Mildred Pierce, transformado numa mini-série pela HBO, com Kate Winslet como Mildred e Evan Rachel Wood como Veda. Eu li que a reconstituição de época—os anos 30 no sul da Califórnia, é perfeita e preciosa nos micro detalhes. E também que a série mostra todo o sexo que fica totalmente abafado pela moralidade rígida da época do filme. E não seria uma grande idéia se a série disponibilizasse um food blog com as fantasticas receitas da Mildred?

I Love You Alice B. Toklas!

I Love You Alice B. Toklas
I Love You Alice B. ToklasI Love You Alice B. Toklas
I Love You Alice B. Toklas
I Love You Alice B. ToklasI Love You Alice B. Toklas
I Love You Alice B. ToklasI Love You Alice B. Toklas
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I Love You Alice B. Toklas
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Peter Sellers é um advogado trintão na Los Angeles do final dos anos sessenta, levando uma vidinha bem sem graça e sendo levemente pressionado pela namorada para marcar a data do casamento. Até que conhece uma hippie que acaba passando uma noite na casa dele. No dia seguinte ele sai pra trabalhar e ela fica na casa e resolve fazer uma receita de brownies para deixar como agradecimento para o anfitrião. A receita é aquela famosa, da Alice B. Toklas, com um toque verde especial. De volta ao apartamento, o advogado e toda a família, incluindo a futura noiva e os pais, provam os brownies e já dá pra imaginar o que vai acontecer. Depois de comer os "groovy brownies", a vidinha maçante e careta do advogado muda totalmente. Não vou contar toda a história, assistam porque um filme com o Peter Sellers sempre vale à pena e I Love You, Alice B. Toklas! de 1968 não é exceção.

Anos atrás, adquiri numa loja de antiguidades o The Alice B. Toklas Cook Book, o livro de receitas da companheira da escritora Gertrude Stein, a famosa Alice B.Toklas. Nele, foi acidentalmente publicada uma receita de um brownie de maconha, que evidentemente foi descoberta e virou um frisson durante a revolução do amor nos anos 60. A receita foi uma brincadeira de um dos amigos da Alice, que enviou a receita que acabou passando intacta pela revisão na época. O livro é uma delícia de leitura, relatando com detalhes gastronômicos [e com muitas receitas ilustrativas] os anos em que Gertrude e Alice viveram na França. E também tem lá, pra quem quiser testar com cautela, a intrigante e célebre receita do brownie.

Miss Lulu Bett

Miss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu BettMiss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu BettMiss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu BettMiss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu BettMiss Lulu Bett
Miss Lulu Bett
Miss Lulu BettMiss Lulu Bett

Eu não me considero uma cinéfila, porque não sou uma pessoa por dentro de todos os filmes lançados, não sei detalhes sobre quem dirigiu, cenografou, fotografou ou roteirizou. Sou apenas uma aficcionada por filmes antigos. Minha preferência é a década de trinta, mas vejo absolutamente tudo que caí nas minhas mãos ou aparece na programação do meu canal de tevê favorito—o TCM. Este filme mudo de 1921 eu peguei em DVD, durante a minha fase obsessiva em que busquei ver todos os filmes protagonizados pela diva Gloria Swanson. Miss Lulu Bett, dirigido por William C. de Mille [irmão do Cecil B. de Mille] veio extra, no lado B e foi pura diversão.

Lulu Bett é uma solteirona vivendo de favor na casa da irmã, onde é feita de servente, cozinhando, limpando e cuidando de tudo. Ela não consegue casar porque não tem um dote e por isso tem que aturar a tirania do cunhado e ser escravizada dentro da cozinha. No meio do filme ela casa com o irmão do cunhado e vai ter sua própria casa, até descobrir que o casamento era uma fraude e ser obrigada a voltar para a casa da irmã e para a labuta da cozinha, que ficou abandonada com pilhas e pilhas de louça suja acumulada. Mas a partir dalí tudo vai ser diferente, não vou contar os detalhes, mas o final será feliz!

O filme inteiro gira em torno de Lulu na cozinha, servindo a mesa, fazendo comidinhas para uma festa e até indo a um restaurante, com a irmã, cunhado e o pretendente canastrão. Pra mim o mais legal é poder observar os detalhes da cozinha, da sala de jantar, de como preparar uma refeição era um negócio extremamente trabalhoso. O filme mostra com primor todos os detalhes do fogão, da mesa, louça, talheres. Fez a minha alegria numa noite de domingo. Sem falar que a história é realmente interessante e divertida. Se você curtir filmes antigos como eu, assista!

o avental do John Wayne

John Wayne de aventalJohn Wayne de avental
John Wayne de aventalJohn Wayne de avental
John Wayne de aventalJohn Wayne de avental
John Wayne de aventalJohn Wayne de avental
John Wayne de aventalJohn Wayne de avental

O filme é fraquinho, fraquinho e tem até umas passagens um tanto cansativas. Também é cheio de clichês e de situações excessivas às quais não se pode dar crédito. Mas A Lady Takes a Chance [de 1943] é protagonizado por uma das minhas atrizes favoritas de todos os tempos—a talentosa e divertida Jean Arthur. Então aguentei assistir do começo ao fim, com John Wayne e tudo. Ele é um cowboy que se recusa a casar e ter uma vida confinada. Ela é uma garota da cidade grande, assediada por três pretendentes e que resolve tirar umas férias e viajar de ônibus pelo país. Tralalá-tralalá trelelé-trelelé, num belo dia o Jonh Wayne cai em cima dela num rodeio, ela se apaixona pelo brutamontes, perde o ônibus e hospedada num motelzinho prepara um jantar para ele, com flores na mesa, sobremesa, eteceterá. Ele detesta tudo que ela serviu, mas no final acaba na cozinha e numa situação constrangedora. Enquanto ela fala com ele, com aquela voz de marreca que era um dos maiores charmes dessa atriz, vai colocando um aventalzinho nele, para ele poder ajudá-la com a lavação da louça. Ele vai deixando ou nem percebe, até se ver na frente de um espelho. Não recomendaria esse filme pela qualidade da história, nem pelas atuações. A não ser que você seja fã da Jean Arthur, como eu sou. Ou do John Wayne, como eu nunca fui.

84 Charing Cross Road

O filme é adorável o suficiente apenas pela história verídica da correspondência de vinte anos entre uma divertida escritora norte-americana e um recatado livreiro inglês. Além dos zilhões de referências aos livros e escritores, 84 Charing Cross Road tem inúmeras referências à comida. No livro, que virou peça, que virou filme, a escritora Helene Hanff narra a sua amizade de duas décadas com Frank Doel, sua família e os funcionários da livraria Marks & Co, especializada em livros clássicos, raros ou obscuros da literatura inglesa.

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Quando Helene inicia sua correspondência e encomendas de livros para Frank em 1949, a Inglaterra estava sob um racionamento severo de alimentos. O filme mostra a situação em Londres, com filas na porta do açougue para cada família comprar, com cupom, sua ínfima porção semanal de 60 gr de carne e um ovo por mês por família.

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Enquanto isso, no outro lado do oceano, o panorama não era tão penoso e Helene faz compras na mercearia, escolhe legumes e frutas, pede porções de queijo e salame, percorre o pequeno corredor bem fornecido de mantimentos. Com a chegada da época das festas de final de ano e sabendo da situação dos amigos ingleses, Helene envia uma caixa com gostosuras compradas através de um catálago dinamarquês. Ela envia presunto em lata, salsichas, ovos frescos, frutas e legumes em conserva, uvas passas. A caixa é repartida entre os funcionários da livraria. Durante vários anos de racionamento, Helene continua enviando a caixa com alimentos. A alegria que uma lata de presunto ou uma caixa de passas traz para cada um deles, é comovente.

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A correspondência entre Helene, Frank e esposa e todos os funcionários da livraria atravessa décadas, mas ela nunca consegue visitá-los em Londres e só vai finalmente cruzar o oceano depois da morte súbita de Frank. Esse filme é um bálsamo para quem curte ler—literatura de qualquer época ou país. É claro que quem saca de literatura inglesa vai aproveitar muito mais. Assista, nem que seja só para pescar as muitas menções gastronômicas ou ouvir o que Helene diz sobre os livros usados. It’s quite lovely.

São muitas referências à comida, além das caixas com alimentos enviadas aos amigos numa Londres desprovida. No Natal de 49, enquanto monta e decora a árvore, Frank pergunta à esposa Nora o que ela estava fazendo, a resposta é mince pies—um doce clássico nas festividades de final de ano. Helene também prepara, no jantar de aniversário do amigo inglês Brian, uma receita do famoso yorkshire pudding. E uma das suas encomendas à Frank é o livro de memórias do oficial inglês Samuel Pepys que é cheio de detalhes da sua rotina culinária e aventuras gastronômicas da Inglaterra do século 17. No filme, Helene fica furiosa ao receber o volume com excertos do livro e não o original completo, redigindo logo em seguida, com batidas vigorosas na sua máquina de escrever, uma carta muito divertida para Frank.

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Mas a cena com referência culinária mais delicada é quando a funcionária Cecily desce até a cozinha da livraria, lendo uma das cartas de Helene, para preparar o chá. Um dos seus colegas vem dar uma olhada e saber se o chá já estava pronto. Uma tradição e talvez uma necessidade, para aquecer e enganar o estômago. Enquanto ela prepara o chá, ele comenta: “What would we do without our cups of tea? Life would be insupportable, how would it not?”

uma jarra antiga?

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Acho muito legal quando estou assistindo um filme e reconheço um objeto em alguma cena. No encantador Eternal Sunshine of the Spotless Mind, reconheci a pulseira de metal no pulso da atriz Kirsten Dunst, pois eu tenho uma igualzinha. Também já reconheci um abajour que tenho na sala de tevê num outro filme, que infelizmente não lembro qual. E outro dia reconheci num filme uma jarra que comprei no ano passado na lojinha de segunda mão do SPCA. Uso muito essa jarra, que acho linda, para colocar flores. Ela é enorme e deve servir pelo menos uns quatro litros de liquido. Nunca usei para servir, pois raramente preciso de uma jarra desse tamanho. Mas ela está sempre em uso com as flores da semana.

O filme é Sounder de 1972. Uma linda história de um família de lavradores negros vivendo na Louisiana em 1933. Eles plantam cana e fazem melado num pequeno sítio e enfrentam as durezas da depressão e as injustiças da discriminação racial. Um dia, o pai rouba um frango pra alimentar a família e é preso, condenado e enviado para um campo de trabalho. A mãe e os três filhos ficam sozinhos e ainda precisam descobrir pra que campo de trabalho o pai foi enviado. O menino mais velho e o cachorro [Sounder] saem juntos numa viagem pra descobrir o paradeiro do pai. E a viagem transforma o menino. O filme é lindo, emocionante, delicado e foi indicado para quatro Oscars—melhor filme, melhor ator, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro adaptado. Assistam!

Vi uma réplica da minha jarra comprada de segunda mão numa cena na cozinha da casa humilde da família numa tarde de domingo. Um casal de amigos está tocando violão e dançando, todos batendo palmas e se divertindo. Até que o pastor da igreja chega com a notícia de que o pai foi enviado para um campo de trabalho e ninguém sabe exatamente onde. A alegria acaba e a mãe serve um copo de limonada para o pastor. Na jarra linda, exatamente igual a minha!

Julia comes to the rescue

Só não fui na primeira sessão do dia porque tinha que trabalhar. Combinei então com o Gabriel de pegarmos a das 7:20 pm. Ele zombou, dizendo que não teria ninguém na sala do cinema—somente um bando de velhinhas, ele afirmou. Chegamos em cima da hora e fomos avisados de que a sessão estava cheia, sobravam apenas algumas cadeiras nas fileiras da frente. Sala vazia, somente com algumas velhinhas, hein? Vamos assim mesmo, respondi prontamente. Nem pensar em esperar mais horas para ver Julie & Julia, o filme baseado no livro da Julie Powell e com o acréscimo de partes do livro biográfico e póstumo da Julia Child, My Life in France. Entramos na sala lotada, já com os trailer em ação e sentamos lá na frente, com aquela tela imensa distorcida e tivemos que praticamente deitar na cadeira até que os olhos se acostumassem com aquela imagem gigantesca na nossas caras.

julia-paul-velentine.jpgJulia & Paul Child valentine's card

O filme era tudo o que eu esperava. Adorei ver Julia Child finalmente personificada, num trabalho excelente de uma atriz do calibre da Meryl Streep e me identifiquei um pouco com a blogueira obstinada que, de uma certa maneira, trouxe Julia novamente para o nosso convívio. Depois do sucesso do blog projeto Julie & Julia e seguidamente do livro Julie & Julia, os dois volumes da obra prima de Julia Child, Mastering the Art of French Cooking, voltaram a ser abertos nas cozinhas de todo o mundo e Julia, nunca realmente ausente, voltou a fazer parte da nossas conversas em blogs e na vida real.

Quem leu os dois livros—como eu, vai perceber o filme num âmbito um pouco maior, pois nos livros há muitos detalhes deixados de fora no filme. Duas horas não são suficientes para contar com todos os micros detalhes as histórias dessas duas mulheres. Mas a diretora Nora Ephron fez um filme equilibrado, com um roteiro bem articulado que conta um pouco sobre a trajetória inicial da Julia Child e do projeto de Julie Powell.

É muito mais fácil se encantar com a história de Julia Child, que se inicia na Paris do final dos anos 40 e que culminou com a publicação de um livro que virou biblia da cozinha francesa para os americanos e a transformou num mito da cultura gastronômica mundial. Julia era única, inimitável, altona e desengonçada, com uma voz de marreca, casou-se tarde numa união extremamente feliz. Tudo o que ela fez foi meio que por acaso. Era perseverante, obcecada, dedicada, honesta. Sempre tive essa imagem dela, muito feliz no casamento com Paul, fazendo tudo com naturalidade e espontaneidade, sem objetivo nenhum de ser famosa, sem forçar a barra, desabrochando já na meia idade, realmente uma mulher de personalidade. Me identifico, sem pretensão, com muitas coisinhas do percurso da vida da Julia.

A identificação com Julie Powell vem pelo fato dela ser uma blogueira contando publicamente suas histórias na cozinha, incluindo sucessos e fracassos, e por ela projetar a mesma imagem que muitos de nós fazemos da Julia. Eu conhecia a Julia Child de vídeos e livros, mas não me inspirei nela, muito menos na Julie Powell para fazer o meu blog. Reconheço porém uma certa semelhança entre o que Julia & Julie fizeram e o que estou fazendo, porque cozinhar e blogar envolve muita dedicação, mas ao mesmo tempo exige um certo desprendimento. Na sala de cinema lotada de gente de todas as idades, eu pensava quantos ali cresceram vendo os programas de tevê, preparando ou apenas comendo as receitas da Julia. E quantos só descobriram Julia Child recentemente e decidiram abrir os livros e testar algumas receitas. Acredito que essa mulher grandona alegrou e enriqueceu a vida de muita gente, com seu didatismo e bom humor, sua figura carismática e divertida. Julia indiretamente salvou Julie do tédio, da frustração, da inércia. E acabou salvando outros também, de lambuja. Os que leram e se entusiasmaram pelo projeto, resgataram seus livros de receitas, ajeitaram os aventais e colheres de pau, abriram seus laptops e começaram a cozinhar e a também contar as suas próprias histórias.

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looney tunes — 1933

the smiling lieutenant

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The Smiling Lieutenant é um daqueles filmes que você assiste, do começo ao fim, com um sorriso apatetado na cara. Tudo nele é fofo e adorável. Dirigido pelo alemão Ernst Lubitsch em 1931, ele faz parte dos maravilhosos filmes pre-code, isto é, da fase liberal de Hollywood, antes da imposição do código careta nos roteiros dos filmes. Isso quer dizer que The Smiling Lieutenant é recheado de sexo, drogas & all that jazz! Muitas insinuações sexuais picantes, tramas ousadas e vestidos decotados, vaporosos, transparentes e acetinados—nem sombra da presença dos horripilentos sutiãs de bojo. Como sempre faço, já vi e revi o filme inúmeras vezes e me encanto ou dou gargalhadas sonoras sempre com as mesmas cenas. A história é muito divertida. Maurice Chevalier é um tenente do exército austríaco, mulherengo e fanfarrão que começa a namorar a Claudette Colbert, uma garota liberada que comanda e toca violino numa banda só de mulheres. Quando o rei e a princesa do reino de Flausenthurm chegam em Viena, o tenente está na parada de recepção. No momento em que ele vê a namorada do outro lado da calçada e dá um sorrisinho e uma piscada para ela, a carruagem real passa e a princesa Miriam Hopkins pensa que a piscada é para ela. Dali em diante cenas divertidas abundam.

Ernst Lubitsch ficou famoso em Hollywood pela elegância dos seus filmes, sempre cheios de detalhes delicados e com um humor muito inteligente e sofisticado. Muitos dizem que seus filmes tinham um toque especial, o "toque de Lubitsch". Eu concordo totalmente. Ainda não vi um filme dele que eu não tenha adorado. Apesar de não gostar muito do Maurice Chevalier, relevei por causa da presença da foférrima Claudette Colbert—que está a cara da Betty Boop—e da Miriam Hopkins—que era a inimiga number one da Betty Davis e portanto completamente odiada pelo Moa—que eu considero uma grande comediante, além de linda e charmosa.

Eu tinha que destacar uma cena do filme que tem comida envolvida. Desta vez, comida e sexo. Nessa sequência Chevalier e Colbert tomam café da manhã juntos e cantam um pro outro, com insinuações de que passaram a noite juntos, não exatamente tocando violino e piano. Pode até ser que seja apenas uma canção romântica, sem nenhuma insinuação sexual, mas se for o caso, peloamordededeus alguém me explica o que significa quando ela diz que se esvaece quando ele invade a marmalade?

he: a dinner, a supper for two believe me I know what to do, but breakfast is colder, love seems much older, yet the exception is you. you put kisses in the coffee, such temptation in the tea

she: i get a trill that sends a chill right through me, when you pass the toast to me

he: there's paradise in every slice of bacon

she: and you awaken such yearning when you beg for scrambled eggs

he: and you put "it" in every omelet

together: breakfast time, this must be love!

he: you put glamour in the grapefruit, you put passion in the prunes

she: i find romance each sweet entrancing moment, every time you touch the spoon

he: i must admit with every bit of liver I start to quiver

she: i'm gone... when you invade the marmalade

he: and you put magic in the muffins

together: breakfast time, this must be love!

Carefree

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Já tornei pública muitas vezes a minha fascinação e adoração pelos filmes dos anos 30. É notório o esforço de Hollywood nessa época para aliviar o povo das preocupações da Grande Depressão com filmes cheios de bobaginhas fantasiosas e deliciosas. Os musicais eram um ótimo veículo para fazer o espectador viajar e desencanar um pouco dos problemas econômicos do país e do mundo. Eu adoro tudo dessa época, incluindo os musicais com Fred Astaire e Ginger Rogers. Tenho todos os filmes que eles fizeram juntos e revejo, revejo, nunca me canso de rever. Me concentro basicamente nos números musicais maravilhosos e nas piruetas de Astaire, que pra mim é simplesmente a epítome da leveza e elegância.

Em Carefree a trama é completamente risível. Ralph Bellamy é rico, bem apanhado e apesar de meio bobão é gente fina e está apaixonado pela noiva, Ginger Rogers, que é uma moça independente e não tem certeza se quer se amarrar nos laços apertados do matrimônio. Bellamy procura a ajuda do psiquiatra Fred Astaire, para este descobrir o que há de errado com a noiva e fazê-la decidir a casar-se o mais rápido possível. Não falei que a trama era absolutamente risível?

Astaire usa então algumas técnicas de psicanálise com a paciente rebelde. Ele decide analisar os sonhos de Rogers, mas como ela afirma que não sonha, ele faz arranjos para que ela tenha uma noite repleta de imagens oníricas. Eles vão jantar no restaurante do Country Club e para espanto do garçon com sotaque francês, pedem uma refeição completamente indigesta, perfeita para causar pesadelos:

Frutos do mar com creme de leite batido
Lagosta com maionese
Carne de coelho com molho de queijo
Pepinos com buttercream

No final do jantar todo mundo está passando mal, mas Ginger Rogers dorme e sonha. Só que é um sonho que ela não vai poder contar para o terapeuta, pois ela sonha com ele. Os dois dançando maravilhosamente juntos, é claro! Nem preciso contar o resto da história. Vão ter muitos dancetês e tudo vai acabar bem. Finais felizes eram imprescindíveis nos musicais dos anos trinta.

star gazey pie

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No delicado filme inglês Ladies in Lavender, duas irmãs já sessentonas vivem juntas numa casinha no litoral de Cornwall, na Inglaterra dos anos 30. Ursula [Judi Dench] e Janet [Maggie Smith ] vivem uma vidinha simples e bucólica, até encontrarem um rapaz estrangeiro semi-afogado na praia. Elas acolhem e cuidam do moço, cuja presença aflora fortes sentimentos românticos nas irmãs. O filme é todo recheado de referências culinárias, pois Ursula e Janet bebericam muitas xícaras de chá e fazem juntas suas refeições, preparadas pela divertida Dorcas [Miriam Margolyes], que trabalha na casa das senhorinhas.

A cena que eu destaco aqui se inicia com Janet folheando um livro de receitas e instruindo Dorcas a comprar o peixe fresco para fazer a star gazey pie. Ela quer que Dorcas compre pilchards, mas essa acaba trazendo o coley fish, com os quais faz a torta. Levei um susto quando vi a cara da torta, com os peixinhos encravados na massa, como se estivessem emergindo da água. Essa torta tradicional da região de Cornwall é recheada com peixe, ovos, bacon, pão, leite e cidra e decorada com as cabeças e caldas dos peixes, que dão a impressão de estarem olhando para o céu—star gazing. Essa torta pode também ser decorada com massinhas em formato de estrela, coladas entre os peixes.

Andrea [Daniel Brühl], o hóspede convalescente, devora a torta com entusiasmo. Mas a star gazey pie não parece ser o prato favorito de Ursula, que comenta achar os peixes com uma cara triste e não consegue terminar de comer o seu pedaço. A cara que Ursula faz quando Janet retira a torta do forno, é exatamente a cara que eu fiz quando vi a extravagante iguaria. Não sei se me alegraria em comer aquela torta salpicada com peixes de feições tristes.

Para quem quiser arriscar fazer esse prato tradicional cornish, aqui tem uma receita. O peixe original pode ser substituído por sardinha ou arenque.

Meet Me in St. Louis

Meet Me in St. Louis é um musical romântico dirigido pelo diretor Vincente Minnelli em 1944. Esse filme é diversão pura, porque é cheio de números musicais clássicos bacanérrimos, de lindas cenas bucólicas em technicolor e muitas, muitas referências à comida. O filme é dividido por estações do ano e se inicia no verão, dentro da cozinha.

Os Smiths são uma típica família classe média que vive num casarão vitoriano na cidade de St. Louis, estado do Missouri, em 1903. São o pai, a mãe, a empregada, quatro filhas e um filho. No inicio do filme é verão e a mãe e a empregada estão ocupadas na cozinnha preparando o jantar e fazendo catchup. Todos que entram na cozinha dão uma provadinha na conserva de tomates e dão um palpite—muito, ácido, muito doce, muito grosso. No final. mesmo não chegando a um consenso, a empregada encerra o assunto colocando o catchup nas garrafinhas com um funil.

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making catchup

A filha mais velha está esperando o telefonema do namorado. Ele está em New York e vai ligar interurbano, por isso a família se organiza pra tentar adiantar o horário do jantar. Mas o pai não aceita e a empregada tenta então servir tudo nas pressas. Primeiro uma sopa de tomates, afinal é verão. Depois uma bela peça de corned beef, servida com repolho cozido. O pai reclama que a carne está cortada muito fina. A empregada retruca que a patroa mandou ela cortar bem fino pra carne poder ser servida em duas refeições. O pai vence a batalha e todos se servem de grandes e grossas fatias de corned beef.

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corned beef & cabbage

Com o outono chega o Halloween e as cenas mostram novamente as funções na cozinha. A empregada está decorando um bolo enorme e lindo. As meninas chegam fantasiadas e lhe pregam um susto. Depois de vários acontecimentos durante e depois do trick or treating todos se sentam pra devorar vasilhas cheias de sorvete e contar histórias do Halloween. O pai chega com a notícia que por razões do seu emprego a família vai ter que se mudar para New York, mas ninguém se mostra feliz. St Louis é a cidade onde todos desejam permanecer.

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halloween treats

No decorrer do filme há muitos bafafás românticos envolvendo as irmãs mais velhas, com destaque para Judy Garland, que é a estrela do filme e protagoniza quase todas as cantorias. Margaret O'Brien, que faz o papel da irmãzinha fofinha mais nova, contou numa entrevista anos mais tarde que foi muito fácil trabalhar com Judy Garland nesse filme, pois nessa fase a atriz estava sempre feliz. Foi nos sets de filmagem de Meet Me in St. Louis que ela conheceu e se apaixonou pelo seu futuro marido Vincente Minnelli, que dirigia o filme. Garland começou sua carreira como atriz infantil num tempo em que os estúdios tinham permissão para fazer coisas que hoje seriam consideradas abusos e torturas horripilantes. Uma das atrocidades que os produtores da Metro-Goldwyn-Mayer faziam com a menina prodígio Judy Garland era não deixá-la comer, mantendo-a sempre numa rígida dieta, para que não perdesse a sua figura esbelta que vendia bem e ajudava os crápulas de Hollywood a encher os bolsos de dinheiro.

fish, chips & love

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Essa primeira versão de Waterloo Bridge é a minha favorita. No dramalhão da segunda versão de 1940, tudo é muito esterilizado e embelezado. Os protagonistas Vivien Leigh e Robert Taylor são lindos, arrumadinhos e limpinhos com cara de superstar. Se alguém for um pouquinho avoado, capaz de nem perceber que a boneca de porcelana Vivien Leigh cai na vida, isto é, se prostitui, quando pensa que o engomadinho Robert Taylor passou desta para melhor.

No Waterloo Bridge de 1931 todas as cartas são colocadas com franqueza na mesa, a realidade é nua e crua, sem firulas, sem cortina de fumaça ou idéias subjetivas. A personagem de Mae Clarke é pobre, se prostitui quando não está trabalhando como corista, é amarfanhada e suja e está faminta. O jovem soldado ingênuo, Douglass Montgomery, conhece a mocinha durante um bombardeio. Eles vão para o apartamento dela, que é um muquifo. Ela não tem nem uma moeda para colocar na máquina de gás e acender o fogão e ele oferece, não só a moeda, como também de buscar comida. Na Londres bombardeada durante a Primeira Grande Guerra, o "take out" era peixe frito e batata frita embrulhados em folhas de jornal. Ele traz o rango, ela arruma a mesa, colocam o peixe e as batatas numa travessa, ela faz um chá, ele traz também um filão de pão, que corta enquanto conversa com ela. É uma cena longa, ela dividida entre o encantamento pelo soldado e a prevenção natural de quem tem uma vida dura nas ruas. Eles comem, ela mastiga de boca aberta. Ele é muito singelo e fofo e se oferece para pagar o aluguel atrasado dela e comprar um vestido que ela queria. Ela se ofende. Assim nasce um romance, que só quem assistir ao filme vai poder saber como vai terminar.

* Bette Davis também dá as caras nesse filme, numa reles ponta. Nada com um dia depois do outro, hein?

francês bebe vinho

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Divertida cena do fabuloso filme Jules et Jim dirigido por François Truffaut em 1962, onde o trio de amigos-amantes Jules, Jim e Catharine estão sentados na sala de Jules e Catharine na Austria. Jim está apenas visitando, mas em breve vai estar também morando na casa, a pedido da pá-virada Catherine [Jeanne Moreau]. Jules [Oskar Werner] oferece cerveja alemã à Jim [Henri Serre] e isso enfurece Catherine, que se põe a listar como uma matraca os maravilhosos vinhos da França.

[Jules] Jim, it's time you learned enjoy German beer.

[Catherine] Jim's French like me. He doesn't give a damn.

[Jim] Not true!

[Catherine] France has the widest variety of wines in Europe. ln the world! Bordeaux like Chateau Laffitte, Chateau Margaux, Chateau Yquem, Chateau Frontenac, St-Emilion, St-Julien, Entre- -Mers, and l'm forgetting some of the best. Clos Vougeot, the Burgundies, Romanee, Chambertin, Beaune, Pommard, Chablis, Montrachet, Volnay, Beaujolais, Pouilly-Fuisse, Pouilly-Loche, Moulin, Vent, Fleurie, Morgon, Brouilly, St-Amour...

smoke gets in your eyes

Todo mundo que passa por aqui deve saber que eu tenho uma obsessãozinha por filmes antigos. Aliás, filmes antigos é quase só o que eu assisto. Tenho preferência pelos da década de 30, mas assisto de tudo, gosto de observar os micro-detalhes, além de curtir a história, os atores e tal. Uma coisa super notável nos filmes de 34 pra frente, quando se reenforçou o código para os filmes de Hollywood e acabou com o bacanal de mulheres semi-nuas, sexo, violência e all that jazz, é a presença constante do cigarro. Bom, não se podia fazer mais absolutamente nada, as mulheres tinham que se vestir com casaquetes fechados até o pescoço, os casais não podiam dormir na mesma cama e beijar só de lábios bem selados, então o jeito era fumar, e fumar muito!

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Três objetos que hoje estão praticamente em desuso, eram necessidade básica naqueles tempos—o isqueiro, coisa fina para os ricos, os pobres usavam aquela outra coisa que se riscava na sola do sapato pra acender o cigarro; a cigarreira, também outra coisa fina, geralmente presente do amante com iniciais encravadas, os pobres tiravam aquele maço de papel amassado do bolso do paletó surrado; e o cinzeiro, que ficavam espalhados pela casa e eram tão populares que eram vendidos desde em lojas como Tiffany até nas biroscas de turistas em Niagara Falls—e que deve ser hoje o único lugar onde pode-se ainda achar um deles.

A atriz com luvas brancas, chapéu com peninhas e redinha e um terninho incrívelmente sufocante, já entra em cena segurando um cigarro. E era um cigarro sem filtro, porque ela tira um naco de fumo da língua, como eu via algumas pessoas que fumavam Minister sem filtro lá na minha pré-história na década de sessenta, fazer. Eram pessoas mais pobres, que não podiam comprar o fino Hollywood com filtro. Presumo que na decada de quarenta todos os cigarros eram sem filtro. Até a Bette Davis tirava naco de fumo da língua, porém com luvas e com muito charme.

Cigarros eram tão parte de tudo, que ninguém se importava com ele, Fumava-se comendo, beijando, dentro do elevador, nas festas de criança, no banheiro, durante brigas, fazendo sexo em camas separadas, é claro. Cigarro não incomodava, muito pelo contrário, quando alguém entrava em cena, oferecia-se um cigarro, como hoje se oferece um vinho do porto, um copo de água, um cafézinho passado na hora, um chiclete de menta. Chegava a vamp de chapéu e o pitéu de casaco com corte perfeito de alfaiate abria a cigarreira de prata e oferecia um cigarro. Ou havia uma caixa de cigarros na mesa de centro e o casal dividia as baforadas, ou ele acendia os dois cigarros e passava um pra ela. A primeira coisa que se fazia, antes de tudo, até do café da manhã, era fumar. Os filmes antigos têm aquela tênue névoa pairando no ar em todas as cenas. Era o fumacê discreto do sempre presente cigarro.

Hollywood já não é a mesma, principalmente porque hoje na Califórnia não se pode fumar em praticamente nenhum lugar público. Mesmo do lado de fora, há regras. Em alguns lugares, por exemplo, pra poder dar umas baforadas no cigarrinho, o fumante marginalizado tem que estar a pelo menos seis metros de qualquer janela ou porta de qualquer prédio. Eles ficam lá sozinhos, fumando no ostracismo, os passantes desviando, como se o fumacê tivesse bactérias nauseabundas ou vírus contagiantes. Acabou o glamour, hoje quem fuma não é mais Bette Davis.

* eu não fumo, nunca fumei.

the art of dunking

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"dunking is an art, don't let it soak too long. a dip and sock, into your mouth. if you let it too long it become soggy and falls apart. it's a matter of timing. i'll write a book about that. 20 millions and you don't know how to dunk!"

It Happened One Night, é um filme fofésimo, dirigido pelo Frank Capra em 1934. Eu já revi esse filme tantas mil vezes que já sei até alguns diálogos decor. O filme foi feito sem nenhuma ambição e acabou sendo uma surpresa no box office e abocanhando um monte de Oscars. É um road movie onde os personagens estão tentando se locomover do ponto A para o ponto B e na duração desse trajeto toda a trama de desenvolve. Em It Happened One Night, uma ricaça mimada [Claudette Colbert] está fugindo do pai, tentando chegar em NY para se casar com um canastrão. Seu companheiro de banco no ônibus é um jornalista desempregado [Clark Gable], que vai ajudá-la a chegar ao destino, na esperança de vender a história para o jornal. Nem preciso dizer o que vai acontecer. né? Bom, nos anos 30 o povão viajava de trem e ônibus e neste filme o meio de transporte é o busunga. Como eles estão atravessando o país, a viagem é longa e cheia de paradas. Numa delas, os passageiros têm a oportunidade de dormir num motelzinho e é o que Colbert e Gable fazem, tomando o cuidado de dividir o quarto com as muralhas de Jericó—um cordão com um lençol pendurado, afinal de contas eles não eram casados!

Na cena do motel, Gable acorda antes e prepara o café da manhã, que consiste de café preto, um ovo e um donut para cada um. Enquanto tomam café e conversam, Colbert enfia o donut no café e Gable faz uma cara de horrorizado! Você não sabe mergulhar o donut no café? Tem que fazer em movimentos rápidos, mergulhar e colocar na boca, se deixar muito tempo no café ele fica muito molhado e se desmancha. 20 milhões de dólares e não sabe molhar um donut! Ela aprende a lição rapidamente e molha o donut da maneira que ele ensinou. Uma cena pra se guardar na memória e aprender, afinal mergulhar o donut no café é uma arte!

and she can't cook!

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Imagine se a rainha da culinária, com a coluna mais famosa, na revista mais lida, que desse receitas e dicas maravilhosas direto da sua fantástica casa, na sua fazenda em Connecticut, fosse na verdade uma farsa. Imagine essa deusa doméstica vivendo num apartamentinho em New York e sendo suprida por receitas pelo seu tio Felix, um hungaro mal humorado. Barbara Stanwyck é a Martha Stewart fajuta dos anos 40 nesse filme fofésimo, recheado de citações culinárias e cenas de comida e cozinha. Christmas in Connecticut é delicioso, não só pelas referências culinárias, mas porque a história é uma gracinha. A colunista fajuta é obrigada pelo dono da revista onde ela escreve a receber um herói de guerra para o Natal. O único problema é que ela não tem fazenda nenhuma e pior, ela nem sabe cozinhar. Um ricaço apaixonado oferece a sua fazenda em Connecticut e a farsa é montada. Mas numa comédia romântica já sabemos o que vai acontecer, né? Um filme clássico de Natal, que todos vão curtir, mesmo não vivendo em Connecticut, nem sabendo cozinhar.

Marius, Fanny e César

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Quando fiquei sabendo da obsessão de Alice Waters pela trilogia do francês Marcel Pagnol—Marius, Fanny e César, tive que correr atrás e ver por mim mesma o que esses filmes tinham de tão sensacional. Alice ficou tão impressionada que passou a se vestir com modelitos da década de trinta—incluindo boinas e chapéus que viraram a sua marca registrada, batizou seu restaurante com o nome de um dos personagens e até o empreendimento, que incluia os sócios da empreitada, recebeu o título de Pagnol et Cie. Anos depois, quando teve uma filha, batizou a menina de Fanny e casou-se com um vestido similar ao que a personagem Fanny usou no seu casamento no filme. Alice decorou o café do Chez Panisse, que fica no andar superior da casa que abriga o restaurante, com posters dos três filmes de Marcel Pagnol. Só isso basta pra nos deixar curiosos?

A trilogia, que é composta dos filmes Marius de 1931, Fanny de 1932 e César de 1936 é realmente uma jóia rara. Pagnol tinha escrito as histórias originalmente para o teatro. A transposição para filme foi feita com os mesmos diálogos e atores. A trama dos três filmes é centrada no no dia-a-dia dos habitantes da região do porto de Marseille, em especial os frequentores do bar de César e o romance entre Marius e Fanny. Nos três filmes acompanhamos a trajetória dos personagens principais através dos anos, com porções de romance, comédia e melodrama. São filmes pra se divertir e emocionar. Duas coisas bem notáveis são o formato de teatro dos filmes, com diálogos longos e cheio de detalhes, que não era muito comum no cinema mais popular da época—o norte-americano. Pra mim, que estou acostumada com a superficialidade dos filmes dos anos 30 de Hollywood, essa trilogia muitas vezes incomodava pelo exagero de falação dos personagens. Mas é justamente isso que nos envolve na história e dá uma sensação de grande familiaridade com os personagens. Outro ponto interessante é a visão da França a partir da perspectiva dos provençais. Há muitas piadas dos marsellenses com relação aos lyoneses e principalmente com os parisienses. Li que a cidade que aparece no filme foi destruída durante a segunda grande guerra e depois reconstruída, mas que o charme ainda é o mesmo.

Depois de ver os três filmes e o documentário sobre Marcel Pagnol, entendi um pouco melhor a obsessão de Alice Waters. Sendo eu também uma alma desvairada e obstinada, não é difícil perceber como certos trabalhos de arte provocam tanta comoção e reação, e de uma idéia brotam mil outras, dando continuidade ao processo de criação e inspirando grandes mudanças.

Cooking Breakfast For The One I Love

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Be Yourself é um filminho de 1930 muito divertido, com a figurete Fanny Brice, que ficou conhecida por gerações mais recentes quando Barbra Streisand a reviveu no teatro e no cinema, com a semi-biografia Funny Girl. Numa cena de Be Yourself a personagem da Fanny prepara o café da manhã para o namorado. Ela faz tudo enquanto canta, com todo amor e dedicação.

Ela prepara bacon, biscuits e oatmeal. Enquanto ela labuta subservientemente entre a cozinha e a sala, ele não move a bunda do sofá, onde senta-se confortavelmente apenas lendo o jornal. No filme, ela é uma artista, uma mulher forte e independente. Mas quando se trata de agarrar o homem—como ela mesma canta, tem que ser pelo estômago. E quando ele finalmente senta-se à mesa pra comer a refeição preparada por ela, ainda tem a cara dura de reclamar do mingau de aveia! E o pior nem é isso. O pior é que apesar de todo o esforço que ela faz, ele no final a troca por uma sirigaita loira, sem carater e interesseira.

sopa de ameixa seca

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Essas cenas são do filme The Wedding Night de 1935, com um dos meus atores favoritos, Gary Cooper. O diretor King Vidor ganhou o Oscar de melhor diretor do ano por esse filme, que tem uma história muito fofa, apesar do final extremamente broxante [o Código, que moralizou Hollywood, já estava em vigor]. Gary Cooper é um escritor novaiorquino passando por uma fase ruim. Ele vai para Connecticut, tentar escrever um livro e fica na casa que herdou no meio dos campos de tabaco. Lá ele conhece a filha de imigrantes poloneses, Anna Sten. Ela leva para ele toda manhã o leite que ela mesma tira da vaca. Acaba fazendo também uns trabalhinhos domésticos pra ele, depois que o serviçal chinês o abandona e volta para New York. Os dois se apaixonam, la-di-dah, mas o problema é que ele é casado e ela está prometida em casamento para um amigo da família. O filme tem muitas cenas com comida, quis comentar todas, mas resolvi me restringir à apenas duas.

Na primeira, Cooper é convidado para jantar com a família polonesa, que incluí também os amigos. Os adultos sentam e comem, liderados pelo patriarca. As mulheres servem e sentam-se à mesa por último. As crianças esperam sentadas num banco duro e sentam-se à mesa para comer as sobras quando os adultos terminam—achei isso o cúmulo da crueldade. Na mesa se vê o pão e o vinho. O prato principal é a sopa de ameixa seca [prune soup]. Cooper leva a primeira colherada à boca com uma certa relutância. Depois declara aliviado—é muito boa!

Na outra cena, Cooper se vê sozinho na casa gelada e tenta acender o fogão para fazer o café da manhã. Reparem no fogão! Anna chega trazendo o leite, acende o fogão pra ele e prepara panquecas e café. Ele devora as panquecas com maple syrup enquanto ela bebe o café com leite às colheradas, enquanto conversam. Um amor de cena!

Fui procurar pela receita de sopa de ameixa seca e só achei essa, que é mais um cozido e de origem alemã. Mas fica aqui, caso alguém queira tentar.

Grandma's Prune Soup
1 quilo de carne para assar
Sal e pimenta a gosto
Caldo de carne
4 batatas descacadas e cortadas em quatro
1 cebola média picada
1 xícara de ameixas secas cortadas em quatro
1 xícara de uvas passas
Vinagre de maçã

Lave a carne e coloque numa panela grande e cubra com água. Adicione o sal e a pimenta. Cozinhe a carne em fogo alto até a água começar a ferver. Abaixe o fogo e tampe a panela. Cozinhe por duas horas até a carne ficar bem macia. Remova a carne do caldo e coloque numa travessa para esfriar. Remova a gordura do caldo. Reserve 1 litro desse caldo. Se não for suficiente, adicione caldo pronto de lata ou caixinha. Corte a carne em pedacinhos. Coloque a carne de volta na panela com as batatas, cebola, ameixas e passas. Adicione o caldo para manter sempre o mesmo nível de liquido na panela. Cubra e cozinhe por uma hora. Ajuste os temperos. Sirva em tigelas com um pão rústico. Use o vinagre como condimento. Experimente com outros vinagres, como o de pêra ou o balsâmico.

Ratatouille - o filme e o rato

Quando vi o Roux naquela posição tensa e rígida no patamar da janela, imediatamente corri pra tentar ver o que ele estava vendo. Um coelho? Um passarinho? Ou, argh, um rato? Fixei meus olhos na direção do focinho do felino e vi, galgando ligeirinho pelo tronco do meu limoero, uma IMENSA RATAZANA CINZA!!

Fiquei descabelada! Liguei para a empresa de controle de pestes que nós contratamos ratatouille_littlechefremy.jpgpara lidar com as formigas e que chamamos para outros casos quando precisamos. Deixei um recado extremamente nervoso. No dia seguinte na hora do almoço chega o rapazinho da empresa.

—estou respondendo a um chamado sobre roedores...
—sim, e eu quero ver esses ratos todos MORTOS!

Pegamos a sessão das dez para ver o novo filme de animação da Pixar. Nem pensem que eu sou do tipo que vejo esse tipo de filme. Os poucos que vi até hoje foram puro acidente, normalmente assistidos no avião, durante uma viagem longa, quando acabam todas as outras opções. Acho tudo muito lindinho, mas esses filmes não são bem a minha praia. Nunca sairia de casa de livre e espontânea vontade para ver no cinema uma animação da Pixar. Mas ontem eu fiz, porque o filme era Ratatouille, a história do ratinho cujo sonho é se tornar um chef em Paris.

Andei lendo que essa é a melhor e mais perfeita animação feita pela Pixar. É realmente impressionante a riqueza dos detalhes e pormenores. Muitas vezes quase juramos que as cenas são reais. O ratinho, little chef Remy, é a coisinha mais fofa e encantadora do mundo! Os ratos do filme não são estilizado nem embelezados, para se tornarem fofinhos. São ratos mesmo, vivendo em sótãos ou esgotos, roubando comida. Mas Remy tem o paladar e o olfato super desenvolvidos e refinados e é fã de Gusteau, um chef parisiense famoso. O filme vai agradar toda a blogosfera culinária. É impossível não se identificar um pouco com Remy e não ficar balançando a cabeça e rindo com cara de bobo em certas cenas. Uma em especial, quando o temível crítico Anton Ego [dublado por Peter O'Toole] coloca a primeira garfada do ratatouille feito por Remy na boca—é de rolar lágrimas bolotudas pelo rosto. O filme é simplesmente um primor.

Ficamos com aquele riso nervoso enquanto víamos o bando de ratazanas do filme. O que vamos fazer com o rato invasor do nosso quintal, que está comendo nossas nectarinas e tomates? Meu marido disse que mesmo glamourizados em filminhos, ratos continuam ratos. Mas como eu sou uma pessoa abobalhada, fiquei com a imagem do Remy misturada com a visão da ratazana descendo do meu limoeiro. Ratos de animação, ratos de verdade: amem e odeiem.

this, madame, this is Versailles

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E comia-se tudo isso vestindo corseletes e saias de dez camadas com armação de arame.
»imagens do filme Marie Antoinette da diretora Sofia Coppola

Waitress

Outro filme, que apesar do intenso buzz de público e crítica, eu enrolei o quanto pude para ver, pois quando assisti ao trailer tive a impressão que esse seria um caso típico de filme que o trailer seduz e engana, e com certeza iria ser chatinho pacas. Quem já não foi iludido por um trailer de filme bem montado? Eu já! Mas no trailer de Waitress o que realmente fisgou a minha atenção foi as tortas que a protagonista faz para o café onde trabalha. É através delas que a garçonete exorciza seus problemas. E eles não são poucos: infeliz e casada com um cretino, ela fica grávida sem querer ficar, e ainda se envolve num love affair com o seu ginecologista, que é casado. O filme se arrasta um pouco demais pro meu gosto e eu não consigo simpatizar cem por cento com a ex-Felicity, Keri Russell. Mas a história até que é bacaninha. A melhor cena pra mim é quando ela pega a filha no colo pela primeira vez e finalmente muda o rumo da sua vidinha amargurada e besta. As cenas em que ela faz as tortas ficam em segundo lugar no meu ranking de preferência. As tortas são fantásticas. Queria muito as receitas dos recheios e também daquela massa que ela abre tão fácil! Mas as tortas de Waitress sairam da imaginação da atriz Adrienne Shelly, que escreveu o roteiro, interpretou a garçonete Dawn, dirigiu o filme e foi brutalmente assassinada no final de 2006. Infelizmente nunca vai rolar um livro com os segredinhos, então o jeito é tentar reinventar as receitas nós mesmos.

Algumas das tortas do filme:

Pregnant Miserable Self-Pitying Loser Pie - Lumpy oatmeal with blueberries and fruitcake mashed in. Flambé.

Earl Murders Me Cause I'm Having an Affair Pie - Smashed blackberries and cherries into a chocolate crust.

I Can't Have No Affair Because It's Wrong and I Don't Want Earl to Kill Me' Pie - Vanilla custard meringue with banana.

I Dont Want Earl's Baby Pie - Brie & ham quiche.

I Hate my Husband Earl Pie - Bittersweet chocolate and banana.

Chocolate Mouse Falling in Love Pie - Chocolate mousse pie.

Baby Screamin Its Head Off In the Middle of The Night & Ruinin My Life Pie - No crust New York style cheesecake.

Marshmallow Mermaid Pie - Marshmallow pie.

Stranger than Fiction

O filme estava em cima da minha cômoda há mais de um mês. O babado é que eu ando completamente bitolada em filmes antigos—numa paixão especial pelos da década de trinta. E por isso Stranger than Fiction ficou acumulando empoeira por tanto tempo. Eu sou fã do Will Ferrell, não tanto quanto sou do Jim Carrey, mas quase lá. Tenho uma imensa admiração pelos atores cômicos. Acho que são eles os melhores, pois dominam a arte mais difícil, que é a de fazer rir.

Stranger than Fiction não é bem uma comédia. Aliás, não é comédia. É um filme muito bem escrito, bem dirigido e muitissimo bem interpretado, que aborda temas como a rotina, a solidão, a morte, o destino e literatura. Tudo muito bacana, não vou entrar em detalhes, pois quem já viu sabe, e quem não viu tem que ver pra saber. Mas o filme tem uma particularidade que nos remete diretamente para um papo-comida. Maggie Gyllenhaal faz a ex-aluna da Harvard Law School que abandona tudo para abrir um café e passar os dias fazendo a vida das pessoas mais feliz, com seus cookies, tortas e bolos. Ela será o objeto da paixão de Will Ferrell, o funcionário imaculável do imposto de renda, que vai fazer uma auditoria no café. Depois de tornar o dia dele miserável, ela o obriga a comer um dos seus cookies saído do forno acompanhado de um copo de leite. Para ela isso reabilita qualquer um de um dia ruim. Ele precisa ser forçado a comer o cookie, porque afirma não gostar deles. Conta que a mãe nunca fez nada em casa, nem bolo, nem cookies, ela realmente nunca cozinhou. Um cookie industrializado não é a mesma coisa que um feito em casa, ela provou o seu ponto.

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Ele aparece de repente na frente do café, quando ela já está fechando e indo pra casa. Trouxe um presente pra ela, pra retribuir o cookie e também para se declarar de uma maneira bem incomum—I want you!. O presente, vários sacos de farinha. Ele diz I brought you flours, mas se não olharmos para a caixa cheia de pacotinhos com fitas crepes coloridas marcando o tipo das farinhas, podemos nos confundir poeticamente com o som similar das palavras e ouvir ele dizer I brought you flowers.

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O café da personagem de Maggie tem uma clientela eclética. Entre os assíduos, um maluquete. Já repararou como em todo café tem sempre um tipo maluquete que é frequentador assíduo? O Garrett, um lindo, um fofo e um amoreco que além de fazer os mais inventivos e saborosos cupcakes, ainda tem um ótimo senso de humor, escreve bem pacas e me faz rir de chorar com suas histórias, tem uma de um maluquete total, passada num café em Sacramento. A história é simplesmente hilária e poderia com certeza ser uma cena saída de um filme.

Quem já não presenciou uma cena ou outra de maluquete em cafés? Eu já vi algumas. Numa delas, há muitos anos, uma mulher bizarrissima estava em pé junto às cafeteiras, vestindo um casaco longo cor-de-rosa sujo e rasgado, com muitos anéis enormes nos dedos, óculos escuros, sombrinha e botinas de Mary Poppins, tomando o seu café numa xícara verde de cerâmica, com o mindinho empinado e rindo muito, falando alto e gesticulando sozinha. Essa foi uma visão, mas não representou realmente nenhum perigo eminente. Como o louquinho do café de Stranger than Fiction, essa era da turma dos mansos.

picnic em preto&branco

Uma das minhas paixões nesta vida são os filmes antigos. Tenho uma preferência pelos feitos na década de 30. Acho tudo neles maravilhoso, as roupas, cenários, gírias, cabelos... Adoro os musicais, que de certa forma ajudaram a população a aliviar os pesares da grande depressão. Não vou entrar em detalhes bocejantes para quem não curte esse tipo de filme, mas outro dia estava vendo um musical de uma caixa especial que tenho em dvd e me deparo com essa cena maravilhosa de um picnic! O filme é Dames de 1934 e os atores na cena são Dick Powell e Ruby Keeler.

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Nesta cena, eles fazem esse pequeno picnic numa parte do Central Park em New York, que me lembrou muito uma área do Arboretum da UC Davis, aqui ao lado da minha casa - idéias, idéias!! Eles bebem café, provavelmente, em canequinhas de plástico e comem uns sanduíchinhos. Na cestinha se vê uma garrafa térmica e na toalha uma caixa e guardanapos. Eles conversam, ele canta para ela - I Only Have Eyes For You - e se beijam. Fofo, fofo, fofo!

Estou contando tudo isso aqui justamente porque além de adorar filmes antigos, eu amo picnics. Tenho uma história romântica com eles desde a minha infância, quando fazíamos picnics nas margens dos rios da minha cidade. Hoje, eu faço muitos picnics. Durante o verão encontro meus amigos frequentemente no Central Park de Davis —sim, temos um! Ficamos comendo e conversando na grama até tardão, já noite. Adoro também fazer picnics na praia, mas meu marido detesta, por causa do vento e do frio. Aqui no norte da Califórnia não há praia que não seja fria, o ano todo. Bom, mas eu insisto! E depois de ver essa cena em Dames acho que também vou querer fazer um picnic assim, no laguinho do Arboretum. Será que alguém topa?

>>>Já escrevi sobre picnics:

>artigo pra revista Paradoxo - com receitas.

>o evento no Farmers Market - uma delícia.

>um picnic de verão na praia - com fotos!

Volver

Fazia tempo que estava querendo ver esse filme, em cartaz no Varsity, o cinema independente bacanérrimo de Davis, com as cadeiras mais confortáveis que eu já sentei na minha vida! Domingo, já tinha tomado banho e ia deitar e ver um filme, ler, escrever - sim, faço tudo ao mesmo tempo - quando minha amiga ligou e convidou, vamos?

O filme é um primor, um novelão lindo, Pedro Almodóvar em cada frame e diálogo. Mas me chamou a atenção logo de cara os detalhes de comida - 0 lindo jogo de chá na casa da Tia Paula, os bolinhos fritos, a carne assada recheada, o caldo levinho do funeral, a carne em conserva, o pão, os mojitos [e um cartaz dizendo autêntica "caipirinã"], o maravilhoso pudim de leite e os franguinhos empanados. Volver é uma fartura para os olhos e para a alma. Nós adoramos e viemos comentando entusiasmadamente pela rua, enquanto voltávamos à pé para casa.

That's Hollywood!

Me lembro, ainda criança assistindo filmes na Sessão da Tarde nas férias, de ir até a cozinha e encher uma xícara de café tirado de uma garrafa térmica que ficava sempre num canto da cozinha, para satisfazer os inúmeros cafezinhos que o meu pai bebia diáriamente. Eu fazia isso porque via os personagens nos filmes americanos bebendo café e ficava impressionada e motivada com o gosto com que eles faziam aquilo. O charme era o fato deles não usarem as xícarazinhas, como o meu pai fazia, mas umas xícarazonas de chá cheias do liquido negro. O que eu não sabia é que o café dos filmes era realmente esse café fraco, que hoje eu conheco muito bem, e não o nosso café forte, próprio para ser bebido nas xícarazinhas. Eu devia ficar totalmente turbinada, mas era legal demais tentar imitar o pessoal dos filmes!

Uma prima do Uriel, que também mora aqui nos EUA, uma vez me contou da primeira impressão de uma das irmãs dela, quando chegou em New York para visitá-la. Ela estava inconformada e perguntava insistentemente onde estava aquela comida maravilhosa e deliciosa que ela passou a vida assistindo aos personagens comerem lambendo os beiços nos filmes? Onde estão os donuts, as pizzas, o café - esse é o mais enganador, os hot-dogs, aquelas coisas que pareciam uma estupenda delicia, mas - SURPRISE - não são!! Enganação de Hollywood? Ilusão coletiva?

Eu observo muito a comida nos filmes. Como os atores comem ou não comem. Nos filmes antigos, todo mundo sentava-se à mesa, mas se prestarmos bem atenção vamos notar que ninguém realmente comia. Hoje os filmes são mais realistas. Eu deito cedo e fico lendo, fazendo coisas no computador e vendo filmes na tevê - tudo ao mesmo tempo agora! Outro dia enquanto pagava minhas contas online, passava o filme Moonstruck, com a Cher e o Nicolas Cage. É um filminho fofo, que eu não me incomodo de rever mil vezes. Muitas cenas se passam na cozinha da casa da famiglia Castorini. Eu adoro aquele tipo de cozinha, com muito espaço, uma mesa no centro. Numa das cenas, Olympia Dukakis prepara sunshine toasts - aquele ovo frito enclausurado num buraco no centro de um pão tostado, que se faz tudo junto, na frigideira ou no forno. Eu sempre quis fazer essas toasts, mas cmo não curto ovo e só faço breakfast quando tenho visitas, nunca tive a oportunidade de testar essa receita interessante. No filme, o ovo vasa por baixo e dá pra perceber que vai ficar uma bela droga quando a senhora Castorini vira a toast na frigideira. A filha cheira o prato antes de enchê-lo de sal e mesmo assim não come - vejam o filme e reparem!

Outra cena na cozinha é a final, quando a mãe prepara um mingau para todos - sogro, marido, filha, pretendente da filha e casal de amigos. Todo mundo come o mingau enquanto os nós da trama são desfeitos. Pra mim essas cenas dos filmes são preciosas e quase sempre inesquecíveis. Mas agora cresci e amadureci [um pouco] e desta vez não corri pra minha cozinha pra fazer um mingau!

cenas de cinema

Uma parte que eu realmente gostei no Copia foi na exposição permanente, uma salinha que passava clips de filmes com cenas de comida, jantares com amigos, famílias, o clássico Thanksgiving. Charles Chaplin tem várias cenas com comida nos seus filmes - a da sola de sapato e dos pãezinhos dançantes em The Gold Rush por exemplo, são simplesmente memoráveis. As solas de sapato devoradas no filme por Chaplin e Mack Swain, eram feitas de licorice, um doce borrachudo de cor arroxeada que era muito popular - talvez ainda seja. A cena dos pãezinhos espetados nos garfos imitando pés dançando foi repetida por Johnny Depp no singelinho Benny & Joon.

hollywood sempre entorna o caldo

Mania irritante esta que Hollywood tem com os remakes. Um filme estrangeiro faz sucesso, lá vem os produtores com suas idéias abestalhadas. Berlim vira Los Angeles. Acabei de ler que a Catherine Zeta-Jones será a perfeccionista chefe Martha, no remake de Mostly Martha. Não sei como os espiritos-de-porco nunca tiveram a brilhante idéia de remake A Festa de Babette. Não seria o máximo a Meryl Streep de Babette, preparando um banquete numa pequena cidade do Iowa?

Coppola também faz vinho

Coppola Vinery
Coppola Vinery
Coppola Vinery
Coppola Vinery
Coppola Vinery
Coppola Vinery
Coppola Vinery
Vinícola de Francis Ford Coppola no Napa Valley, CA

Em 2002, fizemos uma visita à vinícola do Coppola no Napa Valley. O passeio vale muito pelo interesse no cineasta. Ele tem um museu de cinema na casa da fazenda, onde expõe mementos de filmes dele e outras coisas interessantes que ele coleciona. A vinícola é bonita e deve ter sido cenário de algum filme. Na época não bebemos o vinho de lá, mas como eu sempre vejo os vinhos Coppola pra vender nos supermercados, hoje comprei um Pinot Noir. Saberei em breve se o vinho do Coppola é tão bom quanto os seus filmes.

Cinema & Comida

* vou roubar um post antigo do Cinefilia, porque hoje estou sem tempo de pensar e escrever....

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setembro 05, 2002
Cozinha no Cinema

Duas coisas que eu adoro! Cinema e Gastronomia. E quem já não viu um personagem de filme fazendo ou saboreando alguma comida e não quis saber a receita? Wonder no More! No site Cinema & Co tem receitas dos sushis de Blade Runner, dos Muffins de Gone with the Wind, Spaghetti do The Postman, Peixe com vinho e cogumelos de Out of Africa, Suflê de queijo de Sabrina e muito mais!!

E AQUI , as receitas do banquete do filme Babette's Feast! Trés Jolie!




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