[setembro] passou tão rápido

setembro no Brasil
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De repente me toco que este blog está quase virando um arquivo morto, um balaio de gato com coisas velhas, visitado apenas por paraquedistas dos mecanismos de buscas. Foi apenas um hiato ou é pra valer? Quero explicar que foi apenas um intervalo, causado por toneladas de trabalho e uma viagem ao Brasil. Fui, voltei e nem tive tempo de respirar pois mais trabalho me aguardava na volta. Minha visita foi, com sempre, rápida e intensa. Fui ver meus pais e passar um pouquinho de tempo com eles. Não fiz muitas coisas por lá, mas encontrei amigos e família, comi coisas gostosas e até vi televisão [pra matar o tempo durante a semana]. No meu último final de semana por lá fui pra São Paulo levando a minha mãe para assistir a palestra da Neide Rigo no evento do Paladar Cozinha do Brasil. Até pra ir lá foi tudo na correria, chegamos no local, batemos um rango rápido no mercado, entramos na palestra e tivemos que sair antes do término porque minha mãe precisava pegar o ônibus de volta pra Campinas. Mas foi muito legal poder participar de um evento grande, ver a Neide em ação e aprender um monte de coisas legais. E ainda tive a oportunidade de conhecer a simpaticíssima e fofa Maria Capai, autora do blog Diga Maria. Que pena que foi tudo tão rápido e não tive tempo pra bater mais papo e conhecer mais gente. Mas aproveitei muito meu último dia no Brasil na companhia das queridas amigas Roberta F, Maria Rê & Lilian T. Muito obrigada pela amizade, hospedagem, risadas e pelas comidas gostosas que dividimos. Até breve! Agora acho que finalmente regressei, né? E vamos em frente!

bolo de festa
[com vinho & azeite]

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Somente uma pessoa audaciosa [sem noção] e destemida [maluca] como eu poderia se aventurar a usar uma receita nova para fazer um bolo para servir num evento com montes de convidados. Minha amiga me pediu para fazer um bolo para uma festinha de despedida de uma outra amiga no trabalho. Eu aceitei e até tinha umas receitas em mente, mas desisti de todas assim que vi essa—um bolo com vinho, minha gentê! Tive muita confiança de que iria dar certo, pois receita publicada no Food 52 com certeza foi muito bem testada. Não vou negar que fiquei um pouco tensa, mas quando cortaram o bolo, as fatias foram desaparecendo como num filme acelerado e as pessoas começaram a vir falar comigo usando todos os superlativos para descrever aquela delicia de bolo, dei um suspiro de alivio. O bolo sumiu com tanta rapidez que fiquei até sem graça de me servir de uma fatia, porque achei que não ia dar pra todo mundo. Se deu ou não, eu não sei, mas provei uma garfada só para me certificar de que os elogios eram todos verdade. Eram. Que bolo gostoso! A massa fica bem úmida e a ideia de rechear com uma fruta delicada como a framboesa é muito auspiciosa. A autora diz que usa geléia pronta, mas eu fiz a minha com frutas frescas. Não ficou muito doce e achei perfeito. Pra cobertura resolvi trocar por essa com cream cheese, porque eu queria que o bolo fosse colorido. Usei um gel para colorir comida da cor vermelha, sem sabor. Usei um pingo e o tom ficou um rosa-coral. Minha intenção era decorar com framboesas frescas, mas minha amiga foi compra-las de última hora e só achou blueberries. No final achei que ficou um contraste mais bonito com as frutas azuis. Quero fazer esse bolo novamente, quando tiver outra oportunidade e então vou devorar uma fatia BEM GRANDE!

faça o bolo:
2 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
2 e 1/4 colheres de chá de fermento em pó
2 xícaras de açúcar
4 ovos caipiras
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 xícara de vinho branco
1 xícara de azeite de oliva

Preaqueça o forno a 350ºF/ 176ºC. Unte duas formas redondas com manteiga e polvilhe com farinha de trigo. Numa vasilha peneire a farinha, o sal e o fermento em pó. Reserve. Na batedeira coloque o açúcar e os ovos e bata por uns minutos até formar um creme. Lentamente, adicione a baunilha, o vinho e o azeite. Misture delicadamente os ingredientes secos e bata até ficar tudo bem incorporado. Despeje a massa nas formas preparadas, leve ao forno e asse por 25-30 minutos até que o bolo esteja totalmente cozido. Desenforme e deixe esfriar completamente sobre uma grade.

faça o recheio:
Numa panela robusta coloque 2 caixinhas de framboesas frescas lavadas e meia xícara de açúcar. Deixe cozinhar em fogo baixo até o açúcar dissolver e a fruta se despedaçar, virar um doce não muito firme. Não deixe muito aguado, nem muito seco. Desligue o fogo, deixe esfriar completamente e reserve.

faça a cobertura:
1 tablete de cream cheese [8oz/225g] em temperature ambiente
8 coheres de sopa de manteiga sem sal em temperature ambiente
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1 colher de chá de extrato puro de baunilha

Numa vasilha coloque o cream cheese e amass gem com uma espátula. Adicione a manteiga em pedacinhos e continue amassando. Adicione o açúcar e mexa bem até formar um creme bem liso. Adicione a baunilha e se quiser colorir como eu fiz, adicione com cuidado uma gota de tinta própria para comida da cor vermelha. Misture bem e use.

monte o bolo:
Cubra um prato com papel vegetal. Coloque um bolo sobre o papel e espalhe o recheio de framboesa. Coloque o outro bolo por cima. Espalhe a cobertura por cima e nos lados do bolo e alise usando uma espátula de metal. Guarde na geladeira. Na hora de servir transfira o bolo para um outro prato ou cake stand levantando pelo papel. Com uma tesoura corte o papel em volta. Decore com framboesas frescas, ou blueberries, ou outras frutas. Sirva.

[ r e s u m o ]

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Ficou tudo meio paradão por aqui, espero que ninguém tenha reparado, porque já estou empenhada limpando a poeira e as teias de aranha. Tivemos um pequeno hiato porque decidimos ir para o Brasil no ultimo minuto antes do Natal e poder passar os feriados com a família depois que meu pai adoeceu. Foi uma decisão correta, mas a viagem foi expressa, somente para cuidar de assuntos familiares. Aproveitei também para ver meu filho que já estava lá e passar uns dias com ele, antes dele embarcar para outra parte da sua aventura brasileira. Graças à disposição dessas meninas de dirigirem até Campinas para nos ver, tivemos um encontro ultra auspicioso com as queridas amigas Roberta e Maria Rê no dia seguinte da minha chegada. Depois disso só consegui ver membros da família. Tivemos um Natal tropical mega improvisado e atribulado, partimos no último dia do ano com tempo de chegar na Califórnia antes do inicio de 2014 e passar a virada dormindo. O ano começou diferente e apesar de eu estar ainda um pouco cansada, outro tanto emocionada, tenho certeza absoluta que este novo ano será muito bom. Estou positiva e antecipando muitas coisas bacanas que estarão vindo em nossa direção!

[ t h a n k f u l ]

thanksgiving kitchen
thanksgiving kitchen
thanksgiving kitchen
minha cozinha na manhã do Thanksgiving

Williams Selyem / Della Fattoria

Williams SelyemWilliams Selyem
Williams SelyemWilliams Selyem
Williams SelyemWilliams Selyem
Williams SelyemWilliams Selyem
Williams SelyemWilliams Selyem
Williams SelyemWilliams Selyem
Williams SelyemWilliams Selyem
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Convite dos amigos Heg & Steven para visitar vinícolas é sempre certeza de que beberei bons vinhos e passarei horas gostosas papeando em ótima companhia. Quando visitamos a Williams Selyem no mês passado, foi exatamente o que aconteceu. A vinícola, que fica em Healdsburg no condado de Sonoma, produz as variedades Pinot Noir, Chardonnay [e provamos o unoaked que eu achei muito mais fresco que os envelhecidos no carvalho] e Zinfandel. Eu gostei de tudo o que bebi e olha que eu provei todos os vinhos duas vezes [hihihi!]. A vinícola estava bem movimentada com um evento, que também oferecia pães, queijos, salames e azeites de produtores locais. Terminando a extensa degustação decidimos dirigir até Petaluma e fazer um lanchinho bem tardio no Della Fattoria, um lugar super gostoso que eu não ia desde nossa primeira visita lá em 2007. A cozinha já estava fechando, mas fomos atendidos com a maior gentileza. Pedimos sanduiches, sopa de cenoura, queijo local, o pão servido é feito na padaria deles. Encaroçamos por algumas lojinhas de antiguidades na cidade antes de seguirmos para casa, nós pra Woodland e eles para San Francisco.

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Este foi o primeiro jantar de Thanksgiving completo que fiz sem substituir o peru por bacalhau e convidando amigos, não só improvisando algo para a minha micro família. É trabalhoso cozinhar um cardápio com tantos ítens, mas com a ajuda do meu atencioso marido que deu duas mãos nas preparações e na limpeza, correu tudo relativamente bem. Aproveitamos muito o dia na companhia do Gabriel e dos nossos amigos Leila, Peter e Christopher. E o jantar ficou muito bom. Fiz cranberry sauce, batata doce caramelizada, batata roxa cozida, farofa de milho, farro com cogumelos e espinafre, purê de batata, salada de folhas verdes com laranja e romã e o imprescindível peru, que foi marinado no vinha d'alho coberto com fatias de bacon e assado coberto por quase quatro horas. Para beber vinho petite sirah local e prosecco. De sobremesa, gelatina de cranberry e maple, cheesecake de abóbora e chocolate e torta de maçã feita pela Leila com as maçãs colhidas pelo Christopher. Estava tudo uma delícia. Many thanks e vamos repetir essa festa no próximo ano.

Littorai — Forchetta Bastoni

Qualquer convite dos amigos Hegui & Stevie é sempre certeza que vamos nos divertir na companhia deles e descobrir lugares super bacanas, beber bons vinhos e conversar muitos assuntos. Desta vez fomos à um wine tasting na vinícola Littorai, perto de Sebastopol no Sonoma County. Foi a nossa primeira vez, mas o Hegui e o Stevie já estiveram lá outras vezes— para um outro tasting pos-colheita como fizemos no sábado e antes disso para um tour primaveril pela pequena e belíssima vinícola. A Littorai é uma produtora de pinot noirs e chardonnays e usa técnicas de biodinâmica no cultivo das uvas. Enquanto provavamos os nove diferentes tipos de pinots, acompanhados de uns deliciosos acepipes que até incluia um queijo português St. George de Santa Rosa, ouvimos muitas explicações sobre terreno, solo, clima, névoa, sol, variações de temperatura, uvas, eteceterá. Eu consegui provar os nove tipos de vinho, comer um pouquinho e conversar à beça, sem tropeçar, nem derrubar o queijo dentro do copo alheio, nem falar nenhuma gafe. Quando o tasting terminou saimos para dar uma volta pela vinícola, ver os jardins onde eles plantam as flores e ervas que usam no controle das pestes e as casinhas das abelhas que fazem a polinização das videiras.

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Os tastings e tours na Littorai são feitos apenas com reservas. Mesmo para eventos como este que fomos é preciso ser convidado. A vinícola é bem escondida entre muitas curvas tortuosas e não tem placa anunciando no portão de entrada, que aliás só abre com o código que os convidados recebem.

Da vinícola seguimos para o centro da cidade de Sebastopol porque naquela altura precisavamos comer. O Stevie sugeriu um restaurante que acabou nos surpreendendo. No andar de cima o Forchetta Bastoni [Fork Sticks] é um tailandês e no de baixo é um italiano. Nunca tinha visto esse tipo de combinação, que nem pode ser chamada de fusion já que os menus, cozinha e ambientes eram separados.

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No andar tailandês fizemos uma happy hour com drinks e petiscos para acompanhar. O lugar é bem informal, com sofás feitos de caixotes e almofadas, mas nós ficamos nas mesas e cadeiras. Depois descemos para o andar italiano, que é maior e mais bem decorado, com um bar, uma cozinha aberta e um forno a lenha pilotado pelo pizzaiolo mais simpático, fotogênico e charmoso que já conheci. Pedimos vinho, antepasto e prato principal—nós optamos pela pizza que não estava nota dez, mas estava boa. Dividimos algumas garrafas de vinhos locais, dois tintos e um branco. Mas eu bebi somente um sauvignon blanc da vinícola Quivira, outra biodinâmica que faz vinhos deliciosos que eu adoro e que será a próxima que iremos visitar. Pisc!

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na vínicola Clos Du Val
[um picnic na chuva]

Quando sugeri um picnic numa vinícola no Napa Valley para um encontro com Maryanne, Heguiberto & Steve, e Priscila, essa pareceu a melhor ideia do mundo já que o tempo estava lindo—florido e ensolarado. Três semanas depois as nuvens se acumulavam assustadoramente no céu do norte da Califórnia. Decidimos seguir em frente com nossos planos, no melhor estilo Keep Calm [Smile] and Carry On. Marcamos um tasting e um picnic na vinícola Clos Du Val para um sábado. No dia amanheceu cinzento e choveu canivetes por muitas horas. Pegamos muita chuva na estrada e apesar da perspectiva desanimadora, eu não esmoreci. Manti um sorriso na cara e o espirito de antecipação no coração, também porque finalmente eu iria conhecer o Hegui e o Steve, meus vizinhos blogueiros, depois de praticamente três anos de enrolação [da minha parte, admito humildemente].

Fizemos um tasting super animado, mais pro bate-papo do que para o vinho, já que todo mundo queria conversar e se conhecer melhor. Eu escolhi fazer a prova dos brancos e bebi um Sauvignon Blanc, um Rosé de Pinot Noir e dois Chardonnays, um de barril de metal e outro de madeira. Meu favorito foi o Sauvignon e comprei uma garrafa para acompanhar o nosso picnic.

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o tasting

Assim que entrei na vinícola fui olhar a área de picnic—com mesinhas e cadeiras espalhadas sob um pomar de oliveiras. Super lindo! E ali vi um grupo de moças comendo e bebendo, cada uma segurando um guarda-chuva. Fiquei mais conformada, que não éramos os únicos enfrentando bravamente o mau tempo. Quando saímos do tasting, o tempo parecia ter firmado. Arrumamos alegremente nossa mesa, com nossos pratinhos, talheres, toalha, a vinícola emprestou taças par o vinho. No menu tínhamos uma broa de fubá com molho de goiabada e uma salada panzanella de aspargos feitas por mim. o Hegui trouxe uma salada de pasta com broccoli rabe, a Maryanne muitos queijos deliciosos do Cheeseboard, e a Priscila trouxe três caixas de pães maravilhosos, doces e salgados, que ela mesma fez no curso de bakery que ela esta fazendo no SFBI em San Francisco. Um banquete!

Quando a mesa estava pronta, a comida servida, os estômagos roncando, a fome apertando, começou a chover novamente—primeiro de leve, depois no estilo chuveiro. Por uns minutos ficamos lá, de capa e guarda-chuva, tentando comer nos pratos que estavam simplesmente alagando. Tivemos que pensar numa solução rápida e mudamos a mesa para um lugar um pouco mais seco. Nunca fiz um picnic assim tão molhado, mas a comida estava deliciosa, a companhia super agradável, o vinho tem sempre o dom de deixar tudo lindo e a conversa fluiu muito animada. No final parou de chover e voltamos para o pomar de oliveiras, onde comemos a sobremesa e conversamos bastante até a hora de nos despedir, fazendo planos para outros encontros.

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o picnic

the feast

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Thanksgiving feastThanksgiving feast

Acho que nunca comi tanto numa ceia de Thanksgiving. Estava tudo delicioso, em especial um prato feito com vagens, cogumelos e um crisp de pão por cima. O segredo deve ter sido a gordura do bacon que foi usada para refogar os legumes. Como de costume, fomos convidados para a ceia preparada pelos nossos amigos de longa data, que consideramos como família. Isso porque eles realmente foram nossa família durante os anos em que nossos filhos estiveram juntos. Eu fiz as sobremesas—o clafoutis de cranberry e nozes que já brilhou neste palco iluminado umas semanas atrás e uma torta de abóbora com chocolate, receita da Martha S. que foi o maior sucesso do jantar e que vou publicar aqui em breve. Fora isso não cozinhei mais nada. Essa pose de cozinheira pimpona foi só pra exibir o avental vintage feito a mão [little house on the prairie] que ganhei da gentilíssima anfitriã—e que também tem a casa mais fotogênica que conheço. Foi uma delícia de thanksgiving e sou muito grata por isso!

muito bem comemorado

tsurprise

Chegamos em casa vindos de Berkeley e quando abri a porta vi todos os meus amigos lá dentro gritando ((( SURPRISE!!!! ))). A casa estava toda decorada, a cozinha cheia com comida do meu restaurante favorito em Davis, bolos da melhor chocolatier de Sacramento, minha familia conectada em grupo pelo skype. Foi uma festa super bacana, magnificamente orquestrada pelo meu marido. Não desconfiei de absolutamente nada e tive a maior surpresa da minha vida. Foi a minha primeira festa surpresa e adorei a experiência. It was absolutely fabulous!

thank you [gift]

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from Alison & Allan

the high tea

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Numa quinta-feira recebi o convite via sms para me juntar à um cházinho no sábado com Victoria e Bridget num lugarzinho super gostoso aqui em Davis. Eu já tinha ido ao Tea List beber chá, primeiro com o Uriel e depois com meu irmão Carlos e o Gabriel. Adorei o tea cake que eles servem lá e pirei numa infusão de gengibre com limão, que até já reproduzi em casa. O lugar é super pequeno e aconchegante e quem recebe e serve os clientes é a proprietária, que fala inglês com um sotaque estrangeiro que ainda não consegui identificar a origem.

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No sábado, segui caminhando para o Tea List achando que iríamos apenas beber um chá e papear. A grande surpresa foi encontrar a mesa preparada para um high tea—o chá da tarde típico inglês, com a mesa toda arrumada, xícaras e pratos de porcelana, várias rodadas de bules de chá e travessas de três andares recheadas de sanduichinhos, bolinhos, scones, madeleines, frutas frescas, mais creme e geléia para acompanhar.

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Na companhia de duas pessoas super queridas e fofas, o papo se alongou por horas, E apesar de eu ter ido ao encontro exatamente após ter almoçado, não resisti e gulosamente comi muitas coisinhas. Tudo lá é caprichadíssimo, delicado, delicioso. A atmosfera do high tea é a melhor parte. O charme do chá inglês, quem não curte?

restaurante Tordesilhas

Tordesilhas
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Demorei tanto pra escrever sobre a minha visita ao restaurante Tordesilhas em São Paulo, que agora vou ter que espremer a memória e torcer pra não ter esquecido nenhum detalhe. O plano inicial, sugerido pela Neide Rigo e acatado alegremente por mim, era ir conhecer o famoso restaurante Mocotó que conquistou a cidade com seus quitutes nordestinos. Mas o dia em que me encontrei com a Neide era o meu último em São Paulo e no Brasil. Naquele mesmo dia eu iria direto pro aeroporto e fiquei um pouco nervosa com a localização meio distante do Mocotó. Quando a Neide sugeriu o Tordesilhas como segunda opção, escolhi fazer a troca na hora. Não me arrependi. O Mocotó ficou para a próxima.

Voltando no tempo um pouco, tenho que registrar aqui o meu nervoso e a minha caipirice com o tamanho da cidade e as distâncias dentro de São Paulo e como é meu costume fazer, esquentei a moringa à beça pensando e planejando como eu iria me locomover de um lugar pro outro por lá. Eu não contava com a generosidade e gentileza das queridas amigas com quem me encontrei e que se ofereceram de me dirigir pra lá e prá cá. Assim acabei chegando na casa da Neide antes das oito da manhã, sem nenhum esforço, só no papo gourmet com a minha amiga Daniela, que bondosamente me dirigiu do Itaim-Bibi até a Lapa numa piscada.

Com a Neide então, nem vi por onde estava indo nem onde estava pisando, porque só queria saber de ouvir ela falar e papear. Fomos de trem até o Mercado da Lapa e depois de ônibus até o centro da cidade, onde fui conhecer o Marcos, marido dela e depois fomos caminhando até o Tordesilhas.

O ambiente do restaurante é uma delícia, com uma decoração cheia de detalhes folclóricos, uma bancada com frutas e legumes logo na entrada, tudo colorido, super fotogênico e aconchegante. Chegamos cedo e o lugar ainda estava bem vazio. O serviço foi extremamente cortês e teve uns salamaleques extras, por conta da presença da Neide na mesa. Então toda hora passava um e parava para cumprimentá-la. Andar com gente famosa é assim mesmo, né?

Pedimos a comida, que pra mim foi um processo de extrema dificuldade, pois eu queria provar TUDO! Escolhemos um caldinho de feijão com torresminho e uma renda de couve frita, cubinhos de queijo de coalho fresco com mel de rapadura e uma saladinha caipira, feita com almeirão, tomate, cebola e farelo de torresmo. Eu pedi um medalhão de carne de sol com risoto de pupunha e a Neide um galeto assado com curau de milho verde e arroz de abobrinha com pequi [provei o pequi pela primeira vez na vida e ele tem gosto de perfume!]. De sobremesa pedimos os três sorvetes de frutas amazônicas [açaí, cupuaçú e tapioca] sobre bandeira de jambu com biju. Só bebemos água, porque eu ainda tinha que arrumar mala, ir pro aeroporto, pegar aquele avião.

A comida do Tordesilhas estava deliciosa, mas o fato de eu estar lá almoçando com a querida Neide me trouxe um presente extra, que foi conhecer a chefe Mara Salles e a mãe dela, dona Dega. A Mara chegou na mesa e conversou muito, especialmente sobre um evento de gastronomia e sustentabilidade que estava acontecendo na cidade naquela semana. Um dos meus assuntos favoritos. Fiquei ouvindo tudo o que ela falava e só balançando a cabeça em concordância. Ela fez algumas criticas ultra sensatas e falou muita coisa legal. Adorei ouvir de uma chefe brasileira o que ela pensa sobre culinária sustentável num país tão rico de ingredientes e com estações climáticas tão produtivas, como o Brasil. Depois a dona Dega juntou-se à nós e bebericamos um licor de Baru—uma castanha do cerrado e conversamos sobre muitas coisas. A mais interessante e que me deixou boquiaberta foi sobre a abobrinha brasileira. Comi essa abobrinha verde e amarela por tantos e tantos anos e nunca soube que ela é a versão jovem da butternut squash tão abundante por essas terras onde vivo agora. Essa informação de que a abobrinha que refogamos no Brasil é a versão imatura da butternut squash que assamos aqui, me pegou realmente de surpresa. A Mara serviu um acepipe que ela faz com a abobrinha e trouxe uma abobrinha inteira até a mesa, que ela cortou no meio e me mostrou a polpa e sementes. Fiquei boba! Tão boba que até posei pra uma foto com a Mara e segurando a abobrinha na mão [foto da Neide]. Foi uma experiência ímpar e um privilégio passar umas horas naquele restaurante, papeando com pessoas tão bacanas e com tanto conhecimento. Queria ter ficado pro jantar, mas eu tinha que tomar banho, arrumar mala, rumar para o aeroporto e pegar aquele avião.

Lá da Venda

Lá da Venda
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Lá da Venda
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Lá da Venda
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Lá da Venda
Lá da Venda

Ainda queria escrever sobre dois lugares bacanas que conheci quando estive no Brasil em outubro e um deles é o Lá da Venda da chefe Heloisa Bacellar. Já tinha lido tanto sobre esse lugar e me senti realmente feliz por ter conseguido dar um pulinho lá e provar a comidinha super deliciosa e brejeira que é servida no restaurante. O espaço tenta reproduzir a atmosfera de uma vendinha antiga, cheia de badulaques para vender. Me falaram que o pão de queijo deles é o melhor que existe—feito com queijo da Serra da Canastra. Mas infelizmente não provei. Comi os pasteizinhos caipiras feitos com massa de milho e bebi a nostalgica Tubaína. Também provei a picanha com purê de banana da terra, simplesmente deliciosa e depois duas bolotas de sorvete de pintanga. Tudo estava uma delícia e o ambiente é acolhedor, mas o mais gostoso mesmo foi ter dividido a minha mesa com duas queridas—minhas amigas Roberta Fabbri e Maria Rê. E ainda de lambuja conheci a Heloisa Bacellar, cuja simpatia foi capaz de desarmar minha horrível timidez e me fazer pedir pra sair numa foto com ela. [olha lá—XIS—click!]

5 anos fechados
[com chave de ouro]

Festanças não são muito a minha praia. Mas eu gosto de marcar e relembrar as datas, principalmente as comemorativas. E este ano juntaram-se várias numa curta sequência. Quando me toquei que o aniversário de cinco anos do Chucrute com Salsicha estava se aproximando, nem esquentei a cachola pensando no que iria fazer para celebrar. Eu iria estar no Brasil, mais precisamente em São Paulo e com amigas blogueiras, exatamente no primeiro de novembro—o dia auspicioso em que iniciei este promitente blog.

Chucrute no BrasilChucrute no Brasil
Chucrute no Brasil
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Chucrute no Brasil

As outras datas celebrativas que precederam brevemente o aniversário do Chucrute e que determinaram que eu entrasse num avião e mudasse de hemisfério, foram o aniversário de 80 anos do meu pai e o de 50 anos de casamento dele com a minha mãe. Toda família compareceu, tivemos festa, festão e festinha na comemoração de duas datas importantíssimas para nós. Passei uma semana e meia aproveitando a companhia de todos da família e revendo e conhecendo novos amigos. Conheci a querida blogueira Luciana Betenson que veio encontrar-se comigo em Campinas, ri muito com minha irmã e o amigão dela, o Calil, revi a Sandra, minha alma gêmea ativista dos orgânicos, bebi cházinho com bolo de azeite e alecrim feito para mim pela minha irmã, comi feijoada, galinha caipira com quirera, goiaba, pitanga, todas as bananas que pude engolfar, laranja lima, manga, pizza do Bráz, pão de queijo assado na folha de bananeira e linguiça feita em casa pela minha prendada cunhada Patrícia, comi requeijão, goiabada, doce de figo, bebi drinks sem alcool com minha mãe, ouvi meu pai falar de política, visitei a fazenda orgânica Yamaguishi com minha mãe e meu irmão, curti todos os meus sobrinhos, desde os que sobem em árvore, fazem tricô, curtem futebol, tocam música, dançam balé, me preparam deliciosos bolos, até os que adoram salada e plantam hortinha na varanda. Também convivi com todos os cachorros da família e dos amigos. Fui aos supermercados convencionais e orgânicos, hortifruti, mercearia, vendinha, padaria, açougue, peixaria.

Chucrute no Brasil
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Me despedi da minha família um pouco mais cedo, para poder passar três dias em São Paulo, revendo e conhecendo amigos, experienciando um pouco da diversidade da cultura gastronômica da cidade. Fui recepcionada pela minha querida amiga Roberta, que me tratou como uma rainha—nunca vou conseguir agradecer o suficiente tanto carinho e cuidado! Com ela e o Antônio, mais minha irmã, meu cunhado e sobrinhos, comi comida mineira levinha, pastelzinho recheado com carne seca, bolinho de mandioquinha com queijo, couve refogada, caldinho de feijão e uma farofa de maracujá que nunca vou esquecer. Também com a Roberta fui encontrar com o queridíssimo Gui Bracco no restaurante Moinho de Pedra, onde também conheci a chef Tatiana Cardoso [e ganhei o livro dela autografado]. Depois passamos na chocolateria Valrhona, onde papeamos muito mais e também encontramos a Beth V. À noite brindamos os cinco anos do Chucrute informalmente num jantar encantadoramente Dadivoso na casa da Fernanda Zacchi e na companhia da Mariana Newlands, Roberta, Mr. Dadivoso e a linda cachorra Frida. No dia seguinte passamos no Lá da Venda, onde conheci a simpatica chef Heloisa Barcelar, bebi Turbaína e almoçei pastelzinho de massa de milho e picanha com purê de banana da terra na companhia da Roberta e da fofíssima Maria Rê. Passamos a tarde num papo tão bom, que nem vimos as horas passarem. À noite jantei no sofisticado restaurante Maní com as amigas Lena Gasparetto, Faby Zanelati e Daniela Fonseca. E meu último dia em São Paulo passei com a querida Neide Rigo, que me serviu suco de bacuri da Ilha do Marajó, me levou de trem para o Mercado da Lapa, onde comi açaí com banana e creme de cupuaçú, depois fomos de ônibus até o centro da cidade, onde almoçamos no restaurante Tordesilhas. Esse lugar foi para mim no mínimo, o máximo, pelo ambiente, decoração e comida especialíssima, mas também por causa da chef Mara Salles, que juntou-se à nós, na companhia da sua mãe e me ensinou sobre a abobrinha brasileira, falou um bocado de coisas legais sobre sustentabilidade e ainda nos serviu um delicioso licor de Baru. Saí do Tordesilhas encantada com o que vi, ouvi e comi e de lá segui tristemente para o aeroporto, acompanhada e guiada mais uma vez pelas queridas Roberta, Maria Rê e Neide Rigo que ficaram comigo até quase a hora do embarque.

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Os cinco anos do Chucrute com Salsicha não teve [nem vai ter] comemoração formal, com bolo, fogos de artificio, relatos nostálgicos. Este blog é o que é, porque eu sou quem eu sou. E tudo o que fiz até hoje resultou numa rede de amizades inestimáveis, que me faz sentir privilegiada por ter tido a oportunidade de manter e estreitar esses laços. Não consegui ver e rever muitas outras gentes queridas, mas sei que não irão faltar oportunidades num futuro breve. Mais visitas virão com certeza, mas por enquando vou ficando por aqui, dando continuidade à este convercê que iniciei há cinco anos e que parece estar bem longe de se encerrar.

[»todas as fotos tiradas com meu companheiro de viagem iPhone4; a foto com a Mara Salles e a abobrinha é de autoria da Neide Rigo.]

um chá com a Valentina

chá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentinachá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentinachá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentina
chá com Valentinachá com Valentina
chá com Valentina

Marcamos de nos encontrar na saída do metrô em Notting Hill. Foi a primeira vez que fui me encontrar com uma amiga blogueira totalmente às cegas, pois apesar de conhecer a Valentina e o Trem Bom há anos, nunca tinha visto uma foto dela. Por alguns minutos fiquei lá parada com aquela expectativa estranha, olhando para cada rosto que se aproximava pensando, será ela? Mas quando ela chegou, sorridente e já de braços abertos para um abraço, não me surpreendi. A Valentina é exatamente o que ela nos passa pelo blog. Nem precisa mesmo de foto!

Fomos caminhando pela noite gelada pelas ruas de Notting Hill, conversando sem parar, até que encontramos um lugarzinho simpático para beber um chá. Eu não vou saber dizer onde fica exatamente, mas era uma loja, com coisas lindas de decoração, uma boutique de roupas no subsolo e um restaurantezinho no fundo da loja. Ainda não eram nem 6pm, apesar da escuridão, e portanto ainda poderiamos oficialmente pedir um chá da tarde.

A Valentina que me orientou nos pedidos, pois eu queria provar algo tradicional inglês. Pedimos então duas tortas—pra mim a banoffee pie com banana fresca e pra ela uma treacle tart com custard. Bebemos chá, of course, eu fui de hortelã fresco e a Valentina de lapsang souchon, um chá bem aromático, que ela mesma disse que não é todo mundo que gosta. Achei o aroma bem defumado, mas não provei.

Conversamos tanto, tanto, que até constrangimos o garçon. Fomos caminhando novamente pelas ruas de Notting Hill, paramos numa livraria para olhar livros de culinária e depois a Valentina me acompanhou até a minha estação, pra não ter perigo de eu pegar o lado errado da linha às nove da noite. Foi de uma delicadeza ímpar.

Tivemos um encontro de duas dinossauras da velha guarda dos blogs de culinária brasileiros. Já fizemos e vimos muita coisa e contínuamos firmes, ou quase. Esses são laços importantes, que eu gosto de preservar. Valentina, muito obrigada pela noite tão agradável! e espero um dia poder retribuir toda a sua gentileza, quando você for me visitar lá do outro lado do mundo!

[nunca te vi, sempre te amei]

É possível que San Diego nunca entrasse na minha lista de cidades para visitar, caso minha amiga Brisa Carter não morasse lá. Temos conversado, conversas longas, já há muitos anos e embora estejamos separadas fisicamente por uma mera viagem de avião de uma hora de duraçao, nunca tivemos uma oportunidade de nos encontrar. Mas um dia a oportunidade finalmente apareceu, quando o Uriel me convidou para acompanhá-lo numa viagem para um congresso em San Diego. Fui sem nenhum plano ou expectativa de grandes turistagens pela cidade. Deixei tudo nas mãos da Bri.

San Diego
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Foram quatro dias de conversas contínuas. Eu visitei a cidade sim, mas fomos fazendo as coisas enquanto batíamos aquele papo bom, completando todas as histórias que tivemos preguiça de contar por escrito. Um calorão absurdo engolfou a cidade e fizemos tudo sob um bafão úmido, que nos deixou suadas, descabeladas a amarfanhadas. Quem não viu, perdeu: as duas amigas matracas de chapelão e óculos escuros, saias molhadas de ficar sentadas por horas na grama orvalhada, bebendo vinho e água e tagarelando sem parar.

Achei San Diego linda, com muitas paisagens de cartão postal, praias de areia fofa, uma delas muito especial, onde os cachorros nadam. É uma cidade espalhada, com ruas largas, calçadas imensas, pouca sombra, mas muito bem cuidada, salpicada de esculturas de artistas locais, cheia de tradição e história.

Mas eu não vou escrever sobre a cidade, nem sobre os pontos turisticos ou paisagens lindas que vi. Quero escrever sobre nosso sábado à noite com Brisa e KC e de como nos arrumamos e combinamos de ir jantar fora, num restaurante italiano escolhido à dedo pelo KC. Sentamos no quintal, na companhia dos cachorros, bebericando drinks e engrenamos num bate-papo tão confortável e divertido que esquecemos da hora. Quando percebemos, os restaurantes já tinham fechado. Ainda tentamos pegar uma pizzaria aberta, mas não conseguimos. Decidiu-se então que o KC iria fazer um macarrãozinho e rumamos comprar alguns ingredientes. Antes paramos na praia de Ocean Beach, onde me encantei pelos muitos pontos iluminados pelas fogueiras de vários grupinhos fazendo luau. É tudo super mega organizado, as fogueiras são montadas num fire pit feito de concreto e não se pode fumar na praia. Mas o melhor ainda estava por vir. Tiramos os sapatos e fomos, pisando na areia macia, até a água. Eu nunca entrei nem nadei no oceano Pacífico, porque aqui no norte da Califórnia a água é tão absurdamente congelante que mal aguento mergulhar os pés. Se a água não dá caimbra, o vento faz doer os ouvidos. Praia aqui é pra ir de cachecol e casaco e ficar só apreciando a vista. Quando a onda na Ocean Beach finalmente alcançou meus pés, mal pude acreditar que aquela água agradável que refrescou meus dedinhos era a do Pacífico. Eu poderia nadar ali sem problema, como fazia uma menininha de maiô cor-de-rosa que pulava ondinhas bem ao nosso lado, naquela noite deliciosa de verão.

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Com os pés croquetados pela água do mar e areia da praia, fomos ao supermercado pegar uma garrafa de licor Hpnotiq e alguns tomates frescos. Logo vi que não iria dar para vestir os sapatos, mas a Bri me tranquilizou—não tem problema, vamos descalças. Não me lembro qual foi a última vez que andei descalça pela rua, porque isso deve ter acontecido há muitos, muitos, muitos, muitos anos mesmo. Fizemos nossas compras, conversando e rindo pelos corredores do supermercado, com os pés descalços e ainda meio encroquetados. De todas as coisas que vi, senti, comi, bebi, de tudo o que fizemos, esse vai ser o momento da minha viagem a San Diego que vou guardar para sempre na minha caixinha em forma de coração: andar descalça com a Brisa, depois de pisar na areia e lavar os pés na água do mar.

com Maria e Franco, em Milão

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Milão foi somente a nossa porta de entrada na Itália. Não planejamos ficar por lá, pois estávamos numa missão especial, que nos levaria à Veneza, Treviso e finalmente à San Zenone degli Ezzelini, a cidade de origem da família do meu marido. Mas o pouco tempo que tivemos em Milão foi precioso. Fomos recebidos pela Maria e Franco, que nos pegaram no aeroporto, nos levaram até o hotel e a Maria nos guiou num rolê à pé pelo centro da cidade. A Maria me deu tantas dicas—algumas nos salvaram de entrar no conto do turista. Nos ajudou a comprar as passagens de trem para Veneza, nos informou de todos os micro-detalhes de muita coisa que não tínhamos a menor idéia. Também fomos recepcionados com um jantar que foi sem dúvida o ponto alto da nossa visita à Itália. Não só pela comida deliciosa preparada pela Maria, mas também pelo papo super divertido que tivempos durante o jantar!

A Maria é leitora do Chucrute de muito tempo—mais tempo do que eu imaginava. Quando eu respondi a um comentário dela, ela fez uma coisa muito legal, que nem todo mundo pensa em fazer: ela se apresentou pra mim. Contou um pouco dela, da sua história, onde vivia, e tals. Eu me identifiquei com muito do que ela me contou. Quando o Uriel me falou que iríamos dar um pulo na Itália, avisei a Maria, para que pudessemos nos encontrar. Mas não imaginei a recepção que ela iria nos oferecer. Foi aconchegante, foi divertido, foi delicioso!

O jantar, todo composto de iguarias italianas, foi fantástico. Tive que pedir pra Maria me mandar o menu por escrito, pois no dia não memorizei muitos detalhes.

De entrada tivemos prosciuto di parma, copa e salame di culatello, o maravilhoso parmigiano reggiano, servidos com pãezinhos fresquinhos, um enrolado com azeitonas que adoramos, e taças de prosecco.

Os pratos principais foram ravioli de berinjela com molho de pimentão vermelho, que estava divino [já pedi a receita do molho e vou reproduzir em breve!], carciofi trifolati [alcachofras preparadas com alho, salsinha e oleo oliva extra virgem], piimentões amarelos recheado com farinha de rosca, alho, salsinha, azeitonas, alici, alcaparras [muito parecido com a receita da minha tia Dirce] e uma torta de batatas e tartufo nero recheada de queijo castelmagno. Tudo isso regado com um vinho tinto maravilhoso, que o Franco deixou arejando por algumas horas. A Maria vai ter que dizer que vinho era, pois eu esqueci.

De sobremesa tivemos doces com massa de amêndoas e pistachios, tacinhas de um moscato licoroso e laranjas vermelhas da Sicilia, que foi para mim o encerramento com chave de ouro do jantar. Fiquei realmente encantada com o hábito de se servir frutas como sobremesa nos restaurantes da Espanha e Itália, coisa que aqui simplesmente não existe, apesar de termos tantas frutas frescas excepcionais. Fazemos isso em casa, porque pra mim, fruta é sobremesa.

Depois dessa comilança pantagruélica, a Maria e o Franco nos levaram de volta ao hotel, onde dormimos o sono dos anjos. Maria e Franco, nunca vou conseguir agradecer o suficiente pela gentileza, cuidado, carinho, amizade, sorrisos, hospitalidade e generosidade. Grazie mille, amici!

»o Edu Luz foi outro felizardo que recebeu a recepção da Maria em Milão, com mais tempo para aproveitar a companhia dela e a cidade.

en la casa de Sergio & Esther

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Nossos anfitriões aqui na Espanha nos prepararam um jantarzinho com tapas bem tarde da noite. O orgulho da gastronomia espanhola é esse presunto ibérico. Segundo o Sérgio, o porco vive uma vida maravilhosa, comendo somente nozes e se refastelando ao sol. O pernil leva 18 meses de preparação e descanso, até poder ser consumido. Em todo canto se vê esse apetrecho de apoiar o presunto, que é cortado em fatias finíssimas com uma super faca afiada e por mãos habilidosas. Achei tudo muito bacana, mesmo frente àquela visão tenebrosa da pernoca com casco e tudo sendo dissecada. Só me assustei mesmo quando vi o ossão que sobra quanto de consome toda a carne—té-tri-co! Os espanhóis amam esse presunto, mas eu achei muito forte. Preferi comer a tortllla de patatas, os pimientos com atún, as croquetas de cosido, o queso manchego e as maravilhosas acetunas. O Sérgio também preparou um delicioso peixe grelhado, temperado somente com sal e o azeite especial feito pelo irmão dele. Bebemos um vinho branco andaluz.

Delfina Restaurant

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Eu tinha o Delfina Restaurant na minha lista de lugares para ir em San Francisco há muito tempo. Já tinhamos testado a pizza do Delfina Pizzeria, que é a irmã siamesa do restaurante, pois os dois são colados parede a parede, com a diferença que a pizzaria é menor, mais casual e não faz reserva. No restaurante, reserva é estritamente necessária e o cardápio é mais extenso e sofisticado. Combinei com a Maryanne de jantarmos lá no sábado à noite e ela fez a reserva. Nos encontramos no restaurante já lotado às seis da tarde, para um jantazinho muito agradável—excelente comida e excelente companhia.

Pedimos entradas, prato principal e sobremesa. Dividimos as azeitonas castelvetrano servidas mornas e o azeite olivestri olio extra virgine 2008, que veio numa latinha muito simpática com bico para servir, acompanhado de bastante pão quentinho. Eles mergulharam no grilled fresh calamari with warm white bean salad e na ribollita, que eu pensava ser uma sopa, mas o que chegou à mesa foi um tipo de bolo. Eu e o Uriel pedimos a mesma salada de puntarella alla romana with salt-packed anchovy, extra virgin olive oil and parmigiano. Puntarella é um tipo de chicória, uma verdura meio amarguinha muito boa. Depois eu comi o roasted fulton valley chicken with olive oil mashed potatoes and king trumpet mushrooms, que estava perfeito, o Uriel mandou bala num prosciutto-mascarpone ravioli with lemon-herb burro fuso e nossos amigos pediram o gnocchi al ragu e a pancetta-wrapped sonoma rabbit saddle with saba roasted fennel and carrots. Eles beberam dois diferentes vinhos italianos e eu um cabernet savignon do Napa Valley. Dividimos a sobremesa—uma delicada panna cotta de laranja vermelha e profiteroles. Foi um jantar realmente delicioso, num restaurante charmoso no distrito da Mission em San Francisco.

*Único porém foi que esqueci minha câmera em casa—fato totalmente incomum e inexplicável. Mas confiei que a Maryanne fosse levar a dela, já que ela também está sempre numa missão blogueiristica. Portanto, as fotos deste post são dela, que também escreveu sobre o Delfina, num texto com muitos outros detalhes interessantes, além da experiencia gastronômica. Não deixem de ler!

No Tucos com Lud & Luis

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Desta vez eu não fui a lugar nenhum, fiquei aqui mesmo e foi eles que vieram até Davis pra me encontrar. A Ludmila e o Luis chegaram ainda pela manhã e sentamos na sala para conversar e bebericar limonada, até que o Uriel apareceu e fomos todos à pé até o Tucos, onde tínhamos combinado de almoçar juntos. O Tucos é o meu lugar favorito aqui em Davis para comida da melhor qualidade, então foi a escolha perfeita para recepcionar dois foodies on the road pela Califórnia! Nosso almoço foi longo, saboroso, com muitos pratos que devoramos com prazer, regado a uma garrafa de um delicioso syrah de Paso Robles. Eu tinha planejado levá-los para um tour pelo campus da UC Davis e depois dar uma passadinha no escritório do Schwarzenegger, o Capitol de Sacramento, e fazer uma caminhada pela sugestiva Old Sacramento, mas sentamos para tomar um chá e o conversê foi avançando animado, que quando vimos já era noite e hora deles pegarem a estrada de volta a Santa Rosa, onde estavam hospedados. Três jornalistas, duas blogueiras, deu pano pra manga pra muito papo divertido. O Uriel só nos acompanhou no almoço, atrapalhado que está na véspera de mais uma viagem. O Misty fez os salamaleques receptivos e o Roux se fingiu de difícil um pouquinho, mas acabou socializando com os donos do Gaston. Gostamos muito de conhecer pessoalmente a Ludmila e o Luis, um casal tão simpático e com tantas coisas em comum, que dá até pena pensar que eles moram tão longe—ou melhor, longe estamos nós, que viemos amarrar o nosso burro neste outro lado do mundo!

The Slanted Door

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A Mariana foi ao The Slanted Door e não só tinha me recomendado, como tinha me intimado a ir também. Então eu fui! A Maryanne fez a reserva para o domingo e nos encontramos lá para o almoço—eu, o Uriel, ela e o Paulo. O restaurante fica num dos meus lugares favoritos em San Francisco, o Ferry Building Marketplace, que era o antigo porto da cidade hoje transformado num espaço gastronômico fantástico.

The Slanted Door oferece delicias da culinária vietnamita com um toque moderno e coloca uma grande ênfase na qualidade dos ingredientes usados na elaboração dos pratos. Eles usam produtos orgânicos e fresquíssimos vindos de produtores da região da Bay Area que praticam agricultura sustentável. Administrado pela família Phan desde a sua inauguração em 1995, o restaurante tem um ambiente descontraído, num espaço enorme e cheio de luminosidade, com paredes de vidro que emolduram uma das paisagens cartão postal mais lindas da baia, com a Bay Bridge ao fundo.

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Nossa reserva era para as 2 horas da tarde, o que somado à mudança de horário [saimos do daylight saving times] me colocou num estado de fome alucinante. Um dos problemas do The Slanted Door foi, para uma libriana típica como eu, o menu incrívelmente extenso. Fiquei numa dificuldade lancinante para decidir o que pedir. A carta de vinhos era basicamente francesa, o que me colocou numa outra enrascada, já que eu estou ficando com prática de escolher vinhos californianos, mas saiu da minha pequena bolha eu já fico atrapalhada. No final pedi um bourgogne pinot noir rosé francês que estava bem leve. A Maryanne pediu um pinot noir de Oregon que ela gostou bastante também.

Quando finalmente decidimos sobre os pratos, a garçonete gentilmente nos avisou que tínhamos pedido muita comida. Realmente as porções servidas lá são bem generosas. Então decidimos enxugar nossa lista de entradas. A Maryanne e o Paulo pediram os famosos rolinhos frios vietnamitas, com camarão e molhinho de amendoim. Depois ele comeu um frango com capim-santo e ela um prato bem picante de berinjela japonesa, que eu provei e estava uma delícia. Eu e o Uriel dividimos uma salada muito refrescante de papaya verde e tofu e depois ele comeu um halibut do Alaska com um molho picante de gengibre e eu comi um catfish cozido no pote de barro com coentro e gengibre. As porções eram grande e acompanhamos tudo com arroz jasmine. Só eu—a esfomeada e gulosa—que pedi sobremesa, um doce de abóbora kabocha com um creme de menta e sementes de romã, que apesar de parecer uma combinação um pouco estranha, funcionou muitíssimo bem.

Saímos do restaurante super tarde, quando quase todos os funcionários já estavam comendo nas mesas do fundo e o local se preparava para o inicio dos serviços do jantar. Adorei a experiência no The Slanted Door e recomendo. Para nós, que vivemos aqui na Califórnia, os sabores asiáticos não são nenhuma novidade, nem nada muito exótico, já que temos um restaurante desses em cada esquina. Mas nem todos com a qualidade do The Slanted Door, onde o que importa não é somente a comida e o quanto se paga por ela, mas também toda a política que envolve comer bem, com qualidade, apoiando a agricultura local e sustentável e a criação de animais sem crueldade.

* A Maryanne dá mais detalhes sobre o restaurante. Não deixe de ler a review dela lá no Hotel California.

Café Fanny

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Passei a tarde de sábado em Berkeley com minha amiga Maryanne e entre os muitos bate-papos e bate-pernas almoçamos no Café Fanny da Alice Waters. O café, que tem o mesmo nome da heroína de Marcel Pagnol e que também é o nome da filha da Alice Waters, é um lugar bem pequeno, que serve basicamente café da manhã europeu—com café au lait servido no bowl—e lanches leves, com sopas, sanduiches e saladas. A idéia de Alice era oferecer aos comensais um lugarzinho agradável sem as complicações de um restaurante, para as pessoas sentarem no páteo e tomarem café ou uma taça de vinho. O Café Fanny não tem cozinha, tudo é preparado no balcão. O serviço é rápido, escolha, pague e leve. O lugar está muito bem localizado numa esquina entre a famosa padaria Acme Bread Co., que tem uma fila constante na porta da sua micro-loja, e uma loja de vinho. Todos os produtos do menu do Café Fanny segue a linha da ideologia da Alice Waters—são locais, de fazendas e sítios que praticam agricultura sustentável e ecológica. Eu comi um sanduíche levíssimo feito com pain de mie do Acme, queijo raclete e tapenade. Pedi também uma salada de verdes, simples e perfeita. A Maryanne pediu a clássica salada de queijo da cabra assado, que vem com duas torradas lindas e enormes feitas com o pão levain do Acme. Nossa opção de bebida foi uma limonada fresquíssima, que estava do jeitinho que eu gosto, bem limãozuda e sem muito açúcar.

Eu, Mariana, o Zé e o Bob

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verão do amor—2008

O plano inicial era irmos, eu e o Uriel, juntos encontrar com a Mariana e o Zé em San Francisco. Mas meu marido está atolado em trabalho, com várias viagens programadas, a mesma velha história que rola todo final de verão. Por isso eu acabei indo sozinha, apesar de estar invariavelmente acompanhada simbolicamente pelo Bob, o que fez a Mariana rir muito, lembrando dessa afamada história.

Passamos uma tarde agradável na cidade, que inesperadamente teve um dia bem calorento. Caminhamos até o Ferry Building, onde encaroçamos nas lojinhas bacanas, almoçamos no DELICA rf1, uma delicatessen japonesa que eu adoro, depois devoramos macaroons no Miette. Caminhamos rapidamente por Chinatown, onde eu e a Mariana pudemos piscar nossos olhos seduzidos pelos mil cacarecos de cozinha enfileirados pelas lojas. De carro, fomos até Sausalito cruzando a Golden Gate, depois paramos na Haight Street, bem no famoso cruzamento Haight—Ashbury que ficou famoso por hospedar o inicio do movimento contracultural hippie, conhecido hoje como o Verão do Amor de 1967. Caminhamos pra lá e pra cá, sentamos pra beber algo gelado e, acima de tudo, conversamos muito, o tempo todo!

A Mariana foi me encontrar em Coimbra e desta vez eu fui encontrá-la em San Francisco. É tão bom fazer esses encontros, e melhor ainda foi revê-la!

só falamos de comida

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Dois anos depois daquele primeiro potluck dos food blogs de Sacramento organizado pelo querido Garrett, quando nos encontramos pela primeira vez, tivemos outro evento similar. Nesses dois anos, fizemos muita coisa bacana juntos, como a aula de egg whites em Berkeley, jantar no hidden kitchen, visitas à vinícolas orgânicas e uma experiência com chocolate tasting. Eu adoro fazer parte desse grupo de pessoas tão diferentes, com uma paixão em comum.

Desta vez o potluck foi organizado conjuntamente pela Elise e Garrett. Num domingo com um clima perfeito, nem quente nem frio, muitos blogueiros de Sacramento e região baixaram na casa da Elise para um almoço com bastante bate-papo. Cheguei lá com um panelão de bacalhoada e reencontrei conhecidos e amigos e conheci pessoas novas. Quando eu cheguei, os blogueiros já estavam fazendo o que todo blogueiro de culinária faz, fotografando as comidas. Eu fui correndo fazer o mesmo, afinal, não podia perder a oportunidade de registrar o evento. Mesmo assim não fotografei tudo, pois começamos a comer e alguns convivas chegaram mais tarde e naquela altura eu já tinha esquecido da câmera e me concentrado só na comilança.

Não vou poder listar todos que estavam lá, porque eu não consegui conversar com alguns. Mas adorei conhecer a Debby e sua filha Megan, que fazem o blog Everything on a Waffle. Elas trouxeram as batatinhas recheadas, uns palitos de chocolate ajeitados lindamente em latinhas e a Megan, que só tem doze anos, preparou uma sobremesa de cereja deliciosa! Também gostei de conhecer o Nick, que bloga daqui de Davis e escreve sobre peanut butter no Peanut Butter Boy. Ele trouxe uns bolinhos de carne que foram servidos com um molhinho de peanut butter, of course! Também adorei rever o Hank e conhecer a sua companheira Holly. Eles trouxeram três tipos de patos selvagens, umas linguiças de porco selvagem e carne defumada de antílope, tudo caçado por eles e preparado na churrasqueira pelo Hank. Eu só provei a linguiça, pois acho essas carnes um pouco fortes pro meu gosto. Mas quem comeu o pato e o antílope só elogiou. A Elise serviu uma strawberry rhubarb terrine que me fez pirar na batatinha. Acho que devorei uns cinco pratos, sem brincadeira! O Garrett arrasou Paris em chamas com o seu chipotle flourless chocolate cake. A Andrea trouxe uns aspargos com prosciutto que também fizeram sucesso. Adorei rever os amigos, conhecer gente nova e passar a tarde num convercê divertido. O quintal da Elise, deixa eu contar, é enorme e praticamente um pomar. Fizemos uma tour pelas árvores—maças, limão, laranjas, mexirica, grapefruit, kiwi, romã, figo, ameixas, amora, nozes, damasco, pêssego, nectarina— é uma coisa impressionante, tudo muito bem cuidado.

Todo mundo perguntou sobre o meu prato e eu expliquei detalhes e tals. Usei bacalhau canadense, mas as batatas e as cebolas eram orgânicas, os ovos da Felizberta, azeitonas gregas maravilhosas e foi tudo regado com muito azeite português. Uma das meninas do Sac Foodies deu uma garfada na bacalhoada e exclamou—essa era a comida que minha avó fazia! A avó dela é uma portuguesa da Ilha de Madeira emigrada na Califórnia. Estávamos em casa.

Marizé comprou mais um tacho

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em Coimbra

um encontro em Coimbra

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Minha condição dinossaurica de dezesseis anos como usuária da internet e de oito anos como blogueira endossam essa minha mania de encontros. Não é de hoje que eu tenho esse impulso de conhecer pessoalmente os amigos das convivências virtuais. A maioria dos meus encontros foram frutiferos e geraram amizades duradouras e bacanas. Sempre há os casos de falta de conexão ou de pessoas que não têm mesmo nada a ver com você, mas esses são minoria, felizmente!

Aqui em Coimbra, assim como em Lisboa, meu encontro com as queridas amigas portuguesas foi fantástico! Infelizmente nem todos puderam ir por impedimentos ou compromissos pessoais, ou por uma falha não intencional minha, que acabei não me recontactando com todos. Haverão outras oportunidades, tenho certeza!

Num sábado de solaço e calorão encontrei com Elvira, Mariana e Marizé. Perdi a noção do tempo, mas pelo jeito passamos muitas horas no bate papo—primeiro na porta da estação de trens, onde encontramos Elvira e Marizé e esperamos pela Mariana. Depois caminhando pelas ruas do centro histórico de Coimbra, num café para bebermos água e refrescar, finalmente no restaurante a beira do Rio Mondego, e depois novamente num café, onde bebemos cerveja e conversamos tanto que quase fizemos a Elivira e a Marizé perder o trem de volta pra casa.

Minha irmã e meu cunhado também nos acompanharam e tiveram que enfrentar uma maratona de conversas culinárias e de blogueiragens sem fim. Eles foram fortes e bravos e nem demonstraram muito desespero nem bocejaram de tédio na nossa cara. Fiquei muito orgulhosa da minha irmã. Pisc!

Meninas lindas de Coimbra, foi uma felicidade imensa conhecer vocês. Estendo o convite para tardes de verão ou outono na Califórnia. Bá, mas não vai ser a mesma coisa, né? Tenho mesmo é que voltar mais vezes à Portugal.

*na primeira foto: eu, Marizé, Mariana e Elvira.
**no cardápio, uma deliciosa feijoada de peixe.
***esqueci de fotografar o vinho, que era verde, é claro!

um encontro em Lisboa

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Eu ainda estava com um jet-lag desgranhento, não tinha dormido nem uma piscada na noite anterior, então minhas olheiras estavam monstruosas e todo o meu ser ainda estava flutuando no limbo dos viajantes recém-chegados. Consegui conversar pelo telefone com as blogueiras de Lisboa e a Isabel [Pipoka] do blog Three Fat Ladies gentilmente tomou a iniciativa de arranjar todos os quiprocrós, definindo o ponto de encontro e a escolha e reserva do restaurante. Nós tínhamos ido à Belém naquela tarde e nossa volta foi maratonica, com uma fulanete batendo a porta do carro no elétrico, onde nos encontrávamos, e provocanto um caos e um congestionamento. Conseguimos voltar ao hotel à tempo para um banho e chegamos aoenas quinze minutos atrasados na A Brasileira, o café onde Fernando Pessoa sentava-se todos os dias, no Bairro Alto de Lisboa. Lá já estavam a Paula do O Que Der na Gana, a Goretti do Mal-Cozinhado e a Isabel do Cinco Quartos de Laranja. Logo depois chegaram as três lindas Three Fat Ladies e a Suzana do Gourmet Amadores e seguimos juntas para o restaurante Antigo Primeiro de Maio, onde já éramos esperados. Um pouco mais tarde chegou a Cris do Momentos da Cris, para completar o grupo, que também contou com o Zé, marido da Cris, a fofa Teresa, filha da Goretti, minha irmã Leandra, meu cunhado Luis e meus sobrinhos Fausto e Catarina. O restaurante era bem pequeno, mas bem aconchegante e a comida estava muito boa, apesar que eu mal consegui comer porque sentei no meio da mesa e queria desesperadamente conversar com todas! Depois que fomos convidados a nos retirar do restaurante, pois havia um grupo de alemães esperando para sentar na nossa mesa, caminhamos pelo belíssimo Bairro Alto até a praça do miradoro, onde conversamos em pé até altas horas. Lá chegou a última das moicanas, a querida Carlota, que não tem blog e é completamente adorável. Amigas de Lisboa, foi um prazer imenso encontrar pessoalmente com voces, colocar um rostinho e uma voz em cada personalidade blogueira, conhecer vocês um pouco mais e poder compartilhar algumas horas juntas num bate-papo muito agradável. Agora espero todas vocês na Califórnia, tá?

* nas fotos alguns ítens do cardápio—os peixinhos da horta, que são massinhas fritas com vagens, bolinhos de bacalhau, carapaus, pescada e um delicioso vinho verde, é claro!

Ginger Elizabeth Chocolates

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O querido Garrett do blog Vanilla Garlic organizou um evento bem bacana para os food bloggers de Sacramento. Fomos fazer um chocolate tasting na chocolateria Ginger Elizabeth Chocolates em midtown Sac. Como eu não sou louca por chocolate, fui sem nenhuma expectativa. Tive uma surpresa incrivelmente agradável com a qualidade e a delicadeza dos bonbons que nos foram servidos pela chocolatier e proprietária da lojinha encantada. Ginger Elizabeth tem apenas 26 anos e confessou ter se iniciado no fascinante mundo do chocolate aos 16. Ela primeiro nos deu uma explicação minuciosa sobre as plantações, colheita e processamento do cacau. Até nos mostrou fotos dela em fazendas na América do sul e central. Depois contou detalhes da manufatura da matéria básica e finalmente a parte que é a sua paixão—transformar o chocolate em pequenas delicias que dissolvem na boca. Provamos desde o puro chocolate em micro pedacinhos, até a manteiga, que pura tem um gosto repugnante, mas é o que faz o chocolate ser tão gostoso e viciante. Depois fizemos o tasting de vários tipos de chocolate amargo, seguido dos mais delicados bonbons, feitos de uma massa sedosa de ganache e cobertos com uma crosta quase imperceptível de chocolate. Dois bonbons me encantaram—o de chocolate amargo com ganache de meyer lemon e o de chocolate ao leite com ganache de maracujá. Ginger diz que usa os melhores chocolates e somente suco ou polpa de frutas, nada de essências. O sabor é um nocaute! Depoiis ela ainda nos serviu um bolo de várias camadas com gianduia, que eu tive que partir ao meio para conseguir comer e um tipo de semifreddo, cremoso e gelado. Visitamos também a cozinha da pequena chocolateria, onde Ginger pratica sua arte. Alguém aí pensou no filme Chocolat? Eu estou pensando nele agora. Acho que temos a nossa versão da Madame Rocher, aqui no vale central da Califórnia.

Liaison bistro - Berkeley

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Fomos à Berkeley com nossos velhos amigos Eliana e Andres, encontrar nossos novos amigos, Maryanne e Paulo. Eles nos recomendaram esse fofíssimo bistrô, numa esquina da cidade e foi lá que marcamos um almoço no domingo. Adorei o lugar, bem tradicional, com um cardápio francês, um ambiente aconchegante e um serviço atencioso. Tivemos dificuldade para escolher o vinho e o garçon nos trouxe uma amostra dos vinhos que estávamos em dúvida. Foi uma excelente manobra, pois um dos vinhos não teve aprovação. Pedimos outro, que todos gostaram. Como é comum aqui nos domingos, o cardápio era de brunch. Mas diferente da maioria dos restaurantes que servem brunch, achei o cardápio do Liaison bem variado. Um set de entradas, outro de pratos com ovos, outro de saladas e o último de croques, que achei bem criativo. Todo mundo pediu algo com ovos. Eu, concentrada em papear com a Maryanne, me distraí de absolutamente tudo e pedi uma salada niçoise sem perceber que ela vinha com o atum fresco selado—e eu NÃO como peixe cru! Mas isso não foi problema, pois a salada era imensa, como todos os pratos do lugar, e eu ainda pedi pommes frites e nem consegui comer tudo. As sobremesas valeram à pena. Eu pedi uma île flotant que estava perfeita. Gostei de tudo do Liasion Bistro, principalmente da maneira com que eles apresentavam os cardápios de drinks e sobremesas, carimbando na cobertura de papel da mesa. Passamos a tarde toda lá, acomodados na mesa redonda, conversando animadamente. Foi uma tarde deliciosa, especialmente porque estávamos em ótima companhia.

no caldeirão da bruxa

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Para retribuir a deliciosa macarronada que ele fez para nós, eu prometi fazer uma feijoada. Demorou um pouco, porque ele viajou, outros amigos viajaram, mas finalmente arranjamos a data. Feijoada é um prato que todo mundo curte e é relativamente fácil de fazer. Só precisa ter um pouco de organização e amigos gentis que se ofereçam pra ajudar com os detalhes e cortar e picar. A preparação é que consome tempo. Coloquei o feijão de molho dois dias antes. Coloco de molho na panela de ferro grossa, onde ele vai cozinhar. No dia seguinte cozinho. Depois tempero com um refogado de alho, que eu fritei junto com bacon. Eu usei um bacon bem magro, que quase não soltou óleo. Depois juntei o feijão cozido, sal, pimenta, folhas de louro e as carnes cortadinhas—carne seca, paio, lingüiça calabresa, umas mini salsichas defumadas e ham hocks. Dai cozinha, cozinha, cozinha, cozinha, até o caldo ficar bem grosso. Os acompanhamentos foram arroz branco [basmati], farofa de farinha de mandioca [frita com cebola, manteiga e banana], couve [collard greens] refogada no azeite e alho, um molhinho vinagrete e fatias de laranja. Caipirinha, cerveja e vinho pra acompanhar. Em pleno inverno, a feijoada é uma comida extremamente reconfortante.

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Quixote

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Mais uma vez a Elise organizou um evento fantástico para os food bloggers de Sacramento, turma batuta na qual eu me incluo. Passamos o domingo na vinícola Quixote, recebidos com todos os salamaleques pelos simpáticos proprietários Pam Hunter e Carl Doumani. A vinícola fica um pouco afastada do circuitão do Napa Valley e só recebe visitantes que ligam e fazem reserva ou que são convidados, como nós fomos.

O que primeiro impressiona na Quixote é a sua arquitetura. Carl Doumani explicou em minúcias como ele e Pam contactaram o artista austriaco Frederick Hundertwasser para fazer o design da vinícola. Carl nos contou que foram anos de negociações, pois Hundertwasser tinha horror à cidade de San Francisco e não queria vir para os EUA. No final, o carismático Carl Doumani venceu e trouxe o artista para o Napa Valley, onde ele colocou suas idéias mais uma vez em prática. Tudo na Quixote parece ser encantado. O casal Carl e Pam é amante das artes e pra onde quer que se olhe, vê-se pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, objetos de arte de todos os estilos. A Quixote é um lugar realmente especial, escolhido para ser a casa de Pam e Carl, e que ainda produz um vinho orgânico delicioso e de altíssima qualidade.

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Fomos recebidos com um tour pela vinícola, com explicações detalhadas sobre a cultura das vinhas orgânicas e depois fizemos uma experimentação de vinho e queijos, organizada pela chef Janet Fletcher, que foi treinada no Culinary Institute of America e no Chez Panisse. Ela escreve uma coluna sobre queijos no jornal San Francisco Chronicle e publicou vários livros. Um deles nós recebemos de presente. Nosso grupo era formado dos blogueiros e de três colunistas de revistas em Sacramento. Fizemos o tasting na casa de Pam e Carl, que é simplesmente uma formosura. Pam é apaixonada pela cultura japonesa, então a casa toda tem inúmeros elementos asiáticos na arquitetura e no decoração. Nosso tasting incluiu a variedade Cabernet Savignon e Petit Syrah combinados com queijos Zamorano, Pecorino di Grotta e Erhaki. O Pecorino foi o meu favorito. Também gostei muito do Petit Syrah, que era um vinho que eu nunca tinha experimentado

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Depois do wine tasting tivemos um almoço, preparado pelo chef Raul Steven Salinas III, que estava simples, porém magnífico. Uma salada de folhas verdes com caqui Otow e nozes foi servida. Todos os ingredientes usados pelo chef eram locais e orgânicos. Depois nos servimos de Short Ribs assadas—que o chef nos contou ter assado por muitas horas no molho de vinho Petit Syrah e caldo de galinha. A carne estava desmanchando, delicada e e saborozissima. Acompanhou um refogado de cevada com legumes de outono assados—abóbora e nabo. A sobremesa foi um Apple Cobbler morninho, com chantily de baunilha.

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Depois do almoço nos despedimos de Pam e Carl na Quixote e rumamos para uma visita à outra vinícola espetacular, a Quintessa que eu já tinha visitado no verão. No outono a paisagem é estupendamente linda! Na Quintessa fizemos mais um tasting da produção deles de 1993 e 2004—a Quintessa só produz um tipo de vinho, que é um blend. Mais queijos deliciosos, pasta de marmelo e bolachas integrais. Foi um dia cheio de delicias, excelente vinho, comida maravilhosa, companhia de pessoas incríveis com o melhor papo do mundo—comida! Pra mim, que nem me considero uma boa cozinheira, é um grande privilégio poder fazer parte desse grupo.

como gostei de reencontrá-los

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Mais um dia sem cozinhar. Nadei e na volta fiz um lanchinho simples como almoço. Depois fui me encontrar com uma amiga. À tarde, mais um evento social, desta vez com amigos que eu não via há sete anos. Foi um reencontro muito legal, pois revi as crianças que cresceram muito e batemos um papo longuíssimo que foi até depois da meia-noite. Eu tinha planejado fazer uma torta de maçãs e cupcakes de chocolate pros meninos, mas meus planos afundaram. Fomos à um restaurante italiano que eu gosto muito aqui em Davis e nos fartamos de macarrão e vinho. As crianças pediram os básicos espagueti com porpeta e talharine alfredo que pareciam deliciosos. Como eles mandaram bala e quase não sobrou nada no prato, concluí que deveria estar bom mesmo. Mais um sabado que eu passei sozinha e sem cozinhar, mas rodeada de amigos e comendo muitíssimo bem!

The Hidden Kitchen

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A Elise organizou a nossa visita ao The Hidden Kitchen comandados pelo casal Dennis e Mary Kercher. Eu estava muito entusiasmada para participar desse evento, que agrupou doze foodies, entre food bloggers, criticos e profissionais da gastronomia. Eu disse doze, mas minha irritante modéstia insiste em baixar esse número para onze. Não consigo ainda me considerar uma foodie e quando estou com o grupo de Sacramento, que queira ou não eu faço parte pois moro aqui e mantenho um blog, sempre fico me sentindo a prima estrangeira que chegou ontem do Cafundoquistão.

Me esforcei à beça pra chegar no horário marcado e não confirmar aquele boato absurdo e falso divulgado à torto e à direito por bocas de matildes de que brasileiro chega sempre atrasado. Estacionei meu carro na frente da charmosa casa num bairro tradicional de Sacramento, daqueles com casinhas de filmes antigos e ruas e quintais completamente tomados por árvores ancestrais. Fui recepcionada alegremente pelo casal que cozinha e recebe os amigos para um jantar caprichado. Conheci a cozinha toda equipada do Dennis e da Mary, a simpática cachorrinha Baci e recebi uma taça com um refrescante espumante rosado. Nós ficamos no pateo da casa, com um jardim lindo ao fundo e todo decorado com velas. Conversamos muito durante o jantar. É muito difícil o papo ficar chato num um grupo de doze pessoas com o mesmo interesse. Nem preciso dizer que o tema de todas as conversar da noite foi apenas um: COMIDA.

O Dennis e a Mary serviam os pratos e explicavam os detalhes. Estava tudo muito gostoso e a atmosfera estava divina. Nós levamos o vinho, que foi dividido entre todos. O vinho que abriu o jantar foi o português tinto que eu levei e que todos gostaram. Eu bebi muito moderadamente, pois sabia que teria que dirigir de volta para Davis. Mesmo assim não deixei de beber um vinho de uma vinícola biodinâmica, que estava extremamente saboroso. Durante o jantar a Elise jogava na mesa perguntas como qual a sua lembrança mais antiga de comida ou qual a iguaria mais estranha que você adora comer, mas tem vergonha de confessar. Eu, que detesto esses tipos de joguinhos grupais e tenho horror de falar para uma aglomeração de mais de três pessoas, fico um pouco tensa. Prefiro a relaxada conversa tête-à-tête com os convivas sentados ao meu lado ou na minha frente, mas mesmo essa parte não muito divertida do jantar pra mim acabou sendo interessante, pois cada um falou da sua experiência e eu falei da minha também.

Eu gostei de quase tudo que foi servido. Até o atum semi-cru, que eu temia, estava bem gostoso, pois a porção estava micro. Só não consegui comer o ratatouille, porque ele tinha um molho e uma textura que me deu um engasgo e foi servido bem na hora que todos falavam das coisas horrorendas que não conseguem comer. Eu ouvia as declarações mais bizarras e pensava em mais coisas bizarras ao mesmo tempo que visualizava o carneiro ensanguentado nos pratos de absolutamente todos os convivas—menos no meu, pois eu implorei por bem passado. Com tudo isso rolando, o ratatouille simplesmente me deu um bleargh, mas foi a única coisa.

*seared ahi sliders with sweet potato frites and mango ketchup
os canapés de ahi tuna estavam muito gostosos, porque vieram numa porção pequena. a batata-doce estava deliciosa, nem precisou do ketchup de manga.

*gorgonzola grape galette with watercress & arugula
a salada de rúcula e agrião foi temperada com meyer lemon da árvore do jardim. estava perfeita! e da maravilhosa galette não sobrou uma farofa.

*gnocchi verdi with garden fresh pesto genovese
o gnocchi foi feito com espinafre e ricotta, sem batata. estava levíssimo. comentei com a crítica de gastronomia que esse prato deu de mil no muito semelhante que eu comi num dos restaurantes italianos mais famosos e caros daqui da região e que foi uma decepção, pesado e oleoso. o do Dennis estava perfeito, com o pesto clássico feito com manjericão da horta dele.

*rosemary rack of lamb, ratatouille ala grille, corn cakes
carneiro é aquela coisa: ou você gosta, ou você não gosta. eu acho uma carne difícil, que nem sempre fica boa, eu acho muito forte e pesada. mas gostei dessa preparada pelo Dennis com alho, alecrim, confit de limão e grelhada na churrasqueira. os bolinhos de milho estavam uma delicia e o Dennis confessou que usou um pouco de gordura de pato na massa. veio acompanhado de um dos mais delicados tapenades que eu já provei.

*grappa brown sugar panna cotta with grape gelée
muito difícil uma panna cotta ficar ruim. essa, não quebrou a regra. a geléia de fruta que acompanhou o creme me lembrou alguma coisa da minha infância.

No final fomos servidos de café e licores feitos em casa—limão, morango e café. Eu já tinha provado o de limão na casa da Elise e escolhi o de morango. A essa altura eu já estava horrivelmente exausta, não só pelo dia atrapalhadíssimo que eu tive, que se iniciou cedíssimo e que teve despedidas de amigos no aeroporto, mas também pela comilança toda. Cheguei em casa tarde da noite e ainda trouxe comigo apple butter feita pela Elise e mais favas de baunilhas que o Garrett colocou furtivamente na minha bolsa. Foi uma noite memorável, com um grupo muito bacana e uma comida excepcional.

pasta? sim, pasta!

Morar numa cidade universitária me traz grandes vantagens, como poder conhecer muita gente legal de vários cantos do mundo que vêm aqui para estudar ou trabalhar. Mas por outro lado tem a desvantagem que é ter que, de vez em quando, superar a melancolia que acompanha as despedidas. Chegou a hora de dizer good bye para uma amiga muito querida, que vai fazer muita falta no meu círculo de relacionamentos. Como todos os nossos rituais de despedida incluem comida, quis fazer um almoço para ela. Eu já tinha combinado com um amigo italiano que adora cozinhar, que iríamos fazer uma macarronada. Eu estava muito curiosa para observar as técnicas dele no preparo da massa e do molho. Colocamos os nossos planos em prática.

Usamos ovos fresquíssimos, farinha de trigo orgânica, semolina e toneladas de tomates orgânicos maduríssimos. Cozinhei os tomates um dia antes e passei pela peneira para obter alguns litros de purê. No dia seguinte começamos a função cedo. Eu e a Charlene trabalhamos duro como assistentes dedicadas do comandante da cozinha, o chef Luigi. Fizemos macarrão e três tipos de molho para dezoito comensais. Aprendi muita coisa legal com esse romano, que é do nosso time de apreciadores da comida simples, feita com capricho e com ingredientes da melhor qualidade. Ele fez o macarrão bem grosso. Passou a massa umas dez vezes pela expressura um, e depois cortou em tiras de fettucini. Nunca tinha comido o macarrão grosso assim e achei muito bom. Os molhos foram feitos de uma maneira incrívelmente simples. Eu perguntava pra ele—vai pôr isso? vai pôr aquilo? E a resposta era sempre—não, o molho de tomate italiano é muito simples. Perguntei sobre o majericão e fui aconselhada a adicionar no final do cozimento do molho, mas aconteceu que na correria das arrumações de mesa e detalhes finais das preparações, o manjericão não entrou na dança. E pra falar a verdade, nem fez falta.

Ficamos conversando em volta da mesa até as seis da tarde. Só não ficamos mais tempo porque era domingo e a segunda-feira nos aguardava impaciente e exacerbada. Foi um almoço delicioso, tanto pela comida e bebida, quanto pela companhia. Uma despedida à altura da nossa convidada especial, a amiga que vai deixar saudade.

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** fotos extras AQUI

Molho ao Sugo
Refogar duas cenouras cortadas em cubos e uma cebola picadinha num pouquinho de óleo vegetal. Pode pôr um pingo de azeite. Uma coisa que eu sempre soube sobre cebola e alho é que quando se usa a cebola, não se usa o alho e vice-versa. O Luigi só reafirmou esse ponto. Quando a cenoura estiver molinha, vai acrescentando o purê de tomate, que eu fiz fresco, usando quilos de tomates. Mas o Luigi deu a dica de misturar metade de purê de tomates frescos com metade de tomates em lata. Refogar essa mistura até o molho reduzir em 1/3 e ficar bem grosso. Acrescentar um pouco de sal grosso. Pode pôr manjericão no final, mas nós esquecemos de colocar e ninguém reparou. No final, eu acrescentei um tomate grande inteiro, picado. Segundo o Luigi, a casca do tomate dá um sabor especial ao molho. Esse molho é daqueles que não pode ser desperdiçado e exige fartura de pedaços de pão, para limpar os pratos e as panelas.

Molho de Tomate com Aliche
Nessa versão do molho de tomate, faz tudo igual ao molho ao sugo e acrescenta-se filés de aliche/achovas durante o cozimento. Como eu não tinha mais nenhuma latinha de aliche, usei uma pasta de aliche que eu às vezes uso para pôr em molho de saladas. Esse molho foi o meu favorito!

Molho de Manteiga com Sálvia
Esse molho é ridiculamente fácil. Derreta a melhor manteiga que você puder comprar numa frigideira e coloque folhas de sálvia fresca. Deixe pegar o gosto. Desligue o fogo rápido, pra manteiga não queimar. Ela deve ficar clara. Não precisa sal, pimenta, nada.

Samovar Tea Lounge

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Fomos até San Francisco para encontrar a nossa amiga Patricia, que morou aqui em Davis no ano passado e está agora nos EUA a trabalho. Além de rever uma pessoa tão querida, passamos uma tarde super agradável na cidade. Almoçamos no Samovar Tea Lounge, que era um lugar que estava na minha lista de places to go in San Francisco. O dia estava lindo, o que significa que não precisamos de cachecol, apenas um casaquinho de veludo deu pra segurar o vento. Eu teria optado por ficar no pátio, mas o Uriel e a Patricia preferiram ficar protegidos dentro do restaurante. O lugar é bem pequeno, no terraço no Yerba Buena Gardens. Nós sentamos numa mesa com banco cheio de almofadas e fizemos nosso pedido. Eu estava desembaraçada tirando fotos, o que é bem incomum. Eu tenho uma timidez um tanto irritante, que me limita pacas nesse negócio de tirar fotos em público. Mas eu estava felizona no click-click-click, quando o manager veio gentilmente me avisar que não era permitido tirar fotos no local. Fiquei espantada! E mais quando chegou o chazinho na bandeijinha de madeira e finalmente a comida, numa entrada triunfal. Estava tudo tão incrivelmente lindo, que num gesto de descarada ousadia eu chamei o manager e praticamente implorei pra ele me deixar tirar uma foto. Meu plá não colou e tive que me resignar e deixar a câmera dentro da bolsa. O rapaz foi extremamente gentil e me explicou que eles preferem que as pessoas não vejam fotos da comida, pois querem que a experiência no Samovar seja de surpresa. Realmente, ficamos com umas caras abobalhadas quando a comida chegou à mesa, pois tudo estava visualmente lindo, além de saboroso.

O Uriel pediu uma sea food bento box e um chá delicadíssimo de gengibre com laranja. A Patricia pediu o Russian tea service, que veio com panqueca [blinni] de truta defumada, russian tea egg com caviar, bergamot bread pudding, frutas frescas e lapsang souchong chocolate trufle, acompanhado de chá russo que ela mesma encheu a xícara no samovar prateado [*foto]. Eu pedi o Moorish tea service, que veio com chá de hortelã, grilled halloumi kebabs, mini mint salad, dolmas e azeitonas pretas secas, e tâmaras medjool recheadas com queijo de cabra.

Depois do almoço passeamos um pouco à pé pela cidade, e depois fomos ao Ferry Building Marketplace, que é sem dúvida um dos meus pontos favoritos em San Francisco. Fizemos comprinhas e nos deleitamos com os delicados macarons parisienses feitos à moda californiana, com ingredientes orgânicos e locais.

para beber com os amigos

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Fomos ao restaurante italiano com os dois casais de professores espanhóis. Foi interessante ouvir os comentários deles sobre a comida. Sem empáfia nenhuma, somente com aquele conhecimento de quem viaja muito, por ter mais facilidade para viajar. Nós, habitantes do vasto continente americano, ficamos embasbacados com a possibilidade de dirigir por algumas horas e mudar de país. Aqui levamos o mesmo tempo para cruzar um estado. Os espanhóis podem facilmente comer comida italiana na Itália, o que é bem diferente de comer comida italiana aqui. Mas eles gostaram, overall. Eu sugeri um vinho zinfandel para acompanhar as massas, somente porque é uma variedade muito comum na Califórnia. Na hora da sobremesa, ao invés de pedir aqueles doces meia-boca de sempre, resolvemos pegar doces caprichados do Ciocolat e degustá-los em casa, acompanhado de alguma bebida. No meu esquemão, já fui sugerindo um café, um chá? As caras não disfarçaram um muxoxo. Ah, mas vamos tomar um Porto. As faces alegraram-se. Bebericaram Porto , Amarula e Pinga de Banana. Eu fui de Pastis e o Uriel de Ginger Beer [ele não bebe mais álcool]. Um encontro assim animado, no meio da semana, não é muito comum. Conversamos muito, o Roux tentou fazer amizade com todos, até com quem disse na bucha que não gostava de gatos [taí a prova de que ele é uma criatura não muito inteligente]. Falamos até de política. O casal mais velho chegou em Davis pra fazer seu doutorado durante o Summer of Love—quarenta anos atrás. Ele nos contou algumas coisas engraçadas. Depois confessou que tinha três detalhes no seu currículo acadêmico dos quais ele não se orgulhava muito.

—meu diploma de graduação assinado por Francisco Franco; meu diploma de mestrado assinado também pelo Francisco Franco; e meu diploma de doutorado assinado pelo Ronaldo Regan!

—Ha Ha Ha Ha!

—Salud! Tin-tin! Cheers!

usando o forno solar

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No verão passado eles me prepararam um banquete no forno solar. Neste ano combinamos um chá da tarde, para eu poder provar um delicioso nectarine cobbler assado no calor do sol. Os fornos solares estão ficando muito populares e são incrivelmente eficientes. Eu tinha planejado comprar um, mas me resignei quando percebi que meu quintal tem muita sombra das árvores e que eu precisaria de uma persistência de maratonista para conseguir cozinhar nele. Mas meus amigos moram num sítio e têm espaço ensolarado abundante, o que propicia um prolifico uso dessa engenhoca genial. O forno atige a temperatura de 400ºF/205ºC e cozinha mesmo! Com os verões tórridos que temos por aqui, é legal poder aproveitar esse calor natural e economizar gás e eletricidade. O cobbler ficou delicioso. Devoramos acompanhado de um sorvete de nectarinas que eu levei e uma caneca de chá.

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Além de ter a delicadeza de dividir com os outros bloggers as centenas de favas de baunilha que recebeu do beanilla para serem testadas, ele ainda fez a gentileza de trazê-las aqui em casa. Special delivery! Que amoreco!

Agora tenho essas favas vindas do Tahiti, Madagascar e Tonga. Preciso de receitas urgente. A primeira coisa que me veio à cabeça foi um creme brulée, ou mais óbvio, um leite ou açúcar infusos com as baunilhas. Idéias? Idéias?

*acho que vou comprar uma geringonça de fazer sorvete...

Quintessa

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O Marcelo Freitas estava procurando a tradução para o português de um ingrediente em inglês, quando aportou aqui no Chucrute com Salsicha. Ninguém precisa ler todos os meus arquivos para concluir que tenho essa preferência pelos produtos naturais e integrais. Foi por isso que ele decidiu me convidar para fazer uma visita à vinícola onde ele trabalha no Napa Valley. Antes preciso dizer que o Marcelo é brasileiro e trabalha com food & wine na Bay Area desde que chegou aqui nos EUA, há quase vinte anos. Ele sabe das coisas, e não somente de qualquer coisa, mas do que é realmente bom e de qualidade.

Combinei tudo com o Marcelo, convidei um casal de amigos, ela brasileira e ele chileno, e o professor espanhol. Gente que gosta e entende um pouco de vinho e que iriam ser excelentes companhia num passeio assim. No sábado saímos cedinho em direção à Rutherford, no coração do Napa Valley, onde irìamos fazer uma private tour na Quintessa Winery.

Vinícolas abundam aqui na Califórnia. Só no Napa Valley são duzentos e cinquenta. E nós já visitamos um bocado delas, mas nenhuma como a Quintessa. A vinícola não tem aqueles chamativos todos que as outras têm. A sua estrutura física é discretíssima, mas de uma elegância ímpar. Fomos recebidos pelo nosso simpático guia, que nos levou para um dos passeios mais fantáticos que eu já fiz pela terra do vinho. As duas horas e meia que se seguiram foram cheias de surpresas e eu aprendi muita coisa sobre vinho e sobre as maneiras de produzí-lo.

Primeiro o Marcelo nos contou toda a história da vinícola e dos seus proprietários, os chilenos Agustin e Valeria Huneeus. A história da paixão deles pela cultura do vinho, ele um homem de negócios e ela uma artista e visionária cheia de idéias inovadoras, nos cativou. Ouvimos com atenção, curiosidade e admiração o relato da compra das terras, do plantio das primeiras videiras. A Quintessa pratica agricultura sustentável e biodinâmica para produzir uvas Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Ficamos especialmente impressionados com a utilização prática e eficiente dos principios da Biodinâmica, onde tudo está em harmonia, planeta, céu, terra, estrelas, lua. Eles usam um preparado homeopático feito de silica, camomila, casca de carvalho e outras ervas como pulverização contra pragas e insetos. Valeria Huneeus além de tudo pratica o Zen Budismo, então não permite que nenhum animal seja morto na vinícola, nem mesmo os peixes do lago podem ser pescados.

Nosso grupo praticamente dominado por cientistas—dois professores de engenharia agrícola e um estudante de PhD de agronomia, teve reações de incredulidade e abismamento com relação à eficiência dessas práticas naturais e não tão disseminadas. Mas a qualidade das uvas e consequentemente do vinho provou que esse tipo de agricultura é possível. Conhecemos toda a vinícola, desde os campos de vinhas, até os cellars e depois fomos conduzidos à sala de degustação, onde pudemos bebericar safras de dois anos, 2003 e 2004, acompanhados de queijos e crackers e da explicação minuciosa e erudita do nosso guia. Segundo o nosso amigo chileno, esse foi o melhor vinho que ele bebeu na vida! Realmente, o sabor era delicioso, acentuado e suave. Me senti bebendo o resultado de todo esse processo harmônico, onde levou-se em conta todos os fatores da natureza sem pensar em maximizar safras nem lucro. Baco iria aprovar.

A segunda coisa que mais me impressionou, além da vinícola em si, foi o vasto conhecimento e cultura do nosso guia, Marcelo Freitas. Foi um grande prazer ter a companhia de alguém tão versado na arte de comer e beber. Recomendo aos visitantes do Napa Valley que façam uma parada obrigatória na Quintessa. Depois dessa visita, nenhuma outra tour ou degustação de vinho será tão gratificante.

Os vinhos da Quintessa são feitos com uma mistura primorosa de variedades de uvas. Como descreveu perfeitamente o nosso guia "o vinho feito com apenas uma variedade é como um concerto solo de violoncelo. a música é suave e linda. mas o vinho feito de diversas variedades é como o mesmo concerto tocado por uma afinadíssima orquestra. é uma experiência simplesmente indescritível."

Daqui se vê a África

Minha última lembrança de praia no Brasil foi em mil novecentos e noventa e um, quando passamos férias em Ubatuba. Sentada sozinha na cadeirinha posicionada de frente para o mar, lendo e tentando não ficar muito tostada, levantei a cabeça, olhei pro horizonte e pensei—no final desse marzão está a África...

Meu marido recebeu um professor da Universidade de Córdoba, que vai trabalhar com ele por cinco meses no projeto das azeitonas. Recebemos ele para um jantar no sábado à noite e eu fiquei um pouco surpresa, pois esperava encontrar uma pessoa um pouco mais velha, de uns trinta e poucos anos. Mas o professor é um guri de vinte e nove anos, com um inglês razoável, pontuado com o sotaque forte da Andalucia. Ele falou bastante sobre a cidade onde mora com a esposa e o gato cor de laranja, Sevilla. Ele contou que tem uma oliveira no quintal e que compra vinho e azeite de pequenos produtores. Contou de como todo mundo diz que o clima de Davis é muito paracido com o do sul da Espanha, com a diferença que aqui sempre esfria a noite.

E ficou provado, pois sentamos para jantar no quintal sob as luzes das lanterninhas coloridas e esfriou mesmo. Depois da sobremesa entramos para tomar café. No menu da noite, pizza mussarela e portuguesa, azeite português na mesa, vinho português nos copos. Estava eu tentando provar alguma coisa pra ele? Não sei, foi tudo sem querer ou inconsciente. Mas ele elogiou tudo e contou que Sevilla fica muito próxima do Marrocos. Eu então perguntei se dava pra ver a África de lá e ele respondeu que sim, num dia bem claro sem névoa, dá pra ver a África...

ice cream social

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Passamos a tarde do Memorial Day na casa da Elise, em Sacramento. Ela ganhou um batch de sorvetes da Mashti Malone's de Los Angeles, todos com sabores incomuns e exóticos. Fizemos uma degustação regada a home made lemoncello e super deliciosos cupcakes. Foi muito legal reencontrar os queridos blogueiros e conhecer os simpaticissimos pais da Elise, além de conversar sobre o óbvio—COMIDA! Também comentamos exaustivamente a reportagem sobre food blogs que saiu no jornal Sacramento Bee e combinamos uma degustação de vinhos para breve.

* na foto, o sorvete de lavanda, um dos meus favoritos depois do incrível sorbert de ervas.

all about egg whites

Foi tudo ótimo! Dirigir até Berkeley papeando com Elise e Garrett, conhecer a Shuna, e aprender coisas incríveis sobre ovos, que vou com certeza aplicar no meu dia-a-dia. Passamos uma tarde agradável no restaurante Poulet, ouvindo a pastry chef falar com tanto conhecimento, e fazendo na nossa frente algumas sobremesas simplesmente dos céus. Shuna Lydon é uma mulher pequena e magrinha, mas cheia de firmeza e personalidade. Perto dela me senti uma ervilha, tal a grandeza do seu talento e sabedoria. Eu absorvia tudo o que ela falava como se fosse uma esponja. Rimos e conversamos muito, no final quando saímos da cozinha e sentamos nas mesinhas do restaurante para saborear as delícias inenarráveis feitas pela chef durante a aula, conversamos muito sobre comida e principalmente sobre blogs.

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Tem um aspecto muito interessante na a minha participação no grupo de food bloggers americano. Eu não escrevo em inglês por razões que desfio sempre que encontro com alguém pela primeira vez: eu não tenho tempo pra escrever uma versão do blog em inglês; e acho que escrever em inglês vai me transformar em simplesmente mais um blog, pois acho muito difícil traduzir com exatidão a minha personalidade na escrita do português, vou perder um pouco do meu estilo, vou ficar pasteurizada, porque definitivamente meu chucrute não é sauerkraut! Mas o mais incrível disso tudo é que quando eu digo isso, os food bloggers que escrevem em inglês concordam comigo e apoiam essa minha decisão, o que não os impede de me considerar parte do grupo e de me incluir nos encontros e eventos. Me sinto super a vontade com eles, mesmo sabendo que a maioria nem consegue me ler. Pra mim isso é no mínimo, o máximo!

* menu da aula: floating islands e pavlovas leves como plumas servidas com um bolo finíssimo de baunilha, chantily sem açúcar e molho de framboesas orgânicas. a chef também fez um marshmallow maravilhoso, que derretia na boca e tinha o perfume e o sabor adocicado do néctar de agave, que ela usou no lugar do corn syrup. divino! fiquei sem palavras...

** mais fotos AQUI.

que bom conhecer vocês!

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Sentimos falta dos que não puderam ir ao encontro e falamos sobre muitos blogueiros queridos que gostaríamos de conhecer. Foi uma pena esse encontro não ter sido realizado num final de semana, mas esse era o único jeito pra mim. Gostaria de ter conhecido mais pessoas, porque esse encontro cara-a-cara faz uma diferença incrível. Colocar um rostinho e uma voz na personalidade que já conhecemos por escrito é a cereja no topo do bolo. Eu adorei conhecer pessoalmente essas meninas lindas e prendadas que já fazem parte do meu dia-a-dia: Dadivosa, Dani, Karen, Cris, Cinara, Sonia, Camila e Luciana. Obrigada pelo encontro descontraído, gostoso e divertido! Me senti super à vontade com vocês e fiquei pensando que chato que eu moro tão longe....

* os créditos das fotos vão para a minha nora, Marianne.

na Sônia Novaes

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Chegamos na Sônia Novaes depois de ziguizaguearmos por Barão Geraldo por um tempão. Eu e minha irmã pedimos tanta ajuda para as pessoas nas ruas que a minha nora, boiando no banco de trás do carro, acabou perguntando - what's Centro Médico? - que era a nossa referência. Chegamos lá super atrasadas, mas a Sônia já estava nos esperando na frente da casa, uma simpatia, um charme! Fomos recebidas com toda a delicadeza. Quando eu entrei na sala e vi aquela maravilhosa mesa posta com um bolo de MARACUJÁ e biscoitinhos mineiros, fiquei emocionada! Estávamos com pressa, vindas do almoço de aniversário da minha mãe e com outro compromisso de jantar de família, então não pudemos ficar muito tempo lá na Sônia. Mas fomos tão bem recebidas, adoramos as coisas lindas que ela vende e já fizemos nosso Christmas shopping. Um lindo bolo sanduiche de cenoura com atum enfeitou a mesa, e comemos tudo com gosto e bebemos um chá de frutas, que eu não pude acreditar o quanto que ele era delicioso. Minha nora que é super sincera - quando não gosta fala que não gostou, devorou tudo e ainda elogiou o bolo de maracujá, comeu um monte de biscoitinhos e rapou o prato no bolo de atum. Ganhamos regalos e ouvimos muitas histórias legais. Minha irmã bebeu o café moído e passado na hora e servido na canequinha de ágata e disse que vai virar fregueza da Sônia - e como eu bem conheço a minha mãe, acho que ela também vai! Hm, que inveja, pois eu só vou poder visitá-la novamente na minha próxima viagem ao Brasil, que vai acontecer sei-lá-quando.

* Sônia, você está intimada: queremos TODAS as receitas!!

the best cupcake, and a wonderful party!

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A receita do delicioso Earl Grey & Murcott Cupcakes do Garret.

Nem preciso dizer que fiquei desde ontem em função do potluck dos food bloggers de Sacramento organizado pelo Garrett. Corri para o supermercado atrás do bacalhau. Só achei uma caixinha de meio quilo, o que agora eu acho que até teria dado para todo mundo ter um taste da receita de Bacalhoada a Gomes de Sá. Mas a exagerilda não ficou convencida que daria e comprou então uma tonelada de salmão selvagem, e decidiu preparar a tal Moqueca da Paula que sempre agrada gringos e troianos. Comprado o salmão, nem preciso dizer que sonhei com panelas e que acordei cedo e passei a manhã voando com a capa da wonder woman, fazendo mil coisas como uma enlouquecida. Fui até ao Farmers Market no último minuto, porque na minha opinião de excessivilda acho que nunca tenho ingredientes suficientes, fico sempre encucada que não vai dar para todos, essas coisas de gente obcecada. Fiz um panelão de moqueca e outro de arroz, ainda levei limões, vinho e um liquidificador pro Garrett, pois ele disse que não tinha um. Uns minutos antes de sair de casa me deu um pequeno pânico, pois na verdade eu não conhecia ninguém, só o Garrett e o Brendon, mas também só conhecia de ler os blogs. Daí fico com aquela paura nerviosa de não conseguir me enturmar, de só falar besteira, de ficar purfa dos assuntos, das pessoas não irem com a minha cara, de me sentir um peixão fora d'água, de tropeçar bem na entrada e derrubar o panelão de moqueca no carpete, ou de salgar muito, ou de esquecer de por sal, ou de ninguém comer minha comida, ou de alguém achar um cabelão boiando no molho, ou da moqueca dar caganeira nos convivas, tudo isso, ou nada, deu pra dar uma abalada geral e até passar pela cabeça - por um segundo - de me fingir de morta e não ir. Mas fui, porque disse que iria e porque queria muito conhecer o Garrett, que eu acho um cara super legal e divertido.

Cheguei lá carregando os panelões, tentando não suar, nem descabelar, e fui tão bem recebida, conversei com quase todo mundo, falei pelos cotovelos, fiz mil perguntas, falei altão na frente de todo mundo - coisa raríssima de alguém me ver fazer calmamente, sem quase desmaiar de nervoso - falei do Chucrute com Salsicha, dei os ingredientes da moqueca, que todo mundo comeu e gostou. Eu também comi muito, e bebi um tantinho além do que devia, fui fotografada rindo com todos os meus dentões à mostra - forçada pela Elise, que é uma simpatia, muito diferente da figura séria que eu achava que ela era. Mike Dunne, o crítico de vinhos do jornal de Sacramento também estava no nosso potluck, e eu adorei a esposa dele com quem conversei muito, e a salada de agrião com pêra que eles levaram, que apesar deles avisarem que tinha alho, eu comi. Ouvi algumas histórias legais, como a da Madeline que escreve sobre a Rachel Ray, da Jennifer e seu Sacotomato e da fethiye e seu Yogurt Land. Acho que eu não peguei o nome de todo mundo, minhas fotos ficaram uma droga porque eu bebi e a bateria acabou antes da comilança começar - isso sempre acontece comigo! Acho que vamos ter um encontro desses duas vezes por ano, no outono e na primavera. Eu adorei participar desse, mesmo sendo o único blog numa lingua estrangeira, que quase ninguém lê, embora alguns desejem ler. Eu me desculpei e expliquei que sou lazy, sou teimosa, e só consigo chucrutar em português, I just can't help it!

Moqueca de Salmão da Paula

A Paula foi minha amiga nos anos que moramos no Canadá. O marido dela, professor da UNB, fazia um PhD em Engenharia Civil e o meu fazia o dele na área de Engenharia Agrícola. A Paula era uma baiana, migrada pro Ceará e exilada em Brasília. Ela cozinhava muito bem, e daquele jeito farto, muitos pratos na mesa, muita comida, tudo com ingredientes frescos, tudo feito do zero, nada de coisas semi-prontas, microondas, pózinhos que viram suco. Ela comprava uma cestona de laranjas numa terra onde as laranjas vindas do estado de Washington eram vendidas por unidade. A Paula fazia suco de laranja espremido fresquinho em pleno inverno de Saskatchewan, o que deixava os canadenses totalmente pasmos. Ela tinha um freezer desses horizontais, onde ela armazenava pão de queijo, que ela fazia pra servir bem quentinho a qualquer hora que chegasse uma visita. Com ela eu aprendi a fazer uma moqueca adaptada ao hemisfério norte, e que se tornou um coringa nos meus jantares para impressionar a gringaiada. Na terra do salmão, a Paula fazia essa moqueca, que ficava simplesmente deliciosa.


Moqueca de Salmão da Paula

Cortar um salmão em postas.
Lavar e temperar com:

1 cabeça de alho
4 colheres de sopa de suco de limão
1 1/2 colher de sobremesa de sal grosso
Bater tudo no liquidificador e então misturar:
2 colheres de sopa de páprica doce
1 1/2 colher de sopa de cuminho em pó
1 colher de sopa de pimenta do reino

Passar esse tempero nas postas de salmão e deixar macerando por no mínimo duas horas, melhor ainda se for de um dia para o outro, dentro da geladeira.

Numa panela grande fritar bastante alho no azeite. Apagar o fogo e acrescentar bastante cebola cortada em rodelas, tomate em fatias e pimentão. Vai colocando em camadas. Colocar as postas de peixe temperadas por cima. Colocar outra camada de cebola, tomate e pimentão. Regar com bastante azeite. Salpicar com cebolinha e bastante coentro fresco picado. Jogar uma lata de leite de coco e colocar novamente no fogo. Cozinhar por mais ou menos uma hora. Servir com arroz branco.

* pode colocar batatas por cima de tudo.
** pode acrescentar azeite de dendê - para quem está acostumado.
*** pode fazer no forno, numa forma com tampa, que possa ir ao fogo para fritar o alho.

food bloggers in Davis, CA

Eu leio muitos food blogs em inglês. Alguns estão bem próximos de onde eu vivo, como os de San Francisco. Mas não sabia de nenhum aqui na minha cidadezinha, uma pequeno university town de 60 mil habitantes. Mas a Ines me passou o endereço do Something in season, o food blog do Brendon que, como eu, também vive em Davis, Califórnia e escreve sobre comida. É muito legal poder ler alguém escrevendo sobre as coisas e lugares que eu conheço e frequento. Como o Farmers Market ou o Mishka's Cafe, um dos inúmeros "free wi-fi hotspots" da cidade, que vive cheio de estudantes plugados nos seus laptops, geralmente tentando estudar. Eu não sou uma bebedora de café, mas vou bastante ao Mishka's para um chá - que eles têm das melhores variedades de folhas soltas - ou para uma italian soda.




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