[ r e s u m o ]

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Ficou tudo meio paradão por aqui, espero que ninguém tenha reparado, porque já estou empenhada limpando a poeira e as teias de aranha. Tivemos um pequeno hiato porque decidimos ir para o Brasil no ultimo minuto antes do Natal e poder passar os feriados com a família depois que meu pai adoeceu. Foi uma decisão correta, mas a viagem foi expressa, somente para cuidar de assuntos familiares. Aproveitei também para ver meu filho que já estava lá e passar uns dias com ele, antes dele embarcar para outra parte da sua aventura brasileira. Graças à disposição dessas meninas de dirigirem até Campinas para nos ver, tivemos um encontro ultra auspicioso com as queridas amigas Roberta e Maria Rê no dia seguinte da minha chegada. Depois disso só consegui ver membros da família. Tivemos um Natal tropical mega improvisado e atribulado, partimos no último dia do ano com tempo de chegar na Califórnia antes do inicio de 2014 e passar a virada dormindo. O ano começou diferente e apesar de eu estar ainda um pouco cansada, outro tanto emocionada, tenho certeza absoluta que este novo ano será muito bom. Estou positiva e antecipando muitas coisas bacanas que estarão vindo em nossa direção!

[ t h a n k f u l ]

thanksgiving kitchen
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minha cozinha na manhã do Thanksgiving

treze de abril

Não nos importamos de dirigir até San Francisco num sábado pela manhã, porque adoramos visitar a cidade e neste dia iríamos reencontrar nossos primos de Atlanta que estavam passando uns dias na Califórnia. Fizemos uma visita à região do Japantown, que naquele final de semana estava em polvorosa por causa do Cherry Blossom Festival. Passeamos pelas ruas movimentadas, encaroçando em lojinhas, assistindo alguns shows e demoramos um pouco para achar um lugarzinho pra comer. Olhamos no Yelp e demos com a cara na porta de um restaurante que parecia muito bom, mas que ao invés de estar servindo comida estava vendendo todas as suas cerâmicas e encerrando suas atividades. Escolhemos então na base do unidunitê, o lugar menos cara de território de turista e entramos. O Juban é um daqueles japoneses-coreanos com uma grelha embutida na mesa pra você mesmo fazer seu ranguinho. Além do mais, assim que chegamos tagarelando em português uma das garçonetes veio se apresentar. Era uma brasileira. Ou melhor, um brasileiro. No restaurante japonês em San Francisco fomos atendidos gentilmente por um travesti paraibano chamado Silva. Eu achei ela muito linda e prestativa, pois ainda nos deu várias dicas valiosas para quem nunca tinha entrado num lugar como aquele. Perguntamos se vinha muita comida e a Silva nos fez gargalhar respondendo com seu sotaque charmoso—aqui tudo é pouco, só o gerente que é muito! [whatever that means, hahaha!] Eu pedi um prato com fatias de carne cortadas super fininhas, que vieram cruas e temperadas com molho, acompanhadas de legumes também crus, arroz branco e vários tipos de pickles e kimchi. Foi divertido cozinhar nossa própria comida na grelha da mesa. E pra completar ainda bebemos uns drinks bem coloridos e refrescantes que vinham num copão torto.

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SF in familytrees of fall

Depois do almoço fomos, por escolha da nossa prima, visitar um dos landmarks de San Francisco—o Alamo Square, onde ficam as Painted Ladies, as famosas casinhas vitorianas mundialmente conhecidas e amplamente fotografadas. O parque é pequeno, mas muito gostoso pra fazer caminhadas, embora naquele dia o vento estivesse particularmente inclemente. Tiramos as fotos que todos tiram, enquanto muitos grupos faziam picnic no gramado do lado mais popular do parque.

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Como os nossos primos combinaram de encontrar amigos que também moram por aqui, acabamos num grupo relativamente grande para jantar e eu tive um pouco de dificuldade para achar um restaurante bom na cidade que fizesse reserva e acomodasse um número grande de pessoas. Depois de muita buscar por algo no Yelp e no Open Table achei um restaurante turco em Potrero Hill, chamado Pera. O lugar é bem agradável, o serviço atencioso e a comida estava muito boa. Como todo mundo queria conversar com todo mundo, facilitamos pedindo várias bandejonas com diferentes appetizers que dividimos entre nós. Não reparei no que os outros pediram, mas todo mundo elogiou a comida. Eu pedi o especial da noite, que era um filé de habilut. Bebemos um chenin blanc da vinícola Dry Creek em Clarksburg que estava tão bom que acabei bebendo mais do que devia, por isso não tem quase nenhuma foto das comidas, só um clique aqui e outro ali. Uma pena, porque os pratos eram lindos. Finalizamos tudo com chá e café turco. Depois fomos para o hotel beber cocktails e conversar mais. Queremos muito que nossos primos venham para cá mais vezes, porque é sempre muito divertido estar na companhia deles.

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fui & voltei

Na ida o tormento é não dormir e ficar rolando na cama até 2am. Na volta o tormento é o cansaço que me deixa pesada e me leva pra cama às 7pm. O jet lag é sempre brutal nessa época, por causa das 6 horas de diferença entre a Califórnia e São Paulo. Mas logo estarei recuperada da minha rápida passagem pelo Brasil, quando fui para o aniversário de 80 anos da minha mãe. Infelizmente desta vez não consegui me organizar para fazer quase nada, não arranjei quase encontros, nem vi muitas pessoas. Mas fiz algumas coisas legais e vi algumas pessoas muito importantes que eu não via há décadas. Não comi churrasco, nem quibe, nem esfirra, nem mandioca, nem bebi caipirinha. Mas comi pastel, farofa, carne seca, torta de bacalhau, pão de queijo, arroz & feijão, me enchi de banana prata e maracujá doce, chupei laranja lima e bebi tubaína. Minha mãe dividiu comigo todas as manhãs um magnifico suco verde que ela faz com legumes, frutas, raízes, castanhas e brotos—um pingo de azeite para ajudar na absorção dos nutrientes. Foi isso que me manteve saudável nos primeiros dias, quando o jet lag me fez perder até o apetite. Sem falar no calorão, que conseguiu me nocautear num dos piores dias. Foi uma visita rápida, mas em breve estarei de volta. Só não garanto que será durante os meses de verão.

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Este foi o primeiro jantar de Thanksgiving completo que fiz sem substituir o peru por bacalhau e convidando amigos, não só improvisando algo para a minha micro família. É trabalhoso cozinhar um cardápio com tantos ítens, mas com a ajuda do meu atencioso marido que deu duas mãos nas preparações e na limpeza, correu tudo relativamente bem. Aproveitamos muito o dia na companhia do Gabriel e dos nossos amigos Leila, Peter e Christopher. E o jantar ficou muito bom. Fiz cranberry sauce, batata doce caramelizada, batata roxa cozida, farofa de milho, farro com cogumelos e espinafre, purê de batata, salada de folhas verdes com laranja e romã e o imprescindível peru, que foi marinado no vinha d'alho coberto com fatias de bacon e assado coberto por quase quatro horas. Para beber vinho petite sirah local e prosecco. De sobremesa, gelatina de cranberry e maple, cheesecake de abóbora e chocolate e torta de maçã feita pela Leila com as maçãs colhidas pelo Christopher. Estava tudo uma delícia. Many thanks e vamos repetir essa festa no próximo ano.

San Francisco [express]

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No segundo dia do passeio com nossos primos, chegamos ainda mais tarde em San Francisco. Estando na minha companhia não é permitido fazer nada na cidade sem antes passar pelo Ferry Building Marketplace. Aproveitamos para fazer nosso almoço tardio ali mesmo, escolhendo comidas entre o il Cane Rosso e o Gott's Roadside, lugar de hamburguer que sempre agrada aos mais jovens [e outros nem tanto]. Depois da sobremesa no Miette, atravessamos a rua para pegar o cable car na California Street, a linha que percorre o Financial District, Chinatown, Nob Hill até a Van Ness Avenue. Fomos e voltamos descendo em Chinatown, onde basicamente só caminhamos pelas ruas apinhadas de gente, entrando e saindo de lojinhas—atividade divertida que eu chamo desde sempre de "encaroçar". De carro fizemos o doloroso e congestionado percurso dos piers até a marina e terminamos o passeio no caminho do Crissy Field, embaixo da Golden Gate bridge. O sol já estava se pondo, por isso decidimos achar um restaurante ali por perto. Os visitantes escolheram jantar comida indiana, então o Yelp me recomendou um lugar no Richmond District chamado India Clay Oven. Um indiano como outro qualquer, nada de cair o queixo, mas estava bom. Deixamos nossos primos num hotel perto do aeroporto de San Francisco e voltamos para casa. Apesar de curto e corrido, eles gostaram muito do nosso passeio expresso.

Napa Valley [express]

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Nossos primos de Atlanta estavam a caminho de férias no Havai e deram uma parada na Califórnia para passar dois dias conosco. Fazia uns três anos que não nos encontrávamos, então gastamos muito tempo conversando. Dividimos o grupo em dois, os adultos na nossa casa em Woodland e os adolescentes na casa do Gabriel em Davis. Na organização do tempo com todo mundo acordando tarde e estendendo a conversa na mesa do café da manhã, mais os banhos e agrupamentos saindo de uma única cidade, acabamos chegando tarde para os nossos dois passeios. O do primeiro dia no Napa Valley, chegamos à uma da tarde e tivemos que condensar a programação ao máximo porque as vinícolas fecham entre 5 e 6 pm. Decidimos visitar apenas duas—a Mondavi, por razões óbvias e a Beringer, porque é uma das mais bonitas e fica bem no centro do vale. Dois clássicos do Napa. Na Mondavi fizemos o tasting dos vinhos vintages e reserve. Na Beringer fizemos o tour com tasting. Para um almoço rápido entre as vinícolas pegamos sanduíches, bebidas e chocolates no Dean & Deluca e depois de visitar a cidadezinha de Calistoga, voltamos para St Helena onde jantamos no Tra Vigne. Fizemos esse passeio com a cachorra Boo que está hospedada neste mês de agosto na casa do meu filho. Na vinícola Mondavi ela teve que ficar no carro, mas na Beringer as moças da recepção ficaram alegremente cuidando dela e no Tra Vigne ela não somente foi bem-vinda como recebeu um pote com água pra se refrescar. Até ela aproveitou muito o nosso passeio expresso.

almoço pro meu filho

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Fiz um almoço pro meu filho e a namorada no domingo, porque ainda não tínhamos feito um encontro para conversar depois que eles voltaram do Brasil, no inicio do mês. Também foi uma boa oportunidade para ver as fotos que ela tirou lá. Preparei quase tudo com antecedência, para não ficar toda esbaforida na cozinha no dia do almoço. Fiz uma comida bem simples, como meu marido gosta de dizer—tudo muuuuiiitoooo simples! só que ela ficou cinco horas na cozinha! É assim mesmo, pois faço tudo do zero e faço tudo sozinha. Quis fazer outro cuscuz paulista, mas desta vez usei palmito no lugar do camarão. Ficou delicioso, nem vou mentir. Sempre faço carne ou frango quando meu filho vem comer em casa. Desta vez eu tinha uma peça bem grande de chuck steak [grass-fed] e fiz essa receita de carne assada ao molho de vinho. Pra acompanhar e ajudar a sorver o molho, fiz os facílimos yorkshire pudding, que minha nora [uma californiana filha de ingleses] chamou de "yorkies". Pra acompanhar, duas saladas refrescantes—uma salada de laranja vermelha e erva-doce que fiz desta vez sem as nozes e uma variação da sempre presente salada de batata com iogurte, que fiz somente com sour cream, limão meyer e salsinha fresca. O vinho que acompanhou essa refeição foi um Cabernet Sauvignon da vínicola Beringer. A sobremesa foi algo bem especial e a receita vem a seguir.

O Natal em Columbia

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O vilarejo de Columbia fica num parque histórico estadual e faz parte da rota da corrida do ouro, no condado de Calaveras. Lá todo dezembro, celebra-se o natal dos mineiros. Chegamos um pouco tarde para o segundo dia do evento e perdemos algumas das atrações. Mas mesmo assim deu pra fazer muita coisa. As crianças adoraram a peneiragem para achar ouro e pedras [preço do ingresso variando conforme a ambição de riqueza do pequerrucho] e decoraram velas, que era um dos artesanatos mais populares em 1850. Também andamos de stagecoach, a famosa diligência do velho oeste que nos levou por estradinhas íngremes pelo meio da floresta, com direito a assalto com bandido vestido a caráter. Pra quem se inscreve com antecedência, tem a disputada confeção das candy canes—um dos doces mais tradicionais do Natal. Nós só pudemos olhar pelo vidro. As crianças ganharam moedas de chocolate do Father Christmas e nós bebemos café feito na fogueira, onde os mineiros também assavam castanhas e amendoim e contavam histórias para os passantes. E tinha o ferreiro, os bombeiros, as mercearias, os bares, a livraria, as maravilhosas lojas de doces, a estação da carruagem, o jornal, o hotel, o dentista, a loja chinesa, eteceteráeteceterá. Um lugar super gostoso pra se passar uma tarde, com ou sem crianças.

os ares do natal

perto do Natalperto do Natal
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Parei tudo porque tinha que me preparar para a chegada da minha irmã. Parei tudo novamente porque ficamos no trancetê, fazendo coisas por aqui e por lá. Este ano resolvi que teria uma árvore de Natal de verdade, por causa dos meus sobrinhos. Então fomos numa fazenda de árvores em Placerville escolher a nossa. Foi legal ver como eles cortam e embalam uma arvorezona, que vem bem amarrada no teto do carro. Comprei até uns enfeites novos e as crianças fizeram a decoração. A árvore é gigantesca, tivemos até que cortar um pedaço extra, porque o pessoal da fazenda deixou muito grande. Precisava mesmo de muitos ornamentos. Ainda está faltando colocar as luzinhas, por isso não tirei uma foto legal. Também fomos numa celebração de Natal numa cidadezinha histórica do tempo da corrida do ouro californiana. Fotos virão a seguir. Jantamos numa pequena cidade na serra e na saída paramos numa vinícola que teve a idéia mais genial do mundo—eles disponibilizam sofás em volta de fire pits e aquecedores à gas, além de deixarem cestas com mantas macias e quentinhas por perto. Sentamos lá para beber vinho e comer sobremesa. No outro dia almoçamos no Chez Panisse, as crianças foram patinar no gelo no Embarcadero em San Francisco e depois fizemos um passeio básico no Ferry Building. É claro que estou cozinhando, mas como este não é um blog exclusivo de receitas, elas vão reaparecer somente quando eu regressar à minha rotina. Para quem passa por aqui, quero já ir desejando um Feliz Natal. Porque já estamos quase lá e antescedo do que em tempo algum.

the feast

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Acho que nunca comi tanto numa ceia de Thanksgiving. Estava tudo delicioso, em especial um prato feito com vagens, cogumelos e um crisp de pão por cima. O segredo deve ter sido a gordura do bacon que foi usada para refogar os legumes. Como de costume, fomos convidados para a ceia preparada pelos nossos amigos de longa data, que consideramos como família. Isso porque eles realmente foram nossa família durante os anos em que nossos filhos estiveram juntos. Eu fiz as sobremesas—o clafoutis de cranberry e nozes que já brilhou neste palco iluminado umas semanas atrás e uma torta de abóbora com chocolate, receita da Martha S. que foi o maior sucesso do jantar e que vou publicar aqui em breve. Fora isso não cozinhei mais nada. Essa pose de cozinheira pimpona foi só pra exibir o avental vintage feito a mão [little house on the prairie] que ganhei da gentilíssima anfitriã—e que também tem a casa mais fotogênica que conheço. Foi uma delícia de thanksgiving e sou muito grata por isso!

muito bem comemorado

tsurprise

Chegamos em casa vindos de Berkeley e quando abri a porta vi todos os meus amigos lá dentro gritando ((( SURPRISE!!!! ))). A casa estava toda decorada, a cozinha cheia com comida do meu restaurante favorito em Davis, bolos da melhor chocolatier de Sacramento, minha familia conectada em grupo pelo skype. Foi uma festa super bacana, magnificamente orquestrada pelo meu marido. Não desconfiei de absolutamente nada e tive a maior surpresa da minha vida. Foi a minha primeira festa surpresa e adorei a experiência. It was absolutely fabulous!

sábado, 1 de outubro de 2011

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Para comemorar o meu aniversário, escolhi sem pensar muito almoçar no sempre impecável Chez Panisse. O norte da Califórnia tem uma abundância de restaurantes fantásticos, mas escolhi ir nesse mais uma vez, porque o lugar tem tudo a ver comigo. É sofisticado na qualidade dos ingredientes, mas é informal no ambiente e no serviço. A comida é deliciosa e simples, preparada com extremo capricho e cuidado nos detalhes. Lá me sinto comendo em casa ou na casa de alguém muito legal.

Pedi uma sopa de pimentão vermelho com um creminho de erva-doce, o halibut com milho doce e tomatillo e uma torta de figos perfeita. Adorei o vinho branco californiano que escolhi e dividi com meu filho e minha nora—um blend não filtrado da região da Sierra Foothills. O vinho, que era turvo e tinha um aroma de maçã, harmonizou perfeitamente com o peixe.

almoço para três

Este foi um almoço de domingo em família, o que não é extremamente comum por aqui. Mas quando isso acontece, quero sempre caprichar. Embora nesse dia não tenha dado tempo de fazer nenhuma sobremesa, o rango principal ficou bem sortido e saboroso. Fiz um peixe, um prato com batatas e outro com as estrelas da estação—os aspargos, que só reguei com azeite, salpiquei com salo marinho e raspas da casca da laranja vermelha e levei ao forno [alto] até ficarem bem molinhos, mas não muito.

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As batatas, que cortei em rodelas sem descascar, também foram ao forno [alto]. É só adicionar um limão cortado em fatias bem finas, temperar com sal marinho, pimenta do reino e azeite e assar até as batatas ficarem bem tenras. Dá pra servir quente, morno ou até mesmo frio.

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Para o peixe, usei uns filés de linguado e preparei seguindo esta receita da Amanda Hesser, com manteiga e laranjas vermelhas [blood orange]. Ficou bem gostoso e acho que nem teve sobras.

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3/4 xícaras de caldo de legumes ou de frango [usei de legumes]
1/4 xícara de vinho branco
1/4 xícara de suco de laranja vermelha [ou laranja comum]
1 colher de sopa de suco de limão
1 echalota picada
7-8 grãos inteiros de pimenta preta
1 quilo de filé de pescada
5 colheres de sopa de manteiga sem sal
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

Numa panela misture o caldo, o vinho, os sucos de laranja e de limão, a echalota picada e os grãos de pimenta. Leve ao fogo médio e quando ferver coloque os filés de peixe nesse liquido, com a ajuda de uma espátula larga. Cozinhe o peixe por uns 3 minutos, remova, coloque numa travessa e mantenha num lugar aquecido.

Aumente o fogo e deixe o liquido reduzir em 1/4 de xícara, por mais ou menos uns 12 minutos. Remova do fogo e vá adicionando as colheres de manteiga, uma de cada vez, e batendo com um batedor de arame. Tempere com sal e pimenta , jogue o molho sobre o peixe na travessa e decore com gomos de laranja vermelha cortados em pedacinhos. Sirva imediatamente.

a casa da tia

Durante a minha infância, o melhor passeio que existia era visitar a casa das minhas tias. Cada qual com seu jeito diferente, todas me encantavam com suas casas e seus estilos de vida diferentes. Numa delas era o lugar da farra, das brincadeiras impensáveis de se fazer na minha casa, na liberdade total, na comida caseira, nos bolinhos da tarde. Na outra era a sofisticação e fartura intelectual, livros, discos, quadros nas paredes, arte espalhada pela casa, mil histórias sendo contadas, discussões inteligentes, comida sofisticada. Noutra era o estilo, a modernidade, as dicas de estética e beleza, as piadas que me faziam chorar de rir. Cada uma das minhas tias tinham certas qualidades que me atraiam.

Agora ouço os meus irmãos dizerem que meus sobrinhos amam a minha casa e adoram vir me visitar. Eu me sinto tão feliz com isso, pois sei o quanto é mesmo gostoso ficar hospedado na casa da tia. Nem que seja pra ficar fazendo nada, só vendo tevê, lendo revista e ouvindo o convercê dos adultos.

o impecável Chez Panisse

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Seguimos por um caminho diferente, um pouco mais longo e tortuoso, mas a estrada estava tranquila e chegamos em Berkeley com tanto tempo sobrando que conseguimos estacionar com calma e ainda passar no The Cheeseboard e comprar uns brioches. Entramos no primeiro piso do prédio onde fica o Chez Panisse e a primeira coisa que se vê é o movimento na cozinha do restaurante, onde os chefs e auxiliares preparavam o jantar que seria servido à noite. Nosso almoço era no café, então prosseguimos pela estreita escada que leva até o andar superior. Estava um dia tipico de inverno, frio, nublado e chuvisquento—basicamente desconfortável. E já estávamos com fome, o que só adicionava mais desconforto ao desconforto. Mas pisar no espaço mistico do Chez Panisse muda tudo. O restaurante tem uma atmosfera tão deliciosa, que é impossível não se sentir a vontade e feliz lá dentro.

Mesmo tendo chegado um pouco adiantados, já fomos levados até a nossa mesa—um booth extremamente confortável localizado bem em frente da cozinha aberta e do forno de pizza. Foi tão bom sentar ali, num ambiente super quentinho, aconchegante e convidativo. Pedimos vinho, um Zin do Alexander Valley, água com gás e azeitonas, que já fomos devorando junto com o pão com manteiga. Depois pedimos nossas entradas, eu uma brandade de bacalhau numa fatia de pão tostada no forno a lenha e acompanhada de uma saladinha de rabanete, erva-doce e chervil. Meu irmão Carlos e o meu filho Gabriel comeram carpaccio que até eu, a chatoronga que não come nenhuma carne crua, experimentei. Depois eu e o Carlos comemos uns pacotinhos de linguiça envolta em repolho, acompanhados de lentilha com chaterelle e fitas finérrimas de batata frita. O Gabriel comeu frango com radicchio e purê de abóbora. Nossa sobremesa foi sherbet de grapefuit e bolo de chocolate. Esses eram alguns dos pratos do dia, daquela terça-feira, onze de janeiro. Tudo preparado com produtos locais e sazonais de excelente qualidade, a marca registrada do Chez Panisse. Tudo absolutamente simples e incrivelmente saboroso. Durante todo o almoço nossas caras demonstravam uma imensa alegria e satisfação. Não sei quantos hmmms pronunciamos, neste almoço memorável que fizemos em família, para celebrar as possibilidades de um ano realmente promissor.

foi tudo bem simples

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Eu cozinhei o dia inteiro, porque não tenho, não tive ajuda. Pela manhã o pessoal da limpeza chegou e me pegou descascando as castanhas portuguesas. A visita deles era imprescindível e foi muito aguardada. Casa limpa para mim é essencial. Mas na cozinha fiquei mesmo sozinha. E fui devagar fazendo as receitinhas—marinei uma costela de cabra num molho de vinho, alho, limão e ervas que depois foi assada coberta com papel alumínio por quatro horas, fiz um pudim inglês de castanhas portuguesas e chocolate e um bolo de gengibre*, depois preparei tâmaras recheadas com queijo de cabra e amêndoa [reprise de outros carnavais], fiz uma bandeja com queijinhos, torradinhas, azeitonas castelvetrano e chips de maça, assei beterrabas vermelhas e amarelas para fazer uma saladona temperada com óleo de nozes, cozinhei com ervas o flageolet, o feijão verde francês que combina muito bem com carnes fortes como a de carneiro ou cabra, preparei um pesto de cranberry e pistachos para fazer com a couve de bruxelas, também preparei cranberry sauce e uma saladona com alface romana, laranja, maça e raiz de salsão. Bebemos cava com os antepastos e um vinho chileno especial que ganhamos de presente de uma amiga com a refeição. Foi tudo bem simples, mas muito gostoso na nossa pequena ceia de natal, cujas sobras viraram almoço no dia seguinte. *receitas das sobremesas virão logo a seguir.

a hora do lanchinho feliz

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Tão fofinho esse menino, fazendo um lanchinho na casa da vovó. A mamãe é meio tchonga e não lembra de muitos detalhes, mas ele deveria ter uns 2 aninhos e a vovó colocou ele sentado na escadinha de alcançar coisas no armário e amarrou um avental como se fosse um babador pra ele não sujar a camisa. Mas ele estava mesmo era interessado no bolinho [ou seria pãozinho?] e em fazer carinhas engraçadas para a câmera do vovô. Gabriel—circa 1984.

é sempre bom agradecer

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Em exatamente uma semana teremos as celebrações do Thanksgiving por aqui. Esse é, sem a menor dúvida, o meu feriado favorito no ano. Troco dez Natais por um Thanksgiving. E vou dizer porque. É que me sinto uma privilegiada por tudo o que tenho, nem preciso listar aqui, mas garanto que é muito. E por isso acho super importante esse negócio de agradecer. Nem precisa ser nada formal, um pensamento apenas basta—putzgrila, muito obrigada por tudo!

Neste ano não vai ter nada de especial. Nem mesmo o infalível peru. Decidi que não quero lidar com sobras, portanto vou assar um frango caipira, que abocanhei outro dia no Co-op e que guardei no congelador para esperar uma ocasião especial. Nosso esquema de Thaksgiving mudou um pouco, depois de quase dez anos de celebrações realizadas na casa da ex-sogra do Gabriel. Com ela aprendi muitas maneiras de apreciar essa festividade.

O Thanksgiving pra mim tem a cara do outono, que aqui é demorado, lindo e está no seu ápice no final de novembro. Nessa época estamos inundados pelas mais lindas cores de amarelo, vermelho e dourado. E apesar de já estar frio, ainda não está aquele cinza úmido miserável do inverno. É um momento realmente especial e muito auspicioso, que junta uma tradição culinária, com uma reunião de família. Comidas gostosas, calor humano. O dia de dizer obrigado está chegando e apesar de ainda não ter muitos planos esquematizados, eu já estou entrando no clima de antecipação e animação.

5 anos fechados
[com chave de ouro]

Festanças não são muito a minha praia. Mas eu gosto de marcar e relembrar as datas, principalmente as comemorativas. E este ano juntaram-se várias numa curta sequência. Quando me toquei que o aniversário de cinco anos do Chucrute com Salsicha estava se aproximando, nem esquentei a cachola pensando no que iria fazer para celebrar. Eu iria estar no Brasil, mais precisamente em São Paulo e com amigas blogueiras, exatamente no primeiro de novembro—o dia auspicioso em que iniciei este promitente blog.

Chucrute no BrasilChucrute no Brasil
Chucrute no Brasil
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Chucrute no Brasil

As outras datas celebrativas que precederam brevemente o aniversário do Chucrute e que determinaram que eu entrasse num avião e mudasse de hemisfério, foram o aniversário de 80 anos do meu pai e o de 50 anos de casamento dele com a minha mãe. Toda família compareceu, tivemos festa, festão e festinha na comemoração de duas datas importantíssimas para nós. Passei uma semana e meia aproveitando a companhia de todos da família e revendo e conhecendo novos amigos. Conheci a querida blogueira Luciana Betenson que veio encontrar-se comigo em Campinas, ri muito com minha irmã e o amigão dela, o Calil, revi a Sandra, minha alma gêmea ativista dos orgânicos, bebi cházinho com bolo de azeite e alecrim feito para mim pela minha irmã, comi feijoada, galinha caipira com quirera, goiaba, pitanga, todas as bananas que pude engolfar, laranja lima, manga, pizza do Bráz, pão de queijo assado na folha de bananeira e linguiça feita em casa pela minha prendada cunhada Patrícia, comi requeijão, goiabada, doce de figo, bebi drinks sem alcool com minha mãe, ouvi meu pai falar de política, visitei a fazenda orgânica Yamaguishi com minha mãe e meu irmão, curti todos os meus sobrinhos, desde os que sobem em árvore, fazem tricô, curtem futebol, tocam música, dançam balé, me preparam deliciosos bolos, até os que adoram salada e plantam hortinha na varanda. Também convivi com todos os cachorros da família e dos amigos. Fui aos supermercados convencionais e orgânicos, hortifruti, mercearia, vendinha, padaria, açougue, peixaria.

Chucrute no Brasil
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Me despedi da minha família um pouco mais cedo, para poder passar três dias em São Paulo, revendo e conhecendo amigos, experienciando um pouco da diversidade da cultura gastronômica da cidade. Fui recepcionada pela minha querida amiga Roberta, que me tratou como uma rainha—nunca vou conseguir agradecer o suficiente tanto carinho e cuidado! Com ela e o Antônio, mais minha irmã, meu cunhado e sobrinhos, comi comida mineira levinha, pastelzinho recheado com carne seca, bolinho de mandioquinha com queijo, couve refogada, caldinho de feijão e uma farofa de maracujá que nunca vou esquecer. Também com a Roberta fui encontrar com o queridíssimo Gui Bracco no restaurante Moinho de Pedra, onde também conheci a chef Tatiana Cardoso [e ganhei o livro dela autografado]. Depois passamos na chocolateria Valrhona, onde papeamos muito mais e também encontramos a Beth V. À noite brindamos os cinco anos do Chucrute informalmente num jantar encantadoramente Dadivoso na casa da Fernanda Zacchi e na companhia da Mariana Newlands, Roberta, Mr. Dadivoso e a linda cachorra Frida. No dia seguinte passamos no Lá da Venda, onde conheci a simpatica chef Heloisa Barcelar, bebi Turbaína e almoçei pastelzinho de massa de milho e picanha com purê de banana da terra na companhia da Roberta e da fofíssima Maria Rê. Passamos a tarde num papo tão bom, que nem vimos as horas passarem. À noite jantei no sofisticado restaurante Maní com as amigas Lena Gasparetto, Faby Zanelati e Daniela Fonseca. E meu último dia em São Paulo passei com a querida Neide Rigo, que me serviu suco de bacuri da Ilha do Marajó, me levou de trem para o Mercado da Lapa, onde comi açaí com banana e creme de cupuaçú, depois fomos de ônibus até o centro da cidade, onde almoçamos no restaurante Tordesilhas. Esse lugar foi para mim no mínimo, o máximo, pelo ambiente, decoração e comida especialíssima, mas também por causa da chef Mara Salles, que juntou-se à nós, na companhia da sua mãe e me ensinou sobre a abobrinha brasileira, falou um bocado de coisas legais sobre sustentabilidade e ainda nos serviu um delicioso licor de Baru. Saí do Tordesilhas encantada com o que vi, ouvi e comi e de lá segui tristemente para o aeroporto, acompanhada e guiada mais uma vez pelas queridas Roberta, Maria Rê e Neide Rigo que ficaram comigo até quase a hora do embarque.

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Chucrute no BrasilChucrute no Brasil
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Os cinco anos do Chucrute com Salsicha não teve [nem vai ter] comemoração formal, com bolo, fogos de artificio, relatos nostálgicos. Este blog é o que é, porque eu sou quem eu sou. E tudo o que fiz até hoje resultou numa rede de amizades inestimáveis, que me faz sentir privilegiada por ter tido a oportunidade de manter e estreitar esses laços. Não consegui ver e rever muitas outras gentes queridas, mas sei que não irão faltar oportunidades num futuro breve. Mais visitas virão com certeza, mas por enquando vou ficando por aqui, dando continuidade à este convercê que iniciei há cinco anos e que parece estar bem longe de se encerrar.

[»todas as fotos tiradas com meu companheiro de viagem iPhone4; a foto com a Mara Salles e a abobrinha é de autoria da Neide Rigo.]

macarronada

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Meu irmão Carlos Augusto é o atual fazedor de macarrão da nossa família. Posso afirmar, com os meus mais de quarenta anos de prática como comedora de macarronadas, que ele faz o melhor macarrão que já comi na vida!

o fim das férias

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[escultura de malas — Aeroporto Internacional de Sacramento]

Dia de dizer tchau. O Gabriel foi levá-los ao aeroporto, para aquela viagem longuíssima que já conhecemos muito bem. Foi muito bom ter meu irmão, minha cunhada e minha sobrinha nos visitando. Vou sentir saudades...

a casa de gengibre da Livia

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Ela montou e decorou sozinha, depois nós serramos as paredes e tentamos comer os pedaços, mas estava muito doce. Bleargh. Foi legal apenas fazer, né Lili?

mesa [rápida] para cinco

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the family get together

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Foi um almoço de família, organizado pela Reidun e Marianne—mãe e filha. Foi muito legal rever pessoas que não víamos há alguns anos. Estava tudo muito bem organizado e a comida, apesar de não ter nenhum prato super especial, estava bem saborosa. Fez um dia bem calorento no Marin county, o que pode ser considerado excepcional, pois aquela região, que se incluí na Bay Area, é sempre muito mais fresca que o Central Valley onde fica Davis. Passamos a tarde toda no convercê e eu fotografei algumas coisas nos intervalos. Não me concentrei na comida, pois não tinha nada diferente do frango assado, salmão, salada de batata, salada verde. Gosto mesmo é da maneira como a Reidun recebe. Eram trinta convidados e ela usou pratos de cerâmica, talheres de metal e copos de vidro. Nada de descartáveis. Adoro os utensílios viking que ela tem, além das maravilhosas peças de antiguidades e das cerâmicas escandinavas, que são as mais lindas que eu já vi.

tireless fezoca

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Meu pai tem um arquivo enorme de fotografias em slides, que deve ter sido uma versão muito popular na década de 60 e 70. Mas aqueles slides não resistiram muito bem ao tempo, por isso no ano 2000 meu pai teve o trabalhão de digitalizar toda a coleção de fotos, limpando as imagens e assim salvando as preciosas cenas famíliares do ostracismo das caixinhas esquecidas no fundo do armário. Quando eu recebi os cds com as fotografias restauradas passei dias em estado de total arrebatamento emocional, me divertindo imensamente com tudo o que estava podendo rever. Na maioria das fotos eu estou exibindo a minha famosa personalidade exuberante e super ativa, fazendo todas as caretas possíveis e preenchendo todos os espaços fotografáveis com a minha presença charmosa e divertida.

Nessa sequência com meus irmãos na piscina do clube, tirada no início da década de 70, eu não deixei por menos e apareci em TODAS as fotos, fazendo todas as poses e algumas piruetas e caretas, é claro. Consegui ofuscar até a pose singela da minha fofíssima irmã, com minha fantástica pose de sereia insistente e aparecida. Eu era realmente incansável.

Se alguém por algum acaso não conseguiu me identificar, eu sou a criatura onipresente de maiozão azul.

um dia em fotos

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Lembro que naquele dia eu acordei com a macaca e com mil idéias na cabeça. Com a câmera fotográfica já preparada, rolos de filmes extras, fui avisando—Gabriel, vamos registrar o seu dia em fotos! E ele, como o menino mais lindo do mundo que ele sempre foi, topou. Quem tem um avô que te fotografa em todas as poses possíveis e uma mãe engraçadona que te pega no flagra quando VOCÊ ESTÄ MEDITANDO NO DÁBLIUCÊ, não estranha quando recebe a proposta de ser modelo da própria vida. Então fomos lá, eu passei o dia atrás dele, clicando. Só não tirei fotos dele tomando banho, porque ele não quis e tive que respeitar. Mas começamos com o acordar, que obviamente na foto está todo encenado, já que a janela está escancarada, o quarto cheio de luz, ele está de óculos e com a boca suja de leite com chocolate, que era o que ele sempre bebia no café da manhã. Depois continuamos com ele estudando, ou melhor, fazendo as tarefas da escola, depois almoçando a comidinha natureba com aquela cara de alegria que ele sempre fazia em frente ao prato cheio de arroz integral e agrião refogado, depois escovando os dentes na frente do espelho—que ficou uma foto criativa, admito. Fizemos o set do cotidiano, que depois eu colei em sequência num pequeno álbum, para guardar para todo o sempre, afinal a gente esquece detalhes com o tempo, e naquele tempo não havia blog nem foto digital, era tudo muito mais dependente da sua memória, boa ou ruim, natural ou ginkobilobada.

fatos da foto:
Estava friozinho, pois ele estava dormindo com o acolchoado de lã de carneiro da minha infância. Minha mãe mandou fazer um pra cada filho, os dos meninos azul, os das meninas vermelho. O Gabriel herdou o meu.

Tinhamos voltado da Bahia fazia pouco tempo, pois o Gabriel está com as fitinhas do Bonfim no pulso e atrás da cama dá pra ver um pedaço do berimbau que ele veio carregando paulistamente no avião.

Filho de peixe. Ele dormia de camiseta, como o pai e a mãe. Somos uma família que nunca teve pijamas. E ele fazia o que eu faço até hoje, dormia com o cabelo molhado e com uma toalha no travesseiro e depois acordava com aquela cabeleira do zezé, com tufos super ondulantes só de um lado da cabeça.

uma herança de família

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Fotografia pra mim não é hobby, é simplesmente vida. Influenciada pelo meu pai, sempre tive fascinação por essa mídia. E ele foi meu guru, que me mostrou o caminho, quase sempre pelo exemplo. A vida toda vi meu pai fotografando. Também fui objeto da mira das suas câmeras. Meu pai passou toda a vida clicando muitas fotos, da minha mãe—sua musa e modelo favorita, dos filhos, das pessoas, das paisagens, das coisas. Meu pai sempre teve um laboratório fotográfico no fundo da casa. Hoje ele está desmontado, mas durante a minha infância, eu via ele entrar naquele quartinho para ficar horas lá dentro e emergir cheirando aos produtos químicos que usava para fazer seus experimentos com revelação. Entrar naquele quartinho, para ficar olhando todas as fotos e também desenhos e pinturas que ele fazia lá dentro, era o ponto máximo da felicidade pra mim. Eu entrava quando ele permitia, o que não era muito frequente. E entrava sorrateiramente, roubando a chave, quando ele não estava. Quando eu entrava lá sozinha e podia mexer em TUDO—tomando o devido cuidado de não deixar rastros da minha presença, me dava até cólicas de borboletas, pois estar lá era uma delicia, olhar as fotos que estavam secando no varal, os negativos pendurados, as fotos empilhadas, fotos que eu não tinha nem visto ele tirar, coisas diferentes, bacanas, artisticas. Entrar no laboratório do meu pai foi meu prazer proibido por muitos anos.

Um dia, já adolescente, ele me sentou no sofá, talvez percebendo o meu interesse anormal pela fotografia e disse—se você quer tirar fotos, tem que aprender o básico. E me ensinou a teoria sobre abertura, luz, velocidade, lentes, eteceterá. Eu esqueci tudo, obviamente, mas nunca esqueci da alegria que senti tendo meu pai ali, dividindo um pouco da paixão dele comigo.

Eu não lembro exatamente quando comecei a fotografar, mas foi com aquelas câmeras vagabas da Kodak. Depois ganhei uma câmera boa, e depois outra. Todas foram presentes do meu pai. Agora com as digitais, o céu é o limite para a nossa habilidade e criatividade. Meu pai já não fotografa mais, mas ele me elogia e me critica. Outro dia me deu uma bronca pelo telefone—você tira umas fotos muito próximas do objeto, a gente não consegue nem identificar o que é que você está querendo mostrar! Critica anotada, estou sempre querendo melhorar, afinal essa é a meta para tudo na vida, não é mesmo?

Mother productions presents...

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Gabe makes pizza!

Orgulho da mamãe! Meu filho é lindo, inteligente, charmoso, carinhoso, talentoso e ainda cozinha muito bem. Faz franguinho, arrozinho, saladas, sopas e também pizza. No sábado ele promoveu uma pizza party para comemorar o aniversário da namorada. Ele fez o mesmo esquema da primeira pizza party onde ele foi pizzaiolo, na casa so meu cunhado no Brasil. Fez a mesma massa, o mesmo molho e quase as mesmas variedades de toppings. Para a pizza sobremesa ele trocou a banana pelo morango, pois a aniversariante não gosta de banana, e acrescentou chocolate. Eu não provei, porque estava exausta de tanto comer as versões salgadas, mas quem provou disse que estava no mínimo o máximo.

happy chocolate day

Ontem minha nora, Marianne, fez trinta anos. Vamos ter muitas comemorações neste final de semana e no próximo. Como é de praxe, eu já fiquei toda animada com a possibilidade de fazer um bolo pra ela e assim praticar meus baking skills, que precisam de muito treino. Pensei no trabalhão que eu iria ter fazendo um bolo de aniversário, na bagunça, nos acidentes, nos possíveis e prováveis fracassos, no tempo que iria gastar e decidi aceitar a sugestão da minha amiga Leila—comprar um bolo no Nugget.

Conversando pelo telefone com a mãe da Marianne, para combinarmos o weekend, ela citou o fato de que domingo é dia de Páscoa. Juro que me surpreendi. Esse é um feriado que foi aos poucos ficando cada vez menos importante no meu calendário comemorativo. Primeiro que aqui a sexta-feira santa não é feriado. E eu não me importo com chocolates. Fazia as coisinhas quando o Gabriel era pequeno. Lembro como se fosse hoje a excitação da manhã de domingo, com ele procurando os ovinhos pelos arbustos e matagais do sítio da minha tia Anah. Lembro da risada alta dela, toda vez que ele achava um dos preciosos ovos que ela mesma tinha escondido. Hoje as histórias de Páscoa são apenas doces lembranças.

Mas teremos ovos e coelhos, que serão providenciados pela sogra do Gabe, que é a festeira da família. Ela curte os ovos e coelhos, traz o chocolate. No ano passado passamos a Páscoa na casa dela, e foi quando tirei essas fotos, que estão batendo o recorde de visitas de navegantes vindos pelo Google em busca de imagens de ovos e coelhos. Sinceramente, isso me deixa deveras triste e bastante furiosa, pois essa gente vem buscando imagens e vão pegar e usar, sem pedir, sem dar crédito. Os coelhos e os ovos da Reidun e as minhas fotos, vão ser usadas por aí, como se fosse de domínio público. A internet está mesmo infestada de larápios e copiões.

tanto talento desperdiçado

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Um doce para quem adivinhar qual das três sou eu. Algumas dicas para ajudar no prognóstico: uma é minha prima, a outra é minha irmã; o tio da minha mãe apertava nossas bochechas e dizia pra minha irmã que ela era mais linda, pra minha prima que ela era a princesa, e pra mim, cof cof, que eu era a artista. Eu poderia ter virado um Jim Carrey de saias e poderia ter feito fama e fortuna caindo de cara no pudim nos filmes de Hollywood, mas invés disso acabei apenas dandos meus tropeços privativamente no tapete da minha cozinha e caindo com a cara no pudim sem público pagante aplaudindo.

**update revelador: a única com talento pra Jim Carrey nesse trio é a primeira, altona e careteira! e é claro que eu sou a primeira. a segunda charmosinha é minha prima. e terceira fofíssima é minha irmã.

Thanksgiving is just around the corner

E eu num suplício porque ainda não decidi que sobremesa vou fazer para o nosso almoço de família. Pelo menos já decidi que será algo com limão, por causa do meu surplus de frutas citricas. É de conhecimento geral que meu nome do meio é desastre quando se trata de fazer sobremesa. Mas eu estou me esforçando pra mudar isso.

Todo ano comemoramos o Thanksgiving na casa da sogra do Gabriel, que geralmente também convida amigos e é sempre uma reunião muito agradável, com comida simples e boa. A Marianne é a encarregada do peru. Eu sempre levo vinho e sobremesa. Antes eu costumava passar o feriado inteiro lá, fazendo compras no Marin county, mas agora eu prefiro voltar pra casa. O Thanksgiving é um dos meus feriados favoritos, deixando o Natal bem lá pra trás. Pra mim o Thanksgiving faz muito mais sentido, pois é uma festa de agradecer o que temos, comer, beber, passar o dia com a família. Nada de dar presentes, que é o que—na minha opinião, faz o Natal uma festa cansativa e irritante.

hoje eu lembrei

Acho que é hoje que faz dois anos. Não costumo ficar marcando e relembrando datas tristes, mas tenho quase certeza que foi no dia de hoje, há dois anos, que ouvi o recado do meu pai na secretária e depois o som abafado de quem não consegue mais falar. Eu chorei por um tempão, porque ela era uma das minhas pessoas favoritas neste mundo, aquela que eu admirava e imitava, reparava nas parecências e até me assustava. Ela dizia com a sua voz potente e alta—nós duas somos dois livros abertos!

Por tudo isso e mais um pouco, numa época em que meu irmão ainda morava em Los Angeles, nós decidimos que iríamos fazer uma compra mensal de gostosuras pra ela através do supermercado online que entregava tudo direitinho lá no sitio onde ela vivia. Ela amava gostosuras, chocolates, bolachas, geléias. Mas ela tinha aquela doença traiçoeira chamada diabetes. Então minha missão mensal era fazer uma compra de gostosuras que não deixasse ela mais doente. Por três anos, todo final de mês eu me logava e fazia uma comprinha. Era legal, porque durante esses anos eu me interei das novidades nas prateleiras do supermercado brasileiro. Via produtos novos aparecendo, marcas novas, diversidade, variedade. Algumas coisas eu queria comprar pra mim, ficava empolgada. Mas a compra era para ela e tinha que ser especial. Eu comprava também sabonetes variados, porque eu sabia que ela iria adorar. Éramos iguais nisso também, loucas por banho, por cheiros, por perfumes.

Faz dois anos então hoje que eu parei de fazer as comprinhas no supermercado online, faz dois anos que acabou a minha diversão de encaroçar pelas prateleiras virtuais, pensando e escolhendo as coisas que eu sabia que ela iria gostar e depois ficar me sentindo imensamente feliz imaginando a alegria dela ao receber a entrega. Outro dia minha irmã disse que a ausência dela é como se nunca mais tivessemos ido ao sitio visitá-la, no que eu concordei. Dois anos depois eu ainda penso nela sempre que vejo chocolates, bolachinhas e geléias gostosas, sabonetes e perfumes, ou todas as outras coisas que ela adorava. Fico olhando e matutando—hmm, será que compro pra enviar, pois ela iria amar!

where the buffalo roam

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*Vida nas pradarias canadenses: Uriel e Gabriel providenciando a CARNE pra Fer poder fazer o jantar. Bufalo ou bisão, honey?

No menu do restaurante da floresta de Apple Hill tinha a opção de hamburguer de carne de bufalo—cem por cento orgânica. Eu apontei o item do menu para o Uriel e nós dois fizemos aquela cara de bleargh. Eu não sou uma pessoa essencialmente carnívora. Eu como carne, mas tenho crises de consciência e de asco muito frequentes. Nunca quis provar cozido de coelho, que se preparava em festas de família ou o hamburguer de avestruz, que é famoso aqui em Davis. A carne de bufalo, porém, eu provei. Foi uma experiência inesquecível, no mais amplo sentido da palavra inesquecível. Meu paladar para carnes é bem sensível, carnes muito fortes me entojam fácil e a carne de bufalo não é coisa pra amadores. Pra mim foi mais do que eu consigo suportar.

Pedimos um hamburgão de carne de bufalo cada um num passeio ao Wanuskewin Heritage Park em Saskatchewan, Canadá. Um lugar completamente apropriado para a experiência de provar o sabor da carne do bufalo, que é praticamente o simbolo do desbravamento do oeste norte-americano e canadense. Nem preciso dizer que não consegui terminar o meu sanduíche e que me concentrei nas batatas fritas. Será que os índios plantavam batatas? Se eu fosse uma índia no tempo dos bufalos vagando, certamente viveria plantando e comendo muitas batatas.

o tempo não pára

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O telefone. Amanheci falando ao telefone na segunda-feira fatídica e ainda não parei. Cozinhar, como? Mas é muito importante falar. Quando comecei a pensar nos planos para o meu jantar—menu para um, o telefone tocou. Era a minha mãe. Com ela fico sabendo de todos os detalhes de tudo o que aconteceu ou está acontecendo. Eu batizei nossa conversa de fofocas funerárias, porque eu tenho esse senso de humor que insiste em tentar fazer tudo parecer menos pesado. Fiz as fofocas todas com a minha mãe, que me contou da emoção das netinhas, das últimas palavras da filha para a mãe, avisando que o filho querido estava chegando. Depois filosofei com o meu pai por mais uma hora. Falamos da vida, da morte, das fotografias. Eu não estava com fome, mas ele precisava ir dormir. Desliguei dizendo, amanhã te ligo para falarmos de política!. Preparei um macarrãozinho simples, com um molho de tomates frescos, manjericão, muito azeite e salpicado de queijo parmesão ralado fresquíssimo. Subi com a macarronada e uma taça de old vine zinfandel e fui ver um filme com William Powell e Mirna Loy na tevê. Assim que terminei de comer o telefone tocou novamente e embarquei em mais uma hora de papo, porque ele precisa conversar com todos, aqui e lá. Faz parte do processo do luto entender os porques, certificar-se de que ela era querida e especial, que foi-se tranquila e sem dor, guardar os pertences mais importantes, as fotos, os filmes, fazer um retrospecto, uma colagem de lembranças—somente as boas. Fazer tudo para garantir que o passado não será esquecido, que a memória não vai nos passar a perna, que tudo ficará preservado e assim, só assim, poder tocar a vida pra frente.

tal mãe, tal filho [tchin-tchin]

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Gabriel "wine tasting" em Carmel, Califórnia

ultra-mega-super improvisado

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Domingo foi Dia dos Pais e nós fizemos um almocinho em casa, sem muito planejamento, nem estresse. Eu comprei os ingredientes e o fillho fez um churrasco para o papai. Foi tudo super simples, porque eu realmente não ando no humor de ficar fazendo nada mais sofisticado que uma salada. E foi o que fiz, salada de beterraba assada, outra vez, e salada de abobrinha, outra vez. De sobremesa preparei um bolo escalafobético, do qual todo mundo riu, pois ficou realmente um horrorrore! Eu cortei um angel food cake e recheei com chantily feito em casa e adoçado com néctar de agave e morangos. O nosso convidado de quinze anos não quis comer o bolo, recusou-se educadamente, mas mandou bala nos sorvetes!

Valeu a pena tanto arroz integral

Alegria de mãe natureba é ver o filho chegando do Farmers Market com sacolinhas de legumes, verduras e frutas orgânicas, além de pão integral e outras coisinhas boas. Ele me contou que agora dá uma passadinha no mercado das quartas-feiras. Pois comer bem é muito bom! Esse é o menino que foi intuchado de rango natural pela mãe que andava com os livros da Sonia Hirsch debaixo do braço. No final das contas, a boa semente plantada sempre dá frutos, não é mesmo? Ufaaaaaa!

foi um dia bem cansativo

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Comecei o dia mal humorada, pois tinha 8996534 coisas pra fazer e meu filho avisou que só apareceria ao meio-dia, pois tinha aula de akidô. E meu marido saiu pra trabalhar como se fosse um dia normal [dele] e só apareceu quando os convidados já estavam aqui. Tive seis pessoas para o brunch, mais nós e a família da minha irmã, então fiquei bem esbaforida. Felizmente minha querida irmã me ajudou a cortar todos os ingredientes para a moqueca e quando os convivas chegaram eu já estava preparando o brunch e limpando a meleca que a cafeteira resolveu aprontar, vazando liquido e pó por toda a bancada. Coisas assim sempre acontecem nas horas inapropriadas. Mas o brunch foi gostoso, todos comeram bem, fiz panquecas, três omeletes de forno, cornbread, salmão, além dos queijos, pães, morangos, geléias, café, vinho, chá, sucos. ufaaaa!

Às três da tarde peguei minhas cestinhas com toda a "gear" para preparar a moqueca e fui para a International House com a minha irmã-assistente. Preparei a cozinha, montei os ingredientes na bancada, felizmente tive o bom senso de levar uma panela de arroz e outra de moqueca pra cozinhar enquanto eu falava. As pessoas foram chegando e se aboletando na cozinha. Quando comecei a falar, me apresentei, disse quem era, de onde era, citei meu blog, e algumas pessoas já exclamaram—ah, te vimos no jornal! Pois é, a fama me persegue! Fiquei um pouco nervosa, tremi levemente, mas falei bem, expliquei bem e todos tiveram uma visão razoavel da panela no fogão, viram como é fácil fazer uma moqueca. Quando terminei de falar, a moqueca que eu trouxe montada e o arroz estavam prontinhos e todos puderam provar um pouco. Foi um sucesso absoluto! Eu custo a crer o quanto essa moqueca fica boa e agrada a todos. A outra panelona de moqueca que fiz durante a aula foi vendida inteira, nao sobrou uma lasca de peixe e só se ouviu elogios. Ela chegou atrasada e concorreu com uma feijoada completa, então dá pra ter uma idéia de como esse prato de peixe faz sucesso. A prefeita de Davis estava no evento e entrou na minha aula, comeu a minha moqueca e elogiou, depois tirou fotos comigo. Eu não sabia que ela era a prefeita—a total purfa! O evento foi um tremendo sucesso, com muita gente nas palestras e comprando comida, que teve uma venda recorde. A diretora da I-House estava com um sorriso histérico congelado na cara. Ela ainda não tinha tomado tento que TUDO que envolve o Brasil atrai muita gente e é sempre um sucesso. Esse evento não foi diferente.

A sogra do Gabe com o namorado também foram ao evento e entraram em algumas palestras. Voltamos para casa, bebemos café no quintal e eles foram embora. Estava uma noite tão agradável que resolvemos comer a pizza lá fora. As crianças dormiram e ficamos até onze da noite bebendo vinho e conversando no quintal. Foi um dia cheio e cansativo, principalmente pra cozinheira!

*Murphy é padrasto e apareceu pra fazer outra sacanagem comigo. Tiramos muitas fotos do brunch e minha irmã se empenhou tirando fotos da minha aula de moqueca. Não sei explicar o que houve, mas perdi TODAS as fotos. Gone! Estou até agora inconsolável....

não tem nada melhor!

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Um picnic no parque—se eu que sou adulta adoro, imagina o efeito de comer sobre uma toalha na grama pra uma criança. Eles adoraram. O menu foi simplérrimo, sanduba de queijo, presunto e tapenade, morangos frescos, queijo, figos secos no balsâmico e damascos secos com queijo, amêndoas torradas, suco de laranja pras crianças e vinho branco pra nós. Ficamos no parque até não aguentarmos mais de frio, depois fomos beber chá e café no Ciocolat.

não tem feijão?

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Meu rango está bem simples, porque estamos passeando, porque eu estou alquebrada e porque criança nem sempre gosta de comida com muito triquetrique. E esse é o caso do Fausto, que gosta de pouquíssimas coisas. Fiz pizza em casa, porque ele detestou o molho de pizza daqui—fato indiscutível, pois ele tem toda razão, a pizza norte-americana é um filme de horror! Fiz franguinho na churrasqueira e polenta, que ele adorou. E fiz carne na churrasqueira, com arroz, farofa dessas prontas e saladona de tomate com manjericão. O tomate só a Catarina comeu, mas a carne, arroz e farofa foram muito bem apreciados pelo Fausto. Enquanto ele comia o prato de arroz, perguntou—não tem feijão? Que mancada esquecer justo o feijão, hein Tia Fê?

um delicioso bolo [comprado]

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Comprei o bolo mousse de manga no Ciocolat, porque não está dando tempo de cozinhar nada especial—só estou fazendo o trivial. E também por causa do tombaço, não estou conseguindo fazer algumas coisas normais com o braço esquerdo. Mas o niver do Gabe foi muito bem comemorado, com salmão, batatas, cogumelos, favas verdes, salada de rúcula, tudo orgâââânico—minha irmã não deve estar aguentando ouvir tanto isso é orgânico, aquilo é orgânico, orgânico, orgânico, orgânico...

fazendo pequenas viagens

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Tirei uns dias de férias para passear com minha irmã, cunhado e sobrinhos que estão aqui em Davis me visitando. Estou numa rotina um pouco diferente, por um ótimo motivo! Fomos à San Francisco de trem e mesmo com um desagradável incidente tivemos um ótimo passeio, com muita camelagem. O mais divertido para a Catarina e o Fausto foi o picnic que fizemos no banco do Ferry Building Marketplace. Em plena hora do almoço, o local estava horrívelmente muvucado e resolvemos improvisar um ranguinho com pão, tapenade, frutas e suquinhos. Foi uma sensação! Mas a Cacá ainda não sabe o que a espera: muitos e muitos picnics pela frente.

vinte e cinco puxões de orelha!

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Gabe com nove meses e sua mami descabelada

Já escrevi tanta coisa sobre os aniversários do meu filho.

Cada ano era uma coisa diferente: festa toda encomendada, bolo de chocolate despencado e derretido feito por mim, bolo em forma de cometa, churrasco no clube, pizza com os amigos, velinhas em cima do muffin, muitos aniversários sem bolo, muitas comemorações em restaurantes, bolo de chocolate de caixinha feito pela Marianne, muitos aniversários me esqueci o que fizemos, como comemoramos, afinal são vinte e cinco anos.

Lembro do ano 17, quando pela manhã eu tive essa idéia que achei sensacional. Saí do trabalho na hora do almoço e invés de ir almoçar, fui até o supermercado e comprei mil coisinhas, bolinho, vela em formato de Um e Sete, bexigas, serpentinas de papel crepe, confetes pra espalhar na mesa—fui pra casa e preparei uma festa surpresa diferente. Quando ele chegasse da escola, iria encontrar a mesa posta como se fosse uma festa, instruções escritas para fazer coisas, tudo paramentado. Passei a tarde rindo sozinha, pensando na cara de bocó dele, quando chegasse e visse a minha surpresa. Às seis da tarde corri embora, entrei em casa e ele estava vendo tevê. Abraços, beijos, feliz aniversário, tárará e a pergunta ansiosa de mãe, então, gostou da surpresa que eu fiz pra você? E ele com aquela cara blasé de dezessete anos:

—aanh, achei meio jeca tatu, mas gostei...

Amar é...

esperar pacientemente na frente da porta ou já dentro do carro, enquanto ele resolve no último minuto antes de sair dar snack pro gato, pôr as latas de lixo na calçada ou dar uma meditadinha no banheiro.

suportar com firmeza, sem engasgos de vômito, a visão dele passando maionese numa fatia de panetone, devorando um romeu e julieta de goiabada com polenguinho sabor alho, misturando gelatina com sour cream ou sorvete de baunilha com abacate e aveia.

não se irritar quando ele estiver dirigindo e um velhinho passar vocês na freeway, pela direita.

responder novecentas e quarenta e sete vezes a mesma pergunta.

resistir à tentação de atear fogo naquela jaqueta de nylon que ele ganhou quando fez estágio numa empresa em 1983 e que ainda usa.

escrever sobre os defeitos dele, fazendo tudo parecer singelo e simpático.

Leite Queimado

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Há dias de inverno em que até os ossos tremem. Sei lá por que, dá aquela friaca, um telecoteco físico, que só esquenta se você mergulhar o corpão num banho fevendo, ficar com os pés em cima do aquecedor ou tomar alguma coisa quente bem substanciosa. Meu reino por um sopão! Mas na hora do almoço não tinha sopão. Beber o que, então? Chá? Nãã... Chocolate? Nããã...

Lembrei do leite que minha mãe costumava fazer e que bebíamos nas noites geladas de inverno, quando anunciavam que ia ter geada e éramos obrigados a vestir o joguinho de camisola e calça de flanela, que minha mãe mandava fazer especialmente para essas noites - caso nos descobríssemos dos acolchoados de lã de carneiro ou de penas de ganso. Com a calça por baixo da camisola não corríamos o risco de pegar friagem nas pernas. Com as crianças, o seguro morria de velho!

Então nessas noites frias, minha mãe preparava o Leite Queimado, que nós bebíamos como se fosse um néctar. Ele servia também para abaixar febre, acalmar dores de garganta, tratava do frio e de qualquer eventual achaque piriritico de criança inventadora de moda. E como aquilo esquentava, mãe do céu! Eu, que sempre fui uma pessoa avessa aos apertamentos e confinamentos de qualquer espécie, já ficava toda incomodada com tanta roupa, puxava a calça de flanela com os pés e a deslizava para fora do acolchoado. Minha mãe enlouquecia com isso!

Hoje, me esquentei na hora do almoço com uma xícarazona do Leite Queimado, que sempre que acho que preciso, faço. E é a coisa mais simples e fácil.

Derreta duas [ou três, ou quatro - dependendo do tamanho da sua gana pelas cousas dolces] colheres de açúcar numa panela em fogo médio. Eu usei açúcar demerara, mas pode usar qualquer outro, branco, mascavo. Quando o açúcar estiver derretido, jogue uma xícara de leite e mexa bem, até todo o caramelo derreter novamente e se misturar no leite. Apague o fogo, transfira o Leite Queimado para uma xícara e beba imediatamente, sentindo o vapor do leite no rosto e queimando um pouco os beiços [faz parte!]. Depois me diga se não esquentou...

estava tudo muito bom

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Foi um trabalhão, mas ficou tudo bom. Na hora de destrinchar o peru rolou uma pequena confusão, dado à inexperiência dos cortadores, mas ficou tudo muito saboroso e todos comeram bem. Eu fiz tudo sozinha, mas eu gosto dessa preparação. O duro é limpar, mas isso não é minha tarefa. Foi uma noite feliz e a semana está muito ocupada com visitas. Receitas seguirão em breve! Espero que todos tenham tido um ótimo Natal e que já estejam engatando segunda para a passagem do ano.

macarrão da vovó

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Catarina quis comer um ranguinho e a vovó então fez um macarrãozinho alho & óleo super gostoso. Mas o mais legal foi olhar - e ajudar - a vovö cozinhar o macarrão!

Pizza Party

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Participamos de uma pizza party na casa do meu cunhado Beto, irmão do Uriel. O Gabriel fez a massa da pizza e trabalhou a noite inteira como pizzaiolo. Foram feitas umas doze pizzas e todas ficaram ótimas. Teve até uma pizza sobremesa de banana, mas essa eu não comi - tudo tem limites! O Gabriel seguiu a receita da massa já definida no esquema organizacional da pizza do Beto. Minha cunhada fez o molho da maneira mais simples e surpreendentemente gostosa. Claro que o segredo de tudo é o forno à lenha. Já estamos bolando um jeito de fazer um forno semelhante lá em Davis!

Massa da pizza
6 colheres de sopa de óleo
1 tablete [15gr] de fermento biológico Fleischman
2 colheres de sopa de sal - acho que pode usar menos, achei a massa um pouco salgada
1 colher de sopa de açúcar
2 copos de requeijão de água

Misturar a água com o fermento, acrescentar o óleo, sal, açucar e ir colocando farinha até dar o ponto. Sovar bem, deixar descansar e abrir a massa em discos. Essa receita dá para mais ou menos 6 discos de pizza.

Molho da pizza
Bater no liquidificador tomates sem sementes, folhas de manjericão, alho, cebola, sal e azeite. Usar. Fiquei chocada com essa receita de molho. Primeiro porque vai cebola e não vai orégano. Segundo porque não cozinha. Mas fica ótimo, eu aprovei!

Pão de Queijo da Pat

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Minha cunhada Patrícia é uma exímia cozinheira. Tudo o que ela faz é um primor e fica uma delícia. Ela nos convidou para um lanchinho e eu já sabia que iria ser uma festança. Um dos ítens foi esse pão de queijo especial. Preciso dizer que a Pat é mineira de Belo Horizonte, então o pão de queijo é mesmo imbátivel!

Pão de Queijo da Pat

1 quilo de polvilho azedo
1 quilo de batata cozida e espremida
1 copo americano de leite em temperatura ambiente
1 copo americano de óleo
1 colher de sopa de sal
1/2 queijo de Minas curado ralado
6 ovos caipiras grandes

Colocar o polvilho numa vasilha, espremer a batata cozida ainda quente em cima do polvilho. Coloque o sal. Misture bem com as mãos. Coloque o leite e misture com as mãos. Coloque o óleo e misture, sempre com as mãos. Coloque o queijo ralado e por último os ovos. Mexer bem com as mãos. Para dar um toque especial, pode acrescentar uma colher de sobremesa de sementes de erva-doce.

A massa deve ficar macia como uma massa de modelar. Se estiver quebradiça, precisa acrescentar mais um ovo. Modelar os paezinhos e assar no forno pré-aquecido na temperatura mais alta por 20 a 30 minutos. Essa massa pode ser congelada.

um trivial variado

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Fomos recepcionados pelos primos do Uriel com um autêntico almoço caipira - arroz, feijão, batata frita, verdura refogada, frango da roça com açafrão, salada de folhas verdes da horta, e um leque de sobremesas imbatíveis, com queijo fresco e de cura e os doces de cidra, mamão e nectarina. Foi a reentrada perfeita, já que desde então temos comido somente o trivial, que tem sido uma delícia! Nada de sofisticado, mas tudo muito bem feitinho, preparado com primor e carinho, ingredientes especiais e fresquinhos. Na casa dos meus pais o menu também é simples - minha mãe é a natureba-chefe! Ontem tivemos para o jantar uma sopa de lentilhas, receita da minha avó. Lambemos os beiços. Só estou muito incomodada com o calor, mas com a chuva de ontem parece que deu uma boa refrescada. Ufa!

* já fiz uma reserva no Terraço Rosário para as 12:30pm e estarei lá a partir desse horário com a minha mãe e minha nora. Me reconhecer vai ser fácil - é só vocês mirarem uma descabelada, suada, e atrapalhada. nos veremos lá, estou muito feliz com a realização desse encontro!!

Ele continua o mesmo!

Estou monitorando neuróticamente a viagem do meu filho a Campinas. Liguei lá inúmeras vezes, mas só fiquei sabendo dos buxixos quando falei com a minha irmã no domingo à noite. O Gabriel parece que está tirando a barriga da miséria, comendo tudo o que vê pela frente. No sábado foi comer pizza portuguesa e no domingo se empanturrou num rodízio. Liguei no celular do meu irmão e eles estavam saindo da churrascaria e morrendo de rir - pois o meu filho quase fez um repeteco da história da marmitex. Meu irmão disse—Fer, esse guri tem passado fome aí na Califórnia, pois ele comeu feito um condenado, um retirante, um esfomeado! Não bastando a quantidade imensa de comida que ele devorou, quando todos já tinham terminado de comer a sobremesa passou lá o garçon com um espeto de picanha e o Gabriel pediu mais umas fatias de carne, depois de já ter comido o doce. O fardo de mãe relapsa que eu carregava até arrefeceu-se...

dá pra pôr num marmitex?

Essa história já foi contada e recontada na minha família zilhões de vezes. Virou uma fábula.

Quando eu ia ao Rio, ou ela ia a Campinas era comum passarmos as noites em claro conversando. Como a gente conversava, e como curtíamos a companhia uma da outra. Na última vez que fui ao Rio visitar a minha prima Helô, os nossos convercês atravessaram as madrugadas, o que era um tantinho sacrificante para os nossos filhos - o meu Gabriel com uns seis anos, e o Pedro dela, com uns quatro. Acordávamos tarde, tomavamos aquele café da manhá longo e ficávamos na mesa conversando, conversando... Íamos jantar super tarde, era uma bagunça geral. Pobres crianças, filhos inocentes de duas malucas.

Num belo domingo, levantamos super tarde, tomamos café e ficamos na mesa até tardão, nem pensamos em almoço nem nada, até que alguém sugeriu irmos comer numa churrascaria rodízio. O marido da minha prima era amigo do dono do lugar, então o cara ofereceu um desconto para a nossa mesa. Beleza pura! Sentamos para comer e o Gabriel simplesmente desembestou. Encheu o prato com tudo que era possível e toda carne que era oferecida ele aceitava. Ficamos de olhos esbugalhados olhando o guri comer. E como ele comeu! Na hora de pagar, o dono da churrascaria falou - olha, vou dar o desconto como prometi, mas vou ter que cobrar aquele menino como adulto, pelo tanto que ele comeu.

O marido da minha prima pagou a conta e voltou rindo, inconformado, nos contando o ocorrido. Começamos a rir também, quando vimos um garçon se aproximar do Gabriel e ouvimos ele pedir - dá pra você pôr os restos num MARMITEX que eu vou levar pra casa?

Pobre guri, filho de uma mãe desnaturada, estava tentando se prevenir. Vai que não tivesse almoço no dia seguinte! Até hoje não me conformo - que dóóóó!!!!

rotina

6:30pm: trimtrim, alô, e aí vem jantar, só estou terminando um negócio, ihh, não, é sério, em meia hora eu te ligo e vamos comer em algum lugar, tá, tchau, um beijo, outro.

7pm: resolve fazer uma sopa de milho, vê que tem pão fresquinho e queijo suiço pra acompanhar, refoga cebola, milho, caldo de galinha, salsinha picada, vrumvrumvrum tritura a mistura, creme de leite, desliga o fogo.

7:30pm: cd da Motown, dança, dança, assusta o gato, lê um caderno do jornal, outro caderno, senta, levanta.

7:45pm: música, música, pega uma revista, senta, lê, morre de rir, levanta, dança, assusta o gato de novo, termina de ler a revista.

8:15pm: trimtrim, alô, assim não tem condições, o que foi, você sabe que horas são, ew, não.., vou jantar sozinha mesmo, mas não íamos sair pra comer fora juntos, ah, deu até tempo de fazer uma sopa, mas que horas são, você não disse que iria ligar em meia hora, é.., já se passaram quase duas, oh..., eu li o jornal, a revista, agora chega, então quando eu chegar, cheguei, é, quando você chegar, chegou, tchau, um beijo, tchau, outro.


* post reciclado do The Chatterbox de novembro de 2004 - certas rotinas não mudam nunca!

eu, a fer e o bob

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Ele vem sempre em outubro, e eu considero isso um presente. Sou fã dele desde que eu tinha uns quinze anos e nem entendia o que ele cantava. Sempre detestei línguas e digo pra quem quiser ouvir que uma das minhas motivações para aprender o inglês foi para entender o que Bob Dylan cantava. Sou uma mulher realizada! Hoje vou vê-lo em Sacramento, pela quinta vez. Só que vai ser um pouco diferente, pois o Uriel não vai comigo. Ele está na fazenda e eu convidei uma amiga para ir ao show comigo. Eu e o Uriel temos muitas histórias com o Dylan. Apesar de que eu já era uma fanzoca do Mr. Zimmerman antes de conhecê-lo, foi com ele que vi o Dylan pela primeira vez, sem contar que considero o meu marido my private Bob Dylan. Ele detesta quando eu falo isso, mas eu tinha essa foto do Dylan colada na parede do meu quarto, e um dia olhei pra ela e tive uma luz—eu conheço esse cara! Era o Uriel! Ele nega, recusa, abomina, rejeita. Eu acho que minha vida não seria a mesma sem os meus dois Bobs. Hoje vou sentir falta dele falando as coisas engraçadas, tentando me distrair, demonstrando ciúmes de um cara completamente inatingível e que não tem a menor idéia que eu existo. A melhor história que tenho com o Uriel e o Bob foi na nossa lua de mel. Fomos pra Ilha Bela com a Caravan do meu pai—éramos dois pirralhos e estudantes pobres—e eu levei todos os meus k7s do Dylan, que tocaram sem parar no tape do carro. Na volta, um amigo do Uriel fez uma pergunta bem cretina—e ai, Uriel, como foi a Lua de Mel? E ele respondeu prontamente—ah, foi ótima, eu, a Fer e o Bob!

pizza é napolitana

Meu filho não visita o Brasil desde 1997. Novembro ele estará chegando em São Paulo com a namorada Marianne. Meu irmão irá buscá-los no aeroporto para levá-los para Campinas, onde a família com certeza estará aguardando com bandinha de música, bandeirinhas flamulantes, bexigas e serpentinas coloridas. Combinando com o tio os detalhes da chegada ele falou:

—quero que você pare na primeira pizzaria que passarmos pela frente, antes mesmo de chegar na casa do vovô.
—pizzaria, Gabriel?
—sim, quero comer uma pizza portuguesa, aquela com cebola, presunto, ovo cozido.

Ouvi esse diálogo e fiquei rindo com a boca aberta, mostrando todos os meus dentões. Pizza portuguesa, Gabriel?? Isso é um oximoro!

nada a declarar

Minha cunhada pediu um vidro de peanut butter e uma caixa de taco shells. No inicio eu achei esse pedido meio bizarro, mas depois repensei e percebi que essas coisas são muito mais naturais quando estamos do lado requisitor do pedido. Quem não rola os olhos e faz aquela cara de deboche quando me ouve pedir um naco de goiabada cascão, um pacote de carne seca, envelopinhos de guaraná em pó, ou mesmo - o recorde da indignação e dos risinhos - uma lata de azeite Maria, que nem é azeite puro, mas misturado com óleo de soja. Ninguém explica essas bichas alimentares. Então quando alguém me pede algo, eu nunca questiono, vou comprar resignadamente.

Histórias de carregamentos estranhos de um país para o outro são super comuns. Minha mãe é expert nesses contrabandos gastronômicos. Uma vez indo me visitar no Canadá ela enfureceu o meu irmão, quando enfiou DEZ sacos de farinha de mandioca na mala, para satisfazer o meu pedido de UM saco. Meu irmão ficou louco - mas que farofice, que coisa brega, que baixaria! Ela trouxe assim mesmo, junto com tuperwares cheios de maria-moles feitas em casa, pela empregada. Eu acabei virando a pessoa mais popular do pedaço, quando presenteei um monte de brasileiro com sacos fresquinhos de farinha. Nem se eu comesse farofa todo santo dia, iria dar conta dos dez sacos. Mas as maria-moles nós devoramos em minutos.

Numa outra vez, quando eu já estava nos EUA, ela parou primeiro em Los Angeles, pra ficar umas semanas na casa do meu irmão. Na mala, seis ovos de Páscoa para as minhas duas sobrinhas. Também trouxe a máquina de fazer macarrão e preparou uma bela macarronada lá, e outra aqui, quando o Gabriel girou a manivela mais uma vez e nós devoramos aquela delicia feita com apenas farinha e ovos, temperada com um molho de tomates grosso que só ela sabe fazer e ninguém consegue imitar.

Nos aniversários do Gabriel e natais, chegam sempre umas caixonas vindas do Brasil. Elas vem carregadas com bandejinhas de quindim, queijadinha, pé de moleque, cocada, maria-mole, olho de sogra, cajuzinho, brigadeiro. Remetente: Dona Odette Guimarães.

Quando minha mãe vai a Portugal, volta parecendo uma quitanda, carregando vidros de pimenta em conserva e garrafas de vinho na mala de mão. Uma vez ela ganhou um bacalhau enorme da sogra portuguesa da minha irmã. Levou o bacalhau pro Brasil bem embrulhado e tal. Daí veio me visitar e sugeriu trazer o bacalhau com ela. Por mais que eu adore essa iguaria e sinta falta de uma bela bacalhoada, eu a proíbi categoricamente - NADA de trazer bacalhau nenhum! Imagina, passar com um bacalhau na alfândega americana? Onde já se viu, mamãe, tá louca? Mas ela ouviu? Obedeceu? Concordou? Claro que não! Quando ela chegou, abriu a mala e me mostrou morrendo de rir um pacotão comprido: era o bacalhau! Resignada, aceitei o fato de que teríamos bacalhoada no final de semana. E assim minha mãe preparou para o nosso deleite, a receita de bacalhoada da portuguesa Dona Rosa, mãe do Luís, marido da minha irmã.

A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte

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Fui ao banheiro com uma banana na mão. Fiz xixi, voltei comendo e pensando como a nossa vida gira e acontece em volta da comida. Não tem muita coisa que a gente faça que não esteja relacionada à comida. Encontros, passeios, o dia-a-dia de trabalho e compromissos. Apesar de eu ir almoçar em casa, eu trago uma lancheira para o trabalho. Nela sempre tem uma fruta, uma barra de cereal, bolachas salgadas.

Meu final de semana foi super corrido e cansativo, mas todo permeado - se não baseado, em comida. O avião trazendo o meu irmão aterrisou às oito da noite em San Francisco. Ainda pegamos muito tráfego na I80, que é a interstate que liga San Francisco à Sacramento e continua até Reno, em Nevada. Aquilo está sempre abarrotado de carros. Chegamos em casa às dez e meia e fomos dormir? Claro que não, fomos jantar e conversar. Eu tinha deixado uma sopa preparada, pãezinhos e salada engatilhados. Jantamos às onze da noite, sopa, salada, pão, vinho. E conversamos até não sei que horas. Eu estava tão cansada - pois acordo às seis da manhã - que num certo ponto fiz uma coisa que normalmente nunca faria: apressei meus convidados e praticamente sugeri ao meu filho e minha nora que já era hora de ir embora.

O final de semana foi uma maratona de conversas, passeios e comida! Almoçamos em casa, um churrasco que é sempre a coisa mais prática, o Gabriel cuidou e deixou a carne bem saborosa. Fiz uma salada e batatas fritas no azeite. Ficamos papeando à mesa, bebendo vinho e depois devorando blueberries com chantily [que eu adoço com mel] e figos rami, que meu irmão trouxe na mala. À noite fomos comer mais, num restaurante italiano em Sacramento.

No domingo já foi hora de partir, rumamos novamente para San Francisco e como chegamos cedo matamos tempo conversando num café, bebendo mocha, suco de laranja, iogurte, mordiscando scones de framboesa. Nem preciso dizer o quanto fico feliz quando recebo minha família aqui, e de como me entristeço com as despedidas. Foi uma visita muito rápida, mas já deixamos planos estipulados para outra, em feverereiro, quando ele vier novamente à trabalho para Las Vegas.

Como já estávamos em San Francisco, eu quis passar no Ferry Plaza Market, que é um mercado de produtos orgânicos que foi construído no antigo porto da cidade. É um predio lindo, na beira do oceano com vista para a Bay Bridge, cheio de lugares deliciosos para comprar e comer. Almoçamos num japonês muito bom e depois pegamos uma barca até Sausalito. Essa é uma cidadezinha do outro lado da baia, com muitas galerias de arte e lojinhas variadas. Voltamos para San Francisco e eu fiz comprinhas na Sur La Table - pra espantar o banzo de dizer tchau pro irmão! Ainda compramos pães, gelatto e voltamos para Davis. Quando chegamos em casa fizemos um lanchinho. Me digam se a vida da gente não é só comida? E um pouco de diversão e arte...

uma tradição italiana

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Lívia ajudando o pai na fazeção da macarronada

Sexta-feira vou buscar meu irmão no aeroporto de San Francisco. Ele está no Texas à trabalho e vai dar um "pulinho" até a Califórnia só pra ver a irmã dele! Eu tenho dois irmãos—os dois cozinham. Este que está chegando é o responsável pela sobrevivência da grande arte de fazer macarrão em casa, que é a tradição que vem passando de geração em geracão no lado materno da minha família.

Minha mãe aprendeu a fazer a massa de macarrão com a minha bisavó, uma imigrante italiana aportada em São Paulo no começo do século vinte. Por muitos anos fui eu a menina girando a manivela da máquina, ajudando a fazer a massa amarela ficar fininha, fininha. Depois foi a vez do meu filho Gabriel que girava a manivela enquanto a avó pegava a massa do outro lado. Muitas crianças da família giraram a manivelinha. Hoje quem gira é a Lívia, enquanto o pai dela prepara a massa. Por mais incrível que pareça, não sou eu que estou carregando a tradição pra frente. Meu irmão é hoje o dono da máquina, que ele usa todo final de semana para preparar a massa, que depois será temperada por um fabuloso molho de tomates feito em casa e devorada por toda a família—ou la famiglia, como diz meu pai, que descende de portugueses, mas já foi totalmente seduzido e dominado pela italianada. Quando eu ligo lá nos domingos logo depois do almoço, ele diz —só faltou vocês aqui e um cantor de operetas para animar mais o nosso almoço, pois o resto estava completo: macarronada, frango assado, muito vinho, adultos conversando aos berros, crianças correndo pela casa e a cachorrada latindo!

Minhas madeleines

Porque minha mãe tinha uma carreira e trabalhava fora oito horas por dia, na casa dos meus pais sempre teve duas empregadas—uma pra cozinhar e outra pra fazer todo o resto, inclusive cuidar das quatro crianças endiabradas. Agora eu entendo por que minha mãe tinha uma pessoa só para cozinhar. Pra ela, a alimentação era uma coisa importantíssima e nós sempre tivemos quatro refeições por dia, todas preparadas do zero, sem congelar, descongelar, requentar, pois naquele tempo nem era comum as famílias terem freezer, muito menos microondas.

Então a cozinheira cozinhava o dia inteiro. Tomávamos o café da manhã a família toda junta, com a mesa arrumada, xícara com pires, colherzinha, guardanapo. Meu pai e minha mãe iam almoçar em casa e então sentávamos todos juntos à mesa de novo. À tarde tinha o café da tarde, que ora era café com leite, ora chocolate, ora mingau, sempre uma fruta, bolacha salgada ou doce. Meu pai às vezes aparecia para tomar o café da tarde em casa—e muitas vezes nos pegou no flagra fazendo arte durante as férias. No jantar a coisa incrementava, pois minha mãe fazia questão de servir sempre uma sopa antes do prato principal, mais salada e sobremesa. Durante a semana as sobremesas eram simples, frutas, ou salada de frutas, gelatina, sorvete. Para o sábado e domigo tinha sempre algo mais sofisticado, um pavê, uma torta. Todo sábado à noite tinha pizza, todo domingo macarronada com frango—se não houvesse um churrasco muito raro. Todas as refeições tinham horário fixo. Meu pai às vezes ganhava dos fazendeiros da região um porco vivo, ou galinhas, ou um sacão de batatas, ou outro artigo comestível. A empregada que cozinhava era incumbida de matar a galinha—tarefa repugnante que eu testemunhei uma vez e que marcou a minha memória para sempre. E minha mãe sempre inventando receitas novas, pegando idéias nos livros, que a cozinheira concretizava. Uma vez por mês ela encomendava peixes, que chegavam num caminhão refrigerado. E o leite vinha todo dia numa carroça puxada por um cavalo.

Minha casa tinha dois andares, em cima tinha uma cozinha que nunca foi usada, com um fogão, pia comprida, armários e um aparelho americano de assar frango. Ao lado tinha uma sala de jantar. Mas o buxixo ficava no andar de baixo da casa, onde tinha a cozinha pequena toda branca, onde a cozinheira com quem eu passei mais tempo—a Cida—ficava. Ao lado tinha uma copa grande, onde fazíamos praticamente todas as refeicões. Eu estava sempre pela cozinha, atrás das empregadas, xeretando a geladeira, abrindo armários, lendo os livros de receita. Essa Cida era uma mulata alta, gorda e muito mal humorada, que ficava muito irritada comigo sempre atrapalhando o serviço dela. Mas eu nunca me intimidei e um dia comecei a mexer nas panelas. Eu devia ter uns oito ou nove anos, não lembro exatamente qual foi a minha primeira invenção na cozinha, mas me lembro de uma idéia de girico que fracassou, fez uma sujeirada e me deu uma dor de barriga danada - eu misturei manteiga com ovos e açúcar e fritei à colheiradas no óleo quente. A Cida só revirava os olhos, grunia—devia estar me rogando pragas de caganeiras—e ia de cara fechada limpar a minha arte antes que meus pais chegassem, minha mãe tivesse um xilique e me desse uma surra.

Mais tarde lembro de ficar bem arrojada e abrir o livro de receitas A Alegria de Cozinhar da Helena Sangirardi e fazer uns sanduichinhos com pão pullman, maionese e pepino. Ninguém quis comer aquilo. Hoje entendo o que aquele sanduíchinho tão nada a ver com a nossa cultura culinária estava fazendo naquele livro. Dona Helena Sangirardi traduziu o The Joy of Cooking, então a herança inglesa da cozinha dos americanos foi parar nas nossas cozinhas brasileiras. Usei muito aquele livro nas minhas investidas na cozinha da Cida. Fui melhorando aos pouquinhos, claro, até chegar num ponto, durante a minha pré-adolescência, em que consegui fazer coisas completamente comíveis.

um engenheiro na cozinha

Meu marido não sabe fritar um ovo. É uma situação frustrante, e irritante às vezes. Eu sinto muito a falta de domínio dele na cozinha quando fico doente. Já houve episódios memoráveis, que até hoje são contados em minha defesa. Como aquela vez no Canadá, quando peguei uma desgraceira de um stomach flu e fiquei totalmente dismilingüida na cama, coisa pesada mesmo, incapaz de me levantar e ele cheio de trabalho no PhD dele, saiu e me deixou lá tremendo e suando, com remédios na cabeceira da cama e UMA LATA DE SOPA CAMPBELL'S com o ABRIDOR DE LATA ao lado, na bancada da cozinha. Hoje ele não ousa mais fazer isso, porque pegou SUPER mal.... Ele perdeu muitos pontos comigo, minha família e amigos. Mas mesmo ele se esforçando não tem jeito. Caí de cama no sábado e à noite ele comprou uma pizza congelada de caixa e deixou torrar. Não dava nem pra cortar com a faca, comi uma fatia como se fosse uma bolacha e voltei pra cama. No domingo, hora do almoço, um frio da cacilda, eu doente e desejando uma sopa quente e o que ele traz? Uma caixa com SALADA. Comi a salada tremendo e praguejando. Carvalho! Será o benê que a pessoa não se toca que doente quer conforto, quentura? Quando ele ficou doente duas semanas atrás, eu fiz uma sopa substânciosa. Mas no meu caso, tô ferrada.

Quem sabe se eu sugerir o cooking for engineers... Sei lá. Acho que quando o homem sai assim, com certeza deve ser culpa da mãe que não ensinou requisitos super básicos para a sobrevivência. Como saber cozinhar, por exemplo.




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