Quivira

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Anos atrás eu comprei uma garrafa de vinho zinfandel da vinícola Quivira no Whole Foods. Fui atraída pelo rótulo simples e chique e pela produção biodinâmica—o que implicava num vinho feito não apenas com uvas não tratadas com pesticidas e quimicos, mas levando em conta todo o meio ambiente. Já tinhamos visitado uma outra vinícola biodinâmica e ficado encantados com toda a filosofia e pratica. E o vinho é nada menos que delicioso. Quis conhecer essa também. Não deu para reservar um tour pela vinícola, porque eles só tinham para o periodo da manhã e não iríamos conseguir chegar lá em tempo. Uma pena, pois gostaria de ouvir a história do lugar e como eles aplicam os conceitos da biodinâmica no vinhedo. Mas andamos pelo lugar, que é muito bonito e tem uma horta enorme, com um galinheiro repleto de Felizbertas. Também fizemos o tasting padrão, com um branco e quatro tintos. Minhas preferências foram o sauvignon blanc e o zinfandel. Ficamos de convercê com o moço que nos serviu o vinho, ele nos perguntou de onde vinhamos e se trabalhávamos na UC Davis. Quando fui pagar o tasting de três pessoas e mais uma garrafa de vinho, o moço disse—vou dar um desconto pra vocês, porque vocês trabalham pra UC Davis e a UC Davis nos ajuda muito com pesquisas. Pro nosso choque e espanto, o desconto foi de 100% para os tastings e mais umas patacas descontadas da garrafa de sauvignon blanc que eu levei pra casa! ♥

the pie ranch

so manyso many
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Se você estiver rodando distraidamente pela belíssima Highway 1 e na altura de Pescadero ver uma placa—slow down for pie, pare imediatamente. Estacione, entre no celeiro e coma tortas, bolos e cookies deliciosos, beba uma xícara de café ou chá, compre uns feijões heirloom, ovos caipiras ou legumes e frutas orgânicos, mas não deixe de dar um rolê pela fazendinha escola da Pie Ranch. Achei o projeto muito bacana, onde as crianças e adolescentes vão aprender sobre autonomia e sustentabilidade. Eles trabalham com voluntariado e promovem um arrasta pé uma vez por mês, com dança e comida. Pena que para nós é um pouco fora de mão, senão eu iria certamente querer ir num desses forrós.

foraged citrus

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Não sei se há uma palavra apropriada no português para o ato de fazer forage—que é basicamente buscar por alimentos pelos arredores onde vivemos. Isso é uma coisa que existe desde os primórdios da humanidade, como sempre tinha alguém para pegar frutos daquela árvore na beira da estrada ou colher cogumelos e frutas silvestres na floresta. Felizmente essa prática vem se espandindo e se popularizando, tanto que começou a ser adotada também para as áreas urbanas. Em muitas cidades já existem redes de pessoas que praticam o foraging e que se conectam para trocar produtos, listar os melhores lugares, as áreas com plantas comestíveis e árvores frutíferas. Eu tive o privilégio de conheçer dois famosos urban foragers—a brasileira Neide Rigo que pega plantas e frutas pelas ruas de São Paulo; e o americano Hank Shaw que colhe todo o tipo de ingrediente comestível na nossa prolífica região do norte da Califórnia. Eles são pra mim o melhor exemplo de como podemos tirar proveito da abundância de produtos que proliferam espontaneamente ao nosso redor. Eu infelizmente ainda não pratico o foraging com muito afinco, apesar de viver num ambiente mais do que propício. Mas quando algo simplesmente aparece na minha frente, eu não perco a oportunidade e depois guardo a informação para repetir a dose. Como por exemplo, os limoeiros de ninguém que ficam na minha ex-vizinhança e onde todo inverno desde sei lá quando eu colho os deliciosos limões rosa. E no campus da universidade já marquei as árvores de kinkãs que neste momento estão carregadas de frutinhas. No ano passado fiz geléia com elas. Neste ano ainda nem sei o que vou fazer com elas, mas já fui colher uma sacola cheia.

the farm school

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Teve notícia nos jornais, tevês e rádios, porque foi a primeira classe a se formar nesse curso de fazenda. Eu estava lá convidada por uma das formandas e voltei um pouco mudada. Chegamos atrasados e por causa do nosso almoço tardio e do calor intenso nem tivemos muita vontade de jantar com as galinhas antes da cerimônia. Foi um jantar todo preparado com produtos da horta que podíamos avistar das mesas e regado à vinhos locais. Nos concentramos nas águas aromatizadas, servidas em jarras de conserva. Foi só o que fiz—beber água, andar pra lá e pra cá e conversar com amigos. Quando todos foram embora e a luz do entardecer já estava naquele ponto de transformar uma simples paisagem num cenário mágico, eu e o Uriel fomos sozinhos fazer um passeio pelas hortas rodeadas por pomares de nozes. No centro da pequena fazenda os barulhinhos vindos de um galinheiro nos dizia que já era hora de dormir—pois elas são madrugadeiras em tudo. Essa escola fazenda na cidade vizinha de Winters é parte de um projeto maior e que tende a crescer ainda mais. Enquanto passeava pelas hortas eu fiquei absolutamente tomada pela beleza de tudo aquilo e pensando o quando eu adoraria trabalhar num lugar assim. Sei que trabalhar com a terra não é pra qualquer um e certamente não deve ser pra mim, mas essa visita me deixou repensando muita coisa. E repensar é sempre o primeiro passo.

a feirinha da vila

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Outro dia minha amiga me contou que um dos vizinhos dela era o jardineiro com o dedo mais verde que ela conhecia e me fez um convite para conhecer as maravilhas que ele planta, colhe e agora também vende, numa feirinha improvisada num gazebo no gramado central da Village Homes em Davis. Essa comunidade, construída nos anos 70, já foi um exemplo de pioneirismo ecológico, numa área com mais de 200 casas planejadas e construídas como modelos de sustentabilidade e preservação ambiental. As casas são bem bacanas, mas é a área externa que se destaca, com jardins, hortas e pomares coletivos. Um paraíso para quem gosta de plantas e jardinagem e onde todos que quiserem podem usufruir da vantagem de ter terra disponível para plantar seus legumes e frutas. E é exatamente o que esse moço faz com prazer e dedicação. Os produtos que ele oferece são absolutamente perfeitos. E tão lindamente expostos, que comecei a tirar fotos assim que cheguei [e perguntei primeiro se podia]. Comprei um monte de coisas e fiquei lá mais tempo do que deveria para um dia de semana, conversando com quem entende do assunto. Uma pena que a Village Homes fica completamente fora de mão pra mim, senão eu viraria freguesa sem a menor dúvida.

UC Davis Farmers Market

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Não vou mentir nem negar que sou uma habitué um tanto quanto fanática dos Farmers Markets da região. Antes eu era frequentadora apenas do mercado de Davis nas duas versões de sábado e de quarta-feira, se bem que essa última era mais pra fazer os afamados picnics. Agora vou nas duas versões em Woodland, no sábado e terça-feira, e também nas quartas-feiras do UC Davis Farmers Market. Essa opção é bastante conveniente pra mim, pois fica bem pertinho do prédio onde trabalho e posso dar um pulinho lá durante o meu break da manhã. É uma variante minúscula e montada especialmente para servir a população de estudantes do campus—os que com certeza tem a pior alimentação de todas. Essa versão universitária, que começou em 2007, é sazonal e acontece semanalmente no campus durante a primavera e o outono. Esse mercado já figurou por aqui uns anos atrás quando eu ia lá com o meu saudoso chefe. Desde então eles mudaram para numa área mais espaçosa, mas a feirinha continua tão boa quanto e hoje mesmo eu fui lá e comprei um punhado de cerejas.

colhendo frutas [u-pick]

Market Flowers
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Market FlowersMarket Flowers
Market FlowersMarket Flowers
Market Flowers
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Market FlowersMarket Flowers
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Market Flowers

Desta vez fomos colher frutas na fazendinha orgânica da road 99 um pouco mais cedo e pegamos a [curta] temporada dos damascos. No ano passado colhemos apenas morangos e berries. Ficamos bem animados este ano e já voltamos duas vezes. Os morangos são deliciosos e segundo um amigo do meu marido que provou alguns, eles são os melhores que ele já comeu na vida! Eu até acredito. As berries ainda não estão super maduras, mas os damascos estão um caso à parte. As árvores estão carregadíssimas e as frutas estão lindas e dulcíssimas. Meu marido, que tem anos de experiência projetando robots chacoalhadores para colheita em árvores frutíferas, improvisou um chacoalhador manual no meio do pomar e pudemos coletar as frutas mais maduras que cairam das árvores. Adoramos e admiramos o fato da fazendinha usar o honor system na hora do pagamento. Nunca tem ninguém lá vigiando quem pega ou quem paga. Você colhe, você pesa, você paga o que eles pedem—treze dólares pelo baldinho cheio para morangos e damascos e quatro e cinquenta para o pound das berries. Acho que não dá pra ser mais local, mais fresco e mais próximo do produtor do que isso, né? É por essa, entre muitas outras, que eu adoro viver aqui na roça!

sim, eu sou uma locavore!

Algumas coisas estão bem diferentes na minha vida depois da minha mudança de casa e cidade. E tudo que eu achava que iria acontecer, não aconteceu da maneira como eu previa. Eu tinha certeza absoluta de que iria fazer muita coisa em Davis, além de trabalhar no campus durante a semana. Achava que iria continuar com as aulas de pilates naquele studio hiponga modernete frequentado pelas cheer leaders, continuar visitando a thrift store do SPCA regularmente, e nadando na mesma piscina de sempre com os Masters e que não perderia nenhum Farmers Market aos sábados. Well....

Mudei e comecei a olhar tudo em volta de mim. Achei uma piscina pra nadar perto de casa, comecei a visitar a lojinha de antiguidades da Main Street, achei um outro lugar pra fazer aula de pilates e praticamente não coloco mais o nariz em Davis nos finais de semana. No primeiro sábado em Woodland fui checar o pequeno Farmers Market da cidade. Foi um grande choque, porque o FM de Woodland é uma ervilha se comparado com o de Davis. São poucas bancas, não tem o peixeiro, nem a florista, nem o japonês dos cogumelos, nem a carne grass-fed, nem o frango caipira. São praticamente pequenos fazendeiros da região fazendo um esforço fora do comum para manter o mercado funcionando. Uma vez, conversando com a administradora, ouvi ela reclamar amargamente dos habitantes de Woodland que não tem o hábito de frequentar esse tipo de feira. O que eu faço com esse povo, ela me perguntou desgostosa. Respondi que ela precisava fazer umas promoções, divulgar mais, que tudo é uma questão de informação. Mas sei que não é nada fácil.

Nos últimos meses fui freguesa assídua do FM de Woodland. Frequentei as versões das manhãs de sábado e as da terça-feira à tarde. Fiz amizade com a maioria dos produtores, com quem bati ótimos papos, fiquei sabendo onde eles plantam, o que plantam, como plantam, por que plantam. Todo sábado eu voltava pra casa com a cesta lotada de delícias fresquinhas e com um sorriso na cara, porque as conversas eram as mais bacanas e variadas. Isso me deixava imensamente feliz, pela impagável oportunidade de socializar com a pessoa que tinha plantado, colhido e agora estava me vendendo o produto que iria virar minha refeição. Me encantei!

Quando fiquei sabendo que o mercado de Woodland era sazonal e iria fechar durante o outono e inverno, me desmanchei de tristeza. Peguei cartão de endereço com todos os fazendeiros, perguntei se eles vendiam direto da fazenda, se tinham frutas durante o inverno, me preveni. No primeiro sábado depois do encerramento das atividades do FM de Woodland, eu e o Uriel fomos ao de Davis. Fiz as compras no mercado lotado, muita gente comprando, outros só aproveitando a manhã e consumindo as comidas étnicas que são vendidas lá, muita gente fotografando as lindas abóboras. O Farmers Market de Davis está em atividade há 30 anos. Tem uma estrutura apropriada, construida pela prefeitura e que permite que tudo funcione mesmo durante os dias frios e chuvosos. É um mercado bacanérrimo, cheio de variedades e novidades, tem tudo o que você precisa e um pouco mais, a localização é excelente bem ao lado de um parque enorme, é realmente tudo o que falam dele, merece a fama de ser um dos melhores Farmers Markets do país.

Mas eu agora quero um pouco mais—ou melhor, um pouco menos. Porque adorei a oportunidade de chegar mais perto dos fazendeiros e das suas fazendas, mais perto das colheitas, observar as atividades no background de todo esse sistema que termina quando estou cortando um tomate para fazer uma salada na minha cozinha. Vejo os campos, os pomares e as atividades agrícolas diárias, de acordo com a estação. Me encantei com os campos de girassóis, com a colheita dos tomates e agora estou de olho num pomar de nozes com o chão todo salpicado de frutos, que estão prontos para serem colhidos, depois que as cascas racham e se abrem.

Decidi que vou tentar o máximo continuar consumindo os produtos dos fazendeiros de Woodland, vou mandar e-mail, combinar de passar pelas fazendas quando der. Uma das fazendas, que além de tudo é certificada orgânica, fica bem no meu caminho. Todo dia eu passo em frente e vejo um galpão onde a família arruma os produtos que serão vendidos durante o dia. Nao fica ninguém lá, apenas as abóboras, os melões e os tomates, uma lista de preços rabiscados numa lousa, uma balança para pesar os produtos e uma caixinha para a gente colocar o dinheiro. E eu gosto muito disso.

[*o que é um locavore?]

ovos caipiras

Já faz muitos anos que não compro uma caixa de ovos dessas de supermercado que custam $1,99 a dúzia [ou duas por $1,99 na promoção]. Não compro porque não acho necessário participar de um sistema baseado em crueldade para eu poder fazer uma omelete ou um bolinho vez ou outra. Compro e uso sempre os ovos da galinha feliz—fato que não preciso mencionar a cada receita que publico aqui, mas que é absoluto na minha cozinha.

Compro uma dúzia de ovos caipiras a cada duas ou três semanas, dependendo do que eu fizer na cozinha. Às vezes demoro mais pra gastar, porque não faço muita coisa levando 5 ovos e tais. No farmers market de Davis eu tinha a minha banca favorita para os ovos caipiras. E no primeiro dia no mercado de Woodland já achei minha fornecedora de ovos, de quem tenho sido cliente assídua.

Outro dia cheguei lá para comprar uma caixa e ela me disse—sinto muito, hoje só tem ovos para quem tem o nome na lista. E me explicou que nos dias muito quentes as galinhas diminuem a produção, pois é claro né minha gente, aquele bafão e você botando ovo? Elas simplesmente tiram uma folga. E a mudança da estação, com os dias amanhecendo mais tarde e anoitecendo mais cedo, também afeta a produção do galinheiro, pois donas galinhotas têm que ter o sono restaurador da beleza e nessa época dormem mais cedo e acordam mais tarde, não vão botar ovos nessas horas.

Coloquei meu nome na lista para cada duas semanas, pra ter certeza de que não ficarei totalmente sem ovos. Porque é assim que tem que ser. Nenhuma galinha é escrava e se eu quiser ovos em dias tórridos ou quando a estação faz eles ficarem mais curtos, eu é que terei que me esforçar, pagar mais e ter paciência.

Comparemos então a vida dessas galinhas que tem o direito de botar ou não botar ovos, com aquelas eternamente confinadas num cubículo iluminado noite e dia por uma luz artificial, comendo ração cheia de hormônios pra poder botar ovos dia e noite, sem nenhuma influência das leis naturais e assim suprir a demanda dos ovos com bacon e omeletes diárias pros pafúncios humanos.

Não é justo. E não é assim que precisa ser. A escolha é nossa.

fatias de abacaxi com açúcar

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Pra um abacaxi havaiano que não estava lá um primor de doçura, este pequeno make-up transformou a fruta ácida numa sobremesa instigante. E a transformação se fez em questão de segundos. Eu simplesmente adoro idéias assim, rápidas e fáceis. O pó de pirlimpimpim foi o açúcar feito de seiva da palmeira de coco, mais uma opçao ecológica e sustentável nas prateleiras de açúcar no meu Co-op. Escolhi comprar para experimentar essa versão com um toque de flor de sal de Bali. O sabor desse açúcar é muito agradável e o toque do sal só adiciona pontos na gostosura. Mas apesar de toda a propaganda, o açúcar de seiva de palmeira de coco continua sendo um açúcar e convém controlar o entusiasmo exagerado e não abusar.

na fazenda Yamaguishi

Chegamos na fazenda orgânica Yamaguishi em Jaguariúna às 8:30 da manhã de um dia que prometia ser esbaforento e quente. Mas naquela hora o frescor ainda imperava e assim que desci do carro respirei um ar que me pareceu imensamente familiar. Não sei explicar exatamente o que era aquele cheiro conhecido, de coisa fresca, de infância, de tempos bons, de riacho transparente, de mangueira carregada de fruta, de terra molhada e grama pisada. Avistamos uma casa grande rodeada de um varandão que me pareceu a sede administrativa e lá batemos para perguntar pelo moço que iria nos ciceronear naquela visita.

Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi

Eu, minha mãe e meu irmão fomos recepcionados por uma senhora, que nos ofereceu um café. Foi o tempo de brincar com o gato e olhar um pouco ao redor e já chegou o Romeu, com quem eu tinha trocado breves mensagens de e-mail. Não teve muitos salamaleques para agendar uma visita. Fui ao website da fazenda, cliquei no e-mail de contato e escrevi dizendo que queria visitar a Yamaguishi e que uns amigos, professores da Unicamp, tinham me recomendado que eu falasse com o Romeu. Dias depois estávamos lá, muito bem recebidos logo pela manhã para um convercê e depois uma extensa caminhada, com direito a explicações detalhadas sobre tudo e respostas para todas as minhas perguntas.

A fazenda Yamaguishi tem 60 hectares de mata replantada e 37 de mata original. Eles fazem entregas de cestas de produtos orgânicos à domicílio e participam também de várias feiras em Campinas e região. Oferecem 66 variedades de legumes e verduras, que podem ser escolhidos ao gosto dos clientes. O Romeu explicou que as estações não muito rigorosas do Brasil possibilitam a produão ininterrupta de muitos produtos, que são oferecidos quase que durante todo o ano. A sazonalidade é muito mais flexível, devido ao clima mais ameno. Nada é produzido em estufas, tudo saí dos imensos canteiros espalhados pela extensão da fazenda. E dali também saem o ano todo frutas como laranja, banana e maracujá. A fazenda Yamaguishi dispõe seus produtos com os de mais 17 agricultores orgânicos da região, que formam o Grupo Mogiana. Eles promovem cursos, e treinamentos, dividem experiências e técnicas, que são praticadas por todos. A variedade dos produtos oferecidos pela Yamaguishi é também graças à essa organização de produtores. O grupo também participa de um planejamento de produção com os agricultores convencionais, para ajudar com controle de pestes, preservação do meio ambiente e divulgação de técnicas de agricultura orgânica e sustentável.

Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
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Nossa caminhada pela fazenda nos deixou de língua de fora e com o queixo caído. São apenas 27 pessoas cuidando da produção de legumes, verduras, frutas e de um montão de galinhas. Todos vivem em casinhas dentro da fazenda e todos administram o negócio conjuntamente. Na Yamaguishi não tem chefe, não tem dono, todos são iguais pela filosofia que é aplicada no dia-a-dia. O Romeu nos explicou como eles controlam as pestes sem quimicos, como reusam o excedente, reaproveitam tudo, fazem rotação da lavoura, preservam o rio e a mata, e os animais silvestres que vivem por lá. Eu deveria ter levado um gravador, pois foi muita informação pra memorizar. Uma das coisas que me chamou a atenção foi a lindeza dos canteiros, folhas enormes, brilhantes, quase sem nenhum ataque de bichos e o Romeu contou que isso é resultado de anos das práticas orgânicas. A fazenda já tem 22 anos e serve 800 clientes das cestas entregues semanalmente, mais as feiras e o suprimento de lojinhas, como a Macróbios de Campinas. A fazenda recebe visitantes comuns, grupos de escolas e tem também umas atividades abertas ao público nos finais de semana. É só escrever ou ligar pra eles e perguntar.

Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi

Mas a parte da fazenda que mais me impressionou foi a dos galinheiros. De longe avistamos o imenso gramado todo cercado com arame, onde as galinhas ciscam livremente das 10 da manhã até às 5 da tarde. É um espaço cercado por razões óbvias—não dá pra deixar centenas de galinhas soltas pela fazenda, expostas à predadores e depois ficar catando os ovos botados ali, aqui e acolá. Eles têm um esquema super bem organizado, com galinheiros espaçosos onde os franguinhos moços e as franguinhas moças crecem primeiro em espaços separados. Na fase adulta eles finalmente se juntam, um bando de galinhas e um seleto número de vigorosos galos. Os ovos são fertilizados, fruto do ciclo natural da vida. Mas o Romeu contou que apesar das galinhas estarem em maior númerto, quem escolhe o galo são elas, portanto são elas que realmente mandam no galinheiro. Entramos em alguns deles onde naquela hora matinal as penosetes ainda estavam botando ovos. Cada galinheiro tem um compartimento onde as galinhas entram e ficam lá, quentinhas e fechadinhas, colocando os ovinhos em total privacidade. O Romeu quis nos mostrar um deles e para nossa surpresa, antes de abrir bateu na porta do compartimento explicando que todos os outros funcionários também faziam o mesmo, em sinal de respeio, para avisar as galinhas de que elas iriam ter a privacidade invadida. Como adentrar um quarto de moçoilas enquanto elas estão fazendo a toilete, com um toc toc toc e um discreto com licença para mostrar respeito.

Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
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Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
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O Romeu foi nos mostrando tudo, pegou o solo do galinheiro com as mãos, explicando que aquilo iria adubar os canteiros da fazenda. Nunca vi terra tão limpa. Naquela hora um dos funcionários estava deixando os sacos de ração nas portas dos galinheiros. A ração é feita lá mesmo na fazenda, vimos a lista dos produtos—nada de porcariadas, nada de artificial, nem de quimico, só ingredientes naturais. As galinhas comem até casca de ostra, que ajuda a deixar a casca do ovo mais durinha. Vimos também o pessoal pegando os ovos [e batendo na porta e pedindo licença antes], a limpeza e armazenamento, depois o empacotamento dos ovos fresquinhos que vão para as cestas domésticas ou para os mercadinhos. Os ovos da Yamaguisi são realmente de galinhas saudáveis e felizes—eu posso dizer isso, pois fui lá e vi!

Fazenda Orgânica YamaguishiFazenda Orgânica Yamaguishi
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Saí da fazenda Yamaguishi um bocado entusiasmada, porque pude ver com meus próprios olhos, e caminhando e sujando o meu calcanhar de terrão vermelho, o trabalho bacanérrimo que tem sido feito ali com os orgânicos. Muita gente me diz que onde mora não tem orgânicos, que é difícil, eteceterá e tals. Mas eu tenho certeza que tem muito agricultor, pequeno ou grande, fazendo coisas muito bacanas, como o pessoal da Yamaguishi já está fazendo ali nas imediações de Campinas há várias décadas. O truque é começar a procurar. Olhar em volta, fazer muitas perguntas, se informar, se conectar, montar uma rede e ajudar a divulgar—quem vende os legumes, o leite que entrega em casa, o queijo, os ovos, aquele sitiante que aceita encomenda de galinha ou de um porquinho. E assim vamos devagarzinho saindo daquela imposição dos grandes produtores e distribuidores, e vamos mudando um bocado da nossa alimentação e da nossa vida, pra melhor!

Hoes Down Fall Festival

hoes down fall festival
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Me diverti à beça no passeio que fizemos com nossos amigos da Unicamp na Full Belly Farm no dia do Hoes Down Harvest Festival, o festival do outono e da colheita. A Full Belly é uma fazenda orgânica localizada no Capay Valley e organiza essa festa, bastante famosa, há quase trinta anos. Além de poder conhecer a fazenda, ver o que eles produzem e como eles produzem, pode-se aprender muito com vários workshops e entender um pouco como funciona essa tal de agricultura sustentável. Mas a melhor parte dessa festa é mesmo a diversão—música, dança, comida e bebida. Nos vários palcos montados pela fazenda, tocava música ao vivo ininterruptamente e toda a comida servida era feita com ingredientes orgânicos. Desde o cachorro quente e os hamburgueres, feitos com carne grass-fed de animais criados de maneira humanitária, até os tomates e as salsinhas das saladas, vindos das fazendas da região. Tudo uma delícia, até a cerveja orgânica da cervejaria Thirsty Bear de San Francisco e os vinhos orgânicos de vinícolas locais.

Toda energia usada na festa era solar, o lixo era todo reciclado e o orgânico compostado, um mercado vendia frutas, legumes e verduras, tinha muita atividade para entreter a criançada, muita coisa legal pra ver e fazer. Nas fotos, um pouquinho de cada coisa: as crianças ajudando a moer a maçã para fazer apple cider, a apresentação dos alunos da escola Waldorf de Davis, o galpão cujo teto estava forrado de flores secas, os produtos feitos com a lavanda orgânica desta fazenda que visitamos na primavera, centenas de abóboras para quem quisesse fazer sua própria jack-o-lantern, artesanatos com flores, lã, panos e tintas para colocar as mãos na massa, e muita coisa boa para comer e beber, incluindo os mais deliciosos e mais criativos picolés do mundo vendidos pelas meninas do Fat Face de Davis.

O festival durou dois dias e teve música e dança até tardão da noite. Quem quisesse podia acampar na fazenda. Nós fomos somente no sábado e não ficamos até o final, porque já tínhamos outro compromisso. Foi a primeira vez que participei, mas com certeza não será a última. No próximo ano estarei lá novamente—nem dúvide, pois já marquei na agenda!

garrafa vira copo

copos-garrafas_1S.jpgAs garrafinhas dos refrigerantes vintage da Boylan ganharam um corte arredondado e viraram uns copinhos muito fofos. O charme está também nos rótulos pintados no vidro, que são originais dessa marca. Esses foram comprados assim já cortados na loja Sur la Table. Mas se vcê conhecer alguém que domine a técnica do corte do vidro e que deixe os copos seguros para quem for usar, pode mandar fazer os copos do tamanho que quiser, com as garrafas que quiser. Não é uma ótima idéia?

compras verdes

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Uma tábua de pia feita com embalagens de alimentos reciclados, produto dos EUA [nada de made in China] e muito anatômica. Da mesma marca que faz minha escova de dentes. Eu fujo dos plásticos, mas abracei essa idéia!

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Na mesma loja onde comprei as forminhas para picolé, também encontrei a solução que buscava para guardar legumes e verduras na geladeira. Ficava incomodada com o tanto de ziploc que gastava, mesmo tentando ao máximo reusá-los. Esses, laváveis, não só guardam os produtos na geladeira, mas podem ser levados ao supermercado e feira, para colocar as compras neles. Ao invés de pegar outro saquinho, leva o seu, reusa, lava, reusa. Adorei a idéia e aprovei a qualidade, pois meus legumes e verduras ficaram muito bem conservados na geladeira. Comprei quatro pacotinhos, cada um contendo dois sacos grandes e um pequeno e custando dez patacas.

from the ground up

Whole Earth Festival 2010Whole Earth Festival 2010
Whole Earth Festival 2010
Whole Earth Festival 2010
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Whole Earth Festival 2010
Whole Earth Festival 2010

Três dias de música, paz e amor. Não estou falando de Woodstock, mas do Whole Earth Festival, que acontece todo ano no campus da UC Davis desde 1969. É um festival hippie, celebrando a diversidade e a vida alternativa. Todo ano é a mesma coisa, mas eu vou com o mesmo entusiasmo e como as delicias vegetarianas que eles vendem, ouço música ou discursos políticos e ambientais nos diversos palcos instalados pelo campus, olho as barracas de artesanato e o povo colorido. É um dos festivais mais populares e frequentados da universidade. Detalhes interessantes: toda a eletricidade, até a do palco principal onde as bandas grandes se apresentam, é gerada por energia solar. O festival produz ZERO de lixo, com seu programa eficientíssimo de reciclagem. Eles usam uma técnica muito legal de utensílios rentáveis. Você paga um dólar extra pelo copo, garfo ou prato, e recebe o dinheiro de volta quando retorna. A segurança e organização do festival é feita por um grupo de voluntários denominado Karma Patrol. Todos são bem-vindos, hippies, geeks, caretas, etc. Todos se vestem como querem, e dançam como querem pelo gramado do Quad. Toda a comida vendida nas barraquinhas do festival é vegetariana, vegana ou étnica. No Whole Earth Festival você vai ver de tudo, coisas que normalmente não vê no campus da Universidade da Califórnia em Davis, que é um campus muito mais sisudo e careta do que o de Berkeley, por exemplo. Nestes três dias de festa, a cidade se enche de Kombis psicodélicas e pessoas com roupas e cabelos coloridos. Eu vou sempre, pois adoro essa festa. Neste ano comi comida raw e vegana, como no ano passado. Era um curry de legumes crus, o arroz era repolho bem triturado, a salada tinha um molho delicioso e os crackers estavam incríveis. O Uriel comeu um sanduba de berinjela grelhada, nada excepcional. Bebemos limonada de gengibre adoçada com néctar de agave e de sobremesa dividimos um crepe integral recheado com morangos frescos e decorado com açúcar e nutella.

»veja todas as fotos do WEF 2010 no Flickr.
»WEF 2009—sustainalovability.
»WEF 2008—mending our web.
»WEF 2007—the zero waste festival.

Theo

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Os chocolates da Theo são feitos com cacau orgânico e fair trade e esse amargo, com figos, erva-doce e amêndoas, ainda é vegano. Não resisti à essa mistura diferente, especialmente por causa da erva-doce. E de quebra eles ainda vêm com essa embalagem super fofa. Já fiquei freguesa, pois o chocolate é delicioso!

Ubuntu

Ubuntu—que significa "praticar atos humanitários em relação aos seus semelhantes" num dialeto sul africano—não é apenas mais um restaurante vegetariano onde não se serve carne, mas sim um espaço onde se promove a celebração das delicias dos ingredientes fresquíssimos, muitos cultivados na horta biodinâmica que o restaurante mantém, outros vindos de inúmeras fazendas da região. A cozinha do Ubuntu é extraordinária e lindíssima. Eu nunca tinha visto um uso tão extenso das flores comestíveis, que aparecem como ingrediente ou guarnição nos mais diversos pratos, dos frios aos quentes, até a sobremesa. E tudo é absurdamente fresco. Esqueça definitivamente que existem saladas pré-lavadas e vendidas em sacos. No Ubuntu cada folha é manipulada com um imenso cuidado. Vi um dos chefs espirrando cada folhinha verde com água e vi os pratos sendo preparados e montados como se cada um fosse uma jóia preciosa indo para um leilão.

Eu tinha esse restaurante marcado na minha lista de lugares para ir há muito tempo. Resolvemos almoçar lá no sábado. O Ubuntu restaurante e yoga studio fica no centro da cidade de Napa, instalado num prédio antigo que foi reformado com um design ecológico, usando madeira reciclada, transformada por artesões locais em pisos e móveis.

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A garçonete que nos atendeu primeiro nos contou sobre o significado da palavra Ubuntu, e sobre a horta biodinâmica de onde vem a maioria dos produtos fresquíssimos, de como a primavera era a melhor e mais excitante estação para os chefs e de como todos os pratos, servidos em pequenas porções, tinham sido preparados para que fossem divididos entre os comensais. Tivemos um pouquinho de dificuldade para entender o cardápio, cheio de nomes e ingredientes diferentes. Mas iniciamos com as três entradinhas clássicas—azeitonas castelvetrano marinadas num pesto de nasturtium [nastúrcio/capuchinha], as amêndoas marcona com açúcar de lavanda e flor de sal e os palitinhos de grão-de-bico fritos com molho romesco.

Depois dividimos uma salada de verdes da horta, chamada de gargouillou, com folhas verdes, flores, raizes e um pózinho de avelãs e beterraba. A salada quase não tinha tempero algum, para que se pudesse sentir o sabor de cada folhinha. Achei muito refrescante e adorei a quase ausência do molho.

Depois nós pedimos um mini-nhoque de cenoura com uma camada de pesto e mais outras coisas que não consigo lembrar, mas que estava uma delicia, leve e suave. E o prato final de couve-flor na panelinha de ferro, que chegou à mesa super pelando, com brotos de coentro e torradinhas de manteiga escura. Esse prato me encantou! Estava delicioso demais. Dividimos os dois pratos quentes, com nossas colherezinhas que vem com cada prato. Eles mudam os pratos e talheres a cada novo pedido. No Ubuntu não é permitido ser egoísta, você é incentivado de todas as maneiras a dividir. Gostei disso.

As sobremesas, também com colheres para dividir, fecharam nosso almoço com chave de ouro. Tivemos um sorvete de citros com rodelas de bananas com uma camada de caramelo por cima de cada uma e um micro bule com um leite de coco morno pra jogar em cima. Simplesmentedivinomaravilhoso! E depois um sorvete de lima keffir com tapioca de ruibarbo e uma soda sabor gerânio afogando tudo. Eu comi pronunciando mantras de alegria e prazer.

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Apesar das porçoes serem pequenas, achamos que comemos muito bem com três entradas, dois pratos quentes, uma salada e duas sobremesas. A conta ficou muito aquém do que eu imaginava que ficaria. No Open Table, onde fiz as reservas, a lista de preços indicava entre $31 e $50 por pessoa e é exatamente isso. E ainda bebemos prosecco, ginger ale natural e uma garrafona de água com gás.

O menu é sazonal e por isso muda constantemente. O David Lebovitz esteve lá no outono do ano passado e provou algumas coisas similares e outras diferentes. Gostei de ler a opinião dele [um chef] pois é quase a mesma que a minha [uma reles mortal].

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Já escrevi tanto sobre este festival que acontece todo mês de maio e coincide com o final de semana do dia das mães, que já esfolei o dedo cata-milho. Neste ano, o Whole Earth Festival completou 40 anos, firme e forte, cada vez mais dedicado às suas propostas originais. Essa festa imensa que dura três dias não acumula lixo nenhum, graças à implementação da reciclagem intensiva. Não há copos, pratos e talheres de plástico ou papel. Pagamos pelos utensílios, que são reutilizáveis e que quando devolvemos e ganhamos o dinheiro de volta. Ninguém aqui é bobo de desperdiçar grana, né? E toda a comida servida no festival é vegetariana, orgânica, local, natureba plus! Eu adoro comer os rangos e neste ano fui de comida vegan, que não é algo muito comum de se ver por aí. Comi um prato mediterrâneo, com dolmas—os rolinhos de folha de uva com molho de tahini, salada de folhas com um molho de nozes e um humus de coco delicioso acompanhado de torradinhas veganas. Pensar que nesse prato saborosissimo não foi usado nenhum ingrediente de origem animal, me inspira! E o Uriel foi de pita de berinjela, que também estava muito bom. Bebemos uma limonada de gengibre adoçada com agave nectar e depois matamos o caloire com picolés de kiwi colada!

Eu devo ter mesmo uma alma hiponga que fica feliz apenas em passear por esse festival, ver as barracas de artesanado, as barracas políticas, as de tratamentos alternativos, palestras esotéricas, de vida alternativa. Neste ano havia duas barracas ensinando a usar os fornos solares. Só não vi muitos protestos políticos, por uma boa razão. E tem muita gente dançando, improvisando música, shows de artistas mais profissionais, dança, batucada, até escola de samba [a UC Davis tem uma muito boa]. Toda a energia usada no festival vem dos painéis solares, que são instalados em vários pontos.

Para mais detalhes sobre essa festa, siga o link do meu post sobre o Whole Earth do ano passado ou ainda o de um ano anterior. E veja mais fotos de 2009 AQUI e outras fotos de 2008 AQUI.

Fair Trade

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jasmine coral rice

Quando eu perguntei ao meu amigo que é diretor da fazenda orgânica da UC Davis e uma das pessoas mais engajadas em políticas de agricultura e meio-ambiente que eu conheço, o que mais eu poderia fazer além de comprar local e orgânico de produtores que praticassem a auto-sustentabilidade, ele respondeu na lata—buy Fair Trade!

Ele também me recomendou pesquisar os fazendeiros que adotassem práticas justas com seus trabalhadores, não explorando mão de obra barata e ilegal. Mas o Fair Trade é um detalhe muito importante para os produtos que vem de países mais pobres e em desenvolvimento, pois essa prática econômica tem como um dos seus objetivos principais promover um sistema global de economia sustentável e justa. Morando num país rico que compra produtos de países mais pobres, é minha obrigação tentar não contríbuir com qualquer tipo de exploração. Banana, chocolate, café, açúcar são produtos que têm uma boa distribuição Fair Trade aqui nos EUA. A banana e a quinoa que eu compro são Fair Trade. Há muitos outros produtos nas prateleiras dos supermercados que também são, é só procurar com cuidado. Esse delicioso arroz jasmine coral da Tailândia é Fair Trade. Fique de olho nesses produtos você também!

»Para saber mais, visite o website da Fair Trade Federation.

sabão feito em casa

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O sabão feito em casa pela Osmarina chegou na semana passada na mala do Gabriel. Ela me mandou um tablete, porque sabe como eu sou atrapalhada, mancho todas as minhas roupas com respingos de comida e esse sabão é famoso por ser tiro e queda na eliminação de manchas. E a Osmarina é expert nessas tarefas de desencardir. Eu aqui, com todos os produtos sofisticados pra espirrar, nem sempre consigo os resultados que ela consegue com uma simples barra de sabão em pedra. Além de tudo esse sabão é feito com sobras de óleo usado de cozinha, aquelas que você não deve jogar no ralo da pia nunca.

Para quem quiser experimentar fazer esse poderoso sabão em casa, aqui vai a receita, enviada pela minha mãe:

5 litros de óleo de cozinha usado e coado, 1 copo de sabão em pó, 1 copo de pinho sol, 1 copo de detergente, 1 quilo de soda cáustica Yara, 1 litro de água fervendo, bem fervendo. Colocar a soda no balde com a água fervente, tomar cuidado porque borbulha*, colocar o sabão, o pinho sol, o detergente e por último o óleo. Bater por 40 minutos com o cabo de uma vassoura—só que a Osmarina bateu com as colheres da batedeira por 20 minutos e ela achou que ficou melhor. Colocar numa vasilha retangular e deixar até o dia seguinte. Cortar em pedaços.

* Minha sugestão é que você use luvas e, se possível, também óculos de proteção para fazer o sabão, afinal estará mexendo com soda cáustica e o seguro morreu de velho, num é?

uma bolsa para a bolsa

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Cria-se o hábito. No carro eu mantenho uma cesta redonda grande, duas sacolas de pano, duas de lona plastificada e uma térmica. Não tem mais erro, nunca esqueço de levá-las comigo quando vou às compras. Sacoletas de plástico NO MORE! Mas o negócio era a comprinha informal, que não era aquela compra de supermercado, quando se dá apenas uma passadinha na farmácia ou de repente se vê algo legal e decide comprar. Lá vem a sacolonstra. Mas um dia, no passado, eu fui até a bookstore da UC Davis ver uns earphone novos para usar no meu computador durante o trabalho e vi essas sacoletas. Comprei várias para dar de presente e guardei uma pra mim. Ela é perfeita para se carregar na bolsa e para ser sacada nos momentos cruciais—eu não preciso de nenhuma sacola, pois tenho a minha própria. Tcharannn! Alegria, alegria! Ela é bem pequena, cabe na palma da mão e quando aberta fica enorme, carrega muita coisa. Além de ser feita de um material resistente e lavável, ainda é lindona. A Andrea do bacanérrimo blog Superziper tem uma igual e a mesma opinião que a minha.

esse papo já tá qualquer coisa

Minha rotina depois do jantar é subir pro meu quarto, ligar a tevê sempre no mesmo canal e clicar no guia pra ver o que está passando ou o que vai passar e assim poder planejar se vou assistir algo no canal ou colocar um dvd. Depois entrar no banheiro, sempre acompanhada por um dos gatos—se for o Misty eu tenho que abrir a água de uma das pias, se for o Roux vou ter que ficar conversando um pouco com ele, que vai miar com uma voz esganiçada que nos faz dobrar em riso. Tomo o meu banho, faço toda a rotina de escovação de dentões e hidratação de corpão, volto para o quarto e vou ler meus livros e ver meus filmes. Ontem já tinha decidido que não iria ver o filme que estava passando no TCM, o meu canal vitalício—The Joy Luck Club. Eu já vi e revi esse filme, inteiro ou em partes, inúmeras vezes. E todas as vezes eu me debulho em lágrimas. Não tem jeito, o filme é um clássico tearjerker pra desopilar o fígado e lavar a alma. Então quando saí do banho, já pensando qual seria o dvd que iria escolher pra assistir e de olho no livro que estou lendo, sentei na cama ajeitando as costas nas muitas almofadas e pow—não consegui mais descravar o olho do filme, que já estava pra lá da metade. E lá fui eu outra vez, chorar de dar bafão, de assustar os gatos, daqueles choros com gemidos, dolorido, que parece que os dentes vão cair e a cara vai estourar, que me deixou esbugalhada, cansada, fungando e de olhos ardendo. Quando o filme terminou com o encontro das irmãs, meimei! meimei!, eu já estava um farrapo humano, suspirando com uma cara aparvalhada. Fui dormir.

O resultado do chororô da noite foi uma cara matinal de pinguça, agravada por uma dor de cabeça que veio galopante e me deu um baita de um coice no crânio. Estou acordada há quase quatro horas e ainda sinto as sequelas da miserável. Somente o Blues poderá salvar este famigerado dia. Escrever também ajuda.

Estou pensando no futuro, no que vou fazer amanhã e em novembro. O dia vai ser quente, mas está nublado e esfumaçado, um ar pesado e poluído devido aos incêndios que se alastram pelo norte do estado. Isso tudo desanima, até de cozinhar e comer. Tenho me dedicado às receitas simples, rápidas e fáceis. Minha cozinha está cheia de produtos fresquinhos de verão, mas eu não ando entusiasmada. Os deliciosos tomates maduríssimos viram uma simples salada ou são combinados com alho e manjericão numa panela de pasta de rodelinha. Chegou um maço tão gigante de manjericão na cesta orgânica, que fui obrigada a fazer um pesto. Usei uma mistura de nozes e pecans, que era o que eu tinha, Torrei as nozes e as pecans e fiz como manda a receita clássica. Usei um pouco da água do cozimento da pasta pra diluir o pesto, dica da Marcella Hazan que já adotei. No outro dia fui às compras e fiz couscous com cranberries secas e pinoles. Mais um rango simples, servido com salada, porque não ando muito insoirada. E há muitas batatas. Batatas amarelas, brancas e roxas, que chegam toda semana, junto com as folhas verdes, que eu decidi impôr férias, então retiro da cesta lá mesmo na fazenda e coloco numa cesta onde acredito as pessoas doam o que não querem pra uma tal de Kara. A cesta de verão é realmente colorida, com muitos tipos de abobrinha, tomates e algumas frutas. Nesta semana chegaram figos, roxos e verdes, que foram devorados em minutos.

O website da UC Davis traz uma reportagem bacana sobre sustentabilidade e nela vocês poderão ver um pouquinho da fazenda orgânica dos estudantes, de onde vem a minha cesta semanal. Em Planting the Seeds of Change, clique no audio slideshow da direita, Student Farm lessons.

Whole Earth Festival

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O Whole Earth Festival é uma festança hiponga que acontece todo ano no campus da UC Davis durante o final de semana do dia das mães. E eu estou sempre lá porque acho tudo muito divertido. E já escrevi muito sobre esse evento, que considero um dos mais bacanas no calendário acadêmico. É uma festa imensa com quase ZERO de lixo. No ano passado, 97% de todo o lixo produzido pelo festival foi reciclado. Tudo funciona com energia solar. Para a comida há o eficientíssimo esquema de cobrar $1 por cada prato ou copo e $0.50 por cada talher, que quando é devolvido recebe o dinheiro de volta. Ninguém quer perder dinheiro, então praticamente não se produz lixo e todo restante de material orgânico vai pro composto da universidade. Toda a comida é vegetariana, há muita música ao vivo, todo tipo de manifestação política, religiosa e filosófica e aquele comérciozinho básico que não pode faltar, apesar do clima odara da festa. Em outros anos escrevi textos mais inspirados e simpáticos AQUIAQUI & AQUI. Outras fotinhos AQUI. Neste ano fui bem cedo e comi samosas com chutney, bebi limonada e eu e o Uriel dividimos um prato de stir fry de legumes e tofu com arroz integral, mais um knish, que é um bolo de batata, espinafre, cebola, alho e especiarias embrulado numa folha de massa finíssima e grelhado.

um bom motivo

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As batatas, orgânicas e fresquinhas, chegam sujas assim. Mas isso não é nada. Basta um pouco de água e uma boa esfregada com as mãos e a terra toda desce ralo abaixo. O pior são as folhas, muitas, imensas, que é preciso olhar bem, lavar bem, ter muito cuidado, porque ninguém quer encontrar intrusos alienígenas na salada. E todos os legumes vêm com cabos e folhas. O milho vem na palha, que quando se abre encontra-se sempre lá, confortavelmente alojada, uma lagarta. Tudo precisa ser muito bem esmiuçado e muito bem lavado.

Outro dia, conversando com o Uriel sobre o ritual da cesta orgânica das segunda-feiras, me perguntei por que eu faço isso toda semana há tantos anos? Vou lá na fazenda buscar a cesta, volto e me ponho a lavar e organizar tudo, depois tenho que pensar no que fazer com os legumes e verduras, alguns não muito comuns, que nunca fizeram parte da minha dieta. Por quê?

Porque eu acredito no que estou fazendo. Porque quero comer saudável, quero proteger o meio ambiente, quero apoiar a agricultura local e quero consumir alimentos orgânicos, frescos e sazonais. Eu quero e acredito, e é por isso que me dou todo esse trabalho. Toda semana.

a tal da cesta orgânica

Muita gente me pergunta que raios de cesta orgânica é essa, a qual eu me refiro todo o tempo aqui no Chucrute. Ela é a minha fonte de legumes e verduras, tem sido por quase uma década. Eu pago uma taxa trimestral e recebo uma cesta cheia de verduras e legumes uma vez por semana. Na verdade eu não recebo, mas vou buscar eu mesma lá na fazenda dos estudantes da Universidade da Califórnia aqui em Davis. Os legumes e verduras são sazonais, então eu só consumo o que está na crista da onda. Tudo é plantado e colhido na fazenda, pelos estudantes e funcionários. Essa minha cesta é uma CSA—Community Supported Agriculture, que é um negócio bem legal, pois você se compromete, pagando adiantado como uma assinatura de revista, a consumir produtos locais, produzidos por uma fazenda da sua comunidade. Pra mim funciona muito bem, apesar que essa cesta contém produtos suficientes para alimentar duas famílias pequenas. Eu costumava dividir minha cesta, mas já faz um tempo que não faço mais, por isso essa abundância que nem sempre conseguimos dar conta.

* nas fotos se vê alguns melões, que chegam no verão. a cesta às vezes tem frutas, mas é um treat, assim como são os feijões, pipoca, tomates secos e as flores.

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Para quem está nos EUA e acha que não vai encontrar esse tipo de CSA na sua região, eu sugiro uma olhada no website do USDA. E sei que esse serviço de venda e entrega de produtos orgânicos está se disseminando e pode ser encontrado por todos os cantos do mundo. Converse com quem já tem esse serviço e mora na mesma área que você. Muitos fazendas fazem entregas em casa. Se puder vá visitar a fazenda, pra ter certeza que não está comprando gato por lebre. Eu estimulo esse tipo de consumo, pois acho que vale à pena. Eu tenho que ir buscar minha cesta na fazenda, depois tenho que lavar tudo muito bem lavado, pois os produtos vem bem sujos de terra e com bichos, mas não troco minha cesta por nada, muito menos por produtos semi-processados , cheios de orvalho de mangueirinha e lustrosos de cera do supermercado.

Se eu ganhasse uma pataca por cada pessoa que eu já inspirei e ajudei na conversão para os CSA orgânicos nesses últimos anos, já teria uma pequena poupança. Muito bom, muito bom mesmo!

aquele do tomatão

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O supermercado que eu mais frequento e que mais gosto aqui em Davis é o Food Co-op. Eu vou lá mais ou menos duas vezes por semana, mas eu conheço gente que vai todo dia. É muito difícil não gostar daquele lugar. Assim que cheguei em Davis, enquanto esperava a burocracia da minha papelada para poder trabalhar, fiz voluntariado no Co-op. Por dois meses trabalhei recebendo como pagamento um bom desconto nas compras. Eu tirava a poeira das prateleiras, rearranjava os produtos, deixava tudo bonitinho. Foi uma experiência interessante e desde então, passei a ser apenas consumidora.

Adoro ir lá por causa do ambiente. Não é um supermercado grande, nem chique, mas tem uma vibração super legal e é frequentado por pessoas bacanas de todas as tribos. Os funcionários são de uma gentileza ímpar e percebe-se que é uma coisa genuína, não é reflexo de um treinamento de marketing. Outro dia fiz uma pergunta pra um cara altão que estava enchendo alguns containers de bulk com produtos e ele—sem parar de falar um minuto, me levou pra cá e pra lá, me mostrando as opções. Difícil sair insatisfeito de lá.

No Co-op eu sempre encontro amigos e faço sucesso com minha sacola e-correta. Os caixas e empacotadores revezam, mas sempre puxam conversa, agradecem quando você toma a iniciativa e coloca as coisas na sacola. E tem sempre gente interessante nos corredores e nas filas. Outro dia um rapaz completamente out there comprava várias garrafas de cerveja. A cena estava engraçada, porque ele não estava com os dois pés completamente seguros no chão do planeta. No final ele saiu com umas garrafas enfiadas em sacos de papel e esqueceu uma pra trás. E ontem mesmo no caixa atrás de mim, um casal estrangeiro, que achei que deveriam ser filipinos, não falava UMA palavra de inglês e ria muito, de tudo, tentando se comunicar com a caixa, que tinha o rosto completamente vermelho e não sabia mais o que fazer para explicar que a sacola de papel era DE GRAÇA!

Além das coisas deliciosas que o Co-op vende e que muitas vezes só se encontra lá, ainda temos a vantagem ludica de sermos recepcionados na entrada por um tomate. A estátua ostensiva e acolhedora faz parte do tratamento diferenciado que nenhum outro supermercado tem.

* foto da escultura do tomate tirada DAQUI

cem por cento local

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Um almoço cem por cento local—norte da Califórnia. O peixe é um leopard shark pescado em Bodega Bay, temperado com sal, pimenta branca, envolto no fubá e frito no óleo, servido com um gomo de limão do meu quintal. A salada são folhas verdes dos meus produtores favoritos no Farmers Market com as passas dos fazendeiros de Sanger, temperada com limão, azeite, sal. Os cogumelos são também do Farmers Market, do produtor japonês de quem eu compro cogumelos orgânicos todo sábado, eles foram refogados com alho da cesta orgânica da fazenda da UC Davis e azeite orgânico do Napa Valley. Se quiser esticar mais um pouquinho o esquema eat local, os pratos também podem ser considerados locais, pois são feitos manualmente em Sausalito, pela Heath Ceramics. Nota final do crítico, depois dessa refeição: estava excelente. me senti almoçando no Chez Panisse. ha ha ha ha ha!

Eat your view!

“Eat your view!”—Atualmente lê-se isso por toda a Europa em adesivos colados por todos os cantos. Como está implícito na expressão, a decisão de consumir produtos locais não é somente um ato de conservação, mas é também uma ação provavelmente muito mais efetiva [e sustentável] que mandar cheques para organizações ambientais.

Mas “Eat your view!” envolve um bocado de trabalho. Participar da economia local requer um esforço consideravelmente maior do que fazer compras no Whole Foods. Não iremos encontrar produtos para o microondas nos Farmer’s Markets ou na nossa cesta orgânica dos CSA [Community Supported Agriculture], e certamente não poderemos comprar tomates em dezembro. O consumidor de produtos locais vai precisar correr atras da fonte para a sua comida. Vai ter que descobrir quem tem a melhor carne de carneiro ou os melhores milhos. Depois disso, ele ainda vai precisar se reconectar com a sua cozinha. O maior atrativo da comida industrializada é a conveniência, pois ela oferece a oportunidade para que as pessoas muito ocupadas deleguem para outros o ato de preparar [e preservar] o seu alimento. No lado oposto da cadeia alimentar industrializada, que se inicia numa fazenda com plantação de milho em Iowa, um consumidor de alimentos industrializados senta-se a mesa [ou, cada vez mais freqüente, no banco do carro]. O maior mérito do sistema industrial de alimentos foi ter nos transformado nessa criatura.

Tudo isso para dizer que o sucesso de uma economia local implica não somente num novo tipo de produtor, mas também num novo tipo de consumidor. O tipo que encara as tarefas de procurar, comprar, preparar e preservar o alimento não como um fardo, mas como um prazer. O tipo cujo paladar não lhe permite comer num MacDonald’s e cujo senso de comunidade não lhe deixa fazer compras num Wal-Mart. Esse é o consumidor que entende a frase memorável de Wendell Berry—comer é um ato agrícola, onde poderíamos acrescentar que é também um ato politico.

Michael Pollan em O Dilema do Onívoro

bons hábitos no trabalho

No meu trabalho tem uma máquina de água, dessas com duas opões: água quente ou gelada. O programador compra os galões de água no Co-op, voluntários trocam, conforme a necessidade. A cada seis meses faz-se a limpeza da máquina de água. Voluntários são requisitados. Da última vez fui eu e a secretária. Ficamos duas horas seguindo o passo-a-passo, mas a água ficou deliciosa—ou assim comentaram os que provaram. Eu me voluntario pra trocar o galão ou limpar a máquina, porque bebo muita água. Se não é gelada, é a quente que eu uso pra fazer meus chás. Eu tenho várias latinhas cheias de saquinhos empilhadas na minha estante e durante os meses frios bebo pelo menos três xícaras de chá por dia. São xícronas. Nosso prédio é pequeno. É na verdade um anexo de um prédio grande. Nós temos uma micro-cozinha que fica no corredor com pia, geladeira, micro-ondas, armário e cafeteira. Não podemos jogar lixo orgânico nas lixeiras. Reciclamos tudo. Cada um limpa a sua própria sujeira. Todo dia pela manhã o meteorologista faz café. Às vezes a jornalista faz mais café à tarde. Todo mundo bebe café, menos eu. Não há pratos, nem talheres, nem copos de papel nem de plástico, todo mundo tem seus próprios utensílios e sua própria xícara ou caneca. Inclusive eu, que tenho três.

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Pelo jeito o milho está em tudo mesmo por aqui. Mas neste caso é bem bacana você saber que pode comprar sua salada orgânica já lavada e pronta pra ser servida, ajeitada numa embalagem ecológica, que não vai ficar milhões de anos poluindo o meio ambiente. Ah-Lê-Lu-Ya!

usando o forno solar

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No verão passado eles me prepararam um banquete no forno solar. Neste ano combinamos um chá da tarde, para eu poder provar um delicioso nectarine cobbler assado no calor do sol. Os fornos solares estão ficando muito populares e são incrivelmente eficientes. Eu tinha planejado comprar um, mas me resignei quando percebi que meu quintal tem muita sombra das árvores e que eu precisaria de uma persistência de maratonista para conseguir cozinhar nele. Mas meus amigos moram num sítio e têm espaço ensolarado abundante, o que propicia um prolifico uso dessa engenhoca genial. O forno atige a temperatura de 400ºF/205ºC e cozinha mesmo! Com os verões tórridos que temos por aqui, é legal poder aproveitar esse calor natural e economizar gás e eletricidade. O cobbler ficou delicioso. Devoramos acompanhado de um sorvete de nectarinas que eu levei e uma caneca de chá.

tira o leite da vaquinha

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Quando vamos para Point Reyes passamos por inúmeras fazendas leiteiras, que transformam a região numa imensa paisagem de comercial de televisão, com pastos verdinhos, cerquinhas, vaquinhas faceiras e se você der sorte, como nós demos, bandos de cervos correndo pelos morros. Dá vontade de parar para tomar um copo de leite, mesmo eu não sendo fã número um desse produto.

Na minha decisão juramentada de consumir produtos locais, estou fazendo algumas mudanças. Eu tenho a sorte de viver num dos estados com a maior e mais variada produção de alimentos do país, então não está sendo muito difícil acomodar os produtos locais. Eu já era compradora do iogurte estilo europeu e da manteiga dessa fazenda orgânica, e agora estou começando a comprar todos os seus outros produtos. As garrafas de leite e creme são recicláveis e refundáveis, você leva de volta pro supermercado e recebe umas patacas de volta.

be a local hero

Jantávamos no quintal à noite, com uma brisa fresquinha soprando, as luzinhas do arraial acesas e admirávamos nossa árvore de nectarinas tão apinhada de frutas que envergou e tivemos que colocar dois suportes de madeira para que o galho não se quebrassem. Essa visão do nosso quintal com grilos cricando, luz de vela de citronela, céu salpicado de estrelas e comida fresca, boa e saudável na mesa é a nossa realidade, mas não é a realidade do mundo.

Posso parecer um pouco panfletária quando comento repetidamente minhas reflexões sobre alimentação, mas ando incrívelmente assustada, pessimista e desiludida, especialmente quando leio uma notícia abismante como esta. Cheia de pesar e incredulidade fico conjecturando onde vamos parar. Se a situação já está desanimadora hoje, imaginem o que estaremos comendo em alguns anos ou décadas?

Quando leio essas notícias horrorosas, tento avaliar a extensão do estrago causado pelos nossos maus hábitos de alimentação, quando a comida parece ser apenas um enche-bucho irracional e que ainda traz de brinde uma sentença de vida miserável e de morte lenta e sofrida. A solução mais simples e efetiva que me ocorre no momento é diminuir meu raio de visão e me concentrar no espaço onde eu vivo, que se resume à minha casa, minha vizinhança, minha cidade e se estendendo um pouco, pelo meu estado. Comer comida local, que já é um slogan bem divulgado por muitos movimentos de resgate da nossa alimentação. Com certeza teremos menos problemas, e mais soluções viáveis e ao nosso alcançe se tivermos problemas, se a nossa comida vier da região onde vivemos. Não dá pra evitar cem por cento os produtos industrializados, mas pelo menos podemos fazer uma opção nas frutas, verduras, legumes, carnes, ovos, pão, leite, queijo. Quando peguei as amoras das mãos manchadas pelo sumo roxo do fazendeiro que as plantou, colheu e agora as está vendendo, sinto um alívio imenso. As amoras doces não tem gosto de papelão imerso em essência de fruta. São reais e me dão um bocado de esperança, que podemos comer como gente, se essa for a nossa vontade.

Asheville , 10 — China, 0

Fiquei totalmente horrorizada lendo essa reportagem do New York Times sobre o fechamento de um monte de fábricas de alimentos na China. A história toda começou a vir à tona, quando animais começaram a morrer aqui nos EUA contaminados com uma comida produzida no Canadá com matéria prima vinda da China. Eu evito o máximo que posso comprar produtos made in china, mas está ficando cada vez mais difícil, pois parece que o mercado norte-americano está totalmente dominado pelos chineses. É um choque ver uma cultura tão rica ser totalmente corrompida pela sede de lucro e poder. Eu estou sempre ouvindo que em breve a China será a maior potência mundial, superando os EUA. Quando isso acontecer eu espero estar morta.

Mas nem tudo são horrores neste mundo. E existe sim a possibilidade de uma economia sustentável, sem sweatshops, salários micros, exploração, e política desonesta. A Kate Hopkins do Accidental Hedonist publicou essa história muito legal dessa cidadezinha e depois publicou mais um artigo argumentando uma critica. Vale a pena ler os dois textos dela e descobrir que há muita gente repensando os velhos e carcomidos modelos de economia capitalista, que visivelmente não são os caminhos que vão nos levar a construir um mundo melhor.

the zero-waste festival

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Kombis coloridas, ônibus psicodélicos, centenas de cabeleiras rastafaris e camisetas tie dye do Grateful Dead vão invadir a cidade neste final de semana para o Whole Earth Festival, que acontece no campus da UC Davis. Todo ano quando chega a maio, o dia das mães e consequentemente o festival, eu me lembro de uma bofete que falou do alto da sua empáfia que não ia, nem levava a família nessa festa porque ela era cheia de gente que fumava ma-co-nhaa! Ha Ha Ha! Minha Santa Perequeta, nos salve desses boçais! Apesar de não ser uma, eu tenho uma alma hiponga e curto esse festival, que começou em 1969, cresceu e desenvolveu com muitas propostas bacanas. Uma delas é o zero-waste. Uma festa com milhares de pessoas que produz pouquissimo lixo é possível e foi comprovado. Tudo é reciclável e reciclado. Para as barracas de comida—que são cem por cento vegetarianas, não há quase lixo, pois os comensais "alugam" os pratos, copos e talheres, e recebem o dinheiro de volta no retorno. Tudo é lavado e esterilizado numa lavadora industrial. Além da comida veggie simplesmente deliciosa, o festival tem mil outras coisas bacanas—música ao vivo, palestras, filmes, dança, workshops esotéricos, artesanato bonito. Movida a energia solar, a festa demanda uma penca de voluntários, que trabalham os três dias e recebem o charmoso título de Karma Patrol. Eu vou estar lá, provávelmente dançando no show principal de sexta à noite e encaroçando alegremente na tarde de sábado. Eu adoro essa festa e vou todo ano, desejando sempre que a alegria contagiante inunde as almas dos caretas!

Plastic or Paper?

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Na maioria dos supermercados você ouve essa pergunta na hora de empacotar as compras - plastic or paper? Menos no Co-op e no Trader Joe's, onde só tem sacola de papel. Detesto o Safeway, onde os empacotadores só faltam bufar quando você responde papel, e que ainda não tem alça, talvez para desestimular a escolha. Eu normalmente peço papel, porque é mais fácil de reciclar e uso as eventuais sacolas de plástico, que nos são empurradas goela abaixo em outros locais, pra colocar os cocozitos e mijitos empedrados dos gatos. Mas se eu morasse em San Francisco, estaria prestes a ficar livre das sacolas de plástico para sempre—vejam só: San Francisco to ban plastic grocery bags. Iurru!

Quando eu vou ao Farmers Market, levo sempre uma sacola de pano ou uma cesta. Estou querendo expandir essa técnica para os supermercados e adquirir umas quatro ou cinco sacolas de brim, que se acha pra vender nos bons locais naturebas ou se pode improvisar usando aquelas tote bags que se ganha quando renova revista, e abolir também a sacola de papel. Mamã natureza agradece!

O menu sazonal

Muita gente deve achar um tédio comer apenas os produtos de temporada. Eu não acho. Muito pelo contrário, pois descobri que comendo verduras, legumes e frutas da temporada você ganha em sabor. Não tem como comparar uma fruta ou um legume colhido naquela manhã, ou naquela semana, ali numa fazenda na sua região, trazida madurinha e fresquinha pra feira, sem precisar percorrer zilhometros de trem, avião, caminhão, tudo sob refrigeração. Um tomate de época—delicioso! Um tomate fora de época, colhido verde num outro lugar do mundo e refrigerado para aguentar o longo caminho até as gôndolas do supermercado—gosto de nada!

Sabemos que as fruitas frescas são uma tradição do nosso Natal brasileiro e que nessa época sempre achamos cerejas vindas do Chile para completar o nosso lindo arranjo natalino. Eu demorei pra me acostumar a um Natal sem pêssegos, abacaxis, nectarinas, cerejas, mangas—o que mais? Meu primeiro Natal no Canadá foi traumatico. Mas acostuma-se, adapta-se, tudo tem seu lado bom. No primeiro Natal do meu irmão aqui nos EUA, fomos a Los Angeles para festejar com ele e sua família. No arranjo da mesa da ceia havia uma linda bandeja com frutas—uma delas, cerejas. Estamos na Califórnia, alright, mas isso ñao quer dizer que vamos encontrar cerejas fresquinhas year-round. No verão as cerejas são abundantes, carnudas, suculentas, dulcíssimas! No inverno, elas vem também lá do Chile, como as das mesas brasileiras, só que aqui elas chegam com gosto de NADA, além de custarem uma fortuna. As cerejas do Natal na casa do meu irmão foram uma decepção....

Fiz a mesma burrice quando uma vez fui atacada por um sentimento de nostalgia e comprei damascos, vindos de sei lá onde, em pleno inverno. Nossa senhora, não tinha nem comparação com o sabor dos nossos damascos californianos, as frutinhas douradas que iluminam o nosso verão!

Então hoje me abstenho de consumir produtos fora de estação—fico com o que vem na minha cesta orgânica—que é totalmente sazonal, e o que vejo pelo Farmers Market. Eu aproveito a frescura e o sabor dos alimentos e ainda contribuo para uma agricultura local sustentável, apoiando e consumindo dos produtores da minha região. Portanto, se quer meu conselho, não invente moda e não insista em querer fazer aquela receita de torta de tomate nesta época do ano, pois agora a Inês já é morta!. Tomates bons, só no próximo verão!

Aproveitando dois produtos de outono - butternut squash e sweet potato [abóbora e batata-doce], fiz uma sopa improvisada que ficou surpreendentemente deliciosa.

Sopa cremosa de abóbora e batata-doce
Cortei meia abóbora em cubinhos. Usei três batatas-doces pequenas, que já estava cozidas, mas podem ser usadas cruas também, cortadas em cubinhos. Refoguei no azeite meia cebola picadinha e um dente de alho. Acrescentei a abóbora e a batata. Refoguei mais uns minutos. Joguei um litro de caldo de galinha e uma xícara de vinho branco. Sal e pimenta moída a gosto. Deixei cozinhar por uma meia hora. Triturei tudo com o processador manual - pode ser no liquidificador também. Acrescentei meia xícara de crème fraîche—pode substituir por creme de leite—bati bem com o batedor manual. Desliguei o fogo e antes de servir acrescentei bastante salsinha fresca picada e láminas de amêndoas torradas.

waste no more!

New Technology Turns Food Leftovers Into Electricity, Vehicle Fuels

Restos de comida doados por alguns restaurantes localizados na Bay Area - região de San Francisco - serão transformados em energia limpa e renovável através do Projeto Biogás Energia, desenvolvido por uma colega do meu marido no departamento de Engenharia Agrícola daqui da Universidade da Califórnia. Cascas de laranja e batata produzindo eletricidade. Esse tipo de pesquisa joga literalmente uma luz no panorama tenebroso que eu visualizo para o futuro da humanidade.

um papo muito odara

Eu encho as paçocas dos meus amigos, pois tudo o que preparo e sirvo tenho que frisar antes: é orgânico! Como se alguém se importasse. Mas eu me importo. E compro cada vez mais produtos orgânicos, já que agora até o Safeway tem a sua linha certificada pelo USDA.

Ontem e hoje a minha cidade está sendo pulverizada com um produto químico para matar os mosquitos infectados com o vírus West Nilo. Os verdes da cidade protestaram, mas o protesto foi em vão, pois a decisão foi feita pelo distrito e não pela cidade. Anunciou-se que os produtos usados na pulverização têm efeito zero nos humanos e animais. Seria o mesmo que pulverizar a cidade com um repelente. Vai matar os insetos e evitar que muita gente morra ou fique incapacitada. Esse virús, segundo o que eu li, atinge o sistema neurológico e os menos resistentes morrem, outros mais fortes podem ficar paralisados. Bom, a horta orgânica da fazenda da universidade, por ser certificada, não vai ser pulverizada. Perguntei pro administrador como que funcionava isso, ele me disse - será tudo feito por gps.

A minha amiga que fez a sopa de pepino fria também cozinha num forno solar. É a tendência! Realmente, com os verões que temos aqui, mais essa perspectiva de acabarmos torrando no aquecimento global, um forno solar é a pedida. Preciso pensar nisso e começar a olhar um pra comprar.

Meu papo natureba é velho. Quando eu conto pras pessoas como eu alimentei meu filho, todo mundo faz cara de pena - dele, é claro. Mas chega uma hora que eles fogem do nosso controle e das dietas déspotas. Então num belo dia, quando ele tinha dez anos nós fomos morar no Canadá e o guri arrumou um desses empreguinhos de entregar jornal. Trabalhava somente nos finais de semana e fazia uma boa graninha. Por um ano ele despirocou e bateu ponto numa lojinha de conveniência que tinha perto de casa, onde gastou todo o seu salarinho experimentando absolutamente TUUUUUUUUU-DOOOOOOOO que ele nunca havia comido. Balas, doces, chicletes, refrigerante, porcaria de saquinho, com corante, com sabor artificial, you name it! Hoje, aos 24 anos acho que ele tem uma dieta saudável - eu imagino, pois ele tenta cozinhar em casa.

Nos anos 80, quando os microondas viraram moda, eu me dobrei à praticidade do uso do trambolhão. Mas fui logo arranjanto uma maneira de usar o meu naturebamente, adaptando o esquemão para cozinhar comidas mais saudaveis, seu usar óleo, por exemplo. Dai eu fazia ovo frito no microondas, que era um verdadeiro horror, mas meu marido comia, assim como comia as carnes de soja, tofu, agrião cozido, cevada e tais. Um amigo dele ficou sabendo desse tal ovo frito e declarou:

- precisa MUITO AMOR pra fazer alguém comer um ovo frito que não é frito!

Hoje só usamos o microondas pra esquentar água e comida. Mas eu e o meu marido pegamos uma mania irritante de ficar lendo rótulo de todos os produtos. Checamos a porcentagem de açúcar, de gordura, de trans-fat, de carboidratos, de sódio, e deixamos de comprar coisas dependendo do que lemos. Tem vezes que até eu me irrito, pois deveríamos simplesmente comprar por gosto, e pronto! Bom, ás vezes fazemos...

Não bastando isso, ainda reciclamos neuroticamente todas as embalagens da cozinha - caixas de leite, jarras de suco, caixas de waffles, invólucros de iogurte, etiquetas, latas, tudo, tudo.

Então todos já devem imaginar que sou meio chata na cozinha. Eu sou super exigente com a qualidade dos ingredientes. Bato o pé no orgânico, mesmo ninguém dando bola. E quero saber o que eu estou comprando. Uso muito azeite, alguma lataria, mas sou bem escassa nos congelados e uma coisa que eu nunca consegui usar na minha cozinha são aqueles cubos ou pó de caldo de carne/galinha/legumes. Tudo tem um limite!




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