sopa de romanesco
[com chips de bresaola]

sopa de romanesco

Bem no meio do inverno os brócolis romanesco aparecem na cesta orgânica. Não vou dizer que fico contente, pois apesar da sua aparência festiva e intrigante, o sabor desse legume não me seduz. Geralmente passo ele pra frente, mas vez em quando fico com um. E quando aconteceu, usei o brócolis intergaláctico para fazer uma sopa. Não fiz nada complicado—apenas asssei os floretes temperados com azeite e sal, bati no liquidificador com caldo de legumes e temperei com sal e pimenta do reino moída na hora. O que diferenciou essa sopa foi o chips de bresaola. Me inspirei numa receita feita com prosciutto, mas usei a bresaola que eu tinha na geladeira. Imagino que dê pra fazer esses chips com diversos tipos de frios. É só espalhar as fatias sobre uma assadeira coberta com papel vegetal e levar ao forno pré-aquecido em 350ºF/ 176ºC por uns 15-20 minutos, até as fatias ficarem crocantes e quebradiças. Sirva uma porção dos chips grosseiramente quebrados com a mão por cima da sopa.

romanescoromanesco

sopa finlandesa de salmão

sopa finlandesa de salmão

Essa receita é do livro Notes from the Larder do Nigel Slater, mas chegou até mim através da newsletter semanal que recebo do website Culinate. Neste momento qualquer ideia que me ajude a gastar os nabos e rutabagas [nabos suecos] que tenho recebido pontualmente na minha cesta orgânica é extremamente bem-vinda. Mas essa receita é algo além de apenas uma desculpa para usar uns tubérculos. Ela fica deliciosa e é ao mesmo tempo robusta e delicada. O salmão que eu uso é sempre o selvagem pescado no Pacífico, mas você pode usar outro peixe dependendo do local onde você vive. Neste caso acho essa adaptação muito viável e aceitável. Caso não tenha ou não queira usar os nabos, simplesmente omita.

1 cebola média picada
1 alho-poró picado
3 colheres de sopa de manteiga
1 couve-flor, os floretes separados
750 gr de batatas cortadas em cubinhos
350 gr de nabo sueco [rutabaga] cortados em cubinhos
5 xícaras de água
2 tomates picados [*usei em lata]
600 gr de filé de salmão selvagem [*ou outro peixe]
1/2 xícara de creme de leite fresco
Um ramo de aneto [dill] fresco
Suco de limão a gosto

Derreta a manteiga em uma panela robusta e adicione a cebola e alho-poró. Deixe cozinhar em fogo médio, mexendo regularmente até ficarem bem macios. Numa outra panela coloque bastante água para ferver. Quando a água estiver fervendo jogue os floretes da couve-flor e cozinhe até ficar macio. Escorra e reserve.

Adicione os nabos e batatas à cebola e alho-poró e cozinhe em fogo moderado por 10 minutos, mexendo regularmente. Adicione a água, deixe ferver e tempere com um pouco de sal. Abaixe o fogo e cubra a panela parcialmente com uma tampa. Pique os tomates e adicione-os à sopa, logo depois adicione a couve-flor.

Quando o nabo e as batatas estiverem totalmente cozidos, corte o salmão em pedaços grandes e coloque na sopa. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto e deixe cozinhar por cerca de 5 minutos. Despeje o creme de leite e misture delicadamente. Pique o endro e adicione à sopa e mexa. Misture um pouco de suco de limão a gosto e sirva em seguida. Decore com ramos de endro se quiser.

caldo de abóbora

caldo-abobora

Fiz esse caldo para usar na preparação das comidas do Thanksgiving. Aproveitei a casca e as sementes das abóboras que usei pra fazer outras receitas, adicionei o que tinha disponível na minha cozinha—cebola, coentro, salsão e várias especiarias. Cozinhar em fogo baixo por algumas horas, coar, guardar em vidro tampado na geladeira até a hora de usar [ou congelar]. Não é novidade fazer caldo assim, mas gostei desse snapshot que ficou ultra colorido. E o caldo ficou delicia e foi completamente usado.

sopa de raizes medievais
[e laranja]

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Minhas buscas neste momento estão concentradas nas receitas com cítricos, pela razão de que estamos na temporada. O bom é que a maioria das revistas e websites por onde eu procuro ideias publicam receitas com ingredientes sazonais. É o caso da Martha Stewart Living, de onde eu tirei essa receita. O rutabaga veio na cesta orgânica, mas os parsnips e o celery root eu comprei no supermercado. A combinação dessas raizes faz uma sopa bem delicada, um pouco adocicada também pela adição da laranja. Acho que a receita daria certo com uma mistura de outras raizes, para quem não tiver acesso à essas que usei.

1 colher de sopa de manteiga sem sal
1 cebola média picada
1 parsnip descascado e cortadas em pedaços
1 rutabaga descascada e cortada em pedaços
1 celery root descascado e picado
2 ramos de tomilho
4 xícaras de caldo de galinha
2 laranjas, casca ralada e suco espremido
1 laranja extra, cortada em gomos para decorar
3/4 colher de chá de gengibre fresco ralado
1/2 xícara de água ou mais se necessário
Sal grosso e pimenta moída na hora a gosto

Derreta a manteiga em uma panela grande em fogo médio. Adicione a cebola e 3/4 colher de chá de sal e deixe cozinhar até a cebola ficar macia, por cerca de 6 minutos [não deixe dourar]. Adicione as raizes cortadas em pedaços, o tomilho e caldo. Deixe ferver e abaixe o fogo. Tampe a panela e cozinhe até que as raizes estejam bem macias, de 15 a 20 minutos.

Remova o tomilho e bata a sopa em partes no liquidificador [com cuidado!] até ficar um creme. Coloque tudo de volta na panela. Antes de servir reaquea a sopa. Misture as raspas de laranja, o suco, o gengibre ralado e água, se precisar, Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora, decore com gomos de laranja e sirva.

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sopa de lentilha & abóbora
[com molho de nozes]

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Encontrei a receita dessa sopa no jornalzinho mensal do meu Co-op e achei muito interessante a parte do molhinho de nozes. Acrescentei uns cubos de abóbora na sopa e usei sour cream no creme. Achamos super gostoso misturar o creme frio e com as nozes crocante na sopa quente.

2 xícaras de lentilhas
2 colheres de sopa de manteiga [ou azeite]
1 cebola picadinha
1 folha de louro
1 xícara de abóbora crua cortada em cubinhos
6 xícaras de caldo de legumes ou água
Sal marinho e pimenta do reino moída na hora a gosto
2 dentes de alho grandes [*omiti]
2/3 xícara de nozes levemente tostadas
1/2 xícara de creme fraiche ou creme de leite fresco [*usei o sour cream]
2 colheres de sopa de salsinha picada

Escorra e lave as lentilhas e deixe de molho em água por meia hora. Escorra. Derreta a manteiga em uma panela grande em fogo baixo. Adicione a cebola e a folha de louro. Refogue em fogo médio-alto até a cebola ficar translúcida, por uns 5 minutos. Junte os cubinhos de abóbora e refogue por mais uns minutos. Adicionar as lentilhas escorridas, o caldo ou água e uma colher de chá de sal. Deixar ferver, reduzir o fogo e cozinhar tampado até que as lentilhas estejam macias bem , aproximadamente 30 minutos. Tempere com sal e pimenta do reino moísa a gosto.

No mini-processador moer o alho com uma pitada de sal. Adicione as nozes e pulse algumas vezes. Adicione aos poucos o creme de leite até forma uma pasta. Junte a salsinha picada e misture. Na hora de servir coloque a sopa no prato e uma colher do creme de nozes por cima. Sirva imediatamente.

sopa de agrião
[com cenoura & grão-de-bico]

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Desculpem o meu disco quebrado, mas esta é mais uma receita saida do livro Jerusalem dos chefs Ottolenghi e Tamimi. O que mais me chamou a atenção nessa sopa foi a cor verde intensa. E a combinação incomum de ingredientes—agrião, cenoura, grão de bico, água de rosas e a mistura de temperos típica do norte da Africa chamada de Ras el Hanout.

Pedi para o meu filho comprar uma caixinha desse tempero, porque eu não tinha mais e recomendei que ele fosse ao mercadinho internacional de propriedade de uns indianos que fica na 8th street em Davis. Lá o moço que o atendeu disse que ele não vendia e nem tinha como explicar aquilo, mas Ras el hanout não era UMA especiaria e sim uma mistura feita pelo próprio vendedor, algo assim como um pacotinho com tudo de melhor que ele tinha ali na lojinha. Para uma pessoa leiga como eu, que nunca colocou os pés no oriente nem na Africa, só o documentário Jerusalem on a Plate do Ottolenghi me deu condições de entender perfeitamente como isso funciona. Aqui compramos dessas caixinhas da marca Spicely, que meu filho acabou achando no Co-op. Esse Ras el Hanout continha pimenta do reino, cardamomo, macis, pimenta caiena, gengibre, erva-doce, nos moscada, pimenta-da-jamaica, carnela, cravo, curcuma, lavanda e botão de rosa seco. Se você não achar para comprar pronta, use esses ingredientes e faça a sua própria mistura.

Essa sopa ficou deveras interessante. Quando o Uriel provou a primeira colherada disse—parece comida indiana. A água de rosas não fica dominante, mas se você acha que esse ingrediente é algo muito perfumoso para fazer parte de uma sopa salgada, simplesmente omita.

250 gr de cenoura descascadas e cortadas em cubinhos
3 colheres de sopa de azeite de oliva
3/4 colheres de sopa de Ras El Hanout
1/2 colher de chá de canela em pó
Sal a gosto
250 gr grão de bico cozido
1 cebola média cortada em fatias finas
15 gr de gengibre fresco picado
600 ml de caldo de legumes
300 gr de agrião
2 colheres de chá de açúcar
1 colher de chá de água de rosas
Iogurte grego para servir

Aqueça o forno a 400ºF/ 200ºC. Misture a cenoura com uma colher de sopa de azeite, o Ras el Hanout, canela e um pouco de sal e coloque numa assadeira forrada com papel vegetal ou alumínio. Coloque no forno e asse por 15 minutos, em seguida adicione metade do grão de bico, misture bem e deixe assar e por mais 10 minutos, até que a cenoura esteja macia, mas com um pouco de crocância.

Enquanto isso, em uma panela grande em fogo médio, refogue a cebola e o gengibre no azeite restante por cerca de 10 minutos, até ficar macia e dourada. Adicione o grão de bico restante, o caldo de legumes, o agrião, o açúcar eo sal, mexa e deixe ferver. Cozinhe por um minuto ou dois, até que as folhas do agrião murchem. Em seguida bata tudo [com muito cuidado!] em um processador de alimentos ou no liquidificador até ficar um creme homogêneo. Acrescente a água de rosas e mais sal se achar necessário.

Na hora de servir divida a sopa em cumbucas ou pratos fundos e coloque por cima um pouco da mistura de cenoura grão de bico. Decore com um pouquinho de iogurte grego, se quiser.

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sopa de milho & camarão
[com salsa verde]

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Fiz essa sopa primeiramente usando a combinação de milho e cogumelos, depois quis refazer substituindo o milho por camarões. As duas versões ficaram ótimas e podem ser servidas quente, morna ou fria. Com os cogumelos a sopa ficou um pouco mais cremosa e com um sabor mais delicado. Com os camarões o sabor ficou bem intenso. Nós gostamos bastante das duas variantes. O modo de fazer é o mesmo, mas não tive o guia de nenhuma receita nem medidas exatas. Usei o milho fresco, mas o congelado é perfeitamente adequado. O camarão que eu uso é sempre o pescado selvagem nos EUA ou Canadá e nunca aqueles importados da Asia, criados em piscinas.

2 ou 3 espigas de milho grande [os grãos removidos com uma faca]
1 xícara de camarões pequenos, já limpos e descascados
[ou 2 xícaras de cogumelos frescos—usei os criminis]
1/2 cebola picadinha
Sal e pimenta do reino moída a gosto
Azeite para refogar
1 litro de caldo de legumes [ou de cogumelos]
1/4 xícara de creme de leite ou half and half

Numa panela grande e robusta refogue a cebola picada no azeite. Quando ela ficar bem macia junte o milho, refogue por uns minutos e junte o camarão [ou os cogumelos]. Refogue por mais uns minutos e junte o caldo de legumes [ou de cogumelos]. Deixe cozinhar em fogo médio por uns 20 minutos. Tempere com sal e pimenta, desligue o fogo e deixe esfriar um pouco. Bata a sopa no liquidificador em partes [e com muito cuidado!] e vá passando a sopa batida por uma peneira. Pode usar o food mill/ passador de legumes se quiser. Volte toda a sopa para a panela, junte o creme ou half and half e requente. Sirva quente ou morna ou leve para gelar e sirva fria, acompanhada da salsa verde.

Para fazer a salsa verde, grelhe um punhado de pimenta doce numa grelha na boca do fogão ou na churrasqueira—eu usei essa banana pepper que não tem nenhuma ardidura. Pode assar a pimenta no forno também. Depois é só colocar as pimentas grelhadas sem os cabinhos no mini processador, juntar sal, suco de limão e azeite e moer bem. Pode passar por uma peneira se quiser, mas não precisa. Guarde a salsa na geladeira e na hora de servir coloque uma colher de sopa para cada prato sobre a sopa.

sopa de cenoura
[com harissa & coentro]

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Quando fui preparar aquela salada de cenoura com harissa e limão, me distraí e cozinhei as cenouras um pouco além do requisitado e acabei com uma boa porção delas super molinhas esperando uma ideia criativa se manifestar para eu poder usá-las. A solução não foi essencialmente brilhante nem absolutamente inédita, pois eu já tinha feito esse truque de transformar salada em sopa e vice-versa outras vezes. O desfecho resultou numa sopa feita exatamente com os mesmos ingredientes da salada—menos o limão em conserva, que tinha acabado. As cenouras foram reaproveitadas e consumidas no formato de uma sopa muito gostosa e auspiciosa.

Bater no liquidificador mais ou menos 2 xícaras de cenouras cozidas, juntar caldo de legumes ou a água do cozimento das cenouras [que foi o que eu fiz], um punhado de coentro fresco, uma colher de chá de pasta de harissa [um pouco mais, que quiser mais picância], azeite e sal a gosto. Bater tudo até formar um purê, colocar numa panela e levar ao fogo. Cozinhar por uns minutinhos e servir.

sopa de abóbora da A. Waters

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Estou quase alcançando meu objetivo de des-papelizar um pouco a minha vida e transferir todas as minhas assinaturas de revista para o iPad. De todas as revistas de gastronomia, a Food & Wine é a que tem na minha opinião o melhor design e interface. Ela não é apenas uma réplica da revista impressa, como muitas outras versões pra iPad são, mas é bem interativa e adaptada para essa mídia. Posso até dizer que estou gostando muito mais de ler essa revista na sua versão eletrônica. Na edição de fevereiro topei com essa sopa preparada pela genial Alice Waters. Tenho o hábito inconsciente de começar qualquer sopa refogando ingredientes e temperos. Mas com essa receita nada disso acontece. Podemos até ficar desconfiados—como que pode fazer um caldo saboroso sem um bom refogado? A Alice prova que é possível. O aroma da abóbora cozinhando na água com cebolas e uma folha de louro é o indício incontestável. Essa sopa foi muito simples de fazer e ficou deliciosa. Eu usei a intrigante variedade red kuri recomendada na receita, mas pode-se usar também a butternut squash ou qualquer outro tipo de abóbora.

700 gr [3 xícaras] de abóbora cortada em cubos
[red kuri, butternut squash ou outra variedade disponível]
1/2 cebola média cortada em partes
1 folha de louro
1 bulbo médio de erva-doce cortado em fatias
1 colher de sopa de azeite extra-virgem
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto
1 colher de sopa de manteiga sem sal
Nozes ou pecans tostadas
Folhas de manjerona fresco [*usei de orégano] para decorar

Pré-aqueça o forno em 375°F/ 200ºC. Numa panela grande coloque a abóbora cortada em cubos, a cebola, a folha de louro e 3 xícaras de água. Leve ao fogo alto e deixe ferver. Abaixe o fogo, cubra a panela e cozinhe em fogo baixo por 20 minutos.

Enquanto isso, forre uma assadeira com papel alumínio. Numa vailha coloque as fatias de erva-doce e tempere com 1 colher de sopa de azeite, sal e pimenta do reino moída na hora. Espalhe as fatias de erva-doce na assadeira e leve ao forno por 25 minutos.

Remova a folha de louro da panela, bata o cozido de abóbora e cebola no liquidificador [com cuidado!] ou use o mixer de mão [como eu faço]. Coloque o purê de volta na panela e requente em fogo baixo. Tempere com sal, pimenta do reino moída e 1 colher de sopa de manteiga. Distribua a sopa nos pratos e coloque em cada um punhadinho de nozes [ou pecans], um pouquinho da erva-doce assada, folhinhas de orégano fresco [ou manjerona] e regue com um fio de azeite. Sirva imediatamente.

Essa sopa pode ser preparada antecipadamente, guardada na geladeira e requentada momentos antes de servir.

sopa de feijão branco

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Essa foi mais uma receita inventada. E nem foi por pimponice ou porque sou boa fazendo isso, mas por pura necessidade. Passamos a manhã de sábado fazendo compras e queríamos pegar uma sessão de cinema vespertina, portanto eu não quis perder muito tempo na cozinha. Já tinha o feijão branco cozido—que eu sempre deixo de molho por 24 horas e depois só cozinho rapidamente numa panela de terracota com bastante água e duas folhas de louro. Depois é só bater o feijão e a água no liquidificador e passar pela peneira. Refogar uns dois dentes de alho no azeite e jogar na sopa. Temperar com sal e pimenta do reino moída na hora e deixar ferver e engrossar um pouco. Enquanto isso refogar um radicchio cortado em fatias no azeite. Quando as folhas estiverem bem murchas e não estiver mais formando água, pingar um pouco de vinagre balsãmico. E uma pitada de sal. No mini processador ou pilão colocar um punhado de azeitonas pretas sem caroço e folhinhas de salsinha fresca. Juntar um fio de azeite e transformar numa pasta. Servir a sopa com uma porção do radicchio refogado e uma colherzinha da pasta de azeitona. Torradas para acompanhar, se quiser. Eu quis.

sopa de couve-flor

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Tenho uma coleção de manias na cozinha, uma delas é não gostar de misturar muitos temperos e muitos ingredientes. Tenho essa ideia fixa de que para certas comidas é fundamental poder sentir o gosto do ingrediente principal. Os temperos são acessórios importantes, mas não se deve exagerar. Por exemplo, raramente uso alho e cebola na mesma receita. E sou partidária de usar apenas uma ou duas ervas no máximo. Vivo lendo sobre a importância do caldo, o fundo, para se fazer sopas e risotos. Concordo que um bom caldo é um elemento importante na construção do sabor de um prato, mas discordo que ele seja essencial. Já fiz muita sopa e risoto só com água. Nunca me abalei com esse detalhe. Portanto olhei com muita simpatia para essa receita do Paul Bertolli—que foi chef no Chez Panisse por alguns anos e também co-autor de um dos livros do restaurante junto com a Alice Waters. Ele faz uma sopa com um ingrediente principal, mais cebola, azeite, sal e água. Solicito a sua total confiança nessa receita, pois ela pode gerar um certo preconceito ou um prudente receio, principalmente se você for daqueles cozinheiros que gostam de usar 87654 ingredientes e que acham que só assim vão conseguir um prato com sabor. Essa sopa é uma lição em minimalismo e ela fica absolutamente deliciosa. Pra quem duvidar, é só fazer e provar!

3 colheres de sopa de azeite de oliva
1 cebola pequena picada
1 couve-flor grande
Sal a gosto
5 e 1/2 xícaras de água
Azeite extra-virgem e pimenta do reino moída na hora para servir

Numa panela grande e robusta aqueça o azeite e refogue a cebola, em fogo baixo, por 15 minutos. Não deixe a cebola escurecer. Adicione a couve flor, cortada em floretes, sal a gosto e 1/2 xícara de água. Aumente o fogo para médio, tampe a panela e deixe cozinhar por uns 10 minutos, até a couve-flor ficar bem macia. Junte 4 e 1/2 xícaras de água e cozinhe em fogo baixo por 20 minutos com a panela destampada. Bata a sopa no liquidificador em partes [com muito CUIDADO!] ou use o mixer de mão—que é como eu faço, até formar um creme grosso. Deixe a sopa descansar por 20 minutos. Ela vai engrossar nesse tempo. Antes de servir, junte a última 1/2 xícara de água quente e se precisar reaqueça a sopa. Regue com um fio de azeite e polvilhe com pimenta do reino moída. Sirva imediatamente. Eu usei um mix de pimenta do reino verde, rosa e preta moídas todas juntas.

bisque de camarão

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Eu tenho um cuidado enorme com todos os ingredientes que compro. Os orgânicos têm minha preferência sempre, não importa o que a torcida do contra diga. E com ovos, carnes, aves e peixes é a mesmíssima coisa. Só compro o que confio na qualidade e procedência. Tem muito a ver com ética e política também, mas nem quero começar a escrever sobre esse assunto, pois este post é para conter apenas uma receita. Só preciso dizer que quando Uriel me enviou este link—cinco peixes que você não deve comer, pude dizer com orgulho que não consumo nenhum deles. No caso dos camarões já mudei meus hábitos faz um tempo. Na minha casa só entra camarão limpo. O que uso é sempre selvagem e pescado na costa do Pacífico, dos EUA ou Canadá. E quando não tem desses, não comemos camarão.

A produção dessa receita começou com um pote de camarões minúsculos que comprei no Co-op um tempo atrás e estava congelado. Faz tempo que não acho os camarões selvagens de tamanho maior para comprar. Com esses pequenininhos eu já tinha feito o recheio desses dumplings, pois eles são bons para esse tipo de receita. Desta vez resolvi que faria uma sopa, mas do tipo cremosa, um bisque. Olhei várias idéias aqui e ali e fiz do meu jeito.

2 xícaras de camarão bem pequeno [descascado]
1 alho porró, parte branca picadinha
Azeite suficiente para refogar
4 xícaras de caldo de legumes ou água
1/2 xícara de abóbora em cubinhos
2 colheres de sopa de pasta de tomate [*usei desta italiana]
1/3 de colher de chá de pimenta cayenne
1 colher de sopa de brandy
1 colher de sopa de vinho sherry
1/2 xícara de half-and-half [metade leite/metade creme de leite]
Folhas de coentro fresco
Sal a gosto

Numa panela robusta coloque um bocado de azeite e refogue nele o alho porró até ficar macio. Junte os camarões, depois as abóboras em cubinhos [eu usei umas já assadas]. Refogue por uns minutos, coloque o brandy, depois o sherry. Adicione a pasta de tomate e misture bem. Junte água ou caldo de legumes. Tempere com sal a gosto e a pimenta cayenne. Deixe ferver, abaixe o fogo e cozinhe por uns 10 ou 15 minutos. Junte o half and half e deixe ferver. Desligue o fogo e bata tudo no liquidificador [com muito cuidado!] ou use o mixer de mão. Adicione folhas frescas de coentro e sirva.

sopa de abóbora & maçã

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A primeira coisa que fiz no meu fogão novo a gás foi assar uma abóbora red kuri enorme, que descasquei, removi as sementes e cortei em cubos grandes. Com ela fiz uma saladona e depois usei mais uma parte para fazer esta sopa. Ainda sobrou uma boa quantidade, que vai virar outra comida em breve. Eu tenho o costume de encher o forno e assar muitas coisas ao mesmo tempo, depois guardar tudo em potes de vidro com tampa na geladeira e ir usando em seguida. Pra me ajudar nessa tarefa meu forno agora tem a opção "convection", também chamada aqui de "forno europeu", que assa com um ventilador que faz o ar circular e assar tudo mais uniformemente. Quanto mais cheio o forno, melhor.

Achei essa receita super interessante por causa da mistura dos ingredientes—abóbora, maçã, bacon e maple syrup. Me inspirei nela, mas fiz do meu jeito. Troquei a butternut squash pela red kuri. Ficou uma sopa bem delicada, porém robusta. Usei um bacon que comprei um tempo atrás de um produtor no Farmers Market de Davis. Um bacon de sabor intenso, pra se usar moderadamente. Delicioso!

2 xícaras de abóbora em cubos assada
1 maçã granny smith grande em cubos assada
2 xícaras de caldo ou água [*usei água]
3 fatias de bacon
Maple syrup
Sal a gosto
1/8 colher de chá de pimenta cayenne em pó
Azeite

Asse a abóbora e a maçã cortadas em cubos, em forno pré-aquecido em 400ºF/ 205ºC. Asse também as fatias de bacon até elas ficarem bem crocantes. Remova do forno e regue cada uma com um fio de maple syrup. Quebre as fatias de bacon em pedacinhos com as mãos. Reserve.

Coloque os cubos de abóbora e maçã assados no liquidificador e junte o caldo ou a água. Bata bem até obter um creme. Adicione mais água se precisar, dependendo da consistência que preferir para a sopa. Coloque o creme numa panela e tempere com o sal, a pimenta e azeite. Deixe ferver, desligue o fogo. Coloque a sopa nos pratos e decore cada um com fatias bem finas de maçã e o bacon em pedacinhos. Sirva imediatamente.

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sopa de batata doce
[com queijo feta & zaatar]

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Demorei à beça para preparar essa sopa, porque num dia não tive tempo, no outro não tinha queijo feta e no outro não tinha o zaatar. Depois de ter os ingredientes apropriados comprados, o tempo disponibilizado, finalmente coloquei a receita em prática. Usei batata doce previamente assada, por minha própria conta e risco.

serve de 6 a 8 porçoes
1/4 de xícara, mais 2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de zaatar
1 colher de sopa de manteiga
1 cebola pequena picada
5 batatas doces médias descascadas e cortadas em cubos
6 xícaras de água
2 xícaras de caldo de legumes
1 folha de louro
1 colher de sopa de sal
1/4 xícara de queijo feta

Numa panelinha coloque 1/4 xícara de azeite e o zaatar. Cozinhe sobre fogo médio por uns minutos, mas não deixe queimar [*achei que o meu queimou um pouco, mas felizmente nao afetou o sabor só ficou com uma cor mais escura]. Remova do fogo e deixe a esfriar e pegar gosto por uma hora.

Numa panela grande coloque a manteiga e o restante do azeite e leve ao fogo. Adicione a cebola picada e refogue bem. Junte os cubos de batata doce e refogue por mais alguns minutos. Junte a água, o caldo de legumes, a folha de louro e deixe ferver. Abaixe o fogo e cozinhe por 30 minutos ou até as batatas ficarem bem macias.

Remova a folha de louro, bata tudo no liquidificador [com cuidado!] ou use o mixer de mão para fazer um creme. Adicione o sal. Coloque o creme nos pratos de sopa, salpique um tanto de queijo feta esmigalhado e regue com o azeite de zaatar. Sirva imediatamente.

dumplings de camarão
[no caldo de legumes]

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Sempre achei que fazer dumplings dava um trabalhão. Mudei de idéia depois de me aventurar na receita que saiu na revista da Heleninha, a MSL de abril/11. Não tem nada mais simples. E neste caso, com um recheio que eu realmente curti. Ficou muito bom. Tão bom que fiz uma receita extra e congelei. Tenho agora dumplings congelados para apenas jogar num caldo e preparar um ranguinho reconfortante numa piscada. Usei os camarões wild-caught no Canadá, que é recomendado como good alternative pelo Seafood Watch do Aquário de Monterey. Para quem está no Brasil, fique sempre de olho no guia para escolher peixe organizado pela Maria Rê.

120 gr de camarão pequeno [sem casca]
2 colheres de chá de gengibre descascado
2 colheres de chá de cibouletes picadinha
16 massinhas prontas para won-ton
Num mini-processador misture o gengibre e o camarão. Transfira para uma vasilha e acrescente as cibouletes picadas. Eu temperei com um pouquinho de sal e pimenta também. Coloque 1 colher de chá desse recheio no centro de cada passinha de won-ton. Molhe as beiradas da massa com água e feche bem, formando um pastelzinho. Cubra com um papel úmido e leve à geladeira até a hora de usar ou por até 3 horas.

Faça um caldo de legumes ou use um de boa procedência. Eu tenho sempre na minha despensa um orgânico, que tem uma cor e sabor bem fortes. Coloque o caldo numa panela e junte 1 pimenta vermelha seca cortada ao meio e sem as sementes, um anis estrelado. Eu coloquei também cubinhos de cenoura. Deixe ferver. Adicione os dumplings já preparados e cozinhe por uns 5 minutos. Adicione um punhado de cogumelos, um rabanete cortado em fatias finas e um tantinho de ciboulettes picadas ao caldo. Tempere com molho de soja e sirva imediatamente.

sopa de brócolis & romanesco

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com molho verde

Fiz essa sopa para o almoço de um domingo gelado. Fiz porque estava frio e também porque eu tinha muitos brócolis e um romanesco enorme e queria dar um fim neles. O Uriel achou estranho, sopa no almoço. Mas depois lambeu os beiços e levou duas porçoes das sobras, pra comer no trabalho durante a semana. A sopa ficou cremosissima, sem a adição de nenhum creme. E a invencionice do molhinho foi o toque de classe, que adicionou um sabor extra, cítrico e picante, à sopa. Fiz tudo sem medida.

Numa panela larga e funda refogue alho picado num pouco de azeite. Adicione as flores e os talos cortados do brócolis e do romanesco e refogue por uns minutos. Adicione então uma medida de caldo de legumes e a mesma medida de água. Tempere com sal e pimenta vermelha em flocos e deixe cozinhar até os legumes ficarem bem macios e reduzir uma parte do liquido. Desligue o fogo e bata tudo no liquidificador [com cuidado!] ou use o mixer de mão. Coloque tudo numa sopeira e sirva imediatamente, com uma colheirada do molho verde por cima de cada porção.

molho verde
Coentro fresco
Nozes tostadas
Sal e pimenta do reino
Iogurte grego
Azeite
Suco de limão verde [lime]
Coloque todos os ingredientes no mini-processador ou no liquidificador e bata bem até formar um creme. Sirva sobre a sopa. O que sobrar guarde num pote de vidro com tampa na geladeira.

sopa de ervilha amarela

Por muitos anos, durante a minha infância, adolescência e jovem vida adulta, eu tinha uma idéia de que sopa era um troço complicado e demorado de se preparar. Lembro da panela de sopa de cebola, de legumes ou de lentilhas, borbulhando por horas no fogo ervilha-amarela_1S.jpgdo fogão. Sempre achei também que sopas tinham que levar muitos ingredientes. Mas a prática faz o monge e depois de muito preparar gororobas, finalmente no alge da minha maturidade aprendi que sopas são a coisa mais fácil e simples de fazer e podem—e na minha opinião de minimalista, devem levar pouquissimos ingredientes. Preparo muitas sopas no meu dia-a-dia. Faço muitas das vem quente que eu estou fervendo durante o inverno. E no verão abuso das possibilidades das refrescantes sopas frias. Para fazer esta sopa de ervilhas amarelas, usei um caldo de frango caseiro que tinha preparado naquela semana. Mas se não tivesse o caldo, teria feito apenas com água. Ela virou jantar completo em trinta minutos. Para fazer os croutons, cortei uma fatia de pão sourdough em cubinhos, temperei com azeite e ervinhas de provence e tostei na frigideira. Pratão de comida reconfortante, acompanhada de uma taça de vinho tinto, para aquecer e alegrar os ânimos numa noite fria de inverno.

ervilha-amarela_2S.jpg

Ervilha seca amarela
Cebola picadinha
Fatias de bresaola
Caldo de frango [ou de legumes, ou água]
Azeite ou óleo vegetal
Sal e pimenta do reino moída a gosto

Numa panela robusta, coloque o azeite e refogue nele uma quantidade de cebola picadinha, até ficarem macias. Junte as ervilhas lavadas e refogue mais uns minutos. Adicione a bresaola picadinha e refogue mais uns minutos. Junte bastante caldo e deixe cozinhar em fogo baixo até a ervilha ficar bem macia. Tempere com sal e pimenta do reino moída. Sirva com um fio de azeite e croutons sobre a sopa. [*]eu não bati a sopa no liquidificador, pois quis uma textura mais pedaçuda, mas se quiser pode bater e fazer uma sopa mais cremosa, ao gosto do freguês.

sopa de lentilha vermelha e abóbora

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Embora o inverno já esteja no seu ápice—and going full speed ahead, eu continuo assando abóboras, como se ainda fosse outono. Com uma boa quantidade de red kury squash assada, fiz esta sopa que ficou bem gostosa. O toque de canela foi o diferencial.

1 quilo de abóbora cortada em cubos
1 e 1/2 xícara de lentilha vermelha
8 xícaras de caldo de legumes
2 colheres de chá de canela em pó
3 pimentas vermelhas secas, picadas sem sementes
Sal a gosto
1 cebola branca picadinha
Azeite
Coentro fresco picado para servir
Pinoles tostados para servir

Coloque a abóbora cortada em cubos numa forma coberta de papel alumínio e asse em forno alto por uns 40 minutos, ou até os cubos ficarem bem molinhos.

Numa panela, coloque um pouco de azeite e refogue a cebola picada, a pimenta e 1 uma colher de chá de canela em pó. Cozinhe mexendo sempre por uns 10 minutos, até a cebola ficar bem molinha. Adicione a lentilha vermelha e o caldo de legumes e deixe ferver. Reduza o fogo e cozinhe por 20 minutos, até a lentilha amolecer. Adicione então a abóbora assada e tempere com sal a gosto. Bata a sopa no liquidificador [com cuidado!] ou use um mixer de mão para transformar tudo num purê.

Toste os pinoles numa frigideira por uns minutos. Um pouco antes de desligar o fogo acrescente a outra colher de chá de canela em pó, mexa bem e desligue o fogo. Sirva a sopa com um punhado de coentro fresco picado e salpique com os pinoles tostados com canela.

chowder de milho & abobrinha

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Me inspirei numa receita que vi na revista Cooking Light e dalí zarpei para fazer do meu jeito. Milho e abobrinhas também são protagonistas do nosso verão. Milho é um legume que eu sempre adorei, mas nunca pensei que um dia eu fosse ficar feliz por ter uma abundância de abobrinhas na gaveta da minha geladeira. Pois acreditem, eu fico! Não sei se já tinha, alguma vez, misturado esses dois ingredientes. Uma chowder de legumes foi muito bem-vinda. Servi morninha, mas você pode servir fumegante ou mesmo gelada.

2 espigas de milho amarelo
2 abobrinhas — usei uma amarela e outra verde
1/2 cebola
5 fatias de bacon [*uso sempre o do Niman Ranch]
1 1/2 xícara de leite
1/2 xícara de água
Queijo cheddar ralado [*usei o cheddar branco]
Sal a gosto
Uma pitada de pimenta cayenne
Ciboulettes picadinhas para servir

Frite o bacon numa panela robusta. Quando eles ficarem bem crocantes, remova da panela e coloque sobre folhas de papel toalha [*pode fazer no microondas também, daí adiciona um pouco de óleo na panela para refogar os legumes].

Bata 2/3 do milho no liquidificador com o leite. Na mesma panela que fritou o bacon, refogue a cebola na gordura, adicione as abobrinhas raladas e o 1/3 do milho. Refogue até os legumes ficarem bem macios. Junte o creme de milho com leite e a água. Refogue por uns 10 minutos, mexendo de vez em quando. Tempere com o sal e a pimenta cayenne. Desligue o fogo. Sirva a seguir ou deixe esfriar. Coloque a sopa nos pratos e salpique com um punhado de queijo cheddar ralado, um punhado do bacon frito e um pouquinho de ciboulette picada.

creme de couve-flor & pinoles

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Eu poderia ter feito uma salada. Também poderia ter feito um risoto. Uma couve-flor, mil possibilidades. Mas neste dia decidi que queria uma sopa. E queria que fosse essa sopa, com couve-flor e pinoles. Até abri alguns livros, procurando por uma receita, mas acabei decidindo fazer sem receita mesmo, do jeito que eu imaginei. Não foi caldo, não foi leite ou creme, não engrossei com nada. Ficou uma sopa sedosa e densa, por causa da adição dos pinoles. Mas acho que essa sopa também funcionaria muito bem com castanha de caju. Tentarei essa mistura numa próxima vez.

1 maço grande de couve-flor
1/2 xícara de pinoles torradas [extra para servir]
1/2 cebola pequena picadinha
Azeite para refogar
Água
Sal e pimenta do reino a gosto
Um punhadinho de salsinha [*opcional]

Coloque a couve flor cortada numa panela e cubra com água. Leve ao fogo e cozinhe até as flores ficarem bem macias. Torre os pinoles rapidamente numa frigideira. Numa outra panela refogue a cebola no azeite. Junte a couve flor cozida, a água do cozimento e os pinoles. Deixe refogar por uns 10 minutos. Desligue o fogo, espere esfriar um pouquinho e bata tudo no liquidificador. Junte um punhado de salsinha fresca se quiser. Volte o creme batido para a panela, tempere com sal e piquenta, deixe cozinhar mais uns minutos, desligue o fogo, coloque numa sopeira ou travessa e sirva, adicionando um pouquinho de pinoles torradas em cada prato. Eu servi a sopa morna e achamos deliciosa.

classic fish chowder

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Na cesta de revistas que fica no banheirinho-lavabo, desencalhei uma Martha Stewart Living de agosto 2008, onde vi muitas receitas de chowders. Os que eu gosto são os que não levam frutos do mar, como o de milho da receita ali abaixo. Escolhi este que só leva peixe branco. É bem rápido e fácil de fazer, para jantares corridos nos cansativos dias de semana. E fica uma delícia!

2 colheres de sopa de manteiga sem sal
2 fatias de bacon
4 raminhos de salsinha amarrados com uma folha de louro
1 batata grande descascada e cortada em cubos
3 xícaras de caldo de peixe [*usei de legumes]
500 gr de peixe branco [*usei o bacalhau fresco]
1 xícara de leite integral
2 colheres de chá de sal marinho grosso
Pimenta do reino moída para servir

Numa panela funda e robusta, derreta a manteiga em fogo baixo. Adicione o bacon picadinho e frite por uns 5 minutos. Adicione as batatas e deixe cozinhar por uns minutos. Junte o ramo de salsinha com louro e o caldo. * Se quiser faça o seu próprio caldo com as partes descartadas do peixe. Deixe cozinhar por uns 10 minutos. Adicione o peixe cortado em pedaços e deixe cozinhar por mais alguns minutos, até que o peixe esteja bem firme e cozido. Junte o leite e o sal. Não deixe ferver. Desligue o fogo, remova os ramos de salsinha amarrados com o louro, adicione pimenta do reino moída na hora e sirva com bastante salsinha picada.

corn chowder

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Decidi fazer o clássico corn chowder sem receita, usando os ingredientes que eu tinha disponível. Gosto muito das variações dessa sopa, que é fácil de fazer, não tem muito rococó e fica sempre bom. Desde a mistura interessante de milho com edamame, o céu é o limite no mundo dos chowders. Até fiz uma salada de corn chowder para um certo jantar de verão. Eu realmente acredito que tudo é possível, desde que faça um algum sentido.

Para esta sopa, comece com fatias de bacon da melhor qualidade [*eu uso os da Niman Ranch, que cria os animais sem crueldade e não usa antibióticos, nitritos e nitratos] cortadas em pedacinhos e frite numa panela funda de ferro. Junte uma cebola picadinha e uma batata descascada e cortada em cubinhos, refogue por uns minutos. Junte 2 xícaras de milho verde [*eu usei um saco de milho orgânico que eu tinha congelado no final do verão], refogue por uns minutos. Acrescente uns 5 pimenton de piquillo picados [ou pimentão vermelho assado], 3 xícaras de caldo de legumes ou água, deixe ferver, abaixe o fogo e cozinhe por uns 20 minutos. Tempere com sal e uma pitada generosa de pimenta cayenne. Acrescente 1 xícara de leite integral, deixe ferver. Desligue o fogo, junte bastante coentro fresco picado e sirva.

sopa de tomate—em variações

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Tudo começou durante as nossas tagarelices diárias no Twitter, quando a querida Fê disse que estava bebericando uma taça de cava enquanto esperava a sopa de tomate ferver. Sopa de tomate? Já fui perguntando a receita, que ela prontamente e em menos de 140 caracteres me enviou. Era a coisa mais simples do mundo—dois ingredientes principais, tomate e pimientos piquillo, mais um dente de alho, uma pitada de sal, um fio de azeite, se bem me lembro. Naquele dia mesmo improvisei a minha versão, com os ingredientes que tinha em casa. A partir disso minha vida mudou e desembestei a fazer uma sopa de tomate atrás da outra.

Bem sabendo que durante o inverno, tomates aqui não há, vou me explicando que usei tomates inteiros enlatados. Acho que foi o Mark Bittman que disse que esses tomates são os melhores para substituir os frescos, pois são enlatados no pico da estação, no auge da maturidade e sabor. Eu uso os tomates da marca californiana Muir Glen, que são, na minha opinião, imbátiveis. Uso o fire roasted, que tem um que de sabor a mais. Já usei muitas latas desses tomates, com os quais preparei muitas variações desta sopa dadivosissíma e que simplesmente não consigo parar de fazer. Não vejo a hora dos tomates frescos chegarem por aqui no verão, para eu poder expandir essa idéia ainda mais.

A primeira sopa que fiz, usei junto com os tomates a pimenta peppadew, que é picante e doce e eu adoro. Depois achei um vidro de tapenade de piquillos, que usei para fazer uma versão mais aproximada da sopa da Fer. Finalmente, essa querida amiga Dadivosa me enviou da Espanha os autênticos pimientos del piquillo, que são uns pimentõeszinhos vermelhos assados na brasa. Não são picantes. Fiz a sopa ainda mais uma vez, desta adicionando uma colherzinha de pimenton de La Vera, que é conhecido como páprica espanhola e pode ser doce ou picante. Usei a picante.

a receita básica:
Tomates orgânicos frescos ou em lata
Pimentões vermelhos assados
[piquillos ou pimentões vermelhor comuns assados ou a pimenta peppadew]
Um dente pequeno de alho
Sal a gosto
Pimenton de la Vera, doce ou picante ou páprica
Azeite extra-virgem a gosto

Bata os tomates, pimentões e o alho no liquidificador com um pouco de água. Passe tudo por um peneira. Coloque o liquido numa panela e leve ao fogo. Adicione o sal e o pimenton de la Vera ou páprica. Deixe ferver. Desligue, adicione azeite a gosto. Sirva.

sopa de bonito no leite de coco

sopapeixe-neide_1S.jpg Nunca perco a mania de comprar ingredientes no impulso e no entusiasmo, sem muitas vezes nem saber que uso poderia dar para eles. Foi o caso de um interessante pacote de floquinhos de peixe seco. Tinha comido essa iguaria algumas vezes, salpicados sobre a comida em restaurantes japoneses e gostei. Então quando vi os pacotinhos na lojinha asiática, já fui rebolantemente colocando um na minha cesta. Comprei os floquinhos de bonito, aqueles que tem um tom levemente rosado. Durante alguns meses, o pacote de peixe seco mudou de lugar várias vezes entre as prateleiras da minha pequena despensa, até que...

Até que a Neide Rigo publicou este artigo sobre o piracuí, a farinha de peixe seco. A dela é um produto artesanal com uma textura um pouco diferente da do meu peixe seco japonês, mas quando vi a receita do bolinho e da sopa usando o peixe fui tomada por um imenso entusiasmo, achando que poderia finalmente dar um uso interessante para o meu produto. Fiquei semanas e semanas sonhando, vidrada naquela sopa com leite de coco. Comprei até pimentão fora da estação, orgânico mas vindo do México [e isso é o tipo de compra que evito e detesto fazer] e finalmente consegui colocar a sopa em prática, fazendo as adaptações necessárias. Substituí as folhas de alfavacão que a Neide usa, por folhas de nabo—sim, elas são comestíveis e me surpreendi em como elas ficam gostosas, logo na primeira vez que as usei. Também tive que improvisar para substituir a farinha d'água, que nunca vi, nem comi. Usei os grits. Com certeza essa minha adaptação usando os flocos de bonito ficou um pouco diferente da sopa da Neide, mas o que valeu foi a intenção. E a minha versão ficou super gostosa e aromática. Matou as lombrigas e gastou o pacote de peixe encalhado no armário. Dois pontos numa só tacada! Segue a receita, já com as minhas adaptações.

sopa de bonito no leite de coco
[serve 4 porções]
2 colheres de sopa de óleo de coco ou azeite
3 dentes de alho picado finamente
Meia cebola [100 gr] picada finamente
2 colheres de sopa de pimentão vermelho picado em cubinhos
2 colheres de sopa de pimentão verde picado em cubinhos
1 pitada de pimenta vermelha em flocos
1 tomate sem pele picado em cubinhos
2 colheres de sopa de coentro fresco picado
7 folhas de folhas de nabo picadas
1 xícara [50 gr] de flocos de bonito seco
1 litro de água fervente
1/3 de xícara de grits
1 xícara de leite de coco
Gotas de molho de pimenta a gosto
Suco de meio limão rosa pequeno

Numa panela, aqueça o azeite e doure nele o alho. Junte a cebola e deixe murchar. Adicione os pimentões, a pimenta, o tomate, o coentro e as folhas de nabo e misture. Junte o bonito seco, a água e uma pitada de sal. Em seguida, coloque o grits e misture. Cozinhe por 5 minutos ou até os grânulos dos grits estarem transparentes. Junte o leite de coco e gotas de molho de pimenta a gosto. Adicione sal a gosto. Prove e corrija, se necessário. Quando começar a ferver, desligue o fogo e junte gotas de limão. Sirva imediatamente.

sopa de ervilha e edamame
[com molho cremoso de limão]

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Certas receitas parecem ter um carisma especial, um certo poder de atração que te pega pelo colarinho logo na primeira batida de olhos. Basta ver a foto e a lista dos ingredientes e em breves segundos você já decidiu que ela será o seu jantar, caso encerrado. Gostei muito da mistura desses dois legumes verdes e, especialmente, do cremezinho de limão que acompanha a sopa. Rápida de fazer e substanciosa, esta receita de edamame and pea soup with herbed lemon cream foi aprovada e ovacionada. O único porém deve ser creditado à essa minha lamentável preguiça, que me fez bater a sopa com o mixer de mão ao invés de usar o liquidificador, o que resultou numa sopa muito mais espessa e pedaçuda. Para obter um creme mais sedoso, não faça como eu, use o liquidificador.

serve 6 porções
1 cebola picadinha
1 talo de salsão picadinho
2 colheres de sopa de azeite
3 xícaras de edamames—soja verde sem casca [*usei a congelada]
1 xícara de ervilhas verdes [*use a congelada, não a de lata]
4 xícaras de caldo de legumes
Sal a gosto

Aqueça o azeite numa panela em fogo médio. Adicione a cebola e o salsão e cozinhe por 10 minutos. Junte as edamames e as ervilhas [que podem estar ainda congeladas], o caldo de legumes. Aumente o fogo e deixe ferver. Abaixe o fogo e cozinhe por 20 minutos. Remova a sopa do fogo e deixe esfriar uns minutos. Bata tudo no liquidificador [COM CUIDADO!] ou use o mixer de mão como eu fiz—fazendo assim a sopa vai ficar mais pedaçuda e menos cremosa. Coloque a sopa novamente na panela e reaqueça, se necessário. Sirva com colheradas do creme de limão.

creme de limão e ervas
1/2 xícara de sour cream ou creme fraiche [*usei creme fraiche]
1 colher de sopa de folhas de dill/endro fresco picadas
1 colher de sopa de hortelá fresco picado [*omiti]
Raspinhas da casca e suco de 1/2 limão
Misture todos os ingredientes, bata bem e refrigere por 30 minutos antes de servir.

sopa de brócolis e queijo cheddar

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Essa sopa tem uma história. Meses atrás eu comprei um queijo francês chamado mimolette. Comemos uma parte em pedaços. O sabor é bem parecido com um cheddar envelhecido. Dai eu resolvi que iria preparar uma receita com ele. Encontrei essa de sopa de brócolis com mimolette da Clotilde e fiz imediatamente. Achei muito legal que ela usa o brócolis inteiro, mais os cabinhos da salsinha e a casca do queijo. A sopa ficou muito gostosa, mas as fotos ficaram um horror—já repararam como foto de certas comidas, especialmente as sopas, são uma faca de dois legumes, podem sair bonitas ou com cara de hugo. Bom, com as fotos perdidas, perdido também ficou o post com a receita.

Logo depois do ano novo o Uriel comentou comigo num tom quase repreensivo que precisavamos usar aqueles queijos que sobraram das comemorações e que já estavam com uma cara esquisita. Eu não vi nada de esquisito nos queijos. Talvez ele tivesse avistado um outro muito mais ancestral, que realmente estava incomível e acabou [triste] indo pro lixo. Mesmo assim coloquei usar os queijos nos meus planos culinários imediatos. Quando me vi com uma boa quantidade de brócolis chegando na cesta orgânica, não deu outra, pumba—vamos ter sopa de brócolis com queijo novamente!

Sopa de brócolis com queijo cheddar é um clássico. Eu não inventei nada, só improvisei na maneira de fazer. Usei um cheddar irlandês envelhecido [o revestido com uma casca de cêra verde] que comprei para agradar a minha nova nora, que é filha de irlandeses. Para fazer a sopa refoguei metade de uma cebola picadinha em um pouco de azeite, juntei um maço grande de brócolis picadinho, caule e tudo, refoguei por mais uns minutos, juntei um litro de caldo de legumes, uma xícara de queijo cheddar picado e deixei cozinhar até o brócoli ficar molinho. Dai bati a sopa com o mixer de mão. Nem acrescentei sal, pois o queijo fez o trabalho. Ficou uma sopa pedaçuda e muito saborosa.

sopa de camarão & erva doce

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Estou com um bocado de revistas acumuladas numa pilha ao lado da cama. Pra piorar, ainda comprei mais algumas na minha viagem. Tenho me esforçado para colocar a leitura em dia, mas meu tempo para essa atividade é escasso, então vou indo devagar. Mas apesar de ler em doses homeopáticas, absolutamente nada me escapa e já tenho mais umas 6875 receitas marcadas. Uma delas me chamou a atenção na revista Good Food. Claro que a foto, mostrando um creme espesso cor de laranja foi uma isca, mas o que me pegou mesmo foram os ingredientes—camarão e erva doce, que achei uma mistura deveras interessante. Comprei os camarões gigantes e fui em frente. A parte mais chata da receita é bater tudo no liquidificador e passar pela peneira. Pensei em usar o food mill, que poderia ser mais prático, mas acabei seguindo as instruções da revista mesmo. Eliminei o creme de leite e mesmo assim ficou uma sopa super cremosa e um pouco pedaçuda, pois usei o mixer de mão na segunda etapa. Ficou deliciosa, com um sabor intenso de camarão.

serve 8 porções
450 gr de camarões gigantes crus e na casca
4 colheres de sopa de azeite de oliva
1 cebola grande picada
1 bulbo grande de erva doce picado, reserve os raminhos
2 cenouras picadas
150 ml de vinho branco seco
1 colher de sopa de brandy
1 lata de 400 gr de tomate picado
[ou 400gr de tomates maduros frescos]
1 litro de caldo de peixe [*usei somente água]
2 pitadas generosas de páprica
para servir—opcional
150 ml de creme de leite fresco [*omiti]
8 camarões gigantes
raminhos de erva doce fresca

Remova os camarões da casca e reserve. Numa panela frite as cascas do camarão no azeite por uns 5 minutos. Adicione a cebola, erva doce e cenoura picadas e refogue por mais uns 10 minutos, até os legumes começarem a amolecer. Junte o vinho e o brandy. Adicione os tomates, o caldo ou água e a páprica. Tampe a panela e deixe cozinhar por 30 minutos.

Enquanto isso pique os camarões descascados. Bata a sopa em partes no liquidificador [*COM CUIDADO!] e passe pela peneira fina. Vá passando o caldo pela peneira e apertando com uma espátula, tentando remover o máximo do liquido.

Volte a sopa para a penela, adicione os camarões picados e cozinhe por mais 10 minutos, Bata tudo no liquidificador novamente ou use o mixer de mão, como eu fiz.

Frite os camarões restante num pouquinho de manteiga, salpique com sal e sirva decorando a sopa, junto com raminhos da erva doce picadinhos. Se quiser misture creme de leite, mas eu não quis. Como usei água ao invés de caldo de peixe, adicionei sal à sopa. Teste para ver qual o seu gosto de sal, não precisa por muito. Essa sopa pode ser feita com antecedência e reaquecida. Também pode ser congelada por até um mês.

sopa de abóbora com pimenta chipotle & alecrim

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Ando fazendo muitas sopas porque elas servem refeições substanciosas e ficam prontas numa piscada. Já tinha assado uma butternut squash no dia anterior, o que me economizou um bom tempo. Em meia hora eu tinha uma sopa fumegante acompanhada de fatias grossas de pão de alecrim tostadas e uma salada. A receita original levava mais ingredientes, mas eu simplifiquei. Como não tinha a pimenta chipotle inteira, usei a moída. A chipotle é a pimenta jalapeño defumada, então qualquer outra pimenta defumada faz uma boa substituíção. Pode-se acrescentar sour cream e suco de limão verde na hora de servir, mas eu não fiz. Servi apenas com as sementes de abóbora torradas.

Asse uma abóbora butternut squash de tamanho médio cortada em cubinhos no forno até eles ficarem macios [uns 45 minutos em forno alto]. Numa panela coloque 3 colheres de sopa de azeite e refogue meia cebola picadinha. Quando a cebola estiver macia, adicione a abóbora assada, 1 litro de caldo de legumes [*usei o de cogumelos], 2 pimentas chipotle sem sementes e picadinhas [*usei 1 colher de sopa da chipotle em pó], sal marinho a gosto e 1 colher de alecrim fresco picadinho. Deixe ferver e cozinhe por uns minutos. Bata tudo no liquidificador [*com CUIDADO!] ou use o mixer de mão. Sirva com sementes de abóbora torradas por uns minutos no forno ou na frigideira.

sopa de ervilha com bacon, maçã e sementes de anis

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Uma sopa feita numa noite de cansaço e fome extremos, com pressa, sem muitas idéias, depois de chegar do supermercado com um pacote de.. bacon! Eu compro bacon do Niman Ranch que considero um produtor confiável.

Para fazer essa sopa usei 1 xícara de ervilhas secas lavadas, 5 fatias de bacon, 2 maças granny smith [verdes], uma colher de chá de sementes de anis [erva-doce], 3 xícaras de caldo de legumes. Numa panela robusta refogue o bacon picado em pedacinhos, até ficar bem fritinho e quase crocante. Acrescente a ervilha, as maças raladas e as sementes de anis e refogue por uns minutos. Junte o caldo de legumes e cozinhe até a ervilha ficar bem molinha. Se quiser bata a sopa no liquidificador ou use o mixer de mão, que foi o que eu fiz, mas não bati muito para a sopa ficar pedaçuda. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto e sirva, bem quente.

sopa de abóbora, pera & gengibre

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Sopas são ótimas para refeições rápidas, saudáveis e robustas. As frias alimentam e refrescam. As quentes, alimentam e confortam. Já estamos engatando segunda nas nossas noites agradáveis de outono e durante a semana o cansaço tem me dado verdadeiros olés, não me deixando com nenhum ânimo pra inventar muita moda no jantar. As sopas criativas têm vindo a calhar. Essa saiu da newsletter da Culinate, que usou uma receita da Deborah Madison. Eu usei abóboras delicata e peras bartlett bem pequenas e bem macias.

Serve 6 pessoas
1 quilo de abóbora
3 peras maduras, mas firmes
1 pedaço de 5cm de gengibre fresco cortado em fatias finas
Azeite ou óleo
Sal marinho
1 cebola cortada em fatias finas
1/2 xícara de crème fraîche ou sour cream [*opcional—não usei]

Pré-aqueça o forno em 425ºF/ 220ºC. Coloque as abóboras com a parte cortada virada para baixo numa assadeira forrada com papel aluminio. Junte as peras, cortadas ao meio, sem as sementes. Salpique com algumas fatias de gengibre, tempere com sal, regue com azeite e asse por mais ou menos 1 hora, ou até as abóboras e peras ficarem bem macias e caramelizadas. Você pode assar tudo um dia antes e guardar na geladeira.

Remova a polpa assada das abóboras e peras. Numa panela coloque azeite, adicione a cebola e refogue até bem macia e levemente dourada, por uns 10 minutos. Adicione o resto do gengibre e a polpa de abóbora e pera. Junte 2 xícaras de caldo de legumes ou um caldo feito com as sementes da abóbora. Deixe ferver e cozinhe por uns 20 minutos até engrossar. Acerte o sal. Bata tudo no liquidificador ou use o mixer de mão. Sirva com uma colher de crème fraîche ou sour cream. Eu usei uma outra opcão que a receita oferece para servir a sopa, fritando fatias finíssimas de gengibre em óleo vegetal até elas ficarem bem crocantes. Seque em folhas de papel toalha e tempere com sal, se quiser. Sirva um punhadinho dos chips de gengibre no meio da sopa.

sopa de abobrinha, arroz & manjericão

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Outra receita do livro Love Soup da Anna Thomas. Essa perfeita para o encerramento do verão, quando estamos tristemente acenando um good bye so long farewell para as abobrinhas e o manjericão. Fiz exatamente como manda a receita, sem mudar nada. Apenas não bati no liquidificador, pois preferi uma sopa com textura pedaçuda. Ficou muito substanciosa, serviu jantar e sobras no almoço do dia seguinte.

Serve de 6 a 8 pessoas
900 gr de abobrinha [*usei essas bolotudas]
1 1/4 colher de chá de sal marinho
3 colheres de sopa de arroz arbóreo [ou arroz comum]
4-5 colheres de sopa de azeite de oliva
2 cebolas médias picadinhas
Pimenta do reino moída na hora
3 xícaras de caldo de legumes
2 xícaras de folhas de manjericão fresco picadas
3 colheres de sopa de suco de limão
Para servir: azeite de oliva, queijo de cabra cremoso e raspas da casca de limão [*opcional]

Corte ou rale as abobrinhas [eu ralei no ralador manual] e coloque numa panela bem grande com 1 1/2 xícaras de água, 1 colher de chá de sal e o arroz cru. Deixe ferver, abaixe o fogo, cubra a panela e deixe cozinhar por 30 minutos. Enquanto isso aqueça 2 colheres de sopa de azeite numa frigideira, adicione a cebola e uma pitada de sal e deixe cozinhar em fogo baixo até a cebola ficar caramelizada. Quando a cebola estiver bem macia e amarronzada, jogue tudo na panela com as abobrinhas. Moa pimenta do reino a gosto, adicione 3 xícaras de caldo de legumes e as folhas de manjericão. Deixe cozinhar por uns minutos. Bata tudo no liquidificador [com cuidado, pois vai estar quente] ou usando o mixer de mão. *Eu pulei essa parte, deixei a sopa inteira e pedaçuda. Na hora de servir adicione o suco de limão e 2 colheres de sopa de azeite de oliva. Ajuste o sal e sirva, com uma colher de queijo de cabra por cima e raspinhas da casca do limão, se quiser.

sopa de tomate, abobrinha e manjericão

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Para fazer esta a sopa, usei duas receitas do livro Love Soup da Anna Thomas como inspiração e criei a minha. Uma sopa de tomate com abobrinha e manjericão. Como nunca pensei nessa mistura antes? Ficou boa demais. Servi acompanhada de crostinis, que fiz seguindo a receita da Anna e não sobrou nem farelo. Já repeti a receita, porque essas torradinhas vão bem com tudo.

Para a sopa:
Cozinhe brevemente uns 6 tomates maduros com um pouco de água. Bata tudo no liquidificador [cuidado, se estiver quente] e passe tudo por uma peneira. Rale 1 abobrinha grande no ralador manual ou no processador. Usei o ralador manual. Numa panela coloque uma ou duas colheres de sopa de azeite e refogue ali uma cebola pequena picada e 1 dente de alho pequeno picado. Refogue até a cebola ficar macia. Junte a abobrinha ralada e refogue por mais uns minutos. Junte o molho de tomate e uma xícara de folhas de manjericão fresco picadinhas. Tempere com uma pitada de açúcar mascavo, sal e pimenta do reino moída a gosto. Deixe cozinhar por uns 20 minutos, até engrossar. Decore com folhinhas de manjericão fresco e salpique com queijo ralado bem fininho. Sirva com os crostinis de queijo parmesão.

Para os crostinis:
Corte uma baguete em fatias de mais ou menos 1 cm. Forre uma forma de assar com papel alumínio. Coloque as fatias de pão na forma de assar. Pincele cada fatia com uma camada fina de azeite de oliva. Pode usar um spray ou passar com o dedo mesmo. Coloque um pouquinho de queijo parmesão ralado bem fininho em cima de cada fatia de pão. Coloque em forno pré-aquecido em 350ºF/ 176ºC e asse por 10 a 20 minutos. Fique vigiando, para as torradas não passarem do ponto e torrarem demais.

sopa de ervilha com pesto

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Adorei fazer essa sopa, pois foi rápida, fácil e ficou deliciosa. A receita saiu da edição de maio de 2009 da revista Gourmet e serve quatro pessoas.

1 cebola pequena picada
1 cenoura média picada
1 talo de aipo/salsão médio picado
1 3/4 de caldo de legumes
2 xícaras de água
3 3/4 xícara ou 450gr de ervilhas congeladas
1/4 de xícara de pesto — usei este pesto pedaçudo

Numa panela funda cozinhe a cebola, a cenoura e o aipo/salsão na mistura do caldo e água, adicionando uma pitada de sal e outra de pimenta. Tampe a panela e deixe cozinhar por uns 6 minutos. Adicione as ervilhas congeladas e cozinhe mais uns 3 minutos, desta vez com a panela destampada. Junte o pesto e bata a sopa no liquidificados [em duas vezes—com muito cuidado para não se queimar] ou use o mixer de mão. Prove o sal e sirva imediatamente. Se quiser pode decorar cada prato com uma porçãozinha extra de pesto, mas eu não fiz.

sopa de bacalhau

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Quando eu fiz o bacalhau com tomates da Alice Waters, salguei três filés enormes de peixe e só usei um. Os outros dois eu congelei para usar em outras receitas. E essa de zuppa di baccalá publicada no livro Jamie's Italy do Jamie Oliver, foi perfeita. Use bacalhau salgado ou salgue o fresco, como eu fiz. Ele também sugere que se use outros tipos de peixe fresco, salgando previamente e refrigerando. Ele aconselha lavar o peixe fresco salgado antes de usar, mas eu não fiz. Apenas não coloquei sal. Adaptei os legumes para usar o que eu tinha na geladeira, que era cenoura, alho-poró, kholrabi e batata.

Para seis pessoas
350 gr de bacalhau salgado ou 700 gr de bacalhau ou outro peixe fresco, salpicado com sal e deixado descansando na geladeira por uma noite
1 cebola picada
2 cenouras picadas
2 talos de salsão picados
2 dentes de alho picados
Salsinha
Azeite
1 pimenta seca pequena esmagada ou em flocos
1 lata grande de tomate de ótima qualidade
2 xícaras de caldo de legumes
Sal
Suco espremido de 1 limão

Faça um refogado com os legumes [eu usei cenoura, alho-poró, kholrabi e batata], adicione a pimenta e deixe cozinhar no fogo baixo com a panela tampada até os legumes ficarem macios. Adicione os tomates, deixe cozinhar por uns minutos e então jogue o caldo de legumes. Coloque os filés de peixe cortados em pedaços no molho da sopa e deioxe cozinhar por uns quinze minutos. Adicione a salsinha, teste o sal e coloque mais se precisar. Esprema o limão na sopa, acrescente mais azeite se quiser e sirva em seguida.

sopa de aspargos & arroz

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A edição de maio da revista Country Living traz um amor de reportagem, com vários famosos comentando as comidinhas favoritas feitas pelas suas mães. Essa sopa era preparada na Itália pela Erminia, mãe da Lídia Bastianich— cozinheira que comanda um programa de culinária italiana na rede PBS.

Como aqui os arpasgos já estão no seu esplendor, era essa justamente a receita que eu precisava! Tinha todos os ingredientes, menos o alho, que substituí por shallots—enchalotas.

Faz 8 porções — fiz metade
4 dentes de alho grandes
1/2 xícara, mais 2 colheres de sopa de azeite
2 xícaras de batata cortada em cubinhos
3 xícaras de alho-poró picadinho, parte branca e verde
1 folha grande de louro
1 colher de sopa de sal marinho ou kosher
800 gr de aspargos frescos cortados em pedaços
1 xícara de arroz arborio
Pimenta do reino moída a gosto
1/2 xícara de queijo Grana Padano ou Parmigiano-Reggiano ralado na hora

Numa panela funda refogue o alho picado em 1/2 xícara de azeite. Adicione as batatas e refogue por 5 minutos. Então adicione o alho-poró e cozinhe por mais 3 minutos. Junte 4 litros de água, a folha de louro e o sal. Misture bem, tampe e deixe ferver. Baixe o fogo, adicione os aspargos—eu separei as pontas, que só coloquei na sopa quase no final. Cozinhe por mais ou menos 1 hora, ou até que o liquido esteja reduzido em 1/3. Adicione o arroz, deixe ferver e cozinhe por 10 minutos. Coloque pimenta a gosto e ajuste o sal. Junte 2 colheres de sopa de azeite e o queijo ralado. Sirva imediatamente, ainda bem quente.

sopa de feijão com alho-poró

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Safei-me da chuvarada por questão de minutos. Nesses dias molhados, fico na torcida para que a chuva cesse ou diminuia nos horários em que tenho que pedalar minha bicicleta. Até que tenho tido sorte. Especialmente na noite de ontem, quando cheguei em casa e ainda estava falando os meus oizinhos para os gatos na cozinha, quando ouvi o aguaceiro caindo com força— fazendo um barulhão, os filetes grossos de água visíveis caindo do céu, uma verdadeira tempestade.

Embora a chuva atrapalhe um pouco a minha vida, tenho evitado reclamar. Depois de três invernos de pouca chuva, o governador Arnold Schwarzenegger já decretou estado de emergência no sistema de fornecimento de água na Califórnia. Vamos ter que racionar e se não racionarmos por livre e espontânea vontade, vamos ser forçados a fazê-lo, pagando altas taxas para gastos acima do estipulado. Os agricultores também terão que racionar água. Num estado com uma produção agrícola como a da Califórnia, isso pode significar muitos problemas. O que não paramos para pensar é que nenhuma das maiores culturas produzidas neste estado são nativas daqui. Na verdade a Califórnia era um imenso deserto, transformado numa super produtiva área agrícola pelas mãos [e cabeças] dos homens, usando tecnologia e irrigação. E sem água, não há como irrigar.

Pelo bem das frutas, verduras, legumes, grãos e nozes que consumo diáriamente, estou torcendo para chover mais, chover muito, chover sem parar. Somente se chover muitas tempestades como a da noite de ontem nas próximas duas semanas, vamos nos livrar do racionamento. Então chova, chuva, por favor, chova sem parar!

E o jantar de uma noite de tempestade tinha que ser uma sopa. Mas que sopa, já que a chuva pareceu ter lavado minha inspiração e carregado bueiro abaixo todas as minhas idéias? Na geladeira, um tanto de sobras de feijão cozido e alguns allhos-porós, novidades da semana na cesta orgânica. Sopa de feijão com alho-poró foi então o centro do jantar da noite. Foi só bater o feijão no liquidificador com um pouco de caldo de legumes e passar tudo pela peneira. Numa panela, refogar os alho-porós cortados bem fininhos—parte branca e verde, em bastante azeite. Quando o alho estiver molinho, jogar o caldo de feijão coado, adicionar sal e pimenta moída e deixar ferver. Então adicionar qualquer tipo de macarrãozinho, eu usei um de estrelinha, e deixar cozinhar até o macarrão ficar cozido. Servir a sopa bem quente.

sopa de alho assado & waffles

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O jantar desse dia teve divergências. A sopa não fez grande sucesso, porque foi improvisada e levou muito alho. Mas os waffles agradaram! A sopa foi feita com três cabeças de alho assadas com sal, pimenta e azeite, leite integral, farinha de trigo, tomilho fresco e caldo de legumes, caso alguém queira tentar. Bater tudo no liquidificador, depois ferver. Eu achei que o gosto de alho ficou muito proeminente.

Já os savory herb waffles ficaram ótimos.

2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de orégano seco
1/2 colher de chá de alecrim seco
1/4 colher de chá de estragão seco
1 1/2 xícara de queijo Gouda defumado, ou outro tipo de queijo
2 xícaras de buttermilk
3 ovos
2/3 xícara de sour cream
1/2 xícara de óleo vegetal ou azeite
Numa vasilha misture todos os ingredientes secos e o queijo. Numa outra vasilha misture oas liquidos. Misture os dois, secos e molhados e mexa bem para incoporporar. Coloque as colheradas na máquina de waffles.

sopa de camarão e coco

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Achada na edição de fevereiro de 2006 da revista Cottage Living, essa receita se parece muito com a sopa tailandesa de coco, só que leva menos ingredientes e é mais fácil de fazer. Eu incrementei um pouco, adicionando mini espigas de milho cozidas [dessas que se compra em latas em lojas de produtos asiáticos] e o cogumelo enoki, que ficou parecendo um macarrãozinho.

1 colher de sopa de óleo de gergelim [fiz meio-a meio com azeite]
400 gr de camarão limpo [usei o cozido e congelado]
1 colher de sopa de gengibre fresco ralado
2 dentes de alho ralados
1 pimentão vermelho cortado em pedacinhos
2 colheres de sopa de curry verde tailandês* [vende em lojas asiáticas]
6 xícaras de caldo de legumes ou frango
1 lata de leite de coco
3 colheres de sopa de molho de peixe [usei de soja]
3 colheres de sopa de suco de limão
1 colher de sopa de açúcar mascavo
1 lata de mini espigas de milho
1 macinho de cogumelo enoki
Para enfeitar, cebolinha picadinha [esqueci de por]

Aqueça o óleo numa panela e frite os camarões rapidamente. Remova e reserve. Na mesma panela refogue o pimentão, allho e o gengibre por uns 2 minutos. Acrescente a pasta de curry, o caldo, o leite de coco, o molho de peixe, o suco de limão e o açúcar e deixe ferver, Reduza o fogo e deixe cozinhar por 5 minutos, Junte os camarões, o milho e o cogumelo, adicione a cebolinha picada e sirva.

* a pasta de curry verde pode ser substituida por alguma pasta apimentada, dessas que vendem em lojas asiáticas.

capeleti no caldo

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Minha cunhada Patricia fez o capeleti no caldo [cappelletti in brodo] no mesmo jantar em que meu irmão fez o seu famoso macarrão. O capeleti no caldo foi servido como entrada. Esse prato precisa de um pouquinho mais de tempo e paciência—mais ou menos uma hora e meia para fazer capeletis suficientes para alimentar cinco pessoas. A massa foi a mesma do macarrão, só que deixada mais grossa. Usamos caldo de legumes orgânico. Ficou incrivelmente bom.

200gr de carne moída
1/4 de cebola
Um dente de alho
Dois ramos de salsa e dois de cebolinha
Sal, pimenta e noz moscada moída a gosto
2 colheres de sopa de azeite
Queijo grana padano ralado
Farinha de pão o quanto baste
1 ovo
2 litros de caldo de legumes ou frango

Refogar alho e cebola picadinho no azeite, juntar a carne moída, depois salsinha e cebolinha picadinhas, temperar com sal, pimenta e noz moscada moída. Colocar esse refogadinho no processador e bater bem com um ovo, queijo ralado e farinha de pão, até formar uma pasta. Rende bastante.

Para a massa do capeleti, meu irmão usou uma xícara pequena de farinha de trigo para cada ovo grande. Trabalhar a massa com as mãos e passar no rolo da máquina de macarrão até o número dois apenas. Deixando a massa mais grossa, o capeleti nao fura quando estiver sendo cozido.

Para fazer os capeletis, corte pequenos quadradinhos de 3 X 3 cm e coloque no meio o recheio—apenas uma bolinha do tamanho de uma ervilha. Dobre o quadradinho num triangulo, junte as duas pontas e se quiser dê uma viradinha, pra formar o "chapéuzinho" do capeleti.

Cozinhar por uns 6 minutos no caldo de legumes [ou de frango*] e servir com queijo ralado fresco. Usei o Grana Padano.

*A Patricia faz o capeleti no caldo de frango, que ela faz em casa com a carcaça que sobra do frango assado.

sopa de batata [frita]

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O título dessa receita pode parecer mais uma das minhas galhofagens de sempre, mas não é. A batata é frita mesmo! Essa sopa simplíssima ficou impressionantemente saborosa. São apenas três ingredientes, mas eles precisam ter ótima qualidade. Eu usei:

2 batatas orgânicas da variedade yellow finn
4 ramos de scunions—uma cebolinha enorme
1 litro de caldo de legumes orgânico

Numa panela robusta refogue a batata cortada em cubinhos no azeite. Refogue bem até ela começar a ficar macia e dourada. Essa é a parte onde a batata fica frita! No final, junte os ramos de scunions [ou cebolinha] picadinhos—somente a parte verde. Frite mais um pouquinho, salgue a gosto, moa pimenta branca e junte o caldo de legumes. Deixe ferver e cozinhar por mais uns minutos. Sirva bem quente. Pode acrescentar queijo ralado no prato, mas eu não fiz. Essa sopa fica cremosa, apesar das batatas fritinhas permanecerem inteiras.

sopa de batata & espinafre

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Essa sopa foi improvisada no desespero, quando guardando um sacão de folhas de espinafre lavadas na geladeira, vi que ainda tinha outro sacão, muito maior, esperando para ser usado. Usei batatas cozidas que bati no liquidificador com um bom caldo de legumes. Refoguei as folhas de espinafre rapidamente num fio de azeite, só até elas murcharem. Bati o espinafre cozido junto com o creme de batata. Coloquei numa panela, salguei a gosto e deixei ferver. Na hora de servir, reguei o creme com um fio de azeite especial. Minha sopa ficou bem grossa, pois eu não quis diluir com mais caldo e acabar com um balde de cinco litros e, consequentemente, com mais sobras na geladeira. Ela ficou bem espessa—e com essa cor verdona incrível!

sopa de legumes [assados]

sopa_assados_1S.jpg Esta sopa fica pronta num instante, se você já tiver os legumes assados. Eu tenho o hábito de assar coisas extras quando uso o forno ou a churrasqueira. Já tinha abóbora [butternut], pimentão vermelho e alho assados. Então foi só bater a abóbora, o pimentão e uma colherzinha do alho no liquidificador com um tanto de caldo de legumes. Colocar o creme batido numa panela, salgar a gosto e regar com azeite. Deixar ferver e servir.

o minestrone de anteontem

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Outra sopa? Sim, outra sopa!

Felizmente existem sopas e saladas para alimentar pessoas preguiçosas e eternamente cansadas como eu. Tem dias—e esses dias parecem ser quase todos os dias—que só dá ânimo pra coisas fáceis, rápidas e de preferência feitas numa só panela. E na noite em que o minestrone figurou no menu, eu tive vontade de mastigar, de comer algo quente e pedaçudo. Nada mais prático então do que essa sopa super versátil, que não precisa de receita, ajuda a dar cabo de legumes e verduras acumulados e ainda fica reconfortante e deliciosa.

Nessa versão eu usei algumas fatias de um ótimo bacon, que cortei em cubinhos e fritei numa panela de ferro robusta. Depois acrescentei cebola picada, cenoura em cubinhos, abóbora em cubinhos, uma lata de feijão mulatinho cozido [pinto beans], alguns quiabos cortados em rodelas e um pequeno pimentão. Juntei um litro de caldo de cogumelos, um pouco de água e um outro pouco de vinho brano. Deixei cozinhar até engrossar, daí acrescentei um punhado de ORZO e sal a gosto. Deixei fervei, desliguei e acrescentei bastante salsinha fresca picada. Servi com fatias de pão rústico sweet batard.

sopa de berinjela e tomate

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No domingo eu empilhei várias berinjelas, pimentões e pimentas numa vasilha imensa e pedi para o Uriel tostar na churrasqueira. Essa foi a única maneira que encontrei de tentar salvar os tais legumes que acumulavam na geladeira. Quando ele trouxe a vasilha de volta cheia dos tais legumes chamuscados, despelei tudo e guardei em containers na geladeira. Por isso pude facilmente fazer uma sopa na segunda-feira, com a polpa da berinjela assada. Procurei por receitas de sopa de berinjela e a maioria que encontrei levava tomate. Os tomates ainda estão chegando na cesta orgânica, mas não têm mais nem a sombra da beleza, sabor e exuberância que exibem durante o verão, pois chegam queimados pelas temperaturas baixas das noites frias de outono. Esses tomates só servem para molho, não dão mais pra serem comidos crus. Então bati alguns tomates feiosos no liquidificador com um pouco de água e depois passei pela peneira. Voltei o purê para o copo do liquidificador e acrescentei a polpa de duas berinjelas pequenas assadas. Bati bem. Numa panela fritei uns três dentes de alho picadinhos num tantinho de azeite. Acrescentei a mistura batida de tomate e berinjela, adicionei uma pitada cuidadosa de pimenta chipotle—a jalapeño seca e defumada. Salguei a gosto. Deixei ferver, desliguei o fogo e servi logo em seguida.

multitasking
[i'm only human]

Cheguei em casa com o pacote do Adobe Creative Suite e queria pular da tarefa de fazer o jantar e ir direto para a tarefa de fazer a instalação dos programas no meu computador. menos_bagunca_4S.jpg Eu me dei de presente de aniversário um iMac novo, já que o velho estava quase aposentado e fazia uns três anos que eu praticamente só usava o laptop. Mas o computador novo veio praticamente pelado de programas úteis e os que eu tenho em versões mais antigas não rodam bem no sistema novo. Então aproveitei o meu desconto educacional e comprei na livraria da universidade esse pacotão por um preço bem razoável.

Mas jantar era preciso, então me apressei. No interim chegou revistas, DVD e livros, tinha uns tapetes de molho na máquina de lavar, umas toalhas de banho e lençóis esperando um segundo ciclo na máquina de secar e tive que enfrentar a desorganização básica de sempre na cozinha. Mas dessa vez me surpreendi, pois nunca estive tão afinada numa coreografia de fazer o jantar coordenado com outras atividades domésticas. Fiz uma sopa de lentilha vermelha, que era a que eu tinha na despensa.

Numa panela refoguei alho picadinho num fio de azeite. Adicionei a lentilha lavada e maçãzinhas lady cortadas em pequenos cubinhos. Refoguei, refoguei, juntei água suficiente para cobrir tudo, cozinhei, cozinhei até a lentilha quase derreter. Usei o mixer de mão para transformar tudo num creme espesso, adicionei sal a gosto e umas pitadas bem cautelosas de curry. Deixei ferver e desliguei o fogo.

Corri abrir dois peitos de frango caipira com a faca, deixando-os bem largos e finos. Fiz a mesma receita do frango recheado com espinafre e queijo brie, só que dessa vez usei folhas frescas de espinafre. Coloquei os dois peitos recheados para assar em forno médio e subi correndo para fazer o que tinha que fazer no meu novo iMac.

Demorou a beça pra instalar o Suite e durante a espera tive tempo de arrumar o meu semi-abandonado e hiper-bagunçado escritório, que agora está frequentável novamente.

Foi uma noite proveitosa. A sopa ficou uma delicia, o frango ficou super saboroso e macio, os programas foram instalados com sucesso, e ainda consegui dobrar e guardar as toalhas e lençóis lavados, folhear os livros novos e terminar de ver um filme!

sopa de feijão branco

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Uma sopa muito simples e muito boa, feita com feijões brancos do tipo Great Northern que ficaram de molho durante uma noite e depois foram cozidos na panela terracota junto com dentes de alho e folhas de sálvia em fogo baixo, até ficarem bem macios. Depois é só bater tudo no liquidificador, passar por uma peneira, adicionar mais água se necessário e salgar a gosto. Na hora de servir, temperar com bastante azeite bacanudo, do melhor que você tiver na sua despensa.

sopa de abóbora e manjericão

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Relendo depois de vinte anos O Melhor da Festa da Sonia Hirsch, rememorei algumas das suas boas idéias. Uma delas, misturar abóbora com manjericão, que segundo ela é uma das combinações mais perfumadas da história da culinária. Não posso discordar. Usei uma abóbora japonesa, a kabocha, que já estava previamente assada. Eu tenho o costume de assar coisas de véspera ou quando estou usando o forno ou a churrasqueira pra fazer outras coisas. Essa abóbora tem uma casca grossa que não é fácil, precisa ter muito muque para descascá-la e como muque é o que eu não tenho, apenas cortei ao meio, removi as sementes, embrulhei no papel alumínio e assei. Na hora de fazer a sopa, removi toda a polpa com uma colher, coloquei no liquidificador com bastante folhas de manjericão fresco e um tanto de água—ia usar caldo de legumes, mas resolvi que não deveria interferir no sabor da abóbora e do manjericão. Bati bem a mistura. Numa panela refoguei cubinhos micros de cebola no azeite, acrescentei o creme de abóbora, temperei com sal e pimenta branca moída, deixei levantar fervura e desliguei o fogo. Servi a sopa com pedaços de queijo fresco e um fio de azeite super-extra-especial.

sopa de fungo de milho

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Eu nunca tinha colocado nenhuma atenção nesse fungo até ler sobre ele no Come-se da Neide. Foi uma surpresa, porque já tinha passado o olho por uns tumores acinzentados quando atualizei páginas das pragas do milho no meu trabalho, mas nunca imaginei que aquela coisa de aparência monstruosa fosse algo comestível. Temos que admitir, sem provocar engasgos, que muita coisa que se come por aí não tem aparência apetitosa apesar de muitas vezes ser. E esse fungo, conhecido aqui nos EUA como smut e no México como huitlacoche, é uma dessas iguarias com cara de monstro de Halloween.

Outro dia chegaram algumas espigas de milho muito feias de fim de estação na cesta orgânica. Quando desfolhei uma delas, encontrei duas ocorrências do fungo. Guardei na geladeira, pensando em fazer alguma coisa com eles. Coincidentemente fazendo compras no Co-op vi os huitlacoche pra vender e comprei um punhadinho. Nem pisquei pra decidir fazer a receita da sopa que a Neide publicou. Fiz no olhômetro e usei mais huitlacoche que batata, adicionei uma pimenta jalapeño e substituí o caldo galinha pelo de legumes. Decorei somente com salsinha na falta da epazote. Esqueci de salpicar com queijo, mas devorei um pratão. Me lembrou um pouco a sopa de feijão, com uma cor acinzentada bem escura. Um pouco assustadora, concordo, mas muito saborosa.

sopa de batatas com huitlacoche

2 colheres sopa de azeite de oliva
1 cebola roxa picada
40 g de huitlacoche picado
6 batatas médias descascadas e fatiadas
1 litro de caldo de frango caseiro quente
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes cortada
2 colheres (sopa) de salsa com epazote* picado
[*erva-de-santa-maria, mastruz/ mentruz-de-arbusto]
Sal a gosto

Aqueça o azeite de oliva numa panela grande, fogo alto, junte a cebola e refogue até amolecer. Acrescente o huitlacoche e as batatas e mexa por mais um minuto. Coloque o caldo de frango, a pimenta dedo-de-moça e salgue a gosto. Com a panela tampada e fogo baixo, cozinhe por cerca de 30 minutos ou até a batata estar bem macia. Se preferir mais suave, tire a pimenta. Se não, passe tudo pelo mixer ou liquidificador [neste caso, espere antes amornar um pouco]. Volte ao fogo, deixe ferver. Se estiver muito densa, junte mais água fervente para deixar a sopa com consistência cremosa e fluida. Junte as rodelinhas de pimenta e as ervas e sirva. Se quiser, espalhe sobre a sopa queijo fresco ralado.

sopa de tomate com páprica defumada

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Toda semana tem chegado um pacote de tomatillos na cesta orgânica, além dos tomatões e tomatinhos. Minha cozinha está cintilante com tanto tomate. Mas os tomatillos são um pouco estorvo pra mim, pois não sei muito bem o que fazer com eles, além da famigerada salsa. Fui então apenas jogando os recém-chegados junto com os veteranos numa vasilha, que foi acumulando dezenas de tomatillos verdes e amarelos, todos ainda com sua casquinha fininha. Quando finalmente decidi usá-los da maneira menos criativa, fazendo a tal salsa, me deparei com o resultado desagradável de uma estocagem inconsequente. Os tomatillos mais velhos apodreceram no fundo da vasilha e o fedor pútrido que se desprendeu deles empesteou a cozinha de uma maneira absurda. Nunca, jamais, em tempo algum imaginei que tomatillos podres pudessem feder tanto. Era um cheiro tão nauseabundo que não pude suportar nem olhar para os tomatillos restantres e joguei tudo, muitos, todos no lixo.

Com o final trágico do capítulo dos tomatillos, voltei-me para confrontar a continuação da saga dos tomates, que têm vida mais curta que a dos tomatillos e ao contrário dos seus primos cascudos, não podem de maneira alguma ser desperdiçados.

Foram três dias comendo queijo, azeitonas e pão tostado com fatias de tomate temperadas com azeite, então resolvi que naquela noite sopa teríamos. Seria porém uma sopa fria. Gostei muito da idéia desta sopa, temperada somente com a páprica defumada espanhola. Ficou um prato bem interessante. Eu mudei o modo de fazer da receita e servi com cubos de pão torrado. Segue a receita original e logo abaixo as minhas modificações.

sopa de tomate com páprica defumada
[serve duas pessoas]

1 colher de sopa de azeite
2 dentes de alho em fatias finérrimas
5 tomates orgânicos bem maduros
3/4 colher de chá de sal grosso
1/2 colher de chá de páprica defumada espanhola
1/2 xícara de leite

Refogue o alho no azeite. Adicione os tomates cortados em cubos, o sal e a páprica. Cozinhe por uns 5 minutos mexendo de vez em quando. Coloque tudo no liquidificador com cuidado e bata bem. Passe tudo por uma peneira. Adicione o leite e sirva com pão ou sanduíche de queijo grelhado.

* eu dei uma adaptada bem dramática—refoguei o alho no azeite. Bati os tomates no liquidificador, passei pela peneira e juntei ao alho refogado. Juntei o sal e a páprica, deixei cozinhar uns 5 minutos, juntei o leite e deixei ferver. Desliguei o fogo e deixei esfriar. Servi a sopa morna, quase fria, com cubos de pão integral tostados com azeite numa frigideira.

cream of roasted jalapeños

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Todo ano eu recebo dezenas de pimentas jalapenõ na minha cesta orgânica. Algumas vezes chegam também cayenne. Eu nunca sei o que fazer com elas, por medo ou falta de idéias mesmo. Mas este ano, depois de ter provado a sopa de chili no Duarte's Tavern de Pescadero, concluí que assim não poderia ficar e decidi que este ano as pimentas vão entrar na roda e dançar um samba—ou rumba, ou conga, ou salsa.

As primeiras jalapeños que chegaram já foram pra churrasqueira, onde foram tostadas, embrulhadas em folhas de papel toalha e quando esfriaram foram despeladas e abertas, as sementes removidas. Nem usei naquele dia, guardei na geladeira e fui buscar uma receita para fazer uma sopa com elas. Achei essa, que era exatamente o que eu procurava. Fiz e ficou bem interessante, não excepcional como a sopa do Duarte's, mas pelo menos fiquei feliz por ter usado minhas pimentas.

cream of roasted jalapeño soup

12 jalapeños, assadas, removido peles e sementes
1 cebola pequiena picada
1 xícara de creme de leite fresco
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de farinha de trigo
4 xícaras de caldo de galinha * usei de legumes
Sal a gosto
Sour cream e tortillas chips para servir * opcional

Coloque as jalapenõs, a cebola e o creme de leite no processador e bata até formar um creme. Numa panela derreta a manteiga e junte a farinha, misturando bem até ficar uma mistura bem lisa. Devagar junte o creme de pimenta, mexendo constantemente para evitar que queime. Adicione o caldo de galinha ou legumes e o sal e continue mexendo até a sopa engrossar. Reduza o fogo e deixe cozinhar por 5 minutos, mexendo sempre. Remova do fogo e sirva quente ou deixe esfriar e sirva morna ou fria, com tortillas e sour cream se quiser.

sopa de milho [thai]

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Fiz essa sopa numa porção individual, com sobra para o dia seguinte. Quis replicar mais ou menos a sopa tailandesa que eu adoro. Resolvi usar milho fresco. Fiz uma versão simplificada, que ficou exatamente como eu queria. Uma das coisas que eu gosto na cozinha tailandesa é que eles usam tomate em muitas receitas.

Grãos raspados de uma espiga de milho - mais ou menos 1 xícara
6 tomatinhos orgânicos e maduros
1/4 de uma cebola picada
Um pedacinho de gengibre fresco
Sal a gosto
1 folha de louro
Pimenta vermelha - usei a chipotle em pó e a cayenne em flocos
1/2 xícara de caldo de legumes - usei de cogumelos
1/2 xícara de leite de coco
Suco e raspas de um limão - usei o amarelo
Muitas folhas de manjericão fresco

Refogue a cebola e o gengibre ralado fininho no azeite. Quando a cebola estiver molinha, acrescente o milho. Deixe refogar uns minutos. Junte os tomates cortados em quatro. Coloque o caldo de legume, a folha de louro e deixe ferver. Acrescente a pimenta, o leite de coco, as raspas e suco de limão, salgue a gosto, deixe cozinhar um minuto, desligue o fogo e acrescente então as folhas frescas de manjericão. Sirva.

potage parmentier

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Realmente, as batatas eram gigantes—gigantes! Não conseguimos comer tudo e eu guardei as sobras para pensar no que fazer com elas no dia seguinte. Era quase certeza que seria uma sopa. Foi só olhar pra geladeira e ver outro gigante, desta vez um imenso alho-poró, pra decidir que eu faria uma potage parmentier, ou em bom francês uma sopa de batata com alho-poró. Fiz tudo muito simples, porque tem dias que simplesmente não dá pra ficar inventando trelelês e rococós.

Refoguei o alho-poró gigante cortado em pedacinhos em três colheres de manteiga. Acrescentei a batata que já tinha sido assada no dia anterior, também picada em pedacinhos. Deu mais ou menos 1 1/2 xícara de alho-poró e 1 xícara de batata. Acrescentei um litro de caldo de legumes, mais uma xícara de água, salguei a gosto e deixei a mistura ferver. Bati tudo muito bem com o mixer de mão para formar um creme. Deixei encorpar e desliguei o fogo. Na hora de servir, polvilhei com salsinha fresca picada.

Adeus batata! Adeus alho-poró! Adeus fome! Até o Roux ficou animado com essa sopa e quando o Uriel levantou da cadeira pra ir pegar uma fatia de pão, questão de segundos, o bichonildo danado deu um super salto de felino ninja e enfiou o nariz na sopa que estava dando sopa. Jogamos aquela porção fora e o Uriel se serviu de outra, sem contaminação de nariz de gato enxerido.

sopa de cenoura [com gengibre e castanha de caju]

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Nem me preocupei em procurar por receitas, pois já tinha a idéia fixa dessa sopa, que provei no evento do azeite e quis replicar em casa. Fiz o que precisei fazer para obter uma textura e sabor exatamente como eu queria. E no final ficou melhor do que a sopa que me inspirou.

Assei uma duzia de cenouras cortadas em rodelas. No liquidificador coloquei dois pedaços grandes de gengibre fresco, as cenouras assadas, uma parte de caldo de legumes e bati até obter o creme. Passei tudo pela peneira, usando um pouco de água para diluir. Bati mais ou menos uma xícara de castanha de caju com mais caldo de legumes. Misturei o creme de castanhas ao creme de cenoura e gengibre. Coloquei numa panela e levei ao fogo. Deixei ferver, coloquei sal e na hora de servir reguei com azeite—usei o delicioso extra-virgem pressionado com limão meyer que comprei no Farmers Market.

Edamame Corn Chowder

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Uma sopa deliciosa que peguei no Everyday Food. Fiz como entrada no jantar de sexta-feira, com os pedacinhos e bacon separados, pois uma das minhas visitas é vegetariana. Adorei a idéia de colocar os edamames—soja verde—junto com o milho. A combinação ficou excelente. Usei milho em lata, porque eles estão fora de estação.

Edamame Corn Chowder
Serve 4 pessoas

3 fatias de bacon
1 cebola média *usei cebolinha, parte branca e verde
2 xícaras - 1/2 litro de caldo de galinha *usei de legumes
1 batata * não usei
1/2 colher de chá de Italian seasoning * usei ervas de Provence secas
2 xícaras de edamame—soja verde, congeladas ou frescas
2 xícaras- 500 gr de milho verde fresco, em lata ou congelado
1/2 xícara de half-and-half [3/4 leite integral, 1/4 creme de leite fresco]
Sal marinho e pimenta do reino moída

Frite as fatias de bacon até elas ficarem crocantes. Eu faço no microondas, coloco as fatias separadas embrulhadas em papel toalha sobre um prato. Ponho por 4 minutos. O bacon fica crocante e o papel absorve a gordura. Use um bacon da melhor qualidade, que vai resultar em menos gordura. Deixe esfriar e quebre o bacon com as mãos, fazendo uma farofa bem grossa. Reserve.

Se fizer o bacon frito na panela, use o óleo que sobrou da fritura. Senão acrescente um pouco de azeite e frite a cebola. Adicione o caldo, a batata em cubinhos e as ervas. Eu não usei batata, joguei logo o milho—bati metade no liquidificador, deixei a outra metade inteiro— depois o edamame. Coloque sal e pimenta a gosto. Deixe cozinhar uns minutos, adcione o half-and-half, deixe ferver e desligue o fogo. Sirva o chowder com o bacon polvilhado por cima.

minha sopa de tomate

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Estou numa missão para gastar os ingredientes que estão na geladeira e prevenir desperdícios. O ingrediente central de ontem era um bocado de tomate em lata, que sobrou de alguma outra receita. Era fire roasted tomato, que tem um sabor levemente defumado e que eu adoro. Também tinha um restinho de manjericão fresco, que sobrou do evento da pizza do Gabriel. Minha intenção, que acabou virando uma obsessão, era fazer uma sopa. Vamos lá, procurei uma receita de sopa de tomate—que tinha que ser EXATAMENTE como eu queria—em pelo menos uns dez livros. Não achei nada que me satisfizesse. Fui para o Food Blog Search. Nada, nada, nada. Decidi improvisar mesmo. Whatever...

Bati mais ou menos 1 xícara de meia de tomate no liquidificador com uma xícara de água e as folhas de manjericão fresco. Passei tudo pela peneira. Numa panela, refoguei três dentes de alho picadinhos no azeite. Quando os alhos ficaram dourados, joguei o purê de tomates. Adicionei sal, pimenta moída e deixei ferver. Quando o caldo ficou mais encorpado, joguei 1/3 xícara de half-and-half [2/3 xícara de leite integral e 1/3 de creme de leite] e bastante queijo asiago ralado. Desliguei o fogo, misturei bem para o queijo derreter e servi com torradinhas de pão de grãos integrais e manteiga.

shots de aspargos

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Claro que sobrou um monte de aspargos que a Madame Exagero fez pro brunch de domingo. Nem pensar em desperdiçar tais beleuzuras. Como os aspargos já estavam cozidos no vapor e temperados com sal e azeite, apenas piquei e bati no liquidificador com um pouco de água. Passei pela peneira, jogando mais um pouco de água, até obter um creme. Levei ao fogo até ferver, acertei o sal, desliguei o fogo e acrescentei um pouco de half-and-half [*para fazer em casa misture 3/4 xícara de leite integral com 1/4 de xícara de creme de leite fresco]. Servi morno em copinhos, como se fossem shots. Também pode servir frio.

sopa de brócolis

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Já estou de joelhos, pedindo, implorando—chega de brócolis por este ano! Pode ser que o panorama da cesta mude em breve, pois nesta semana chegaram, junto com mais brócolis e mais repolho, quatro aspargos bem compridos e bem magrelos.

Mas enquanto a temporada do brócolis não termina, vamos inventando receitas. Nessa sopa só precisei cozinhar os raminhos com caldo de galinha, até eles ficarem super tenros. Juntei umas cenouras também. Temperei com sal, pimenta e um fio de azeite. Quando os legumes amoleceram, moí com o mixer de mão e acrescentei uma xícara de buttermilk. Depois disso foi só servir.

chana dal com tomate

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Ainda mais uma sopinha. O vento polar que envolveu a cidade há dois dias só fez aumentar a vontade de tomar sopas quentes e robustas. Essa eu fiz com os grãozinhos de chana dal—os baby garbanzos, que são uns mini grão-de-bico. Primeiro preparei um molho de tomate, que você pode fazer com uns três tomates frescos e maduros, mas eu fiz com o excelente tomate em lata da marca Muir Glen, que pra mim é a melhor no mercado. Usei o fire roasted, que eu acho que tem um sabor especial. Refogue os tomates numa colher de sopa de manteiga e deixe formar um molho grosso. Adicione sal. Reserve. Numa panela grossa coloque os baby garbanzos e bastante água e leve ao fogo. Cozinhe até que os grãos fiquem bem molinhos e a água reduza para um terço. Triture os grãos com o mixer de mão ou bata uma parte no liquidificador. Acrescente o molho de tomate previamente preparado e misture bem. Refogue por uns minutos. Desligue o fogo, deixe descansar uns minutos. Na hora de servir acrescente bastante coentro fresco picadinho e tempere com qualquer molho de pimenta, tipo tabasco. Eu usei um de pimenta de cheiro, que preciso gastar antes que vença a validade.

[mais uma] sopa de abóbora

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Assei uma kabocha [abóbora japonesa] cortada ao meio e sem as sementes em forno alto, até a polpa ficar bem cozida. Removi a polpa com uma colher e misturei com pedacinhos de um queijo cremoso, estilo camembert [ainda sobras do Natal]. Reservei. Numa panela, refoguei cebolinha verde picadinha no azeite. Acrescentei a mistura de abóbora e queijo e joguei logo em seguida um litro de caldo de galinha [na verdade, caldo de peru—sobras do Natal que não têm fim]. Deixei ferver até engrossar, temperei com sal a gosto e servi.

sopa de salsão

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O salsão é um legume injustiçado. É sempre usado no background das receitas, como base na preparação de algum prato. Raramente ele brilha sozinho no spotlight. Nem a cenoura e a cebola, que muitas vezes figuram de coadjuvantes, são tão ostracizadas. O salsão que comprei no Farmers Market tinha um perfume delicioso, precisava reinar sozinho numa receita. Fiz então uma sopa. Procurei por receitas, mas todas que encontrei combinava o salsão com outros legumes. Eu queria uma sopa apenas com o salsão e então fiz da minha cabeça.

Refogue bastante cebolinha picadinha no azeite. Junte um salsão inteiro picado, bulbo e folhas. Junte água o suficiente para cobrir todo o salsão—uns dois litros, no mínimo. Cozinhe, cozinhe, cozinhe, cozinhe. Quando o caldo estiver bem verde, bata tudo no liquidificador e passe por uma peneira. Melhor deixar esfriar antes de fazer isso—o seguro morreu de velho! Retorne a panela com o caldo de salsão para o fogo, salgue a gosto, adicione pimenta branca moída na hora e mais um fio de azeite. Deixe reduzir mais um pouco. Sirva com uma bolota de creme fraiche [ou um substituto] e alguns croutons de alho.

Sopa indiana de batata doce - take II

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Outra receita de anos atrás que merecia ser refeita, fotografada e comentada. Fica uma sopa muito leve, apesar da robustez da batata e do picante do curry vermelho. O toque do limão antes de servir é imprescindível. Experimente!

chestnut soup

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A receita original pedia 15 castanhas portuguesas, salsão e cebola. Mas eu usei um purê de castanhas, que comprei numa lata made in France, e substituí a cebola e salsão por alho-poró.

Numa panela eu derreti duas colheres de manteiga. Refoguei o alho-poró. Bati o puré de castanhas no liquidificador com 1 litro de caldo de galinha. Acrescentei esse creme ao alho-poró refogado. Coloquei sal e deixei cozinhar em fogo baixo por uns 40 minutos. Fica um creme liso, macio e leve. O mais interessante é que o sabor da sopa poderia enganar qualquer um: parece incrivelmente com feijão. Até o Uriel ficou pasmo, quando eu disse que não era feijão. Intrigante!

sopa de cenoura

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Fui forçada a comprar cenouras no Farmers Market, porque na minha cesta só tem vindo folha verde claro, folha verde escuro, folha verde arroxeada, folha verde espinhuda, folha verde aveludada, folha verde, folha verde. E necas de pitibiriba das outras cores, como o laranja ou o amarelo das cenouras que eu tanto gosto. O produtor de quem eu comprei essas cenouras amarelas me disse que elas tinham o sabor bem semelhante aos da cor de laranja. Eu gostei muito. Lavei, despelei, piquei e fiz uma sopa excepcional. Receita do The Art of Simple Food.

sopa de cenoura

4 colheres de sopa de manteiga
2 cebolas médias em fatias --o cabeção esqueceu de colocar
1 ramo de tomilho
6 xícaras ou mais ou menos 1 quilo de cenouras
Sal
6 xícaras de caldo de galinha -- usei o caseiro

Numa panela de fundo grosso [usei a de ferro] derreta a manteiga. Quando começar a espumar adicione a cebola e o tomilho. Refogue em fogo médio por uns 10 minutos. Adicione as cenouras cortadas em cubos, salgue e refogue por 5 minutos. Coloque o caldo e deixe cozinhar por uns 30 minutos. Ajuste o sal. Bata a sopa no liquidificador. Eu usei o ralo grosso do food mill. Na hora de servir acrescentei 2 colheres de sopa de creme fraiche. Serve de 6 a 8 pessoas, dependendo da fome.

sopa de feijão branco com berinjela

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Num comentário sobre uma das minhas sopas, a Valéria mencionou uma receita do Jamie Oliver de sopa de berinjela com feijão branco. Fiquei realmente entusiasmada com essa mistura, sem falar que ainda tinha umas berinjês pra gastar, frutos dos últimos suspiros do verão. Ela me passou a receita e eu fiz. Foi um sucesso com o fanzoco das berinjelas, que repetiu dois pratos. Eu também gostei muito da mistura dos dois legumes. Dei umas modificadas na maneira de fazer, mas mantive os ingredientes. Assei as berinjelinhas [usei 4 bem pequenas] no dia anterior. Usei feijão em lata, porque tem dias que simplesmente não dá tempo de cozinhar feijão. Usei os butter beans, uns feijões grandões. E inverti a maneira de fazer—primeiro passei os feijões e a polpa assada das berinjelas no food mill, depois acrescentei caldo de legumes caseiro. Refoguei bastante cebolinhas, a parte branca e a verde e joguei o caldo lá. Não usei alho nem cebola, mas usei a páprica doce e a cayenne seca. Servi com uma bolota de creme fraiche.

A receita, como a Valéria me enviou:

sopa de feijão branco com berinjela

2 berinjelas
2 xícaras de feijão branco (eu meço as duas xícaras quando tiro o feijão do pacote, ainda seco, antes de cozinhar)
1 litro de caldo de legumes ou galinha
1 tantinho de chillie seco picado, sem as sementes (tem que ser um tantinho mesmo porque, na primeira vez em que fiz, usei uma pimenta inteira, como mandava a receita, e quase morri afogada na primeira colherada de sopa)
azeite
cebola
alho
cebolinha
outros temperos que você gostar - eu ponho uma pitada de páprica doce e uma de páprica picante em tudo que eu faço, seguindo os conselhos de uma velha amiga da minha mãe, que dizia que é a melhor maneira de prender o marido pelo estômago (ela ficou casada mais de 50 anos... rsrsrs...)

Asse as berinjelas em forno alto por uns 40 minutos, até ficarem bem chamuscadas. Quando esfriarem um pouquinho, raspe toda a carninha de dentro delas e reserve. Eu tiro um pouco das sementes, porque tenho uma certa aflição, mas não precisa. Cozinhe os feijões na panela de pressão por uns 20 minutos. Eu uso a água do cozimento para fazer o caldo de legumes. Refogue os feijões e a massa de berinjela no azeite com os temperos. Acrescente o caldo, bata tudo no liquidificador e pronto! A receita original manda colocar um pouquinho de ricota esfarelada por cima na hora de servir, mas acho que qualquer queijo ou uma colherada de creme azedo servem.

sopa de lentilhas com pancetta

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Cozinhe a lentilha com bastante água até que elas fiquem bem molinhas. Desta vez eu usei lentilhas espanholas Pardina. Numa panela separada frite a pancetta cortada em micro-cubinhos até elas ficaram tostadinhas. No meio tempo acrescente um dentão de alho picadinho. Jogue a pancetta frita com o alho na lentilha cozida, acresente sal a gosto e deixe cozinhar mais uns minutos. Antes de servir jogue um punhado de salsinha fresca picadinha.

sopa de cogumelo assado

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Outra sopa para aproveitar a abundância dos cogumelos no Farmers Market. Usei uma receita como base, mas adaptei tanto que ela se transformou. O resultado foi aprovado pelo provador oficial da família, que primeiro olhou com aquela cara de desconfiado, depois raspou o prato.

Usei umas 300gr de baby portabella, tomilho fresco, um litro de caldo de legumes, meia xícara de vinho branco, umas gotas de limão amarelo e meia xícara de creme de leite fresco. Azeite e sal. Pré-aqueça o forno em 400ºF/ 205ºC. Forre uma forma com papel alumínio e espalhe os cogumelos, regue com azeite e ponha pra assar. Os cogumelos assam muito rapido, portanto não vá ver tevê, nem ler o jornal na internet. Quando eles estiverem assados—murchinhos e escuros, retire do forno e coloque no liquidificador com metade do caldo de legumes. Bata, mas não deixe virar um creme. A sopa vai ficar pedaçuda. Coloque os cogumelos batidos na panela, o resto do caldo, muitas folhas de tomilho fresco e sal. Cozinhe por um bom tempo, até o caldo reduzir. Acrescente o vinho e cozinhe mais um pouco. Quando a sopa tiver engrossado, desligue o fogo, acrecente umas gotas de suco de limão, o creme de leite, acerte o sal e sirva. Como eu tinha umas sobras de garlic chives que resgatei da horta, acrescentei elas picadinhas no final. Mas não é necessário.

sopa picante de tomate e grão de bico

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Receita da revista Martha Stewart Living, edição de novembro 2007. É uma sopa bem apimentada, eu recomendo diminuir a quantidade de pimenta, se você não quiser ficar naquele abafamento sudoral provocado por elas.

Spiced chickpeas and tomato soup

2 dentes de alho picados
3 pimentas secas picadas ou 1/2 colher de chá de pimenta vermelha seca
1 colher de chá de coriander [coentro] seco moído
3/4 colheres de chá de sal grosso
1/8 colher de chá de sementes de caraway [kümmel]
2 colheres de sopa de azeite extra-virgem
1 lata [15 ounces] de grão-de-bico, escorrido
1 1/2 xícara de tomate em lata, com o suco *usei o tomate orgânico assado da marca Muir Glen, que é uma das melhores
1/2 xícara de pimentão vermelho assado
3 1/2 xícaras de caldo de legumes ou de galinha feito em casa ou comprado, mas de boa qualidade
Sour cream e folhas de salsinha para decorar

Num pilão, amasse o alho com sal e temperos, até formar uma pasta. Numa panela, adicione o azeite e refogue a massa de alho por uns 3 minutos, até ficar macia. Adicione o grão-de-bico, o pimentão e o tomate. Refogue uns minutos, adicione o caldo e deixe cozinhar por uns 15 minutos. Desligue o fogo, deixe esfriar e então bata a sopa no liquidificador. Retorne à panela e esquente. Sirva com uma bolota de sour cream e uma folhinha de salsinha.

sopa para uma noite de chuva

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Quando chove não tem graça, especialmente quando ainda é outono. Porque chuva é personagem de inverno, quando a paisagem já está cinza mesmo e todo mundo já se conformou. Mas tem chovido, chuvarada demais e eu me molhei na hora do almoço e senti frio, por isso fui pra casa decidida que naquela noite teríamos uma sopa bem yang pra compensar o ying do dia.

Descasque e corte uma abóbora pequena em cubinhos e embrulhe em papel alumínio. Descasque uns 4 dentes de alho e embrulhe em papel alumínio. Descasque e corte umas três batata-doces médias em cubinhos ou deixe-as inteiras mesmo e embrulhe em papel alumínio. Coloque os três pacotinhos numa forma e asse em forno pré-aquecido em 400ºF/205ºC por uns 30 minutos ou até que tudo esteja molinho. Pode tirar o alho antes, para que ele não fique muito cozido. Remover tudo to forno. Se não descascou as batatas antes, agora é hora de descascar com cuidado pra não pelar os dedos. Coloque a abóbora, alho e batata-doce no liquidificador com um litro de caldo de galinha ou de legumes. Adicione uns galhinhos de dill fresco e bata bem, até obter um creme. Jogue tudo numa panela, adicione sal a gosto, azeite a gosto e um tantinho de pimenta pra quebrar a doçura dos legumes e do alho assado. Eu usei a pimenta chipotle, que é a jalapeño seca e defumada, que eu acho que tem um sabor bem especial. Deixe a sopa engrossar um pouco no fogo médio e sirva em potinhos decorados com uma bolota de creme fraiche [ou sour cream, ou iogurte] salpicada com dill fresco picadinho.

sopa de ervilha & bacon

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Porque eu já tinha combinado de pegar um cinema com uma amiga na sessão das sete e o Uriel já tinha avisado que não iria jantar, abri portas de armários e da geladeira freneticamente durante o meu almoço, para tentar bolar um menu rapido e prático para a noite. Ervilhas secas acenaram idilicamente através de um vidro e desesperadas fatias de bacon congeladas imploraram—nos use e abuse!

Cheguei em casa às cinco da tarde com uma missão definida: fazer uma sopa com as ervilhas e o bacon. Tudo muito rapido, porque ainda queria tomar um banho antes de cascar para o cinema.

Cortei as fatias de bacon, que já tinham sido descongeladas e estavam mais calmas em pedacinhos pequenos e fritei numa panela. Quando o bacon estava bem fritinho, acrescentei um dentão de alho picadinho, uma cenoura picadinha e refoguei uns minutos. Juntei as ervilhas secas já lavadas e escorridas e refoguei mais um pouco. Juntei água o suficiente e tampei para que as ervilhas cozinhassem. Quando as ervilhas amoleceram, juntei um pouco de vinho branco, sal, pimenta e deixei cozinhar mais um pouco. Eu quis uma sopa pedaçuda, então não bati nada no liquidificador, nem usei o mixer de mão. Antes de servir juntei umas folhas de manjericão que estavam abandonadas em cima da pia, sobra de um macarrãozinho que tinha feito na noite anterior. Como também tinha dois salsichões que sobraram de um outro dia, cortei em rodelas e coloquei na sopa, mas me arrependi de ter feito isso, pois achei que emperequetou demais. Somente o bacon teria sido suficiente.

Sopa de milho com queijo de cabra e shiitake

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Procurando desesperadamente por receitinhas bacanas para um jantar que eu iria fazer no sábado, achei nos meus bookmarks um link para a Vejinha São Paulo com receitas especiais de vários chefs de restaurantes brasileiros. Gostei muito desta receita da chef Tatiana Szeles. O resultado ficou bem interessante. Servi morninha, quase fria.

1 cebola média picada
4 colheres (sopa) de azeite virgem
400 g de milho pré-cozido congelado
1,5 l de leite integral
200 g de shiitake cortado em lâminas
Sal a gosto
100 g de queijo de cabra tipo boursin

Sopa: refogue a cebola no azeite. Acrescente o milho e refogue por 10 minutos. Junte o leite, tempere com sal e deixe cozinhar por mais 20 minutos. Espere amornar, bata no liquidificador e coe.

Sauté de shiitake: aqueça o azeite numa frigideira, junte o shiitake, tempere com sal e refogue por 5 minutos ou até que fique macio.

Montagem: reaqueça a sopa, coloque num prato fundo e sirva com o queijo de cabra e o sauté de shiitake.

sopa de tomate assado
[com wafers de parmesão]

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Nas últimas duas semanas eu tomei três tipos de sopa de tomate em três restaurantes diferentes. Uma delas, do menu do brunch de domingo do Seasons, estava particularmente deliciosa. Resolvi tentar uma sopa de tomate em casa. Achei essa receita da revista Gourmet de 2003 no site da Epicurious e resolvi tentar. Ficou excelente, mas não abocanhou o troféu. A sopa que eu tomei no Seasons ainda é a melhor. Vou continuar experimentando receitas.

2 quilos de tomates cortados ao meio*
6 dentes de alho sem descascar*
3 colheres de sopa de azeite
1/2 colher de chá de sal
1/4 colher de chá de pimenta do reino
1 cebola média picada
1/2 colher de chá de orégano seco esmagado*
2 colheres de chá de açúcar
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
3 xícaras de caldo de galinha ou legumes
1/2 xícara de creme de leite fresco

Acompanhamento: parmesan wafers*

Asse os tomates e os dentes de alho em forno baixo, regados por azeite, sal e pimenta. Asse por uma hora. Deixe esfriar e descasque os alhos. *Eu pulei essa fase, usando os roasted tomatoes da Muir Glen. * E não usei alho.

Numa panela, refogue a cebola, orégano e açúcar em fogo moderado até a cebola ficar bem molinha. * Nessa etapa eu também fiz mudanças, usando bastante orégano fresco, já que tenho bastante na horta. Acrescente os tomates e alho, coloque o caldo de legumes e deixe cozinhar tampado por uns 20 minutos. Desligue o fogo, deixe esfriar um pouco e bata tudo no liquidificador—com MUITO cuidado! Passe toda a sopa por uma peneira fina, pra remover qualquer resíduo dos tomates e orégano. Adicione o creme de leite, tempere com sal e pimenta a gosto e sirva com um wafer de parmesão no centro e uma folhinha de orégano ou manjericão fresco decorando. Eu servi essa sopa morna, mas ela pode ser servida bem quente ou mesmo fria. Ela também pode ser feita no dia anterior e guardada em pote fechado na geladeira.

* eu fiz os wafers baseados na receita da Ana, onde ela explica como fazer nos super-micro-detalhes. eu fiz os meus eu com parmesão e cibouletes.

sopa de mandioquinha

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Inspirada pelas sopas da Elvira, me entusiasmei pra usar as mandioquinhas [parsnips] que vieram esta semana na cesta orgânica. Não queria fazer nada que pudesse esconder o sabor adocicado dessa raiz que me faz lembrar da minha infância. Decidi fazer uma sopa simples, com as mandioquinhas e mais um talo de alho-poró. Refoguei tudo cortado em cubinhos no azeite, joguei um litro de caldo orgânico de galinha caipira [fancy that!], e deixei cozinhar bem. Bati com o mixer da mão, para moer tudo, mas quem quiser usar liquidificador, ou um amassador manual, tudo bem. Enquanto isso refoguei um punhado de verdura - usei os raminhos de dino raab que também recebi na cesta. Tudo pronto, temperei com sal e pimenta do reino e servi a sopa com um pouquinho da verdura refogada.

sopa de cebola com maçã

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Vi uma fulana fazendo essa receita num programa de tevê. Adorei a idéia de colocar maçã na tradicional sopa de cebola. A receita é a basicona:

2 cebolas brancas descascadas e cortadas em fatias
1 maçã verde [Granny Smith] descascada e cortada em fatias
5 colheres de manteiga
1 litro de caldo de legumes [usei orgânico]
1 copo de vinho branco
Um raminho de tomilho
Sal marinho e pimenta do reino moída a gosto
Fatias de pão francês
Queijo Gruyère ralado

Derreta a manteiga numa panela funda. Jogue a cebola e a maçã e refogue, mexendo de vez em quando, longamente, até começarem a caramelizar. Jogue o vinho, o tomilho, depois o caldo de legumes. Tampe e deixe cozinhar no fogo baixo até reduzir. Salgue a gosto. Moa pimenta a gosto. Coloque a sopa em cumbucas, ponha uma fatia de pão francês no meio da cumbuca e cubra com bastante Gruyère ralado. Ponha no forno pra gratinar. Se você tiver um broiler, é questão de uns minutos.

* no programa de tevê, a fulana cobria a sopa com uma mistura de queijo Cheddar e bacon frito moído. eu achei meio over the top, não fez a minha cabeça. Preferi usar o tradicional Gruyère, mas fica a dica, se alguém quiser tentar.

sopa de abóbora e alho assado

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Asse a abóbora e o alho. Bata no liquidificador com caldo de frango ou legumes. Tempere com sal, pimenta do reino moída, um fio grosso de azeite. Acrescente uma ervinha a gosto - eu usei o manjericão. Ferva. Sirva com uma bolota de sour cream ou iogurte natural.

um menu verde-amarelo

A proposta original para o feijão branco de ontem, antes do cortão no dedo, era essa Salada Toscana. Hoje cozinhei mais feijão e fiz. É a coisa mais fácil. Temperar o feijão já cozido no alho, sálvia e azeite e escorrido, com sal, pimenta do reino moída fresquinha, mais azeite - muito azeite - e um tantinho de vinagre balsâmico. Misturar bem, ralar bastante queijo parmesão, no ralo grosso. Colocar esse feijão branco temperado por cima de folhas de rúcula. Só isso!

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Estava com tanta cenoura da cesta orgânica acumulada na geladeira e comecei a ver um monte de receitinhas de sopa de cenoura com gengibre pelos food blogs. Me inspirei e fiz a minha. Muito simples, muito boa.

Refogue scallions e gengibre picado num pouco de azeite. Acrescente as cenouras em cubos. Refogue mais um pouco. Acrescente caldo de legumes o suficiente para cobrir as cenouras. Eu usei a água em que cozinhei o feijão, acrescida do alho cozido e um copo pequeno de vinho branco. Rale a casca e esprema o suco de uma laranja pequena. Deixe cozinhar, cozinhar, até a cenoura ficar molinha. Bata com o mixer manual ou no liquidificador até ficar um purê. Acrescente sal, um pouquinho de pimenta vermelha seca. Deixe ferver um minutinho e desligue o fogo. Sirva com uma bolota de sour cream e um raminho de coentro. Ficou uma sopa suave e picante ao mesmo tempo, com o doce da cenoura e da laranja sendo quebrado pela pungência do gengibre.

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As torradinhas foram feitas com tortilla bread cortadas em quatro, mas pode fazer com pita ou mesmo pão de forma. No mixer coloque salsinha e queijo parmesão ralado e misture bem, formando uma farofa. Misture essa farofa numa quantidade de manteiga em temperatura ambiente. Tranforme tudo numa pasta e passe nos pãezinhos. Asse em forno baixo até eles ficarem crocantes.

sopa mexicana de tomate

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Outra sopinha do livro Moosewood Restaurant Cooks at Home. Bem fácil de fazer e deve ficar boa servida fria, num dia de verão. Mas para um dia de inverno também veio a calhar, especialmente porque eu errei a mão no Tabasco e a pimenta de me deu um suadouro, me fez assoar o nariz e chorar, limpou os poros e os mucos!

2 dentes de alho picadiinho
2 colheres de chá de cominho em pó
1 colher de sopa de azeite ou óleo vegetal
6 xícaras de suco de tomate
2 xícaras de tomate fresco cortado em cubinhos
Suco de um limão grande
3 colheres de sopa de coentro fresco picadinho
Tabasco ou outra pimenta pra temperar
2 xícaras de tortilla chips em pedacinhos
1 xícara de queijo Monterey Jack ralado
Folhas de coentro fresco

Numa panela refogue o alho e o cominho no azeite. Não deixe o alho ficar muito tostado. Junte o suco de tomate,, os tomates em cubinhos, o suco do limão e o coentro fresco picado. Deixe ferver. Abaixe o fogo e deixe cozinhar por uns minutos. Tempere com o Tabasco - cuidado! Eu usei um pouquinho de sal.

Para servir, coloque as tortillas chips no prato, cubra com a sopa e decore com o queijo ralado e as folhas de coentro.

caldo de alho

Fiz um panelão de caldo de legumes, daquele jeito descompromissado que faço - na slow cooker. Então hoje eu tinha muito caldo fresquinho pra usar numa sopinha saborosa e nutritiva. Escolhi uma das muitas sopas que separei no Moosewood Restaurant Cooks at Home. Era a Simple Garlic Broth, que me encantou pela sua simplicidade e possibilidades de variações e sabores. Ela ficou bem interessante e foi acompanhada por uma fatia grossa do pão de azeitonas tostado na frigideira de ferro.

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Para 6 porções:
8 xícaras de caldo de legumes
3 colheres de sopa de alho ralado fino em fatias ou picado
2 colheres de sopa de azeite
1/2 colher de chá de paprica [*esquecio de colocar]
1 raminho de sálvia, tomilho e salsinha amarrados juntos
Sal e pimenta do reino a gosto

Numa panela frite o alho no azeite, mas não deixe o alho escurecer muito. Acrescente o caldo de legumes fervendo. Coloque a paprica e o raminho de ervas. Ferva por 15 minutos, ou 30 se quiser um sabor mais acentuado. Remova o bouquet de ervas e tempere com sal e pimenta a gosto.

Eu não tinha as ervas frescas, então coloquei ervas secas numa peneirinha de fazer chá e coloquei dentro da panela, para ferver. No final coloquei uns raminhos de açafrão.

sopa de lentilha com limão

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[»lentilhas da região de Auvergne, na França chamadas de green lentils of puy ou poor man's caviar]

Não lembro onde encontrei essa receita. Com certeza fazendo uma busca pela internet. Achei bem simples, como toda sopa de lentilha, mas gostei mesmo da adição do limão, que dá um toque e sabor especial à essas lentilhas ultra-saborosas.

Lave uma xícara de lentilhas verdes. Numa panela coloque 1 colher de sopa de azeite de oliva. Refogue as lentilhas no azeite, acrescente meia cebola picadinha e um dente de alho. Continue refogando. Jogue duas cenouras pequenas cortadas em rodelas. Refogue mais um pouco, acrescente 3 xícaras de caldo de legumes, 1 folha de louro, 1 colher de chá de cominho, 2 colheres de chá de páprica hungara. Cozinhe até as lentilhas ficarem molinhas, tempere com sal e pimenta e 1 colher de sopa de suco de limão. Sirva bem quente com pão fresco.

*Se não tiver ou achar a lentilha verde, faça com qualquer lentilha.

sopa de couve-flor com gorgonzola

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Li em algum lugar uma receita assim, de couve-flor com gorgonzola e fiquei bem animada, pois ainda tinha um buquê da couve que comprei para o risotto. Também tinha um tantinho de gorgonzola, que queria gastar, depois do trauma da abóbora! Não achei a receita, então foi sem mesmo.

Assei os floretes de uma couve-flor pequena regados com azeite em forno alto. Numa panela fritei um dente de alho num pouquinho de azeite. Juntei os floretes assados e 1 litro de caldo de legumes. Deixei ferver por uns minutos e então triturei a couve-flor dentro da panela mesmo, com o mini-mixer de mão. Voltei a panela para o fogo e acrescentei meia xícara de half-half [pode ser creme de leite fresco], o gorgonzola [que deu mais ou menos uma colher de sopa] e um cubinho de queijo brie que eu queria terminar. Deixei o queijo derreter, desliguei o fogo, coloquei sal e pimenta do reino moída na hora a gosto. Voalá! A sopa ficou cremosa com pedacinhos molinhos da couve-flor e como o gorgonzola desta vez foi discreto, o sabor predominante foi mesmo o do legume.

sopa de jerusalem artichoke

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A primeira vez que li sobre a alcachofra de jerusalem foi no livro da Isabella Beeton. Achei que era uma variedade da alcachofra normal, mas depois que a vi que saquei que ela é uma raiz, também chamada de sunroot ou sunchoke. Tem uma explicação muito boa sobre essa raiz na wikipedia. Ela lembra muito a textura do gengibre, mas o sabor se assemelha muitíssima ao coração da alcachofra. Eu fiz uma sopa bem simples com elas e um alho poró. Mas deixo aqui a receita da Isabella Beeton para uma sopa mais incrementada, usando essa raiz interessante.

Jerusalem Artichoke Soup
(A White Soup)

3 fatias de bacon ou presunto
Talos de salsão
1 nabo
1 cebola
100 gr de manteiga
2 quilos of jerusalem artichokes
1/2 litro de leite fervendo ou 1/4 de litro de creme de leite
Sal e pimenta cayenne a gosto
2 1/2 litros de caldo de legumes

Coloque o bacon/presunto e os legumes, tudo cortado em fatias numa panela com a manteiga. Refogue tudo por uns 15 minutos, mexendo sempre. Lave e descasque as alcafrofras, corte em fatias, adicione na panela e junte o caldo de legumes. Deixe ferver até tudo virar uma polpa cremosa, adicione os temperos - sal, pimenta - deixe ferver por mais 5 minutos e passe a sopa por uma peneira [liquidificador hoje, né genteee!], Retorne a sopa para a panela e deixe ferver de novo por mais 5 minutos. Adicione o leite ou creme de leite fervendo. Sirva com pequenos pedaços de pão frito na manteiga.

sopa de lentilhas

Um dilema na sexta-feira à noite: ir à um restaurante ou comer em casa? O cansaço era grande, a fome era enorme, mas fiquei pensando onde ir? Onde? Peguei um enjôo da maioria dos restaurantes de Davis - e olha que eles abundam, principalmente os asiáticos. Sinceramente, pra comer uma comida como a feita em casa, só mesmo indo num lugar excelente, desses que não usam salada de saco e são bem mais caros. Estou ficando uma chatonilda de galochas. Assumo. E por isso decidi que comeríamos em casa. Fiz um rango simples, uma sops prática, rápida e nutritiva. A sopa de lentilhas.

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a lentilha beluga

Minha receita de sopa de lentilha não tem segredo e fica pronta em menos de uma hora. Eu uso a variedade beluga, que acho gostosa. Quando você lava, fica mesmo com cara de caviar! Eu então lavo uma xícara de lentilhas, deixo escorrer. Refogo uns três dentes de alho cortadinho num tanto de azeite. Acrescento a lentilha, refogo um pouquinho. Ponho uns tomates picados. Refogo mais um pouquinho. Jogo três partes de água e deixo ferver, abaixo o fogo, deixo a panela meio tampada. Quando a lentilha ficar molinha e o caldo ficar grosso, acrescento sal, pimenta do reino. Não se cozinha nenhum grão com sal, pois ele não amolece direito. Na hora de servir jogo bastante salsinha fresca picada. Sirvo com torradas feitas na frigideira de ferro, regadas com um fio de azeite.

* se quiser pode usar bacon invés do azeite - fritar o bacon e no óleo que soltar fritar o alho. pode acrescentar os tomates, ou nao. fica uma sopa bem saborosa.

sopas de fevereiro - pro frio que vai chegar

O livro foi publicado em 1931 na Inglaterra e chama-se The Gourmets Almanac. O autor, Allan Ross Macdougall, deu uma de modernex e escreveu um livro pretendendo ser divertido, com histórinhas, curiosidades, poesias e até cifras e letras de músicas. Dividiu o livro em meses do ano e para cada um colocou uma ilustração chamativa. Fui fisgada pelo capítulo das sopas, estratégicamente colocadas no mês de fevereiro. Ele vai escrevendo sobre isso e aquilo e vai dando as receitas, daquele jeito beeeeeem pré-Martha Stewart, quando não tinha medida de nada, exatidão nenhuma e salvasse-se quem pudesse. Tudo era sugerido no olhomêtro. O almanaque era para gourmets, bem lembrado. Então nenhuma mocréia ou estrupício sem talento [cof cof] ousaria abrir, ler ou muito menos tentar trêmulamente fazer uma dessas receitas. Esclarecido esse detalhe vamos às sopas, que hoje, excuse moi, até eu que não sou gourmet nem nada me atrevo a fazer. Desejem-me sorte!

Chana Orloff's Vegetable Soup

[O autor primeiro explica quem é Chana Orloff, mas sinceramente, não interessa... cut!] Ela tem uma sopa de legumes que eu adoro, por sua suculência e simplicidade. Ela cozinha todos os legumes cortados em pedacinhos da maneira usual e quando estiver quase pronto, ela corta uma cebola grande e frita numa manteiga até ficar marrom. Daí ela adiciona a cebola à sopa, que deve cozinhar um pouco mais. A sopa é servida assim como está, com uma colherada de creme de leite espesso em cada prato.

Rameno À L'Oignon

Essa sopa é uma variação desenvolvida pelo escultor Despiau à meira como o povo de Les Landes fazem. Você corta as suas cebolas e frita numa frigideira até ficarem marrons numa bolota de gordura de ganso [substituir esse item vai ser lasquera!]. Quando a cebola estiver boa e escura, cubra até a beira da frogideira com água fervendo e deixe ferver devagar. Adicione temperos a gosto [deve ser sal e pimenta do reino]. Torre algumas fatias de pão, uma para cada prato, e cubra cada uma com queijo ralado, colocando elas numa sopeira. Quebre um ovo e separe a gema da clara. Coloque a clara na sopa, e quando tiver coagulado tire a frigideira do fogo e só então adicione a gema. Despeje a sopa na sopeira e sirva imediatamente.

Snert or Dutch Pea-Soup

Essa excelente e inesquecível sopa de ervilhas é uma receita que vem do famoso restaurante Port Van Clef de Amsterdã. Pegue um pound de ervilhas e deixe de molho por vinte e quatro horas. Faça um caldo com um osso de rabo e adicione as ervilhas. Adicione também dois talos de salsão, três alho proós e alguma salsinha picadinha. Adicione temperos a gosto e deixe a sopa ferver ao lado do fogo por cinco horas, mexendo frequentemente. Mais ou menos duas horas antes de servir coloque na sopa várias fatias de linguiça defumada. A substanciosa mistura deve então ser servida.

Cherbah

Todos os visitantes que chegam até as não-turisticas regiões do Norte da Africa, se eles são aventureiros gastronômicos devem conhecer essa sopa. Corte um número igual de tomates e cebolas em pedaços. Frite em manteiga com um maço grande de hortelã selvagem picado grosseiramente e três pimentões vermelhos pequeno. Adicione sal e pimenta a gosto. Quando estiver escurecendo adicione 2 pints de água, um pedaço de carneiro e 4 ounces de damasco seco. Cozinhe bem devagar. Antes de servir, retire a carne e corte em pedaços pequenos, adicione vermicelli e sirva.

Mint Soup

Esta sopa é comum na Tunísia. Frite um dente de alho e algumas folhas de hortelã no azeite. Adicione água suficiente e um pouco de semolina. Vá mexendo enquanto cozinha. Bata dois ovos e coloque numa sopeira. Coloque a sopa na sopeira e sirva.

sopa cremosa de cogumelos

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Fazia tempo que eu queria tentar fazer em casa a sopa de cogumelos que comemos num restaurante no Napa Valley. Comecei a buscar por uma receita que tivesse o profile que eu precisava. Procurei, procurei e tudo que eu achava ia creme de leite, sherry. No final achei uma receita no French Country Cooking da Elizabeth David, que eu usei como base. Ela pedia bacon, que eu eliminei. E não pedia cebola, que eu adicionei, pois precisava gastar uma metade que estava na geladeira.

300 gr. de cogumelos crimini
2 xícaras de água
2 1/2 xícara de leite
3 colheres de sopa de farinha de trigo
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
sal e pimenta do reino a gosto
1/4 de uma cebola branca.

Coloque os cogumelos limpos numa panela com a água e deixe ferver. Enquanto isso refogue a cebola bem picadinha [pode moer, se quiser, pra não ficar pedaços na sopa] na manteiga. Dissolva a farinha no leite e acrescente à cebola refogada. Vai mexendo com o batedor até engrossar ligeiramente. Bata os cogumelos cozidos no liquidificador até eles virarem uma pasta bem leve. Acrescente a pasta de cogumelo e a água do cogumelo ao molho branco. Mexa bem para incorporar e cozinhe por um minuto. Adicione sal e pimenta do reino a gosto. Desligue o fogo, acrescente chives picadas e um fio de azeite de trufas brancas. Sirva quente ou morno.

Mas posso acreditar que essa sopa ficou parecidíssima com a do restaurante, muito deliciosa, com um sabor bem pungente dos cogumelos crimini. Missão cumprida!

Ribollita
[sopa de feijão e pão]

Eu pertenço à um grupo de mulheres que se encontra uma vez por mês para um chá e muito papo. São mulheres dos vinte e tantos aos oitenta e poucos anos, todas muito cultas, algumas estrangeiras, super viajadas, algumas casadas com acadêmicos como eu, que falam várias línguas, já moraram em diversos países. É um grupo super interessante e eclético. Sábado passado tivemos o encontro de fevereiro, só que invés de chá tivemos uma sopa. Era na verdade uma soup party! Uma inglesa foi a anfitriã e fez a receita de Ribollita, uma sopa típica da Toscania, na Itália, onde ela morou por alguns anos. Foi uma noite super agradável, com sopa e vinho, numa casa super simpática cheia de mulheres matracando e os maridos, noivos, namorados não foram convidados!

A receita da sopa toscana:

Ribollita

4 colheres de sopa de azeite
1 cebola roxa picada
1 alho poró picado
1 dente de alho picado
4 cenouras em rodelas
4 abobrinhas picadas
1/4 de repolho picado fininho
1 maço de cavolo nero, que é uma couve beeeem escura
1 maço de espinafre picado
4 batatas descascadas e picadas
2 xícaras de feijão branco cozido e amassado
2 colheres de sopa de sal [eu uso o kosher/grosso]
4 colheres de sopa de pasta de tomate
1.2 quilo de pão italiano amanhecido cortado em cubos

Refogue a cebola e o alho poró, adicione o alho e frite por um minuto. Adicione todos os outros legumes e verduras. Salgue e cozinhe tampado por 20 minutos.
Cubra com bastante água e reduza o fogo. Adicione a pasta de tomate e mexa bem. Cubra e cozinhe por uma hora. Adicione os feijões e o pão. Essa é uma sopa bem grossa. Sirva com um fiozinho de azeite extra virgem por cima.

Tom Kah Gai

O nome dessa sopa em tailandês soa muito ridículo para nós luso parlantes, mas garanto que o sabor supera tudo. Eu e o Uriel adoramos comida tailandesa [e o Gabriel e a Marianne também, preciso dizer], então estamos sempre batendo ponto num dos cinco ou seis tailandeses daqui da minha cidade. Sempre que vamos, eu tomo essa sopa que é originalmente feita com frango, mas eu peço para ser substituído por camarão. Eu tenho um problema com frango em restaurante asiático, não consigo comer. Então vou sempre de camarão. Todas as sopas orientais que eu gosto, incluíndo a hot & sour chinesa, eu aprendi a fazer em casa. Fiz a Tom Kah Gai, ou Galangal, Chicken and Coconut Soup para um jantar tailandês para doze pessoas que fiz aqui em casa uns anos atrás. Ficou perfeita!

Aqui está a receita:

1/2 litro de caldo de galinha
4 folhas de limão kaffir [a folha da árvore do limoeiro mesmo]
um macinho de lemon grass - erva cidreira
um pedaço de três cm de galangal fresco picadinho
[esse ingrediente é típico e se não for encontrado pode ser substituído por gengibre, que tem um sabor similar]
4 colheres de sopa de molho de peixe - uma espécie de shoyo com um sabor e odor bem forte - cuidado, é bem salgado e não deve ser abusado
2 colheres de sopa de suco de limão
300 gramas de peito de frango cortado em pedacinhos - para a minha sopa eu uso camarão, que eu acho que fica muito melhor!
2 latas de leite de coco
uma pitada de pimenta vermelha - chili powder
1 xícara de cogumelos brancos e frescos cortados ao meio
50 gramas ou 1/2 xícara de baby corn - mini milho cortados em quatro no comprimento
Coentro fresco à gosto para decorar a sopa

Aqueça o caldo de galinha e vá colocando todos os outros ingredientes nele, com exceção do frango ou camarão e do leite de coco. Deixe ferver e então adicone os dois ingredientes restantes. Deixe cozinhar por un minutos até a carne ficar cozida. Abaixe o fogo, cozinhe por mais uns minutos. Jogue bastante coentro picado antes de servir. Eu gosto dessa sopa pura ou misturada com arroz jasmine cozido somente com água e sal.

it's all about the beer

Acho que foi anteontem que tive esse sonho estranho. Olhei para o outro lado da rua e vi o supermercado canadense que eu frequentava. Não era exatamente o mesmo, vocês sabem como as imagens dos sonhos nunca são exatas, mas eu sabia que era o Superstore. E estava coberto de neve, como costumava ficar - e ainda costuma, com certeza - durante oito longos meses. Mas por que estou contando isso? Não é só porque eu gosto de enrolar. O ponto é que depois do sonho fiquei o dia todo pensando naquele país gelado, onde vivi por alguns anos. Tirei do baú uma caderneta onde eu anotava tudo junto, receitas que eu pegava dos amigos, nas revistas ou na tevê e até dúvidas das aulas de inglês. Minha missão era encontrar nesse caderninho a receita de uma sopa de cevada que eu fazia sempre pra aquecer os ossos nos invernões. Não achei a receita, mas acho que me lembro mais ou menos como fazer. A receita original era beef and barley soup, que eu incrementei para beef, barley and beer soup. Excellent, eh?

A receita:

Sopa de Cevada com Carne e Cerveja
Refogue no azeite ou óleo meio quilo de carne para refogado [stew] cortada em cubinhos. Acrescente cebolas e cenouras picadinhas. Acrescente a cevada lavada e escorrida, refogue por um minuto. Jogue um litro de caldo de carne ou legumes, deixe cozinhar até a carne amaciar e a cevada ficar bem cozida e molinha. Acrescente mais liquido se precisar. No final acrescentar uma lata ou garrafinha de cerveja - de preferência uma bem forte e encorpada, testar o sal e acrescentar mais à gosto. Pode pôr um pouquinho de pimenta do reino se quiser. Deixar ferver por mais um minutos e servir fumegando.

Sopa Indiana de Batata Doce

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Peguei essa receita na revista REAL SIMPLE. É facílima de fazer e muito saborosa. Só precisa ter cuidado com a quantidade de curry, senão fica muito apimentada.

2 batatas doces grandes cozidas e cortadas em cubinhos
1 cebola media cortada em pedacinhos
1 colher de óleo para refogar
um pedacinho de uns 2cm de gengibre fresco, descascado e picado bem fininho
1 colher de sobremesa de PASTA VERMELHA DE CURRY [nao é o curry em pó, nem o amarelo, é um curry vermelho e molhado, como uma pasta de tomate - cuidado, pois é HOT!]
1 lata de leite de coco
3 xícaras de caldo de galinha
sal à gosto
suco de um limão
coentro fresco

Refogar a cebola e o gengibre no óleo até ficar macio. Acrescentar a pasta de curry vermelho. Refogar por um minuto. Acrescentar o caldo de galinha e o leite de coco. Deixar ferver, abaixar o fogo e cozinhar por cinco minutos. Acrescentar a batata doce. Cozinhar por mais cinco minutos. Desligar o fogo. Acrescentar sal à gosto, espremer um limão. Na hora de servir, decorar com o coentro fresco picado.

caldos para sopa

Preguiçosa e distraída como eu sou, preciso pensar em maneiras eficientes de fazer coisas na cozinha, que me permitam poder fazer outras mil coisas e ter esquecimentos. Com a chegada do inverno ficamos pedindo por sopas. Elas são fáceis de fazer e sustentam, acompanhadas de uma boa salada e pão fresquinho. Mas depois que eu li este livro maravilhoso [que ainda vou comentar extensamente], fiquei encantada com os caldos que ela cita como base de tudo - sopas e molhos. Fazer um caldo me faz pensar imediatamente num panelão cozinhando por intermináveis horas sobre a chama do fogão. Não daria certo pra mim, que estou sempre entrando e saindo de casa em mil atividades e tarefas. O caldo levaria dias pra ficar pronto, se eu fosse seguir as regras de segurança básicas de não deixar fogo ligado sem vigilância na minha casa de madeira.

Mas como tudo pode ser adaptado, descobri uma maneira eficiente e segura de fazer caldos base para as minhas sopas. Espanei as teias de aranha da minha panela elétrica, chamada aqui de crockpot ou slow cooker. Ela cozinha em baixíssima temperatura num pote de cerâmica. Você joga lá os ingredientes e deixa cozinhando o dia inteiro ou a noite inteira e depois de muitas horas, voilá, é só coar o caldo.

Tenho feito caldos ótimos com os inúmeros legumes e verduras que teimam sobrar da minha cesta de segunda-feira. O básico é:

cenoura, salsão, pimentão, uma cebola espetada com cravos, basilicão fresco, ervas secas amarradas com um barbantinho, batata doce ou abóbora, nabos e verdura verde em fatias. Se tiver resto de frango ou carne, para um caldo de frango ou carne. Senão somente os legumes dão um caldo ótimo. Adiciona água, vinho branco, um pouco de sal e deixa cozinhar por pelo menos doze horas. Eu tinha esse crockpot há um ano e ainda não tinha achado um utilidade pra ele, que estava entrevado junto da máquina de fazer pão, da fazer macarrão e da centrífuga. Mas nada como um dia após o outro...




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